Últimos Artigos

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sporting 4 - Estoril 2: com a A5 fechada, fomos pela marginal

Havia alguma expectativa para a recepção ao Estoril, no sentido de avaliar qual seria a reacção da equipa após duas derrotas que poderiam ter produzido efeitos traumatizantes. A resposta foi categórica, apesar das dificuldades impostas por um Estoril a defender a duas linhas, com dez homens atrás da linha da bola, o Sporting esteve sempre muito seguro a fechar os caminhos que os estorilistas escolhiam para as transições. Mas as maiores dificuldades estavam na frente, na organização do ataque.

Com o Estoril a defender com as linhas muito próximas tornava-se muito difícil penetrar no bloco. Com o nosso jogo interior praticamente anulado, o Sporting era obrigado a recorrer às linhas exteriores. Ou se preferirem, como a A5 estava fechada ao trânsito, o jogo tinha que ser carrilado pela(s) marginal(ais). Logo, a chegada ao destino - leia-se a chegada da bola às zonas de finalização - só acontecia pelo ar, com o recurso quase permanente a centros executados a larga distância dos avançados, Dost sobretudo.

Para lá do mérito dos estorilistas muitos dos nossos problemas passavam por Alan Ruiz. Diga-se que a sua missão não era propriamente fácil, mas foi evidente que o argentino era um jogador a menos. Incapaz de servir de fio condutor e ligação entre sectores, afundou-se em banalidades. É cada vez mais claro, a cada jogo que passa, que é ainda cedo para Alan Ruiz, ficamos ainda sem saber quando será o tempo dele.

A desfeita do nulo passaria pela acção de dois dos protagonistas do jogo. Gélson a assistir e Dost a finalizar. O miúdo está numa forma incrível, verdadeiramente endiabrado, faltando-lhe ainda melhorar o acerto a assistir, coisa que não faltou porém no primeiro golo de Dost. E o holandês é um verdadeiro homem-golo, como o demonstrou na forma como respondeu, de cabeça, à oferta de Gélson. Mas não só, a exibição dos vários recursos de Dost é de fazer crescer água na boca e fazer-nos sonhar com mais de vinte golos na sua conta exclusiva.

A esses dois há que juntar William Carvalho, aquela "lateralização" para o segundo golo de Dost é para deixar gravada. Foi assim que ele descobriu e inaugurou a A5. Após um ano anterior com inicio particularmente difícil, com a lesão a atrasar a sua participação na equipa, William regressou agora em jeito imperial e Jesus parece estar-lhe a destinar funções muito mais alargadas que um mero "6" posicional, obrigando-o a um papel mais interventivo no momento de sair para o ataque. Dessa forma veremos William a subir com a bola controlada e dessa forma baralhando as posições pré-estabelecidas no bloco defensivo adversário. Ontem fez isso vezes sem conta, parecendo corresponder a uma chamada à linha por parte do treinador.

Haveria ainda tempo para André, primorosamente assistido por Ruiz, se estrear a marcar, o que é bom para elevar os níveis de confiança de um jogador que vivia, no seu clube de origem, uma fase tenebrosa, como é do conhecimento de todos. Pareceu denotar mais à vontade e conhecimento na posição "9", do que a de segundo avançado que Jesus parece querer oferecer-lhe.

Seria por iguais circunstâncias que Jesus estava a dar uma oportunidade a Jefferson, com o brasileiro a demonstrar mais uma vez que já viveu melhores dias. Do outro lado, João Pereira continua a justificar a preferência relativamente a Schelotto, mas em nenhum dos lados da defesa temos razões para descanso.

Uma nota final para a forma assustadora com que Ruiz continua a falhar golos aparentemente fáceis e para a forma displicente como acabamos por sofrer dois golos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Momento Skënderbeu? Não, esta doeu!

A derrota inesperada em Vila do Conde - pelos números e pela pálida exibição - não foi o nosso "momento Skënderbeu", nem sequer o "momento Guimarães" da época. A derrota com o Skënderbeu, pela diferença de valor e de prestigio entre as duas equipas, foi dolorosa para o ego mas não significou muito mais do que isso, uma vez que o objectivo então em vista - o apuramento para fase seguinte da Liga Europa - havia de se cumprir. A pesada derrota com o Guimarães, igualmente inesperada e dolorosa, não foi mais do que a confirmação do que já se suspeitava: ainda não estavam reunidas as condições para sermos campeões.

A derrota com o Rio Ave tem um cariz diferente. Não apenas por termos perdido a liderança, porque neste momento precoce da prova ter um ponto de desvantagem é relativamente pouco significativo. Mas tal ganha maior importância se atendermos ao facto que o nosso rival chega à liderança quando se debate com ausências significativas e numerosas, enquanto nós não só não aproveitamos um calendário relativamente favorável, como ainda desperdiçamos pontos. Provavelmente só no final da prova será possível perceber o real impacto destes três pontos, mas é assim que se perdem campeonatos.

Obviamente que nada está perdido e, tal como dizia ontem, não há razões para desesperos, mas há que aprender com os erros para não termos que passar a vida a lamentá-los. E o erro em Vila do Conde foi não levar o jogo muito a sério, como terão que ser levados todos até ao final do campeonato. Mas há algo mais importante a retirar do último jogo e que passou na abordagem aqui ontem feita e que só depois de revisto acabou por me ressaltar à vista.

A já apontada falta de equilíbrio na organização defensiva após a perda de bola e mesmo depois em contenção foi provavelmente a "anomalia" mais estranha, se atendermos ao passado recente e ao que é habitual reconhecer nas equipas de Jorge Jesus. Parece-me evidente que a fórmula para compensação para ausência de João Mário está ainda por encontrar. 

Nem Gélson nem Campbell conseguem ler o jogo como fazia o nosso ex-17, isto sem descontar o facto de que ambos são muito mais avançados / extremos de formação que ele. Desta forma, sem as devidas compensações e auxílios à linha média, as tarefas defensivas ficam demasiado dependentes de William e Adrien, o que é manifestamente pouco.

Resolver este desequilibro - que passa também por encontrar uma solução para Alan Ruiz, que é frequentemente "menos um" - acaba por ter um carácter quase estruturante, provavelmente muito mais importante que a substituição de Slimani, aquele que pensávamos ser o pesadelo maior a enfrentar.  É que sem organização defensiva eficaz não é apenas a nossa baliza que fica mais vulnerável, é também o ataque que fica comprometido, por não ser possível ter qualidade e quantidade de posse de bola. 

Nesse sentido a segunda parte do jogo de Vila do Conde pode ter um carácter enganador, pelo facto da equipa da casa, confortável pela expressão do resultado favorável, nos ter cedido a iniciativa do jogo. Mas, se atendermos à necessidade de golos de então, as oportunidades não só foram reduzidas em quantidade como em termos qualitativos também não abundaram.

É por isso muito provável que a breve trecho voltemos a ver mexidas no onze titular. O regresso de Bruno César ao centro do terreno será a mais natural delas. Ele que, apesar de não ter o destaque e a boa imprensa de outros, tem sido de uma utilidade, preponderância e fiabilidade totais. E a não resolução em definitivo numa solução fiável na esquerda da defesa já está a passar factura, o que é um verdadeiro paradoxo se atendermos ao que foi investido esta época e quando se constata haver em alguns lugares mais de dois jogadores para fazer a posição.

domingo, 18 de setembro de 2016

Ou "otcho ou otchenta e otcho"

Quem lê este blogue com regularidade sabe o que eu penso sobre Jorge Jesus, pelo que me sinto à vontade para o criticar, com o é o caso hoje. E as minhas criticas nem vão sequer beliscar a categoria do treinador. Acontece que um treinador é ante de mais um homem e é a sua tão proverbial sobranceria que se opõe há obtenção de ainda mais êxito.

Há que contextualizar devidamente o que sucedeu em Madrid. Se é verdade que fizemos uma bela exibição, não é menos verdade e sobretudo é mais importante perceber que não ganhamos ou sequer empatamos. As repercussões mediáticas, em particular os elogios  - merecidos, grande parte deles - parecem ter-nos afastado do essencial, neste caso particular também o treinador. Ora a equipa de futebol do Sporting não é uma equipa de exibições ao género dos Globetroters. É a equipa de um clube que precisa de resultados e as grandes equipas conseguem-nos e as outras não, mister Jesus.

Embora nós tenhamos todas as condições de construir uma grande equipa, isso é uma tarefa que ainda está por realizar. E  o tempo não corre a nosso favor pois, como o jogo em Vila do Conde acaba de provar, há ainda muito trabalho pela frente para jogadores de quem muito esperamos estejam à altura de dar uma resposta adequada quer para a equipa, quer mesmo para a sua própria afirmação.

A conferência de imprensa que antecedeu o jogo já fazia prever que o jogo de Vila do Conde não ia ser abordado com o rigor que deveria ter sido. Quando Jesus decide mudar a equipa esqueceu-se de dois pormenores importantes: historicamente o Sporting sente quase sempre grandes dificuldades, mesmo até quando ganha em Vila do Conde e a nossa prioridade devia estar centrada em assegurar os três pontos e só após isso fazer a necessária rotação.

