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sábado, 25 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

A propósito da gala Cosme Damião, um dos fundadores do SLB e à semelhança de José Alvalade, uma personalidade admirável.

Ao contrário do Grupo Sport Lisboa, agremiação fundada em 1904 e falecida 4 anos volvidos, o Sport Lisboa e Benfica (SLB) acumula uma existência longa - celebrará daqui a uns meses 109 anos de vida, tratando-se portanto de um clube  centenário. Nascido a 13 de Setembro de 1908, o SLB viu-se fundado, entre outros, por um homem merecedor da nossa estima. Falamos de Cosme Damião.

Por que motivos é Cosme Damião merecedor de estima?

Tratou-se de um trabalhador incansável, de um homem inteligente e de ideias fixas (não confundir com ideias parvas), multifacetado, profundamente ecléctico, atleta, escritor, embaixador de Portugal no Brasil, «casa-piano» (tal como o meu irmão), e de um homem profundamente honrado que também jogou pelo Sporting CP, em representação das nossas cores. Cosme Damião foi um benfiquista simpatizante do Sporting. Ao lado destas razões, outra menos feliz: Cosme Damião não saiu do Benfica pacificamente. De modo inacreditável viu-se por votação afastado da instituição que fundou, corolário da relação conflituosa mantida com outras personalidades do SLB. Não tão importante mas relevante: a sua figura, expressão, rosto cândido e aprumo. Outros tempos, tirando o meu chapéu a Cosme Damião e desta forma prestando-lhe uma singela homenagem.

... consagraste a vida no cuidado do corpo e alma dos doentes. Abençoai os médicos e farmacêuticos. Alcançai a saúde para o nosso corpo. Fortalecei a nossa vida. Curai o nosso pensamento de toda maldade. A vossa inocência e simplicidade fazei que elas conservem sempre a consciência tranquila. Com a vossa protecção conservai o meu coração sempre simples e sincero. Fazei que eu lembre com frequência estas palavras de Jesus: 'Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de deus'.

São Cosme e São Damião, rogai por nós, por todas as crianças, amém.

Não estou por dentro dos pensamentos de quem baptizou Cosme Damião mas tratando-se de um órfão, a escolha do seu nome não terá provavelmente partido dos seus progenitores. Estará provavelmente relacionada a São Cosme e a São Damião, talentosos médicos, irmãos gémeos da Ásia Menor, protectores dos médicos, dos farmacêuticos e das crianças.
Um nome sem dúvida apropriado para um homem como afirmei honrado, talentoso e dedicado.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sporting 2 - Nacional 0: um jogo para perceber uma época

O jogo como Nacional foi um jogo pobre e sensaborão, na linha de tantas outras exibições no mesmo tom que vimos durante a época. Nuns conseguimos a vitória, noutros "oferecemos" pontos que hoje nos permitiriam estar a disputar o campeonato. Neste sentido a pergunta que mais me ocorria durante o jogo era como é que perdemos pontos com uma das piores equipas deste campeonato. Exactamente o mesmo que já nos havia acontecido no ano passado...

Mas não foi apenas a fraqueza do adversário e ineficácia da nossa equipa na maior parte do jogo, em particular na segunda parte, que chamou à atenção. Antes disso já mais uma mexida na constituição da equipa deixou a pensar se não era a confirmação da ideia de que o principal problema desta época está na incapacidade de Jorge Jesus escolher uma equipa sólida. 

Existe uma espinha dorsal  - Patrício, Coates, William, Adrien, Gélson e Dost - mas faltam asas para a equipa levantar voo da mediania ou mesmo até mediocridade em que parece estar atolada. Os demais entram e saem sem se perceber os critérios, méritos e deméritos com clareza.

O caso da substituição de Paulo Oliveira por Semedo é paradigmático. De tal forma que JJ se sentiu necessidade de explicar. Os motivos aduzidos são um aspecto importante mas apenas um de muitos. Outros há que também devem ser levados em linha de conta, como a confiança que os jogadores necessitam para crescer e assim oferecerem mais à equipa. Esta não surgirá com chamadas à titularidade interrompidas abruptamente, e com o jogador a ter estado em bom plano.

Não é preciso dizer muito mais sobre a qualidade do nosso jogo quando uma equipa tão incipiente como o Nacional sai de Alvalade com apenas dois golos sofridos e sem ter sido sujeita a algum massacre, tendo o guarda-redes sido em grande parte do tempo tão espectador como os demais.

Bas Dost ainda vai disfarçando, mas num olhar mais atento repara-se nas poucas vezes que é servido com qualidade e que os golos conseguidos resultaram numa percentagem bem elevada dos seus méritos -  então o segundo!... - do que da qualidade do nosso jogo. Ao contrário do que seria "saudável", tem sido o holandês a carregar a equipa às costas e não esta a empurrá-lo em direcção ao titulo de melhor marcador.

Não terá sido por acaso que Jorge Jesus lá foi adiantando que a sua confiança na obtenção da bota de ouro é reduzida. Ele melhor que ninguém percebe que, com a equipa neste plano, a tarefa se afigura difícil, sem esquecer o elevado nível dos jogadores e respectivas equipa que com ele rivalizam. 

Pudesse Bas Dost contar com a equipa do ano passado... Esta será uma das principais tarefas que Jorge Jesus terá pela frente: diagnosticar com precisão as razões que nos atiraram para muito longe e muito cedo dos lugares que ambicionávamos.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Como será o Sporting na ressaca de "la vida loca"?


São grandes os desafios que o Sporting enfrentará na próxima temporada e uma parte substancial das dificuldades que terá que enfrentar serão a consequência directa ou indirecta do fiasco da que ainda está em curso. Faltará apenas perceber quanto tempo e quão intensos serão os sintomas de ressaca depois da ter vivido la vida loca de contratações a esmo da presente temporada. Talvez a melhor ilustração para esta afirmação seja a contratação de um jogador dispendioso como Douglas para quarto central.

A primeira consequência directa será a obrigação madrugar na preparação da candidatura à tão desejada e necessária Liga dos Campeões, pela via muitas vezes ingrata da pré-eliminatória. Um caminho já percorrido no ano de estreia de Jorge Jesus no comando e que não correu bem. É ainda cedo para antecipar os adversários, mas não é preciso ter dons de adivinhação para saber que a este nível não há adversários fáceis, há apenas nomes mais ou menos consagrados.

Como consequência indirecta, mas de grande impacto na formação de plantel, é a gestão do orçamento para a sua constituição. Dever-se-á contar ou não com os prémios de presença na Champions como adquiridos, ou "simplesmente" ter como fito na respectiva constituição o objectivo principal da época - o campeonato - assumindo que tal é suficiente para a formação de uma equipa à altura das lides europeias?

De forma não tão directa, mas igualmente importante e condicionadora, estará a valorização de jogadores, tradicional fonte de receita para a obtenção de reforços. A presente época não proporcionou revelações e, embora não se possa afirmar que depreciou os valores seguros (Patrício, Coates, William, Adrien), também não os tornou mais apetecíveis.  

Dificilmente encontraremos por isso a mesma apetência e a mesma generosidade que existiu na procura de Slimani e  João Mário. A venda de qualquer um deles criará a necessidade de serem substituídos por elementos de igual valor, vendo aumentados os riscos que estas operações acarretam e cujos exemplos estão ainda bem vivos nas mentes de todos. Da presente época sobreviverão problemas por resolver, alguns deles implicarão inapelável recurso ao mercado, outros poderão encontrar solução nos quadros do clube. 

Questões laterais
O problema dos defesas laterais está mais que identificado, mas a sua resolução tem sido sucessivamente adiada. É sentimento maioritário entre muitos adeptos que foi aí que a época começou a ficar perdida. Em equipas como as de Jesus, com forte propensão atacante, eles são tão importantes a criar imprevisibilidade no ataque como a gerar reequilíbrios na reorganização da equipa quando perde a bola. Não parece que o problema possa ser resolvido satisfatoriamente sem recurso ao mercado e em mais do que um nome.

Questões centrais
A possibilidade de saída de Adrien e/ou William seria um festim para Carlos Vieira, o homem das finanças, mas um pesadelo para Jorge Jesus e grande parte dos adeptos, sobretudo se acontecessem em simultâneo. Mais ainda se tivermos em conta que, pelo que esta época foi demonstrando, que nem as suas ausências episódicas (castigos, lesões) ou baixas de forma encontram ainda resposta no plantel. 

Faltará perceber se a baixa de Bryan Ruiz é um sintoma definitivo da veterania que se vai inapelavelmente instalando, precisando de alternativa, ou se poderá recuperar a influência determinante da primeira temporada. Ou se o ciclo de adaptação de Alan Ruiz está conseguido. Será igualmente interessante perceber que papel destinará Jorge Jesus a jogadores como Francisco Geraldes, Matheus e Podence, Palhinha, por exemplo.

