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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Sporting 3 - Gil Vicente 1: "Quem porfia mata caça"

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar)

 
Quem porfia mata caça e quando já se pensava em jejuar o leão lá conseguiu abater um galo incómodo. Mas não foi fácil de ver e mais do que a qualidade do "jogo do galo" foi a má abordagem do leão, algures entre a displicência e a falta de inspiração para lidar com o bloco gilista.  

Muita da responsabilidade dessa má abordagem tem de recair nos ombros de Rúben Amorim, ao insistir em oferecer a Jovane um papel para o qual não está nem preparado nem vocacionado. Dessa forma o treinador coloca em causa não apenas a sorte da equipa como até a do próprio jogador, cuja movimentação e até a linguagem corporal em muitos lances vão da inadequação, desânimo até à desistência.


Mas explicar tantos minutos jogados sem grandes lances de perigo a ameaçar a baliza do guarda-redes visitante, mesmo já quando em desvantagem no marcador, não se pode ficar apenas pela aposta inglória num jogador. Num jogo como este, e com Palhinha em campo a oferecer segurança para possíveis transições - que por sinal o adversário até abdicou ou não conseguiu realizar - pedia-se a presença de alguém diferente de como Matheus Nunes, que oferecesse maior capacidade de quebrar as linhas defensivas do adversário com o passe e não tanto em condução. Se ele é uma boa solução quando o jogo pede mais dimensão física, como vimos com o FCP, jogadores como Bragança e João Mário parecem oferecer mais soluções. Estando o segundo impedido regulamentarmente, o primeiro teria que ter chegado mais cedo ao jogo, ou até ver-lhe sido oferecida a titularidade.


Claro que agora parece fácil invocar Bragança por causa do passe de mel que contribuiu para o desatar de um nó que parecia insolúvel. Mas se o passe foi uma execução da mais rara filigrana, só lhe foi possível vislumbrar o brilho porque Tiago Tomás o antecipou e com  seu  movimento ofereceu-se como solução ao médio. Embora seja natural a exaltação do acto de Bragança, a dimensão colectiva do futebol ganhou aqui um exemplo para figurar em compêndios. Ora, sem querer entrar num exercício de "vejam como eu tenho razão", repare-se na postura de Jovane naquele momento (e em tantos outros neste jogo): quase imóvel, abaixo da linha dos centrais gilistas, completamente fora-de-jogo e fora do jogo. Rúben Amorim não pode ficar indiferente e tem obrigação de perceber a diferença entre a convicção e a obstinação.


De igual modo o treinador tem de rever a postura em bolas paradas, como que deu origem ao golo que, não fora os dez minutos à Sporting, quase custava três pontos. Não foi um lance casual, uma vez que,  mesmo sem sofrer golos já aconteceram em outras ocasiões. A total passividade com que os oito elementos do Sporting abordaram o lance fizeram prevalecer sobre eles a vantagem de um dos cinco jogadores forasteiros na área. 

A mesma displicência que se notava desde o inicio do jogo, como se tudo se fosse resolver por si só estava ali ilustrada: Palhinha foi espectador privilegiado, só lhe faltando uma cadeira de realizador de cinema e respectivo charuto. Dos centrais apenas Neto se preocupa com a marcação, Coates e Fedal marcaram à zona o éter, ficando o segundo ainda pior na pintura, por ter fechado os olhos e encolhido. A primeira barragem ao lance foi tornada inútil por um toque matreiro de cabeça, como estes lances pedem para melhorar a possibilidade de êxito.

Felizmente tudo se haveria de compor quando já procurava o número do gastroenterologista, com a perspectiva de não conseguir digerir este galo durante a noite e nos dias que se seguiriam. Espero contudo que o desfecho feliz não contribua para a repetição da mesma postura, porque são os resultados destes jogos que escrevem a sorte das equipas com mais ambições no campeonato e o Sporting é uma delas. Que a vitória e a chegada ao segundo lugar instale nos jogadores a sensação do imperativo que é disputar cada lance como se dele dependesse o nosso campeonato. É que depende mesmo! 


Adán
: se estivesse muito frio talvez pudesse ter congelado.

Porro: Muito activo mas depois de bem espremido não se viu grande sumo

Neto: algo está mal quando o Neto é um dos mais velhos entre os mais jovens, não é? Isto para dizer que apesar da aplicação e seriedade é muito curto.

Coates: O lance do golo é muito à Coates. Não pode estar a top oitenta e nove minutos e depois...

Fedal: O melhor central ontem, apesar do que é dito acima sobre a sua actuação no golo

Nuno Mendes: Não parece ser capaz de jogar mal mas, tal como em jogos anteriores, não foi capaz de jogar bem.

Palhinha: Um grande reforço, mas que hoje deve estar a perguntar ao realizador do jogo se é possível apagar aqueles segundos que vão da falta cometida ao golo sofrido.

Matheus Nunes: Sem ter espaço para conquistar à frente e sem muita necessidade de se empenhar no roubo de bola a sua utilização perde votos.

Pedro Gonçalves: O Pote não estava cheio mas ainda assim ainda de lá saiu um golo.

Jovane: Tudo dito acima.

Nuno Santos: Nunca será invocado para o homem do jogo mas podia ser e merecia.

Tiago Tomás: pouco tempo em campo chegou para ser decisivo.

Sporar: Fez o que se pede a um jogador da sua posição, especialmente quando o treinador não parece depositar grande confiança: golo 

Daniel Bragança: Aquele meio campo ainda há-de ser da casa de Bragança. Precisa de jogar e a equipa precisa dele. A ver se cabe onde João Mário tem desenhado o destino.

Gonçalo Inácio: Entrou.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Operação Stop em Alvalade


Infelizmente situações como a do último clássico já ocorreram vezes sem conta e com certeza vão continuar a ocorrer. À arbitragem portuguesa sucedem-se os facelits, mas as rugas continuam aparecer de forma mais ou menos descontrolada quando estão em jogo os interesses dominantes. Estes são claramente os do FCP e SLB. No final do jogo, e depois da tentativa de distanciamento e racionalização face ao que acabava de presenciar, como se tivesse feito uma viagem aos anos 90, pareceu claro que o resultado do clássico estava em grande parte decidido na semana anterior, quando o FCP perde de forma surpreendente em casa. Perder duas vezes seguidas causa muito mais mossa que uma derrota e um empate, pelo menos do ponto de vista do moral das tropas... 

Mas então, perguntarão alguns, o Sporting não é beneficiado? Sim, é claro que sim. Mas muito raramente quando em confronto com os clubes acima citados. Não estranharia por isso que, à semelhança do que já vimos anteriormente, não se encontre um cordeiro para imolar (uma equipa com menor pretensões na Liga) para tentar calar a revolta mais do que justa a que presidente e treinador principal deram voz no final do jogo. Dessa forma lança-se mais uma manobra de diversão para desviar as atenções da autêntica "Operação Stop" realizada sábado à noite em Alvalade, muito bem coordenada entre o árbitro Luís Godinho e o VAR Tiago Martins. Sim, Tiago Martins, esse mesmo que não assinalou o penalty em Moreira de Cónegos e ainda expulsou Hugo Viana. Esses possíveis dois pontos subtraídos teriam ditado o apuramento directo para a Liga Europa.

Como é óbvio o VAR não foi criado para resolver problemas subjectivos como o da intensidade, antes sim para permitir a correcção de erros que a visão humana tem dificuldade em definir, como por exemplo as linhas nos fora-de-jogo e acções disciplinares. Daí que o protocolo do VAR não preveja a intervenção para avaliação de lances semelhantes aos do penalty sobre Pedro Gonçalves. Mas depois da intervenção como é que pode justificar a decisão cai em favor do FCP? Operação muito bem montada, como deu para perceber pela barragem mediática que se seguiu nos jornais e nas TV's, das quais os comentários desavergonhados do "banido" e zero credibilidade Marco Ferreira na SportTV a propósito da imagem abaixo são um verdadeiro festival: "a imagem parada induz em erro".


