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domingo, 20 de outubro de 2019

Tenho saudades suas, Sr. Jordão!

São muitas e imensas as saudades SENHOR JORDÃO. Já elas eram muitas quando fui atropelado pela noticia da fragilidade da sua saúde e vão ficar assim, incomensuráveis, com a noticia do seu desaparecimento. Ao longo destes anos acalentei a esperança de que seria possível despedirmo-nos condignamente de si, com um estádio cheio, consigo ao centro e, na duração de cada uma das muitas merecidas palmas lhe pudesse voltar a agradecer tudo quanto nos deu. Não apenas os golos, as jogadas imprevisíveis, os títulos em que participou, mas também a lição de Sportinguismo da sua postura simultaneamente grandiosa e discreta. E que em todas as palmas ouvisse um sincero pedido de desculpas pela forma como nos desfizemos de si.

Acabou-se a magia, Sr. Jordão. Quando aquele punho, no final de um braço estendido no ar se erguia,  era como que um farol que nos indicava o caminho, que toda a energia se concentrava naquele ponto, como um superpoder que era nosso e do qual era guardião. Esta imagem, de super-herói,  não permitirei jamais que me seja negada ou roubada, mesmo que todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver de perto consigo a contrariem, devolvendo a imagem de um homem simples e genuinamente humilde. Essa humildade e a sobretudo  a facilidade com que conseguia fazer as coisas mais assombrosas eram de génio.  

Acabou-se a magia Sr. Jordão. É que sabe, eu lembro-me de si desde o tempo longínquo em que os jogadores de futebol eram os nossos heróis, quase imaculados, em que só os víamos lá longe na relva ou na caderneta de cromos. Sim, o tempo trouxe-nos infinitas possibilidades, uma miríade de comodidades, entre as quais essa que tanto uso de ir ao Youtube rever os seus golos. Neste percurso que nos trouxe até ao "futebol moderno" perdemos muitas coisas boas pelo caminho e uma delas é precisamente a magia de ver num profissional de futebol um verdadeiro herói. É tudo demasiado fugaz, light e descomprometido. Continuamos a ver excelente futebol e mesmo golos enormes, mas dificilmente nos vamos lembrando da camisola com que foram marcados. Jordão, golos e Sporting são três palavras que associamos de forma instintiva e que a gramática deveria muito legitimamente hifenizar.

Acabou-se a magia Sr. Jordão. Espero que agora seja finalmente o tempo de lhe fazermos justiça e deixarmos para trás o anacronismo da alcunha "gazela de Benguela". Não sei onde é aquela gente tinha a cabeça, quem pode confundir o Bambi com o Rei Leão? Quem conseguiu ver na sua velocidade, na forma letal como finalizava, na forma impiedosa com que castigava as balizas adversárias para alimentar a nossa prole na ânsia de vitória uma presa e não um temível felino? Um verdadeiro leão!

Jordão deixa saudades mas não morreu. Há muito que o seu nome está gravado na galeria de imortais pelo jogador que foi para nós, pelos golos que marcou por onde passou e especialmente pelo marca impressiva que deixou em todos os que com ele conviveram. A forma despojada como se retirou, sem nunca reclamar atenção ou o legitimo reconhecimento do lugar de destaque que lhe era devido, deixando atrás de si o silêncio que entendia fazer falta ao futebol, deveria fazer escola. No futebol e no Sporting.

Senhor Jordão, os ídolos não morrem, são para sempre!

quarta-feira, 14 de março de 2018

Do enorme Peyroteo ao surpreendente rugido de Bas Dost


É o maior goleador nacional com 331golos registados em 197 jogos o que dá uma média de 1,6 golos por jogo. Um número único também entre os campeonatos de referência em todo o mundo.

Maior goleador do Sporting com 529 golos em 327 jogos

Detém o invulgar número de 9 golos marcados num só jogo (Leça, 1941/42)

Melhor média de golos marcados pela selecção, num tempo em que os jogos entre equipas nacionais eram escassos: 14 golos em 20 jogos, o que dá a média de 0,7 golos por jogo. 

É também o jogador com mais golos marcados ao SLB: 64 golos em 55 jogos, média de 1,2 golos por jogo. 

O mesmo relativamente ao F.C.P: 33 golos em 32 jogos, uma média  de 1,02 golos por jogo.

Hoje é pois um bom dia para falar de goleadores. E o Sporting tem a sorte de ter nos seus quadros Bas Dost, um goleador na senda de outros nomes grandes, como Yazalde, Jordão, Manuel Fernandes. Mas talvez seja Jardel o jogador com quem mais se assemelha, pelo invulgar sentido de oportunidade e de construir grande parte do seu pecúlio nos eximios golpes de cabeça.

E se neste momento podemos ainda acalentar esperanças de chegar ao tão desejado titulo muito a ele lhe devemos. No jogo em Chaves necessitou apenas de três remates para fazer dois golos. Dessa forma reforçou a incrível média de 2,2 remates que necessita para fazer um golo. Para que se perceba o que este número representa, Jonas, o lider actual dos goleadores, precisa de quase o dobro dos remates para chegar ao golo (4). Desta forma Bas Dost ofereceu nesta Liga 6 vitórias ao Sporting, igualando assim os números do ano passado. Dos 53 jogos que disputou até agora pelo clube, os seus 56 golos foram decisivos em 12 deles. (números redondos, TSF).

A fabulosa fotografia que ilustra o não menos fabuloso Bas Dost é da autoria de Leonel De Castro, fotógrafo do JN

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Fernando Fernandes, um lugar cativo na galeria de imortais

Fernando Fernandes foi campeão nacional, ibérico, europeu, intercontinental e mundial numa vida desportiva dedicada ao Kickboxing. É um caso ímpar de sucesso desportivo. Prémio Stromp, um orgulho para qualquer atleta do nosso clube, concedeu-nos uma entrevista exclusiva na antecâmara da sua visita ao podcast Sporting160.

A primeira parte dessa entrevista em formato escrito foca os momentos enquanto atleta, na segunda feira à noite falaremos com ele sobre o que tem sido a sua vida enquanto treinador e como foi a experiência de escrever um livro.


O Kickboxing chegou à vida de Fernando Fernandes em 1983. De que forma? Já tinha praticado algum desporto antes?
Como já tive oportunidade de referir várias vezes, o filme Luta de Gigantes, protagonizado por Chuck Norris, teve um papel decisivo no meu início no KickBoxing. O filme era especial porque foi o primeiro que debateu o início da modalidade que tinha acabado de surgir. Para além deste impulso, comigo as coisas têm acontecido de forma bastante natural e não tenho dúvidas de que o espírito do desporto de combate já estava dentro de mim, e este filme apenas despoletou aquilo que eu andava à procura.
No meu início tenho de destacar o papel fundamental do Mestre Raúl Cerveira do Judo Clube de Portugal, em Outubro de 1980, pois foi com ele que comecei a treinar.

Entrou para o Sporting em 1992, como era a sua vida de Sportinguista antes disso? Com vivia o dia a dia do clube?
Era praticamente como hoje com a diferença que na altura estava do lado de fora e agora estou dentro de um sonho, o de estar dentro e a trabalhar no Sporting.