Questões avançadas
Pode parecer paradoxal mas, em época de desilusão como a actual, é no ataque onde se encontram os dois jogadores que poderão suscitar maior cobiça externa. Falo obviamente de Gélson Martins e de Bas Dost. Martins pelo potencial e qualidades já demonstradas e o holandês pela capacidade goleadora, ainda por cima numa equipa que nem sempre o serviu bem ou revelou essa preocupação. Algo que deverá mudar nos jogos que restam com a candidatura agora em aberto ao ceptro de goleador-mor do continente.

A partida de qualquer um deles abriria um problema semelhante à de Adrien ou William, embora me pareça ainda de mais difícil solução o abandono do holandês que, também de forma semelhante, não teve este ano alternativa. Felizmente não teve que se ausentar ou as coisas ainda se teriam complicado mais para Jorge Jesus.

Questões de gestão e comando 
Embora muitas vezes as discussões se centrem nas individualidades as histórias das grandes conquistas escrevem-se pela força colectiva. Tudo começa no planeamento rigoroso, na escolha de nomes, datas, adversários, locais de estágio, etc. E se há algo que hoje parece pacifico constatar é que algo falhou na escolha do perfil de vários jogadores, o seu número e também o timing da sua incorporação, face à prontidão de resposta que se exigia, tendo em conta os compromisso da equipa.

Ora tempo é algo que o Sporting já terá que estar "comprar", porque não terá em abundância para apresentar uma equipa nos níveis competitivos que as pré-eliminatórias da Champions costumam colocar. Isto é, é bom que haja ideias claras sobre a organização da próxima temporada. Dificuldade que acresce com a reputação de exigência e dificuldade que a compreensão e adequação que o modelo de jogo Jesus coloca aos seus jogadores, em especial, obviamente as que chegam de novo.

Quer Jorge Jesus quer Bruno de Carvalho sabem que está em jogo a sua sobrevivência como dupla e que à terceira ou será de vez e ou vai ou racha.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O que têm André, Petrovic, Ruiz, Meli, Markovic que não têm Podence, Geraldes, Palhinha, Matheus e mesmo Iuri?

A frase é de Jorge Jesus na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo em Tondela, referindo-se a Matheus e Podence, mas onde outros nomes podem ser incluídos:

"Sei que o futebol tem coisas que eles ainda não têm. Tecnicamente têm muita qualidade, mas o futebol não é só isso. Para aprenderem eles têm de jogar e errar."

A afirmação do nosso treinador não tem nada de polémica, qualquer adepto minimamente atento é obrigado a concordar com ela. Porém, quando ela é devidamente contextualizada com a política de contratações seguidas no inicio da época, e até mesmo com as afirmações que, de forma cada vez mais frequente,o treinador vai fazendo sobre a formação e prospecção, a pergunta que titula o post ganha toda a pertinência. 

Traquejo, tarimba, experiência é certamente aquilo que faltará a estes jogadores. Mas, olhando para o lote dos jogadores pelos quais foram preteridos, será que os que chegaram as tinham? 

E, admitindo que sim, será que era a adequada às especificidades requisitadas pelas competições em que iriam estar envolvidos, nomeadamente nossa Liga e a Liga dos Campeões competições que, por razões diferentes, eram as mais importantes para nós?

Uma coisa sabemos já, e que vamos aprendendo à nossa própria custa, repetindo frequentemente os mesmos erros e equívocos (e com elevados custos, diga-se): tivéssemos confiado mais na qualidade da actual geração e dificilmente as coisas teriam resultado pior. 


Isto mesmo reconhecendo, como também me parece óbvio, que não podemos estar à altura dos nossos compromissos e ambições com plantéis exclusivamente constituídos pela formação. Mesmo reconhecendo também que jogar com o Tondela não é o mesmo que jogar com FCP, SLB, SCB ou Real Madrid ou demais "tubarões".

Porque razão demos a outros (por exemplo, Markovic e até mesmo Alan Ruiz) o tempo e o espaço que não demos a Podence, Geraldes, Palhinha, Matheus e mesmo Iuri? 

Faz sentido ter jogadores emprestados (Markovic, Campbell)  e ainda por cima dispendiosos para lugares onde temos jogadores de qualidade e até em quantidade apreciável? (Gelsón, Podence, Iuri)?

Se Francisco Geraldes é um jogador "tipo João Mário" e as funções deste estão ainda por encontrar sucessor porque se mandou o jogador dar uma volta ao bilhar grande primeiro para Moreira de Cónegos e depois para a bancada?

sexta-feira, 10 de março de 2017

A "badamerda" no tempo da "pós-verdade" e "factos alternativos" e outras coisas sobre as eleições

Badamerda para isto

Correu o pano sobre o palco eleitoral e, como é tradicional nestas circunstâncias, o foco recai sobre o vencedor. A noite e o discurso de vitória ficaram abafadas pela "badamerda", o que por si só é auto-explicativo da infelicidade da afirmação. Como estamos no tempo das "interpretações convenientes", das "pós-verdades" e dos "factos alternativos" uma legião de fãs apressou-se a adaptar o que foi dito de forma a que parecesse mastigável e deglutível. Quanto a mim um erro e que abre a porta a outros que se seguirão, como tentarei explicar a seguir.

Sejamos bem claros: uma coisa é mandar à badamerda o inúmero séquito de "odiadores de estimação do Sporting", outra bem diferente é fazê-lo à totalidade dos que não são do Sporting. Sentir necessidade de explicar a diferença é absurdo.

Não era minha intenção voltar ao tema mas parece-me importante reflectir sobre o assunto. E essa intenção sai ainda reforçada pelo facto de o próprio Bruno de Carvalho ter voltado à carga, como se pode ver na ilustração em anexo. Na minha interpretação só o faz por ter percebido a benevolência com que a afirmação foi recebida e propagada.

Se essa benevolência não tivesse existido Bruno de Carvalho seguramente que não tinha caído na tentação de também ele cair no erro de reinterpretar o que o próprio havia dito. Isso só o deixa ainda pior colocado do que aquando da afirmação inicial, porque teve tempo para reflectir e não o fez. Pegue-se por onde se queira o que disse é reprovável num dirigente desportivo, que ainda por cima tem uma forte propensão para agitar a bandeira da necessidade da observação da "moral e dos bons costumes" no futebol.

É minha convicção que se a generalidade dos adeptos tivesse  simplesmente ignorado de forma conveniente este embaraço e Bruno de Carvalho tê-lo-ia feito também. Se o tivessem condenado expressamente é muito bem possível termos assistido a um acto de contrição com laivos de humildade como o presenciado após as tristes ocorrências de Chaves. Cabe aos adeptos perceber definitivamente que a sua quota de responsabilidade nos erros e dislates é directamente proporcional ao exercício do sentido critico.

Dado o estado de total alienação em que se discutem estes e outros temas tenho a certeza da inutilidade desta reflexão. Cada vez se distingue menos  diferença entre o que é o interesse de Bruno de Carvalho e interesse do clube. Aliás, é cada vez mais claro que uma parte substancial da a sua vitória esmagadora se deve ao "quem não é a meu favor é contra o Sporting", o que não é exactamente a mesma coisa.

Espadachins

Ainda na refrega do período eleitoral sobram as declarações de Vitor Espadinha e agora a declarada intenção de aquelas serem objecto de procedimento disciplinar por difamação. Sobre isto dois pontos:

- Sou frontalmente contra este género de actuação, com o lançamento publico de rumores sem grande sustentabilidade. Haja indícios e apurem-se os factos. Há procedimentos e canais indicados para o fazer. O Sporting não pode estar à mercê deste tipo de actuação que, de igual modo como o episódio da "badamerda", desqualificam o clube.

- O PMAG já se pronunciou sobre o tema, remetendo para o Conselho Fiscal e Disciplinar as afirmações de Vitor Espadinha. Apesar do grau de gravidade não ser comparável, é lamentável que não tenha tido o mesmo procedimento aquando do panelão onde o José Eduardo gostava de ter cozido Marco Silva. Ainda hoje o episódio serve de achincalhamento do clube quer a nível nacional quer mesmo agora nível internacional, com a ida do treinador para Inglaterra.

Olhar para o outro lado

Terminado  o período eleitoral resolvi fazer um exercício interessante que, naquele momento, e pelo elevado grau de contaminação das discussões, era não só infrutífero como desgastante: recuperar algumas das ideias da candidatura derrotada que, na altura, me pareceram mais interessantes. Um exercício que não se justifica sobre as propostas da lista vencedora porque teremos um mandato inteiro para o fazer. Este exercício é feito sobretudo na perspectiva de um debate e procura permanentes de boas ideias e soluções para o clube. As designações dos capítulos mantiveram-se conforme o original e algumas são acrescidas de comentários meus:

Universo desportivo
 
Promover a exposição e militância de sportinguistas mais influentes na nossa sociedade, através da partilha transparente de informação e permanente networking;

Comentário: tendo o Sporting um considerável numero de sócios e adeptos nos mais variados sectores da sociedade, e sendo muitos deles elementos de reconhecida competência e influência, é uma pena que se desperdice aquilo que podia ser uma considerável mais-valia para o clube.