Mas não foi apenas o lance do penalty a merecer a revolta. O critério disciplinar foi absurdo em favor do FCP, permitindo que chegasse ao intervalo com dois jogadores em campo que já deveriam estar no balneário: Zaidu e Octávio. Acontece que Zaidu foi autor da assistência para um dos golos... O mesmo critério disciplinar que faz do Sporting já uma das equipas mais amareladas, isto tendo ainda um jogo a menos que a generalidade dos adversários.

Não há aqui nada novo, é já tudo muito visto. Tal como em anos anteriores os erros no inicio da temporada afastam paulatinamente o Sporting dos seus adversários. No final já ninguém se lembrará deste jogo, dos erros clamorosos, mas apenas da classificação final. O Sporting é muito fácil de abater. As suas fragilidades são evidentes quando comparado o potencial dos plantéis. Mas por via das dúvidas há que definir o mais cedo possível a nossa sorte. Depois nós, os Sportinguistas fazemos o resto. Foi penoso, deprimente ver nas redes sociais, ver muitas reacções quase com pena do resultado. Isto sem falar dos comentários à reacção do Presidente Frederico Varandas, mais do que justa e oportuna. Em autofagia e sentido de autodestruição somos eternos campeões.

 Quanto ao futebol, que é o que gosto de falar, fiquei bem impressionado com a prestação da equipa, bem como registei a melhoria de qualidade nas opções que Rúben Amorim tinha à disposição no banco. Veremos que resposta daremos nos próximos jogos, uma vez que as necessidades e exigências serão bem diferentes das colocadas por equipas como a do FCP.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Unhas há. Mas haverá dentes?

Nota: todas fotos são da autoria da @Idzabela
Terminou o mercado de verão e importa agora fazer o balanço da nossa actuação, tentando perspectivar as respectivas consequências. Assim, antes de ir ao pormenor, ficam as impressões gerais:

Em regra o Sporting foi diligente: definiu os alvos e concretizou as aquisições pretendidas de forma rápida e incisiva, o que terá estado na origem do sucesso relativamente a outros competidores, sobretudo nos casos de Pote e Nuno Santos.

O critério das aquisições parece ter sido o da procura de jogadores identificados com o futebol da nossa Liga, de rendimento comprovado, não requerendo adaptações. 

No saldo final regista-se um misto de experiência e juventude que se adiciona a um plantel marcado pela juventude de alguns jogadores que parecem querer assumir algum protagonismo. Onde isso é mais notório e parece ter sido intencional foi na dupla para a baliza (Adán-Max) e na lateral esquerda (Nuno Mendes-Antunes).

O plantel foi construído ainda sem ser conhecido o desaire europeu. Se assim fosse talvez as opções tivessem sido outras, em particular para o meio-campo, onde a redundância é notória.

A dose de chocolate que os adeptos esperavam ficou pela metade. Se o regresso de João Mário foi o momento alto, a falta de um ponta-de-lança acabou por inevitavelmente defraudar as expectativas. Os nomes de Paulinho e Slimani para isso contribuíram. Qualquer um deles seria uma boa opção para Rúben Amorim. Se não ter vindo nenhum deles foi estranho, mais ainda foi a aparente fixação nestes dois nomes, quando o  mercado neste patamar é vasto. Tendo sido consciente, é um risco que pode sair caro porque não parece haver no plantel jogadores com golo suficiente para as ambições de um bom campeonato. Especialmente nos jogos em que as equipas recorrem aos blocos baixos. E vão ser várias...

Ainda assim, e em jeito de conclusão, o plantel deste ano parece estar mais equilibrado e com pelo menos duas opções para cada lugar, para o qual os jogadores terão de lutar para merecer a titularidade. Não parecendo faltar unhas, fica no entanto a dúvida: terá este novo Leão dentes suficientemente afiados para as suas presas?


Adán: Pelas indicações dadas no inicio de temporada e que o jogo de Portimão parece ter confirmado será um elemento preponderante para a obtenção de pontos quando a sua disputa for renhida e aberta até aos momentos finais.


Porro: claramente uma melhoria em relação à existência, dará comprimento à ala, como se pode, embora os primeiros sinais indiciem dificuldades na precisão do jogo aéreo defensivo.


Fedal: um dos reforços com missão mais espinhosa pois quando se olha para aquele lugar ainda se vê Mathieu. Defesa experiente, bom jogo aéreo, veremos como controla a profundidade. Ainda não tivemos oportunidade para o ver sair a jogar, a precisão do passe longo.


Antunes: Será um importante reforço de experiência para ajudar nos acabamentos do quase imperial Nuno Mendes. Não havendo impedimentos deste, jogará pouco, não sendo de estranhar que o seu pé esquerdo possa ser um recurso para fechar os centrais do lado esquerdo. Isto se Gonçalo Inácio deixar...


Pedro Gonçalves: Uma das contratações mais excitantes e promissoras. Como se viu agora em Portimão é jogador para várias posições, o que lhe é permitido pela inteligência e conhecimento do jogo. Foi curioso notar, no melhor período do Sporting, como sabia ocupar os espaços e antecipar os lances, contornando assim o deficit físico face aos matulões algarvios. A bola sai dos pés dele, redondinha e deliciada com o trato.



Nuno Santos: tem tudo para ser o patinho feio por não ser uma malabarista. Estatuto que vai contrariar com rendimento elevado, raça e foco total na afirmação que procurou ao mudar-se para Alvalade. 


Tabata: o joker deste mercado. Poucos imaginariam que o salto, que se adivinhou antes de da época de estagnação que foi o ano passado, fosse dado para Alvalade. Jogador com potência, arranque, velocidade e drible tem tudo para surpreender.

João Mário: a cereja no topo do bolo no encerramento do mercado. Qualidade técnica, conhecimento do jogo, critério a gerir os tempos de posse e passe, podendo executar a grande nível em mais do que uma posição no meio-campo. Um jogador de enorme qualidade e elegância cujo regresso, mesmo que só temporário, é uma boa noticia não apenas para o Sporting mas também para o futebol português.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Sporting 1 - Linz 4: Austríacos impõem confinamento compulsivo


Pela expressão dos números e pelo significado e repercussões da mais variada ordem a derrota de ontem ante os austríacos do Lask Linz foi particularmente dolorosa. A somar-se a esse facto o consequente afastamento tão prematuro das competições europeias com as suas consequências financeiras e para prestigio do clube. Mas retirados os números a passagem dos austríacos foi tudo menos uma surpresa. 

Neste momento o Linz é superior colectivamente, tem a sua preparação mais adiantada enquanto o Sporting além de uma pré-época com pouca competição viveu os quinze dias que antecederam a eliminatória de forma atribulada. Os sinais de que a equipa vinha deixando nos jogos particulares e oficiais anteriores de que este jogo chegava demasiado cedo para o Sporting acabou por se confirmar.

É verdade que o Linz foi afortunado na forma como alcança a goleada mas essa sorte foi construída com muito trabalho, algum dele sendo competente e eficaz a aproveitar os nossos erros e outro tanto a jogar desde o inicio com todas as armas disponíveis. Ao invés, o Sporting foi muitas vezes demasiado macio face à dinâmica imposta pelo adversário, respondendo muitas vezes com passividade, como se viu na forma como defendeu o canto que dá origem ao golo sofrido logo no incio do jogo. Para completar o quadro, reincide no erro logo no inicio da segunda parte e é atirado borda fora por outro de dupla consequência: expulsão de Coates seguida de golo.

Ora para discutir a eliminatória esta sucessão de acontecimentos era exactamente o oposto do que a equipa necessitava. O Sporting inicia sempre ambos as partes do jogo em desvantagem. Na primeira ainda logrou recuperar e chegar ao empate, na segunda tudo o que de mal podia acontecer sucedeu.

Mais do que o resultado final é toda a participação da equipa a deixar muitas interrogações a Rúben Amorim. Agora confinados às provas nacionais ficam muitas dúvidas que a macieza exibida ontem, particularmente no ultimo terço, seja a abordagem indicada para enfrentar as equipas do burgo, cujo jogo físico é muitas vezes o único argumento para se opor à nossa pretensa superioridade técnica.

