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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Keizer faz prova de vida

Não podia ter expectativas mais baixas para o encontro que nos ia opor aos arsenalistas de Braga. O jogo com o Villareal havia-se encarregado de as esvaziar, tão amorfa que fora a exibição. Keizer porém resolveu preparar-nos uma surpresa mostrando uma faceta criativa que não parecia possuir. Mas talvez o mais surpreendido de todos tenha sido Abel, de tal forma que a nossa superioridade haveria de se manter pela generalidade do tempo de jogo. 

A verdade é que o jogo começou a ser ganho precisamente na quinta-feira, quando o treinador holandês resolveu fazer descansar grande parte dos titulares no jogo com os espanhóis. A estratégia é discutível, obviamente, mas a verdade é que, quanto mais não fosse pelo brio e pelo orgulho, o jogo de ontem era o mais importante. Mas o plano foi tão bem arquitectado e tão bem desempenhado pelos jogadores que pareceu termos de volta o Keizer Ball com uma variante até agora inédita, que alguns diziam que não era possível: estava pela frente um adversário poderoso. Ganhamos, com este vislumbre da sagacidade de Keizer, um novo fôlego para a esperança que já começava a definhar. 

Saliente-se que o acerto na escolha táctica contou com a indispensável atribuição de funções adequadas ao sucesso dos jogadores, oferecendo-lhes assim a possibilidade de mostrarem maior qualidade do que a que vínhamos observando. Essa é afinal a função do treinador e é o inverso do que se vinha sentindo e que me levou a escrever isto no último parágrafo do post anterior: "podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos." Ontem até Gudejl e Diaby pareceram outros.

Os próximos jogos serão um observatório interessante para aferir que efeitos teve esta vitória tão categórica nos níveis de confiança da equipa e que reacções provocará nos adversários. Mas sem dúvida que a nota mais importante a reter foi a prova de vida que Keizer acabou por realizar. Se é verdade que ele ainda nos está a conhecer a nós - clube, cidade, país, competição - ficou no ar que também o vamos ter que o conhecer melhor.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Miserável!

Ao contrário do que provavelmente pensava a generalidade dos adeptos, em nenhum momento me passou pela cabeça que o Villareal era um adversário facilmente ao nosso alcance, só porque estão em último lugar na sua Liga. Não apenas porque não faltam jogadores de qualidade e experiência no seu plantel, mas também pelo diferente percurso que se regista na Liga Europa, onde continua sem perder. 

Bastaram por isso apenas três minutos e alguns segundos para ficar à vista de todos ao que vinham os de Vila-real, bem como a raiz dos nossos problemas: uma equipa que deixou de o ser, que perdeu as suas referências e que se viu despida das virtudes do agora tão distante período de encantamento com Keizer-Ball. Até prova do contrário, estivemos na presença de um meteorito que hoje não se vislumbra que possa voltar à vida, tão profundo que é o abismo onde se despenhou.

Tem a palavra agora Frederico Varandas. A aposta no técnico holandês foi uma jogada pessoal de elevado risco, totalmente desaconselhada no contexto em que o clube vive. Uma aposta no escuro do seu curriculum e de uma escola em perda, como aqui dissemos na altura. Mas pior do que um erro de avaliação é continuar a laborar num erro. Não decidir, não comunicar, não explicar é apenas aprofundar a sensação de nau à deriva. Varandas vai ter que decidir se corta a âncora que Keizer se tornou ou se se afunda com ele.

P.S.- podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Fomos à Feira e trouxemos apenas o essencial

Fomos à Vila da Feira buscar o essencial: os três pontos. O nível exibicional continuou sofrível, particularmente a primeira parte, onde estivemos a desorientação foi tão grande que não teríamos sido capazes de ver a torre de menagem, ainda que tivéssemos encostados a ela. Na segunda parte as coisas melhoraram um pouco, mas muito mais em esforço do que por evidente superioridade que se deveria registar pela diferença individual  à disposição dos treinadores. A excepção foi mais uma vez Bruno Fernandes, cuja classe merecia muito melhor companhia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Também tu, Godinho?

No final do jogo de ontem eram várias as perguntas que me ocorriam havia uma que não me saía da cabeça: como é que o Sporting envolto em tantos problemas e à procura da sua identidade ainda desperta o interesse e a vontade em tantos de nos abater? A arbitragem do Godinho fez lembrar a do Malheiro em Setúbal. Entrada a condicionar imediatamente um central, falha na avaliação do lance de Bas Dost com o guarda-redes adversário e, tal como em Setúbal, um VAR mudo e quedo.

Mas talvez o mais sintomático da duplicidade de critérios tenha sido a condescendência perante o insulto de um puto talentoso mas ainda de cueiros. Há coisas que parece que ao invés de mudarem parece que se acentuam e será muita ingenuidade da parte dos órgãos sociais do Sporting pensar que não dizer nada ajudará a alguma coisa. Já sabemos que palavras leva-as o vento e que é preciso mais do que isso para alterar de forma significativa a divisão em duas meias luas que é o futebol português. Mas é cada vez mais claro que o famigerado sistema parece estar a aproveitar a porta aberta pelas declarações de Frederico Varandas no final da Taça da Liga. Depois de ontem e depois de Setúbal ficar calado aparenta consentimento ou desleixo.

Mas o resultado desfavorável tem pelo menos um "mérito" que o alcance de um empate poderia encobrir: o futebol que vem sendo praticado pelo Sporting é uma estrada para o abismo. Neste registo desengane-se que o resultado tangencial dá alguma esperança porque dificilmente viramos o resultado, até porque sofremos sempre um golo. A equipa está sempre mais perto de sofrer do que de marcar. Aliás, se grande parte do jogo de ontem tivesse jogado sem ponta-de-lança ninguém tinha notado. O conceito de jogada colectiva perdeu-se. A equipa está partida, os sectores muito longe uns dos outros e mesmo em cada um deles o distanciamento entre os seus elementos condenam à partida o êxito das respectivas acções. Se a qualidade individual é escassa, desta forma ela parece ainda mais evidente. 

