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terça-feira, 14 de maio de 2013

Servir o Sporting e servir-se do Sporting (para memória futura)

Embora a vontade seja pouca ou nenhuma para voltar a falar do período eleitoral - pessoalmente, e julgo que para o clube também, é mais interessante e profícuo pensar o futuro - não posso deixar passar em claro
o comunicado do "Movimento Salvar o Sporting" encabeçado pelo ex-candidato Carlos Severino. Deixo por isso de fora considerações sobre o seu papel na pretérita campanha e a vergonha que muitas vezes terá feito sentir muitos dos seus consócios.

Veio o ex-candidato "informar que o seu líder, Carlos Severino, ex-candidato à presidência do Sporting, considera que as medidas anunciadas pelo Presidente Bruno Carvalho para retirar o Clube da subalternidade no futebol e da dependência da banca e outros credores, estão de acordo com aquilo que entendemos ser necessário para salvar o Sporting Clube de Portugal."

Provavelmente Carlos Severino tem canais privilegiados que a generalidade dos sócios não dispõem pois, até ao momento, não são do conhecimento público outros dados que não  um acordo com os credores, cujos pormenores não foram divulgados.

Depois de 2 parágrafos com algumas considerações sobre a época futebolística e desejos para o futuro, o Movimento comunica que o seu líder vai escrever "um livro de temática sportinguista, com o título POR DENTRO DO SPORTING - viagem aos últimos 18 anos da vida do Clube, que será editado a breve prazo."

O comunicado é no mínimo estranho pois julgava que o referido movimento, depois de encerrado o período eleitoral e de ter proclamado o apoio à direcção recentemente eleita, havia extinguido a actividade. Para lá do facto de o período eleitoral se ter encerrado, a clara rejeição dos sócios em sede eleitoral - teve menos votos que os que fariam supor as assinaturas proponentes! - é outra razão de fundo que deveria obrigar o seu mentor a reflectir sobre a sua continuidade.

Compreenderia melhor este comunicado, até à luz do momento do clube, dos valores apregoados, das criticas feitas em campanha, se o ex-candidato Carlos Severino anunciasse que tinha posto à disposição dos corpos sociais recém-eleitos o tal consórcio de bancos holandeses e os investidores que anunciou ter angariado. 

Mas não, o comunicado vem anunciar - talvez seja melhor publicitar - um acordo com uma editora para falar dos "últimos 18 anos de vida" do Sporting. Obviamente que é este o objectivo do comunicado, e não um pretenso apoio a medidas que estão por anunciar. Carlos Severino vai vender o Sporting às postas por 30 dinheiros. Um pingo de decoro obriga-lo-ia pelo menos a doar parte dos direitos ao clube de que se vai voltar a servir.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Que o Sporting se reerga sob o signo de Carvalho

É com alivio que se fecha mais uma página na história do Sporting. Uma página de controvérsia, instabilidade e de permanente tensão praticamente desde as últimas eleições. Os resultados desportivos desastrosos da equipa de futebol, que se prolongaram pela época dentro, depois de uma derrota dolorosa na Taça de Portugal ajudaram à agonia.

O período eleitoral prolongado acentuou clivagens, extremou os discursos e posições. Consumiu energias, provocou desgastes, fraccionou. É hora de pensar no futuro e reerguer o Sporting tornando-o tão grande como ele é nos nossos sonhos, nas nossas vontades, mas como quase nunca tem sido ao longo das nossas vidas. 

5 notas sobre os resultados eleitorais:

1- Sem ressabiamentos olho para a escolha da maioria, à qual me submeto com respeito e sem qualquer azedume, como mais uma oportunidade perdida. Um pouco à semelhança de quando pudemos ter Mourinho e o impedimos de entrar, ou quando escolhemos Vilas Boas e acabamos por ficar com Paulo Sérgio. Dizer isto não é comparar os acima mencionados e respectivos trajectos com Couceiro, mas vincar as diferenças do que representavam os dois projectos em confronto.

2- Pode-se perder sem perder a face ou os argumentos. O meu Sportinguismo sentiu-se representado na forma como Couceiro reagiu à derrota e nas palavras que proferiu: o Sporting não precisa de oposição interna. Duvido que se pudesse registar desfecho idêntico por parte de Bruno de Carvalho e de muitos dos seus apoiantes, se este não tivesse ganho.

3- A vitória de Bruno de Carvalho tornou-se quase numa inevitabilidade. Os acontecimentos das últimas eleições, o que foi o mandato de GL e o seu desfecho, a comparação entre a realidade e o que Bruno de Carvalho prometia transformaram-no quase num mito. Se, por hipótese, Couceiro ganhasse as eleições, tinha apenas a possibilidade de ter um mandato a rondar a excelência, o que, na actual conjuntura, seria sempre muito difícil. Sem isso a sombra de Bruno de Carvalho manteria o clube consumido numa luta interior nefasta e definhante. Nos mais de 50% de votos que a lista vencedora alcançou há um reduto que nunca aceitaria outro resultado. Por isso a vitória de ontem evita ter que percorrer esse caminho, reduz a possibilidade de perdermos tempo e é um factor de pacificação, condição necessária para que o clube possa avançar.

4- Não gostei do grito de vitória "O Sporting é nosso outra vez". Tão erróneo e desajustado como o titulo da "Bola" de hoje. Que seja apenas um excesso próprio de uma vitória muito desejada. Porque o Sporting sempre foi dos sócios, estes podem-se ter enganado nas escolhas, podem ter sido enganados pelos escolhidos, mas as decisões, boas e más, foram sempre tomadas pela maioria. E porque o Sporting é um clube do povo, amplamente disseminado de forma transversal  pela sociedade portuguesa. Não respeitar as decisões do passado é abrir o caminho ao desrespeito pelas decisões do presente.

5- O Sporting tem um novo presidente. Espera-o um mandato difícil. Dar-lhe-ei o mesmo que dei ao presidente cessante, em quem também não votei. Terá o beneficio da dúvida, a moderação na critica, sem abdicar das minhas convicções. É meu entendimento que essa deve ser a postura que o amor pelo Sporting exige, aguçada pelo momento de particular fragilidade.

Os Sportinguistas não podem ficar à espera que surja um novo João Rocha para voltarem ao seio do clube, participando de forma activa na sua reconstrução. É o mesmo que estar parado numa linha de autocarros em dia de greve: pode vir um, mas o mais certo é ficar-se à espera em vão. Nesse entretanto a vida continua e não estamos onde devíamos estar, onde somos necessários.

Quem lê o que eu escrevo sabe o que eu penso do que foi proposto por Bruno de Carvalho. De uma forma despojada e sincera desejo-lhe que os próximos 4 anos sejam um desmentido permanente às minhas dúvidas e certezas. Os sócios deram-lhe uma vitória expressiva, que esteja à altura da confiança que nele depositaram.

Não sei se nos muitos horóscopos existe a figura do Carvalho. Existindo ou não, que o Sporting se reerga (ou pelo menos inicie o seu processo de reconstrução) sob a presidência de Bruno de Carvalho.

Que o seu mandato se cumpra, que seja duradouro, resistente e confiável como a árvore que lhe dá o nome.

Eu te amo Sporting! 

Em frente Sporting!

domingo, 24 de março de 2013

E ao 24.º dia, surge o 42.º presidente




Bruno de Carvalho foi eleito como o 42.º Presidente do nosso Sporting Clube de Portugal!

Ainda falta apurar alguns votos por correspondência mas que, julgo, não alterará os resultados significativamente. Os sócios são soberanos e pronunciaram-se claramente. Os resultados são evidentes: cerca de 59% dos sócios leoninos que exerceram o seu direito (e DEVER) de votar optaram pela Lista B, liderada por Bruno de Carvalho. Para mim, são esses os números que contam. Dispenso a retórica sobre as vantagens / desvantagens do peso na votação que a antiguidade atribui a cada sócio. Se defendo que para a eleição dos Órgãos Políticos da minha freguesia, concelho e País, cada eleitor deve contar como um voto, porque é que no meu clube tenho que defender um sistema de votação diferente?

Duas notas finais:

1º) Mais uma vez, assistimos a uma péssima prestação de Barroso. É que nem a ler os resultados… Não vou desenvolver muito mais esta minha opinião, para evitar polémica, mas os sorrisos e piscadelas de olho dos membros da (ainda) actual MAG, enquanto atrapalhadamente anunciavam os resultados, eram mesmo para ser evitados. Haja um mínimo de decoro no exercício da imparcialidade que esta MAG deveria assegurar.

