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sexta-feira, 29 de julho de 2016

A aquisição de Meli pode nem ser a melhor das noticias

A generalidade dos órgãos de comunicação social dão já como certa a aquisição de Marcelo Meli, centro-campista do Boca Júniores. O próprio já se despediu do clube e estará a viajar para Lisboa. Meli é um desejo antigo de Jorge Jesus, quando ainda trabalhava do outro lado da segunda circular. 

Como melhores qualidades deste jogador de meio-campo são apontadas a velocidade, capaz de transições rápidas defesa-ataque com acerto e ajudando a equipa a jogar quer conduzindo a bola, quer utilizando lançamentos longos ou passes curtos. Embora actue preferencialmente no corredor direito, pode jogar em qualquer dos lados do terreno. O seu estilo aguerrido, a velocidade das transições e a capacidade de ir à frente finalizar podem torná-lo num dos jogadores mais queridos da bancada. Ao seu melhor nível significará um reforço importante na concorrência pelo meio-campo, onde os recém chegados Adrien e João Mário jogam de lugar cativo.

Mas se a aquisição de Meli será a que mais vamos ouvir falar, o regresso de Luís Martins a casa pode muito bem ser quase a "não noticia" mais importante dos últimos tempos para o clube, em particular para a sua jóia da coroa, a formação. Quanto a mim, talvez a melhor decisão até agora da actual direcção pelo que a qualidade de Luís Martins como pessoa e técnico pode representar para o sector.


Luís Martins é um homem da casa. Foi atleta do clube nos escalões de formação e aí regressou como técnico, onde o seu trabalho deixou marcas. Foi campeão nacional pelos juvenis em 2003/04, onde orientou Patricio, Daniel Carriço, João Gonçalves (já abandonou, por lesões consecutivas), Fábio Paim (quase não jogou, por lesão) André Marques, Paulo Renato, David Caiado, Diogo Tavares. Na foto acima pode ver-se Luis Martins, como quase sempre discreto, ao centro e de costas, na celebração do título.

Quando em Outubro de 2005 Paulo Bento foi chamado a assumir a primeira equipa, Luís Martins (coadjuvado por Leonel Pontes) torna-se no treinador responsável pelos júniores, contribuindo para o pleno dos títulos na formação. Foi talvez a altura em que me recordo em que o Sporting trabalhava muito melhor que os demais e tinha dos melhores profissionais. Os títulos alcançados era por isso natural consequência mas, mais importante do que isso era a quantidade de jogadores de qualidade que despontavam nas nossas fileiras.

Saiu por, na altura da renovação do contrato com o clube, não ver reconhecida na proposta recebida a importância que entendia merecer. Na altura foi considerado uma perda importante que, somada a outras saídas, representou uma perda de qualidade na área técnica. 



Luís Martins substitui Paulo Leitão, cuja saída estava já decidida há muito. A chegada de Luís Martins significará seguramente que o Sporting continuará a apostar na formação de jogadores, um pilar importante da sua politica desportiva, talvez a que melhores dividendos lhe tem oferecido. 

Agora na coordenação, abandonando talvez em definitivo o trabalho de campo, o recém contratado director técnico tem pela frente muito trabalho. Encontrará nos rivais muito maior concorrência do que a que havia há uma década. E desde o recrutamento, à composição das equipas técnicas multidisciplinares, às condições de treino, à transição entre escalões não faltará áreas para intervir, reinvestir, aprimorar. Se tiver os meios e a confiança imprescindível para a tomada de decisões estou certo que Luís Martins saberá justificará plenamente a sua contratação.

Há depois esse pormaior, nem sempre relevante quando falamos de técnicos. Luís Martins é um Sportinguista como nós e é sempre bom ver reunidas as duas condições (amor pelo clube e conhecimento profissional) naqueles que trabalham no clube.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Porque a habilidade dificilmente terá relevância.

Num «blogue» de referência, em comentário, por um dos seus autores, viu-se um dia sintetizado de forma perfeita o significado de técnica: «a forma como a bola toca no pé». Tão só perfeito.

No saber-fazer que a mente idealiza, para todo o lance em toda e qualquer jogada, da mais simples à mais complexa, é indispensável exibir um perfil técnico de relevo. De preferência, místico, ou misterioso. No jogo, a maioria dos lances envolverá jogar futebol em qualquer zona do campo, em qualquer altura sempre que o jogador, com bola, está em acção. Ainda no jogo, outros lances, mais específicos, em quantidade bem menor, envolverão finalizações. Algumas bem delicadas que deixam nua a classe do executante e outras, menos delicadas (poderá se quiser incluir as marretadas), que também deixam a descoberto a classe do jogador que as realiza. Nas últimas, como diria um dos meus heróis, o grande Alan Shearer, it's a matter of catching it sweet, porque também aqui, «a forma como a bola toca no pé» determinará tudo o resto. Técnica. Sim, porque até para finalizar de forma contundente ou agressiva, não é necessária força mas jeito. E no universo de jogadores que se destacam quase-só pela finalização (não penso em Alan Shearer, já que o inglês tinha muito mais futebol do que meramente fazer golos), podemos com muita facilidade separar o trigo do joio, observando a forma como o fazem.

Não é coincidência que só os melhores jogadores de futebol consigam fazê-lo.

Os restantes, por mais prémios que lhes vejamos atribuídos, farão outra coisa qualquer. 01:25, 02:00 e 03:30.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nós, os outros, ideias, saber-fazer, objecto (bola) e objectivos, com classe, Sócrates. Não existindo coerência e nexo entre os elementos, não existe futebol. O exemplo de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo, coisas pequenas que falam volumes
À medida que colecciona prémios, títulos, reconhecimento e fortuna pessoal, destacam-se em Cristiano Ronaldo algumas características infelizmente impares. Entre outras, o contributo activo para o progresso da modalidade no campo social, como é exemplo o apoio à criação de estruturas físicas e humanas em vários países em vias de desenvolvimento, ou a preocupação demonstrada pelas minorias no universo total de pessoas que acompanha futebol - crianças, mulheres e adeptos sofredores tanto de doenças como de deficiências físicas, grupos minoritários que no caso das mulheres, lamentavelmente, têm na modalidade pouca visibilidade. O respeito que constantemente mostra por estas minorias em particular mas também pela generalidade dos seus adeptos, a forma como os acarinha e protege, a atenção que lhes dedica interagindo e reconhecendo permanentemente as suas presenças, fazem de Cristiano Ronaldo um embaixador não de futebol mas do humanismo evidenciado pelas suas acções fora dos relvados, ainda que em associação a esse mesmo futebol, não contemplando, evidentemente, aspectos da sua vida privada que só a Ronaldo dirão respeiro. Igualmente, aquilo que merece profunda admiração está também no exemplo que oferece como desportista de eleição que seria - presumo - o mesmo tal qual se tratasse de um amador.

Querer sempre mais e melhor, hoje tal como no princípio.

Infinitamente mais importantes do que feitos futebolísticos, são estas as qualidades que merecem reconhecimento e é este um dos motivos, longe de ser o principal, pelo qual os rótulos normalmente relacionados com incapacidade de reconhecer mérito ou inveja, atribuídos aos que não são apreciadores do futebol de Cristiano, nunca farão sentido nem terão lugar num diálogo verdadeiro.
Cristiano Ronaldo, exemplo de degradação do jogo
Cristiano Ronaldo tem na prática de futebol competências que o distinguem. 50 ou 60 golos por época há 7 ou 8 temporadas consecutivas, ao nível a que ele o faz - campeonatos espanhol, inglês e provas europeias, são cartões de visita dificilmente emuláveis, números impressionantes mas de todo o mais louvável. Olhada a forma como se vêem os feitos (golos) alcançados, pancadas e marretadas quase sempre em cima da baliza, dentro da área ou nas suas imediações, não se tratando, na esmagadora maioria dos casos, de finalizações que evidenciem as técnica, classe e a elegância típicas nos grandes futebolistas, há um pormenor que merecerá destaque: a pancada em si mesma. Além da força e do nervosismo que emprega nas suas acções dentro do relvado - algo que só o desgasta e aos colegas mais próximos, além de denunciar um perfil de liderança débil, a força que imprime à bola quando a remata, transformando-se ou adquirindo proporções um tanto brutais deixa perceber quão difícil é encarar adversários com este perfil. Daí, pensemos naquilo que os seus adversários mas sobretudo os guarda-redes enfrentam sempre que apanham o português pela frente, potencial duma máquina que aliada à velocidade, exponencia a violência do 'monstro' para níveis aos quais os defesas e guarda-redes não conseguem frequentemente alcançar. Não veja nisto linguagem metafórica mas aquilo que a realidade mostra: tendo a oportunidade, a distâncias razoáveis do alvo, Cristiano encontrará forma de fazer golo sem que ninguém possa contrariá-lo. A par, Ronaldo também trata a bola por «tu», evidenciando a muita habilidade que possui. Habilidade que no entanto não se traduz num perfil técnico relevante, observável (por exemplo) na forma como bate livres. Tratar-se-á Cristiano dum jogador tecnicamente fraco? Não. Ao mesmo tempo, sim, embora se visse necessário contextualizar e desdobrar o conceito de «técnica» aplicada ao futebol. Em suma, pela competência física e pelo desejo de querer ser o melhor, por guardar esse desejo junto ao coração e nunca esconde-lo, pela notória habilidade e pela marretada, Ronaldo ganhou com inteira justiça um lugar de destaque na história do futebol.