Promover a cultura sportinguista com o programa “Sporting nas escolas” liderado pela Fundação Sporting / Leões de Portugal, com a participação de embaixadores do nosso clube que visitarão escolas de todo o país (envolvendo núcleos, delegações e filiais) para passar o conhecimento do clube e dos valores de desportivismo;

Comentário: divulgar a cultura Sportinguista e o património que representa para o País, em particular junto dos mais novos, é uma forma de assegurar o futuro do clube.

Património
 
Construir o Clube Naval do Sporting na zona ribeirinha de Lisboa;

Comentário: uma proposta que foi objecto de comentários jocosos, baseados no preconceito de que o tipo de actividade é apenas destinada a "gente rica". Comentário que deriva também da ignorância. Vivo numa cidade que tem dois clubes dedicados às mesmas actividades e onde o caracter integrador das pessoas das mais variadas origens é um exemplo.

Protocolar com a Câmara Municipal de Lisboa a criação de um complexo social junto ao Estádio que contemple uma residência para antigos atletas, uma residência universitária e uma creche.

Comentário: Pelos preços do imobiliário em Lisboa não é uma medida de fácil realização mas é uma matéria que deveria ser objecto de consideração, quer do ponto de vista da oferta de condições dignas de vida para antigas glórias como no de captação de atletas jovens que procurem outras modalidades que não o futebol.

Markting e Comunicação

Estudar e explorar formas de aproveitamento do património edificado que contribuam para a sua rentabilização nomeadamente, cobertura, videoscreens dentro e ao redor do Estádio, optimizando o aproveitamento das estruturas existentes;

Comentário: São inúmeras as possibilidades, tantas como o muito que há a fazer nesta área. Uma área que tem sido constantemente negligenciada por diversos executivos e que há muito que pedem a existência de uma equipa competente.

Sócios

Reintroduzir o provedor do sócio, em paralelo com o OLA, com funções definidas de ponte entre o sócio e os serviços, obedecendo a livro de regras e de respostas;


Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos;

Modalidades

Tornar o Professor Mário Moniz Pereira o sócio perpétuo número 2;

Futebol e Formação

Impor um limite máximo de 23 jogadores ao plantel da equipa principal;

Utilizar a equipa B como plataforma de transição principal dos jovens formados na Academia, como plantel de apoio à equipa principal;

Comentário: não sou a favor de limitações com este rigor mas um clube que se orgulha da sua formação não se pode dar ao luxo de constituir plantéis numerosos e com tanta veterania.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Sporting 1 - Vitória Guimarães 1: Jesus já não caminha nem faz caminhar sobre as águas

Não há como disfarçar: a quase totalidade da palavra fracasso com que se qualificará a época em curso tem sido escrita pela mão de Jorge Jesus. Começou por desbaratar a oportunidade que lhe foi concedida na carta branca embrulhada em vários milhões de euros e agora, na versão económica, não encontra a fórmula de rentabilizar os jogadores que tem à disposição, de forma a devolver competitividade à equipa e preparar o futuro. 

Mais preocupante do que isso é verificar pelo discurso do nosso treinador, na conferência de imprensa, que hà um desfasamento entre o diagnóstico, que nos parece correcto, e a forma como procede na prática.  

Uma vez que alguém, melhor do que eu, explicou bem o que está a suceder neste momento, extraio uma parte substancial do post do Blessing, no Posse de Bola, cujo texto integral pode ser lido aqui [LINK].

"(...) o treinador mostra-se com dificuldade em responder à uma mudança abrupta de contexto. E não, não é dos resultados que se fala. Sabendo-se que com Jesus a equipa é orientada para o rendimento imediato, e percebendo-se que os títulos são quase utópicos, o Sporting parece preso na ideia de que lhe falta qualidade para cumprir com o que se predispôs no início da época. O caminho é hoje diferente, mas o treinador do Sporting não está disposto a abdicar da sua filosofia em prol do novo contexto onde está inserido. Parece não querer adaptar-se, e ter até algum receio de percorrer os novos caminhos. 

Isto é, os putos imberbes do Sporting (não tão imberbes assim por se terem mostrado capazes de triunfar na primeira liga) têm qualidade ou não? 

Qual é a opinião do treinador?

 E a do clube? Na minha opinião sim. 

Há muita qualidade ali, demasiada para não ser aproveitada. E o último obstáculo a ultrapassar é a exigência de jogar num grande. A exposição ao erro, e a mediatização de todos os momentos que são esmiuçados ao detalhe. No fundo, a pressão. 

Sabendo-se que os títulos estão longe do horizonte esta época, e que os miúdos podem dar um salto fundamental para o aumento da qualidade de jogo do Sporting ("sem gastos"), faz sentido continuar a escondê-los do jogo? 

Não fará mais sentido do que nunca não pensar nos resultados no imediato para garantir craques num futuro bem próximo? 

Serão Podence, Geraldes, Iuri, Matheus e até Gauld, merecedores de um futuro diferente pela diferença que poderão fazer no Sporting do futuro?

Na resposta a estas perguntas está condensada muito do que acontecerá na próxima época, cujos reflexos desta condicionarão fortemente, matéria que em breve será aqui objecto de análise.


domingo, 5 de março de 2017

Eleições 2017: Grandes, enormes!

Como se preciso fosse os adeptos do Sporting decidiram dar ontem mais uma demonstração do insuperável e exemplar amor que nutrem pelo seu clube de coração. Absolutamente notável o que se viu ontem em Alvalade, comprovando, para quem precisasse, que a grandeza deste clube é à prova de qualquer comparação. Esta é daquelas vitórias que não podem ser esquecidas, ainda que não tenha correspondência na nossa sala de troféus. Mas a marca deixada é seguramente impressiva e inolvidável na nossa história.

Bruno de Carvalho é o grande vencedor da noite pela confiança e pelo número expressivo dos votos recebidos. Na minha interpretação, os eleitores Sportinguistas outorgaram a Bruno de Carvalho  um cheque de tempo para completar o que ficou por fazer: devolver ao Sporting a grandeza que se contabilize também em títulos, não de forma esporádica, mas consistente. No fundo, que consubstancie em resultados a grandeza que mais uma vez ontem demonstramos.

Há também seguramente nesta vitória expressiva uma dimensão de gratidão pelo trabalho efectuado, atendendo à conjuntura encontrada. Este resultado significa por isso também uma responsabilização para o mandato que se seguirá. Certamente que Bruno de Carvalho tem presente que os desafios pela frente são enormes e que a tolerância do primeiro mandato dificilmente se repetirá.

Quem acompanha este blogue sabe que são muitas as diferenças que me separam de Bruno de Carvalho. Diferenças que estão uma vez mais vincadas em grande parte do seu discurso de vitória. 

Dois exemplos:

- "badamerda para todos os que não são do Sporting". Inadmissível em qualquer circunstância. Pela ofensa a todos os de quem gostamos, pela amizade, pelo sangue, que não o são. Pelo que representa na essência de um clube que ainda por cima faz da formação uma bandeira, pela falta de respeito pelos adversários, condição essencial em quem faz ou deseja fazer do desporto uma profissão.

- Não são os adversários do Sporting que precisam de acordar. Nem sequer são os adeptos do Sporting. São os dirigentes que sucessivamente têm liderado o clube é que necessitam de o fazer de uma vez por todas. Dito nas circunstâncias deles e nas nossas (e até face ao histórico recente) as a únicas razões que têm os adversários para estremecerem só for de riso.

Mas porque este é sobretudo um momento de felicitações com os olhos postos no futuro, fico feliz pelo propósito declarado por Bruno de Carvalho de querer ser o presidente de todos os Sportinguistas. Porque o será pelo menos nos próximos anos. Porque, apesar das diferenças que me separam, será o meu presidente, a quem desejo sabedoria e sorte.

Parabéns a Bruno de Carvalho!

Viva o Sporting!

sexta-feira, 3 de março de 2017

O aumento exponencial de uma velha dívida

O Sporting apresentou as contas relativas ao primeiro semestre do exercício em curso e os resultados anunciados são "apenas" os melhores de sempre para períodos homólogos. Um resultado que, apesar de esperado (por via das vendas conseguidas no verão) e de se referir a uma parte do exercício, deve ser aplaudido sem reservas. Com resultados deste teor, mesmo que não tão volumosos, não impenderia sobre as nossas cabeças o vultuoso passivo.

No entanto, para quem conhece o aforismo atribuído a Confúncio de que "promessa é dívida por pagar"  há uma divida acumulada ao longo dos anos que não para de crescer: a das promessas por cumprir de ser campeão e que atravessam sucessivos mandatos. Bruno de Carvalho prometeu-o quando foi candidato em 2011.

Tal como os milhões russos que então prometeu (e mais tarde americanos) o mandato termina sem cumprir a promessa. Mas já se apressou a prometer que o que não cumpriu agora vai cumprir a seguir e com juros. Algo que fez uma e outra vez durante o mandato, incluindo no passado Natal, quando a inclinação do navio sob o seu comando tinha já inclinação a fazer temer um naufrágio.

