quarta-feira, 14 de novembro de 2018

6 notas sobre a detenção de Bruno Carvalho

1- Dificilmente alguém terá de facto sido surpreendido com a detenção de Bruno de Carvalho, quer face aos rumores que há muito circulavam, quer mesmo atendendo aos muitos indícios que o ligavam ao que aconteceu em Alcochete, a 15 de Maio de 2018.

2- Independentemente do grau de envolvimento de Bruno de Carvalho nos factos ali ocorridos, há que deixar bem claro o meu repúdio pelo tempo e pela forma como a detenção ocorre e o espectáculo que se segue. A presunção da inocência é um valor basilar da democracia e mesmo os réus condenados a pena transitada em julgado perdem a liberdade, mas não têm que abdicar da sua dignidade. A forma como a justiça portuguesa se comporta recorrentemente nestes casos é um atestado de menoridade à nossa democracia.

3- Apesar do que é dito acima há também que reconhecer que o tratamento do caso de Bruno de Carvalho nada tem de excepcional, infelizmente. Pena é que alguns só agora tenham acordado para esta realidade, o que me leva a crer que as preocupações são outras, que não as da administração da  justiça, propriamente dita. Pode até ser comovente, mas são no mínimo ridículas as preocupações com a saúde da nossa democracia por parte de quem ainda hoje não aceita os resultados expressos por uma maioria significativa dos sócios do Sporting. Ser leal ao Sporting significa aceitar as regras, os limites dos estatutos e as escolhas da maioria dos associados, especialmente quando não nos são favoráveis. De outra forma é desejar o caos e dele nunca sairá um clube saudável e suficientemente forte.

4- Se o tratamento agora dispensado a Bruno de Carvalho merece o nosso repúdio, convém contudo que não se extrapole daí para exercícios de vitimização ou teorias delirantes de conspiração. Até prova do contrário é inocente. Mesmo que não seja declarado culpado é porém responsável pelo que aconteceu e das respectivas consequências. Se Bruno de Carvalho é vitima de alguma coisa é-o em primeiro lugar de si mesmo. Assinalo com muita pena e sobretudo desilusão, talvez a derradeira, que em todo este processo a sua preocupação se tenha mantido apenas nos horizontes dos seus interesses. Deixou, ou antes, foi obrigado a deixar, um clube completamente estilhaçado, importando-se agora absolutamente nada com as consequências e com outro futuro que não fosse apenas o dele.

5- Independentemente do grau de regozijo ou de rejeição que este caso provoca nos adeptos Sportinguistas que ninguém duvide que o Sporting continua  a ser, desde o fatídico dia 15 de Maio, o grande prejudicado. O circo mediático não tinha levantado sequer a tenda e aguardava pacientemente para nos proporcionar o triste espectáculo que agora se desenrola à nossa frente.

6- Se se compreende que quem vive do dito espectáculo o ponha a render, já não se compreende que haja Sportinguistas que aceitem nele participar como tristes figurantes de mais um filme de muito mau gosto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

sábado, 10 de novembro de 2018

...E a confirmação aí está!

E chegou com uma imagem que brilhantemente representa o basquetebol do Sporting. O editor da notícia com a confirmação oficial do Clube da entrada na próxima época na Liga Placard teve a excelente ideia de escolher a imagem de Manuel Sobreiro, cheia de dinamismo e perspicácia.

Sobreiro foi, e continua a ser, uma figura emblemática do basquetebol leonino. Apareceu, ainda sem idade para poder jogar oficialmente, no campo da sede da Rua do Passadiço e logo nesse ano começou a vestir a listada verde-e-branca que só deixou de vestir quando terminou a sua carreira de jogador.

E o exemplo de Sobreiro é emblemático porque representa o arranque de uma época de brilhantismo do basquete Leonino. Tinha terminado o ciclo de uma equipa brilhante onde sobressaíam nomes como Fonte Santa, Garranha ou Abílio Ascenso (também grande praticante de atletismo) e onde estavam a chegar à veterania homens como José Mário ou Hermínio Barreto.

Decidiu então o Sporting contratar o treinador brasileiro Prof. Guilherme Bernardes, que veio para Portugal para exclusivamente ser treinador de basquete, coisa nunca vista na altura. Bernardes treinava todas as equipas do Clube. Seniores (1ª e 2ª categoria), juniores e infantis os únicos escalões existentes. Nos escalões de infantis e juniores chegou a haver quatro equipas por escalão. Chamávamos, por graça, Academia do Passadiço.

Formaram-se aí as bases para o Sporting voltar ao topo do basquetebol português, que começou com o título nacional de 1969 e que terminou com os campeonatos de 1981 e 1982, quando intempestivamente a secção foi “suspensa”.

Para o próximo arranque as bases já estão lançadas. Já vamos na sétima época depois de alguns amantes do Clube e do basquete fazerem voltar o nome do Sporting aos pavilhões onde se joga a bola-ao-cesto. Estamos na terceira época em que o basquetebol já é modalidade oficial do Sporting. Os resultados obtidos pelas diversas equipas mostram que se tem feito um bom trabalho. Confiemos.
Frederico Varandas, Miguel Afonso e Miguel Albuquerque têm agora oito longos meses pela frente para, aproveitando o que já está feito, criar as estruturas necessárias para que o regresso do basquetebol leonino ao mais alto nível seja um sucesso.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Um pequeno (mas também grande) cobertor verde e branco

O Sporting conseguiu ontem no Emirates marcar dois importantes pontos: um para a Liga Europa, que nos deixa a praticamente outro tanto para carimbar o passaporte para a fase seguinte. Outro foi na propagação da imagem de um grande, grande clube através da actuação que fez abrir a boca de espanto os próprios adeptos arsenalistas, que estão habituados a receber "la crème de la crème" dos clubes mundiais.

Vamos primeiro ao jogo e sobre ele há muito pouco a dizer. Tiago Fernandes tem o mérito de ter traçado um plano realista para o jogo face às circunstâncias. A realidade nem sempre é muito atractiva, é o que é. E de facto não foi uma exibição muito bonita a que ficou registada no estádio situado em Ashburton Grove. Mas do outro lado da moeda está não só o ponto conquistado, como foi referido acima, mas trata-se do primeiro ponto conseguido aí por um clube português. Até ontem eram mais notórias as noticias de regresso de saco cheio de quem lá se deslocou.

Pode-se dizer com propriedade que o cobertor verde e branco era curto mas de comprimento suficiente para deixar a salvo as redes de Renan. Daqui a uns ano o tempo vai-se encarregar de diluir os pormenores do jogo e deixar em destaque o ineditismo do ponto conquistado. Será precisamente o mesmo que sucederá com as belas exibições feitas em anos passados em Madrid e noutros palcos de sonho, mas sem qualquer resultado prático de monta. Como costumo dizer a obtenção de um resultado importante favorável é a única justificação aceitável para a oferta de maus espectáculos. Parabéns por isso a todos os envolvidos neste pequeno mas importante passo, especialmente pelo momento em que foi alcançado, quando as expectativas eram em muitas conversas apenas reduzidas a quanto íamos perder.

Sobre a a presença dos nossos adeptos, foi de facto um espectáculo maior que o próprio espectáculo. Não faltam por isso hoje referências elogiosas. Os adeptos foram o conforto necessário de suporte para as naturais dificuldades. Um grande cobertor verde e branco que se estendeu das bancadas até ao relvado. Sé é surpreendente para quem não conhece o nosso amor ao clube. É um facto que ele nem sempre é bem canalizado mas é uma das grandes forças que mantém a referência de um clube grande. Uma mistura de amor filial com amor paternal, que torna a nossa relação praticamente indestrutível. Onde Tu fores nós vamos lá estar, Grande Sporting.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A vertigem do sucesso num clube sem tempo nem tolerância

Ontem celebraram-se, entre muitas outras, duas efemérides futebolísticas. Duas efemérides de sinal contrário, uma delas relacionada com o Sporting e a outro pertence já às lendas do futebol mundial. Uma coincidência interessante e que serve de ponto de partida para este post e com especial enfoque na actual situação do Sporting Clube de Portugal.

A coincidência:
A 6 de Novembro de 1986 Alex Ferguson foi nomeado treinador do Manchester United. Realizaria 1.500 jogos, contabilizaria treze Premier League, cinco FA Cups, quatro Taças da Liga, 10 Charity Shields Cup,  duas Champions League, 1 Supertaça de Europeias , uma Taça Intercontinental, um Mundial de clubes. 