2.ª) Como transmiti anteriormente o meu sentido de voto foi outro. Para não variar das eleições anteriores em que participei, vi outra Lista ser eleita. E para não variar, desejo, muito sinceramente, que os novos Órgãos Sociais do Sporting Clube de Portugal tenham a melhor sorte do mundo e alcancem os maiores sucessos.

VIVA O SPORTING!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Para onde foram os votos deste Sportinguista

De repente o regresso ao sec. XX. Reconhecimento de assinaturas, estações do correio apinhadas de gente para ser atendida e balcões vazios do lado de dentro. O Sporting tem menos de 33 mil sócios habilitados a votar e desses 7.981 votam fora da Grande Lisboa, estrangeiro incluído. Quem se lembrou de nos proporcionar este regresso ao passado não deve estar interessado em que este número aumente.

Não voto tranquilo, seguro de que os meus votos serão bem empregues . Ao longo da campanha foi notória a impreparação, resultantes das limitações próprias de cada candidato e que não houve tempo para a preparar devidamente. Julgo que faltou muita verdade, em particular nas questões financeiras, que todos disseram estar resolvida para as necessidades imediatas. Afigura-se-me dificil que assim seja, não só pela falta de liquidez dos bancos credores - 25 milhões não se escavam nas pedras da calçada - como induz nos sócios uma facilidade que as óbvias medidas draconianas que aí vêm se encarregarão de desmentir.

Mas voto tranquilo das minhas decisões face às escolhas possíveis. É isso que procurarei explicar abaixo. 

O voto é um acto individual. Não o divulgo com intuito de aconselhar ninguém ou fazer campanha. Mas por entender que, quem quase todos os dias escreve sobre o Sporting, deve essa "contabilidade" a quem o lê.

Conselho Leonino
Foi a decisão mais fácil de tomar. Nos actuais moldes de funcionamento e pela forma como tem sido encarado por grande parte dos seus membros, não é apenas uma inutilidade, tem sido (i)responsável por promover vaidades, ajustes de contas, e até fuga de informação qualificada e estratégica para o clube. Em branco.

Conselho Fiscal
Nas anteriores eleições fui subscritor e votante da lista agora encabeçada por Vicente Caldeira Pires, a Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar. Este ano não subscrevi a candidatura mas ainda assim votei. Provavelmente fui eu que mudei a minha percepção sobre as proposições da lista, não terá sido esta a mudar. Concordo com o principio que é necessário um CF que analise as contas e que, se chamada a proceder disciplinarmente, actue norteada por independência e rigor. 

Tenho poucas dúvidas que alguém que pertença a um órgão desta natureza se possa pronunciar como o tem feito sobre o passado recente do clube, sem comprometer precisamente a sua independência , mais ainda se tiver que deliberar sobre a matéria. Refiro-me à questão da auditoria de gestão. 

Nem sequer ponho em causa que haja matéria a suscitar muitas dúvidas a todos e que muitas suspeitas se venham a confirmar. Da mesma forma que um juiz comprometeria a sua posição se se pronunciasse de forma aprioristica sobre uma matéria que lhe caberia julgar, não me parece que este seja um bom ponto de partida para um processo do género. As pazes com o passado são desejáveis, as responsabilidades devem ser assacadas, mas não pode haver uma verdade definida à partida.

Ainda relativamente a esta matéria tenho sérias dúvidas que seja bom para um clube como é actualmente o Sporting a aplicação do método de Hondt. 

Assembleia Geral
Defini os meus votos talvez antes das eleições, face ao que assisti no mandato dos CS que agora cessam. No debate que ocorreu na BolaTv, onde estiveram presentes os candidatos a PMAG confirmei a minha decisão. Votei no candidato da mesma lista em que votei para o Conselho Directivo. Pareceu-me que o cargo não ficaria mal entregue ao representante de Carlos Severino. Não deixei de me interrogar pela coincidência de Bruno de Carvalho nos propor agora um bombeiro, depois de nos ter "oferecido" um incendiário...

Conselho Directivo
Todas as listas têm pontos frágeis e em todas elas encontramos matéria que nos levam a duvidar da sua capacidade. Não baseei a minha escolha validando o Sportinguismo de uns contra os outros, como alguns infelizes foram fazendo ao longo da campanha.

Os programas equivalem-se. As diferenças estão ao nível das aptidões e do modelo de liderança. A minha decisão, como aqui várias vezes fui fazendo notar, estaria do lado de quem mostrasse mais competência para as matérias de natureza desportiva e esse é não só Couceiro como a lista que acompanha. O que oferecem ao Sporting não deixa de ser um risco, por nunca ter sido testado, mas representa também um corte com o passado no dirigismo do clube. Gente que acumula não só saber adquirido pela formação como pela vivência diária, ao contrário dos empresários e gestores mais ou menos bem sucedidos noutras, áreas mas que não compreendem o fenómeno desportivo nas mais diversas valências. 

Couceiro foi feliz a estabelecer uma diferença crucial com o seu oponente. BdC diz que onde ele está manda ele e isso nota-se do discurso, aos tiques, passando pela organização da sua lista: é ele, ele e depois ele. Couceiro diz que o Sporting não precisa de quem mande mas de quem comande. Concordo, essa é uma forma de liderar adequada ao Sporting, os sócios do Sporting não são um rebanho. Ou não deviam ser olhados como tal.

Resumia a questão a seguinte forma: BdC precisa do saber de Couceiro e a este muito jeito daria o discurso. O Sporting pode sobreviver sem a segunda premissa mas dificilmente o conseguirá senão tomar as decisões competentes que apenas o conhecimento capacita. Por isso ontem, quando expedi os meus votos, a cruz estava desenhada no quadrado da lista C, de José Peyroteo Couceiro.

Questões laterais como o comportamento totalitário, manipulador e digno de extremistas fundamentalistas de muitos dos seus apoiantes, dos quais Bruno de Carvalho não só não se descola como foi alimentando ao longo dos últimos anos, também me ajudaram a decidir desta forma. Não que me tirem o sono as imbecilidades, as ofensas, e perseguições quase diárias com que aqui e noutras redes sociais me presenteiam. O que o Sporting tem pela frente não é uma tarefa de alguns, somos precisos todos.

Ruptura total



A dois dias das eleições senti que era altura de deixar a minha opinião acerca das mesmas, tenha ela o valor que tenha, sendo que o negócio RVW só fez acelerar a minha vontade de voltar a escrever.

Esta época tem sido penosa. De tal forma que, tendo este ano resolvido gastar um pouco mais de dinheiro e saido da superior para me instalar na central, tem sido o ano em que menos vezes tenho ido ao estádio. Não é só o que a "equipa" não joga, é tudo o que as sucessivas direcções têm feito, e que tendo em conta alguns adeptos, poderão continuar a fazer que me levou a afastar. Até mesmo para preservar a minha saúde. Sim porque qualquer jogo do SCP pode ser visto como um check-up cardíaco só que eu não estou para arriscar, por muito bem que a máquina funcione.

Não gosto de Couceiro. Ou melhor, não gosto da ideia de ter Couceiro como Presidente do SCP. Por vários motivos, dos quais destaco desde já dois, possivelmente para alguns de menor importância mas que para mim, não são tão irrelevantes quanto tudo isso:

1) José Couceiro sempre foi José Couceiro. Fosse por motivos profissionais, por questões de querer vingar por mérito próprio sem que tivesse portas abertas devido ao seu parentesco com uma lenda do futebol do SCP, nunca se apresentou como José Peyroteo Couceiro. Chegam as eleições e o que é que se vê? A utilização de Peyroteo em toda e qualquer oportunidade. Não sei se vos incomoda mas a mim, incomoda-me e muito. Podem dizer-me que ele tem todo o direito de o usar, afinal de contas é o seu nome, mas pergunto: porque é que não o fez antes e porquê a necessidade de o usar agora?

2) Não me agrada a ideia de ter como Presidente do SCP, alguém que já foi assalariado de um rival. Chamem-me esquisito mas é algo que desagrada profundamente.

Serão estes, motivos suficientes para não votar nele? Bem, tendo em conta alguns motivos que vi esgrimidos para votar em Godinho Lopes ou Bettencourt, chegam e sobram.