Com honestidade e sem qualquer ponta de ironia, se pensarmos numa lista dos 800 melhores futebolistas de sempre oriundos de todos os continentes exceptuando o sul-americano, Ronaldo terá muito boas possibilidades de nela aparecer. Reiterado reconhecimento por aquilo que em associação ao futebol transparece fora dos relvados, uma vénia, pela transformação e especialização num perfil físico que te permite competir, ombrear e em muitos casos superar aqueles que verdadeiramente sabem jogar futebol.


Perguntaram-te nos juvenis do Sporting qual o jogador da equipa principal que mais admiras. Respondeste na altura, gosto muito do João Pinto e do Pedro Barbosa. A pergunta agora é outra, Cristiano. Em que momento decidiste que não querias ser jogador de futebol?

Bom dia Senhor João Mário!

João Mário não é um jogador qualquer. Para lá das suas qualidades técnicas como futebolista denota inteligência, o que contribui para responder bem em qualquer posição que se lhe peça para fazer no terreno. Além disso é um miúdo com personalidade vincada cujo discurso foge à "lenga lenga" habitual nos jogadores de futebol. Isso é notório nas entrevistas e conferências de imprensa. 

Como dizia há dias, só houve "caso João Mário" porque a comunicação do clube esqueceu-se de dar conta que João Mário não estaria presente na apresentação da equipa. E aqui não interessa se João Mário comunicou antecipadamente ou não a sua ausência. Uma comunicação profissional tem que ser proactiva e não reactiva, antecipando os problemas. 

Ao não o ter feito - ainda por cima parece que foi mesmo por incúria - serviu um belo repasto à comunicação social, sempre tão ávida de "caxas". Sabemos como podem ser criativos mas neste caso quem os pode censurar, sabendo o quão difícil está vender noticias? Quem sabe uma menor atenção ao clube do lado e aos seus ex-funcionários dessem espaço para mais tempo e maior discernimento para se ocupar dos assuntos que realmente interessam.,

Ao apresentar-se respeitando o que o clube lhe havia pedido - pela lei não precisava de o fazer hoje - o jogador dá um sinal claro de inteligência. Por maior que seja o desapontamento que as negas do Sporting tenha dado aos clubes que pretendiam o seu concurso, o jogador sabe que não lhe seria favorável de todo a via da confrontação. Respeitando o contrato anula também as acusações / insinuações de ser um mercenário. 

Falta agora saber se as acusações do empresário, que reitera as proferidas também pelo pai, de o Sporting estar em falta com que havia prometido anteriormente, relativamente a uma melhoria - mais que merecida, diga-se - das condições remuneratórias. A serem verdade tal significaria mesmo aquilo que se diz em liguagem corrente "estás mesmo a pedi-las".

Isto é, o Sporting não cumpria o prometido e ainda lhe cortava as pernas relativamente a um futuro auspicioso,. É fácil dizer que ainda há pouco assinou um contrato de livre vontade. Mas qual de nós reagiria bem se ganhasse o que ele ganha, olhasse para seu lado no balneário e verificasse que há quem faça menos, ganhe mais e por vezes ainda cria problemas? E se fosse mesmo enganado nas promessas de aumento e ainda por cima visse negada a possibilidade de ir para um campeonato mais competitivo ganhar o suficiente para viver descansado o resto da vida? 

Não me parece que a apresentação atempada do jogador venha a significar o fim das noticias. Pela declarações do seu empresário é claro que ainda vamos ouvir mais vezes falar da relação contratual do jogador com o clube. Do meu ponto de vista, que sou admirador do jogador, ficaria feliz por o ver continuar de verde e branco. Mas confesso que a venda pelos valores também referidos pelo pai e pelo empresário também me pareceria um bom negócio. Se vier ocorrer por valores superiores a adjectivação também teria que ser revista em conformidade.

Para já fica o regozijo pela sua atitude e pela presença entre nós. Bom dia Senhor João Mário!

Villareal - Sporting: O campo ainda é muito grande para este Sporting

Primeira nota deste encontro em Badajoz vai para a oportunidade da marcação para um local onde a temperatura, à hora do jogo, se situava em cerca de quarenta graus centígrados. Era mesmo necessário?

Quanto ao jogo, o Sporting denotou ténues melhorias, especialmente do ponto de vista defensivo, não sendo por acaso que tenha conseguido ontem registar o primeiro jogo desta pré-epoca sem sofrer golos. Mas no que diz respeito à criação de jogo ofensivo as dificuldades continuam evidentes, muito longe da marca habitual nas equipas de Jesus. Processos ainda muito pouco esclarecidos, de que raras vezes resultam oportunidades de golo com grande possibilidade de sucesso. De tal forma que a  mudança de actores na frente de ataque - Barcos ou Slimani - não provoca alterações dignas de registo na nossa capacidade finalizadora. 

Do ponto de vista individual destaque para a prestação de Bruno César, desta vez chamado mais ao centro. Demonstrou a sua utilidade para o treinador, uma vez que é um jogador que percebe bem o que o jogo lhe pede nas diferentes funções.

Palhinha, sem ser exuberante - nenhum jogador o foi - deu indicações muito positivas, tendo a segurança com que actuou constituído um requerimento de mais e melhores oportunidades ao treinador. A lesão de Petrovic pode tornar em mandatória  essa decisão.

Para já é notório que o terreno de jogo continua a ser demasiado grande para as nossas possibilidades. A chegada dos internacionais ajudará a dar maior consistência ao nosso futebol mas a necessidade de reforços - o recém-chegado Ruiz ainda não o é - continua a ser evidente.

A filosofia de Telê Santana era só uma: ir para dentro de campo e jogar futebol. (É preciso mais alguma coisa?)

Nasceu em '82 a minha febre pelo futebol ...


... e o meu jogador favorito de sempre: Sócrates.


Classe, elegância, inteligência, técnica, visão de jogo, golo, físico, tinha tudo. Ou quase, fosse mais veloz. Nunca percebi o porquê da tão pouca consideração por Sócrates. Um monstro!
Talvez porque nunca jogou num grande clube europeu e, em consequência poucos títulos relevantes numa carreira de clube menos cintilante, apesar de ter jogado num dos mais populares clubes do Brasil e do mundo: o Corinthians de S. Paulo. Para além de jogador fantástico, fora de campo era uma personagem cativante e um dos símbolos da luta pela democracia no Brasil. Deixou saudades, o futebolista e o homem.

Autor: Virgílio. 

Partes 2 e 3 do mini-documentário.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Depois dos "Aurélios", o que é que a formação vai oferecer a nós e ao futebol português?

Com natural regozijo de todos nós a selecção nacional (como ganhou é de todos nós...) que recentemente se sagrou campeã europeia foi composta maioritariamente por jogadores formados no Sporting. Aos dez jogadores com marca Sporting na origem há ainda que acrescentar Eric Dier que, não fora a surpreendente eliminação do seu país, estava também ele destinado ao protagonismo na competição, tal como o golo de livre directo parecia pressagiar. Um número absolutamente notável, qualquer que seja o ponto de observação.

Antes de ir propriamente dito ao objectivo do presente artigo não ficar sem referência as tentativas de negação desta evidência. E não pode da mesma forma deixar de se salientar como a súbita metamorfose da "selecção de Jorge Mendes" - isto é a selecção dos interesses - na selecção de todos nós até chegar à selecção dos "Aurélios". Haveria muitas considerações a fazer em tudo isto, prefiro ficar-me pela conclusão que ganhar deixa toda a gente feliz. Tem, contudo, muitas vezes um efeito pernicioso: retira o espaço à sempre indispensável reflexão. 

O Sporting entendeu (creio que a iniciativa partiu do próprio presidente) homenagear Aurélio Pereira cognominando os nossos "dez magníficos". De seguida ofereceu ainda a primeira página e demais interiores onde, numa extensa entrevista, ele explicou a forma pioneira como o Sporting lançou as bases do trabalho cujos resultados o Sporting e o futebol nacional têm ganho chorudos dividendos. Provavelmente mais até o segundo que o primeiro em termos globais e que nem sempre, ou quase nunca, é reconhecido.

Ambas as iniciativas são justas para com o homenageado e meritórias para quem as tomou. O reconhecimento personalizado em Aurélio Pereira, há que o dizer, deve também ser tributado a muitos que contribuíram para a materialização da ideia de Academia, onde fomos também pioneiros. Nomes que num clube de bem com a sua história deveriam agora também ser lembrados, mas terá que passar ainda algum tempo para o Sporting fazer as pazes consigo mesmo.

Pode até ser hoje inconveniente lembrá-lo, mas os "dez magníficos" de que se fala hoje são o produto de uma visão pioneira e do trabalho excepcional de muitos ao longo de quase duas décadas. É o corolário desse trabalho que vemos já alguns anos passar à nossa frente, sem muitas vezes o valorizarmos devidamente, porque por norma só são lembrados os vencedores. 

