Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Proponho um minuto de silêncio (Porque não me interessa o campeonato dos comunicados)

Sempre defendi que o Sporting deveria ter uma comunicação muito mais interventiva e pro-activa do que aquela que, em algumas ocasiões, se limitava a ser passiva, reactiva e em tantas outras simplesmente ausente. Essa postura ignorava as melhores práticas da comunicação recomendada para uma entidade como o Sporting, concorrendo em prejuízo do clube. Ora a actual prática, de constante bombardear de comunicados, vai no mesmo sentido. Pior do que a frequência é a falta de sentido de alguns deles, vivendo-se em permanente cacafonia que, ao invés de produzir algum efeito benéfico, só provoca ruído, instabilidade e prejudicam a imagem do clube.

Dois exemplos recentes de comunicações desnecessárias, que ainda por cima têm por base decisões lesivas dos interesses do clube:

O comunicado sobre a Supertaça de Andebol
A Supertaça de Andebol disputa-se amanhã no pavilhão de Águas Santas, Maia, e tem como adversário o FCP.  O Sporting alega falta de condições de segurança e protesta contra o critério que tem por base a atribuição de um local tão próximo de um dos contendores. Como se sabe, o concelho da Maia é limítrofe do Porto, confundindo-se em muitos casos onde termina um e começa o outro. O Sporting poderia ter alguma razão, não fosse dar-se o facto de estarmos a falar precisamente no mesmo recinto onde conquistou o direito a estar presente na final de amanhã, quando bateu o ABC de Braga no passado dia 13 de Abril. À altura, lembre-se, não se conheceu qualquer protesto. Pior parece-me ainda que  se tenham disponibilizado os bilhetes aos adeptos e, no referido comunicado, se tenha adiantado já que não haverá qualquer representante do clube. Como se defende os interesses do clube desta forma, deixando ao abandono equipa e adeptos, é que caberá agora demonstrar.

A comunicação do Presidente
Bruno de Carvalho proferiu hoje uma extensa declaração que no essencial, dá conta da realização de uma AG no próximo ano para legitimação do mandato da actual direcção. A necessidade desta comunicação auto-extingue-se logo na sua primeira linha quando se reconhece a legitimidade dos eleitos. Se ela é reconhecida e ninguém a contesta para quê a AG? Como diria o outro, o que Bruno de Carvalho quer sei eu!... Dito de outra forma, se Bruno de Carvalho soubesse que o seu lugar estaria em causa, duvido que o seu próximo acto fosse por o seu lugar à disposição. 

O que Bruno de Carvalho persegue é a unanimidade em torno dos seus actos e confunde a critica necessária e legitima em torno dos actos da sua gestão com afrontas à legitimidade, remetendo todo e qualquer desacordo para o "aumento exponencial dos inimigos internos." Este é talvez o ponto mais lamentável de uma declaração quase toda ela proferida em tom semelhante.

Num momento particularmente difícil, que não crítico, do nosso futebol, a mola real do clube, preferiria da actual direcção mais sinais de estabilidade e serenidade que promoção do ruído e agitação. Pessoalmente não quero nem ver cair esta direcção nem eleições, mas sim que quem foi eleito honre os seus compromissos e o mandato que recebeu dos sócios há bem pouco tempo.

Sobre os quatro pilares que Bruno de Carvalho diz assentar a sua acção:

Necessidade de criar uma cultura de exigência
"Colocar o clube acima de tudo e de todos" Ninguém pode deixar de concordar com esta afirmação. Porém a sua prática está muito longe de se circunscrever nela. Desde logo a permanente confusão do Sporting com o seu presidente e respectivos interesses. Houvesse "cultura de exigência" e "luta contra a inércia e incompetência" e muito do que se passa no futebol profissional e na formação não estaria a ocorrer, por exemplo. É que os "inimigos internos" não jogam, não contratam, não tomam decisões.

Criar estruturas profissionais:
Basicamente ameaçam-se novos despedimentos. 

É preciso lutar por valores
Não me lembro do autor, mas lembro-me da citação: "Estratégia é onde decides lutar". Bruno de Carvalho contesta a ideia de auto-isolamento com as recepções em organismos internacionais e a recente organização em Alvalade do I Congresso Internacional "O Futuro do Futebol". A organização é meritória mas não ilude o essencial: as alterações que o Sporting persegue têm que ocorrer aqui em Portugal, os resultados práticos destes simpósios são em geral quase nulos. O auto-elogio implícito quando se afirma, sem qualquer prova,  que o evento "teve uma repercussão internacional relevante, considerado um dos mais importantes feitos no Mundo a nível de clubes" é mais do que questionável.

Para terminar os reforços de inverno não são muitos dos que foram enunciados. Mas concordo com o essencial: no actual momento é muito duvidoso que quem viu em Sarr, Slavchev, Sacko, Rabia, Geraldes reforços para um Sporting na Liga dos Campeões, possa encontrar muito melhor para nos fazer superar os atrasos e compromissos que ainda restam.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

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Taça de Portugal: futebol termal dá acesso aos quartos

Vizela é uma terra conhecida pela qualidade das suas águas termais para tratamento de algumas doenças, entre as quais o reumatismo. Foi pois em tom reumático e cheio de artroses que nos apresentamos em campo. Nem o facto de o jogo se ter disputado em Moreira de Cónegos, uns quilómetros ao lado, afastou a ideia de que a equipa parecia disposta a inaugurar um novo conceito de futebol: o futebol termal.

