sexta-feira, 29 de abril de 2016

Don Quixote de Carvalho, o cavaleiro das tristes figuras

Bruno de Carvalho calado era um poeta. O que vem conseguindo fazer no pouco tempo que está no Sporting falaria por ele. Mesmo que a métrica não fosse perfeita, as estrofes acabariam por rimar. Para haver poesia tem que haver mais do que meras rimas, mas tem que se começar por algum lado e, como todos bem sabemos, havia (e continua a haver) muitos lados para recomeçar no Sporting.

Cedo se foi percebendo que ser assertivo, oportuno, discreto ou sóbrio não estavam na sua natureza. Aos poucos, e à medida que o apoio  que foi granjeando ia crescendo, muito dele sem grande escrutínio, foi-se revelando exactamente o oposto. Aos poucos, e perdendo bastas vezes a compostura, foi revelando um carácter belicoso e sem noção do excesso e do que representa, confundindo o ser mordaz com ser brejeiro, incisivo com enfadonho e vigoroso com inoportuno. 
É nessas figuras que se oferece a tudo o que é câmaras, flashes e rotativas de jornais, ou sentado permanentemente à frente de uma sessão do Facebook no seu inominável perfil de "Presidente do Sporting". Ora quem muito fala pouco acerta e o muito que por ali vai "produzindo" é frequentemente motivo de chacota para os nossos adversários e de vergonha para um clube centenário e respectivos sócios e adeptos.  

A sua postura assemelha-se cada vez mais à de um "loose cannon". É capaz de disparar em qualquer altura e direcção, mas cada vez se percebe menos quer a utilidade quer a precisão de tanto disparo. A excepção vem da sua legião de rocinantes amestrados, cujas rédeas vai puxando. Não são particularmente exigentes com a palha que se lhes serve, estando sempre prontos a aduzir mais uns disparos. Os pobres sanchos pança que o vão confrontando com a verdade são deixados pelo caminho. 
rocinantes
Esta semana é fértil em exemplos infelizes:

- O seu post contra o Miguel Guedes (quem é o Miguel Guedes) recebeu resposta inteligente e elegante que mais se assemelhou a uma ridícula pega de cernelha, com várias voltas ao redondel.

- Achincalha Carrillo pela sua opção de não jogar, "quando podia ser campeão no Leicester", quando ainda há pouco tempo ele mesmo gozava com o palmarés do clube e o que tinha dito sobe a possibilidade de transferência lança muitas duvidas que ela pudesse ter tido lugar.

- É publicamente desmentido relativamente à possibilidade da existência de um tribunal arbitral, cuja realização apresentou com ares de magnanimidade na pretérita A.G.

- A sua atenção e especialização em "assuntos SLB" é confrangedora para um Sportinguista.

- A enxurrada de processos são, na generalidade, fugas para a frente. Neste particular, os motivos invocados para propalada intenção de processar Rui Gomes da Silva e Jaime Antunes, são uma sentença contra as suas próprias declarações sobre a situação económica do SLB e para o processo intentado por estes por causa do caso dos vouchers.

- A teoria das almofadas colide com realidade.

- Pior mesmo, a última (?) reflexão deixada, que mais não é que uma misturadora onde depositou assuntos tão dispares como interesses comerciais, económicos e políticos, ultrapassando definitivamente uma fronteira que está vedada a quem deveria representar o Sporting e ficando no limiar do desrespeito dos artigos iniciais dos estatutos do clube.

No que noticias sobre o Sporting diz respeito, esta está a ser uma semana horrível, o que só pode surpreender quem aterrou hoje pela primeira vez no futebol português. Ao contrário do que muitos parecem pretender, não há nada de novo no fogo cerrado com que o Sporting é visado na comunicação social em momento de decisão. Há é dois factos marcantes, um novo e outro que, não sendo, vinha sendo raro.

Começo pelo facto raro e que se prende com o facto de o Sporting estar a disputar o campeonato até ao fim. Que melhor trunfo poderia ter uma liderança para exibir perante os seus adversários, funcionando de forma auto-explicativa para a barragem de noticias pretensamente desestabilizadoras? Que melhor motivo de mobilização dos adeptos em torno da sua liderança e da equipa que vai jogar no Dragão poderia ser agitado? 

Ao invés, qual general no seu labiríntico cubículo, é confrangedor olhar para um líder que não o sabe ser e insiste em regurgitar sempre as mesmas suspeições, agitando os mesmos fantasmas, repisando as mesmas injúrias, promovendo a protagonistas figuras secundárias à sua custa e do nome do Sporting. 