E esta hegemonia do Sporting no futebol português, e tudo o que lhe foi dando ao longo destes anos, é estranha porque não equivaleu a títulos para o clube, mas cujo nome não se consegue apagar. Incluindo nas notáveis prestações da selecção nacional onde, depois de 2004 os jogadores formados em Alcochete assentaram arraiais. E, no futebol, foi a formação, quer em títulos colectivos, quer no reconhecimento individual, a resgatar-nos das brumas do esquecimento.

Creio que assistimos agora ao fim de um ciclo. Será difícil ao Sporting nos próximos tempos voltar a igualar aqueles números. Consequências de uma evolução natural, mas também do aperfeiçoamento  dos nossos concorrentes, que depressa perceberam as virtudes do trabalho por nós efectuado. Mas também seguramente de erros próprios que, no momento em que são cometidos, por serem diferidas no tempo, não são percepcionadas as respectivas repercussões na sua verdadeira extensão. Mas só olhando para dentro é possível compreender verdadeiramente o estado das coisas.

Aurélio Pereira dizia, entre outras coisas importantes, que vinham aí gerações magnificas da nossa formação. De forma honesta mas sintomática não se referiu aos que deveriam estar agora na calha para, saindo dos júniores e da equipa B, se constituírem como reforço do quadro de profissionais da equipa principal  no médio prazo. A forma como perdemos qualidade e com isso influência é notória quer na qualidade do jogo nos escalões referidos quer mesmo nas convocatórias das selecções nos respectivos escalões. Em muitos casos passamos de hegemónicos a residuais. 

Aos que adoptam a fraqueza da teoria da conspiração como justificação, dando como explicação a influência dos interesses, lembro que mesmo que assim fosse isso equivaleria a assentir que perdemos então um poder que já detivemos. Era importante perceber porque assim foi.

A melhor forma de homenagear Aurélio Pereira era mantermo-nos fieis ao seu legado. A nossa hegemonia construiu-se sobre uma especial apetência na prospecção e detecção de talentos feita  precocemente, assente numa teia de observadores, apoiados posteriormente na Academia numa equipa multidisciplinar de profissionais de qualidade reconhecida. Isso foi-se perdendo ao longo dos tempos, numa erosão transversal a toda a organização. 

Essa erosão era já grande quando Bruno de Carvalho chegou à presidência e as pessoas a quem ele confiou a gestão da formação aparentemente têm-se entretido em aprofundá-la. O corropio de jogadores a entrar em Alcochete tem sido constante. Alguns deles sem nunca chegarem a calçar ou a vestirem-se para qualquer jogo. O que era "la creme de la creme" da nossa formação, a tal detecção de talentos ou jogadores com elevado potencial, tornou-se na contratação ao quilo. 

A progressão "botton-up" dos jogadores, com estes a aprimorarem as suas qualidades, bem como a aprendizagem dos melhores princípios de jogo, foi interrompida pela voragem das aquisições permanentes. Da estabilidade, da paciência, do rigor da programação chegamos agora à mutação permanente, e à qualidade muito duvidosa da prospecção.

Ora isto é a negação dos nossos melhores princípios e o que nos levou à hegemonia. Repare-se em jogadores como Moutinho, Cédric e até Adrien. O seu sucesso actual seria possível se não tivessem eles desfrutado de quase todos eles de mais meia década de aprimoramento? Em pouco tempo subverteu-se a regra de apenas contratar excepcionalmente - um bom exemplo disso é Nani - confiando no trabalho feito em casa, para se tornar a norma. 

Diga-se que a  contratação de jogadores para estes escalões já acontecia anteriormente como se viu Fokobo, Pallhinha, Wallyson, Carrillo, Rúbio e outros.

Atente-se ao momento em que fomos buscar alguns dos jogadores que nos últimos três anos chegaram a séniores:

Cedric (Sub7), Dier (Sub10), João Mário, Podence e Iuri (Sub11), Ponde e Tobias (Sub12),  Patrício, Esgaio e Chaby (Sub13), Adrien, William Matheus e Bruma (Sub14), Ilori (Sub15), Semedo e Gelson (Sub16).

Se com frequência nos ufanamos do valor excepcional da nossa capacidade de formar jogadores porque estamos a recrutar à pazada jogadores de escolas alheias e sem o reconhecimento que a nossa desfruta? 

É isso a confissão tácita que já não se trabalha bem em Alcochete?

Nas actuais circunstancias e procedimentos pode ser prometido a liderança e a manutenção da nossa hegemonia no médio / longo prazo?

Poder-se-ia pensar que tal voragem de que aqui se fala se trata de um movimento pontual, mas se nos detivermos nos números das contratações efectuadas desde 2013 percebe-se um movimento de entrada permanente. 

2013
B
Samba (E), Matías Pérez (S), Hugo Sousa (S), Lewis Enoh (S), Ousmane Dramé (S), Everton Tiziu (S)
S19
Mama Baldé (B)
S17
Ronaldo Tavares (B), André Serra (S)
S16
Diogo Sousa (S19), Paulo Lima (S19), Jefferson Encada (S19), Janilson Fernandes (S), Tiago Palancha (S)
S15
Tiago Djaló (S19), Al Hassan Lamin (S)

2014
B
Hadi Sacko (E), Ryan Gauld (E), Jorge Santos (S), Jorge Silva (S)
S19
Ivanildo Fernandes (B), Aya Diouf (S19), Luís Elói (B), Rafa Benevides (S), Olávio Gomes (S), Diogo Barbosa (S), José Correia (S), Abou Touré (S), Abdoulaye Dialló (S), Ever Peralta (S), Bruno Pais (S), Khadime Ndiaye (S), Luis Caicedo (S), Paulo Borges (S), Zhang Lingfeng (S), Rúben Varela (S), Bernardo Moura (???)
S17
Gil Santos (S19), Jovane Cabral (S19), Sérgio Santos (S), Muhamed Djamanca (S)
S16
David Tavares (???)

2015
B
Murilo de Souza (S)
S19
Gabriel Pajé (B), Zé Pedro Oliveira (S19), Bruno Fernandes (S19), Sérgio Félix (S19), Francisco Sousa (S), João Coelho (S), Sarbini Martunis (???)
S17
João Pedro Ricciulli (S19)

2016
B
Tomás Rukas (B), Diogo Nunes (B), Eduardo Pinheiro (B), Ricardo Guimarães (B), Fidel Escobar (B), David Sualehe (B), Leonardo Ruiz (B), Budag Nasyrov (B), Betinho (S)
S19
Amânsio Canhembe (S19), Diogo Rodrigues (S19), Pedro Marques (S19)
S15
João Domingues (S15)

Quando falamos da "melhor academia do mundo" o que em valor absoluto não existe e é por isso hiperbólico, está associada a ideia de um lugar de elite, acessível apenas aos melhores. Um pouco como entrar em Yale, Standford, Cambridge, etc. Era um pouco isso que sentiam os tinham sorte de entrar em Alcochete.  Hoje parece estar-se tornar numa vulgaridade cujo  preço inevitavelmente iremos pagar. O que os podem oferecer de excepcional estes jogadores que agora chegam às carradas, já quase terminada a fase da sua formação?

Os meus 14. Os melhores de sempre.

É uma tarefa impossível nomear os 14 melhores futebolistas de todos os tempos. Impossível por deixar de fora nomes como Alan Shearer, Paul Merson, Marco Aurélio, Luc Nilis, Ronaldo (o «fenómeno»), Dennis Bergkamp ou David Platt. Carlos Manuel, Simon Vukcevic, Jorge Costa ou Vitor Paneira. Peter Schmeichel, Jari Litmanen, Rivaldo ou Siniša Mihajlović. Ou Tiago, ex Benfica / Atlético. Ainda assim, os 14 melhores de sempre:

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Apresentação: João Mário, o público, o relvado, os reforços, o jogo, a esperança e a apreensão


Público 
Não surpreendeu ninguém que a apresentação aos sócios contasse apenas com cerca de sessenta por cento da lotação do estádio. Os resultados negativos até agora coleccionados, a falta de reforços e a excessiva indefinição do plantel, a par das férias e calor estival certamente a assumirem aqui a responsabilidade pelo grosso das ausências. Muito longe portanto do momento de grande entusiasmo vivido o ano passado com contratação de Jorge Jesus.

Relvado 
Um dos artistas da noite não jogava mas tem importância primordial no sucesso da equipa, nos jogos em casa: o relvado. As primeiras impressões deixadas são positivas, registando-se muito menos levantamentos no relvado do que normalmente se verificavam no anterior, sendo que este ainda não terá o nível de enraizamento que ocorrerá no futuro próximo.

Não havendo alterações de monta tudo indica que a aposta vai ser ganha, o que vem de encontro ao que sempre afirmamos aqui: com o conhecimento e tecnologia hoje disponível os problemas crónicos no relvado não se justificavam de todo. Mais ainda porque no novo estádio já havíamos jogado pelo menos uma época inteira com um relvado de referência, que acabaria destruído num concerto.

João Mário
Pelo menos até à próxima quarta-feira se há "caso João Mário" tal se deve exclusivamente à comunicação da SAD. Se de facto ele se encontra de férias em local remoto e se de facto o comunicou  aos responsáveis, muito do "diz-se, diz-se" que desde o jogo circula não aconteceria se tal tivesse sido comunicado antecipadamente. Um erro que se repete, já depois da "constipação de Teo" ser afinal o "luto de Teo" pelo falecimento da avó. Falhas que resultam de incúria e inabilidade, perfeitamente evitáveis, portanto.