Valha pelo menos o facto de termos passado à fase seguinte da competição. Dizer isto, quando o jogo foi disputado com um adversário da antiga terceira divisão, mesmo que abnegado, diz tudo sobre o jogo infeliz de ontem.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Equipa B: entre as promessas eleitorais e a intenção de extinguir, o que mudou?


Não sei o crédito que merecem as notícias que desde ontem anunciam a intenção da administração do clube em extinguir a equipa B, se não se derem cumprimento a algumas alterações que aquela, alegadamente, pretende introduzir nos regulamentos. Mas a noticia é tudo menos uma surpresa, porque não aparece do nada. 

Nada acontece por acaso e havia já alguns indícios que algo poderá estar para mudar. O mais forte de todos, que pode ter passado despercebido, foi o artigo do ex-PMAG Eduardo Barroso na sua crónica de "A Bola", onde advogava que as equipas B, nos actuais moldes, eram mais uma fonte de problemas do que soluções. Sabendo da sua proximidade com a actual administração não podia deixar de lhe dar relevo. É por isso que a notícia não é assim tão estranha como poderia parecer à primeira.

Ora antes de ir ao que Sporting alegadamente pretende – acabar com a equipa B se não lhe forem concedidas as alterações pretendidas - é interessante recuar ao que foi prometido aos Sportinguistas em tempo de candidatura, aquando das últimas eleições. Recordo, como nota importante, que ao tempo vigoravam já os actuais regulamentos.

 (Um parêntesis para uma pequena ressalva: no programa de candidatura de Bruno de Carvalho há uma distinção entre o conceito de "Formação" e "Equipa B" que, na minha óptica, está errada. Vejo a "Equipa B" como a última etapa da formação de jovens jogadores e creio que essa diferença de percepção é capaz de ser uma das razões que poderá estar a arrastar o Sporting para uma tomada de decisão como a anunciada. )

Na introdução ao programa de candidatura pode-se ler (as que me parecem mais importantes):

"A Formação e a Equipa B manter-se-ão como apostas fundamentais para o nosso presente e futuro." (página 17)

17. A equipa B é uma aposta para manter. (página 19)

E quais são agora as pretensões do Sporting? Segundo as notícias de hoje o Sporting pretende:

- Reduzir o âmbito da idade sobre a qual assentam a formação dos planteis de sub-23 para sub-21, podendo inscrever até cinco elementos de idade superior.

- Que se mantenham as actuais condições das Academias para sede dos jogos das equipas B.

- A possibilidade de acordos com clubes satélites desde que não inscritos na mesma associação.

As minhas questões, partindo do principio que a noticia do Record, que diz ter tido acesso a uma carta enviada pelo Sporting à Liga, são verdadeiras:

- O Sporting insiste num modelo de relações externas assente na confrontação, prescindindo do valor da negociação. Já não é apenas uma questão de estilo, é estratégia. Os resultados obtidos terão que ser, no momento oportuno, devidamente contabilizados. Isso é o que realmente deve contar, sendo pouco importante a adesão ou a rejeição desta metodologia. Eu não gosto e duvido que se alcancem resultados práticos.

- A imposição de cláusulas de forma unilateral como condição sine qua non para participação nos campeonatos vai ser alargada a outros escalões e modalidades e levada até às últimas consequências?

- Qual é a importância real das cláusulas em causa, ao ponto da actual administração por em causa compromissos assumidos com os Sportinguistas, que estão na sua base programática e que levaram à sua eleição? 

- Qual é a importância real das cláusulas em causa para prescindir da importância estratégica que uma equipa B tem e que a actual administração reconheceu aquando da elaboração do documento ao afirmar no supra-referido documento:

"(…) Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube. É incompreensível que um Clube que possui uma das melhores escolas de futebol do Mundo, não aproveite convenientemente em termos desportivos, e por consequência no aspecto financeiro, o enorme investimento anualmente realizado na sua Academia. É bom ter em conta que a FIFA e a UEFA vão a breve prazo alterar as regras do jogo, no que à gestão económica e financeira dos clubes diz respeito, e quem estiver mais bem preparado e já levar uma prática de rigor e de respeito pelos orçamentos, estará em vantagem."

"A existência de uma equipa B é de enorme importância para o desenvolvimento sustentado e servirá de ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior. Deverá ser absolutamente proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis."

- Levando a efeito a extinção da equipa B, que alternativa tem o Sporting para fazer crescer de forma sustentada os jogadores que terminarão o período formativo –que não a sua formação - com dezanove anos, conhecendo-se, como se conhecem, as dificuldades actuais de colocação de jogadores emprestados, onde até o SCBraga nos consegue suplantar no número de jogadores naquelas condições a jogar na I Liga?

- Não é apenas a actuação, ou alegadas intenções, da administração que me deixam perplexidade. Logo, em Vizela, o Sporting disputará uma eliminatória da Taça de Portugal e no lote de convocados não aparece nenhum jogador do actual plantel da equipa B. Marco Silva, ao invés de premiar os jogadores que aí têm actuado, mesmo com o pouco brilho que se vem constatando, prefere dar primazia a jogadores que, cada vez que foram chamados, nunca o justificaram. Falo de jogadores como Rabia, Sarr, Héldon, Slavchev quando, por exemplo, os centrais actuais da equipa, Wallyson, Gauld, Iuri, estiveram, no último jogo, num plano mais próximo do que pode ser tido como o seu valor. 

Que mensagem se transmite aos jogadores da equipa B? 

