Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Missão Pavilhão: O que é do coração e o que é da liderança?

Fim-de-semana em cheio para o andebol, ao renovar a conquista da Taça de Portugal, reforçando assim o estatuto de clube mais vencedor da modalidade. Uma boa oportunidade para falar do pavilhão, interesse redobrado pelo lançamento da Missão Pavilhão. Parabéns a todos quantos tornaram esta vitória possível!

Sobre a necessidade de um pavilhão junto ao estádio José Alvalade ninguém contestará a necessidade. As soluções poderiam ser diversas mais ninguém porá em causa que essa é a ideal. Com a definição do terreno onde o erigir acordada entre clube e CM de Lisboa faltará apenas aprovar o projecto arquitectónico (informação que carece de confirmação, mas é a minha impressão pessoal) e erigi-lo. O plano de pormenor esse está aprovado pela edilidade.

No passado sábado o Sporting lançou a "Missão Pavilhão". A informação é ainda escassa, o que de relevante se conhece é que cada sócio ou adepto Sportinguista é chamado a contribuir com 50€, sendo que "dos 50 euros doados, 40 serão para a construção do recinto e cada um dos contribuintes recebe a «Camisola 12 Missão Pavilhão» e um vale no valor de 24 euros em quotas. Quem já for sócio, pode oferecer este vale de 24 euros em quotas a um amigo ou familiar", citando o próprio site do clube.

Aguardo que os contornos e objectivos pretendidos sejam melhores esclarecidos para que melhor se perceba o que agora nos pedido. Contudo deixo as primeiras impressões que o anúncio me suscitaram:

- Nada tenho a opor à modalidade anunciada, pelo menos em abstracto. O apelo ao coração (e carteira...) dos sócios, em particular dos que dispuserem de maior desafogo financeiro, para tornar possível um sonho acalentado há décadas faz sentido. Atrevo-me a dizer que muitos de nós, se pudessem, custeariam do seu próprio bolso o pavilhão.

- Parece-me porém extemporâneo solicitar a participação dos sócios, onerando-os em despesas e responsabilidade pelo êxito da operação, sem previamente se conhecer i) o projecto, ii) os respectivos custos e, o mais importante, qual iii)o contributo da direcção. 

- Liderar é muito mais do que pedir dinheiro para gastar. Neste âmbito há muito a que a direcção está obrigada antes de chamar os sócios a participar. A obtenção de patrocínios (publicidade estática, venda de lugares, etc.)  e o eventual naming do pavilhão são apenas alguns dele, é uma responsabilidade decisiva para o êxito do empreendimento, da qual a direcção não se pode demitir. Só depois deste trabalho feito os sócios deveriam saber o que lhes poderia ser pedido em acréscimo. 

- De outra forma entendo como muito difícil o êxito da missão e o risco de se assemelhar a uma "operação coração" falhada é enorme. O custo estimado de 10 milhões de euros dificilmente podem ser suportados apenas por donativos. E mesmo para que estes tenham o relevo necessário, têm de ter subjacente ideias e projectos muito concretos e transparentes.
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sábado, 12 de Abril de 2014

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De Carrillo até às portas da Liga dos Campeões


O que dizer de um jogo em que Rui Patrício praticamente não teve que fazer uma única defesa?

Ou de um jogo que praticamente começamos a ganhar?

Porém o indiscutível o controlo total do jogo não invalida dizer que podia ter sido melhor jogado na segunda parte, depois de uma primeira parte que, ao terminar com apenas 1-0 a nosso favor, teve algum sabor a injustiça face às oportunidades criadas.

Destaques individuais para Cédric, dominador, confiante, quase imperial. Para Rojo, exibição no mesmo tom, com 1 remate fabuloso ao poste. O número anormal de passes falhados de William é digno de nota, embora se tenha que realçar que também arriscou mais do que o habitual. Finalmente Carrillo, decisivo ao efectuar as 2 assistências que decidiram o jogo.


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sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Quantos jogadores do Sporting cabem na selecção de Paulo Bento?

Uns dias depois do anúncio da continuidade de Paulo Bento e no momento em que, pela proximidade do final dos campeonatos se especula sobre os nomes que farão parte da lista de 23 de Paulo Bento a interrogação faz sentido: quantos jogadores do nosso plantel figurarão no grupo final?

São 6 os jogadores que se poderiam identificar como elegíveis: Rui Patricio, Cédric, Adrien, André Martins, William, e Carlos Mané. 

Deste lote há dois claramente identificados como tendo já o passaporte com visto carimbado: Patrício e William. Patrício é o dono incontestado da camisola 1. William é o mais sério candidato ao lugar de 6 no meio-campo. Tenho muita curiosidade de o ver num meio-campo onde terá ao seu lado muito provavelmente Moutinho e Meireles, ou até mesmo Miguel Veloso sobre o lado esquerdo.

Numa segunda linha estará Adrien. A fazer uma boa época no Sporting parece-me estar à frente de nomes como Ruben Micael os Andrés Almeida e Gomes, mas atrás de Ruben Amorim, talvez o seu mais directo competidor. Paulo Bento sabe bem do que Adrien é capaz, foi ele o primeiro a reconhecer-lhe qualidade, coisa que só perante as evidências só agora muitos vão concedendo. Há 3 factores que concorrem contra Adrien na luta com Amorim: (i) a participação nas competições europeias do jogador benfiquista confere-lhe outra exposição, (ii) o facto de fazer parte de uma equipa mais madura, com mais tempo de identificação entre si e entre o treinador e, talvez a mais importante (iii) a polivalência de Amorim. Este último factor ganha ainda mais importância com as recentes lesões de Lopes e Silvio, que reduz as opções de Paulo Bento para a lateral direita.

Seria pelas lesões destes últimos dois que Cédric, a realizar também ele uma época muito consistente, poderia ver aumentadas as suas chances. O histórico das convocatórias de Paulo Bento no entanto desmentem-as. O treinador já o preteriu até em favor de adaptações ao lugar. Para além do titular indiscutível, João Pereira, será provavelmente Ricardo Costa o preferido para qualquer eventualidade. Este não será o mundial de Cédric mas o lugar daquele lado da defesa da selecção nacional está-lhe reservado para um futuro próximo. Um jogador que, tal como Adrien, tem muito a ganhar com palcos mais exigentes, como os das competições europeias.

Tenho pena por André Martins. As funções que lhe estão atribuídas no colectivo de Jardim estão longe de favorecer as suas melhores qualidades. Via-o já como o homem para o lugar Moutinho, se pudesse jogar mais atrás e de frente para o jogo. Como disse há tempos aqui resolver o "problema" de Martins era dar um passo importante na melhoria da qualidade do nosso jogo. Nas actuais circunstâncias quer equipa quer o jogador revelam pouco conforto com a actual solução.

Por fim Mané. É ainda demasiado cedo para ele. Poderá muito bem ser um dos nomes a constar na convocatória do próxima fase final do Europeu, se o apuramento se consumar.

Em jeito de resumo e conclusão é muito provável que sejam apenas dois, Patrício e William, os convocados de Paulo Bento para a viagem ao Brasil. No entanto o nome do Sporting, por força do inevitável elevado número de jogadores que já vestiram a nossa camisola que integrarão a convocatória, continuará a ser indissociável do nome da selecção.
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terça-feira, 8 de Abril de 2014

O negócio Elias como pretexto para falar do modelo de negócio para o Sporting

Devo dizer que me surpreendeu o desfecho do caso Elias. 

Surpreendeu-me o timing, porque não me parecia provável que o negócio se consumasse já com o mercado fechado. 

Surpreendeu-me o valor da transferência, pelo facto de se tratar de um jogador que completará meio ano sem competir e que tem quase 29 anos. 

A maior surpresa porém vem do facto de os ordenados passarem a ficar a cargo do Corinthians, precisamente pelo facto do clube brasileiro não poder contar com o jogador até Julho. 

Um excelente negócio para quem, como eu, entendia que o mal menor que representava vermo-nos livres do jogador apenas pelo valor poupado nos vencimentos já era bom.

Aproveito o encerrar deste caso para reflectir sobre o que poderá ser o modelo de negócio do Sporting, ficando para um post posterior análise mais pormenorizada sobre as relações com os diversos intervenientes no meio, nomeadamente os empresários, investidores, fundos e mesmo os jogadores.

Que modelo para o Sporting?
O segundo ano da actual actual administração ajudará a perceber melhor qual o modelo que adoptará para desenvolver o seu negócio no que diz respeito aos investimentos. O ano passado, por força das circunstâncias, deve ser considerado um ano zero. A falta do palco europeu não significou apenas ausência de receitas. Constituiu também seguramente um forte corrente contrária e dissuasora junto de alguns dos alvos definidos para o reforço do plantel, que se somava à incerteza do que seria o Sporting este ano, depois do "anno horribilis". Certamente que jogadores como Rafa teriam olhado para a proposta do Sporting com outros olhos se tivesse dons adivinhatórios. Atrevo-me mesmo a dizer que provavelmente Ghilas teria também ponderado de outra forma a decisão que tomou se soubesse tudo o que sabe hoje.

Mas não foram apenas os jogadores que temeram ligar-se ao Sporting. Conseguir parceiros de negócio que dividissem os riscos também não seria muito fácil e mesmo os empresários e clubes não teriam grande predisposição de negociar com um clube em profunda reestruturação. Isso mudará substancialmente no próximo ano, com maior acuidade se o Sporting conseguir o que todos tanto desejamos: o apuramento directo para a Liga dos Campeões. 