O golão de Bruno Fernandes, que Keizer se encarregou de deixar tarefas de segundo plano, mitigou a realidade constrangedora mas a sequência de resultados não engana: cinco resultados seguidos sem ganhar, mesmo considerando que o empate em dois deles deu o primeiro troféu da época. Mas, neste registo, até parece que foi no século passado. É preciso serenidade? Sim. Mas também reacção. Os próximos três jogos (Feirense, Villareal e Braga) exigem uma resposta diferente do que tem sido dado até aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Meterorito Keizer estatela-se contra Lage

Ser do Sporting é viver permanentemente numa montanha russa de emoções contraditórias. Tão depressa estamos a subir a montanha e, em posição privilegiada, a beneficiar de uma vista magnifica ( conquista da Taça da Liga, Campeãs Europeias de Corta-Mato) como de repente descemos a pique, já com o estômago colado à garganta, despenhando-nos a toda a velocidade (Setúbal, Derby). 

Mas a mais paradigmática das analogias é, neste momento, o próprio Keizer. O treinador que nos ressuscitou em sete jogos seguidos parece estar de pá de coveiro na mão a reabrir o buraco  de onde nos havia tirado. É certo que há jogadores sem nível para jogar no Sporting. Nem é preciso nomeá-los. Mas há alternativas a Gaspar. Se é para errar temos o Thierry Correia, que pode crescer. Gudjeli nunca será um "6" a menos que queiramos apanhar "6" outra vez num jogo qualquer. 

Mas pior que a escassez de recursos que o treinador tem à sua disposição e as escolhas que faz são a sua falta de uma ideia para o nosso futebol. Anarquia total, total incapacidade de agir ou reagir nas mais diversas situações que os momentos do jogo requerem. Um treinador completamente perdido no banco e, sem perceber o que está a suceder no campo, é totalmente incapaz modificar o curso dos acontecimentos. Imagem que acentuou numa conferência a roçar o patético, tal era o afastamento da realidade que demonstrou. Não tenho memória de um dérby tão desequilibrado e onde tenhamos dado uma imagem de total impotência como ontem! 

Não creio, com desgosto  mas com sinceridade, que haja uma segunda vida para Keizer. É cada vez um meteorito que passou por Alvalade de brilho tão intenso como fugaz. Poderá haver recuperação? É o meu desejo, mas que dificilmente teria a sorte de ver concretizado. O que quer dizer que se aproxima mais uma daquelas frentes frias e a possibilidade de o Sporting a convalescer voltar a recair é bem real. Vai ser preciso ainda mais coragem que a que foi necessária para concluir que Peseiro não servia.

Uma pequena nota já em modo de post scriptum que é de inteira justiça pelo que vi in loco, durante os 90 minutos: Bruno Fernandes. Fossem todos como ele!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

A Taça da Liga tinha um preço e estamos a pagá-lo

Há males que vêm por bem? Se este ditado fosse feito por Sportinguistas seria provavelmente ao contrário. Acabamos de conquistar a Taça da Liga para mergulharmos numa daquelas depressões cavadas de cortar os pulsos. Ou, se preferirem, de roer as unhas até ao... cotovelo. Tudo porque empatamos o jogo com o Setúbal, um dos candidatos à descida no campeonato ainda em curso.

Convenhamos que a exibição medonha é mesmo causadora de depressão. Entrada em tom de passeio, futebol aos repelões, toada que se manteve durante todo o jogo.  Dos princípios de jogo que nos deram alguma esperança inicialmente com a chegada de Keizer não se vê uma réstia. Dizer que as equipas se ajustaram e refizeram da surpresa inicial é redutor. 

Há várias razões para justificar este abandono, que vão desde o pouco tempo e excesso de lesões para consolidar o modelo e assim dar-lhe segurança. Mas, da mesma forma que houve dedo de Keizer há agora falta dele. E, apesar da fleuma que lhe é característica, nota-se no semblante aquele ar de astronauta perdido na imensidão do espaço, sem saber se deve descer, subir ou ir para a direita ou esquerda. E é esse o comportamento da equipa em campo nestes últimos jogos. 

Façamos um ponto de ordem aqui: eu nunca tive grandes veleidades relativamente à época em curso até Keizer chegar. Depois disso não desminto ter chegado a sonhar.  E com razão, pelo futebol apresentado. Agora estou naquele ponto em que ela(e) nos leva para o quarto e em vez de preliminares estamos a falar dos cortinados e tapetes... 

Analogias à parte, o que mais me preocupa nesta equipa é a ausência de correcção dos erros. E quem não aprende com os erros arrisca-se a cometê-los de novo. E foi isso que aconteceu ontem. Não foi apenas a entrada "à turista" que nos condenou a ver a baía de Cádis ao Petrovic desde o estuário do Sado. Por jogadas semelhantes passamos os palpos de aranha em Guimarães e só a grande exibição de Renan impediu um enxovalho maior. E ela vem sendo executada indiscriminadamente por vários outros: bola na referência atacante, que, não tendo marcação próxima, como devia, explora a bel-prazer o muito espaço disponível para quebrar os rins aos defesas e criar perigo. Só não vimos isto com o FCP porque então Marega tinha-se divertido à grande.

Mas a gestão do plantel também merece senão reparos pelo menos muitos pontos de interrogação. Muito em particular o desaparecimento de Miguel Luís, que dava critério no passe e qualidade a defender, pela forma inteligente que lia o jogo e ocupava os espaços. Tal como já havia deixado a ausência de Phillype em Tondela. E o que dizer da presença aparentemente tão obrigatória como inútil de Diaby? Mas estamos a falar de um treinador que aterrou há dois meses em Portugal, pegou numa equipa moribunda e descrente. A dois pontos do primeiro lugar e em segundo na tabela? Sim, mas porque os nossos adversários perdiam pontos inesperadamente, algo que deixou de acontecer.

É verdade que ontem fomos completamente gamados de forma tão descarada como nos havíamos habituado a ver nos idos de 80 e 90 do século passado. Há coisas que não mudam ou tardam muito a mudar. Por isso mesmo, se queremos ser mais felizes no futuro, não basta sermos mais organizados do que temos sido, temos que incorporar os "Malheiros & Cia"como obstáculos permanentes a ultrapassar. E nunca, nunca dar nenhuma vitória como óbvia ou adquirida.