Onde fica o mérito como critério na hora escolher?

And last, but not the least:

Falar em jogadores como Rabia, Sarr, Héldon e Slavchev (e tantos outros que chegaram entretanto) quando, ao ler-se documento de candidatura da actual administração, se encontram enunciados como os que deixo abaixo, é caso para perguntar se os seus autores são os mesmos ou o que é que os fez mudar tão radicalmente de princípios num tão curto espaço de tempo:

- (…) Quanto menor for o número de jogadores a entrar de novo no plantel, maior será a facilidade de manter rotinas e entendimentos, que consumiram tempo e esforço a conseguir e que são verdadeiramente importantes numa equipa.

(…) Com a reactivação da equipa B, o plantel deverá ser menos numeroso – 20 jogadores. Cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes (ter em atenção que no futebol a experiência não está diretamente relacionada com a idade) e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objetivos de curto, médio e longo prazo do Clube. 

Jogadores estrangeiros não adaptados ao futebol português apenas se forem mais-valias claras. As contratações de jogadores estrangeiros, não adaptados ao futebol português, estará sempre dependente de serem considerados, pelo treinador principal e pela equipa Diretiva, como uma real valia para o reforço da equipa, apoiados em base nos relatórios emitidos pelos departamentos de Scouting e Sociológico.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Também tu, Marco? Ou muita ambição para poucas garras e dentes

Surpreendido com as dificuldades do Sporting frente ao modesto Moreirense? Eu não. Surpreendido fiquei, isso sim, com o alinhamento de Marco Silva e sobretudo o posicionamento dos nossos jogadores. 

Se Marco Silva viu, ou alguém por ele, os jogos do Moreirense com o FCP e SLB, talvez tenha estado atento apenas ao resultado final e ignorou que ambos os jogos se decidiram já perto do seu final, o que revela pelo menos dificuldades. Dificuldades que foram muitas porque, se é verdade que a equipa de Moreira de Cónegos é modesta, é também muito honrada a sua proposta de futebol. Uma equipa muito bem organizada, com um treinador que tem um discurso tão correcto como a sua prática.

Ao contrário de alguns dos seus congéneres em equipas de iguais pretensões e meios, o Moreirense não se apresentou em Alvalade a jogar em bloco baixo, de apenas duas linhas atrás da bola. Soube ocupar muito bem os espaços, procurando e conseguindo na maior parte das vezes, ter superioridade numérica onde tinha que disputar a bola. Ignorando o momento em que a bola estava nos centrais, concentrando os esforços quando saia destes para o meio-campo. Com isso logrou isolar William e Adrien, que raras vezes conseguiam ligar o jogo com Mané, Montero e Slimani, que só esporadicamente, mas sem grande consistência, davam o seu contributo. Carrillo era o que revelava maior disponibilidade para participar na transição e organização ofensivas mas esteve desastrado na finalização. Sem nenhum jogo interior e com grande parte das alas comprometidas, o nosso jogo vivia das transições rápidas, mas zero em eficácia.

A forma como o nosso treinador subestimou o adversário no escalonamento da equipa acabou por ser fatal. Tal como aqui já havia dito anteriormente, jogar com Montero e Slimani pode ser bonito no papel e resultar com algumas equipas, mas com outras melhor organizadas e com um treinador perspicaz é mais difícil. Montero para render o que vale tem de ter bola nos pés. Slimani para fazer o que dele se espera tem ter oportunidades. Nenhum deles o conseguiu e eram dois homens a menos na luta pela posse de bola e condicionamento do jogo do adversário. 

Marco Silva assistiu a tudo isto sem fazer nenhuma alteração, sobrevalorizando provavelmente o facto de termos podido marcar ainda antes do Moreirense. Podia ter baixado Montero, obrigando-o a uma maior participação no jogo, baralhando a boa vigilância que Filipe Melo lhe fazia, e oferecendo mais linhas de passe. Pedido a Mané que jogasse mais por dentro, de forma a equilibrar os números a meio-campo. Devia ter mexido logo ao intervalo, reforçando a equipa com um jogador como João Mário ou mesmo André Martins, que oferecem mais reacção à perda e mais posse de bola. 

A verdade é que, depois de estar a perder, as suas opções ficaram muito mais limitadas e, face o que pouco se produzia, dependentes da sorte. Infelizmente creio que Marco Silva não percebeu mesmo o que se estava a passar. Só assim se percebe que se tenha referido, no final do jogo, à percentagem de passes falhados, por exemplo. É que é muito difícil fazer melhor quando os colegas estão longe e se tem mais do que um adversário por perto. 

Uma palavra também para o golo sofrido. Nasce do terceiro canto curto - naquele momento o Moreirense tinha mais cantos do que nós, o que testemunha que não vinha apenas para empatar a zero - em que, dessa forma, se procurava desposicionar a nossa defesa, o que foi amplamente conseguido. Demasiado fácil de fazer para uma equipa tão modesta frente a uma equipa com as nossas ambições. Já agora, e nós, quando demonstramos alguma competência também a aproveitar as bolas paradas?

É bem provável que se procurem agora explicações nas já tão habituais "falta de garra", "amor à camisola", "falta de respeito pelos sócios e clube" etc, etc. Porém, para mim, os pontos perdidos ontem começaram a ficar pelo caminho nas opções do treinador, que não soube criar as condições para os seus jogadores exprimirem a qualidade que os diferenciava dos adversários. Mérito também para Miguel Leal, treinador do Moreirense que soube adequar o posicionamento dos seus jogadores às necessidades da equipa, potenciando ao máximo o valor que tem à sua disposição. No final o recuo acabou por ser inevitável, quer pelo esforço despendido, quer pela satisfação pelo resultado. Com outros jogadores à sua disposição como seria?

