sexta-feira, 17 de abril de 2015

3 ideias depois da vitória do FCP sobre o Bayern

A vitória do FCP sobre o Bayern não deixou ninguém indiferente muito pelo seu carácter excepcional: foi a primeira vez que o colosso bávaro perdeu em Portugal e, como se tal não bastasse, os alemães sofreram nesse jogo tantos golos como haviam sofrido em todos os jogos anteriores por aqui disputados. O carácter excepcional desse resultado merece aqui meia-dúzia de linhas agora.

Começando justamente por aí, pelo carácter excepcional, é minha convicção que o azuis e brancos beneficiaram de uma conjunção de factores que tonaram possível uma vitória que, pelos números verificados, dificilmente assistiremos à sua repetição. As lesões de jogadores determinantes na frente de ataque e três golos literalmente oferecidos foram alguns desses factores.O mérito, que não pode ser diminuido, esteve em saber aproveitar as circunstâncias. Deu seguramente muito trabalho a ter a sorte que teve.

Aparentemente a vitória do FCP não tem nada a ver com o Sporting, mas tem. Como aliás têm todos os resultados que as equipas portuguesas conseguem nas competições europeias. A rivalidade que resulta de apenas um clube poder ser campeão todos os anos choca com o interesse comum em conseguir o maior número de pontos nas competições europeias. É a forma de garantir a presença do maior número de equipas no ano seguinte na Liga dos Campeões, competição que não apenas confere prestígio como o suporte financeiro para manter a competitividade. 

Essa necessidade é mais premente em clubes de países como o nosso, com pouca capacidades de expandir o público alvo e este tem reduzida capacidade económica. Não somos apenas poucos, são poucos os que podem acorrer as vezes que gostariam ao futebol e ao dispêndio que lhe está ligado. A isso soma-se uma Liga pouco atractiva, para lá dos clássicos e derbys. As receitas obtidas internamente são insuficientes para permitir o mínimo de competitividade internacional e a ideia de nos termos que circunscrever ao nosso pequeno rectângulo futebolístico é contrariar a ideia de grandeza que acalentamos para os nossos clubes.

Do rescaldo da vitória inesperada do FCP e do que disse acima deixo três ideias para reflexão e discussão:

- Há ou não necessidade de uma estratégia comum para o futebol português, de forma a criar uma base de entendimento para uma reflexão critica sobre os quadros competitivos, desde as formações de base até às seniores? Temas como o número de equipas, como contornar os efeitos da Lei-Bosman, por exemplo, são obrigatórios. 

- Os fundos. A vitória do FCP ante o Bayern, ou sobretudo as finais do SLB e Braga, mais a conquista da Liga Europa nos últimos anos devem relançar a questão sobre que alternativa há para contrariar a cada vez maior distância para os grandes clubes europeus. 

- O dinheiro não é tudo, os jogadores e os treinadores continuam a ser os actores principais. Os melhores são os mais caros e os que falham menos. É essa a explicação para a eliminação com o Wolsburgo, que ontem foi sovado em casa pelo Nápoles. Como então disse, teria bastado o Jackson para estarmos na eliminatória seguinte. E já não vale a pena falar sobre o jogo de Maribor...

- O Sporting tem recebido mais do que tem dado, uma vez que tem retirado mais do que tem contribuído para o ranking dos clubes portugueses. Certamente que não há nenhum Sportinguista que se reveja neste quadro. A actual estratégia desportiva e económica é a mais adequada para nos aproximarmos dos dois rivais?
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

A propósito do regresso do ciclismo

Por ocasião do dia das mentiras, há cerca de duas semanas, alguém se lembrou de ressuscitar uma noticia que ainda não o é: o regresso do ciclismo ao Sporting. A noticia gerou algum entusiasmo, até se ter feito a imprescindível verificação de calendário. Na altura lembrei-me de escrever duas linhas a propósito, o que vou fazer finalmente hoje, um dia bom para falar de modalidades, no dia seguinte à qualificação da equipa de andebol para a final da modalidade, a disputar com o FCP.

Sobre a possibilidade do regresso do ciclismo ao clube tenho uma opinião que é capaz de não estar em linha com a da maioria. A modalidade foi das que primeiro me pôs em contacto com uma camisola do clube, ao tempo em que a rivalidade entre nós e o rival acima da estrada se estendia também às estradas. Tive a felicidade de ver Joaquim Agostinho de verde e branca vestida, enfrentando o rival de então, Fernando Mendes. Sorte que se havia de repetir uns anos mais tarde, com o final trágico que hoje se conhece. 

O ciclismo, nas décadas do século passado, cumpria uma função que o futebol não lograva. Este, por se circunscrever aos estádios, era muitas vezes vivido em diferido e era o ciclismo que levava as camisolas dos clubes e respectivas emoções quase até à porta das pessoas, especialmente as que viviam longe dos grandes centros. Como certamente aconteceu com muitos da minha geração acabei por me tornar um adepto da modalidade, coisa que há muito deixei ser. Aos poucos foi nascendo em mim a convicção que os campeões nesta modalidade são os que conseguem fugir ao controlo antidoping e a paixão pela modalidade desvaneceu-se. Para quem gosta de ficções a oferta é hoje não só farta como diversificada. 

Tudo isto para dizer que se a ideia de fazer regressar mais modalidades ao seio do clube preferia que a escolha recaísse noutras, que não o ciclismo. Por exemplo, uma das que clama a nossa atenção é o basquetebol, que joga com as nossas camisolas, mas vive da carolice de meia- dúzia de apaixonados pela modalidade e pelo clube. A Associação de Basquetebol do Sporting Clube de Portugal foi criada fez no passado dia 14 três anos e conta já com mais de um cento de atletas federados, entre séniores femininos - a equipa mais representativa e que se qualificou para a fase final do respectivo campeonato da primeira divisão - até às escolas em ambos os sexos, Sendo uma modalidade de pavilhão e ainda por cima com uma tradição de grandes campeões e vitórias, quem sabe a construção do tão desejado pavilhão não seria a altura para reparar a injustiça que se cometeu quando se obrigou os sócios a escolher entre ela e o andebol. 

Os custos são muitas vezes apontados como o principal óbice à aposta nesta ou naquela modalidade. Ora, fazendo bem as contas, o que por vezes se gasta num perneta para dar uns pontapés na bola mas que nem merece a água do banho dava e sobrava para devolver alguma da grandeza que muitos de nós já tivemos a sorte de presenciar.




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segunda-feira, 13 de abril de 2015

O jogo em Setúbal foi um aviso premonitório ou mero acidente de percurso?

Como dizia ontem, o jogo de Setúbal foi tudo menos brilhante. Este veio-se juntar a outros jogos menos conseguidos. Inevitavelmente o foco das atenções volta-se novamente para Marco Silva, o responsável técnico da equipa. Há quem peça a cabeça do treinador por razões meramente politicas - o que deixou de ser novidade em determinados sectores desde Dezembro - ou porque acham que o seu papel esgotou no que ao crescimento da equipa diz respeito.

A questão é importante, sendo claro, neste momento, que a equipa se afastou do melhor futebol que já praticou na época que ainda decorre. Da análise das causas desse afastamento, especialmente da que for feita por quem tem a capacidade de decidir, será definida a continuidade ou extinção da ligação do treinador ao clube. Atendendo à importância do cargo será uma das decisões sobre as quais se construirá grande parte da sorte da próxima época.

A primeira pergunta que me parece importante colocar é que importância atribuir ao jogo de ontem em Setúbal, no contexto da época e no que foram jogos com equipas de valor e registo futebolístico semelhante. Se atendermos às melhores exibições da época, pode-se dizer já que há uma matriz:

- quase todas se registaram com adversários de grande valor (Shalke, Wolfsburgo, FCP, SLB), registando-se maiores dificuldades em fazer valer uma hipotética superioridade com equipas mais pequenas, incluindo com o Maribor, na Liga dos Campeões. 

Daí que não me pareça ser precipitado concluir que o jogo com o Setúbal se veio juntar a tantos outros desta época, não havendo grande novidade por esse lado.

Onde estamos a falhar então?

- na escolha do adequado modelo de jogo para superar as dificuldades especificas que este tipo de adversários coloca?

- na incapacidade dos jogadores se auto-motivarem para estes jogos, especialmente agora que a equipa tem os horizontes praticamente limitados ao lugar onde se encontra?