Mas, retirando o alto preço a pagar pelo afastamento prematuro, este confinamento forçado significa a possibilidade de nos concentrarmos na Liga, uma vez que o momento e o plantel parecem recomendar concentração total por parecer óbvio não haver rabo para tanta cadeira.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Que conclusôes a retirar da AG?


Três factos sobressaem dos resultados da AG:

1- Um número inusitado de sócios para um evento deste género - a aprovação de contas do clube - que redundou numa não menos inusitada percentagem a rejeitar os documentos postos à apreciação. Ficou claro para todos que o resultado se saldou por uma clara moção de censura apresentada aos actuais órgãos sociais. As razões serão as mais variadas: desde os que desde a primeira hora nunca aceitaram os resultados das eleições de Setembro de 2018 e que os resultados desportivos foram fazendo soprar vento nas respectivas velas. Seguramente que esse número cresceu depois do desastre que foi a época passada, especialmente pela sensação de desgoverno que a instabilidade e decisões infelizes na construção do plantel geraram. Cabe aos órgãos sociais aceitar os resultados com a mesma humildade democrática com que aceitaram vitórias anteriores e deles retirar as devidas ilações.

2 - As agressões acabam por merecer destaque pela imagem negativa que o foco dado pela comunicação social projectou. Infelizmente ninguém que tenha estado presente em reuniões anteriores terá ficado surpreendido com o sucedido. Cada vez mais as AG's parecem capturadas pelos que gritam mais alto e proferem os piores insultos. E, como diz a lei de Gresham, "a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda". pelo que qualquer dia a reunião magna dos sócios do Sporting assemelhar-se-á a um ringue de MMA, onde tudo vale. Quando muitos sócios exigiam ser ouvidos para se pronunciar sobre o estado na nação este é o elefante no meio da sala: até onde estão os Sportinguistas disposto a ir para mudar esta lamentável situação?

Não deixa de ser digno de reflexão: com estes resultados voltaram a não haver teorias da conspiração. Não houve "excursões de velhos", "churrasquinhos" nem "códigos de barras" nos boletins de voto. E até nem foram necessários delegados para se validar o resultado final, uma das muitas ideias bizarras (estou a ser simpático...) projectadas na antecâmara da reunião. Rico em muitas teorias de conspiração e inversamente proporcional em títulos no futebol, o grande agregador de paixão em torno do clube, certamente que o Sporting seria um lugar muito mais saudável se as regras da democracia fossem um valor soberano aceite por todos e não apenas ao sabor das conveniências.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Paços de Ferreira 0 - Sporting 2: casa mobilada low-cost

(foto zerozero)
 

O que era mais importante foi alcançado: os três pontos, de forma segura e incontestável. O Sporting foi a única equipa que apresentou argumentos e jogou para ganhar. Num momento atribulado como tem sido o inicio de época, com jogadores importantes impedidos de dar o seu contributo à equipa, vitórias como esta sabem que nem ginjas porque quaisquer que sejam nossas ambições na presente Liga sabemos que a vitória é a melhor vitamina e o melhor doping. 

Neste sentido julgo que é inteiramente merecido o elogio ao compromisso que este grupo de trabalho tem demonstrado, superando as adversidades num contexto particularmente difícil, correndo de hotel em hotel, permanentemente afastados dos seus familiares. Tantas vezes acusados de mercenários, os jogadores de futebol certamente que também amam os seus entes queridos como nós, pelo que a referência é mais do que merecida.

São três pontos conquistados sem nota artística, reveladores de que, na consolidação dos processos de jogo, há ainda muito trabalho pela frente. Como não podia deixar de ser, onde isso é mais notório é no jogo ofensivo. Continuamos a revelar muita dificuldade no jogo interior, o que também se explica também numa espécie de sexto sentido em não querer assumir maior risco. Com jogadores como Pedro Gonçalves (Pote) e Nuno Santos os principais beneficiários poderão ser Tiago Tomás e sobretudo Vietto que, apesar da exibição pálida e sem grande aplicação (cansaço, problemas físicos?...) tem muito para dar neste capitulo.

Mas se há sinal de que algo está muito melhor do que o ano passado por esta altura é o contraste entre o azar de Coates de então (golos na própria baliza, penalty's) e os golos deste ano. O de ontem foi particularmente importante para acalmar a equipa quando o jogo corria para o fim e o escasso um zero resistia no placard e parecia começar a reduzir o discernimento, com a acumulação de bolas perdidas e jogadas inconsequentes.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Sporting 1 - Aberdeen 0: meter gelo em whisky sem álcool

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora.

Ficou bem claro, pela exibição ante os escoceses, que o hiato imposto na preparação da equipa produziu efeitos nefastos, como dificilmente não ocorreria nas circunstâncias de todos conhecidas. Além da amputação forçada de jogadores de quem se espera preponderância no esquema de Amorim, a equipa não evoluiu na consolidação das rotinas tão necessárias, não adquiriu o ritmo imprescindível que apenas a competição proporciona. Isto num plantel que exibe lacunas que não se sabe ainda se virão a ser preenchidas.

Vale a verdade que neste jogo em particular o Sporting soube reagir às suas próprias debilidades, às adversidades que lhe couberem em sorte, bem como contrariar o seu adversário, fazendo uso de inteligência e uma dose elevada de pragmatismo. Marcando cedo, o Sporting levou o jogo para onde lhe dava mais jeito, fazendo uso e abuso prático da velha máxima "se tens a bola não sofres golo". Isto é, o Sporting conseguiu o que queria ao chegar à vantagem e depois procurou a melhor forma de a manter. Com uma construção demorada e paciente, mas simultâneamente inócua na maior parte das ocasiões, pelo menos conservava a bola em seu poder.


Se o Sporting esperava que o adversário reagisse à desvantagem madrugadora, e dessa forma se soltasse em campo, abrindo brechas no seu conservador 5x3x2, enganou-se. Na maior parte do tempo os escoceses jogaram como quem tem medo que o kilt subisse e revelasse pormenores que ofendessem o pudor dos poucos que tiveram o privilégio de ver o jogo a partir da bancada. Quase sempre agarrados às saias da sua linha recuada, poucas vezes tiveram a coragem (ou a sabedoria...) de ir espreitar o que se passava no rectângulo onde Adan tinha vistas privilegiadas sobre o relvado. Os escoceses revelaram-se uma equipa de recursos muito limitados, sendo por isso muito pouco afoitos, arriscando quase sempre pouco mais que nada.

Dessa forma, e muito autoconsciente das suas limitações o Sporting também não arriscou nada. Jogou quase sempre a por gelo no whisky escocês de muito baixo teor alcoólico. À medida que o jogo chegava ao fim ficava evidente que tanta reverência em assumir maior risco se revelaria acertada. Começou-se a notar maior descoordenação, menos discernimento que conduziam a perdas de bola que só não foram comprometedoras porque os escoceses não sabiam mais. Executando muito devagar, quem sabe como com medo de sujar as botas em eventuais "prendas" que os agora famosos pombos possam ter deixado, o Sporting sofreu ainda mais por via das fracas prestações individuais da generalidade dos jogadores.



Ádan: pouco trabalho, mas resolvido sempre de forma eficaz, como se pede a quem desenpenha a sua função.

Porro: mostrou a vantagem de os espanhóis terem TGV: com rapidez chega-se mais depressa ao destino, se for possível com segurança e conforto, melhor ainda. Vai ter menos linha disponível em Paços de Ferreira, o que vai ser um bom desafio.

Neto: A simplicidade de processos que usa ajuda-o mas não deixa de expor uma das suas principais debilidades: não podemos contar com ele para construir. Ora essa é uma das nossas principais necessidades...

Coates: está como peixe na água no esquema de Amorim. Com dois colegas à ilharga tem mais tempo para pensar e menos espaço para cobrir e isso dá-lhe a tranquilidade e segurança que o seu jogo exibe.

Fedal: é um central à moda antiga. Não é um primor com os pés, tal como Neto, não é o central que vai lançar o nosso jogo partir de trás.