Marco Silva ficou-nos a dever os dois pontos de ontem. Que são um pouco mais do que isso, se contabilizarmos que não aproveitamos os pontos oferecidos pelo Guimarães e FCP, e pouco lucramos com os três pontos perdidos pelo Belenenses. Mais preocupante foi darmos lenha para aquecer a moral do SCBraga, que andou a tropeçar no inicio da actual Liga. 

É verdade que o treinador, mesmo não o fazendo abertamente, pode-se queixar da quantidade com qualidade que tem à sua disposição. Fá-lo na prática quando prescinde de jogadores que chegaram, em contra-ciclo com o discurso de ambição e de pole-position na candidatura do inicio de época, para acumular peso do lado da mediocridade (Sarr, Slavchev, Rabia, Cissé, Geraldes, Héldon) e fazendo o que pode com a  vulgaridade (Tanaka, Mauricio), Mas ainda anda às apalpadelas para encontrar o modelo ideal para as necessidades de uma equipa como a nossa. Ontem perdeu em toda a linha com Miguel Leal, um estreante nestas andanças. 

Continuo a entender que foi uma boa decisão contratá-lo e que seria uma má decisão despedi-lo agora. Não estava à espera nem entendo ser exigível o campeonato a Marco Silva ou a qualquer outro no seu lugar. Mas ganhar apenas a um dos actuais melhores dez classificados (Marítimo, não jogamos ainda com o Braga e Rio Ave) é muito pouco. Perder o campeonato em casa é decepcionante, estar em quinto lugar a  tendo perdido já dez pontos para o comandante, é difícil de sustentar.

Para finalizar,  a minha perplexidade: porque se interrompe o ciclo de afirmação de Cedric para dar lugar a Miguel Lopes?
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Rescaldo da Liga dos Campeões e agora a Liga Europa: nem os maiores nem coitadinhos

©AFP/Getty Images
Na sequência do final da fase de grupos da Liga dos campeões fica um pequeno rescaldo, em tom de notas avulsas, e com um pequeno avanço sobre o que nos pode esperar na Liga Europa.

Nem os maiores nem coitadinhos, a diferença esteve em pormenores
Esperar que o resultado de um jogo de futebol, ou de uma sequência de jogos de apuramento, represente com fidelidade a justiça do jogo jogado é não perceber uma das características mais importantes do jogo: a aleatoriedade. Por vezes é-se melhor e não se ganha, podendo mesmo perder-se, outras não se é suficientemente bom para justificar a vitória acabada de alcançar. Contudo, é a aleatoriedade que torna os resultados imprevisíveis, e é por isso o futebol tem a enorme legião de adeptos espalhada por todo o mundo. O problema é que só nos lembramos disto quando os resultados não nos são favoráveis. 

Serve a introdução para avaliar a nossa prestação no apuramento, uma vez que foram várias as referências feitas a uma certa injustiça no nosso afastamento para a Liga Europa. Neste âmbito, as declarações mais equilibradas pareceram-me as de Adrien:

"Pelo que mostrámos contra todos os adversários merecíamos a passagem. Em alguns momentos não conseguimos pontos por culpa própria. Em outros momentos isso não esteve nas nossas mãos. Mas merecíamos"

Comecemos pelo incontestável, o  mérito do Chelsea como vencedor do grupo. Os números falam por si: termina o apuramento invicto, com 17 golos marcados e apenas 3 golos concedidos. O único facto anormal, mas de carácter decisivo, terá sido o empate em casa no jogo inaugural como Schalke 04. No entanto é bom lembrar a precocidade do jogo no contexto da actual época. A equipa alemã acabaria por coleccionar maus resultados, tendo mesmo mudado de treinador. Se há dúvidas que "não é a mesma", basta olhar para a goleada sofrida na recepção ao Chelsea. Decisivo terá sido também o facto de termos sido a única equipa do grupo que não conseguiu pontuar com a equipa de Mourinho.

Analisando os nossos números com os do Schalke 04 constata-se um maior desequilíbrio dos alemães, que terminaram com um número de golos sofridos (14) superior aos marcados, por comparação com o nosso empate (12 sofridos, 12 marcados). Números muito elevados para quem quer figurar entre os melhores da Europa: das equipas que se classificaram para a fase seguinte só Basileia, Arsenal e City se aproximam, mas ainda a alguma distância, de números tão elevados de golos concedidos (8). Talvez esteja aqui, na consistência defensiva, a explicação para o não apuramento. Aí e nos pormenores, alguns deles aludidos acima. 

O equilíbrio pontual entre nós e os alemães terá sido o facto dominante, sendo que aqui ganha maior relevo o erro do árbitro russo no jogo da Alemanha. Dizer isto não é esquecer erros próprios, como muito bem reconhece Adrien, acima. Não gosto do discurso de que somos os maiores (o que me parece muito lampiónico) quando ganhamos e explicar as derrotas com factores externos e teorias da conspiração ( o que me parece muito pintodacosteano).