Algo semelhante fez também já o candidato Pedro Madeira Rodrigues, incluindo o número dos investidores por avistar. Até Jesus, que com dois anos de clube já se "aculturou" e antes de cumprir o desígnio para que foi contratado também já promete os "amanhãs que cantam" mas que a realidade devolve mudos e quedos. As responsabilidades são como sempre de outrem, só os méritos lhe pertencem.

Tem havido muita falta de seriedade e, consequentemente, uma reiterada falta de respeito neste constante prometer e depressa arranjar desculpas para o que não se faz cumprir. Uma doença endémica que tem afectado sucessivos corpos sociais. Um aproveitamento pouco honesto da boa vontade, fidelidade e amor que os adeptos têm ao clube.

Para o ano é que é!

Como é que alguém pode prometer algo que não controla e depende de terceiros, se aquilo que depende apenas de si (por exemplo os investidores, entre tantos outros exemplos) fica por fazer? Basta-me que prometam seriedade, competência e trabalho que os títulos (sim, necessários e muito desejados!) chegarão como mera consequência.

Até lá basta-me que o clube seja digno de respeito, algo que nesta campanha (de ambas as candidatura e por razões diferentes) e nos vários anos que a antecederam, incluindo os quatro do actual mandato, esteve muitas vezes longe de acontecer. O meu orgulho em ser Sportinguista depende muito mais disso do que de títulos, por muito importantes que eles indiscutivelmente são.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Sexo, mentiras & video

O excelente fim-de-semana desportivo culminou com a conquista de mais um troféu para o futsal, o que vem confirmar a hegemonia do clube na modalidade. É no entanto a campanha eleitoral que obviamente domina as atenções da generalidade dos adeptos.

O aparecimento da gravação de uma conversa entre várias intervenientes, onde estão identificados José Maria Ricciardi (JMR) e Sikander Sattar (SS), veio agitar ainda mais as águas daquela que deve ser das campanhas mais fraquinhas que tenho memória, incluindo até aquelas de candidato único. Zero ideias e uma multitude de acusações e insultos é o que nos tem sido oferecido, substituindo assim o confronto de ideias e projectos. Para tal era preciso que os houvesse não era?...

Há muita coisa para perceber neste vídeo (os intervenientes, os verdadeiros objectivos, as datas precisas) mas o pouco que se sabe é por si só muito importante:

- O que se ouve na gravação aconteceu de facto e foi já confirmado por JMR [LINK];

- O que se ouve na gravação confirma o que há muito se imaginava. As eleições legitimavam uma escolha que era feita previamente no recato dos gabinetes e por gente que se move insidiosamente atrás das cortinas;

- Apesar de ser uma confirmação, o visionamento do filme não deixa de conferir uma sensação de voyerismo, tal a falta de decoro e sentimento de impunidade dos intervenientes. O sentimento de quem fala de algo que possui e que os sócios do Sporting são a "populaça" está permanentemente presente nos diálogos;

- O visionamento do vídeo reacende as dúvidas sobre a verdadeira autoria da reestruturação financeira. Elas são mais do que naturais quanto mais não seja pela celeridade com que aquela foi apresentada, atendendo até à narrativa da época, em que em vez de dossiers a actual administração só haveria recebido "uma folha A4";

- Fica por saber se o que se tem reiterado aos sócios é realmente verdade ou uma cortina de fumo para a apresentação, mais uma vez, de um plano de carácter urgente, inapelável e incontestável, na habitual retórica de "ou isto ou caos", como por exemplo a perda da maioria da SAD?

- A presença de JMR e Sikander Sattar na famigerada comissão de honra de Bruno de Carvalho significa a pretensa "unificação da familia leonina", que ao longo dos últimos quatro anos nunca foi pugnada pela actual administração ou a é a confirmação de que existe de facto um plano?

- A manutenção de um investidor mistério ao longo de tantos meses faz parte desse plano?

- O anonimato da sua existência não representa a passagem de um autêntico cheque em branco e não deveria deveria o seu nome ser conhecido antes do acto eleitoral?

- A sua existência não é um entrave à transparência, adensando e abrindo agora a porta à especulação?

- Está ainda por explicar porque foram movidos processos a antigos presidentes, visando a responsabilização pelos seus actos e diversos outros membros de órgãos sociais terem passado entre os pingos da chuva. 

- A presença desses dois elementos, (e de vários outros) que durante vários mandatos desempenharam funções no Conselho Fiscal (cuja missão, entre outras é a de "fiscalizar os actos administrativos e financeiros do Conselho Directivo, procedendo ao exame periódico dos documentos contabilísticos do Clube. Por último, deverá participar ao Conselho Directivo quaisquer irregularidades, ou indício delas, que tenha detectado no exercício das suas funções") é no mínimo estranha e representa uma estranha solidarização com a incúria e o desleixo com que aquelas funções foram exercidas.

- Era interessante ouvir o que têm a dizer alguns dos elementos que ladeiam estes senhores na Comissão de Honra de Bruno de Carvalho e que durante anos se opuseram à existência de tudo quanto SS e JMR representam para o Sporting;

- Afinal a frase "O Sporting é nosso" foi proferida originalmente por quem?...

-  Daí que o título me pareça apropriado: neste vídeo quem nos anda mesmo a comer (sexo, com F), quem nos anda a mentir?

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Lourenço e Carlos Padrão (há coisas boas na Sporting TV)

Uma conversa e análise surpreendentemente boas por parte do antigo jogador do Sporting e de Carlos Padrão, lembrar-se-ão alguns, antigo guarda-redes do Sporting, FC Porto, Boavista, V. Setúbal ou Belenenses, entre muitos outros clubes.
Como não tive oportunidade para ver o jogo é impossível adiantar qualquer coisa que vá além dum olhar sobre o 0-2 final. Nas últimas 6 semanas, apesar de alguns resultados negativos, o Sporting parece ter consolidado o muito importante 3º lugar, classificação que poderia (deveria) ter-se visto questionada pelo SC Braga de Jorge Simão. Felizmente, os minhotos também falharam. As últimas 3 vitórias, desejamos, serenarão uma equipa que independentemente daquilo que o SC Braga faça, garantirá o apuramento para as pré-eliminatórias da LC na próxima época. Tratar-se-á de um consolo sóbrio mas fundamental no crescimento da equipa: precisamos de estar novamente na fase de grupos da LC.

Olhado o actual momento e classificação, temos salvo erro mais 11 jogos pela frente, não lutamos por qualquer objectivo que vá além do 3º lugar, teremos uma palavra decisiva na atribuição do título quando recebermos o Benfica, e ainda poderemos (apesar de tudo) terminar a época com 80 pontos. Se dos 11 jogos imaginarmos - como exemplo - 8 vitórias, teremos somado no final cerca de 72 ou 73 pontos, nº que apesar duma época infeliz superará novamente a maioria das classificações do Sporting pré-Jorge Jesus.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

7 pontos sobre o confronto BdC - PMR

São várias as razões pelas quais não tenho actualizado o blogue e desse facto tenho antes de mais de me penitenciar ante os que fazem deste espaço leitura habitual. Além das razões de ordem pessoal que não cabem aqui, o até agora altamente decepcionante momento eleitoral tem constituído um forte dissuasor e obstáculo à vontade de escrever.

No entanto, tendo ocorrido ontem o único (!) debate entre as duas candidaturas interessa-me, até para registo futuro, deixar algumas notas sobre o mesmo.

1- Neste momento é totalmente inútil fazer um juízo público sobre quem venceu o debate, tal a radicalização das posições, sem  que quem o faz fique sujeito a todo o tipo de impropérios, insultos e desgaste desnecessário. Mas já não o é a condenação da argumentação insultuosa que contaminam muitos dos comentários que se vêm registando, com acusações ridículas e dignas de avaliação psiquiátrica. O principal prejudicado é o debate e sobretudo o Sporting. Poucas serão as pessoas com uma vida pessoal  e carreira profissional sólidas que se queiram sujeitar a tal. Agora e no futuro.

2- Ainda nesse âmbito é sintomática a forma como se tratam e analisam os nomes e as escolhas consoante o lado da barricada a que se associam. As considerações feitas sobre Delfim, mas sobretudo Boloni, o último treinador campeão, são, na sua grande maioria, lamentáveis.

3- As piores dúvidas sobre o modelo escolhido para o debate acabaram por se confirmar. O moderador não conseguiu esquecer-se que um dos seus entrevistados também lhe assina os cheques, chegando a ser confrangedora a parcialidade com que deixava Bruno de Carvalho em discurso livre (e muitas vezes lateralizado, com apartes deselegantes e provocatórios, ou sem qualquer conteúdo) para interromper amiúde o raciocínio de Pedro Madeira Rodrigues. Ver o moderador a fazer o papel de "Severino em versão moderada" das eleições anteriores foi particularmente penoso. É bom lembrar que trabalha para o Sporting e não para BdC, por mais que tal seja tão amiúde confundido.