Reforços
É ainda cedo para nos pronunciarmos sobre a qualidade dos recém-chegados Ruiz e Petrovic. Mas as indicações até agora são díspares. Ruiz vai dando indicações de possuir técnica apurada, mas está nitidamente acima do peso indicado, consequência de longa paragem, que em futebol profissional se paga sempre caro. Isto agravado pelo facto de ainda não conhecer bem as movimentações dos seus colegas e as que lhe serão exigidas para conquistar a titularidade.

Petrovic é um caso diferente. Até ao momento está muito longe de justificar a contratação. É certo que sofre dos mesmos problemas apontados a Ruiz, pelo facto de ser tudo novo. Muita dificuldade em posicionar-se correctamente, passe sem grande qualidade e definição, denotando um certo atordoamento por tudo que se passa à sua volta. Caso para perguntar se era para esta palha, já não estávamos servidos com Palhinha?

Daí que, pelo que é sabido até agora, os grandes reforços já cá estavam. É o caso de Podence, que poderá ser um caso sério, caso JJ assim o entenda. Estou convencido que o mesmo se poderá dizer de Gélson, Palhinha e Medeiros. Embora se deva considerar que dificilmente veremos jogar Podence, Gélson e Medeiros em simultâneo. 

Qualidade de jogo
Com tão poucas mudanças estruturais aparentes, é de alguma forma surpreendente a quebra de qualidade do nosso jogo, especialmente do que foi visto no último terço do campeonato. Mas, como é inegável, a ausência dos campeões europeus, é mesmo uma alteração estrutural. Sem a sua presença ou, em caso de saída, com a devida substituição, é natural que se registe um rendimento menor.

À ausência dos europeus há que acrescentar a mediania geral de uma grande parte dos elementos que foram titulares. Os laterais são sofríveis, o que a abnegação de Schelotto não é suficiente para o contrariar. Defende um pouco melhor que Marvin, que demonstra precisar de aprender depressa para não perder o comboio. As dúvidas sobre os efeitos que instabilidade emocional de Semedo produz no eixo da defesa continuam a justificar-se, e a presença do hesitante Petrovic pioram consideravelmente a resposta defensiva da equipa.

Esperança e apreensão
Jorge Jesus acabou por confessar que no primeiro jogo da época apenas um par dos jogadores titulares na apresentação manteriam esse estatuto. Atendendo à produção geral tal é motivo de esperança, por ser notória a mediania acima aludida, que pode ainda ser contrariada, enquanto o mercado estiver aberto. A apreensão é natural por não se vislumbrar como será possível, no curto espaço de tempo que falta para o primeiro compromisso a doer, o Sporting conseguir adquirir e integrar os jogadores que nitidamente lhe estão a faltar. Não falo obviamente dos europeus, com menos de um mês para se aproximarem da melhor forma, mas dos reforços que nitidamente faltam ainda. Isto remete-nos para o que foi a planificação da pré-época, que inevitavelmente tem que ser objecto de artigo a propósito.

domingo, 24 de julho de 2016

Campos pequenos e campos grandes. E o Nou Camp.

Ontem ao passo que decorria o Sporting - Lyon, pensei alguns minutos na comentadora da SportTV - não sei como se chama mas gosto dela - que afirmou, na 1ª parte, relativamente à época transacta Jorge Jesus pretende que o Sporting jogue mais largo. Há duas formas de interpretá-la.

A segunda mais provável de estar correcta do que a primeira.

1 - Sendo possível que a comentadora acompanhe o dia-a-dia da equipa do Sporting, presumirei que não o faz. Nesse caso, a afirmação resultou do jogo que naquele momento viu, onde as ocorrências não advirão - na minha opinião - dos planos de Jorge Jesus mas do facto do Sporting ter entrado de início com Bruno César e Gelson, Bruno César que ontem jogou na sua posição de origem. Com ambos em campo, é só natural que o Sporting tivesse passado mais tempo nas faixas comparativamente ao padrão de jogo da época passada.

2 - A comentadora afirmou que o Sporting pretende jogar mais largo por ser uma das pechas do seu jogo. Ao recordar o Sporting vs. Benfica da temporada passada, podemos rever a enorme dificuldade que o Sporting teve tanto para se aproximar da área encarnada como para criar oportunidades de golo. Essa dificuldade, sendo a mesma que se observou noutras partidas frente a adversários bem acessíveis, resulta duma equipa que joga em simultâneo com William, Adrien, João Mário e Slimani, aos quais podemos acrescentar Teo não sendo todavia necessário: bons jogadores mas redundantes (João Mário e Adrien), pouco criativos que dificilmente estão talhados para enfrentar adversários que se posicionem com muitos jogadores atrás da linha da bola. Dificuldades que só se agravam se os jogadores atrás da linha da bola forem competentes. Não é preciso mais do que Samaris para condicionar completamente um excelente jogador como João Mário.
Qual será a melhor forma - como notou a comentadora - de "alargar o jogo do Sporting" (?), já que fazendo-o a maioria da oposição - I Liga e até muitas das equipas que enfrentaremos na Europa - afrouxará a zona central favorecendo imediatamente quem ataca. O Sporting como equipa grande atacará na maioria do tempo e é nesse momento do jogo que deverá, na minha opinião, concentrar prioridades. Em sentido, não direi inverso mas não me ocorrendo termo melhor, possuindo do meio-campo para a frente muita qualidade individual, é numa medida grande normal que o Benfica de Jesus não exibisse muitos dos problemas que nós exibimos. Uma das hipóteses será jogar com alas. Muitas equipas fazem-no e é até provável que um dos planos de jogo do Sporting passe por aí, plano ao qual não recorrerá muitas vezes por não se tratar dum bom plano mas também por não ter jogadores para o efeito. Hoje em comentário sugeri dever (talvez) Bruno César regressar à sua posição de origem mas a sugestão não foi oferecida nesse sentido. Antes, Bruno César deverá (talvez) subir no terreno para aí dotar o Sporting de maior qualidade, face ao tipo de soluções precárias neste momento à nossa disposição.

Pensemos nas equipas mais largas do mundo. Dessas, nomeemos duas. Pensaremos então no FC Barcelona e noutra que interessará menos. Os admiráveis blaugrana.
Camp Nou é um campo especial já que (em que ano pegou Cruyff no FCB?) desde há sensivelmente 20 anos capacitado para iludir, relvado fascinante instruído para fazer bons jogadores parecerem amadores. E se visto pela televisão sempre pareceu enorme, bem maior do que os outros, jogadores como Iniesta e Messi triplicam-lhe as medidas a bel-prazer.

sábado, 23 de julho de 2016

O melhor pontapé de saída na história do futebol português.

Foi dado pelo Francisco.
O mais perfeito executante a subir ao relvado do estádio José Alvalade.

No jogo, se algum objectivo cumprimos (além de ganhar uma derrota), terá sido confirmar aquilo que já se suspeitava: Daniel Podence, Iuri Medeiros e Gelson terão de 'colmatar os reforços contratados para a nova época'. Só espero que o façam em todos os jogos, para todas as provas. Por reponsabilidade de terceiros (quem os contratou) e não dos próprios (jogadores contratados que certamente tentam dar o melhor que têm), ninguém desejará perder tempo com opções que já se percebeu não constituírem mais-valias, somente pela necessidade de justificar o dinheiro com eles gasto.

Deixemos Podence e Medeiros começar o mais rapidamente possível.



Serei o único a estranhar a ausência de Juninho sempre que o Olympique de Lyon joga?
Tenho impressão que daqui a 10 anos continuarei ainda a estranhá-la.

Em circunstância alguma quero um Sporting totalitário. Defenderás o Sporting CP ou serás servo de um pequeno clube manietado por fanáticos?

Como se percebe pelo título, sobressai neste texto a fúria que a leitura desta notícia deverá, espero, suscitar no íntimo de qualquer adepto e sócio possuidor de uma balança de valores funcional. Por via de mais um comunicado publicado por Nuno Saraiva, director de comunicação que diariamente faz e dá de si o melhor para com sucesso revelar-se confrangedor, o jornal «Record» difunde alguns detalhes desconhecidos pela maioria de adeptos e sócios, como eu, sobre os processos instaurados por Bruno de Carvalho / Sporting a alguns consócios pela "difamação e calúnia grave do Presidente do Sporting CP" em redes sociais.

Necessário fosse evidenciar, necessário é que se evidencie, ante o adormecimento duma massa adepta de grosso modo despreocupada dos fenómenos que estas acções inspiram, a leitura do comunicado relembra-nos a natureza do círculo e do indivíduo que no seu centro dirige o Sporting, círculo que pretendendo incutir medo ou intimidar, mais não faz do que despertar o gozo de muitos, o ressentimento de alguns e a ira de outros. Círculo perverso por vigiar. Perverso porque velhaco, reclamando punição pelo delito de ofensas pelos próprios instigadas. Perverso porque hipócrita e desonesto, sempre que processando por difamação, nos espíritos dos "ofendidos" o crime é a expressão de opiniões percebidas como contrárias aos seus interesses. Perverso porque totalitário, quando a pretensão de negação da liberdade de expressão a uns, equivale à implícita proibição para todos. Imoral porque o carácter fraco, pequeno, narcisista exclusivamente preocupado pela imagem do próprio, deixa manchas e um rasto na história de um clube sem possibilidade para que um dia se vejam apagadas.

