terça-feira, 29 de abril de 2014

Atitudes irreflectidas, racismo e pena de morte no futebol

Apresento desde já as minhas desculpas aos leitores por, com a colocação deste post, entrar em incumprimento ao que aqui havia prometido ontem. Porém sou permeável à actualidade, especialmente quando ela nos traz temas tão fracturantes e que me são caros como o racismo, a xenofobia ou a pena de morte.O post sobre as contratações cirurgias virá a seguir.

Começo pela atitude exemplar de Dani Alves. Sem queixinhas e sem perder a concentração deu uma lição de superioridade moral ao seu agressor - sim, o racismo é uma forma de agressão - a quem terá dado muito que pensar. Uma atitude seguramente impensada, reacção à flor da pele, mas de grande alcance.

Depois, a medida drástica e exemplar do Villareal, identificando o autor e banindo-o do clube, ao extinguir a sua ligação como associado. Atitude merecedora dos mais rasgados elogios pela prontidão, mas também pouco reflectida. 

E se no próximo jogo em casa os sócios do Villareal, ou pelo menos os que partilham do mesmo sentimento do ex-sócio, se solidarizam e repetem o mesmo gesto? 

Expulsam todos ou demitissem os corpos sociais? 

Quem ganharia com o que sucederia? 

Provavelmente perdiam todos, porque ninguém sairia satisfeito com o desfecho, incluindo o próprio Daniel Alves.

Há muita hipocrisia e demasiado "politicamente correcto" quando se abordam estas matérias e o futebol não constitui excepção, apesar dos bons exemplos que dá com frequência. Já vivi o suficiente para perceber que entre tiradas grandiloquentes e as reacções emocionais e primárias quando temos que lidar directamente com as questões deste tipo vai uma grande distância. Costumo dizer entre amigos que só sabes se és racista quando o teu filho(a) entrar em tua casa com um individuo de outra raça como namorado(a) ou noivo(a). Esta questão é válida para pessoas de todas as raças, pois o racismo não é exercido exclusivamente de brancos para negros.

Sou obviamente contra qualquer tipo de exclusão, sectarismo ou intolerância, especialmente nas que se baseiam nas diferenças da cor da pele, da origem, do credo politico ou religioso. Mas sou suficientemente perspicaz para perceber que a sua origem radica numa amalgama muito grande de factores socioeconómicos e até de ordem pessoal e cuja análise não cabe aqui. Temas que estão  permanentemente no topo da actulidade em todas as sociedades, a espanhola de forma muito particular. Não podia deixar de ser de outra forma, num país que tem no seu seio uma legião de desempregados e está permanente pressionado nas suas fronteiras por uma outra legião: a de auto-expatriados africanos.

Por assim perceber o problema entendo também que estas matérias carecem de pedagogia adequada que escapa às atitudes drásticas como a que foi tomada pela direcção do Villareal. Atitudes que na prática significam a condenação à morte da ligação afectiva mais importante que um adepto pode ter com o seu clube do coração: ser sócio de pleno direito. O futebol não ganha nada com penas de morte e o radicalismo não se combate devolvendo o mesmo tratamento.

Quando o clube espanhol identificou o seu associado tinha outra possibilidade, antes de tomar a decisão que tomou. Dar a oportunidade ao seu associado de se redimir, pedindo desculpas a Daniel Alves, lembrando-lhe que a sua atitude, perpetrada no seu próprio estádio, mancha a imagem de todo um clube. 

É algo como isto que espero que o Sporting faça, caso algum dia seja chamado a lidar com um problema semelhante. O futebol, mesmo que ainda muito remotamente, é desporto e o desporto é das actividades que mais tem contribuído para o aprimorar o  sentido de Humanidade e para a existência de um mundo mais suportável.

Aproveito o tema para falar em Rúben Semedo. Sendo grave a atitude que tomou na sequência da sua expulsão, terá que se haver inevitavelmente com as consequências. Que estarão longe da irreversibilidade das apressadas sentenças de morte que o acto, feio e impensado, está longe de justificar. Pergunto-me muitas vezes se quem profere estas sentenças alguma vez teve a idade do Semedo ou, se teve, perdeu entretanto a memória para ter autoridade para ser agora tão implacável.

Aguarde-se pela decisão da SAD para ver se o episódio merece mais comentários*. Tão importante como exercício da disciplina é também a avaliação da importância da reincidência deste tipo de comportamento, percebendo as razões que as motivam. Esta é a mesma instabilidade que se nota também no desempenho em campo, alternando, por vezes no mesmo jogo exibições de grande potencial com reiterados erros de palmatória de jogador vulgar.

*P.S.- O Abel, tão veloz em anteriores episódios, talvez até de menor gravidade, foi tão lesto a crucificar os intervenientes que, mandaria o bom senso, dissesse qualquer coisinha mais do despachar para canto o que se passou à frente dos olhos.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Candidatura ao título e contratações cirúrgicas

Os Sportinguistas já não conseguem pensar noutra coisa: a época que aí vem. E justifica-se, há pouco mais a fazer do que cumprir calendário. Pouco mais que é tão só ganhar os jogos todos que faltam e que são ainda por cima com duas das melhores equipas do campeonato. Um bom teste ao profissionalismo, concentração e compromisso dos jogadores com a camisola.

A ansiedade em querer antecipar o futuro também se justifica. Mesmo o mais optimista percebe que o plantel actual precisa de mais do que um mero facelift para estar à altura do objectivo primordial já assumido pelo presidente: ser candidato ao titulo. A esse acrescentar-se-á obrigatoriamente uma presença condigna na Liga dos Campeões, objectivo mínimo que não pode cingir-se a qualquer dimensão etérea, o que implicará na prática prosseguir na UEFA. As restantes competições nacionais, Taças de Portugal e Liga não deixarão de ser também olhadas com a ambição natural de um clube como o Sporting: ganhar!

Essa ambição natural que lhe é inerente pelo seu próprio estatuto de grande não deve porém deixar de ser avaliada de forma relacional com as dos seus concorrentes directos, SLB e FCP. Nesse sentido, e para encurtar no latim, o Sporting manterá seguramente o estatuto de outsider. Isto é, o menos candidato de todos os três. A distância que nos separa é ainda grande, mesmo que se possa encurtar se contarmos com os indispensáveis saber e sorte. 

E que distância é essa?

É a distância dos orçamentos que impõem quase ditatorialmente a sua lei, à qual dificilmente se pode fugir. O Sporting tem esse problema a dobrar, o que lhe torna a missão duplamente difícil. Não seria fácil ultrapassar 1 competidor, ultrapassar dois afigura-se extraordinariamente complicado. É também a distância dos pontos de partida de cada um. O Sporting está a fazer um longo e difícil caminho de regresso e reorganização, assim esperamos, situação bem diferente das dos rivais. Dois factores que contam e muito a em nosso desfavor.

O SLB
No que a candidaturas diz respeito o SLB continuará a ser o primus inter pares. Depois de um ano traumático, a chegada ao título dá a estabilidade para planear. Se o conseguiram o ano passado em circunstâncias mais difíceis é provável que o consigam outra vez, agora em condições mais favoráveis. A dúvida maior advém do que conseguirá manter e transportar para a época 2014/15 nos recursos humanos disponíveis. Jorge Jesus parece de pedra e cal e tudo mudaria se esta "certeza" se alterasse. Fica por saber quantos jogadores tidos como cruciais na performance da equipa se manterão. 

Convém não descurar da análise o que de muito bom Jorge Jesus construiu. Mesmo contando com algumas flutuações na classe de alguns jogadores, o treinador tem à sua disposição um lote superior ao que tradicionalmente se entende como onze titulares. O melhor exemplo pode ser dado com a substituição de Matic. O sérvio já foi para Inglaterra, Fesja pegou de estaca mas nem sequer joga neste momento, sem que com isto a equipa tenha oscilado muito. Conseguirá o mesmo se Rodrigo, Gaitan, Sálvio, Rodrigo, Garay, Siqueira - para falar apenas nos mais desejados - também abalarem até Setembro? Dificilmente, creio, mas deixarão seguramente, mesmo depois de tapados os buracos mais prementes, disponibilidade financeira para "voltar a ir aos caramelos".

O FCPORTO
Quem diria que a grande incógnita fosse nesta altura o FCPorto? Mas que também não convém desprezar. O lote de jogadores à disposição é superior em número e qualidade ao nosso. Há ali jogadores que, com outro enquadramento, podem render muito mais do que renderam na presente época. Crucial será a decisão do lugar de treinador. Não me surpreenderia uma decisão conservadora, como o já muito comentado regresso de Fernando Santos. 

Esqueçamos o nome, olhemos para o perfil. Não entusiasmará muito o topo sul do Dragão mas, depois do sucesso de experiências ousadas com AVB e Vítor Pereira, e o arrojo personificado na chamada de Paulo Fonseca ter acabado com estrondo e decepção, o recuo estratégico para alguém com mais estrada e calos parece quase natural. Estrada calcorreada e calos curtidos no campeonato português, bem entendido. Já experiências com estrangeiros ou até mesmo em Marco Silva deixam mais interrogações que certezas. O treinador do Estoril tem um trabalho meritório mas, do futebol do Estoril ao do FCPorto, distam muito mais do que os mais de 300 km que terá de fazer de autoestrada. 

