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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Don Quixote de Carvalho, o cavaleiro das tristes figuras

Bruno de Carvalho calado era um poeta. O que vem conseguindo fazer no pouco tempo que está no Sporting falaria por ele. Mesmo que a métrica não fosse perfeita, as estrofes acabariam por rimar. Para haver poesia tem que haver mais do que meras rimas, mas tem que se começar por algum lado e, como todos bem sabemos, havia (e continua a haver) muitos lados para recomeçar no Sporting.

Cedo se foi percebendo que ser assertivo, oportuno, discreto ou sóbrio não estavam na sua natureza. Aos poucos, e à medida que o apoio  que foi granjeando ia crescendo, muito dele sem grande escrutínio, foi-se revelando exactamente o oposto. Aos poucos, e perdendo bastas vezes a compostura, foi revelando um carácter belicoso e sem noção do excesso e do que representa, confundindo o ser mordaz com ser brejeiro, incisivo com enfadonho e vigoroso com inoportuno. 
É nessas figuras que se oferece a tudo o que é câmaras, flashes e rotativas de jornais, ou sentado permanentemente à frente de uma sessão do Facebook no seu inominável perfil de "Presidente do Sporting". Ora quem muito fala pouco acerta e o muito que por ali vai "produzindo" é frequentemente motivo de chacota para os nossos adversários e de vergonha para um clube centenário e respectivos sócios e adeptos.  

A sua postura assemelha-se cada vez mais à de um "loose cannon". É capaz de disparar em qualquer altura e direcção, mas cada vez se percebe menos quer a utilidade quer a precisão de tanto disparo. A excepção vem da sua legião de rocinantes amestrados, cujas rédeas vai puxando. Não são particularmente exigentes com a palha que se lhes serve, estando sempre prontos a aduzir mais uns disparos. Os pobres sanchos pança que o vão confrontando com a verdade são deixados pelo caminho. 
rocinantes
Esta semana é fértil em exemplos infelizes:

- O seu post contra o Miguel Guedes (quem é o Miguel Guedes) recebeu resposta inteligente e elegante que mais se assemelhou a uma ridícula pega de cernelha, com várias voltas ao redondel.

- Achincalha Carrillo pela sua opção de não jogar, "quando podia ser campeão no Leicester", quando ainda há pouco tempo ele mesmo gozava com o palmarés do clube e o que tinha dito sobe a possibilidade de transferência lança muitas duvidas que ela pudesse ter tido lugar.

- É publicamente desmentido relativamente à possibilidade da existência de um tribunal arbitral, cuja realização apresentou com ares de magnanimidade na pretérita A.G.

- A sua atenção e especialização em "assuntos SLB" é confrangedora para um Sportinguista.

- A enxurrada de processos são, na generalidade, fugas para a frente. Neste particular, os motivos invocados para propalada intenção de processar Rui Gomes da Silva e Jaime Antunes, são uma sentença contra as suas próprias declarações sobre a situação económica do SLB e para o processo intentado por estes por causa do caso dos vouchers.

- A teoria das almofadas colide com realidade.

- Pior mesmo, a última (?) reflexão deixada, que mais não é que uma misturadora onde depositou assuntos tão dispares como interesses comerciais, económicos e políticos, ultrapassando definitivamente uma fronteira que está vedada a quem deveria representar o Sporting e ficando no limiar do desrespeito dos artigos iniciais dos estatutos do clube.

No que noticias sobre o Sporting diz respeito, esta está a ser uma semana horrível, o que só pode surpreender quem aterrou hoje pela primeira vez no futebol português. Ao contrário do que muitos parecem pretender, não há nada de novo no fogo cerrado com que o Sporting é visado na comunicação social em momento de decisão. Há é dois factos marcantes, um novo e outro que, não sendo, vinha sendo raro.

Começo pelo facto raro e que se prende com o facto de o Sporting estar a disputar o campeonato até ao fim. Que melhor trunfo poderia ter uma liderança para exibir perante os seus adversários, funcionando de forma auto-explicativa para a barragem de noticias pretensamente desestabilizadoras? Que melhor motivo de mobilização dos adeptos em torno da sua liderança e da equipa que vai jogar no Dragão poderia ser agitado? 

Ao invés, qual general no seu labiríntico cubículo, é confrangedor olhar para um líder que não o sabe ser e insiste em regurgitar sempre as mesmas suspeições, agitando os mesmos fantasmas, repisando as mesmas injúrias, promovendo a protagonistas figuras secundárias à sua custa e do nome do Sporting. 

O facto realmente novo é serem muitas as frentes de batalha. O Sporting, como resultado directo da acção dos últimos anos da verborreia do seu presidente, encontra-se completamente flanqueado por adversários e muitos inimigos. O Sporting, visto outrora como "simpático", aquiescente e muitas vezes "dócil" é agora olhado com antipatia por muitos e tido como inimigo de estimação pelas muitas onças do mato do futebol que o presidente andou cutucar. Não gosto de nenhuma das versões, podemos e devemos ser muito, muito melhores. Esperar que todos aqueles que andamos a provocar retribuíssem agora com bonomia e ainda por cima protestar, não é ingenuidade, é mesmo candura bacoca.

Não sei qual vai ser o resultado final deste campeonato, mas continuo a acalentar a esperança de voltarmos a ser campeões nacionais. Não o conseguindo, restará uma profunda tristeza cuja dimensão só não será maior porque, desde o dérby para cá, houve tempo para ir lidando com ela. Mas haverá também um enorme orgulho no notável trabalho feito, partindo em desvantagem, e a esperança fundada que este seja a semente de futuras conquistas. 

Vergonha apenas da boçalidade, da sobranceria e empáfia dedicada aos adversários quando liderávamos e que serviram de cimento às pedras do castelo adversário, quando tudo indicava que a sua ruína era iminente. Eles foram o maná que os adversários guardaram para se alimentar. Se não ganharmos serão o meu único embaraço porque o Sporting foi bom e competente dentro de campo.

Muitos perguntarão porque escrevo desta forma sobre o Sporting. É simples. Não é sobre o Sporting, mas sobre a imagem que Bruno de Carvalho projecta do Sporting. E, ou deixo de gostar do clube ou sublimo as diferenças que nos separam com o que escrevo. A primeira hipótese é demasiado penalizadora para mim.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A melhor dica para assistir ao clássico Porto-Sporting

Foi grande a desilusão que se instalou entre muitos Sportinguistas após os resultados da passada jornada. Se esta é compreensível, uma vez que se queimou mais uma possibilidade e são já escassas as que restam, já a descrença total no titulo parece-me injustificada. Da mesma forma que se o Rio Ave tivesse conseguido roubar pontos ao SLB nada ficaria ainda decidido, nada está ainda totalmente perdido. 

Alcançar o titulo não é ainda um delírio, é um objectivo perfeitamente alcançável e que por isso não permite a nossa descrença ou desistência. Se tem sido a sorte a proteger o actual comandante - os jogos com o Rio Ave e Boavista, por exemplo - quem nos pode garantir que ela não pode mudar a nosso favor -  como já aconteceu anteriormente neste campeonato - nos jogos que restam? 

Por isso a presença em grande número a apoiar a equipa no próximo jogo no estádio do Dragão é obrigatória e, estou certo, será uma realidade. O meu roteiro, e que recomendo vivamente a quem se deslocar de qualquer ponto do País, é a passagem pelo Solar do Norte, onde está programada uma confraternização leonina a partir das 12h. Além das tradicionais bifanas e bebidas haverá protecção policial permanente, que acompanhará o cortejo até ao estádio, cujo trajecto  é relativamente curto. O mesmo sucederá no regresso.

Para os mais renitentes e indecisos ainda é possível comprar bilhetes (siga este LINK), Estes têm como data de levantamento a próxima sexta-feira, no Solar, entre as 20h e as 22h. Para quem se deslocar de pontos mais distantes do Porto e não tenha possibilidades de estar presente na sexta-feira, pode enviar um e-mail a dar conta do levantamento dos bilhetes no dia do jogo, entre as 10h e as 12h.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

As contas que Jorge Jesus não fez ("Em oito meses já paguei o meu contrato de três anos")

A vitória sobre a União da Madeira no passado fim-de-semana representa muito mais do que a conquista dos três pontos respectivos e continuidade na luta pelo campeonato. Representa assegurar a participação na fase de grupos da Liga dos Campeões, o que não só é prestigiante como permite um retorno financeiro importante para o clube. Mas assegura também a possibilidade de um planeamento racional da próxima época, quer no que diz respeito ao agendamento dos estágios, jogos de preparação/exibição, recomposição atempada do plantel, etc. 

Se a participação na Liga dos Campeões seria sempre importante, na próxima época será ainda mais, porque durante o defeso do campeonato suceder-se-ão uma série de competições internacionais de selecções cuja actividade se refletirá necessariamente no rendimento e disponibilidade dos jogadores, com  possíveis consequências na prestação competitiva da equipa. Por isso a importância do que agora foi alcançado é muito maior do que neste momento "a vista pode alcançar".

Jorge Jesus aproveitou a última conferência de imprensa para dar conta desse facto e dessa forma dar razão ao vultuoso investimento que o Sporting faz ao tê-lo como líder do futebol. E fê-lo num jeito que lhe é peculiar e que por vezes se torna desagradável para muitos que o ouvem. Mas o que disse é uma verdade incontestável: o prémio a obter pela participação na próxima Liga dos Campeões paga o seu contrato de três anos.