O facto realmente novo é serem muitas as frentes de batalha. O Sporting, como resultado directo da acção dos últimos anos da verborreia do seu presidente, encontra-se completamente flanqueado por adversários e muitos inimigos. O Sporting, visto outrora como "simpático", aquiescente e muitas vezes "dócil" é agora olhado com antipatia por muitos e tido como inimigo de estimação pelas muitas onças do mato do futebol que o presidente andou cutucar. Não gosto de nenhuma das versões, podemos e devemos ser muito, muito melhores. Esperar que todos aqueles que andamos a provocar retribuíssem agora com bonomia e ainda por cima protestar, não é ingenuidade, é mesmo candura bacoca.

Não sei qual vai ser o resultado final deste campeonato, mas continuo a acalentar a esperança de voltarmos a ser campeões nacionais. Não o conseguindo, restará uma profunda tristeza cuja dimensão só não será maior porque, desde o dérby para cá, houve tempo para ir lidando com ela. Mas haverá também um enorme orgulho no notável trabalho feito, partindo em desvantagem, e a esperança fundada que este seja a semente de futuras conquistas. 

Vergonha apenas da boçalidade, da sobranceria e empáfia dedicada aos adversários quando liderávamos e que serviram de cimento às pedras do castelo adversário, quando tudo indicava que a sua ruína era iminente. Eles foram o maná que os adversários guardaram para se alimentar. Se não ganharmos serão o meu único embaraço porque o Sporting foi bom e competente dentro de campo.

Muitos perguntarão porque escrevo desta forma sobre o Sporting. É simples. Não é sobre o Sporting, mas sobre a imagem que Bruno de Carvalho projecta do Sporting. E, ou deixo de gostar do clube ou sublimo as diferenças que nos separam com o que escrevo. A primeira hipótese é demasiado penalizadora para mim.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A melhor dica para assistir ao clássico Porto-Sporting

Foi grande a desilusão que se instalou entre muitos Sportinguistas após os resultados da passada jornada. Se esta é compreensível, uma vez que se queimou mais uma possibilidade e são já escassas as que restam, já a descrença total no titulo parece-me injustificada. Da mesma forma que se o Rio Ave tivesse conseguido roubar pontos ao SLB nada ficaria ainda decidido, nada está ainda totalmente perdido. 

Alcançar o titulo não é ainda um delírio, é um objectivo perfeitamente alcançável e que por isso não permite a nossa descrença ou desistência. Se tem sido a sorte a proteger o actual comandante - os jogos com o Rio Ave e Boavista, por exemplo - quem nos pode garantir que ela não pode mudar a nosso favor -  como já aconteceu anteriormente neste campeonato - nos jogos que restam? 

Por isso a presença em grande número a apoiar a equipa no próximo jogo no estádio do Dragão é obrigatória e, estou certo, será uma realidade. O meu roteiro, e que recomendo vivamente a quem se deslocar de qualquer ponto do País, é a passagem pelo Solar do Norte, onde está programada uma confraternização leonina a partir das 12h. Além das tradicionais bifanas e bebidas haverá protecção policial permanente, que acompanhará o cortejo até ao estádio, cujo trajecto  é relativamente curto. O mesmo sucederá no regresso.

Para os mais renitentes e indecisos ainda é possível comprar bilhetes (siga este LINK), Estes têm como data de levantamento a próxima sexta-feira, no Solar, entre as 20h e as 22h. Para quem se deslocar de pontos mais distantes do Porto e não tenha possibilidades de estar presente na sexta-feira, pode enviar um e-mail a dar conta do levantamento dos bilhetes no dia do jogo, entre as 10h e as 12h.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

As contas que Jorge Jesus não fez ("Em oito meses já paguei o meu contrato de três anos")

A vitória sobre a União da Madeira no passado fim-de-semana representa muito mais do que a conquista dos três pontos respectivos e continuidade na luta pelo campeonato. Representa assegurar a participação na fase de grupos da Liga dos Campeões, o que não só é prestigiante como permite um retorno financeiro importante para o clube. Mas assegura também a possibilidade de um planeamento racional da próxima época, quer no que diz respeito ao agendamento dos estágios, jogos de preparação/exibição, recomposição atempada do plantel, etc. 