Não tendo uma capacidades adivinhatórias, prefiro esperar mais algum tempo para emitir uma opinião sustentada sobre o trabalho de Marco Silva. Neste momento é óbvio que existe uma pressão mediática sobre o seu trabalho, cujas razões são diversas e conhecidas de todos. Dai que prefiro  aduzir a esta discussão aquilo que me parecem ser questões muito especificas do jogo em Setúbal e que me parecem estar a ser negligenciadas na respectiva apreciação:

- A habitual dificuldade em jogar com equipas muito reactivas e pressionantes sobre a construção do nosso jogo, especialmente quando a bola saia do central para o lateral, para o qual não me parece haver ainda uma solução alternativa válida. Essa alternativa é perfeitamente possível de ser trabalhada e construída, mas obrigará certamente a pensar se ela é possível com jogadores muito macios ao contacto e pouco talhados para sofrer à procura da bola como alguns que ontem jogaram (Rosel, João Mário, Tanaka, Carrilo e Mané) em simultâneo.

- Num plantel como o nosso não é exactamente a mesma coisa jogar com William, Nani e Slimani e substitui-los de uma assentada por Rosel, Mané e Tanaka e esperar que os respectivos efeitos não se façam sentir no jogo. As comparações são inúteis, tão notórias são as diferenças. Porém a ausência do ponta-de-lança argelino, num jogo formatado para a sua presença, foi gritante. Na brincadeira dizia eu quando o Jefferson mandou "um centro para o quintal": "olha ele está à procura do Slimani". Não é muito fácil "mudar o chip" colectivo para necessidades tão diversas como meter a bola na cabeça do Slimani ou fazê-la chegar pelo chão a Tanaka, por exemplo.

- O jogo de Setúbal não deixa porém de constituir alguns aviso que seguramente são desnecessários, tamanha é a evidência e que voltamos a repisar:

- A ausência de Nani  vai ser notada, especialmente a do melhor Nani do inicio de época, que ainda não voltamos a ver de forma consistente. A sua substituição tem tudo para ser dolorosa. Poderá ser um pouco como termos que nos habituar a andar no carro do costume depois o tio rico nos ter emprestado o Aston Martin durante um ano. Contudo fica um caminho aberto para a esperança que a solução passe por um colectivo melhor articulado e consistente e menos dependente de soluções individuais milagrosas.

- Será muito difícil manter o nível se, à saída de Nani, corresponderem também a saída de Carrillo e William.

Ainda sem conclusões definitivas, é minha convicção que esta equipa, na sua configuração actual - plantel e treinador - tem ainda por onde crescer. Esse crescimento passa em muito pelo amadurecimento que resulta da acumulação da experiência e da estabilidade. A falta traquejo nos momentos decisivos foi notória por exemplo, na tremideira da recente segunda-mão da meia final da Taça de Portugal.
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domingo, 12 de abril de 2015

V. Setúbal - Sporting - o regresso de Olegário

O Sporting cumpriu sem grande brilho a obrigação de ganhar hoje em Setúbal. Não foi brilhante porque encontrou um adversário determinado em contrariar-nos, muito reactiva e bem preparada para o nosso jogo. Após um começo dificil, sem conseguirmos ligar o jogo, acabamos por nos impor e chegar à posição de um confortável 2-0 ao intervalo. Vantagem pouco duradoura, que terminaria com um belo golo adversário, mesmo que algo consentido. Depois apareceu Olegário, a fazer uma prova de vida, quando já muitos não nos lembraríamos dele. Ganhamos, apesar dele.

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Os grandes temas desta Primavera / Verão: investidores, renovações, publicidade, caso Doyen, etc.

A noticia que é hoje capa no jornal "O Jogo" será com certeza um dos principais temas de conversa dos próximos meses. Está em causa a estrutura accionista da SAD e no limite a perda da maioria do capital. Não sabendo ainda o crédito que a noticia merece, fica a constatação do óbvio: o mistério à volta do(s) titular(es) dos dezoito milhões são o principal combustível das especulações, que certamente não ficarão por aqui. 

Confesso que o meu maior temor neste tema não é ainda a perda da maioria da SAD - que não é bem a mesma coisa que a perda do controlo - mas sim que a solução que venha a ser encontrada para cobrir aquele capital seja apresentada de forma dramática, sem aparente alternativa, ao jeito de "ou isto ou caos".

Este será um dos grandes temas desta Primavera / Verão que alimentará seguramente grandes e acaloradas discussões. A ele juntar-se-ão com toda a certeza as renovações de alguns dos jogadores mais influentes do actual plantel (e obviamente as contratações e dispensas), a continuidade de Marco Silva, a publicidade nas camisolas, o caso Doyen / Rojo (inicio do julgamento aprazado para Maio), entre os principais. Que nenhum deles supere em interesse a tão desejada festa no Jamor é o meu desejo.
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Adoro o cheiro do Jamor pela noitinha


Jamor aí vamos nós!

(é o que posso dizer de momento, uma vez que um problema momentâneo me impede de fazer análise ao jogo) 
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terça-feira, 7 de abril de 2015

Perceber a contestação a Marco Silva


A minha amiga Ana, "companheira" de inúmeras discussões blogosféricas, resumiu muito bem, num comentário na sua página do Facebook, um dos aspectos cruciais na contestação que se seguiu à derrota em Paços de Ferreira. Escusam de corrigir, há empates que sabem a derrota e o ocorrido na última jornada foi um deles. Diz então a Ana (que cito com a devida autorização): 

Há muita gente que não perdoa o facto de o Marco Silva ter ganho em popularidade quando o presidente decidiu auscultar a mesma junto dos adeptos com o triste episódio de Dezembro. Num jogo em que poderíamos ter ganho por muitos e que acabámos por empatar à custa de falhanços incríveis dos jogadores, o que leio por aí é que a culpa do desaire foi do treinador... Tirar o Slimani? Sacrilégio! O mesmo Slimani que se fartou de entregar bolas ao adversário e que o único golo que marcou até eu o conseguiria concretizar. Foi só encostar. É que nem havia hipótese para atirar à figura do guarda-redes, ao lado, à trave ou ao poste. O único destino possível da redondinha só podia ser mesmo o fundo das redes. Claro que esta gente toda sabe que se ele tivesse ficado em campo, teríamos marcado os que a equipa toda falhou durante os 75 minutos que ele esteve em campo. Cada vez menos pachorra para as discussões da bola...

Como dizia acima, este será um dos principais motivos para a contestação ao treinador: a clivagem que ficou entre os mais fervorosos apoiantes de Bruno de Carvalho e o treinador. Como dizia na altura sobre o episódio de Dezembro, aludido pela Ana, resultou claro que ficou algo por resolver. Quando assim é, o mais natural é que as respectivas consequências venham a surgir nas curvas do caminho, isto é, quando os resultados não são os esperados.

Um dos pontos mais criticados, e também muito bem desmistificado pela Ana, é a substituição de Slimani, pelo que não vou voltar aí. Fácil é também invocar o nome deste ou daquele jogador para o lugar deste ou daquele, porque um jogador que não joga “pode” ser sempre melhor dos que os que jogam, especialmente quando não se ganha. Infelizmente não há jogadores que estivessem de fora dos convocados – Adrien estava castigado – com potencial para emprestar à equipa um acréscimo exponencial de valor, como por vezes se pretende.

Quanto às substituições em geral, cuja importância, na minha opinião, é frequentemente inflacionada, raras vezes elas provocam alterações substanciais ao curso de um jogo, e muitas delas resultam do carácter aleatório do jogo do que da intervenção directa do treinador. Claro que, quando um jogador acabado de entrar marca um golo no primeiro toque que dá na bola, é fácil transformar o treinador num visionário, mas vejo isso muito mais como um acidente do que propriamente como sabedoria. Raras vezes assistimos à viragem do curso de um resultado de um jogo pela acção directa das substituições mas, quando tal acontece, não podemos falar apenas de um golo marcado ou sofrido, temos que haver muito  mais a referir do que apenas isso.


Não sou dos que acho que Marco Silva tem de estar acima de toda a critica. Aliás, de todos os treinadores que “conheço” com muito maior curriculum que o nosso actual treinador, e mesmo entre os que prefiro, não conheço nenhum que não tenha cometido erros que tenham prejudicado as equipas que dirigem ou dirigiram. Mas, com é óbvio, e como a Ana muito bem salienta, o jogo de Paços de Ferreira não deveria ser o motivo para contestar o trabalho do treinador, quando os pontos perdidos resultaram de falhas individuais de jogadores de campo, algumas delas imperdoáveis, mas fora do âmbito do trabalho de um treinador.

Que pode fazer o treinador ante falhas como as que assistimos em frente à baliza do adversário ou à displicência de João Mário no lance que resulta no golo sofrido?

