quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Juventus 2- Sporting 1: Quando se vai com meninos à ópera

O Sporting fez o que lhe competia hoje em Turim, frente a uma equipa que não é nem mais nem menos que a finalista vencida da Liga dos Campeões da época passada. Marcou primeiro, sofreu um golo indefensável e podia ter trazido ponto para Lisboa com toda a justiça. 

Mas no futebol a justiça constrói-se com os golos que se marcam e se sofrem. E o Sporting acabou por perder o ponto que tanto jeito lhe daria por causa de um erro individual, do suspeito do costume. Não se pode levar meninos aos grandes palcos, a possibilidade de nos deixarem ficar mal é enorme.

Como é evidente, as substituições de JJ são altamente discutíveis, embora isso só agora se discuta justamente por causa do tal golo, perfeitamente evitável. Não fora isso e estaríamos agora todos muito mais satisfeitos. 

Bonita a homenagem dos italianos à vitimas dos incêndios. Pena as palminhas do costume no minuto de silêncio. Quem viu o que sucedeu no jogo de ontem em Leipzig perceberá que de facto o silêncio é uma homenagem grandiosa.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Correio da Manhã: de exclusivo a excluído

Há quantos anos - sim, anos! - o Correio da Manhã publica noticias lesivas dos interesses do Sporting? Há muito seguramente. Então porquê agora sou agora uma tomada de posição dura como a proibição da frequência das instalações do Sporting? Segundo justificação do presidente Bruno de Carvalho foram as noticias relativas à sua esposa mas também funcionária do Sporting que motivaram a tomada de decisão. 

Foi então preciso mexerem com os seus interesses pessoais para tal? 

Se assim não fosse o Correio da Manhã poderia continuar a especular, mentir, inventar denegrir o clube?

Bruno de Carvalho já deveria perceber melhor quem são os seus amigos e os seus inimigos. Se assim fosse saberia escolher melhor a quem dar exclusivos. E saberia também que a generalidade dos Sportinguistas não quer saber da sua vida pessoal mas sim da forma como conduz os destinos do clube. Por isso, ao invés do insulto gratuito e de baixo nível, melhor seria esclarecer os Sportinguistas relativamente às noticias do referido jornal. 

Afinal é ou não verdade o que lá vinha relatado relativamente à situação profissional (horários, vencimentos, medidas tomadas) da esposa e funcionária? 

E porque remete para uma AG esses esclarecimentos se a toda a hora e muitas vezes por coisa nenhuma (ou até mesmo para comentar assuntos que não nos dizem respeito directamente mas apenas aos adeptos de outros clubes)  há sempre um comunicado pronto a sair? 

Essa seria a melhor forma de atalhar as especulações, pondo assim uma pedra no assunto. Não o fazendo está apenas a dar combustível para que o assunto vá ardendo em lume brando.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Podence fazer brilhar Palhinha e outros no plástico

O Sporting cumpriu com distinção todas as suas obrigações no seu jogo de estreia na edição deste ano da Taça de Portugal: antes de se dar inicio ao jogo o Sporting cumpria o seu papel e tradição, apresentando-se, sem manobras nem subterfúgios, na vila de Oleiros, respeitando assim as populações locais, o clube anfitrião e o espírito da competição. Quando o jogo se iniciou, apresentou-se sério e competitivo, cumprindo a sua obrigação de ganhar e seguir em frente. 

Antes de encerrar a festa da Taça doou ao clube local a receita do jogo, ajudando uma colectividade - os bombeiros locais - do cada vez mais distante, esquecido e massacrado interior do País. Uma jornada que certamente não tem a repercussão mediática de uma eliminatória da Liga dos Campeões, mas que, pelo seu significado, não deve deixar de nos encher a todos de orgulho.

Quanto ao jogo propriamente dito e para lá do destaque já dado à seriedade com que foi encarado, à que realçar as oportunidades concedidas aos menos utilizados, que foram amplamente aproveitadas por Palhinha e Podence. O primeiro até mereceu uma inusitada menção particular de JJ no final do jogo embora me pareça que nela não deveria faltar o destaque do pequeno jogador, cujas três assistências foram determinantes para a construção do resultado. Boas indicações deixou também Matheus Oliveira, a reclamar certamente que há sempre lugar para quem tem talento. E claro, Rafael Leão, porque quem marca e logo numa fase tão precoce da carreira, tem sempre direito aos seus primeiros quinze minutos de fama.

Não posso terminar sem mencionar o ARC Oleiros, pela postura digna e abnegada, que certamente honrou os seus adeptos e a generalidade dos locais. Uma palavra especial ainda para o seu técnico, um sportinguista dos pés à cabeça, cujo discurso deveria constituir uma fonte de aprendizagem para muitos dos que, com muitos mais ganhos, se pavoneiam à custa do futebol.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Taça de bom-senso e como resolver a "questão Alan Ruiz"


Taça de bom-senso

Depois de vários rumores a circular na imprensa eis que o presidente Bruno de Carvalho esclarece a posição do Sporting relativamente ao jogo da Taça em Oleiros, pondo fim à especulação. E não podia fazer de melhor forma: com elevação, com respeito pelas regras e pelo que o Sporting representa, pelo adversário e até mesmo pela população que será nossa anfitriã. 

Talvez a memória me atraiçoe mas não me lembro de um comunicado tão "à Sporting" sob a sua vigência e onde me revejo na totalidade. Muito bem!