Infelizmente começou-se pelo fim, isto é, pela rotação de jogadores, com alguns deles a deixarem indicações de ainda não estarem preparados para tal ou outros mesmo deixando sérias dúvidas se alguma vez tal irá suceder. Terá ajudado também muito pouco um inicio em que até podíamos ter sido um pouco mais felizes e construído outro resultado, contribuindo quiçá para acentuar a ideia de que ganhar era uma inevitabilidade, uma questão de tempo. O que não ninguém contava foi que o pequeno Rio Ave desaguasse três vezes consecutivas na nossa área, deixando-nos com água linha da água por cima das nossas cabeças. A eficácia que precisávamos ter tido tiveram-na eles.

A abordagem de Jorge Jesus ao jogo foi infeliz no inicio e assim permaneceu após o intervalo. E se o falhanço deve ser considerado sempre de forma colectiva, foi claro que ele acentou em escolhas erradas de jogadores que não estiveram à altura do que era exigido e cujas falhas comprometeram a equipa.

- Alan Ruiz é neste momento uma perfeita nulidade. Ou como disse em tempos JJ, este Ruiz tem de nascer dez vezes para merecer a titularidade... num jogo particular. Num jogo a doer estamos conversados. Para lá de demonstrar ter um pé esquerdo potente, não defende e não dá nada ao nosso jogo atacante. Jesus parece querer dar-lhe tempo de jogo, mas ao não o por a jogar em Madrid demonstra saber que ele ainda não está à altura. Porque o faz num jogo do campeonato, onde os pontos contam e é a nossa competição alvo, ficamos por compreender.

- André tem bons pés, demonstrou-o algumas vezes mas com um Alan Ruiz nas costas é um ilha completamente fora dos horizontes do resto da equipa. Na segunda parte, no lugar do argentino, conseguiu pelo menos ser útil, ajudando ligar o nosso jogo no ataque.

No golo de Tarantini cabia a um deles ter descido com Roderick, não permitindo que ele fosse por ali abaixo, quebrando linhas, até fazer uma assistência letal. Mas não só, a forma como ele passou por toda a nossa equipa sem que alguém fizesse sequer recurso à falta revela a displicência e arrogância com que o lance e provavelmente todo o jogo foi encarado. Quando se perceberam as consequências já foi tarde para remediar.

- Campbell é esquerdino mas não sabe o que fazer daquele lado, nota-se o seu incómodo quando recebe a bola. E não apoia a defender. Nas incursões de Gil Dias (que bela surpresa, este miúdo de 19 anos!) nem ajudou Bruno César nem seguiu o miúdo nas diagonais, de forma a permitir o reequilíbrio de forças o meio-campo.

As substituições na segunda parte eram inevitáveis. Mas mais uma vez aí Jesus não fez as escolhas mais adequadas. Ou, se preferirmos e quiçá para ser justo na avaliação, foi a visão de Capucho a sair premiada. A inclusão de Bas Dost adivinhava-se e provavelmente justificava-se. Mas com o Rio Ave a subir a linha defensiva reduziu o espaço disponível para atacar.

Nos flancos Gélson quase nunca conseguiu as suas diagonais letais e Bruno César, a demonstrar cansaço com o passar do tempo, ficou obrigado a fazer todo o corredor. Com Dost e André ao centro o Sporting não tinha jogadores com velocidade disponível para por à prova o muito espaço disponível nas costas dos defensores rioavistas. Quando Markovic, que o podia fazer, entrou, já era tarde e com tão pouco tempo já disponível Capucho voltou a fazer descer as linhas. Quando o golo de Dost surge era já tarde. Bom, talvez não fosse, caso Coates não falhasse aquele "encosto" a poucos metros da baliza.

Esta derrota, se devidamente analisada e percebida tem pelo menos a vantagem de ter ocorrido num momento inicial do campeonato. Se é verdade que os três pontos já não podem ser recuperados se pelo menos se perceber como é que eles foram perdidos, nem tudo se perde. Tal como no ano passado, antes de se recorrer ao auto-elogio, à arrogância, à desconsideração e desrespeito pelos adversários convém primeiro ganhar-lhes.

Nota: o post original foi revisto e aumentado relativamente à sua versão original. As minhas desculpas para quem já tinha lido e comentado.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Rescaldo de Madrid: Aprender para crescer, porque não há lugar no museu para vitórias morais

Por muito cruel e amargo que tenha sido o resultado de ontem há algumas atitudes/posturas em que não podemos cair:

- Contentarmo-nos com a exibição, indiscutivelmente de grande nível, mas sem perceber que ela não foi imaculada, tendo os erros cometidos, mesmo que poucos, contribuído para o desfecho final.

- Individualizar em excesso o foco nos erros cometidos, sem assentir que o resultado final é o somatório de todos, bem como o produto do confronto com uma grande equipa, por sinal a titular da competição.

- Atribuir importância excessiva aos erros de terceiros, como o árbitro, sem olhar para os nossos.
- Menorizar o que foi feito em Madrid, que equipas com outros pergaminhos não têm conseguido, ignorando o crescimento colectivo para um nível do qual temos estado afastados há muito tempo.

- Não enquadrar o que foi já alcançado num processo de crescimento que não acontece de um dia para outro, e quando ainda se integram os últimos reforços.

Para reflectir:

Bruno de Carvalho: A dado momento da transmissão há uma imagem brutal dele, sozinho no banco, de braços cruzados, já com o resultado em 0-1. Não é preciso ser adivinho para pelo menos pressentir o turbilhão de pensamentos e emoções que lhe estariam a ocorrer naquele momento. Algumas dessas emoções acabaram por ser verbalizadas na comunicação feita à imprensa após o jogo. O excessivo enfoque dado à arbitragem parece-me um erro. Não que não lhe reconheça razão no essencial, mas porque nem a arbitragem tem erros assim tão claros e só para um lado para lhe sustentar a narrativa. E ver os árbitros serem simpáticos com o Real Madrid, seja em casa ou fora, é já tão natural como as noites se sucederem aos dias.

Tendo o Sporting estado tão bem dentro e fora das quatro linhas, conseguindo a atenção e o espanto de muitos, teria sido mais útil capitalizar esses momentos aos microfones para afirmar pela positiva o nome do clube, com afirmações do género:

"Há três anos, quando chegamos, estávamos arredados dos contactos internacionais, algo de impensável e inadmissível para um clube que tem estes adeptos ferverosos que vocês viram hoje. Ninguém o diria, quando nos viram hoje aqui. Este é o Sporting que queremos e que estamos a construir e que queremos que a Europa do futebol se habitue novamente a pronunciar".

Certamente muito mais construtivo para a imagem do clube e até para a própria equipa. Isto quando sabemos que a UEFA não aprecia particularmente estes puxões de orelhas e que lhe evitaria a comparação indesejada com Pinto da Costa por parte da comunicação social espanhola. Pior mesmo só, já sem a desculpa de estar a falar quente, virmos insistir na mesma tecla, via comunicação do director de comunicação. Querer fazer crer que o Sporting perdeu ontem por culpa exclusiva da arbitragem é não querer ser melhor, não querer crescer.

Jorge Jesus: é pacifico afirmar que grande parte da responsabilidade pela bela exibição de Madrid tem que lhe ser imputada. Depois do jogo é muito fácil afirmar que deveria ter mexido ali, tirado aquele, naquele determinado momento. Falarei em pormenor mais abaixo de algumas das mais comentadas, mas a única critica que me parece justa e que lhe devia merecer reflexão advêm de uma constatação feita pelo próprio : "teria sido muito mais difícil para o Real Madrid se eu estivesse ali nos minutos finais". Alguém em quem confiamos a tarefa de nos resgatar da ideia de "jogar como nunca, mas perder como sempre"e que não é propriamente um novato, tem de ser mais contido e perceber o contexto onde se movimenta para depois não ter que se lamentar.

Laterais: fazer um enorme esforço para construir uma equipa forte e esquecer as laterais da nossa defesa, é ter as portas abertas a todas às correntes de ar e depois estranhar por se ter apanhado um resfriado. Quer à direita quer à esquerda venha o diabo e escolha. Ontem isso ficou mais evidente com o cansaço de todos e depois de perdidos os auxílios e compensações de Gélson, quando saiu, e  de Ruiz e Bruno César quando estoiraram.

Substituições: Antes de deliberar em definitivo sobre a qualidade e utilidade dos jogadores que entraram (Elias, Markovic e Campbell) e sobre a justeza das opções, há que considerar que todas ocorrem no melhor momento do adversário. Como agravante há que ter presente que o lhes foi pedido era de elevada exigência para as suas circunstâncias particulares: pouco tempo de identificação com a equipa e o elevado ritmo de jogo, que equivale a algo semelhante a tirar o carro da garagem directamente para uma autoestrada de grande circulação.

Bas Dost: Temos que nos habituar à ideia de que Slimani já não mora aqui. Provavelmente, se morasse, a história de ontem teria um epílogo diferente. E, embora valha a pena lembrar o que era o argelino quando chegou, e que o holandês está já em patamares mais elevados, não deixa de ser ainda um corpo estranho nesta equipa. Mas talvez seja melhor começarmos a interiorizar a ideia de que será tão útil ou ainda mais, mas num registo completamente diferente. No imediato, veria como muito útil jogar com algum apoio mais próximo e não de forma tão solitária.


Lado A e lado B: A exibição de chamou à atenção de todos, ouvindo-se os mais rasgados elogios. Se isso é indiscutivelmente bom para o prestigio do clube e a tão necessária valorização dos nossos jogadores, para os jogos que restam nesta fase da competição deixamos de contar com a possibilidade de surpreender, o que ainda vai tornar ainda mais exigente os próximos compromissos.