Desde pequeno seguia bastante o dia-a-dia do Sporting e o que fazia desde muito novo foi aumentando ao longo dos anos. Foi como amador que conquistou os seus primeiros títulos relevantes, campeão nacional de kickboxing em 90 e 91, campeão europeu e ibérico de full contact em 90. Que memórias guarda desses tempos?

Guardo o facto de ter sido o início e preparação de uma longa caminhada, mas guardo ainda mais que nessa fase era tudo muito baseado em ilusão e sonho, no querer fazer mais, ir mais além, era tudo uma descoberta, uma novidade e sobretudo ainda era tudo muito “puro”, ou seja, a forma como tudo era encarado ainda era com uma grande dose de juventude mas essencial para preparar as base da minha carreira.

Depois entrou no Sporting onde viria a conquistar os títulos mais importantes da sua carreira. Quer nos contar como foi a passagem para o Sporting?
A minha passagem para o Sporting deu-se num momento em que já tinha relevância no desporto, fruto dos títulos que já tinha conquistado, e a isto conciliou-se o facto de na altura o Sporting através do Carlos Rodrigues, que coordenava as modalidades de combate no clube ter decidido avançar com o KickBoxing e andar à procura da pessoa certa para criar e comandar a nova modalidade. 

Falaram comigo e chegámos à conclusão que tendo em conta os objetivos do clube e as minhas características, tudo junto se fundia na perfeição e que era a pessoa certa para fundar o KickBoxing.

Quais são os passos fundamentais para passar de Amador para Profissional, e que sacrifícios são necessários?
A passagem claro que é difícil mas considero que é sobretudo uma questão de aumentar o nível de treino e também o competitivo para um patamar muito mais duro. O nível passa a ter de ser superior em todos os aspetos, como a parte técnica e velocidade e potencia, que claro, passam a ser mais difíceis. 
Exemplo da mudança é que em amador utiliza-se capacete e em profissional não, parece algo simples mas reflete bem a grande diferença. 

Viveu um período incrível enquanto atleta profissional do Sporting nos anos de 92 a 94. Foi 3 vezes campeão nacional, 2 vezes campeão europeu, intercontinental e o célebre título de campeão mundial em 94. Foi o período mais áureo da sua carreira, sentia-se invencível? 
Nunca me senti invencível e acho que se o tivesse sentido não teria conquistado muitos dos títulos que conquistei, sentia sim com capacidade e preparação para enfrentar qualquer atleta, e que conseguia vencer qualquer um. Isto aliado ao trabalho e a minha vontade, foram os fatores decisivos para ir conquistando títulos. 

Quem foi a sua referência no KickBoxing? Tinha algum ídolo? 
A minha grande referência era/é o Jean-Yves Thériault. 

Em 1994 foi distinguido com o prémio mais importante que o Sporting pode atribuir, Stromp na categoria Especial Mundial. Um orgulho, certamente, o que nos pode contar sobre esse momento? 
Sempre foi para mim difícil descrever esse tipo de momentos mesmo sendo único como é o caso, mas a palavra que melhor descreve o que senti, é reconhecimento. No momento para além da muita alegria e orgulho, sentido muito reconhecimento. 

Fez 23 anos que o Fernando Fernandes foi campeão do mundo em Kickboxing. O encontro foi transmitido na SIC em directo, a Nave de Alvalade estava completamente cheia com 1.500 espectadores. Como foi esse dia, esse momento absolutamente histórico?
Sem dúvida um dos dias mais felizes da minha vida. Sinto que muito do que fiz durante a minha carreira foi para me preparar para aquele momento, um momento perfeito, foi em Portugal, foi em nossa casa, nave cheia com o apoio de quem melhor sabe apoiar, tudo. Todos os dias me recordo e me recordam aquele momento. 

Mais um momento que me deixa muito orgulhoso e feliz pois foi história e ficará para sempre na história.

Com este título, o Fernando Fernandes entrou para a restrita lista de campeões do mundo que foram atletas do Sporting, Carlos Lopes, Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Xana, Livramento e Chambel. Como é ver o seu nome ao lado destes incríveis atletas?
É ser um atleta tão bom como eles mas numa modalidade diferente. É algo que me deixa muito orgulhoso porque está e ficará para sempre na história. 

A sua história enquanto treinador mistura-se com a de atleta, o Fernando é o grande responsável pela escola de formação do kickboxing do Sporting, onde em 2013 já tinham recebido mais de 10 mil atletas. Sente-se uma referência para tantos e tantos jovens que passaram pelas suas “mãos”? 
Nunca fui de falsas modéstias e respondo que sim, sobretudo porque felizmente o que fiz no passado e tenho feito não é esquecido e é constantemente reconhecido. Por exemplo, todos os dias há alguém que vem falar comigo por me conhecer ou também porque é pai de algum ex-atleta ou atleta ou também por já ter sido meu atleta. O que conquistei penso que me legitima para me poder sentir uma referência para os mais jovens, é algo normal, quando somos mais jovens e não só, temos as nossas referências e no desporto costumam ser aqueles que mais vencem, portanto acho natural eu sentir-me uma referência, mas é algo que gosto principalmente por me obrigar sempre a estar em alto nível em todas as áreas. 

Que conselhos pode dar a um jovem que quer seguir o KickBoxing? 
Os melhores conselhos que posso dar são o de escolher o treinador e a equipa que se identifiquem com ele, com os seus objetivos e com a sua forma de ser. Isto para mim é o principal, o resto, ambição, sacrifício, etc é algo basilar na vida.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Estás na terra, não há cura para isso. Como tal, estarás sempre entre nós.

Quem conheceu Travassos afirma tratar-se facilmente do melhor jogador de futebol português de todos os tempos. Os relatos, as recordações, os livros, os depoimentos de treinadores, de colegas de profissão e dos adversários confirmam-no, apesar de nunca ter copiado os números espantosos de Fernando Peyroteo, e apesar de nunca se ter proclamado 'Rei'.
O Sporting vive do que é real ... não vive de alcunhas. Vive de títulos. Deverei começar pelo princípio: Travassos partiu a 12 de Fevereiro de 2002, quando o clube foi pela última vez campeão Nacional de futebol, 5 dias antes de João Vieira Pinto ter dado a vitória ao Sporting por 1-0 num jogo em Alvalade, e 5 meses antes do Sporting conquistar, no Jamor, a Taça de Portugal. Nasceu a 22 de Fevereiro de 1926, não perto mas literalmente no estádio José Alvalade, no local onde em 1983 se veria erguida a bancada que o lotou da capacidade para 75 200 espectadores. Faleceu a 12 de Fevereiro de 2002, entre as melhores memórias do Sporting Club de Portugal.

Veio ao mundo numa casa modesta, entre dois campos de futebol, o do Lumiar e o do Campo Grande. Aos 16 anos foi trabalhar para os estaleiros da CUF e jogou no Grupo Desportivo da mesma companhia. Como era sportinguista de nascimento, o seu sonho era jogar com a camisola verde-e-branca. Foi lá e ofereceu-se mas o treinador, Joseph Szabo, disse que era muito franzino e mandou-o ‘comer batatas com bacalhau para crescer’. Travassos não esteve pelos ajustes e ingressou no atletismo leonino. Seguiu-se o cerco do FC Porto e a resposta do Sporting que chegou a isolá-lo longe das vistas alheias em Torres Vedras. Foi ‘sequestrado’ por um associado do FC Porto mas um irmão conseguiu trazê-lo de volta para Alvalade. Assinou, de imediato, um contrato por 20 contos de prémio e 700 escudos mensais. No início dos anos 50 já os especialistas de futebol internacional haviam reparado na qualidade deste jogador português. Velocíssimo, era mestre no uso dos dois pés (...) a sua extraordinária visão de jogo permitia-lhe escolher quase sempre a melhor solução, e colocar ao serviço da equipa o seu vasto manancial de recursos. Além da certeza no passe, tinha uma finta própria e um poder de remate invulgar. Foi um futebolista fora do comum.