Farei na altura própria o balanço do trabalho de Marco Silva. Neste interim recordo-me de várias  exibições e resultados que me surpreenderam pela qualidade como de outros onde penso que o trabalho do treinador poderia ter ajudado a conseguir melhores resultados. Peso esse misto de sentimentos com a análise do valor dos adversário que nos precedem na classificação e tendo a concluir que, mais ponto menos ponto, superá-los dependia muito do nosso mérito como do seu próprio demérito.
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domingo, 5 de abril de 2015

Paços de Ferreira - Sporting Master Class de desperdicio em jogo "diferente"

Aprenda a desperdiçar o que pode ser uma vitória fácil, tornando-a num empate castigador, poderia ser outro título para o post sobre o jogo de ontem na Mata Real. Um jogo estranho ou paradoxal do Sporting, por se ter afastado daqueles que me parecem ser os melhores princípios já exibidos esta época - gestão da posse de bola e respectiva circulação - e mesmo assim ter construído oportunidades de golo suficientes para golear um adversário com valor. A testemunhar esta estranha opção estão as estatísticas: O Paços de Ferreira ficou atrás de nós no número de cantos e oportunidades de golo mas acabou por cima em tempo de posse de bola, embora se deva também salientar que, em termos atacantes fez de Rui Patrício um espectador com vistas privilegiadas para o jogo.

O jogo foi de tal forma paradoxal que um dos que poderia ter saído como um dos seus "heróis", caso a goleada possível tivesse sido alcançada -  o treinador Marco Silva -  acaba chamuscado por um desperdício de mais dois pontos e por uma substituição - Slimani - que só se pode entender caso a condição física do argelino pudesse fazer perigar a sua participação no jogo com o Nacional, na segunda mão da meia-final da Taça, na próxima quarta-feira. Um resultado lamentável, em que acabamos por fazer a triste figura de inocentes cordeirinhos pascais, quando podíamos e devíamos ter "morto a presa" nas tantas ocasiões em que a tivemos à disposição. 

Não termino sem antes desejar uma boa Páscoa para todos.





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quarta-feira, 1 de abril de 2015

3 ideias para o plantel do próximo ano: manter, aumentar, reduzir.

Começam a surgir as primeiras noticias sobre possíveis movimentações  - entradas e saídas - relativas à formação do plantel do próximo ano. Algumas delas não passarão de especulação pura, provavelmente a maior parte delas, mas há um fio condutor comum a quase todas, que é o que dá conta da eventualidade de o número de jogadores a entrar e sair ser considerável.

Independentemente da credibilidade dos rumores, o tema tem interesse e será por isso aqui hoje analisado. Para tal escolhi três ideias centrais que me parecem dever ser observadas para que o plantel do Sporting possa melhorar o seu nível competitivo: manter, aumentar e reduzir. À priori parecem que estas ideias são antagónicas, julgo que perceber-se-á no final que não.

Manter
O primeira ideia tem a ver com a estabilidade e vai em contra-ciclo com os rumores que apontam para grandes mexidas. O Sporting só tem a ganhar se mexer pouco na estrutura que suporta o plantel há duas épocas. A saída de Nani está já anunciada e é inevitável. Daí que o esforço pedido para que os jogadores que têm formado o núcleo duro dos 18 jogadores mais utilizados tenha que ser maior. E maior porque, como sabemos, alguns dos jogadores que compõem esse lote aproximam-se rapidamente do final do contrato, o que obriga a renovar ou a negociar os seus passes.

Compreender-se-á por isso que alguns deles saiam, até pela necessidade de realização de mais-valias que sustentem uma boa saúde financeira, menos aceitável será a debandada geral. Tal obrigaria a reconstruir a equipa, num ano em que seria desejável e até exigivel um inicio ao melhor nível, por força do que se espera venham a ser os compromissos de qualificação para Liga dos Campeões.

Na mesma linha parece-me incluir-se a manutenção do treinador. Isto porque é minha opinião que ela, não sendo obrigatória ou indispensável, seria desejável. Tal como uma maior articulação com o treinador na formação do treinador, o que notoriamente não aconteceu no ano anterior. Mudar de comando técnico e efectuar mudanças estruturais no plantel é certamente um risco que desejavelmente se deveria evitar.

Aumentar
Subir de nível competitivo é não apenas desejável como obrigatório para que o clube possa alcançar mais do que ficar estacionado indefinidamente abaixo dos dois lugares cimeiros. Para que isso aconteça melhorar a competitividade interna e acrescentar qualidade é imprescindível, parecendo insuficientes em alguns pontos cruciais.

A este nível parece-me faltar um elemento ao centro da defesa, que possa não só aportar mais qualidade à já existente, como oferecer luta pelo lugar a Tobias, Oliveira e Ewerton, se este permanecer. 

No  meio-campo muita coisa poderá acontecer, pelo que o exercício é mais difícil sem saber que elementos irão permanecer. Na actual configuração talvez falte sobretudo mais rotatividade, tendo sido notório que alguns elementos acusaram o esforço pedido de forma consecutiva. É meu entendimento que Martins e Wallyson poderiam ter intervido mais com ganhos para todos.

Nos três lugares da frente será muito difícil substituir Nani e muito mais será se Carrillo também sair. Mantendo-se o peruano será bom dar-lhe concorrência. Onde o upgrade é necessário é no centro do ataque, porque é cada vez mais claro que Slimani e Montero não têm tudo o que é preciso.

Reduzir
Um clube que tem na formação uma das fontes primordiais de recrutamento tem de ter canais abertos para a circulação de jogadores desde a base. Até por razões motivacionais, porque sem horizontes de promoção a acomodação dos jogadores é quase inevitável. Daí que não faça muito sentido planteis extensos, com mais de dois jogadores por posição, sendo as falhas por lesão ou castigo supridas pelos jogadores do escalão inferior. Da A pela B e desta pelos júniores. Plantéis curtos promovem a competição interna e tendem a fornecer mais oportunidades a todos os jogadores.

Obviamente que, para que tal suceda sem grandes perdas, é necessário que na formação dos respectivos plantéis os critérios de selecção sejam muito mais rigorosos do que o mero preenchimento numérico. O número actual de jogadores sobre contrato, alguns deles bastante prolongados, seria um dos grandes principais óbices à obtenção deste objectivo.
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terça-feira, 31 de março de 2015

“Em termos de gestão, o Sporting, em dois anos, conquistou a Liga dos Campeões e foi campeão nacional”

Termino hoje a trilogia de entrevistas dadas por Bruno de Carvalho à comunicação social, por ocasião do segundo ano de mandato, com a publicação da que foi efectuada pelo DN. Uma entrevista diferente das que são habitualmente realizadas pelos jornais desportivos. Contudo, para lá da frase que foi retirada para servir de título, nada de novo ou especialmente relevante é dito. A razão de ter ido à procura dela, para lá de a partilhar com os leitores, foi precisamente a referência à gestão, especialmente do que está pensado para o futuro, uma vez que esse foi um tema que não chegou a ser abordada nas entrevistas anteriores.


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segunda-feira, 30 de março de 2015

A 2ª parte da entrevista: Carrilo, Labyad, Formação, Fundos, Nani, Shikabala





Coloco hoje à disposição dos leitores a segunda parte da entrevista de Bruno de Carvalho ao Record. Embora tenha sido largamente difundida em diversos fóruns, ela fica aqui como registo para a posteridade. Abaixo faço comentários breves aos principais temas abordados.

Renovação de Carrillo e Rúbio
Pouco ou nada foi dito em concreto, o que se compreende, uma vez que não faria qualquer sentido divulgar pormenores. Fica a convicção de BdC que não haverá jogadores nossos a transitar para os rivais, não tendo sido contrariada a ideia que a renovação de Carrillo está parada. Percebe-se também que a preparação da nova temporada não foi ainda abordada entre aquele que será por certo o triunvirato que tomará decisões: BdC, Inácio e o treinador. Falta saber se este retardar é meramente circunstancial ou é voluntário, no sentido de aguardar pelos resultados da época em curso para assim se tomar decisões.

Labyad
Parece definido o seu regresso o que me parece uma boa decisão. Trata-se de um bom jogador, com um elevado potencial, apesar de carecer ainda de evolução e aprendizagem e que me pareceu mais vitima do momento em que chegou ao clube do que propriamente réu. Veremos como é agora recebido em Alvalade, depois de tudo o que se fez e disse para denegrir o carácter do jogador. No tema é desmentida a existência de um tecto salarial, o que me parece fazer todo o sentido, desde que fiquem salvaguardados desequilíbrios que ponham em causa a estabilidade do plantel.

Formação
Segundo o presidente não há razões para alarme no que diz respeito à formação e há que aguardar pelo ajustamento que medidas recentemente tomadas produzam efeitos. Defende Virgílio, que diz ser um mouro de trabalho. É sobretudo um discurso de circunstância, não seria de esperar que viesse dizer o contrário. Contudo, os sinais neste momento são mistos e há que aguardar para perceber melhor em que direcção se caminha.

