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terça-feira, 20 de agosto de 2019

Perceber o caso Dost

Perceber o caso Dost, e especialmente a multitude de reacções que se registam desde a noticia do acordo com o Eintreicht de Frankfurt seria perceber o Sporting e isso é como aquela anedota do homem que encontra o génio da lâmpada. O homem queria uma ponte para a Madeira mas perante a dificuldade da obra pediu ao génio que lhe ajudasse a compreender as mulheres, por já registar vários desgostos amorosos. O génio pensou melhor e perguntou-lhe "olha, afinal quantas faixas queres que tenha a ponte? Desculpando a misoginia descarada da anedota, é trocar "mulheres" por "sportinguistas"

Falar de Bas Dost é falar de um dos jogadores que me marcou.. E se gostei dele não foi apenas pelos inúmeros golos que apontou. Foi também por duas qualidades cada vez mais raras: competência e discrição. Era chegar ver e marcar. Tomar banho, ir à vida dele, que por ser a dele só a ele lhe interessava. E depois repetir. 

No dia em que lhe agradecemos aquelas virtudes abrindo-lhe a cabeça, abriu-se uma ferida exposta que haveria de ser coberta por sal uns dias depois no Jamor.  Ferida que ainda continuará a sangrar ainda que o desfecho ocorrese hoje, o que está longe de acontecer. Ela será ainda várias vezes lancetada e voltará a infectar sempre que as inúmeras ramificações forem afloradas. (o caso Alcochete, as rescisões por resolver, etc, etc.)

A saída de Bas Dost andava a ser esboçada debaixo dos nossos olhos. Seja no tempo em que esteve tanto tempo afastado dos relvados, no regresso em forma de sombra chinesa, espectro do avançado que já tinha sido, no grande golo em forma de estertor da pré-época. 

O comunicado de hoje do CD trás à luz uma realidade que nos surpreende: foi o próprio Bas Dost a anunciar o fim do seu ciclo no Sporting, ao contrário de noticias postas a circular que indiciavam - assim foram interpretadas por muitos...- que o clube estava a tentar empurrá-lo porta fora através de parangonas nos jornais.  

Estes factos serão como o burro: albardados à vontade do dono. Relativamente ao comunicado parece-me importante dizer o seguinte:

- Foi feito um acordo de principio entre os clubes e este foi tornado público e comunicado à CMVM. 

- Perante a recusa de Bas Dost em assinar pelo clube alemão sem que o Sporting lhe satisfizesse exigências de última hora  - vários milhões de euros dados a conhecer pouco antes do jogo da última jornada - e o impasse que gerou o Sporting é obrigado a comunicar o facto à CMVM.

- É óbvio que o comunicado expõe publicamente um problema que preferencialmente deveria ser resolvido no recato de um gabinete. Mas, com mais ou menos linhas, e sem descontar a obrigatoriedade imposta pelas regras da CMVM, o CD deveria ou não colocar os pontos nos ii's e marcar uma fronteira entre o que é a sua versão dos acontecimentos e aquelas que diariamente saem nos jornais e que o deixavam frito que nem passarinhos?  

- Cada um que diga de sua justiça. Creio que o Bas Dost além de um dos melhores marcadores do Sporting ficará na história pela meteórica ascensão a heroi, daí rato e regresso a herói, pelo menos a avaliar pelo que vou vendo.

- O CD que é composto por um "cacho de bananas", "que fazem todas as vontades aos empresários e jogadores", agora são tudo isso e mais incompetentes porque não cede perante as exigências e chantagens de um jogador e respectivo empresário que ainda há um ano  fez beneficiaram do estado de necessidade em que o clube foi deixado após Alcochete?

Entretanto é conhecida a posição do empresário [Aqui]


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Sporting 2 - Braga 1: fim da greve às vitórias mas ainda com pouco combustível

Foi finalmente posto termo a uma greve altamente perturbadora do bem estar leonino: a greve às vitórias. Porém, quando o jogo terminou, o combustível nos depósitos devia estar mesmo no limite. Conservamos os três pontos, que era o mais importante. Esperemos que as negociações que decorrerão até ao final do mês resolvam o problema da escassez desse recurso tão importante para um clube como o nosso.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Obrigado João, obrigado Pedro. E até já!

Três temporadas não são três dias. É muito mais do que um golo, um pontapé de bicicleta ou mesmo um hattrick. É trabalho feito, é tempo ganho que para tantas outras coisa foi perdido, foi engano, foi pontapé certeiro, penalty's marcados e outros tantos por amor perdoados. 

Amor? Ao Sporting, sempre! E foi por o querermos servir que nos juntamos, foi por ti Sporting que desbravamos os caminhos aos podcasts, que fomos muito mais longe que  o bilhete comprado para a viagem parecia indicar. E por ti Sporting seguiremos juntos, porque somos e continuaremos a ser sempre da mesma Família cuja raça não verga. Aquela família que, além da que me viu nascer, vou pertencer até ao fim dos meus dias.

Agradeço-vos do fundo do coração - que por causa do 160 é hoje ainda mais verde e branco - a oportunidade que me deram. Volto para o meu lugar, onde tudo começou. E, depois de ouvir as primeiras edições da nova temporada, mais convicto e confortável fico de ter tomado uma boa decisão, por vós e por mim. É bom saber que não faço falta. Mas dispensava as saudades. É a vida.

Obrigado João, obrigado Pedro. E até já!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Castigo Máximo

O Pedro Azevedo resolveu aplicar-me um castigo máximo ao fazer-me um convite para redigir um artigo para o seu blogue [LINK]. Para perceber melhor o que se passou podem fazer-lhe uma visita. 

Ou então façam como eu, visitem-no a cada novo post.

Basta seguir o link: https://castigomaximo.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Maritimo 1- Sporting 1: no Caldeirão sem fogo

Jogo e exibições lamentáveis na Madeira. Não adianta exercer domínio sobre o adversário e ter mais posse de bola. É preciso mais qualidade, especialmente no último terço do terreno, onde a bola chega quase sempre sem grande critério.

Por falar em qualidade, quantos dos titulares jogariam nos rivais? No caso de ontem, do LD que está muito verde para estas andanças com gajos matreiros e físico superior. Mas que foi deixado entregue à sua sorte por todos, como se tratasse de um veterano e ao contrário do que era recomendável. É também por aqui, pela falta de qualidade de alguns elementos para executar à altura de uma equipa que ambiciona o titulo, que começam os nossos problemas. Ambiciona? Deveria ambicionar?... 

Problemas que são agravados pela forma como a equipa joga. Muita distância entre os jogadores e entre sectores, incapacidade de chegar com qualidade ao último terço e daí até zero conexões primeiro com Luis Phellype e depois com Dost. Era suposto que os jogadores crescessem e não que vissem expostos os seus defeitos.

Pior só mesmo as declarações finais do treinador. Enquanto elas não chegaram ressaltou à vista de todos que quando mexeu para tentar ganhar quase ofereceu o jogo ao adversário. Algo que já tinha acontecido na Supertaça, cada vez que mexeu a equipa ficou pior. Onde está o Keizer que pôs a equipa a jogar de pé para pé e que parece ter-se perdido na viagem para Guimarães no ano passado?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Sigam-no!

O facto de Bruno Fernandes não se ter transferido para o campeonato inglês é uma janela de esperança que se mantém aberta para que possa continuar mais uma época de leão ao peito. A continuidade do Capitão (sim, porque as maiúsculas são inteiramente merecidas) significa que não haverá necessidade de refazer a liderança da equipa em campo, onde Bruno Fernandes a exerce da forma mais conveniente: pelo exemplo.

Significa também que, do ponto de vista técnico, o Sporting mantém o seu principal valor, não se colocando para já a necessidade de arriscar a substituição do seu melhor jogador. Os números falam por si: 2 épocas, 110 jogos, 48 golos, 38 assistências, 9,485 minutos jogados. 

Ao contrário de outros, a quem muitos reivindicam uma oportunidade ou mesmo a titularidade, Bruno Fernandes tem curriculum de veterano, mas é apenas um jovem de 24 anos. A sua permanência é um bom exemplo para os jogadores mais novos. Sigam-no!


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Eu sim, estou preocupado. E muito!

As declarações do presidente Frederico Varandas (FV) marcaram ainda mais profundamente o desaire (isto é um eufemismo...) da Supertaça. Eu até compreendo o que ele disse e o que procurou alcançar mas não apenas aceito como concordo que FV foi particularmente infeliz. Ainda por cima, ao contrário do que disse, o seu semblante era de quem estava realmente preocupado com o que acabava de suceder. Naquele momento eram necessárias declarações sóbrias e sobretudo de assumpção de responsabilidade e desculpas perante o sucedido. Mas sobretudo de empatia para com toda a nação Verde e Branca, particularmente com aqueles que se deslocaram propositadamente ao Algarve e se dispuseram a fazer frente a um horário absurdo.

O parêntesis sobre o horário é inteiramente merecido. Mesmo considerando que muitos adeptos de ambos os clubes se encontrem a banhos, a menos que estivessem nas imediações do eixo Albufeira/Quarteira/Vilamoura poucos devem ter chegado a casa antes da meia-noite. O mesmo indicie de autismo e desrespeito pelos adeptos já se anunciam nos horários já conhecidos. Por exemplo, se eu quiser ir ver o jogo com o Braga tenho que me deitar às 3 da manhã. Se eu quisesse acrescentar mais penitência à minha vida tinha ido para monge franciscano em clausura e abdicava do luxo que é ser adepto do nosso Grande Sporting. Bem vistas as coisas abdicar das nossas cores é uma penitência ainda maior, por isso deixa estar, adiante...