4- Se são inequívocos os trunfos que Bruno de Carvalho tem para apresentar (melhoria clara em muitos sectores da vida do clube, pavilhão, vendas de jogadores, etc) são também muitos os pontos a merecerem profunda discordância (da minha parte, obviamente). A maior fragilidade são a falta de  resultados desportivos consistentes e que justifiquem tantos auto-elogios, quando afinal se trata da normalização do clube. Foi muito por isso que se ficou pela apresentação de médias ao invés de troféus, pontuadas com as habituais desculpas em que o Sporting cai com demasiada frequência.

5- São também inegavelmente inequívocas as fragilidades de Pedro Madeira Rodrigues e sobretudo da máquina que suporta a sua candidatura. Tal torna ainda mais difícil de percorrer o caminho a que se propôs, que já de si comportava uma tarefa ciclópica: constituir-se como alternativa à aura messiânica que uma grande parte dos Sportinguistas vêm em Bruno de Carvalho, quanto mim de forma hiperbólica, injustificada e sobretudo perniciosa para o clube e até para o próprio.

6- A propósito do ponto anterior é importante assinalar que se as candidaturas de BdC tivessem sido sujeitas ao grau de escrutínio a que está a ser sujeita agora a candidatura de PMR, e os votos então recolhidos fossem muito mais o resultado da captação do descontentamento, provavelmente não seria ele o actual presidente.

7- Do ponto de vista do esclarecimento dos sócios o debate foi uma perda de tempo. Por exemplo, algumas das medidas de PMR suscitam enormes dúvidas sobre a sua exequibilidade e BdC manteve-se na atitude defensiva que adoptou para a campanha, certamente aconselhado pelos directores se campanha que sabem que quanto menos se expuser melhor.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Estás na terra, não há cura para isso. Como tal, estarás sempre entre nós.

Quem conheceu Travassos afirma tratar-se facilmente do melhor jogador de futebol português de todos os tempos. Os relatos, as recordações, os livros, os depoimentos de treinadores, de colegas de profissão e dos adversários confirmam-no, apesar de nunca ter copiado os números espantosos de Fernando Peyroteo, e apesar de nunca se ter proclamado 'Rei'.
O Sporting vive do que é real ... não vive de alcunhas. Vive de títulos. Deverei começar pelo princípio: Travassos partiu a 12 de Fevereiro de 2002, quando o clube foi pela última vez campeão Nacional de futebol, 5 dias antes de João Vieira Pinto ter dado a vitória ao Sporting por 1-0 num jogo em Alvalade, e 5 meses antes do Sporting conquistar, no Jamor, a Taça de Portugal. Nasceu a 22 de Fevereiro de 1926, não perto mas literalmente no estádio José Alvalade, no local onde em 1983 se veria erguida a bancada que o lotou da capacidade para 75 200 espectadores. Faleceu a 12 de Fevereiro de 2002, entre as melhores memórias do Sporting Club de Portugal.

Veio ao mundo numa casa modesta, entre dois campos de futebol, o do Lumiar e o do Campo Grande. Aos 16 anos foi trabalhar para os estaleiros da CUF e jogou no Grupo Desportivo da mesma companhia. Como era sportinguista de nascimento, o seu sonho era jogar com a camisola verde-e-branca. Foi lá e ofereceu-se mas o treinador, Joseph Szabo, disse que era muito franzino e mandou-o ‘comer batatas com bacalhau para crescer’. Travassos não esteve pelos ajustes e ingressou no atletismo leonino. Seguiu-se o cerco do FC Porto e a resposta do Sporting que chegou a isolá-lo longe das vistas alheias em Torres Vedras. Foi ‘sequestrado’ por um associado do FC Porto mas um irmão conseguiu trazê-lo de volta para Alvalade. Assinou, de imediato, um contrato por 20 contos de prémio e 700 escudos mensais. No início dos anos 50 já os especialistas de futebol internacional haviam reparado na qualidade deste jogador português. Velocíssimo, era mestre no uso dos dois pés (...) a sua extraordinária visão de jogo permitia-lhe escolher quase sempre a melhor solução, e colocar ao serviço da equipa o seu vasto manancial de recursos. Além da certeza no passe, tinha uma finta própria e um poder de remate invulgar. Foi um futebolista fora do comum.

Em 1955 chegou o momento mágico quando recebeu um convite para representar a selecção da Europa, em jogo contra a Grã-Bretanha a realizar em Belfast. Foi a 13 de Agosto e a crítica considerou-o como o motor da equipa que venceu por 4-1. Até ao fim da sua vida, passou a ser conhecido como ‘Zé da Europa’.

Campeão Nacional: 1946/47, 1947/48, 1948/49, 1950/51, 1951/52, 1952/53, 1953/54, 1957/58
Taça monumental 'O Século': 1948 e 1953
Taça de Portugal: 1947/48, 1953/54
Campeonato de Lisboa: 1946/47
A estreia de Travassos nos campeonatos Nacionais, em 1946/47, coincidiria com a famosa edição onde o clube fixou o recorde virtualmente insuperável de 123 golos num só campeonato, a que corresponde uma média superior a 4 golos por partida. Nesta mesma temporada o Sporting goleou os:

Sanjoanense 2-6, Olhanense 8-0, Estoril-Praia 5-0, Boavista 4-1, Elvas 9-1, FC Porto 2-4, Atlético 1-6, Famalicão 7-3, Sanjoanense 4-0, Olhanense 3-5, Estoril Praia 2-4, Benfica 6-1 (primeira participação do Violino em derbies), Boavista 2-4, Académica 9-1, Atlético 9-2, Famalicão 5-9, Oriental 5-1, e CUF 7-0.





Nesta belíssima fotografia, ao lado do estrondoso Matateu (CF os Belenenses). José Travassos, inveterado caçador, 13 épocas com a camisola que sempre sonhara vestir.

Estás na terra, não há cura para isso.
Como tal, estarás sempre entre nós.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Moreirense 2 - Sporting 3: vencer os cónegos só depois da penitência

Acabou bem este jogo em Moreira de Cónegos um jogo que começou muito mal. Dizer que oferecemos dois golos ao Moreirense é capaz de ser pouco, qualquer um deles pode conquistar um lugar num qualquer ranking de golos caricatos que amiúde sofremos, em particular nesta época. Má leitura dos lances, algum azar e muita, muita displicência, inadmissível numa equipa com a responsabilidade que a nossa carrega.

Não me surpreenderam as dificuldades impostas pelos da casa, pois já havia visto o que conseguiu fazer no seu espectacular percurso na Taça da Liga. Aliás, foi enquanto visionava a final que discorri sobre a dificuldade que é ser treinador no campeonato português. As equipas pequenas são cada vez mais difíceis de bater, especialmente se o adversário demora a marcar ou até se se apanham em vantagem. Foi o caso na aludida final da taça e só não foi o caso hoje connosco porque, valha a verdade, a equipa sobe reagir.

Contrariamente à que me parece ser a opinião geral, a grande responsabilidade nessa reviravolta foi a equipa ter-se mantido fiel ao guião (onde é que eu já ouvi isto?..), confiando sempre no seu processo de jogo, acabando por vir ao de cima a superior qualidade do seu modelo e dos seus executantes. Convenhamos que, para uma equipa em declarada falência anímica e após dois reveses consecutivos (1-0 e 2-1 logo a seguir ao 1-1), esta constatação é uma boa noticia e que me leva a concordar com Jorge Jesus quando este afirmou no final do jogo que esta "é uma equipa com alma". Pelo menos hoje foi assim...

Saliências individuais para a entrada de leão de Podence, a fazer lembrar Markovic, não pelo que ele fez mas pelo que se esperava que fizesse. O que fomos procurar longe estava afinal aqui à mão de semear. Mais um bom jogo de Alan Ruiz, que finalmente aparece, lamentando que não tenha sido quando mais precisámos. E claro, Gélson que, nem sempre da melhor forma, mas foi quase sempre a sua irreverência que ia dando conta que ainda respirávamos. E claro, Bas Dost!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Marta Soares tem que se explicar a Bruno de Carvalho (e vice-versa)

Tem sido até agora muito pouco interessante de seguir a disputa eleitoral que terá o seu desfecho no próximo dia quatro de Março. Acusações, insultos e o uso de linguagem pouco recomendável tem-se sobreposto  ao debate de ideias e projectos para o clube. Talvez porque umas e outros (ideias e projectos) tenham muito pouca substância e sustentação?

A primeira grande polémica já estalou, com a lista de Pedro Madeira Rodrigues a acusar o PMAG Marta Soares de parcialidade e falta de ética, complementando a acusação com o desrespeito ao que está disposto nos estatutos. A lista de PMR entende que uma vez que Marta Soares é parte interessada no acto eleitoral, uma vez que se recandidata ao lugar, se deveria afastar temporariamente do cargo, por "violar os mais elementares princípios democráticos, de transparência e ética porque um candidato a presidente da Mesa da Assembleia Geral que é simultaneamente presidente em exercício não está em pé de igualdade com os outros candidatos".