Nuno Mendes: fez ontem o seu pior jogo na sua ainda muito curta carreira, Como a generalidade dos colegas, acusou fadiga a partir do momento em que os ponteiros do relógio apontavam para o fim. Mas também algum nervosismo nos momentos derradeiros, o que não surpreende, mas contrasta com a segurança que vinha demonstrando.

Matheus Nunes: parece beneficiar da preferência de Amorim mas começa a ter que apresentar muito mais para a justificar. Nos momentos finais quase comprometia o resultado com falhas em transições, deixando a equipa exposta.

Wendel: jogo sobre o fraquinho, apesar do papel determinante no golo, no momento em que recupera a bola. Mas a equipa sofreu muito pela sua falta de esclarecimento e dificuldade de fazer o que melhor sabe: progredir em condução, superando as linhas adversárias.

Jovane: se estava a ser alvo de observação para uma eventual aquisição o relatório vai ser francamente desfavorável. Ainda assim, no momento do golo, o movimento de arrasto dos defesas centrais decisivo para baralhar marcações e sobretudo criar a dúvida sobre a exeução do artista que se segue.

Vietto: de longe o nosso jogador mais evoluído a que a ausência de Pote ainda mais destaca. Precisa de alguém que lhe ajude a dar continuidade às suas incursões que o perceba e sobretudo que ofereça mais soluções de passes de ruptura.

Tiago Tomás: last but not the least. Estreia de sonho com um golo que vale o apuramento. Quase fazia outro de cabeça. Se conseguir subir o número de participações ofensivas, estando mais presente, pode ser...


Tendo sido a única equipa que fez por merecer a passagem ao play-off, o Sporting consegue o seu objectivo deixando no ar muitas interrogações sobre a aptidão e competência para enfrentar o Lask Linz. Nessa altura o Sporting fará apenas o seu terceiro jogo oficial e, tendo o Paços de Ferreira pelo meio, não se afigura muito fácil mais aprimoramentos, não se sabendo se entretanto chegarão reforços da "ala covid19". Não se esperam facilidades para este inicio época atribulado.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Futre, o nosso Eusébio

A saída de Futre, deixando então João Rocha de mão estendida, (alegando motivos psicológicos para rescindir o contrato que o vinculava e rejeitar o novo que lhe era proposto) sela o momento em que o FCP ultrapassa definitivamente o Sporting. Da mesma forma que o desvio de Eusébio anos antes para o outro lado da estrada selou o epilogo do período de ouro do Sporting no futebol nacional. 

Relacionar o nome do Futre com uma referência do Sporting -  como é a agora Academia Cristiano Ronaldo - não é só um erro tremendo sob os mais diversos pontos de análise. Mas sobretudo não é uma homenagem, é um insulto à memória.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Coisas covidizer (Adiamento do jogo, trolhices, Rúben Amorim)


O jogo Sporting - Gil Vicente já dado como adiado pela imprensa é tudo menos um processo claro. É sabido que o Sporting tem 8 jogadores infectados e o Gil Vicente 11. Sem novos casos registados e sem nada que o fizesse prever, a intervenção do delegado de saúde de Barcelos a impedir o treino e a viagem da equipa gilista, impondo reclusão e cerco, está longe de ser uma decisão transparente.

  • Como será daqui a 1 semana, sabendo-se que pelo menos o mesmo número de jogadores ainda terão que estar em quarentena?
  • Quem encomendou o sermão ao delegado de saúde  local? 
  • Também vai impedir os demais barcelenses não positivos de viajar no fim-de-semana? 
  • O Sporting com 8 jogadores infectados não pode jogar esta semana e vai poder fazê-lo na próxima?

Este caso tem tudo para fazer escola para o resto da época, cabendo a todos os intervenientes estabelecer regras claras que, em face das circunstâncias, umas vezes beneficiarão uns e prejudicarão outros, mas pelo menos haverá transparência e equidade. Tem obviamente que haver um protocolo por todos reconhecido e respeitado, decididas por agentes devidamente qualificados e de reconhecida autoridade de aplicação coerente e inequívoca. De outra formau então estaremos a abrir portas a mais um factor de suspeição, e no limite, de fácil manipulação em função de ambições e interesses.

A entrevista dada a um órgão interno o presidente do Braga conseguiu matar dois coelhos com apenas uma cajadada. Justificou-se internamente relativamente ao negócio Rúben Amorim. Contrariamente ao que habilmente deixou escorrer para os média, o Braga negociou com o Sporting a venda de Rúben Amorim, não tendo exigido o pagamento da cláusula, como podia e certamente devia ter feito. 

O negócio não deixa de ser bom, mais ainda porque terminou com a obtenção do seu campeonato, o 3º lugar. E deixa no Sporting mais motivos de instabilidade, expondo Frederico Varandas ("acordo só foi possível porque Frederico Varandas me fez uma chamada a justificar que não tinha condições de pagar e que queria fazer um acordo") e o ordenado de Rúben Amorim. de forma tão reveladora dos seus princípios que promove qualquer pedreiro (vulgo trolha) a mestre de ética.

A revelação de Salvador volta a recentrar a discussão no preço de Rúben Amorim. Há quem diga que foi um all-in, eu entendi a aquisição como uma cartada de sobrevivência. Com Silas a saltar fora do barco na véspera de um jogo da Liga Europa (o resultado do jogo não podia ser outro..) uma má escolha significaria a queda para lugares bem mais abaixo que o 4º lugar final. 

O custo de um treinador vê-se pelos resultados. Pelos resultados desportivos, claro, mas pelos valores que o seu trabalho gera. Por exemplo, Jardim deu-nos uma improvável qualificação para Liga dos Campeões por via de um não menos improvável 2º lugar. JJ não foi campeão, mas fizemos as melhores transferências de sempre quando ser campeão numa Liga Vermelha controlada e presidente e treinadores infectados pela soberba deitaram por terra o fim do jejum.

O erro maior na contratação do RA não é tanto o dinheiro que se pagou ou vai pagar. O erro maior é se a obra fica novamente incompleta. A ser verdade, pelo que diz um jornal, que o Sporting vai à luta com o actual plantel, não voltando a recorrer ao mercado, o mais provável é acabarmos a lutar atrás com Famalicão, Rio Ave e outro que este ano apareça (Boavista?). Porque FCP e SLB são de outra galáxia e o Braga está alguns metros à nossa frente nos blocos de partida.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A última cunha por Acuña

Foto by @Idzabela 

A partida de Acuña estava há muito escrita nas estrelas e terá provavelmente ficada carimbada no final do jogo com o Moreirense, quando se desentendeu com Jovane. Algo que não era inédito nesta sua passagem pelo Sporting, sendo essa a grande marca: o seu temperamento, marcada pela garra e empenho que punha na disputa de cada lance e o descontrolo emocional que tantas vezes o prejudicou a ele e, por consequência, a equipa.

Um jogador assim nunca poderia deixar os adeptos indiferentes, ainda mais no Sporting, existindi uma clara falange de apoiantes e outros a quem a sua partida será indiferente ou até saudada. Sendo claramente um dos jogadores mais importantes do plantel, a sua ausência poderá paradoxalmente ser a que menos se fará sentir se uma das grandes esperanças do actual plantel, Nuno Mendes, confirmar o que se espera dele.

A fractura nas opiniões estender-se-á por isso também ao valor da transacção. Numa primeira análise, o valor em causa já comunicado pelo Sporting (o Sevilha paga €10,5 milhões, a que poderá acrescer €2 milhões se cumpridos os objectivos contratados) parece curto para um internacional argentino. Porém, a idade do jogador (o mercado valoriza cada vez mais os jogadores mais jovens, com excepção de nomes consagrados que Acuña está longe de ser), o panorama geral de compras e vendas, influenciado pela conjuntura vigente e a mais do que pública necessidade de vender por parte do Sporting acabaram por ditar o preço. 

No sentido da obtenção de um valor mais elevado na transacção, a partida de Acuña acaba por ser tardia. As duas últimas épocas foram o que se sabe e a vontade de partir do jogador para desafios mais aliciantes era cada vez mais evidente. A Liga espanhola e o Sevilha oferecem-lhe tudo isso, sendo provável que as suas características acabem por merecer o destaque que procura. 