Estamos a pagar o preço da conquista da Taça da Liga. No cansaço acumulado, na falta de tempo para treinar. Mas também pelo que foi dito por Frederico Varandas, quer em relação à arbitragem quer aos rivais. A desfaçatez com que o Malheiro chega ao jogo em Setúbal e inclina o campo é o preço que temos que pagar pela afronta. Frederico Varandas tem agora que saber desatar o nó górdio a que ficou preso pelas suas declarações em Braga. Sem receios, porque o que disse então estava certo tal como desmascarar a forma habilidosa de errar sempre para o mesmo lado de Malheiro também o é. Calar é consentir e isso é muito pior.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Taças para que vos quero!

A ínfima parte que me pertence nesta vitória na Taça da Liga dedico aos adeptos que acreditam que ganhar é sempre possível para o Sporting. Mais do que um resultado aqui ou ali, ganhar é nosso destino!

Dedico também aos  jogadores que lutaram sempre, mesmo quando tudo parecia já perdido e as forças escasseavam. Na alegria genuína com que festejaram disseram o quão importante para eles era esta vitória.

Dedico também aos que de forma desrespeitosa menosprezaram a força deste enorme clube ainda a levantar-se do pó e a sacudir as cinzas. Aos que diziam que podíamos ser goleados pelo Braga. Aos que, na véspera, pensavam que voltávamos a uma final para cumprir uma  formalidade e ser meros figurantes na festa do FCP.

Dedico também aos "desportistas" de pacotilha, que o são apenas na hora da vitória e rapidamente se transformam em grunhos na hora da derrota. Anões moralistas, que pregam aos outros virtudes que não possuem ou desconhecem. De todas as desgraças que nos têm sucedido espero que esta nunca nos aflija!

Foi "só" uma Taça da Liga, é certo. Podia até não ter sido. Mas fomos os mais fortes (ao contrário do que dizia o outro...) porque aguentámos, cerrámos os dentes na adversidade do resultado e das lesões e, na hora da verdade, falhámos menos. Já fomos melhores e perdemos muitas vezes. Desta vez fomos melhores porque ganhámos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Keizer? Bola!

Não gosto de desculpas, mas também não gosto de reacções a quente que mais não fazem do que introduzir ainda mais irracionalidade onde ela já abunda. Interrompo assim um longo intervalo sem publicar, muito por força do desaire miserável de ontem.

Antes de mais não faz qualquer sentido as atitudes de terra queimada. Os maus resultados recentes têm exactamente os mesmos responsáveis que os bons resultados iniciais. A entrada de Keizer foi um doping moral que se esfumou por várias razões muito concretas: não temos plantel para fazer "um passeio no parque" como muitos pensavam que ia ser após as vitórias consecutivas.

Com o cansaço dos jogos acumulados vêm ao de cima as limitações individuais que abundam no nosso plantel - grande parte dos golos sofridos, que são muitos, têm vindo daí - e os jogos consecutivos não permitem a intervenção do treinador.

O Sporting para ser campeão ou para acalentar essa ideia tem de defender muito melhor e não pode sofrer um golo ou mais por jogo. É um problema de treino e organização sim, mas também resulta da baixa qualidade geral dos jogadores de meio-campo que poderiam desempenhar essas tarefas. Há muito "lixo" para varrer. (não gosto de me referir assim aos jogadores mas é o que é...).

Quanto à diferença que poderia significar ter visto chegar mais jogadores mais cedo neste defeso, é verdade. Mas também é verdade que se o tivéssemos conseguido eles praticamente não teriam treinado, logo a possibilidade de poderem ser utilizados com proveito era praticamente nula. Constatar isto é também admitir que chegar ao 2º lugar é neste momento e nestas circunstâncias uma miragem. Temos que competir não com um mas com dois adversários, que estão melhor que nós e mais equilibrados. O 2º lugar é de um deles, a menos que o Sporting consiga melhorar significativamente. 

Mas quer se queira ou não, Keizer está num processo de aprendizagem, precisa de perceber o campeonato português e por isso a chegada de Raul José e Quaresma podem ser muito importantes. É aqui que acho que há razões para esperar algo de muito melhor, tem havido uma procura por dotar o departamento de futebol de conhecimento e profissionalismo e abandonar as decisões tomadas de forma errática pela cabeça de um um dois. Há razões para crer que pode resultar, não decidam os sportinguistas fazer o habitual: deitar a criança fora junto com a água do banho. Mas essa é uma das nossas especialidades e não falta quem ansiasse por este momento...

Mas voltando ao que aconteceu ontem, é preciso a humildade para perceber as especificidades do nosso campeonato, onde há bons treinadores que, não dispondo de tão bons jogadores como os grandes, conseguem montar equipas que se lhes opõem, dão lutam e muitas vezes lhes ganham. Essa humildade parece que esteve ausente desde o momento da convocatória, no alinhamento da equipa, na postura desta em campo e finalmente numa péssima leitura do jogo.  E quando vejo um treinador abdicar das suas ideias e do processo que fez crescer a equipa partir para o chuveirinho, recorrendo aos centrais, quando deixa ficar em Lisboa pelo menos um avançado que estaria mais confortável para esse desempenho, fico à espera do pior.

Como diria o outro, ontem para Keizer foi bola! Bola!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Pedras no caminho? Vou guardá-las todas no bolso para não levantar voo

Mais um jogo na era Keizer, mais uma goleada. Sabemos que isto não vai durar sempre, mas enquanto dura é bom. Aliás, é muito bom! É sempre bom ver o Sporting ganhar. Ganhar aos adversários, progredir no seu caminho, ficar mais perto dos objectivos que todos desejamos. E sabendo que não apenas estamos a ganhar como a jogar bem, sente-se que há um crescimento sustentado e não meramente casual.


Verificar isso é constatar que estamos mais perto do sucesso, mesmo sabendo que não há quem ganhe sempre. Mas quem joga bem está sempre mais perto de voltar a ganhar e isso é o conforto que podemos sentir por agora.

Pedras no caminho? Vou guardá-las todas no bolso para não levantar voo. É que com esta confiança e com a qualidade de desempenho em alta quem sabe não éramos capazes de um (des)gosto a muita gente...