Não se pense contudo que Sir Alex teve vida fácil em Manchester, como não havia tido em Aberdeen, de onde provinha. No clube da cidade escocesa de um dos mais importantes portos do Mar do Norte, demorou duas épocas para conseguir chegar à velocidade de cruzeiro nas conquistas. Frequentemente entalado entre Celtic, Rangers e Dundee United, o Aberdeen sairia do atoleiro onde se encontrava encalhado desde 1955, com Ferguson ao comando que daria o título, pela primeira vez na época 83/84, feito repetido na época seguinte. 

Como já vinha vencendo a Taça da Escócia há três temporadas seguidas, os "Dons" haviam carimbado o ingresso na já extinta Taça das Taças. Aí, obrigou a Europa do futebol a perguntar quem eram estes escoceses. Quando a resposta chegou já eles iam de regresso com a conquista da competição, isto depois de eliminar o Bayern de Munich do mestre Udo Latek e dos seus alunos Pfaff, Klaus Augenthaler Dieter Hoeness e Rummenigge. Bateria na final o sempre todo poderoso Real Madrid do mítico Di Stefano como treinador e jogadores Camacho, Juanito, Stielike e Santillana. Como registo curioso, assinale-se no ano seguinte o encontro nas meias-finais com FC Porto de Pedroto e Morais (que viria a ser técnico do Sporting por pouco tempo, vitimado por um acidente de viação) em que os da Invicta levariam a melhor até à final perdida de Basileia, ante a Juventus de Boniek e Platini.

Em Manchester seria bem pior. Já ninguém acreditava que este escocês de  Glasgow seria capaz de interromper mais de duas décadas sem ver o caneco maior da Liga Inglesa. Ia já no seu terceiro ano a ouvir assobios e ler tarjas a espelhar a descrença que se ia instalando, quando arranca do meio da tabela já em Novembro para um final em que deixa a dez pontos o Aston Villa. Para tal seria determinante o ingresso de Cantona e a sua associação virtuosa com Mark Hughes. O resto da história já foi contada acima. Pelo menos o resultado de muitas tardes e noites de glória pontuadas com cânticos personalizados em seu nome e honra.

No mesmo dia de Novembro, mas em 2009, Paulo Bento demitia-se do cargo de treinador do Sporting. Várias vezes apontado como um possível Ferguson à escala leonina, não resistiria a um mau começo de campeonato e seria vitima colateral das guerras internas e de uma presidência infeliz, com má relação com os adeptos e maus investimentos no futebol. O desgaste provocado por quatro anos sem nenhum campeonato nacional fez o resto. É no entanto um dos treinadores com mais tempo no comando técnico e o mais titulado deste século: duas taças de Portugal e duas Supertaças Cândido Oliveira. Sem nenhuma taça que testemunhe, ficou a aposta nos jogadores da casa, que acabaria por se reflectir nos cofres, no prestigio internacional e até mesmo com grande quota de responsabilidade na conquista do Europeu de França, pela selecção nacional.

Passou quase uma década desde então. O Sporting vive novamente um período conturbado e tantos têm sido os momentos semelhantes que deveria começar a equacionar incluir a palavra na sua heráldica institucional. Apresta-se a entregar a um novo treinador, um quase desconhecido, a responsabilidade de o resgatar a seu segundo período de maior jejum e o relógio continua a contar. Se quer dirigentes e adeptos não perceberem que um treinador é uma peça importante, mas apenas uma peça de uma engrenagem, o seu nome será mais um, apenas. 

No actual momento que o Sporting vive o treinador e até mesmo os jogadores são frequentemente usados como peças de xadrez num tabuleiro "politico" onde debatem interesses de pessoas, grupos e grupelhos. É provável que a tolerância seja reduzida e o tempo que o Sporting precisa para se reconstruir dos escombros dos últimos meses não venha ser concedido. Se for esse caso o Sporting nunca encontrará o seu Ferguson. E até a memória de Paulo Bento com apenas quatro troféus secundários parecerá um oásis muito longe de alcançar.

Terá sido por acaso que o período de domínio leonino do futebol luso tenha surgido da estabilidade dos anos de Joseph Szabo e tenha terminado após se iniciar a dança de cadeiras, mano a mano com a instabilidade directiva, que tem marcado a liderança técnica no Sporting?

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Pedimos desculpa por esta vitória, o caos volta já a seguir

Foi fechada da melhor forma a semana futebolística do Sporting, tão recheada de eventos. De todos o despedimento de Peseiro e a contratação de um novo treinador dominaram as nossas atenções. Mas não só as nossas mas, como é óbvio, a de todos os que vivem do futebol e à sua volta.

O despedimento do treinador e o que se vai dizendo de Keiser é o exemplo acabado de como para muita gente o Sporting é um clube maldito e que só o simples mencionar do seu nome lhes provoca as maiores descargas de bílis. Isto apesar de o clube andar arredado há muito das grandes vitórias. Por isso certamente que o melhor seja pedirmos desculpa pela vitória nos Açores, que a tantos deve ter custado a deglutir. E nesses tantos, infelizmente, contam-se alguns cada vez mais infelizes de se considerarem Sportinguistas... Não deve haver cera disponível para tanta vela posta a pedir que o caos se volte a instalar.

Sobre o jogo propriamente dito, há muito pouco a dizer de diferente do que se vinha dizendo. Não há milagres e nenhum treinador iria conseguir mudanças substanciais só pelo simples facto de calçar as chuteiras e dar um treino. Foi mais ou menos isso que fez o Tiago Fernandes. Mas fez mais alguma coisa. Promoveu Lumor, fazendo com isso que Acuña assumisse maior preponderância no nosso jogo. O jovem treinador foi feliz e teve a estrelinha que têm aqueles que não se conformam com o destino. Essa opção acabaria por ser decisiva para o resultado final, quer pelo golo, quer pela acção do médio argentino ao longo do jogo. A falha de Lumor no golo é bem menor que a de Renan, que estava de frente para o lance, embora se deva considerar também que a acção do vento favoreceu o movimento do homem que faz o golo, José Manuel.

Se ninguém esperaria nota artística de uma equipa que ainda anda à procura de o ser, não há quem possa reclamar do seu empenho perante um cenário completamente desfavorável, que se agravou consideravelmente com o tempo e o resultado. Com a agravante de que, no segundo tempo, a equipa ter que lutar contra o vento, embora com a tarefa facilitada pela expulsão infantil de Patrick. Se aquela veemência toda era por causa de um penalty claro, deveria ver o seu castigo agravado com uma ida compulsiva ao oftalmologista. Pelo menos... 

O resto do jogo a partir do golo que nos dá a vitória foi uma ilustração de quão incipiente são as defesas desta equipa perante qualquer adversário e até de si mesma. Quando se olha para a classificação é quase inacreditável que quem joga tão poucochinho esteja onde está e de esperanças intactas. E que até consegue dar a volta ao resultado a jogar com chuva e contra o vento...

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Despedir Peseiro: necessidade imperiosa ou erro estratégico?

Comecemos pelo principio: a escolha de José Peseiro para treinador do Sporting foi um rotundo erro. Não tanto pelas suas capacidades como treinador, mas pela ausência de tolerância a que estaria condenado pelo seu historial, particularmente o que ficou escrito na época 2004/05. A aura de azarado desaconselharia sempre a sua contratação num clube onde a história das últimas décadas está marcada também pela falta de sorte nos momentos de decisão. Tanto assim é que a rotura nesta mais recente ligação é potenciada por algo que nenhum treinador consegue evitar: os erros individuais. Não fora as falhas clamorosas de André Pinto e não estaríamos agora envolvidos em mais uma crise.

Mas se não fosse agora é muito provável  que a crise se estabeleceria mais adiante, noutra derrapagem qualquer. Ao contrário das expectativas criadas, só por milagre este seria o ano do Sporting. Os milagres por vezes acontecem, mas para isso é preciso um trabalho competente que manifestamente não foi feito desde o início da época e isso é cada vez mais perceptível à medida que esta avança. Preparação deficiente, plantel construído às prestações e cheio de fragilidades. Juntar a tudo isto uma comunicação "pateta alegre", que apontou ao título numa conjuntura altamente desfavorável, só serviu para confundir criar expectativas que nem em momentos de maior estabilidade foram cumpridas.

Todos os ingredientes para uma passagem meteórica de Peseiro estavam na panela, a cedência à pressão dos adeptos fez o resto. A decisão de Frederico Varandas parece ter muito mais a ver com a submissão a essa pressão do que sustentada na racionalidade. Um estádio vazio e ainda assim cheio de lenços brancos, uma derrota com quase uma segunda equipa de um Estoril de divisão secundária parecem estar na origem da rotura. Decisão que, pela declarações recentes, já estava tomada. Quer por não ser este um treinador escolhido pela actual direcção quer sobretudo pela paupérrima qualidade das exibições. Não se sabia era o timing em que ocorreria. Um grande sinal de falta de empatia é o facto de não haver aparições publicas de presidente e treinador registadas em imagens.