Boa viagem e obrigado por tudo. Não foi assim tão pouco, se tivermos em conta as décadas de míngua de títulos que vivemos.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

A vitória sobre o Belenenses em jeito de breve balanço do estágio algarvio

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. 

 
O jogo de encerramento do estágio algarvio foi provavelmente o ideal para o momento actual. O Belenenses é ainda um projecto incipiente, depauperado dos seus melhores jogadores do campeonato transacto. O 3-1 final é escasso para espelhar com rigor o que deveria ser a diferença actual entre os contendores.  A isso se deve também o facto do Sporting, apesar da exibição agradável, não ter sido tão impiedoso e letal como gostaríamos que fosse e que se espera poder vir a ser. 

Mas é bom ter em atenção que foi apenas mais um jogo de preparação, em que a vitória, sempre importante e necessária, ombreia com a urgência de dotar a equipa das rotinas necessárias para encarar a temporada que se avizinha. Há ainda muitas decisões para tomar e o onze base está ainda no preâmbulo do seu esboço.

Como é óbvio, os problemas sentidos no jogo anterior não iriam desaparecer como por milagre. O facto de o jogo se ter iniciado com um onze constituído por jogadores que se conhecem melhor entre si bem como as ideias do treinador também ajudaram a criar a ideia de evolução positiva. Isso poderá ser confirmado ou não nos próximos jogos, provavelmente já com o Valladolid.

Do ponto de vista individual, saliência para as boas presenças de:


Adán
: Trouxe a segurança que se exige a um guarda-redes com o seu estatuto em todas as intervenções, deixando ainda a impressão de bom jogo com os pés.

Gonçalo Inácio: Concentração, colocação, movimentação muito a propósito, a que associou uma surpreendente capacidade de construção e lançamento do jogo. Excelente surpresa certamente para a generalidade dos observadores que não lhe conhecem o trajecto.


Borja
: Muitos furos acima do que geralmente mostrou, o que obriga a ter em conta que alguns dos jogadores tão trucidados no ano transacto podem afinal precisar "apenas" de melhor conjuntura para poderem mostrar o que valem.

Nuno Mendes: Há muitos veteranos que não conseguem jogar alardeando a segurança e confiança que exibe. E mais uma vez podia ter chegado ao golo. Ninguém diz que tem 18 anos assim como ninguém negará que parece ter pela frente um enorme futuro.

Daniel Bragança: A titularidade revelou-se quase uma obrigação depois do jogo anterior. Neste momento é a isso que pode aspirar, uma vez que o lugar no plantel estará mais do que assegurado. A menos que haja grandes surpresas por via de mais aquisições, não se vislumbra como possa vir a ser dispensado. Ainda assim o jogo não lhe correu totalmente de feição.


Matheus Nunes: Parecendo mais relaxado e por isso mais solto de movimentos, percebendo melhor o papel que tem desempenhar. Continua a revelar contudo alguma insuficiência no capitulo do passe que, se resolvesse, permitir-lhe-ia subir de rendimento e com isso beneficiar o colectivo. 

Pedro Gonçalves: promovido a Pote com a chegada a Alvalade e não faltarão agora as correspondências e analogias. Se é de ouro ou não, se vai ser o nosso Harry Pote é o que mais adiante se verá. Para já é indiscutivelmente a melhor surpresa e, a par de Adán, a mais segura.

Tiago Tomás: Até agora tão discreto como eficaz. Que melhor elogio se poderia dar a um miúdo que aparentemente relegou outros nomes mais sonantes na lista de preferências?

Do ponto de vista colectivo fica o registo dos Golos sofridos: Em todos os jogos realizados até agora nunca logramos manter a baliza inviolável. Teria menos importância se não fosse o espectro negativo deixado o ano passado neste capitulo. O golo de ontem foi um daqueles quase tão caricato como escusado, o que se pode considerar uma sina. Mas o que sucede de forma sistemática no futebol está longe de ser um acaso, antes sim uma consequência.

Talvez não por acaso, foram os nomes acima em destaque no último jogo são alguns dos protagonistas do estágio algarvio.


Neto, Coates e Fedal é uma tripla onde parece sobrar experiência mas faltar alguma qualidade, especialmente para o momento da saída de jogo em construção. Caso a opção seja esta a preponderância dos médios neste momento do jogo terá de ser ainda maior. Também não parece muito facilitada a opção de jogar com as linhas subidas com defesas onde a velocidade escasseia. Relativamente às opções, na direita Quaresma perdeu algum fulgor nas aparições mais recentes, não sendo de estranhar o recurso ao mercado. Conseguirá Gonçalo Inácio sentar algum dos consagrados?


Os laterais terão a seu cargo a tarefa de dar largura e profundidade pelas alas, o que requer enorme disponibilidade física. Os principais candidatos são Porro e Nuno Mendes. Se o espanhol deixou mais interrogações que certezas, Nuno Mendes continuou a impressionar, sendo um dos nomes incontornáveis do momento. Antunes certamente terá que esperar. A melhor nota de Ristowski foi para a sua participação nas redes sociais, porque em campo foi confrangedor.



No que à linha média diz respeito, muita da sua operabilidade assentará na escolha dos médios centrais. Quem parece ter perdido o comboio é Doumbia. Ninguém ficaria muito surpreso com a manutenção, pelo menos num momento inicial, da dupla Mateus - Wendel. Rúben Amorim não vai dispensar a presença de pelo menos um elemento que tem na robustez física um dos seus argumentos e aí Mateus parece levar alguma vantagem. Como todas as opções, esta será amplamente discutível. No entanto, para as especificidades da nossa Liga esta não é uma questão de somenos. Basta olhar para o modelo mais premiado nos últimos anos, o de Conceição, para perceber que a agressividade, velocidade de execução e reacção e a dimensão física não devem ser descuradas como recurso, especialmente quando os outros argumentos falham.


No modelo de Amorim extremos são chamados a jogar por dentro, deixando os corredores para os laterais. Plata precisa de subir muitos degraus para chegar a um patamar em que reivindique a titularidade. É um jovem, provavelmente a carecer de maior adaptação ao país e aos costumes, cedo portanto para se desistir dele. Mas a bola está do lado dele e já vai sendo tempo de ir dando algum sinal de que sabe o que fazer com ela. Pote e Nuno Santos vieram enriquecer a oferta quer de primeira como de segunda linha e são candidatos principais à titularidade.  


Jovane
: interessante o recurso à mobilidade do jogador, resolvendo alguns problemas na ligação com o sector mais adiantado. Não seria um papel que lhe atribuiria (Pote?) mas que geralmente desempenhou bem, tendo inclusive feito uma assistência de bandeja, ao conseguir ludibriar, com movimentação a propósito, a defesa azul.  

Vieto atrasou-se, embora o facto de poder jogar como coadjuvante da principal referência do ataque (até agora só Sporar) ou, tal como se viu agora com Jovane, ser opção jogando sem avançado fixo na frente aumenta as suas possibilidades de se assumir como titular. Mas, nesta altura da temporada são os que jogam que partem à frente. E se o final de época de Jovane já lhe tinha garantido um bilhete para os melhores lugares, as assertividade de Tiago Tomás puseram o seu nome na lista de Rúben Amorim.


Sozinho na frente está Sporar. Tem uma relação interessante com o golo, como se confirmou mais uma vez no último jogo, mas parece curto em número e não oferece uma referência segura para o jogo aéreo, uma opção sempre a ter em linha de conta, especialmente quando o trânsito pelo chão estiver muito congestionado. Luiz Phellype, viu os jogos da  bancada, embora o facto de estar a sair da grave lesão que o afectou pode ter estado na base do afastamento e este ser temporário. É provável que os rumores de que chegará alguém para a posição se venham a confirmar.

sábado, 29 de agosto de 2020

Portimonense 1 - Sporting 2: a começar como acabou

Nota: todas fotos são da autoria da @Idzabela
 

O jogo em Portimão foi o primeiro dos três até agora realizados pelo Sporting que tive oportunidade de observar. Não tendo presenciado os anteriores, podendo por isso incorrer em erro, o sentimento mais relevante que sobressaiu no jogo de ontem foi a de estar na presença de um dos últimos jogos da época passada. Esta sensação de deja vu resistiu apesar de as alterações produzidas no onze inicial roçarem os 50% de jogadores: estiveram no onze inicial de Porro, Fedal, Antunes, Rodrigo Fernandes e Nuno Santos. 