Nota: poucos se lembrarão de um Sporting assim: é preciso recuar à época 1940/41 para encontrar uma sequência de tantos jogos, tantas vitórias. Acho que as pedras são mesmo necessárias...

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Os primeiros 100 dias de Frederico Varandas, pelo próprio.

Frederico Varandas completou 100 dias como presidente do Sporting. Na entrevista que deu à SportingTV abordou alguns dos assuntos que marcam esse período. A forma como o fez inaugura um estilo diferente do que os Sportinguistas estavam habituados na gestão anterior. 

Como é natural nestas matérias, agradará mais a uns do que a outros. Para quem gostava do estilo anterior será por certo uma dececpção. Para quem ansiava por uma mudança na comunicação está feita a apresentação.

Do meu ponto de vista trata-se de uma entrevista sóbria, sem desculpas com o passado, pretextos ou o desculpas com as dificuldades inerentes às tarefas. Saliento aqui as frases que me parecem mais importância, com especial relevo para aquelas que foram mais usadas: "Minha equipa" .

Primeiro objectivo conseguido: Sporting saudável nas mais diversas vertentes Devolver o orgulho aos sportinguistas por ter o Sporting nas noticias pelos melhores motivos.

Não acreditava que era preciso fazer sem resultados, sabia a exigência desta missão. Não era fácil, mas acreditávamos que era possível.


O futebol do Sporting está em alta, está muito melhor.


Somos independentes, tomamos decisões sem estar preocupado com a duração do mandato.


A escolha de Keizer, competência técnica, liderança do grupo, gestão do grupo e comunicação. É um grande treinador, um grande senhor!


Muito do sucesso que Marcel Keizer vem da qualidade da nossa estrutura. Beto e Hugo Viana, trabalho fantástico, descrição, profissionalismo competência. 


Não é preciso grandes recursos financeiros para atrair as pessoas, é preciso ter um projecto que as atraia. Consegui trazer as pessoas que nos interessavam apenas com uma conversa.


Eu era a pessoa mais feliz se tivesse continuado com Peseiro até ao final da época. Mas seu sou presidente do SCP que é um clube com muita exigência e tem que mandar, que se assumir como favorito. Tem que ter um futebol atractivo.


Hoje sinto-me confortável em situações de stress. A decisão despedimento de Peseiro foi uma decisão tranquila.


Hoje dá-me uma grande satisfação que em 100 dias os Sportinguistas acreditam que o Sporting pode ser campeão. Eu acredito.


O Sporting vai estar atento ao mercado.


O Sporting vai acabar por bater os seus rivais não pelo barulho, mas pela inteligência e competência.
Uma palavra muito especial para os adeptos que estiveram no estádio no domingo: um estádio a cantar e puxar pela equipa, que está a perder por 2-0, isto afecta os adversários, que esperava que estivéssemos no tapete.


Matheus Pereira e Geraldes são regressos possíveis. Já há coisas definidas para o imediato e para Junho.


Veremos se há mais renovações, Marcel Keizer está a pouco mais de um mês no clube.


Sturaro é uma pasta que nós herdámos. Estava para vir em Novembro mas só virá se estiver bom. Não queremos fazer recuperações a jogadores para estarem bem em 2019. Isso no Sporting não existe agora.


Muito já foi feito na Academia em três meses. A estrutura está montada. Há qualidade para ser trabalhada, mas temos que dar condições a quem lá trabalha., temos que formar o melhor possível porque o Sporting terá que viver da formação.


Os miúdos precisam de regras, de disciplina e valores, ao mesmo tempo que os formamos como jogadores.


Muito está ainda por fazer. Está lançado o concurso para a substituição dos sintéticos com 10 anos, os de relva natural têm 15 anos. Iniciámos projecto para nove novos campos. 


A estrutura da Academia não está fechada, vão entrar mais pessoas.


É obrigatório (continuar a investir nas modalidades) O Sporting não é um clube de futebol somos o SCP.


Gabinete de Planeamento e Estratégia das modalidades está implementado.


Aumentamos em 22% GB Modalidades.


Aumentamos 11% a assistência no PJR.


Já tivemos cerca 10 dias Sporting (modalidades + futebol).


Falta agora dar vida às zonas em volta do PJR e Estádio.


Todos os escalões das modalidades terão equipas femininas.


O basquete é uma realidade e o treinador será apresentado em breve.


O judo é um exemplo de uma modalidade que os Sportinguistas se orgulham. O prof. Pedro Soares faz há anos um trabalho extraordinário, até em bairros com realidades sociais complicadas. Não tem as condições das modalidades profissionais, mas formam uma armada que se bate com os melhores da Europa.


O EO não podia ser na pior altura e em piores condições mas está feito.


Agora estamos numa segunda fase, a reestruturação financeira está em curso.


A auditoria financeira deverá ser apresentada por meados de fevereiro. Não procuramos nenhuma caça às bruxas. A vida do Sporting tem que continuar, não podemos ficar presos ao passado. A preocupação é com o futuro.


Acredito que até final de Janeiro teremos resolvido o “dossier Gélson”, com acordo.
Há uma garantia em relação aos processos de Rafael Leão e Podence: iremos até às últimas consequências se não houver acordo.


Esta AG cumpre e respeita os estatutos. As suspensões e expulsões não são uma decisão desta direcção. A AG decorre do recurso dos sócios em causa. Enquanto direcção não tenho nada que comentar.


Toda a gente já percebeu a nossa forma de trabalhar. Temos tido óptimo feedback dos clubes, da FPF e LIGA.


Há mais de três anos que não recebemos um jogo da selecção. Temos que normalizar as relações institucionais, sem abdicar dos nossos valores. As instituições sabem que hoje têm no Sporting um verdadeiro aliado para valorizar o futebol.


Não quero acabar com claques. Estão a haver reuniões civilizadas entre as claques e o Sporting e vamos chegar a um acordo. Há coisas que já mudaram, outras estão a mudar.


Vive-se no Sporting um ambiente de espirito independente e de livre opinião. Isto tem a ver com um novo estilo de comunicação. Não é preciso estar sempre a falar ou a fazer barulho. Não vou criar factos para poder falarEu não ladro, mas se tiver que morder, mordo. É esse o nosso estilo.