Voltando a FV, devo dizer sem qualquer problema que não apenas votei na sua lista nas eleições como confio nas suas capacidades e especialmente na equipa com que se fez acompanhar. FV não é nem quer ser um homem providencial e isso é bom para o Sporting. Além da grande dedicação e empenho que reconheço à sua equipa, julgo que não apenas tem competência e seriedade, mas também é bem preparada e com experiência apesar de, na sua generalidade, ser ainda jovem. Mas talvez mais importante que tudo têm vontade de reerguer o Sporting e guindá-lo a patamares de onde não deveria nunca ter saído. E estão a aprender como todos os outros aprenderam o que é gerir um clube como o Sporting.

Para que tal suceda precisa de todas as qualidades acima enunciadas, mas também de tempo para executar e claro, de resultados desportivos. Sorte? Sem dúvida, mas essa chega sempre, mais tarde ou mais cedo, quando se é competente. Mas a competência em futebol e num clube nas circunstâncias em que a equipa de Varandas encontrou o clube requer tempo. 

Mas o tempo não é tudo e é isso que torna a tarefa mais complexa. FV e sua equipa não parece ter particular preocupação com a comunicação. A imagem que projecta é  por isso muitas vezes confundida com indiferença e arrogância. Quando nós nos não tratamos de escrever as nossas próprias versões alguém se encarrega de o fazer. Infelizmente há demasiados Sportinguistas nitidamente mal intencionados, que têm aproveitado esta falha para espalhar a sua visão mesquinha e marcada pelo profundo ódio que têm por uns corpos sociais que mais não fizeram do que assumir  responsabilidades pelo completo desatino e evidente claudicação de quem os precedeu.

Nada há de muito favorável no que este (ou qualquer outro CD que fosse) tem pela frente. Pelas nossas circunstâncias internas mas também pelas externas. O rival SLB domina, como sabemos, todos os bastidores do futebol, tal como o FCP dominou nos anos 80/90 do século passado e inicio deste século. Mas souberam também criar uma estrutura competente, reorganizaram a formação e disso tiram lucros desportivos e económicos, enquanto nós fazíamos o percurso inverso, desbaratando a maior fonte de riqueza e notoriedade. O FCP vive um tempo de transição e, embora esteja num plano ligeiramente inferior, mantém ainda algum do poder e valor desportivo. De quanto tempo e estabilidade precisaram para se afirmar?

O Sporting é, por todas as razões e outras mais, claramente um outsider. Este CD podia queimar algumas etapas e sobretudo consolidar o seu projecto com um treinador competente que claramente Keizer não parece ser. Infelizmente talvez só FV consiga perceber que qualidades é que possuía para o ir resgatar às imediações do deserto. Aposta na formação, qualidade de desempenho, capaz de se impor e afirmar perante os adversários da LIGA (neste momento a LIGA é mais importante que tudo o resto) não se consegue vislumbrar. Inverter esta imagem é crucial.

Neste momento Keizer está sentado no lugar do morto. É FV que vai assegurando a condução porque o holandês parece ainda petrificado - uma estátua de sal - como o vimos naquelas imagens terríveis no estádio do Algarve, enquanto a equipa soçobrava, abandonada pela total inacção. A sua fleuma e respectivas declarações após o jogo foram quase ofensivas, como se estivesse a dissertar sobre a beleza das tulipas de Keukenhof, indiferente ao sofrimento de quem não se lembra de quando tinha ocorrido a última refeição e contava com ele para interromper esse hiato. O seu baixo perfil mediático ajuda a cavar o fosso empático, que só a sua postura cordata vagamente ameniza. Claramente não parece perceber  o que é o Sporting e isso cria a ideia que não é um treinador para o Sporting.

Não quero com isto dizer que Keizer deve ser despedido imediatamente, até pela falta de soluções. Keizer tem de provar no imediato é que a Supertaça foi "apenas" um jogo mau em que o futebol é tantas vezes fértil. Tem de devolver a esperança que ficou inevitavelmente estilhaçada com a goleada sofrida em ambiente solene de uma final. Tão traumático como acabar despido num baile de gala. Tem de provar que FV não se enganou ou então este tem de, quanto antes, admitir e corrigir o seu erro.

Como a pergunta é inevitável, não creio que uma possível saída de Keizer signifique a queda da direcção. Uma direcção pode não acertar num treinador, sem que isso signifique perder o mandato. Mas é uma óbvia quebra de confiança que não deixa campo de manobra para novo equívoco. FV pode e creio que está a reorganizar e até a (re)inventar muitos departamentos, mas o Sporting é sobretudo um clube e por isso precisa de resultados desportivos. E ainda que não ganhe tem de ter um desempenho que não envergonhe os seus associados. Não foi isso que se viu na Supertaça.

É quase uma ressuscitação que se pede a Keizer. É quase um tudo ou nada ainda o campeonato não começou. É um treinador marcado por uma goleada ante o arquirival. É por isso que eu estou preocupado. E os abutres (os piores são os equipados com as nossas cores porque nos tomam por desmemoriados) já derramam a sua habitual verborreia a cada microfone que lhes passa à frente. Onde estavam eles quando ganhamos "as tacitas"?

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Supercoça

A história da Supertaça é breve: o Sporting tinha um plano delineado e aparentemente bem estudado. Pelo menos foi isso que transpareceu nos primeiros minutos, até sofrer o golo. E a estratégia parecia ser aguentar o adversário e tentar marcar. Mas para lá desse plano não parecia haver outro e por isso, quando o Benfica marcou o Sporting ficou à deriva. Andar à deriva é o caminho mais rápido para um naufrágio doloroso, que foi o que aconteceu.

Se é verdade que podia ter sido melhor, caso as oportunidades dos primeiros minutos tivessem sido concretizadas, não é menos que podia até ter sido pior a partir do segundo golo. Pode-se pensar que foi o azar, próprio do jogo. Mas não foi apenas o acaso. O Bruno Fernandes provavelmente teria marcado caso o guarda-redes ficasse na baliza à espera, como fez Renan no primeiro golo de Rafa. Pormaiores que fazem toda a diferença.

O jogo acaba por ser o espelho da pré-epoca de ambas as equipas: de um lado uma equipa titubeante, cheia de dúvidas e incertezas, com processos de jogo muito crus, mal definidos em todos os momentos (defesa/construção/ataque) que não potencia o valor dos jogadores que é bem maior do que "aquilo" que se viu. A quantidade de golos sofridos e marcados ilustram-no bem.

Do outro um treinador que não apenas tem à sua disposição um plantel rico mas também sabe o que quer e prepara a sua equipa para vencer. Dessa forma os jogadores executam com conforto e segurança e são perfeitamente conhecedores do que se lhes pede. 

A Supertaça foi afinal uma Supercoça. Com mais ou menos golos porém não me apanhou de surpresa, bastou ver os jogos da pré-época. E, assim de repente, a semana que hoje começa vai ser muito mais importante para o resto da época do que alguma vez imaginaríamos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

A entrevista de Nani: o Sporting tembém é isto

Nas vésperas de mais um dérby - e se todos são importantes este não foge à regra pois dita o inicio da época - é dada à estampa uma entrevista de Nani. O titulo escolhido não podia ser melhor e o timimg não podia ser pior. Não vemos nada semelhante nos clubes concorrentes, bem antes pelo contrário e muito menos com origem em jogadores com responsabilidades acrescidas, como é um ex-capitão

Se todos remassem para o mesmo lado e se preocupassem menos com a gestão da sua imagem pessoal e / ou com o seu grupo ou facção talvez um dia seja mais fácil gerir o Sporting. Mais do que um clube o Sporting parece por vezes pouco mais do que um jogo de espelhos e um passeio de vaidades.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Troféu 5 Violinos: orquestra curta e por afinar

Na apresentação aos sócios e adeptos em casa não houve alterações significativas na banda sonora  desta pré-temporada: algumas boas indicações, melhorias aparentes e subsistência de algumas debilidades que, por tardarem a ser resolvidas, acabam por ditar mais um desfecho final negativo.

Se é típico da pré-epoca a desafinação, não deixa de ser preocupante que se mantenham erros da época passada. Onde isso continua a ser evidente é na quantidade de passes perdidos e a forma  como se reage a essa contrariedade. De forma demasiado frequente mais de meia equipa está demasiado distante do centro do jogo, ficando assim exposta ao perigo. E isso é mais evidente e frequente à medida que o jogo decorre, como se viu no jogo com o Liverpool e ainda ontem.

Assinale-se um bom começo, com um golo monumental de Dost (acabado, hem?) rapidamente anulado por um golo sofrido na sequência de um livre em que a zona é mal defendida por Borja. Se não conhecia Kongobia devia, assim ficou apresentado. O Sporting não tremeu com o golo mas perdeu algum fulgor.

A equipa consegue ter bola mas a eficácia no ataque é incipiente. A qualidade do nosso jogo no último terço é muito reduzida e a bola praticamente não chega a zonas de finalização com qualidade ou simplesmente não chega. Bas Dost e Philyppe são quase corpos estranhos. A fraca participação e entrosamento de Vietto não pode desculpar tudo. Na prática jogamos apenas com um extremo - Raphinha - pouco fiável. Ontem esteve num plano razoável, mas no jogo anterior praticamente não se viu nada de assinável. 