Nós, o Sporting
O presidente já veio dar conta que não haverá revoluções, apenas operações. Contratações cirúrgicas, nas palavras do próprio. O Sporting tem de acrescentar quantidade e qualidade. Espera-se que haja mais jogos, não apenas os das competições europeias, mas que a carreira nas provas nacionais seja mais duradoura. A actual classificação permitirá, em teoria, chegar mais longe na Taça da Liga. Deseja-se mais sorte com o sorteio de adversários na Taça de Portugal. Sim, inclui ter melhor sorte caso nos calhe um jogo na Luz, o mesmo serve para o Dragão e demais estádios. 

Quantidade não é problema difícil de resolver. Numa perspectiva imediata é isso pelo menos o que se consegue da equipa B. Não muito mais do que isso pois não vejo quem possa significar uma mais valia de forma consistente e não apenas um fogacho aqui e ali. Pensar de outra forma é ou não ter visto nada da equipa B e não perceber as diferenças de ordem física e técnica que ainda separam muitos daqueles miúdos da afirmação plena. Se é certo que num nível acima, num colectivo melhor identificado e trabalhado, pode haver melhor rendimento, é certo que a qualidade dos adversários e desafios também aumenta exponencialmente. 

Quando se fala em qualidade estamos no campo da abstracção e subjectividade. A palavra de Jardim parece-me aqui fundamental, embora me pareça que, das contratações que aparentam ter o seu dedo - Magrão e Héldon - ele não foi muito feliz. 

E porque é que é importante? 

Porque me parece que Jardim gostaria de ter jogadores com outras características que não existem por ora no plantel, e que se adaptem melhor ao modelo que idealiza. E outros, como Vítor (não é um craque mas podia ter sido muito mais útil do que foi) ou André Martins não têm lugar ou não têm as características que ele entende necessárias. Com pena minha, porque acredito que um 4x3x3 com William ao centro, André e Adrien em cada um dos lados, todos os jogadores, incluindo o André, jogariam mais confortáveis, como o Sporting seria mais equilibrado. Aos extremos pedir-se-ia mais jogo interior e entre linhas, de apoio e aproximação ao ponta-de-lança, e não apenas as paralelas à linha lateral em organização ofensiva.

Este será a questão decisiva do nosso próximo campeonato. Os recursos são limitados. São mesmo exíguos por comparação com os dos adversários. No campeonato nacional podemos ficar apenas com as sobras dos outros grandes, embora a boa época este ano tenha aumentado a nossa margem no mercado, quer em credibilidade quer em perspectivas para afirmação de um profissional. Isso empurra o Sporting para o mercados de terceira e quarta escolha e obriga a uma prospecção ainda mais cuidada. Se é certo que a possibilidade de um erro é menos onerosa que "elias e pongóis" o mesmo não quer dizer que seja isenta de riscos.

É desses riscos, da qualidade existente e da que ainda falta, de que versará o próximo post. Não apenas porque o presente já vai longo mas também porque o tema contratações habitualmente canibaliza todas as atenções.

domingo, 27 de abril de 2014

As vitórias de recentes de Mourinho e o sexo

Mourinho é um treinador que suscita polémica. Ele mesmo faz questão de alimentar a fogueira. Hoje conseguiu mais uma vitória fazendo pouco mais para a conseguir do que esperar pelos erros dos adversários. Naturalmente que as reacções não se fizeram esperar, quase sempre marcadas pelos extremos, como não podia fugir à regra.

Respeito, como não podia deixar de ser, quem pensa de outra forma, mas grande parte das vezes ver este Chelsea jogar é uma grande estopada, um verdadeiro suporífero. Duvido que haja quem goste mesmo do que vê, ainda que perceba que gostam dos resultados.

Isto faz-me lembrar uma velha discussão sobre a função do sexo no quadro de discussão da interrupção voluntária da gravidez nos anos 80 ocorrida na Assembleia da República. Na sequência da discussão Natália Correia, dedicaria um poema a um deputado de uma bancada rival, que havia afirmado que "o acto sexual é apenas para ter filhos".

Como não sou do Chelsea nem faço parte da legião de fãs do Mourinho o futebol que os vejo praticar assemelha-se em muito ao que deve ser mero cumprimento da função reprodutora, desprovido de emoção e até mesmo de prazer. Um mero truca-truca, como diria a Natália Correia, sem paixão ou poesia. Nem o sexo é apenas isto nem o futebol pode ser condenado a uma visão tão redutora.

Quanto a Mourinho o seu curriculum fala por si. Continuo no entanto a estranhar que tenha tantos aficionados entre Sportinguistas. Mourinho foi funcionário do Sporting num momento em que ninguém se lembraria dele para nada. Essa passagem seria decisiva para conhecer Robson e começar a sua carreira de treinador, mesmo considerando que Mourinho se fez a ele mesmo. Esse favor Mourinho pagou-o sempre com frieza, indiferença e muitas vezes com desprezo e falta de respeito. Com que coerência podem exigir a outros profissionais que representem o clube o que desculpam a Mourinho

sábado, 26 de abril de 2014

A minha homenagem a Tito, o marechal tranquilo

O mundo, o do futebol em particular, recebeu com choque e consternação a noticia do falecimento de Tito Vilanova. Eu não lhe fiquei indiferente.

O meu coração não tem espaço para dois amores. O Sporting, no que a clubes diz respeito, não apenas o preenche na totalidade como frequentemente o transborda. Por isso não tenho segundo clube, aí sou o mais promíscuo e devasso. Hoje gosto de um, amanhã de outro e a maior parte das ocasiões não chego sequer a gostar. Mas há uma linha condutora nessas preferências de ocasião há quase sempre pontos em comum: ou a paixão contagiante dos adeptos, ou um jogador ou treinador da minha preferência, quase nunca o facto de ganhar muito ou pouco e quase sempre o futebol praticado. O Barcelona pelo privilégio de ter visto jogar a melhor equipa de sempre, até por razões de afinidade com a cidade e região, é um desses amores. Por isso o choque pela morte de Tito Vilanova também me chocou mais do que a morte de alguém muito conhecido.

Do antigo treinador conheço apenas o que é público. A imagem que construí dele corresponde inteiramente à que hoje vejo projectada nos órgãos de comunicação social: mais do que um grande treinador, um bom ser humano. Sei o quanto isto é comum dizer-se de quem acaba de morrer, os cemitérios estão cheios não só de insubstituíveis mas também de defuntos magníficos que em vida fizeram, muitos deles, questão de ser precisamente o oposto. Não será certamente por acaso que o Barcelona elegeu a fotografia de um Tito de polo, calças de ganga e sapatilhas. Tito deu sempre ares de grande descrição.

Tito deixou a sua marca no futebol espanhol. Como adjunto de Guardiola conheceu todas as vitórias possíveis. Na fugaz passagem pelo posto de comando conseguiu a tão famosa Liga de todos os recordes, tendo no seu encalce nada mais nada menos que o Real de Mourinho, por muitos considerado o melhor do Mundo. Se há mérito que deve ser reconhecido ao "marquês", como era conhecido,  é o facto de ter recebido uma obra prima e assim a ter continuado, sem a desvirtuar. Daí o titulo do post. Tito foi um marechal que sobriamente soube perceber e preservar  as ideias mestras onde o sucesso do seu clube se construiu. Isto quando muitos esperariam que, com a partida do criador, tudo se desvanecesse. 

Seria o pior e mais impiedoso dos adversários a derrubá-lo, com toda a indiferença e crueldade que se lhe conhece: o cancro. Justamente no momento em que se pareciam abrir para ele as portas de uma carreira de sonho no clube do seu coração.

No futebol não há insubstituíveis, the show must go on. Por isso os meus pensamentos vão para os familiares e amigos, que terão que lidar com a perda irreparável. Tito deixa dois filhos ainda bastante jovens e para eles não há banco, plantel e contratações como recurso, ninguém poderá substituir o que Tito representaria para eles. 

Se é nos pormenores que nos revelamos Tito deixou-nos algumas pistas. Seja na carta de despedida do cargo de treinador, que pode ser lida aqui, como na forma como decidiu marcar os seus últimos momentos. Antes de ser internado, certamente sabedor do que o esperava, Tito foi capaz de um pormenor revelador da sua natureza: pediu a um amigo que fizesse as diligências necessárias para poder oferecer à mulher um presente - um relógio - que certamente sabia ir marcar a sua despedida. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O comunicado: o que se sabe e o que fica por saber

O Sporting acabou por emitir um comunicado (ler aqui) visando o esclarecimento das acções tomadas pelo Conselho Directivo sobre o jornal do Sporting, tendo como pano de fundo o despedimento do que restava do corpo de redacção da referida publicação.

Ficamos assim, através da sua leitura, a saber que :

1- O processo de despedimento envolveu sete trabalhadores (e não 8, como aqui havia sido reportado, seguindo as fontes disponíveis) e que tal se insere num processo de restruturação e ajustamento da gestão de conteúdos e plataformas de comunicação.

2- As medidas tomadas correspondem a um modelo definido pelo CD visando melhor organização, maior qualidade e rigor na informação institucional. 

3- A gestão de conteúdos e plataformas de comunicação ficam concessionadas à empresa YoungNetwork Group.

4- Os elementos que virão a trabalhar na área actualmente concessionada terão que ser obrigatoriamente sócios do Sporting.

Alguns comentários avulsos ao comunicado:

1- O despedimento tem implicações mais abrangentes, não se circunscreve apenas ao Jornal do Sporting.