Não tendo entrado mal na partida, o Sporting foi perdendo fulgor à medida que as dificuldades cresciam, como que parecendo descrer das suas próprias capacidades. A explicação, tantas vezes procurada em questões exclusivamente individuais, no fado, na tristeza ou nas estrelas, deve ser encontrada na forma como os jogadores puseram em prática as instruções recebidas e na sua adequação ao plano de jogo. 

Até serem operadas as substituições - em grande parte do jogo, portanto - o Sporting foi-se tornando numa equipa inofensiva, incapaz de chegar com eficácia ao último terço do terreno, não conseguido por isso ferir ou sequer lançar o sobressalto no reduto defensivo do Portimonense. Incapaz de gerir a posse da bola, caindo quase sempre no mesmo erro de a despachar sem grande acerto ou possibilidade de êxito. Isto muito por causa da distância entre si nas suas peças mais adiantadas, onde Sporar tanto foi vitima, porque pouco  solicitado, como réu, por pouco se ter mostrado ao portador ou oferecido como ligação. 

Até esse momento, foi mais uma vez decepcionante a participação de Plata, respondendo mais uma vez de forma expressiva à pergunta tantas vezes feita no passado: "porque não joga Plata?". A manter este nível dificilmente oferecerá argumentos à sua utilização. Das muitas explicações de que parece necessitar, talvez fosse útil fazer-lhe entender a importância do carácter colectivo do jogo. Este não pode ser entendido como um momento de exibição do talento inato que indiscutivelmente possui, mas de um trabalho de participação, associação e interacção com os colegas de equipa.

Porro pareceu padecer do mal do momento - o cansaço acumulado - que contribui normalmente para decisões pouco esclarecidas, quer na execução, quer na movimentação. Isto é tão válido para a apreciação das suas acções ofensivas como para as tarefas defensivas, onde a dificuldade de recuperação foi mais um entre vários problemas exibidos. A rever.

Fedal terá pouca utilização no lugar, arriscando-se a passar vários jogos na bancada por impedimento disciplinar, se continuar a usar a dureza como argumento. Ao Sporting não é permitido os Filipes e os Rúbén em nenhum dos Dias, como aliás ainda se viu ontem naquele penalty que só pode ter sido cometido por um qualquer fantasma de serviço em Portimão.

Antunes não foi muito solicitado nas suas movimentações pelos colegas, mas provou a sua utilidade, parecendo, numa primeira observação, ter as suas qualidades intactas. Disputará certamente a titularidade a Mendes, obrigando-o a crescer mas seguramente que a sua experiência poderá significar um importante ponto de referência desde os treinos até aos jogos, independentemente de em quem recair a escolha de Rúben Amorim para titular.

O regresso de Rodrigo Fernandes não foi especialmente feliz, nem se saldou pelo desastre. Além do natural cansaço que afecta todos, a sua parca utilização no ano passado e o facto de ter jogado no momento menos feliz da equipa não o ajudaram, pelo que será necessário nova observação para perceber melhor o que tem para oferecer.


Sem ser particularmente brilhante Nuno Santos, esse sim, mostrou já ao que vem e o que pode dar. Vem para jogar e significar participação e envolvimento colectivo permanente, prometendo um acréscimo de rendimento. Espera-se portanto que possa ser ainda mais útil, assim alcance com compreensão o que lhe pede o modelo de Amorim, juntamente com melhor conhecimento das acções e respectivo padrão nas acções dos colegas.

Voltando ao titulo, não seria também de rejeitar a possibilidade de o próximo jogo começar como este acabou: com um Sporting mais esclarecido, mais seguro e mais capaz de criar perigo para a baliza adversária. As entradas de vários jogadores, mas especialmente Bragança, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves, Tiago Tomás revolucionaram a cabeça do Leão. 


Finalmente vimos um médio centro - Bragança - saber fugir à pressão e aparecer com a bola dominada em linhas mais adiantadas. Um verdadeiro lateral - Nuno Mendes - não só estar atento ao que se podia passar nas suas costas como a oferecer largura e profundidade, ao ponto de poder inclusive ter saído goleador. Um médio saber gerir a posse, movimentar-se quer dentro quer à largura quer em profundidade - podia ter feito golo - e ter critério, tendo por isso mesmo assistido para golo. O felizardo foi Tiago Tomás. Um avançado discreto mas que parece ter qualidades que Rúben Amorim aprecia. Compreensão do modelo, rapidez quer na execução quer na movimentação. Não é por isso um avançado tradicional, fixo, sabendo ser simultaneamente um apoio à posse, como furtar-se às marcações. Qualidades destas acabam por representar importantes mais valias para equipas, como o Sporting, que frequentemente têm que lutar com excessivo congestionamento nos últimos trinta metros do seu ataque.


O jogo acaba por ter um pouco daquilo que são os jogos das pré-épocas. Muitas incógnitas que urgem esclarecimento, apreensão pela aparente permanência de velhos constrangimentos ou mesmo problemas por resolver. Mas também motivos de esperança que os golos e as vitórias representa. Não se constroem boas equipas com maus resultados mesmo com jogos a feijões. Ou a sardinhas, tendo atenção que Portimão foi a sede escolhida para esta apresentação.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Adán ou Max, o duelo


"Guarda redes é um tipo que podia muito bem ser mártir, bombo da festa, penitente ou palhaço das bofetadas. Onde pisa a relva nunca mais cresce” “Carrega nas costas o número 1. Primeiro a receber, primeiro a pagar.  O goleiro sempre tem a culpa. E, se não tem, paga do mesmo jeito

Eduardo Galeano, escritor uruguaio e apaixonado pelo futebol 

“Amigos, eis a verdade eterna do futebol: o único responsável é o goleiro, ao passo que os outros, todos os outros, são uns irresponsáveis natos e hereditários. Um atacante, um médio e mesmo um zagueiro podem falhar. Podem falhar e falham vinte, trinta vezes, num único jogo. Só o arqueiro tem que ser infalível. Um lapso do arqueiro pode significar um frango, um gol, e, numa palavra, a derrota”.

Nelson Rodrigues, jornalista brasileiro 

Aproveitando o excelente trabalho da @Isabela no estágio do Sporting no Algarve vamos debruçar hoje sobre um dos temas que suscitou mais controvérsia neste defeso: a contratação de Adán.

A baliza do Sporting teria que inevitavelmente estar sob escrutínio nos tempos mais próximos. O protocolo de sucessão do reinado de Rui Patrício está ainda por encerrar, pese o passo em frente dado por Max, a reivindicar a nomeação. Outra coisa dificilmente se poderia esperar, com pouco mais de meia volta realizados como titular (23 jogos), num lugar tão difícil como é o que escolheu para exercer a profissão de futebolista.

Desse período deve ser assinalado que o jovem pretendente à baliza leonina preencheu mais entradas para o curriculum do que para o cadastro. Apesar de um par de golos concedidos da sua exclusiva responsabilidade, no cômputo geral, Max deixou registos de boa impressão. Foi notória sua aptidão para o lugar, seja nos requisitos físicos, nomeadamente a altura, nos reflexos, destreza, agilidade, e segurança entre os postes. Decidido a sair deles quando a bola rola no solo em posse dos avançados, precisa do que qualquer guarda-redes da sua idade reclama: mais minutos de jogo para consolidar as saídas a cruzamentos. 