Mas, se do ponto de vista aritmético, o que Jesus disse é incontestável também é verdade que a sua afirmação expõe o seu carácter egocêntrico. Não tenho dúvidas dos méritos do treinador na campanha que o Sporting está a fazer, várias vezes aqui o tenho afirmado. Mas é bom lembrar-lhe que há quem tenha feito o mesmo, sentado na cadeira que agora ocupa, de forma mais barata e com muitos menos meios. Para não ir muito mais longe, Marco Silva recolocou o Sporting na senda dos triunfos e Leonardo Jardim, na sequência de um "annus horribilis", "ofereceu-nos o mesmo que Jesus acaba de alcançar.

"Ah, mas Jesus ainda pode ser campeão", o que marcará toda a diferença, estarão a pensar depois de ler o parágrafo anterior. É um facto e oxalá aconteça. Se tal suceder o nome de Jorge Jesus ficará definitivamente inscrito na história do clube de uma forma muito particular, atendendo às suas origens e às ligações familiares ao clube. 

Mas a conquista de um titulo esporádico foi algo que já vários treinadores conseguiram no Sporting e mesmo noutros clubes. Isso até o Jaime Pacheco conseguiu no Boavista e o mesmo o Rui Vitória parece estar a um passo de conseguir sem perceber muito bem como. Já vencer de forma regular e sustentada e marcar um tempo na história de um clube - como por exemplo Jesus conseguiu no seu SLB - está ao alcance de muito poucos. Essa é porém a sombra da bananeira que o Sporting precisa e não apenas a que Jesus diz agora ter alcançado para o clube. O sucesso de um treinador e de um clube mede-se por aí e Jesus sabe-o bem.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Orçamento do Clube 15/16 - duas virtudes e dois defeitos

Quem quer saber de orçamentos? Além dos directores financeiros e contabilistas, por inerência de funções, quase ninguém, talvez nem mesmo o presidente. Se o documento em causa ainda por cima deixa o futebol de fora o desinteresse aumenta. O adepto quer é saber de vitórias, de troféus e campeonatos. Existindo estes, para que interessam os números?

Ora o Sporting deu finalmente a conhecer a proposta de orçamento da direcção para o próximo ano. Se há uma critica imediata a ser feita é o curto espaço de tempo que os sócios dispõem para analisar o documento. Maus hábitos que já vêm de muito longe e que não são mais do que um sinal de pouco respeito pelos sócios. Falta de respeito que é tacitamente aceite porque a este procedimento não tem correspondido qualquer sinal de insatisfação ou critica. No fundo, volto ao parágrafo anterior, quem quer saber de orçamentos? Pois...

Duas virtudes que me parecem ressaltar à vista:

- O aumento das despesas com honorários. Tal como sempre defendi, o Sporting, para poder encostar aos da frente em competitividade, tem também de se aproximar em valores a despender em salários, porque só assim conseguirá chegar aos melhores. E ter os melhores não é tudo, mas é um grande percentagem do sucesso possível.

Vale neste caso dizer que a este aumento de verbas tem de começar a corresponder também uma maior percentagem de conquistas das modalidades em competição e deveria corresponder também à ambição de voltar a ter a representatividade de outrora. O pavilhão será, com certeza, uma escora muito importante para este anseio generalizado dos Sportinguistas.

- O orçamento não prevê prejuízos. Embora se possa considerar que o exercício proposto é para lá de optimista, se for realizado dentro do que está previsto, pode-se dizer que é bom para o clube. 

Uma nota final de desagrado pela falta de transparência resultante da individualização dos gastos por modalidade. Se a ideia subjacente à apresentação prévia do orçamento é informar e promover o debate e permitir o escrutinio por parte dos sócios. Como poderemos fazê-lo, percebendo o mérito na atribuição das verbas em função do trabalho feito, desconhecendo este dado fundamental?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Fugas para a frente que Doyen e o rebanho leonino

Fugas para a frente que Doyen

A publicação do acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) a propósito do "caso Doyen/Sporting/Rojo" deixa claro que a estratégia de fuga em frente adoptada pela SAD era errada, tal como aqui foi afirmado várias vezes. 

Teria sido preferível e mais avisado, tal como também aqui afirmamos, procurar um acordo para aquele caso especifico e deixar extinguir os restantes ainda vigentes, caso o Sporting não quisesse negociar mais com aquela entidade, pondo fim a uma relação que legitimamente não queria prolongar.

Os prejuízos económicos, que podiam ser nulos numa perspectiva pessimista, serão contundentes: A SAD tem de acrescentar aos 4,5 milhões já pagos ao fundo mais 10,5 milhões. Tem de pagar 90% das custas do processo e custear os honorários dos advogados e ainda parte substancial dos ordenados de Nani (1,8 milhões de euros), que eram encargo do Manchester United. 

É importante realçar que, tendo que arcar com os honorários do nosso ex-jogador, o Sporting vê-se onerado por uma verba que também podia ter evitado pagar, transformando um excelente negócio num mero empréstimo por valores incomportáveis para a nossa realidade. Lembro que um dos principais argumentos contra os fundos eram uma forma de empurrar os clubes para os gastos excessivos.

Convenhamos que o acórdão não é de todo uma surpresa. Até um leigo percebeu logo no inicio deste caso que havia pouco ou nenhuma racionalidade na decisão da SAD e que esta foi tomada numa base populista e de fuga em frente. O que o acórdão agora acentua é que ou os advogados do Sporting foram incompetentes, o que deixa temer o pior para a sorte do recurso, ou a causa deveria ter sido entregue a S. Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas. Alguém andou a contar histórias aos Sportinguista. 

O rebanho leonino
Discutiu-se ontem no Conselho Leonino a exoneração de um dos seus elementos, neste caso Rui Barreiro, sobre o pretexto de este não respeitar os regulamentos. Que eu me lembre é a primeira vez que tal sucede, embora não seja a primeira que membros daquele órgão expressam publicamente discordância ou desagrado relativamente à SAD ou assuntos relacionados com o clube. Parece-me estarmos na presença de mais um exercício de intolerância que a votação de um "pedido de demissão do próprio" estendeu até à tentativa de humilhação. 

Isso é tornado claro nas afirmações do presidente do C.L.: "fica completamente isolado, é como se não existisse". Isto vindo de quem tem como cargo a representação de todos os associados, independentemente das suas convicções. 

É lamentável que mais uma vez, e num registo idêntico ao que vimos no passado, os elementos daquele órgão se limitem a fazer "mééé", perdendo a oportunidade de prestigiar aquele órgão e justificar a sua existência, transformando-o num rebanho amestrado pela voz do pastor.

Duas notas finais não menos importantes sobre esta matéria:

- Seria interessante que, ao invés de uma declaração final aos jornalistas, fosse elaborado um comunicado que informasse a generalidade dos associados - que são a quem os órgãos sociais têm o dever de prestar contas - das matérias tratadas e do número de elementos presentes, bem como do número dos votantes.  Gastou-se toda a tinta a falar da vida dos rivais? É que seria interessante descobrir como se chegou à percentagem de 99% dos votos expressos na votação.

- Este tipo de comportamento unanimista é em todo semelhante ao que se assiste em outros clubes. Nós,  que tanto nos orgulhamos de apregoar a diferença, parece que nos queremos distinguir pela negativa. Estas são matérias cuja gestão do bem fazer depende não dos orçamentos mas apenas das convicções e dos valores de quem as administra.

domingo, 17 de abril de 2016

Moreirense-Sporting: está aí o paraíso dos paineleiros


(Os direitos de imagem são do MaisFutebol e nela estão os que me parecem ter sido os jogadores mais importantes do Sporting no jogo)

O Sporting concluiu com êxito a tarefa de manter a perseguição e pressão ao  líder era o líder do campeonato nacional no inicio da jornada. E foi como uma tarefa que o obstáculo Moreirense foi ultrapassado: sem grande brilho, mas com competência em modo "quanto baste" e por isso sem brilhantismos. Tratando-se de um terreno onde já coleccionamos dissabores e onde tradicionalmente vamos sentido dificuldades, podemos concluir que os serviços mínimos e obrigatórios foram cumpridos. 

Pode-se dizer que se tratou de uma vitória da prática e de algum cinismo de quem sabe que tem mais argumentos, mas de quem também sabe que é nestes jogos, com estes adversários, que se penhoram os troféus desejados, muitas vezes sem qualquer possibilidade de resgate futuro. Atendendo à forma como o resultado foi alcançado - o golo de Slimani é de legalidade de duvidosa - para o cinismo ser perfeito só faltaria que o Vitória de Setúbal amanhã vencesse com um golo semelhante e já depois da hora, depois de dar a volta a um resultado inicialmente adverso.

Provocações aos adversários à parte, é indiscutível que este campeonato ficará marcado pelas discussões acaloradas, mas nem por isso de racionalidade exemplar ou grande fidelidade aos factos, à volta da arbitragem. Este será porventura muito mais o campeonato dos comentadores, paineleiros e muito menos de quem gosta mesmo do grande jogo que é o futebol. O que o golo de Slimani ontem representará no que resta do campeonato atingirá proporções difíceis de prever, mas o cataclismo de grandeza bíblica nas argumentações não é de todo improvável.

Não me espantará absolutamente nada que a comunicação benfiquista se agarre ao golo de Slimani para fazer recrudescer a guerra de influências que há muito decorre nos bastidores. Provavelmente executará essa acção em simultâneo com a usual candura de quem busca apenas a verdade desportiva, enquanto  procurará sem quartel uma qualquer reparação em jeito compensatório.