Fundos
Para que não restem dúvidas, uma vez que o tema foi objecto de discussão aqui há dias, o discurso actual de BdC é bem claro na sua oposição aos fundos, tendo abandonado a ideia de regulação. Os argumentos são os já conhecidos. 

Nani não volta
Sem surpresa, ficou-se a saber que não haverá repetição do empréstimo de Nani. Obviamente que todos lamentamos, mas é tempo de reafirmar a importância deste retorno, mesmo que episódico, de um jogador com a categoria e com o passado de Nani. Foi bom enquanto durou. Fica no entanto uma ideia: talvez fosse melhor, à semelhança da estratégia usada com outros dossiers, guardar a revelação para uma data mais próxima do final da época, quer no que diz respeito ao efeito da noticia nos adeptos, quer mesmo no balneário. Acresce dizer que A saída de um jogador como Nani cria uma dificuldade adicional à constituição do plantel do próximo ano, bem como uma gestão cuidadosa no que diz respeito a mais saídas de jogadores actualmente titulares.

O erro de casting Shikabala
BdC defende a decisão de contratar o egípcio e negando a ideia de que foi um erro de gestão. Os argumentos são frágeis, atendendo ao passado do jogador. O risco era grande, não compensou e os resultados são os que hoje se sabem.

Diversos
- O empréstimo obrigacionista servirá para pagar o anterior, embora exceda o seu montante em mais 10 milhões, sem que se esclareça o seu destino.

- O nome do mais recente investidor na SAD será conhecido "no momento certo". Aquando da sua divulgação perceber-se-á melhor, ou não, a necessidade do sigilo.

- Estão a decorrer negociações sobre a publicidade nas camisolas. 

- Em principio devemos voltar a estar representados na Taça da Liga sem qualquer restrição.
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quinta-feira, 26 de março de 2015

Dois anos de Bruno de Carvalho: os méritos, as fragilidades, os desafios. A entrevista


Nota: junto ao post a entrevista concedida ao Record, reeditando assim o post.

Bruno de Carvalho completará no próximo dia 27 dois anos na liderança do Sporting. Está portanto a meio da viagem do mandato que lhe foi conferido pelos sócios. Um momento natural para se fazerem as tradicionais avaliações, será o que aqui hoje se tentará fazer. A sua nomeação em exclusivo e não de uma equipa parece-me fazer aqui todo o sentido tal tem sido o cunho pessoal e centralizador imprimido à tomada de decisões.

Numa análise como esta há matérias sobre as quais é possível emitir uma opinião definitiva outras há, pela sua complexidade, que só o tempo deixará perceber o produto resultante da tomada de algumas decisões. Depois há os condicionalismos resultantes do facto de a gestão de um clube estar muito ligada aos resultados desportivos, em particular o futebol, o grande gerador e consumidor de receitas, sendo estes determinantes para a definição do sucesso.

Elencar-se-ão de seguida, de forma resumida, aqueles que são considerados por mim os principais méritos na actual gestão, considerando desde já alguns aspectos e circunstâncias importantes que marcam a chegada de Bruno de Carvalho à presidência do clube:

- Um cenário particularmente difícil do ponto de vista financeiro, resultantes da falência da gestão anterior, que se reflectiu na pior época de sempre no futebol, agravado pelo facto de ficarmos fora das competições europeias.

- Um clube há muito desaurido e estilhaçado por convulsões internas, em muito resultante pela falta de vitórias e de liderança, com as consequências a fazerem-se sentir quer no espírito do clube e dos adeptos quer na forma como eramos visto de fora.

- Um clube a clamar por uma mudança na nomenclatura dos seus dirigentes de forma a acabar com álibis de alguns e por fim a muitos interesses instalados.

Méritos

 - Implementação da reestruturação financeira. Independentemente de quem seja a autoria - da direcção anterior, dos credores, ou da actual direcção - o mérito tem que ser tributado a quem a implementa. Ela era crucial para o clube poder sobreviver depois de quatro anos (Bettencourt e Godinho Lopes) de um elevado investimento do qual não resultou nem retorno financeiro nem retorno desportivo. 

- Neste âmbito os exercícios económicos positivos consecutivos merecem também destaque. Bem como melhores performances nos resultados obtidos com as vendas de jogadores, tão importante para o reequilíbrio financeiro.

- Algumas medidas tomadas neste âmbito, nomeadamente o despedimento de funcionários, podem até ter sido injustas para alguns, o que é sempre de lamentar, mas é também verdade que a margem de manobra era muito limitada e o Sporting acumulava em quase todos os sectores gente a mais, acomodada e mal orientada.

- A re-aproximação do clube às bases, com a implementação de medidas que trouxeram o acréscimo do número de associados. 

- A resolução de alguns problemas que se arrastavam no tempo e pareciam insolúveis, como a colocação das claques na mesma bancada, conseguida de forma simples e célere, ou a edificação do tão ansiado pavilhão, cujo lançamento da primeira pedra está a um par de dias de ocorrer. O inicio das emissões da SportingTV.

- À reorganização das modalidades, sobretudo ao nível financeiro, com a diminuição de verbas, não correspondeu a tão temida perda de competitividade. É certo que também não melhoramos, mas dificilmente se consegue crescer sem por mais adubo, leia-se euros. A par disso juntou-se o hóquei às modalidades que regressaram integralmente ao clube, estimando-se que o mesmo venha a suceder com o basquetebol e o râguebi.

- Um dedo especial para a escolha dos treinadores. Grande parte do ressurgimento competitivo do clube, especialmente no futebol, advém de duas boas escolhas consecutivas, Leonardo Jardim e Marco Silva. 

Fragilidades

- Ao contrário do que se podia esperar a conflitualidade interna continua a ser um problema para o Sporting. As responsabilidades são de todos, maiores de quem ganhou porque, como em qualquer contenda, os termos da paz são ditados por quem vence. É minha convicção que aqui Bruno de Carvalho podia ter feito mais e melhor e os seus "pecados" nesta área são tanto por acção directa sua como dos seus apoiantes mais acérrimos.

- Mais importante do que analisar as estratégias, que podem ser diversas, são os respectivos resultados que contam. O isolamento institucional do Sporting mantém-se e é notória nas mais diversas ocorrências. Apesar da postura hoje ser diferente os resultados são os mesmos, com o Sporting a aparecer isolado e não conseguir congregar à sua volta nenhuma outra instituição ou agente.

- Se houve actuação que ficou muito aquém das promessas eleitorais foi a politica de aquisição e dispensas. Excesso de intervencionismo no mercado face às necessidades e possibilidades, (mais de 30 jogadores em 2 anos), acumulando-se a chegada de jogadores sem qualquer recomendação para incorporar uma equipa com as obrigações do Sporting.

- Excesso de intervencionismo na Academia, que era precisamente, apesar de muitos erros acumulados no passado, o que melhores e mais notórios resultados trazia ao clube. A "aposta na formação" tornou-se numa conversa recorrente, nem sempre com os melhores argumentos de parte a parte. Provavelmente os resultados das actuais intervenções só se conhecerão no médio prazo. São os hoje claros os dividendos de uma aposta efectuada há quase década e meia: Patrício, Cédric, Adrien, William, Tobias, Martins, João Mário, Wallyson, Mané, Iuri, Chaby, Nani e outros que já cá não estão só são possíveis por isso. Os sinais de aviso estão acesos: convocações para selecções desertas de jogadores, ausência inédita em fases finais.

- A comunicação excessivamente truculenta e desfasada do que me parecem ser as melhores práticas e até os valores do clube. As mudanças recentes são uma admissão que nem tudo correu bem e, sobretudo um sinal de reflexão e auto-critica, indispensável a quem quer melhorar.

- Provavelmente o ponto mais polémico desta análise face ao que é o pensamento dominante hoje: os fundos. Uma guerra que sofreu notáveis mudanças, ao começar com a Doyen, pedindo a regulação da actividade até se generalizar a todo o tipo de partilha de passes, pedindo a sua extinção. Ao contrário do que se tem vinculado, e  que merecerá em breve post próprio, os principais prejudicados serão os clubes com perfis semelhantes aos portugueses e que tenham no horizonte não apenas as prestações internas como também a sua competitividade internacional.

Momentos altos

- A eleição e respectiva aclamação no momento que se seguiu. O momento foi de natural festa mas foi também um momento importante de responsabilização.

- A conquista do segundo lugar no campeonato passado. É pouco, atendendo ao historial do clube, mas é muito atendendo ao ponto de onde se partiu e aos diferentes meios ao nosso alcance, face à concorrência.

Momentos infelizes

- A rábula com Manuel Fernandes, um símbolo do clube. Até porque as criticas de Manuel Fernandes não justificavam uma reacção tão violenta.