Em 1955 chegou o momento mágico quando recebeu um convite para representar a selecção da Europa, em jogo contra a Grã-Bretanha a realizar em Belfast. Foi a 13 de Agosto e a crítica considerou-o como o motor da equipa que venceu por 4-1. Até ao fim da sua vida, passou a ser conhecido como ‘Zé da Europa’.

Campeão Nacional: 1946/47, 1947/48, 1948/49, 1950/51, 1951/52, 1952/53, 1953/54, 1957/58
Taça monumental 'O Século': 1948 e 1953
Taça de Portugal: 1947/48, 1953/54
Campeonato de Lisboa: 1946/47
A estreia de Travassos nos campeonatos Nacionais, em 1946/47, coincidiria com a famosa edição onde o clube fixou o recorde virtualmente insuperável de 123 golos num só campeonato, a que corresponde uma média superior a 4 golos por partida. Nesta mesma temporada o Sporting goleou os:

Sanjoanense 2-6, Olhanense 8-0, Estoril-Praia 5-0, Boavista 4-1, Elvas 9-1, FC Porto 2-4, Atlético 1-6, Famalicão 7-3, Sanjoanense 4-0, Olhanense 3-5, Estoril Praia 2-4, Benfica 6-1 (primeira participação do Violino em derbies), Boavista 2-4, Académica 9-1, Atlético 9-2, Famalicão 5-9, Oriental 5-1, e CUF 7-0.





Nesta belíssima fotografia, ao lado do estrondoso Matateu (CF os Belenenses). José Travassos, inveterado caçador, 13 épocas com a camisola que sempre sonhara vestir.

Estás na terra, não há cura para isso.
Como tal, estarás sempre entre nós.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Velha é a pessoa que tem a vida cheia de anos. Eu tenho anos cheios de vida"

Moniz Pereira foi sem dúvida um lídimo representante, pela obra e pelo exemplo, do espírito dos fundadores, juntando-se a uma galeria muito exclusiva de vultos cuja evocação do seu nome se fundiu para sempre com a da nossa história. Se retirássemos Moniz Pereira da história do Sporting, desapareceriam alguns dos nossos feitos mais brilhantes.

Moniz Pereira foi tudo no Sporting: atleta, treinador, dirigente. Como treinador é mais conhecida a sua acção no atletismo, mas foi-o também, como preparador físico, no futebol. Não apenas no Sporting, mas também na selecção nacional. 

Só o tempo permitirá perceber a enorme dimensão do seu legado cuja grandeza por vezes parece nunca ter sido devidamente apreciada. Certamente porque foram muitos os triunfos e porque, apesar disso, Moniz Pereira foi sempre um campeão discreto, muitas vezes quase anónimo, invisível. 

Agora que os Jogos Olímpicos estão quase a iniciar-se não é demais lembrar que até 1976 Portugal não possuía qualquer atleta medalhado na modalidade rainha, o atletismo. Se hoje se tornou usual exigir medalhas muito se deve a Moniz Pereira essa mudança de mentalidade. Até então a nossa ambição limitava-se à participação.

Há quem entenda que, apesar de várias vezes homenageado, faltou fazer a merecida consagração de Moniz Pereira por parte de clube. Nesse âmbito, é bom lembrar que ficou por cumprir uma deliberação da Assembleia Geral de 30 de Setembro de 2012 de atribuir o nome do professor ao Centro de Alto Rendimento de Atletismo que iria funcionar no Complexo Desportivo de Odivelas, projecto entretanto abandonado. Ali ou noutro sitio qualquer seria talvez a melhor e mais desejada homenagem a Moniz Pereira.

Para a história fica o registo do seu palmarés (imagens Record)


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"Um clube que então, internacionalmente, não contava nada, ninguém sabia quem era o Sporting"

Quiz: 

Quem proferiu a declaração que serve de titulo ao post (onde falta "até eu chegar" para ficar completo) e que oblitera mais de um século de história do Sporting Clube de Portugal?

1- Luis Filipe Vieira

2- Pinto da Costa

3- Bruno de Carvalho

4- Um humorista

Por via das dúvidas o palmarés internacional do Sporting pode ser consultado neste link: Palmarés Internacional do Sporting Clube de Portugal,  estando algumas  das conquistas mais emblemáticas descritas na imagem que ilustra o post.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"Quando o vi, percebi que íamos ser campeões"

Fui um dos muitos privilegiados que teve oportunidade de ver Peter Schmeichel jogar de leão ao peito. Lembro-me perfeitamente de, numa qualquer manhã de Junho de 1999 ler "a primeira" de "A Bola", e pensar tratar-se de uma brincadeira. Lembro-me ainda da fotografia de Dias Ferreira e Paulo Abreu a ladeá-lo, durante as negociações. Depois, há medida que o dia avançou, com a confirmação, a incredulidade da noticia deu lugar à ansiedade do dia de o ver jogar ao vivo. 

Ainda hoje estou para perceber o que o levou a vir até à periférica Lisboa, isto para quem estava habituado a pisar o centro dos palcos do futebol europeu. Mas tenho a certeza absoluta que não foi apenas o sol e o bom peixe, em jeito de reforma antecipada. Schmeichel era não apenas enorme fisicamente, o alto do seu 1,93 era até pequeno para acoitar o animal competitivo que tinha dentro de si. Tudo nele era vontade de ganhar, de fazer sempre melhor. Era isso que se adivinhava quando se olhava para ele em todos os gestos, era um líder e um dos melhores de sempre na sua posição.

Não terá sido por acaso que logo após a sua contratação, o então presidente José Roquette ter disparado: "Vamos ser campeões, assinamos com o Peter Scheichel!" O mesmo pensou o então embaixador inglês em Lisboa (onde se tornou um Sportinguista ferrenho, como qualquer um de nós) quando o avistou num supermercado em Cascais e ficou convencido que o campeonato era nosso:

«Vi um tipo enorme [abre os braços], a comprar o leite e o pão. Não era só alto, era mesmo enorme. Era o Schmeichel e percebi, nessa altura, que tínhamos hipóteses de sermos campeões»
Schmeichel completa hoje cinquenta e dois anos de vida e um par deles foi passado a cumprir os sonhos de muitos Sportinguistas. Foi com ele que terminámos o maior ciclo sem campeonatos da história do clube, que culminou numa verdadeira festa nacional vivida em todos os cantos do mundo. Aquela viagem pela Autoestrada do Norte foi uma demonstração da grandeza, que não sairá jamais da memória de um dos momentos míticos da história do nosso clube.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Uma pequena lição de história para a Revista Sábado

Hoje a Revista Sábado publica um artigo sobre a "vida dupla do fundador do Sporting". Acontece que o Sporting não teve um fundador mas vários, como abaixo se explicará. 