Ronaldo: É um grande profissional, algo que também aprendeu a ser connosco. Sendo uma das nossas maiores bandeiras, seria no mínimo absurdo aliená-lo porque fez o que lhe competia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cruel, cruel, cruel!

Não é possível dizer muita coisa depois do que acabamos de assistir. A história registará uma derrota, daqui a pouco este será apenas mais uma vitória do Real Madrid, quando o que se assistiu foi uma exibição personalizada, de uma grande equipa, ainda em construção, mas já capaz de fazer o Real Madrid sentir-se posto em causa na sua própria casa. Esta foi provavelmente a melhor exibição internacional do Sporting em muitos anos. Não merecíamos sequer empatar - todos, mas em especial os adeptos em Madrid - que fará perder. 

Cruel, cruel, cruel!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Liga dos Campeões: Sporting entre o Real e o coração

Algumas considerações breves sobre a estreia do Sporting na presente edição da Liga dos Campeões:

Em futebol existem sempre favoritos e underdogs até a bola começar a rolar no relvado. Depois disso o dinheiro, as diferenças de qualidade entre os jogadores e treinadores continuam a ter importância, o que já sucede menos relativamente ao peso do historial de cada clube em confronto. Apesar das diferenças abismais a separar-nos do Real Madrid, vamos escrever uma nova página, é aproveitar a oportunidade para dignificar o nome do Sporting. 

Um aspecto importante dentro do azar que nos calhou em sorteio, onde os dois primeiros lugares já estão "reservados", é que não poderá haver, à semelhança do que fizemos o ano passado, um investimento a meias tintas na competição. Se jogando ao mais elevado nível ainda é difícil fazer frente ao Real Madrid, entrar a medo ou pouco convicto, é abrir a porta aos desastre e à humilhação.

Entre as dificuldades especificas deste adversário devem ser consideradas:
- Uma equipa consolidada e que Zidane conseguiu trazer ao melhor plano, não pela excelência de uma proposta de jogo muito elaborada, mas justamente pela simplicidade de colocar os jogadores no lugar certo e deixar que a qualidade que as partes possuem fale pelo colectivo.

- Uma estrutura sólida apoiada em Pepe, Ramos, Kros, Modric, Bale e Ronaldo que Casimiro ajudou a estabilizar. Habituado a ter que assumir o jogo este Real vai rodeando os adversários como impassividade esqualiforme, à espera de um momento de vulnerabilidade dos adversários, seja por distracção ou cansaço.

- A complementaridade da simplicidade matemática e precisão geométrica do jogo de Kroos com a descrição furtiva mas letal de Modric a abrir autoestradas para Bale, Morata (na ausência forçada de Benzema) e Ronaldo são a marca da actual equipa madridista.

- A paciência que usa na construção do ataque antes de fazer funcionar o marcador depressa se transforma numa equipa cínica, adoptando uma postura pretensamente defensiva, de linhas mais próximas da sua área, convidando os adversários a subir à procura do golo. 
Não se pense que o Sporting não tem qualquer oportunidade em Madrid, apesar de tudo o que disse acima, a que há ainda uma circunstância agravante que deve ser considerada: o jogo de Madrid acontece uns meses cedo demais porque tudo indica que a integração dos últimos reforços fará crescer a equipa. Por exemplo, é impossível não imaginar a "miséria" que uma dupla como Campbell e Markovic poderiam espalhar nas últimas linhas dos merengues se já estivesse bem identificada. Sendo reconhecidamente reduzidas as nossas possibilidades, elas serão um pouco melhores se:

- O condicionamento psicológico tem de ser a de uma equipa madura. A equipa do Sporting é constituída por jogadores experimentados, quase todos eles internacionais pelas suas selecções e habituados aos grandes palcos, pelo que o habitual pânico provocado pelo cenário do Bernabéu deve ser transformado em vontade de ganhar e de ser notado. 

- A maturidade será determinante nos momentos de maior pressão e sobretudo em caso de desvantagem. Permanecer sereno e obedecer ao plano de jogo é essencial. E muita atenção na marcação à zona, nos lances de bola parada.

- Saber aproveitar auto-confiança, por vezes alguma soberba, de quem está habituado a ganhar e que acha que mais tarde ou mais cedo o céu se vai abrir em que por vezes cai a equipa merengue.

- Aproveitar a posse de bola para enervar os madridistas que não gostam muito de a ter longe dos pés. O espaço entre as linhas mais recuadas, atacar espaço dos centrais e destes com os laterais, obrigando-os a desposicionarem-se é algo que resulta habitualmente muito bem e que JJ sabe trabalhar como ninguém.

- Saber sofrer quando tiver que ir à procura da bola, sem vacilar e sem desesperos, mantendo a serenidade. Algo que a equipa de JJ não está muito confortável, pois no panorama nacional está habituada a ser o predador e não o acossado.
Este ó lado mais racional do embate. Porém, para um simples adepto como eu e tantos outros quando o Sporting joga o único cérebro que funciona é o do JJ. O resto é tudo coração, a alma, desejo e crença de ver o Sporting triunfar e cumprir o seu destino: ser grande entre os maiores. É a nossa fé, é clube que nasceu um dia, que aprendemos a amá-lo, e a trazer no coração.Por falar nisso vou estrear-me no jogo Placard e apostar dez aéreos na vitória do Sporting e cinco no empate.

A todos os Leões que por estes dias rumam a Madrid um forte abraço e desejos de uma noite histórica para o álbum das grandes recordações.

P.S. - Por inerência da participação na Liga dos Campeões o Sporting competirá também na Youth League amanhã. Uma boa prova de aferição para a nossa formação. A seguir com atenção.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Esta frase de Bruno de Carvalho "Jorge Jesus não é treinador para qualquer presidente" é sobretudo para... Bruno de Carvalho

Na sequência do post Estará o "modelo Jesus" a acabar com o "modelo Sporting"?  prometi que falaria aqui de forma pormenorizada sobre as aquisições e dispensas efectuadas pelo clube tendo como perspectiva o respectivo impacto numa organização que tem na sua formação um modelo que lhe tem proporcionado reconhecimento e prestigio. 

O casamento de Jorge Jesus com o Sporting é uma ligação perfeita, como são todos os matrimónios de conveniência: 

Que outro clube que não o Sporting seria o ideal para Jesus retaliar contra a afronta praticada pelo seu anterior clube? 

Ao Sporting que melhor treinador poderia contratar, como atalho para o fim de muitos anos sem títulos e para assegurar a pacificação das hostes perante o final abrupto e atribulado de uma relação com um técnico que acabava de lhe oferecer o final de um longo período sem ganhar e com o qual se havia proposto a quatro anos de coabitação? 

Ora, como é fácil de perceber pelo discurso adoptado desde a sua chegada, Jorge Jesus está de passagem pelo Sporting. Não no sentido filosófico da afirmação, mas até que surja um projecto mais adequado às suas ambições. E todos sabemos que o projecto de Jorge Jesus é ele e quem circunstancialmente lhe assegurar as melhores condições para poder vencer. 

O ideal para ambos - até pela idade de Jesus - era que Sporting crescesse com Jorge Jesus - é certo que já cresceu - para lhe poder satisfazer as ambições e ele passe a olhar para o clube não como um apeadeiro para ajuste de contas passadas, mas como uma estação de destino para o seu e nosso próprio sucesso. Como não sabemos se isso algum dia sucederá terá que ser o presidente a perceber onde os interesses do treinador e do clube são comuns e quais são aqueles em que conflituam. 
 
Já depois da publicação do post acima referido Bruno de Carvalho daria uma entrevista à SIC, na qual proferiu a frase de que me servi para titular o presente artigo, por me parecer o enquadramento adequado para este tema. Como aqui várias vezes defendi, a contratação de Jorge Jesus foi até agora a melhor medida de gestão desportiva tomada pela actual direcção. 

Afirmar isto não significa que a sua passagem pelo nosso clube não requeira cuidados apesar de, neste momento da vida do clube, o treinador ser o técnico certo na cadeira certa. Porque o que é imediatamente bom para o treinador não quer dizer que o seja para clube e tudo o que pede seja necessário para atingir os objectivos. Cabe ao clube garantir a saudável coabitação entre a formação de jogadores e o mercado, por ser essa a forma mais adequada de garantir a sustentabilidade. Por isso é que Jorge Jesus não é para qualquer presidente.

Na lista de jogadores adquiridos e dispensados para rodar há exemplos claros de boas decisões, decisões que suscitam dúvidas e outras que parecem declaradamente más. Uma das características bem vincadas em Jorge Jesus é a preferência que demonstra por alguns jogadores em detrimento de outros, sem que muitas vezes se perceba outro critério que não o facto de serem indicados por ele. Vimos algo semelhante a isto o ano passado com o circunspecto Montero e o folião Teo, nunca saberemos o respectivo custo. Vejamos alguns dos exemplos que me parecem mais óbvios:

Boas decisões:
Podence, Tobias Figueiredo, Ryan Gauld, Domingos Duarte, André Geraldes e Francisco Geraldes - Apesar dos elogios deixados e da promessa de fazer parte do actual plantel, a dispensa de Podence, talvez a mais surpreendente por causa disso, acaba por se justificar, pelo que representou o final do mercado para o plantel do Sporting. Tal como para os restantes, o empréstimo proporcionar-lhes-á espaço para jogar com regularidade em projectos com alguma qualidade, o que pareceria ir acontecer com raridade, face ao que existia e passou a existir no plantel para os respectivos lugares.