Já me espanta é que o Sporting, de forma oficial ou apenas através dos seus adeptos, caia neste desvio lampiónico de transformar o que é incerto - não apenas o golo de Slimani, mas também o de Teo - e facilmente contestável, num dogma  que a própria doutrina vertida nos regulamentos abre porta à contestação. 

No mínimo é muito pouco inteligente porque em nenhum momento este tipo de argumentação nos é favorável. Não apenas porque as interpretações são passíveis de ser muitas e variadas, mas também porque, como bem sabemos, não apenas a comunicação benfiquista é bastante poderosa como detém um elevado lote de prestimosos sicários pretensamente isentos, capazes de transformar um erro de arbitragem num complot montado para entregar o campeonato ao Sporting. Já vimos isso na semana que passou com a veiculação de noticias de que o Sporting estaria na disposição de "olear" a vitória do Vitória na Luz.

O que me parece favorecer a nossa posição é assumpção de que os árbitros podem errar e por isso é natural que de vez em quanto o possam fazer a nosso favor. Já o contrário, como tantas vezes aconteceu (mesmo neste campeonato) é que é digno de suspeição. Depois há o percurso que as decisões do árbitro no jogo indicam: se ele nos quisesse beneficiar teria validado também o golo de Teo e não se prestaria à figura ridícula de expulsar Jesus. 

Mas esta é oportunidade de ouro que nos caiu no colo para fazer valer a argumentação a favor das novas tecnologias e não esquece-las agora convenientemente, sob pena de transformar em mero folclore de mau perdedor tudo o que dissemos até aqui, quando as decisões nos foram desfavoráveis. 

Mas, como este lance o demonstra de forma exemplar, é importante lembrar que esta não é a panaceia de todos os males e que por isso o que é importante é extirpar de vez a suspeição, de forma a que os erros dos árbitros possam ser enquadrados ao mesmo nível dos avançados e guarda-redes e assim aceites com desportivismo.

Se isso não bastar podemos sempre lembrar que o enorme passivo de Bruno Paixão com o Sporting sofreu agora um fugaz e quase imperceptível abate, face ao histórico.

Nota importante: Não consigo ter uma opinião relativamente ao golo do Teo, mas o lance do golo pareceu-me desde logo irregular. As imagens que até agora vi só contribuem para criar algumas dúvidas e no essencial para concluir que não se trata de uma falha indecorosa que o coro de indignados que se levantou de súbito. 

Provavelmente são os mesmos que entenderam legitimo o mergulho olímpico de Jonas, quando a modalidade é outra e os jogos Olímpicos são no Brasil, mas Paços de Ferreira ainda é Portugal e o verão ainda está para vir.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O caminho é para Moreira de Cónegos porque a toalha não foi ao chão

O Sporting tem mais um jogo importante na luta pelo título nacional. Desta feita será em Moreira de Cónegos, onde a equipa local ainda luta pela manutenção no escalão principal. Para os adeptos que que queiram acompanhar a equipa e que se atrasaram na reserva do bilhete há boas noticias: O Solar do Norte disponibilizará hoje, nas suas instalações no Porto, entre as 20:00 e as 21:30, ingressos que não foram reclamados nas bilheteiras em Alvalade. Como o seu número é reduzido, e o Moreirense estima casa cheia, apresse-se e assegure já hoje o seu lugar para não fazer a viagem garantia de ver o jogo.

domingo, 10 de abril de 2016

Sporting - Maritimo: continuar a navegar era preciso

O jogo com o Marítimo teve duas fases marcadamente distintas. Até ao golo inaugural de Teo, que acontece já quase no final da primeira parte e os quarenta e cinco minutos complementares. 

No primeiro o Sporting revelou as já tradicionais dificuldades em lidar com o paquete maritimista, ancorado logo à saída da doca - leia-se linha do meio campo - criando apenas uma oportunidade verdadeiramente digna desse nome, a que equivaleu o também já tradicional falhanço de Bryan Ruiz. Muitas dessas dificuldades explicam-se pela ausência de química na relação Slimani - Teo. Cada um funciona como se o outro não existisse, o que de certa forma explica a ausência de continuidade do jogo que é criado nas suas costas, que neste jogo nem estava a ser particularmente feliz. O facto de cada um ir marcando não deve iludir a notória falta de simbiose entre os dois elementos mais avançados.

No segundo tempo, talvez porque a vantagem no marcador anulasse alguma ansiedade provocada pela necessidade de ganhar, vimos uma equipa mais próxima do bom nível de produção que tem habituado os adeptos este ano. Os golos surgiram com naturalidade e outros mais poderiam ter acontecido. 

A merecer amplo destaque a participação de William, paulatinamente a regressar ao nível imperial de que a lesão na selecção havia afastado. Por outro lado João Mário já começa a justificar muito mais do que o titulo de "melhor jogador jovem do mês". Ao nível actual ele está já no patamar superior, onde o facto de ser jovem e jogar com a maturidade que exibe, deveria contar muito mais do que uma mera característica.

Uma nota final para a performance defensiva. Não me parece que seja casual o facto de estarmos a registar o pior período do campeonato, sofrendo golos a quase todas as jornadas que disputamos. Apesar da inclusão feliz de Coates, os restantes elementos que chegaram à titularidade estão numa galáxia muito distante do uruguaio no que à categoria e desempenho diz respeito. Semedo é capaz de coisas tão boas como disparatadas, Schelotto está ainda em processo de aprendizagem. Naldo e Paulo Oliveira dariam a estabilidade que está a faltar.

Agora que o campeonato se aproxima do fim, e com o Sporting a ter que ganhar os jogos decisivos com pelo menos duas das melhores equipas da competição, parece-me ser na solidez defenfensiva e na acima aludida relação Teo - Slimani os problemas que Jesus tem de resolver a curto prazo. Para já continuamos a navegar, o que era preciso para a ambição do titulo continuar a viver.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Belenenses - Sporting: uma manita a segurar "pastéis"

O Sporting fez ontem no Restelo mais uma demonstração de enorme qualidade, triturando o Belenenses logo desde o apito inicial. Um pouco paradoxalmente foi também um jogo que serviu para explicar alguns dos pontos perdidos e que tanta falta estão agora a fazer. 

Quando William escorrega ante a baliza escancarada cheguei a temer o pior, com a memória de jogos como o de Guimarães a pairar na cabeça. Só uma equipa a atravessar um momento de plena confiança nas suas capacidades é capaz de sobreviver a uma mão cheia de falhanços, alguns deles quase anedóticos, e depois disso partir para uma goleada. É este o momento de uma equipa exemplarmente liderada pelo exemplo de Adrien, secundada num William em rota ascendente de forma, na classe de João Mário e Ruiz - pese a deficiente capacidade finalizadora - e de tracção à frente de Slimani absolutamente diabólico e indomável. 

A frustração de não sermos actualmente, e de forma inteiramente merecida, os comandantes do campeonato está precisamente na capacidade de fazer golos. Não fosse isso e ontem poderia ter concluído o passeio ao Restelo com uma goleada à moda antiga. Esse é o único capitulo em que perdemos para os actuais comandantes e que, oxalá não ocorra, poderá significar a diferença entre ser e não ser campeão. 

Uma nota final para Teo Gutierrez. É dele a responsabilidade de ser olhado como um patinho feio porque os adeptos perdoam quase tudo menos a falta de dedicação ou o menor comprometimento com o clube. Mas tem ainda um problema acrescido que é a sua incompatibilidade com Slimani, algo de que Montero também sofreu e cujas "culpas" não são da exclusiva responsabilidade dos dois colombianos. 

Noutras circunstâncias - por exemplo, com o Slimani do primeiro ano - seriam provavelmente a dupla escolhida, com Montero nas costas de Teo. Mas não com este Slimani absolutamente demolidor. O colombiano está longe de ser um mau jogador, bem antes pelo contrário. Tivesse aproveitado melhor as oportunidades e teria certamente a confiança em níveis muito mais elevados do que a exibe actualmente, parecendo-me residir aí a explicação para alguns falhanços   Eu, por durante o jogo ser dos jogadores que mais penalizo, sinto-me ainda com mais legitimidade para efectuar este comentário. 

Ah, pois, e o show de bola ontem nas bancadas? Fantástico!


sábado, 2 de abril de 2016

A decisão do campeonato provavelmente passou pelo Braga

Não se infira pelo titulo que já está encontrado o campeão nacional. Neste momento há ainda três candidatos, embora desse lote só dois me parecem em condições reais de chegar o título. 

O FC Porto é o que se encontra na pior situação porque a distância ao primeiro é muito grande. Para o segundo é ainda razoável, mesmo atendendo a que tem ainda a possibilidade de diminuir a distância para o Sporting. Mas o pior para as suas pretensões é já não depender de si e ainda ter que esperar que os dois rivais falhem. É muito pouco provável.

Quem está em melhor situação é indiscutivelmente o SL Benfica, por depender apenas de si e ainda por cima ter, em teoria, o calendário mais fácil dos três.  A par disso, vive o melhor momento da época, com um poder de concretização verdadeiramente notável. Ficará em um dois primeiros lugares-

O Sporting depende de um deslize do SL Benfica para poder chegar ao título. Contudo, a sua principal preocupação deveria ser neste momento, e face às circunstâncias, a de consolidação do segundo lugar, ganhando jogo a jogo, sem se perder muito com o que não pode controlar. Essa é a única forma de se habilitar a estar apto para chegar a primeiro, caso o tal deslize ocorra.