A Sporting TV é hoje livre. Não há cartilhas. O passado não vai ser editado. Eu vivo bem com a critica. 


Confio no estado de direito e na justiça e acompanho todos os processos com atenção.


Nunca vamos ter a vergonha de ter a PJ a voltar a entrar no Sporting com esta equipa.


Vamos dinamizar as lojas verdes, seja no estádio.


O Sporting é um clube que tem muita responsabilidade social, tem que dar o exemplo e é o que temos feito nas mais diversas vertentes. 


Queremos mais mas com os pés assentes na terra. Sabemos que podemos “chegar lá” mas com muita inteligência.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A metamorfose de um leão manso em leão devorador

A imagem da Patrícia Melo, no Expresso, é ilustração perfeita do que esteve ontem na raiz da reviravolta épica: entrega total, quase raiva, para dar a volta ao que estava a ser o pior momento desde a chegada de Keizer a Alvalade. 

As tão temidas fragilidades defensivas foram postas à vista de todos e a ser exploradas à exaustão pela bem montada equipa de Costinha. Redução dos espaços logo a partir dos centrais do Sporting, provocando um curto-circuito entre aqueles e o meio-campo. 

Dessa forma vieram ao de cima os piores defeitos individuais. Gudelj quase sempre mal posicionado nas coberturas que não fazia, e o meio campo insular a reinar no enorme buraco que se abriu entre as linhas. Bruno César sem ritmo deixava ainda mais expostas as fraquezas de um flanco esquerdo com Jefferson. 

Na frente, a bola ou nunca chegava ou chegava sem qualidade e os jogadores leoninos eram quase sempre apanhados sem linhas de passe para dar continuidade ao jogo. Magistral a forma como Costinha, dessa forma,  consegue tirar Bruno Fernandes do jogo. A sua "entrada" no jogo, especialmente na segunda parte, seria determinante para o sucesso que parecia estar quase fora o nosso alcance. Para isso contou muito a entrada de Miguel Luís, a dar serenidade à organização do nosso jogo.

Sem ser brilhante, por ter abdicado dos melhores atributos do seu jogo, tão elogiados até agora, a os homens de Keizer equiparam-se ao intervalo de um pragmatismo que lhe valeu os três pontos. Não podendo construir o jogo a partir de trás, com constantes trocas de passes, a equipa viu-se obrigada a optar por transições rápidas, quebrando dessa forma a linha constante de pelo menos quatro nacionalistas.

Sexto jogo e sexta lição em que Keizer foi aluno e também mestre. É notório que a cada jogo aumenta o grau de dificuldades colocados pelos treinadores adversários e é também notório que as provas têm sido superadas com distinção. Ontem mais do que pela sageza do treinador, que o ponto de vista individual dispõe de poucas soluções em alguns lugares, foi a força de vontade e aplicação dos jogadores que contribuiu para a superação de uma prova que a dado momento parecia uma tarefa impossível.

A forma como a equipa se transfigura de leão assustado em leão devorador neste jogo é uma amostra de inconformismo que tanto um bom augúrio para nós como um aviso a todos que vamos ter pela frente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A Assembleia Geral como órgão de recurso

Dia 15 de dezembro a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal reúne para apreciar os recursos de sócios suspensos e expulsos, designadamente de vários ex-membros do Conselho Diretivo do clube.

Segundo o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, os visados podem estar presentes e falar durante 15 minutos, o que tem gerado alguma controvérsia, designadamente pela possibilidade de os sócios suspensos dos seus direitos sociais poderem entrar e falar na assembleia.

Com efeito, os sócios suspensos não deveriam poder participar numa Assembleia Geral. 

Já os sócios que foram expulsos podem participar sem qualquer limitação, uma vez que os recursos interpostos têm efeito suspensivo, ao contrário dos recursos interpostos pelos sócios suspensos com efeito meramente devolutivo (cfr. n.º n.º 7 do art.º 28.º dos Estatutos). 

Mas esta é uma assembleia com características especiais em que a ordem de trabalhos é constituída, unicamente, pelos recursos apresentados nos termos do n.º 7 do art.º 28.º e da alínea g) do n.º 1 do art.º 43.º dos Estatutos do clube.

Os recorrentes devem poder apresentar os seus motivos aos sócios que vão votar os recursos porque deve prevalecer o princípio básico do contraditório e o direito à defesa.

Não poderão, contudo, tais sócios suspensos (nem os que foram expulsos) exercer o direito de voto, nos termos do n.º 1 do art.º 176.º do Código Civil, por haver um claro conflito de interesses. 

Não será demais recordar que essa proibição foi ostensivamente violada pelo então Presidente do Conselho Diretivo na Assembleia Geral que votou a sua destituição.

Sobre o funcionamento desta Assembleia Geral, o Presidente da Mesa informou, ainda, que "os sócios podem entrar, votar e ir embora, ao contrário do que acontecia num passado recente, onde só depois da discussão dos pontos da ordem de trabalhos é que eraaberta a votação.”

Ora ”As reuniões das Assembleias Gerais são eleitorais e comuns e ambas podem ser ordinárias ou extraordinárias.”
(cfr. art.º 44.º, sublinhados nossos).

A Assembleia Geral que visa apreciar os recursos de sócios suspensos e expulsos é uma Assembleia Geral comum extraordinária.

Os mesmos estatutos determinam que apenas “As Assembleias Gerais eleitorais funcionam sem debate, nelas se procedendo apenas a votação, por voto secreto.” (cfr. n.º 1 do art.º 47.º, sublinhados nossos).

 E o Regulamento da Mesa da Assembleia Geral doSporting Clube de Portugal estipula no art.º 12.º - Organização dos Trabalhos - e na alínea b) do n.º 1 do art.º 13.º - Direitos dos sócios - que todos os sócios que se tenham inscrito podem tomar parte nas discussões que se suscitarem sobre os assuntos constantes da ordem do dia.

Para que serve então a discussão?

Segundo Roque Laia, no seu Guia das Assembleias Gerais, a discussão é pressuposto da formação da vontade coletiva face à ordem de trabalhos. 