A "questão Alan Ruiz" 

Muito se tem falado de Alan Ruiz. Foi uma das aquisições mais dispendiosas do ano passado e vinha rotulado de craque. Porém tarda em justificar quer o rótulo, quer o preço, conseguindo apenas alguns lampejos de classe, de todo insuficiente para justificar a titularidade. Até ao momento JJ não tem sabido gerir bem este problema, uma vez que a cobrança sobre o jogador vem aumentando - o que deve ser entendido com toda a naturalidade - mas apesar disso o treinador continua a insistir nas presenças do jogador quer como titular, quer como suplente. 

No passado clássico, com o FC Porto, cheguei a temer o pior quando saltou do banco para o aquecimento. Naquelas circunstâncias - resultado desfavorável e necessidade de ganhar - e em Alvalade seria de todo desaconselhável e, a menos que um cada vez mais improvável golpe de génio surgisse, tinha tudo para correr mal.

O que fazer então com o jogador, quando se acumulam já rumores de saída, quando esta dificilmente será vantajosa para o clube, atendendo à baixa produção do jogador? Desistir não me parece para já apropriado, atendendo às circunstâncias já expostas e até mesmo porque se trata de um jogador com talento. Tendo em conta que há uma evidente falta de adaptação às exigências do futebol europeu, é claro que o jogador precisa de jogar o máximo de tempo possível mas em momentos em que a pressão seja menor.  

Como por exemplo nos jogos fora e de preferência quando resultado esteja encaminhado.  De igual modo nos jogos da Taça com equipas menores e Taça da Liga. E nas jornadas de jogos em casa porque não pô-lo a jogar na equipa B? O futebol da II Liga, apesar do menor índice técnico, algumas características com as quais Alan Ruiz precisa de saber lidar melhor, como são por exemplo a necessidade de luta e no contacto físico, aquilo que o adepto normalmente designa como "atitude".

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sporting 0 - FC Porto 0: empate na coligação

No clássico entre Sporting e dragões tinha à minha espera quatro surpresas. Três de carácter negativo e uma positiva. 

Negativas:

- O aperto de mão entre Pinto da Costa e Bruno de Carvalho em plena tribuna de Alvalade. Sendo favorável a relações institucionais com todos os clubes, há que haver algum decoro e memória. O facto de o poder ter mudado de mãos não é possível apagar tudo quanto de negativo representa para o futebol nacional e sobretudo para o Sporting o tempo de Pinto da Costa. E, avaliando pelo que se vai vendo, parece haver mesmo uma coligação em que o Sporting se vai deixando envolver como figura secundária, que nada de bom resultará para o nosso clube.

- A forma como o Sporting e Jesus muito particularmente se deixou surpreender pela estratégia de Conceição, que nem sequer era propriamente inédita. 

- A incapacidade revelada pelo mestre JJ para, depois de surpreendido, dar a volta por cima da estratégia do aluno Conceição, parecendo revelar a aceitação tácita da incapacidade e do nulo como o melhor resultado alcançável.

Este jogo serviu também para algumas confirmações:

- A confirmação de uma precoce saturação física, principalmente nos jogadores que são o pilar onde assenta a qualidade desta equipa, ou se quiserem o poder diferenciador: Acuña já nem consegue apontar os cantos para lá da linha da pequena-área. Bruno Fernandes, que em condições normais poderia ter feito o golo, foi quase sempre engolido pelos adversários. Gélson Martins, sempre muito vigiado, sem qualquer objectividade ou poder para fazer chegar a bola a Dost. Quando as pessoas perguntam o que é feito do Dost 16/17 eu pergunto quantas vezes é que ele foi servido como era em 16/17.

- A confirmação que há um fosso considerável, em alguns casos profundo, entre primeiras e segundas linhas. O Jonathan que se tem visto não teria lugar em muitas equipas que ficarão abaixo de nós na tabela. Piccini é incansável a correr mas, bem espremido, o sumo final do seu jogo é pouco e qualidade baixa para as soluções que o Sporting precisa.

- Coates e Mathieu, no seu melhor, são quase perfeitos. Rui Patricio, seguido de perto por Mathieu, foi o nosso melhor e garante do ponto alcançado.

- É preciso um T para acompanhar os dois D's e fazer um DDT letal. Explico: Doumbia lesionado deixa à vista a insuficiência de soluções no ataque à disposição do treinador, que lhe permitam alterações ou surpreender os adversários.

- O empate deixa um sabor de oportunidade perdida, por não se ter aproveitado o ensejo para assumir a liderança ou para distanciar um pouco mais de um SLB em crise. Mas deixa também um sabor amargo por se perceber que o adversário de ontem está melhor que nós, ontem foi melhor que nós e tem mais soluções que nós. 

- A surpresa positiva da noite foi a homenagem a Adrien. Com muita pena minha ainda se ouviram alguns assobios, que depressa foram abafados pelos aplausos. É bom que jogadores que foram referência na sua passagem pelo clube saiam sem a que isso equivalha um trauma ou incompatibilidade. É afinal normal que os filhos saiam da casa dos pais e indesejável que isso signifique um corte de relações, especialmente tendo em conta o facto de sermos um clube formador e o exemplo que fica para aqueles que continuam.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Sporting 0 - Barcelona 1: Que mal fizemos aos deuses?

Não fizemos um jogo perfeito, faltou aqui e ali qualquer coisinha. Mas mais uma vez não merecíamos tamanho castigo, perdendo por um autogolo de uma frialdade cruel. Que mal fizemos aos deuses do futebol? Até quando seremos penalizados em momentos importantes e que poderiam significar uma importante conquista ou inversão de tendência? 