Severidade excessiva para com Esgaio
Apontar o erro de Esgaio como factor determinante para o resultado de Stanford Bridge, como já vi fazer, parece-me excessivo. Até porque, revisto o lance, parece que Filipe Luís soube cavar muito bem a falta. Mas, mais importante, parece-me ser assinalar 2 pontos nesta matéria:

- O Chelsea deste ano é mesmo de outro campeonato. Com um pouco de sorte e menos acerto de Patrício, poderia ter conseguido um resultado em Alvalade semelhante ao obtido em casa do Schalke 04, tantas foram as oportunidades de 1x1 conseguidas. Constatando tamanha diferença, fica mais difícil de concluir que o apuramento ficou perdido neste último jogo. 

- Acho muito difícil, mesmo escolhendo entre os melhores dos melhores, encontrar um lateral-direito que salte directamente directamente dos relvados da II liga para um dos melhores e mais difíceis palcos do futebol mundial e seja capaz de desempenho igual ao de Esgaio. O problema é pois mais complexo que um mero desempenho individual em circunstâncias difíceis. Talvez fosse bom ter presente que o que lhe foi oferecido até agora não lhe permitiu ser melhor. Isto sem esquecer que para o seu lugar foi até contratado Geraldes que agora lhe é suplente.


Qual o verdadeiro preço de um jogador?
Pelo que foi dito acima perceber-se-á que não considero adequado individualizar os erros como justificação para o insucesso colectivo. Mas muitos se lembrarão por muito tempo do erro de Maribor, já depois de esgotados os noventa minutos porque foram assim que voaram dois pontos. Mas quando se contabilizarem os preços dos dois jogadores envolvidos, os custos deste e de outros erros, não entrarão nas contas. Nem isso nem o tempo e as oportunidades que lhes foram concedidos e se negaram a outros e o que isso obstou à sua evolução e valorização. Por isso quando se diz que um jogador "até é barato" é porque estes custos nunca entram na contabilidade.

Liga Europa: se vais embandeirar em arco certifica-te que vai mesmo haver festa
Se não compreendo quem ache que "até é bom irmos para a Liga Europa" menos compreendo ainda os que acham que somos candidatos à conquista do troféu. Antes de nós há clubes que têm contraídas mais obrigações, tais como os que agora ombreiam connosco como cabeças-de-série, tais como Zenith, Olympiakos, Nápoles, Nápoles, Fiorentina, Everton, Dínamo de Kiev. Isto sem pensar que na próxima eliminatória nos pode sair ao caminho Liverpool, Ajax, Roma, Wolfsburgo, o que acresce o risco de nem aquecermos o lugar na competição. É bom, por isso, lembrar que até à final há um longo caminho a percorrer e que, numa prova a eliminar, basta um dia mau para comprometer as aspirações.

Pensar que somos candidatos é também não perceber o que nos aconteceu agora na fase de apuramento. Se a experiência dos jogadores era então contabilizado em desfavor, ela não poderá ser menos agora, só porque se fizeram seis jogos ao mais alto nível. E é bom lembrar que o nosso jogo precisa de se equilibrar quer no modelo, sobretudo na organização e transição defensivas, quer mesmo do ponto de vista da qualidade do valor individual disponível.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Liga dos Campeões: Ir a Londres escrever o epitáfio

Demorou muito pouco o tempo em que conseguimos manter-nos donos do nosso próprio destino, pelo que, quando logo aos dezoito minutos, ficamos a perder por dois golos de diferença, passamos a jogar mais em Maribor do que Londres. O jogo acaba por ser um epitáfio justo da nossa participação nesta fase de grupos, e que também marca as restantes participações da época: qualidade e desequilíbrio. 

Explico: o Sporting demonstrou em Londres que o seu jogo tem qualidade para criar oportunidades e marcar golos, mas é demasiado inconsistente e inseguro para poder depender da sua capacidade defensiva para conseguir resultados. A este nível, e ainda por cima contra uma equipa com o poderio que tem o Chelsea, a realizar uma grande época, isso é ainda mais claro e acabou por ser fatal. Desequilíbrio também nas opções também à disposição de Marco Silva. Se é natural que Nani não tenha substituto à altura, Cédric, por exemplo, deveria ter.

Tudo acaba por ficar condicionado com uma infantilidade (leia-se ingenuidade) de Esgaio. O lance foi fatal para as nossas aspirações e também para o jogador, que acabou por jogar nitidamente diminuído psicologicamente, quer a defender quer mesmo quando se abriam hipóteses, mesmo que ténues, de atacar. O Chelsea estava a jogar confortavelmente com as suas linhas recuadas mas o desinteresse era só aparente. Sempre que conquistava a posse de bola, jogava simples, procurando quase sempre a grande capacidade de Fabregas de criar jogo e definir com qualidade. As movimentações de Schürle, partindo da linha para as costas do fantasma de William - onde andas tu? - eram golpes constantes a impor sofrimento e a anunciar que um golo na nossa baliza podia sempre acontecer.

Ora, mesmo sendo consentido, o Sporting ia dando indicações que sabia o que fazer à bola. Faltou Nani, o que assumiu também um carácter decisivo para o nosso jogo. Mas se o nosso dezassete esteve ausente Stanford Bridge pôde ficar a conhecer Nanillo. Perdão, Carrillo, que fez de Nani e de Carrillo. Talvez fosse suficiente se o adversário fosse o Boavista, como no passado fim-de-semana, ou até talvez um pouco mais forte, mas não com equipas da igualha do Chelsea. Capel era completamente inofensivo do outro lado e João Mário não conseguia passar os dois muros, perdão, médios de contenção, Mikel e Matic, tornando Slimani numa ilha.