Mas seguramente que muito que é a situação em que hoje se encontra o campeonato tem o Braga como denominador comum. Obviamente que todos os jogos contam, mas os dois que os actuais comandantes realizaram com o SC Braga parecem-me momentos determinantes, parecendo que a história de ambos os jogos tiveram um argumentista comum.

O jogo em Braga iria marcar a arrancada do SL Benfica até ao comando do campeonato. A equipa que chega a esse jogo é uma equipa sob fogo, a sete pontos do comando. O treinador era acossado e o presidente colocado em causa pela forma como perdeu o anterior técnico, assistindo de camarote a um arranque demolidor do Sporting. Para agravar a situação, os três jogos com o Sporting saldaram-se por três derrotas categóricas, sem a exibição de argumentos para as contrariar.

Certamente que de lá para cá uma das tarefas que retirou mais tempo a alguns adeptos benfiquistas deve ter sido a de apagar os comentários nas redes sociais contra os jogadores, o treinador e o presidente. Mas quem não sofre de amnésia ou alguma doença degenerativa do sistema nervoso central ainda tem memória, tal eram os impropérios e tão ruidosa e até era a contestação então. 

A viragem aconteceria em Braga, com a oferta de um autogolo de Kritsyuk, seguido de outra em que ficou toda a gente na área à espera que Lisandro fizesse o óbvio. Quando o Braga quis mudar o curso do resultado já a equipa de Rui Vitória estava mais confiante e limitou-se a gerir o tempo e o resultado.

Ontem a história foi semelhante. O Braga foi a melhor equipa até sofrer o golo e a que mais perigo produziu, podendo ter inaugurado o marcador pelo menos por duas vezes. Não contente por não o fazer, acabou por conceder nova oferta, desta vez em perda de bola Mauro. Logo a seguir um penalty que não existe consolida a vantagem. Em ambos os jogos Rui Vitória ganha, tendo a seu favor muita sorte, ante a equipa que, a seguir aos rivais, mais a faria sofrer, mas acabou a ganhar de forma algo fácil.

Faço aqui um parêntesis para assegurar que não pretendo levar a discussão habitual sobre as razões que levaram o árbitro a marcar o penalty. Se bem que nem sempre o critério tenha sido igual (tão decidido, esclarecido e benevolente) também nós já beneficiamos de penalty's em situações iguais. O que se passa hoje é que os árbitros para se defenderem marcam sempre que a bola vai à mão, subvertendo o que deveria ser uma punição para um acto voluntário. O que não foi o caso de ontem, por mais que os actuais experts das redes sociais, que provavelmente nunca jogaram à bola e nem conhecem as regras do jogo, o assegurem. 

Devo confessar que por altura do primeiro jogo com o Braga não esperava ver este ano o SL Benfica como o principal candidato. As três derrotas que já coleccionava (Arouca, Sporting e FCPorto) desviaram a atenção para a principal virtude da equipa que então já se vinha desenhando, a capacidade concretizadora. É ela que lhe tem valido para ganhar os jogos com as equipas pequenas e são os resultados com essas equipas que agora fazem a diferença no campeonato.

Não sou ingénuo e é evidente que há muita anormalidade em alguns dados estatísticos do campeonato do SLBenfica, tais como as punições disciplinares e as penalidades. Mas não esgoto a observação aí, estendo-a também ao que fizemos e ao que devíamos ter feito, porque é sobretudo a nossa acção que determinam o nosso destino. Essa - a auto-critica - é também a única forma de crescermos com os nossos erros e avançarmos. Ficar pelas lamurias miserabilistas é o primeiro passo para o conformismo e autocomiseração. Neste sentido apontaria dois erros do nosso lado: um de planeamento desportivo e outro de comunicação. 

Do lado do planeamento desportivo a gestão do caso Carrillo. Parece passar despercebido mas, apesar das contratações feitas, o Sporting não preveniu essa possibilidade nem a perda de Nani. O arrastar da novela "Mitroglu" que, a ter sido fechado, teria uma influência grande na produção dos dois primeiros classificados, também é importante. A opção por Teo está longe de ser um sucesso e a falta de capacidade de improviso individual para quando o colectivo não consegue resolver é a marca dos jogos em que perdemos pontos com equipas pequenas.

Do lado da comunicação sirvo-me de uma opinião que não é minha mas com a qual concordo. Li-a no Lateral Esquerdo, o seu autor é também o autor do Posse de Bola, uma das minhas leituras assíduas na blogosfera. Dizia ele então (LINK)

"Sobre a agora tão evidente união RV, com os jogadores, com a estrutura. Essa "união", para mim, resulta também de um imponderável chamado Sporting. Ou melhor, Bruno de Carvalho e sobretudo Jorge Jesus. Eles, na minha opinião, são os principais responsáveis pela forma como os jogadores focaram e quiseram mostrar que o maior mérito era deles, e não do "cérebro". Se o Sporting tem sabido estar calado o Benfica ter-se-ia afundado sobre o seu próprio ruído. Externo, e sobretudo interno. Não há ninguém na "estrutura" que não tenha dado Rui Vitória como "morto". Não há nenhum jogador que não o tenha feito. E mesmo os adeptos, que o defenderam durante tanto tempo, também o estavam a matar na sua maioria. Acontece que o Sporting fala muito e por esse motivo os jogadores unem-se ao treinador. E por arrasto a estrutura e os adeptos"

Sobre isto adiantaria ainda que o menosprezo a que se votou o actual treinador do SL Benfica resultou de um erro de avaliação. Não se percebeu que, mais do que o treinador, era Luís Filipe Vieira e toda a entourage que estavam a ser colocados em causa. Como muito bem diz o autor do comentário  "Se o Sporting tem sabido estar calado o Benfica ter-se-ia afundado sobre o seu próprio ruído. Externo, e sobretudo interno. Não há ninguém na "estrutura" que não tenha dado Rui Vitória como "morto". Outro erro terá sido também não se perceber o valor individual e as soluções à disposição do treinador. 

O que aconteceu a seguir foi o tudo por tudo literal para não perder a face perante os seus adeptos, uma vez que, tendo sendo sido sua a escolha, era a cabeça de Luis Filipe Vieira que estava no cepo. A história deste campeonato passa muito por aí, por uma demonstração de poder que está muito para lá do que é possível ver ao comum dos adeptos. E ao que sei, o Sporting não tem força para se opor a esse poder e vamos ver o que acontecerá se FC Porto pensar que consegue chegar ao segundo lugar.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A proibição do vermelho em Alvalade

Circulam hoje rumores, com base numa noticia estampada na primeira página do JN, dando conta que o Conselho Directivo havia proibido o uso do vermelho em qualquer adereço, por parte dos jogadores. Quer-me parecer que isto não passa de um rumor, embora isto venha de encontro a outra noticia do mesmo teor a propósito do contrato de Coates (LINK). 

A ser verdade, não faria sentido nenhum a proibição de uma cor especifica, tendo a interdição que ser alargada a a várias outras cores que não as oficiais se o objectivo for mesmo defender a marca Sporting (LINK). Porém, uma medida deste teor, aos dias de hoje, está a uma fina camada de cair num fundamentalismo ridículo. 

Mas a noticia fez-me recuar a 2011, quando Bruno de Carvalho se candidatou pela primeira vez. Ao tempo, houve uma acção de campanha promovida pelo Solar do Norte em que estive presente. Inácio representava a lista, porque Bruno de Carvalho estava ausente em Moscovo com o objectivo de validar a célebre proposta de um fundo russo que, quando se tornou presidente, havia de deixar cair. Aí Inácio, a propósito de uma interpelação de um adepto haveria de afirmar que "Comigo no Sporting nenhum jogador usará botas vermelhas e se possível todos usarão botas verdes" (LINK). 

Pode então ser que, ao final de três anos, a ideia seja agora recuperada? 

E, se sim, porque se levou tanto tempo (três anos) a aplicar uma medida sem custos, que poderia ter sido implementada logo no primeiro dia?

Mais intrigante ainda será perceber quem foi o responsável pela escolha dos equipamentos deste ano, em que um dos conjuntos destinados aos guarda-redes (como o que ilustra o post) é de um vermelho alaranjado, ou vice-versa?

A haver rigor, então porque não se apresentam as nossas equipas com o equipamento que a grande parte dos Sportinguistas prefere, que é a camisola e meias listadas de verde e branco e calções pretos? 

Ou porque nos puseram a jogar à "Paços de Ferreira" e à "Naval" durante uma época inteira?

Devo, sobre este tema, acrescentar que sou daqueles que estranhou e até se habituou a custo ao abandono das tradicionais botas pretas, que a generalidade dos jogadores usavam quando comecei a ver futebol. E que não gosto da cor vermelha, tanto como de várias outras, crendo que tenho apenas duas peças de roupa dessa cor, que por isso mesmo uso poucas vezes. Mas gosto de a ver na bandeira nacional, por exemplo. 

