Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Era impossível, mas nunca merecemos tanto ganhar

Nos grandes jogo, os erros pagam-se caros. Hoje o Sporting pagou caro os seus próprios erros, que depois teve alma enorme para recuperar, mas não conseguiu superar jogar cerca de uma hora com dez contra 15. Talvez só mesmo assim fosse possível ao Schalke 04 bater hoje esta equipa do Sporting.
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segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Luis Duque e o regresso do Sporting ao poder

Duque é um aristocrata do futebol e dos tribunais
A chegada de Luís Duque ao cargo de presidente da Liga marcará o regresso de um Sportinguista a um alto cargo no futebol português. Se a minha memória não me falha, Luís Duque sucederá a a Silva Resende como presidente da FPF - cujo consulado correspondeu à consolidação da infecção de que hoje enferma o futebol português - e de Hermínio Loureiro como presidente do mesmo organismo que, pelos vistos, presidirá. A estes nomes juntaria Vítor Pereira e até mesmo o recentemente desaparecido António Garrido que, depois de pendurar o apito, sempre preferiu a sombra dos corredores, mas nem por isso deixou de ter um papel preponderante, como hoje se sabe. 

Infelizmente não espero muito melhor de Luís Duque do que dos supracitados e esta afirmação é proferida com uma enorme vontade que o futuro próximo a desminta. Mas a esperança é diminuta, uma vez que a importância do cargo se encontra esvaziada com a transferência de poder para a FPF. É sabendo isso que a "Santa Aliança" - que muitos julgam ser um mito mas que existe, e os resultados práticos estão na partilha de cargos e benesses - não faz agora mais do que propor a Luís Duque que se torne num verbo de encher, não deixando de repetir, desta vez com sucesso, a provocação já anteriormente tentada com o convite a Godinho Lopes. É pois com profunda vergonha que vejo um Sportinguista aprestar-se a mais este triste papel, ignorando de forma olímpica a afronta que se pretende com esta nomeação que, ao que parece, é unânime.

Como já aqui havia dito anteriormente, não acredito nos frutos do auto-isolamento que direcção do clube parece preferir. Para mudar alguma coisa é preciso estratégia, massa critica e isso implica planear a médio/longo prazo, o que é bem mais difícil do que simplesmente dizer não. Mas esta súbita unanimidade em torno de Luís Duque só por muita ingenuidade não pode ser entendida como uma afronta deliberada ao Sporting. Ora, como não se atiram pedras a árvores que não dão frutos isto revela que o Sporting está a incomodar e, mais uma vez, os interesses aparentemente antagónicos são capazes de ter na oposição ao clube um interesse comum. Um bom sinal, ao fim e ao cabo. Muito mais entusiasmante e revelador do que as palavras de circunstância a dar conta da necessidade, para o bem do futebol português, de um Sporting forte.

Com Luís Duque na presidência da Liga o Sporting não chega ao poder, é o poder que pretende atingir o Sporting.
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domingo, 19 de Outubro de 2014

Leões refastelam-se com xanfana servida no Dragão

Foto ZeroZero
É comum no futebol usar-se a expressão "matar o borrego" quando uma equipa alcança uma vitória há muito tempo fora do seu alcance. O termo por certo refere-se ao ritual de matar um dos melhores animais do rebanho para celebrar um acontecimento festivo. No caso de ontem talvez fosse melhor pensar num animal mais velho, uma cabra já com sete anos de idade, tantos quantos o Sporting não ganhava naquele recinto. E aí não houve meias medidas, o Sporting matou a dita cabra, esfolou-a, confeccionando de seguida uma bela chanfana, com que se refastelou até ao último ossinho. Uma vitória categórica que se vê no resultado e se viu quase sempre no relvado.

S. Marco, caçador de dragões
Pela segunda vez consecutiva Marco Silva fere de morte o dragão na sua própria toca. Tal como se imaginava, Marco Silva apostou numa equipa pressionante, reduzindo o espaço de jogo com uma defesa subida e condicionando a saída de jogo do adversário, com elevado grau de agressividade, logo desde que a bola caía nos pés dos centrais. Se é verdade que Lopetegui tem alguma razão quando refere que os seus jogadores falharam em demasia num jogo desta importância, a sua afirmação não pode minimizar o enorme mérito dos jogadores do Sporting, cuja acção contribui de forma decisiva para os erros dos seus adversários. 

Há quantos jogos não marca Montero?
Foi assim quando Montero apareceu a tentar cabecear, fazendo com Marcano se desarticulasse, e seria o mesmo Montero a pressionar quase na linha de fundo, a obrigar Maicon a errar para, uns metros acima, servir com mestria Nani. A provar, se preciso fosse, que a importância de um avançado não se resume nos golos que obtém, por mais que sejam apenas estes que servem para avaliar a sua produção. Quando, de forma insistente, se refere que, com esta retaguarda, a presença do colombiano tenderia a render proveitos é a isto que se tem em mente. A mim, desde que o Sporting ganhe, é-me indiferente quem marca, o importante é por a redondinha lá dentro da baliza. A pergunta do parágrafo pode ser importante para fazer manchetes, mas não belisca a qualidade do colombiano, um dos melhores do nosso plantel.

A muralha
Foi preciosa a lembrança do Cantinho ao lembrar o azar dos que pretendiam apoucar Patrício. Uma atitude bacoca e provinciana. Ignorante até do facto de o nosso guardião estar a viver talvez o melhor período da sua carreira. A morte de Patrício foi, após o Mundial, mais uma vez anunciada prematuramente. A sua capacidade de superação e indiferença perante a mesquinhez e azares próprios da posição em que joga é absolutamente notável!

Um moinho no meio-campo
William está aos poucos a regressar ao que melhor conhecemos dele. Ontem, talvez por Marco Silva lhe tenha pedido que voltasse a ser mais posicional do havíamos visto em alguns jogos anteriores este ano, esteve ao nível que o tornaram um dos jovens mais apetecíveis do mercado europeu.

Um gigante invisível
Este não é o Nani que vendemos ao Manchester United. Esse era muito mais inconsequente e inseguro que o que temos o deleite e o orgulho de ver de leão ao peito. O azar do FCP ontem foi não o conseguirem ver, enorme, gigante, a empurrar a equipa para a frente e, para lá da miséria que ia fazendo a médios e defesas azuis e brancos, ainda teve tempo para mandar bolas ao poste, marcar golos e assistir. 

A âncora que impede o barco de navegar a todo o vapor
Marco Silva começou por ganhar o jogo quando sentou Sarr. Mas ainda há alguma coisa para fazer para a equipa poder ser considerada tão candidata como os seus rivais: a consistência defensiva. Algo que não passa apenas pela qualidade individual, mas pelas dinâmicas colectivas. A quantidade de oportunidades que concedemos aos adversários são ainda demasiadas, e ainda por cima grande parte delas apenas com Patricio na frente dos adversários. Se encontrarmos um melhor equilíbrio neste aspecto do jogo então aí a conversa muda completamente.

Os omnipresentes
Onde tu fores eu vou lá estar é um lema que os adeptos cumprem a rigor. Ontem, por circunstâncias especiais, pude assistir de posição privilegiada a um verdadeiro show de bola dos nossos adeptos, que fez lembrar os anos em que pintávamos de verde e branco a velha superior norte do estádio das Antas. Um consolo para quem não pôde celebrar os golos com a euforia desmedida de sempre, como de devem celebrar todo e qualquer golo do Sporting, como se fosse o primeiro ou o último. Chanfana já era um dos meus pratos preferidos, desde ontem ainda um pouquinho mais.
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sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Clássico Porto-Sporting: optimismo à prova de... nevoeiro

Foto Guilherme Venâncio LUSA
Poucos metros mais acima do que onde fica hoje o estádio do Dragão, o Sporting sofreria um dos golos mais caricatos que há memória no futebol português: um golo marcado por um apanha-bolas!. Foi em 1976, no antigo estádio das Antas, golo validado por Alder Dante, sob o pretexto de que, com o cerrado nevoeiro que então se havia instalado, não ter visto a manobra daquele elemento exterior ao jogo. O mais engraçado é facto de o jogo de amanhã ocorrer precisamente a 18 de Outubro, como já havia sucedido anteriormente com o famigerado clássico de 1976.

A história está contada aqui para quem não a conhece e vale a pena a leitura. Veremos amanhã que episódio fica escrito na já longa história de clássicos FCP-Sporting. Confesso o meu optimismo, que não se esgota num mero palpite mas também na confiança em Marco Silva e nos homens que estarão em campo. Não é demais lembrar que, apesar do golo irregular, o Sporting acabou por ganhar o jogo, o que, quanto a mim, é o espírito que deve presidir a qualquer adepto ou atleta do Sporting: sejam quais forem as dificuldades, o jogo é para ganhar. Especialmente estes.