O segundo tempo não deferiu muito do primeiro, apesar do golo de Jonathan ter dado algum fôlego à esperança, mas a resposta não demoraria. Um pouco à semelhança do golo de Matic em Alvalade, o Chelsea atrairia a defesa de uma bola parada ao primeiro poste para a fazer cair no outro extremo, sem que a defesa reagisse como devia. Pareceu fácil, o que se justifica pela qualidade da execução e pelo facto de não termos aprendido nada no primeiro jogo.

E assim saímos para a Liga Europa. Um apuramento natural e esperado quando se conheceu a composição do grupo mas que agora, face ao ocorrido no apuramento, acaba por saber a pouco. Dois lances patéticos - o golo já nos descontos em Maribor retirou-nos dois pontos, o inominável penalty na Alemanha outro - acabariam por nos afastar de um apuramento que seria inteiramente merecido. Mais importante que chorar sobre o leite derramado é reconhecer uma participação valorosa do Sporting a marcar o regresso à mais importante competição de clubes do mundo. Assim saibamos aproveitar a experiência para crescer e voltar mais fortes. E termino desejando que esta presença se torne um hábito e não uma aventura esporádica. 

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

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"Gostava que o Sporting passasse..." ou a Liga Europa (des)consoladora

"Gostava que o Sporting passasse", quem o diz é Mourinho, ao que acrescenta com a ironia que se lhe reconhece, que tal se verificasse com o Sporting a registar o mesmo número de pontos que actualmente detém, sete. Simplificando, que o Chelsea ganhe e o Sporting passe. Como é óbvio, só posso concordar com a parte final - a passagem do Sporting - já que, como qualquer um, perder nem a feijões, e com o essencial, a passagem à fase seguinte. O Sporting precisa de estar nos grandes palcos, como o é a Liga dos Campeões e tê-la assim tão ao alcance de apenas noventa minutos faz-me olhar para a Liga Europa como um prémio de desconsolação.
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sábado, 6 de dezembro de 2014

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O bailado de La Culebra entre peças de xadrez

O jogo com o Boavista pode-se resumir em 2 momentos: o antes e o após Carrillo. No primeiro momento o domínio não estava a ser traduzido em perigo, eficácia ou profundidade. No segundo foi um recital, o bailado de La Culebra entre as peças (atónitas) de xadrez. Com um Carrillo assim o nosso futebol ganha boa vista. Muito boa vista!

O resto? São pormenores que não merecem compartilhar as mesmas linhas que os elogios ao homem do jogo. Excepto, claro está, a impressionante presença a Verde e Branco.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Directamente do baú das melhores memórias

Um golo de um dos melhores jogadores que vi jogar com a camisola do Sporting, Pedro Barbosa, numa das equipas melhor recheada de jogadores, tais como Schmeichel, Quiroga, André Cruz, Rui Jorge, Duscher e Acosta. Que saudades!

Por mim logo pode ser assim:


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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O que é preocupante quando (não) se vê jogar a equipa B

Ontem a equipa B do Sporting acumulou mais um resultado negativo, com a agravante de tal ter sucedido em casa. Sou de opinião que não se devem fazer grandes extrapolações na sequência de um qualquer resultado, seja ele de cariz negativo ou mesmo positivo. O jogo de ontem assim o recomenda, uma vez que alguns acontecimentos específicos ocorridos durante a partida condicionaram o seu desfecho, como foram a expulsão de Fokobo numa fase precoce do jogo e um penalty desperdiçado, que poderia ter conferido o empate.

Mas há uma inevitabilidade a considerar após o jogo de ontem: por força dos maus resultados consecutivos, a equipa gravita agora próximo da perigosa zona de despromoção, que habitualmente exerce uma pressão psicológica acrescida sobre as equipas, jogadores e treinadores. Os 20 pontos do actual 17º lugar  conferem-nos apenas 3 pontos de distância dos 17 do 22º lugar que confere a descida ao inferno da II B , de onde se sai apenas garantindo o primeiro lugar da série respectiva. Os próximos jogos terão algum carácter definidor, uma das características deste campeonato é a grande volatilidade da tabela classificativa, é tão fácil subir ou descer, em função dos resultados. Mas daria imenso jeito, leia-se tranquilidade, que o próximo jogo fosse ganho. É uma curta deslocação, ao campo do Oriental, que tem apenas menos um ponto que nós.

Se a posição em caímos é, como se vê, preocupante, mais ainda parece-me que é o que não se consegue perceber em campo. O mais natural é que se esteja a recolher os frutos da má planificação da época, marcada pelas constantes alterações na composição da equipa técnica, onde se assinala a inovação de destituir o treinador quando a época ia começar, isto quando eram já conhecidas movimentações nesse sentido, como se depreende da admissão pública de Litos de que havia rejeitado um convite para o lugar. 

Passados quase 2 meses da chegada de um novo treinador, e quando não se percebem quaisquer automatismos no comportamento da equipa nem que modelo de jogo se procura, é caso para perguntar se Deus, (o João) existe e se existe o que tem andado a fazer.  Neste momento acumulamos mais derrotas que vitórias, mais golos sofridos que marcados, não marcamos golos há 6 jogos consecutivos (ontem quase não construímos oportunidades). Isto sim -  a falta de qualidade do nosso jogo - me parece mais preocupante que uma episódica descida na classificação. Sem qualidade, a obtenção de resultados eleva ainda mais o carácter aleatório do jogo a que a equipa fica entregue.