Pelo que a possibilidade de os sócios votarem durante a apresentação dos recursos, que são os únicos assuntos da ordem do dia, ou até no decorrer da discussão, sem que esta tenha terminado, não faz qualquer sentido, é absurda e viola os referidos Estatutos e Regulamento.

Além de ser uma falta de respeito para todos os sócios que participam numa discussão estéril e sem sentido, ora porque ninguém os ouve, e muitos já terão votado antes.

O facto de assim ter sucedido em duas Assembleias Gerais recentes (na Assembleia/”plebiscito” de fevereiro e na de destituição), não torna este procedimento adequado, muito menos legal.

Se a discussão in loco é assim tratada, porque não admitir nestes casos o voto por correspondência?
Mais, o Presidente da Mesa não tem poder para decidir que se prescinde da discussão mas pode propor à Assembleia que vote no sentido de se prescindir dessa discussão, ou que considere a matéria como discutida, conforme n.º 1 do art.º 16.º do referido Regulamento. 

A decisão será dos sócios.

E as intervenções passariam a ser consideradas como intervenções “no período antes da ordem do dia”, realizadas após a discussão dos assuntos da ordem do dia, aí sim, por decisão do Presidente da Mesa (Cfr. n.º 3 do art.º 12.º do regulamento).

Tenhamos presente que certamente esta Assembleia Geral será alvo de impugnação judicial e ninguém quererá que os resultados da mesma sejam afetados por irregularidades procedimentais cometidas, por melhores que sejam as intenções das mesmas.

Este tipo de assembleia para julgar recursos deveria ter outro formalismo? Provavelmente sim, mas para isso importa modificar os estatutos e, até lá, cumprir os mesmos, ao contrário do passado recente em que a Lei, Estatutos e Regulamento foram frequentemente muito mal tratados.

Rui Morgado

Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Não sei, na verdade ninguém sabe, se a proposta de jogo de Marcel Keizer vai acabar traduzida em títulos. Mas já se pode afirmar com segurança que ela incorpora muito daquilo que a nós, adeptos, agrada: qualidade futebolística, futebol de ataque que assume claramente a vontade de ganhar, sem se esconder. Com isso os melhores jogadores voltaram a parecer bons e até a formação foi resgatada do limbo para onde foi atirada na era D.C. Depois de Jesus, bem entendido, porque os cristos fomos nós.

A base para o sucesso está lançada, mesmo carecendo de afinações e de provas mais complicadas, como serão as que se seguirão em breve, não apenas com os rivais directos mas com a próxima eliminatória  . Afinal estamos a falar de um treinador que ainda não deve ter tido tempo para pousar as malas e arranjar casa. Ter conseguido o que conseguiu até agora, com tão pouco tempo decorrido, diz muito da qualidade do seu trabalho.

A equipa do Sporting tem agora uma ideia de jogo, sob a qual os jogadores operam de forma colectiva, deixando a equipa deixe de estar tão dependente da inspiração e rasgo dos seus melhores. Mas são os melhores que fazem a diferença, passe a "la paliçada". Esses, como o são Nani, Bruno Fernandes, Bas Dost, são agora tão bons como o melhor que já sabíamos deles. E as expectativas para o regresso de Raphinha são por isso ainda maiores do que já eram, depois de o termos visto jogar, ainda que numa equipa frágil e incipiente.Quanto valerá o jovem brasileiro numa equipa personalizada, que sabe o que quer, que gere bem os tempos e que descobre sempre o caminho para o próximo passe até descobrir a baliza?

Nesse entretanto teve já o tempo para olhar para o que tinha à sua disposição no viveiro de Alcochete. E se é disso que os miúdos mais precisam - que alguém tenha de tempo de olhar para eles - ele teve também a coragem de lhes dar um outro tempo que é essencial: o tempo de jogo ao mais alto nível. Tempo de qualidade num momento certo, pela sua baixa complexidade: estava em jogo o prestigio mas já não a necessidade do resultado.

Para quem não percebe o "aperto" que se vive nestes momentos no intimo dos jogadores, é preciso estar atento às declarações dos miúdos:

Estava um bocado ansioso, mas é muito importante jogar aqui (Thierry Correia)
Terminamos com seis jogadores em campo oriundos da formação e desses vamos ter que nos habituar a ouvir os nomes de Miguel Luís, Pedro Marques, Bruno Paz e do já citado Thierry Correia e a quem talvez se venha a juntar em breve Daniel Bragança. Jovane Cabral e Mané são nomes já sabemos de cor.

A forma como Keizer descomplica chega a ser desconcertante para os atónitos jornalistas nas conferências de imprensa:

"Se marcarmos mais, não é problema. Para mim, o futebol é marcar golos. Prefiro ganhar por 3-2 do que por 1-0. Pode haver quem tenha uma opinião diferente"

"Sofrer não é um problema quando se marca muitos golos. Ganhar é a coisa mais importante. Se me perguntarem, prefiro ganhar 3-2 do que 1-0. Queremos atacar e fizemos isso hoje."
No fundo a receita até não é assim tão nova. Keizer devolveu a confiança e alegria aos jogadores devolvendo-lhes a bola. Com ela a andar de pé para pé a equipa sente-se confortável e joga com o espírito de quem se diverte. Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Muita pena pela entrada assassina que lesiona Montero, que estava a ter um regresso em cheio.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

10 pontos sobre a Assembleia Geral

1-Ao contrário do que tem vindo a ser veiculado aqui e ali, a Assembleia Geral (AG) do próximo sábado não se destina a deliberar a expulsão de nenhum sócio, mas apenas a apreciar os recursos dos diversos associados, a citar: Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro, membros da direcção destituída pelos sócios e entretanto suspensos, Elsa Judas e Trindade Barros, sócios expulsos.

2-Sobre a matéria que estará sob apreciação dos sócios - a manutenção das penas aplicadas - e tendo em conta a gravidade dos actos cometidos, mas também tendo em conta o que foram as acções subsequentes, é absolutamente claro para mim que não há nenhuma razão para a suspensão das penas dos ex-dirigentes (Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro), bem pelo contrário. 