Seguramente que não melhoraremos com Diaby. Talvez seja necessário que alguém da estrutura faça um briefing prévio com Keizer. Não apenas para melhorar o seu cinzentismo nas conferências de imprensa, mas para lhe explicar o efeito contraproducente das suas teimosias. Não vale a pena falar novamente em Ilori, finalmente remetido à sua posição. Mas Diaby agora? Provavelmente é um excelente profissional, treinará como poucos, mas em campo a sua produção é quase sempre confrangedora. A sua entrada ontem é inexplicável com Plata e Jovane no banco. O custo da sua contratação, associado ao que se perde com sua presença e quanto ela impede a afirmação de outros jogadores é de difícil contabilização.

Do ponto de vista defensivo preocupa mais a articulação entre sectores do que propriamente a constituição nominal da defesa, pelo menos com os que são tido como titulares disponíveis.

Um parágrafo para o que habitualmente se designa por bolas paradas. Há muito trabalho por fazer neste capitulo, quer quando em trabalho ofensivo quer defensivo. Cantos para a molhada, sem qualquer proveito quando marcados por nós, é um desperdício demasiado dispendioso. No mínimo estranho que, tendo nós tantas torres para este xadrez, pareça que joguemos com minúsculos e inofensivos peões. Quando a defender, ai Jesus! O Outro, não esse...

Um parágrafo para o plantel. Não temos a disponibilidade do Valência, que ontem mudou praticamente uma equipa ao intervalo sem que isso quase tenha sido perceptível. Nós mudamos a defesa e sofremos logo um golo, com a tal mais de meia equipa completamente ausente da decisão do lance. Muito poderá mudar se Bruno Fernandes sair. Mas mesmo que fique parece faltar ainda alguma coisa na frente de ataque. Que pode vir da melhoria da forma de alguns jogadores, dos processos de jogo, das escolhas do treinador, mas também pela incorporação de mais talento, que parece curto para uma época longa e exigente.

Nota final para o lote dos equipamentos desta época, cuja escolha geral foi muito feliz.

domingo, 28 de julho de 2019

Matar saudades do Grande Sporting em New York

Quando tive conhecimento da deslocação do Sporting a NY para jogar um amigável com o Liverpool sorri, pensei imediatamente ser a oportunidade ideal para voltar a ver o meu Sporting ao vivo, algo que já não acontecia desde Outubro de 2013.

Vivo no Canadá, bem perto da fronteira com o estado de New York e sensivelmente a 700kms do Yankee Stadium, distância bem razoável para fazer sobretudo pelo Sporting.

Queria ver a equipa, cumprimentar alguns amigos que ainda tenho a trabalhar no Clube, sentir a emoção do jogo e estar com outros Sportinguistas, também eles ora emigrados ora descendentes de Portugueses mas com quem partilho o amor pelo Sporting.

Foi um final de tarde sensacional, a viagem de metro até ao Bronx, o vislumbrar do Yankee Stadium, as cervejas e o merchandizing a serem vendidos a um ritmo incrível, até o cheiro no ar (mesmo em NY) me faziam lembrar os grandes dias de jogo em Alvalade. Esperei pela equipa na porta do Estádio (não me lembro quando o fiz pela última vez), conversei com adeptos do Liverpool (estavam em completo êxtase por verem os campeões europeus), ensaiei cânticos com os ainda poucos leões naquela zona do estádio, até que a equipa chegou. Infelizmente e por razões de segurança (coisas bem americanas), as equipas não podiam parar na entrada e desceram a rampa da garagem rapidamente.

A Sporting TV fazia uma ronda de entrevistas aos Sportinguistas presentes, uns de NY, outros de Jersey, Connecticut, outros estados próximos e até do Canadá, como eu. Enquanto me preparava para sair dali, ainda tive oportunidade de cumprimentar o Presidente e de lhe endereçar algumas palavras, e o meu amigo Beto Severo que tinha vindo cá fora sentir o ambiente.

Estava quase na hora de entrar, ver a bola a rolar, aplaudir o Jubas e o Paulinho, o Renan, o Max e o Nélson no habitual aquecimento dos GRs e por fim o restante plantel e equipa técnica. O coração já palpitava, o estádio começava a encher a um bom ritmo (não pensei que acabasse praticamente cheio como sucedeu), o Klopp era a máxima estrela no relvado (espectáculo de Homem), os nossos adeptos iam chegando a uma zona que quando comprei os bilhetes pensei ser apenas para adeptos do Sporting, mas não, cada vez mais camisolas NB, vermelhas, brancas, de outras cores, todas com um símbolo diferente do leão. Sem problema algum, éramos poucos mas tudo com muita vontade de gritar bem alto o nome do Sporting.

Permitam-me partilhar o arrepio que senti quando se cantou o You’ll Never Walk Alone, foi a primeira vez que ouvi ao vivo e foi incrível, melhor só o Mundo Sabe Que em Alvalade.
Início do jogo e GOLOOOO, foi a primeira vez que os milhares de adeptos do Liverpool sentiram a nossa presença, e que rugido!!

Durante o jogo fui conversando com os Sportinguistas que estavam ao pé de mim, quis perceber e ter a certeza dos meus argumentos quando na semana passada escrevia algo sobre o assunto. Ainda hoje não percebi a polémica em torno desse tweet, pois dizer que os adeptos que vivem longe de Alvalade não têm o real conhecimento da grandeza do Sporting não é nenhuma mentira, nem tão pouco é algo que seja mau, é apenas uma constatação de um facto, que felizmente tive oportunidade de comprovar. Estão longe, alguns nem Português falam, e são do Sporting porque os familiares já o eram e porque usam o Sporting quase como o principal elo de ligação a Portugal. Adoro ver aquele sentimento, já o conhecia dos meus tempos de Gestor do Produto Sócio, onde tinha a função de conhecer muito bem o adepto e sócio do Sporting, onde quer que ele estivesse. Por isso, não falei de cor, não foi um minorar de ninguém, nem sequer catalogar, mas há diferenças, são facilmente perceptíveis.

Posso dar um exemplo para que compreendam melhor o que digo, usando a minha pessoa e a minha própria experiência. Quando saí de Portugal não havia ainda o Pavilhão João Rocha, construído no mandato do Bruno de Carvalho, e que tantas alegrias e tanto orgulho nos tem dado. Leio e vejo vídeos do ambiente do PJR, tento colocar-me lá a ver o Hóquei ou outra qualquer modalidade, mas não sei o que é, mesmo tendo vivido nos tempos de glória no velhinho Pavilhão de Alvalade e na Nave, não acredito que saiba ou que seja possível alguém explicar o que sentiram e viveram quando ganhámos o jogo ao Porto na final da Liga Europeia de Hóquei, ou quando eliminámos o Benfica da Final Four da UEFA Futsal Cup, é impossível descrever. Ora se eu com 40 anos de sócio, 35 anos de vida quase diária em Alvalade, não sei a grandeza do Sporting no PJR, como poderão Sportinguistas que não conhecem Alvalade, que viram o Sporting 1 ou 2 vezes na vida ter a real ideia da dimensão do Sporting Clube de Portugal?

Quanto ao jogo, foi maravilhoso voltar a ver um jogo totalmente despido de politiquices e sem pensar nas constantes guerras entre Sportinguistas, ver o jogo como um adepto que ama futebol, que tem os seus preferidos e os menos preferidos (para não dizer que os detesto), que incentiva e aplaude, que grita por eles e faz movimentos com o corpo como se a tentar guiar os jogadores para fazerem o que pensamos ser o mais acertado, seja um passe ou um remate. Que bom foi, que sensação maravilhosa!
Um abraço desde New York, sim aproveitei e fiquei por aqui mais uns dias!
Nuno Paiva

P.S. Obrigado ao José Duarte pela oportunidade de partilhar esta minha fenomenal experiência.

NDR: Obrigado eu Nuno. Que a distância encurte e que tenhamos aquilo que há tanto tempo desejamos.!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Liverpool 2 - Sporting 2: quem muito falha pouco acerta

Não é possível ganhar jogos, ainda por cima a este nível, com falhas como as registadas nos dois golos do Liverpool. Falhas individuais e falhas colectivas, com a equipa mais uma vez a sofrer golos na sequência de lances em que perde a bola e é apanhada desorganizada. O facto de continuarmos a sofrer golos em todos os jogos é preocupante e revela que a base é ainda instável e pouco consistente.

Ainda assim talvez seja a melhor exibição desta pré-época, com a mudança para um 4x4x2, onde a equipa, apesar do que foi dito acima, apareceu mais compacta, por força dos sectores mais juntos, o que confere mais segurança na execução aos jogadores. 

Um teste muito a propósito para o primeiro compromisso da época - a Supertaça - mas onde ficou bem evidente o quanto o crescimento desta equipa está ainda manietada pela ausência de laterais, quer por ausência dos jogadores potenciais titulares, quer pelo atraso na preparação.

Quanto ao resto... Bruno Fernandes! E depois, claro, não podíamos deixa de mencionar o... Bruno Fernandes.

Renan fez o que pôde, não foi por ele.

Ilori, até para ser protegido, precisa de ir arejar. Um regresso penoso e infeliz. Este Ilori não só não evoluiu, não melhorou o seu potencial, como parece ter desaprendido. A leitura de jogo parece ser agora pior, a abordagem aos lances e a colocação dos apoios são de principiante.

Estamos melhor com Neto do que estávamos com as opções anteriores.

Continuamos a precisar de um verdadeiro "6" que Doumbia até pode vir a ser mas ainda não é.

Eduardo pareceu melhor preparado para a função que inicialmente foi atribuída a Doumbia.

Wendel fez dos melhores jogos que lhe vi de leão ao peito mas continua a faltar alguma coisa na cobertura do meio-campo. Quase perfeito da linha do meio-campo para a frente, a rever dessa linha para trás.

Raphinha????