Do ponto de vista da qualidade individual dos jogadores que compõem o plantel, julgo ser consensual afirmar que ela existe e obriga a fazer muito mais, mesmo que aquela não seja a de dos 2 anos anteriores. No entanto há jogadores nitidamente estagnados (Esgaio, Reis, Tobias, Wallyson, Esgaio, Podence) e outros que até parecem ter regredido (Fokobo). Há ainda aqueles que desapareceram completamente e de quem se esperava muito (Iuri e Chaby), pelo menos mais do que se arrastarem entre o banco e a bancada. Ryan Gauld está longe de justificar o maior investimento do ano e não parece ser por falta de qualidade técnica. Outros infelizmente vão ocupando lugares que não justificam de todo (Cissé, Enoh, Dramé, Sacko). Isto sem esquecer os jogadores que foram contratados para a A se arrastam na terra de ninguém, como Sacko, Geraldes, Slavchev e Rábia, mas vão ocupando aqui e ali lugares de outros sem também o justificar.

É também mais ou menos consensual que alguns dos jogadores acima aludidos estejam a precisar de novos desafios, que a II Liga dificilmente representam. Mas, olhando à lista de jogadores emprestados e aos campeonatos onde aterraram é pelo menos legitimo uma conclusão e uma dúvida.

A primeira, a conclusão, é que o Sporting não conseguiu colocar jogadores nem na Liga portuguesa nem em ligas, clubes ou treinadores de referência. O que torna duvidosos os resultados que se venham a alcançar. Betinho deu o lugar a Cissé para ir jogar para o Brentford de Inglaterra, quando as características do jogador e daquele campeonato britânico recomendavam o contrário. Rúbio, na Noruega,  Semedo no Réus, Viola no Karbukskor, Zezinho no Chipre, parecem estar a cumprir uma pena de exílio. Excepção para Labyad, no Vitesse da Holanda. Aqui talvez fosse bom questionar se a politica de não alianças e auto-exclusão a que o Sporting se votou não está a contribuir para o expatriamento forçado de jogadores, com aparentes mais desvantagens que benefícios para aqueles e para o clubes.

Isto enquanto se escutam algumas dúvidas relativamente à postura profissional de alguns atletas também. Independentemente do que possa haver aí de verdade, é bom lembrar também que alguns destes jogadores vincularam-se recentemente ao clube por períodos longos (com contratos baratos e elevadas cláusulas de rescisão) sob a promessa de um novo ciclo de apostas na prata da casa e, alguns deles, vêm os seus lugares ocupados por jogadores a ganhar mais sem o justificar. Na prática não jogam, logo não evoluem, e também não ganham dinheiro. Nestas circunstâncias é fácil recriminar, mais difícil é aguentar uma situação que, a manter-se, lhes é notoriamente prejudicial.

A pergunta que se coloca é a de sempre: com que jogadores se poderá contar na próxima época para a formação do plantel? Não é para isso que serve a equipa B?
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Vamos ao que menos interessa: as contas.

Como não podia deixar de ser, aproveito a divulgação das contas trimestrais para falar um pouco das contas da SAD do Sporting. O titulo é algo provocatório, só um louco ou alguém a caminho de o ser pode achar que as contas são o que menos interessa. No entanto ele não deixa de dar conta do espírito mais comum entre os adeptos: queremos que as contas estejam boas mas a nossa preocupação é se a bola entra ou não. Ou até mais do que isso, queremos é títulos, como muito bem dizia o nosso ex-PMAG, Eduardo Barroso há dias. 

Contudo sem boas contas os títulos são uma miragem e o Sporting, mesmo apresentando os resultados de um excelente exercício trimestral, tem ainda um longo caminho a percorrer para se reequilibrar e poder assumir-se lado a lado com os seus rivais em disponibilidade financeira. Os relatórios trimestrais têm um valor relativo, servindo sobretudo de indicador ou revelador de uma tendência. O agora em apreço, por versar o período de transferências e de inicio de época pode, por isso, ter algum valor acrescido sobre os outros 3 relatórios congéneres, mesmo considerando que algumas das verbas inscritas são parciais. 

As boas noticias
Por comparação com o período homólogo do ano passado, os resultados operacionais e líquidos são extremamente positivos, com um saldo liquido de 25,2 milhões e 24,6 milhões respectivamente que, também respectivamente, representam variações positivas de 207% a 242% por cento. Estes valores percentuais astronómicos devem ainda mais realce pelo facto de a comparação ser feita com um exercício homólogo positivo. Para este resultado muito contribuíram as verbas resultantes das mais valias com a venda de jogadores (Rojo, Rinaudo e Dier) e das receitas resultantes da entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões.

O primeiro item, a alienação de passes, é um ponto que merece destaque. No campeonato das transferências o Sporting obtém um 2º lugar, com resultados positivos de 19,7 milhões, suplantado apenas pelo SLB com 21,2 milhões, tendo o FCP ficado pelos 17 milhões. A importância de o Sporting estar lado a lado com os seus rivais na obtenção deste tipo receitas é absolutamente crucial para poder, num futuro próximo, iguala-los no investimento na sua equipa de futebol, bem como no financiamento de toda a actividade da SAD. 