O PMAG diz-se de "consciência tranquila", acrescentando que "não há nos estatutos ou regulamentos nada que me obrigue a afastar-me. Não devo obediência às preocupações do outro candidato. A questão da ética é de quem não tem mais argumentos, porque, para mim, a ética são os valores da consciência, da dignidade e da honra. E como eu tenho a consciência tranquila sobre os valores de isenção e responsabilidade do meu cargo, não me afasto do meu lugar de presidente da Mesa até ao dia das eleições. E depois, se ganhar, continuarei."

Pode haver quem entenda que isto das questões de ética e princípios não interessa para coisa nenhuma. Quem assim não pensa, ou pelo menos não pensava em 2013 era Bruno de Carvalho, como se pode ver no vídeo (ver à 1h e 18m)  que dava conta de uma das suas acções de campanha, mais precisamente em Vendas Novas.  Talvez seja melhor Marta Soares e Bruno de Carvalho conversarem sobre esta matéria.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Erros por dá cá aquele Palhinha - Jesus forever?


As afirmações de Jorge Jesus no pós-clássico, visando muito em particular Palhinha, acabariam por assumir um peso quase idêntico ou até talvez superior à derrota amarga que acabávamos de averbar. Sendo a derrota penalizadora para nós, pelo que respeita ao que esperar do resto da época, ela acabaria por trazer à actualidade uma notória dissensão entre aquilo que deve ser a política de reforços e constituição do plantel. 

Esta divergência não é propriamente uma novidade. A novidade aqui é percebermos que os rumores que se arrastavam à boca pequena pelo menos desde Chaves tomaram agora uma figura real e Pallhinha foi neste episódio um dano colateral. Sem desculpas, as palavras de Jorge Jesus são reprováveis, por mais favorável que seja o ângulo escolhido para as analisar e por mais ou menos óbvias que sejam as manobras de comunicação para conter os danos. É preciso ser muito ingénuo para pensar que o recurso consecutivo dos jogadores às redes sociais foi espontâneo. Espontâneas foram as reacções iniciais, dando conta do que sentiram.

O que nos é dado agora assistir é uma luta de egos e poder que se irá desenvolver até ao final da janela de mercado do próximo verão, o que acentua o carácter ainda mais condenável das afirmações, por se servir de um miúdo de vinte um anos como munição. Do seu resultado se fará uma história de sucesso ou repetido fiasco.

O essencial nesta questão é a confiança. Depois do sucedido esta época, Bruno de Carvalho sabe que não pode arriscar um novo Titanic e não pode voltar a passar cheques em branco. Jorge Jesus sabe que é má a sua imagem na fotografia desta época e que, mais do que negociar, vai ter que admitir interferências nas suas escolhas. Como já teve que admitir ficar de mão estendida quanto ao pedido de recomposição do plantel no mercado de inverno.

Não se deveria estranhar por isso as declarações de Jorge Jesus nem muito menos o alinhamento inicial no Dragão. Se não foi intencional pelo menos pareceu deliberada a vontade do treinador em deixar claro o que pensa. É que se para a titularidade de Palhinha não tinha muitas escolhas, a utilização de Matheus, um jogador de quem muito se espera e tantas vezes convocado pelos adeptos parece ter sido um claro "estão ver?".

Jesus parece ter mais certezas que dúvidas nesta "aposta na formação" como caminho para chegar ao titulo no prazo que lhe é exigido desde que o contrataram: "para ontem, se não puder ser para anteontem". E também não confia na capacidade de prospecção e recrutamento, depois dos desaires de Cervi e Mitroglu, ou o flop Meli ou mesmo Castaignos ou Spalvis, em quem não tem confiança.

A verdade é que pelo seu próprio histórico ambos têm a sua quota parte de razão. Se Bruno de Carvalho tem razões para temer os erros de avaliação de Jorge Jesus, este não tem menos razões de desconfiar também pelo histórico e porque sabe que plantel encontrou à sua chegada. Mas também porque facilmente percebeu que esta retoma na formação tem muito mais de gestão política e económico-financeira do que de convicção. Porque se esta existisse  não teria sido esquecida na gaveta no inicio da temporada para agora ser recuperada de emergência. 

O passado de JJ no que diz respeito à formação fala por ele, embora dela se valha para se justificar quando afirma, ao jeito de uma no cravo outra na ferradura "jogámos com seis da formação, 10 nos 20 convocados. Isto paga-se. Como o caso do Palhinha. Estamos a dar um passo atrás para dar dois à frente". Mas aqui ele não deixa de ter alguma razão: tem de haver equilíbrio nessa aposta, com o devido enquadramento, que potencie o valor dos "miúdos" e não o invés, que os exponha. Porque sabemos que na fase inicial das suas carreiras os jogadores são mais propensos a falhar e tal tende a acontecer quando a pressão dos resultados, dos cenários e dos adversários aumentam.

Para terminar observações telegráficas sobre Palhinha, o seu regresso e a sua participação no jogo:

- A gestão do percurso de Palhinha teria sido mais proveitosa para ele e para o clube se a sua incorporação tivesse acontecido no inicio de época. Hoje a sua identificação com as ideias da equipa e do treinador seria outra.

-  Mais uma vez foi por falha das apostas feitas no exterior (Paulista e Petrovic), em detrimento dos jogadores da formação, que estes acabaram por assumir responsabilidades que eram de outros em primeiro lugar.
- O erro de Palhinha ainda assim é enorme pelo peso que tem no jogo, que ainda não tinha caído para nenhum dos lados. Erro potenciado pela presença inédita de Soares, novidade que por isso criou algum desconforto e demorou a ajustar.

- Embora o seu empréstimo tenha sido proveitoso, o que lhe vai ser agora exigido por Jesus é muito mais exigente e complexo do que o "recupera e entrega" que geralmente tem de fazer noutros contextos.

- O decurso do jogo demonstrou Palhinha não William. É notória a diferença de características entre ambos, e o que cada um pode dar ao nosso jogo. Tal não quer dizer que Palhinha e William não possam coexistir no Sporting ou até mesmo na mesma equipa.

Jesus forever?
Não se infira do que aqui é dito que descreio das qualidades de JJ como treinador. Basta ver o que eram as nossas idas ao Dragão nos tempos que o antecederam e o que sofremos às mãos dele quando ele estava do outro lado da estrada. Se ele é o treinador ideal para o Sporting? Parece que a resposta está sobretudo do seu lado, uma vez que se não acredita no que tem à sua disposição e no plano do clube a sua permanência é um erro e uma perda de tempo.

Do lado de Bruno de Carvalho ouviu-se novamente o seu apoio incondicional, uma renovação de um "forever" já por nós conhecido em anteriores episódios da nossa história recentes. Mas isso é outra conversa para vários outros posts...

sábado, 4 de fevereiro de 2017

FCPorto 2 - Sporting 1: Como JJ inventou uma forma de não ganhar

A definição deste jogo começou na cabeça de Jorge Jesus quando este decide inventar uma forma de não ganhar o jogo. Mal as equipas foram conhecidas e se soube da titularidade de Matheus a questão colocou-se de imediato: o que pretende JJ com isto? Julgo que neste momento nem o próprio ainda percebeu. A verdade é que nossa primeira parte fez-nos lembrar aqueles tantos jogos em que naquele estádio e no que o antecedeu já entrávamos a perder.

Foi preciso chegar a segunda parte e começarmos a jogar com onze, especialmente após a saída da nulidade Marvin, para se perceber que poderíamos ter escrito uma história completamente diferente, demonstrando aquilo que é minha convicção: poderíamos ser melhores que o adversário de hoje. E não o somos porque enquanto eles fazem das fraquezas força, nós somos displicentes. A verdade é que acabamos a perder e vamos acabar este campeonato a lutar pela terceira posição.

Algumas notas adicionais:

- Quem andava a pedir oportunidades para Matheus talvez perceba que agora melhor que para jogar com a nossa camisola é preciso mais do que nome. De craque só a atitude e os tiques. Alguém que lhe diga isso antes que se perca.

- Para quem andava a pedir banco para William e dar o lugar o Palhinha teve uma excelente oportunidade para perceber que jogadores como o habitual titular não crescem debaixo das pedras da calçada.

- Marvin não é jogador para o Sporting. Está aqui um milagre que Jesus nunca conseguirá fazer.

- Schelotto mesmo sem deslumbrar fez um dos melhores jogos desde que está no Sporting.

- Alan Ruiz teve finalmente uma chamada a um jogo com adversário forte, algo que JJ procurou ir evitando, e saiu-se muito bem na prova. E isto não tem nada a ver com o golo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Eleições 2017: "Tapem as caras com uma mão e votem com a outra"

A frase que titula o post ficou célebre quando Álvaro Cunhal em 1986 aconselhou os seus militantes a votarem em Mário Soares de forma a evitar a eleição, tida então como quase certa, de Freitas do Amaral como Presidente da República.