Quanto ao artigo propriamente dito, não ponho em causa o seu rigor histórico porque não tenho dados para contraditar. Mas só quem não conhece a nossa história social é que pode ficar espantado como que por lá se escreverá. Fico a aguardar um artigo de teor idêntico sobre os estudantes que fundaram o Sp. de Braga, poderia ser uma final de costumes muito interessante de ler.

Fica aqui um pedaço da história do nosso clube, retirada desse indispensável espaço que é a Wiki Sporting.

"O futebol foi introduzido em Portugal pelos irmãos Pinto Basto quando regressaram dos seus estudos em Inglaterra, lançando a modalidade junto da aristocracia da época. Reza a história que o primeiro jogo foi realizado em Cascais em Outubro de 1888, e daí para a frente a moda alastrou por todo o País.
Em Lisboa a aristocracia tinha o Clube Lisbonense, jogando em Cascais no Verão, em Belas e Sintra em Setembro, e na Capital no resto do ano, mas não deixavam jogar os mais novos.

Emblema do Sport Club de Belas. Faixa azul orlada a ouro sobre campo branco com as iniciais SCB bordadas também a ouro.
 
Foi assim que, a 26 de Agosto de 1902, os irmãos Gavazzo resolveram fundar o Sport Clube de Belas cuja existência foi curta, realizando apenas um jogo que ganhou por 3-0 a uma equipa de Sintra. Contudo, este jogo teve a honra da presença do Rei e, consequentemente, destaque na imprensa da época, relatando que ao evento assistiram mais de quatro mil pessoas, cheias de animação e de interesse, e qualificando o Belas como um grupo de jovens de boas famílias.
Com o fim do Verão e o regresso a Lisboa de quase todos os participantes desse jogo, o Belas morreu. Dois anos depois a ideia foi reactivada numa tertúlia na Pastelaria Bijou, e como quase todos residiam na zona do Campo Grande, decidiram refazer o clube, agora com o nome de Campo Grande Football Club.

Sede do Campo Grande Football Club no Solar dos Pinto da Cunha, situado no Campo Grande.
Durante dois anos este Clube desenvolveu intensa actividade não apenas desportiva, com as modalidades de Futebol, Ténis e Corridas e Saltos, mas principalmente bailes e festas, o que motivou a cisão, pois havia um grupo que defendia que deveriam dedicar-se exclusivamente ao desporto.
A polémica atingiu o seu ponto alto durante um piquenique realizado na Quinta do Correio Mor em Loures a 12 de Abril de 1906, o que motivou a marcação de uma Assembleia Geral do Clube, para o dia seguinte.

José Alvalade
Nessa histórica reunião José Gavazzo que também representava o seu irmão Francisco, ausente no estrangeiro, demite-se seguido de um grupo que ficou conhecido como "os dissidentes", entre os quais José Alvalade, que logo prometeu: "Vou ter com o meu avô e ele me dará dinheiro para fazer outro Clube".
Dito e feito, no dia 15 de Abril os dissidentes juntam-se pela primeira vez para fundar o novo Clube, cuja primeira sede funcionou provisoriamente na Mansão dos Alvalade.
A este grupo juntaram-se outros elementos, alguns dos quais também oriundos do Campo Grande Football Club, de tal forma que a primeira lista de sócios, que poderão ser considerados como os Fundadores, conta com 36 nomes, que no final do ano ascenderiam a 45.
A 8 de Maio de 1906 reúne-se a primeira Assembleia Geral, onde o Visconde de Alvalade é eleito Presidente de uma Direcção que tem como Vice-Presidente o seu neto José, que seria o real impulsionador destes primeiros anos do Sporting. Os restantes elementos desta Direcção eram: Frederico Seguro Ferreira - Tesoureiro; José Gavazzo - 1º Secretário; Henrique Leite Júnior - 2º Secretário; Mais tarde José Stromp substituiria José Gavazzo, quando este se ausentou para Paris.
É nessa Assembleia Geral que são estabelecidas as primeiras normas clubísticas, atribuídos privilégios aos dez sócios fundadores principais, e formulado o histórico voto "Queremos um Clube tão grande como os maiores da Europa".

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Nascido para marcar ao Benfica e outras história do dérby

"Caréga Maria!"
Os nossos adversários devem ter um nome na cabeça quando se fala de dérby: Óscar "Tacuara" Cardozo. Espero que no domingo à noite, pelas 22 horas ainda sem lembrem com mais acuidade. Do nosso lado talvez alguns adeptos evoquem a memória de Liedson e dos seus duelos com Luisão. Diga-se, em abono da verdade, que a lembrança se justifica, pelo número de golos conseguidos por ambos os jogadores.

Esse número não passa contudo de um diminutivo comparado com os golos alcançados por Fernando Peyroteo contra o SLB. Peyroteo é ainda hoje o fantasma que assombra as balizas do nosso eterno rival. Um total de 64 golos marcados em 55 jogos (média de 1,2 por jogo). Aliás os números de Peyroteo são impressionantes e é uma profunda injustiça que o tempo os vá sepultando sem que se perceba a importância deste jogador não apenas para o Sporting mas também para o futebol nacional. É ainda hoje o jogador com a melhor média de golos marcados pela selecção nacional - 0,7 pelos 14 golos marcados em 20 jogos, num tempo em que não havia tantos jogos internacionais -, o jogador com mais golos marcados ao FCP - 33 em 32 em 32 jogos, média de 1,2/jogo. Aos 197 jogos efectuados para o campeonato nacional correspondem 331 golos marcados, uma assombrosa média de 1,6 golos por jogo, número ímpar em qualquer jogador e campeonato de futebol do mundo. Os 393 jogos oficiais renderam-lhe 635 golos, média de 1,61 golos. Números muito superiores aos de Eusébio que agora querem imortalizar no Panteão Nacional.

Pode-se dizer que Peyroteo nasceu para marcar golos ao SLB. No seu primeiro jogo, um jogo integrado num torneio de preparação, marcaria 2 golos, num dérby ganho por 5-3 pelo Sporting. A sério, anos depois, seria sempre decisivo nos 12 anos que jogou de leão ao peito, como por exemplo no tal campeonato do pirolito aqui ontem referido, sendo ele o autor dos 4 golos que ditaram não só o vencedor do encontro (4-1) como o campeão desse ano. A sua única expulsão da carreira seria precisamente num dérby, quando decidiu não se ficar perante um insulto de um defesa vermelho. Caréga Maria era a expressão usada por Szabo, o seu treinador, para vitoriar os seus golos.

Curiosidades avulsas
Este já mais de um século de rivalidade produziu um número sem fim de histórias que dariam também um sem número de posts. Vou deixar apenas duas, que reportam momentos que aguçaram o sentimento que ainda hoje existe entre os adeptos de ambos os clubes. 