2- O actual comunicado podia muito bem ter sido prévio à divulgação da noticia pelos órgãos de comunicação social, tendo em conta que a elaboração do seu conteúdo não estava pendente de nenhum dado estratégico que não pudesse ter sido divulgado anteriormente. Não é muito importante, é uma questão de forma, mas que evitaria muita da especulação que surgiu sobre o tema.

3- É abordada a existência de um modelo mas cujos contornos não se conhecem e que, valha a verdade, não precisam de ser detalhadamente divulgados. Mas trazer ao conhecimento geral de sócios e adeptos da estrutura que se pretende para esta área - Comunicação e Marketing - ajudaria não só a perceber melhor o que se pretende fazer e o que vai mudar. Por exemplo:

- O Jornal do Sporting, qual é a sua viabilidade? 

- Qual é a sua importância para a relação com adeptos e sócios, nomeadamente com os de faixa etária mais elevada, que são assinantes há décadas e não usam nem usarão as plataformas mais modernas como as digitais?

- O site do clube vai ser remodelado quer no layout quer na variedade de conteúdos, mas sobretudo no que diz à qualidade da informação produzida?

4- Fica-se a saber da concessão dos serviços mas nada é dito sobre o tempo de concessão. Mais importante do que isso é não se perceber qual o(s) critério(s) que presidiu à decisão:

Porquê a YoungNetwork Group? 

Que experiência tem a referida empresa na gestão de conteúdos e de plataformas de comunicação? 

Porque não foi feita uma consulta de mercado?

Ao despedimento dos funcionários e à sua contratação corresponderá não só a esperada melhoria dos serviços prestados, mas também à economia de recursos financeiros? Eles são quantificáveis?

5- A questão de serem apenas elegíveis sócios do Sporting a trabalhar nesta área levanta-me ainda mais dúvidas, algumas delas preocupantes: 

- Como é que a referida empresa chega o conhecimento e como recrutará esses elementos? 

- É-lhes cedida uma lista de sócios elegíveis pelo CD? 

- Aceitam-se candidaturas espontâneas? 

- O facto de ser sócio do Sporting é maior garantia do que ser um bom profissional de comunicação? 

- Se a referida empresa vai cobrar os serviços ao Sporting, se vai ter que pagar aos colaboradores de que necessitará e ainda terá lucro, não seria menos oneroso para o clube assegurar os serviços pelos seus próprios meios, recorrendo na mesma aos préstimos dos associados, muitos deles disposto a fazê-lo pro bono?

6- Esta mudança tem pelo menos um mérito: deixará de ser possível o tradicional "desculpismo". O clube tem agora, como cliente, a capacidade de exigir a qualidade dos serviços que lhe prestam. Parece-me contudo que os problemas de que a área da comunicação enfermavam, poderiam ser dos recursos humanos à disposição, mas passavam também muito pela coordenação e gestão que, ao longo dos anos tem sido deficiente, isto para ser económico e simpático.

7- Convenhamos que muitas destas questões nem são assim tão importantes. Mais importante me parece:
 
- A forma como o CD tomou as decisões, sem se preocupar por exemplo com a transparência das medidas agora tomadas. As intenções podem ser as melhores, o critério adoptado afunila a margem de actuação de quem as toma: os resultados têm também que ser também os melhores sob pena de serem questionadas as decisões e quem as tomou.

- A avaliar pelas reacções gerais o estado do clube balança entre o total alheamento, o deferimento tácito, ou pelo aplauso e aclamação, sem qualquer análise ou raciocínio critico. Sabemos por experiência própria o resultado a que isso pode conduzir.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

terça-feira, 22 de abril de 2014

E depois do último despedimento, que futuro para o Jornal do Sporting?

Não é de agora, há muito tempo, infelizmente demasiado, que o jornal do clube não consegue atrair novos leitores, apesar das várias tentativas feitas nesse sentido pelas diversas direcções. Há pouco mais de um ano foi dado um passo que se julgava determinante, o formato digital, sem que se tivesse conhecido resultados encorajadores.

É fácil atirar as culpas para os potenciais destinatários, os sócios e adeptos, mas a reflexão impõem-se: 

Os conteúdos e a periodicidade são suficientemente atractivos? 

Como é gerido o jornal e por quem e qual a sua experiência na área?

O formato papel e agora digital da publicação continuam a fazer sentido?

Não é possível alargar a publicação a outras plataformas?

Tendo em conta a ameaça permanente à sua manutenção, e sem prejuízo da avaliação acima sugerida, não era aconselhável, por exemplo, a indexação de uma verba das quotas para que o jornal chegasse a todos os sócios, de forma a que a mais antiga publicação europeia do género continuasse a constar do nosso património colectivo?

Isto vem a propósito da noticia que desde ontem circula dando conta do despedimento colectivo do que restava do corpo redactorial do referido jornal que, ao que se diz terá sido substituído pela empresa YoungNetwork, a mesma que trabalha com Bruno de Carvalho desde o momento da sua candidatura. 

O "diz-se que" só surge aqui porque até ao momento não existe qualquer comunicado oficial do clube informando os sócios, o que se lamenta. Provavelmente ela surgirá mas a destempo, tendo a informação chegado por via indirecta, quando podia uma pequena nota no site do clube ter feito toda a diferença.

O facto de se tratar de uma empresa de confiança do presidente parece-me natural, não podia ser o inverso. Porém apenas como situação de recurso e não como decisão definitiva. Não apenas porque o processo de atribuição de competências editoriais em nome do clube deve ser transparente, auscultando o que o mercado tem para oferecer. Mas também porque, a acontecer uma concessão ou outsourcing, há uma mudança radical de modelo de gestão que não pode passar sem se ouvir o que os sócios têm para dizer.

Aguardemos. Mas, tal como disse em ocasiões anteriores, o Sporting tem entre os seus sócios e adeptos, dos melhores profissionais na área que poderiam ser ouvidos ou até mesmo considerados para dinamizar um sector - informação institucional e marketing - que há anos, muitos mesmo, sofre por uma gestão moderna e profissional.

Um nota final mas incontornável:

Não conheço nenhum dos profissionais envolvidos. São os últimos oito de um grupo de sessenta abrangidos por medida idêntica. Lamento o que este este fim abrupto representará nas vidas dos envolvidos. Num grupo tão extenso de pessoas é natural que existam muitos que nunca mereceram a honra de trabalhar no clube. Mas para outros este momentos não é apenas o final de um trajecto profissional num momento particularmente difícil para ficar desempregado, é também o fim de uma ligação especial ao clube do coração. 

Para muitos trata-se de o fim de uma ligação de algumas décadas, não tendo logrado  ao  longo deste tempo, por falta de melhores decisores, melhor enquadramento para as suas qualidades e ambições. É porém de todo indiscutível que o actual molde de funcionamento era até já embaraçoso para a imagem do clube, como se pôde verificar por exemplo na sua última edição.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Onde se começou a decidir o campeonato 2013/14

O ano passado, em pleno verão, no auge da desilusão encarnada, dizia a um amigo benfiquista que o segredo do sucesso desta época estaria na decisão de manutenção ou não do treinador, Jorge Jesus. Estou em crer que ele não me levou muito a sério, provavelmente pensou que o meu vaticínio era um desejo de maldição a estender-se por mais uma época, depois do final catastrófico da de 2012/13. 

Obviamente que, como adepto do Sporting, não tinha qualquer interesse na continuidade de Jorge Jesus. Mas também não me apetecia nada vê-lo mudar de armas e bagagens aqui mais para Norte, para a Invicta. Esse teria sido seguramente o destino do treinador, pois não acredito que Pinto da Costa deixasse passar essa oportunidade. A ter acontecido, podíamos muito bem ver-se estender por mais alguns anos a hegemonia do FCPorto. 

Não deixa por isso de ser paradoxal e até caricato que grande parte da nação benfiquista que há menos de um ano estava na disposição de carregar pessoalmente as malas de Jorge Jesus até ao Dragão, estivesse ontem a celebrar efusivamente uma vitória que, a ter-se cumprido a sua vontade, dificilmente teria acontecido.

Grande parte das decisões do campeonato começam-se a desenhar antes do seu  início e o deste ano não andará muito longe disso. A constituição das equipas técnicas foram obviamente decisivas. Juntaria como momentos de decisão do campeonato a jornada da ida à Luz: a derrota, da forma como foi, deixou marcas em ambas as equipas, impondo-lhes trajectórias opostas: o SLB passou a jogar com a confiança que aqui e ali lhe ia faltando e o Sporting não voltou ao melhor que já havia conseguido. Três momentos que antecederam esse jogo contribuíram também para o desfecho: 

(i) O empate com o Nacional. Apesar do mau jogo o Sporting devia ter ganho esse jogo;

(ii) O empate com a Académica. O mesmo que o com o Nacional, acrescido do facto de se William ter ficado impedido de jogar na Luz;

(iii) A má surpresa de Jardim para o dérby;

O SLBenfica, agora campeão, começou a sê-lo no momento em que decidiu manter Jesus. Não que não o pudesse ser com outro treinador qualquer, mas seria muito difícil chegar alguém que conhecesse tão bem o plantel, que contratasse exactamente os mesmos jogadores, mantivesse a mesma identidade e sobretudo o futebol praticado tivesse a qualidade com o que a sua equipa acaba o campeonato. É verdade que foi exactamente isso que Jesus fez no primeiro ano e que chega à Luz mas os tempos eram radicalmente diferentes.