Se a participação na Liga dos Campeões seria sempre importante, na próxima época será ainda mais, porque durante o defeso do campeonato suceder-se-ão uma série de competições internacionais de selecções cuja actividade se refletirá necessariamente no rendimento e disponibilidade dos jogadores, com  possíveis consequências na prestação competitiva da equipa. Por isso a importância do que agora foi alcançado é muito maior do que neste momento "a vista pode alcançar".

Jorge Jesus aproveitou a última conferência de imprensa para dar conta desse facto e dessa forma dar razão ao vultuoso investimento que o Sporting faz ao tê-lo como líder do futebol. E fê-lo num jeito que lhe é peculiar e que por vezes se torna desagradável para muitos que o ouvem. Mas o que disse é uma verdade incontestável: o prémio a obter pela participação na próxima Liga dos Campeões paga o seu contrato de três anos.

Mas, se do ponto de vista aritmético, o que Jesus disse é incontestável também é verdade que a sua afirmação expõe o seu carácter egocêntrico. Não tenho dúvidas dos méritos do treinador na campanha que o Sporting está a fazer, várias vezes aqui o tenho afirmado. Mas é bom lembrar-lhe que há quem tenha feito o mesmo, sentado na cadeira que agora ocupa, de forma mais barata e com muitos menos meios. Para não ir muito mais longe, Marco Silva recolocou o Sporting na senda dos triunfos e Leonardo Jardim, na sequência de um "annus horribilis", "ofereceu-nos o mesmo que Jesus acaba de alcançar.

"Ah, mas Jesus ainda pode ser campeão", o que marcará toda a diferença, estarão a pensar depois de ler o parágrafo anterior. É um facto e oxalá aconteça. Se tal suceder o nome de Jorge Jesus ficará definitivamente inscrito na história do clube de uma forma muito particular, atendendo às suas origens e às ligações familiares ao clube. 

Mas a conquista de um titulo esporádico foi algo que já vários treinadores conseguiram no Sporting e mesmo noutros clubes. Isso até o Jaime Pacheco conseguiu no Boavista e o mesmo o Rui Vitória parece estar a um passo de conseguir sem perceber muito bem como. Já vencer de forma regular e sustentada e marcar um tempo na história de um clube - como por exemplo Jesus conseguiu no seu SLB - está ao alcance de muito poucos. Essa é porém a sombra da bananeira que o Sporting precisa e não apenas a que Jesus diz agora ter alcançado para o clube. O sucesso de um treinador e de um clube mede-se por aí e Jesus sabe-o bem.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Orçamento do Clube 15/16 - duas virtudes e dois defeitos

Quem quer saber de orçamentos? Além dos directores financeiros e contabilistas, por inerência de funções, quase ninguém, talvez nem mesmo o presidente. Se o documento em causa ainda por cima deixa o futebol de fora o desinteresse aumenta. O adepto quer é saber de vitórias, de troféus e campeonatos. Existindo estes, para que interessam os números?

Ora o Sporting deu finalmente a conhecer a proposta de orçamento da direcção para o próximo ano. Se há uma critica imediata a ser feita é o curto espaço de tempo que os sócios dispõem para analisar o documento. Maus hábitos que já vêm de muito longe e que não são mais do que um sinal de pouco respeito pelos sócios. Falta de respeito que é tacitamente aceite porque a este procedimento não tem correspondido qualquer sinal de insatisfação ou critica. No fundo, volto ao parágrafo anterior, quem quer saber de orçamentos? Pois...

Duas virtudes que me parecem ressaltar à vista:

- O aumento das despesas com honorários. Tal como sempre defendi, o Sporting, para poder encostar aos da frente em competitividade, tem também de se aproximar em valores a despender em salários, porque só assim conseguirá chegar aos melhores. E ter os melhores não é tudo, mas é um grande percentagem do sucesso possível.

Vale neste caso dizer que a este aumento de verbas tem de começar a corresponder também uma maior percentagem de conquistas das modalidades em competição e deveria corresponder também à ambição de voltar a ter a representatividade de outrora. O pavilhão será, com certeza, uma escora muito importante para este anseio generalizado dos Sportinguistas.

- O orçamento não prevê prejuízos. Embora se possa considerar que o exercício proposto é para lá de optimista, se for realizado dentro do que está previsto, pode-se dizer que é bom para o clube. 