Vietto esteve uns furos acima, em posições onde parece estar mais confortável, embora seja claro que o deficit de confiança é ainda o muro que tem que transpor.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Vietto e o problema do 4x3x3

Luciano Vietto, pela sua qualidade, tem tudo para poder ser um dos jogadores marcantes da Liga 2019/20, mesmo que as primeiras aparições estejam ainda longe de o indicar. Para que tal suceda há uma teia de factores que têm que se reunir em simultâneo e que começam no próprio jogador, passam pelo treinador, bem como pelo trajecto da equipa no campeonato. Embora ainda seja cedo, as primeiras indicações não são muito animadoras. 

No post anterior dizia que "após os jogos iniciais é incompreensível que o esforço feito na contratação de um jogador com a qualidade de Vietto vá morrer no seu desvio para a ala esquerda quando podia estar a ligar o jogo ao centro.". Talvez a questão primordial seja se a aquisição foi devidamente articulada com o treinador que, todos sabemos, tem demonstrado preferir o 4x3x3, modelo que favorece pouco as características de Vietto, como aliás o próprio reconhece.

O sucesso da adaptação de um jogador a novas funções em campo começa logo na sua capacidade cognitiva de entender o jogo e o que ele pede nos seus diversos momentos. Mas mesmo os jogadores que demonstrem estar bem apetrechados a esse nível podem ver a sua acção limitada por diversos factores como as limitações físicas e até emocionais. É aqui que começam as minhas dúvidas sobre o sucesso da adaptação de Vietto ao papel de extremo, mesmo que de forma não convencional. Se é evidente que Vietto não parece ter grandes apetências nem físicas nem emocionais para as exigências das  tarefas defensivas que o lugar exige para o equilíbrio da equipa, é na questão emocional que as minhas interrogações se centram por ora.

A melhor época de Vietto dista já de 2014/15 no Villarreal, onde despertou o interesse do Atlético de Madrid, obrigando-o a abrir os cordões à bolsa. De de lá para cá a sua carreira entrou num plano descendente, o que certamente se reflectirá na confiança com que executa em campo. Ao invés de lhe proporcionar um regresso à sua zona de conforto, onde a regeneração da confiança nas suas qualidades lhe proporcionaria maior segurança para a aventura noutras funções,  esta tentativa de adaptação de Keizer tem tudo para aprofundar o eclipse do argentino.

Mantendo o actual 4x3x3, vejo como muito difícil uma passagem auspiciosa de Vietto por Alvalade. Temo até que este modelo, com ou sem Vietto, seja o adequado para levar o Sporting onde todos nós queremos. As fragilidades do campeonato passado andaram a assombrar os jogos de preparação e a equipa parece ainda longe do equilíbrio desejável.

sábado, 20 de julho de 2019

E se Bruno Fernandes sai? E se se lesiona?

À terceira ainda não foi a vez de registar uma vitória nesta pré-temporada. Se os resultados não são o mais importante a forma como eles são obtidos já o são. E aí há algumas razões para alguma preocupação. Por exemplo:

- Continuam a ser flagrantes as dificuldades do Sporting na saída de bola, algo que se arrasta desde a época passada, fazendo que o Sporting sofra até com equipas pequenas que consigam pressionar com o mínimo de eficácia e persistência.

- Este meio campo da primeira parte é incapaz de organizar uma pressão eficaz, a desorganização é evidente no momento de reagir à perda, é incapaz de ter bola e quando a ganha de a conservar. As melhorias do segundo tempo não resolveram os problemas na totalidade. 

- Permanece a fragilidade defensiva que advém de um meio-campo demasiado permissivo. A quantidade de oportunidades que os adversários dispõem durante o jogo além de criar insegurança na equipa e expõe-nos em demasia, mesmo depois de recuperarmos de desvantagens.

- Apesar das melhorias registadas faltam ainda muitos metros ao nosso ataque. Após os jogos iniciais é incompreensível que o esforço feito na contratação de um jogador com a qualidade de Vietto vá morrer no seu desvio para a ala esquerda quando podia estar a ligar o jogo ao centro.

- É muito duvidoso que tenhamos resolvido o problema do "6" com Eduardo ou Doumbia. O problema ali era capaz de não ser apenas com o Gudelj...

- É evidente a falta de qualidade nos extremos. Raphinha ainda tem muito que crescer e depois dele o vazio é grande.

Claro que o facto de ser apenas o terceiro jogo funciona como atenuante, assim como a ausência de alguns jogadores que, por razões diferentes, têm estado impedidos. Mas a esperada chegada de Acuña, Borja, Coates e a resolução das lesões dos laterais direitos  não serão suficientes para resolver um problema que começa nas ideias e concepções de Keizer.

Aguardemos pelos próximos capitulos. Mas a pergunta que certamente todos temos na cabeça quando pensamos nesta equipa é: e se Bruno Fernandes sai ou se lesiona?

Algumas apreciações individuais:

Renan: enorme exibição. É um dos patinhos feios de muitos adeptos, alguns porque nunca lhe perdoaram o episódio Viviano do qual não foi obviamente responsável. Não perdemos antes da ida aos penaltys graças a ele.

Maximiano: Mais tarde ou mais cedo a baliza será dele.

Mathieu: que nunca se lesione, não é?

Wendel: precisa de se dedicar mais a fechar atrás, ele que a partir da linha do meio campo sabe muito bem o que fazer.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sporting ainda precisa de tempo e de pernas

Uma breve análise à prestação do Sporting ante o St. Gallen:

BOM:
Os primeiros 30 minutos. Enquanto houve pernas houve Sporting por cima do jogo, pressão, bom envolvimento colectivo, trocas rápidas de bola, progressão pelo centro do terreno, a partir das laterais para dentro, uso da meia-distância com qualidade.

Bruno Fernandes, who else? Capitão de braçadeira, exemplo e coração. Marca golos, faz jogar. É neste momento a grande bandeira desta equipa e o grande comunicador com os adeptos do clube.

Grande golo de Wendel.

Vietto. Muita qualidade nos pés que lhe advém da forma como entende o jogo. Perdeu-se com a equipa na segunda parte mas não engana. Excelente contratação.

Maximiano. Não perdemos porque foi o único que não desligou na segunda parte. É o futuro, pode ser o presente. Para já faz o que lhe compete: defende, obriga Renan a estar au point, dá boas dores de cabeça ao treinador.

Neto. Oferece garantias a Keizer para qualquer eventualidade. Utiliza processos simples, o que nesta fase é talvez o mais recomendável.

Raphinha quer mesmo ser uma referência nesta equipa. Parece no bom caminho mas tem que ser menos intermitente.


 MAU (para já deve ser lido apenas como preocupante mas fica bem na narrativa):

Um dos principais defeitos da equipa de Keizer do ano passado parece transitar para este ano: a organização defensiva. Não é um problema dos centrais, é um problema colectivo e que resulta não apenas de erros de posicionamento defensivo mas muito da forma como pressiona mal  e a reacção à perda da bola eé feita de forma anárquica.

A equipa desarticula-se colectivamente, deixa de pressionar, permite o jogo livre, quase sem oposição ao adversário, sem que o treinador consiga alterar o rumo dos acontecimentos. O golo do empate é um grande golo em qualquer parte do mundo mas a facilidade concedida ao rematador.

Meio-campo muito macio em bola, pressão alta bem feita mas apenas só às vezes.

Isto é "melhorável" com uma melhor forma física?

O modelo de jogo inicial, de muita pressão e procura da bola não prevê o descanso em posse, tornando-o, por isso mesmo, inviável?

O VILÃO:

Ilori: começou mal o primeiro jogo, onde não esteve nem bem nem mal, antes pelo contrário. Mas não foi o único. Não se justifica a onda de "ódio" embora se desconfie da sua "origem"...  Mas tem uma virtude: enquanto batem nele outros podem ir melhorando os seus índices competitivos nesta pré-época.

A REVER:

A posição 6, uma das principais lacunas do plantel da época transacta, está definitivamente fechada? Ainda é cedo, mas as primeiras notas continuam a deixar preocupações. Doumbia e a agora Eduardo não são "peças de origem" no lugar e isso nota-se. Particularmente na organização da transição para o ataque. Com a presença de Vietto é caso para perguntar porque não o 4x4x2?

As noticias da procura de mais um extremo parecem indicar que a SAD e a equipa técnica estão atentas. É que até agora só Raphinha parece dar garantias para essa posição, mas precisa de ser mais consistente, isto é, não desaparecer do jogo por vezes.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sporting: os reforços de que se fala

Talvez possa ser uma afirmação muito precoce, mas a observação atenta do actual plantel continua a evidenciar um dos maiores problemas que contribuíram para a irregularidade da equipa Keizer. Mesmo deixando de fora uma questão tão determinante como a análise da movimentação da equipa nos diferentes momentos do jogo - até porque é preciso mais e melhores observações - parece claro que falta ainda neste plantel algum talento com imprevisibilidade.  

Talvez não seja por isso estranho que tenham surgido nomes de potenciais reforços com o selo de cooperação com o colosso Manchester City.  Brekalo, Abdulkadir Omur e, mais recentemente Thiago Almada têm em comum precisamente as características mencionadas. Falta ainda descodificar se esta procura existe de facto e se destina ao reforço da equipa com Bruno Fernandes, ou caso ele tenha guia de marcha em elaboração. O primeiro e último dos atletas mencionados são capazes de desempenhar várias posições no campo, entre as quais o 10 e o extremo. Por isso mesmo os elegemos para a apreciação mais detalhada.