Vantagens
O não jogar em casa e a equipa não se sentir pressionada a ter que assumir o jogo é talvez a principal. Equipa com confiança por ter percebido que, no confronto anterior, não foi inferior. Para lá das questões psicológicas, grande parte da sorte do Sporting jogar-se-á na exploração das debilidades defensivas portistas. Especialmente no espaço entre os centrais portistas e as costas do 6 portista, pressionando a saída da bola e fraca qualidade em posse dos dois elementos do centro da defesa. Aí Montero, não apenas porque está mais fresco que Slimani, mas porque pode combinar melhor com os médios e extremos e porque sabe melhor gerir os tempos e decisões (de segurar ou soltar) poderia ser muito mais útil que o Argelino.

Desvantagens
Perdemos no confronto individual, uma vez que o treinador adversário, a esse nível, pode escolher mais e melhor. E, como sabemos, este aspecto tem quase sempre papel determinante na resolução dos jogos equilibrados. Padecemos de mal semelhante na segurança defensiva, o que não confere conforto para a equipa. Não há momentos ideais para sofrer golos,  mas será muito importante gerir os momentos iniciais do jogo, sobretudo do ponto de vista emocional.
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Resumo da entrevista de Godinho Lopes

Não tive a oportunidade de ver a entrevista de Godinho Lopes ontem a uma cadeia de televisão. Se se proporcionar, ainda vou tentar ver em diferido, se o programa estiver disponível em podcast. No entanto um dos meus mais fieis comentadores fez o favor de fazer o seu próprio resumo, que agora partilho com os leitores:

JÁ AGORA! deves ter tido um orgasmo anal a ver o teu querido Paquetes lopes na rtp, não é, lambuças mongoloide? 
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quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Apenas mais 50 cêntimos para a "aposta na formação"

Sporting e Portugal como denominadores comuns (Imagem FPF)
Uma breve reflexão, sem grande profundidade, na sequência da jornada europeia de selecções. Esta abrangeu também as selecções sub-21, concorrendo para que o Sporting contasse com uma mobilização, em ambos escalões, de 19 (!) jogadores cuja formação foi da sua responsabilidade. A saber:

Nos sub-21: Ié, Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Iuri, Ricardo e Tobias. Os 3 primeiros seriam excluídos por lesão e o último, Tobias, acabaria por entrar na convocatória posteriormente.

Nos AA: Patrício, Beto, Cédric, Fonte, Moutinho, Nani, João Mário, William, Adrien, Ronaldo, Quaresma.

O prestigio - Por muito que custe admitir a muitos, especialmente por razões de alergia clubista primária, o Sporting tornou-se no principal criador de jogadores de selecção.  Esse facto é reconhecido internacionalmente de forma frequente, embora por cá não pareça merecer o mesmo destaque.

A evidência de uma aposta - O presente lote de jogadores deve ser considerado circunstancial, porque tanto inclui jogadores de "lugar cativo" na selecção, como outros que estão de passagem. Isto tanto quer dizer que o número de jogadores pode ser menor ou até maior, não sendo o mais importante agora. Mais importante que o número, é a disseminação de jogadores de diversas gerações em cujas pontas do leque estão Beto e João Mário, completando 11 anos de diferença de diferença entre si.

Não estendo a análise aos sub-21 pois, neste escalão, é ainda demasiado cedo para falarmos em certezas. Ainda assim atrevo-me a dizer que Ilori, Bruma, Mané, Esgaio, Ricardo e Tobias têm tudo o que é preciso para nos obrigarem a fixar os seus nomes pela próxima década ou quase. No meio ficam jogadores como Patrício e William a assegurar a manutenção do nome do Sporting para lá da fase final do Europeu de 2016, com Nani, Moutinho, Ronaldo e eventualmente Quaresma a constituírem nomes incontornáveis pelo menos até lá. Para não tornar a análise demasiado especulativa, fico-me pelo critério do seleccionador que presidiu à actual escolha, abstendo-me assim de apontar outros nomes, mesmo que evidentes, a poder entrar para a actual selecção.

O que estes números revelam, e que me parece acima de qualquer contestação, é que o trabalho de prospecção, criação e de incubadora do departamento de formação do Sporting há pelo menos duas décadas consecutivas se elevou a um nível elevado, superando os seus concorrentes directos neste capitulo. Repare-se que mesmo os mais novos de idade são já quase veteranos no clube. Mané, por exemplo, tem apenas 20 anos, mas está no clube desde 2001, há 13 anos, portanto. O que perfaz mais de metade da sua ainda curta vida, sendo por isso um dado incontornável e absolutamente notável!

Campanha de apuramento invicta (imagem FPF)


No aproveitar é que está o ganho. Ou o prejuízo - Se olharmos para os dezanove jogadores da amostra rapidamente se conclui que apenas dez representam ainda o Sporting, sendo que um deles (Nani) o faz de forma episódica. Dos restantes nove que não possuem já ligação, quatro estão já definitivamente com um pé fora de Alvalade, apesar de pertencerem ainda aos sub-21. Precisamente aqueles que apontaríamos como os melhores da respectiva geração. Um dado a merecer reflexão, para se perceber se estamos a olhar para um mero episódio ou para uma tendência. 

Obviamente que um clube que todos os anos lança para o mercado um plantel inteiro de jogadores acabados de chegar a seniores tem que se conformar com o facto de não poder ser infalível nas suas estimativas, quanto ao futuro dos jogadores. Assim como se deve (re)conciliar com ideia de que não pode impedir os jogadores que forma de quererem mais - seja isso dinheiro, notoriedade, campeonatos mais competitivos, etc - do que o clube pode oferecer. Neste capítulo o Sporting só pode fazer duas coisas: (i) procurar o ressarcimento do investimento feito no jogador e, num futuro tão breve quanto possível (ii) tornar-se ainda mais atractivo como projecto de carreira para os seus formandos. O que, por muito que nos custe admitir, poucas vezes o tem sido. 

Necessidade ou convicção? - Duas razões me parecem acima de contestação para justificar o sucesso da formação do clube: (i) a elevada qualidade dos jogadores que forma, tornando-os apetecíveis aos olhos de quem tem disponibilidade para pagar o que eles valem. Olhe-se, se preciso fosse, para os clubes que representam. E o facto de o clube (ii) incorporar diversos jogadores no seu plantel principal com origem na sua academia, o que o distingue claramente dos seus rivais. 

Falta saber se o faz por necessidade - seja ela por falta de mais recursos, seja ela ditada por motivações eleitoralistas - ou por convicção. É que sempre que parece haver um pouquinho mais de dinheiro para gastar a convicção parece perder força e os jogadores da casa lá têm que correr mais do que os outros, ganhando quase sempre menos, para, quase sempre, e com grande facilidade, fazerem mais e melhor do que os "forasteiros".

O que dizem as bolas de cristal sobre o futuro? - Alguns dados recentes, como sejam a falta de títulos - cujo valor indicativo é ligeiramente significativo, mas é apenas "um dos"- o número de jogadores nas selecções jovens, os resultados gerais e os especificios com os rivais e clubes que melhor formam como, por exemplo, Vitória(s), Braga, etc, etc, já fizeram soar várias campainhas. Ora isto são apenas resultados que ocorrem quase nunca por acaso mas, como a palavra indica, como corolário do trabalho da prospecção, da qualidade dos técnicos e dos dirigentes. 

Mais do que um libelo definitivo, ditado por ocorrências esparsas, é necessária reflexão. Dispensam-se excesso de optimismo ou pessimismo militante, que a realidade se encarrega de desmistificar. Até porque as transformações estruturais, e por isso basilares, raras vezes são detectadas a "olho nu" requerem demorada digestão e compilação de factos. 
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terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Os bilhetes para o clássico: "Da guerra, o dano vem cedo e tarde o proveito"

Pela primeira vez - pelo menos que me lembro - foi exigido a um clube o pagamento antecipado dos bilhetes a que os seus adeptos têm direito. O jornal "ABola" afiança que o FCP cumpriu o regulamento - embora não invoque a qual se refere, suponho que da própria Taça de Portugal  - nomeadamente o ponto 9 do artigo 77 que reconhece o direito a 10% da lotação do recinto "desde que os bilhetes sejam solicitados e pagos com 8 dias de antecedência. 

O Sporting reagiu em comunicado dando conta desta "inovação" (Entretanto parece que já foi retirado do site do clube onde foi publicado). Quando e quem o fez certamente que desconhecia o regulamento ou  o comunicado teria ficado na gaveta. . O que não podemos desconhecer é o estado das relações entre os dois clubes, o que faz com que o jogo de sábado seja encarado não como um "caso de vida ou de morte" mas muito mais do que isso.

Para mim o Sporting teria falado pouco ou nada sobre o jogo, fechava-se sobre si mesmo e encararia o jogo exactamente da mesma forma como deve estar a ser encarado o jogo mais a norte. Na actual guerra com o clube de Pinto da Costa as vitórias nas "batalhas no relvado" são as únicas que verdadeiramente contam, os "queixumes" só revelam fraqueza e impreparação.