Não tendo feito um jogo perfeito ainda assim fizemos um jogo competente. Onde isso não se verificou foi no momento de decisão nas jogadas no ataque, o que é particularmente penalizador quanto tal sucede com equipas de alto coturno, como indiscutivelmente é o Barcelona. Se a eficácia é determinante em todos os jogos, nestes é quase tudo, sabes que o desperdício te será fatal

Talvez seja por isso que no final do jogo possa ter nascido a ideia de que podíamos ter sido mais ambiciosos, mais audazes e, de forma associada, que este Barcelona não é uma equipa forte, mesmo que não tão forte como há alguns anos. Não é essa a minha opinião. Talvez seja ainda cedo para perceber que Barcelona é este, mas é indiscutivelmente uma boa equipa, talvez possa ter perdido para já alguma espectacularidade e fantasia (Neymar...) mas é também agora uma equipa mais equilibrada e organizada. 

Mas com toda a justiça há que reconhecer que muita da ausência de fulgor se deveu à forma como o Sporting soube tornar o jogo desconfortável para Messi & Cia. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, anulou com uma jogada de mestre (marcação mista de Mathieu ou Battaglia) Messi, reduzindo-lhe o espaço (físico, onde se movimenta e temporal para decidir) como o próprio referiu no final do jogo:

«Por muita qualidade que tenhas, quando não tens espaço o jogo torna-se mais difícil para ti»

Apenas não concordo com a individualização das responsabilidades no desfecho final sobre Bas Dost. Como é óbvio, se tivesse rematado e falhado a esta hora estaríamos todos a pensar - e provavelmente a dizer - que poderia ter solicitado a meia-distância de Bruno Fernandes.

Infelizmente não pudemos ter Gélson em elevados níveis de inspiração. Doumbia quase nunca pôde usar a velocidade para explorar a profundidade, passando ao lado do jogo. O mesmo se pode dizer da influência de Acuña em missões de ataque e tudo isso certamente porque tinham na cabeça a importância de defender para anular o adversário, o que de certa forma conseguiram. O problema, também sinalizado por JJ, é que os nossos jogadores poucas vezes são chamados a este grau de exigência e obrigados a viver sem bola no decorrer de uma época. A história de "mudar o chip" é mais fácil de dizer do que realizar.

Destaques individuais para os bons desempenhos de Patrício, Mathieu, Bataglia e William. De igual modo para o jogo abaixo do que sabemos valerem de Gélson, Coates. Piccini está melhor mas continua curto para sermos mais fortes ofensivamente.

Arbitragem "sabichona", a que não será nada alheia a "criteriosa" escolha da UEFA por um árbitro romeno...

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sporting na ilusão de querer travar Messi & Cia

Grande jogo em perspectiva para a próxima quarta-feira! Foi para recebermos estes jogos e desfrutarmos destes ambientes deslumbrantes e plenos de emoção que quisemos um estádio ao nível do que então melhor se fazia. E, agora que temos pela frente o Barcelona, depois de o ano passado termos recebido Real Madrid e Borussia de Dortmund, sentimos que esta é "a vida que sempre quisemos". Por isso o sentimento que nos assalta imediatamente é a vontade de despir o papel de meros figurantes e por a Europa do futebol a olhar para nós mais uma vez, só que desta feita enquanto contamos os contos (euros) e os pontos. 

A ideia de ganhar ao todo-o-poderoso Barça certamente que não sai da cabeça dos adeptos, até dos mais pessimistas, embora ela pareça ilusória nas horas de maior realismo. Mas, embora as apostas não nos favoreçam, é obrigatório pelo menos ter essa ambição e dessa forma preparar esse jogo. Porque nada nasce da descrença e da ausência de vontade. Há apenas duas coisas que não desejo: resultados humilhantes, pelo seu efeito negativo sobre o ânimo dos atletas e dos adeptos e no prestigio do clube e lesões. 

"Temos muita responsabilidade. Agora o Sporting tem de ganhar pontos. Estamos convencidos de que podemos conseguir algum frente ao Barça". (JJ)
Ao contrário do que se chegou a pensar, o Barcelona não ficou viúvo com a saída de Neymar. E nem mesmo o turbilhão de decisões incompreensíveis e disparatadas que marcaram a preparação da temporada fez ajoelhar a equipa. Ao contrário: esta é melhor trajectória de sempre nas primeiras seis jornadas. 18 pontos, 18 golos à maior (20m-2s), o que lhe confere não apenas a liderança da tabela mas também de melhor ataque e defesa em simultâneo. Algo que parecia inalcançável visto do jogo da Supertaça com o Real Madrid. 

Para tal contou certamente com a maturidade e segurança de Ernesto Valverde e a sua opção por um surpreendente regresso às origens no que diz respeito ao posicionamento de Messi, com Suarez a fazer de Villa ou Thiery Henry e o azarado Dembelé destinado ao papel de Pedro.  O regresso de Messi a 9,5, (zonas mais centrais, portanto), fez dele o goleador e melhor rematador de La Liga. Na brincadeira já se vai apontando que afinal, e ao contrário do que se dizia, era ele que precisava de sair da sombra de... Neymar.

Do ponto de defesa do nosso último terço de terreno, e apesar dos números avassaladores na La Liga, há aqui uma janela de oportunidade. Apesar de já ter voltado aos golos na estreia de um novo dérby catalão (Girona 0 - Barcelona 3), Suarez precisa ainda de tempo para se adaptar ao que de novo se lhe pede, ele que até é a personificação de um "9". Dembelé vai ver o jogo da enfermaria e em Girona o lugar foi entregue a Aleix Vidal, que parece ter renascido com Valverde. 

Mas o dilema é permanente e requer muita concentração: se atacas Messi o risco de quebrar a linha defensiva ao centro é enorme, por poder abrir espaços para Suarez, que se movimenta letalmente de fora para dentro. Se deixas Messi ali onde ele é exímio a decidir o risco não é menor.