Josip Brekalo (na foto que ilustra o post) é um wonderkid com uma história curiosa. A sua ascensão a internacional croata foi meteórica, tendo saltado rapidamente das bancadas, onde era fiel seguidor, para jogar no relvado em frente aos seus antigos companheiros de bancada. O croata é ambidextro e senhor de excelente passada, capaz de quebrar linhas com muita facilidade, a que associa, num cocktail venenoso, um drible demolidor e remate poderoso e certeiro. Tem uma capacidade de manobra extraordinária em espaços curtos, de onde resultam amiúde faltas perigosas. Remata, muita vezes com sucesso, de qualquer posição, é excelente a colocar a capacidade de criar oportunidades ao serviço dos colegas melhor colocados. Apesar de ser apontado ao Sporting via Manchester City, tem muitos clubes no seu encalço. Tem 21 anos, é oriundo das escolas do Dínamo de Zagreb, sendo actualmente jogador do Wolsburgo, antigo clube de Bas Dost.

Thiago Almada faz entretanto o pleno nos jornais da especialidade nacionais apontado como futuro leão. Foi uma das revelações do campeonato argentino, joga no Veléz Sarsfield e tem apenas 18 anos. Jogador criativo, com grande capacidade de aceleração e mobilidade aliadas a uma facilidade estonteante mudança de direcção, drible curto e excelente a definir. Um excelente parceiro para um jogador como Bas Dost. Senhor de uma velocidade excepcional, é mortal a contra-atacar. A sua baixa estatura faz dele quase inútil para o jogo aéreo. Mas o baixo centro de gravidade que lhe proporciona, junto com uma técnica imprevisivel, que lhe cola a bola à bota, torna o roubo de bola quase uma miragem. Um projecto de grande jogador já em plena execução, à espera do clube e enquadramento certo para vingar.Aquilo que se chama um autêntico abre latas, terrível nos jogos com espaços ou para desmontar autocarros.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Sporting na Suiça com o relógio parado


Não podia ser pior o primeiro jogo treino do Sporting na época 2019/20.

E porquê?

A equipa estava claramente cansada e por isso incapaz de pressionar o adversário, o que se registou em ambas as partes do jogo.

Aposta  pouco criteriosa de Keizer em miúdos com talento, mas sem qualquer rotina em si. A aposta está correcta, mas necessita de outro enquadramento.

Foram tais as facilidades concedidas aos amadores suíços, e mesmo ainda na primeira parte, que era difícil distinguir quem eram os profissionais ou os amadores.

Como é normal nestas circunstâncias, a eficácia está também ainda no forno, falhamos alguns golos feitos.

Apesar de todas as atenuantes, perder contra uma equipa de amadores, mesmo que não seja preocupante, é pelo menos desprestigiante. Especialmente por tal ter sucedido na presença de compatriotas nossos, para quem estes momentos têm uma importância muito maior do que a relativização feita com argumentos meramente técnicos tendem a construir.

Do ponto de vista individual, apesar de tudo, deu para perceber que:

Vietto é reforço e pode fazer uma tripla muito interessante com Bruno Fernandes na batuta e Dost a fazer o que sabe: encostar para finalizar.

Houve e continuará a haver um Sporting com e sem Bruno Fernandes.

O Gonzalo é muito mais que apenas Plata. É um diamante. Ainda por lapidar algumas arestas mas o seu brilho é já intenso. E teria sido muito mais se melhor enquadrado.

Se o equatoriano é uma gema de primeira Quaresma é ouro puro. Não engana.

Tiago Ilori viveu um verdadeiro pesadelo. Um jogo completamente infeliz. A vantagem para ele é que dificilmente poderá fazer pior.

Apesar das expectativas Matheus Pereira apareceu no ponto em que nos deixou há um ano. Talento tem, precisa de saber como fazê-lo render em favor do colectivo.
O jogo com o St. Galen, no próximo sábado traz ainda maior exigência, ficando por isso mais aguçada a curiosidade, depois deste inesperado resultado.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

E agora, depois da AG?

Já muito depois de serem conhecidos os resultados das votações da última AG, onde fiz questão de exercer o meu direito de voto, coloquei no meu perfil do Twitter a imagem que se ilustra este post. Trata-se do símbolo do nosso clube e a sua escolha foi tudo menos inocente. Claro que houve quem pensasse tratar-se de uma provocação, por ser conhecido o meu sentido de voto. Nada mais errado e a última coisa que darei é palco a quem não sabe o que é nem o que representa para mim o Sporting.

O emblema do Sporting Clube de Portugal já teve vários emblemas mas todos partilham o Leão Rampante entre si. É esse Leão Dourado que se vê na bandeira e que é também o património comum a todos os sócios e adeptos. Foi justamente para lembrar, num momento fracturante como o que vivemos, que é sob esse património que todos estamos, independentemente da facção, pessoas ou grupos com os quais mais nos identificamos. E é sob essa bandeira que temos a obrigação de construir um Sporting melhor do que aquele que tivemos a sorte de desfrutar.

Os sócios expressaram a sua vontade. É o tempo de se respeitar a decisão e olhar para o tanto que temos que enfrentar. Terá que haver coragem e terá que haver tempo para novas discussões sobre os estatutos, sobre a ideia de 1 voto / 1 sócio, sobre questões disciplinares. Mas não agora, de forma casuística ou oportunista e marcada pelo momento. Só quem não esteve nas AG's mais recentes pode ignorar que este é o pior tempo para esta reflexão, apesar de necessária.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Expulsar ou não expulsar, eis a questão!

Questão prévia: a figura de recurso para a AG sobre matéria disciplinar é uma disposição completamente anacrónica que até um leigo como eu o percebe. Neste caso especifico da apreciação dos recursos de Alexandre Godinho e Bruno de Carvalho esse facto será ainda mais evidente.Na AG de sábado os factos em apreciação, e que levaram à expulsão dos acima referidos, ficarão soterrados sobre o entulho emocional com que o tema tem sido analisado. Duvido inclusive que muitos dos que votarão saibam quais são os factos que levaram aos processos disciplinares e consequente sanção.

No vasto rol de infracções constantes da acusação, são para mim determinantes a tentativa de usurpação de funções, a criação ilegal de órgãos paralelos e a tentativa de bloqueio das contas do clube. O objectivo era claro: manter-se no poder, em violação grave da vontade dos sócios, expressa na votação que levou à destituição. Objectivo esse que teve apenas em vista os seus interesses pessoais, sem cuidar do mal que infligiria ao clube. As provas passaram debaixo dos nossos olhos durante as piores semanas que vivi como Sportinguista.

Esse nível de abstracção e alheamento revela aquilo que esteve muitas vezes subjacente em muitas das suas acções: considerava-se acima do clube e de todos. Se dúvidas houvesse veio agora novamente deixá-lo bem claro ao insultar os fundadores na entrevista do Expresso [Eu sempre fui mal visto pelo sistema que fundou o Sporting em 1906!!!]. No fundo, para alguém que foi presidente do Sporting durante 5 anos, demonstra que nunca percebeu o clube que presidiu. Só assim se percebe como é que da aprovação quase unânime passa a uma reprovação a rondar os dois terços, em poucos meses.

A nomeação dos ditos órgãos paralelos - MAG e CFD - já não seria de fácil qualificação. Mas juntar-lhe os nomes de sócios que nem o cuidado de pagar quotas observavam, é um acto muito mais do que simplesmente infeliz. E nem é bom lembrar que, a seu pedido, chegaram a elaborar convocatórias de AG's que apenas contribuíram para a instalação de anarquia e caos.

A tentativa de bloqueio de contas, juntamente com Alexandre Godinho, junto dos bancos e a apresentação em Alvalade com um "documento" que lhe reconheceria a validade do lugar que queria usurpar foi uma das várias tentativas realizadas no sentido de se apoderar do Sporting. Aquilo que os sócios sempre têm rejeitado - um clube com um dono - esteve a um passo de se realizar. E, a ter sucedido, não seria um qualquer accionista a apoderar-se da SAD. 

Seria um golpe realizado por alguém em quem uma enorme falange de Sportinguistas tinha eleito, entre muitas outras razões, justamente para prevenir que tal sucedesse. Do Sporting é nosso teríamos passado em cinco anos ao Sporting é meu. Bruno de Carvalho acabaria por ser deposto por um golpe, como todos sabemos hoje. Esse golpe foi-lhe aplicado nas urnas por uma maioria significativa de sócios.

Na mesma entrevista é retomada a retórica que o notabilizou nos últimos cinco anos e onde é possível verificar mais uma vez que o interesse dele está acima de tudo o resto. Não mudou nada, não houve "burnout". Bruno de Carvalho teve tudo na mão e tudo desbaratou. Podia reconhecer os seus erros, mas insiste numa argumentação de vitima. O nível de toxicidade que lança permanentemente sobre o Sporting cada vez que fala tem um poder desagregador tremendo. 

No seu legado terá muitas outras obras dignas de menção, mas para já a que fala mais alto é a profunda divisão que deixa na sua passagem. Em nenhum momento revela arrependimento ou cuidado pelo clube. Persiste na autovitimização. Nunca se demarcou do caos e do ruído que os que o veneram procuram a todo o custo lançar de forma quase permanente. Ele sabe que foi o caos do final do mandato de Godinho Lopes que lhe adubou a chegada ao poder. Ele sabe que só o caos o fará regressar. No fundo é o que realmente lhe interessa.

Expulsar, sim ou não? Não preciso de recomendar a nenhum dos meus consócios a posição a tomar. A minha está tomada. 