NOTA IMPORTANTE: O Solar do Norte está a promover a venda de bilhetes para clássico, funcionando como uma extensão da bilheteira de Alvalade. Se seguir este link clicando aqui, poderá adquirir o seu bilhete. Era bom que, à semelhança do que sucedeu o ano passado no Dragão, o Sporting, através dos seus adeptos, desse mais uma demonstração da sua grandeza, não deixando nenhum lugar seu por preencher.
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sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Do "pateta alegre" ao "orgulhosamente só", que comunicação e que estratégia para o Sporting?

Se havia matéria em que, de forma rara, as opiniões dos Sportinguistas tendiam a coincidir, eram as relativas aos comportamentos dos presidentes e demais representantes, em relação aos seus homólogos rivais. Sobretudo quando estavam em causa respostas ou reacções a acções daqueles, no contexto das quase sempre tortuosas relações entre os grandes. 

Na memória dos Sportinguistas estão, de forma genérica, a importância das acções do FCP, de Pinto da Costa, no sentido de menorizar o papel do Sporting, no que teve prestimosa colaboração interna, na inépcia de uma parte importante da nossa classe dirigente. Ou, de forma muito particular, em episódios como os da camisola de Rui Jorge, e referências insultuosas directas - "o cabelos brancos" a Bettencourt, ou "falou antes ou depois do almoço?" a Soares Franco - com os visados a ignorarem olimpicamente as ofensas, indo por vezes ainda mais longe, ao conviverem alegremente entre si, como se nada tivesse passado. A totalidade dos Sportinguistas que conheço indignavam-se e não se sentiam representados pelos seus eleitos, a quem muitas vezes acusavam de fazer a figura do "pateta alegre".

Com alguma razão os nosso vizinhos lisboetas iam-nos acusando de andarmos a reboque das estratégias de Pinto da Costa, acusação que se justifica pelo menos pela lassidão das reacções ou, por vezes, total  inacção perante os vexames a que éramos sujeitos, sem a devida resposta.

A entrada de Bruno de Carvalho para a presidência do clube equivaleu, logo nos seus primeiros instantes, a uma altercação com uma das figuras gradas do séquito de Pinto da Costa, Adelino Caldeira. Não sei se estamos a falar de um acto casual ou estratégico nas relações com os clubes. E dizer isto é também confessar que qualquer uma das hipóteses sugeridas poderia ter origem em qualquer um dos lados. O que é facto hoje por todos testemunhado é que não há relações institucionais entre os dois clubes e o episódio acima referido assumiu um carácter determinante. Pior do que isso são os relatos do que têm sido as trocas de mimos entre as diversas comitivas, cada vez que os clubes se encontram. 

Sobre esta matéria a minha opinião, como sócio e adepto do clube, é assumidamente ambivalente. Da minha vontade, o Sporting não daria nunca inicio a este tipo de confrontação, porque não me parece que tal honre o estatuto que detém ou o legado que recebeu dos que nos antecederam. Já no que às reacções diz respeito, não sou muito de dar a outra face muito menos a quem, de forma reiterada, não partilha dos mesmos critérios no que às regras de urbanidade, civismo e conduta desportiva diz respeito. E, no que concerne ao FCP, o histórico acumulado é tal, que nem sempre consigo manter a coerência relativamente aos princípios que me foram incutidos pela educação recebida e pelo que representa a responsabilidade de ser do Sporting.

Há no entanto excepções ou limites que convém manter, sob pena de perdermos a legitimidade. Por exemplo mencionar o "clube visitante" sem o nomear, não hastear a sua bandeira, não me parece correcto. O FCP é uma da maiores instituição desportivas nacionais que não deve ser confundida com a pequenez de quem a dirige. É assim que espero que o Sporting seja também sempre entendido e não confundido.

Ao nível do discurso do presidente referências pouco edificantes a "septuagenários" ou outras de estilo semelhante, merecem o meu total repúdio. E o acicatar de ânimos nas vésperas dos jogos deste teor, já de si com uma carga emocional normalmente elevada, é imprevidente. Ao contrário do que parece ser a preocupação do presidente, não é nos camarotes e balneários que ocorrem as situações de maior perigo para a integridade física das pessoas que frequentam os estádios. São os adeptos que muitas vezes tanto têm que fugir dos "ladrões" como dos policias. Certamente que BdC é já conhecedor de factos ocorridos recentemente na cidade do Porto, que pelo menos indiciam que o clássico pode, antes e depois do jogo, constituir um perigo para qualquer um que ostente o verde e branco, o que tornam as suas declarações pelo menos imprudentes.

Num contexto mais lato, apenas mais um ponto sobre a comunicação do presidente do clube: quantas vezes falou ou foi citado esta semana aos órgãos de comunicação social, sobre os mais diversos assuntos? Se, como julgo, o Sporting tem assessores de imprensa ou profissionais especializados em comunicação não será a altura de os ouvir?

Para finalizar uma breve reflexão sobre a estratégia de relacionamento que o clube adoptou, parecendo cada vez mais encaminhado para o "orgulhosamente só". Voltando ao passado recente, era também queixa comum entre nós verificar que o Sporting não lograva nem fazer-se ouvir nos órgãos de decisão nem deles fazer parte integrante. Os resultados e a factura que hoje ainda pagamos por isso são conhecidos de todos.

Esta senda de isolamento não vai conduzir, por um caminho diferente, ao mesmo destino? Caminho que, todos o sabemos, não é fácil, atendendo ao que é o futebol português. 

Mas, um clube como o Sporting tem mais a perder ou a ganhar isolado, a correr por fora, do que participando e fazendo-se ouvir não apenas nos jornais, mas também nos centros de decisão? Ou estamos à espera que nos venham buscar a Alvalade e dizer que temos toda a razão?

Se a maioria dos clubes tem uma visão diferente da nossa relativamente à Liga, por exemplo, e para citar o caso mais recente, seria melhor o Sporting afastar-se, como parece ter acontecido, ou permanecer e procurar influenciar positivamente os demais com a sua própria visão?

Que peso tem este isolamento para um clube formador que teria muito a ganhar se conseguisse colocar alguns dos seus talentos emergentes (Esgaio, Iuri, Chabi ou até mesmo Rúbio, Zezinho e Semedo, que se arrastam por campeonatos sem expressão) a competir num escalão de nível mais exigente do que aquele que é a II Liga?

E que reflexos tem ou terá um excessivo acantonamento face à abrangência e universalidade da imagem que o Sporting Clube de Portugal deve projectar de si mesmo junto de futuros adeptos e até mesmo de parceiros e patrocinadores?
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terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Contratar Deus é apenas mais uma peça num puzzle de dificil percepção

A contratação de João de Deus como pretexto para pensar o que quer da formação (foto OJogo)
Sabe quantos jogadores jogaram na equipa B do Sporting nas duas últimas épocas?

47 jogadores na época 13/14. Destes 47 jogadores 13 jogadores da A - Cissé, Wilson, Salomão, Slimani, Rinaudo, Magrão, Shikabala, Vitor, Piris, Jefferson, Wélder, Boeck -  acumularam diversos minutos de jogo, o que,  inevitavelmente, retira o indispensável espaço de afirmação que deveria ser, para os jogadores oriundos da formação, a equipa B.  Mais ainda, entope o fluxo normal de ascensão de jogadores júniores. Na época em curso foram já usados 27 jogadores em apenas 10 jogos efectuados, dos quais Miguel Lopes, Gauld, Geraldes, Sacko, Cissé, Jonathan e Slavchev deveriam estar no escalão superior.

Sabe quantos jogadores foram contratados para a equipa B nesse mesmo período?

A resposta não é linear porque há diversos jogadores cujo objectivo da contratação e o destino final não se percebe muito bem, como são os casos de Gauld, Sacko, Cissé, Slavchev, Geraldes, etc, etc. Mas pelo menos 7 podem ser assim considerados, a saber: Perez, Sousa, Sambinha, Tiziu, Dramé, Enoh, Gazela.

Qual deles justificou justificou a contratação dentro do critério lato (i) não haver ninguém para o lugar ou (ii) ser melhor do que já havia?

O critério de "serem jogadores baratos" não colhe porque, ao seu preço deveria ser somado o quanto o Sporting poderia ganhar se promovesse jogadores de indiscutível valor como os ainda tem no seu plantel na equipa B. Nunca saberemos. Sendo justo, também eles, os jogadores contratados, sofrem com o mesmo problema que afecta os jogadores da casa,  afinal o barco é o mesmo e, tal como eles, também precisavam de mais tempo. Mas com 28 jogadores inscritos (incluindo júniores) e a concorrência dos A's não é fácil consegui-lo.  

Como evoluem e se afirmam jogadores que não jogam ou jogam pouco?

Sabe quantos jogadores ascenderam da equipa B à A e aí se fixaram? 