Uma nota final de desagrado pela falta de transparência resultante da individualização dos gastos por modalidade. Se a ideia subjacente à apresentação prévia do orçamento é informar e promover o debate e permitir o escrutinio por parte dos sócios. Como poderemos fazê-lo, percebendo o mérito na atribuição das verbas em função do trabalho feito, desconhecendo este dado fundamental?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Fugas para a frente que Doyen e o rebanho leonino

Fugas para a frente que Doyen

A publicação do acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) a propósito do "caso Doyen/Sporting/Rojo" deixa claro que a estratégia de fuga em frente adoptada pela SAD era errada, tal como aqui foi afirmado várias vezes. 

Teria sido preferível e mais avisado, tal como também aqui afirmamos, procurar um acordo para aquele caso especifico e deixar extinguir os restantes ainda vigentes, caso o Sporting não quisesse negociar mais com aquela entidade, pondo fim a uma relação que legitimamente não queria prolongar.

Os prejuízos económicos, que podiam ser nulos numa perspectiva pessimista, serão contundentes: A SAD tem de acrescentar aos 4,5 milhões já pagos ao fundo mais 10,5 milhões. Tem de pagar 90% das custas do processo e custear os honorários dos advogados e ainda parte substancial dos ordenados de Nani (1,8 milhões de euros), que eram encargo do Manchester United. 

É importante realçar que, tendo que arcar com os honorários do nosso ex-jogador, o Sporting vê-se onerado por uma verba que também podia ter evitado pagar, transformando um excelente negócio num mero empréstimo por valores incomportáveis para a nossa realidade. Lembro que um dos principais argumentos contra os fundos eram uma forma de empurrar os clubes para os gastos excessivos.

Convenhamos que o acórdão não é de todo uma surpresa. Até um leigo percebeu logo no inicio deste caso que havia pouco ou nenhuma racionalidade na decisão da SAD e que esta foi tomada numa base populista e de fuga em frente. O que o acórdão agora acentua é que ou os advogados do Sporting foram incompetentes, o que deixa temer o pior para a sorte do recurso, ou a causa deveria ter sido entregue a S. Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas. Alguém andou a contar histórias aos Sportinguista. 

O rebanho leonino
Discutiu-se ontem no Conselho Leonino a exoneração de um dos seus elementos, neste caso Rui Barreiro, sobre o pretexto de este não respeitar os regulamentos. Que eu me lembre é a primeira vez que tal sucede, embora não seja a primeira que membros daquele órgão expressam publicamente discordância ou desagrado relativamente à SAD ou assuntos relacionados com o clube. Parece-me estarmos na presença de mais um exercício de intolerância que a votação de um "pedido de demissão do próprio" estendeu até à tentativa de humilhação. 

Isso é tornado claro nas afirmações do presidente do C.L.: "fica completamente isolado, é como se não existisse". Isto vindo de quem tem como cargo a representação de todos os associados, independentemente das suas convicções. 

É lamentável que mais uma vez, e num registo idêntico ao que vimos no passado, os elementos daquele órgão se limitem a fazer "mééé", perdendo a oportunidade de prestigiar aquele órgão e justificar a sua existência, transformando-o num rebanho amestrado pela voz do pastor.

Duas notas finais não menos importantes sobre esta matéria:

- Seria interessante que, ao invés de uma declaração final aos jornalistas, fosse elaborado um comunicado que informasse a generalidade dos associados - que são a quem os órgãos sociais têm o dever de prestar contas - das matérias tratadas e do número de elementos presentes, bem como do número dos votantes.  Gastou-se toda a tinta a falar da vida dos rivais? É que seria interessante descobrir como se chegou à percentagem de 99% dos votos expressos na votação.

- Este tipo de comportamento unanimista é em todo semelhante ao que se assiste em outros clubes. Nós,  que tanto nos orgulhamos de apregoar a diferença, parece que nos queremos distinguir pela negativa. Estas são matérias cuja gestão do bem fazer depende não dos orçamentos mas apenas das convicções e dos valores de quem as administra.

domingo, 17 de abril de 2016

Moreirense-Sporting: está aí o paraíso dos paineleiros


(Os direitos de imagem são do MaisFutebol e nela estão os que me parecem ter sido os jogadores mais importantes do Sporting no jogo)

O Sporting concluiu com êxito a tarefa de manter a perseguição e pressão ao  líder era o líder do campeonato nacional no inicio da jornada. E foi como uma tarefa que o obstáculo Moreirense foi ultrapassado: sem grande brilho, mas com competência em modo "quanto baste" e por isso sem brilhantismos. Tratando-se de um terreno onde já coleccionamos dissabores e onde tradicionalmente vamos sentido dificuldades, podemos concluir que os serviços mínimos e obrigatórios foram cumpridos. 