O campeonato do melão que foi para o dragão
Foi talvez dos campeonatos mais renhidos de que me lembro, uma vez que a respectiva disputa se prolongou até ao seu final. O Sporting, que seria terceiro, ficaria apenas a 3 pontos do vencedor, o FCP, que chegaria ao comando precisamente após termos derrotado o SLB em pleno estádio da Luz, na penúltima jornada do campeonato. Ocorreu na época de 1985/86, o treinador do Sporting era Manuel José e os golos seriam marcados por Morato e Manuel Fernandes, enquanto Maniche apontaria o golo da triste consoloção. A festa estava preparada na Luz mas acabaria em funeral. Saliente-se a postura do Sporting, na altura presidido por João Rocha, que então vivia o ponto mais alto da guerra aberta com o FCP, como testemunham a presença em campo de Gabriel, Romeu, Sousa e Jaime Pacheco. O Sporting fez o que lhe competia, ganhando o jogo. Há muitos benfiquista que ainda hoje não devem ter superado este dia e certamente que todos nós o compreendemos...


Campeonato literalmente oferecido na última jornada, a 4 minutos do fim
É até hoje o único campeonato perdido na derradeira jornada. Estávamos na época de 1954/55 e o SLB já não ganhava um campeonato há cinco anos. O Sporting deslocava-se ao campo das Salésias, casa do Belenenses, então líder da classificação. O Sporting empataria ainda na primeira parte, com um golo de penalty que os azuis consideraram como um erro do árbitro a favorecer o... SLB. Na Luz os encarnados roíam as unhas até ao sabugo porque, apesar de estarem a vencer folgadamente o Atlético, precisavam que os azuis perdessem pontos. Tal viria a suceder quando, a quatro minutos do fim, Martins voltava a repor o empate, desta vez a 2 golos. Dizem os jornais da época que muitos adeptos encarnados passaram pela sede do Sporting para agradecer o título, chegando inclusive a depositar quantias em dinheiro na Taça Mealheiro, local destinado à angariação de verbas para a construção do Estádio José Alvalade. Quem diria?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

De pequeninos a heróis muito por causa de um gigante de 1,82m

Admito que quem nunca viu Damas jogar não perceba o porquê da devoção que os Sportinguistas mais antigos lhe devotam. Infelizmente as televisões nos anos 70 e até mesmo inícios de 80, não tinham o poder que hoje detêm, privando-nos de apreciar a enorme qualidade de muitos dos jogadores dessas gerações, como Damas e outros.

Hoje, graças ao vídeo roubado no Facebook do Rui Malheiro, deixo um registo de uma enorme exibição de Vitor Damas, num empate a zero da selecção nacional em Wembley, completaram-se ontem 40 anos. Os habituais pequeninos portugueses provocariam assim uma enorme surpresa, quando o esperado era por quantos é que os ingleses fechavam a contagem.

Este post já tem palavras a mais, pese embora a falta de adjectivação à altura do meu ídolo de sempre, um gigante de 1,82m, de seu nome Vítor Damas. Ficam as imagens:


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Viver para contar a glória de uma noite inesquecível de um Sportinguista Imortal

Momento em que Lopes desfere o ataque que o isolaria de Robert de Castella 5º (Austrália) e Charles Spedding 3º (GB)
Completam-se hoje 30 anos que, pela primeira vez, um português subiu ao mais alto lugar de um pódio olímpico. Quem teve a sorte e o privilégio de assistir a esse momento mágico certamente que não mais o esquecerá e lembrar-se-á do local, das pessoas e até das lágrimas de orgulho e emoção vertidas.
Lopes caminha isolado para o ouro e record olímpico que duraria até 2008!
Um feito histórico, conseguido por um atleta invulgar, mas marcadamente simples. As vitórias de Carlos Lopes tinham essa marca de simplicidade grandiosa, pareciam fáceis, palavra que para ele existiu apenas no dicionário. Tudo o que alcançou, desde a saída da remota Vildemoinhos até ao pódio do Los Angeles Coliseum, foi conquistado centímetro por centímetro dos milhares de quilómetros corridos. Fica aqui esta singela homenagem a um grande atleta, um Sportinguista Imortal!

O Diário de Noticias publica hoje uma reportagem especial comemorativa do feito, cuja leitura recomendo a quem interessar.





sábado, 14 de junho de 2014

O tempo da selecção é uma boa hora para recordar um dos maiores de sempre!

A selecção nacional está quase a entrar em campo para realizar o primeiro jogo do Mundial do Brasil. Uma boa altura para recordar um ídolo que o tempo parece querer deixar para trás: Fernando Peyroteo. Para o fazer recorro à trasncrição de um artigo que li há algum tempo e que faz a justiça de colocar o antigo jogador do Sporting e da Selecção Nacional no lugar que merece.  


Talvez não saibam mas ele é  ainda hoje o jogador com melhor média de golos marcados pela selecção de Portugal: 14 golos marcados em 20 jogos (média de 0,7 por jogo).  É também o jogador com mais golos marcados ao Benfica: 64 golos em 55 jogos (média de 1,2 por jogo).  O jogador com mais golos marcados ao F.C.Porto: 33 golos em 32 jogos (média de 1,02 por jogo).


"Peyroteo sendo um imorredoiro símbolo do Sporting Clube de Portugal, é também património do imaginário colectivo e um motivo de orgulho para o desporto nacional."



Fernando Peyroteo, um grande futebolista, um ser humano de eleição
Quando escutamos ou lemos entrevistas de alguns dos actuais “craques” do futebol nacional, sentimos como eram diferentes alguns dos grandes jogadores do passado. E esta reflexão não envolve qualquer anátema contra os jovens futebolistas do presente – prisioneiros da sua circunstância, como diria Ortega y Gasset, reagem de acordo com princípios que têm mais a ver com marketing do que com dignidade – por exemplo, há dias, um jogador português dizia-se magoado por não ter sido nomeado como um dos dez melhores da Liga Inglesa, onde joga; o mesmo jovem dissera antes que espera vir a ser o melhor jogador do mundo. Considero que a ambição é um sentimento legítimo; porém, há atributos mais importantes – a modéstia, o decoro, a dignidade…

Fernando Peyroteo foi, sem sombra de dúvida, um dos melhores jogadores portugueses de sempre. Em termos de eficácia superou mesmo Eusébio, pois foi o jogador português que mais golos marcou na história do Campeonato Nacional - 330 golos. Entre a mais famosa linha avançada, a dos cinco violinos, sem desprimor para os restantes quatro, todos eles foras de série, Peyroteo era um “stradivarius”.

Numa entrevista que concedeu a um jornal desportivo, falando de um outro angolano, um grande amigo seu – Guilherme do Espírito Santo – disse: «O Guilherme sempre foi melhor jogador de futebol do que eu: mais técnica, mais jogo. Menos prático, menos golos, etc.? Sim, também é verdade. mas mais jogador». Não sei se era verdade, mas há um pormenor – Espírito Santo jogava no Benfica, o eterno rival do Sporting Clube de Portugal… Quem hoje seria capaz de uma atitude destas? Se calhar, até a direcção do clube o repreenderia. Quando comparamos esta humildade com as declarações das estrelas actuais, não podemos deixar de pensar que o mundo do futebol foi tocado por Midas – o ouro e o marketing sobrepuseram-se ao espírito desportivo e ao fair play.

Conte-se a propósito que sobre  o avançado-centro Guilherme Espírito Santo se dizia, por graça, que o verdadeiro sportinguista deveria benzer-se assim: «Em nome do pai, do filho e do Peyroteo, que o Espírito Santo é do Benfica!»