"(...) foram dadas indicações ao Departamento Jurídico do Sporting, a 21 de Maio de 2016 para que esses processos fossem abandonados caso os visados manifestassem arrependimento." - Nuno Saraiva
Munidos por ilusões de grandeza, além de autocratas e auto-proclamados teocratas, quem reivindica o arrependimento de outros? Quem mais além de doentes, sociopatas, fanáticos, labregos e vingativos ditadores, enuncia uma exigência tão imoral quanto esta?

Tão importante: existirá entre nós quem não se sinta indignado por isto?

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Spalvis é um tiro na proa, mas nem por isso o mais grave

A lesão de Spalvis é a pior noticia que o próprio poderia receber, num momento em que atravessou a Europa para apostar na sua valorização profissional. Já para o Sporting representa um acréscimo de pressão, embora a carga dramática seja inferior, por ser claro que não deveria ser, no imediato, a aposta primordial de Jorge Jesus.

A situação de Teo é diferente. Um jogador com o seu passado polémico mereceria sempre melhor ponderação na hora de contratar, a que se deveria juntar o preço pago por um jogador que se aproxima do ocaso. Depois de, no melhor interesse do clube, o termos perdoado pelas longas férias de Natal, de termos esquecido os golos falhados e a forma pouco atlética como corre, volta a reincidir no desrespeito pelo clube que o sustenta e pela generosidade dos adeptos. É, inevitavelmente, o fim de linha em Alvalade. E um problema de difícil solução sem perda do investimento realizado. Os cinco milhões hoje anunciados no Record seriam um verdadeiro milagre para as possibilidades da generalidade dos clubes argentinos. 

Depois há Slimani. Aos rumores que já corriam sobre a vontade do jogador sair - o que nem é novo - veio agora o reconhecimento tácito da existência de problemas na pena do responsável pela comunicação. É que não há outra forma de entender o que escreveu em comunicado: há clubes interessados no jogador  (certamente também por outros, onde obviamente se inclui João Mário) mas sem interesse em desembolsar o que o Sporting exige. 

O caso especifico de João Mário tem uma agravante: o valor da cláusula de rescisão. Ninguém se aproximará dos sessenta milhões a pronto, como exige o contrato. Na melhor das hipóteses o valor será atingido na realização de alguns objectivos. Mas falamos já de um custo que permite ir ao mercado por jogadores que representem menos "risco político" para o adquirente. Isto é, jogadores com mais "nome", que nem sempre necessariamente melhores.

E aqui o mercado é claro: se houvesse muito apetite pelos jogadores, isto é, vários clubes seduzidos pelo seu valor e com disposição para abrir os cordões à bolsa por valores próximos das respectivas cláusulas, já algum se teria antecipado à concorrência. Ninguém o tendo feito é sinal inequívoco que os potenciais interessados estão interessados em prolongar ao máximo a decisão no tempo, apostando no desgaste de quem está pressionado a vender e na erosão da relação dos jogadores com o clube, pagando um valor inferior. Para ajudar a respectiva causa, são oferecidos aos jogadores importâncias completamente fora do nosso alcance.

É provavelmente aqui que estará a fonte de todos os males. De um lado jogadores atraídos por vencimentos que lhes garantem uma carreira confortável, auferidos em campeonatos menos periféricos que o nosso. Do outro, o clube com necessidade de realizar mais valias que lhe permitam não apenas refinanciar o seu negócio, como adquirir  jogadores que permitam a manutenção ou até mesmo o acréscimo do seu valor competitivo. 

Falta um mês para o encerramento do mercado de verão. Será neste espaço de tempo, nas decisões tomadas no arranjo do plantel, que se decidirá muita da nossa sorte.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Pudesses viver para sempre, Aurélio

Se conseguir passar tudo o que aprendi aqui, os valores que o clube tem, sentir-me-ei muito feliz. Tenho muito orgulho na relação que tenho com todos os jogadores, de alto respeito e amizade.

"Se não conseguimos apanhar um jogador aos seis anos, nunca mais o apanhamos".
"Há pais do Benfica, do FC Porto, há uns que ligam mais aos estudos, outros que privilegiam a questão financeira. Há que gerir tudo isso, para conversarmos com os pais para saber que tipo de operação de charme há a fazer. Oferecer umas luvas assinadas pelo Rui Patrício faz milagres; entrar de mão dada com um jogador da equipa principal, também. Ou mesmo um simples cartão de aniversário quando não estão a contar".

"Há tanta coisa que se pode fazer ... não basta colocar um papel à frente para assinar".

"Vêm aí umas belíssimas gerações, carregadas de qualidade. Falo dos juvenis que foram campeões nacionais, dos sub-15 que aí vêm, dos sub-14", destacando o trabalho do coordenador Luís Dias, "onde tudo começa".

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Pequena nota sobre o Sporting de Jorge Jesus

Quando falámos de forma breve sobre Fábio Rochemback (a propósito de Renato Sanches), dissemos que as notórias qualidades de ambos se viam associadas aos seus perfis físicos mas que em primeira instância tinham / têm origem na permanente capacidade de encontrar soluções para as suas equipas (atributo mental), matéria que faltando, a título de exemplo, no Sporting de Jorge Jesus, explica o porquê de alguns adversários relativamente frágeis nos terem tirado tantos pontos em Alvalade na época passada.

Olhados os plantéis do Sporting dos últimos anos, para efeitos de qualidade individual, temos de eleger 2004/05 como a época de ouro em Alvalade, temporada que juntou o já mencionado Fábio Rochemback a futebolistas de muita qualidade como Rui Jorge, o fundamental João Moutinho, Rogério, Carlos Martins, o soberbo Hugo Viana, o ímpar Pedro Barbosa, o bom Ricardo Sá Pinto e Liedson. Focando-me por instantes em F. Rochemback, noto que o futebol do brasileiro (ou de Carlos Martins, recorda-se da sua exibição em Roterdão?), em conjunto com o dos acima mencionados, permitiu-nos nessa temporada sonhar bem alto. Em 2005/06, em Inglaterra, o mesmo F. Rochemback também permitiria ao Middlesbrough sonhar alto. Infelizmente para os clubes, Sporting e Boro, bem como para o próprio, ambas as equipas perderiam as finais europeias que disputaram. Na mesma temporada, derrotaria o Arsenal de Arsène Wenger mas sobretudo o poderoso Chelsea de José Mourinho. Serve tal para sugerir que mesmo não se tratando de jogadores tipicamente percebidos como extraordinários, perfis como estes, dotados de capacidades muito particulares, atribuem às suas equipas qualidades que outros jogadores como Adrien, ou excelentes jogadores como João Mário, não são capazes de conceder. No nosso contexto, se a competência e o equilíbrio são fundamentais, só a dinâmica e mentes ágeis e criativas nos permitirão vencer qualquer adversário que encontremos pela frente, especialmente aqueles que forem tão bons, melhores, ou muito piores do que nós.

Jogadores com este perfil são os que mais falta nos fazem e além das provas internas, com Jorge Jesus no Sporting, seria um «crime» passar ao lado da oportunidade de legitimamente ambicionarmos a conquista de uma prova europeia de futebol. Ainda há tempo.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Comunicar com rigor, Nuno Saraiva exemplifica

No mais recente texto publicado no facebook, escrevendo sobre futebol, em pseudo-resposta a alguém do Benfica que terá dito uma coisa qualquer, Nuno Saraiva consegue produzir suficientes disparates que evidenciam a sua falta de conhecimento e alguma sensibilidade para a função que desempenha - comunicar em nome do Sporting. Pretendendo passar imagens de universalidade e desportivismo, num texto que tresanda a clubite, numa mensagem confusa, descoordenada e mal redigida, o director de comunicação dum grande clube português de futebol consegue afirmar:

Figo, o primeiro português a ganhar a Bola de Ouro para melhor jogador do Mundo.

Aurélios, uma selecção pragmática, coesa e objectiva, capitaneada com excelência reconhecida pelo melhor jogador de sempre, Cristiano Ronaldo.

Com relação à «Bola de Ouro», será difícil acertar (pelo menos) nos factos? A mensagem pode ler-se aqui.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

P.S.- O Sporting ainda não se Vê

Há uma conclusão que se pode tirar desde já, após o estágio que está prestes a terminar: Jorge Jesus tem ainda muito trabalho frente para se aproximar, mesmo que ligeiramente, do mínimo que é exigível a uma equipa do Sporting. Tudo se processa ainda demasiado caótico, como se os jogadores jogassem pela primeira vez juntos, agravado por erros individuais. Se estes são naturais em inicio de época, menos aceitável é frequência e gravidade com que têm ocorrido.

Por exemplo, o vermelho a Aquilani é admissível num caloiro, não em alguém que adquirimos pela sua qualidade, mas também pela experiência. Erros que vêm sido cometidos de forma consecutiva e que têm impedido em quase todos os jogos uma reacção adequada aos resultados adversos.