Tenho acompanhado, ainda que com algum distanciamento, este período pré-eleitoral. Reparo que agora, para além do crédito junto à banca - como se qualquer banco recusasse receber o Presidente do SCP fosse ele quem fosse - vejo adicionar um novo critério de selecção: o ter passado no desporto.
No fundo, é apenas o arranjar de uma desculpa, e não um argumento válido, para votar num candidato que não o BdC, apenas e só. Que passado no desporto tinha Bettencourt? E Godinho Lopes? Não foi a "equipa" que GL montou que lhe permitiu vencer as eleições, com a volta do Duo "São & Sebastião" AKA Duque & Freitas?

Tendo em conta tudo o que tem sido o passado recente do SCP, com especial ênfase nestes últimos 5 anos, que ainda haja quem tenha a coragem, ou cegueira já nem sei, de apelidar BdC, de aventureiro. Aventureiros foram todos os "gestores de topo" que passaram por Alvalade e que delapidaram o SCP, tanto a nível financeiro, como patrimonial, como desportivo!!!
Como é que é possível que tantos ainda acreditem que é preferível votar no mal menor, do que arriscar e tentar mudar de caminho? Será que é possível fazer pior do que o Bettencourt e o Godinho Lopes?! Eu sei que o SCP, infelizmente, nos tem provado que o fundo ainda está por atingir mas chega uma altura em que é preciso dizer "Basta!".
Se BdC pode fazer pior?! Claro. Se estou disposto a dar-lhe uma hipótese? Certamente.

Godinho Lopes tem a cara de pau para negociar RVW, o tal que tinha um nome estranho, que na época de estreia marca 25 golos (salvo erro, não estive para ir confirmar), que para muitos é um cepo, que apesar de jogar completamente desamparado na frente continua a marcar e a garantir pontos importantes, com base no argumento que se os comprou e alimentou - LINDO!!!!! - os pode vender também!!!
Sendo assim, e com base nesta linha de raciocínio, que assegure o pagamento da dívida contraída durante o seu mandato e que liberte o SCP desse peso. Sim, porque se alimentou uns, também pode pagar a factura de tudo.
Indo RVW embora, quem temos? Viola?!?!?! Eh pá não me façam rir que isto não tem piada nenhuma!!! E quem quererá vir para um clube cujo Presidente cessante vai para a TV, jornais, etc falar nas dificuldades financeiras e de tesouraria do Clube?

Estou farto. Completamente farto de ver à frente dos destinos do meu Clube, pessoas fracas, sem carácter e que mentem e se contradizem numa base diária. Prefiro arriscar que manter este rumo de morte lenta.

Venha daí o "aventureiro" da Fundação!

quarta-feira, 20 de março de 2013

O meu "problema" com Bruno de Carvalho e as sondagens

Com algum sacrifício dispus-me a acompanhar o debate de ontem na SICn. Não só porque esta abertura de época eleitoral me apanhou num complicado momento mas também porque a campanha é já longa e quase sempre fastidiosa. 

Nos primeiros momentos não deixei de sentir alguma pena por Couceiro e Bruno de Carvalho, por um deles - o que vier a ganhar - estar a viver os últimos momentos antes do vórtice que vai sugar a sua vida pessoal e familiar. Ninguém duvide que a tarefa do próximo presidente do Sporting é de tal forma complexa que se torna quase inadjectivável.

Este espírito benevolente depressa foi interrompido quando decorriam cerca de 7 minutos do debate quando BdC começa a falar da reestruturação financeira. Dizia ele:

"Em 1º lugar a reestruturação financeira tem vários pontos que são fundamentais para resultar. Um a questão da fusão. Nós temos que resolver a questão dos capitais próprios negativos, e temos que começar a resolver a questão do fair-play financeiro. A questão da fusão que os próprios sócios já aprovaram, mas isso tem que estar integrado num plano perceptível para os próprios sócios."

Esta questão só pode ser considerada de somenos importância para quem tiver memória de peixe de aquário. De facto uma maioria de sócios aprovou a fusão da SPM, Património e Markting na SAD, mas entre eles não esteve BdC. Podia simplesmente ter-se abstido ou até votado contra. Mas BdC não fez apenas isso. Quando a direcção cessante anunciou a medida disse BdC, em conferência de imprensa especialmente convocada para o efeito:

"Esta proposta de fusão da SPM com a SAD é uma infâmia e uma ficção, em que não entra qualquer dinheiro no clube. Trata-se da passagem do único bem valioso para outras mãos: a propriedade do direito de superfície do terreno do estádio. Estas pessoas querem acabar com o Sporting e o poder dos seus sócios, transformando um clube centenário num mendigo."

De fora ficam os extensos posts na página do Facebook do Sporting Sem Complexos e outras intervenções que então fez. Quem foi à AG, onde a medida foi aprovada, deve-se lembrar das intervenções que então fez, bem como as que fez à saída da AG e que batiam na mesma tecla.

Ora se BdC tinha a convicção que a referida operação era um "infâmia e uma ficcção" e se estava a "transformar o Sporting num mendigo", não era suposto, ao invés de proferir as afirmações que proferiu, ter dito que se iria bater por fazer reverter a situação, apresentando proposta alternativa aos sócios em AG a perspectiva tão gravosa?

Ou BdC disse o que disse e fez o que fez apenas porque dava jeito para se manter visivel a sua oposição a GL? 

O que é convicção e o que é mera estratégia e conveniência para adquirir votos ou arregimentar apoios, ao melhor estilo politiqueiro?

No post da passada segunda-feira chamava aqui à atenção do papel que devemos ter perante os candidatos que se apresentam às eleições. Não era altura de os que foram arregimentados para a dita AG, que se desgastaram, que deram a cara, que foram para os fóruns declarar o fim do Sporting e outras declarações apocalípticas, pedissem agora explicações pela súbita mudança ou útil esquecimento?

É esta falta de consistência que se vê também agora no anúncio de Tomás Morais para as modalidades e Luís Freitas Lobo algures para a SAD. Atiram-se nomes sem se anunciar as funções a executar e respectivo enquadramento. 

Vão ser remunerados? 

Como se enquadram as funções de Tomás Morais nas do eventual vice-presidente Vicente Moura? 

Ou o nome de Tomás Morais surge para aplacar o repúdio que suscita o nome do ex-presidente do Comité Olímpico entre atletas e técnicos das modalidades?

O que pensa o departamento de scouting, nomeadamente Paulo Menezes, da nomeação de Luís Freitas Lobo? E que competências se lhe reconhecem a este, que não se confinem ao comentário desportivo? 

Ou o nome de Freitas Lobo aparece para aplacar as dúvidas mais do que legitimas que se põem em Virgílio, de quem não se conhece uma ideia, e sobre Inácio? 

Com a chegada de Freitas Lobo já vamos em 4 elementos para a tal "estrutura transversal da SAD". E há ainda um quinto elemento anunciado, mas ainda incógnito (Manuel Fernandes?) sem que se descortinem cargos, conteúdos funcionais, modelos. Está por definir o que se vai fazer com Beto e outros que entretanto entraram com GL. 

Como é que isto se enquadra na necessidade de reduzir custos? Não é isto uma nova versão do albergue espanhol?

Couceiro também não adiantou muito sobre a SAD, mas deixou pelo menos claro que ficará com o futebol profissional e entregará a Diogo Matos a formação. Tem pelo menos uma grande vantagem: o conhecimento de ambos sobre a Academia e futebol profissional dá-lhes meses de avanço sobre a "mini-van" que BdC preconiza para responsáveis desta área critica do clube. Estes terão que deixar passar semanas até conhecerem as portas e os corredores de Alvalade e da Academia. Imagina-se quanta água terá de  passar sobre a ponte Vasco da Gama até conhecerem os dossiers.

Estas são as matérias que me preocupam. Reduzir a discussão à questão da continuidade é um argumento oco e que, no caso presente, nem sentido faz. Ou a questões da vida pessoal dos candidatos, o que, sem fundamento ou prova, é de uma baixeza sem qualificação.

A sondagens
Muito se tem falado na disparidade entre as sondagens do jornal A Bola e do grupo de comunicação de Oliveira, cuja responsabilidade está a cargo do nosso inefável (e até dizem que perigosamente inflamável...) consócio Oliveira e Costa. 

