Equipa B, a última tentação
Em nenhum momento dos mais de 100 anos do Sporting se havia visto algo como agora deparamos quando olhamos para a classificação, decorridas que estão oito jornadas. Tristeza, frustração, revolta são sentimentos que certamente hoje todos partilhamos, acrescidos pela difícil compreensão do que está a acontecer.
São muitos os diagnósticos e poucas as certezas. É mais fácil hoje afirmar que foi um erro despedir Domingos, contratar Sá Pinto, despedi-lo e por Oceano a ver o que dava. Por coerência, mantenho-me fiel ao que disse nos respectivos momentos: pareceu-me boa a aposta em Domingos, pareceu-me inevitável o seu despedimento e, embora constituísse uma surpresa a promoção de Sá Pinto, os resultados por essa via alcançados foram pelo menos razoáveis. Todos os "diagnósticos" feitos à posteriori merecem-me pouca consideração.
Hoje são as muitas dúvidas em torno da valia do plantel - que me parecem manifestamente exageradas, veja-se o que já se dizia de Jeffren - mas elas não justificam nem as exibições, nem os resultados, nem muito menos a posição na tabela classificativa. Desta forma, e tentando racionalizar, só consigo vislumbrar duas explicações: a qualidade do trabalho desenvolvido (e as opções técnico-tácticas), e as contingências da própria actividade desportiva.
Hoje são as muitas dúvidas em torno da valia do plantel - que me parecem manifestamente exageradas, veja-se o que já se dizia de Jeffren - mas elas não justificam nem as exibições, nem os resultados, nem muito menos a posição na tabela classificativa. Desta forma, e tentando racionalizar, só consigo vislumbrar duas explicações: a qualidade do trabalho desenvolvido (e as opções técnico-tácticas), e as contingências da própria actividade desportiva.
Quanto à qualidade do trabalho e a vertente técnico-táctica, desde os primórdios da época que sobravam as dúvidas e faltaram as certezas. Às primeiras opções de Sá Pinto*, privilegiando a posse de bola e a segurança em construção, sucedeu-se o descalabro, com o desmantelar do alicerce de qualquer equipa: a segurança defensiva. Segurança de que não é apenas responsável o último quarteto, mas sim, tal como todos os momentos do futebol, de toda a movimentação colectiva.
Ontem, o primeiro jogo de Vercauteren, deu ainda para perceber pouco, mas não me parece muito honesto castigar hoje a defesa por causa de um golo irregular, mesmo descontando os erros de posicionamento. O que é facto é que o Sporting perde por causa de um golo fortuito e outro irregular. Isto dito não invalida que é prioritário trabalhar muito e trabalhar melhor a forma como a equipa defende. E, para uma equipa de um clube grande como é o Sporting, isso que dizer começar a defender assim que se perde a bola. Há muito a fazer nessa matéria e não é apenas no último reduto a precisar de melhorar.
Sou dos ainda não desisti de defender a qualidade geral do plantel, mesmo considerando que falta concorrência/alternativa a Wolfswinkel, o excesso de jogadores semelhantes no meio-campo e excesso de juventude no ataque. Mas essas fragilidades não explicam tudo e o mesmo devem estar a pensar os adeptos do Liverpool ou do Lakers (tudo parecia perfeito...). Todos estaríamos longe de imaginar vermo-nos na posição que nos encontramos. A actividade desportiva está longe de ser uma ciência exacta, capaz de nos dar respostas lineares.
Ainda de ontem sobram as declarações de Vercauteren, que considero que esteve bem na conferência de imprensa. Hoje prefere-se dar o enfoque a uma frase «Fiquei desiludido com alguns jogadores», quanto a mim de forma manifestamente exagerada face à forma como foi proferida. Mas, seja qual for o alcance que Vercauteren queira dar, é um erro deixar de contar com estes jogadores. Porque não me parece que o problema seja de falta de atitude, como habitualmente se define o compromisso dos atletas com a equipa e o clube, e porque não se pode todos os anos reconstruir um plantel.
Desenganem-se aqueles que vêm na equipa B a salvação. Além de Mendes e eventualmente João Mário (que não tira o lugar a Rinaudo...) não há jogadores ainda suficiente "crescidos" para fazer face às dificuldades do que nos espera até ao final do ano. Metê-los nesta fogueira não só não resolverá os problemas dos A´s, como se estragará o que está a correr bem na equipa B. E isso não são tanto os resultados, mas sim a consolidação do muito valor individual que por lá abunda. A tentação dos ovos de ouro é grande, mas são apenas isso, ovos, e para sair desse momento é preciso muito mais do que promessas.
O que o Sporting tem feito nos últimos anos é saltar de modelo/projecto ao sabor dos resultados, sem grande convicção. Ao primeiro desaire deita-se fora tudo: o que foi bem feito, e o que não foi. Por norma começa-se sempre pior, porque há quase tudo para fazer.
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*Vários foram os comentários depreciativos sobre o post na barra lateral Sá Pinto, o Guardiola do Sporting? Para quem não se deu ao trabalho de ler, o post foi motivado por uma frase de um treinador de um clube adversário e não se tratava de uma afirmação. Mas estou habituado a dar a cara pelas minhas convicções e que se diz no post, (acrescido pelas contribuições dadas nos comentários) sobre a escolha de um treinador, serviu para analisar aquele momento. Mas o post está muito para lá de se centrar apenas em Sá Pinto, pelo que me parece continuar actual, e, já agora, merece uma vista de olhos.