- A comunicação no Facebook nos momentos seguintes à derrota em Guimarães. É doloroso perder daquela forma mas o tempo veio demonstrar que se tratou de um acidente circunstancial. 

- O "episódio Marco Silva". Felizmente quer a intervenção dos adeptos quer a reflexão que se seguiu, permitiu corrigir a estratégia lançada para despedir o treinador, sem razões de fundo que a justificasse. Continua a faltar por no lugar o mandatado José Eduardo e acabar de vez com os rumores sobre o contrato e continuidade de Marco Silva.

Desafios para os próximos 2 anos

- A palavra determinante será consolidação e estabilização. Por exemplo da reestruturação financeira, do projecto Pavilhão, da Sporting TV e de outros projectos importantes em curso, como a internacionalização da Academia, etc.

- Upgrade competitivo indispensável para que o Sporting se reencontre com a sua grandeza. Este não surgirá num ápice, requer paciência e sobretudo muita assertividade nas medidas, porque a margem é praticamente inexistente, face ao tempo perdido. Requer também convicção à prova dos primeiros dissabores.

- O ponto anterior é crucial no futebol, a mola real do clube. Será aqui que as principais ideias - é dizer também as principais guerras - de Bruno de Carvalho serão testadas: fazer mais com menos, as relações com os empresários, manter os melhores jogadores ou substitui-los por jogadores de valor igual, etc. e sobretudo alcançar resultados. Depois de duas épocas excepcionais - que foram do pior lugar de sempre ao regresso pela porta grande às competições internacionais - o Sporting, apresta-se a voltar a um "lugar natural" que parece ditado pelas diferenças orçamentais. Contrariá-las com o rumo traçado parece ser a convicção do presidente e é, quanto a mim, o grande teste que terá, a bem do Sporting, que passar com distinção. Porque um Sporting sem títulos é um Sporting contra o seu próprio destino.

- Outras matérias terão igualmente importância crucial cuja resolução marcará a competitividade do clube, pelas suas implicações financeiras. A renegociação do  patrocínio das camisolas será o próximo grande desafio. Outros há, como o aumento das receitas, as participações na SAD, a centralização dos direitos televisivos, que se tornarão com certeza nas próximas lutas a travar.

A entrevista:










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terça-feira, 24 de março de 2015

Iuri Medeiros, o Gauld que já cá estava

Iuri Medeiros precisou apenas de 496 minutos para fazer incidir os focos de atenção sobre si. Mais do que o tempo foram os 2 golos - ambos de elevado recorte técnico - e as assistências os "responsáveis" pelo apontar das luzes. Maior mérito ainda por este protagonismo estar a ser conseguido no modesto Arouca, uma equipa que luta denodadamente para se manter na primeira divisão.

Devo confessar que, quando soube do empréstimo ao Arouca, temi pela afirmação do jogador. Por duas razões essenciais: 

(i) o facto de a equipa do extremo nordeste do distrito de Aveiro estar a lutar pela manutenção, o que nem sempre favorece jogadores com o perfil técnico e físico de Medeiros

(ii) a chegada em simultâneo de Cayembe, jogador do FCP, que poderia disputar com o nosso jogador um lugar, caso Pedro Emanuel o quisesse a jogar a extremo. 

Felizmente o treinador arouquense teve outro entendimento quer relativamente às características fisicas e técnicas do jogador, quer mesmo relativamente ao contributo que este poderia dar à sua equipa e a sua aposta tem-lhe estado a render bons dividendos. Pode-se dizer hoje que a qualidade do jovem jogador superou todas as objecções que a aposta nele poderiam aconselhar.

Em jeito de conclusão, pode-se dizer que em boa hora Iuri rumou a Arouca, porque assim não só pode revelar-nos o seu talento, como beneficiar de um estágio que lhe proporciona o que mais necessita qualquer jogador: tempo e oportunidade para jogar, a única forma de evoluir e aprimorar as qualidades que possui.


Ora falar em Iuri trás novamente à actualidade o tema da contratação de Gauld, especialmente o que foi dito no inicio de época. Lembro a propósito o que foi dito neste post em particular, escrito a 3 de Julho passado:


Desse artigo recupero algumas das ideias centrais, cuja discussão continua a ser actual e pertinente:

O talento do jogador escocês parece não merecer discussão. Já a necessidade da sua contratação, especialmente pelos números envolvidos, num tempo de apertada austeridade, está por comprovar, atendendo a que já existiam entre nós jogadores de valor e perfis semelhantes. Ao custo do jogador escocês têm que se somar os custos e inconvenientes da estagnação daqueles já cá estavam e assim ficariam a marcar passo. Verbas que poderiam eventualmente ter sido canalizadas para reforço do plantel em lugares onde não existia igual oferta.

Acresce a estes factos outro para o qual já me chamaram à atenção várias vezes que nunca vi ser apontado: não é apenas o talento e as posições que podem reclamar para si na equipa que é semelhante, é também o perfil físico. Dificilmente o Sporting poderá jogar com Iuri e Gauld em simultâneo e juntar a estes na mesma equipa Cedric, Martins, Adrien, Mané, por exemplo. A estes deve acrescer os nomes de outros jogadores igualmente talentosos como Chaby, Podence (que entretanto se eclipsou) mas que têm em comum o facto de serem de estatura baixa. Embora peso e altura não sejam as características primordiais na caracterização de um jogador, elas têm uma importância na definição colectiva que talvez apenas o Barcelona dos melhores tempos se tenha conseguido furtar.

Há quem possa afirmar que os jogadores têm que conquistar o seu próprio lugar pelo mérito das suas acções e que não lugares para oferecer, um principio com o qual concordo na generalidade. Contudo a realidade nem sempre é favorável aos princípios. O que o passado recente nos diz é que Gauld tem beneficiado quase sempre quer das melhores oportunidades pelos técnicos, de tal forma que já mereceu chamadas à equipa principal que Iuri não teve e, quando chegou a hora de dispensar por empréstimo, a escolha recaiu sobre Iuri. 

Prerrogativas de ser o jogador mais caro, de ser contratado,  ou apenas mérito? O tempo tem quase sempre um saudável poder clarificador. Visto agora parece que o Sporting tem na garagem dois carros iguais mas só vai poder andar com um de cada vez.

Nota: o papel dos adeptos pode também ser importante. Lembro-me por exemplo da sua prestação num jogo da Taça da Liga (Belenenses) em que os melhores apontamentos foram de Podence e Wallyson mas os "Ah's" e os "Oh's" foram para o galês. O que se diria hoje de Gauld, que não se diz de Medeiros, se tivesse sido ele a marcar os golos e as assistências que conseguiu?
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segunda-feira, 23 de março de 2015

Sporting 4 - Vitória 1 - goleada em 3 momentos

Momento 1
Olhando apenas para o resultado final o jogo com o Vitória de Guimarães parece ter sido um passeio de domingo. Mas se assim se tornou nem sempre foi fácil, muito por causa da boa entrada do adversário, conseguindo não apenas controlar-nos, limitando-nos os movimentos, como chegar mesmo a ser mais acutilante, criando mais jogadas de ataque.

Momento 2
Quando a toada do jogo parecia indicar estarmos na presença de um jogo complicado o golo de João Mário acabaria por mudar completamente o cenário. Por ter sido conseguido na primeira oportunidade há quem se ache tentado a classificá-lo como injusto mas quem acompanha esta equipa já viu golos e movimentos semelhantes do seu autor pelo que, sendo obtido com manifesta intencionalidade, só poder ser considerado merecido. Um golo que merece destaque pela movimentação do autor, cujo adiantamento é precioso para baralhar as marcações e não menos pela qualidade da assistência de Carrillo. 

Se o primeiro golo foi crucial na mudança do cariz do jogo o segundo trouxe a confiança e estabilização. O que é assinalável na jogada que dá origem ao penalty é o número de jogadores do Sporting dentro e na proximidade da área em condições de visar a baliza de Douglas. Facto que muitos jogos não ocorreu e que foi determinante para alguns jogos menos conseguidos, sobretudo em casa. Realce para a movimentação de Miguel Lopes, cujas diagonais emprestaram maior imprevisibilidade que as tradicionais paralelas à linha lateral, dificultando as soluções defensivas aos jogadores do Vitória. 

Momento 3
Um terceiro momento marcaria o jogo, sobretudo após a chegada do golo de Slimani. O Sporting deixou de ser tão intenso e sobretudo consequente nas suas acções atacantes e o Vitória regressou na segunda parte tentando defender a honra. As diferenças de postura resultaram num empate, com um golo para cada lado, selando o resultado final com um gordo 4-1.