Uma das grandes virtudes deste Barça está na recuperação do equilíbrio defensivo. Certamente que preferiríamos aquela equipa tantas vezes apanhada em contra-pé e inferioridade numérica, muito por causa do espaço que se formava amiúde entre a última linha defensiva e o meio-campo, com este a ser apanhado atrás da linha da bola. Isso ainda foi visível no jogo com o Real Madrid, cuja lição foi depressa aprendida por Valverde. Para tal chamou Rakitic atrás, para perto de Busquets e adiantou Iniesta, beneficiando assim do maior poder atlético e defensivo do centro-campista croata. A entrada de Semedo, capaz de recuperações notáveis, ajudou a consolidar a equipa defensivamente.

É pacificamente aceite que o Sporting terá que passar grande parte do tempo em missões defensivas. E que terá que ser muito criterioso nas saídas para o ataque de forma a não perder a bola em transição, algo que adversário aproveita como poucos o sabem fazer tão bem. Com esta nova versão do Barcelona a exploração do espaço entre linhas, que anteriormente se conseguia imprimindo grande verticalidade às acções atacantes, não deverá ser agora possível. 

Ainda assim, não seria de todo surpreendente que Jesus recuasse Bruno Fernandes e desse a Podence a missão de infernizar o juízo aos defensores catalães. Mas a hipótese mais provável e confiável parece-me ser também a mais conservadora, optando pelo que está testado e com bons resultados: Battaglia,William, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña.

A grande dúvida no ataque do Sporting poderá muito bem ser resolvida em função da escolha de Valverde para o centro da defesa. Não é provável que o técnico estremenho opte por Pique e Mascherano, ao que certamente Jesus responderia com a velocidade de Doumbia na titularidade. Embora Dost seja confiável nos espaços frontais à baliza e possa ser importante nos duelos aéreos, assemelha-se mais favorável à estratégia leonina um avançado com mobilidade elevada, pelo menos na fase inicial do encontro.

Ah, e claro, é preciso sorte. Mas esta, ao que se diz, protege os audazes. Aí, e apesar de tantas vezes traído pelo ego, o Sporting tem um treinador que já deve jogado este jogo vezes sem conta e sempre para ganhar.

Nota: artigo publicado em parceria com o site Fair-Play

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Cinco perguntas sobre Bryan Ruiz

A SAD do Sportin pôs a circular a ideia de  que o Bryan Ruiz recusou-se a sair, não aceitando uma proposta de "8 milhões ano" - entre outras - para justificar o seu afastamento. Fonte da SAD, diz o Record, que se apressou a avançar com a ideia de que, ao não aceitar, o jogador não respeitou o Sporting. 

Pergunta 1: E a SAD respeita o jogador fazendo passar assim, informalmente este tipo de informação?


Pergunta 2: Então e se o jogador - este ou qualquer outro - tivesse pedido para sair exactamente porque tinha uma proposta irrecusável de oito milhões, o que é SAD acharia? 

Pergunta 3: Já agora, que sentido faz ostracizar o jogador que é porta-bandeira da selecção de um país onde até há bom pouco tempo inauguramos uma academia?

E para terminar:

Pergunta 4: Bryan Ruiz não tem lugar no actual plantel? 

Pergunta 5: A sério que há mesmo quem ainda acha que perdemos o campeonato 15/16 por causa do Bryan Ruiz?

domingo, 24 de setembro de 2017

Moreirense 1 - Sporting 1: assim se perdem campeonatos

Foi muito infeliz a viagem do Sporting a Moreira de Cónegos. Não foi feliz no alinhamento da equipa, não foi feliz nas alterações efectuadas posteriormente. Uma vez que a questão da arbitragem foi amplamente abordada após o jogo devo dizer que nessa infelicidade não se pode incluir a actuação do árbitro, porque foram várias as decisões que foram julgadas a nosso favor que poderiam ter outro julgamento, incluindo o lance do golo que nos deu o empate.

Nenhuma equipa joga sempre bem em todos os jogos de um campeonato, mas a diferença entre o sucesso e a falta dele está muitas na superação dos jogos menos conseguidos com resultados favoráveis. Neste aspecto o presente campeonato até não estava a correr mal: os jogos com o Estoril, Setúbal e até Tondela não tinha sido muito felizes mas os três pontos acabaram por ser conseguidos, o que não se veio a verificar em Moreira de Cónegos. Perder pontos com uma das equipas mais débeis da liga é um capitulo muito comum na nossa história de campeonatos por ganhar.

Este foi talvez o pior jogo do Sporting até ao momento. O Sporting nunca se conseguiu adaptar às condições do campo reduzido e do relvado e deixou que o jogo corresse quase sempre de forma confortável para o adversário. Várias foram as vezes que o Moreirense pôde beneficiar da desorganização da equipa para lançar perigosos contra-ataques e quase nunca se viu um Sporting esclarecido e controlador dos melhores jogos desta época. As dificuldades em organizar o nosso ataque foram tantas que Dost praticamente não visou a baliza adversária e Patrício acabou por ser mais vezes chamado ao jogo que o guarda-redes do Moreirense.

O terreno curto e relvado demasiado solto e mole pediam uma equipa compacta e muito reactiva mas quem joga com Alan Ruiz está logo a pôr-se a jeito, parece jogar sempre com um jogador a menos. Com a agravante das ausências de Acuña e Battaglia deixarem William Carvalho e Bruno Fernandes demasiado expostos, até porque Gélson e Bruno César estiveram muito longe na oposição aos adversários e nada esclarecidos a sair com bola.