De forma directa um, Mané, o ano passado. Este ano nenhum, uma vez que João Mário precisou de ir arejar a Setúbal, quando já se aprestava para entrar no rol crescente de "indisciplinados" e "ingratos". Esgaio já soma vários minutos, o que torna ainda mais notoriamente questionável a contratação de Geraldes. Surpresa seria terem entrado muitos, atendendo ao modelo adoptado e à falta de qualidade geral do jogo registado o ano passado e que se estende pela época em curso.

Sabe quantos treinadores já passaram pela equipa B no mesmo período?
3 treinadores. Abel, que deixou a equipa a dias de começar o campeonato, Barão que aguentou 10 jogos e que agora, sem grande surpresa face ao que a equipa (não) produzia, cedeu o lugar agora a João de Deus.

João de Deus porquê?
Às perguntas de cima poderia juntar-se esta. Não tendo opinião formada sobre ele, limito-me a desejar-lhe sorte e a constatar que o critério seguido não é muito diferente do anterior: parece mais uma aposta casuística, como foram as de Abel e Barão, que não tinham nada de especial que os recomendasse.  Mas a contratação deste treinador, cujo curriculum é absolutamente neutro no que a recomendações diz respeito, é apenas mais uma peça num puzzle de difícil percepção relativamente ao que se pretende para o resultado final. 

Responder às perguntas acima, e a outras que se deveriam fazer, poderia significar perceber pelo menos uma parte dos problemas que se intuem na formação. A sucessão inusitada de casos disciplinares, abandono de jogadores talentosos (com os quais se tornou difícil renovar, após a leva inicial de jogadores que ficaram presos a contratos longos, de cláusulas elevadas e com ordenados reduzidos face aos que chegam) e alguns resultados confrangedores são alguns deles. São questões meramente circunstanciais ou revelam uma tendência?

O que já é mais difícil de perceber é os efeitos que esta saga experimentalista de jogadores e treinadores terá não apenas no imediato mas no futuro de médio prazo. Repare-se no tempo que foi necessário dar a Adrien, Cedric, Martins e até João Mário até eles se conseguirem impor como opções do treinador.

Obviamente que sendo eu, neste blogue, a fazer estas perguntas que todos deveriam fazer, sobretudo os responsáveis, muitos preferirão responder que é apenas a minha má-vontade, por ser "do contra", que motiva as minhas questões. Para esse nível de discussão binária não contem com o meu contributo, até porque essa acusação além de me ser indiferente, não respeita os factos: estas são mais ou menos as mesmas preocupações e questões levantadas no passado.
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segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

O regresso da Selecção: mesmo com Santos não haverá milagres

A escolha
Não haveria muitos treinadores com perfil para caberem no restrito lote de seleccionadores nacionais. Neste não faria muito sentido incluir um técnico estrangeiro: nem os que estariam disponíveis constituíam uma opção aliciante, nem o apertado calendário recomendava uma opção por alguém que tivesse que vir e aprender quase tudo sobre o futebol português e os jogadores que teria que liderar. A escolha acabou por recair sobre Fernando Santos, treinador com curriculum de seleccionador, mas com um castigo por cumprir que, confirmado pouco depois da sua nomeação, fará com que não se sente no banco para jogos oficias praticamente toda a fase de qualificação que ainda resta. Não parece uma decisão prudente, sobretudo tendo em conta que, com o tempo escasso que um seleccionador tem para o treino, a sua função ficará praticamente limitada à escolha dos jogadores. Uma decisão de teor altamente discutível.

O critério pareceu ser o da figura consensual. Como já anteriormente havia sido quando se procuraram os serviços de Paulo Bento, escolha então tão elogiada como foi agora Fernando Santos. A FPF mais uma vez parece mais preocupada com os frágeis equilíbrios do que com o essencial, acabando por cair neste absurdo de ter contratado apenas "meio" seleccionador. Não fora esse importante pormenor e a escolha não mereceria qualquer contestação, mesmo sem entusiasmar - na verdade nenhum o faria - Fernando Santos seria uma escolha natural.

Teorias da conspiração
A chegada de Fernando Santos permitirá descobrir alguns "ovos de colombo" do futebol português: (i) a qualidade à disposição é reduzida, e que não há muitas alternativas ao grosso do que que eram as escolhas de Paulo Bento. (ii) A maioria dos jogadores seleccionados continuarão a sair do lote de jogadores agenciados por Jorge Mendes sem que isso signifique menor honestidade ou independência do seleccionador. Não foi por aí que falhou Paulo Bento porque é uma inevitabilidade a participação maioritária daquele empresário e porque não creio que haja, entre os seus colegas de profissão, quem lhe possa dar lições nesta matéria. Foi essa independência e desassombro que o levaram a afrontar Pinto da Costa, com as célebres "postas de pescada" e, quem sabe, muito concorreram para actual escolha de Fernando Santos, de quem não se esperam afrontas idênticas.

Milagres que não estão ao alcance de Santos
Não será preciso ter dons milagreiros para alcançar a qualificação apesar da hecatombe da jornada inicial. Bastará algum bom-senso, que não parece faltar a Santos mas que já parecia ter saído debaixo dos pés a Paulo Bento. Mas o trabalho pela frente será muito e difícil, uma vez que não poderá contar com a sorte de alguns que o antecederam no cargo, especialmente Humberto, Oliveira, Scolari e ainda que em menor grau, Queiroz. Estes antepassados não ficaram famosos pela qualidade e profundidade do seu trabalho, não deixando mais do que uma colecção de resultados quase obrigatórios, atendendo que a quantidade e qualidade era a que era então. Mas ideias estruturantes, estratégia e planeamento que contrariasse a habitual falta de visão, inércia e conformismo das direcções de Madaíl e que deixasse outro legado que aquele que escorreu com o passar do tempo não se viram. Confesso que as minhas expectativas para o mandato de Fernando Santos não são mais nem melhores considerando que, no imediato, devolver a selecção à razoabilidade de escolhas e exibições, voltando-a a colocar no caminho da qualificação será a principal preocupação.

Renovação ou revolução?
Renovação e a falta dela foi o chavão escolhido para justificar a triste presença em terras brasileiras. E parece que essa obrigação continua a ser exigida agora a Fernando Santos. A primeira convocatória permite perceber que Fernando Santos não se deixa levar pelos cantos das sereias. Fazer regressar Tiago e Carvalho, a que juntaria Quaresma, Bruno Alves e José Fonte demonstra que essa é a menor das suas preocupações. Estes nomes não merecem tratamento idêntico, mas remetem-nos para a realidade: a "geração de estrangeiros", composta por jogadores de qualidade e experiência - seja lá a importância que esse aspecto terá - onde a selecção alicerçou muito do seu sucesso, algum dele relativo, está no limiar da extinção do seu prazo de validade. Não há ainda valores seguros nos seus sucessores e Fernando Santos em Portugal terá que se contentar também com valores emergentes mas longe de oferecer a segurança dos há muito idos Figo, Rui Costa, Couto, Paulo Sousa, João Pinto, Nuno Gomes, Pauleta e outros. Não haverá milagres.

Nota importante: Este é o primeiro texto de uma parceria hoje iniciada com o Portal Bola na Rede. Apesar de me debater com imensas dificuldades em actualizar os conteúdos do "A Norte de Alvalade", não consegui resistir ao convite que me foi feito, porque é uma honra ver o meu nome associado a um projecto de qualidade acima da média.
O Bola na Rede "é um portal de opinião desportiva, cuja plataforma de distribuição de conteúdo é o online. Fundado a 28 de outubro de 2010, o projecto começou por ser apenas um programa de rádio dedicado ao debate semanal sobre a jornada desportiva.
Com a sua evolução gradual, o Bola na Rede começou a atrair convidados de renome no universo desportivo nacional para participar nas suas emissões semanais. De entre os vários nomes, destacam-se Bruno de Carvalho, Luís Freitas Lobo, Toni, Carlos Daniel ou Fernando Santos.
Depois de ter atingido um patamar de referência no panorama universitário, o programa acabou por avançar para uma nova plataforma no dia 2 de Outubro de 2013: o online. Conjugando um vasto leque de colaboradores ligados às mais variadas áreas do desporto, o projecto reestruturou-se, dando origem a uma inovadora conexão entre rádio e imprensa. A voz uniu-se à escrita e o resultado foi a criação de um website de opinião e debate ligado às mais variadas áreas do desporto nacional e internacional.
O Bola na Rede assume-se agora como um portal online, com objectivos claros de continuar a oferecer os melhores artigos e exclusivos de opinião desportiva aos seus leitores."
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domingo, 5 de Outubro de 2014

Uma hora a aquecer o café colombiano em Penafiel

Levou quase uma hora para o Sporting desbloquear o jogo de Penafiel. A esta hora pensarão que, tendo o golo inicial de Slimani acontecido apenas aos sessenta e nove minutos, as minhas contas estão mal feitas. Não se trata de um engano mas sim o assinalar do momento em que a entrada de Montero (especialmente) e Adrien, para o lugar dos pouco inspirados William e André Martins que viria a ter importância decisiva no desfecho final. Seria o colombiano que, com as suas movimentações, assistências e até no regresso aos golos que funcionaria como o café que faltava a uma equipa que procurava o golo de forma pouco esclarecida e convicta. Como é evidente isto não significa relativizar a importância do golo de Slimani, uma vez que num jogo que se encaminhava para o final ele se tornava cada vez mais urgente. Golo que até podia ter acontecido até bem cedo no jogo, não fora uma perdida inusitada de Nani. O que é natural nele é fazer golos com os da classe com que se haveria de encerrar a contagem.