Ora o timing escolhido (?) tem todos os ingredientes de tragédia à espera de acontecer. Talvez o único treinador que aplacasse a impaciência e irracionalidade da turba fosse Leonardo Jardim. Mas o técnico madeirense tornou-se num peixe demasiado grande para as nossas redes. Ao passo que nós, o Sporting, somos precisamente a antítese de um clube atractivo para qualquer treinador, excepto, claro está, para os Vercauterens desta vida. Todos eles conhecem o passado recente e as dificuldades que enfrentarão. Nomes como por exempo, Rui Faria ou Paulo Sousa dificilmente arriscam a sua estreia a solo no futebol nacional nas condições que os esperariam.

Até ao jogo com o Chaves o Sporting tem jogos de quatro em quatro dias (Sta. Clara fora, 4/11, Arsenal fora, 8/11, Chaves casa, 11/11. Não há nenhum treinador do mundo que seja capaz de alterar o que quer que seja numa equipa que revela tantas insuficiências colectivas. Quando surgir algum espaço para treinar e tentar introduzir alterações entre 11/11 e 25/11, o Sporting poderá estar ainda mais longe dos seus rivais do que Peseiro nos deixou.

Frederico Varandas precisará muito mais do que de sabedoria na escolha do novo técnico. Apesar do futebol sofrível de Peseiro, o que será lembrado daqui em diante é que foi despedido a dois pontos da liderança. Inclusive por aqueles que pediam a cabeça do treinador desde a data do anúncio da escolha de Sousa Cintra. Ou pelos que, por razões consabidas, contestam o actual presidente desde a  comunicação da sua candidatura. Já o culpavam da presença do treinador, culpavam-no de não o despedir vão culpá-lo de o ter feito, bem como da escolha do seu substituto. 

Para se compreender inteiramente esta decisão de Frederico Varandas neste timing - que equivale a deitar fora uma espécie de seguro de vida - tem que se perceber o efeito da pressão dos adeptos sobre os órgãos sociais, em particular numa direcção à procura de afirmação num dos piores contextos internos de que tenho memória. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

“Se Varandas olhar para o vizinho do lado, não deverá ficar muito tempo"

Luís Filipe Vieira ontem na TVI:

"Se Varandas olhar para o vizinho do lado, não deverá ficar muito tempo".

É fácil de perceber o que pretende. Não é mais que um pedido de socorro, à espera de resposta que desvie o foco incómodo sobre a ruína e sem vergonhice que levou o nome de uma grande instituição do passado orgulhoso à imundice. Temos pena, ao contrário de tempos recentes, não lhe vamos dar mão. É chafurdar, é chafurdar...

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O que nos disse o presidente de "um clube ingovernável"

Surpreendeu muita gente e indignou outros o titulo da entrevista a Frederico Varandas. Obviamente que o Expresso tem de vender nas suas várias plataformas e iria escolher para o título uma "punch line". Talvez fique para outra vez a reflexão sobre a efectividade do titulo, mas ninguém ignora que a miríade de facções, sensibilidades e personagens de sensíveis a inchadas, é um factor que frequentemente enfraquece o clube. 

Mas tal não acontece tanto por causa da existência de várias formas de olhar a realidade, que faz da pluralidade Sportinguista uma riqueza, mas pela importância que os adeptos frequentemente conferem a quem as profere. São poucos os que hoje actuam e se pronunciam no universo Sportinguista de forma independente. O mais comum é reconhecermos nas opiniões o serviço prestado a um determinado interesse ou personagem, ou o receio de hostilizar a opinião do grupo a que pertencemos. É até comum sentirmos mais fidelidade nessas relações que no que aos interesses reais do Sporting diz respeito. E aí sim, o Sporting torna-se ingovernável, pelo excesso de ruído e irracionalidade à sua volta. 

"Não contem comigo para alimentar este circo."
A entrevista é oportuna e esclarecedora relativamente ao tipo de liderança que Frederico Varandas quer impor. Um estilo que contrastará de forma significativa com o que o precedeu. A frequência das intervenções até agora já assim o confirmam. Não haverá pois entrevistas frequentes, confissões de estados de alma via redes sociais, promoção pessoal à custa da exposição mediática que o cargo confere, críticas por essa via aos jogadores. Parece-me uma boa noticia, excepto para aqueles que viam no presidente do clube um guia espiritual, um pai ou uma mãe ausentes, líder de banda ou seita religiosa. Ou pelos que precisavam de frases fortes para se relacionarem com o clube ou até mesmo para bramir nas redes sociais. 

Se com esta nova atitude os protagonistas no Sporting voltarem a ser os atletas tanto melhor. E aqui e nomeadamente no relacionamento com os adeptos, há um grande trabalho a fazer, mesmo considerando as melhorias recentes. Mas ninguém admitirá que o silêncio seja a resposta sempre que o Sporting seja posto em causa. Obviamente que aqui não me refiro a qualquer obeso, jornalista de vão de escada que se use o nome do clube para se promover. O presidente do Sporting não deveria nunca descer à mesma pocilga onde estes seres se espojam.

"Sou muito pragmático e não me interessa nada do que ficou para trás, negócios Gestifute. Sim, o Jorge Mendes ajudou neste caso e os interesses do Sporting ficaram defendidos."
Pragmatismo talvez seja a palavra certa. É-me indiferente a quem o Sporting paga comissões nas transferências desde que os seus interesses  sejam defendidos. A Jorge Mendes cabe defender os seus e ao presidente do Sporting elegemos para defender os nossos. Os termos do negócio com o Wolverhampton foram explicados. 

Wolverhampton paga €18 milhões pelo Rui Patrício e o Sporting encaixa €14 milhões; os outros €4 milhões serão para os intermediários, sendo que a Gestifute, que era credora de €7 milhões do clube, abdicou de três. E o Rui abdicou de €1 milhão, do ano de contrato que restava do Sporting, e de €5 milhões, pelo prémio de assinatura. 

Longe de me deixar satisfeito pelos números envolvidos, atendendo ao valor de Rui Patrício, não deixam de ser valores muito semelhantes ao que havia sido negociado anteriormente em condições muito  mais favoráveis que as actuais. Mais do que um negócio é uma contenção ou prevenção de danos maiores. Avaliarei oportunamente a habilidade negocial de FV, assim o clube possa voltar a ter uma posição negocial forte na mesa de negociações, que manifestamente não é o caso das rescisões.

"Estes casos do Benfica são uma vergonha para o futebol português, uma vergonha"
Com esta frase lapidar ficou-se a saber que o Sporting não irá mudar as suas reivindicações relativamente aos vários processos a correr na justiça, fá-las-á provavelmente de forma diferente. Fica-se para já por saber como serão as relações institucionais entre os dois clubes e qual será o relacionamento com os demais clubes e instituições que o tutelam. Era bom que a menção "en passant" ao processo cashball deva ser tida por nós como um sinal de despreocupação... 

"Sinto-me satisfeito com a qualidade do jogo? Não. Nem eu, nem o grupo, nem o treinador"
Falar sobre um treinador que muitos adeptos colocaram a a cabeça a prémio desde o primeiro dia seria sempre matéria sensível. Se vai falar de um treinador que não se escolheu, como foi o caso, mais ainda. Mas a matéria era incontornável, tão incontornável como passível de milhentas interpretações. Além do óbvio que se lia - que o futebol não estava à altura do mínimo desejável e possível  - ficou a desvalorização do momento actual por força do contexto com dois objectivos claros: apontar o foco no futuro e aliviar a pressão sobre a actual direcção pelo facto de não ter tido outra possibilidade que não "herdar a criança".

"O empréstimo obrigacionista está montado e intermediado pelo banco Montepio, com cerca de €30 milhões para emitir em dezembro"
Este anúncio, já conhecido do dia anterior à entrevista, veio desmentir rumores postos a circular, sabe-se lá com que realismo ou que intenções ocultaria, de que ambos os dossiers seriam adiados. Num momento em que os resultados no futebol são o que são, uma escorregadela aqui seria a primeira grande derrota de FV. Viria dar razão ao seu "amigo" Ricciardi que "que até foi o único a não me dar os parabéns", segundo FV. Mais do que isso seria um foco de profunda preocupação. Porque quem não tem dinheiro não tem vícios e eu quero que este meu vicio passe de geração em geração  e dure até à eternidade.

sábado, 27 de outubro de 2018

Peseiro precisa de fazer um nova versão de si mesmo

Não foi uma história com final feliz a primeira temporada da série Peseiro em Alvalade e a segunda temporada em curso foi realizada sob condições pouco favoráveis para que haja um final alternativo. Não é preciso repisar tudo o que foi o final da época transacta que levou  ao desmoronar do edifício que sustentava o futebol leonino. Mas o futebol tem uma memória selectiva quando os resultados não aparecem. No caso do Sporting é até um pouco estranho porque bastou um resultado invulgar - o de Portimão - para fazer regressar a descrença e até a contestação. 