Um conselho algo semelhante pode Bruno de Carvalho ser obrigado a dar aos eleitores que pretendam votar na sua lista para o Conselho Leonino. É que o número de elementos naquela lista com "passado croquete" é tão abundante que os seus "militantes" (que tanto gostam de invocar aquela expressão) até podem ser levados a pensar que o boletim que têm na frente tinha ficado esquecido em algum "saco de plástico preto" das eleições que levaram à presidência Soares Franco, Bettencourt ou até mesmo Godinho Lopes.

O melhor mesmo é seguir o conselho, venha ele ou não ser dado...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Fim do mercado: do "all in" de verão à debandada de inverno

Não se pode dizer que tenha constituído grande surpresa o comportamento muito discreto no mercado de Inverno por parte do Sporting. O insucesso desportivo reduziu significativamente as possibilidades do clube quer de contratar quer de rentabilizar o forte investimento feito no verão. Ora muito desse insucesso começou a desenhar-se na incapacidade demonstrada em reforçar-se, apesar da generosidade dos gastos efectuados. Daí que as palavras chaves deste período tenham sido "reduzir" e "redimensionar" (a quantidade no plantel para o compromisso restante) "emagrecer" (a folha salarial). Mesmo esses objectivos ficaram aquém do desejável e só os mercados que ainda permanecerão em aberto permitirão realizá-los.

O número de jogadores continua assim excessivo, alguns dos excedentes são caros (p.ex. Douglas) e permaneceram por resolver os problemas resultantes da falta de soluções de qualidade em que os laterais são o exemplo mais notório. Mas não o único. Jorge Jesus certamente que terá que por uma velinha em vários altares a pedir a intervenção de todos os santos para que Bas Dost não se lesione ou seja castigado.

Não se pode dizer contudo que o plantel tenha ficado mais fraco, atendendo a que a participação dos jogadores que saíram mediaram entre o nada e coisa nenhuma no que ofereceram ao nosso jogo. O recurso agora à prata da casa, mais uma vez em momentos de aflição e não por convicção, terá pelo menos a vantagem de trazer sangue novo de jogadores que se identificam com o clube.

Ala, que se faz tarde
Meli
Ao contrário do que a brincadeira que se poderia fazer com o nome do jogador foi uma contratação sem nenhum açúcar. No máximo pode-se dizer que foi uma oportunidade única de viver seis meses de férias bem pagas numa das cidades da Europa com cada vez maior procura.

Markovic
Se a ideia era contrariar os rumores de uma morte antecipada como promessa de craque, o sérvio perdeu o seu tempo e nós o nosso dinheiro. 

Elias
Foi dos que mais jogou, o que só contribuiu para acentuar a imagem já desgastada que havia deixado. O risco da sua contratação não compensou e percebe-se agora que narrativa posta a circular de ter no horizonte um negócio da China não passou de fantasia ou propaganda para justificar o equívoco.

Petrovic:
Se Markovic e Elias ainda se podem perceber pelo que conseguiram fazer num passado recente ou longínquo a vinda do sérvio só se pode compreender por teimosia e desconhecimento da totalidade dos jogadores à disposição e em particular os oriundos da formação. Um problema que poderá ser reeditado na nova época, uma vez que vai sob empréstimo para o Rio Ave.


Acabou-se o recreio para os miúdos
Para a generalidade dos regressos significa um corte abrupto em participações que até estavam a ser proveitosas para os jogadores. Para que se justifique é necessário oferecer-lhes condições reais para singrarem, porque entrar esporadicamente ou nos minutos finais dos jogos não o são.

Palhinha
Foi ali a Belém comer uns pastéis que reforçaram a convicção do erro que foi a contratação de Petrovic. Não se pense porém que é o substituto ideal de William, trata-se de um jogador mais posicional que o habitual titular. Isso trará eventualmente mais segurança em momentos defensivos mas obrigará Jesus a repensar a forma como a equipa se comportará na hora de construir, algo em que William é peça fundamental.

Francisco Geraldes
É sobre ele que se concentrarão todas as atenções sendo por isso o primeiro desejo é que tal não lhe tolha as muitas qualidades que demonstra há algum tempo e que os seis meses no nível competitivo mais elevado confirmaram.

Podence
Não terá na maior parte dos jogos que o Sporting ainda tem para realizar o mesmo espaço no horizonte que desfrutou em Moreira de Cónegos. Isso é capaz de obrigar a reconfigurar-se. Se conseguir domar os seus impulsos e perceber os momentos adequados para fazer valer a velocidade que possui preparará com sucesso a sua integração no plantel do próximo ano.

Acabou-se o recreio mas talvez não ainda a brincadeira
Já sobre Spalvis, André Geraldes e Gauld impendem as maiores dúvidas sobre a sua prontidão para jogar, isto sem deixar de constatar que as razões do seu regresso nada tiveram a ver com a vontade do treinador, antes se deveram a decisões administrativas cuja bondade e acerto são altamente questionáveis. 

Spalvis acabou por ser recambiado por não ter condições de poder jogar no imediato. André Geraldes e Gauld foram arrancados a uma época positiva para agora não saberem sequer se poderão ser inscritos. Ainda que a sua inscrição venha a ser considerada regular, não deixa de constituir um embaraço para quem assumiu como primordial a luta por valores mais elevados no relacionamento entre os diversas entidades que constituem o universo do futebol. Dificilmente os jogadores não deixarão de se sentir usados e prejudicados, vendo os seus interesses mais básicos serem atirados para debaixo do tapete.

Embora, como é dito acima, seja possível que mais jogadores saiam para os mercados ainda em aberto, e sendo muito pouco provável qualquer admissão, estarão encerradas as portas do mercado 2016/17. E antes que se comece a falar no próximo é imperativo analisar exaustivamente as decisões tomadas nos últimos meses no que diz respeito à formação do plantel. 

É que, desde a gestão do potencial dos jogadores da casa, à política de empréstimos (para fora e para dentro), ao perfil adequado aos novos jogadores a integrar, há muita decisão a merecer análise profunda para que os mesmos erros de avaliação não sejam repetidos. 

Seguramente que dos que agora foram cometidos resultarão condicionamentos futuros na abordagem do mercado da próxima época. Dificilmente o Sporting encontrará no final do presente ano o mesmo volume de receitas que obteve no inicio da presente época. E, se o conseguir, terá que o fazer à custa da desvalorização do seu lote de titulares, ficando a interrogação se será desta que consegue suprir com acerto e realismo os lugares que venham a ficar vagos na titularidade.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Sporting 4 - Paços de Ferreira 2: crónica de um calimero

Algum dia haveria de chegar a minha vez. Depois do pico da epidemia de gripe que varreu o país ter passado, pensei que desta vez voltaria a escapar entre as nuvens de vírus e bactérias mas enganei-me. Ora se a gripe por si só é castigo pesado adormecer durante o melhor período do jogo, por força do efeito da medicação, e ficar acordado (embora com a sensação de estar mergulhado num pesadelo...) na segunda parte não é justo!

Terei oportunidade de visualizar os primeiros quarenta e cinco minutos posteriormente, mas pelo que me dizem realizamos uma das melhores primeiras partes da época. O que nos foi oferecido na segunda parte foi um prato tantas vezes requentado esta época, em que a equipa se desconcentra e a sua organização se esboroa como um castelo de cartas. Felizmente foi pouco o tempo que mediou entre o segundo golo pacence e o bis de Bas Dost, a estabelecer o resultado final.

O cartão amarelo a William é uma nota expectável deste jogo, sabendo-se que o clássico com os tripeiros vem a caminho. Posso assegurar que os árbitros têm indicações claras para sancionar assim estes lances (pisar o adversário), o que se pode dizer que é uma daquelas "inovações" de teóricos que conhecem o jogo à distância dos camarotes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Eleições: os candidatos, as estratégias e os programas

Os candidatos e proto-candidatos até agora conhecidos
Falta ainda mais de um mês para as eleições mas continuam a existir movimentações quer dos candidatos já conhecidos, quer de outros que não o chegaram a ser, apesar das intenções. É o caso de Mário Patrício, que acabou por não assumir candidatura segundo o próprio  porque "não foi possível chegar a uma plataforma de entendimento para que essa alternativa conjunta fosse uma realidade". 

Sem dúvida que Mário Patrício representava um nome forte, uma vez que, além de uma exposição mediática maior que Pedro Madeira Rodrigues (PMR), tem um conhecimento aprofundado do clube, resultante do facto de ter sido dirigente durante vários mandatos. A possibilidade de chegar com apoios de peso, como o nome João Rocha faria dele um poderoso "challenger" de Bruno de Carvalho.