Salvo melhor opinião o Sporting necessita, para melhorar a sua competitividade face aos seus concorrentes directos, de encontrar forma de aumentar as receitas disponíveis, de forma a reinvesti-las na sua actividade principal e motor de toda a vitalidade do clube. Só dessa forma conseguirá manter os melhores jogadores que forma mais tempo e  disputar os jogadores que lhe interessam no mercado. 

Salvo também melhor opinião, pode fazê-lo de 2  formas: 

- Apenas com receitas próprias, geradas pela venda de jogadores, bilheteira, receitas de publicidade, televisão, etc, sem envolver capital alheio à SAD e clube.

- Recorrendo a investidor(es) e fundos

Ficando pelas receitas próprias, o que significaria também não partilhar os valores dos passes de jogadores, o Sporting contará apenas com as mais-valias que for capaz de gerar para refinanciar o seu negócio. Idealmente este é o meu preferido, e que se aproximaria da identidade de um clube formador. Muito próximo do que faz o Barcelona, que recorre ao mercado apenas para suprir o que os ciclos de formação não lhe proporcionam. 

Ao contrário do que se vai julgando e por vezes até afirmando, o Sporting nunca seguiu exactamente a mesma cartilha. Ao contrário do clube catalão, os jogadores que o Sporting forma têm sido, por força das vicissitudes, chamados a desempenhar responsabilidades mais cedo do que o desejável e até do exigível. A criação da equipa B foi uma excelente medida para suprir uma falha importante, mas é demasiado recente e, quanto a mim, requer ainda correcção de trajectórias para se poder considerar uma aposta ganha.

Quanto à segunda possibilidade, não me parece que o Sporting possa atrair no futuro próximo, e provavelmente nenhum clube português, um sheik árabe, seguindo o modelo inglês ou do PSG. Não vejo Bruno de Carvalho a partilhar o poder nem a última palavra e não acredito que haja quem invista sem dela dispor. Este é também o modelo que mais me desagradaria, detestaria ver o Sporting com dono.

Os fundos têm sido o principal parceiro de negócio dos nossos rivais e concorrentes directos. Graças a eles o FCPorto conseguiu encostar-se a uma classe média alta de clubes europeus chegando mesmo a dois títulos europeus. Uma boa prospecção de mercado tem encontrado disponibilidade financeira para concretizar negócios. O sucesso desportivo proporciona valorização. A respectiva realização de mais-valias ajuda a suprir a falta de receitas para aguentar planteis dispendiosos. O SLB não tem sido tão feliz mas é inegável que a sua competitividade subiu e que se aproximou do FCPorto.

Inegável é também que o mesmo tipo de operação não correu bem no Sporting. Creio que tal não se deveu propriamente ao modelo mas sim à gestão ou ausência dela. Com todas as desvantagens que acumula, o Sporting tem pelo menos uma vantagem por estar novamente na casa de partida: não precisa, não deve, cometer os mesmos erros. Os seus e os dos seus rivais, especialmente no que respeita à acumulação de passivo. 

Mesmo com todos os riscos que hoje sabemos, creio que o Sporting não se deve auto-limitar, impondo a si mesmo restrições que lhe tolham as perspectivas, considerando todas as possibilidades que o jogo do mercado lhe coloca à disposição. O contrário seria tão nefasto como, no relvado, a equipa do Sporting não saber/poder usar todas as ferramentas do jogo para chegar ao golo e consequentemente às vitórias. Seria o mesmo, mal comparado, que não poder/saber marcar um canto ou até mesmo concretizar um penalty.
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segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Será que Fernando Alexandre já assinou?

Muito se tem falado da possível partida, no final da época, de William Carvalho e dos problemas que a sua substituição levantarão. Muitos nomes têm sido trazidos pelos meios de comunicação e e até adeptos sem que, até ao momento, tenha ouvido um único que se aproxime das exigências mínimas que considero para preencher o lugar. Acho até curiosa a contradição: como é possível ver jogar William Carvalho e a seguir sugerir para o seu lugar nomes como Fernando Alexandre ou Danilo Pereira, pensando que qualquer deles se aproximaria sequer do que, a cada jogo, vemos fazer ao jogador que mais surpreendeu no actual campeonato nacional. Mas isso é coisa para pensar mais adiante, hoje é o tempo de desfrutar o facto de o termos connosco enquanto isso ainda é possível. 

Ora Fernando Alexandre, um jogador que até tem estado em destaque no seu clube, e que há poucos dias surgiu na comunicação social precisamente como possível reforço do Sporting, foi destaque este fim-de-semana. Não apenas e só pela sua prestação em campo, mas pelo choque que a imagem documenta. Choque esse que deixou kock-out o árbitro Manuel Mota, nosso velho conhecido. 

Depois de vistas as imagens é caso para perguntar se Fernando Alexandre não terá já mesmo assinado pelo Sporting, encontrando-se já a "render dividendos" ao clube que o contratou. É que depois daquele golo anulado ao Slimani, que atropelou o Sporting na luta pelo primeiro lugar, vontade não falta a qualquer Sportinguista, mesmo que recém-chegado, de "devolver o jeito".
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domingo, 6 de Abril de 2014

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Acabar de remobilar a casa na Capital do Móvel

Foto Maisfutebol
A vitória do Sporting ontem em Paços de Ferreira valeu muito mais do que os três pontos conquistados. Significou a confirmação de que o Sporting ficará no pódio do actual campeonato, o que é muito mais importante do que a classificação equivalente para uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Ficar apenas no pódio, neste caso em terceiro lugar,  não é seguramente o sonho de qualquer Sportinguista, é antes a normalidade. Normalidade que nem sempre tem sido conseguida nos últimos anos, pelo que este regresso à "ordem natural das coisas" é um facto que se assinala com regozijo. Fica o desejo que assim se mantenha pelos próximos anos e que o remobilar da casa se consolide em resultados nos tempos que virão. Não é a vitória dos nossos sonhos mas é uma vitória imprescindível para poder sonhar.

Quanto ao jogo propriamente dito fica uma das exibições mais adultas da época. O adversário subiu consideravelmente de produção com a chegada de Jorge Costa, resolvendo ou disfarçando algumas fragilidades do seu jogo, em particular no aspecto defensivo. Apesar do Sporting ter estado sempre por cima do jogo e do resultado os locais nunca permitiram sossego ou descanso. Porém o Sporting foi resolvendo os problemas sempre sem se intimidar, revelador de maturidade e confiança.

Sendo uma vitória que nasceu do mérito de todos teve alguns elementos que me merecem destaque individual:

Patricio: Foi o homem mais importante no jogo. Um guarda-redes que faz campeões é isto: segura o resultado que vai dar pontos importantes e ontem Patricio foi isso mesmo. No golo sofrido, onde parece poder fazer melhor, foi prejudicado pela movimentação de um jogador adversário na sua frente, criando ruído suficiente para não se opor à trajectória da bola com outra eficácia.

Rojo: Já mandaram fazer as t-shirts "Rojo resolve"? O argentino está cada vez mais confiante e auto-controlado. A um defesa pede-se sobretudo que defenda bem. Rojo tem-no feito e ainda por cima tem marcado golos importantes.

William: Desbloqueou o jogo ontem fazendo algo de diferente e inesperado, o que baralhou por completo os defesas pacenses. Na cara do guarda-redes alardeou confiança e fez parecer fácil o que por vezes até para os pontas-de-lança é tão complicado.  Uma evolução assinalável no seu jogo, este tipo de movimentação significa um acréscimo de soluções sempre bem vindo.

Adrien: Estava a fazer um jogo ao nível dos melhores que tem conseguido este ano, e têm sido vários, até fulminar o guarda-redes pacense que só deve ter percebido o que se passou depois de ter visto o resumo do jogo. O golo soberbo coroa uma boa época dá-lhe confiança para usar mais vezes uma arma tão letal como é o seu remate.

André Martins: é o novo Adrien. Não no jogo mas na predilecção dos adeptos quando querem apontar alguém ou assacar culpas. Jardim no entanto não vai em chorinhos e reconhece-lhe competência na execução do que lhe pede. Ontem Martins não teve muita bola mas não foi por isso menos importante. sobretudo no começo do jogo, onde o Sporting esteve por cima e construiu o resultado. As suas movimentações sem bola baralharam as linhas médias e defensivas do adversário, criando espaços numa zona onde estávamos em inferioridade numérica. Não foi brilhante mas foi determinante.

Slimani: Não marcou mas assistiu para dois golos e ambos com os pés, que está longe de ser o seu forte. Um avançado, mesmo com as características dele, só tem de se dar por feliz quando o seu contributo é tão decisivo. E nós com ele.
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sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Os casos Elias e decisão sobre a Taça da Liga

O caso Elias não acabou. A prová-lo está a reacção do Corinthians à tomada de posição do Sporting relativamente ao que, na óptica da SAD, foram as negociações com o referido clube brasileiro e ainda com o Flamengo. Não vou fazer uma análise pormenorizada de todo este imbróglio por ter a sensação de que muito do que lhe deu origem me escapa ao conhecimento. Dessa forma restar-me-ia especular, o que está muito longe de me interessar.

A passagem do jogador pelo Sporting foi infeliz, como parece ter que suceder com todos os "jogadores mais caros de sempre". Foi assim com Rodrigo Tello, foi bem pior com Pongolle. É verdade que várias foram as vezes que Elias pareceu ficar muito aquém do que se exige a um profissional, particularmente aos que se concede a honra de usar a braçadeira de capitão e o privilégio de ser dos mais bem pagos. 