É um facto que nada está perdido mas a percepção conta mais que a aritmética. Mas, mais do que os pontos perfeitamente recuperáveis que separam o Sporting do topo da liga, é a impressão de que não será com o nível do futebol exibido nos últimos confrontos que o Sporting fará face aos seus objectivos.

Ora é precisamente aqui que estamos: quais são mesmo os objectivos realizáveis para uma equipa que nasceu da desestruturação do seu departamento de futebol e que compete tão afincadamente com os seus rivais directos como com a sua desorganização e caos interno? Talvez seja essa a matéria a ,carecer de maior esclarecimento, porque nada pode ser pior do que traçar objectivos sobre noções irrealistas e cheias de equívocos.

É talvez por aqui que a época começa por correr mal. Por uma comunicação irrealista relativamente aos objectivos, quando Sousa Cintra aponta o Sporting como candidato ao titulo em contraste com o ponto de partida a instabilidade interna e um plantel francamente desequilibrado e notoriamente inferior aos competidores directos. No outro extremo ficam as recentes declarações de Peseiro em que "perder por poucos" parecia ser o objectivo do jogo com o Arsenal. Declarações inadmissíveis e desmobilizadoras e que soam em tom desafinado com a ambição dos adeptos de um clube que sempre tiveram como exigência mínima futebol atractivo, mesmo nos momentos de menor fulgor.

Peseiro tem também escolhido as dificuldades sentidas na organização da época. Dificuldades essas que foram bem evidentes no estágio mais marcado pelas anulações em cima da hora do que pela qualidade dos adversários e exibições promissoras. Outro dos motivos invocados tem sido a profunda mudança no plantel registada no plantel. Mesmo reconhecendo a validade de ambos os motivos é preciso ver algo de mais afirmativo em campo à medida que o tempo se distancia do inicio da época para que não soe a desculpas de mau pagador de promessas. 

Sirvamo-nos como exemplo duas equipas de clubes com responsabilidades menores que a de José Peseiro. Quer o Rio Ave quer o Santa Clara reformularam os seus plantéis. Em consequência tiveram inícios de época complicados, mas paulatinamente foram-se equilibrando e estão agora a ladear o Sporting. A avaliar pelos últimos jogos o Sporting tem seguido uma trajectória oposta. Após o que se pode considerar um bom resultado no dérby, ao invés de sair mais confiante e moralizado e dar nota disso na evolução do futebol exibido o Sporting estagnou num nível que, a manter-se, será altamente comprometedor. E aí já nem estamos a falar de ambições de títulos mas de uma presença minimamente condizente com o seu estatuto de histórico e grande do futebol nacional.

Peseiro precisa agora de se reinventar. Depois de um futebol de vertigem na época de 2004/05 sem títulos, mas de futebol sedutor, temos agora uma nova versão demasiado contida, um futebol de receios e atilhos. A continuidade deste nível dificilmente dará outros frutos que não o recrudescer da contestação até ao insustentável para ele é de igual cariz para a direcção recém empossada. Será possivel essa reivenção, um Peseiro 3.0 no curto prazo?

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Um Arsenal de problemas a caminho

No que a problemas diz respeito temos o arsenal completo. Dispensaríamos por isso de ter que enfrentar agora precisamente o Arsenal de Londres, que ontem carimbou a sétima vitória consecutiva na Liga inglesa e décima no tal das competições que se encontra envolvido. E algumas delas, duas para ser mais exacto, foram alcançadas com uma mudança radical na equipa titular. Provavelmente é o que vai acontecer amanhã, repetindo o que já havia acontecido nos jogos anteriores da Liga Europa.

Soluções é o que mais abunda neste Arsenal de Emery. Soluções ao nível individual, colectivo e cambiantes tácticas. Este ano já jogaram em 4-4-2 como em 4-2-3-1, como ontem por exemplo. Quem tiver possibilidade de ver o jogo de ontem, com o Leicester, tem uma boa oportunidade para acabar de vez com o mito de que o duplo pivot está a acabar com o jogo do Sporting. Esse é um problema que o Arsenal não tem, apesar de utilizar esse recurso. O problema, é bom de ver, não é o modelo mas a sua concepção e a respectiva adaptação dos jogadores. Mas é sobretudo a ausência de dinâmica, com os pivots, que deviam lançar o jogo, a receber demasiadas vezes a bola de costas para o sentido ideal do jogo, desencontrados ou sem conseguir contactar com os apoios para a progressão.

Aguardo com alguma curiosidade as opções de Emery, sobretudo relativamente a Mezut Ozil. O seu papel na derrota da equipa de Adrien foi determinante e alguns momentos roçou o brilhantismo. Para lá chegar passou no entanto por algumas dificuldades nos momentos iniciais. Porém, a partir do momento em que o virtuoso alemão de ascendência turca começou  a internar-se no seio das linhas Foxes, os problemas sentidos para ligar o jogo gunner acabaram e com ele surgiram as oportunidades e os golos com toda a naturalidade. E, saliente-se, em abundância suficiente para contornar o embaraço de um auto-golo concedido por um infeliz Hector Bellerin.

Até ao começo do recital de Ozil o Leicester estava a aproveitar muito bem a projecção dos laterais gunners, com Vardy e Ieanacho a moverem-se muito bem no espaço deixado vago, criando enormes dificuldades aos centrais da casa. A repetir-se este cenário, abre-se a oportunidade para abertura de espaços para a subida ao centro de Bruno Fernandes e Nani, aproveitando a velocidade de Jovane e o desposionamento provocado pelas deambulações de Montero nas laterais.
Do ponto de vista defensivo esperam-nos grandes dificuldades. Mesmo sem Ozil, a presença entre linhas de Aubemeyang e Lacazette são suficientes para nos criar imensos problemas. O sentido de baliza do gabonês conhecemos já nós sobejamente da última passagem pela Liga dos Campeões. 

Creio contudo que o maior obstáculo do Sporting são as suas próprias dificuldades, expressas até agora nos últimos resultados. O contexto actual é de desconfiança interna e quando as fraquezas começam por aí as dificuldades crescem exponencialmente. Quem sabe não tem neste jogo com um adversário poderoso uma boa oportunidade para mostrar serviço e conseguir o doping anímico que as exibições não têm fornecido, e dessa fora desanuviarmos os nosso arsenal de problemas.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O que nos dizem os SMS

Um grupo editorial da nossa praça revelou ontem alguns dos sms trocados entre o presidente deposto e o seu braço direito, André Geraldes. 

Através da sua leitura percebemos a fractura irreparável que então existia entre o que deveria se o líder do clube e grupo de trabalho da nossa modalidade mais representativa. Dessa forma é possível perceber a desorientação e o "deus dará" que então grassava no seio do clube e que prenunciava o pior: o Sporting era uma desgraça para acontecer. Como foi com o Sporting funcionou a lei de Murphy:

"Qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível"

Mas dizem-nos outra coisa, também importante e que não pode passar despercebido: a forma descarada como informação que deveria estar à guarda da justiça e que, para satisfação de interesses particulares, é exposta na praça pública.

Ao contrário do que possa parecer à vista desarmada ou até para alguns produtores de guiões de ficção cientifica verde e branca, nada disto favorece o Sporting. Nem o de antes nem o de agora. Ou se quiserem de forma mais clara, nem a gestão passada nem a actual. Antes pelo contrário e julgo que para o perceber nem é preciso fazer um desenho.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O regresso de Sousa Cintra



Já aqui havia dito que o grande erro de Sousa Cintra foi não ter aceite o preço que o Atlético de Madrid ofereceu por Gélson Martins. Hoje, na entrevista ao Record Sousa Cintra confirma a proposta - e acentua assim, face às circunstâncias, a impressão do erro cometido - mas insiste num outro, talvez de maior monta: a ideia de que somos tão candidatos como os demais. Até parece que não esteve em Portimão e não viu os jogos que se seguiram. Ou que não lê as noticias mais recentes, quando afirma que o Sporting vai ganhar todos os processos das rescisões. 

Seja como for é um documento importante de um dos actores mais relevantes do incrível verão que marcará para sempre a vida do Sporting, pelo que a sua publicação e leitura é obrigatória

domingo, 21 de outubro de 2018

Taça de veneno

Não é a primeira vez e certamente não será a última que o Sporting evidenciará dificuldades para ultrapassar uma equipa de escalões inferiores numa eliminatória da Taça de Portugal. E nem preciso será lembrar situações bem piores, em que acabamos eliminados de forma surpreendente. Pelo que é fácil concordar com Peseiro, atendendo à equipa alternativa, desprovida de muitos dos titulares habituais, que ontem não era dia para grandes exibições. Pois, pudera! Se não as fazemos com os melhores que temos, não o íamos fazer com as reservas!