Julgo ser recomendável neste momento alguma prudência nas reacções por parte dos adeptos. Com as dificuldades evidentes na movimentação colectiva é absurdo esperar grandes destaques a nível individual. Se esse cuidado é devido na apreciação aos jogadores que já cá estavam e que já sabemos serem capazes de algo mais, ela deve ser ainda maior para com os jogadores acabados de chegar. Estes, além das dificuldades naturais resultantes da sua condição de recém-chegados, encontram uma equipa à procura da sua própria identidade. E esta atenção deve ser ainda de carácter especial - leia-se "indispensável carinho" -  para os nossos meninos oriundos da formação.

Este final de estágio recomenda também uma reflexão serena do lado dos responsáveis, mas nem por isso menos criteriosa e objectiva. Sem prejuízo do que foi afirmado acima, urge perceber, por ser este o momento adequado para o fazer, se não estamos a laborar no mesmo erro do ano anterior relativamente a algumas posições na equipa, transportando algum deficit de qualidade para a época em curso.

Por exemplo, parece continuar a faltar alternativas à ausência ou abaixamento de forma de jogadores como Adrien ou William Carvalho. Constatá-lo é também admitir que os referidos jogadores não têm a concorrência adequada e exigida para a saudável disputa do lugar.  O mesmo se poderá considerar relativamente às laterais da defesa, onde a qualidade existente é de uma mediania confrangedora. Sobre os guarda-redes nem vale a pena comentar, embora seja importante perceber como chegamos aqui tão depauperados.

Uma atenção especial para Matheus Pereira. Das duas uma: ou o jogador não percebeu ainda o que o treinador lhe pede, ou o treinador não percebeu ainda qual o lugar adequado para dele retirar rendimento. A sua utilização até ao momento só não foi totalmente inútil exactamente pelo facto de se poder ter chegado a esta conclusão.

É também preocupante perceber, e isto mesmo que tivéssemos obtido resultados mais favoráveis, que Slimani pode cá não estar no final de Agosto, que Teo só ficará se a isso for obrigado, que Spalvis mesmo que estivesse bom, não é escolha de Jesus e que Barcos continua a navegar entre Alvalade e o outro lado do Atlântico. É impossível haver crescimento da equipa quando todo um sector de que depende em grande parte a finalização estar ainda por definir. As consequências da indefinição começam desde logo nas cabeças dos jogadores.

O próximo jogo, que será de apresentação aos sócios, em Alvalade poderá ajudar a perceber melhor o que devemos esperar desta equipa.

Nota importante: o texto inicial foi posteriormente revisto e aumentado, sem contudo ter sido alterado o seu sentido original. Ainda assim ficam as devidas desculpas aos que já o haviam lido e comentado.

Renato Sanches - Furacão mental

Entre outras, o último campeonato da Europa tratou de engrandecer tanto os elogios como as opiniões desfavoráveis sobre Renato Sanches. Do lado revelador de apreço pelo jogador, além dos naturais adeptos do Bayern e do Benfica, estão também treinadores como Rui Vitória ou Jorge Jesus - R. Sanches é o futuro da selecção, o actual treinador do médio português Carlo Ancelotti, um dos seus mais importantes companheiros de equipa, Philipp Lahm, ou observadores e comentadores que presumivelmente verão qualidades especiais no jogador. Em sentido inverso, reveladoras de pouco apreço, fora de Portugal não conheço ou não estou a par de grandes críticas, mas dentro de portas muitas das que existem têm origem na clubite. Com legitimidade para que se façam ouvir, devemos questionar a sua débil natureza. Destaco-as por se tratarem duma maioria absoluta no universo crítico. De igual modo, poderá o futuro trazer-nos opiniões muito bem fundamentadas que questionem as qualidades do jogador, análise que terá sempre de entroncar nas necessidades das equipas que representa. Para já, até hoje, as qualidades de Renato Sanches encaixaram como luvas tanto no Benfica de R. Vitória como na selecção de Fernando Santos.

Esta discussão poderá conter conclusões ou pontos de partida tão fúteis como os que consideram Renato Sanches um dos melhores jogadores da Europa ou considerá-lo não valendo nada e banal. Julgando nenhuma conter verdade, e importância, recorro à comparação usada em comentário há 2 semanas com um jogador que tal como Renato Sanches actuou no futebol português e que foi (passado) melhor do que Renato Sanches é (hoje), quando em circunstâncias normais Renato Sanches poderá melhorar como jogador assim encontre um contexto favorável no Bayern. Para efeitos de comparação com o jogador em mente, é fácil perceber que a apreciação poderá estar manchada pelo facto de há 10 anos esse jogador enfrentar menor (em qualidade) oposição. Mas se tal é verdade para o campeonato português, recordo que durante o Europeu jogámos frente à Polónia e País de Gales, pelo que a comparação permanece um tanto válida. Esse jogador era Fábio Rochemback, tal como Renato Sanches para o Bayern, percebido como uma das grandes promessas do futebol mundial que lhe permitiu ingresso no FC Barcelona. Mas não é isso que os liga.

O que têm os jogadores em comum?

Tanto Sanches ao serviço do Benfica e da selecção, como Rochemback em 2003/04 ingressado no bom Sporting de Fernando Santos, destacaram-se imediatamente pelo ritmo a que jogavam e pela dinâmica emprestada às suas equipas. A capacidade de jogar mais depressa que os colegas, qualidade associada aos seus perfis físicos mas associada em primeira instância a algo muito mais importante do que isso, algo como exemplo em falta no Sporting de Jesus e que nos ajuda a perceber por que motivo alguns adversários relativamente frágeis nos tiraram na época passada tantos pontos em Alvalade. Essas equipas não nos tiraram nada. Há coisas que só os jogadores podem buscar.
O que significará jogar depressa e a fundamental dinâmica que jogadores como os mencionados emprestam às suas equipas? Não será correr atrás da bola. Não será correr atrás de adversários. Não será correr com a bola só porque sim. Nem será desfazer-se da bola para um colega só porque sim (algo que um excelente jogador como João Moutinho faz muito, por preguiça ou por outros motivos). Nem será rematar à baliza só porque sim. Com bola, jogar depressa é o reconhecimento (mapa mental) do caminho que nos fará chegar o mais rapidamente possível ao nosso objectivo, quando mesmo antes de termos a bola e frequentemente quando já a temos, nos movimentamos em determinado sentido mesmo que o processo de reconhecimento ainda decorra (intuição, aquilo que nos permite agir sem aparente razão). Logicamente, este processo demora poucos segundos e há excelentes jogadores (melhores do que R. Sanches) que não possuem esta qualidade. Mas esta qualidade faz dele um jogador especial e faz dele um muito bom jogador. E há extraordinários jogadores de futebol que fazem o que Renato Sanches tenta fazer de forma nada menos do que perfeita. Esses são de facto os melhores do mundo e de sempre. Jogadores como Messi e Iniesta que à qualidade referida juntam muitas outras. É errado e simplista pensarmos que futebolistas cerebrais jogam devagar. E é errado e simplista pensar que a dinâmica de jogadores como Sanches advém essencialmente da sua capacidade física.

Jogadores cerebrais procuram e vêem soluções, traço que releva a sua inteligência.
Renato Sanches é um desses jogadores.

Daí, olhando o seu futebol, é fácil deixarmo-nos enganar pelo porte e linguagem corporal sugestiva de um jogador essencialmente atlético. Não é estranha a procura pelo choque já que a mesma capacidade de reconhecimento serve-o nalgo tão simples como recuperar uma bola - vimo-lo na eliminatória que o Benfica disputou frente ao Zenit, equipa que denota capacidade atlética muito acima de média. O contributo de Sanches nessa eliminatória foi admirável. Não nos devemos perturbar quando o virmos rematar à baliza ainda que nalgumas ocasiões não devesse fazê-lo. Não deveremos confundir ímpeto com desnorte e quando nos parecer jogar a um ritmo mais elevado que os colegas, não é por falta de critério. Será porque joga mesmo a um ritmo mais elevado que os colegas. Olhando ainda o seu futebol, temos de prestar cuidado à forma como conduz mas também às boas visão e qualidade no passe, lembrando que o foco numa, ou noutras, é responsabilidade sua (jogador) mas também do seu treinador. Por último, será importante reconhecer não se tratar de um médio de características essencialmente defensivas. Recorrendo novamente à comparação, tal como Rochemback, Renato Sanches é um jogador de rupturas e a qualidade mental acima referida, em associação às qualidades técnicas mas também características físicas que possui, fá-lo-á procurá-las tanto pelo passe como no transporte. Tratar-se-á dum jogador especial? Sim.
Tratar-se-á dum muito bom jogador? Absolutamente.

domingo, 17 de julho de 2016

Com os russos do Zénit um Sporting ainda no fundo

Mais um jogo, mais uma derrota por números expressivos neste inicio de temporada. Razões para grandes preocupações? Não, atendendo ao momento em que nos encontramos. Mas algumas, mesmo que não muito relevantes para já.

Pode-se dizer que para que uma parcela substancial da factura se deve ao nível elevado de adversários e frequência dos jogos alinhados para a pré-época. O elevado grau de exigência pode no entanto compensar no curto prazo. Fica porém a dúvida sobre os efeitos que estes maus resultados possam ter a nível anímico, quer entre jogadores quer entre os adeptos, porque as derrotas, mesmo que a feijões, não proporcionam a confiança e estabilidade sempre necessárias para a construção de uma equipa.