Por ser um grande jogador e um homem de grande carácter, pensamos ser perfeitamente justificada a entrada de Fernando Peyroteo na galeria das “Vidas Lusófonas”. Como sucede com outras figuras do futebol nacional – Pepe, Pinga, Feliciano, Travassos, Matateu, Águas, Eusébio - Peyroteo sendo um imorredoiro símbolo do Sporting Clube de Portugal, é também património do imaginário colectivo e um motivo de orgulho para o desporto nacional. Pertence a todos nós, seja qual for a nossa opção clubística.

O respeito pela palavra dada
Nasce em Humpata, Angola, à época colónia portuguesa. Nasce a 10 de Março de 1918. Infância e adolescência sem incidentes. Seus pais foram para a Angola e começaram por ser agricultores no sul do território. O nome Peyroteo vem-lhe do avô materno, um madrileno. Faz estudos secundários e desenvolve um grande gosto pela leitura e pelo cinema. Joga no Sporting Clube de Luanda, onde se destaca pela sua veia goleadora. Com 19 anos vem para Lisboa onde chega no paquete Niassa no dia 26 de Junho de 1937. Sua mãe, professora da ensino primário, vem devido a um problema de saúde.

O eco da sua perícia como avançado-centro chegara já a Portugal. Na Rocha Conde de Óbidos, onde o navio atraca, estão dois elementos da direcção do Sporting Clube de Portugal. Levam-no para o Palácio Foz, nos Restauradores, pois aí funciona a sede do clube. Convidam-no a jogar na equipa leonina. Aceita sem discussão, pois esse é o clube do seu coração. Nem quer falar de dinheiro e concorda imediatamente com o que lhe propõem. Não assina contrato, não há pressa, mas a palavra está dada. Vai para Sintra, passar umas férias.

Um dia em que tendo vindo a Lisboa (comprar livros ou ver um filme – a leitura e o cinema continuam a ser as suas grandes paixões, depois do futebol) e se prepara para regressar a casa, abeira-se dele um sujeito que, com modos conspirativos, falando baixo, lhe propõe muito mais dinheiro do que aquele que a direcção do Sporting lhe prometera. É um enviado do Futebol Clube do Porto. Peyroteo agradece, mas recusa. Depois é abordado por gente do Benfica – oferta de mais dinheiro e de melhores condições. Nada feito. O Sporting é o seu clube e a sua palavra estava dada. Não há assédios, promessas, ofertas que o levem a renegar a sua convicção clubística e o respeito pelo acordo verbal que para ele é sagrado. A direcção do Sporting toma conhecimento das investidas e, preocupada, corre a consolidar juridicamente o acordo. Pela assinatura do contrato por duas épocas 500 escudos; ordenado mensal 700 escudos (que serão reduzidos a 350 se Fernando arranjar emprego… Não é tão pouco como parece agora, mais de setenta anos depois – mas é ridículo quando comparado com o que qualquer jogador, por mais medíocre que seja, recebe hoje em dia. Os tempos eram outros e as pessoas funcionavam de forma diferente. Mas, pesando as diferenças, não resisto a fazer uma pergunta – destes ases da actualidade, qual deles procederia assim?

Há um comboio em Sintra a sair pela madrugada…
O treinador da equipa leonina é outro nome mítico – o húngaro Joseph Szabo. Fora um grande jogador e, como treinador, levara o Porto a campeão nacional. E agora está no Sporting. Obriga Fernando a um ritmo de treino muito exigente. Todos os dias nove quilómetros de corrida, secundarizando o treino com bola. Mas, depois de um treino esgotante, quando pensam que acabou por aquele dia, Szabo pega numa caixinha com bonecos e dá uma lição de táctica.

 Nesses anos de guerras, holocaustos, repressões e penúria generalizada, os jogadores não chegam como agora às academias em carros topo de gama. Andam de comboio, de eléctrico, a pé, de bicicleta e, excepcionalmente, de táxi. Peyroteo continua em Sintra. Tem de apanhar o comboio das 6:03 que chega ao Rossio às 6:45. Sai da estação, anda uma centena de metros até à paragem do eléctrico nos Restauradores. Chega ao velho estádio do Lumiar cerca das 7:20, pois o treino começa às 7:45. Diz nas “Memórias”  «Tudo era feito pontualmente sob as ordens de mestre Szabo. Cinco minutos de atraso equivaliam a 10 por cento de multa sobre um ordenado de 700 escudos. Um dia, porque o meu velho despertador, cansado de muitos anos de trabalho, tocou às 5.15 horas, fez-me perder o comboio das 6.03 e cheguei a Alvalade com meia hora de atraso, mesmo utilizando um táxi dos Restauradores até à porta da cabina. Quando entrei no rectângulo já mestre Szabo dirigia o treino. Cumprimentei-o, apresentei desculpas e pedi licença para treinar-me e, por se tratar de um treino de conjunto, dirigi-me para o meu posto onde outro avançado-centro se encontrava. Szabo exclamou: ‘Cárago, Férnando, não fazer um coisa dê isso! Primeiro dar-se quatro voltas a correr e quatro volta em marcha...’ Acabadas as voltas, entrei para o meu lugar de avançado-centro e, no final do treino, fiquei — como sempre — no campo, apenas com mestre Szabo, para fazer treino individual de técnica. Cerca das 10.30 tomámos o banho e encontrámo-nos para virmos para a Baixa. É preciso acentuar que a equipa do Sporting treinava apenas às terças e quintas, ao passo que eu fazia dois treinos extra: às quartas e sextas, para me especializar no pontapé ao golo. Logo que nos encontrámos à saída das cabinas, renovei os meus pedidos de desculpas por ter chegado atrasado, Szabo interrompeu-me e disse: ‘Férnando ter que ser multado 10 per cente no ordenado, Férnando ter quê dar exemplo. Tudos égales, Férnando... OK, Férnando, você treinar quatro vezes por sêmana, eles dois, mas não treinar para mim, treinar para si! Não poder desculpar, outros dizer quê você mênino bonito... Todos égales.’»

Como de costume apanham o mesmo eléctrico do Lumiar para os Restauradores. Peyroteo vem silencioso, rosto fechado, responde por monossílabos. Szabo finge que não percebe. Quando chegam, o húngaro sorrindo diz que perdoará a multa se Fernando comprar um despertador novo. Peyroteo, aliviado, diz que sim. Mas o problema não acaba, pois Szabo quer ir com ele de imediato fazer a compra e escolhe ele próprio um despertador caríssimo (50 escudos), mas que poderá acordar Sintra em peso. Diz Peyroteo:  que no domingo seguinte, na cabina, antes do jogo, disse à rapaziada: «‘Cárago, sinhores! Férnando não chigar mais atrasado a training. Fumos comprar déspertador, experimentar tocar lá na loja e fazer barulheira quê Azêvedo vai ouvir no Bareiro...’»