É certo que seguimos em frente, cumprindo o mínimo dos mínimos. Mas é preocupante ver nesta equipa que se apresentou em Loures os mesmos problemas que vemos naquela que será a equipa principal: a escassez de talento, o excesso de jogadores de qualidade duvidosa e a ausência de uma ideia de jogo. Tanto assim foi que chegou a ser embaraçoso reconhecer que a equipa que jogava na casa emprestada conseguiu superar-nos várias vezes do ponto de vista colectivo. O resultado só não foi pior porque ainda vamos tendo algum talento de reserva em Bruno Fernandes ou Nani.

Bem sei que Peseiro não tem culpa de muitas das condições que encontrou e de tudo o que teve que resolver para podermos começar a temporada. Há ali muitos jogadores - sim, disse muitos, infelizmente - que nunca deveriam fazer parte de um plantel do Sporting. Não me surpreende por exemplo que Castaignos continue em branco, sem conseguir marcar um golo que seja. Mas já me preocupa verificar que não vislumbro como Bas Dost poderia fazer o que tão bem sabe caso tivesse ontem em campo. Esta dúvida sobre a qualidade do nosso jogo que, de forma genérica, se vai instalando jogo após jogo tarda em ser desfeita e ontem acabou acentuada e que funciona como um veneno. Ontem foi mais uma taça.

sábado, 20 de outubro de 2018

Uma grande noticia que muitos esperavam!


A notícia de ontem sobre o regresso do basquetebol  faz-me duplamente feliz. Como Sportinguista e como homem do basquetebol. Saber que o Conselho Diretivo está a trabalhar para cumprir a sua promessa - e todos nós sabemos o que, muitas vezes, são “promessas”... - de recolocar o Sporting no topo do Basquetebol português, fez-me sorrir de felicidade, e, tenho a certeza, a muitos mais sportinguistas e amantes de uma modalidade das de maior implantação mundial.

O basquetebol é desde sempre uma modalidade injustamente sacrificada sempre que as dificuldades económicas apertam no nosso Clube, isto apesar dos inúmeros títulos conquistados.  De uma vez chegou-se a suspender a modalidade quando a equipa sénior era “apenas” bi-campeã nacional. Noutro triste episódio, talvez o mais célebre, os sócios foram obrigados a escolher entre modalidades, num processo de autêntica divisão do Clube.

Apesar de todas as contrariedades nunca os homens do basquetebol leonino baixaram os braços e apesar dos “não” que foram coleccionando lutaram sempre pelo regresso do basquetebol ao Sporting. Já na era Godinho Lopes, através da criação da Associação de Sportinguistas amigos do basquetebol, conseguiram voltar a escrever o nome do Sporting nas competições da bola-ao-cesto nacional. 

Sob as direções de Bruno de Carvalho  o Clube assumiu o basquetebol como modalidade oficial, apenas com os escalões de formação, tendo acabado incompreensivelmente com as equipas femininas de sub-19, finalista da Taça Nacional na época anterior, e a sénior que, ao fim de 3 anos de actividade, já tinha conseguido a chegada e manutenção na Liga Feminina.

Uma primeira alegria grande alegria já havia sido sentida quando, cumprindo uma promessa, o atual CD disponibilizou um dia por semana a cada uma das modalidades de Pavilhão no PJR, estando o basquetebol incluído nessa lista. Hoje mais alegre fiquei.

A parte mais fácil já está. É a parte do Sporting querer. Agora vem a parte muito mais difícil, que será o trabalho, que a FPB tem de fazer para ajustar regulamentos, e convencer os clubes intervenientes na Liga a aceitarem um possível alargamento e a entrada do Sporting. Tenho a esperança que sendo o pessoal do basquetebol pessoas inteligentes facilmente perceberão a importância para a modalidade do regresso do Sporting ao topo do basquetebol luso.

O primeiro passo está dado. Vamos aguardar e ter confiança para que na próxima época tenhamos a verde-e-branca a brilhar nas quadras da Liga de basquetebol.

 * Este artigo foi escrito pelo redactor do blogue "8"

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

"Porque secou a torneira de Alcochete"

Partilho hoje a reportagem do dia do jornal "A Bola" sobre o há muito debatido declínio da nossa  formação. Faço-o não por me rever inteiramente no artigo, mas servido-me dele como ponto de reflexão. A torneira de Alcochete certamente que não secou, mas que o fluxo é bem menor é uma evidência. Há várias razões que explicam esse declínio e o pior que se pode fazer é continuar o estado de negação em que se mergulhou nos últimos anos e que contribuíu para o estado em que nos encontramos.

Quando me refiro aos últimos anos refiro-me muito em particular aos últimos cinco, especialmente pela ausência de debate sobre esta e outras matérias, uma vez que a ideia de debate era imediatamente relacionada com a de heresia e contestação injusta à liderança iluminada e acima de qualquer contestação. Deu no que deu. Mas obviamente que para o actual estado da nossa formação concorreram lideranças anteriores e especialmente a degradação de poder que se instalou há muitos anos, especialmente a partir do mandato de Eduardo Bettencourt. 

Sem soberba e com realismo, há também que admitir que os nossos rivais directos e demais concorrentes diminuíram as distâncias que nos separavam, por dedicarem hoje mais tempo e mais recursos físicos, humanos e financeiros aos seus departamentos. E isso se deve também ao reconhecimento do sucesso do nosso modelo, que lhes serviu de mote e que foram aperfeiçoando. 

Hoje o Sporting não tem equipa B. A equipa sub-23 vive em dificuldade expressa em resultados e exibições. Os nomes dos nossos jogadores mais jovens quase desapareceram das convocatórias das selecções e quase nenhum de nós lhes sabe os nomes. E se tal ausência se pode dever ao menor poder de influência da nossa parte - o que também não abona em nosso favor... - é indiscutível que o valor disponível baixou drasticamente. Ambas concorrem contra nós, porque era impossível há anos atrás ver nomes como Patricio, Cédric, Carriço, Carlos Martins, Moutinho, Veloso, Bruma e muitos outros afastados de uma convocatória das selecções mais jovens. 

Há vários problemas a resolver e, como vários outros que se foram instalando no clube, de forma gradual mas inexorável como a ferrugem, não se resolverão com um simples estalar de dedos. No caso da formação seguramente que precisará de muitos anos. E esses serão tantos ou tão poucos como venham a ser tomadas as medidas certas. Mas serão as pessoas que venham a ser chamadas a assumir responsabilidades no futuro que se pretende de retoma a ditar a diferença. 

O Sporting não tinha condições físicas de treino modelares quando, ainda no centro de estágio, debaixo da antiga bancada nova lançou para o mundo dois dos ícones da sua formação e do futebol mundial, como foram Luís Figo e ainda hoje é Ronaldo. Foram as pessoas de então, pelas suas qualidades humanas e profissionais que, instituindo as melhores práticas e suscitando a confiança de centenas de famílias ao ponto de lhes confiaram o melhor de si - os seus filhos - à sua guarda. Terá de ser por aí que iniciaremos o regresso a uma escola modelar em que o mundo punha os olhos.






sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O legado da loucura: dois pássaros a voar

Publicação parcial de um artigo "o esférico" na sua página do Facebook sobre a evolução dos processos das rescisões

(...) Como estratégia negocial, o arrastar das negociações por parte dos clubes envolvidos visou apenas explorar a expectativa plausível de que o caso ainda parisse mais do que umas dúzias de ultras desvairados. Com a detenção de Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, essa estratégia dá agora os seus frutos. E entra pelas portas do clube adentro — com estrondo e indiscriminada desonra. Passámos do domínio da especulação para o domínio da realidade gangster. Da teoria do hooliganismo desdentado para um golpe urdido na — ou com o beneplácito da — "cúpula."

Estou surpreendido? Lamentavelmente, não. Quase sempre o que parece é. E, independentemente do que mais a investigação vier a apanhar nas suas redes, este desenvolvimento, por si só, é já quatro palmos de terra sobre as aspirações jurídico-negociais do Sporting. Numa altura em que o presidente se prestava para fechar algumas negociações vitais, esta notícia terá o efeito imediato de congelar qualquer entrada de dinheiro nos nossos famélicos cofres. Nesta guerra de desgaste, o tempo — e a justiça — corre a favor dos outros.

Ironicamente, chegará em breve o dia em que aqueles que clamavam pela lapidação dos atletas serão os que, de futuro, abençoarão a estratégia da mão estendida. Mão estendida, não para que nos dêem qualquer coisinha, mas para que nos perdoem as indemnizações que nos são exigidas. A longo prazo, talvez seja isso o melhor que conseguiremos extrair de todo este escabroso 'affair.'