Já a perder, a reacção de Jesus a partir do banco acentuou a infelicidade que marcou esta partida. O Sporting estava sem organização e relevância no meio-campo e, ao preferir Doumbia, o treinador mais não fez do que facilitar a vida a Manuel Machado, um treinador especializado em parar a nossa equipa. (14 jogos, 2 vitórias, 7 empates, 5 derrotas). O jogo não estava para Doumbia, porque não havia espaço e a bola não chegava jogável, e Doumbia não estava para o jogo, andando perdido entre os centrais.

O que o jogo pedia era mais inteligência ou sem esta pelo menos mais presença física a meio-campo e não mais um jogador desligado da equipa e sem que esta o conseguisse servir, como já estava a acontecer com Bas Dost. Nesse sentido a entrada de Iuri Medeiros foi completamente inútil, muito por culpa do próprio, que tarda em aproveitar as oportunidades. Não estranha por isso que este tenha sido também o jogo mais apagado de Bruno Fernandes. Sem a presença física protectora de Battaglia e sem dividir as atenções dos adversários com as acções de Acuña, não conseguiu impor a qualidade das suas acções.

Como é evidente não perdemos o campeonato, da mesma forma que não o havíamos ganho só porque tínhamos ganho os primeiros seis jogos. Mas sabemos bem que é em jogos destes, com equipas pequenas, com jogos mal abordados desde o seu inicio que se perdem os campeonatos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sporting 0 - Maritimo 0: uma crónica com o patrocinio de Predictor

A estreia do Sporting na Taça da Liga 2017/18 terminou como começou, isto é, sem que tenha sido produzida qualquer alteração no marcador. Não se pode dizer que o resultado e a exibição fossem propriamente surpresa, tendo em conta o número de alterações efectuadas e o facto do adversário estar muito bem orientado.

Apesar disso, esteve longe de ser um desperdício de tempo ou de oportunidade para avaliar a qualidade do plantel face às exigências que a época e as ambições do clube colocam. E, entre dúvidas e confirmações, com avaliações e previsões sob o patrocinio de Predictor (!), cada vez mais se vão cimentando as impressões iniciais. A saber:

- O Sporting tem um lote de jogadores que lhe permite formar um onze que é um forte candidato ao título: Patrício; Ristowski, Coates, Mathieu, Coentrão; William, Battaglia, Gelson, Acuña; Bruno Fernandes e Dost.

- Possui ainda alguns jogadores que, mesmo não sendo primeiras escolhas, oferecem alguma segurança e conforto quando forem chamados e dependendo da inspiração do dia: Doumbia, Alan Ruiz, Petrovic, Podence, Bruno César e Iuri. Incluo aqui também Piccini porque pode ser um segunda linha, como aliás tem sido, embora as primeiras impressões deixadas por Ristowski levam a crer que a titularidade é uma questão de tempo.

- Como se nota no parágrafo acima, não há nenhum jogador para a posição de defesa central ou para lateral esquerdo. Talvez haja aqui alguma precipitação relativamente a André Pinto, pelo pouco tempo de jogo que teve até agora e pela dificuldade de integração que a lesão em inicio de época provocou.

- Já Jonathan é um perigo à solta, mas para a própria equipa, tal é a grau de precipitação, as falhas de posicionamento e o elevado número de passes falhados por jogo.

- Tobias não é tão mau como parece, mas é claramente um jogador diminuído psicologicamente o que, num jogador com as suas limitações, funciona como uma ancora a puxar para baixo.

- Matheus Oliveira é um equívoco porque nem o modelo nem o historial de JJ prevê a utilização de um "10" e o filho do Bebeto dificilmente conseguirá ser reciclado para um "8" ou extremo.

- Gelson Dala e Palhinha não parecem contar para JJ, pelo que, se vier a confirmar a falta de oportunidades, não se compreende a sua incorporação no plantel, mais ainda atendendo à sua idade.

- Em jeito de conclusão e pelo que foi dito acima é obviamente preocupante o número de avançados/pontas de lança à disposição (Doumbia e Dost) em caso de lesão ou impedimento de um ou ambos. E que essa limitação também se faz sentir em jogos como ontem, em que não foi possível aumentar a presença na área como o jogo pedia.

- Há que rezar pela solidez física e de forma de TODOS os titulares da defesa. Até porque já tivemos um exemplo bem recente, em que a ausência de Coentrão na Grécia nos expôs a um sofrimento desnecessário. E se tivesse sido em Barcelona ou em Turim? Ou no Dragão ou na Luz?

Nota importante: O que se passou ontem nos ecrãs de Alvalade foi mau de mais para merecer muitos comentários.Um adepto ou sócio do clube não devia ver o seu presidente expor assim ao ridículo todo um clube, num número de atroz mau gosto.

A comparação com Ronaldo é reveladora de megalomania e ilusão de grandeza que tresanda a transtorno psicológico. Só assim se compreende que um presidente que goza de elevado grau de popularidade se espalhe assim, de forma voluntária, à frente de todos. Sportinguistas, rivais, adversários e inimigos.

Mas o que é mais surpreendente em tudo isto já nem é Bruno de Carvalho mas sim a passividade e indiferença com que estes números são tolerados.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Aprendemos finalmente com os erros?

Seis jogos, seis vitórias, dezoito pontos. E, até ao momento, zero em declarações extemporâneas ou triunfalismos que só servem para acirrar a concorrência.

Disse o presidente no Facebook (!) :

"Nem euforias nem depressões. Foram mais 3 pontos com atitude e compromisso! Trabalho, trabalho, trabalho!

Isto já depois de Jorge Jesus ter dito após o jogo:

"O mundo Sporting, todos nós, temos um objetivo que é sermos campeões e para isso temos de olhar para dentro e não para fora. Por isso em primeiro lugar temos de ganhar, depois se os outros ajudarem melhor, é um dois em um. Mas a nossa pressão tem de ser ganhar, ganhar, ganhar."