Como nota final fica a sensação de futilidade e total perda de tempo com assuntos desta menoridade.

terça-feira, 29 de março de 2016

"Vou recandidatar-me porque o Sporting precisa de estabilidade"

Foi desta forma que o presidente Bruno de Carvalho anunciou a sua recandidatura, em entrevista concedida ao jornal "A Bola". Esta pode ser lida na íntegra no site do clube (LINK), razão pela qual não faz sentido a sua repetição aqui, como é hábito. Aí o presidente do clube faz o seu próprio balanço dos três anos que passaram mas o anúncio da recandidatura acabou por retirar o foco às restantes considerações. Talvez tenha sido essa a principal razão da entrevista e do próprio timing em que foi concedida.

As reacções
São já conhecidas algumas reacções de apoio como também criticas ao anúncio. Seleccionei um caso particular que me parece perfeito para ilustrar a configuração mental de muitos adeptos, no actual momento. Refiro-me em concreto ao apoio manifestado por Meneses Rodrigues, que desempenhou vários funções directivas desde o tempo de Sousa Cintra, passando por José Roquette, Dias da Cunha. 

Poucos dias antes, por ter sido avistado num almoço, num local público, onde, entre vários "conhecidos", estiveram presentes o actual presidente do SLB e Dias da Cunha, foi alvo das mais azedas criticas, mais duras do que se fosse muçulmano e tivesse comido toucinho. Será que o apoio agora prestado foi um conselho expresso de Luis Filipe Vieira? Em rota oposta está agora Rui Barreiro que, assim que manifestou discordância com Bruno de Carvalho, deixou de merecer a consideração recebida por ser seu apoiante. Se alguém sai beneficiado deste tipo de actuações seguramente que não é o clube.

A recandidatura
Sendo a (re)candidatura  um acto de iniciativa individual, cabe a quem toma a decisão definir o tempo certo para o fazer, pelo que, relativamente ao timing escolhido, pouco se me oferece dizer. Não me parece que a divulgação da intenção possa ter qualquer influência nefasta na vida do clube, mesmo do ponto de vista desportivo. Trata-se aliás da confirmação de algo muito expectável, tendo até o próprio já manifestado a intenção de permanecer no cargo por muito mais tempo. 

É pois sem surpresa e com naturalidade que encaro o anúncio. Parece-me até natural e mesmo desejável que Bruno de Carvalho sujeite o seu mandato ao veredicto dos associados. E devia ser com a mesma naturalidade e até com satisfação que outras candidaturas deveriam ser recebidas e mesmo incentivadas. As próximas eleições não deveriam ver o seu interesse reduzido a um mero plebiscito do mandato em curso, mas sim um amplo debate que proporcione uma escolha consciente entre diferentes visões e projectos para o clube. Tal seria uma demonstração de maturidade democrática e de verdadeira afeição pelo clube.

A estabilidade
A principal razão da recandidatura apresentada por Bruno de Carvalho foi a estabilidade. Concordo com o conceito, embora o exemplo apontado (Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa) não seja propriamente feliz, atendendo à contradição que as criticas quase permanentes que às respectivas lideranças representam. Nessa perspectiva, a estabilidade terá sido apenas o meio para a obtenção de poder de cariz vicioso. Esperamos que a estabilidade directiva no Sporting, que em abstracto me parece mais do que desejável, e até mesmo uma necessidade, a acontecer, tenha melhor uso.

Por outro lado, e analisando os últimos três anos, se é verdade que a liderança, do ponto de vista nominal, foi estável, ela foi marcada por uma série de opções e eventos que introduziram factores de instabilidade e incerteza e que poderiam ter merecido decisões diferentes. 

Por exemplo, o processo Rojo/Doyen, as relações com os agentes de jogadores, a relação com alguns jogadores, a instabilidade técnica - quer na equipa principal, quer na formação - sendo a difícil relação com Marco Silva o exemplo de que, neste período, a maior desestabilização foi construída no interior do clube. Os processos a sócios e a ex-dirigentes trouxeram para a actualidade um tipo de atenção indesejada, que exporá o clube durante muito tempo, afigurando-se como muito difíceis futuros proveitos. A estratégia de comunicação do presidente é também ela muitas vezes indutora de perturbação e que tornam o clube num alvo permanente.

O futuro
Como sempre serão os resultados a decidir o que se vai passar no futuro. Foram os resultados que colocaram Bruno de Carvalho no lugar onde está. É aqui que estará  a chave do processo eleitoral que se desenrolará no próximo ano. Sendo o Sporting campeão no final da presente época, o interesse pelo processo eleitoral ficará naturalmente esvaziado. Não o sendo, é muito difícil que Bruno de Carvalho não sofra um rombo na popularidade e passe a ver as suas decisões mais escrutinadas e até contestadas.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Três anos de Brunismo

É um exercício difícil avaliar de forma justa uma liderança de que não se gosta. É o meu caso relativamente aos três anos que agora se completam desde a chegada à presidência de Bruno de Carvalho. Ainda assim é um exercício obrigatório, quanto mais não seja para memória futura. Contudo, o verdadeiro balanço deve ser feito no final do mandato, uma vez que há vários processos em curso cujo desfecho afectará o juízo que se fará deste período.

Em jeito de pré-conclusão, é inegável que, genericamente, o Sporting hoje se encontra em melhor situação do que aquela que Bruno de Carvalho recebeu do seu antecessor. Do ponto de vista financeiro e desportivo, o clube se encontra hoje num momento incomparavelmente melhor, algo pouco expectável, face ao ponto de partida. Pode-se dizer que foi para isso que os Sportinguistas decidiram interromper o mandato de Godinho Lopes, mas também é justo afirmar que, face à conjuntura interna e externa, eram muitas as dificuldades a vencer para chegar onde estamos hoje. 

Fazer uma reestruturação financeira, com os cortes que tal implica, e conseguir, em simultâneo, uma recuperação da competitividade da modalidade mais representativa do clube, é o principal mérito da actual gestão. A par disso regista-se o que se pode chamar de normalização de resultados ao nível das modalidades, embora sem grandes resultados, face às responsabilidades do clube. Acresce ainda o regresso à actividade formal de alguma modalidades muito queridas dos adeptos, como o ciclismo, o basquete e o hóquei em patins que, graças ao pundonor de alguns Sportinguistas, haviam sido resgatadas à extinção. 

Abaixo deixo algumas considerações mais especificas, com atenção particularmente centrada no futebol.

Plano Financeiro e Patrimonial
É neste plano que se encontra talvez a mais lustrosa das medalhas da actual gestão: os resultados positivos em exercícios anuais consecutivos, o que não só era inédito nas contas da SAD, como é raro nas sociedades que se dedicam à mesma actividade. O facto de os resultados desportivos não terem dado grande contribuição - não tem sido particularmente feliz a passagem pela Liga dos Campeões - torna ainda mais meritória a acção.

A obtenção de condições particularmente favoráveis na elaboração do plano de reestruturação financeira também é altamente meritória. Porém, ela deve ser olhada como um meio e não um fim em si mesma. A sua execução será particularmente difícil e o aumento do endividamento algo dissimulado nas VMOC's, o "roll over" de empréstimos e outras obrigações indicam que é ainda muito cedo para aliviar a atenção. Muito menos para cantar vitória e que as gerações vindouras continuam a ver empurradas para si obrigações que deveriam hoje ser nossas.

A este nível surpreendeu-me que a alienação dos terrenos da Academia, por incumprimento das amortizações previstas no anterior negócio com o BCP, tenha passado quase despercebida. Um sinal claro, a par de noticias de outros incumprimentos,  que as dificuldades de tesouraria continuam a ser tão comuns como eram no passado e que, apesar dos resultados anuais positivos, não houve ainda a alteração estrutural que tantas vezes é apregoada.

O pavilhão João Rocha, cuja construção está em curso, a renegociação dos contratos televisivos e de publicidade são dois trunfos grandes que constam deste baralho financeiro e patrimonial. A inauguração das emissões da Sporting TV também o é, embora a qualidade editorial de alguns programas esteja muito longe do que consideraria o mínimo exigível.

Plano Desportivo
Ao nível das modalidades amadoras, mais do que os títulos tem sido a já aludida recuperação de uma normalidade, uma vez que sem ela é impossível ambicionar grandes conquistas. Há no entanto ainda um grande caminho a percorrer.

Foi no futebol que a recuperação foi mais evidente e talvez mais tenha surpreendido. O principal mérito tem estado na compreensão do papel determinante do treinador na capacidade competitiva da equipa. Infelizmente os constrangimentos financeiros na primeira época e uma percentagem muito reduzida de acerto na escolha de jogadores na segunda, não permitiram chegar muito mais longe. Aí, a incompatibilidade entre o treinador e a SAD, declarada numa fase muito precoce da época, certamente que também teve o seu peso, embora esta tenha finalizado com a melhor conquista até ao momento. A chegada de Jorge Jesus foi o joker improvável que acabou por fazer aparecer o Sporting esta época como verdadeiro candidato ao título.

Neste âmbito ficam ainda as muitas dúvidas sobre aquele que tem ser sido o estandarte mais valioso do clube: a formação. Com justiça terá que se afirmar que muitos erros tinham sido já cometidos nos mandatos anteriores. É ainda difícil perceber o que se tem andado a fazer em Alcochete, tantas e constantes têm sido as mudanças, mas a perda de valor nos quadros, a par da maior concorrência externa, é um cenário que parece querer confirmar-se. É pelo menos isso o que se pressente quando se procuram novos nomes com possibilidade de afirmação na equipa principal e as dúvidas sobressaem. A perda de influência nas selecções nacionais dos escalões de formação é um facto.