Se alguma característica existe que Max possa reclamar como herança do seu antecessor e modelo é seguramente a confiança. Se é verdade que o futebol, como a generalidade das actividades, é terreno muito difícil de afirmação para jovens pretendentes, o Sporting congrega todas as dificuldades que se possam imaginar e outras que escapam até às observações mais atentas. O campo minado que o clube tem sido para todos quantos assumem responsabilidades - seja elas quais forem  - ganha contornos especiais naqueles 7,32 m de comprimento por 2,40 m de altura delimitados pelos postes e trave. Num dos anos mais difíceis de que há memória Max, ao invés de se afundar no atoleiro, concitou sobre si atenção particular, ganhando o direito a novas voltas no carrossel de Alvalade. É essa a sua casa de partida para a temporada que agora se inicia.


A presença de Renan, apesar das suas actuações decisivas na duas últimas conquistas (Taça da Liga e Taça de Portugal), deixava no ar suspeitas de não ser suficientemente justificativa para obstaculizar a  afirmação de Maximiliano. Colocada na balança a qualidade da actuação de ambos, essa impressão seria confirmada. Era hora de Renan ceder a passagem ao aspirante, decisão que se justificou plenamente quer sob o ponto de vista desportivo quer até mesmo económico-financeiro. Mas a chegada de Adan baralha e dá de novo. Vai ser um novo jogo, o grau de dificuldade é agora mais elevado para Max.

António Adán Garrido, nome de guerra Adán. Cresceu em berço de ouro (Real Madrid), o que certamente lhe terá ajudado a abrir as portas das selecções base do país vizinho, onde acumulou internacionalizações em todos os escalões, desde os sub-16 até aos sub-21. Aí bateu num muro de uma geração notável de guardiães, com Casillas à cabeça, não logrando chegar ao escalão principal. Não seria mais feliz na primeira equipa do clube onde nasceu, tendo efectuado 18 jogos, embora apenas 3 na La Liga. A sua estreia, tal como Silvino, então treinador de guarda-redes da equipa de Mourinho, recentemente explicou, foi marcada por uma actuação entre desastre e o azar (penalty e expulsão), acabando por não mais merecer a confiança do treinador. Esse facto acabaria por ser determinante na carreira de Adán, pois Manuel Pellegrini, então no Bétis, confiou-lhe a titularidade, momento a partir do qual finalmente se fez luz sobre as qualidades do guarda-redes espanhol, confirmando com exibições seguras aquilo que tanto prometia desde a formação.


Apesar de várias vezes apontado a clubes da Premier League Adán arrisca o regresso a Madrid, desta feita para o seu antigo vizinho e rival Atlético, pensando disputar a titularidade a Jan Oblak. Talvez a confiança renovada nas suas qualidades o tenha traído, uma vez que o esloveno tem merecido figurar no clube exclusivo do top 3 mundial na sua posição. Tal como anteriormente Casillas, Adán só cede a titularidade a um monstro da baliza, facto que em nada belisca a sua qualidade. Mas, com 33 anos, duas épocas na penumbra é tempo demasiado e é busca de nova luz para a sua carreira que Adán chega a Alvalade. Ao ir na senda de um guarda-redes que dê pontos já e não num futuro qualquer, esta aquisição parece ser uma afirmação de ambição para o campeonato que se avizinha,  Será esse mesmo - o futuro - a validar a qualidade da decisão agora tomada. Mas não é de menos lembrar que ter ou não um grande guarda-redes é apenas uma das muitas incógnitas de uma equação cheia de complexidade, no que diz respeito à formação de equipas vencedoras. Mas, e voltando a Nélson Rodrigues, "quando o goleiro falha, não há vitória possível". Como se este fosse o lugar do morto.

Tudo indica que Adán venha a ser titular, remetendo Max para o banco na maior parte dos jogos, em particular da Liga NOS. Para o jovem guarda-redes é um enorme desafio e, qualquer que seja a decisão sobre a sua condição - titular ou suplente - um tempo de aprendizagem, crescimento e evolução. Significa também um enorme risco pessoal, se a tal corresponder um ano ou sobretudo mais de penumbra, como pode muito bem acontecer. Não deixa também de ser um momento desafiante para Adán, uma vez que Max não o deixará dormir à sombra do estatuto que detém. Risco que também o clube corre, ao interromper a afirmação de um activo de valor muito promissor, na senda de actos de gestão de carreiras que atiraram para a berma jogadores de enorme talento como Francisco Geraldes, um dos últimos exemplos a deixar a sensação de mau aproveitamento da formação de Alcochete.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O que procura Ruben Amorim?

Já começou a época 2020/21, tendo o Sporting escolhido uma unidade hoteleira em Lagos para consolidar processos e integrar os novos elementos. Sejam eles recém-chegados ao clube - Adan, André Paulo, Porro, Fedal, Antunes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos - sejam eles oriundos dos escalões de formação  - Daniel Bragança, Mees de Wit e Geny Catamo - e que vivem agora o seu primeiro contacto com o plantel principal e especialmente com as ideias e os métodos de Rúben Amorim. Tivemos a sorte de poder contar com a presença da @Isabela hoje no treino aproveitando assim também nós para poder dar o pontapé de saída a 2020/21.

Não pode deixar de causar surpresa a ausência de Acuña, pelo que representa o seu estatuto de titular indiscutível no clube (135 jogos desde que chegou em 2017) que acumula com internacionalizações na sua selecção. Menos surpreendente, mas ainda assim a causar alguma estranheza, o afastamento de Palhinha e Battaglia, cujo valor permite olhar para eles como jogadores capazes de assumir a titularidade. Mais ou menos esperadas as omissões de Rosier, Illori, Eduardo, Matheus Oliveira e Pedro Mendes. Camacho espanta pelo valor investido, mas nem tanto assim tendo em conta os sinais deixados numa época a todos os titulos decepcionante. Menos espantosa será a possibilidade de a estes nomes se juntarem em breve Renan, Doumbia, Miguel Luís, Ristowski  ou outro sobre o qual mercado venha a revelar um apetite irrecusável.

Deve ser realçada uma mudança de atitude perante o mercado relativamente ao ano passado. Rúben Amorim terá desde o inicio da preparação da época praticamente a totalidade do plantel, ficando à espera das movimentações do mercado apenas para o remate final. Ao contrário do ano passado, cujas hesitações entre a saída e permanência de Bruno Fernandes acabaram por ditar a formação do grupo de trabalho, reduzindo as escolhas e, consequentemente, as possibilidades de êxito. A chegada atempada de Adan, Porro, Fedal, Antunes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos significa que em Alvalade se aprendeu com os erros. Mas, não menos importante do que isso, parece ter havido uma definição atempada do perfil pretendido para as aquisições que se espera venham também a ser reforços, com entrada para a titularidade de um onze que o ano passado revelou muitas carências para uma equipa representativa de um dos grandes de Portugal. 

Convenhamos que este ano, face ao sucedido na época passada e até mesmo tendo em conta o momento particularmente negativo que se vai construindo à volta da equipa, a partida para a época far-se-à sob o signo de baixas expectativas. Longe parece (mas não vai...) o tempo em que de disputava ferozmente o campeonato das transferências, bem como o da pré-epoca, que muitas vezes representaram os únicos títulos ganhos nas respectivas épocas. Talvez isso seja mais conveniente que as ambições desmedidas que a realidade tantas vezes não suportou. Os adeptos tendem a exigir discursos ambiciosos que, nas quase duas últimas décadas, depressa desabaram em profundas decepções, por via dessa ausência de escoramento.