Podemos olhar para elas sob o prisma da teoria da conspiração. Mas para ambas e não apenas a de Oliveira Costa. Qualquer uma é digna de suspeita sob esse prisma. Mas fiquemo-nos pela leitura das suas fichas técnicas para as perceber melhor. 

A Bola divide o universo dos inquiridos entre sócios com mais ou menos de 8 anos. A sondagem da Controlinveste inquire sócios divididos por escalões que representam melhor a ponderação de votos que subsiste neste momento entre os sócios em condições de votar. Cada qual que retire as suas conclusões. A minha é que até sábado qualquer um pode ganhar.


O debate na SICn, quem o ganhou?

Interessa-me muito pouco eleger entre os participantes um vencedor do debate que agora terminou. Não só porque as opiniões já formadas sobre as candidaturas contamina, na sua maioria, as opiniões.

Interessa-me muito mais referir o tom em que o debate -que de debate teve muito pouco - decorreu que, pese embora não ter sido esclarecedor para quem ainda hesita na escolha, não envergonha o nosso emblema. Felizmente os candidatos não foram permeáveis ao ambiente à sua volta. 

Pode ter sido desapontador para muitos. Mas, para o futuro imediato do clube e na complexidade da situação que o envolve, a possibilidade de não se cavarem trincheiras fundas como no passado acto eleitoral, permite a esperança de, após o acto eleitoral, não haja fracturas expostas sem consolidação possível.

Nesse sentido pode-se dizer que o Sporting ganhou.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Ser candidato é fácil e a "nós" se deve e impugnação das eleições em aberto?

Este fim-de-semana dediquei algum tempo à leitura das entrevistas dadas pelos 2 candidatos que, em principio, disputarão a vitória no próximo sábado. Dessa leitura retiro uma conclusão em tudo idêntica à que havia retirado da leitura dos seus programas: equivalem-se. 

Equivalem-se no seu aspecto mais importante, contribuem muito pouco para uma tomada de decisão consciente sobre o destino a dar aos meus votos. Há muito "vamos ver", muito "achismo" ou enunciação de "medidas" que mais não são do que banalidades. Fica quase tudo para depois das eleições, o que subverte um pouco o seu sentido: deveríamos estar a votar num modelo de governo do clube e não de pessoas.

Mas há algumas diferenças que merecem ser assinaladas porque a mim me dizem alguma coisa. Reparei na primeira página do jornal "O Jogo" de ontem, onde BdC acusa Couceiro de se comportar como um rufia. Rufia

Eu não sei se BdC domina bem a língua portuguesa, até porque a seguir também usa o verbo "mediocrizar", que deixa algumas dúvidas sobre a sua correcção, mas isso é um pormenor. Mas rufia é uma derivação do substantivo "rufião" que significa:

1- Indivíduo que vive à custa do que uma prostituta ganha.

2-Pessoa que se envolve frequente ou facilmente em brigas.

Com toda a naturalidade BdC queixa-se linhas abaixo do nível da campanha de Couceiro, dizendo que "os Sportinguistas não querem um discurso de quezília de truculência"! Acrescenta que "não entra em debates de carácter" apesar de saber que Couceiro "já foi empregado em vários clubes".

E como BdC se queixou também de Couceiro "em cada 10 palavras usar o seu nome em 5" dei-me ao trabalho de contabilizar, nas 2 entrevistas que tinha disponíveis, (O Jogo de ontem e o Record de sábado) e contabilizar as vezes que cada um dos candidatos se refere ao seu oponente. E além disso retirei as frases para que se consiga perceber os contextos. A entrevista de BdC tem 2 páginas e a de Couceiro tem 4.

BdC ao Jogo:
Há 2 anos apresentei uma estrutura com Inácio Virgílio e José Couceiro que ia ficar com a logística ao nivel do futebol.


Espanta-me que em cada dez palavras de Couceiro 5 tenham o meu nome. Os Sportinguistas não querem um discurso de quezilia e truculência. (Pedro Gomes no dia anterior declara que Couceiro é um perdedor nato, dias antes BdC inicia as hostilidades insinuando que Couceiro anda à procura de emprego).


E não há dúvidas que José Couceiro é o herdeiro de GL.


Já vi José Couceiro utilizar com requinte a palavra Vale referindo-se a Vale e Azevedo.


Foram à procura de alguém que na ideia deles mesmo não tendo soluções para o Sporting me pudesse vencer falo de José Couceiro.


É uma irresponsabilidade em linha com o discurso de Couceiro que diz que o clube está numa situação de sobrevivência e precisa de não sei quantos milhões. (Já em Novembro BdC dizia que “Este é o momento mais grave que o nosso Clube já atravessou nos seus 106 anos de história.  Quer a nível desportivo, quer a nível financeiro, atingimos limites que colocam em causa toda a razão de existência do Sporting Clube de Portugal.”  O que mudou agora para BdC se sentir autorizado a fazer este reparo?).


A passagem de José Couceiro pela Rússia deve tê-lo marcado fortemente.


Esse candidato (José Couceiro) entende que tudo é para arrasar.

Couceiro ao Record
O Sporting está cheio de problemas para virmos agora evocar que a mesa da AG foi eleita pela lista de BdC. Nem pensar nisso.


Já tinha sido convidado por ele (BdC) em 2011. 2 anos depois fui novamente abordado.

Cada  um que conclua o que quiser. Da minha parte o que fica é um estilo de BdC que me desagrada, que foi adoptado por grande parte dos seus apoiantes e que me remete para o pior que vi em FSF e Bettencourt, na falta de respeito por quem não perfilhe as suas ideias. Tenho feito um grande esforço para não formular a minha decisão de voto num voto contra "isto" e "estes". Mas que o esforço é grande lá isso é...

Não sei se Couceiro ou alguém da sua campanha - há acusações feitas à empresa que lhe faz a comunicação que ainda não vi concretizadas - usa de idênticos procedimentos ou linguagem. Em Couceiro estranharia, confesso. 

Mas esta questão é menos importante do que constatar que se este tem sido o foco da campanha eleitoral ou pelo menos um dos seus aspectos mais relevantes, aos sócios se pode agradecer. Não a todos, mas a um grande número, sem dúvida e no que toca à blogosfera, à sua quase generalidade.

No que à blogosfera diz respeito, a sua maioria tomou como matéria de decisão do voto o facto de se "ser ou não da continuidade", centrando por isso o debate numa questão que será, face a outras, de somenos importância no dia 24. 

Além de desviar as atenções e ser redutor, facilita a vida aos candidatos: é muito mais fácil proferir esta acusação ou fazer a demonstração do seu contrário do que demonstrar capacidade para resolver ou o pelo menos tratar a complexidade das matérias que lhe aparecerão em, calcula-se, em avalancha. 

Também ajudaria muito que as diversas sessões de esclarecimento não fossem actos de aclamação e entronização. Este é o tempo de obrigar os candidatos a apresentarem os seus planos para a redução do orçamento da SAD, quem são os investidores, se os têm, como pretendem levar a cabo a reestruturação financeira, ou enfrentar a possibilidade de termos que estar ausentes das competições europeias, por força de uma hipotética adesão ao plano de recuperação de empresas, ou simplesmente como convocar TODOS os Sportinguistas para a refundação que se adivinha. Doutra forma a crescem as hipóteses de, depois das eleições, sermos apenas confrontados com inevitabilidades.

Votos por correspondência
Pela primeira vez seria possível aos sócios que moram longe da Grande Lisboa sem terem que se deslocar a Alvalade, o que reduzia em muito o maior sacrifício que lhes é exigido para exercerem o seu sportinguismo. Não me enganei no tempo verbal, "seria" porque sobram muitas dúvidas se tal ainda será possível de acontecer em tempo útil (até sexta-feira), porque há muitos, onde me incluo, que ainda não receberam os respectivos boletins para iniciar o anacrónico processo burocrático de validação. E há quem esteja em piores circunstâncias, por estar no estrangeiro.