3-Sobre a pena de expulsão dos dois referidos sócios (Elsa Judas e Trindade Barros), a sua intervenção e participação nos eventos que levaram à AG de destituição configuram gravidade suficiente para o merecimento da pena aplicada. O facto de nem sócios de pleno direito serem por, alegadamente, terem quotas em atraso e, não menos importante, serem especialistas em direito funciona como especial agravo.

4-Ontem registaram-se novos desenvolvimentos do que virá a ser a AG. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PMAG) Rogério Alves dirigiu uma comunicação aos sócios, dando nela conta da possibilidade de os indivíduos sob alçada disciplinar e requerentes do recurso se poderem apresentar pessoalmente na AG e tomarem a sua defesa.  Em teoria olho para esta medida como uma atitude generosa e até saudável. Na prática olho para ela como uma medida ingénua e baseada numa análise irrealista e distorcida da realidade.

5-Dá impressão que o PMAG delegou num clone a gestão da passada AG e que depois disso não chegou a estabelecer contacto com a sua réplica. Mas pior, não tem lido os jornais, não tem visto as noticias e não se apercebeu ainda do que têm sido os últimos meses da vida do Sporting. Peço desculpa pela crueza da imagem, mas não há generosidade nenhuma em continuar a afagar a cabeça do mastim que temos em casa e cuja intenção continua a ser evidente de querer continuar a tentar morder. A isso chama-se ingenuidade e só por respeito ao PMAG não uso outra palavra.

6-Tenho uma diferença de opinião insanável com o PMAG e talvez mesmo com a generalidade dos órgãos sociais que parece quererem ir em busca de uma pacificação por via da tão famosa "união". Para que tal acontecesse seria necessária uma regra básica, que se aplica a actos mais banais como por exemplo dançar um tango: é preciso a vontade dos dois lados. Aplicando isso à realidade vigente no nosso clube, há um último reduto de adeptos que continua a não aceitar os resultados das eleições e cuja única e exclusiva vontade que continuam a manifestar é reverter o acto até ao ponto em que seja possível voltar a colocar Bruno de Carvalho de onde ele foi afastado pela vontade de uma maioria bem expressiva de sócios. A sua lealdade ao Sporting extingue-se nessa vontade cega. Só deve ir a jogo quem aceita as regras. Ora o PMAG diz que "temos que de democraticamente aprender as decisões maioritárias" mas esse exercício carece ainda de ser feito por muitos, pelo que não se percebe a generosidade.

7- Compreendo que haja sócios que entendam o contrário de mim e guardem do anterior presidente memórias mais positivas e reconfortantes do que as minhas. Mas o que está em causa neste processo são factos  muito concretos e revestidos de especial gravidade que num eleito para defender a instituição Sporting funcionam como circunstâncias especialmente agravantes. Se dentro desses há quem olhe para o mandato e encontre razões de satisfação e regozijo, lembro que esse deveria ser o resultado normal do exercício da função que lhe foi confiada e tida por ele como uma honra e não como um livre trânsito.

8- Não é demais lembrar o objectivo das AG's do inicio do ano, cujo um dos objectivos dos então dirigentes era o endurecimento do regulamento disciplinar, sob cuja alçada haveriam de cair em tão pouco tempo. Isso não apenas faz acrescer as suas responsabilidades como as agravantes para os seu actos.

9-Tenho também sérias dúvidas da legitimidade da permissão de entrada na AG de sócios suspensos. Também compreenderia a generosidade expressa na vontade de deixá-los tomar a sua defesa, não sendo demais lembrar que foi-lhes facultado o exercício do contraditório no decurso do processo disciplinar. Porém pergunto-me: o que poderão dizer de novo que não saibamos já? Que se encontravam temporariamente inimputáveis quando decidiram criar uma mesa de assembleia geral fantasma uns e a aceitaram integrar outros? Foram vitimas de envenenamento dos alimentos pelos "sportingados" e outros malfeitores? 

10-Não sei que rumo tomará a AG e muito menos o seu resultado. Mas até mesmo para alguém como eu, que nunca acreditei em Bruno de Carvalho, não aceito que o seu sportinguismo não tenha falado até hoje mais alto que as suas ambições pessoais. Desde que o caos em que nos lançou e as divisões que provocou, e depois das inúmeras providências cautelares sucessivamente rejeitas que interpôs, em nenhum momento ouvi uma palavra que demonstrasse uma preocupação genuína com o futuro do clube mas apenas consigo próprio. Isso por si só é suficiente para manter e reforçar as minhas convicções relativamente aos eventos à época e os seus principais protagonistas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O Sporting dos casos e casinhos

O Sporting é um clube "extraordinário"! Há três anos a "Tertúlia Leonina", um grupo de Sportinguistas que de forma livre resolveu constituir-se como um grupo de reflexão, realizou o seu primeiro jantar de Natal. Na altura esteve presente o então presidente do Sporting e daí não resultou qualquer polémica, pelo menos que me lembre.


Este ano o jantar repetiu-se e contou com a presença do actual presidente Frederico Varandas, do vice-presidente Francisco Salgado Zenha que creio é elemento integrante deste grupo, bem como de pelo menos um elemento do staff do futebol profissional.

De repente estalou o escândalo e o jantar bem, como o referido grupo, passou a ser escalpelizado como se se tratasse de acto de lesa Sporting. Este espírito de casos e casinhos e perca de tempo em discutir tudo e o seu contrário é bem o espelho do Sporting e pode ajudar a perceber - ou não - porque é que este clube tem tantas vezes adiado aquele que deveria ser mais vezes o seu destino natural: vencer mais vezes!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onde está a mão do Ronny quando o Mota mais precisa dela?

Vou começar esta crónica pelo final:

Há uns anos atrás José Mota, no comando do Paços de Ferreira, veio ganhar a Alvalade com um golo de Ronny, marcado com a mão. Os pontos perdidos nesse jogo seriam suficientes para nos ter dado o titulo nesse época. O José Mota saiu tão satisfeito com o resultado que nem se conseguiu referir ao lance na conferência de imprensa a seguir ao jogo. Ontem chorou baba e ranho por uma qualquer razão que ainda estamos para perceber. Como se a sua equipa tivesse perdido como ele nos havia ganho: por um erro de arbitragem.