Não deixa também de ser verdade que  o período da sua passagem pelo Sporting foi dos piores para qualquer profissional se valorizar. O regresso do jogador ao Brasil significou também a recuperação da imagem do jogador, tornando-o num dos possíveis eleitos por Scolari. O tempo de paragem por força do fim do período de empréstimo ao Flamengo anulou por completo essa possibilidade e dificilmente se conhecerão novos desenvolvimentos até ao reabrir do mercado.

Fico-me por isso pelas evidências: a pior solução para o Sporting é a actual. 

Um jogador com um ordenado ilíquido superior a 200 mil euros/mês é um peso incomportável para o Sporting. Ter um jogador a passar pela tesouraria a cada mês o cheque sem devolver o mínimo de contributo para o clube é até imoral para os todos os profissionais que trabalham no clube, incluindo os que viram já os seus ordenados reduzidos e mesmo os que perderam os seus vínculos na recente reestruturação. Não o é menos para todos associados que se sacrificam para pagar as suas quotas e deslocações para acompanhar o clube. E cada dia que Elias passa sem jogar o seu valor diminui, aumentando consideravelmente o risco de termos que lhe pagar cada cêntimo até ao fim sem receber nada em troca. 

Por tudo isto não duvido que a melhor solução é deixá-lo sair, mesmo que sem qualquer valor em troca, poupando pelo menos os ditos mais 200 mil euros mês. Nas actuais circunstâncias e atendendo à idade do jogador (28 anos) dificilmente o Sporting conseguirá melhor do que, numa futura transacção, ser compensado do valor que está comprometido a pagar ao fundo de investimento, quase 4 milhões de euros. Quanto mais o  tempo passar maior será o risco de não receber nada e ainda ter que pagar o referido valor, acumulando dessa forma prejuízos.

Quem entende que desta forma se dá uma qualquer lição ao jogador, ao pai, seu empresário, a Jorge Mendes, ao mercado, aos fundos que custeie do seu próprio bolso essa estranha forma de pedagogia. O clube certamente que agradeceria.

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Muito pouco mais há a dizer sobre a decisão final do Conselho de Justiça. Afigura-se muito difícil ser dado como provada a existência de dolo. Reconhecer a sua existência nos actos praticados pelo FCPorto e depois concluir que tal não visava prejudicar terceiros é quase hilariante. É seguramente uma decisão que envergonha mais uma vez o futebol e creio que mesmo o direito.

Espero que Bruno de Carvalho reconsidere a sua posição relativamente à participação na competição. Não há vitórias mais saborosas dos que a que são conseguidas sobre a batota. E para mim o Sporting entra sempre para ganhar todos os jogos e competições. Assim está obrigado pelo seu historial e pela finalidade da sua génese:  concorrer para o engrandecimento do desporto e do País.
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quarta-feira, 2 de Abril de 2014

O ano mais fácil para Bruno de Carvalho

Em regra o primeiro ano de uma equipa de gestão recém-estreada corresponde ao seu ano mais difícil. No caso concreto dos corpos sociais encabeçados por Bruno de Carvalho essa dificuldade foi acrescida por significar também a alteração quase radical das estruturas técnico-administrativas que sustentavam o clube. Estar ciente deste facto e escolher a frase que titula o post é altamente contraditório. No entanto a contradição só subsistirá para quem não ler a totalidade do post. Este foi escrito ao "correr da pena", sem preocupações em elencar de um lado as virtudes e do outro os defeitos, como é tradicional nestas ocasiões.

A importância da mudança
A chegada de Bruno de Carvalho à presidência do Sporting equivale ao fim do que se convencionou chamar "o  roquettismo". Expressão quanto a mim redutora e generalista, que carimba de forma negativa e por igual todos os que foram chamados à responsabilidade de dirigir o clube, o que me parece injusto, uma vez que trata de forma igual actuações e momentos muito diversos. Este não é porém o post para voltar à análise do que foi esse período.

É indiscutível que existia uma fractura no clube cujo comprimento variava consoante os resultados. Mais do que isso parece-me também evidente a existência de um aprisionamento psicológico, que em muitas ocasiões se transformava um álibi. Com o fim da "so to speak" "dinastia Roquette" esse condicionamento cessa e deixa de poder ser usado. Espera-se uma nova era. Esse sentimento é altamente responsabilizador para a actual gestão, que se assume como veiculo e autor da mudança pretendida.

A popularidade de Bruno de Carvalho
É um fenómeno interessante. Quanto a mim desmente o cliché de um Sporting confinado num nicho elitista e confirma a sua raiz popular. Essa é a homenagem justa que se presta aos fundadores que, sendo eles maioritariamente originários de sectores sociais assim identificados, souberam gerar uma organização abrangente e transversal à sociedade portuguesa.

Quanto ao estilo, há quem goste, há quem o rejeite. Como várias vezes aqui já afirmei não é o meu preferido. No entanto também não tenho pejo em afirmar que o acho mais útil ao clube do que o distanciamento e frieza verificada em alguns dos seus antecessores.

A ligação ao clube por parte dos adeptos é acima de tudo um fenómeno afectivo, geradora de grandes paixões, o que não pode ser negligenciado. Ao contrário do que se possa pensar essa dissonância não me provoca amargura. A minha ligação ao clube está mais que amadurecida e não dependerá nunca de terceiros. O facto de ver Sportinguistas vivendo o clube com paixão supera qualquer desencontro pessoal.

O cumprimento das promessas
O completar de um ano de gestão não deveria ser apenas encarado pela vertente festiva do acontecimento. Seria também um momento de avaliação do que foi feito, do que se pretendia realizar e que, por diversos motivos, tenha ficado por fazer ou que terá que sofrer alterações. Alterações essas que possam decorrer de melhores avaliações da realidade instalada e que, por essa razão, não têm que representar necessariamente o incumprimento do que havia sido prometido.

Neste capitulo, e independentemente da avaliação que cada um queira fazer, julgo que o momento é sempre pontuado pelos resultados desportivos. Vivendo um momento que supera largamente aquelas que seriam as melhores expectativas, poucos serão os que têm de vontade de pegar nas 120 medidas anunciadas em campanha eleitoral e picá-las ponto por ponto para verificar a sua execução. Também não o farei aqui, não é esse o objectivo do post.

Verdade seja dita também que são poucos, do universo dos sócios e adeptos do clube, os que acompanham o clube com esse rigor. Essa relação é ditada pela impressão geral. E nesse âmbito a que prevalece é que a promessa mais importante está a ser cumprida. Essa era a devolver o Sporting ao lugar que merece como clube grande que é. Nesse sentido o mandato não podia estar a correr melhor.

As relações internas
Talvez não seja a expressão mais feliz, mas surge aqui por oposição às relações externas, que abordarei a seguir. Do lado dos corpos sociais tem-se notado vontade de dar conta aos sócios e adeptos das decisões tomadas e do que se pretende fazer. A gestão dessa informação é obviamente feita do ponto de vista mais favorável de quem a gere e tem contado com ajuda preciosa de alguns sectores/meios bem identificados.

A Tasca do Cherba e Cortina Verde são bons exemplos, outros há, que beneficiam de acesso privilegiado à informação. O favor é devolvido em elogios e propaganda. Tirando a parte da propaganda que ofende a inteligência de quem lê algumas das coisas que se vão escrevendo, devo dizer que não me repugnam totalmente esse tipo de relações e de espaços. Dentro da apreciação que acima falava, a ligação ao clube é essencialmente paixão e há que dar combustível para a fazer arder a quem dele precisa.

Neste capitulo preocupa-me o excessivo endeusamento dos sectores mais próximos de Bruno de Carvalho. Um líder precisa tanto de apoio como de espírito critico, mais ainda quando é maioritário. O exercício de cidadania Sportinguista deve estar sempre presente, não apenas para participar, acenar com a cabeça e fazer número, mas também para interrogar, propor e pensar.

Os presidentes passam e clube fica, pelo menos assim se pretende. E se "o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente." Se no passado ocorreram erros que hoje condicionam o clube eles sucederam acima de tudo pelo encolher de ombros e do tradicional "eles é que lá estão, eles é que sabem". Foi dessa forma que se extinguiram modalidades, que se reduziu a pó o património, etc. Ao contrário do que é por vezes o mito urbano entre nós, todas essas decisões contaram com amplo apoio interno, expresso em maiorias confortáveis. Mas nenhuma dessas medidas eram inevitáveis...

Deve-se assinalar também a ausência do ruído de fundo tão habitual em anos anteriores e com origem nos chamados notáveis ou barões do clube. Quando a mim isso explica-se de duas formas: por um lado não há quem, das figuras que marcaram esse tempo, quem queira aparecer, pelos motivos que todos percebemos. Por outro lado, alguns dos que antes apareciam a dizer tudo e o seu contrário, especialmente na Bola Branca e programas afins, ou trabalham agora no Sporting ou foram apoiantes de Bruno de Carvalho e assim se mantêm.

Ainda na frente interna é indiscutível o renascer do espírito leonino na sua vertente mais popular. É importante voltar a ter muita gente ávida do clube, manifestações de orgulho, tanta camisola verde e branca na rua. Isso porém ainda não teve equivalência no nível das assistências dos jogos em casa, que se mantêm nos níveis dos últimos anos. Mais importante do que hostilizar os que não se juntam - não se apanham moscas com vinagre - é importante perceber, de preferência através de informação profissional e sistematizada, as razões dessa relutância. Isto antes de nos lançarmos em novas campanhas de angariação de sócios, desconhecendo para onde deve ser dirigida preferencialmente a mensagem.