Pode-se dizer que se tratou de uma vitória da prática e de algum cinismo de quem sabe que tem mais argumentos, mas de quem também sabe que é nestes jogos, com estes adversários, que se penhoram os troféus desejados, muitas vezes sem qualquer possibilidade de resgate futuro. Atendendo à forma como o resultado foi alcançado - o golo de Slimani é de legalidade de duvidosa - para o cinismo ser perfeito só faltaria que o Vitória de Setúbal amanhã vencesse com um golo semelhante e já depois da hora, depois de dar a volta a um resultado inicialmente adverso.

Provocações aos adversários à parte, é indiscutível que este campeonato ficará marcado pelas discussões acaloradas, mas nem por isso de racionalidade exemplar ou grande fidelidade aos factos, à volta da arbitragem. Este será porventura muito mais o campeonato dos comentadores, paineleiros e muito menos de quem gosta mesmo do grande jogo que é o futebol. O que o golo de Slimani ontem representará no que resta do campeonato atingirá proporções difíceis de prever, mas o cataclismo de grandeza bíblica nas argumentações não é de todo improvável.

Não me espantará absolutamente nada que a comunicação benfiquista se agarre ao golo de Slimani para fazer recrudescer a guerra de influências que há muito decorre nos bastidores. Provavelmente executará essa acção em simultâneo com a usual candura de quem busca apenas a verdade desportiva, enquanto  procurará sem quartel uma qualquer reparação em jeito compensatório.

Já me espanta é que o Sporting, de forma oficial ou apenas através dos seus adeptos, caia neste desvio lampiónico de transformar o que é incerto - não apenas o golo de Slimani, mas também o de Teo - e facilmente contestável, num dogma  que a própria doutrina vertida nos regulamentos abre porta à contestação. 

No mínimo é muito pouco inteligente porque em nenhum momento este tipo de argumentação nos é favorável. Não apenas porque as interpretações são passíveis de ser muitas e variadas, mas também porque, como bem sabemos, não apenas a comunicação benfiquista é bastante poderosa como detém um elevado lote de prestimosos sicários pretensamente isentos, capazes de transformar um erro de arbitragem num complot montado para entregar o campeonato ao Sporting. Já vimos isso na semana que passou com a veiculação de noticias de que o Sporting estaria na disposição de "olear" a vitória do Vitória na Luz.

O que me parece favorecer a nossa posição é assumpção de que os árbitros podem errar e por isso é natural que de vez em quanto o possam fazer a nosso favor. Já o contrário, como tantas vezes aconteceu (mesmo neste campeonato) é que é digno de suspeição. Depois há o percurso que as decisões do árbitro no jogo indicam: se ele nos quisesse beneficiar teria validado também o golo de Teo e não se prestaria à figura ridícula de expulsar Jesus. 

Mas esta é oportunidade de ouro que nos caiu no colo para fazer valer a argumentação a favor das novas tecnologias e não esquece-las agora convenientemente, sob pena de transformar em mero folclore de mau perdedor tudo o que dissemos até aqui, quando as decisões nos foram desfavoráveis. 

Mas, como este lance o demonstra de forma exemplar, é importante lembrar que esta não é a panaceia de todos os males e que por isso o que é importante é extirpar de vez a suspeição, de forma a que os erros dos árbitros possam ser enquadrados ao mesmo nível dos avançados e guarda-redes e assim aceites com desportivismo.

Se isso não bastar podemos sempre lembrar que o enorme passivo de Bruno Paixão com o Sporting sofreu agora um fugaz e quase imperceptível abate, face ao histórico.

Nota importante: Não consigo ter uma opinião relativamente ao golo do Teo, mas o lance do golo pareceu-me desde logo irregular. As imagens que até agora vi só contribuem para criar algumas dúvidas e no essencial para concluir que não se trata de uma falha indecorosa que o coro de indignados que se levantou de súbito. 