O que se viu ontem foi um pouco a linha de continuidade do que se observou em jogos anteriores: uma atípica desorganização nos vários momentos do jogo, sendo mais notória até agora a registada nos movimentos defensivos. E aqui saliência para uma estranha amnésia no entendimento entre os centrais, que estão muito longe do que exibiram no final de época, agravada por erros de cariz individual de palmatória. Mas não são apenas os centrais a merecer reparo, nestes jogos foi notório que Petrovic está muito longe de estar integrado e completamente identificado com o papel que se lhe exige.

Ainda no sector recuado é obrigatória a referência a Abze Jug, cujas actuações deixam a maior preocupação e perplexidade. Preocupação pelas limitações exibidas e perplexidade ao tentar perceber as razões que levaram à sua contratação, uma vez que se trata de guarda-redes que praticamente não contabiliza tempo de jogo num já longo período. 

Ressalve-se porém que já foi notória uma maior intensidade, com os jogadores progressivamente a denotarem maior disponibilidade física, essencial para responderem ao que Jesus pretende deles. Destaque obrigatório para o menino Gélson que, para lá de uma já muito apreciável forma física, deixou promessas  muito reais para uma época de afirmação plena.

Como nota final as várias ausências e indefinições ainda existentes no plantel, e que de cuja resolução se escreverá muito do que será a resposta da equipa no campeonato. Como é evidente, um Sporting com os campeões europeus já integrados será uma equipa muito mais capaz. E falta ainda saber como e quem será os elementos mais adiantados na frente de ataque.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Ruiz & Ruiz, uma sociedade que promete? E a convocatória olimpica, um Rio de irracionalidade

Ruiz & Ruiz
Continua a ser ainda muito cedo para conclusões, mas já se conseguiram vislumbrar alguns pormenores em Alan Ruiz. Atendendo a que vem de um longo período de paragem é de esperar que, uma vez recuperados os índices físicos, o jogador consiga expressar melhor a qualidade técnica cuja fama o precedeu. A ser assim poderá estar em formação uma sociedade promissora com o Bryan Ruiz.

Do lado negativo do ensaio em Nyon fica a lesão de Spalvis, Não há lesões oportunas, mas as que acontecem nos primeiros momentos da época, com jogadores recém-chegados pode acabar por lhes carimbar o destino. Oxalá o pior não se confirme, faltando apurar se o joelho afectado não é o mesmo que foi responsável por uma longa paragem há precisamente dois anos (Agosto 2014).

Convocatória para os Jogos Olímpicos
Quase ninguém sai bem do resultado da convocatória para a selecção que representará Portugal nos Jogos do Rio 2016. Logo à partida a pré-convocatória divulgada por Rui Jorge, ao incluir vários jogadores que estiveram no recente campeonato da Europa. Já nem sequer coloco a questão da motivação, partindo do principio que uma Olimpiada e tudo o que a envolve pode ser um momento único na vida de um atleta. Mas quando é que os jogadores terminariam a época e começariam a nova, com as merecidas férias de permeio? 

Do outro lado os clubes, ao recusarem a ida de alguns jogadores que, em condições normais, estariam presentes. Mas aqui a pergunta justifica-se: devem os clubes descurar as principais competições que se avizinham em prol da selecção? Ou não deveria o Comité Olímpico Internacional procurar uma posição de consenso com a FIFA, de modo a que os interesses de todos (clubes que despendem largos recursos, atletas, federações e, claro o público) pudessem ser melhor acomodados e defendidos? A resposta parece-me óbvia.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A tragédia com o Mónaco

Primeiro jogo da época recheado de erros e desacertos. Mas era expectável outra coisa para o primeiro jogo da época, com um par de semanas de treino? Sim, podia ser, se o adversário fosse outro. Ora o Mónaco está em apronto acelerado para disputar as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, tem já outro andamento, sobretudo do ponto de vista físico. Se houve algum erro aqui talvez ele tenha residido na escolha deste adversário para esta altura. 

Nenhuma surpresa na prestação de Podence, que há muito já reclama outro enquadramento que a equipa B não lhe pode oferecer. Do resto, tudo muito caótico para já, a não permitir desempenhos brilhantes, o que se sabe ser precisamente a antítese das equipas de Jesus. 

A única nota de alguma preocupação fica para actuação do guarda-redes Azbe Jug que, pela posição que ocupa, depende sobretudo das suas aptidões para o lugar. As saudades de Patrício foram muitas, as comparações anteriormente feitas com o seu compatriota Oblak são, pela amostra, claramente exageradas. Para ambicionar aquele lugar, com o peso que tem na nossa história, está obrigado a demonstrar muito mais. Esperemos que tenha sido a excepção que a regra não confirmará.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Vitória dos fracos sobre os fortes

Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia, País de Gales e França.
Um dos argumentos na ideia de que a vitória de Portugal no último campeonato da Europa adquiriu as proporções de um feito extraordinário, aponta o facto da vitória portuguesa ter-se visto alcançada com socorro a muito carácter e poucos recursos, relativamente ao poderio de outras selecções presentes na prova.

Em face da equipa portuguesa reunir em simultâneo um dos melhores guarda-redes da Europa, um campeão europeu pelo Real Madrid no centro da sua defesa, médios (em tempos, ou agora) cobiçados pelos melhores clubes da Europa como William, J. Mário, A. Gomes, R. Sanches, ainda outros médios de méritos inegáveis como João Moutinho ou Adrien, somados a jogadores de qualidade acima de qualquer suspeita como Nani e Ricardo Quaresma, quem diariamente sustenta a existência de tanta qualidade consegue ver na vitória portuguesa o triunfo dos fracos sobre os fortes.
Mais útil se a toda esta qualidade lhe juntarmos o melhor jogador do planeta.

Encontra algum problema neste argumento?

terça-feira, 12 de julho de 2016

A prece, o milagre e a obra. Sugestão para leitura. 2 em 1.

Na final frente à França, enquanto Rui Patrício empurrava a selecção portuguesa para novo prolongamento, 25 minutos antes do belo golo de Éder que coroou de glória um percurso marcado por incapacidade e pelo acaso, reparou certamente como no banco de suplentes o seleccionador português rezava. Por tudo o que espero e desejo seja para glória de seu nome, afirmou o muito legitimamente emocionado Fernando Santos.
Penso por isso no campeão Europeu por selecções Fernando Santos (por quem sinto estima), e penso também no quase esquecido e persona non grata, Carlos Queirós (por quem sinto muito estima), principal responsável pela reformulação duma modalidade que em tempos nos permitiu crescer como nunca, através dos brutos conhecimento, inteligência e método. Tanto trabalho teve o Professor Carlos Queirós, naquela altura, quando o impressionante pulo qualitativo que promoveu poderia ter-se visto alcançado pelo meio de 1 terço, 2 ou 3 dentes de alho e a reza de meia dúzia de versos criados há 21 séculos por ignorantes em desertos do Médio Oriente, ou a relação com instituições e suas derivadas, desses divinos cancros provindas ...

Evidentemente, não presumo que a fé do seleccionador português tivesse prejudicado, ou prejudique, a sua prestação. Sinto-me no entanto com liberdade para comentá-la a partir do momento em que a torna pública, e a partir do momento em que tantos jornais tentam impingi-la. Reservo-me o direito a não ser incomodado.

Ou neste caso protestar pelo incómodo causado.

Em sentido inverso, recordo o porquê de treinadores como Cândido de Oliveira, Carlos Queirós, José Maria Pedroto, José Mourinho, Jorge Jesus, e/ou outros, ocuparem lugares ilustres na história do futebol em Portugal, lugares cujas reserva não se vê substituída pelo esquecimento nem pela ingratidão.

Regressando à fé ...


Como sugestão de leitura, relevo também o artigo da autoria do presidente do Sporting publicado no semanário (presumo) católico 'Agência Ecclesia', Promoção de «valores e ética» é legado tão importante quanto o dos títulos.

Valores e Ética, não ria.
No artigo, perceberá de que forma Bruno de Carvalho se estabeleceu como agente-motorizado para que em provas da UEFA e da FIFA o vídeo como auxílio aos árbitros se visse introduzido, acrescentando essa a outras profissões de fé tantas vezes incluídas nas certezas que normalmente possui sobre qualquer tema.

Poderá ainda, ou não, encontrar versos de colaboração do presidente do Sporting nos portais 'Evangélico', 'Dominus', 'Fé Religiosa, comendo gelados com a testa', 'Ide, Sem Medo, Para Servir', o muito popular entre moderados e fundamentalistas muçulmanos 'Como violar mulheres com permissão divina. E como condená-las à morte pelo crime de terem sido violadas', ou o muito aclamado entre círculos religiosos católicos 'Guia do Vaticano para a sexualidade: os bispos e as crianças'.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

De entre as brumas para a memória

O futebol é fértil em surpresas e, como a generalidade do desporto, frequentemente dá-nos grandes lições. A vitória da selecção portuguesa no Campeonato Europeu em França foi seguramente ambas: surpresa e uma lição e este post hoje falará sobretudo disso.