O jogo seria marcado pela infelicidade das opções iniciais de Marco Silva, uma vez que recuar João Mário para a mesma linha de William e a entrada de André Martins para o lugar do primeiro não tiveram resultados positivos. William não rende tanto como na posição "seis", perdendo protagonismo. João Mário também não parece ter genica para passar grande parte do tempo a recuperar bolas, como este recuo no terreno implica. André Martins não consegue oferecer o esclarecimento que sai das botas de João Mário quando joga menos recuado e com mais liberdade para chegar mais próximo dos avançados. Apesar desta anemia no meio-campo o Sporting pôde contar com os seus dois jogadores mais talentosos para ir chegando à frente, 

Marco Silva, empurrado pelas circunstâncias, é certo, seria feliz e clarividente quando mexeu na equipa, especialmente na dupla que entrou de uma assentada, Adrien e Montero. Foi a partir daí que o Sporting foi definitivamente superior e demoliria a resistência penafidelense. Talvez este seja um bom ensejo para o treinador equacionar a possibilidade de tomar a iniciativa de reconsiderar algumas opções que fragilizam a equipa, ao invés de esperar pela inevitabilidade imposta pelo ocorrer dos factos. Ontem, enquanto Paulo Oliveira demonstrou que está à frente dos habituais titulares, Sarr foi-se encarregando de acelerar a pulsação cardíaca, uma vez que os avançados do Penafiel, por iniciativa própria estavam dispostos a fazer descansar Patricio, depois da memorável exibição no inicio da semana.

O Sporting saiu assim de Penafiel com uma vitória mais que justa mas cujos números não espelham as dificuldades sentidas até desfazer o zero inicial. Uma vitória que aproxima o Sporting dos lugares na classificação que lhe são naturais.
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quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Sorteio da Taça de Portugal: "chamem o Eurico!" (e uma nota sobre os processos a ex-dirigentes)

Sorteio da Taça de Portugal
Alguns, talvez poucos, ainda se devem lembrar de um nosso antigo secretário técnico, de seu nome Eurico Gomes. Eu ainda me lembro e em particular da brincadeira habitual entre amigos, acusando-o de ser um autêntico pé-frio, que nos "condenava" ao pior dos azares cada vez que comparecia num sorteio. Estávamos longe de imaginar que o Augusto Inácio, em dois anos consecutivos, arrasaria por completo o curriculum do seu antecessor. Por este andar, no próximo ano ainda nos calha o Real Madrid ou Bayern de Munique no próximo ano, logo no primeiro sorteio da... Taça de Portugal.

Brincadeiras à parte, não foi um sorteio favorável. Não porque entenda que o Sporting está condenado a ser eliminado, embora essa hipótese deva ser obviamente considerada como um dos resultados possíveis. Mas, antes de aí chegarmos, registo o facto de a eliminatória calhar em vésperas de deslocação à Alemanha, para o jogo com o Schalke 04, a que se acumula a deslocação prévia ao Dragão, uma vez que o sorteio ditou que o FCP jogaria em casa. A melhor forma de contrariar o azar no pote é transformá-lo no azar do adversário relvado. Como já ouvi uns zunzuns de bolas quentes e frias, esta era melhor forma de nos acabarmos a rir às gargalhadas.

Processos a ex-dirigentes 
Como já era do conhecimento público a direcção da SAD decidiu propor a votação em sede de A.G. o procedimento judicial contra os ex-dirigentes Godinho Lopes, Luís Duque, Nobre Guedes, e ainda contra o ex-funcionário Carlos Freitas. Em causa estão as contratações de Jeffren e Rodriguez e a renovação de Izmailov. 

Como sócio do Sporting assisto com pena a este processo pelas repercussões que ele despoletará, umas mais óbvias que outras. Porque se tratam de medidas extremas, por vezes necessárias, e de acusações de grande gravidade, espero que venham a ter suporte nos argumentos a ser apresentados para que a demanda se justifique.
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quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Our Special One (na viagem entre o céu e o inferno)

Rui Patricio de nível mundial


Não tinha nenhum sentimento especial para o jogo que marcaria o regresso dos grandes jogos da Liga dos Campeões a Alvalade mas manda a honestidade que confesse que não esperava uma exibição tão categórica como a que o Sporting realizou na segunda parte do jogo. E, atendendo a que, nesse período, o Sporting estava em desvantagem no marcador, ante uma equipa poderosa como a do Chelsea e contra um treinador como Mourinho, a surpresa é bem maior. Antecipando desde já a conclusão, os três pontos perdidos ontem só serão um completo desperdício se o crescimento ontem revelado tiver sido apenas para inglês ver e não tiver, por isso, repercussão no desempenho doméstico.

Salvos por S. Patrício, um guarda-redes de nível mundial
O Sporting, ao contrário dos jogos anteriores, não entrou bem. Por culpas próprias e de Mourinho, que seguramente estudou bem as debilidades do nosso processo defensivo e foi espetando, logo desde o inicio, o garfo na ferida. Bolas a explorar os espaços entre os centrais e entre estes e os laterais, sobretudo sobre o lado esquerdo, onde Schurle parecia estar a circular nas célebres auto-estradas alemãs sem limites de velocidade, expunham-nos constantemente ao golo. 

Curiosamente este haveria de chegar numa jogada de bola parada e quando a equipa parecia querer estabilizar. Uma falha colectiva mas onde os centrais andavam em parte incerta. Neste naufrágio é absurdo culpar Patrício, a bola cai nos limites da pequena-área, tendo lá chegado a uma velocidade que impossibilitava o seu alcance. Jonathan pouco mais poderia ter feito do que incomodado o salto de Matic, tal a diferença de estatura, mas talvez o suficiente para o sérvio não ter tempo para calcular o cabeceamento com a precisão de um míssil balístico. Não fora o nosso Special One e poderíamos sair dos primeiros quarenta e cinco minutos com amasso muito semelhante ao que levaram os nossos sub-19 durante a tarde em Alcochete. Se não caímos no inferno e o céu pareceu possível até o árbitro dar o jogo por terminado a ele o devemos.

O triangulo das bermudas ou a importância do talento e da falta dele
Há boas noticias neste jogo: 

O Sporting tem um bom treinador, ou a equipa não chegaria ao nível que chegou, ante um dos melhores conjuntos da Premier League. O crescimento da equipa, conseguido contra resultados e classificações nas diversas competições que não favorecem a confiança, é um bom sinal. A segunda parte de ontem pode-se juntar, sem favor, a uma das melhores dos últimos anos em Alvalade. Há qualidade indiscutível no plantel e talento em Patricio, Nani e Carrillo. Talvez não seja em quantidade suficiente.

O reverso da medalha está na distância de alguns titulares e vários segundas linhas. Não é demais lembrar que, facilidades como as concedidas ontem, não costumam ter tão pouco aproveitamento por equipas como a do Chelsea ou até mesmo do Schalke 04. Se nas segundas linhas o caso só será mais sério quando a época estiver mais lá para depois do Ano Novo - ou quando é preciso mexer na equipa, como ontem se notou mais uma vez - no caso dos titulares o problema é mais sério. O caso mais gritante está no centro da defesa e na posição nove. Um triangulo das bermudas onde qualquer bom resultado pode desaparecer num ápice. Sem marcar golos e a poder sofrê-los a qualquer momento, o Sporting estará à mercê de qualquer resultado, o que não é propriamente o ambiente propicio para a estabilização da equipa em patamares mais elevados, como todos pretendemos. É isso que está a afastar a equipa de uma temporada ao nível das melhores dos últimos anos, agrilhoando-a a uma mediania de resultados que podem afastar a equipa do caminho do sucesso.

Perspectivas para um futuro próximo
Apesar do resultado adverso, e por força da combinação com o resultado do outro jogo do grupo, o Sporting mantém intactas as perspectivas de alcançar o objectivo mínimo, a qualificação para a Liga Europa, e mesmo o prestigiante apuramento para a fase seguinte. Aqui é bom lembrar que nenhuma equipa portuguesa o conseguiu nos últimos anos. Contudo, sem resolver o triângulo das bermudas acima descrito, o Sporting continuará a ter que fazer uma navegação de cabotagem, sem segurança para ambicionar águas mais profundas.