O problema pode ser de dimensão - não sermos os tais 3 milhões tantas vezes apregoados - da mensagem, dos destinatários, ou uma conjunção de diversos factores. Seria mais útil e mobilizador, e até do ponto de vista da transparência e planificação, quantificar as metas pretendidas, quer quanto ao número de associados, quer em valor de quotizações necessário para manter as modalidades sustentáveis. Até porque os números avançados relativamente à captação de sócios (média 656 novos sócios por mês) podem até ser considerados surpreendentes se atendermos ao que representa, em termos de atractividade, ser sócio ou apenas ter gamebox.

As relações externas
Há neste capitulo uma evolução positiva assinalável. Há uma clara distinção entre quem são os adversários e quem são os inimigos. E para estes não há meias tintas, conversa mole. O passado e os documentos que dele restaram favorecem a nossa argumentação. Será um capitulo onde o Sporting encontrará imensas dificuldades, pelo que requer pensamento estratégico. Talvez não restasse outra alternativa senão o agitar das águas que se verificou este ano, mas o futuro tem que trazer algo de mais consequente para que se produzam resultados. De outra forma a luta do Sporting pela melhoria das condições em que opera o futebol nacional dificilmente poderá ser levada a sério.

A comunicação
Um dos aspectos que julgo merecia maior taxa de desaprovação por parte dos adeptos era a falta de reacção ou ausência de manifestação por parte do clube, em particular nos momentos em que uma ou outra mais pareciam necessárias na comunicação institucional. Hoje vive-se no extremo oposto, carecendo ainda de encontrar os timings certos e objectividade necessários na profusão de comunicados emanados.

Estou certo que os adeptos preferem assim e que esperam também que o equilíbrio acabe por ser encontrado. Ainda no capitulo da comunicação institucional, e apesar de alguns avanços assinaláveis no melhor entendimento das potencialidades das redes sociais, é indiscutível que há canais importantes que continuam mais ou menos a ser o que eram há 1 ano. A página oficial do clube e o jornal são um bom exemplo disso, replicando os mesmos erros e omissões de sempre.

A grande exposição mediática do presidente também me parece dever ser repensada. Senão essa pelo menos o discurso.

A imagem que um clube projecta quando comunica - e tudo é comunicar - desenha a sua identidade. O discurso muito próximo do que reconheço ser o estilo de Pinto da Costa desgosta-me. Tiradas como "os adversários que comecem a dar mais luta" assemelha-se muito à sobranceria lampiónica. Citar o inefável Manuel Machado "um labrego é um labrego" é não só pouco original como nos torna semelhantes aos demais. O discurso auto-laudatório é de gosto duvidoso e desnecessário: os Sportinguistas têm sido generosos no reconhecimento.
 
Um presidente tão popular entre os sectores etários mais jovens não devia descurar a ideia de que a nossa identidade se constrói pela diferença do exemplo e não pela aproximação à retórica que nos confunde com os outros. Foi essa diferença que permitiu que, nas nossas travessias do deserto, o clube não tenha perdido a capacidade de manter e recrutar adeptos. Confundir-se com os demais é incorrer num risco: nos tempos mais próximos é mais provável que eles continuem a ganhar mais vezes. Sem essa exclusividade quem vai querer ser do Sporting e não dos que ganham mais?

Reorganização administrativo-financeira
Estou demasiado longe para me aperceber do que tem sido a reformulação dos quadros do pessoal administrativo do clube apesar de ouvir o que diz aqui e acolá. Não vou dar asas a rumores mas apenas manifestar um desejo: que essa reformulação não passe de uma mera substituição da "tralha roquetista" pela "tralha brunista", mesmo que mais barata.

Numa organização tão grande como o Sporting seguramente que há muito lugar de favor mas também há muita gente dedicada e competente. Essa é a que normalmente sustenta as organizações para que outros possam existir sem fazer nada. Premiar o mérito é a obrigação.

Na área financeira assinalo a extrema descrição de quem trabalha neste departamento. Do dossier que se estimavam grandes dificuldades, especialmente na relação com os credores sabe-se apenas que os receios eram infundados. No entanto assinalo que a reestruturação financeira está lançada há um ano mas, tanto como me parece, continua por fechar. Matéria que julgo não ter sido objecto de análise na recente reunião com os sócios mas, perante a ausência de noticias, não faria mal fazer o ponto de situação.

É normal os adeptos reagirem com rejeição a estas matérias. Mas a discussão acabará por ser necessária. Agora que o constrangimento do roquetismo já não se coloca, talvez haja finalmente espaço para que essa discussão seja mais centrada nas virtudes dos modelos do que nos aspectos acessórios.

Que modelo de desenvolvimento se pretende para a SAD, pelo menos para o espaço temporal em que se inscreve o actual mandato ? Que estrutura accionista? Onde estão os investidores, o que se lhes oferece e exige em troca?

Estratégia desportiva
A explicação para o sucesso dos actuais órgãos sociais junto dos sócios e adeptos reside aqui, especialmente pelos resultados alcançados. O Sporting é mais do que um clube de futebol mas este é o miocárdio do clube. São os resultados que pontuam a relação que se estabelece entre ele e uma grande parte dos adeptos e se constrói ou esboroa a popularidade dos corpos sociais.

Nas modalidades, porque infelizmente cada vez acompanho com mais dificuldade, assinalo apenas que aos cortes conhecidos não se seguiu a imaginada perda de competitividade, pelo menos no imediato.

No futebol conseguiu-se o feito precisamente o inverso, com o clube a ser competitivo a um nível a que tinha estado arredado há alguns anos. Julgo que tal se deve ao sucesso da estratégia previamente delineada: um núcleo duro de decisão muito restrito - Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio - que resultou na feliz escolha de Leonardo Jardim e na constituição de um plantel coreáceo e bastante focado.

Este é um capitulo que, pela sua importância, merecerá tratamento próprio. Até porque da formação aos quadros profissionais há diversas situações a merecer análise. Esta incidirá nas relações com o mercado, com os jogadores, empresários, as escolhas efectuadas, etc.

Conclusão
Pedia-se "muito pouco" à actual direcção face ao que era a situação em que esta chega ao poder. A verdade é que, se o ano difícil se acabou por revelar mais fácil do que o esperado, isso se deve à sua própria actuação. A impressão generalizada é de aprovação, superação de expectativas, que se estendem não apenas aos adeptos e associados mas também ao exterior, incluindo aos adversários.

O Sporting voltou a ser respeitado. Manter esse respeito - que é muito caro a todos os Sportinguistas - e torná-lo também temido pelo seu valor competitivo, é o grande desafio que se coloca a Bruno de Carvalho e à equipa que o acompanha. Desafio que o próprio já aceitou ao afirmar que para o ano o Sporting se incluirá nos candidatos ao titulo. Com a provável qualificação para a Liga dos Campeões talvez agora se perceba melhor o titulo escolhido para o post. Talvez tenha sido o ano mais fácil para Bruno de Carvalho. Melhor só mesmo tendo sido campeão.
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terça-feira, 1 de Abril de 2014

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A melhor peta do dia das mentiras

A melhor peta do dia das mentiras, provavelmente para fazer jus ao non sense que caracteriza o dia, não é uma, são duas.

Comecemos pela primeira.

Quaresma foi punido com uma mera repreensão por "protesto, atitude incorrecta e outras infracções leves". Devo dizer que estou inteiramente de acordo com a pena, mais euro menos euro, tendo em conta as acusações produzidas.

Fico a aguardar que o castigo por tentativa de agressão seja conhecido antes de se iniciar a próxima jornada mas também compreendo a demora. Afinal não é muito fácil encontrar moldura penal que se ajuste ao sururu protagonizado por Quaresma e que o país futebolístico  foi obrigado a presenciar. 

Imaginemos que o castigo venha a ser 1 jogo como se vai explicar a um miúdo que agora começa a dar os primeiros passos que pode ser obrigado ficar um mês em casa se andar a correr atrás dos adversários para lhes acertar o passo?

Esclareçam lá isso porque só pode mesmo ser mentira que a coisa vai ficar por aqui. É dia 1 de Abril mas não exageremos, o poeta lá dizia que uma mentira para ser verosímil tinha que ter um fundo de verdade e aqui o fundo é falso.

A outra peta é gira que até pode ter direito a música. O Boavista de João Loureiro vai regressar e por via administrativa.

Dá-me um irreal, um imaginário…dá-me um irreal
Dá-me um irreal, um imaginário…dá-me um irreal
Dá-me um ideal, um ar ilusório…dá-me um ideal
Dá-me um ideal, um ar ilusório…dá-me um ideal

Popular, surrealizar por aí
Popular, surrealizar por aí
Popular…
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O que significam 8 pontos de vantagem?

Não podia ter corrido melhor a jornada do passado fim-de-semana no que à luta pelo segundo lugar diz respeito. Já quanto à miragem do primeiro lugar aconteceu precisamente o inverso, acentuando a vitória do SLB ante o SCBraga o carácter cada vez mais quimérico da nossa pretensão ao lugar mais alto do pódio.

A vantagem real do Sporting não é de 8 pontos mas sim de 7, por força da desvantagem nos jogos realizados com o FCPorto. 7 pontos que significam mais ou menos metade dos pontos que ainda falta disputar. 

