"Quando o vi, percebi que íamos ser campeões"
Fui um dos muitos privilegiados que teve oportunidade de ver Peter Schmeichel jogar de leão ao peito. Lembro-me perfeitamente de, numa qualquer manhã de Junho de 1999 ler "a primeira" de "A Bola", e pensar tratar-se de uma brincadeira. Lembro-me ainda da fotografia de Dias Ferreira e Paulo Abreu a ladeá-lo, durante as negociações. Depois, há medida que o dia avançou, com a confirmação, a incredulidade da noticia deu lugar à ansiedade do dia de o ver jogar ao vivo.
Ainda hoje estou para perceber o que o levou a vir até à periférica Lisboa, isto para quem estava habituado a pisar o centro dos palcos do futebol europeu. Mas tenho a certeza absoluta que não foi apenas o sol e o bom peixe, em jeito de reforma antecipada. Schmeichel era não apenas enorme fisicamente, o alto do seu 1,93 era até pequeno para acoitar o animal competitivo que tinha dentro de si. Tudo nele era vontade de ganhar, de fazer sempre melhor. Era isso que se adivinhava quando se olhava para ele em todos os gestos, era um líder e um dos melhores de sempre na sua posição.
Não terá sido por acaso que logo após a sua contratação, o então presidente José Roquette ter disparado: "Vamos ser campeões, assinamos com o Peter Scheichel!" O mesmo pensou o então embaixador inglês em Lisboa (onde se tornou um Sportinguista ferrenho, como qualquer um de nós) quando o avistou num supermercado em Cascais e ficou convencido que o campeonato era nosso:
«Vi um tipo enorme [abre os braços], a comprar o leite e o pão. Não era só alto, era mesmo enorme. Era o Schmeichel e percebi, nessa altura, que tínhamos hipóteses de sermos campeões»
Schmeichel completa hoje cinquenta e dois anos de vida e um par deles foi passado a cumprir os sonhos de muitos Sportinguistas. Foi com ele que terminámos o maior ciclo sem campeonatos da história do clube, que culminou numa verdadeira festa nacional vivida em todos os cantos do mundo. Aquela viagem pela Autoestrada do Norte foi uma demonstração da grandeza, que não sairá jamais da memória de um dos momentos míticos da história do nosso clube.