O Clube
O Sporting é hoje um clube que recuperou grande parte da vitalidade que havia perdido. Muito disso se deve à actuação do executivo de Bruno de Carvalho, obviamente. O amor e elevada dedicação pelo clube por parte dos sócios e adeptos eram qualidades que pareciam negligenciadas no passado e que agora são potenciadas com acções diversas e frequentes. A presença nas redes sociais e outras plataformas de comunicação ganhou finalmente relevo e, entre os exageros, erros e omissões pontuais e a inacção e indefinição de outrora, parece-me este o caminho mais adequado.

Há no entanto sinais cada vez mais evidentes e preocupantes da sujeição do clube à personalidade do presidente. Muito por causa do seu discurso egocêntrico e frequentemente auto-elogioso e de reacção fortemente alérgica às criticas, que geralmente recebe apoio igualmente feroz, mas geralmente acrítico, de uma legião de adeptos que frequentemente se entregam ao cultivo de um ego já de si hipertrofiado. A nível interno toda e qualquer voz que exprima dúvidas ou seja discordante é geralmente tratada como se de uma traição se tratasse. São apenas três anos, mas em muitos casos emulam-se comportamentos em tudo semelhantes, por vezes até mais graves, aos que vimos crescer e acentuar-se nas décadas anteriores. 

A nível externo, pelo tanto que há a fazer, pelo espaço que tem de conquistar, um presidente do Sporting não pode querer para si o estatuto de uma figura consensual. Uma luta desigual, pelas tantas vezes que foi esquecida e quando foi realizada - ao tempo de Dias da Cunha, p.ex. - não teve a continuidade desejada. Sendo uma luta necessária, é verdade que potencia antagonismos e até mesmo inimizades e ódios, porque quem detém o poder não o entregará de bom grado.

Mas isso é muito diferente da figura histriónica a que frequentemente Bruno de Carvalho se presta, esquecendo-se que o Sporting Clube de Portugal não é uma abstracção, antes sim um legado de muitas gerações. Tenho sérias dúvidas que o estilo adoptado não esteja a desvirtuar esse legado. Aos que desculpam o estilo, respondo com o que dizia o poeta: "o estilo é tudo". O estilo constrói a identidade e a do Sporting é bem diversa da arrogância lampiónica ou da boçalidade de Pinto da Costa que, pelo menos, às vezes até consegue ter graça. É isto o brunismo, um estilo de que não gosto.

Ao desgaste da imagem de Bruno de Carvalho não têm correspondido grandes ganhos ao nível da importância do clube nos centros de decisão. E os inimigos de outrora são hoje os mesmos, só que mais acirrados. Não me parece que o Sporting seja hoje mais respeitado que no passado. Se as estratégias se avaliam pelos resultados esta deixa muitas dúvidas.

Para o futuro fica o grande desafio que hoje se coloca a Bruno de Carvalho. Este é a consolidação do que conseguiu alcançar nos dois planos acima descritos - financeiro e desportivo - sendo que a época em curso, e as consequências que resultarão do desfecho final, poderão assumir uma importância decisiva. Ganhar ou não o titulo e a continuidade de Jorge Jesus serão seguramente determinantes. Pela sua importância, dedicarei a esse propósito um post em breve.

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PS- Para quem gosta de futebol, em particular os das gerações mais velhas, hoje é dia de lembrar Cruyff. É um dia triste sobretudo para quem com ele privava, os amigos e familiares. Mas o melhor da sua herança não se extingue com o seu desaparecimento fisico. Há muito que Cruyff ganhou a imortalidade.

domingo, 20 de março de 2016

Felicidade, meu bem, é alívio ...

Faltando uns minutos para terminar o jogo no Bessa, preparava-me para manifestar alívio pela recuperação da liderança do campeonato, recorrendo para tal a algumas palavras da bela Clarice. Fica a intenção no título. Atendendo às deslocações aos estádios do Dragão e Municipal de Braga nas antepenúltima e última jornadas, o 1º lugar não seria suficiente para atribuir ao Sporting favoritismo na corrida pelo título. Ainda assim, candeia que vai à frente alumia duas vezes e o Sporting experimentaria a oportunidade de retemperar os efeitos provocados pelo empate em Guimarães e derrota na recepção ao Benfica.

Pese embora o golo emergido dos descontos, não me apeteceu apagar este «post». Soar-me-ia a derrota.
A história do Sporting está repleta de conquistas e é vasta em glória, glória da qual fazem parte alguns quases.

Este foi só mais um (pequeno) quase.

Sporting - Arouca: carne de primeira transformada em picadinho

Quem olhar apenas para o resultado pode ser tentado a pensar que o Sporting venceu o Arouca com toda a facilidade, o que acaba por ser um pouco enganador, face ao que se passou no decorrer do encontro. Ora quem se lembrar ainda do que foram os primeiros quinze minutos deve concordar que por aí poucos alvitrariam o resultado final. 

Nesse período o Arouca foi deixando indicações práticas das razões do seu bom campeonato e porque foi, até agora, das que mais problemas criou às equipas grandes. Talvez seja um caso de estudo a forma focada como a equipa aparece nos jogos aparentemente mais difíceis e dessa atitude acaba por extrair as melhores exibições e resultados. 

Mas então se o jogo não foi fácil, como se explicam os 5 golos obtidos? Pelo elevado nível do desempenho da equipa, apoiada em algumas boas exibições individuais que abaixo se destacarão. Ontem o Sporting teve momentos de algum brilhantismo, demolindo aos poucos toda e qualquer resistência que o Arouca pudesse esboçar.  Variações muito rápidas do centro de jogo, circulação rápida de bola, alternância entre a procura da largura, do centro e da profundidade, abriam espaços e confundiam a organização arouquense.

O primeiro destaque vai para Bruno César, uma escolha que teve tanto de surpreendente como de acertada por parte de Jorge Jesus. O paulatino regresso de William à boa forma, bem como o retorno de Adrien, após castigo, também tiveram preponderância. Sem deslumbrar, assinale-se aquilo que pode ser o sinal de que a redenção de Teo Gutierrez está próxima.

Mas o destaque principal tem que ser endereçado a João "Classe" Mário, pelo que jogou e fez a equipa jogar. Elegante e sagaz na movimentação, é ainda inteligente a organizar, a decidir, a criar espaços. Ontem acrescentou ainda a capacidade de finalização, que lhe faltou muitas vezes em jogos anteriores. Sem favor, podia ter logrado mais do que o par de golos que o marcador final registou. Este pormaior, a acontecer de forma sustentada, fará dele um médio de por muito grande clube dessa Europa a salivar.

Talvez seja um caso de estudo a forma focada como a equipa aparece nos jogos aparentemente mais difíceis e dessa atitude acaba por extrair as melhores exibições e resultados. A diferença entre o jogo de ontem para a equipa laxista e algo desconcentrada e até pouco confiante de alguns jogos que acabaram por representar a perda de pontos preciosos é bem notória. Tudo se explica apenas em meras questões técnico-tácticas ou haverá necessidade de alguma análise e introspecção?

sábado, 19 de março de 2016

Olha quem veio para jantar, ou o jantar que tanto está a dar que falar

Desde ontem que circulam rumores da realização de um jantar de "ilustres" Sportinguistas que terão juntado para debaterem o clube. A noticia foi lançada em tom especulativo, sem grande rigor quanto ao número de presenças e das "origens"dos elementos presentes e dos assuntos tratados. Já hoje foram postos a circular nomes de alguns Sportinguistas que teriam estado presentes. 

Ao que julgo saber, nem foram oitenta nem quinze os elementos presentes, o número não chegou a atingir as quatro dezenas. Também, ao contrário do que foi avançado, não se tratou de uma reunião de antigos dirigentes do período que antecedeu a entrada da actual gestão no clube, mas de um grupo heterogéneo, onde se incluíam desde meros adeptos até elementos que já exerceram diversas funções no clube. 

O maior património do clube são os sócios. Alguns dos que estiveram presentes têm décadas de associados. Claramente que grande parte das reacções negativas à noticia nascem do facto de ser mais ou menos óbvio que a reunião surge de círculos fora do poder, isto é, da actual administração. No dia em que não for reconhecido o direito de pensar e falar livremente sobre o clube, e este ficar obrigado a cingir-se a um pensamento único, perde-se uma das maiores riquezas desse património que é a pluralidade e diversidade de opiniões. 

Grande parte dos comentários que fui lendo e ouvindo atribuíram a esta reunião um carácter conspirativo, sendo grande parte deles particularmente ofensivos, isto apesar de se desconhecerem os nomes e os motivos dos que se juntaram. Esta condenação de forma aprioristica é já por si particularmente preocupante. O recurso ao insulto qualifica sobretudo quem os profere, mas revela que a saúde do Sportinguismo está a precisar de cuidados.

quarta-feira, 16 de março de 2016

O que é lamentável no contrato de Coates

O contrato de Coates acabou por ser revelado pelo Footaball Leaks quando, pelos vistos, o mesmo já havia sido abordado num dos programas de paineleiros que agora enxameiam os canais de televisão. Os objectivos da divulgação são fáceis de perceber, pelo menos do lado do paineleiro: acirrar a confusão e criar instabilidade quer entre os adeptos quer até, eventualmente, no plantel, onde os ordenados dos jogadores são, como em todos os outros, dispares. 

Só que esta estratégia tem um problema. O jogador tem estado imperial, tornando-se naquilo que parecia há muito Jorge Jesus estar à procura: um patrão para a defesa. Por muitas considerações que se façam sobre o contrato do jogador, nomeadamente o ordenado, estas têm sido dominadas no peito e chutadas para longe pelas exibições do jogador. 