Destaques para a postura da equipa ante as dificuldades iniciais, respondendo com serenidade. Do ponto de vista individual, um bom jogo de Miguel Lopes, um dos elementos mais desequilibradores, a a par de Carrillo. Desta vez aceito com maior resignação a sua substituição, que parece mais a fotocópia de recurso a cada jogo, atendendo a que tem um compromisso com a sua selecção que implica longas deslocações em diferentes fusos horários. Fica também o anseio por um jogo sem intermitências de João Mário que, aparentando cada vez melhor forma e segurança nas suas acções, não deixa de se eclipsar aqui e ali. Essa é a única razão pela qual não tem merecido o titulo de melhor em campo mais vezes.

Nota final indispensável para o paralelismo com o jogo da primeira volta, até pelas consequências posteriores. Um acidente com aqueles números que dificilmente se repetirá mesmo que as equipas joguem dez vezes consecutivas.
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domingo, 22 de março de 2015

Taça CERS, o regresso onde já fomos felizes

Ninguém que tenha tido o privilégio de assistir à gloriosa final de 7 de Julho de 1984, quando o Sporting, tendo o Novara pela frente, dá a volta a um resultado adverso de 4-1 e conquista a Taça CERS não mais de esquecerá. Nesse dia, além da memorável exibição, o Sporting tornar-se-ia na primeira equipa a conquistar a totalidade das taças europeias, um feito absolutamente notável.

Ao conquistar o acesso à final a quatro desta competição o Sporting regressa a pela porta grande a uma competição onde já fomos muito felizes. Parabéns a todos pelo fantástico trabalho, empenho e dedicação, ao conseguirem resgatar uma modalidade tão querida no clube das profundezas das divisões inferiores até ao regresso internacional. Absolutamente notável o discurso de Nuno Lopes, após o jogo.
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sexta-feira, 20 de março de 2015

E de repente todos se esqueceram do modelo Dortmund

Tantas vezes dado como exemplo e provavelmente tantas vezes ansiado, o outrora incensado "modelo Dortmund" deixou de ser apontado como ideal. Em particular pelos Sportinguistas que, há dois anos, reivindicavam a sua adopção.  Esta constatação levou-me a um artigo que então escrevi e cuja actualidade me parece ser ainda hoje pertinente. Deixo aqui o que considero ser os seus pontos mais interessantes para eventual discussão:


"Precisamos de qualidade e resultados. Resultados sem qualidade é aborrecimento, qualidade sem resultados não faz sentido"*

Nota: este texto foi escrito em 17/05/2013

Tornou-se motivo de conversa entre os Sportinguistas e objecto de desejo o "modelo Dortmund", agora que o clube da Vestefália coroa o regresso à ribalta com uma final da Liga dos Campeões. Depressa foi encontrado o substituto do "modelo Barcelona" como exemplo de promessa de felicidade ao virar da esquina, mas temo que nem um nem outro tenham sido verdadeiramente conhecidos e entendidos.

Pergunto-me: e porque não o "modelo Ajax"?, que depois de um longo jejum de títulos se acaba de sagrar tri-campeão com uma equipa de jovens jogadores e um treinador que é também uma das referências da formação da casa?

A generalidade dos adeptos valida e valoriza o sucesso, raramente os métodos, o trabalho, bem como a perseverança necessários para alcançá-lo. Porém este raramente surge por acaso e, mesmo quando se estima fazer tudo bem, ele é tudo menos uma garantia.
Como Sportinguista não me aborrece apenas a superficialidade com que se entende que um modelo é transplantável e facilmente enxertado de um clube para outro, descurando as diferenças abissais entre qualquer uma das realidades, especialmente a alemã. Mais do que isto é o desprezo a que se vota a possibilidade de o Sporting construir o seu próprio modelo. Ou até de este já existir, precisando apenas de ser levado às últimas consequências, ao invés de ser constantemente recauchutado ao sabor das tendências do momento.

Inclino-me para última das hipóteses mencionadas, nem tudo estará ainda por fazer. Esse modelo passa pela formação de jogadores, algo em que já somos uma referência, na qualidade e na quantidade. Não temos "apenas" 2 jogadores considerados como os melhores entre os melhores, por toda a Europa se encontram espalhados jogadores que testemunham uma aptidão invulgar: criar valor onde a natureza se esqueceu de deixar o talento. Fazer grandes jogadores de miúdos geniais é quase natural, uma consequência. Difícil é construi-los a partir da "normalidade" e é isso que talvez seja mais fascinante na nossa formação, mesmo que menos notório e elogiado.

A excelência da nossa formação e o que é hoje o nosso futebol profissional são tão dispares que quase se pode falar em mundos paralelos. Como estender esse bem-fazer à organização do seu departamento profissional, de forma a aproximar-se ou até igualar o que faz nos escalões de formação, é a pergunta óbvia e fácil. O que vale um milhão de dólares é a resposta.

Há pelo menos uma ideia base - o recurso à formação - que carece de sair do papel e ser praticada. Tem faltado também coerência, estabilidade e perenidade, uma linha condutora, sem curto-circuitos permanentes. Todos os clubes bem sucedidos tiveram esses valores na base do sucesso e foi isso que lhes permitiu mudar e/ou adaptar-se à mutação constante da realidade envolvente. Tudo aquilo que o Sporting não tem sido e não tem conseguido no futebol.

Precisamos de recuar aos anos 50 para encontrar a última vez que ganhamos de forma sustentada. O sucesso é isso e não um titulo em cada década. Na década de 40 fomos campeões por 5 vezes, o mesmo número de vezes na década seguinte. Os anos 60 anunciaram uma ligeira travagem - 3 títulos - que estabilizou na década seguinte - os mesmos 3 títulos - para aterrar num titulo por cada 10 anos que, na década em curso, nem sequer assegurámos. É a dureza dos números, mas é também a realidade e esta, quanto mais depressa é encarada mais perto estamos para perceber onde erramos e o que temos que mudar.

Continua a faltar um modelo de jogo que produza boas exibições com frequência. Não só porque é o caminho mais curto para a obtenção de bons resultados também com a frequência necessária para atingir títulos, mas porque é com o futebol de qualidade que os Sportinguistas se identificam. A escolha do treinador assumirá, mais uma vez, uma importância decisiva para a definição dos resultados.

O Sporting apresta-se, mais uma vez a começar um processo reconstrutivo. Praticamente a partir do zero. Assim é natural que os resultados não possam aparecer no imediato. Mas não podem ficar para as calendas. Desenganem-se aqueles que o Sporting pode fazer um intervalo e que o seu lugar fica reservado. A realidade detesta espaços vazios e o Sporting ou luta por reclamar o lugar que é seu por direito ou perderá o direito a ele. Não é fácil mas o caminho para ser grande nunca o foi, pelo menos para quem joga com as mãos limpas.

* Tradução livre de uma frase de Johan Cruyff, 

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quarta-feira, 18 de março de 2015

Diego Rúbio e a importância do golo

Diego Rúbio tem estado em foco no regresso a Alvalade. Antes do jogo de hoje, que tem como adversário a Oliveirense, marcou 9 golos em 12 jogos, perfazendo uma média de 0,82 golos e detendo uma muito interessante percentagem dos golos da equipa, (20%), se atendermos a que começou apenas a jogar já com 24 jornadas decorridas. Nessa altura, quando começou a jogar, a equipa B do Sporting registava 30 golos marcados. Agora, já com mais 10 jogos, a equipa marcou mais 15 golos, 60% dos quais pertencem a Rúbio (os tais 9 golos).

Para se perceber melhor a importância que a entrada de Rúbio passou a ter na equipa, e certamente na melhoria da sua posição na tabela classificativa, ao subir do 12º lugar para 6º à entrada da jornada de hoje, fica a constatação de que todos os golos que marcou, excepto um (o primeiro com o Farense), foram decisivos para pontuar. Sem eles o Sporting não teria empatado ou ganho os 21 pontos que conseguiu. Estes pontos, alcançados nas últimas 10 jornadas, representam mais de 38% da totalidade dos 54 pontos conseguidos nas 34 jornadas.

Rúbio marcou um golo decisivo para a vitória com o Sta. Clara (1-0), Olhanense (2-1), Beira-Mar (3-2), Portimonense (1-0), Ac. Viseu (2-1) e dois no jogo com o Tondela (4-3). Igualmente importantes para alcançar o ponto correspondente ao empate foram os golos marcados ao Chaves (1-1), e ao Trofense (1-1). Como é evidente não sabemos o que seria a actual classificação do Sporting B na II Liga, uma vez que no lugar de Rúbio alguém jogaria. Mas estes números certamente que indiciam uma alteração do comportamento da equipa que dificilmente se poderá dissociar da presença do chileno. 

Pode até considerar-se que é pouco provável que este momento de elevada eficácia do avançado chileno se possa manter nos níveis actuais, mas não deixa de ser uma importante chamada de atenção para a necessária ponderação quando for o tempo de planear a próxima época. Isto quando dos assuntos mais comentados são o interesse em jogadores como Hassam e o elevado salário do jogador chileno. 