Outro factor que poderá concorrer para melhor desempenho, e que sucede de forma também diferente da época transacta, é o que parece resultar de um envolvimento directo do treinador Rúben Amorim na definição dos alvos no mercado deste defeso. O ano passado Bolasie, Jesé e Fernando iam-se cruzar na porta de entrada com Keizer já de malas feitas. Tomando esta afirmação como certa, além do realce para a diligência e compromisso com que o Sporting atacou o mercado, o que é que parece saltar à vista das pretensões de Rúben Amorim

Claramente o reforço da dimensão física (Fedal (190cm) e Adan 192 cm), da experiência (Fedal, Adan, Antunes) de um grupo excessivamente jovem com que se terminou 2019/20, e que pode ter concorrido para a perca do pódio com a meta à vista. E a fiabilidade de rendimento que Pedro Gonçalves e Nuno Santos representam. O primeiro foi uma das revelações do campeonato, na sua época de estreia, após duas épocas Premier League 2 (sub-23). A adaptação e conhecimento da Liga NOS são outras características que parecem ter agradado na escolha de Nuno Santos (93 jogos), outra das afirmações de 2019/20, pelo elevado rendimento no Rio Ave, uma das equipas que deram nas vistas, a par do Famalicão de Pedro Gonçalves

Se o Sporting conseguir reproduzir no seu seio a estabilidade de que estes atletas beneficiaram para ocupar o centro das atenções certamente que os aproximará das condições de sucesso que tanto desejam e que parecem buscar nesta nova aposta das suas carreiras.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Morder o isco

Só quem não conhece o estádio do Moreirense é que pode estar a achar estranho que uma possível altercação entre jogadores (como a que vem hoje nos jornais alegadamente entre Acuña e Jovane) poderia ficar no âmbito exclusivo do balneário.

Antes do mais é preciso ter em conta que este tipo de acontecimentos são muito comuns no fim de jogos, especialmente quando o resultado é adverso e com todas as incidências que a partida teve. O sentimento de frustração e revolta é grande e o discernimento não abunda. Acresce que jogadores como o Acuña têm um estatuto equiparado a capitão sentem o dever de o exercer junto dos mais novos.

Noticias como estas podem dar muito jeito a algumas narrativas para cair sobre os responsáveis ou para destilar ódios de estimação - que tanto pode ser Jovane como Acuña, que os têm - mas é evidente  que se insere na movimentação em curso desde que o Sporting recuperou o terceiro lugar e que a arbitragem do jogo foi mais um episódio lamentável. Mais lamentável porém é que sejam os sportinguistas a ir apressadamente morder o isco.

Infelizmente os nossos adversários conhecem bem os nossos pontos fracos. Vai ser assim até ao final do campeonato e era bom por isso que a corda não partisse do nosso lado, como também de forma frequentemente infeliz vem sendo habitual.

PS: obviamente que os jornalistas, tendo acesso a este tipo de acontecimentos, têm de publicar, mesmo considerando que não passam de fait-divers.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Sporting sempre entre a espada e a parede

O que aconteceu ontem em Moreira de Cónegos foi mais um episódio de uma série tantas vezes vista. É verdade que o Sporting jogou muito pouco, o que, diga-se em abono da verdade não foi surpresa face às circunstâncias: plantel curto em qualidade, com a agravante da onda de lesões afectando jogadores importantes e outros que o sendo estão de regresso após lesão (Battaglia, Acuña e Jovane).  Para um jogo com uma equipa bem orientada e competente, face às suas pretensões, era de prever um jogo difícil, como o foi.

Mas de difícil de jogar tornou-se impossível de ganhar e isso deve ser "agradecido" ao VAR Jorge Sousa que não viu o penalty sobre Jovane, logo a abrir o encontro. Depois a Tiago Martins, que não viu nenhum dos lances em que se poderia construir outra história do jogo: o já aludido penalty, o outro sobre Coates a finalizar e expulsão poupada a Conté.

O mais caricato deste jogo é constatar que estão todos de acordo quanto à fraca qualidade da nossa prestação mas já não o fazem relativamente à influência que a arbitragem teve para esse desfecho. De que jogos estaríamos a falar agora sem a influência de Tiago Martins e demais acólitos? Comportar-se-iam da mesma forma com os nossos rivais?  E quando tudo isto é ignorado entre nós adeptos na apreciação ao jogo e respectivo resultado, sabe-se lá porque razões, não estamos a estender um tapete para que tal volte a ocorrer?

O Sporting está sempre entre a espada dos seus erros e vicissitudes e a alta parede que se constrói cada vez que parece que se quer reerguer. Seja no inicio de cada campeonato, seja no final e até quando há muito pouco já em jogo. São muitos anos a ver suceder sempre o mesmo para pensar que é um mero incidente do jogo. Mas resulta sempre por duas razões: os nossos rivais são geralmente mais competentes dentro do campo e nos bastidores, distanciando-se na tabela classificativa e deixando-nos mergulhados em discussões estéreis, que nos diminuem as forças e destroem valor.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Mais um milagre de Amorim

Nesta série de vitórias sequenciais talvez como nenhuma outra tenha sido tão importante para o futuro do Sporting como a de ontem.

  • Parece cada vez mais próxima a confirmação de que Sporting acertou finalmente no treinador. Isto é mais fácil de dizer numa sequência de vitórias, falta ainda perceber como reagirá o treinador à adversidade das derrotas. Mas, para já, está a reagir muito bem à adversidade das lesões. Para o dano ser "perfeito" só falta lesionar-se Sporar e Coates, mas ainda assim Rúben Amorim (RA) tem conseguido passar por este caminho tortuoso sem fazer concessões a um discurso lamechas e condescendente e isso parece reflectir-se na atitude colectiva e individual. Obviamente que a indispensável sorte tem ajudado. Mas quando tens sorte muitas vezes talvez não seja apenas sorte, tal como quando tens azar consecutivamente.
  • Um dos grandes méritos de RA tem sido a coerência e convicção no seu processo e consequente sistema. Os jogadores tendem a sentir-se contagiados e por isso mais seguros. Foi visível mais uma vez ontem que, mesmo em momentos de resultado incerto, a confiança como a equipa se comporta é muito diferente do que assistimos no pesadelo que foi o inicio de época e até em muitos jogos da época passada. Obviamente que isto advém do trabalho de RA não apenas no sobre o aspecto psicológico mas sobretudo pelo conforto e segurança que advém da interpretação do seu sistema.
  • O discurso de RA é quase redentor, pela segurança, humor e transparência na forma como aborda os mais diversos assuntos.
  • Ficaram também mais evidentes a fragilidade do nosso plantel, bem como as desvantagens do excesso de juventude, que se manifesta sobretudo na irregularidade das prestações. Ora a irregularidade é precisamente um dos obstáculos às candidaturas ao título. Para que a assumpção da aposta na juventude que parece em curso seja frutuosa não pode ser baseada em discursos e acções equívocas ou em objectivos irrealistas, sob pena de mais uma vez darmos com os "burrinhos na água".
  • Sem querer nomear nenhum dos atletas, por estarmos a falar de jovens que ainda têm possibilidade de crescer e limar arestas, ficam dúvidas que alguns jogadores que ontem tiveram direito a titularidade e outros que tiveram direito a minutos em campo pudessem fazê-lo em equipas que habitualmente disputam lugares bem abaixo de nós na tabela. É de assinalar porém que RA não faz apostas aleatórias, antes tem reincidido nas  oportunidades mesmo nos jogadores com prestações menos felizes.
  • Pese embora as vulnerabilidades acima abordadas, é de assinalar a base confiável que RA já dispõem no talento de Max, Quaresma, Nuno Mendes, Matheus Nunes e mesmo Wendell, meia equipa portanto. Acrescentando-lhes Acuña, Geraldes, Jovane e Vietto, bem como Sporar, o capitão Coates, a dar-se muito bem com o actual sistema, torna-se claro que o acerto nas aquisições no defeso decidirão a nossa sorte na próxima Liga.
  • Assinale-se a estreia de mais dois jovens promissores, Joelson e Tiago Tomás. O desplante de Joelson em assumir a marcação do livre é quase enternecedor.
  • São 114 anos de história celebrados com a obtenção da vitória numero 1.500. Viva o Sporting!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Obrigado Sporting!

São muitas alegrias e outras tantas tristezas a marcar a minha relação com o meu clube do coração. Senti-me Olimpo, desci aos infernos, ri, chorei, cantei gritei. Fiz amigos, conheci gente extraordinária que gostaria de conseguir imitar no amor, generosidade, apego e entrega total à causa Sporting.

No meu coração o Sporting terá sempre um lugar especial e no meu peito o orgulho de pertencer, de ser Sporting nunca se apagará. Mais do que um sermos o clube especial que somos, é este sentimento que me faz sentir especial que te agradecerei sempre: Obrigado Sporting!

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