Decisões duvidosas
A dispensa de Carlos Mané seria consensual se o seu clube actual não ficasse com o direito de opção. É um jogador em nítida perda, face ao que representou o seu aparecimento com Leonardo Jardim, mas essa estagnação é normal em jogadores da sua idade, pelo que a opção de compra parece um risco. Na mesma linha ponho as dispensas de Chaby e Ponde, mesmo considerando que se  justificam. Especialmente o primeiro, por me parecer que a colocação de um jogador com as suas características e qualidade mereciam um projecto mais ambicioso. 

Fica por perceber porque Wallyson não só não teve oportunidades como nem sequer é mencionado no discurso de Jorge Jesus. Com a chegada de Elias (31 anos), e de Meli (24 anos), que se juntam a Adrien o Sporting tem agora três jogadores para o mesmo lugar. Não haveria lugar aqui para Wallyson?

Petrovic (27 anos) é um jogador que, segundo o treinador, ainda nos vai surpreender. Mas, a menos que surja alguma lesão prolongada com William, ou os árbitros continuem a olhar para ele e a ver o Maxi (4jogos, quatro cartões para William...) não vejo como tal possa vir a suceder. Mas, ainda que o sérvio venha a ter oportunidades, não veremos muito mais do que um médio defensivo muito posicional, sem rasgo para por a equipa na frente, como faz William. Não deveria ser dada oportunidade a Palhinha (ou até mesmo a Wallyson, que também faz o lugar), em nome do futuro, ao invés de investir num jogador que pouco ou nada acrescenta e que ainda por cima podia ter vindo livre há um ano? E convém lembrar que já o ano passado fomos buscar para esta posição Bruno Paulista, cuja utilidade, necessidade  bem como o preço ainda estamos para saber. 

Más decisões:
Por Iuri a rodar porque dificilmente iria jogar é uma boa decisão. Mas se Jesus pensa que Iuri Medeiros precisa de "perceber que só talento não chega, tem de crescer com aquilo que é a exigência e a pressão" não deveria ter cuidado de providenciar um projecto mais próximo da tal exigência e pressão que vai encontrar no Sporting? Ora se Iuri cumpriu com distinção o estágio anterior, não seria melhor proporcionar-lhe agora uma experiência que significasse um upgrade, ao invés do que parece mais assemelhar-se a um desterro numa das mais fracas equipas da Liga, a par da chamada de atenção pública?

Ainda no âmbito das aquisições, o Sporting acabaria por aceder a um pedido de Jorge Jesus que mais se aproxima da satisfação de um capricho. Refiro-me a Douglas, contratado ao Trabzonspor. Não está obviamente em causa o valor do jogador mas, com a actual dupla de centrais consolidada, seria quase criminoso alterá-la e quase suicidário. E, ao contrário do que muito se vem dizendo, o candidato à saída não seria Semedo mas sim Coates. 

Com a linha defensiva subida, como é comum o Sporting jogar grande parte dos jogos do campeonato, ter dois centrais pesos-pesados significaria confiar em excesso no excelente sentido posicional que ambos indiscutivelmente têm, mas ficar sem "plano B" sempre que aquele falhasse. É isso que a rapidez de reacção de Semedo oferece, o que até pode já ter valido pontos este campeonato. Esta complementaridade do jovem jogador poderia estar assegurada também por Naldo (ainda assim um excelente negócio) e a maior experiência e sentido posicional por Ewerton. 

As primeiras contas vão-se fazer já daqui a três meses, quando ficar definida qual será a porta de saída para a Europa. Qualquer que ela seja - só não é admissível pensar a eliminação total de todas as competições - trará decisões muito difíceis de tomar. A continuidade na Liga dos Campeões é a mais desejada mas pode significar apenas mais dois jogos, podendo por isso ser ponderado se faz sentido manter um plantel tão caro como dilatado, onde por isso muitos não podem jogar. A Liga Europa não dá muito dinheiro, mas este plantel permitiria sonhar alto e longe. Nessa altura muitas das coisas que agora aqui se afirma ganharão outra luz e muitas delas farão todo o sentido.

sábado, 10 de setembro de 2016

Sporting - Moreirense: Promessa de ópera em Alvalade

Havia alguma curiosidade para perceber qual seria a equipa a apresentar no embate ante o Moreirense. Das escolhas de Jorge Jesus perceber-se-ia qual a disposição hierárquica dos jogadores na cabeça do treinador, em particular dos últimos acabados de chegar. A principal atenção era recolhida pelo lugar de avançado de referência, mas não menos pelo destino a dar aos extremos, a quem se reconhece qualidade para trazerem consigo felicidade.

Bas Dost será assim o elemento em quem JJ aposta para o lugar de Slimani, o que é tudo menos uma surpresa. Campbell haveria de preencher a vaga do seu compatriota Ruiz, o que se percebe por duas razões: o facto de Ruiz se ter ressentido de lesão no périplo pela selecção e por certamente, na cabeça do treinador, ter reservado papel de protagonista no próximo compromisso em Madrid. Sem ser tão explosivo como Campbell terá papel determinante na gestão da posse de bola. Ficou a dúvida se as passagens directas de titulares para a bancada dos laterais corresponde à mesma ideia de gestão para Madrid ou para dar rotinas e tempo a Schelotto e Bruno César.

Cedo se fez sentir que a falta de integração nas linhas mais adiantadas e a boa organização do Moreirense trariam dificuldades para a obtenção do triunfo. Este acabaria por ser mais dilatado que as impressões iniciais deixariam supor muito porque a expulsão justa de um jogador do Moreirense, que abusou das faltas, acabaria por facilitar a tarefa.

O golo inicial acabaria por surgir com nota artistica e pincelado a duas mãos. O passe de William é fabuloso - algo que se repetiria no passe de Alan para o golo de Campbell - mas execução final de Gélson não é menos. A tarefa mais difícil estava cumprida e com brilho. Assinale-se também os locais onde Gélson e Campbell aparecem a finalizar, bem na frente da baliza, baralhando as marcações moreirenses, mais preocupados com a presença de Dost. O que se seguiria depois, com a vantagem numérica, foi a confirmação que as opções de Jesus aumentaram consideravelmente e que a promessa de futebol de grande nível está feita, assim os novos jogadores estejam devidamente integrados.

E é sobre os que acabaram de chegar que se impõem o registo das primeiras impressões:

Campbell - Um belo golo mas muito tempo ausente do jogo. Um jogador com a bola que ele tem tem necessariamente que intervir mais no jogo.

Alan Ruiz - Fantástico o trabalho físico feito desde a chegada, sendo notório a melhor adequação do seu peso às necessidades da alta competição. Mas, tal como Campbell, tem que ser muito mais interveniente, tem que jogar melhor entre linhas, tem que se mostrar muito mais à equipa, tem de ser mais rápido a pensar e executar.

Bas Dost - Tecnicamente é muito mais evoluído que Slimani. Nesta estreia, particularmente durante a primeira parte, foi quase sempre um corpo estranho. A equipa não conhece as suas movimentações e ele não conhece a forma como a equipa faz circular a bola. Valha a verdade que, a nível de cruzamentos, o tipo de jogada mais óbvio para chegar até ele, nunca foi bem servido. Mas ainda assim marcou um golo, ainda por cima à ponta-de-lança, pleno de oportunidade.

Elias - Pode ser uma das contratações surpresa, sobretudo face ao seu passado no clube. O problema do jogador nunca foi a qualidade / competência mas sim de oportunidade e compromisso com o clube. Estou certo que vamos ver um Elias diferente, muito mais intenso que a sua versão anterior.

André - Foi a melhor surpresa, apesar do pouco tempo e ter jogado fora do que, segundo JJ, é o lugar dele. Bons pés, procurando oferecer ao portador da bola uma linha de passe e explorar a profundidade ou o espaço entre o central e o lateral. Assim visto pareceria que JJ quereria fazer dele um segundo avançado, a mover-se nas costas da referência atacante. Uma espécie de Lima. Mas talvez seja eu a imaginar coisas, parece que o JJ tem ideias para ele e ainda por cima a compará-lo com Liedson...

Markovic - Não mostrou nada de especial, mas de todos é o que melhor conhecemos e talvez o que de quem mais esperamos.

Nota especial- Quando na conferência de imprensa um repórter quis confrontar Jorge Jesus com as recentes declarações de João Gabriel o assessor de imprensa presente - julgo que Paulo Cintrão, que assim se estrearia - respondeu de forma categórica: o treinador do Sporting não responde a um ex-funcionário do SLB. Como deveria ser sempre, é assim tão difícil?

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

De que vão à procura os 3 Grandes do futebol português?


Quando este post conhecer a luz faltará muito pouco para se reiniciar a Liga 16/17. Atendendo a que as primeiras jornadas foram jogadas ainda antes do composição definitiva dos plantéis, sou dos que acha que estará agora a começar um novo campeonato, pelo menos até o mercado poder ser novamente reaberto. Este é um post breve sobre o que vão os três grandes à procura neste campeonato, qual é o seu lugar de partida e um vaticínio sobre as suas possibilidades.

