O futebol não está com Paciência
Nota aos leitores: Depois de visionado o jogo com a Udinese, que acabou há instantes, julgo que a matéria do post permanece actual pelo que não colocarei nenhum post específico sobre esse jogo.
Não haverá por hoje Sportinguista pouco preocupado com a sequência negativa de resultados e exibições da equipa de futebol. Há razões para isso, sobretudo pelo facto de as fragilidades reveladas serem muitas e variadas quando estamos apenas a 1 semana do jogo inaugural da Liga. O facto desse o jogo ser em Alvalade e frente ao modesto Olhanense não serve de refrigério para os adeptos pelas razões que todos sabemos: nos últimos anos jogar em casa pode ser um verdadeiro inferno para a nossa equipa, especialmente quando as coisas correm mal. Provavelmente a capacidade de sofrimento de uma franja cada vez mais ruidosa parece ter-se esgotado e os adeptos sucumbem aos primeiros sinais de contrariedade. Depois, e não menos preocupante, o facto de o Olhanense ser uma equipa bem orientada e capaz de encurtar por isso a distância que nos separa, resultante da nossa maior valia individual.
Não haverá por hoje Sportinguista pouco preocupado com a sequência negativa de resultados e exibições da equipa de futebol. Há razões para isso, sobretudo pelo facto de as fragilidades reveladas serem muitas e variadas quando estamos apenas a 1 semana do jogo inaugural da Liga. O facto desse o jogo ser em Alvalade e frente ao modesto Olhanense não serve de refrigério para os adeptos pelas razões que todos sabemos: nos últimos anos jogar em casa pode ser um verdadeiro inferno para a nossa equipa, especialmente quando as coisas correm mal. Provavelmente a capacidade de sofrimento de uma franja cada vez mais ruidosa parece ter-se esgotado e os adeptos sucumbem aos primeiros sinais de contrariedade. Depois, e não menos preocupante, o facto de o Olhanense ser uma equipa bem orientada e capaz de encurtar por isso a distância que nos separa, resultante da nossa maior valia individual.
É justamente a moral quer dos adeptos quer dos jogadores que mais me preocupa nesta sequência infeliz. Não há derrotas moralizadoras e a amplitude dos estragos na confiança, quer de uns quer de outros, é uma séria ameaça neste inicio de época. Porque jogadores desmoralizados que adquiram o medo de falhar vão falhar mais vezes e em situações que normalmente não o fariam. E por que os adeptos descrentes tendem a deixar de contribuir para uma qualquer solução, agravando muitas vezes os problemas e normalmente os piores.
Continuo a pensar que o Sporting ontem falhou mais por razões colectivas do que por erros individuais, mesmo sendo por vezes difícil de perceber o que, nestes casos, é o ovo e a galinha e qual nasce primeiro. Continuo também a pensar que é excessiva a forma como já se condenaram jogadores, quase sempre os mesmos. Seria aliás muito fácil nesta altura, avaliando as questões por este prisma, resolver os problemas do Sporting, mesmo que de forma dolorosa e onerosa. Substituíam-se os "cancros", como já alguns são apodados sem qualquer pudor, e vinham outros. Mas não é assim tão fácil.
Tomo como exemplo o primeiro golo de ontem. Embora sejam finalizado na esquerda é-me difícil de condenar apenas Evaldo. Revendo as imagens do lance verifico que, salvo melhor opinião, o lateral acorreu bem ao centro que saiu largo, saltando com um adversário que estava em condições de fazer o golo, tendo (Onyewu?) esquecido de acompanhar o movimento de afastamento de Baptista, que faria o golo. Se o adversário com quem Evaldo saltou fizesse o golo e o lateral tivesse ficado a “guardar” o segundo poste seria difícil ilibá-lo de responsabilidades e também concordaremos que não poderia estar nos dois sítios ao mesmo tempo. E entretanto ninguém se preocupou em saber porque apareceu Eliseu solto e com tanto tempo e à-vontade para fazer um centro perfeito. Podíamos analisar os restantes golos e chegar a conclusões semelhantes, não o faço apenas porque o post já acabará longo, espero que não fastidioso para os leitores.
Serve isto para lembrar que o futebol no relvado está longe de ser um ambiente laboratorial controlado. É feito de decisões tomadas em décimas de segundo e muitas vezes de forma instintiva. Uma boa articulação colectiva, que é adquirida pelo treino, é a única forma de tornar as equipas menos vulneráveis e expostas ao erro e/ou à menor valia individual deste ou daquele elemento.
É precisamente esse o problema do actual Sporting. O pouco tempo de treino. A discussão se o Sporting mexeu mais do que devia no plantel, contribuindo para isso para a maior vulnerabilidade actual, se deveria ter planificado de forma diferente a pré-época (mais jogos, menos viagens, por exemplo), se escolheu os adversários adequados, etc, vale apenas pelo seu lado académico. A uma semana do inicio do campeonato importa mais perceber como conter os danos. O que, convenhamos, é de muito difícil diagnóstico.
Não tem sido apenas o pouco tempo por si só a contribuir para a nossa fragilidade, que não é apenas defensiva, como ontem ficou mais uma vez evidente. Por exemplo, o elevado número de jogadores indisponíveis que poderiam contribuir para a melhoria da construção do nosso jogo ofensivo – Izmalov, Matias e Aguiar – funciona como um verdadeiro flagelo. Ontem apenas a entrada do minúsculo mas talentoso André Martins e a subida no terreno de André Santos, com a entrada de Rinaudo, permitiu não só estabilizar defensivamente o meio-campo como dar mais algum comprimento ao nosso jogo. Por outro lado jogadores tidos como importantes, para lá dos já citados, como Bojinov, Onyewu, Capel, Jeffren (já vamos em 7, mais de meia equipa) ou estão lesionados ou sem qualquer ritmo ou ligação ao colectivo. Acabou por ser a revolta irreverente dos mais novos (bons apontamentos de Carrilo e sobretudo de Rúbio) a dar alguma cor na segunda parte.
Independentemente de qualquer infortúnio ou lamento o Sporting tem que se apresentar em campo no próximo sábado para vencer. Precisa de subir muito de produção em todos os momentos do jogo e é isso que é objecto de maior dúvida na cabeça dos adeptos e seguramente dos dirigentes e até do treinador. A sorte assumirá também um papel importante, até porque estamos a falar de um jogo, com toda a sua imprevisibilidade. Ontem mesmo, com todas as deficiências, podíamos ter marcado primeiro (falhanço inacreditável de Wolfswinkel, e já tínhamos o remate mais perigoso, por André Santos, que ontem esteve enorme), podíamos ter empatado (penalty nítido perdoado a De Michellis) escrevendo uma história final do jogo que seria seguramente diferente.
As coisas não estão fáceis para Domingos, que pede paciência. Mas sabemos, ele também o sabe, que o futebol e paciência não têm casamentos felizes, não faltando porém exemplos felizes dos seus frutos. Hoje mais uma vez o tempo joga contra nós logo, tendo em conta que a Udinese tem 24 horas de descanso nas pernas e nós acumulamos o cansaço e a apreensão que o jogo de ontem deixou no corpo e na cabeça.
Acontece que o Sporting tem de começar a construir tudo o que andou a destruir nos últimos anos e parece ter matéria-prima para dar o pontapé para a frente tão ansiado. A época que agora se inicia será com toda a certeza definidora daquilo que serão os próximos anos na história do Sporting.





