Carreira fulgurante - «Caréga Maria»
Na época, em 1937, apenas há um campo relvado em Lisboa -  o campo das Salésias. O Estádio Nacional do Jamor só será inaugurado em 10 de Junho de 1944. É nesse campo que, integrado no Torneio Triangular de  Preparação, se realiza em 12 Dezembro um jogo entre o Sporting e o Benfica. Fernando está muito nervoso e nem o chá de tília que lhe aconselham lhe reduz o nervosismo. Conta nas “Memórias”: «Estava tão perturbado que foi necessário mister Szabo ligar-me os pés. Quando faltavam apenas 10 minutos para entrarmos em campo, Szabo fez diversas recomendações sobre a táctica a empregar e disse: 'Muita atenção sinhores, a avançado-centro jogar Férnando. Rapaz novo não ter experiência dê jogo. Sinhores mais vélios ajudar ele, bem dê clube! Não fazerem malandragem. Brincadeira custar 10 per cente para sinhores'.»  O Sporting vence por 5-3, com dois golos marcados por Peyroteo. Os sportinguistas e os adeptos de outros clubes, começam a reparar naquele jovem tão promissor. Dois golos? Sorte ou talento?

Em breve, todos conhecem a resposta – um grande, um enorme talento. Logo na primeira época no Sporting,  a de 1937/38, Peyroteo ajuda o Clube a ser campeão. E durante a sua permanência na equipa, entre esta época e a de 1948/39, é cinco vezes campeão. Na época 1947/48 marca 43 golos, feito que virá a ser superado em 1973/74 por outro avançado sportinguista o argentino Héctor Yazalde (1946 - 1997) que marca 46 golos. Peyroteo será por seis épocas o melhor marcador do Campeonato Nacional. Nos 197 jogos que disputa nesta prova, marca 331 golos, o que dá uma média de mais de 1,6 golos por partida. Nenhum jogador do mundo atingiu alguma vez esta média em campeonatos nacionais. Contando, além do Campeonato Nacional, com todas as provas em que a sua equipa participou, Peyroteo faz 393 jogos e marca 635 golos (média de 1,61 por jogo). Durante a carreira disputa 432 jogos e marca 700 golos (1,62 por jogo). Uma média fabulosa. Além dos cinco campeonatos que ajuda o Sporting a vencer, ganha quatro Taças de Portugal e sete Campeonatos de Lisboa..

Para terminarmos as estatísticas – É ainda hoje o jogador com melhor média de golos marcados pela selecção de Portugal: 14 golos marcados em 20 jogos (média de 0,7 por jogo).  O jogador com mais golos marcados ao Benfica: 64 golos em 55 jogos (média de 1,2 por jogo).  O jogador com mais golos marcados ao F.C.Porto: 33 golos em 32 jogos (média de 1,02 por jogo). Apesar disto, até os adeptos adversários gostam do Fernando – masoquistas? Não – reconhecem nele o grande jogador, admiram-no, respeitam-no.
Em toda a sua carreira, apenas uma expulsão – No Benfica - Sporting da época 1945/46, o defesa do Benfica Álvaro Gaspar Pinto (um grande jogador) na disputa de uma bola, provoca-o, chamando-lhe em voz baixa f. de.p. Fernando soca-o e é expulso de imediato. Quando a história é conhecida até os adversários o desculpam. Pela primeira vez, Fernando não segue o conselho que o mister lhe dera antes do primeiro jogo contra o Benfica: «Sinhor Fernando não perturbar com jogo. Não ter importância nenhum jogar mal. Gajos ir dizer para si coisas feias. Não engolir a isca. Fazer dê conta ter algodon nos ouvidos. Não esquecer principal papel dê avançado-centro: caréga Maria!».

«Caréga Maria» é, na gíria de Szabo, atirar ao golo. Sem cerimónias -  «Caréga Maria» apelo ao que hoje se chama o killer instinct. Peyroteo foi sempre um jogador educado e disciplinado. Ficaram célebres as suas lutas com Gaspar Pinto, com Feliciano do Belenenses, com Guilhar do Porto…

Os cinco violinos – a sonata que os adversários temiam
Na segunda metade dos anos 40, a linha avançada do Sporting era assim: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. Esta sociedade durou entre 1946 e 1949  e ficou conhecida pelo nome que o jornalista Tavares da Silva  lhe deu num inspirado artigo da revista Stadium: "Cinco Violinos". Cândido de Oliveira para tirar partido do sistema de jogo que estudara em Inglaterra, criou esta quinteto que tocava sonatas terríveis para os adversários. Era uma linha avançada cujos ataques de passes certos e rápidos,  letais para as equipas adversárias. No meio dos seus companheiros, dos outros quatro violinos, Peyroteo era um autêntico «stradivarius»..

Os míticos cinco violinos jogaram somente 53 vezes pelo Sporting, duas pela Selecção Nacional e uma pelo misto Benfica-Sporting-Belenenses (o famoso BSB a que os espirituosos da época chamavam o Batalhão de Sapadores Bombeiros). Só perderam nove partidas. Marcaram 215 golos - uma média de 3,83 por jogo! Nunca em Portugal houve uma linha avançada tão produtiva e eficaz.

Quase podiam jogar de olhos fechados – cada um sabia o que os outros quatro iam fazer. Dizia Peyroteo: «quando Jesus Correia seguia junto à linha lateral, eu já sabia que o centro ia cair na marca de penalty . Meti alguns golos rematando forte, emendando o centro sem que a bola tocasse o pelado».

Peyroteo marcou quatro golos que permitiram ao Sporting ganhar o campeonato de 1947/48. O mesmo o Sporting ganhou a monumental taça «O Século». É difícil escolher a tarde de maior glória de Peyroteo, tantas foram elas com a camisola do Sporting. No entanto salientamos uma quando, em 24 de Abril de 1948 o Sporting precisava de vencer o Benfica, fora de casa, por uma diferença de três golos para conquistar mais um Campeonato Nacional. Nessa tarde de glória, Peyroteo, apesar de ter passado a noite em estado febril, jogou e marcou os quatro golos que permitiram ao Sporting ganhar o Campeonato Nacional e, em simultâneo, a primeira Taça «O Século», um trofeu verdadeiramente monumental.

O fim da carreira e o começo da lenda
Peyroteo termina a sua carreira aos 31 anos, depois de um curto ano ao serviço de Os Belenenses. Em Setembro de 1949 diz: «Fui soldado nas fileiras do desporto nacional e um soldado não foge ao cumprimento do seu dever, seja ele qual for e em que circunstâncias for! Mas, de hoje em diante, reconheço que sou um soldado velho… Não posso corresponder às exigências de preparação de um jogador de futebol que queira manter-se em forma e ser útil ao seu clube e à modalidade que pratica. Quando entro em campo, vou cheio de vontade de jogar, mas depois de meia dúzia de pontapés na bola, apodera-se de mim um enfastiamento inexplicável.»

Diz-se que por detrás destas palavras há uma razão extra-desportiva. Metera-se num negócio (a «Casa Peyroteo», uma loja de artigos desportivos) e contraíra dívidas – precisava urgentemente de cem mil escudos. Por isso, diz-se, antecipa a saída para com o lucro obtido na festa de despedida honrar os compromissos. Investe do seu bolso a importância para contratar a equipa do Atlético de Madrid e a festa tem lugar em 5 de Outubro de 1949. Consegue realizar a importância de que necessita e arruma as botas. A carreira de jogador profissional acaba. A lenda começa.