Perder os eventuais lucros com a saída dos jogadores é péssimo. Somar a isso dívidas milionárias é catastrófico. Por isso mesmo, esperava maior solidariedade e consciência de alguns sectores da massa adepta, num clube que fez da exclusividade a imagem de marca dos seus apoiantes. Confundir interesses sectários com os interesses do Sporting é um equívoco crónico por estas bandas. No limite, conduzir-nos-á à perda da maioria na SAD.

Entendo agora a velha máxima. Sim, o Sporting tem de facto adeptos especiais. Alguns até são especialmente palermas. Porque, mais do que as 'débacles' financeiras, o clube não sobrevive é a isto. O clube não sobrevive a adeptos que, à 7ª jornada, exigem a cabeça do treinador. Não sobrevive à bipolaridade doentia. Não sobrevive ao "sportinguismo" mercenário de bloggers de brega, facebookers de vão de escada e 'camisas negras', cujos reais intentos se manifestam vivamente nos desaires que o clube sofre. 

Tal como não sobrevive a ex-candidatos que, passado um mês sobre as eleições, acham-se ainda em campanha. Bem, sobreviver, até pode sobreviver. Mas nunca triunfará. E se a acção destes não supõe contributo melhor do que queimar o clube na fogueira da sua esquizofrenia, então melhor seria que se afastassem do Sporting. Num mundo em que a maioria silenciosa se remete a uma bolha de comodismo e as minorias histéricas são quem mais influencia o processo decisório, está nas mãos de todos nós — a maioria — espezinhar a cultura do fratricídio e devolvê-la ao ralo infecto de onde saiu. Porque, seja qual for a causa que aqueles julgam estar a servir, essa causa não é a do Sporting.


É este o legado da loucura. Dois pássaros a voar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O cerco ao Sporting

De um lado os "Le(t)ais do Bruno de Carvalho", de outro lado Ricciardi em extremos que se juntam, vai-se apertando o cerco ao Sporting. Seja na produção e difusão de fake news dos primeiros em ritmo diário, seja agora na exibição confrangedora de mau perder e ressentimento do segundo. 

Ambos viram a sua presença nos órgãos sociais largamente rejeitada pelos sócios do Sporting por isso é como dizia o outro: É a vida, habituem-se, porque ao contrário do que tanto gostariam, já não são os donos disto tudo.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O futuro próximo de José Peseiro já está traçado

A continuar o actual nível de futebol praticado pelo Sporting afigura-se penoso o percurso até à paragem de inverno. Esse seria o momento pressentido por todos como o objectivo a atingir ainda com as ambições incólumes, no sentido de resolver os problemas de escassez de qualidade no plantel fora do âmbito dos que se entendem ser os titulares naturais.

Esses problemas foram rapidamente inflacionados pelas lesões prolongadas de Mathieu e Bas Dost. O francês estava a ser o mais esclarecido dos elementos do último reduto não apenas a defender, mas também no momento de sair a jogar. Bas Dost é “só” o jogador mais concretizador do Sporting dos últimos anos e cujo acerto foi responsável pela conquista de muitos pontos. Percebeu-se no momento da sua saída o quanto o jogo da equipa estava montado em função da sua presença e a dificuldade desta em ajustar para fazer face à sua ausência.

A exibição na remota Ucrânia, ante um rudimentar Poltava, foi de tal forma comprometedora que nem o resultado feliz foi suficiente para a afastar da retina e das preocupações dos adeptos e seguramente dos responsáveis. O descalabro estava assim anunciado para Portimão, o que acabou por ser confirmado por um Nakajima à solta e sem medo de leões.

A exibição de Portimão abaixo de frágil ou modesta teria inevitavelmente que colocar o trabalho do treinador em causa. A bagagem recheada de insucessos, o historial muito particular no clube que não recomendava a concessão de nova oportunidade e o momento de particular instabilidade e divisão que em que vive, tornaram-se num pavio muito curto e altamente inflamável. Daí à cabeça a prémio foi um ápice para Peseiro.

Uma crise de resultados que se anuncia e cujas exibições ameaçam eternizar seria sempre indesejável. Para quem se viu recentemente investido e com as sirenes de urgência a apitar estridentemente sobre inúmeros dossiers em aberto, ou a carecer de atenção e revisão pode mesmo ser considerado um pesadelo. Especialmente se entre a investidura e a primeira crise de resultados dista apenas um mês.

A ponderação é muito mais complexa do que apenas despedir o treinador. A direcção recém-empossada está desresponsabilizada da escolha feita, e isso vai servindo de para-raios para a tempestade de opiniões de desagrado que ecoam cada vez mais insistentes. Mas a persistência de resultados comprometedores acabará por obrigar à tomada de uma decisão que obviamente pretende evitar a todo o custo no momento tão precoce do seu mandato e até mesmo do campeonato. A escolha de um treinador é tão ou mais difícil de tomar nestas circunstâncias que, por comparação, o despedimento se afigura uma brincadeira de meninos no recreio.

No que diz respeito à escolha de treinadores nunca há certificados de garantia. Sendo um activo determinante para o sucesso de um clube, a decisão da sua contratação equipara-se à escolha de um CEO de uma empresa. É uma decisão de caracter estratégico, uma vez que aquele se deve reconhecer nos objetivos e ambições do clube, bem como no espirito onde se funda a sua identidade. Numa fase de grande turbulência e instabilidade, forçar uma escolha pode produzir efeitos contrários ao pretendido e ao adiar de medidas estruturantes tendentes em revitalizar o clube. Temas como a aposta na formação, o modelo de jogo, scouting e recrutamento não podem estar desligados da escolha do treinador e respectivo perfil.

Ao não avançar imediatamente para substituição de Peseiro, a direcção de Frederico Varandas pode entender que não estão esgotadas as possibilidades da equipa se encontrar com os melhores princípios que a ponham na rota desejada. Ou ter preparada uma outra opção, mas reservada para momento mais oportuno, reconhecendo que a sua entrada seria extemporânea e por isso tendente ao insucesso, queimando assim um cartucho. Tal como no xadrez, há peças que, pela sua importância, têm que ser movimentadas de forma criteriosa, sob pena de fazer perigar todo jogo.

Ao fazer avançar Beto, um dos pesos pesados da sua estrutura, a actual direcção pretendeu simultaneamente demonstrar que está atenta, mas também esvaziar de importância o assunto junto da opinião pública. Muito diferente seria se a comunicação fosse feita por Frederico Varandas, que dessa forma evita também o desgaste e a sobre-exposição. É também uma mensagem categórica de que, sob o seu comando, o Sporting perfilhará uma comunicação claramente diferente do seu antecessor. Algo que também foi notório no recente “caso Rafael Barbosa” que opôs a SAD leonina à congénere algarvia. Sem espavento, mas com descrição e eficácia o problema foi resolvido. Ganharam ambos os clubes, perderam os jornais.

O futuro próximo de José Peseiro continuará a ser o Sporting. Melhor que ninguém ele sabe que num ápice as portas se vão fechando atrás de si. As cerca de duas semanas que o separam do próximo embate é tempo de vida comprado e nem mesmo o facto de as selecções amputarem o plantel de uma parte substancial do valor à sua disposição servirá de atenuante em futuros desaires semelhantes ao ocorrido em Portimão.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O inverno chegou no Algarve

O nosso inverno chegou quando no outono ainda é verão. Com duas exibições a roçar o miserável, nem o resultado favorável na ronda europeia na remota Ucrânia pode deixar nos fazer questionar sobre o trabalho desenvolvido por Peseiro até agora e o que futuro nos reserva a continuar este registo. Já aqui o tinha dito anteriormente, a bola do nosso jogo estava no campo de Peseiro mas este tarda a respectiva devolução para um patamar superior. 

A questão da sua permanência será a primeira grande decisão que Frederico Varandas será obrigado a tomar, depois da herança pesada que recebeu em mãos, tanto no futebol sénior como na formação, entre várias outras. Talvez mesmo a única decisão possível neste momento, uma vez que não pode incorporar jogadores num plantel onde escasseiam as alternativas e a qualidade disponível é diminuta. Uma decisão difícil, porque mudar por mudar não muda nada e não se vislumbram treinadores disponíveis que ofereçam uma solução com o mínimo de segurança. 