O José Mota que tanto teclamou com a arbitragem e com a organização do futebol português é ainda o mesmo treinador do clube que não foi à Liga Europa porque a administração do clube se esqueceu de inscrever a equipa na competição. O José Mota deve urgentemente fazer uma consulta de neurologia por causa destes esquecimentos? Não creio. Sofre provavelmente da mesma amenésia que o Folha, quando lhe perguntaram se a sua equipa tinha sido prejudicado no jogo com o FCP. Nem uma palavra sobre o penalty perdoado e o golo sofrido com o fora-de-jogo a anteceder...

Quanto ao jogo, foi um jogo algo estranho. O Sporting, que já tinha superado com distinção algo semelhante com o Karabaq, não se deu bem com a marcação 1x1 do Aves. Porque a pressão foi maior e exercida no espaço curto deixado por uma defesa muito subida. A segurança em posse perdeu-se e a equipa revelou o natural incómodo. Mas, ao contrário do que se poderia supor, o Aves não abdicou do ataque, fê-lo foi de forma surpreendente ao abdicar de um elemento fixo e ao colocar 3 elementos rápidos, O suficiente para ensaboar o juízo aos nossos defesas e, isolando-os, expor as suas debilidades. 

Mas, ao contrário do que é habitual, a equipa está a ser construída da frente para trás. Isso ou é aí que a diferença de qualidade individual é mais notória e acaba por se fazer sentir. Foi graças ao enorme jogo de Bruno Fernandes, ao golo estratosférico de Nani e à eficácia de Dost - 3 remates, 2 golos -  que demos a volta ao resultado e construímos mais uma goleada. Mas ficou o aviso, e enquanto for apenas em forma de aviso podemos nós muito bem.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O próximo grande desafio de Keizer: o teste do autocarro

Aqueles lugares comuns que buscamos para falar do futebol são sempre actuais. O futebol desperta paixões é um deles e que a paixão tolda a razão é outro que também se pode usar para nos referirmos à ciclotimia crónica de que enfermam os adeptos e não menos os comentadores do fenómeno desportivo. 

Senão vejamos: a 15 de maio o Sporting sofria um rude golpe infligido directamente no coração que não apenas lhe poria em causa o seu prestigio, como o deixaria depauperado de um parte substancial dos seus melhores valores e imerso numa profunda crise, cujos contornos e consequências estão ainda por apurar. 

A época que se avizinhava era aguardada até nas versões mais optimistas como uma penosa travessia do deserto. Impressão que se foi cimentando com um estágio de pré-época digno de uma equipa amadora em excursão, um treinador sem qualquer carisma e de imagem desgastada junto dos adeptos, que só o resgate de Bas Dost e Bruno Fernandes ajudaria a atenuar. Hoje percebe-se ainda melhor o quanto esta acção acabaria por ser determinante para a saúde do actual Sporting. Só não se percebe como é daqui se saltou para voltar a falar em titulo nacional. Mas, se tal sucede, há dois nomes incontornáveis: o treinador Keizer e Frederico Varandas, que assumiu o risco da sua contratação.

Mais do que os resultados seriam as paupérrimas exibições a obrigar Frederico Varandas a sair do seu cadeirão de conforto que o desresponsabilizava da escolha do treinador. Isso e um discurso desmotivante e desagregador de Peseiro, incompreensível mesmo à luz das circunstâncias difíceis que encontrou para o desenvolvimento do seu trabalho. Ainda assim, a escolha do momento e do nome do treinador acabaria por surpreender toda a gente.

Mas, mais do que o nome e o momento, está a ser a forma discreta mas eficaz e convincente como Marcel Keiser  soube dar a volta a uma equipa sem alma e, porque não dizê-lo, de reduzidíssima auto-estima. Resultados e exibições eloquentes e em crescendo depressa fizeram esquecer o ribombar das criticas e dos receios expressos sobre o acerto da decisão. Na sua maioria por se fixarem no curriculum e outro tanto para esconder a ignorância total. Faltou perceber que mais do que qualidade o curriculum atesta o passado e as circunstâncias em que ocorre e não tem que significar uma sentença sobre o futuro. A verdade é que só mesmo quem conhecia o treinador e o seu trabalho lhe poderia adivinhar o potencial que agora a rápida e dramática forma como operou a transformação da equipa todos se apressam a reconhecer.

O Sporting de Keizer deve muito da sua subida auto-estima e de qualidade exibicional à simplicidade de processos como reorganizou o modelo de jogo. Este baseia-se numa maior proximidade de sectores e e dos elementos, que permite não só maior posse como uma resposta mais pronta e melhor organizada quando a bola é ganha pelo adversário. O recurso a cruzamentos constantes, à procura do milagre habitual de Bas Dost, foi substituído por uma maior procura e ocupação do corredor central, sem medo de enfrentar o bloco defensivo do adversário. A forma, o número de elementos que coloca e a qualidade como chega às zonas frontais à baliza adversária definem grande parte do sucesso das finalizações, que aumentaram significativamente.

Claro que os dois encontros iniciais não foram muito convincentes para críticos e adeptos, muito pelo baixo valor facial dos adversários. E nem a goleada, cada vez menos usual, aplicada ao Karabak, diminuiu a controvérsia sobre a escolha Keizer. O encontro com o Rio Ave assumiu-se como o derradeiro teste à consistência da equipa verde e branca. Como se sabe hoje, o teste foi passado com distinção, provocando a rendição da critica e dos mais indecisos.

Como é bom dever algum do sucesso imediato se deve, além dos méritos do treinador, ao factor surpresa. Factor que tenderá a desaparecer no imediato, com os técnicos adversários a terem mais tempo para analisar o "modelo Keiser" e a construírem os seus próprios antídotos. Os próximos quatro jogos do Sporting serão jogados em casa e aí será possível ver como se propõem os adversários a enfrentar os leões. Veremos então se a proposta de Marcel Keiser também é à prova de dos tradicionais autocarros a que recorrem muitas vezes as equipas de menor recurso.

Além desse há um outro teste a enfrentar pelos homens do holandês até agora tranquilo: a impaciência do tribunal de Alvalade, por oposição à serenidade e jogo de aturados equilíbrios que a equipa exibiu em Vila do Conde e onde se fundaram muitas das razões para o sucesso alcançado.

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