Um facto que não tenho visto destacado é que o Sporting não perdeu nenhum jogo a não ser com os seus rivais. Dessa forma, e ao contrário do que aconteceu várias vezes em anos anteriores, nunca perdeu nenhum jogo de forma consecutiva, o que diz bem da consistência dos resultados e da carreira da equipa.

Os momentos mais críticos viveu-os entre o empate com o Nacional em casa (jornada 14) e a derrota na Luz (jornada 18), onde coleccionou apenas um vitória. Esta somou-se a 3 empates e uma derrota, equivalendo à perda de 9 dos 15 pontos em disputa.

Faltam neste momento cinco jogos para o final do campeonato (o que equivale a 15 pontos em disputa):

Paços de Ferreira (f); 
Gil Vicente(c), 
Belenenses(f)
Nacional(f)
Estoril(c)
Pode a vantagem ainda ser anulada? 

Que influência terá no comportamento do principal adversário o facto de o 2º lugar ter ficado mais distante e as restantes provas onde pode ganhar alguma coisa lhe sobrecarregarem o calendário?

Tratando-se de futebol é evidente que tudo pode, não me parece porém muito provável. A acontecer significaria um desvio telúrico daquela que tem sido a trajectória da equipa. Três vitórias em cinco jogos resolveriam a questão. Contudo nenhuma delas se afigura fácil. 

O Paços de Ferreira não está completamente seguro de não cair na zona de despromoção. Aí está o Belenenses que, se chegar vivo ao embate connosco fará do jogo uma questão de vida ou morte. Nacional e Estoril são das melhores equipas da presente competição e degladiam-se entre si pelo primeiro lugar logo a seguir ao pódio, com vantagem para os canarinhos que não enjeitariam um pouco mais se o FCPorto facilitar. Só o jogo com o Gil Vicente aparenta mais tranquilidade mas, como se sabe, as aparências iludem.

Nota: espero amanhã publicar o post anteriormente prometido sobre o ano de mandato da actual direcção.
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domingo, 30 de Março de 2014

Dificil, fraquinho, mas saboroso

Não foi nada fácil arrecadar os 3 pontos em disputa na recepção ao Vitória de Guimarães. A verdade é que não há jogos fáceis na Liga Zon Sagres, o grau de dificuldade depende sempre do desempenho de todos os intervenientes e, no caso de ontem, a regra manteve-se. E ontem nem o Sporting esteve ao melhor nível nem o Vitória lhe facilitou a tarefa. 

Foi dos jogos menos conseguidos este ano em casa e quando não se joga bem a vitória fica sempre mais difícil de alcançar. Salvou-se o espírito da equipa que, mesmo sem usar dos melhores processos, nunca abdicou de procurar o golo. Quando o conseguiu nem sempre defendeu como devia nem explorou o adiantamento do adversário com a eficácia necessária, mas não abdicou de lutar. Foi esse espírito que acabou por ser determinante para o desfecho final.

A equipa de Rui Vitória não é um primor de execução técnica, muito pelas limitações do seu plantel mas, por mérito indiscutível do seu técnico, é das equipas que melhor explora as fraquezas dos adversários. Quando, como ontem, o resultado não se define, a equipa cresce e acredita, tornando-se num adversário incómodo.

Da parte do Sporting muita dificuldade em saber lidar com as solicitações longas para os avançados e em pressionar as saidas com a bola jogada de pé para pé. Apesar disso o Sporting esteve melhor, muito melhor e mais seguro, a controlar o jogo ofensivo do adversário do que a na organização do seu ataque. Aí o Sporting nunca se sentiu confortável perante a boa organização do adversário. Extremos muito distantes de Slimani e sem o conseguir servir pela via que ele é mais eficaz, a via aérea. Os ataques sucediam-se mas sem grande perigo. Pouca presença na área e mesmo na zona central, o que torna mais difícil a ocorrência de perigo e dos desejados golos.

Mané bem merecia melhor companhia na frente. Capel continua desinspirado e Heldon, à semelhança de registos anteriores, sem justificar a titularidade. Com Slimani o Sporting perde grande capacidade de progressão. O forte do argelino é o jogo aéreo mas o nível técnico não o ajuda a segurar uma bola ou a executar passes precisos. Na área, quando a bola se joga pelo chão, perde-se muitas vezes no meio dos centrais, nem sempre decidindo bem quando é melhor procurar o primeiro poste, o segundo, dar um passo  frente ou atrás. Para quem tem de fazer a assistência a missão fica extremamente dificultada porque não o vê. 

Já aqui tinha afirmado em post anterior que me parece que o nosso futebol perde em tê-lo como primeira opção, por ficar limitado a pouco mais do que despejar bolas para a molhada. A aleatoriedade desse tipo de lances não favorece as nossas pretensões. Montero tem muito mais a oferecer e perde apenas no capitulo do jogo aéreo. Provavelmente a presença dos dois, o tal plano B de que tanto se falou, é mais vantojoso, quer para o jogo de ambos quer para a equipa. A menos que Leonardo Jardim antecipe que as finalizações do colombiano vão ser irremediavelmente consideradas ilegais.

Esperam-nos 5 finais. A equipa dá ares de estar esticada ao limite no que a soluções para o seu jogo diz respeito. Estas circunstâncias tornam os 3 pontos conseguidos extremamente saborosos. A necessidade assim o determina, quando se precisa o fraquinho e difícil é muito bom.

Uma palavra final para a arbitragem: incompetente. No entanto não creio que haja razões para nos queixarmos, atendendo a que poderíamos ter terminado o jogo com 9 jogadores e isso poderia muito bem significar uma história final muito diferente da que agora se escreve.
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sexta-feira, 28 de Março de 2014

O que ficou da espuma da entrevista de Bruno de Carvalho

Por razões que se prendem com a minha vida pessoal não me tem sobrado muito tempo para dedicar à actualização do blogue da forma que gostaria. É essa a razão de fundo, porque não me faltam assuntos para escrever novos posts ou interagir com os leitores. Um dos temas obrigatórios teria que ser o ciclo de um ano de presidência de Bruno de Carvalho que agora se completa. Espero poder fazê-lo já durante a semana e deixá-lo aqui a quem faz o favor de ler e quiser debater.

A data tem sido assinalada pela generalidade dos blogues leoninos e como é óbvio pela comunicação social. Foi isso que aconteceu ontem (escrevo o post após a entrevista) com Bruno Carvalho a ser entrevistado pela TVI.

Mais do que um debate sobre o que foram os últimos 12 meses da vida do nosso clube o acontecimento tem surgido mais como uma comemoração. A isso não será alheio o momento da vida do clube, com os resultados que ninguém se atreveria a prever (não apenas há um ano, mas até mesmo há seis meses, quando a época se iniciou) a destacarem-se, influenciando as análises e absorvendo praticamente as restantes matérias. Dificilmente poderia ser de outra forma.

O percurso do Sporting no último ano tornou-se um assunto incontornável para os média. Mas para quem segue a vida do clube com atenção e de perto a entrevista não trouxe praticamente nada de novo. O modelo procura sobretudo satisfazer os interesses dos promotores, neste caso a TVI, na procura de audiências. Infelizmente o conhecimento das matérias é muito superficial e assim decorre a abordagem ao entrevistado. Daí que grande parte do tempo foi consumido a falar dos dossiers mais mediáticos, como as relações com os rivais, com a arbitragem, etc.

Bruno de Carvalho vive o seu melhor momento como presidente do clube, sente-se respaldado pelos adeptos, pelo que está como peixe na água neste modelo, dominando a quase hora e meia que durou a entrevista. A dada altura quem parecia mais incomodado era o entrevistador e não o entrevistado.

Do muito que foi dito o que me mereceu particular atenção, e de certa forma me surpreendeu, foi a revelação da manutenção do orçamento de 25 milhões. Neste contexto foram estas as palavras do presidente:

"Vamos estar mais bem preparados do que os restantes. O objectivo passa por fazer melhor com menos recursos, aquilo que se dizia que não se podia fazer. Passou um ano e está-se provado que se consegue fazer."

Convém recordar que 25 milhões é pouco mais do que o orçamento do SCBraga e pouco mais do que 1/4 do orçamento de FCP e SLB. Julgo que todos entenderam as razões pelas quais o Sporting teve que reduzir custos. Sabemos que o Sporting não pode igualar os orçamentos de FCP e SLB mas julgo que também ninguém duvida que a diferença de orçamentos também se reflecte no que as equipas fazem em campo. 

A minha dúvida é como é que o Sporting vai abordar o próximo ano a fase de grupos da Liga dos Campeões - que todos desejamos  se confirme - e a candidatura ao campeonato nacional, ontem já assumida por Bruno de Carvalho. 

Isto é, como é que o Sporting promoverá a melhoria necessária do seu plantel, quando esta terá obrigatoriamente que ser feita em quantidade - por força dos muitos mais jogos que terá que realizar - mas também em qualidade, mantendo o mesmo orçamento, mesmo que possa vir a contar com receitas extraordinárias com a alienação de alguns activos, leia-se jogadores. 

Adenda: Tendo-me sido colocada a questão de a verba acima referida, os 25 milhões, serem respeitantes à totalidade do orçamento - o meu entendimento, reforçado pelo que entretanto foi veiculado pela C.S. - ou apenas à despesa com pessoal, aproveitei a hora de almoço para rever a parte da entrevista que lhe dizia respeito. Aí constatei que a referência feita por Bruno de Carvalho foi a despesas com pessoal, após elencar as verbas respeitantes aos anos transactos. Feita a devida correcção, creio que a mesma não altera substancialmente o raciocinio expresso no post: 

Pode o Sporting aumentar a sua competitividade, face aos compromissos que tem e face aos seus adversários directos, mantendo o mesmo orçamento de uma época com os contornos excepcionais como a que decorre?
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quinta-feira, 27 de Março de 2014

Sobre William Carvalho e a naturalização/convocação de Fernando

Será com certeza um dos pontos polémicos da convocatória de Paulo Bento: a chamada de William Carvalho e a convocação ou não de Fernando, jogador do FCPorto.