Aprendemos finalmente com os erros? Se assim for, estamos realmente mais fortes.

domingo, 17 de setembro de 2017

Sporting 2 - Tondela 0: vitória conseguida à custa da artilharia

Este embate com o Tondela tinha já uma carga especial, por força do resultado do ano passado. O facto de surgir após uma jornada europeia e as noticias que chegavam do estádio do Bessa adensaram ainda mais a expectativa sobre como iria a equipa responder às responsabilidades.

Jorge Jesus mais uma vez, na linha do que vem fazendo esta época, optou por ser conservador nas alterações na equipa a apresentar. Nada de grandes rotações, apenas as necessárias, envolvendo apenas os jogadores mais sobrecarregados. Provavelmente foi por aqui que o jogo começou a ser ganho.

O jogo não foi brilhante mas foi notável pela qualidade do poder de fogo da nossa artilharia. A infantaria não conseguia contornar a muralha beirã, a que não era alheia a inoperância de Alan Ruiz, incapaz de garantir progressão e ligação do nosso jogo pelo centro. Nos extremos a inspiração não abundava para baralhar a defesa e a força aérea não conseguia colocar munições no bombardeiro holandês.

Foi por isso que teve que ser chamada a artilharia. E esta esteve em grande: precisão e força na colocação garantiram os indispensáveis três pontos que garantem a manutenção da liderança, pressionando a vizinhança e distanciando-se mais três pontos do campeão em título. E que golos, senhores!

Assim se construiu uma vitória importante, porque é conseguida num claro contexto de superação da fadiga e desinspiração individual e colectiva. São estas vitórias que no final fazem toda a diferença.

Saliência individual obrigatória para Mathieu e Bruno Fernandes, pela qualidade e importância dos seus remates. E também obviamente para o grande jogo de William Carvalho, que parece estar a caminho da melhor forma de sempre.

Nota final para a colaboração da arbitragem com a dureza incompreensível dos jogadores do Tondela. Qual era intenção?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Olimpiacos 2 - Sporting 3: Tão espectacularmente bons como espectacularmente maus

Se antecipadamente alguém dissesse que uma vitória inédita (na Grécia) e rara (na Liga dos Campeões, a jogar fora) não seria celebrada efusivamente dificilmente seria compreendido. Mas porquê??? certamente seria a pergunta.

No caso especifico do jogo ontem com o Olimpiacos foi sair da banheira de água quente onde demos um banho de bola directamente para um duche gelado. Aquilo que era uma goleada histórica a caminho tornou-se num resultado escasso e cuja vitória só não ficou em causa porque o jogo terminaria imediatamente a seguir ao segundo golo dos gregos. Naquele momento a equipa estava completamente entregue ao adversário e ao relógio.

Uma pena que assim tenha acontecido. Não só por termos tido ao alcance a possibilidade de por o nome do Sporting debaixo dos holofotes do futebol europeu, mas também pela possibilidade real de o curso dos acontecimentos poder ter ferido a confiança da equipa.

Por se tratar de um comportamento repetido parece-me obrigatório olhar retrospectivamente e não apenas de forma isolada para este resultado. Porque não só os resultados deste ano (Estoril, Feirense, ontem) como alguns do ano passado (Guimarães à cabeça) parecem indicar estarmos na presença de um padrão cujas eventuais causas é necessário perceber. Sob pena de vermos retumbantes exibições como as de ontem acabarem com a imagem de uma equipa à deriva, com o credo na boca e até, no limite, com o resultado em causa.

Problemas físicos (a este nível, tão cedo)?  Desconcentração (duas falhas deste teor de Patrício)? Falta de alternativas? Má gestão das substituições? Má gestão dos elementos disponíveis no banco? Ou apenas erros individuais (Jonathan está em quase todos os golos que sofremos recentemente e isso é um dado importante). Podíamos avançar com algumas delas mas mais importante que a opinião pessoal é a compreensão dos responsáveis técnicos (alô JJ!), que não se pode esgotar em raspanetes aos jogadores.

A entrada em jogo da equipa foi determinante. A assistência de Acuña para o golo madrugador é dos compêndios: bola tensa, a cair numa zona de acção indefinida para defesas e guarda-redes potenciou o êxito. Contra-ataques de filme, como o proporcionado pelo passe notável de Coates a isolar Bruno Fernandes, desmontando num gesto apenas toda a equipa grega.

E por falar em Bruno Fernandes, aquele poste devia ter vergonha de devolver para dentro do campo um gesto de repentismo genial que coroaria de ouro esta entrada de leão deste maiato que passou por baixo do foco dos grandes clubes europeus para onde tudo aponta, será o seu destino em breve. Uma equipa que joga assim não se pode depois entregar à mercê da sorte ou do adversário dando a ideia que até se equivalem.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Da reacção à entrevista aos emails do West Ham

Foi assim que terminou o meu último post a propósito da última prestação televisiva presidencial:
 
Não há qualquer justificação para este tipo actuações. Não há qualquer ganho para o clube nem para o presidente. E tão assim é que só a total falta de discernimento e de noção -  ou sentimento de impunidade?... - é que faz com que um presidente invente um número destes, na véspera da inauguração do pavilhão, desviando a atenção da obra tão desejada e que ficará para várias gerações.

Há quem possa ver nas minhas palavras apenas vontade de "dizer mal" mas é o próprio Bruno de Carvalho a  reconhecer o seu próprio falhanço na pergunta que fez no post redigido no Facebook:

"Porque será que vejo muito poucos a pegarem em tudo o que eu disse, e que foi tudo novidade para os sportinguistas, e mostrarem a sua indignação perante as provas que dei?"