SLB: lutar pelo inédito e manutenção da hegemonia
Dos três grandes é o clube que mais títulos recolheu mas é o único que nunca conseguiu alcançar um tetra. Tendo celebrado recentemente o tri a ambição para o alcançar é mais que natural. Como campeão em titulo tem que ser tido como o principal candidato. Reparte com o FCP o número de títulos conquistados na década em curso, mas o facto de aos seus três títulos corresponderem os últimos três anos reforçam a sua candidatura.

É clara a sua aposta na manutenção da composição vencedora, com a manutenção da equipa técnica e da quase generalidade dos titulares. Regista como perdas relevantes Nico Gaitan e Renato Sanchez mas largamente compensadas em número: Carrillo, Cervi, Zivkovic, Danilo e Rafa serão os de quem mais se esperará. Se colectivamente o seu jogo continua a deixar algumas dúvidas, estes jogadores vão-se juntar a Jonas, Pizzi e Mitroglu reforçando a capacidade individual de arranjar soluções.

Pontos fortes: Muita qualidade individual à disposição do treinador. Muito poder de fogo, que tem sido capaz de conseguir golos em praticamente todos os jogos, permitindo quase sempre a vantagem inicial.

Pontos fracos: Jogo interior pouco trabalhado, o que só não tem trazido problemas uma vezes porque não tem encontrado oposição suficiente ou porque o tal poder fogo mitiga a falha.

Sporting, à procura do fim do travessia
É já longa travessia sem títulos, para já a segunda maior da história. Para encontrar a porta deste labirinto o Sporting sobe consecutivamente a parada na hora de apostar as fichas no campeonato. Do seu ponto de partida continua a estar muito próximo do rival, mantendo-se a perspectiva de uma luta ombro a ombro, à semelhança do que se verificou no campeonato passado.

A aposta na manutenção da equipa técnica revela que a confiança não foi abalada por um ano muito aquém do esperado no binómio títulos / esforço feito. Essa confiança advirá certamente do número de pontos alcançados e da qualidade do futebol jogado na Liga anterior, onde foi líder isolado um número muito apreciável de jornadas. 

Um numeroso rol de reforços, com vários nomes consagrados -  Bas Dost, Douglas, Elias - e outros promissores - Joel Campbell, André, Castaignos - parece ter pelo menos pensado nas soluções quer para as saídas de Slimani e João Mário, quer para a falta de soluções criativas e de banco. Somando a isto a ideia colectiva melhor trabalhada e operacionalizada pelo trabalho do treinador o mínimo que se pode dizer é que hoje é ainda mais candidato que era há um ano.

Pontos fortes: Continuidade do treinador e da generalidade da equipa anterior, apesar da importância de Slimani e João Mário.

Pontos fracos: A necessidade de reconstruir toda a frente de ataque sob um calendário apertado, sem pausas.

FCP, à procura do alma e do coração
Quem diria ainda há poucos anos que estaria a entrar na quarta época sem celebrar nenhum título? Quem pensava que a ausência de títulos não faz vacilar as convicções até dos mais experimentados tem aqui a prova do contrário. Basta olhar para o critério tão díspar na escolha dos treinadores dos últimos anos para perceber que o norte era encontrado com mais facilidade. Menosprezar o FCP pode ser um erro, mas parece ser dos três o que parte atrás.

A escolha de Nuno Espírito Santo revela, até pela coincidência do  nome, que cada vez mais se acredita em milagres, ao invés de um processo claro e bem definido. Isso é tudo que as equipas treinadas pelo seu actual treinador nunca revelaram. A aposta de cariz emocional num treinador com "escola Porto" é repetida na escolha do ponta-de-lança da casa, sem dúvida um jovem com um largo futuro à sua frente, mas que está a ser chamado a tamanha responsabilidade demasiado cedo. Um perfil bem diferente de todos os que, com muito sucesso desportivo e financeiro, o antecederam. Pedir aos vinte anos de André Silva o mesmo nível de eficácia, qualidade determinante para se ser campeão em Portugal, parece-me confiar demasiado na sorte.

O apelo às forças nortenhas feito há dias por Pinto da Costa não é apenas serôdio e em contraciclo com a modernidade da cidade Invicta, é também o pressentimento - ou assentimento? - de que a centralidade no futebol nacional está hoje completamente deslocada para a capital. Por culpas próprias e porque na vida tudo tem um principio e um fim.

Pontos fortes: Apesar de se notarem alguns desequilíbrios é inegável que continua a dispor de jogadores de grande qualidade nos diversos sectores, sendo que é a linha intermediária onde isso é mais evidente.

Pontos fracos: Para lá das dúvidas sobre o que poderá o treinador aportar à equipa, e do facto de ser o que tem menos tempo para consolidar ideias, fica a ideia de que o eixo da defesa e a reduzida escolha ao centro do ataque, que já vem do ano passado, podem vir a ser os principais problemas.

Relatório & Contas: quando "aqueles" 80 milhões tinham evitado o prejuízo


A SAD reportou à CMVM o relatório e contas do exercício de 2015/2016, fechado com um prejuízo de 31.905 milhões de euros. Não tendo havido tempo para uma leitura fina ficam as impressões gerais:

A mensagem do presidente do Conselho de Administração é aquilo que se pode chamar de um verdadeiro slalom serpenteante de "ses"  
- "se tivéssemos ido à Liga dos Campeões" / "se tivéssemos feito mais dois pontos" / se não tivéssemos que fazer a provisão do Rojo
e de subterfúgios 
- indo buscar atrás (negócio Rojo) e à frente (negócio Slimani e João Mário) afastando-se o foco que é o exercício em causa, onde se registam os prejuízos 
e algumas observações descontextualizadas 
-  como a referência aos resultados da selecção nacional
 e contraditórias
- dando como concluída a reestruturação e especialmente a recuperação financeiras quando ambas estão por concluir e logo num exercício marcado por um prejuízo significativo.
Só faltou referir que caso a tão famosa proposta de 80 milhões tivesse sido aceite o sinal do exercício teria sido inverso e os resultados desportivos os mesmos.

Ironia à parte, este exercício é acima de tudo um poderoso aviso. O tempo dos prejuízos voltou mais depressa do que se poderia imaginar. Não faltam matérias a merecer explicação convincente como, por exemplo
a razão para os 16,914 milhões de prejuízo sem o "efeito Rojo", 
o preço da operação de aquisição do Alan Ruiz (vale assim tanto?...) 
ou a subida vertical dos custos gerais e em particular dos custos com pessoal.
Quando se espera que no próximo exercício os gastos continuem a aumentar, o que deve ser explicado aos Sportinguistas é se este trajecto é sustentável e como, de preferência com números do próximo orçamento demonstrativos das receitas esperadas para sustentar o acréscimo das despesas.

Nota importante: Já depois da publicação do post ficamos a saber que o Sporting, numa iniciativa inédita e que se louva, entregou na CMVM um quadro detalhado onde se incluem informações detalhadas sobre as compras e empréstimos de jogadores efectuadas desde Janeiro.

Parece-me no entanto continuar por esclarecer qual a situação contratual de Bruno Paulista. O jogador originalmente tinha chegado por empréstimo do Recreativo de Caala (!), tendo ficado de ser adquirido em Janeiro. A aquisição chegou mesmo a ser anunciada [LINK] [LINK], não tendo sido objecto de qualquer comunicado a negar a transacção, para aparecer agora no rol das aquisições depois de Junho (com os meus agradecimentos ao @OArtistaDoDia) :

P.S. - a propósito deste mesmo tema recomendo a leitura deste post [LINK]

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Estará o "modelo Jesus" a acabar com o "modelo Sporting"?

O debate sobre as consequências das alterações produzidas pela chegada de Jorge Jesus ao Sporting está na ordem do dia mas quase sempre fomentado não pelas melhores razões. Como pano de fundo tem estado o ressabiamento provocado pelo final de uma relação mal resolvida entre o treinador e  o seu antigo clube. Jesus não parece esquecer e muito menos perdoar a forma como foi afastado. Do outro lado a surpresa pela decisão tomada pelo treinador continua ainda por digerir: pelos vistos não contaram que, ao invés de se deitar na cama que já lhe tinham feito, ele iria escolher o seu próprio caminho. O facto de ter "atravessado a estrada" é que funciona como agravo.

Como já todos "percebemos" Jorge Jesus apresta-se a fazer em fanicos a formação do Sporting tal como quase aconteceu com a formação no Seixal. Como "é claro" para todos, foi JJ que atou e enfiou num contentor uma série de jovens e promissores jogadores, à revelia dos dirigentes. Todos os bons jogadores contratados e valorizados nas cinco épocas foram obra da "estrutura", apesar da presença de Jesus. A força e a mestria dessa organização quase conseguiu evitar a perda de alguns campeonatos praticamente ganhos, bem como duas Ligas Europa, perdidos por demérito óbvio do treinador.

Enquanto eles se resolvem, olhemos para dentro de casa. A chegada de Jesus é vista pela generalidade dos adeptos como algo de importante, por muitos até decisivo para o crescimento competitivo da nossa equipa principal. O Sporting está há demasiado tempo afastado do titulo nacional e JJ parece ser o treinador indicado para conseguir por fim a esse hiato. Mesmo concordando com a ideia, tal não anula a necessidade de reflectir sobre as algumas opções tomadas,  por poder estar em causa um modelo no qual a generalidade dos Sportinguistas se revêm - a formação - e por ser cada vez mais consensual ser esse o modelo mais equilibrado para garantir a sustentabilidade da sua principal actividade, o futebol. 