A razão deste meu vaticínio é também por aqui: há um momento antes e depois de Jesus no SLB: Entre o titulo de 2004/05 e o primeiro de Jesus o SLB coleccionou terceiros e quartos lugares. O final da época havia sido demasiado traumático, especialmente o final da Taça de Portugal, e manutenção de Jesus, sendo um jogada arriscada, significava não ter que começar tudo de novo. O risco da jogada pagou bem.

O FCPorto decidiu interromper o ciclo de Vítor Pereira por o julgar esgotado, sem nunca valorizar o facto de o treinador ter conseguido triunfar mesmo perante a cada vez menor qualidade dos seus plantéis. Pinto da Costa e a sua tão incensada super-estrutura acabaram sendo apanhados de surpresa com a ida de Vítor Pereira para o Oriente, talvez cansado de servir de para-raios à volta do qual se abrigavam todos os que com ele dividiam responsabilidades. Com sorte podem ter arranjado um novo bode expiatório com Paulo Fonseca, mas o trajecto das últimas duas épocas revela que têm havido mais jeito para vender do que para comprar. Não se pode sequer falar em desinvestimento, atendendo ao número de jogadores adquiridos e dinheiro despendido.

Curioso que hoje, nas análises que vi a este campeonato, do qual ainda faltam duas jornadas, falou-se quase sempre de SLB e FCP e muito pouco do segundo classificado, o Sporting. Isto mesmo quando se reconhece justiça na classificação, que já não poderá conhecer alteração no que ao pódio diz respeito. 

Há várias razões para que tal suceda. Desde logo os interesses instalados, para quem o regresso do Sporting aos lugares cimeiros e à luta pelo titulo é uma maçada. Grande parte desses interesses são precisamente os de SLB e FCP, obviamente. 

Depois há uma natural desconfiança que este Sporting 2013/14 seja um epifenómeno que o próximo campeonato se encarregará de normalizar. Essa desconfiança tem também alguma razão de ser: há ainda grandes diferenças entre os plantéis dos três rivais, diferenças essas que este ano foram atenuadas pela conjunção do excelente trabalho de Leonardo Jardim e pela "debacle" do FCPorto. Mas este final de campeonato tem revelado um Sporting algo esgotado de soluções para contrariar o melhor conhecimento do nosso jogo e o facto de sermos levados mais a sério. O jogo da última jornada, em Belém, é um bom exemplo.

Esse é grande desafio da próxima época que, tal como esta, terá que começar a ser ganha desde já: contrariar a ideia de que o Sporting é apenas "uma agradável surpresa" e tornar certo que somos uma "incómoda certeza". O plantel actual é demasiado curto, quer em quantidade quer sobretudo em qualidade, especialmente para lutar pelo principal objectivo - que terá de ser sempre o título - ou para assegurar uma presença condigna na Liga dos campeões. O desafio também estará novamente nas mãos e sobretudo na cabeça de Leonardo Jardim em reinventar o modelo de jogo, quando o actual dá ares de estar algo estafado. 

sábado, 19 de abril de 2014

Ascender aos céus europeus em sábado de aleluia

Poucas linhas para falar do jogo que há pouco acabou por confirmar o segundo lugar e, por consequência, o regresso pela porta grande às competições europeias. E essas linhas devem-se sobretudo ao que foi hoje alcançado, já que o jogo foi demasiado fraco para merecer a interrupção das merecidas férias pascais.

E se o jogo foi fraco tal se deve ao mérito do Belenenses pela forma como preparou o jogo. Linhas recuadas, abdicando de avançado fixo para com isso garantir superioridade numérica sobre o nosso meio-campo. Dessa forma não conseguimos ligar o nosso jogo, ficando sempre muito longe da área azul, facto que Leonardo Jardim nunca encontrou solução para contrariar. Não é demais lembrar que este Belenenses criou grandes dificuldades quer a FCP quer a SLB. Outra razão de fundo para a falta de qualidade do jogo foi indiscutívelmente o péssimo estado do relvado, pouco favorável a grandes recitais futebolísticos.

É muito difícil fazer grandes destaques individuais positivos. Excepção feita a Patrício que, quando foi preciso esteve sempre no lugar certo e na hora certa. E André Martins pelo inconformismo demonstrado em não se deixar cair na mediocridade geral.

Sobre o árbitro direi apenas que foi mais uma demonstração da falta de qualidade que Cosme Machado habitualmente faz questão dar testemunho por esses campos fora.

Não há nada de especial a comemorar com este segundo lugar, que devia ser encarado como a normalidade para um clube como o Sporting Clube de Portugal. Mas se é verdade que os segundos lugares não se comemoram não deixa também de ser verdade que este regresso à normalidade é um feito notável, atendendo ao que foi o ponto de partida. Por isso esta é hora de dar os parabéns a todos quantos tornaram este momento possível.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Feliz Páscoa com Gabriel Garcia Marquez

2 razões para este post: a oportunidade para desejar uma Páscoa Feliz a todos os que lêem este blogue e lembrar Gabriel Garcia Marquez, esse grande escritor colombiano, ontem falecido. Gabriel Garcia Marquez foi jornalista e a crónica que abaixo se partilha foi escrita por ele, num mês de Abril de 1950, retratando uma das suas primeiras idas ao futebol. 

Nesse jogo Garcia Marquez falaria do craque brasileiro Helénio de Freitas, um craque saído em desgraça do Botafogo, com passagem curta pela Argentina, até chegar ao país do café e mulheres bonitas ao Juniores de Barranquilla. Aí haveria de cruzar com Alfredo Di Stéfano, hoje símbolo do Real Madrid, então jogador do Millionários.

Dois anos volvidos Garcia Marquez voltaria a ver Helénio no mesmo estádio. A crónica desse momento, mesmo que breve, condensa um pouco do que é o futebol e as suas contradições.

"No primeiro dia do mês em curso escreveu-se nesta secção uma crónica sobre abril. Esperava este jornalista que no transcurso desses trinta dias acontecessem algumas coisas interessantes, entre elas, que Pafúncio se fartasse com um pratarraz de feijão com arroz no boteco do Perico; que Clark conseguisse seduzir a Srta. Lane sem necessidade de transformar-se em Super-Homem e que Tarzan deixasse de praticar as suas piruetas atleticamente selvagens.

Parece que no que já transcorreu do mês nada disso aconteceu, como não acontecerá no que falta dele, segundo se pode suspeitar. Quanto ao casamento de Ingrid Bergman, as últimas notícias dão a entender que o Director Rosselini ainda espera saber com quem se pareça a criança antes de lançar ao pescoço a coleira conjugal. Em síntese, a única coisa que parece ter dado certo naquela crónica de saudação aprilina foi a comprovada reivindicação do Dr. Heleno de Freitas no gramado do campeonato nacional. Um acordo que poderia encher de orgulho o próprio dr. Gallup, não tanto por sua precisão, mas pela circunstância especial de que quem revelou a notícia a respeito do jogador brasileiro jamais se sentou nas bancadas de um estádio.

Tenho o costume – e isso pode ser uma das formas da inclinação pelo desporto – de observar, nas tardes dos domingos, o rosto daqueles que deixam o estádio. A tarde em que o dr. De Freitas se apresentou pela primeira vez, é muito possível que, se ele tivesse a capacidade de entender certas interjeições castelhanas, teria regressado ao Brasil no primeiro avião. 

O tempo passou e no domingo seguinte, depois de treinar incansavelmente com os companheiros, o dr. De Freitas deve ter chegado à conclusão de que, mais do que tais práticas desportivas, lhe seria melhor uma prática metódica e consciente da gramática castelhana. Foi talvez por isso que lhe correu melhor a sua segunda apresentação, mostrando-se já capaz de compreender que a gritaria vinda das tribunas não era de aprovação, mas de descontentamento. 

Foi já na sua nova apresentação em Barranquilla, de volta de Cáli, que o dr. De Freitas se mostrou capaz de conjugar perfeitamente os tempos simples do verbo “fazer”. “Farei milagres”, declarou à imprensa, ao dar-se conta de que o público queria exactamente isso. Que fizesse milagres. E, segundo me contam alguns que estiveram nesse dia no Estádio Municipal, o que o brasileiro fez foi uma milagrosa actuação. Praticamente, disseram, o dr. De Freitas – que deve ser um bom advogado – redigiu nesta tarde, com os pés, memoriais e sentenças judiciais não apenas em português e espanhol alternadamente, mas também citações de Justiniano no mais puro latim clássico.

Agora ninguém mais discute que Abril foi o mês definitivo para o dr. De Freitas, e isso porque ele aprendeu a traduzir para o espanhol toda essa gíria que tanto prestígio lhe deu em seu país de origem. Como diz um grande contista nosso: “O importante é a gramática.”

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Dois domingos atrás o público de Barranquilla foi ao Estádio Municipal com o único objectivo de presenciar a volta do dr. Heleno de Freitas. Tenho a impressão de que, mais que as mãos para aplaudir, os adeptos levavam as gargantas para apupar. Não seria o mesmo Heleno de há dois anos o que naquela tarde iria aparecer no relvado. Era um homem completamente diferente, dois anos mais velho, já passado pelo torno de uma consciente e multitudinária análise, cujos resultados ainda são desconhecidos, o que impediu a todos que entendem de futebol atrever-se a dizer se Heleno é um génio ou um embuste sem o perigo de ter de se retratar no domingo seguinte.