Essa pergunta deveria ser feita antes de mais a quem o Sporting paga mensalmente como especialista de comunicação. Porque razão a mensagem não passou? Se o objectivo é realmente comunicar com os Sportinguistas - e não insultá-los, como vai sendo habitual - e se se verifica  que "muito poucos" retiveram a mensagem, talvez fosse melhor perceber o que correu mal para que não se volte a verificar. 

Pensar que o problema reside apenas nos destinatários é arrogância mas também é perigoso. É que a pergunta "Será que já foram engolidos (n.d.r. os Sportinguistas) pela estupidificação em massa de que estamos a ser alvo faz anos?" é tão pertinente neste caso como no das eleições em que  "90% de sportinguistas a votarem em mim".

Relativamente ao caso das pretensas propostas do West Ham nem sequer vou discutir o caso com base nos e-mails. Confesso que quando vi a noticia da Sky Sport temi o pior, que seria ver o presidente do Sporting ser desmentido num caso de repercussões internacionais. Porém, analisando os documentos, não se pode afirmar que sejam propostas formais mas também não se pode negar que sejam "propostas". Não parece contudo, pelo que é possível ver, que sejam propostas finais de uma negociação.

Mais importante do que tudo, prefiro acreditar que o Sporting não empreenderia esta reacção pública da forma como o fez - o comunicado inicial foi excessivo e o "dildo brothers" infeliz, apesar do folclore - para depois ser desmentido pelos factos que se viessem a apurar. Já basta a publicidade indesejada que o caso está a ter, porque seguramente que não é desta forma que queremos que o clube seja reconhecido internacionalmente.

A verdade é que a comunicação do Sporting é muitas vezes pouco melhor que desastrosa ou, numa perspectiva benevolente, irrelevante. Repare-se neste momento em particular: quer a entrevista quer as reacções ao caso West Ham acabam por desviar a atenção dos adeptos de um momento particularmente importante e feliz na vida do clube em que inauguramos o pavilhão e desportivamente estamos a ter inícios de época  felizes e promissores em diversas modalidades. Na comunicação tudo é importante: a oportunidade, a forma e conteúdo.

Não termino sem voltar a referir a inauguração efectiva do Pavilhão. Um grande e tão desejado momento celebrado com uma vitória, precisamente na véspera em que se cumprem 44 anos sobre a chegada à presidência de  João Rocha, que muito justamente os Sportinguistas decidiram reconhecer, dando o seu nome à nossa nova casa.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A entrevista de Bruno de Carvalho: é disto que se vai falar hoje

Não há adjectivação possível para a última intervenção televisiva de Bruno de Carvalho no canal televisivo do clube. Mas mais do que mais este episódio grotesco preocupa-me a aprovação e por vezes até - pasme-se!  - o aplauso com que os adeptos continuam a dedicar-lhe. Que não haja qualquer dúvida: sem uma rejeição forte e expressiva e em número substancial de adeptos, cenas como estas continuarão a decorrer e tenderão a agravar-se. 

Infelizmente não creio que tal possa vir a acontecer. Porque nem o presidente nem quem o apoia incondicionalmente parece perceber que  não se pode ser simultaneamente o bobo e o rei. Não é mau para o bobo mas é mortal para o rei. 

De forma quase desesperada (percebe-se...) há quem queira fazer crer que "o conteúdo é mais importante do que a forma". Caramba, estamos quase a entrar na terceira década do século XXI! A imagem não é tudo mas quase, é por aí que quase tudo começa. Ninguém compra os sapatos mais confortáveis do mundo, nem sequer perde tempo a olhar para eles se forem desagradáveis à vista. Ninguém acaba uma refeição num restaurante se o empregado lhe deposita na mesa um prato com mau aspecto, ainda que seja a mais apurada iguaria. 

Por isso é que o que o assunto de hoje não é o que o Bruno de Carvalho disse mas sim o seu número burlesco. E, acrescente-se, muito do que foi aí dito não é assim tão importante para a vida do Sporting, é-o sobretudo para justificar a actuação do presidente o que, convenhamos, ainda não é a mesma coisa. 

Não há qualquer justificação para este tipo actuações. Não há qualquer ganho para o clube nem para o presidente. E tão assim é que só a total falta de discernimento e de noção -  ou sentimento de impunidade?... - é que faz com que um presidente invente um número destes, na véspera da inauguração do pavilhão, desviando a atenção da obra tão desejada e que ficará para várias gerações.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

E assim se encerram duas semanas absolutamente notáveis!

Encerrou-se ontem, com a conquista da Supertaça em futebol feminino um ciclo verdadeiramente notável para a vida do Sporting. Começando pelo  nível interno, estamos na liderança do campeonato nacional de futebol e as nossas meninas, fazendo jus ao seu moto "não há desculpas", devoraram todos os títulos que havia em disputa a nível nacional, coroando de ouro a época de regresso da modalidade.

A nível internacional estão asseguradas as presenças de cinco modalidades ao mais alto nível, nas mais representativas ligas europeias de cada competição. Assim, ténis de mesa, futebol, futsal, andebol e hóquei em patins terão uma equipa de leão ao peito como representante nacional, algo que deve ser muito difícil de igualar por qualquer outro clube.

Assegurada que está a presença agora é nossa obrigação prestigiar o clube com exibições e resultados que ponham o nome do clube nas noticias pelos melhores motivos -  os resultados e as exibições - lutando contra o destino traçado à partida pela ditadura dos orçamentos.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Obrigado Adrien, boa sorte e desculpa lá qualquer coisinha

Tudo indica que a transferência de Adrien para o Leicester se irá concretizar, faltando "apenas" a validação por parte da F. A. e FIFA. Falta igualmente confirmar os números envolvidos que, situando-se entre os 25 milhões e 30 milhões de euros me parece não só aceitável como um bom negócio. Inferior, bem sabemos, aos 35 milhões da época passada mas, como bem sabemos, a água não passa duas vezes por baixo da mesma ponte. É uma sorte até que volte a passar outra em quantidade aproximada...