Não adianta negar as evidências: o plantel do Sporting é hoje formado por menos jogadores da formação que no passado recente, numa alteração que já vinha do ano passado e que agora se consolida. Essa certeza parece recolher ainda mais significado quando se constata que não entrou para o actual plantel nenhum jogador da formação, todos os que dele fazem parte já dele constavam no ano passado. Acresce ainda diminuição do contingente oriundo da formação, com a saída de João Mário e André Martins.

Mas quer isso dizer que o Sporting deixou de apostar na formação como factor determinante para a formação do seu plantel? Tal não se pode concluir, se se considerar que oito desses jogadores (Patrício, Beto, Esgaio, Semedo, William, Adrien, Matheus e Gélson) são oriundos das nossas escolas, cinco deles são potenciais titulares e três deles o suporte identitário da equipa. E se é certo que um numeroso lote dos jogadores dispensados são produto "made in Alcochete" - Carlos Mané, Podence, Wallyson, Iuri Medeiros, Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Geraldes, Filipe Chaby, Palhinha, Wallyson - todos eles mantêm ligação ao clube, embora Mané e Wallyson estejam já fora do nosso controlo, por termos prescindido do direito de opção em favor dos clubes onde agora militam.

Importa então perceber se as entradas de Joel Campbell, Bas Dost, Luc Castaignos, Douglas, Elias, Petrovic, Meli, André, Alan Ruiz, e Markovic põem em causa o modelo que vigorava anteriormente, ou significa pelo menos um mudança relevante. Afirmar, como ouvi e li, que o Sporting como clube formador estava extinto é manifestamente excessivo. A aposta na formação não só se mantém no imediato como continua a ser possível no curto médio / prazo. A questão aqui não é pois a  exequibilidade, mas está agora na vontade. O mais importante a perceber é qual é ideia de Jorge Jesus relativamente à aposta nos jogadores oriundos da Academia e até onde está disposta a SAD - leia-se Bruno de Carvalho  - a ir ou a deixar-se levar.

Aqui há que procurar analisar o passado de Jorge Jesus com justiça. O que ele fez até hoje em matéria de aposta na formação tem um valor relativo. Nenhum dos clubes por onde passou anteriormente possuía a identidade e qualidade que o Sporting hoje lhe oferece. Como treinador inteligente que é, ele não pode - ou não deve - ignorar esses valores. E cabe à direcção defendê-los e dizer ao treinador onde ficam as balizas e a linha de fundo.

Depois há que procurar perceber se a nossa tão famigerada "aposta na formação" tem sido um modelo executado com equilíbrio e aí a resposta óbvia parece-me negativa o que pode sair reforçado pelos resultados. Não porque a formação tenha falhado, mas sobretudo porque a capacidade/competência na hora de recrutar poucas nos tem valido. Paradoxalmente, têm sido os fiascos no recrutamento que têm "obrigado" aos jogadores da Academia a assumirem maiores responsabilidades, mais cedo, proporcionando-lhes assim a afirmação.

O que estamos agora a fazer com a aquisição de jogadores mais experientes e de valor confirmado parece-me mais adequado às ambições naturais do clube e que em nada obsta à aposta na formação. Como tentativas semelhantes já foram ensaiadas anteriormente sem sucesso, importa perceber se o que agora se está a fazer é o mais adequado, onde estão as nossas vulnerabilidades e onde os procedimentos são não apenas adequados mas também necessários. É isso que faremos num post a dedicado, com exemplos concretos.

Para finalizar, não gostaria que no futuro o Sporting se servisse de Jorge Jesus como álibi para justificar falhas que são exclusivas de quem tem que dirigir, como faz agora o nosso rival. Porque, se é certo que há futuro imediato para a nossa formação continuar a ser relevante na equipa principal, não é menos certo há indícios preocupantes - na equipa B principalmente, mas não só - sobre as consequências das muitas decisões tomadas num passado recente, onde o talento parece ter perdido importância para o peso, a altura e o resultado imediato e onde não se vê quem possa seguir no futuro o caminho trilhado por Adrien, João Mário, William, ou até mesmo Gélson ou Semedo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

13 anos foi muito pouco

João Rocha tornou-se presidente do Sporting num dia sete de Setembro, completam-se hoje 43 anos. Foi o Sporting por causa do Sporting dele que me tornei Sportinguista pelo que aqui fica a minha homenagem, reeditando um post publicado em 10 de Junho de 2012:

João Rocha chegou ao Sporting num momento de profunda crise directiva, sem que ninguém quisesse assumir a presidência. O presidente Valadão Chagas havia sido eleito no dia  29 de Março de 1973 mas abandonaria o cargo no dia seguinte (!) à tomada de posse, 4 de Abril, em direcção ao governo de Marcelo Caetano, deixando na gestão interina o seu Vice-Presidente Manuel Nazareth. Este havia deixado bem claro que não tinha vontade nem ambição para o cargo. A crise estender-se-ia até Setembro desse ano, mais propriamente até  dia 7, quando João Rocha chega à presidência do clube.

Quando tomou posse João Rocha, que era até um sócio relativamente recente, de imediato revelou a ambição que o trazia: "Julgo que se deu uma nova tomada de consciência, um certo empolgar da alma colectiva. Fascina-me a ideia de erguer uma grande obra, apoiada por milhares ou milhões de pessoas e que possa representar uma viragem nos nossos clubes desportivos".  Palavras essas que seriam materializadas por inteiro nos 13 anos em que presidiu ao clube.

Foram nesses anos que o Sporting saiu da letargia em que se encontrava para dos pouco mais de 40 mil sócios chegar aos 130 mil. O período de João Rocha ficou assinalado por mais de 1200 títulos nacionais, 52 Taças de Portugal, 8 Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, uma Taça dos Campeões Europeus, duas Taças das Taças, uma Taça CERS em Hóquei em Patins. O Sporting chegou a movimentar cerca de 15000 atletas em 22 modalidades! O nome do Sporting chegou a todo mundo quando Carlos Lopes ganhou a primeira medalha de ouro nuns Jogos Olímpicos. Entre 1981 e 1985 realizaram-se quatro(!) Congressos Leoninos, em Lisboa, no Rio de Janeiro, em Toronto e na Madeira e nos Açores! Pode-se dizer com propriedade que o Sporting viveu uma verdadeira refundação.

Uma marca da passagem de João Rocha pelo Sporting foi sempre a sua quase omnipresença junto das diversas equipas e atletas, fossem quais fossem as circunstâncias. Manuel Fernandes, o grande capitão, testemunhou-o, depois de lhe oferecer a sua camisola, quando em 1982 acabava de conquistar a dobradinha, vencendo a Taça de Portugal no Jamor: "O presidente merece. Tem-nos acompanhado nos bons e nos maus momentos, Quando perdemos vai às cabines e moraliza-nos: Chega inclusive a fazer-nos vento com a toalha...".

Foi no futebol que João Rocha conheceu mais dificuldades. Nos 13 anos de mandato ganhou apenas três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça. A isso não será alheio o aparecimento de Pinto da Costa. Sustentado numa estratégia de quem percebeu que o futebol português suporta a muito custo a existência de mais de 2 grandes clubes, o ainda presidente do FCP elegeu como primeiro alvo o Sporting, contra quem foi travando as suas primeiras grandes batalhas. Ficou célebre a sua frase após mais uma acesa disputa com João Rocha: "enquanto eu for presidente o Sporting não voltará a ser campeão!". Hoje sabemos (como e porquê) que apenas por 2 vezes a sua vontade não foi cumprida.

Não se pense que apesar do indiscutível sucesso que João Rocha não conheceu oposição à sua passagem. Nesse âmbito foi estrepitosa e nem sempre de bom tom a disputa das eleições de 1982 com Marcelino de Brito. Como ficou célebre a crise provocada em 1980, em que desafiou uma oposição que moía mas não dava a cara, como se provou ao ter que concorrer sem adversários. Eram também muitas as suas queixas relativamente às dificuldades causadas pela falta de compreensão da tutela na resolução da sustentabilidade financeira dos clubes. Por isso dizia já há muito "É preciso redefinir o clube e encontrar uma filosofia que permita ao Sporting seguir em frente sem o perigo de fechar a porta."

O problema da sustentabilidade financeira era algo que já preocupava João Rocha desde a sua tomada de posse. Antecipando em muitas décadas as SAD´s, criou a Sociedade de Construções e Planeamento que em 9 de Março de 1974 emitiu 2.500.000 acções de valor nominal de 100 escudos. Esta, tal como todas as outras cotadas em bolsa, haviam de se esfumar passado pouco mais de um mês com o advento da revolução dos Cravos, em Abril de 1974.

Foi já cansado e doente que em 1986 João Rocha abandonaria a presidência do Sporting, abrindo um período em que, de forma paulatina e por vezes acelerada se foi desbaratando muito do que foi construído. Hoje, passados estes anos, ocorre-me que a saída de João Rocha nunca foi querida e muito menos preparada.