Como exemplo aleatório e como auxilio à tal ponderação, será que o ordenado de Cissé mais os custos com a aquisição do seu passe versus a sua produção não são muito mais caros para o clube?

Nota posterior à elaboração do post: Diego Rúbio voltou a marcar e o Sporting B é actualmente, à condição, quarto classificado do respectivo campeonato.
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terça-feira, 17 de março de 2015

Bubakar Djaló, Rúbio, Rosel e Ewerton parte II

Bubakar Djaló
Bubakar Djaló afinal vai continuar a jogar de leão ao peito, contrariando assim as noticias que o davam como fora do Sporting. O jogador passa a ter um contrato profissional, com duração prevista até 2020. Relativamente ao post anterior, em que me pronunciei sobre uma possível saída do jogador, cumpre-me dizer que voltaria hoje a escrever a mesma coisa se elas se mantivessem.Os comentários deixados a propósito revelam a morbidez que vai em algumas cabeças.

Rúbio
Continua a marcar e desta vez um golo de belo efeito, de fora da área. Um jogador que está a fazer tudo para dizer com quem se deve contar no futuro.

Rosel
Esteve à altura do que se lhe podia exigir no difícil "exame" a que foi sujeito na Madeira. Não foi brilhante, ninguém o foi neste jogo em particular. Não é fácil entrar de caras numa equipa e ter que render ao mais alto nível, sem muito ritmo. Depois de algumas prestações que deixaram algumas dúvidas veio dizer que também se deve contar com ele.

Ewerton
Começo muito dificil na Madeira, a criar problemas à equipa e particularmente a Jefferson, que já de si tem problemas a defender. Parecia pesado e demasiado preocupado com as referências individuais, deixando-se arrastar para lugares que não lhe pertencem. Acabou por se equilibrar  o decorrer do jogo. A Bola diz hoje que o Sporting vai accionar a cláusula que lhe permite a compra do jogador o que, atendendo aos valores em causa - o do jogador e preço do passe - me parece um bom negócio.
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domingo, 15 de março de 2015

Maritimo 0 - Sporting 1: Fim-de-semana na Madeira

Jogo fraquinho na Madeira, em que a equipa, particularmente na segunda parte, esteve sempre mais tentada a controlar o jogo do que em preocupar-se em fazer uma demonstração da sua superioridade. Diga-se que o adversário também começou e acabou num lance madrugador, em que poderia até ter inaugurado o marcador. Um lance que nasce de desentendimentos sucessivos entre Jefferson e Ewerton, o que não será de todo surpreendente, se se atender ao facto de esta ser a estreia a titular desta dupla. À medida que foram concertando as suas acções o perigo foi-se diluindo. 

Registe-se a conquista dos três pontos como o mais importante deste jogo, uma vez que os noventa minutos pareceram mais um registo de um fim-de-semana despreocupado na Madeira. Muito pouca qualidade na definição dos lances, igual para a posse de bola. Slimani saiu sem fazer um remate à baliza e a equipa parecia desconhecer que esta modalidade tem balizas. Felizmente já acabou e com os três pontos acrescentados na classificação.
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sexta-feira, 13 de março de 2015

Bubacar, Rúbio, Rosell e Ewerton

Bubacar Djaló
Bubacar é o segundo jogador este ano a sair de forma inesperada e aparentemente litigiosa, sem que o Sporting conseguisse, como pretendia, mantê-lo nos seus quadros. O desfecho acaba por não ser surpreendente, atendendo ao descontentamento expresso pelo seu empresário, dias antes. Ao que se diz, Virgílio Lopes conduziu as negociações com os progenitores, à revelia do agente do jogador, ao abrigo do que a FIFA estipula para jogadores menores. Acontece que o jogador é já maior de idade. 

Há várias questões que se podem levantar. Mais importante do que perceber se se perde ou não mais um bom jogador é perceber porque, de forma reiterada, o Sporting não respeita a escolha de alguns dos representantes escolhidos pelos jogadores e aceita outros e como isso se compagina com  o discurso moralizador adoptado pelo actual CD. 

Torna-se também importante perceber se esta sucessão de casos acarretará repercussões na capacidade negocial do clube, quer junto dos jogadores que já fazem parte dos seus quadros, quer também junto dos jogadores, clubes e demais agentes no mercado.

Rúbio
Rúbio voltou de um longo "exílio" em ligas remotas e sem grande expressão. E voltou com o pé quente. Há duas afirmações relativamente frequentes sobre Rúbio que me merecem um comentário:

"Os dois empréstimos fizeram-lhe bem" - Uma observação que olha essencialmente para o momento - ao facto de estar a marcar com regularidade - e não para o todo. O que não sabemos é como estaria se tivesse tido oportunidade de ter jogado em campeonatos mais evoluídos e exigentes do ponto de vista técnico e como seria se tivesse sido treinado por outros treinadores. O que me parece seguro afirmar é que o jogador continua a revelar o potencial interessante que já se lhe apontava quando se estreou entre nós. 

Devia ser convocado no lugar de... - Na idade de Rúbio o que le mais precisa é de jogar. Tirá-lo da equipa B para não lhe oferecer mais do que passagens pelo banco ou pela lista de convocados não é o que mais necessita. A gerir com cautela.

Rosel
Tem mais uma boa oportunidade para mostrar valor, especialmente numa semana em que falou no interesse de alguns clubes da MLS. Um papel um tanto ou quanto ingrato, porque a sombra de William é enorme e porque o catalão aparece sem grande ritmo. Mas são estas oportunidades que os jogadores anseiam e que constituem, por vezes, a mudança tão desejada. Não falo obviamente em tirar o lugar ao William - não sendo demais lembrar que tal foi muitas pedido no inicio de época... - mas na afirmação como um valor a ter em conta para o próximo ano, especialmente se a saída daquele ocorrer.

Ewerton
Não vai ser fácil voltar de repente, sem ritmo, ainda por cima num jogo tradicionalmente difícil. É contudo uma boa oportunidade para o ver em acção, podendo perceber-se o seu valor, até mesmo em comparação com o que Tobias vinha realizando.

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quinta-feira, 12 de março de 2015

Ofensiva mediática no anonimato

O Sporting chamou a comunicação social até si para dar a conhecer o seu posicionamento relativamente a alguns temas importantes relacionados com a organização do clube e do futebol português em geral. A novidade é o carácter anónimo da comunicação, a que não deve ser alheio a entrada em funções da nova equipa de gestão daquela área especifica. Alguém que me explique a virtude que este procedimento encerra. Adiante.

Do que consegui apreender fica uma breve análise aos temas abordados, em que primeiro destacarei os temas relacionados com o futebol em geral e depois os que dizem respeito exclusivo ao clube.

Liga de Clubes
O Sporting advoga a aproximação ao modelo inglês, afastando da Liga aspectos organizacionais como a disciplina e arbitragem. Não creio que tal pudesse trazer mudanças substanciais ao futebol português, nomeadamente no que diz respeito à transparência e eficácia, uma vez que os interesses e interesseiros fariam o que fizeram anteriormente com a mudança da FPF para a Liga. No entanto concordo com o principio, uma vez que se trata de uma associação patronal com interesses próprios, alguns deles conflituantes com a de uma organização tutelar.

Centralização dos direitos televisivos
Há uma enorme diferença, provavelmente irreconciliável, entre o que o Sporting quer e que se passará no futuro próximo. O SLB gere o seu próprio negócio, num modelo que provavelmente será o único clube nacional capaz de o fazer, mesmo que com elevados riscos associados. O FCP não tem interesse num modelo semelhante, mas detém uma posição negocial forte, por via do seu passado recente nas competições nacionais e a nível internacional. Dificilmente um e outro abrirão mão das suas actuais posições. Os restantes clubes dependem do que os grandes lhes derem, uma vez que sem estes o seu poder negocial resume-se quase apenas a três jogos por ano, aqueles que recebem a visita dos três grandes.

Publicidade nas camisolas
Este será, quanto a mim, um dos dossiers mais difíceis de gerir, de forma a obter resultados satisfatórios. O clima económico é o que se sabe, praticamente desapareceram as grandes empresas nacionais que poderiam integrar o restrito lote de interessadas e capazes de publicitar o seu nome. A haver, provavelmente esse interesse estaria em fazê-lo nas camisolas dos três grandes, dado o reduzido interesse em fraccionar o já de si reduzido publico alvo que constitui o mercado nacional. Poucas serão as multinacionais interessadas,  pelas mesmas razões. A negociação conjunta, de legalidade duvidosa, estará longe de acontecer porque os outros dois clubes, detendo posição vantajosa, parecem estar mais interessados em que daí advenha prejuízo para o seu concorrente. 