Expulsar divide e fractura? Alguma vez Bruno de Carvalho se preocupou com isso? Bem pelo contrário. O confronto geracional é hoje um dos piores legados do seu mandato, como se houvesse detentores da verdade e do saber ser Sportinguista. O Sporting grande, universal e inclusivo, que os fundadores nos deixaram, está hoje estilhaçado. Esse, volto a frisar, é o legado que BdC nos vai deixar e cujas consequências e duração estão ainda por apurar. 

No sábado não está em causa um confronto Varandas / Bruno de Carvalho. Nem um Bruno de Carvalho / Resto do Mundo. É apenas o Sporting a querer ser outra vez só e "apenas" o Sporting Clube de Portugal.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Os Sportinguistas têm o clube que construiram

É muito comum apontar baterias aos dirigentes, recentes, antigos e actuais, para explicar as razões pelas quais o nosso clube anda tantas vezes atrás do sucesso sem o conseguir alcançar. E qual é nossa a quota parte de responsabilidade como adeptos?

Tomando como exemplo os tempos recentes e olhando para o final de mandato caótico dos órgãos sociais anteriores, estes sentiram - e em particular o presidente - da parte dos associados uma quase permanente abertura para executar a seu bel-prazer. Apesar dos sinais de descarrilamento iminente, só quando o desastre era uma já uma evidência consumada é que surgiram os primeiros sinais de descontentamento generalizado. Tivessem surgido mais cedo, por certo que a série de passos em frente em direcção ao abismo poderiam ter sido evitados.

Provavelmente BdC nunca acreditou que o resultado verificado na AG de destituição fosse possível, como se percebeu pelas reacções subsequentes. Apesar das diferenças que me separam do ex-presidente, continuo a pensar que o caos que se seguiu poderia ter sido evitado se a exigência e o rigor que lhe eram então exigidos fossem de acordo com a defesa dos interesses do Sporting e com o mandato que lhe foi confiado por uma maioria esmagadora. Com isso perdeu o Sporting, perdemos todos.

Olhando agora para o momento actual, os órgãos recém eleitos, que ainda não completaram um ano de mandato, vivem sob um escrutínio permanente e de malha bem apertada, bem diferente do que se verificou no mandato anterior. Apesar de ser ainda muito cedo para deliberar sobre a qualidade do desempenho - grande parte dos primeiros meses foi gasto em remendos e em apagar os diversos incêndios - não falta quem já fale na pior direcção de sempre, no pior presidente de sempre.

Não é seguramente pelos resultados desportivos e também não é, aparentemente, pelos resultados financeiros. O excesso de ruído, os constantes boatos e os insultos tendem em produzir em quem os recebe reacção de defesa. O risco de acantonamento cresce, diminuindo a possibilidade de um mandato aberto com a participação de todos. Os órgãos sociais devem manifestar essa disposição de abertura mas os adeptos não têm menor obrigação. Perderemos todos se tal se verificar.

Há um ano vivemos a pior crise institucional, criada a partir do interior do clube, e poucos foram os que se preocuparam com o cumprimentos dos estatutos. Estes foram completamente rasgados de alto a baixo por Bruno de Carvalho para satisfazer as suas pretensões de regressar ao poder. Os actos desta natureza, que deveriam ser sempre condenados sem MAS ou SE's, têm a agravante de serem sido perpetrados por aqueles que obrigaram os sócios deslocarem-se duas vezes a AG's para aprovar alterações estatutárias completamente desnecessárias e onde o principio do fim se começou a desenhar.

Hoje parece que todos conhecem os estatutos e as regras de normal funcionamento do clube. É a gala que deveria acontecer, são os discursos em AG que não podem acontecer em simultâneo com as votações. Onde estavam os que agora tanto exigem, quando no passado recente estas situações se verificaram? Porque não estiveram atentos então e revelaram a mesma determinação ? O Sporting não é só um? A bitola não deveria ser sempre a mesma?

Os Sportinguistas têm hoje o clube que construíram, por actos e/ou por omissões.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

113 anos: já temos idade para ter juízo!

São 113 anos! Já temos idade para ter juízo. Ou já devíamos ter. Mas parece que ainda não...

O Sporting continua a dispensar muito tempo e energias a lutar entre si e consigo mesmo, quando os devia empregar a lutar contra os seus adversários.

Enquanto tal não acontece resta festejar mais um aniversário e esperar que a nossa geração dê mais ao clube do que o tanto que recebeu.

domingo, 30 de junho de 2019

Orçamento aprovado: quem procura o caos?

Com uma maioria relativamente confortável - 1.151 votantes 69,01% votos | 701 votantes (60,9%) 30,99% votos | 450 votantes (39,1%) - o orçamento para o próximo ano foi aprovado. Mas, infelizmente, mais uma vez a AG decorreu de uma forma que está longe de honrar o clube centenário que somos.

Como pano de fundo dos incidentes estão certamente muito mais os acontecimentos do ano passado - e que levaram à destituição dos órgãos sociais então presididos por Bruno de Carvalho, cujo processo de expulsão será apreciado precisamente de hoje a oito dias - do que propriamente problemas com o documento apresentado. Lá teremos que ir até este tema, esta semana. Mas não agora, embora me pareça que foi este o tema que marcou a AG de forma evidente ou subliminar. Até porque é conhecido de todos a pouca apetência da generalidade dos que frequentam estas reuniões por números e contas. Em regra o sentido de voto é orientado sobretudo para manifestar o alinhamento com os órgãos sociais ou para os repreender ou manifestar desagrado.

Em relação a esta ou outras matérias devemos admitir como válidas todas as opiniões, desde que devidamente fundamentadas. Tratando-se de um documento estratégico de uma direcção ainda com um curto período de actividade, creio que os Sportinguistas entenderam apreciá-lo com alguma benevolência e percebendo as circunstâncias em que ele será exercido. Não faria muito sentido reprová-lo por ser maior o dano causado que o bem que se poderia obter.

Mas, como dizia acima , a AG ficou marcada por episódios de muita confusão, muita falta de respeito e educação entre diversas partes, que, quanto mais não fosse por respeito ao clube e à bandeira presente, é totalmente inadmissível mas que infelizmente vem acontecendo de forma recorrente. Ver o ambiente de loucura, confusão, mentira, agressão permanente que se vive diariamente nas redes sociais, replicada numa AG é o pior que podemos fazer pelo clube. Quer o PMAG quer o CFD têm obrigação de actuar de forma mais proactiva e com coragem.

Percebo que há quem pense que quanto pior melhor e que o caos possa favorecer esta ou aquela estratégia, quem sabe à espera que surja um "salvador". Porém os únicos vencedores são os média, que muitas vezes tratam os temas com superficialidade e procurando sobretudo o sensacionalismo. E o Sporting com isto apenas perde porque afasta aqueles que poderiam participar de forma construtiva. Poucos são os que têm estômago para estar uma tarde fechado num ambiente de permanente crispação e violência verbal e até fisica. Talvez seja essa a única forma de poderem despontar aqueles que  não têm outros argumentos.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Fazer bem compensa sempre

No dia em que o Pavilhão João Rocha completa dois anos de existência o Sporting vê confirmada a sua presença na mais importante competição de andebol europeu, como vem descrito hoje no site do clube:

"Pelo terceiro ano consecutivo, o Sporting Clube de Portugal vai participar na fase de grupos da EHF Champions League, a mais importante prova de clubes de andebol da Europa. O Comité Executivo da EHF colocou os Leões entre as equipas escolhidas para ocupar as vagas disponíveis e o anúncio foi feito esta sexta-feira.

O critério para a escolha das equipas incluía factores como as últimas participações, o pavilhão, os adeptos e questões relacionadas com a transmissão televisiva, o marketing e a imprensa. Face à boa impressão deixada pelo Sporting CP nas últimas duas épocas, a EHF decidiu incluir o Clube de Alvalade no mesmo lote que THW Kiel (Alemanha), Montpellier HB (França), MOL-Pick Szeged (Hungria), GOG (Dinamarca), Bidasoa Irun (Espanha), HC Eurofarm Rabotnik (Macedónia), Orlen Wisla Plock (Polónia) e IFK Kristianstad (Suécia).

O Sporting CP vai ficar inserido no grupo C ou no D da EHF Champions League, com o sorteio a realizar-se no próximo dia 27 de Junho em Viena, Áustria. Em 2018/2019, o conjunto verde e branco fez história ao ser a primeira equipa portuguesa a passar a fase de grupos da competição no modo ‘Champions League’."
É caso para dizer que fazer bem compensa sempre. A verdade é que a nossa equipa de andebol, apesar da seca de títulos este ano, teve uma participação honrosa nesta liga este ano, onde antingiu uns inéditos oitavos de final.. O público foi de facto um público de Champions, recolhendo elogios de diversos adversários e o Pavilhão João Rocha honra o nome que recebeu.

terça-feira, 18 de junho de 2019

10 pontos sobre os novos preços das Gameboxes

Nota importante: não sou comprador habitual de Gamebox pelo que as minhas considerações neste post são as de um mero sócio do clube que vai a tantos jogos como aqueles que lhe é possível.

1- Tendo havido algumas alterações significativas nas Gamebox, creio que teria sido melhor politica haver notas explicativas dessas alterações e os objectivos a que se destinam, para anular à partida alguma da contestação que já se faz sentir. É claro que estamos perante uma comunicação deficiente que, de outra forma, pouparia a todos - sócios e dirigentes - este desgaste.

2- A generalidade dos aumentos verificados podem ser considerados normais, com algumas excepções não é superior a 4%. 