Os dirigentes do Junior mais uma vez trouxeram o advogado brasileiro aos relvados colombianos, e com isso demonstram possuir um inteligente conhecimento da psicologia colectiva. Um público que paga para ver um espectáculo de qualidade é, de certa forma, um público sem esperança, ao qual nenhuma atracção promete o futuro. No entanto, sendo Heleno o que está na proa, o adepto vai ao estádio como quem leva no bolso um bilhete inteiro de lotaria. Porque com Heleno não existe meio-termo. Se se comporta como charlatão, o público sabe que comprou um bilhete em branco que lhe dá a oportunidade de vaiar. Em nenhum caso uma partida da qual participe Heleno tem probabilidade de se transformar num logro, porque vaiar, da mesma maneira como aplaudir, é uma forma colectiva de reconhecer publicamente um facto.

Os adeptos devem ter observado, através das fotografias que foram publicadas na imprensa local, que Heleno parecia não ter feito outra coisa no Rio de Janeiro senão engordar. De volta à capital brasileira, onde foi recebido como o personagem principal de um filme de bandidos, com revólveres e socos de ida e volta, o “mestre” – ou o palhaço – descuidou-se na sua dieta, guardou no armário, juntamente com o calção e demais artefactos do ofício, a prática diária de ginástica sueca, e ficou à espera de que lhe fosse dada uma absolvição, absolvição que chegou de onde ele menos esperava, ou seja, da episcopal equipe de Régulo Matera. Mas então Heleno começara a engordar. E o público de Barranquilla, que percebeu isso desde a sua chegada, rompeu todos os diques para se permitir mais uma vez o prazer de vaiá-lo.

Como, semanas atrás, me arrisquei a dizer, o Júnior de Barranquilla agora está completo. Quando vencer, será uma equipa admirável, bem-ajustada, com um moral de cimento armado. Se perder – e oxalá isso aconteça poucas vezes - Heleno se tornará mais uma vez o farsante, o palhaço. E com isso o público ficará feliz, já que no futebol se segue a regra de que, quando a equipa ganha, os adeptos também ganham, mas quando perde cabe à equipa enfrentar sozinho a borrasca da derrota. Neste último caso, os adeptos limitam-se a pagar as apostas e a dizer – no caso do Júnior de Barranquilla – que enquanto Heleno de Freitas estiver na Colômbia a culpa é dele e não das camisolas vermelhas às listas brancas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Missão Pavilhão: O que é do coração e o que é da liderança?

Fim-de-semana em cheio para o andebol, ao renovar a conquista da Taça de Portugal, reforçando assim o estatuto de clube mais vencedor da modalidade. Uma boa oportunidade para falar do pavilhão, interesse redobrado pelo lançamento da Missão Pavilhão. Parabéns a todos quantos tornaram esta vitória possível!

Sobre a necessidade de um pavilhão junto ao estádio José Alvalade ninguém contestará a necessidade. As soluções poderiam ser diversas mais ninguém porá em causa que essa é a ideal. Com a definição do terreno onde o erigir acordada entre clube e CM de Lisboa faltará apenas aprovar o projecto arquitectónico (informação que carece de confirmação, mas é a minha impressão pessoal) e erigi-lo. O plano de pormenor esse está aprovado pela edilidade.

No passado sábado o Sporting lançou a "Missão Pavilhão". A informação é ainda escassa, o que de relevante se conhece é que cada sócio ou adepto Sportinguista é chamado a contribuir com 50€, sendo que "dos 50 euros doados, 40 serão para a construção do recinto e cada um dos contribuintes recebe a «Camisola 12 Missão Pavilhão» e um vale no valor de 24 euros em quotas. Quem já for sócio, pode oferecer este vale de 24 euros em quotas a um amigo ou familiar", citando o próprio site do clube.

Aguardo que os contornos e objectivos pretendidos sejam melhores esclarecidos para que melhor se perceba o que agora nos pedido. Contudo deixo as primeiras impressões que o anúncio me suscitaram:

- Nada tenho a opor à modalidade anunciada, pelo menos em abstracto. O apelo ao coração (e carteira...) dos sócios, em particular dos que dispuserem de maior desafogo financeiro, para tornar possível um sonho acalentado há décadas faz sentido. Atrevo-me a dizer que muitos de nós, se pudessem, custeariam do seu próprio bolso o pavilhão.

- Parece-me porém extemporâneo solicitar a participação dos sócios, onerando-os em despesas e responsabilidade pelo êxito da operação, sem previamente se conhecer i) o projecto, ii) os respectivos custos e, o mais importante, qual iii)o contributo da direcção. 

- Liderar é muito mais do que pedir dinheiro para gastar. Neste âmbito há muito a que a direcção está obrigada antes de chamar os sócios a participar. A obtenção de patrocínios (publicidade estática, venda de lugares, etc.)  e o eventual naming do pavilhão são apenas alguns dele, é uma responsabilidade decisiva para o êxito do empreendimento, da qual a direcção não se pode demitir. Só depois deste trabalho feito os sócios deveriam saber o que lhes poderia ser pedido em acréscimo. 

- De outra forma entendo como muito difícil o êxito da missão e o risco de se assemelhar a uma "operação coração" falhada é enorme. O custo estimado de 10 milhões de euros dificilmente podem ser suportados apenas por donativos. E mesmo para que estes tenham o relevo necessário, têm de ter subjacente ideias e projectos muito concretos e transparentes.

sábado, 12 de abril de 2014

De Carrillo até às portas da Liga dos Campeões


O que dizer de um jogo em que Rui Patrício praticamente não teve que fazer uma única defesa?

Ou de um jogo que praticamente começamos a ganhar?

Porém o indiscutível o controlo total do jogo não invalida dizer que podia ter sido melhor jogado na segunda parte, depois de uma primeira parte que, ao terminar com apenas 1-0 a nosso favor, teve algum sabor a injustiça face às oportunidades criadas.

Destaques individuais para Cédric, dominador, confiante, quase imperial. Para Rojo, exibição no mesmo tom, com 1 remate fabuloso ao poste. O número anormal de passes falhados de William é digno de nota, embora se tenha que realçar que também arriscou mais do que o habitual. Finalmente Carrillo, decisivo ao efectuar as 2 assistências que decidiram o jogo.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Quantos jogadores do Sporting cabem na selecção de Paulo Bento?

Uns dias depois do anúncio da continuidade de Paulo Bento e no momento em que, pela proximidade do final dos campeonatos se especula sobre os nomes que farão parte da lista de 23 de Paulo Bento a interrogação faz sentido: quantos jogadores do nosso plantel figurarão no grupo final?

São 6 os jogadores que se poderiam identificar como elegíveis: Rui Patricio, Cédric, Adrien, André Martins, William, e Carlos Mané. 

Deste lote há dois claramente identificados como tendo já o passaporte com visto carimbado: Patrício e William. Patrício é o dono incontestado da camisola 1. William é o mais sério candidato ao lugar de 6 no meio-campo. Tenho muita curiosidade de o ver num meio-campo onde terá ao seu lado muito provavelmente Moutinho e Meireles, ou até mesmo Miguel Veloso sobre o lado esquerdo.

Numa segunda linha estará Adrien. A fazer uma boa época no Sporting parece-me estar à frente de nomes como Ruben Micael os Andrés Almeida e Gomes, mas atrás de Ruben Amorim, talvez o seu mais directo competidor. Paulo Bento sabe bem do que Adrien é capaz, foi ele o primeiro a reconhecer-lhe qualidade, coisa que só perante as evidências só agora muitos vão concedendo. Há 3 factores que concorrem contra Adrien na luta com Amorim: (i) a participação nas competições europeias do jogador benfiquista confere-lhe outra exposição, (ii) o facto de fazer parte de uma equipa mais madura, com mais tempo de identificação entre si e entre o treinador e, talvez a mais importante (iii) a polivalência de Amorim. Este último factor ganha ainda mais importância com as recentes lesões de Lopes e Silvio, que reduz as opções de Paulo Bento para a lateral direita.

Seria pelas lesões destes últimos dois que Cédric, a realizar também ele uma época muito consistente, poderia ver aumentadas as suas chances. O histórico das convocatórias de Paulo Bento no entanto desmentem-as. O treinador já o preteriu até em favor de adaptações ao lugar. Para além do titular indiscutível, João Pereira, será provavelmente Ricardo Costa o preferido para qualquer eventualidade. Este não será o mundial de Cédric mas o lugar daquele lado da defesa da selecção nacional está-lhe reservado para um futuro próximo. Um jogador que, tal como Adrien, tem muito a ganhar com palcos mais exigentes, como os das competições europeias.

Tenho pena por André Martins. As funções que lhe estão atribuídas no colectivo de Jardim estão longe de favorecer as suas melhores qualidades. Via-o já como o homem para o lugar Moutinho, se pudesse jogar mais atrás e de frente para o jogo. Como disse há tempos aqui resolver o "problema" de Martins era dar um passo importante na melhoria da qualidade do nosso jogo. Nas actuais circunstâncias quer equipa quer o jogador revelam pouco conforto com a actual solução.

Por fim Mané. É ainda demasiado cedo para ele. Poderá muito bem ser um dos nomes a constar na convocatória do próxima fase final do Europeu, se o apuramento se consumar.

Em jeito de resumo e conclusão é muito provável que sejam apenas dois, Patrício e William, os convocados de Paulo Bento para a viagem ao Brasil. No entanto o nome do Sporting, por força do inevitável elevado número de jogadores que já vestiram a nossa camisola que integrarão a convocatória, continuará a ser indissociável do nome da selecção.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O negócio Elias como pretexto para falar do modelo de negócio para o Sporting

Devo dizer que me surpreendeu o desfecho do caso Elias. 