Os grandes e o pequeno
Grande ambiente em Alvalade, com os adeptos a elevarem-se ao nível dos melhores. No polo oposto a actuação do árbitro espanhol. Não destoaria ao lado de nenhum dos seus congéneres e nossos "bons amigos" deste lado da fronteira.
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terça-feira, 30 de Setembro de 2014

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Recepção ao Chelsea: Golias não ganhou a David

Porque o tempo é muito escasso (é essa a razão pela qual tenho estado impedido de actualizar o blogue) deixo meia dúzia de linhas sobre o jogo de mais logo em Alvalade, com o Chelsea.

Convocados: Marco Silva refinou as escolhas, prescindindo de um número mais elevado de jogadores, ao deixar de fora Mané, Esgaio e Tanaka. talvez possa surpreender a ausência de Mané, a mim não me parece estranha a preferência por André Martins a oferecer mais soluções ao meio-campo. Já Esgaio e Tanaka parece-me natural.

Equipa provável: É bem capaz de subir ao relvado a mesma equipa do passado fim-de-semana, com eventual substituição de Jonathan por Jefferson. O argentino vai já no segundo jogo seguido, é muito provável que Jefferson regresse à titularidade. Se assim for, veremos se o "chá de banco" produziu algum efeito e regressa mais focado e menos displicente. Não é muito provável que se registem mais alterações embora tenha que repetir que me parece que Montero de inicio, com a qualidade que existe agora nas suas costas, poderia pelo menos aproximar-se ao melhor de que lhe conhecemos.

Audácia e capacidade de sofrimento: Será tão importante saber sofrer como ser audacioso.O Chelsea deste ano é um piores adversários que nos podia calhar mas, tal como qualquer outro, tem que justificar o favoritismo subindo ao relvado e jogando. Não haverá facilidades, o Sporting disporá de poucas oportunidades para atingir o adversário, terá que ser letal quando tal suceder. Reduzir espaços, ser incómodo, não deixar pensar muito, tentar "aborrecer" o meio-campo azul é uma tarefa extremamente desgastante mas será por aí que as nossas hipóteses poderão crescer.

O pior que pode acontecer: Ter medo, do adversário, do cenário. Sofrer golo(s) cedo. Ser goleado.

Conclusão: contrariamente ao habitual não tenho um feeling declarado, apenas uma enorme vontade que a hora do jogo chegue e a equipa honre o nosso longo e honroso historial . Em frente Sporting".
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sábado, 27 de Setembro de 2014

A arte de jogar e oferecer foi um clássico dentro do clássico

A confiança e optimismo com que encarava o jogo havia sido confirmada na boa exibição de Barcelos e o que nos foi dado observar na primeira parte acabou por revelar que ambos - a confiança e o optimismo - não apenas eram justificados como até estavam abaixo do que a equipa é capaz de realizar. Uma primeira parte de nos deixar a pensar onde andou esta equipa nos pontos em que já perdeu. O decorrer do jogo acabou por explicar algumas dessas dúvidas. A essa análise não deve ser retirado o momento especial que é um clássico e o que isso representa para a motivação extra de um jogador.

Mais uma vez a eficácia
Nos primeiros quarenta e cinco minutos o Sporting não apenas controlou como em muitos momentos dominou completamente o antagonista. Isto muito por força de uma equipa muito concentrada e pressionante, não tendo consentido muito mais que um par de transições sem grande perigo. Na frente construiu oportunidades suficientes para assegurar o resultado antes de voltar às cabines. Particularmente Nani, que, nas condições que dispôs, não falhará muitas vezes. Neste período o Sporting deu uma demonstração de classe na produção de jogo atacante, variando o seu jogo de forma pouco previsível, deixando o FCP à mercê de um K.O. técnico iminente.

Mais uma vez a generosidade defensiva
A segunda parte não traria um Sporting tão dominante e superior. Isso aliás seria muito difícil de suceder porque já se suponha que o FCP iria reagir ao resultado adverso e manter a pressão do primeiro tempo teria custos físicos elevados. O Sporting tinha a ganhar se agora, em situação vantajosa, alternasse a procura assumida do golo com a espera do erro do adversário, gerindo com mais inteligência e menos "sangue" os ritmos do jogo. Como aliás todas a boas equipas têm necessidade de fazer.

Acontece que para isso o Sporting precisaria de ter o que não tem e dificilmente terá com as opções de Marco Silva para o centro da defesa: uma defesa que permita aguentar resultados. Não vou rebater o tema aqui tantas vezes abordado já este ano, ou sequer explorar o azar de Sarr, que podia acontecer a qualquer um. Mas as entradas de Oliver e Telo deixaram bem claro, para quem ainda tenha dúvidas, que o perigo e as situações de golo na nossa baliza serão sempre possíveis enquanto a bola rolar no relvado e para isso nem é preciso uma acção muito assertiva dos adversários. Contabilizem-se as ofertas desde o inicio de época para se perceberem algumas das principais razões para contarmos, neste momento, com apenas duas vitórias.

Breve análise individual

Patrício - Enorme é pouco, muito pouco.

Mauricio / Sarr - Não são centrais para uma equipa que quer ser campeã, os dois juntos muito menos. Em relação ao segundo, se era para aprender já cá estavam vários e ele é pior do que eles.

Cedric - Seguro, sem grandes rasgos a atacar mas sem comprometer a defender.

Jonathan - confirmou a boa impressão deixada em Barcelos com a felicidade e saber de estar no sitio certo para marcar. Sentiu dificuldades na segunda parte com o crescimento do adversário, mas não esteve pior do que já vínhamos vendo em Jefferson.

João Mário - Está a justificar a chamada. O eclipse da segunda parte explica-se pelo esforço gasto na primeira e pelo menor espaço que dispôs para pensar o jogo. Quando o teve mostrou a qualidade que se lhe reconhece.

William - Aos poucos vai regressando aos lugares onde foi feliz o ano passado.

Adrien - Há muita responsabilidade sua no melhor período do Sporting e isso foi ainda mais notório quando foi ficando esgotado e o meio-campo perdendo consistência.

Carrillo / Nani - Pode parecer um sacrilégio que os dois melhores jogadores de campo (Patricio tem que estar incluído nos melhores) não tenham destaque individual. Mas se Nani é Nani e está acima das nuvens da nossa equipa e até da Liga, o Carrillo de ontem mostrou que o futuro que sempre se lhe augurou está cada vez mais perto de ser uma realidade.

Slimani - Confirmou o que disse no jogo anterior. Marco Silva está aqui com as ideias invertidas. Quando andamos a bombear bolas para a área jogou Montero, com os resultados que se sabem. Agora com a bola a ser melhor tratada joga Slimani, que mais não consegue do que ser um apêndice de reduzida utilidade. E se não é Montero, muito menos será Tanaka.

Capel - Aquele tiro à barra teria sido o golo de uma carreira e emprestado ao resultado alguma justiça. Ambas as equipas dividiram alguns períodos de superioridade a do Sporting foi mais duradoura e inequívoca.
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quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

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O clássico de amanhã já se joga e só não vai ver quem não quer

Já há árbitro
Olegário Benquerença. Para quem não se apercebeu trata-se de um árbitro em final de carreira e a nomeação para um jogo desta importância tem que ser vista como um prémio e um sinal de confiança da parte de quem nomeia. Prémio e confiança que não se sustenta nas muitas vezes que encontrou o Sporting no seu caminho. Não exigirei nunca a um árbitro que não erre, o que não é admissível é que os erros que definem o curso de uma partida sejam sempre mais em favor de uns ou de outros. Será essa a medida para qualificar a actuação do árbitro, que se deseja seja não seja lembrada por ninguém logo a seguir ao apito final. De resto a nomeação de Olegário dá tantas garantias como de qualquer outro árbitro da chamada primeira categoria, o Sporting não conta nunca com o árbitro para ter jogos mais fáceis, é até frequente ter contar com ele como parte importante da equação para ganhar.

Já há equipa do Sporting?
Já são conhecidos os convocados por Marco Silva e os dados mais significativos são o regresso de Jefferson, a estabilidade na composição do grupo ( Marco silva optou por manter os 20 de Barcelos, a que juntou o então impedido lateral brasileiro). As dúvidas começam aí, pelo elemento que jogará do lado esquerdo da defesa, uma vez que Jonathan deu conta do recado em Barcelos. Porém o aumento das dificuldades é exponencial para amanhã, pelo que não surpreenderá que o treinador opte pelo regresso de Jefferson, até porque tem, pelo menos em teoria, melhor conhecimento do adversário e do ambiente dos clássicos. A nível da defesa não se esperam outras alterações.

Na linha média é muito provável que se mantenha o alinhamento de Barcelos. William e Adrien estão de pedra e cal, João Mário terá a oportunidade para justificar a oportunidade que há tanto reclama para si, que representará a possibilidade de desmentir os que desconfiam da sua regularidade, bem como da capacidade de demonstrar o seu valor ao mais alto nível. Jogos como o de sexta-feira são oportunidades que não podem ser desperdiçadas. 