Provavelmente são os mesmos que entenderam legitimo o mergulho olímpico de Jonas, quando a modalidade é outra e os jogos Olímpicos são no Brasil, mas Paços de Ferreira ainda é Portugal e o verão ainda está para vir.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O caminho é para Moreira de Cónegos porque a toalha não foi ao chão

O Sporting tem mais um jogo importante na luta pelo título nacional. Desta feita será em Moreira de Cónegos, onde a equipa local ainda luta pela manutenção no escalão principal. Para os adeptos que que queiram acompanhar a equipa e que se atrasaram na reserva do bilhete há boas noticias: O Solar do Norte disponibilizará hoje, nas suas instalações no Porto, entre as 20:00 e as 21:30, ingressos que não foram reclamados nas bilheteiras em Alvalade. Como o seu número é reduzido, e o Moreirense estima casa cheia, apresse-se e assegure já hoje o seu lugar para não fazer a viagem garantia de ver o jogo.

domingo, 10 de abril de 2016

Sporting - Maritimo: continuar a navegar era preciso

O jogo com o Marítimo teve duas fases marcadamente distintas. Até ao golo inaugural de Teo, que acontece já quase no final da primeira parte e os quarenta e cinco minutos complementares. 

No primeiro o Sporting revelou as já tradicionais dificuldades em lidar com o paquete maritimista, ancorado logo à saída da doca - leia-se linha do meio campo - criando apenas uma oportunidade verdadeiramente digna desse nome, a que equivaleu o também já tradicional falhanço de Bryan Ruiz. Muitas dessas dificuldades explicam-se pela ausência de química na relação Slimani - Teo. Cada um funciona como se o outro não existisse, o que de certa forma explica a ausência de continuidade do jogo que é criado nas suas costas, que neste jogo nem estava a ser particularmente feliz. O facto de cada um ir marcando não deve iludir a notória falta de simbiose entre os dois elementos mais avançados.

No segundo tempo, talvez porque a vantagem no marcador anulasse alguma ansiedade provocada pela necessidade de ganhar, vimos uma equipa mais próxima do bom nível de produção que tem habituado os adeptos este ano. Os golos surgiram com naturalidade e outros mais poderiam ter acontecido. 

A merecer amplo destaque a participação de William, paulatinamente a regressar ao nível imperial de que a lesão na selecção havia afastado. Por outro lado João Mário já começa a justificar muito mais do que o titulo de "melhor jogador jovem do mês". Ao nível actual ele está já no patamar superior, onde o facto de ser jovem e jogar com a maturidade que exibe, deveria contar muito mais do que uma mera característica.

Uma nota final para a performance defensiva. Não me parece que seja casual o facto de estarmos a registar o pior período do campeonato, sofrendo golos a quase todas as jornadas que disputamos. Apesar da inclusão feliz de Coates, os restantes elementos que chegaram à titularidade estão numa galáxia muito distante do uruguaio no que à categoria e desempenho diz respeito. Semedo é capaz de coisas tão boas como disparatadas, Schelotto está ainda em processo de aprendizagem. Naldo e Paulo Oliveira dariam a estabilidade que está a faltar.

Agora que o campeonato se aproxima do fim, e com o Sporting a ter que ganhar os jogos decisivos com pelo menos duas das melhores equipas da competição, parece-me ser na solidez defenfensiva e na acima aludida relação Teo - Slimani os problemas que Jesus tem de resolver a curto prazo. Para já continuamos a navegar, o que era preciso para a ambição do titulo continuar a viver.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Belenenses - Sporting: uma manita a segurar "pastéis"

O Sporting fez ontem no Restelo mais uma demonstração de enorme qualidade, triturando o Belenenses logo desde o apito inicial. Um pouco paradoxalmente foi também um jogo que serviu para explicar alguns dos pontos perdidos e que tanta falta estão agora a fazer. 

Quando William escorrega ante a baliza escancarada cheguei a temer o pior, com a memória de jogos como o de Guimarães a pairar na cabeça. Só uma equipa a atravessar um momento de plena confiança nas suas capacidades é capaz de sobreviver a uma mão cheia de falhanços, alguns deles quase anedóticos, e depois disso partir para uma goleada. É este o momento de uma equipa exemplarmente liderada pelo exemplo de Adrien, secundada num William em rota ascendente de forma, na classe de João Mário e Ruiz - pese a deficiente capacidade finalizadora - e de tracção à frente de Slimani absolutamente diabólico e indomável. 

A frustração de não sermos actualmente, e de forma inteiramente merecida, os comandantes do campeonato está precisamente na capacidade de fazer golos. Não fosse isso e ontem poderia ter concluído o passeio ao Restelo com uma goleada à moda antiga. Esse é o único capitulo em que perdemos para os actuais comandantes e que, oxalá não ocorra, poderá significar a diferença entre ser e não ser campeão. 