Surpreendeu-me o timing, porque não me parecia provável que o negócio se consumasse já com o mercado fechado. 

Surpreendeu-me o valor da transferência, pelo facto de se tratar de um jogador que completará meio ano sem competir e que tem quase 29 anos. 

A maior surpresa porém vem do facto de os ordenados passarem a ficar a cargo do Corinthians, precisamente pelo facto do clube brasileiro não poder contar com o jogador até Julho. 

Um excelente negócio para quem, como eu, entendia que o mal menor que representava vermo-nos livres do jogador apenas pelo valor poupado nos vencimentos já era bom.

Aproveito o encerrar deste caso para reflectir sobre o que poderá ser o modelo de negócio do Sporting, ficando para um post posterior análise mais pormenorizada sobre as relações com os diversos intervenientes no meio, nomeadamente os empresários, investidores, fundos e mesmo os jogadores.

Que modelo para o Sporting?
O segundo ano da actual actual administração ajudará a perceber melhor qual o modelo que adoptará para desenvolver o seu negócio no que diz respeito aos investimentos. O ano passado, por força das circunstâncias, deve ser considerado um ano zero. A falta do palco europeu não significou apenas ausência de receitas. Constituiu também seguramente um forte corrente contrária e dissuasora junto de alguns dos alvos definidos para o reforço do plantel, que se somava à incerteza do que seria o Sporting este ano, depois do "anno horribilis". Certamente que jogadores como Rafa teriam olhado para a proposta do Sporting com outros olhos se tivesse dons adivinhatórios. Atrevo-me mesmo a dizer que provavelmente Ghilas teria também ponderado de outra forma a decisão que tomou se soubesse tudo o que sabe hoje.

Mas não foram apenas os jogadores que temeram ligar-se ao Sporting. Conseguir parceiros de negócio que dividissem os riscos também não seria muito fácil e mesmo os empresários e clubes não teriam grande predisposição de negociar com um clube em profunda reestruturação. Isso mudará substancialmente no próximo ano, com maior acuidade se o Sporting conseguir o que todos tanto desejamos: o apuramento directo para a Liga dos Campeões. 

Salvo melhor opinião o Sporting necessita, para melhorar a sua competitividade face aos seus concorrentes directos, de encontrar forma de aumentar as receitas disponíveis, de forma a reinvesti-las na sua actividade principal e motor de toda a vitalidade do clube. Só dessa forma conseguirá manter os melhores jogadores que forma mais tempo e  disputar os jogadores que lhe interessam no mercado. 

Salvo também melhor opinião, pode fazê-lo de 2  formas: 

- Apenas com receitas próprias, geradas pela venda de jogadores, bilheteira, receitas de publicidade, televisão, etc, sem envolver capital alheio à SAD e clube.

- Recorrendo a investidor(es) e fundos

Ficando pelas receitas próprias, o que significaria também não partilhar os valores dos passes de jogadores, o Sporting contará apenas com as mais-valias que for capaz de gerar para refinanciar o seu negócio. Idealmente este é o meu preferido, e que se aproximaria da identidade de um clube formador. Muito próximo do que faz o Barcelona, que recorre ao mercado apenas para suprir o que os ciclos de formação não lhe proporcionam. 

Ao contrário do que se vai julgando e por vezes até afirmando, o Sporting nunca seguiu exactamente a mesma cartilha. Ao contrário do clube catalão, os jogadores que o Sporting forma têm sido, por força das vicissitudes, chamados a desempenhar responsabilidades mais cedo do que o desejável e até do exigível. A criação da equipa B foi uma excelente medida para suprir uma falha importante, mas é demasiado recente e, quanto a mim, requer ainda correcção de trajectórias para se poder considerar uma aposta ganha.

Quanto à segunda possibilidade, não me parece que o Sporting possa atrair no futuro próximo, e provavelmente nenhum clube português, um sheik árabe, seguindo o modelo inglês ou do PSG. Não vejo Bruno de Carvalho a partilhar o poder nem a última palavra e não acredito que haja quem invista sem dela dispor. Este é também o modelo que mais me desagradaria, detestaria ver o Sporting com dono.

Os fundos têm sido o principal parceiro de negócio dos nossos rivais e concorrentes directos. Graças a eles o FCPorto conseguiu encostar-se a uma classe média alta de clubes europeus chegando mesmo a dois títulos europeus. Uma boa prospecção de mercado tem encontrado disponibilidade financeira para concretizar negócios. O sucesso desportivo proporciona valorização. A respectiva realização de mais-valias ajuda a suprir a falta de receitas para aguentar planteis dispendiosos. O SLB não tem sido tão feliz mas é inegável que a sua competitividade subiu e que se aproximou do FCPorto.

Inegável é também que o mesmo tipo de operação não correu bem no Sporting. Creio que tal não se deveu propriamente ao modelo mas sim à gestão ou ausência dela. Com todas as desvantagens que acumula, o Sporting tem pelo menos uma vantagem por estar novamente na casa de partida: não precisa, não deve, cometer os mesmos erros. Os seus e os dos seus rivais, especialmente no que respeita à acumulação de passivo. 

Mesmo com todos os riscos que hoje sabemos, creio que o Sporting não se deve auto-limitar, impondo a si mesmo restrições que lhe tolham as perspectivas, considerando todas as possibilidades que o jogo do mercado lhe coloca à disposição. O contrário seria tão nefasto como, no relvado, a equipa do Sporting não saber/poder usar todas as ferramentas do jogo para chegar ao golo e consequentemente às vitórias. Seria o mesmo, mal comparado, que não poder/saber marcar um canto ou até mesmo concretizar um penalty.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Será que Fernando Alexandre já assinou?

Muito se tem falado da possível partida, no final da época, de William Carvalho e dos problemas que a sua substituição levantarão. Muitos nomes têm sido trazidos pelos meios de comunicação e e até adeptos sem que, até ao momento, tenha ouvido um único que se aproxime das exigências mínimas que considero para preencher o lugar. Acho até curiosa a contradição: como é possível ver jogar William Carvalho e a seguir sugerir para o seu lugar nomes como Fernando Alexandre ou Danilo Pereira, pensando que qualquer deles se aproximaria sequer do que, a cada jogo, vemos fazer ao jogador que mais surpreendeu no actual campeonato nacional. Mas isso é coisa para pensar mais adiante, hoje é o tempo de desfrutar o facto de o termos connosco enquanto isso ainda é possível. 

Ora Fernando Alexandre, um jogador que até tem estado em destaque no seu clube, e que há poucos dias surgiu na comunicação social precisamente como possível reforço do Sporting, foi destaque este fim-de-semana. Não apenas e só pela sua prestação em campo, mas pelo choque que a imagem documenta. Choque esse que deixou kock-out o árbitro Manuel Mota, nosso velho conhecido. 

Depois de vistas as imagens é caso para perguntar se Fernando Alexandre não terá já mesmo assinado pelo Sporting, encontrando-se já a "render dividendos" ao clube que o contratou. É que depois daquele golo anulado ao Slimani, que atropelou o Sporting na luta pelo primeiro lugar, vontade não falta a qualquer Sportinguista, mesmo que recém-chegado, de "devolver o jeito".

domingo, 6 de abril de 2014

Acabar de remobilar a casa na Capital do Móvel

Foto Maisfutebol
A vitória do Sporting ontem em Paços de Ferreira valeu muito mais do que os três pontos conquistados. Significou a confirmação de que o Sporting ficará no pódio do actual campeonato, o que é muito mais importante do que a classificação equivalente para uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Ficar apenas no pódio, neste caso em terceiro lugar,  não é seguramente o sonho de qualquer Sportinguista, é antes a normalidade. Normalidade que nem sempre tem sido conseguida nos últimos anos, pelo que este regresso à "ordem natural das coisas" é um facto que se assinala com regozijo. Fica o desejo que assim se mantenha pelos próximos anos e que o remobilar da casa se consolide em resultados nos tempos que virão. Não é a vitória dos nossos sonhos mas é uma vitória imprescindível para poder sonhar.

Quanto ao jogo propriamente dito fica uma das exibições mais adultas da época. O adversário subiu consideravelmente de produção com a chegada de Jorge Costa, resolvendo ou disfarçando algumas fragilidades do seu jogo, em particular no aspecto defensivo. Apesar do Sporting ter estado sempre por cima do jogo e do resultado os locais nunca permitiram sossego ou descanso. Porém o Sporting foi resolvendo os problemas sempre sem se intimidar, revelador de maturidade e confiança.

Sendo uma vitória que nasceu do mérito de todos teve alguns elementos que me merecem destaque individual:

Patricio: Foi o homem mais importante no jogo. Um guarda-redes que faz campeões é isto: segura o resultado que vai dar pontos importantes e ontem Patricio foi isso mesmo. No golo sofrido, onde parece poder fazer melhor, foi prejudicado pela movimentação de um jogador adversário na sua frente, criando ruído suficiente para não se opor à trajectória da bola com outra eficácia.

Rojo: Já mandaram fazer as t-shirts "Rojo resolve"? O argentino está cada vez mais confiante e auto-controlado. A um defesa pede-se sobretudo que defenda bem. Rojo tem-no feito e ainda por cima tem marcado golos importantes.