Tudo isto sem ignorar o óbvio: no actual estado a que o nosso futebol foi atirado  e com tanto "amigo" dentro de portas a rezar pelo caos e pelo insucesso não precisamos de inimigos. Poucos treinadores terão o interesse, coragem ou a loucura que Peseiro teve há um par de meses para meter aqui o pescoço. Isso eu tenho que reconhecer, mas  a minha gratidão termina no momento em que Peseiro ao invés de ser uma solução parece ser mais um dos muitos problemas em mão.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Um record batido que tem de ser aproveitado

No final do último post, e protestando contra o coro de assobios que se foram ouvindo em Alvalade no jogo com o Marítimo, dizia aqui que "Se alguém tem que temer a nossa casa são os adversários e não a nossa equipa, os nossos jogadores ou os nossos treinadores".

É que assim, sem ninguém reparar, o Sporting nos últimos anos, alterou um padrão que pode ser importante para a recuperação do seu estatuto de tão favorito como os favoritos à conquista do titulo nacional. Refiro-me concretamente ao facto de o Sporting, com a recente vitória sobre o Marítimo, ter batido um recorde que já subsistia há trinta e cinco anos, completando um ciclo de 28 jogos sem perder em casa. 

Simultaneamente, com essa vitória, igualamos o arranque de época de 2016/17, com cinco vitórias consecutivas em casa. Jorge Jesus, como treinador nas últimas três épocas, acaba ver o seu nome ligado a essa mudança. Mesmo não tendo chegado ao objectivo principal que o trouxe até nós  - o regresso ao titulo principal - é indiscutível que o Sporting subiu o seu nível de performance relativamente aos anos anteriores. 

Obviamente que falamos de alguns factos históricos e que, por isso, ficaram para trás. Mas o facto de mantermos o registo vencedor não deve ser ignorado, mesmo reconhecendo os problemas na planificação da época e a demora em encontrar um nível e segurança exibicionais. Manter Alvalade como uma fortaleza para a nossa equipa é um importante ponto de partida que deve ser aproveitado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O caso Nani, os assobios a Peseiro e uma providência cautelar para os 3 pontos.

As notas de maior destaque do passado final de semana tendo como ponto central o jogo em Alvalade foram o castigo a Nani e os assobios a Peseiro e à equipa, especialmente na segunda parte. Vamos por partes, analisando os factos que vieram a público e deixando de fora as especulações:

Peseiro:
Podemos discutir se fez bem ou mal trazer o caso à conferência de imprensa que antecipava o jogo, voltando a dar-lhe a notoriedade que havia perdido com o passar dos dias. Podia ter optado por não fazer outra referência que apenas "este é um assunto que foi resolvido internamente", evitando a punição pública do jogador. Acontece que a gravidade dos insultos que aparentemente lhe foram dirigidos de forma pública lhe reservava o direito de reacção de igual teor. 

A direcção da SAD
A presença de Nani na tribuna no pavilhão João Rocha e depois no jogo foi uma tomada de posição esclarecedora por parte da SAD. Independentemente de haver ou não sanções ao jogador, e de se saber como e por quem foi tomada a decisão de afastar o jogador, este não será banido nem ostracizado. 

Nani
Nani esteve muito mal, e a sua tomada de posição é ainda mais grave por se tratar do capitão. Dessa forma pôs em causa o seu estatuto de capitão, minando a sua autoridade no seio do plantel que lidera. A liderança exerce-se mais do que com palavras com o exemplo. 

A minha opinião
Casos como estes são tão necessários como noticias de doenças graves, especialmente neste momento especial em que o Sporting continua imerso. Preferiria que a reacção inicial de Peseiro fosse a que optou após o jogo. Fosse ela qual fosse, não tenho é qualquer dúvida que o treinador seria sempre criticado. Provavelmente pelos mesmos que aplaudiram a reacção bem mais destemperada de Sérgio Conceição no caso Marega. Ou que acusavam Peseiro desde o caso Rochemback de não exercer autoridade. Mas especialmente por aqueles que esgravatam tudo à procura de algo que lhes dê a atenção e o protagonismo para a sua causa, que obviamente nada tem a ver com o Sporting Clube de Portugal.

O jogo
É precisamente por aí que vou começar a análise ao jogo, pelo treinador e pelos assobios, especialmente os que ouviram durante a segunda parte. Sendo claro que a exibição no segundo tempo foi medíocre, não é menos claro que o Marítimo praticamente nem soube quem estava na nossa baliza nesse período.

Aí, por muitas criticas e diferenças sobre o trabalho do treinador, tenho que  manifestar a minha incompreensão e incómodo pelo que assisti. É bom lembrar que, especialmente no ano passado, mesmo quando a estabilidade directiva ainda existia e o plantel era outro, as vezes que fomos brindados por exibições ridículas, algumas vezes finalizadas com resultados que acabaram por comprometer a época e redundar na hecatombe final. Muitas vezes sob a justificação ridícula do "futebol à italiana". 

Até agora, apesar de muito longe de deslumbrar pelo futebol jogado, mantemos intactas as nossas ambições, tendo jogado inclusive duas vezes no terreno dos dois primeiros classificados. Tem havido notório compromisso da equipa em campo, o que torna ainda mais imerecidos os assobios. Como Peseiro muito bem lembrou, terminamos o jogo com apenas três jogadores titulares da época passada. Assobios por causa das substituições? De facto o tempo e o modo escolhidos são muito questionáveis, mas a verdade é que as opções são muito reduzidas, especialmente em qualidade.

A nota geral do jogo foi sofrível, é um facto. Mas o resultado não foi, especialmente pela envolvente que nos trouxe até ele. uma sequência negativa que nos levou da primeira derrota a ter que enfrentar um caso disciplinar com o capitão de equipa. Sairmos vivos e de ambições intactas foi o melhor que nos podia ter acontecido.

Se alguém não gostou dos três pontos que ponha uma providência cautelar e meta os assobios no... saco. Alvalade é a nossa casa e tem de ser a nossa fortaleza, especialmente em momentos como este. Se alguém tem que temer a nossa casa são os adversários e não a nossa equipa, os nossos jogadores ou os nossos treinadores.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

José Peseiro na boca do leão


Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay

Peseiro será sempre lembrado no Sporting pelo quase sucesso de 2005 que havia de redundar em fracasso no curto espaço de dias. Na altura viu esfumar-se a glória de um titulo nacional e um titulo europeu que acabaria por lhe ditar o destino logo no inicio da época seguinte. A desconfiança de ser incapaz de ganhar acabou por impor a sua lei nos primeiros desaires da época seguinte.

É essa desconfiança que inevitavelmente ganhou forma após a derrota de Braga, anulando rapidamente a surpresa pela forma como vinha conseguindo juntar as peças de um Sporting estilhaçado. Mesmo que o futebol jogado não fosse propriamente sedutor, Peseiro parecia ter conseguido montar uma equipa eficaz. Mas era consabido que o beneficio de algum estado de graça se extinguiria no primeiro desaire. Foi isso que inevitavelmente aconteceu.

Assim foi em Braga. Mais importante que a qualidade do jogo jogado, onde as estatísticas confirmam a igualdade no desempenho das equipas, acabou por ser o resultado a premiar a eficácia dos da casa a ser determinante nas análises que se fizeram ao jogo. Como sempre quem perde sai por baixo e quem ganha recolhe os louros.

Fosse agora ou depois, o problema da desconfiança levantar-se-ia na mesma como um denso e escuro nevoeiro sobre Peseiro ao primeiro mau resultado. No caso em apreço, de pouco parece valer agora invocar o historial recente entre ambas as equipas, ignorando que as dificuldades sentidas ante os arsenalistas não são novas e remontam a períodos de maior fulgor e estabilidade do que os vividos desde o dealbar da época em curso. 

Contudo, nem o Sporting seria o principal favorito ao titulo mesmo que tivesse saído vencedor, nem o Braga passou a ser mais candidato do que era antes do jogo começar. Por razões diversas mas óbvias, cada um deles permanece na luta, mas conservando o seu estatuto de outsider face aos favoritos FC Porto e SL Benfica. No fundo este resultado não trás nada de muito novo ao que se poderia adivinhar. Se com o passar do tempo  as vitórias regressarem, esta derrota será um mero um percalço. Mas nunca poderá ser assumido como o fim as aspirações para o campeonato.

Quando se soube que Peseiro ia regressar ao Sporting o próprio se encarregou de afirmar o quanto era diferente do que havia chegado há 14 anos: 

Chego com a mesma motivação e responsabilidade de ser treinador de um enorme clube, mas agora com mais experiência". 

Será agora essa qualidade que terá de convocar para lidar pessoalmente com o actual momento, bem como perante o grupo de trabalho que lidera. Se normalmente um jogo em casa com é de vitória obrigatória, o resultado de Braga “obriga” ainda mais a vencer o Marítimo, o jogo que se segue. Saber lidar com a pressão e retirá-la do seio do plantel durante a semana que antecede o jogo é a primeira tarefa.