Uma nota final para Teo Gutierrez. É dele a responsabilidade de ser olhado como um patinho feio porque os adeptos perdoam quase tudo menos a falta de dedicação ou o menor comprometimento com o clube. Mas tem ainda um problema acrescido que é a sua incompatibilidade com Slimani, algo de que Montero também sofreu e cujas "culpas" não são da exclusiva responsabilidade dos dois colombianos. 

Noutras circunstâncias - por exemplo, com o Slimani do primeiro ano - seriam provavelmente a dupla escolhida, com Montero nas costas de Teo. Mas não com este Slimani absolutamente demolidor. O colombiano está longe de ser um mau jogador, bem antes pelo contrário. Tivesse aproveitado melhor as oportunidades e teria certamente a confiança em níveis muito mais elevados do que a exibe actualmente, parecendo-me residir aí a explicação para alguns falhanços   Eu, por durante o jogo ser dos jogadores que mais penalizo, sinto-me ainda com mais legitimidade para efectuar este comentário. 

Ah, pois, e o show de bola ontem nas bancadas? Fantástico!


sábado, 2 de abril de 2016

A decisão do campeonato provavelmente passou pelo Braga

Não se infira pelo titulo que já está encontrado o campeão nacional. Neste momento há ainda três candidatos, embora desse lote só dois me parecem em condições reais de chegar o título. 

O FC Porto é o que se encontra na pior situação porque a distância ao primeiro é muito grande. Para o segundo é ainda razoável, mesmo atendendo a que tem ainda a possibilidade de diminuir a distância para o Sporting. Mas o pior para as suas pretensões é já não depender de si e ainda ter que esperar que os dois rivais falhem. É muito pouco provável.

Quem está em melhor situação é indiscutivelmente o SL Benfica, por depender apenas de si e ainda por cima ter, em teoria, o calendário mais fácil dos três.  A par disso, vive o melhor momento da época, com um poder de concretização verdadeiramente notável. Ficará em um dois primeiros lugares-

O Sporting depende de um deslize do SL Benfica para poder chegar ao título. Contudo, a sua principal preocupação deveria ser neste momento, e face às circunstâncias, a de consolidação do segundo lugar, ganhando jogo a jogo, sem se perder muito com o que não pode controlar. Essa é a única forma de se habilitar a estar apto para chegar a primeiro, caso o tal deslize ocorra.

Mas seguramente que muito que é a situação em que hoje se encontra o campeonato tem o Braga como denominador comum. Obviamente que todos os jogos contam, mas os dois que os actuais comandantes realizaram com o SC Braga parecem-me momentos determinantes, parecendo que a história de ambos os jogos tiveram um argumentista comum.

O jogo em Braga iria marcar a arrancada do SL Benfica até ao comando do campeonato. A equipa que chega a esse jogo é uma equipa sob fogo, a sete pontos do comando. O treinador era acossado e o presidente colocado em causa pela forma como perdeu o anterior técnico, assistindo de camarote a um arranque demolidor do Sporting. Para agravar a situação, os três jogos com o Sporting saldaram-se por três derrotas categóricas, sem a exibição de argumentos para as contrariar.

Certamente que de lá para cá uma das tarefas que retirou mais tempo a alguns adeptos benfiquistas deve ter sido a de apagar os comentários nas redes sociais contra os jogadores, o treinador e o presidente. Mas quem não sofre de amnésia ou alguma doença degenerativa do sistema nervoso central ainda tem memória, tal eram os impropérios e tão ruidosa e até era a contestação então. 

A viragem aconteceria em Braga, com a oferta de um autogolo de Kritsyuk, seguido de outra em que ficou toda a gente na área à espera que Lisandro fizesse o óbvio. Quando o Braga quis mudar o curso do resultado já a equipa de Rui Vitória estava mais confiante e limitou-se a gerir o tempo e o resultado.

Ontem a história foi semelhante. O Braga foi a melhor equipa até sofrer o golo e a que mais perigo produziu, podendo ter inaugurado o marcador pelo menos por duas vezes. Não contente por não o fazer, acabou por conceder nova oferta, desta vez em perda de bola Mauro. Logo a seguir um penalty que não existe consolida a vantagem. Em ambos os jogos Rui Vitória ganha, tendo a seu favor muita sorte, ante a equipa que, a seguir aos rivais, mais a faria sofrer, mas acabou a ganhar de forma algo fácil.