Naming do Estádio 
Um processo de contornos semelhantes ao da publicidade. Em ambos o Sporting tem um problema que, a meu ver, na questão do estádio, é ainda mais agudo: não pode ser um nome qualquer. Estádio Tacho Easy, por exemplo, seria muito difícil de deglutir, até para mim, que costumo ter uma visão prática e um critério bastante lato, como se poderá ver, por exemplo aqui, na questão da publicidade nas camisolas. Para mim será sempre José Alvalade, admito o namimg por necessidade. 

Contas
São assinaláveis as reduções com gastos. Os custos com o plantel desceram 32% e os gastos com pessoal 60%! Por outro lado constata-se uma dificuldade em gerar receita, para lá das vendas de jogadores, que também sofreu um importante acréscimo. A facturação, em ano de Champions, é inferior à registada em 2012 em quase menos quatro milhões.

Aqui, nas contas, há também uma definição estratégica. O Sporting entende que o seu rumo é o certo e que serão os outros a ter que vir em marcha atrás, à procura do mesmo caminho. Aqui se jogará muito do futuro do clube como capaz de se opor aos dois principais rivais. Uma estratégia quanto a mim bastante temerária, por estar longe de se poder dar como adquirido que clubes que gastam hoje mais do dobro desçam ao nosso nível actual. E, como se viu nesta jornada europeia com nosso rival FCP, o talento - o tal que o dinheiro permite alcançar - tem um enorme poder diferenciador, sendo capaz até de suprir as falhas ou decisões duvidosas de um treinador.

Sporting sempre candidato a título
Mais do que afirmá-lo aos quatro ventos ou escrevê-lo no papel o Sporting tem mostrar outra consistência que ainda não aparenta para ser tido como tal. O resto é mera retórica.

Bruno de Carvalho e o Facebook
Uma boa decisão a de acatar o conselho que certamente lhe foi dado por quem dirige agora a comunicação, por mais violinos e guitarras melodiosas que queiram por a tocar para justificar o que sucedeu no passado. Ganha Bruno de Carvalho e inevitavelmente o Sporting, que somos todos nós.
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quarta-feira, 11 de março de 2015

A história de uma vitória contra o pior dos adversários

Quase não nos lembramos que, graças ao esforço de uns quantos carolas, o Sporting voltou a ter basquetebol. Alguns deles até fazem o favor de serem meus amigos pessoais, outros ainda tive oportunidade de conhecer, numa das várias deslocações a Alvalade. 

Hoje é uma oportunidade de os lembrar a todos, aproveitando a história de uma lutadora contra o pior dos adversários. Força Mafalda! E mais uma vez obrigado a todos que dão o melhor de si todos os dias por um Sporting grande e eclético.
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terça-feira, 10 de março de 2015

Sporting 3 - Penafiel 2 - uma viagem no comboio fantasma

O jogo com o último classificado teve todos os componentes de uma viagem no comboio fantasma: uma entrada serena, sem pressagiar os horrores que se seguiriam, com rápida e dramática mudança de cenário. Até a saída do túnel escuro em que a equipa se enfiou acabou por ficar marcada com um susto final, ao melhor estilo de um comboio de horrores. Acabou por prevalecer a vontade e o esforço da equipa com melhores argumentos e que tudo fez para contrariar os problemas que criou para si mesma.

Nada parecia fazer prever que, depois de inauguração madrugadora do marcador, seguida de confirmação quase imediata, que a aquisição de mais três preciosos pontos iria ficar em dúvida. Mas não há jogos fáceis e os mais difíceis são aqueles que as equipas têm que jogar contra um adversário e contra os seus próprios erros. Não fora este o adversário, talvez dos mais inofensivos que vamos ter pela frente, e estaríamos agora a lamentar mais pontos perdidos em casa. O facto é que o perigo junto à nossa baliza nasceu quase sempre dos nossos próprios erros e não da qualidade técnica ou capacidade colectiva do adversário.

O jogo permite leituras para todos os gostos. A minha é que há um momento que apelidaria de "momento Slimani" em que, em apenas 5 minutos, intervenções do ponta-de-lança argelino introduzem alterações substanciais no jogo. O golo de cabeça aos 7 minutos parecia abrir as portas a uma noite tranquila, senão de goleada. Um passe atrasado disparatado, que nem sequer é novo nele, deixa Tobias em dificuldade provocando-lhe a expulsão. Na sequência do livre acaba por deixar passar a bola por baixo da barreira ao saltar. 

Sobre as culpas de Tobias, não vejo como pudesse fazer diferente sem sair chamuscado de igual forma. Se tivesse a frieza de pensar que mais valia sofrer um golo e não arriscar a expulsão - o que se me afigura difícil no decorrer de um jogo e naquele lance em particular - dir-se-ia que não fez nada para o evitar. Agora é natural que se invoque a falta de experiência, embora me pareça despropositado.

Aceito também a discussão sobre se Marco Silva deveria ou não ter colocado de imediato Ewerton. O que aconteceu no jogo permite essa leitura, atendendo a que o golo do empate sucede num momento em que William está a central. Convém não esquecer que Adrien deveria ter feito mais, uma vez que lhe havia sido confiado a função anteriormente atribuída àquele. O que ninguém pode afirmar é que, com ou sem Ewerton a central e William no seu lugar o golo não acontecesse na mesma, uma vez que este nasce de um corte deficiente de Paulo Oliveira, contra tudo o que os cânones estipulam. Teve tudo para se assemelhar a uma assistência. Não há táctica ou plano de jogo que se sobreponha a isto.

Mais importante de assinalar parece-me ser a vontade e aplicação da equipa ante as dificuldades consecutivas em que consegue contrariar resultados adversos aplicando-se denodadamente, em praticamente um jogo inteiro em inferioridade numérica, o que contraria a ideia de uma equipa mal preparada fisicamente. É contudo evidente que alguns jogadores importantes exibem um cansaço competitivo, traduzido em prestações sem chama, e falhas menos comuns que o seu valor deixaria prever. 

Do lado dos bons destaques nota de relevo para as assistências de Jefferson, especialmente para Slimani. Para a entrada de Carrillo e para os sinais de que o bom Nani está de volta. Não só pelo golo, em cabeçada exemplar, mas também para alguns pormenores de classe. Justiça para Patrício, que não pode ser apenas lembrado quando falha. Só foi chamado uma vez mas segurou os 3 pontos.

Em nota adicional ao post, que só não ficou originalmente por pressa no copy+paste, um comentário à arbitragem, especialmente para ao critério disciplinar. Nada a dizer na expulsão de Tobias, justíssima. Mas a forma como foi adiando os cartões aos jogadores de Penafiel e a forma expedita com os mostrou aos nossos jogadores é reveladora. Depois, já com o resultado a nosso favor, lá foi tratando de compensar de forma tosca e atabalhoada, acabando por expulsar indevidamente um jogador penafidelense.

Já com o jogo a caminho do seu final lá se encarregou de dar uma folga a William Carvalho, que assim não jogará na Madeira. Com o mesmo critério quantos jogadores do Penafiel teriam sido amarelados. Se arbitragem nacional se quer credibilizar tem que, entre outras coisas, começar a usar critérios mais uniformes e que, aqui e ali, não tresandem a formas de favorecimento de uns contra outros.
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Marcha atrás com Matheus Pereira?

Marcha atrás na sangria de talento?
Uma excelente noticia a que ficamos a saber com a renovação do contrato de Matheus Pereira até 2020. Excelente porque contraria uma certa tendência em conseguir manter os melhores, depois de uma série inicial de renovações em que se assegurou a manutenção de alguns dos nossos jogadores mais promissores. Foi muito bom ter mantido Iuri, Chaby e Podence, por exemplo, mas os últimos tempos pareciam acentuar a tendência de alienar talento. Foi o que aconteceu com Moreto Cassamá, Isidra Sambú, Tiago Dias ou Nuno Teixeira, por exemplo. Não se sabe o que uns e outros serão no futuro, o que o presente regista é que são dos melhores da sua geração.

A renovação de Matheus Pereira é ainda mais saborosa porque era um jogador que já tinha sido dado como perdido. Para ela ter ocorrido, certamente que foi necessário um importante esforço mas, tal como dizia aqui há dias a procura do talento é que decidirá o futuro do Sporting. 

Uma andorinha não faz a primavera
A satisfação pela manutenção de um jogador como Matheus Pereira não é o fim do caminho é apenas mais um passo na caminhada. São necessários mais Matheus, sem esquecer que, para vingarem e poderem tornar-se naquilo que eles e todos esperamos, é necessário tempo, paciência e, não menos importante, uma estrutura de suporte moderna e competente.
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