3- As comparações com os produtos dos nossos concorrentes nem sempre é feita com base no rigor, acrescendo o facto de que não se trata propriamente de uma novidade. Se eram mais caras no passado, continuarão a ser num futuro próximo. Mas até isso não é inteiramente verdade e quem só este ano recorre às comparações devia ter estado de férias nos anos anteriores...

4- A principal questão nos aumentos verificados tem a ver com o crescimento exponencial do preço das Gameboxes dos Sub11. A principal falha é sobretudo comunicacional. Não se podem por cá fora aqueles preços sem que fossem devidamente explicados, especialmente aos actuais detentores que se encontrassem actualmente em condições de renovar, por razões óbvias.

5- Parece clara a intenção do clube em rentabilizar um espaço premium - a BancadaA - e deslocar as famílias que se façam acompanhar por sub-11 para um outro espaço. Não deixa de ser uma decisão polémica, onde ambos os lados podem esgrimir bons argumentos.

6- A SAD parece entender - e com razão - que o número de jogos que vendia aos sub-11 ficavam abaixo de 4€ por jogo, num espaço onde facilmente consegue num jogo qualquer vender por cinco vezes mais. Acresce que muitas vezes o acesso sub-11 é usado por adultos de forma quase permanente e até haja quem adquira esse produto objectivamente com essa intenção.

7- Sendo verdade que o Sporting não está em condições de desperdiçar receitas actuais, também o é que tem investir no futuro, que é a passagem de geração em geração do amor pelo clube. Por melhor que seja a intenção, por mais justificação que haja nos números, nada supera o tratamento dos sócios de forma o mais personalizada possível, renovando sempre o sentimento que eles contam e são importantes. Seria preferível haver um período de transição, esperando que os sub-11 deixem de o ser. Os novos entrariam já para a nova bancada. E obviamente apertar a fiscalização.

8- Não espantaria que os pais ou familiares que pretendam renovar a GB  não tenham intenções de abandonar a localização habitual, que provavelmente é a de há muitos anos. Ir a Alvalade é uma experiência muito mais alargada que ir ver um jogo de futebol. É rever amigos, partilhar emoções, memórias e experiências. A possibilidade de ter que escolher perder isso pelos filhos e também pelo clube é uma questão que não deixa de ser pertinente e conflituante.

9- A ideia de que as GB's deviam ser mais baratas porque não temos Liga dos Campeões e / ou não ganhamos títulos faz sentido por um lado, mas também o é que sem receitas dificilmente o conseguiremos alcançar. Nesta matéria convém lembrar que são já muitos anos de atraso em relação aos rivais, no que diz respeito à diversificação das fontes de receita. E a ideia de que se venderiam mais só porque seriam mais baratas está longe de ser provada. Em Alvalade somos cada vez mais os mesmos...

10- Ir ao estádio pode ser para muitos apenas um momento no fim-de-semana. Para os que de nós vivemos longe é quase uma cerimónia de cariz religioso e poder estar ali é já por si a melhor recompensa que se pode ter. Isto dito, não invalida que o Sporting pode e deve tratar de oferecer mais e melhores momentos e experiências se quiser captar maiores receitas. Como diria o outro, é o mercado estúpido! Mesmo sendo o mercado das emoções e do coração, e por isso muito especial, não deixa de ser o mercado.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Futsal: "A bitter sweet symphony"

Como dizia a "hashtag" fomos mesmo "até ao fim" e só depois daquela bola no ferro de Cavinato é que ficou definido o titulo de campeão de futsal 2018/19. Tendo sido uma época de grandes conquistas - Taça de Portugal, Supertaça e CAMPEÕES EUROPEUS - há uma nota amarga, quase cruel, na forma como termina uma época. Não tivesse sido exactamente contra o arquirival, não tivesse significado não alcançar o tão desejado e inédito tetra e não tendo sido no encerramento da época (a última impressão perdura...) e talvez a sensação de perda fosse neste momento mais suportável. 

A esse sentimento de amargura associa-se também a ideia de que estivemos poucas vezes ao nosso melhor nível e que os níveis de execução técnica e de concentração estiveram abaixo dos registados na Final Four da Champions. A isso não será certamente alheio o desgaste de uma época longa, que se manifestou na prontidão física de alguns elementos chave, como por exemplo, Cardinal, João Matos, Merlin, Cavinato.

Não pode ser porém esse resultado e esse momento a definir a época e muito menos a ligação à modalidade - e respectiva equipa - que mais alegrias nos tem dado de forma consecutiva nos últimos anos. É hora de lembrar todos, me particular Nuno Dias, responsável por alguns dos melhores momentos de sempre.

O tom de amargura deve ser aceite por um lado como nota recordatória de que em alta competição existem sempre três resultados possíveis, que jogamos com adversários que querem ganhar também e que não ganharemos sempre. Por outro como o momento em que começamos a pensar no que fazer para voltar a erguer aquela taça, levá-la para o museu e juntá-la a tantas outras que marcam a nossa hegemonia na modalidade. Essa será a única forma de não termos que estar outra vez a fazer a guarda de honra aos campeões. 

Quanto aos vencedores, estiveram quase sempre melhor do que nós. Reconhecer-lhes esse mérito e qualidade do respectivo jogo não invalida o apontamento relativamente às arbitragens dos cinco jogos. Jogamos quase sempre num campo inclinado por decisões absurdas, quer do ponto vista técnico, quer do ponto de vista disciplinar. Isto com a total colaboração da tutela federativa. Não há aqui, infelizmente, nada de completamente novo. A diferença foi que nas finais anteriores conseguimos superar o seguro de vida que as arbitragens deram ao adversário e nesta não fomos suficientemente fortes para jogar também contra esse factor.

Voltaremos para o ano. Voltarão a ouvir falar de nós!

terça-feira, 11 de junho de 2019

Época 18/19: uma história de inconformismo, um capitulo de sobrevivência

Quando a época 2018-2019 começou as perspetivas para o futebol do Sporting não poderiam ser mais negras. Uma Comissão de Gestão no lugar onde deveria estar uma direcção, muitos dos melhores do plantel do ano anterior em debandada, eleições e respectivo ruído à porta e clube fraccionado e em total ebulição por via do processo de destituição da antiga direcção estão longe de ser os ingredientes necessários para cozinhar uma época futebolística.

A primeira grande tarefa para a Comissão de Gestão centrou-se na tentativa de reversão dos processos de rescisão litigiosa, ainda que antes tenha recorrido à figura do período experimental para denunciar o contrato com o treinador sérvio Sinisa Mihailovic. Os esforços de Sousa Cintra viram apenas o êxito com Bruno Fernandes, Dost e Battaglia. Hoje sabemos que a presença dos dois primeiros seria determinante para os resultados alcançados no final da época, especialmente a do craque português, em virtude da época estratosférica realizada, e sobretudo o que a sua valorização poderá representar para as contas da SAD no imediato ou num futuro próximo.

É verdade que a manutenção de Bruno Fernandes encerra em si o potencial de anular os prejuízos decorrentes de algumas opções estranhas seguidas no recrutamento para os lugares deixados vagos com a partida de titulares indiscutíveis e internacionais como Rui Patrício, William Carvalho, Gélson Martins especialmente. Seria preciso obviamente dinheiro que não havia para ir ao mercado encontrar jogadores que permitissem que o valor absoluto do plantel não sofresse profunda depreciação. Viviano, tal como Bruno Gaspar eram heranças da gestão anterior. Mas o italiano não é Patrício e a gestão da sua aquisição e presença acentuou a ideia de instabilidade que se vivia em Alvalade. A estes acrescia ainda Marcelo, ex-Rio Ave, que nunca entrou nas contas de Peseiro, o treinador que entrou para o lugar de Mihailovic.

A depreciação de valor era cada vez mais evidente, acentuada pela decisão estranha de recorrer ao mercado, ignorando a prata da casa que poderia ajudar a não exponenciar o orçamento anual. Estranheza que se acentuou nas aquisições de Gudelj, Diaby e que se confirmou com o convite ao lesionado Suturaru. Por cá Geraldes, Palhinha, Matheus Pereira, Baldé, entre outros, recebiam guia de marcha. O estágio de pré-epoca foi tão caótico como as constantes mudanças e anulações faziam prever e os resultados estiveram longe de ser auspiciosos. A primeira derrota no Troféu Cinco Violinos, ao fim de sete edições, trazia os maus presságios que os antecedentes históricos e a ausência de carisma de José Peseiro serviam para acentuar.

O nível exibicional andava entre o suficiente e o sofrível quando o Estoril vai a Alvalade impor uma humilhante derrota, instalando-se um ambiente ao qual o treinador dificilmente poderia sobreviver. A derrota seguia-se a prestação intrigante na Liga Europa, onde nem os golos nos minutos finais do jogo com o Volska conseguiram iludir um jogo de horrores, ante um adversário de nível claramente inferior. Peseiro seria despedido com lenços brancos no final do jogo pelos adeptos e por Frederico Varandas horas depois. A verdade é que nem o segundo lugar no campeonato impediu o accionar da mola do patíbulo e o treinador ribatejano foi à sua vida.

Era a vez do Keizerball. Numa jogada onde o recém-chegado presidente se vê obrigado a por o pescoço em linha, aterra em Alvalade, vindo dos longínquos Emirados Árabes aterra em Alvalade um treinador holandês cujo nome e curriculum nada diziam à generalidade dos adeptos e até aos entendidos. Discreto e beneficiando de um calendário favorável, conseguiu juntar os cacos para obter os primeiros resultados positivos, sabendo tirar partido do trabalho de estabilização realizado por Tiago Fernandes, que intermediou a sucessão de Peseiro. Os 30 golos obtidos em sete vitórias consecutivas levaram o novo treinador e equipa moralizados ao seu primeiro grande teste: o assalto ao castelo de Guimarães. Mas seria aí que se começaria a perder o ar do Keizerball, sendo o que o momento mais baixo seria vivido em Tondela, com uma derrota "impossível" de acontecer pela forma como sucede e com o adversário em inferioridade numérica.