A menos que haja um tratamento muito cuidadoso por parte da A.G., que terá que passar por um acordo entre todas listas, ficarão sportinguistas sem a possibilidade de participarem no acto eleitoral. Impugnação a caminho de quem não se conformar com os resultados que podem ser novamente renhidos é apenas uma das muitas hipóteses em aberto...

sábado, 16 de março de 2013

A continuidade, as campanhas negras, os imbecis e os informados, as estratégias e as convicções


O ainda PMAG, Eduardo Barroso, dá-se por satisfeito com a campanha em curso, realçando que "os candidatos estão a ser civilizados". Quem assiste às acusações permanentes dificilmente compreenderá esta afirmação. Talvez se enquadre no conceito de civilização adoptado nos programas televisivos onde o nosso ilustre consócio nos impõe o infeliz sentimento de vergonha alheia.

Será que os sócios se sentem esclarecidos perante a falta de debate e pela falta de uma confrontação de ideias que não se fique pelas parangonas dos jornais? Eu não!

Na mesma alocução o ilustre PMAG garante que não haverá campanha negra o que é um bom indicador do quanto anda arredado da realidade, ou configura um significativo lavar de mãos. A campanha negra está em curso e quase direcionada para Couceiro, a quem timidamente lhe declare o seu apoio ou até quem ouse contestar qualquer ponto do seu "programa de 1250 medidas" ou uma qualquer declaração. Olhe-se para a caixa de comentários do post anterior.

Lembram-se daquele velho slogan quem não é benfiquista não é bom chefe de família? Julgo ter saltado do teatro para o dia a dia e, para lá do uso em tom de piada, ilustrava um sentimento de arrogância que identificamos na matriz benfiquista. Esta campanha eleitoral adaptou-o ao momento sportinguista e, para um largo sector que tem voz nas redes sociais e blogosfera, quem não é pelo Bruno de Carvalho não é bom Sportinguista. 

Se for pelo Carlos Severino é parvo, porque desperdiça os seus votos. Se for pelo Couceiro é pela continuidade, um lambuças. Se questiona Bruno de Carvalho é um imbecil. Se questiona Couceiro é um sportinguista bem informado.

Veja-se o excesso de zelo, muitas vezes ignorância e desonestidade, usado no tratamento da entrevista de Couceiro ao canal "ABola". Alguma vez vimos preocupação que se assemelhe perante o que diz Bruno de Carvalho? Porque é que tudo o que diz se transforma em letra de lei? Não é isto um "lambucismo" tão lambuças como outro qualquer?

A continuidade
É lamentável que grande parte da discussão ainda não tenha saído do chavão da continuidade. Pode ser útil como estratégia das empresas de comunicação para descentrar a atenção em Couceiro e apontar a Godinho  Lopes, confundindo ambos e potenciando assim o voto de protesto. Porém, esse voto será completamente desperdiçado se, no dia a seguir às eleições, quem se for eleito não tiver mais para dar que apenas esta retórica inútil.

Quem representa a continuidade?
O esforço para colar Couceiro a GL é grande mas tem um problema. Ou teria, se fosse visto com honestidade. Couceiro foi despedido por GL, depois de se ter exposto, saindo do conforto da cadeira de manager, para vestir o fato de treinador, conseguindo um 3º lugar que muitos tinham como impossível. Foi por não perfilhar da ideia do cheque e da vassoura que acabaria por ser posto na rua. E, quer antes quer depois, Couceiro nunca foi uma voz conformada perante os erros que se foram cometendo ao longo dos últimos anos. Couceiro não acordou há 2 anos...

Várias vezes aqui me tenho defendido que os problemas do Sporting começam na sua gestão desportiva. Sem boas decisões nesta área o Sporting não ganha tantas vezes quanto precisa para se sentir confortável com a sua identidade de clube grande e, atrás das derrotas, tudo se desmorona. Pior do que a ausência de uma estratégia desportiva adequada, é a constante mudança de actores e ideias, o que obriga frustrantes regressos à casa de partida.

Bruno de Carvalho tem um discurso bem construído, muito à volta do que se quer ouvir, à boa maneira blogosférica. Mas as suas ideias à volta do que é relevante são de uma falta de consistência quase irresponsável.

Repare-se na sua proposta para a questão da preparação física. (entrevista ao Record)


BdC: Queremos ter o controlo total sobre a preparação física. Independentemente do treinador.

R: Isso significa o quê?


BdC: Que haverá um departamento claro para a preparação física e metodologia. O treinador trabalhará com esse departamento, mas não podemos ter flutuações por oscilação a nível técnico.


O que é um departamento claro para a preparação física e metodologia?  Pelo que se havia de perceber até pelas suas declarações à  BolaTv, é um deparamento que ditará "de forma transversal" toda a preparação física da equipa independentemente do treinador escolhido.

O que é que isto significa? 

Pura e simplesmente que BdC não faz a minima ideia do que é o papel de um treinador numa equipa de futebol, que BdC não faz a minima ideia do que é hoje o treino. Nisso não difere em nada de Godinho Lopes, por isso, há dois anos estava disposto a trazer o seu Vercauteren, o sr, Van Basten.

BdC já disse que queria manter Jesualdo. Talvez seja bom perguntar-lhe se aceita isto. Talvez seja bom perguntar a qualquer treinador com méritos reconhecidos se aceita isto. Talvez Inácio aceite...

É necessário que um presidente perceba de matérias técnicas? Obviamente que não. Mas tem que ter esse conhecimento da parte de quem tenciona delegar a gestão desportiva. Esse é outro problema de BdC, as suas escolhas. Virgílio foi um grande capitão mas não se conhece nada que tenha feito nesta matéria e nas entrevistas que diz nada de relevante. Inácio  está longe, muito longe, de constituir uma referência.

E quando se pergunta a BdC as funções a desempenhar na estrutura da SAD não se fica mais descansado:

R: Mas que funções, em concreto, reserva para eles?

BdC: A estrutura será liderada por mim, com equipa de três elementos, onde teremos uma parte mais de futebol sénior, equipa principal e B, formação, negócios e logística. Quero é que isto seja um trabalho transversal. Não podemos ter ilhas isoladas.

R: O percurso profissional do Inácio é mais visível do que o do Virgílio. Quais são as mais-valias que o Virgílio pode aportar nesse sentido?


BdC: O Virgílio, felizmente que ainda pouca gente o conhece, ou poderia já não estar na minha lista. Aliás, já foi disputado. Sabe, vive e respira futebol. 


As soluções aparecem, os problemas resolvem-se pondo o Virgílio a respirar futebol?


Ainda relativamente à continuidade é bom lembrar que as suas propostas há 2 anos eram em tudo semelhantes às de GL, degladiando-se no tamanho dos montantes a gastar com o futebol profissional.


A questão da maioria do capital 

O problema de quem diz o que os outros querem ouvir e não o faz guiado por convicções é que mais tarde ou mais cedo é-se apanhado em contradição.

Ponto de honra da sua actual campanha é a questão da maioria do capital da SAD. Mas que, no virar de uma qualquer esquina onde lhe apareceu um gravador ou um microfone, já deixou cair.

BdC veio dizer que estaria disposto a deixar cair a maioria da SAD se pudesse dar em troca uma Liga dos Campeões. Pensei que a questão da maioria da SAD estivesse subjacente a um modelo de clube, uma questão identitária, sobre as quais não se fazem concessões. Porque, no extremo, isto é dizer que por uma Liga dos Campeões até podemos negociar a cor das meias, uma publicidade na bandeira dos mastros em Alvalade e por aí fora.

Mas diz-nos também que os planos de BdC são em tudo idênticos aos de GL. Se aparecer quem "ponha lá a massa" há a disposição de a gastar para conseguir ser campeão ou pelo menos ficar em 2º lugar. Estas são as única formas de chegar ao apuramento para a Champions, caminho exclusivo para quem levantar o troféu.

Lá se vai a defesa da aposta na formação, do crescimento sustentado. Que foi sempre instrumental por, ser o que está a dar votos, e não por ser uma estratégia que advém de uma convicção. Por isso não se lhe conhece uma palavra a defender Carriço, quando este era assobiado, apenas se conhece o seu desagrado pelo negócio ruinoso que a sua venda representou, porque significava mais um ponto na sua estratégia de contestação. O mesmo se pode dizer de Pereirinha e outros. Como vai BdC defender os Pereirinhas e Carriços que se seguem?

Como já disse anteriormente aqui, a questão da maioria da SAD merece ser repensada e não avaliada de forma leviana. Em primeiro lugar porque ela já não nos pertence, tendo em conta a situação em que se encontram as suas contas. Depois porque não é um bom negócio dar uma parte minoritária a um investidor ou grupos de investidores para estes terem, pagando pouco, o seu controlo.