A não convocação de William é neste momento uma não-hipótese. O que o jogador vem fazendo na época em curso garante-lhe um lugar nos 23 convocados. Ninguém no seu perfeito juízo admitirá outra possibilidade. No seu perfeito juízo, que goste da selecção nacional e que entenda que nesta devem estar os melhores jogadores num dado momento, independentemente do que possam ser os interesses dos clubes de origem dos atletas. 

Há outra questão que se podia colocar como óbice à convocatória de William: a possível presença de Fernando. Contudo não acho que esta o seja. Serão provavelmente os melhores naquela posição, "os que ofereçam melhores garantias ao seleccionador". 

Aqui devo dizer que se a questão for apenas o valor dos jogadores, em condição normais o luso-brasileiro leva vantagem. Se dúvidas houvesse, bastava ver o que jogou ontem no clássico, naquele que foi o regresso ao seu melhor, depois de uma época muito abaixo do que pode e sabe fazer. Dificilmente não será considerado o melhor naquela posição em Portugal e um dos melhores no computo geral dos campeonatos europeus. 

A comparação, que pode "fazer impressão" a alguns, nada tem de depreciativa para William Carvalho, bem antes pelo contrário. O William de hoje é bem melhor do que o jogador que Leonardo Jardim começou a adaptar à posição no inicio do campeonato. A forma célere como evoluiu diz muito da visão do treinador mas também das qualidades do jogador.

Não há agora apenas mais à-vontade (segurança? experiência?) no desempenho do lugar. Há uma evolução notória na forma como interpreta as suas funções, nomeadamente na ocupação dos espaços, na gestão da posse de bola - se deve soltar rápido ou temporizar, permitindo a equipa subir -  na qualidade do passe, qualquer que seja a opção que tome: passe curto, longo, de ruptura, etc. São cada vez mais visíveis aparições em sectores mais avançados do terreno, fornecendo apoios ou aparecendo a explorar espaços entre linhas, em particular em jogos com adversários menos habilitados.

É contudo nos momentos defensivos que ainda denota ter algum caminho a percorrer. Sobretudo no capitulo da agressividade sobre a bola onde, contudo, já denota também progressos assinaláveis em relação ao comportamento revelado no inicio do campeonato. Porém, ainda distante do que é o desempenho de Fernando neste capitulo e ontem foi um dia bom para o constatar. 

Acontece que Fernando, com a idade de William, andava também ele a dar os primeiros passos, depois do empréstimo ao Estrela da Amadora. Trajecto que teve que cumprir no complemento da sua formação para melhor adequação às necessidades do futebol europeu, bem diferentes das que havia crescido. Não era então o jogador que hoje é. Ninguém pode negar que William, quando tiver os 26 anos que hoje Fernando tem, não seja tão bom ou melhor que o luso-brasileiro. Neste capitulo será decisivo o próximo passo, onde se afigura difícil a permanência no Sporting. 

O dinheiro com certeza ditará a sua lei. Porém, no estrito sentido do interesse do jogador e da sua carreira, não tenho pejo em afirmar que essa, a permanência, será bem melhor do que um ManUtd de Moyes em reconstrução, depois do desastre que se avizinha. Ou de um Mónaco cheio de dinheiro mas quem o gere não percebe ainda o essencial: o papel de um treinador é determinante para o sucesso de um projecto e meter continuamente dinheiro na fornalha só resolve os problemas de quem vive à volta dela e não propriamente da dita. Ficará para outra ocasião aquele que me parece ser o valor a cobrar pelo Sporting numa futura transferência. Isto para não divergir mais do ponto principal.

A questão essencial nesta matéria da convocação ou não de Fernando/William não tem nada a ver com o valor individual de cada um deles ou do seu valor relativo. Assim como a convocação de Rui Patrício com o valor de Artur ou Helton. Ou a de Bruno Alves com Maicon e por aí fora. Nem tem qualquer semelhança com o caso de Pepe que, ao contrário de Fernando, não é internacional brasileiro nos escalões de formação. E, também em trajectória oposta expressa em declarações, quando disse inequivocamente que preferia a "amarelinha", Pepe demonstrou sempre com clareza querer ser internacional português. 

Não há aqui qualquer chauvinismo, trata-se de escolhas bem claras que devem ser assumidas. Não duvido da sinceridade de Fernando em relação à "amarelinha", mas ao deixar falar o coração, o que se compreende, tornou claro que qualquer outra escolha é de mera conveniência. O moço aí que me perdoe mas ainda sou dos que acho que a camisola do meu País é para se vestir com o coração.

Claro que esta é uma matéria sensível. Ao contrário do que se vai dizendo por aí, ainda vou acreditando em Paulo Bento. Dizer isto desta forma é abrir a porta a outra eventualidade, bem sei. Mas tendo a confiar porque não vejo um Paulo Bento comprável. Pelo menos o que conheci dos seus tempos de Sporting, não me parecendo que traços de personalidade tão vincados como os que então demonstrou possam ser facilmente reciclados.

Como dizia alguém, o mais importante que se diz numa frase vem sempre a seguir ao "mas". E o "mas" aqui são os interesses de quem detém o dinheiro e de quem anda à procura dele, como quase sempre no futebol. Não é por acaso que, mesmo de forma timida, se vá notando um certo spin à volta da matéria. Ainda há dias o inefável Jaime Pacheco perorava sobre as virtudes de contar com Quaresma e Fernando. O próprio Fernando não mudou a agulha porque de repente passou a gostar mais da cidade do Porto ou de viajar pelo Pais. Eles todos sabem o que representa uma presença no Mundial num alienar de direitos ou na assinatura de um novo contrato.
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No estágio da selecção nacional só entra alface roxa

Já circulam por aí os novo equipamentos da selecção nacional, entre os quais o alternativo. Devo dizer desde já que gosto do equipamento. Azul e branco é uma das minha combinações preferidas para roupa interior e o mesmo posso dizer da lingerie, que não uso, mas gosto de ver usar. 

O novo equipamento entretanto dado a conhecer será com certeza um sucesso em alguns quadrantes ligados àquela conjugação de cores. Estão mesmo a ver de quem estou a falar, não estão? Exactassimamente, os monárquicos, contra os quais nada tenho contra, nem a favor, bem antes pelo contrário. 

Só espero que a ausência de verde - os vivos azuis no equipamento poderiam fazer todo o sentido serem verdes, atendendo a que a selecção nacional representa a Republica Portuguesa... - não confirme a hipótese de, na FPF e demais organismos que superintendem o futebol nacional,  sofrerem de terríveis achaques por alergia à cor verde. 

O problema é de tal forma grave que, segundo informações que não conseguimos confirmar, já se equaciona a hipótese de, nas ementas da selecção nacional nos estágios que antecederão o Mundial e os que ocorrerão no decurso do mesmo a alface a usar será apenas a bem conhecida e não menos gostosa alface roxa. O  mesmo acontecerá com os pimentos, que serão apenas de cor vermelha os permitidos.

Para resolver os problemas decorrentes da utilização de outros legumes essenciais numa boa dieta a FPF tem já em estudo diversas propostas de renomados cientistas nacionais e estrangeiros que se propõem dotar os demais legumes, que teimosamente continuam a nascer verdes, de uma pigmentação mais de acordo com o actual quadro clínico  da federação.
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terça-feira, 25 de Março de 2014

A coacção e o futebol que temos

video

Há poucos dias a sentença de um tribunal alemão caiu com estrondo: Hoeness, "apenas" o presidente do maior clube daquele país, um dos maiores clubes mundiais e antigo internacional cumulado de êxitos, era condenado a três anos de prisão por fuga ao fisco, prática que ocorreu no decurso da sua actividade de dirigente do clube bávaro. Pensava-se que o estrondo era grande mas maior foi ainda sua decisão: não recorrer e acata-la. Se a decisão se mantiver cumprirá 3(!) anos de cadeia, ou equivalente, uma vez que é provável que a sentença não seja cumprida na integra e possa beneficiar das amnistias habituais por bom comportamento. Mas cumprirá tempo certamente.

Obviamente que tal seria muito difícil de ocorrer em Portugal. Desde logo porque um crime de evasão fiscal só tem sentenças aplicadas a "pilha-galinhas" e não a quem vive com a boca e as mãos no pote das bolachas. Mas adiante, que este não é o local para grandes delongas sobre o tema. 
Mas estamos a falar do país que assistiu já a diversos escândalos da arbitragem, devidamente comprovados e conhecidos de todos, sempre com o mesmo protagonista. Ao contrário do que acontece noutras paragens, ao invés de, pelo menos uma semana que fosse, lhe fosse concedida estadia paga e uma nova perspectiva de vida através de quadradinhos, ainda se permite lições de moral. É provável até que, a julgar pelos recentes desenvolvimentos, que ainda venha a ser indemnizado.