Foi ainda à procura dos seus melhores momentos e de maior equilíbrio que o Sporting de Keizer chega à Final Four da Taça da Liga mas despido de qualquer favoritismo. Naquela que foi talvez a melhor e mais bem disputada edição da competição, o Sporting lutou com tudo o que tinha e podia para ganhar o direito a disputar a final e não se livraria do dramatismo do desempate por penalidades. Algo que haveria de repetir ao disputar a final com aquele que era, até ao momento, o líder incontestado da Liga 18/19. À semelhança do guião adoptado poucas semanas antes, quando se deslocou ao Dragão, o Sporting aceitou sem angústias o papel de favorito do adversário e sobreviveu como pôde até Oliver lhe oferecer a oportunidade de estender a disputa do título em causa por mais meia hora. Mais uma vez, e continuando a fazer história nesta matéria de desempates, a equipa de Keizer haveria de festejar e fazer o bis na competição.

Entretanto a SAD tentava arrumar a casa, desfazendo-se dos equívocos da direcção anterior e dos excessos na folha salarial para uma época marcada pelo regresso à austeridade. Misic, Marcelo, Lumor, Bruno César, Castaignos, Nani e Montero.  Doumbia, Borja e Luiz Phellype são recrutados e Geraldes recuperado na Alemanha. Mas o regresso aos jogos do campeonato e Liga Europa foram aziagos. Na eliminação ante o Villareal e com a goleada imposta pelo rival em casa Keizer sentiu pela primeira vez o peso do tribunal de Alvalade. A equipa era agora uma sombra do que prometia com a chegada do treinador, sofria golos com facilidade de não marcava tanto como outrora.  A repetição da derrota para a Taça de Portugal na casa do rival Benfica parecia querer dizer que a Taça da Liga teria que servir de prémio de consolação.

Foi talvez esse ar de fragilidade que terá levado o Benfica de Lage a apresentar-se em Alvalade com a atitude de quem sabe que, aconteça o que acontecer, a presença no Jamor estava garantida, sendo uma mera questão de tempo. À atitude expectante do rival o Sporting respondeu com um dos mais consistentes jogos da época, conquistando na força e inconformismo do magnifico pontapé de Bruno Fernandes o direito a disputar o segundo mais importante troféu nacional. Uma miragem produto de um delírio optimista se visto do atribulado momento de onde partiu no início da época.

Chegar à final é uma coisa, ganhá-la é outra bem diferente. Ainda por cima com um oponente a precisar de se justificar internamente perante a sensação de terem oferecido numa bandeja o campeonato ao adversário. Em estratégia que ganha não se mexe, parece ser agora o lema de Keizer. A receita que havia ditado a conquista da Taça da Liga seria novamente assumida sem qualquer pejo, reconhecendo o melhor e maior número de argumentos à equipa de Sérgio Conceição. E foi mesmo até ao fim, como dizia a frase motivadora assumida pelo clube.

Quando Luiz Phellype parte para aquele que foi o último penalty levava nos seus ombros e na ponta das botas a vontade inquebrantável dos seus adeptos que, mais uma vez enchiam o Jamor. A redenção de um dos momentos mais severos e implacáveis para o seu orgulho que lhes havia sido imposto um ano antes estava ali, contido no peito e nas gargantas, à espera de soltar num rugido que ecoará nas histórias das finais daquela arena.

A história desta época futebolística do Sporting é uma história de inconformismo, é um capitulo de sobrevivência de um grande clube, que se recusa a aceitar a desgraça dos vaticínios sinistros a querer adivinhar-lhe o fim que infelizmente ecoa muitas mais estridente de dentro para fora. As duas taças conquistadas, em particular esta última, são uma vitória sobre os adversários melhor habilitados e apetrechados e também, algumas vezes, contra uma parte de si mesmo.

São dois bilhetes que permitem agora à administração em funções de valer os argumentos exibidos por altura das eleições, que dão novas oportunidades ao treinador para a construção de um plantel à imagem das suas ideias e convicções, mas cuja validade expirará em desaires comprometedores como os registados com os Tondelas desta Liga NOS, a quem logrou apenas conquistar um mero ponto para o seu pecúlio. E os treze pontos de distância para o campeão em título denunciam que neste defeso tem ainda uma longa distância a percorrer para poder partir ao seu lado momento em que soar o tiro de partida para a Liga NOS 19/20.

Artigo escrito para o site Fairplay

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Afinal, os deuses talvez gostem do Sporting

Que grande clube é este que se serve do mesmo pó onde se prostrou há um ano, derrotado, para o deixar agora por muito tempo no ar no vale do Jamor, após as celebrações de uma vitória de raça, querer e fibra? Que grande clube é este que, sem grandes conquistas, continua a levar atrás de si uma legião de adeptos fervorosos de todas as faixas etárias que, mais do que troféus, celebram o amor pelo clube que idolatram? Estas devem ser algumas das perguntas que estarão a fazer quem presenciou o espectáculo dentro do espectáculo que constituiu mais esta passagem do Sporting pelo Estádio Nacional.

Esta final constituía uma oportunidade que o Sporting não podia desperdiçar para rectificar a imagem deixada na última passagem pelo Estádio Nacional: um  clube esfrangalhado e, pior que derrotado pelos adversários, um clube que se vencia a si mesmo. Poder fechar um ciclo tão negativo como o que foi vivido no último ano, com duas vitórias em três possíveis nas competições nacionais, oferecia a possibilidade de encarar o futuro próximo com mais serenidade e equilíbrio, algo que tanta falta nos tem feito nestes últimos tempos.

Se há alguma ilação a retirar da conquista da Taça de Portugal é que o Sporting está longe de terminar a época com um plantel equilibrado, mesmo considerando que os acertos feitos em Janeiro trouxeram mais e melhores opções. Porém, teria sido preciso muito mais dinheiro e ter escolhido de forma eximia para anular os estragos deixados pelos acontecimentos do verão passado. E provavelmente não haveria tempo para fazer a indispensável integração de um número mais elevado de jogadores.

Ainda assim o Sporting dispensou Lumor, Marcelo, Misic, Matheus, Bruno César, Nani, Castaignos e Freddy Montero, num misto de necessidade pelo aperto financeiro ou por total erro de casting de alguns desses atletas. Os nomes que avançaram no seu lugar causaram em primeiro lugar desconfiança. Tiago Ilori era (ou ainda é...) um nome quase proscrito pela forma como havia saído, acrescido por um trajecto sem confirmação do potencial. Borja, Idrissa Doumbia e Luiz Phellype eram nomes praticamente desconhecidos do grande público - mais os dois últimos - não suscitando por isso grande entusiasmo. Paradoxalmente, o resgate de Francisco Geraldes parecia o movimento mais promissor para um meio campo sem grandes soluções, que acabou contudo com quase zero minutos jogados.

Borja viu-se afastado da final no último jogo do campeonato. Mas Idrissa Doumbia e Luiz Phellype acabaram por ter parte activa na conquista do troféu. Especialmente o ponta-de-lança brasileiro que, ao marcar o penalty decisivo, termina a meia época de estreia de forma ascensional, reduzindo a pó as criticas que a sua contratação havia gerado, tais como as dúvidas sobre o seu valor.

Mas há uma outra ilação obrigatória: no carácter e na determinação com que se bateram contra ex-campeão, que figurou este ano ano lote das oito melhores da Europa, residiu uma das razões para este feito, que muitos consideravam improvável. Não só agora na final, mas já na eliminatória anterior, onde eliminaram de forma justa e inapelável o actual campeão em titulo. 

Talvez as maiores dúvidas se concentrassem ainda mais acima. Na capacidade de Frederico Varandas em liderar um clube estilhaçado pelos acontecimentos e consequências de um final de época 17/18 de terror. E na aptidão e talento de um desconhecido e de folha curricular quase vazia como Marcel Keizer. Ora o que decorre da assunção do risco de contratar o treinador holandês, tal como já havia feito ao avançar para a liderança do clube, quando podia ficar confortavelmente no gabinete médico, é que a Frederico Varandas não falta nem convicção nem coragem. Aquilo que parecia um acto mal ponderado é agora o seu salvo conduto para a preparação da próxima época. O mesmo se pode dizer para Keizer que, apesar de o futebol exibido na final estar longe ser sedutor ou uma referência, tem a seu favor os títulos que exibe em cada uma das taças conquistadas. A descrição com o que o consegue contrasta com a pompa e o luxo de outros bem-falantes que o precederam no lugar e o abandonaram com  muito menos ou nenhuns troféus para o exibir.

Afinal talvez os deuses do futebol gostem do Sporting. O que parecia há um ano ser um clube amaldiçoado e destinado a sucumbir por dentro, ganhou de forma surpreendente um novo fôlego. Longe ainda de ter afastado os maus presságios ou o contravapor interno recalcitrante de algumas almas inconformadas com o final ruinoso da gestão anterior,  o Sporting parece ter agora uma estrutura mais sólida e um grupo de trabalho focado,  coeso e saudável, condições indispensáveis para competir ao mais alto nível. Mas talvez o mais importante de tudo, o direito a voltar a ter esperança e, por via disso, a ambição de um clube grande que é e que no Jamor os seus adpetos fizeram gáudio em demonstrar.

Nota: artigo escrito para o site Fairplay

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