William: Desbloqueou o jogo ontem fazendo algo de diferente e inesperado, o que baralhou por completo os defesas pacenses. Na cara do guarda-redes alardeou confiança e fez parecer fácil o que por vezes até para os pontas-de-lança é tão complicado.  Uma evolução assinalável no seu jogo, este tipo de movimentação significa um acréscimo de soluções sempre bem vindo.

Adrien: Estava a fazer um jogo ao nível dos melhores que tem conseguido este ano, e têm sido vários, até fulminar o guarda-redes pacense que só deve ter percebido o que se passou depois de ter visto o resumo do jogo. O golo soberbo coroa uma boa época dá-lhe confiança para usar mais vezes uma arma tão letal como é o seu remate.

André Martins: é o novo Adrien. Não no jogo mas na predilecção dos adeptos quando querem apontar alguém ou assacar culpas. Jardim no entanto não vai em chorinhos e reconhece-lhe competência na execução do que lhe pede. Ontem Martins não teve muita bola mas não foi por isso menos importante. sobretudo no começo do jogo, onde o Sporting esteve por cima e construiu o resultado. As suas movimentações sem bola baralharam as linhas médias e defensivas do adversário, criando espaços numa zona onde estávamos em inferioridade numérica. Não foi brilhante mas foi determinante.

Slimani: Não marcou mas assistiu para dois golos e ambos com os pés, que está longe de ser o seu forte. Um avançado, mesmo com as características dele, só tem de se dar por feliz quando o seu contributo é tão decisivo. E nós com ele.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os casos Elias e decisão sobre a Taça da Liga

O caso Elias não acabou. A prová-lo está a reacção do Corinthians à tomada de posição do Sporting relativamente ao que, na óptica da SAD, foram as negociações com o referido clube brasileiro e ainda com o Flamengo. Não vou fazer uma análise pormenorizada de todo este imbróglio por ter a sensação de que muito do que lhe deu origem me escapa ao conhecimento. Dessa forma restar-me-ia especular, o que está muito longe de me interessar.

A passagem do jogador pelo Sporting foi infeliz, como parece ter que suceder com todos os "jogadores mais caros de sempre". Foi assim com Rodrigo Tello, foi bem pior com Pongolle. É verdade que várias foram as vezes que Elias pareceu ficar muito aquém do que se exige a um profissional, particularmente aos que se concede a honra de usar a braçadeira de capitão e o privilégio de ser dos mais bem pagos. 

Não deixa também de ser verdade que  o período da sua passagem pelo Sporting foi dos piores para qualquer profissional se valorizar. O regresso do jogador ao Brasil significou também a recuperação da imagem do jogador, tornando-o num dos possíveis eleitos por Scolari. O tempo de paragem por força do fim do período de empréstimo ao Flamengo anulou por completo essa possibilidade e dificilmente se conhecerão novos desenvolvimentos até ao reabrir do mercado.

Fico-me por isso pelas evidências: a pior solução para o Sporting é a actual. 

Um jogador com um ordenado ilíquido superior a 200 mil euros/mês é um peso incomportável para o Sporting. Ter um jogador a passar pela tesouraria a cada mês o cheque sem devolver o mínimo de contributo para o clube é até imoral para os todos os profissionais que trabalham no clube, incluindo os que viram já os seus ordenados reduzidos e mesmo os que perderam os seus vínculos na recente reestruturação. Não o é menos para todos associados que se sacrificam para pagar as suas quotas e deslocações para acompanhar o clube. E cada dia que Elias passa sem jogar o seu valor diminui, aumentando consideravelmente o risco de termos que lhe pagar cada cêntimo até ao fim sem receber nada em troca. 

Por tudo isto não duvido que a melhor solução é deixá-lo sair, mesmo que sem qualquer valor em troca, poupando pelo menos os ditos mais 200 mil euros mês. Nas actuais circunstâncias e atendendo à idade do jogador (28 anos) dificilmente o Sporting conseguirá melhor do que, numa futura transacção, ser compensado do valor que está comprometido a pagar ao fundo de investimento, quase 4 milhões de euros. Quanto mais o  tempo passar maior será o risco de não receber nada e ainda ter que pagar o referido valor, acumulando dessa forma prejuízos.

Quem entende que desta forma se dá uma qualquer lição ao jogador, ao pai, seu empresário, a Jorge Mendes, ao mercado, aos fundos que custeie do seu próprio bolso essa estranha forma de pedagogia. O clube certamente que agradeceria.

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Muito pouco mais há a dizer sobre a decisão final do Conselho de Justiça. Afigura-se muito difícil ser dado como provada a existência de dolo. Reconhecer a sua existência nos actos praticados pelo FCPorto e depois concluir que tal não visava prejudicar terceiros é quase hilariante. É seguramente uma decisão que envergonha mais uma vez o futebol e creio que mesmo o direito.

Espero que Bruno de Carvalho reconsidere a sua posição relativamente à participação na competição. Não há vitórias mais saborosas dos que a que são conseguidas sobre a batota. E para mim o Sporting entra sempre para ganhar todos os jogos e competições. Assim está obrigado pelo seu historial e pela finalidade da sua génese:  concorrer para o engrandecimento do desporto e do País.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O ano mais fácil para Bruno de Carvalho

Em regra o primeiro ano de uma equipa de gestão recém-estreada corresponde ao seu ano mais difícil. No caso concreto dos corpos sociais encabeçados por Bruno de Carvalho essa dificuldade foi acrescida por significar também a alteração quase radical das estruturas técnico-administrativas que sustentavam o clube. Estar ciente deste facto e escolher a frase que titula o post é altamente contraditório. No entanto a contradição só subsistirá para quem não ler a totalidade do post. Este foi escrito ao "correr da pena", sem preocupações em elencar de um lado as virtudes e do outro os defeitos, como é tradicional nestas ocasiões.

A importância da mudança
A chegada de Bruno de Carvalho à presidência do Sporting equivale ao fim do que se convencionou chamar "o  roquettismo". Expressão quanto a mim redutora e generalista, que carimba de forma negativa e por igual todos os que foram chamados à responsabilidade de dirigir o clube, o que me parece injusto, uma vez que trata de forma igual actuações e momentos muito diversos. Este não é porém o post para voltar à análise do que foi esse período.

É indiscutível que existia uma fractura no clube cujo comprimento variava consoante os resultados. Mais do que isso parece-me também evidente a existência de um aprisionamento psicológico, que em muitas ocasiões se transformava um álibi. Com o fim da "so to speak" "dinastia Roquette" esse condicionamento cessa e deixa de poder ser usado. Espera-se uma nova era. Esse sentimento é altamente responsabilizador para a actual gestão, que se assume como veiculo e autor da mudança pretendida.

A popularidade de Bruno de Carvalho
É um fenómeno interessante. Quanto a mim desmente o cliché de um Sporting confinado num nicho elitista e confirma a sua raiz popular. Essa é a homenagem justa que se presta aos fundadores que, sendo eles maioritariamente originários de sectores sociais assim identificados, souberam gerar uma organização abrangente e transversal à sociedade portuguesa.

Quanto ao estilo, há quem goste, há quem o rejeite. Como várias vezes aqui já afirmei não é o meu preferido. No entanto também não tenho pejo em afirmar que o acho mais útil ao clube do que o distanciamento e frieza verificada em alguns dos seus antecessores.

A ligação ao clube por parte dos adeptos é acima de tudo um fenómeno afectivo, geradora de grandes paixões, o que não pode ser negligenciado. Ao contrário do que se possa pensar essa dissonância não me provoca amargura. A minha ligação ao clube está mais que amadurecida e não dependerá nunca de terceiros. O facto de ver Sportinguistas vivendo o clube com paixão supera qualquer desencontro pessoal.

O cumprimento das promessas
O completar de um ano de gestão não deveria ser apenas encarado pela vertente festiva do acontecimento. Seria também um momento de avaliação do que foi feito, do que se pretendia realizar e que, por diversos motivos, tenha ficado por fazer ou que terá que sofrer alterações. Alterações essas que possam decorrer de melhores avaliações da realidade instalada e que, por essa razão, não têm que representar necessariamente o incumprimento do que havia sido prometido.

Neste capitulo, e independentemente da avaliação que cada um queira fazer, julgo que o momento é sempre pontuado pelos resultados desportivos. Vivendo um momento que supera largamente aquelas que seriam as melhores expectativas, poucos serão os que têm de vontade de pegar nas 120 medidas anunciadas em campanha eleitoral e picá-las ponto por ponto para verificar a sua execução. Também não o farei aqui, não é esse o objectivo do post.

Verdade seja dita também que são poucos, do universo dos sócios e adeptos do clube, os que acompanham o clube com esse rigor. Essa relação é ditada pela impressão geral. E nesse âmbito a que prevalece é que a promessa mais importante está a ser cumprida. Essa era a devolver o Sporting ao lugar que merece como clube grande que é. Nesse sentido o mandato não podia estar a correr melhor.

As relações internas
Talvez não seja a expressão mais feliz, mas surge aqui por oposição às relações externas, que abordarei a seguir. Do lado dos corpos sociais tem-se notado vontade de dar conta aos sócios e adeptos das decisões tomadas e do que se pretende fazer. A gestão dessa informação é obviamente feita do ponto de vista mais favorável de quem a gere e tem contado com ajuda preciosa de alguns sectores/meios bem identificados.