Não sei se João Rocha foi o melhor presidente de sempre do Sporting porque, nos seus recentemente celebrados 106 anos de vida, há muito da sua história que não foi vivida e testemunhada. Por isso não gostaria de cometer o habitual erro de paralaxe de quem observa a história separada por diferentes ângulos de observação. Mas João Rocha é hoje considerado, e com toda a justiça, um dos maiores presidentes da história do Sporting e ao seu tempo de presidência corresponde um dos períodos mais pujantes da nossa história.

É só novidades!

Markovic, Lazar de quem? 
Agora que um já foi e o outro já está do lado certo da Segunda Circular já o posso confessar abertamente: Nico Gaitan e Lazar Markovic foram os jogadores não nacionais que mais me encantaram nos últimos tempos. Ao sérvio infelizmente só tive oportunidade de ver um ano, antes da sua saída precipitada para Liverpool.

Confesso que, depois de ter visto Brendan Rodgers - chega de insultar Mourinho, considerando o irlandês seu discípulo -  a colocá-lo a defesa-direito preferi perder-lhe voluntariamente o rasto. Ao que parece o sérvio também terá passado ao lado do sucesso  no ano passado, com Vítor Pereira também na Turquia, saldando-se por uns magros 1.196 minutos de utilização em 24 aparições nas três competições em que o clube turco esteve envolvido. Lesões musculares recorrentes obstaram a maior participação.

Markovic, conseguindo resolver os seus problemas físicos, trará algo que muita falta nos fez no ano passado: velocidade de execução, capacidade de demolir linhas defensivas com acelerações vertiginosas com a bola controlada, abertura de espaços nas muralhas defensivas, complementada por uma definição letal na hora de assistir. No seu melhor, o sérvio trará o perfume do improviso do futebol de rua, que as linhas de montagem das academias têm forçado à extinção pela obsessão do controlo permanente de todos os momentos do jogo. 

Markovic pode ser a sorte de um treinador que o perceba e o azar dos restantes que tenham que o defrontar. Nesse lote obviamente se incluem os defesas que encontrará pela frente. Markovic pode ser um extremo, em qualquer dos lados, bem como jogar atrás do avançado de referência. Com ele e Campbell as transições para o ataque podem ter combinações tão improváveis e imprevisíveis como um mix de Goran Bregovic com ritmos calientes caribeños.

 O que nasce torto tarde ou nunca indireita
Tenho-me abstido de comentar a sequência de acontecimentos relativos aos processos movidos a ex-presidentes do processo. Tenho-me ficado pela vaga consideração de que se trata de um erro, parecendo-me que grande parte do que foi feito foi mal feito e tem tudo para correr mal, sobretudo ao clube. Do ponto de vista legal parece-me até uma aberração, com sucessivos atropelos de direitos e uma colecção de más práticas. 

É minha vontade ficar por aqui para já porque falar antes do tempo e contra a corrente tem custos e é especialmente desgastante. Mas não posso deixar de manifestar a minha incredulidade pela manchete do Jornal I, que julgo não demorar muito a ser desmentida. A ser verdade a convocação das claques para um pretenso "julgamento dos presidentes" estamos cada vez mais perto de nos parecermos com uma qualquer república das bananas e alvo de chacota. Isto é dar ideias a Nicholas Maduro!

Não se pense que a informação anterior é desdenhar das nossas claques, de quem sou admirador. Nem sequer vou discutir a legitimidade da preferência daqueles sobre outros sócios. Mas, a ser verdade, sugiro que se convoque o Conselho Leonino e o Conselho Fiscal para substituir as claques nas bancadas enquanto os elementos daquela se inteirem dos processos e assim se possa celebrar a disfuncionalidade como inovação. Espero que esta noticia seja apenas mais um expediente do referido jornal e vender mais uns clicks que, ao que parece, bem precisos são.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Somos candidatos a ganhar tudo em Portugal e queremos chegar aos oitavos da Champions"


Ficamos hoje a conhecer a segunda parte da entrevista de Jorge Jesus ao Record. Nela o nosso treinador é fiel à imagem que criou de si mesmo. O seu discurso permanece controverso, egocêntrico ou, se preferirem, com muito apreço pelo seu valor. 

Continuo a ver em Jorge Jesus o melhor treinador nacional. O seu modelo de jogo foi aprimorado com o tempo, hoje a vertigem pelo golo que lhe conhecemos da primeira época no SLB é temperada por uma organização defensiva que, quando todos correspondem, se assemelha a uma teia de aranha que primeiro atrai e depois sufoca o adversário: reduz o campo, reduz o espaço, as linhas de passe até obrigar o adversário a errar. Tudo isto sem perder a noção da componente lúdica que é o futebol de ataque, por oposição ao excessivo calculismo, que o futebol ganha-se com golos e que a melhor forma de os obter é desmontar o adversário pelo centro. Por isso continuo a pensar que a melhor medida do actual mandato de Bruno de Carvalho foi a sua contratação.

É hoje bem claro que o Sporting tem em Jesus não apenas um treinador mas sim um "manager". A palavra mais próxima em português que me ocorre é "gestor". Ou, se preferirem voltar ao inglês, um autêntico CEO. Jesus estende a sua importância para lá do campo e do balneário e assume responsabilidades também no recrutamento e na planificação. E se o Sporting precisava de um gestor especializado na área técnica!

Não havia ninguém na SAD que lhe pudesse igualar em conhecimento e quem se aproximava em experiência (Inácio) além de não ser compatível, não era propriamente conhecido pela excelência do seu curriculum ou propostas de modelo de jogo. Com justiça há que afirmar que o Sporting já havia conseguido a normalização dos seus resultados, mas ainda sem conseguir uma real demonstração de poder ser considerado um candidato real. Foi isso que JJ conseguiu logo na sua primeira época.
Parece-me evidente esta quase de carta branca que Bruno de Carvalho lhe entregou faz todo o sentido e que a presença de Jorge Jesus na cadeira de CEO deve ser aproveitada ao máximo pelo clube da mesma forma que o amor eterno: vai ser bom enquanto durar. Vejo apenas dois "pequenos problemas": 
  (i) o fim da relação para não ser traumático deve ser preparado, de preferência quanto antes pois, tal como JJ afirma na entrevista, é impossível prever o fim da actual relação. 

(ii) A relação com JJ será longe de ser fácil e os interesses dele nem sempre coincidirão com os do clube, pelo que não faltarão matérias que exigem negociação, cedências e recusas, tendo como objectivo a defesa dos interesses do clube.
Ninguém tem dúvidas mister. O que foi conseguido o ano passado foi realmente muito bom, tendo em conta a qualidade do plantel ao seu dispor. Se conseguíssemos os mesmo pontos este ano, tal como JJ afirma, quase garantidamente seríamos campeões. Como também é dito por JJ, na prática o seu trabalho foi feito com uma base de treze / catorze jogadores. Este ano essa base é alargada. Fica a dúvida se alargada na justa medida, tendo em conta o elevado número de jogadores disponíveis. Além dos custos inerentes, a gestão das expectativas de todos não será muito fácil. Se os jogadores querem é jogar, as competições que os motivam são as do campeonato nacional e competições europeias. Manter todos comprometidos com os objectivos colectivos, para lá dos pessoais será o grande desafio.
A definição dos objectivos da época surgem bem quantificados e parecem-me lógicos e obrigatórios. Sem arrogâncias, mas sem medos, o Sporting deve assumir de forma responsável e natural a sua candidatura ao titulo, bem como revelar ambição por algo mais do que passear na fase de grupos da Liga dos Campeões para de seguida ser empurrado para a Liga Europa.
O Sporting tem forçosamente que lutar não apenas um mas dois adversários na procura do titulo. Creio que essa luta seja a partir de uma determinada altura apenas a dois, desejando que o Sporting seja parte integrante. Vai ser uma luta dura e muitas vezes desleal, sobretudo a que se disputa nos gabinetes onde se tomam decisões. Espero que o Sporting se lembre dos erros do passado e tenha aprendido com eles. São os nossos próprios erros os que, estando nas nossas mãos prevenir e evitar, mais danos directos nos podem causar. A referência ao caso Luisão parece-me completamente descabida e fora do contexto. Isto sem querer dizer que ela não deva ser explorada, como qualquer outra fraqueza dos adversários.
A referência aos casos de arbitragem é feita de forma inteligente e com uma imagem genial que desmonta muita da argumentação habitualmente invocada por quem comenta a arbitragem, seja na televisão, seja nas redes sociais. Aliás, a minha convicção é que o tema arbitragem é geralmente invocado pelos que perdem pontos - já vimos o SLB e o FCP num autêntico vale de lágrimas este anos e estamos só na terceira jornada... - mas também dos que não gostam e não percebem nada de futebol, nem de como o jogo é jogado. Como JJ muito bem diz, os árbitros são muito teóricos, parecendo-me que o mesmo se aplica a todo o tipo de comentadores. O comentário está a tornar o futebol cada vez mais feio e irrespirável, sendo normalmente uma manifestação de ignorância, quando não de boçalidade.
Não é preciso alargar os comentários sobre esta frase. Fica apenas para memória futura e com o desejo óbvio que a profecia se cumpra.

domingo, 4 de setembro de 2016

Entrevista de Jorge Jesus: o que realmente importa

Da extensa entrevista de Jorge Jesus ao Record, da qual vimos ainda só a primeira parte, deixo abaixo algumas das matérias que me parecem ter mais relevância, seguida de comenrários meus. No final ainda algumas considerações avulsas, mas não menos importantes.