Para os mais novos a presença da selecção nacional nas grandes competições é vista hoje com normalidade, mas para os da minha geração isso estava longe de ser um hábito. Depois da geração dos Magriços de 1966 foram necessários quase vinte anos para ver novamente a selecção numa fase final. Coincidentemente, foi em França (1984) que uma das melhores gerações de jogadores de que me lembro nos fez sonhar, até acabar em pesadelo numa véspera de S. João que nunca mais esquecerei. 

Jogadores notáveis como Eusébio, Coluna, Damas, Bento, Eurico, Diamantino, Chalana, Gomes, Jordão, Néné, Figo, Futre, Rui Costa, muito bem secundados por outros de enorme valor, não conseguiram o que esta agora acaba de alcançar: um título colectivo ao mais alto nível. Com sinceridade, confesso que não esperava agora, depois de ver ficar de mãos vazias selecções mais dotadas de talento que a actual.

Um líder é isto
A grande diferença registada nesta selecção para as demais - pelo menos para as que vi jogar - esteve indiscutivelmente no líder e na forma como soube liderar o grupo de selecionados. Sóbrio em todos os momentos, pouco dado a estados de alma em quaisquer circunstâncias, foi o principal responsável pelo notável espírito de corpo e de missão, talvez as principais virtudes dos actuais campeões. Inevitavelmente terá que se estender os créditos a quem o foi buscar, num momento de profunda indefinição e ainda por cima com um castigo a pender-lhe sobre o pescoço.

Estou longe de ter grande apreço pela proposta de jogo de Fernando Santos, o que nem sequer é de agora. Mas uma das grandes lições que fica desta conquista é que para chegar à vitória não há apenas um caminho. E este, não sendo o que mais me agrada, não pode deixar de ser registado como tendo sido alcançado sem derrotas.

Momentos
Se fomos suficientemente audazes a sorte - que tantas vezes se alheou de nós em competições anteriores - fez questão de nos acompanhar em momentos chave, alguns deles sem intervenção directa. Por exemplo, o golo dos islandeses no último jogo da fase de grupos, já depois da hora, teria repercussões decisivas no emparelhamento com os adversários, teoricamente mais acessíveis na fase a eliminar. O golo do Quaresma e o penalty defendido por Patrício são também momentos incontornáveis no percurso até à tribuna de honra do Stade de France.

Fado
Soubemos merecer este titulo, partindo de um nível aparentemente baixo para acabar em grande. O percurso das equipas haveria de nos dizer que o empate com a Islândia não foi assim tão mau como pareceu na altura. Esse terá sido o jogo com a Hungria onde, paradoxalmente, fomos uma equipa vulnerável, precisamente a antítese da imagem de que a Europa registou do actual campeão. Talvez tenha sido aí o jogo em que tivemos azar de forma reiterada. Mas o que representaria noutras ocasiões um evento como a lesão de Ronaldo, senão uma súbita síncope e capitulação? A forma como superamos o infortúnio, ainda por cima perante um poderoso anfitrião, é matéria da qual se constroem os heróis e as lendas.

Capitão 
Se nenhum profissional de futebol merece passar pela provação a que Ronaldo foi submetido, o que lhe aconteceu acabou por ser a revelação, como se preciso fosse, do compromisso dele com a camisola que veste, a bandeira que representa e com os colegas que capitaneia. Que exemplo!

O herói improvável
O golo do Éder é o momento que ficará eternizado na memória de um povo. Porque esta vitória não é apenas de quem gosta de futebol. É uma vitória de todos nós, pequenos como somos, mas cujos horizontes nunca aceitamos confinarem-se entre os espanhóis nas costas e o medo da imensidão do mar. E quem melhor do que um protagonista com a história de vida pessoal e profissional dele para protagonizar o grito de afirmação e de revolta destes lusitanos nos confins da Ibéria que não se governam nem se deixam governar? E logo com a França...

P.S. - Tenho pena dos que sofrem de clubite aguda e para quem o maior triunfo do futebol português até hoje tenha sido vivido como uma mera extensão das diatribes do nosso campeonato. 

domingo, 10 de julho de 2016

Cristiano Ronaldo, por Jari Litmanen

Em 2010 tive a alegria de ver jogar ao vivo um dos meus heróis de infância, o finlandês Jari Litmanen. Fora do universo Sporting, o único herói que alguma vez tive oportunidade de ver jogar ao vivo. Retirado do futebol ao mais alto nível, pelos seus 40 anos a jogar ainda como profissional num clube local, apesar de ao longe ser o melhor jogador do seu meio, nem Litmanen evitaria que a sua equipa se visse relegada à divisão inferior.

Contudo, além da distinta qualidade que ainda exibia como praticante de futebol, releva-se naquele contexto o exemplo de perfeita humildade, espírito de sacríficio e generosidade.
Quis hoje, permitiu-o um infeliz incidente, que Cristiano Ronaldo se despedisse do Europeu evidenciando tudo aquilo que faz dele, em sentido não futebolístico, um herói. A mesma humildade, desapego do seu próprio interesse - no caso condição física, inquebrável desejo de querer ser e dar tudo à sua equipa. A mesma generosidade e inocência, própria de alguns atletas de elite e de muitos amadores. Simplesmente grande.

post scriptum,
Keep calm and trust Rui Patrício.

Recordai hoje de novo o esplendor de Portugal

Orwell distinguia patriotismo de nacionalismo, conferindo à primeira uma natureza defensiva e à segunda uma tendência expansionista. No patriotismo caberiam formas como as de defesa militar e cultural. No nacionalismo revela-se o propósito de consolidar poder e prestígio, não necessariamente para o nacionalista mas para a nação ou unidade na qual o indivíduo afunda a sua individualidade.
Por preguiça, mal representando para este efeito o pensamento, diria qualquer coisa no seguinte modo: o patriota identifica-se e por impulso cuida de proteger. O nacionalista também poderá começar por identificar-se, mas depressa incorre na visão de um mundo onde o sucesso duma causa (a sua) está directamente relacionada com o insucesso ou a ruína de outras. O patriota dificilmente se reconhecerá como tal. O nacionalista apropriar-se-á indevidamente do termo patriota.

Daí, regressando fiel e novamente em exclusivo a Orwell: todo o nacionalista é capaz da mais flagrante desonestidade, mas também - pela noção de servir qualquer coisa maior do que o próprio - é dono da inabalável certeza de que tudo o que faz é o correcto.

Isto dar-nos-ia pano para para mangas mas não existe tempo. Servirá como moldura.

Pense nas grandes equipas e selecções de futebol que evocam noções patrióticas. De forma grosseira, passe tudo o que conhece pelo filtro que fará sobrar aquelas onde identificamos / identificámos / costumávamos identificar mas já não identificamos um conjunto de princípios, ideias, atributos definidores de uma identidade. Falo de cultura e apelo à sua capacidade de reconhecimento, reconhecimento esse que neste exercício transferirá de equipas para clubes e de selecções para países. Já está? FC Barcelona, Manchester United FC, FC Porto, AFC Ajax, AC Milan, Brasil, Holanda, Alemanha, Portugal, entre algumas ou muitas outras consoante a linha de tempo que estiver disposto a percorrer.
Verificará que pela facilidade de reconhecimento identitário, atribuímos às unidades chavões que em muitos casos fazem algum sentido. Para Portugal, 'o Brasil da Europa', chavão que se vai perdendo no tempo e que não importando agora desempacotar, remete para o explícito elogio da capacidade que Portugal tinha / tem de jogar bom futebol.

Existe uma relação entre futebol e patriotismo, jogo em sentido amplo cultural e de forma restrita jogo exibidor de cultura, receita a clubes por meio de equipas e a países por meio nalguns casos de equipas mas fundamentalmente selecções. Tudo isto é fácil e está aqui a razão para que uma selecção como a portuguesa, em 2000, me tivesse como exemplo magnetizado. E para que tivesse evocado os meus impulsos patrióticos. Com pena, a selecção que hoje em França pretende representar-nos (cultura portuguesa) será jamais capaz do mesmo. Os elementos definidores da identidade não estão lá. Não só não estão lá, como desejaria que o que lá está em nossa representação não estivesse, em virtude de nos desrepresentar. Ainda assim, futebol de selecções não se resume a patriotismo e poderemos sempre ver o jogo pelo jogo (é como deveríamos vê-lo na maioria do tempo). Neste caso, no Portugal VS França de hoje, desejo que vença a selecção que melhor jogar, desejando à partida que essa selecção, por empatia, hoje, seja a portuguesa.

Por fim, na hipótese da cultura portuguesa (pelo meio de futebol ou outras) lhe motivar sentimentos patrióticos, nunca permita a alguém apropriar-se ou negar-lhe esse sentimento. 
De forma análoga, e porque estamos no «A Norte de Alvalade» - espaço leonino, permita jamais que alguém reduzido pela ignorância, movido por interesse, sentimentos maus, ilusões de grandeza, auto-decepção ou outras, se aproprie, negue ou questione o sentimento sportinguista. Não o permita no interesse do Sporting e no seu próprio interesse. Não o permita também porque quem procurar apropriar-se ou questionar o seu sportinguismo, não estará a fazê-lo por lealdade ao Sporting.

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