O Sporting perde assim o seu capitão e um profissional de mão cheia, cuja dedicação e empenho permitiram superar todos os maus augúrios e sentenças condenatórias que tantos se apressaram proferir sobre as suas qualidades e carreira. Até mesmo o mau planeamento, da qual a dispensa para Israel é a caricatura perfeita de má gestão.

Não me surpreende que muitas das piores criticas sejam precisamente de adeptos do seu próprio clube. Os Sportinguistas continuam a ter uma relação estranha com os jogadores da sua Academia, que depressa passam de bestas as bestiais e vice-versa. Por ser um bom profissional cobra-se-lhe o facto de ter cumprido o seu dever como atleta ao serviço da Académica. Por querer o melhor para a sua carreira (jogar num dos melhores campeonatos do mundo de clubes) e por querer oferecer a si e aos seus um futuro melhor acusa-se de só pensar em dinheiro. 

Bons são quase sempre os outros que fazem precisamente o mesmo com os seus clubes de origem para poderem jogar pelo Sporting. E quando se vão embora levam sempre um obrigado.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Conselho de Disciplina entre a literatura de Saramago e as séries de televisão

A decisão do Conselho de Disciplina é simultaneamente uma revisitação do livro de José Saramago "o ensaio sobre a cegueira" (que o nosso Francisco Geraldes premonitoriamente trouxe ao centro das atenções, quiçá por outras razões...) e a temática dos mortos-vivos, que a série "walking dead" ajudou a popularizar.

A sabedoria popular também aqui se aplica com toda a propriedade: "não há pior cego do que aquele que não quer ver". Vasco Santos, que tinha a seu cargo as imagens proporcionadas pelo VAR, entendeu  que, "após ter visto o referido lance, através de diversas imagens que me foram disponibilizadas" entendeu que não se registou "qualquer agressão ou prática de jogo violento" por parte de Eliseu. 

A credibilidade deste árbitro para exercer a função vê assim passada uma certidão de óbito, a menos que estejamos na presença de alguma doença temporária ou permanente do foro oftalmológico. Em defesa da saúde do árbitro quer a  a APAF ou pelo Conselho de Arbitragem deveriam averiguar porque cataratas, ambliopia, belarites ou glaucomas são doenças que, quanto mais cedo tratadas, maiores são as possibilidades de êxito. Claro que se estivermos na presença de daltonismo, que apenas permite enxergar o vermelho com determinadas características a cura pode não ser possível... 

Sem esta matéria devidamente esclarecida Vasco Santos não deveria voltar a arbitrar. Vou até mais longe, deveria até estar impedido de sair de casa, porque se não consegue enxergar e ajuizar imagens a dois palmos do nariz e com direito a repetição como pode ele conduzir ou sequer apanhar os transportes públicos sem estar devidamente acompanhado? (Já agora que não seja o Rui Costa, que também parece ver muito pouco...).

Já o Conselho de Disciplina ao não querer ver mais que os ceguinhos ("o Conselho de Disciplina, para poder dar como verificada a infração disciplinar não pode nunca prescindir da apreciação que os agentes de arbitragem fazem dos 'lances de jogo), apesar das evidências e dos meios à disposição, não só se torna no tal "pior cego" acima aludido. Torna-se num morto ambulante, engrossando assim o lote numeroso de figuras, figurinhas e figurantes de "Walking Dead" do nosso futebolinho.

domingo, 27 de agosto de 2017

Sporting 2 - Estoril 1: de arrasar até arrastar quase dava empatar

Na recepção ao Estoril dois espectros pairaram no ar: a perspectiva de desperdício de uma vantagem, ante um adversário menos cotado, que tantas vezes nos penalizou os objectivos e o das consequências do esforço a que a equipa vai estar sujeita por via da sua participação nas competições europeias. 

Quanto a este aspecto deve ser salientada e até louvada a mudança de estratégia de JJ, relativamente ao ano passado. Não produzindo alterações de monta na estrutura da equipa principal não só se apresenta mais forte como vai fomentando as indispensáveis rotinas num onze que se apresenta com mais de metade dos jogadores como estreantes no clube.

Há ainda um terceiro espectro no ar: o VAR. Teria esta vitória sido possível sem ele? Na verdade, e atendendo ao percurso dos eventos teria, porque o golo de Bas Dost não teria sido anulado. Mas os lances finais não só dariam um bom argumento a um filme de suspense, servem para comprovar que a aposta na tecnologia como apoio à difícil tarefa de arbitrar faz todo sentido e peca apenas por tardia.

Quanto ao jogo propriamente dito, saliência para o regresso de Alan Ruiz mas ainda a acusar a ausência prolongada e a falta de pré-época. Bruno Fernandes (que livre, que golo!) é que não acusou o regresso à posição 8 e que nos deixa a sonhar com o caso sério que podia ser juntá-lo com William e Adrien em forma, agora que Gélson até já não apenas assiste mas também já marca em dois jogos consecutivos. Acuña trocou para já com ele o papel de assistente, com três em quatro jornadas. Lá atrás há um novo patrão: Mathieu. Fala francês e obriga os adversários a tocar pianinho.

Agora é esperar que a paragem para os jogos da selecção não nos retire o ritmo. É que contar vitórias por número de jogos jogados é coisa para me habituar...

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