Falta ainda saber se Pedro Madeira Rodrigues conseguirá ultrapassar o semi-anonimato de onde quer sair até à presidência do clube. Afigura-se muito difícil de alcançar, a menos que algo mude drasticamente. Talvez tenha sido também para contrariar essa condição que PMR arriscou tudo na questão "Jorge Jesus". Por isso mas sobretudo por uma questão de principio.

Foi a decisão de Jorge Jesus em tomar partido a favor do seu opositor que o deixou sem alternativa. Ao apoiar o seu opositor JJ declarou com quem gostaria de trabalhar, invertendo assim a ordem natural das coisas: quem escolhe os funcionário é o presidente e não o contrário. Se PMR assobiasse para o lado, como provavelmente até lhe seria conveniente, ficaria com a sua autoridade minada caso viesse a ser eleito.

Jorge Jesus é o mestre da táctica mas não o é na ética. Se a ideia era desmentir os rumores de afastamento entre o treinador e o presidente, em função dos maus resultados, haveria formas mais "saudáveis" de o fazer. A questão essencial aqui é que JJ declarou não o apoio ao presidente mas a um candidato. Não me parece que os funcionários do clube o devam fazer de forma pública. Para os que acham que isto não interessa nada sabemos bem o que diriam se JJ declarasse o seu apoio a PMR.

Mais ou menos conhecido, o que ninguém deveria poder por em causa era a sua qualidade de Sportinguista pelos anos de sócio que leva, a que acresce ainda o reconhecimento de um prémio Stromp. Mas infelizmente, nesta estranha doença contagiosa que vai afectando o clube, quem não se arroja à passagem de Bruno de Carvalho é croquete. Quem se lhe opõe, como é o caso de PMR, acumula essa "virtude" com a de lampião. Muitos dos que assim se comportam podiam pedir-lhe emprestados uns anos de sócio e vinculação ao clube para ganharem um pouco mais de autoridade. Já credibilidade estamos conversados.


As estratégias
São já perceptíveis as estratégias de ambas as campanhas. Bruno de Carvalho sente que não tem a sua posição em causa e por isso só falará "quando for preciso" e aqui pode sempre fazê-lo na pele de presidente ou de candidato. O low-profile adoptado assim o indica. PMR tem-se desdobrado em entrevistas, certamente para contrariar o semi-anomimato de que falava acima. Mas terá que o fazer melhor na postura mediática em frente às câmaras de televisão mas sobretudo de ser melhor aconselhado. Um candidato a presidente não se deixa apanhar numa armadilha tão básica como debater com alguém que acumula as funções de melífluo homem de recados com a de fornecedor de refeições e toalhas quentes.

Programas
Se alguma característica que aproxima os candidatos é a natureza superficial dos programas a par de muitas medidas incumpríveis tão comuns neste tipo de documentos. Por exemplo, alguém acredita que as VMOC's sejam pagas nos próximos quatro anos? E porquê um centro de estágios a norte ou um clube parceiro na mesma região? Um velódromo, a sério? E que melhorias no atendimento serão feitas que não fossem precisas há tanto tempo, incluindo os últimos quatro anos?

Ainda assim esta é também uma boa oportunidade para discutir matérias com interesse para o clube.

O naming do estádio e do pavilhão?

Para quando o voto eletrónico?

Faz sentido uma rádio do clube?

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sábado, 21 de janeiro de 2017

Maritimo 2 - Sporting 2: encalhados pelo apito já à saída da baia do Funchal

Foram demasiados os erros individuais a penalizar uma equipa que anda tão longe dos níveis exibicionais e de confiança para que o resultado pudesse ser outro. Patrício, em noite não, a oferecer dois golos aos insulares e o pé da arbitragem em cima da nossa cabeça, quando lutavamos para chegar à praia, ditaram mais um encalhe, deste vez na visita à baía da Madeira.

Não tendo feito um jogo de grande qualidade, os jogadores fizeram o suficiente para merecer melhor sorte no resultado e na reacção final dos adeptos que, pelo menos aparentemente, acabaram por receber mal os jogadores no final do jogo. A confirmar-se não é apenas injusto, é pouco inteligente porque é com estes jogadores, técnicos e dirigentes que temos para sair da situação incómoda e decepcionante em que nos encontramos. A ideia de falta de atitude parece ter feito escola mas o seu uso revela sobretudo incompreensão e desconhecimento de outros aspectos tão mais importantes para vencer um jogo.

Nota para a estreia de Palhinha. Não me parece que seja este o momento indicado para recorrer aos bancos da nossa escola mas, apesar do contexto difícil, o miúdo saiu-se a um nível muito razoável. Mas é indiscutível que não trouxe nada de muito substancial ao nosso jogo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Humildade, lições e actos de contr(ad)ição

Quem está de fora do circulo restrito do futebol profissional do Sporting não está na posse de todos os dados para poder efectuar uma análise rigorosa e certeira nem sobre o momento nem sobre as dinâmicas que afectam as relações entre os diversos grupos (dirigentes, técnicos, jogadores) e os elementos que os compõem. 

Mas observando de fora é fácil constatar que por lá já se viveram melhores dias, sendo legitima - e sobretudo preocupante -  a dúvida sobre a existência de uma fractura entre os diversos grupos e/ou indivíduos. A observação do segundo jogo de Chaves, por força dos tristes acontecimentos nos balneários do jogo anterior, que mais uma vez projectaram o Sporting para as parangonas dos média pelos piores motivos, não nos deram razões para grande tranquilidade. Veremos os próximos capítulos para perceber melhor.

A apreensão não diminui nas promessas de rápida lipoaspiração dos excessos de gordura no plantel e ainda menos quando se fala na diminuição de poderes de Jorge Jesus na contratação de jogadores no futuro imediato. O emagrecimento do plantel é compulsivo, face às obrigações que ainda restam para o resto da época, não resultando por isso de uma verdadeira estratégia. E a promessa da transição do poder de contratar de um gabinete para outro também não o é. Estratégia seria haver total coordenação interna quer entre SAD e treinador e entre estes e os diversos departamentos, incluindo os ligados à formação. 

Uma grande dúvida porém se levanta: se os plenos poderes de Jorge Jesus dão para encher agora uma mini-van de desperdício (pelo menos sete...) os plenos poderes nos quatro anos de mandato da actual SAD talvez não chegue um autocarro. Até mais do que um, se alargarmos a análise às sucessivas intervenções pouco cirúrgicas até à equipa B e juniores. Tudo isto se explica de forma simples: a tão propalada estrutura resume-se praticamente a dois nomes: Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 

Para o bem do Sporting não tenho dúvidas que o futuro será melhor se conseguissem trabalhar de forma coordenada, apoiada numa rede de profissionais competentes e de saber feito, quer do ponto de vista académico, quer de experiência de vida. O que comummente se chama estrutura. Duvido que haja, crendo mesmo que se alguma vez tivemos se perdeu na espuma dos dias e das permanentes alterações. E para que tal acontecesse seria preciso uma dose muito generosa de humildade de ambas as partes, o que não se me afigura fácil de acontecer.  Pelo histórico de ambos, é mais provável que as as actuais baixas temperaturas cheguem primeiro aos infernos.

O recente acto de contrição faceboquiano do presidente é meramente estratégico por quem se sente acossado, sendo a contradição inicial um claro indicio disso mesmo. A retirada de poderes a Jorge Jesus significa um passo atrás, contradizendo a promessa de não o dar - "Não irei dar um passo atrás para apaziguar algumas almas". E é realizado com o óbvio propósito para apaziguar senão as almas pelo menos a contestação.

Mas representa a negação de algo ainda mais substancial: a existência de um verdadeiro projecto, pelo menos no que isso está relacionado com planificação e com linhas orientadoras bem definidas. Bastou um pouco mais de dinheiro primeiro e os maus resultados provacados pelo seu mau uso para se perceber.

Sabe-se ainda muito pouco sobre como Jesus está a viver este momento e como ficarão as relações com Bruno de Carvalho. Mas há dúvidas que não tenho:
- O Sporting está bem servido de treinador e esse treinador ser-nos-ia muito mais útil se tivesse por trás uma estrutura profissional e competente.

- O Sporting não pode estar refém dessa ligação. Não há insubstituíveis, basta olhar ao que sucedeu ao rival após a saída de Jesus, não precisando de um treinador consagrado para estar bem servido, demonstrando que a escolha de um treinador que se adeque às necessidades de um clube foge muito aos lugares comuns que se usam habitualmente.

- Foi o sentimento de superioridade gerado pela realidade que encontrou no Sporting que o atraiçoou, negligenciando a necessidade de o conhecer de forma abrangente e em profundidade. Certamente que se o tivesse feito não teria cometido alguns dos erros que agora o expõem. 

- Jesus não aceitará o que foi feito quer a Marco Silva quer a Leonardo Jardim.
Nem um nem outro parecem estar muito dispostos a serem confrontados com as suas próprias limitações e insuficiências ou a entender a necessidade de ouvir outras opiniões.  Ora, se não perceberem os erros cometidos, o mais provável é que eles, mais tarde ou mais cedo venham novamente a ocorrer.

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