Hoje Jaime Pacheco veio exortar ao presidente do Sporting para que não arraste o futebol pela lama. Antes ainda teve tempo para fazer lobying para a presença de Fernando e Quaresma no Mundial. 
Eu até compreendo que um treinador como ele não tenha melhores argumentos para exibir numa palestra de treinadores, porque todos sabemos das qualidades exibidas pelas suas equipas e como conseguiu chegar ao titulo nacional. Mas é caso para lhe perguntar, parafraseando Baptista Bastos, "onde estavas tu meu menino no Apito Dourado?"

Quanto à coacção que o FCP acusa o Sporting, "largos dias têm 30 anos". Desses dias podemos sempre retirar um qualquer episódio para lembrar quem é o quê no futebol português.

Nota: o video e o artigo de onde tem origem podem ser vistos aqui, com os agradecimentos a quem enviou o link.
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segunda-feira, 24 de Março de 2014

Sobre os 70 pontos possíveis e o futuro que aí vem

Nota: Apeteceu-me fazer esta partida ao meu amigo LMGM e promover o comentário dele no post anterior a post. E digam lá se não merece...

Ponto prévio, é criminoso dizer que qualquer jogador deste grupo não rende perante a enormidade daquilo que estão a fazer esta época... Mesmo sendo verdade :)

É perante a contradição do meu ponto prévio que nós vivemos, faltam 6 jogos e 18 pontos, no inicio da época, disse aquilo por que gostaria que o Sporting lutasse este ano... 70 pontos. Era (e é) sob qualquer ponto de vista um objectivo utópico, algo que necessita de todas as superações para ser atingido... e não é que a seis jogos do final a utopia ainda é possível... e até superá-la!

E ainda, os dois melhores jogos da época (não só nossos, de todas as competições) ditaram o nosso afastamento das taças, no clássico da taça da liga os números são tão avassaladores que são o melhor exemplo de que no futebol a lógica é uma batata, como foi possível não vencer aquele jogo e vencer o clássico do campeonato num jogo fraco de ambas as equipas?...

Mas, convém descer à terra, este rendimento é o mínimo que podemos ter para tentar lutar por títulos e acrescido de jogos europeus, sendo que, mesmo assim, não são garantidos (muito pelo contrário).

Cada vez mais se fala de vendas e de verbas gordas a entrar em Alvalade, numa equipa que está a render a este nível os reforços têm de ser de enorme valia, os locais fundamentais para mim são, centro da defesa, é provável que Rojo saia o que possibilita refazer a dupla central, não há nada a apontar a Maurício e Dier, nem sequer a Semedo quando veio de emergência ajudar a equipa, mas todos sabemos o que é ter ali um Luisinho, um Valckx, um André Cruz, ou ... o Rojo.

Meio-campo, se William sair, sonho que não saia, não só porque vai ser extremamente difícil de substituir mas principalmente porque não vai ser titular do tubarão para onde for e vai atrasar o seu desenvolvimento e estatuto, mais um ano ao nosso serviço, na montra da Champions e ... o Messi que tenha cuidado :)) Mas se sair todo o meio-campo será repensado, João Mário, Zezinho, Rinaudo, Elias, são opções da casa, Shikabala tem contrato de longa duração, quem e que tipo de jogadores para asfixiar adversários e dar aos nossos atacantes mais oportunidades para facturar. No mínimo melhores que André Martins, certo? Pois, e quem?

No centro do ataque o mundo é cor de rosa, esta quebra de rendimento de jogadores vindos da América na segunda fase do campeonato no seu primeiro ano é normal (não tiveram férias), se conseguirmos segurar Slimani e Montero é menos uma dor de cabeça num sector fundamental, mas as laterais precisam de upgrade, Heldon não trouxe nada que já não tivéssemos, Carrillo não explode, Wilson dá tudo o que tem mas nunca será mágico e Capel é o Heldon com o carinho dos adeptos.

Muito para trabalhar, se este ano 70 pontos era uma utopia no próximo já é uma cobrança normal a fazer a este conjunto, não seja ele estraçalhado por ofertas milionárias.

Ah, e não contem com Paulo Fonseca ou com equipas adversárias fracas, nós é que ainda temos muito para melhorar.


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domingo, 23 de Março de 2014

3 pontos desencravados na Madeira

Imagem MaisFutebol
Uma vitória muito saborosa, num terreno habitualmente muito difícil, foi o saldo da viagem há Madeira. Ao contrário do que o resultado algo dilatado para um jogo fora possa querer indicar não conseguido com facilidade, tendo em muitos momentos parecido muito difícil segurar. Com isto não coloco em causa a justiça da vitória, o Sporting foi a única equipa que, pelo que fez em campo, a justificou. Mas as dificuldades sentidas em alguns momentos, em especial na 2ª parte, contribuíram para a incerteza no desfecho. Resultaram sobretudo de uma postura um pouco atípica, tendo em conta o que Jardim já demonstrou ser a sua preferência relativamente ao controlo do jogo e dos adversários. 

Para melhor exemplificar o que pretendo dizer com o parágrafo acima, olhe-se para o que se fez no jogo anterior com o FCP, uma equipa infinitamente superior ao Marítimo. Se, nesse jogo, o Sporting permitisse as mesmas veleidades que ontem permitiu, dificilmente teria conseguido registar o resultado então alcançado. E o mesmo se poderá desde já dizer, em jeito de antecipação, sobre a próxima viagem Nacional à Madeira...

O jogo não podia começar melhor. Pressionante, por via das linhas mais subidas - beneficiando da acção de um Mané endiabrado, jogando muito bem no espaço existente entre linhas, com incursões muito rectilíneas e bola controlada - o Sporting deixava o Marítimo em aflição a cada ataque. O penalty, que iria corresponder à inauguração do marcador, deve-se-lhe a uma dessas jogadas. Porém, um erro colectivo, permitindo uma transição rapidíssima em superioridade numérica, depressa anulou a vantagem conseguida. Tal resultou de uma perda de bola, da incompreensível saída à queima de Jefferson, quando se lhe pedia contenção, e da falta de acompanhamento de Mané ao homem que lhe competia seguir. O golo foi uma espécie de penalty corrido, muito difícil de contrariar para Patrício. Excepção feita a este lance a primeira parte decorreria sem grandes sobressaltos para nós e sempre mais difícil para os da casa.

O mesmo não ocorreria na segunda metade. Pedro Martins jogou as cartas que tinha e apostou no que melhor sabe fazer: para a frente e em força, futebol directo. Beneficiou e em muito com a permissão de Slimani aos centrais para iniciar o jogo, no que foi acompanhado pela generalidade da equipa. Chegava a ser confrangedor ver o sector recuado tão tosco como o do Maritimo ter o à vontade para se tornar preponderante. Foi a fase masoquista do nosso jogo, que teve pelo menos o mérito de demonstrar que sabemos sofrer e esperar pela melhor oportunidade. Para bem do nosso coração, esperemos que o façam poucas vezes. De preferência mais nenhuma.

Uma palavra para Jardim, que mais tarde ou mais cedo se transformará num post a ele dedicado em exclusivo. O seu mérito nesta campanha é indiscutível. Mas é indiscutível também que os pontos alcançados, em particular os dos últimos meses, têm sido conseguidos contra o que parece por vezes o mais óbvio, natural ou mais sensato. O jogo de ontem é um bom exemplo. Era tudo menos um jogo para Slimani. O argelino, a quem devemos muitos golos que significaram pontos, tem na cabeça a sua principal arma. No meio das torres/centrais do Marítimo, ainda por cima com má relação com a bola nos pés, pedia-se bola no chão, leia-se Montero. Além disso deu tudo o tempo do mundo a Martins para mexer como quis, enquanto a equipa ia abanando, apesar de não cair. Porém o que conta para a história é a vitória e os três pontos e é isso que contará para a validação das suas opções: o resultado.

Segue-se uma breve apreciação de cariz individual, apreciação que esbate o principal mérito desta equipa: a sua força colectiva.

Patricio - Foi mais o fumo que o fogo o que se passou na sua frente. Sempre que chamado a trabalho esteve bem. O golo sofrido é, como dito acima, um penalty corrido, marcado poucos metros atrás do ponto das penalidades ditas normais.

Cédric - Sem grandes falhas a defender, isto sem poder contar com grande ajuda de Heldon, esteve desastrado a centrar. Com um jogador como Slimani na frente este aspecto conta muito para a apreciação geral do seu trabalho.

Jefferson - Muito distante do nível que exibiu antes de se ter lesionado. Acumula falhas defensivas com pouco acerto nas participações ofensivas. Porém ontem acabou por se redimir da falha inicial, sendo decisivo para o resultado e tranquilidade finais.

Maurício - Jogo muito sofrido e nem sempre com grande acerto, especialmente no jogo aéreo e na vigilância a Derlei, aspecto onde vinha evidenciando algum à vontade.

Rojo - Segundo jogo de folha limpa, sem falhas que se lhe possam imputar e que ainda teve tempo para ir apagando uns fogos de ambos os lados.

William - Menos participativo do que habitual, mas mais decisivo do que anteriormente. O paradoxo explica-se pelo jogo adversário, e pela sua preferência pelo futebol directo, evitando quase sempre a sua zona de influência, onde esteve como sempre. Mas marcou um golo crucial, num momento em que o jogo estava tudo menos decidido.

Adrien - Talvez seja o jogador que mais sofre com a entrada de Mané. Pede-se-lhe ainda mais contenção, recuperação de bola, o que talvez seja pedir muito para se exigir aquilo que lhe parece faltar: ser mais influente nas decisões que toma com a bola nos pés, em particular na incorporação nas acções atacantes. E é isso que talvez o esteja a separar da convocatória de Paulo Bento.