O discurso realista de Couceiro  pode não ser a música para os nossos ouvidos mas adapta-se às necessidades que a realidade impõe, dizendo uma verdade incontestável e que demonstra respeito pela soberania dos sócios: será nossa a decisão, porque estas matérias terão que passar por decisão em AG. E isto "ninguém viu" na entrevista à BolaTv

Formas de liderança distintivas 
Não tomei qualquer decisão relativamente ao meu voto por não me sentir confortável com as opções ao meu dispor. Mas é indiscutível que não me revejo na onda messiânica à volta de BdC, que de todo não se justifica e que lhe criam responsabilidades que nenhum ser humano está à altura de enfrentar.

Na sua essência este messianismo inscrito em cada declaração dos seus apoiantes e membros das suas listas  é uma má estratégia e um desrespeito pela matriz associativa do Sporting Clube de Portugal. A tarefa de reconstrução do Sporting será muito difícil e provavelmente muito demorada. Quando mais se puser o foco numa pessoa mais tempo se perde em chamar à responsabilidade todos os Sportinguistas. É de todos nós que o Sporting precisa.

Como diz Couceiro, mandar é fácil. BdC já disse que onde estava mandava ele. Comandar é mais difícil.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Os distraídos – nova versão para “abram os olhos”


Ontem, não vi a entrevista de Couceiro.

Estive na ‘sessão de esclarecimento’ da lista de Bruno de Carvalho. E fiquei MESMO esclarecido. Se as minhas dúvidas já eram poucas, ontem pude confirmar e constatar, ao vivo e a cores, o nível de rancor, de má-educação, de completa ausência de ideias e o extraordinário conceito democrático que os membros da lista B defendem…

O Sr. Dr. Artur Torres Pereira, candidato a vice-presidente do Conselho Directivo, iniciou a sessão de esclarecimento e levou os cerca de quarenta minutos que se seguiram dessa sua primeira e agressiva intervenção a fazer i) o diagnóstico que já todos conhecemos sobejamente e ii) a zurzir em Godinho Lopes e a atacar Severino (pouco) e Couceiro (muito). No fundo, tudo uma cambada de aldrabões, incompetentes ou interesseiros. Apresentar as ideias da lista que representa e avançar com propostas? Esquece lá isso… Nem uma, para amostra. “É consultar o Programa com 120 medidas (!) que vem lá tudo bem explicadinho, claro e transparente”, segundo, claro, a sua própria avaliação.

Incongruências sucessivas, deixo alguns exemplos:

- Bruno de Carvalho pode dizer horrores de Godinho Lopes, José Couceiro não… Porquê? “Soa a falso”; “onde é que andava Couceiro nos últimos anos? Só agora é que acordou?” A trabalhar no estrangeiro, digo eu, ao invés de estar em ‘campanha oficiosa’ desde Março de 2011…

- A transparência é tanta que garantiu terem interessados em investir na SAD, mas não os divulgam, porque os senhores russos que o Bruno de Carvalho convenceu há dois anos, após se meter num avião para Moscovo, foram muito mal tratados, coitadinhos dos senhores. Ficaram tão traumatizados, que passados dois anos perderam todo o interesse. Bem, pelo menos ficamos a saber que os investidores têm outra origem geográfica. Já não é mau… Talvez, Moçambique? É a minha aposta, dado que o candidato da Lista B a Presidente do CD, meteu-se recentemente num avião com destino a Maputo.

- Providências cautelares? Umas são boas, se INTERPOSTAS pelo nosso candidato a PRESIDENTE do CD, outras são uma “vergonha”, se SUBSCRITAS por um candidato a VICE da Lista C… O facto de ambas serem indeferidas e, como tal, desprovidas de razão segundo os tribunais que as avaliaram, é ignorado primeiro (apenas falou da recente Providência Cautelar, olvidando-se convenientemente de outra) e desvalorizado depois de alguém recordar o senhor de que o seu candidato a presidente também usou o mesmo expediente.

- Perda da maioria da SAD? É a perda de identidade do SCP, mas quando confrontado com as recentes 'evoluções' de opinião do próprio Bruno de Carvalho, manifestadas em ENTREVISTA, já é invenção da imprensa.

- Falei em imprensa? Pois falei… Uns pasquins sem credibilidade quando atacam e “perseguem” Bruno de Carvalho, passam rapidamente a informação impoluta quando poucos minutos depois (haja coerência!…) já é referenciada para transmitir opiniões de outros candidatos que caracteriza de “absurdas”.

- Couceiro não serve por ser, passo a citar: “um profissional de futebol”… E daqueles que por onde passou não trouxe qualquer “mais-valia”… Talvez, mas eu há anos que oiço tanto sportinguista afirmar que o que o SCP precisa é de um líder que perceba de futebol e agora nem um profissional  (dentro e fora de campo) serve…

Mas, relaxem, todos os apoiantes de Bruno de Carvalho, porque ontem tive a certeza de que vai ganhar as eleições… Na fase de ‘debate’, quem elogiava a Lista B, recebia loas e ovações, quem tinha o desplante de evidenciar perguntas mais incómodas era mandado CALAR… Sim, mandaram-me calar, porque o que dizia não ía de encontro à propaganda  de teor bíblico-brunista. É este o SCP que nos espera?… Um Sporting intolerante para quem manifesta uma opinião contrária à corrente maioritária? Infelizmente, tudo leva a crer que sim… Dito isto, questiono-me sobre quem realmente representa a continuidade e quem representa a mudança. A mim, palpita-me que os 'lambuças' estão de saída, e os terroristas infiéis (agora ao Bruno, como eu), em breve, estarão de regresso.

Quem assistiu à sessão de esclarecimento de José Couceiro, num tom cordato, apresentando as suas ideias (algumas das quais também não concordo, por exemplo futsal na SAD???), apelando à união, prescindindo de atacar os seus antagonistas das outras listas, recordando, isso sim, “que somos todos sportinguistas e todos queremos o melhor para o SCP, independentemente de termos caminhos e visões diferentes” e compara com a maledicência de ontem, só pode ter uma opção: votar na Lista C, mais que não seja por uma questão de decência.

A palavra-chave que ficou da intervenção de ontem do Sr. Dr. Artur Torres Pereira é “distraídos”. Quem apoia Bruno de Carvalho é um sportinguista consciente e atento, quem não apoia tem andado distraído.

Para além do candidato a vice-presidente, estavam na mesa a Senhora Rita Matos (salvo erro…) e o Senhor Carlos Seixas que praticamente não falou (ela) ou não abriu a boca de todo (ele), e o grande campeão Carlos Lopes, que teve direito a uma intervenção final, durante um ou dois minutos para dizer que “confia em Bruno de Carvalho, que é a única opção válida para presidente, que o conhece desde Maio e é um grande sportinguista que pensa e vive o Sporting 24 horas por dia”… Da plateia, rematou o tal senhor que me mandou calar: “se o nosso campeão o diz, temos que acreditar nele”… Seguiu-se a estrondosa ovação da praxe, Uns “Viva o Sporting!” e ala que se faz tarde e amanhã é dia de trabalho. Era quase meia-noite e meia quando terminou em beleza a lavagem cerebral… Nunca assisti a nenhuma missa evangelista, mas ontem à noite, nas instalações do Núcleo Sportinguista de Castelo Branco, fiquei convencido de que tinha acabado de experienciar algo de muito semelhante! Enfim, fica mais uma experiência de vida, deste herege e vil pecador que, vá lá, escapou ileso de punição mais severa…

Nota final: à semelhança de Manuel Fernandes em 2011, custa-me ver grandes referências e atletas do glorioso passado do SCP metidos em querelas eleitorais. Carlos Lopes é uma enorme figura do SCP, um campeão olímpico, um atleta que estará eternamente presente na memória leonina, mais do que referência do Sporting é uma referência Nacional. Tem todo o direito a ter as suas ideias e a fazer as suas opções, mas deveria resguardar-se e manter-se afastado destes ‘ambientes’, até para preservação da sua imagem.

Entrevista de Couceiro à Bola: 5-0

Acabei de ver a entrevista do candidato José Couceiro ao canal de televisão do jornal A Bola. Comparando com a anteriormente concedida pelo candidato Bruno de Carvalho a minha conclusão: Postura, conhecimento (do clube, do meio desportivo, dos dossiers), respeito, discurso, estratégia apontada, 5 a 0 para Couceiro.