Miúdos (eu sou um deles) que vão à Rua Nova do Almada ver o grande Peyroteo. Uns ficam no passeio espreitando para dentro da loja. Outros, mais afoitos, entram e fazem qualquer pergunta ao Senhor Fernando que sorri, compreendendo a admiração que leva garotos a perguntar no meio de raquetas, botas e bolas de futebol, fatos de treino, se tem lápis, cadernos ou borrachas. Muitos nem são sportinguistas – benfiquistas, belenenses, sejam adeptos de que clube forem, todos admiram Peyroteo e saem gabando-se. «Falei com ele!». Depois, há um herói – chama-se, se a memória não me falha, Rodolfo -.um tipo mais velho que «está já» no quarto ou no quinto ano. Entra, dirige-se ao senhor Fernando, diz-lhe qualquer coisa, estende-lhe um caderno. Nós, no passeio, assistimos atónitos. Sorrindo sempre, Peyroteo escreve. Rodolfo sai impante – tem um autógrafo do grande Fernando Peyroteo. 

Em 1957 Fernando publica as suas memórias. Cândido de Oliveira, um grande homem do futebol português, diz no prefácio: "... A leitura deste curioso e valioso livro de memórias de Fernando Peyroteo há-de contribuir para se perceber melhor a sua figura de avançado-centro de classe excepcional, as suas ideias pessoais sobre o jogo, os casos e os homens do futebol e, mais ainda, há-de fazer compreender que, realmente, há motivo para deplorar que ele não tivesse prolongado a sua portentosa carreira de jogador até ao limite das suas magníficas e invulgares faculdades futebolísticas!...". Carlos Pinhão, O grande jornalista de A Bola , no dia em que Peyroteo nos deixa escreve: «De Peyroteo era a força que o distinguia, era o tempo do futebol inglês como paradigma, o avançado-centro tipo Tommy Lawton dos dez-a-zero, a carga de ombro, o furar-a-defesa e a grande pastilha... Em Espanha se disse que o futebol português peyroteava!...»

Falece, vítima de ataque cardíaco, em 28 de Novembro de 1978 com apenas 60 anos de idade. Uma lesão no tendão de Aquiles, contraída num jogo de veteranos realizado em Barcelona, dera lugar a uma intervenção cirúrgica que, mal sucedida, provoca a amputação de uma perna. Complicações na circulação sanguínea levam, mais de vinte anos depois, ao desenlace. 

Por ocasião das comemorações do 1º centenário do Sporting Clube de Portugal, este clube homenageou Fernando Peyroteo, lembrando-o com um memorial no dia 10 de Março de 2006, dia do seu 88º aniversário. Depois de descerrada a placa, usou da palavra o filho de nome Fernando Peyroteo: «Gostaria de dizer duas palavras de profundo agradecimento. Tenho a certeza absoluta que se fosse possível esta seria uma das prendas que teriam dado mais prazer ao longo da vida de meu pai. É com orgulho que recebo em seu nome uma homenagem destas. Estou agradecido à Comissão do Centenário. Apesar de tudo, os valores que me foram transmitidos pelo meu pai estão a ser reafirmados. Estou muito sensibilizado. Em relação à minha família será transmitida toda esta emoção.»

sábado, 24 de maio de 2014

Liga dos Campeões tem Lisboa e Sporting gravados para sempre

A equipa do Sporting no jogo do Jamor
Joga-se hoje a final da Liga dos Campeões e quis a sorte juntar duas equipas da mesma cidade na capital do país vizinho. Feliz coincidência, que deixará marcas na nossa capital, ela já com nome gravado na tão prestigiada competição e da qual o nome do Sporting também fará parte para sempre. Isto porque o primeiro jogo da competição foi realizado no Jamor, a 4 de Setembro de 1955 e teve como contendores nada mais nada menos que o Sporting Clube de Portugal e o Partizan de Belgrado. O primeiro golo  seria também marcado por um jogador do Sporting, de seu nome Martins.

A arbitragem esteve a cargo do francês Harzic. O Sporting era treinado por Alejandro Scopelli e o Sporting alinhou com: Carlos Gomes; Caldeira e Galaz; Armando Barros, Passos e Juca; Hugo, Travassos, João Martins, Vasques e Quim.

Assinale-se que a presença do Sporting se deveu ao enorme prestigio de que o nosso clube gozava em Portugal e no mundo, que começava a acordar para as competições internacionais entre clubes. O Sporting não era o campeão em titulo - o campeonato 1954-55 havia sido ganho pelo Benfica - mas a sua participação deveu-se a um convite expresso da UEFA para o efeito, o que, como é de calcular, não deixou de constituir polémica na altura. O jogo terminaria com um empate a três golos. A partida não correria de feição para o Sporting, mas poderia ter tido outro desfecho, que as palavras de Travassos sintetizaram à época: "Sem merecermos empatar, poderíamos ter ganho.". 

O jogo da segunda volta seria marcado por uma infindável viagem, com escalas em Barcelona, Roma e Atenas. A capital grega encantaria a comitiva, que teve direito a  demorado passeio turístico. Este seria o tom da chegada a Belgrado, com o Partizan a colocar à disposição da equipa do Sporting um autocarro Austin, um veiculo luxuoso que o clube recebera de uma famosa digressão a Inglaterra.

A equipa já não vivia o fastigio que gozara anos antes e que a levaram a vencer oito campeonatos em nove, conquistando o primeiro tetra da história do futebol português. O jogo da segunda mão haveria de se saldar por uns decepcionantes 5-2. Este tem sido, aliás, o tom geral das participações do clube nesta competição, onde nunca conseguiu uma presença de acordo com os seus pergaminhos. Ora por falta de qualidade das participações, ora por falta de sorte. 

Algumas notas de curiosidade:
A superioridade do Partizan de Belgrado deveu-se em muito ao seu famoso avançado Milutinovic. Não fora a enorme exibição de Carlos Gomes e os três golos do avançado jugoslavo poderiam ter sido bem mais. Milos Milutinovic é ainda hoje considerado um dos melhores jogadores jugoslavos da história. Os dirigentes do Sporting ainda fizeram abordagens para a sua aquisição, mas o facto de pertencer a um país de Leste conotado com a então União Soviética e os três mil contos, uma fortuna para a época, que os dirigentes do Partizan exigiam para se sentar a conversar, apagaram o interesse.

A competição, hoje conhecida por Liga dos Campeões, esteve para receber o nome de Taça Seeldrayeers, em honra de Rodolf William Seeldrayeers, alemão que havia sucedido o mítico Jules Rimet na presidência da FIFA, mas que havia de morrer um mês depois do jogo do Jamor. 

O Jamor voltaria a acolher um jogo da Liga dos Campeões, em 1967. Mais precisamente a final desse ano, vencida pelo Celtic, o primeiro clube britânico a inscrever o seu nome na prestigiada competição.

Nota Final
Habitualmente esta história começa no prestigiante convite para primeira participação na competição e termina no golo de João Martins, ficando na penumbra o desfecho da eliminatória. Ao contrário do que é a a liturgia normalmente usada pelas organizações ou pessoas quando se referem ao passado, não encontro razões para não lembrar a totalidade dos factos. Porque eles falam-nos, ao fim e ao cabo, da vida, isto é, das grandes vitórias e dos fracassos, do Sporting Clube de Portugal. Clube ao qual me une um amor incondicional, que não é regido pelos humores das vitórias e dos insucessos e de cuja história me orgulho em volume muito maior do que meu peito pode abarcar.

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