O pormenor da cor das chuteiras no contrato é patético ("deverão ser pretas e não poderão ser azuis ou vermelhas"), e só pode ser o resultado de um escrivão com excesso de tempo e vontade de escrever. Não merece mais do que isso e, como se pode ver na ilustração do post, quer o clube quer o jogador também não lhe atribuem grande importância. Aqui só a há duas coisas a lamentar:

- Que o Sporting não possa contratar mais jogadores para o seu plantel, pagando-lhes os valores que paga a Coates (200 mil/mês). Não porque isso o poria a salvo de errar neste ou naquele jogador, mas porque, a este nível (internacional, a jogar na Premier League), a possibilidade de acertar é maior.

- Que o clube não se tenha conseguido ainda blindar, após sucessivas revelações de documentação que deveria estar a salvo, permanecendo na praça pública todo e qualquer acto administrativo à mercê do olhar exterior. Se o segredo é a alma do negócio, quem quer negociar com um sociedade que não é capaz de guardar os seus melhores segredos?

terça-feira, 15 de março de 2016

"Quem é o Inácio?"

Cá está uma boa pergunta que certamente muitos gostariam de ver respondida. Esqueçamos por ora (ou lembremos, como quiserem) o passado, mas quem é o Inácio hoje no clube? 

- Que méritos se lhe descobriram para o elevar à condição de "responsável das relações internacionais?

- Que formação especifica tem para  função (que línguas domina, etc) ?

- O que tem feito pela "prospecção, desenvolvimento e operacionalização de protocolos com clubes estrangeiros, sobretudo na área da cooperação técnica”, tal como foi descrito no comunicado no momento da sua nomeação?

- Como é que a sua função (remunerada) na SAD - que em principio deveria pressupor viajar com frequência - pode ser compatível com a de paineleiro na SIC, com compromisso semanal, ao fim-de-semana?

- Se as funções são compatíveis, porque não faz pelo menos o trabalho de casa, de forma a não se expor ao ridículo?

Não se pense que a resposta dada pelo Júlio César aconteceu por acaso. Como eu gostaria de ter ouvido várias vezes perguntar, por parte do meu clube, quem é fulano, sempre que figurinhas amestradas viessem propagar o eco dos seus mentores.

Foi o Inácio que deu o flanco e que a comunicação do rival aproveitou para dar a resposta que nós deveríamos ter dado a muitos paineleiros e comentadeiros da praça. Precisamente num programa onde o próprio se arvorou em defensor do clube e exortava outros a seguirem o seu exemplo. 

Infelizmente julga-se que responder à letra a todo o bicho careta é defender o Sporting. O mais que se tem conseguido é a promoção da idiotice e da vozearia e dos seus autores à condição de "artistas da bola".

sábado, 12 de março de 2016

Estoril - Sporting: Do luxo da abertura à agonia do epílogo

A entrada de leão do Atlas foi a chave para a nossa vitória. Slimani, foi o mestre de cerimónias, abrindo e fechando os primeiros quarenta e cinco minutos com grande mestria. Leia-se classe no primeiro golo e sentido de oportunidade no segundo. Uma vitória conseguida com grande dificuldade, primeiro por força do enorme desperdício de oportunidades e depois da perda do controlo do meio-campo e da total incapacidade de ter a bola no pé. O jogo terminou com o Sporting à mercê da sorte e do que o adversário pudesse conseguir.

Adrien deve ter sido o nome que mais vezes deve estar na cabeça dos adeptos que assistiram ao jogo, especialmente depois do estouro, tal como de uma castanha em dia de S. Martinho, de Aquilani. Mas não só. Em grande parte da segunda metade a equipa do Sporting parecia - ou estava mesmo?... - completamente perdida em campo.

Defensivamente os laterais estiveram desastrados, especialmente Zeeglaar, que  nunca percebeu como se posicionar ante Mendy. O treinador do Estoril cedo percebeu que do lado de Coates era tempo perdido e desde que mandou o possante avançado encostar à esquerda, a vida de nosso lateral, e por consequência de Semedo, havia de se complicar tremendamente. Não por acaso, o golo de Bonatini foi mesmo por ali.

Várias vezes aqui tenho dito que a época que esta equipa tem estado a realizar é digna de registo, face às suas limitações. Sem dúvida que muito deste registo se deve ao treinador. Mas é também evidente que o plantel não foi bem construído e que Jesus continua a revelar algumas obsessões que penalizam o rendimento da equipa. Ruiz está morto. Não tanto pela condição física, mas pelo esgotamento competitivo. Hoje terá feito dos piores jogos que lhe vimos este ano e quando foi para o meio desapareceu. Teo, capricho de Jesus, joga vinte minutos (quando joga) e depois desaparece. Bruno César entrou tão bem, após a abertura do mercado, e tão depressa como se tornou quase insignificante.

Felizmente hoje ainda tivemos João Mário (saiu porquê, se era o único que ainda tinha discernimento de procurar ter bola?), como sempre tivemos Patrício, São Coates e, claro, Slimani. Esperar que sejam Mané ou Gélson a pegar no jogo e dar a tranquilidade que hoje faltou  é ser muito mais que optimista.

Para o final, o melhor do jogo, o resultado. Era bom que, sempre que as coisas corressem mal como a segunda parte deste jogo, tudo pudesse acabar tão bem como acabou hoje.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Sporting em modo planfetário

Já não bastavam os cartazes, hoje em Lisboa começaram a circular panfletos "contra" Bruno de Carvalho. As aspas não aparecem por engano, porque esta forma anónima e cobarde de actuar serve apenas para reforçar a posição do visado. De igual modo deixa pelo menos chamuscada à partida qualquer futura candidatura que se venha a perfilar no futuro, uma vez que o seu principal trabalho vai andar à volta da tentativa de se descolar destas iniciativas. Por tudo isto e pelo momento em que ocorre isto é um péssimo serviço prestado ao Sporting. Tenho mesmo sérias dúvidas que por trás disto esteja algum Sportinguista.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Como olhar para o dificil calendário que o Sporting tem pela frente

Não faltam por aí análises sobre o que esperam as três principais equipa nacionais na actual Liga. É dado como certo que o calendário do Sporting é o pior dos três, o que, em teoria, sou forçado a concordar. Porém se há característica indissociável do futebol é a sua imprevisibilidade, há qual ninguém escapa. É impossível saber quem onde e quando cada uma das equipas grandes vai perder pontos, mesmo que o trajecto realizado até agora por cada uma delas permita perceber com alguma segurança as suas principais fragilidades. 

Contudo um campeão apura-se pelo somatório de todos os pontos obtidos no confronto de todas as equipas entre si. A ordenação dos jogos assume mais que tudo uma importância psicológica, uma vez que ninguém se pode furtar a jogar com este e com aquele outro. Repetir vezes sem conta que o nosso é o pior calendário é sobretudo útil para complicar ainda mais a nossa tarefa.

Quem quer ser campeão, mais do que olhar em perspectiva de médio ou longo prazo tem que pensar em ganhar o jogo seguinte. Como se estivesse perante uma enorme escadaria e, ao invés de se assustar com perspectiva, deve apenas concentrar-se no próximo degrau. Ultrapassá-lo é o meio para atingir o seguinte e todos eles o de chegar lá cima. Talvez seja esta a melhor forma de encarar o que está pela frente. Como dizia no último post, não é fácil, mas se era para ser fácil então escolheram o clube errado.

O próximo jogo é com o Estoril mas não é Praia

O Sporting caiu em casa ante o seu maior rival de sempre. Se se vai levantar e como se vai levantar vai definir o lugar desta equipa na história deste campeonato. Nada está ainda perdido embora, como repetidas vezes aqui foi já dito, deixamos de depender apenas de nós para poder chegar ao titulo. Mas muito ainda pode ser perdido caso o Sporting não mantenha pelo menos o lugar que ainda ocupa na classificação. 

Em futebol não há obrigação de ganhar, mas no Sporting haverá sempre o dever de lutar pelo melhor que está ao seu alcance. É essa a missão desta equipa até ao final do campeonato: manter o lugar que actualmente ocupa e, ganhando, pressionar o actual líder. Qualquer jogo seria especialmente difícil, por ser o seguinte a uma derrota que pode deixar marcas psicológicas nos jogadores, pela injustiça do resultado e pelas suas consequências. Antevejo um regresso difícil para os jogadores, mas se era para ser fácil escolheram o clube errado.

Quem não olha às dificuldades são os adeptos. Lá estarão em grande número no Coimbra da Mota porque não desistem e se tiverem que ver cair as suas ilusões, fá-lo-ão ao lado da sua equipa. Por isso, para todos os que tiverem a possibilidade e o interesse de estar no Estoril o Solar do Norte (LINK), bem como o núcleo de Vila do Conde/Póvoa de Varzim (LINK) e de Famalicão estão a organizar excursões para essa deslocação. Ao momento em que escrevo ainda há alguns lugares disponíveis, pelo que os interessados ainda estão a tempo de conseguir um lugar.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O que é que realmente mudou depois de sábado passado?

"Apenas" o lugar que ocupamos na tabela classificativa.

De resto, para o que falta da época, tudo ficou igual. Temos de continuar a vencer os jogos que faltam (já era assim antes), temos de ser superiores a todos com menores recursos (já era assim antes), temos uma deficiente finalização (os jogos ganhos com golos ao cair do pano não foram um acaso), temos uma excelente defesa (já era assim antes).