Mané - Já disse quase tudo acima. É indiscutível que acrescenta imprevisibilidade ao nosso jogo, que Martins não consegue e de quem nem é sensato esperar. O reverso da medalha são os metros de disponibilidade para os adversários no nosso meio-campo, porque não ocupa os espaços necessários quando chamado a defender. Tem tudo para crescer e tornar-se ainda mais importante.

Heldon - Fraquinho, muito fraquinho. Não defende, não assiste, sendo cada vez mais notória a sua obsessão egoísta por marcar um golo, em prejuízo das necessidades e melhores possibilidades do colectivo. Se, como todos desejamos, a Champions League for uma realidade, mais notória será a sua falta de qualidade para uma equipa com as exigências e ambições do Sporting.

Capel - Perdeu fulgor e aparentemente também ânimo. É um jogador acima de tudo de ânimos, o ocaso a que foi sujeito não parece ter-lhe caído bem. 

Slimani - Também já muito foi dito acima. Marcou mais um golo, mais uma vez mal anulado, mas já na presença de Montero e tirando partido da sua assistência. Saliente-se o esforço e entrega totais, mas não era um jogo para ele.

Carillo - Por força dos concertos de assobio a que frequentemente é sujeito, é compreensível que Jardim lhe destine o banco nos jogos em casa. Nos jogos fora já dificilmente o entendo. Não que a sua inconsistência não me irrite como uma úlcera duodenal aguda ma, mesmo quando tal acontece, sobra a esperança de um qualquer momento de magia. Ser suplente de Heldon é um crime lesa futebol.

Montero - Fez uma assistência que não contou. Ele próprio tem contado pouco, bem menos do que pode contar. 

Vítor -Entrou mais tarde do que talvez fosse recomendado. Para contrariar o jogo directo do Marítimo era necessário roubar a bola e mantê-la no nosso poder. Ele e Montero teriam sido fundamentais para atalhar o sofrimento desnecessário.

Arbitragem - Um bom exemplo do que é a má vontade de um árbitro para com uma equipa. Critério(?) desastroso nos amarelos e mais um golo limpo anulado. Se marcou fora-de-jogo fez mal, porque o assistente não levantou a bandeirola. Como não foi falta não se percebe o que viu. E se em vez do quarto golo fosse o golo do desempate naquela altura? Num jogo sem outros casos senão aqueles que ele próprio criou.

Uma última nota para a vitória. Num campo difícil, onde nos últimos tempos, coleccionamos muitos desaires. O facto de os nossos rivais ali terem soçobrado diz bem da dificuldade da tarefa e da importância do resultado. Mas, ao contrário do que já vi por aí propagandeado, não serve de consolo para coisa nenhuma. Talvez o fosse para outros sportings, mas não para o Sporting Clube de Portugal. Ganhar ao Marítimo deve ser considerado tão normal como é anormal não estarmos nas competições europeias. 
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quarta-feira, 19 de Março de 2014

| 6 Comentários |

Uma pergunta

 
A equipa adversária anda a treinar a comédia via comunicados, do seu "Ensaio sobre a Cegueira" mais recente retiro a seguinte frase, "...uma empresa comprou um camarote por dez mil euros e cedeu-o ao FC Porto, para que a Administração pudesse assistir toda junta à partida." e fico com uma dúvida, corrupção ou tráfico de influências?
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terça-feira, 18 de Março de 2014

O problema crucial da arbitragem portuguesa e o Sporting

Afirmar que a arbitragem é de há muito um problema para o futebol português é uma evidência que ninguém contestará. 

Provavelmente será até mais correcto afirmar que a arbitragem é um rol de problemas. E, nesse rol de problemas, encontramos pontos de contacto com as mesmas enfermidades que afectam os nossos congéneres por todo o mundo. A arbitragem fez poucos esforços e sobretudo pouco consistentes para acompanhar quer a evolução do futebol e despreza a ajuda que a tecnologia podia oferecer. Pior do que isso é nem sequer abrir a discussão a todos os intervenientes, ou não olhar ao que já se faz à sua volta noutras modalidades, preferindo o "ditctat" autista do International Board.

Não sou um "maluquinho das novas tecnologias" no futebol mas entendo que essa discussão deve existir. Quem vê os jogos do Torneio das 6 Nações e constata a forma limpa e expedita como se resolvem, a contento de todas as partes, as dúvidas que ocorrem durante o jogo, não pode deixar de se interrogar no quão benéfico poderia ser para o futebol a utilização de uma solução semelhante.

A suspeição e a crença em "teorias da conspiração" sofreria um sério revés. Ambas existem em todos os campeonatos, nacionais e internacionais, e relutância da FIFA em abrir essa discussão é o principal fermento para a sua existência: a percepção generalizada entre os adeptos é a de não quer abrir mão por não querer deixar de mexer nos cordelinhos quando e como lhe apetecer, o que muitos pensam ser prática comum.

Se o problema da suspeição é generalizado no caso do futebol português é enraizado. E, por muito que alguns se vistam de Nereidas (as da Ilha dos Amores, de Camões, se fosse a ex do Ronaldo seria mais apropriado falar em despir-se...) e toquem as suas harpas, a suspeição justifica-se. Não se trata de suspeição com base em efabulações, mas fundada em realidades muito concretas e largamente documentadas. Ao invés de aproveitar as oportunidades para se refazer, o futebol português varre o lixo para debaixo do tapete, mas o seu cheiro continua a empestar o ambiente. A desconfiança que gera impede a distinção necessária e saudável entre o erro e o dolo, o engano e a incompetência pura e dura. 

Os organismos que tutelam o futebol e os clubes que o alimentam estão longe de demonstrar vontade em alterar o status quo. Ou porque estão presos pelo dinheiro que já receberam - caso da Olivedesportos, uma das eminências pardas do futebol - ou por receio das represálias que poderiam resultar da oposição ao "poder" corporizado pelo FCP (e muito apetecido pelo SLB), os clubes têm preferido empurrar o problema com barriga. Os esforços ficam-se pelo esforço para fazer que não vêem ou para não tropeçar no dragão no meio da sala. A "Glasnost" sempre tanto prometida como adiada continua por fazer mas é cada vez mais necessária. 

Porém, ela dificilmente  acontecerá enquanto Pinto da Costa, Adelino Caldeira, Reinaldo Telles, Joaquim Pinheiro (o seu irmão que nunca aparece mas continua a fazer o trabalho sujo)  estiverem entre o palco e os bastidores. Como certamente ninguém imaginaria que o Alves dos Reis pudesse continuar a sua actividade no Banco de Angola e Metrópole e que a confiança no sistema bancário sararia com o passar do tempo, como se uma gripe se tratasse. Era porém o que teria acontecido se o burlão pudesse contar com homens da sua confiança nos órgãos jurisdicionais da actividade, como tem acontecido, apesar das evidências, com os supracitados.

E onde fica o Sporting no meio disto? 

Até agora, de fora e a ser posto na linha sempre que parece um pouco mais capaz de oferecer concorrência. É um pouco isso que muitos adeptos sentem que se está a passar este ano. Enquanto parecia apenas um patinho mais ou menos desengonçado e não era levado a sério ia sendo beneficiado aqui, prejudicado acolá. 

Quando o campeonato começou a chegar ao momento definidor e a carreira da equipa obrigava a olhá-la como um dos demais cisnes, começaram os erros já difíceis de enquadrar no engano ou mera incompetência, sobretudo Rio Ave, Nacional e Setúbal.  Um processo muito semelhante ao ocorrido no início da época 2011-2012, com a reacção corporativa mais abjecta que me lembro nos muitos anos que vejo futebol. Ficou claro de que lado estavam os árbitros que, sintomaticamente, se interessavam apenas pela justificação dos erros.

Pode esta percepção estar a ser enviesada pela suspeição e os resultados estarem a ser os que ocorrem por força da valia das equipas?

Eventualmente. Penso várias vezes em todas as possibilidades e quando me sinto inclinado a aceitar essa hipótese sinto-me um pouco como o Capuchinho... Verde, a olhar para o lobo mau, a elogiar-lhe os olhos e boca grandes, antes dele me abocanhar.

Não me posso pronunciar sobre a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho, onde foram analisadas as ocorrências do clássico, porque o tempo não me permitiu a sua visualização. Mas, mesmo sem ainda a ter visto, facilmente intuo, todos o fizeram, que ela tinha ganho carácter mandatório por força do que foi o discurso oficial do clube nos dias que antecederam o clássico. 

É este colocar entre a espada e a parede que a estratégia que o Sporting adoptou que merece a penas reflectir sobre o que fazer a seguir. O movimento Basta é a tomada de posição dos adeptos, mas, além de  um grito de revolta indignação legítimo, não se esperam nenhumas consequências práticas. As tomadas de posição oficiais mais não visam e, no momento actual, mais não podem fazer, do que manifestar a mesma indignação e revolta. Quiçá também pressionar os árbitros a serem mais cuidadosos, faltando saber a que resultados conduzirá.

Quando o Sporting anuncia ir proceder criminalmente contra todos os árbitros que o prejudicam está a encurralar-se a si próprio num labirinto do qual não se sabe como poderá sair. Sem falar na infelicidade que é invocar a época passada, pergunta-se o que vai fazer aos que, mesmo que poucos, o beneficiaram?

O caminho é aqui muito estreito e o pior que o Sporting pode querer é ver-se enleado numa teia de demagógica e de contradições que lhe retire ou diminua a sua melhor arma: a legitimidade das suas reivindicações.

A repensar.
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