Mas não poderá ficar por aí. Apesar dos bons resultados conseguidos até Braga, não passaram despercebidas as dificuldades que o Sporting enfrentava na organização do seu processo ofensivo. À primeira vista tal pode soar de forma contraditória à impressão de técnico de perfil ofensivo, mas descuidado a defender, que deixou na sua passagem. 

Talvez não seja tanto assim, se se atender que a organização do ataque funciona para uma equipa como o telhado e os acabamentos numa edificação nova: são os últimos a finalizar e sobretudo os segundos quanto mais elaborados mais difíceis são de alcançar. 

Recuando a 2005, apenas à sexta jornada o Sporting estabilizou o seu jogo. Após um inicio prometedor na primeira jornada, o Sporting baquearia consecutivamente e de forma comprometedora para o resto do campeonato, entre empates e derrotas que só seriam interrompidos num jogo com o Estoril (1-4). Mais à frente alternaria uma pesada derrota fora com o FC Porto (3-0) e uma exibição de gala com o Boavista (6-1). 

Não sabemos se Peseiro conseguirá impor agora o futebol que então o caracterizou e que, apesar da ausência de títulos no final, representa do melhor que o Sporting apresentou no século em que estamos. Mas tivesse o Sporting conseguido estar mais vezes nas decisões da Liga nacional e da Liga Europa como então esteve, e seria muito provável que houvesse hoje o respectivo registo na sua sala de troféus. 

Creio ser bem patente nas exibições da presente época, e independentemente dos resultados, que é preciso tempo e sobretudo um plano emocional colectivo bem mais estável do que aquele que o Sporting iniciou a época. De todos, Peseiro tem apenas a culpa pela coragem – ou loucura? – de não virar as costas a um desafio que tinha e continua a ter demasiados ingredientes errados para acabar bem.

Julgo ser importante reter como sinal de esperança que, apesar dos equívocos evidentes no jogo do Sporting, não é difícil de perceber que há matéria humana para melhorar. Gudelj fez apenas o seu segundo jogo e pode vir a beneficiar ele e a equipa de uma visão mais ousada e menos conservadora que o atar à ilharga de Battagllia. Bruno Fernandes não pode ser um controlador aéreo, antes sim um agulheiro que traça o destino da bola de pé para pé. Raphinha não pode ser apenas aquilo que as suas iniciativas individuais dão, é preciso que a equipa esteja mais próxima dele. Todos os sectores aliás precisam de comunicar melhor e para isso é preciso maior proximidade para que exista mais dinâmica e daí melhor fluência e segurança na posse da bola. Sem isso a equipa continuará a viver de fogachos individuais e daquilo que as falhas do adversário permitirem.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Primeira derrota. E agora?

Peseiro teve razão na apreciação que fez ao resultado: foi injusto, pelo que as duas equipas fizeram, perder o jogo foi injusto para o Sporting sair derrotado da pedreira. Mas um resultado de um jogo de futebol não é uma decisão de tribunal, ganha quem marca e quem marca merece ganhar. O Sporting não marcou, apesar de o poder ter feito e aí se estabeleceu a decisão final.

Por ser um resultado duplamente doloroso - primeira derrota e descida de vários lugares - a forma como a equipa vai reagir vai constituir um momento definidor do carácter do seu carácter e até mesmo das nossas reais possibilidades nesta competição. Em Braga a equipa demonstrou que tem vontade, que tem um lote de jogadores para fazer melhor, mas que existe um fosso entre esses e outros que estão longe de os poder acompanhar ou sequer substituir. 

A isso acresceu também um facto que poderá ser determinante e que já funcionou ontem a favor do Braga: a eliminação precoce das competições europeias permitiu-lhes maior frescura e discernimento nos momentos finais da partida, em especial pelo forte calor que se fazia sentir. Jogadores que poderiam conduzir o Sporting a uma reacção ao golo sofrido - Nani, Montero, Bruno Fernandes, Gudjeli, Raphinha - ou já não estavam em campo ou quando estiveram pouco fizeram. 

Se em todas as derrotas o foco recai sobre o treinador, nesta não há excepção. No caso de Peseiro mais ainda, pelas razões que se conhecem: é um alvo fácil de se lhe bater. Abel antecipou-se-lhe nas substituições e, embora não tenha sido por aí que ganhou o jogo, foi isso que ficou registado em termos mediáticos. Mas o golo nasce de um erro numa transição e é consolidado por uma série de erros de posicionamento e avaliação que as substituições dificilmente poderiam ter evitado.

Mas é quando se olha para o banco que se percebem as dificuldades que Peseiro sentirá na hora de mexer na equipa: além de Jovane, entraram Castaignos, Diaby e ficaram no banco os jogadores de campo Jefferson, Marcelo e Petrovic. Como de facto aconteceu, apenas o primeiro significava uma possibilidade real de mexer com o jogo. 

Não vale a pena voltar a repisar aqui as razões que nos conduziram aqui. Nem isto equivale a desculpar inteiramente Peseiro, porque me parece que a equipa tem de ainda por onde crescer e parece tardar pelo lado das ideias expressas em jogo. Ou elas não estão a passar ou não estão a ser trabalhadas. 

Mas embora o resultado seja muito frustrante e penalizador para nós, não creio que haja razões para grande desespero. O ano passado fizemos apenas um ponto com este adversário e tínhamos em teoria melhores argumentos. O desânimo só pode ter apenas a duração do intervalo entre o próximo jogo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Leais ao Sporting vencem impugnação

Não consigo contabilizar com exactidão todos os subscritores da impugnação ontem apresentada às pretensões do Qarabag Adam em pleno estádio de Alvalade, mas podemos falar de cerca de trinta mil nas bancadas, mais jogadores e equipas técnicas, médicas, roupeiros etc. E assim se expressou a lealdade ao Sporting: com presença nas bancadas e com aplicação no relvado. 

Ao contrário do que se possa pensar não houve facilidades. Os argumentos apresentados pelos azeris eram sólidos e baseavam-se numa postura conservadora e expectante. Do nosso lado a preocupação expressa em algumas providências cautelares. Era necessário manter a concentração e o equilíbrio para que não fossemos surpreendidos.

Depois de muita cautela e alguns sustos a causa começou a ganhar contornos de vitória. Contamos na hora certa com o alto patrocínio de Nani, o Líder, a descobrir uma brecha na lei azeri em vigor. A visão e precisão do capitão foi muito bem secundada pela rapidez de reacção de Raphinha. 

Para rematar a acção de oposição à vontade do Qarabag de marcar pontos houve ainda alguma expectativa que seria coroada com um epilogo de elevada nota artística proporcionada por Montero. O tal que não marca golos mas se não estivesse lá às tantas não marcávamos mesmo. A peça de roupa interior, vulgo cueca, que ofereceu  ao defesa azeri poderia ter assinatura de um dos mais reputados costureiros de fama internacional.

Os argumentos finais estiveram a cargo de Jovane, que não tem perdido nenhuma das oportunidades que lhe tem sido concedida, numa demonstração de que tão importante como o talento é a vontade.

E agora siga para Braga, onde disputaremos a manutenção da liderança com o espanto de muitos e desgosto de alguns, poucos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Os grandes problemas do Sporting actual

Nos últimos dias os "grandes problemas" do Sporting para determinados adeptos têm sido a propalada entrega da comunicação do clube à LPM e a recondução de Virgílio Abreu na direcção clínica do futebol do clube. 

Os que hoje tanta preocupação demonstram com a possibilidade de um elemento da LPM poder ser benfiquista certamente tinham emigrado e por isso nada disseram quando a direcção da comunicação foi entregue a Luís Bernardo. O tal que estagiou em Alvalade e de forma meteórica atravessou a Segunda Circular para gerir o mesmo dossier no clube rival.

Tanto quanto é possível saber a direcção de comunicação ainda se mantém como estava. Se a escolhida for a referida empresa estamos a falar da contratação só de uma das referências do mercado para uma área há muito identificada como um dos calcanhares de aquiles dos últimos cinco anos de gestão. Quanto a mim essa é uma falha que remonta até a vários anos atrás. Porquê mudar se tudo estava tão mal, não é?

Quanto a Virgílio Abreu, trata-se de um clínico cuja ligação ao clube remonta a vários anos e a sua nomeação é de carácter interino, até que João Pedro Araújo possa assumir a pasta no próximo mês de Outubro. Não me lembro de tanta indignação quando em Junho a direcção anterior se preparava para uma "varridela" geral no corpo clínico do clube, que abrangia médicos e fisioterapeutas.

Oxalá continuem a ser deste teor as indignações. Oxalá que os "emigrados" dos últimos cinco anos regressem e possam exercer com rigor e honestidade intelectual uma obrigação de todos: o escrutínio da actividade dos órgãos sociais.

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