Na frente, mantenho o que disse no post de Barcelos: com Nani; William, Carrillo (que regressará por certo à titularidade) e com as bolas com olhos a sair dos pés de João Mário, a possibilidade de Montero voltar a ser o Freddy Krüger dos guarda-redes adversários era bem real. A possibilidade de executar com velocidade e precisão seria elevada, faltando-me conhecer um lado importante para uma análise mais segura e profunda: como joga e o que vale o adversário. De facto, mesmo os resumos que tenho visto do FCP têm sido reduzidos em tamanho e frequência para me permitir segurança na avaliação. Mas a ausência de Maicon pode representar uma brecha. Pessoalmente confio num bom resultado.

Só não vai quem não quer (e quem não pode)
Para quem vive no norte do País tem nos núcleos o habitual apoio para as deslocações, com preços reduzidos. O Solar do Norte junta o jogo de amanhã com o do Chelsea, numa iniciativa feliz, que comprime o preço ao mínimo possível. Informações aqui: http://www.solardonorte.org/bilhetes.

Já para quem prefere o carro tem nesta iniciativa da AAS (seguir o link) (há outras semelhantes) a possibilidade de encontrar transporte ou tendo-o, a possibilidade de dividir custos. Só não vai quem não quer ou quem não pode.
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terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Keep calm que antes do galo cantar o leão rugiu 4 vezes

Excelente foi a resposta dada pela equipa em Barcelos, no estádio do Gil Vicente. Uma equipa concentrada nas suas responsabilidades, coesa e autoritária, que não permitiu à equipa da casa mais do que aceitar com naturalidade a superioridade do Sporting. Os receios de que a sequência de maus resultados pesasse na resposta da equipa felizmente não se confirmaram e esse é o principal mérito da exibição segura de ontem: O Sporting entrou de forma categórica no jogo, explorando de forma meritória as fragilidades do antagonista, não lhe dando tempo de ganhar confiança.

Hoje estas questões têm menos interesse, até porque a actualidade vai sobrepondo temas mais pertinentes. Mas este jogo deve funcionar como um ponto de ordem à mesa relativamente ao treinador. É exactamente o mesmo que comandou a equipa nos empates anteriores que serviram para por em causa a sua competência. Que responsabilidades tem Marco Silva nesta saída do Sporting de um ciclo de maus resultados, para as suas pretensões e responsabilidades, para uma goleada fora de casa?

Na minha opinião não há apenas uma resposta para esta pergunta, mas sempre me pareceram exageradas as criticas mais duras a Marco Silva. O Sporting não estava a jogar mal, os princípios de jogo sempre me pareceram correctos, sem prejuízo de considerar que a equipa tinha que evoluir em alguns aspectos do seu jogo. Mas, como qualquer outra, precisa de tempo e de resultados favoráveis para fortalecer a confiança individual e colectiva. Olhe-se para o percurso de equipas que mudaram de treinador e o tempo que levam a consolidar processos.


Voltando à pergunta feita acima, uma das respostas está dada logo no parágrafo de entrada e tem a ver com a postura da equipa. O valor do adversário não pode deixar de ser levado em linha de conta. Este Gil Vicente é um dos mais frágeis dos últimos tempos e está numa fase de transição, com entrada de um novo treinador. Não deixará de ser uma equipa em luta constante pela despromoção mas será uma equipa mais aguerrida, mais fiel à imagem do seu treinador. Marcar golos - e o Sporting marcou dois de rajada - e não sofrer faz toda a diferença, e isto são dois factos que, para o campeonato, só com o Arouca se havia registado. Não por acaso, foi a única vitória contabilizada até ao jogo de Barcelos.

A verdade é que Marco Silva acabou por mexer mais do que esperado. Se a entrada de Jonathan era "obrigatória" e a "morte" de André Martins era uma crónica há muito tempo anunciada, a saída de Carrilo deve-se inscrever numa natural rotação de jogadores, face ao calendário apertado. Se a escolha de João Mário rendeu altos dividendos ao treinador, e a todos nós, obviamente, parece-me exagerada a despromoção de André Martins para a bancada.

Não se confirmaram as tão pedidas mexidas no centro da defesa. Tal como disse no post anterior, compreendo que Marco Silva não o tenha feito, pelas razões então expressas. Isso não invalida considerar que continua a ser visível a falta de ligação - eu até acho mais do que isso... - entre os nossos centrais e que esta me parece insanável. Tal como digo também no post referido, a avaliação feita aos centrais tem estado mais concentrada nos resultados - o do derby em particular  - do que nas performances. O mesmo se poderá dizer agora, em função do sucedido ontem: pela segunda vez não sofremos golos, o que pode ser parecer uma aposta inteiramente ganha. Contudo os sinais deixados ontem e nos jogos anteriores estão longe de ser tranquilizadores.

Aqui a posição do treinador continua difícil, até porque não há sequer tempo para treinar outra dupla. A prazo continua a residir aqui a nossa maior fragilidade e os próximos dois jogos serão esclarecedores. Um daqueles casos em que agradeço encarecidamente ter uma visão errada dos factos...

Algumas análises individuais, com uma nota comum para as reacções às exibições de  Jonathan e João Mário: um bom começo na titularidade que requer certificação com adversários mais exigentes.

Cédric - sempre muito concentrado a defender, teria sido quase perfeito se não tivesse que centrar.

Jonathan - Expressei o meu receio aqui no post anterior, por temer que, com a companhia de Sarr, formasse o buraco na muralha que Mota exploraria. Esse temor não teve origem num conhecimento profundo do jogador, mas sim no preconceito, tantas vezes justificado, que os laterais sul-americanos se esquecem frequentemente que a principal preocupação de um defesa deve ser defender bem. Saiu melhor do que a encomenda, veremos como responde a desafios mais exigentes. Se quando chamado a defender esteve bem, sempre preocupado a fechar dentro, a atacar ofereceu mais do que Jefferson tem dado (fazendo sobretudo a linha e muito displicente a defender), procurando ser uma referência por dentro a triangulações e baralhando por isso as marcações. Pode sentar o brasileiro.

William- muito abaixo do que é normal nele na eficácia no passe, mas importante a por ordem no campo. Saiu para ser protegido do segundo amarelo. 

Adrien - ganhou com a presença João Mário e de um Nani inspirador e ainda fez um golão.

João Mário - Contrariamente ao que suponha, o Gil Vicente não foi uma equipa como é tradicional serem as equipas de Mota. João Mário teve assim mais tempo e espaço e assim o mérito de por no relvado tudo o que sabe e é muito. Dos seus pés as bolas saem com olhos, ficando a tarefa dos avançados muito facilitado.

Capel - Já provou que, apesar do que lhe falta, pode ser muito mais importante do que tem sido. Ontem e nos jogos anteriores.

Slimani - A entrega é total mas continuo a pensar que Montero, com estes Nani, João Mário, Carrillo e Adrien nas costas, voltaria a aproximar-se do melhor Montero que conhecemos.

Os adeptos presentes, apesar de em menor número que no ano passado, também perceberam a importância do momento e foram incansáveis no apoio à equipa. O resultado acabou por proporcionar uma festa. Do ponto de vista pessoal foi extremamente gratificante poder rever alguns amigos de longas caminhadas bem como o privilégio de ter conhecido pessoalmente dois jovens leões com quem me cruzo diariamente nas redes sociais, o @davidmarinho90 e a @miss_lyanna. O futuro é deles e o Sporting terá sempre o seu assegurado enquanto poder contar com a generosidade de adeptos assim, que não hesitam em fazer mais 700 km para estar com o clube quando ele mais necessita.

Nota: este post estava já escrito ontem, mas a colocação do post do Virgílio impôs o seu adiamento. É natural por isso que o post tenha algumas incorrecções temporais. Por falta de oportunidade só hoje pôde ser publicado.

Relativamente ao tema do post do Virgílio,  não fiz qualquer comentário pela simples razão que não vi ainda as declarações de Bruno de Carvalho e de Manuel Fernandes. Pelas reacções expressas até pondero não ver, uma vez que não me parece que o Sporting Clube de Portugal ganhe alguma coisa com isso e eu também não.

Seja como for tenho a duas certezas: o Sportinguismo de Manuel Fernandes é intocável, tal como o do meu amigo Virgílio. E isso irá sobreviver ao  justicialismo reinante e Sporting de opinião única que se tenta impor por estes dias.
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segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

DEUS EX-MÁQUINA OU OS HERÓIS TAMBÉM CHORAM


 
"Eterno Capitão"
Ontem vi um dos maiores responsáveis por hoje me afirmar sportinguista a chorar, em directo, na TV. A emissão foi, caridosamente, para intervalo forçado e durante o tempo que durou esse intervalo, mil e um sentimentos me passaram pela mente e corpo. E nenhum foi agradável. Raiva, revolta, nojo, levaram-me a um estado de nervos que perdura e me agita.