O suficiente para ser um bom presidente do Sporting? Não posso ser tão categórico quanto isso mas,  por comparação com o que conheço de Bruno de Carvalho (percurso, propostas e escolhas), merece pelo menos ser ouvido sem o preconceito com que tem sido avaliado.

2 notas avulsas, sem que isso respeite uma análise aprofundada à entrevista, mas porque são temas que me são caros:

- A promessa de que não haverá dirigentes em exercício no papel de paineleiros;

- Qual foi a lista que cedeu ao jornal "A Bola" a documentação que lhes foi entregue respeitante à situação financeira que espera os futuros órgãos sociais?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Eleições 2013: o(s) investidor(es) e sim ou não à maioria do capital da SAD


Nota introdutória
É uma das perguntas que mais me ocorrem nestes tempos conturbados em que vive o Sporting: se tivesse em idade de escolher voluntariamente o meu clube voltaria hoje a escolher o Sporting? 

É uma pergunta que, de forma honesta, não consigo responder afirmativamente. Este Sporting de hoje afastou-se em muito do Sporting de cujos valores me identifiquei. De um Sporting do qual me enamorei como um adolescente, exaltando-lhes apenas  as qualidades, até construir um amor que hoje não renega nenhuma das suas cicatrizes, que se tornou incondicional. 

Quando me refiro ao "Sporting de hoje" refiro-me ao universo que vai do sócio mais "notório" ao adepto anónimo, incluindo por isso dirigentes e adeptos. Talvez incorra num erro de paralaxe, valorizando excessivamente a parte mais visível de um todo, o lado mais irracional, muitas vezes irresponsável e quase sempre truculento que ganhou voz com as redes sociais.

Foi essa ferida na identidade que me levou a ponderar deixar escrever no blogue na sequência das eleições de há dois anos. E foi a percepção da excepcional fragilidade em que o clube mergulhou, confirmada pela trajectória recente e agravada por uma conjuntura externa também desfavorável que me obriga agora a olhar com responsabilidade para cada letra que escolho quando me disponho a escrever sobre o Sporting.

As SAD´s e a necessidade de investidores
Estamos já longe do advento das Sociedades Anónimas Desportivas, do êxito que foram o lançamento das suas acções no mercado secundário de acções e da terra do pão e do mel que então se prometia. A necessidade de novos investidores sem cumprir as promessas aos que inicialmente acorreram às OPV's é o reconhecimento do falhanço da gestão e não tanto do modelo.

Paradoxalmente o Sporting, seu percursor, foi, de todos, o clube mais penalizado e isso tem uma explicação muito mais prosaica do que as intrincadas teorias que tantas vezes animam as discussões entre os adeptos: o Sporting mudou quase tudo menos o essencial para ter êxito: a qualidade da sua gestão desportiva, sendo, em simultâneo, incapaz de se opor ou defender das consequências da guerra bipolar latente no futebol nacional. O Sporting vive hoje penalizado pela sua inaptidão e arcando com danos colaterais de uma guerra de que sempre fugiu por não perceber ser uma parte interessada.

A ideia de um investidor tornou-se tão apelativa como o regresso do Messias, como se a entrada de dinheiro, por si só, resolva os problemas. O que, como já vimos anteriormente, está longe de longe de constituir uma dedução lógica. E remete-me também para as questões de identidade que me são muita caras.

O que eram as minhas dúvidas expressas acima são agora mais certezas. Se o Sporting fosse hoje um Chelsea, um Manchester United ou City, um PSG ou qualquer outro clube que agora foi "posto com dono", e eu estivesse em idade de escolher o meu clube, o apelo irresistível ou fascínio seriam muito difíceis de ocorrer. Há neste conceito uma contradição insanável com a matriz associativa à qual o clube deve tudo o que hoje é, e é muito, como sabemos. 

Até que ponto podemos e devemos abrir mão dessa identidade e que preço teremos a pagar por ela é a questão que fica. Não menos importante é saber se esse é o caminho inevitável.

A crueza da realidade
Os dados do passivo acumulado da SAD esticam ou encolhem consoante quem os invoca. Mas, servindo-nos de valores redondos para ilustrar a situação dramática, se o passivo for de 300 milhões de euros e o universo dos Sportinguistas (adeptos e sócios) for de 3 milhões, tal equivale a uma factura individualizada de 100 euros. Se considerarmos apenas os cerca de 30 mil sócios pagantes o número atinge a grandeza pornográfica de 10.000 euros a cada um. As simples operações aritméticas com as parcelas dos activos e do passivo aprofundam ainda mais um cenário arrepiante e complexo.

Investidor ou investidores, não há um modelo único
Fala-se muito na necessidade de um investidor, em similitude com o modelo dos clubes supracitados, mas podemos estar a falar também de um grupo de investidores associados. Encontrá-los ou vê-los surgir à porta de Alvalade com uma mala cheia de dinheiro é que já é mais difícil de suceder. A actual conjuntura em que está imersa a SAD, a exiguidade do mercado nacional, por comparação com outros de atractividade mais luzidia, estão longe de ser muito apelativos para quem quer ganhar dinheiro. 

Acresce  a tudo isto que a generalidade das experiências conhecidas estão longe de representar sucesso para clubes ou investidores em simultâneo. Manchester e Chelsea têm conhecido êxito, o City também, mas mas menos, e todos sempre à custa de um dispêndio insano de dinheiro que não custa a ganhar. Excepção talvez seja a do United, onde os irmãos Glazer, servindo-se de engenharia financeira refinada, têm sacado  algum. No mais, o sonho de rapidamente se colar aos da frente, vendendo a alma se preciso for, é hoje o pesadelo dos adeptos de QPR, Portsmouth, Leeds, Birmingham e alguns outros.

Com GL o Sporting encontrou parceiros com quem dividir os riscos de investimento, os fundos, mas o falhanço desportivo e a nova legislação do vesgo Platini, condicionará ou anulará novas possibilidades no curto prazo.

Mas as possibilidades não se esgotam aqui. Por força da sua capacidade de formar jogadores com um rácio de qualidade/quantidade acima da média o Sporting tem na sua formação um filão muito atractivo, como se constata pelo enxame de empresários que de forma quase diária sobrevoam Alcochete. Não falta pois quem salive de cobiça sobre as futuras pérolas. O problema está em encontrar uma equação que permita a partilha dos riscos e dos lucros em partes iguais, de forma a que não tenhamos que roer os ossos enquanto outros se alambazam com o filet mignon.

Sim ou não à maioria da SAD
É já tarde para dar um passo atrás no tempo, discutindo se sim ou não à SAD. E também não me parece estar provida de um grama de realismo a discussão da retirada das acções de bolsa e o regresso ao modelo anterior que, é bom lembrar, também não estava a ser uma fonte de sucesso...

Mas também me parece desprovido de sentido ter uma SAD para possuir a quase totalidade das acções. E ainda pior parece não dispersar o capital tendo tanta necessidade de liquidez. 

Por isso tão importante como saber se deve manter a maioria do capital da SAD é saber se  o seu controlo permanece no clube e os investidores respeitam valores essenciais e identitários em qualquer dos cenários. É que vejo muita preocupação em perder o controlo da SAD, cedendo a maioria do capital. Mas o perigo de perder o seu controlo - isto é o centro da tomada decisões - cedendo apenas uma pequena parte, é também grande, com a agravante de representar menos entrada de capital, tornando-se numa operação barata para quem investir. É que não vejo quem se disponha a abrir a carteira sem ter uma palavra a dizer, e que, aos poucos, não queira que esta seja a última.

De fora da análise fica um dado importante que é importante reter. Quem vê o Sporting de fora constata uma enorme volatilidade de modelos, pessoas e lideranças. Neste momento, ao invés de um clube histórico com um enorme potencial de sucesso, o Sporting transmite aos seus potenciais investidores uma imagem que se assemelha em muito ao famoso triângulo das Bermudas. Se não elimina à partida o lote de investidores, condiciona de forma decisiva a sua qualidade. Aliar isto ao estado de extrema necessidade em que o clube se encontra leva-me a temer más noticias para breve.

terça-feira, 5 de março de 2013

Os números que não aparecem nas sondagens

Foram publicadas hoje as primeiras sondagens e os números variam consoante a empresa que as realiza. A leitura da ficha técnica permitiria esclarecer as dúvidas que se levantam perante tamanha disparidade de resultados mas, mesmo sem a consulta do documento, os resultados nem a sua disparidade me surpreendem. Vêm na linha do que já sucedeu em disputas eleitorais anteriores. O universo dos sócios é restrito e não pode ser confundido com o dos adeptos - estes não votam - e, juntamente com a ponderação dos votos, dificultam sobremaneira a consulta.