"Ao fim de um mês quis vir-me embora. Olhei para o que tinha e pensei: mas o que é isto?"

Esta revelação, apesar do seu carácter bombástico, não deverá surpreender ninguém. Quer a nível de plantel quer a nível da estrutura, o que Jesus encontrou em Alvalade é muito diferente do que hoje existe. E a nível da estrutura da SAD haverá ainda muito por fazer, porque não é com um estalar de dedos que se resolvem problemas que se foram instalando ao longo de anos.

Para que se perceba a diferença olhe-se para as aquisições feitas após o segundo lugar de Jardim, para atacar a Liga dos Campeões (Rosel, Paulo Oliveira, Tanaka, Sarr, Rábia, Jonathan, Slavchev, Geraldes, Héldon, Sacko, Nani, Ewerton) e a que (ainda com prudência pela incógnita do apuramento para Liga dos Campeões há um ano) e a que foi efectuada este ano. Sem dúvida que a chegada de Jorge Jesus representa um momento de viragem no futebol do Sporting.O acréscimo de qualidade é uma evidência consensual e os títulos, que paradoxalmente não chegaram no ano passado, são muito mais do que uma quimera.

"Hoje fala-se muito do plantel que o Sporting conseguiu construir. O inicio de tudo tem a ver com a valorização dos jogadores que já cá estavam. O inicio de tudo tem a ver com as transferências que o Sporting conseguiu fazer."

Sem dúvida que foram as transferências realizadas que permitiram alavancar  a ida ao mercado sobretudo por jogadores como Bas Dost, porque os outros são emprestados ou situam-se na linha de preços onde habitualmente o Sporting se movimenta. Talvez se possa considerar Alan Ruiz acima dos valores normais, mas estes já estava adquirido desde o final da época passada, muito antes das vendas estratosféricas deste final de Agosto. 

Jesus reclama para si os louros da valorização dos jogadores agora vendidos. Essa responsabilidade deve no entanto ser dividida pelo título europeu, que trouxe o foco sobre os nossos jogadores, e uma indiscutível habilidade negocial de Bruno de Carvalho, que soube perceber e aproveitar muito bem o momento do mercado, vendendo jogadores por um preço que talvez só ele julgasse possível. Aliás, são diversas as vezes que JJ recorre ao elogio para qualificar a acção de BdC no mercado.

Mas convenhamos que é relativamente fácil valorizar jogadores como João Mário e Islam Slimani. Falta agora a Jesus conseguir fazer o mesmo ao jogadores que adquiriu. Alan Ruiz, Petrovic - de quem o técnico diz ser capaz de nos surpreender - Paulista, Meli, André, Castaignos e especialmente Bas Dost, o jogador mais caro de sempre.

"Esta equipa tem uma cultura muito própria de identidade de Sporting, pois a grande maioria são jogadores formados na casa. Isso transporta-se para os que chegam."

"O Rui Patrício, Adrien e William já têm muito das minhas ideias. Se fossem transferidos não perderia  só o valor desportivo deles mas também o papel que desempenha"

Estas afirmações de Jorge Jesus são antes de mais um acto de justiça para os visados e não menos para a formação do clube, quando ainda se ouve muitas vezes a frase estafada que "é preciso formar jogadores mas também homens".

"Eu em dez meses contribuiu com quatro jogadores (da formação) neste plantel." 

"Paulista faz parte de um grupo de jogadores nos quais acredito muito para o futuro do Sporting. Podence, Iuri, Tobias, Geraldes, Palhinha"

A primeira nota vai para o esquecimento de Wallyson neste lote o que, por si só, explica quase tudo sobre a forma como a carreira do jogador foi gerida estes últimos dois anos. Segunda nota para o aviso a Iuri, a quem diz que só talento não chega. Neste lote Jesus inclui ainda Matheus, a quem nega estagnação e identifica como necessário trabalhar mais tempo sob sua orientação. Esgaio merece também referência especial, de quem o treinador estima poder ser o próximo lateral-direito titular.

Do meu ponto  de vista se é verdade que o número de jogadores incorporados nos últimos dois anos é bom e que desses metade (Gélson e Semedo) têm sido titulares e inclusive dos melhores, nenhum deles tem ainda consolidado o seu estatuto. A chegada de novos jogadores para as posições que ocupam e a gestão do tempo de jogo que lhes for concedido será determinante para a sua afirmação. Jesus não vê como negativa essa concorrência, no que tendo a concordar com ele. Tal como ele afirma também os jogadores não aprendem só com o que o treinador lhes ensina mas também com o que vêm os outros fazer nos jogos e nos treinos. E, obviamente que quanto maior for a concorrência e a exigência maior são as possibilidade de, com a devida entrega, haver evolução. 

"Era bom que me enganasse mas o Sporting perdeu dois pontas-de-lança mas os que chegaram não vão marcar tantos golos como a dupla anterior (Teo e Slimani).

É possível que Jesus tenha razão. Creio que num momento inicial, isto é nos compromissos de curto prazo, o Sporting exibirá muitas dificuldades pois tem uma frente de ataque completamente nova. Talvez possa jogar um pouco com a identidade linguística e cultural, com Castaignos e Dost, contando aí também com Ruiz, que jogou muitos anos na Holanda. Correndo bem, no médio prazo é natural que o modelo de JJ crie oportunidades suficientes para que a eficácia que a qualidade de Dost permite se torne notada. Com um perfil diferente de Slimani, as possibilidades de vermos mais apoios e triangulações ao centro, com jogadores como Campbell e Markovic serem chamados a finalizar são grandes. Creio mesmo que este ano, no computo geral, poderemos ter uma equipa mais goleadora que a anterior, mas com mais jogadores a finalizar.

Dispensei jogadores que não tinham valor para os objectivos e grandiosidade do Sporting.

Sei o nível que os jogadores devem ter para a exigência de um clube com esta dimensão.

Este é o melhor plantel do que aquele que encontrei, porque nessa altura era a camisola que estava a valorizar muitos dos que cá estavam e não o contrário.

Bas Dost? Ser o mais caro não lhe garante o lugar.

Trazer Markovic foi uma grande jogada.

Rafa não nos interessava.

Podence vai ser a surpresa

Nunca ameacei sair se Adrien fosse vendido.

A contratação de Elias não teve a ver com o processo de venda de Adrien.

Nunca pensei tirar a braçadeira (Adrien). Não são por estes motivos que um jogador meu deixa de ser capitão.

Se qualquer jogador, seja de que equipa for, tem contrato e diz que quer sair... Comigo não funciona assim

Presidente puxou ao máximo pelo preço do João Mário.

Sporting pode ter perdido qualidade no ataque posicional mas ganhou no contra-ataque



Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Os mais lidos no último mês

Leitores em linha


Seguidores

Leitura recomendada

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 8 (3) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (14) Académica-SCP (1) adeptos (93) Adrien (18) AdT (1) adversários (80) AFLisboa (2) AG (19) Alexander Ellis (1) alma leonina (59) ambição (10) andebol (33) André Geraldes (1) André Marques (2) André Martins (6) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (3) antevisão (41) APAF (11) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (9) arbitragem (86) Associação de Basquetebol (6) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (6) auditoria (4) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bastidores (68) Batota (16) Beira-Mar (2) Belenenses (4) BES (1) bilhetes (2) binários (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Bruno Carvalho (83) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (6) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (3) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (1) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (2) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Severino (4) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (9) clássicos (8) Coates (4) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (57) Comunicação Social (20) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (40) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (28) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (1) djaló (10) Domingos (29) Doyen (2) Duarte Gomes (2) Ecletismo (60) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (19) eleições2011 (56) eleições2013 (26) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (3) entrevistas (61) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) EquipaB (17) equipamentos (11) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (6) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (102) Estrutura (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (8) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (22) fiorentina (1) Football Leaks (1) Formação (87) FPF (12) Francis Obikwelu (1) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (11) futebol (9) futebol formação (1) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (21) futsal 10/11 (1) futuro (8) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (2) galeria de imortais (26) Gamebox (2) Gauld (4) Gelson (1) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (2) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (4) Hóquei em Patins (7) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (1) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (4) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (1) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (1) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jorge Jesus (27) Jorge Mendes (2) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) JPDB (1) Jubas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (11) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (4) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (5) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (26) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Pereira (2) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (39) Meszaros (1) Miguel Lopes (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (24) modelo (3) Moniz Pereira (7) Montero (7) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (3) Natal (3) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (20) Nordsjaelland (1) NOS (1) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (3) Nuno Valente (1) o (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (3) orçamento clube 15/16 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) património (2) patrocínios (5) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (10) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peyroteo (2) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) play-off (1) PMAG (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (2) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) prémio (1) prémios stromp (1) presidente (4) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Rabiu Ibrahim (2) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (17) reflexãoleonina (21) reforços (14) regras (2) Relatório e Contas (10) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) respeito (6) resultados (1) revisão estatutária (5) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (2) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (5) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (25) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) SerSporting (1) Shikabala (2) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (3) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (21) Slimani (11) Soares Franco (1) sócios (15) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (1) Sp. Braga (1) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporting Clube de Paris (1) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Sunil Chhetri (1) Supertaça (3) sustentabilidade financeira (37) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (89) treino (4) treinos em Alvalade (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (3) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (6) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (94) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (6) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (12) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)