Tudo isto porquê? Porque alguém que se diz presidente do clube que eu amo, não aceita uma critica. E que critica tão absurda foi essa? Passou pela emissão de uma opinião negativa ao desempenho da principal equipa do SCP na Eslovénia, contra um clube limitadíssimo e que se revelou de qualidade muito abaixo do que os nossos jogadores podem e devem fazer. Uma opinião que, curiosamente, foi quase unânime… Mas, como foi proferida por um símbolo vivo do SCP, uma figura histórica que não come na mão do 'Querido Líder' e que ousou dar uma opinião não coincidente com a do regime, logo o senhor que se “dignou” a publicar um livro de auto-elogio bacoco ao fim de conquistar ZERO títulos (quantos livros publicou Manuel Fernandes com os seu êxitos desportivos?), surgiu com a pena capital: linchamento publico de um símbolo vivo do Sporting em directo e em plena televisão do clube. Será para isto que serve a nossa televisão?

O grave é que Bruno de Carvalho não só “tentou” denegrir a imagem de um dos nossos grandes heróis, como mentiu para todos nós, mais uma vez, ao fazer considerações sobre responsabilidades que Manuel Fernandes não tinha, na sua última passagem pelo clube. E fê-lo, com conhecimento de causa. O Senhor Bruno de Carvalho permite-se, com uma frequência inusitada, aldrabar, manipular, porque sente-se impune, julga-se o supra-sumo da inteligência, alguém que consegue enganar todos, a toda a hora. Autentico Deus Ex-Maquina em pessoa, surgido miraculosamente em Alvalade. Mas na verdade e perante as reações de hoje, o que ele realmente conseguiu foi, pela enésima vez desde que se tornou conhecido pelos sportinguistas, dividir a nação leonina… Se tal comportamento já não seria positivo antes de ser presidente, segundo o seu próprio actual critério, agora muito menos, digo eu. Como é bem sabido, não é bem assim que os verdadeiros lideres agem e se impõem: dividindo ao invés de unir. Enfim, consegue estar ao nível de um qualquer JEB a alcunhar quem dele discorda de “terroristas”. Só que desta feita, o terrorismo hoje realizado, é de estado e ai de quem se atreva a discordar do todo-poderoso: o 'exílio' das boas graças dos sportinguistas, deverá ser o castigo mais leve…

Com as afirmações miseráveis sobre Manuel Fernandes, Bruno de Carvalho consegue também provar, se dúvidas persistissem, que não presta como pessoa e cada vez mais coloco em dúvida, se alguma vez servirá como presidente de um clube que se pretenda unido. O Bruno de Carvalho julga os outros pelo que ele é. Não causa por isso espanto que transforme o eterno Manuel Fernandes numa pessoa que age em função de interesses pessoais e com objectivos de vingança. No fundo apenas demonstra, mais uma vez, o que ele é no seu intimo: uma pessoa vingativa, rancorosa, arrogante e profundamente ingrata e mal educada.

Ele sim, Bruno de Carvalho, estava à espera da primeira oportunidade para tentar, repito “tentar” enterrar o carismático Manuel Fernandes… Alguém que ele vê como opositor e que na sua lógica retorcida pretende desmascarar e diminuir, só porque, publicamente, não o elogia nem passa graxa.

Felizmente não conseguiu.

Duas notas pós publicação:

1. Será que o homem ouve alguém? O que lhe dirá Virgílio Lopes, antigo colega de Manuel Fernandes, com quem partilhou anos de balneário, sobre esta situação?

2. O erro de Manuel Fernandes, tal como o de Carlos Lopes, por exemplo: Eu sei que o sportinguismo deles impele-os a "tomar partido", mas, na minha opinião, os grandes Símbolos do SCP deveriam evitar imiscuírem-se em assuntos políticos. Deveriam pairar acima das disputas eleitorais, não se envolvendo como um qualquer comum mortal sportinguista, e assim manterem o seu estatuto intocável...


Força Manel, Tu És Eterno.

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sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

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Agora é sobretudo com Marco Silva e com os jogadores

Não faltaram diagnósticos, soluções, ajustes de contas e pedidos de responsabilização após o "ice bucket challenge" de Maribor. Quer uns quer outros quase sempre exercidos sob o efeito da emoção e choque sofrido pelos adeptos. O máximo que se consegue é ruído porque o essencial da resposta que é preciso ser dada está na cabeça de Marco Silva e nos pés e cabeças dos jogadores. Mesmo a direcção pouco mais poderá fazer do que proteger o grupo de trabalho, criando condições para a pressão e esse mesmo ruído exteriores não se tornem insuportáveis.

O pior que pode acontecer é que Marco Silva faça a indispensável interpretação do sucedido na Eslovénia debaixo do mesmo estado de espírito. Como se diz na gíria do jogo, os dados estão lançados, não haverá cartas novas no baralho, o mais que Marco Silva poderá fazer é baralhar e dar (oportunidades) a uns e negar a outros. 

Não é preciso conhecer Marco Silva pessoalmente para saber que está pressionado, uma vez que qualquer um no seu lugar o está, muito mais neste momento, por força dos resultados. Mas saber o quão permeável é à pressão já seria. No seu lugar, e se precisasse de conselhos, o que não me parece, recomendava-lhe o que costumo fazer nestes casos: ouvir as pessoas do seu circulo restrito de confiança, mas decidir dentro do que são as suas ideias e convicções. O pior que lhe poderia suceder era ganhar ou perder por causa de ideias alheias.

Dificuldades acrescidas para Barcelos
No plano psicológico o momento não é o melhor, por força da sequência de resultados. Não existe margem para errar e isso estará, inevitavelmente, na cabeça dos jogadores. Uns reagem bem a essa condicionante, outros tolhem-se e não conseguem expressar as suas melhores qualidades.

Não terá sido por acaso que Marco Silva marcou um treino para ontem à tarde. Se não o tivesse feito, haveria apenas o dia de hoje para preparar o jogo, o que é manifestamente pouco. Jogar com o Maribor não é a mesma coisa que jogar com o Gil Vicente e os problemas para a preparação especifica deste jogo são agora maiores do que eram há 2 semanas e antes do lance ridículo que mandou 500 mil euros à vida, dois pontos e até horas de sono à vida. Isto porque o treinador que iniciou a época deu lugar ao nosso velho conhecido Mota, cujas equipas adversárias são vistas com canelas até ao último cabelo.

Mudar ou não mudar
Quando se fala em mudar alguma coisa na equipa do Sporting aponta-se imediatamente para o centro da defesa. Ignora-se contudo que pelo menos uma alteração terá obrigatoriamente que ocorrer, atendendo ao impedimento de Jefferson. Dificilmente Marco Silva mudará mais, até porque já fez regressar em Maribor Cédric, quanto a mim de forma injusta para com Esgaio, que estava a cumprir até acima das expectativas gerais e das minhas em particular. Mudar os dois centrais está fora de questão, ainda faria menos sentido por, de repente, uma defesa nova, com jogadores que quase nunca jogaram. 

Depois há outros planos que convém avaliar: o(s) jogadore(s) que saíssem ficariam num plano fragilidade pouco recomendável, e ninguém garante - estamos a falar de futebol, não de matemática - que os escolhidos não pudessem falhar também. De uma assentada ficariam comprometidos quase todos os elementos do sector. 

Parece-me que Marco Silva fez uma má aposta nos centrais que escolheu para fazer dupla, já aqui o disse vezes sem conta. Também me parece ter sido vitima de uma má avaliação feita ao seu desempenho, mais centrado no resultado do derby, do que propriamente na qualidade da performance. Acontece que agora as circunstâncias empurram-no para um beco e ainda por cima muito estreito. Daí que, face à conjuntura, compreenderei que não produza grandes alterações, para lá da óbvia entrada de Jonatham. 

Não tenho dúvidas que será muito por ali - pelo lado de Jonathan e Sarr, os elos fracos, por razões diferentes - que Mota forçará a entrada no nosso reduto defensivo, juntamente com a exploração do futebol directo para as costas de William, aproveitando o seu fraco poder de reacção e sofrimento.

André Martins é outro dos que está na linha de fogo. Não tem sido feliz, é certo, mas é apenas um entre vários. Adrien não tem estado melhor, o colega de sector serve agora de alvo, situação que Adrien tão bem conhece. Curiosamente é João Mário que agora é visto como salvador ou pelo menos como "game changer" o que manifestamente me parece ser pedir acima das suas características e possibilidades. Para um jogo mais fisico como o esperado numa equipa de Mota Martins oferece mais capacidade de organização, João Mário de organização, isto se tiver o espaço e o tempo para pensar, como o seu futebol exige. Mané nunca entraria nesta equação, o meio-campo vai ter que ter uma componente de luta, imposta pelo adversário e Mané não é bem para isso que está talhado.

Na frente não creio que Marco Silva vá fazer grandes alterações. Quando encostou Montero e quando decide pô-lo nos momentos finais dos jogos não lhe está a reforçar os níveis de confiança que precisa para voltar a ser tão importante como já foi. Assim é pouco crível ver Montero regressar à titularidade ao campo onde, para o campeonato, foi feliz pela última vez.
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