A nossa capacidade vai ser medida pela pressão que colocarmos no actual lider, se não definharmos e nos deixarmos afectar pela derrota num jogo de tripla, tudo é possível. Se, pelo contrário, formos carpir lágrimas de frustração e culpar o destino por erros e méritos que são só nossos, os adversários vão ter a vida facilitada.

Para a recta final do campeonato ainda faltam 9 jogos e é ai que se vai ver se as pernas tremem e quem se assume como vencedor.

Se o Sporting mantiver a distância que tem hoje e o adversário não quebrar, parabéns a ele e a nós, é porque foi um campeonato fortíssimo com ambas as equipas a ficar num registo próximo dos 90 pontos...

Que não se gastem já as lágrimas todos, sábado próximo vamos já ser chamados a mostrar de que massa somos feitos e se tudo correr normal voltar a ser líder à condição, depois os outros que também façam a parte deles ou deixem para nós que ninguém atirou toalha nenhuma ao chão.

Estas são as palavras do meu amigo LMGM deixadas na sequência do derby do passado fim-de-semana e com as quais concordo no essencial. Num próximo post tentarei perceber como se chegou a esta situação, mas esta parece-me ser a hora para não baixar os braços. Como dizia no post de antecipação ao dérby:

 "Quem perder fica arredado da luta?

Não. Parece que vamos ter uma luta a três até ao fim. Uma vez que este é um dos três resultados possíveis, a derrota deve ser encarada como uma possibilidade. Não atirar a toalha ao chão e manter o foco vai ser determinante. A atracção pelo ajuste de contas com o treinador, com o jogador que falha ou com a direcção e o presidente pode ser grande. Mesmo que útil e necessária não se deve sobrepor ao amor pelo clube e enquanto a competição tiver lugar terá que aguardar pelo tempo certo.

Lembro-me do que aconteceu em 2005 com Peseiro onde, de ganhar tudo, caímos para o terceiro lugar e não quero viver isso outra vez. As nossas hipóteses em caso de derrota ficarão consideravelmente diminuídas, mas com vinte e sete pontos por jogar tudo é possível"

terça-feira, 8 de março de 2016

És um palerma, ou és um palerma?

Se o campeonato se jogasse no facebook, ninguém duvida que o Sporting já estaria afastado da luta pelos 1ºs lugares. Felizmente o futebol ainda se joga com a cabeça (em sentido pouco literal) e com os pés. Aí, a natureza infeliz do presidente do Sporting não afecta (que se saiba) o trabalho do treinador e dos jogadores.
Não fazem muito sentido os pedidos para que o presidente do Sporting deixe de escrever diariamente no facebook. As pessoas agem de acordo com aquilo que são e o presidente do Sporting não é excepção.

Conheço sportinguistas, belenenses, benfiquistas e portistas. Já «falsos sportinguistas» é uma forma de sujeito inexistente. Surpreende-me pouco que Bruno de Carvalho não o saiba.

Não quero euforias nem depressões, mas agrada-me ver que já ficamos tristes quando perdemos! Essa é uma mudança de mentalidade que assusta os nossos rivais e os falsos sportinguistas.

domingo, 6 de março de 2016

Sporting 0 - SLB 1 - o dérby do "Ai Jesus, e agora?"

É relativamente fácil resumir o que se passou ontem em Alvalade e em poucas linhas. Provavelmente bastaria até apenas uma única palavra: eficácia. Enquanto a equipa rival conseguiu chegar ao golo, numa jogada em que nem sequer foi intencionalmente responsável pela criação da oportunidade - há muito mais demérito nosso - nós não conseguimos concretizar nenhuma. O falhanço de uma delas - ja lá iremos - constitui um momento quase pornográfico.

Sendo inteiramente verdade que o resultado é injusto é porém inútil realçar este facto, uma vez que o rectângulo de jogo é tudo menos um tribunal, sendo frequente verem-se aí proferidas sentenças injustas. Essas são por vezes particularmente penalizadoras para as equipas que não aproveitam o que conseguem construir para si. Ontem presenciamos mais um desses casos.

Também me parece inútil perorar sobre a qualidade do jogo do adversário. O facto importante a retirar após o apito final do árbitro é que, apesar da pouca atractividade e mesmo qualidade da sua prestação, não apenas conseguiram ganhar - objectivo primordial de qualquer jogo - como ficaram numa posição que era nossa e que certamente preferiríamos manter.  

É verdade, tal como Jesus afirmou no final do jogo, que este talvez tenha sido o pior SLB dos quatro jogos que com eles fizemos. O que também me parece verdade é também ontem foi o pior Sporting dos quatro desses jogos.

Ao contrário também do que JJ havia referido em tempos, a nossa equipa não melhorou nesta segunda volta, bem antes pelo contrário. Um indicador muito claro desse facto e que explicam a perda de pontos com a consequente descida abrupta na classificação são os jogos a zero, isto é, sem concretizar. No campeonato este é o segundo consecutivo e a explicação da perda de cinco pontos em duas jornadas.
Não mudei de opinião relativamente aos méritos do treinador e muito menos em relação à responsabilidade que tem na nossa subida de nível competitivo, facto que a mera observação estatística comprova.

Mas esta equipa parece estar próxima do esgotamento psicológico, ao ser incapaz de variar o seu jogo, ao ponto de o tornar previsível e por isso presa fácil quer dos melhores adversário quer dos caprichos em que o jogo é fértil. As lesões em cascata parecem também apontar que a época longa começa a cobrar os seus dividendos.

É indiscutível que esta equipa do Sporting, no seu jogo, é a mais madura e consistente. A exibição de ontem, pela forma como remete o adversário a um recuo permanente e anula os seus melhores jogadores parece demonstrá-lo de forma inequívoca.

Na maior parte do tempo a equipa controla o jogo quase em absoluto mas o futebol é imprevisível e lances fortuitos podem alterar completamente o destino de um jogo. Foi o que aconteceu ontem quando a bola foi parar aos pés de Mitroglu. Por falar no grego, veremos se, quando se escrever a história deste campeonato, o desfecho final da sua contratação não ficará também associado à sorte dos clubes cujas as equipas ontem se confrontaram.
Reconhecer a responsabilidade de Jesus na  forma como rapidamente encostámos aos nossos rivais, sendo até mesmo a equipa mais consistente até ao momento em que ocorre esta troca de líderes parece-me um acto de justiça. Parece também justo dizer que a estreia da equipa vermelha no comando do campeonato era um facto até há poucas jornadas praticamente inesperado, até para os próprios. E também o é reconhecer, como aliás várias vezes aqui foi dito - que faltam neste plantel jogadores com capacidade de explosão e cuja criatividade ofereça aquilo a que o jogo colectivo não consegue chegar.

Mas também me parece inevitável reconhecer que JJ teve ontem o seu jogo mais infeliz desde que está entre nós. E talvez fosse o pior jogo para o ser... As suas substituições foram de todo infelizes. Quando vi Teo a aquecer deixei logo sair uma frase tão assassina como premonitória: "JJ é tão teimoso que até quer ganhar ao SLB com apenas dez jogadores em campo." Tirar Adrien e João Pereira foi acabar com a nossa equipa. Uma decisão que só o próprio poderá entender.

Valha a verdade que também não havia muito por onde escolher. É fácil dizer sempre que era melhor tirar este e por aquele, quando se conhece o resultado das decisões tomadas e não se pode provar factualmente que de outra forma seria melhor. Mas, esgotados todos os ângulos de análise e argumentação, não há nenhum técnico capaz de nos fazer felizes quando os jogadores acumulam falhas como as que vimos estas duas últimas jornadas.

É aqui que chego a Ruiz. Talvez o azedume seja excessivo mas no fundo ele explicou-nos de forma pratica como é que um jogador de grande talento como ele tem uma carreira semi-obscura. Talvez porque nos momentos em que podia ser decisivo, chegou atrasado, não estava lá, ou em cima da linha mandou para a bancada.

Uma palavra final para os adeptos. Vou falar em causa própria, mas julgo ainda que com o distanciamento suficiente. É difícil encontrar adeptos que amem tanto o seu clube e de forma incondicional. Tal como eu, muitos milhares devem ter tido esta noite uma relação difícil com os lençóis da cama, ao ponto de pensar escrever este post às quase três horas da manhã, quando cheguei a casa, e em quase todas as outras que passaram até me sentar em frente ao portátil.

O que se viu ontem nas imediações do estádio deveria ser suficiente para fazermos a nossa equipa ganhar. Se por acaso o Sporting não for campeão não será seguramente por causa dos seus adeptos. Será, isso sim, um duro castigo em que também muitas vezes o futebol é fértil. 

Pois, ai Jesus, e agora? Agora ainda há nove jornadas e muito campeonato para disputar. O Sporting não apenas perdeu a liderança. Perdeu também a mão no seu destino, passando a depender de outros para poder ser campeão. E passa a ter sob ameaça também o segundo lugar onde agora está.

De forma racional parece-me que ficar em primeiro só acontecerá caso conseguíssemos um final de prova imaculado, ganhando todos os nove jogos. É possível mas muito improvável.

Mas porquê deitar a toalha ao chão antes do gongo soar? É-nos permitido outra coisa, em nome do amor por este clube, por tudo o que já demos, por tudo o que estamos dispostos ainda a dar, que não seja acreditar até ser impossível?

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