Faço aqui um parêntesis para assegurar que não pretendo levar a discussão habitual sobre as razões que levaram o árbitro a marcar o penalty. Se bem que nem sempre o critério tenha sido igual (tão decidido, esclarecido e benevolente) também nós já beneficiamos de penalty's em situações iguais. O que se passa hoje é que os árbitros para se defenderem marcam sempre que a bola vai à mão, subvertendo o que deveria ser uma punição para um acto voluntário. O que não foi o caso de ontem, por mais que os actuais experts das redes sociais, que provavelmente nunca jogaram à bola e nem conhecem as regras do jogo, o assegurem. 

Devo confessar que por altura do primeiro jogo com o Braga não esperava ver este ano o SL Benfica como o principal candidato. As três derrotas que já coleccionava (Arouca, Sporting e FCPorto) desviaram a atenção para a principal virtude da equipa que então já se vinha desenhando, a capacidade concretizadora. É ela que lhe tem valido para ganhar os jogos com as equipas pequenas e são os resultados com essas equipas que agora fazem a diferença no campeonato.

Não sou ingénuo e é evidente que há muita anormalidade em alguns dados estatísticos do campeonato do SLBenfica, tais como as punições disciplinares e as penalidades. Mas não esgoto a observação aí, estendo-a também ao que fizemos e ao que devíamos ter feito, porque é sobretudo a nossa acção que determinam o nosso destino. Essa - a auto-critica - é também a única forma de crescermos com os nossos erros e avançarmos. Ficar pelas lamurias miserabilistas é o primeiro passo para o conformismo e autocomiseração. Neste sentido apontaria dois erros do nosso lado: um de planeamento desportivo e outro de comunicação. 

Do lado do planeamento desportivo a gestão do caso Carrillo. Parece passar despercebido mas, apesar das contratações feitas, o Sporting não preveniu essa possibilidade nem a perda de Nani. O arrastar da novela "Mitroglu" que, a ter sido fechado, teria uma influência grande na produção dos dois primeiros classificados, também é importante. A opção por Teo está longe de ser um sucesso e a falta de capacidade de improviso individual para quando o colectivo não consegue resolver é a marca dos jogos em que perdemos pontos com equipas pequenas.

Do lado da comunicação sirvo-me de uma opinião que não é minha mas com a qual concordo. Li-a no Lateral Esquerdo, o seu autor é também o autor do Posse de Bola, uma das minhas leituras assíduas na blogosfera. Dizia ele então (LINK)

"Sobre a agora tão evidente união RV, com os jogadores, com a estrutura. Essa "união", para mim, resulta também de um imponderável chamado Sporting. Ou melhor, Bruno de Carvalho e sobretudo Jorge Jesus. Eles, na minha opinião, são os principais responsáveis pela forma como os jogadores focaram e quiseram mostrar que o maior mérito era deles, e não do "cérebro". Se o Sporting tem sabido estar calado o Benfica ter-se-ia afundado sobre o seu próprio ruído. Externo, e sobretudo interno. Não há ninguém na "estrutura" que não tenha dado Rui Vitória como "morto". Não há nenhum jogador que não o tenha feito. E mesmo os adeptos, que o defenderam durante tanto tempo, também o estavam a matar na sua maioria. Acontece que o Sporting fala muito e por esse motivo os jogadores unem-se ao treinador. E por arrasto a estrutura e os adeptos"

Sobre isto adiantaria ainda que o menosprezo a que se votou o actual treinador do SL Benfica resultou de um erro de avaliação. Não se percebeu que, mais do que o treinador, era Luís Filipe Vieira e toda a entourage que estavam a ser colocados em causa. Como muito bem diz o autor do comentário  "Se o Sporting tem sabido estar calado o Benfica ter-se-ia afundado sobre o seu próprio ruído. Externo, e sobretudo interno. Não há ninguém na "estrutura" que não tenha dado Rui Vitória como "morto". Outro erro terá sido também não se perceber o valor individual e as soluções à disposição do treinador. 

O que aconteceu a seguir foi o tudo por tudo literal para não perder a face perante os seus adeptos, uma vez que, tendo sendo sido sua a escolha, era a cabeça de Luis Filipe Vieira que estava no cepo. A história deste campeonato passa muito por aí, por uma demonstração de poder que está muito para lá do que é possível ver ao comum dos adeptos. E ao que sei, o Sporting não tem força para se opor a esse poder e vamos ver o que acontecerá se FC Porto pensar que consegue chegar ao segundo lugar.

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