Sem surpresa também a bipolarização que os resultados evidenciam, dando conta que a eleição é uma luta ombro a ombro entre Bruno de Carvalho e José Couceiro. Carlos Severino tinha a difícil missão de esbater a ideia de ser um remoto outsider, no que foi notoriamente ineficaz e até infeliz, como aqui deixei nota.

O que a sondagem não revela mas algumas reacções obrigam a interrogar é se os resultados, sejam eles quais forem, serão aceites por todas as partes envolvidas ou se, à semelhança do último acto eleitoral, para alguns "todos os resultados são bons desde que representem uma vitória". É que o cenário de um resultado muito próximo entre listas é muito possível no quadro de uma bipolarização bem evidente.

Uma nota para finalizar: Num universo estimado de 164 mil votos - que são os que resultam de cerca de 32.600 sócios pagantes (!) julgo ser merecedor de reflexão a possibilidade de convocação de uma A.G. com a finalidade de destituir uma direcção, seja ela qual for. 

Agora que o caminho das pedras foi descoberto, esta reflexão faz todo o sentido. Mais ainda num clube que é cada vez mais uma federação de uma miríade de sensibilidades, grupos de pressão e reflexão. No limite estamos a falar da possibilidade de que apenas 50 sócios com 20 votos se constituam como uma força de bloqueio. É a democraticidade de uma norma que abre caminho a que menos de 2% dos votos tornem um clube ingovernável que merece ser analisada.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Eleicões 2013 - O apoio da banca

Antes de ir um dos 3 temas que elegi para reflexão esta semana - O apoio da banca - o investidor -  a maioria do capital da SAD, uma nota para o sucedido na tribuna de Alvalade, durante o jogo de sábado. A indignação gerada pelo concerto de Paulo Baptista e expressa ao que parece por Paulo Abreu* merece uma nota de apreço e solidariedade. 

Sabemos há muito que isto - a divisão de poderes e benefícios entre SLB e FCP - não vai lá com silêncios, salamaleques ou meias palavras, antes tem que ser denunciada alto e a bom som e se preciso for, "resolvido lá fora", à moda antiga. E era o que mais faltava se, quando somos roubados na nossa própria casa, ante o fundador do sistema, não pudéssemos expressar a nossa indignação. Educação e cavalheirismo está reservado para uso entre iguais.

O apoio da banca
Um dos falsos problemas da campanha, a par do epíteto de "continuidade", designações que todos os candidatos fogem com mais horror que Maomé do toucinho. Ao contrário de "uma certa verdade instalada", a banca não é o inimigo. Se a situação financeira é a que é, essa responsabilidade deve ser assacada a quem procurou o financiamento. E esses são as sucessivas direcções, com o apoio da maioria dos sócios que, em sucessivas AG´s, ratificaram as decisões. Um dado importante que quase nunca entra nas contas.

Depois, e também ao contrário de "uma certa verdade instalada", os dois bancos envolvidos no "project finance" montado inicialmente para financiar a construção do estádio, (e posteriormente quase toda a actividade da SAD), têm sido particularmente benevolentes para com o Sporting. Em particular nos últimos tempos (e em especial o BES), em que o clube tem faltado, de forma quase sistemática, aos compromissos assumidos. Pudessem muitos portugueses beneficiar de igual benevolência das entidades bancárias credoras dos seus empréstimos à habitação.

De uma forma muito simples e clara não é obrigatório que o próximo presidente do Sporting tenha o apoio expresso destas entidades bancárias credoras em particular. Mas, como pessoa de bem que o clube tem de ser, tem obrigatoriamente que se entender com eles na forma de fazer face aos compromissos que assumiu. Isso tanto pode passar por uma negociação directa, aceitando e cumprindo as condições que saiam dessa negociação, como pela apresentação de uma garantia sobre o valor em divida ou o seu pagamento integral, via novo(s) financiadores. Estas duas últimas hipóteses só existem no campo teórico, como é bom de perceber, pois não é crível que se encontrem, na actual conjuntura, bancos capazes de meter o pescoço em tamanha guilhotina.

Face à situação económico-financeira do clube, a posição negocial do clube é muito frágil. Mas é também por causa dessa fragilidade que as entidades credoras serão obrigadas a sentar-se à mesa. E é nessa mesa de negociações que terão de demonstrar a abertura suficiente para tentar receber uma parte importante do que lhes devemos. Sem essa abertura poderão ter-se que contentar com muito pouco ou até quase nada. O problema, que é grande para nós, não é menor para os credores

A renegociação da dívida é quase inevitável e pena é que não tenha acontecido já. Aos bancos interessará muito pouco executar a dívida porque a gestão directa do negócio futebol não lhes interessa, ter um estádio muito menos (os terrenos e nada valem sem alteração do PDM) e o que os passes dos atletas que poderiam render esfumar-se-iam num cenário de ruptura.

Concluindo, o Sporting, (isto é nós, todos os sócios) tem um grande problema porque o clube, com os montantes em dívida, perdeu em larga medida a sua soberania. Hoje, e enquanto se mantiver a actual situação, o clube é muito mais dos credores do que nosso. Não ter o apoio ou não chegar a um entendimento sobre a forma de reverter esta situação pode ser ainda mais dramático do que a situação em si mesma. O resto é retórica e folclore que, no final do dia, não abate um cêntimo ao passivo. E este acumula juros todos os dias.

P.S.- LFV manifestou já a sua oposição a um perdão da dívida ao Sporting sem que o mesmo suceda em relação ao seu clube. Poderíamos entender isto como normal, dentro da normal concorrência do mercado. Mas para isso LFV terá que deixar de proclamar a excelência da sua gestão e juntar-se ao Sporting como um clube a necessitar de ajuda. Não que ele tenha vergonha, mas se a tivesse isto seria tão indecoroso como a Frau Merkel pedir um haircut da divida alemã em tudo idêntico ao que beneficiou a Grécia. Ou então a situação do SLB não é assim tão boa como a propagandeada.

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*In Record

Não foi calmo nem pacífico o ambiente vivido na tribuna de honra de Alvalade durante o clássico entre o Sporting e o FC Porto. Os ânimos exaltaram-se e foi preciso, inclusivamente, a intervenção de seguranças de ambos os lados para evitar que as proporções dos incidentes fossem maiores.

O ponto mais crítico aconteceu já no final da partida e acabou por ter como principais intervenientes o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e o ex-”vice” leonino, Paulo de Abreu que, de acordo com testemunhas oculares, “ultrapassaram todas as marcas verbais” sem, contudo, chegarem ao confronto físico.


Ao que apurámos, o ambiente era, de início, tenso, mas a cordialidade marcava a relação entre dirigentes de ambos os clubes. No entanto, com o decorrer do tempo e com o empate em campo a subsistir, o despique verbal intensificou-se. De tal forma que, já na segunda parte, foram constantes as “bocas” de um lado e do outro.


A tensão aquecia o ambiente, que escaldou já depois do apito final de Paulo Baptista. Pressentia-se que da agressão verbal ao confronto físico podia ser um pequeno passo. De tal forma que a certa altura já todos os principais responsáveis dos dois clubes estavam envolvidos no despique verbal.


Não surpreendeu, desta forma, que Paulo de Abreu e Pinto da Costa tivessem passado das marcas. Isto numa altura em que até o próprio presidente do Sporting, Godinho Lopes, teve de agarrar o pescoço de Reinaldo Teles para evitar males maiores.


Entre os dirigentes do Sporting estavam presentes, entre outros, Godinho Lopes, João Pedro Varandas, Pedro Cunha Ferreira e Ricardo Tomás, enquanto Pinto da Costa, sentado ao lado do homólogo leonino, Reinaldo Teles, Angelino Ferreira e Adelino Caldeira eram alguns dos elementos dos órgãos sociais do FC Porto presentes em Alvalade
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