A Tasca do Cherba e Cortina Verde são bons exemplos, outros há, que beneficiam de acesso privilegiado à informação. O favor é devolvido em elogios e propaganda. Tirando a parte da propaganda que ofende a inteligência de quem lê algumas das coisas que se vão escrevendo, devo dizer que não me repugnam totalmente esse tipo de relações e de espaços. Dentro da apreciação que acima falava, a ligação ao clube é essencialmente paixão e há que dar combustível para a fazer arder a quem dele precisa.

Neste capitulo preocupa-me o excessivo endeusamento dos sectores mais próximos de Bruno de Carvalho. Um líder precisa tanto de apoio como de espírito critico, mais ainda quando é maioritário. O exercício de cidadania Sportinguista deve estar sempre presente, não apenas para participar, acenar com a cabeça e fazer número, mas também para interrogar, propor e pensar.

Os presidentes passam e clube fica, pelo menos assim se pretende. E se "o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente." Se no passado ocorreram erros que hoje condicionam o clube eles sucederam acima de tudo pelo encolher de ombros e do tradicional "eles é que lá estão, eles é que sabem". Foi dessa forma que se extinguiram modalidades, que se reduziu a pó o património, etc. Ao contrário do que é por vezes o mito urbano entre nós, todas essas decisões contaram com amplo apoio interno, expresso em maiorias confortáveis. Mas nenhuma dessas medidas eram inevitáveis...

Deve-se assinalar também a ausência do ruído de fundo tão habitual em anos anteriores e com origem nos chamados notáveis ou barões do clube. Quando a mim isso explica-se de duas formas: por um lado não há quem, das figuras que marcaram esse tempo, quem queira aparecer, pelos motivos que todos percebemos. Por outro lado, alguns dos que antes apareciam a dizer tudo e o seu contrário, especialmente na Bola Branca e programas afins, ou trabalham agora no Sporting ou foram apoiantes de Bruno de Carvalho e assim se mantêm.

Ainda na frente interna é indiscutível o renascer do espírito leonino na sua vertente mais popular. É importante voltar a ter muita gente ávida do clube, manifestações de orgulho, tanta camisola verde e branca na rua. Isso porém ainda não teve equivalência no nível das assistências dos jogos em casa, que se mantêm nos níveis dos últimos anos. Mais importante do que hostilizar os que não se juntam - não se apanham moscas com vinagre - é importante perceber, de preferência através de informação profissional e sistematizada, as razões dessa relutância. Isto antes de nos lançarmos em novas campanhas de angariação de sócios, desconhecendo para onde deve ser dirigida preferencialmente a mensagem.

O problema pode ser de dimensão - não sermos os tais 3 milhões tantas vezes apregoados - da mensagem, dos destinatários, ou uma conjunção de diversos factores. Seria mais útil e mobilizador, e até do ponto de vista da transparência e planificação, quantificar as metas pretendidas, quer quanto ao número de associados, quer em valor de quotizações necessário para manter as modalidades sustentáveis. Até porque os números avançados relativamente à captação de sócios (média 656 novos sócios por mês) podem até ser considerados surpreendentes se atendermos ao que representa, em termos de atractividade, ser sócio ou apenas ter gamebox.

As relações externas
Há neste capitulo uma evolução positiva assinalável. Há uma clara distinção entre quem são os adversários e quem são os inimigos. E para estes não há meias tintas, conversa mole. O passado e os documentos que dele restaram favorecem a nossa argumentação. Será um capitulo onde o Sporting encontrará imensas dificuldades, pelo que requer pensamento estratégico. Talvez não restasse outra alternativa senão o agitar das águas que se verificou este ano, mas o futuro tem que trazer algo de mais consequente para que se produzam resultados. De outra forma a luta do Sporting pela melhoria das condições em que opera o futebol nacional dificilmente poderá ser levada a sério.

A comunicação
Um dos aspectos que julgo merecia maior taxa de desaprovação por parte dos adeptos era a falta de reacção ou ausência de manifestação por parte do clube, em particular nos momentos em que uma ou outra mais pareciam necessárias na comunicação institucional. Hoje vive-se no extremo oposto, carecendo ainda de encontrar os timings certos e objectividade necessários na profusão de comunicados emanados.

Estou certo que os adeptos preferem assim e que esperam também que o equilíbrio acabe por ser encontrado. Ainda no capitulo da comunicação institucional, e apesar de alguns avanços assinaláveis no melhor entendimento das potencialidades das redes sociais, é indiscutível que há canais importantes que continuam mais ou menos a ser o que eram há 1 ano. A página oficial do clube e o jornal são um bom exemplo disso, replicando os mesmos erros e omissões de sempre.

A grande exposição mediática do presidente também me parece dever ser repensada. Senão essa pelo menos o discurso.

A imagem que um clube projecta quando comunica - e tudo é comunicar - desenha a sua identidade. O discurso muito próximo do que reconheço ser o estilo de Pinto da Costa desgosta-me. Tiradas como "os adversários que comecem a dar mais luta" assemelha-se muito à sobranceria lampiónica. Citar o inefável Manuel Machado "um labrego é um labrego" é não só pouco original como nos torna semelhantes aos demais. O discurso auto-laudatório é de gosto duvidoso e desnecessário: os Sportinguistas têm sido generosos no reconhecimento.
 
Um presidente tão popular entre os sectores etários mais jovens não devia descurar a ideia de que a nossa identidade se constrói pela diferença do exemplo e não pela aproximação à retórica que nos confunde com os outros. Foi essa diferença que permitiu que, nas nossas travessias do deserto, o clube não tenha perdido a capacidade de manter e recrutar adeptos. Confundir-se com os demais é incorrer num risco: nos tempos mais próximos é mais provável que eles continuem a ganhar mais vezes. Sem essa exclusividade quem vai querer ser do Sporting e não dos que ganham mais?

Reorganização administrativo-financeira
Estou demasiado longe para me aperceber do que tem sido a reformulação dos quadros do pessoal administrativo do clube apesar de ouvir o que diz aqui e acolá. Não vou dar asas a rumores mas apenas manifestar um desejo: que essa reformulação não passe de uma mera substituição da "tralha roquetista" pela "tralha brunista", mesmo que mais barata.

Numa organização tão grande como o Sporting seguramente que há muito lugar de favor mas também há muita gente dedicada e competente. Essa é a que normalmente sustenta as organizações para que outros possam existir sem fazer nada. Premiar o mérito é a obrigação.

Na área financeira assinalo a extrema descrição de quem trabalha neste departamento. Do dossier que se estimavam grandes dificuldades, especialmente na relação com os credores sabe-se apenas que os receios eram infundados. No entanto assinalo que a reestruturação financeira está lançada há um ano mas, tanto como me parece, continua por fechar. Matéria que julgo não ter sido objecto de análise na recente reunião com os sócios mas, perante a ausência de noticias, não faria mal fazer o ponto de situação.

É normal os adeptos reagirem com rejeição a estas matérias. Mas a discussão acabará por ser necessária. Agora que o constrangimento do roquetismo já não se coloca, talvez haja finalmente espaço para que essa discussão seja mais centrada nas virtudes dos modelos do que nos aspectos acessórios.

Que modelo de desenvolvimento se pretende para a SAD, pelo menos para o espaço temporal em que se inscreve o actual mandato ? Que estrutura accionista? Onde estão os investidores, o que se lhes oferece e exige em troca?

Estratégia desportiva
A explicação para o sucesso dos actuais órgãos sociais junto dos sócios e adeptos reside aqui, especialmente pelos resultados alcançados. O Sporting é mais do que um clube de futebol mas este é o miocárdio do clube. São os resultados que pontuam a relação que se estabelece entre ele e uma grande parte dos adeptos e se constrói ou esboroa a popularidade dos corpos sociais.

Nas modalidades, porque infelizmente cada vez acompanho com mais dificuldade, assinalo apenas que aos cortes conhecidos não se seguiu a imaginada perda de competitividade, pelo menos no imediato.

No futebol conseguiu-se o feito precisamente o inverso, com o clube a ser competitivo a um nível a que tinha estado arredado há alguns anos. Julgo que tal se deve ao sucesso da estratégia previamente delineada: um núcleo duro de decisão muito restrito - Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio - que resultou na feliz escolha de Leonardo Jardim e na constituição de um plantel coreáceo e bastante focado.

Este é um capitulo que, pela sua importância, merecerá tratamento próprio. Até porque da formação aos quadros profissionais há diversas situações a merecer análise. Esta incidirá nas relações com o mercado, com os jogadores, empresários, as escolhas efectuadas, etc.

Conclusão
Pedia-se "muito pouco" à actual direcção face ao que era a situação em que esta chega ao poder. A verdade é que, se o ano difícil se acabou por revelar mais fácil do que o esperado, isso se deve à sua própria actuação. A impressão generalizada é de aprovação, superação de expectativas, que se estendem não apenas aos adeptos e associados mas também ao exterior, incluindo aos adversários.

O Sporting voltou a ser respeitado. Manter esse respeito - que é muito caro a todos os Sportinguistas - e torná-lo também temido pelo seu valor competitivo, é o grande desafio que se coloca a Bruno de Carvalho e à equipa que o acompanha. Desafio que o próprio já aceitou ao afirmar que para o ano o Sporting se incluirá nos candidatos ao titulo. Com a provável qualificação para a Liga dos Campeões talvez agora se perceba melhor o titulo escolhido para o post. Talvez tenha sido o ano mais fácil para Bruno de Carvalho. Melhor só mesmo tendo sido campeão.

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