Noticias nem boas nem más
Tem sido muito salientado o facto de o Sporting gastar apenas 1/4 dos seus rivais com despesas de pessoal. Aqui tenho que dar razão ao Eduardo Barroso, não quero ficar à frente dos rivais no campeonato das contas, mas sim no do futebol. Este facto, o de gastar pouco, só será verdadeiramente relevante se a ele se juntar um ciclo de vitórias, o que me parece um caminho muito difícil de percorrer. Não é impossível e atendendo de onde o clube vem e onde estão colocados há muito os rivais, é necessário tempo para a consolidação de uma estratégia. A minha dúvida, já aqui várias vezes expressa, relativamente à actual, é profunda. Resta-me dar o tempo necessário e aguardar pelos resultados. Um clube grande tem este problema: não vamos para a praça central da parvónia celebrar segundos lugares ou qualificações para a Liga dos Campeões.

Os valores do passivo (262,7 milhões, menos 1%) e dos capitais próprios negativos (uma importante diminuição de 21%, para 93,4 milhões) não são más nem boas noticias se atendermos a que os seus valores são de há muito conhecidos de todos. Obviamente que um passivo tão elevado consome enormes recursos para assegurar o cumprimento do respectivo serviço de divida, sendo este, quanto a mim, o grande problema que a SAD ainda tem que enfrentar por um longo período. Já os valores dos capitais próprios sofrerão em breve uma importante alteração, com a entrada em vigor do plano de reestruturação financeira. 

Noticias preocupantes
O conflito com o fundo Doyen Sports pode significar uma importante reviravolta nestes resultados. Se a decisão nos for desfavorável, esperar que aquela entidade se ficará pelo simples ressarcir aritmético dos valores em disputa só pode ser ingénuo. Resta aguardar que a decisão tenha sido objecto de aturado estudo, reflexão e assessoria jurídica antes de ter sido tomada, porque as suas consequências seriam obviamente graves.

Da observação apressada do referido R&C saliento igualmente dois pontos que me parecem pelo menos preocupantes:

1- A diminuição das receitas resultante de patrocínios e publicidade: dos 1.568 milhões do ano passado, sem competições europeias e sem Champions League, obtivemos apenas este ano 1.536 milhões. Só para se perceber o caminho que agora percorrer os nossos rivais, o SLB obteve, nesta rubrica, no mesmo período, 4,8 milhões de euros, que representa um acréscimo de 10,2%. Não consegui verificar os números do FCP em tempo útil de os incluir aqui. Como é óbvio, este é apenas um aspecto, entre muitos outros, das contas dos clubes mas que, a par de outros, indiciam pelo menos que não se justificam para já os gritos de hossana relativamente às nossas contas. Há um longo caminho ainda a percorrer.

2- Igualmente num ano de regresso de competições europeias e logo pela sua porta maior, o acréscimo de apenas 14% nas receitas de bilhética (de 1.941 milhões em 2013 para 2.384 milhões agora) reforça a necessidade de uma reflexão alargada sobre a actual realidade do universo leonino.

Nota: este texto será igualmente publicado no site Bola na Rede, no âmbito de uma parceria com este blogue. Pode também seguir o site no Facebook.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Demasiados preliminares para resolver com 2 rapidinhas

Quando começava a escrever este post perguntava-me que diferença se deveria assinalar entre o jogo com o Maribor e o jogo com o Setúbal, tendo em conta que as dificuldades com os sadinos foram aparentemente maiores, pelo menos para inaugurar o marcador, mas os eslovenos são melhor equipa. 

Se a questão aqui abordada no post anterior, de grande dificuldade de lidar com as equipas nacionais, pela conjunção de factores, poderia fazer algum sentido antes deste jogo - melhor conhecimento dos adversários e por não terem problemas em jogar de autocarro estacionado -  Marco Silva encarregou-se de baralhar a discussão. Baralhar a discussão e baralhar o adversário, que se viu forçado a fazer uma substituição ainda na primeira parte para se conseguir equilibrar, tamanha foi a avalanche a que foi sujeito. Tal resultou da inclusão de Montero no lugar agora ocupado por João Mário e que outrora fora de André Martins. 

As movimentações e inteligência do colombiano foram decisivas na criação de oportunidades de golo em catadupa, as suficientes para ter fechado os primeiros 20 minutos com golos suficientes para assegurar uma vitória tranquila mas que, por ineficácia, manteve o nulo inicial até ao intervalo. Após a entrada de Erickson nos sadinos para a posição 6, com notória intenção de reduzir os espaços a Montero, e pelo nosso natural travão ao fulgor inicial, o jogo decresceu de qualidade.

Algumas notas soltas que resultam da observação do jogo:

1- A importância de ter um jogador da qualidade e inteligência de Montero, especialmente em jogos de menor participação de Nani, cuja preponderância no nosso jogo Domingos soube reduzir. Talvez também por algum cansaço acumulado do nosso 17, foi talvez o seu jogo menos importante desde o seu regresso.

2- Realce para a participação de Carlos Mané, que só perdeu por não conseguir uma melhor definição dos lances. E essa é a diferença entre os bons jogadores e os outros. De nada adiantam os grandes slalons se depois a bola não segue jogável para um jogador bem posicionado. Se estiver atento às palavras de Marco Silva -  "é preciso trabalhar ainda mais. Melhorar todos os dias." - com o potencial e idade que tem, tem tudo para se tornar num caso sério.

3- Muita da ineficácia registada no nosso melhor período se deveu a Slimani. Uma actuação paradoxal, se atendermos que foi ele a marcar 2 dos 3 golos na segunda parte. A verdade é que acabou por apontar golos mais difíceis de executar do que oportunidades  tidas e que falharia. 

4- A impaciência crescente em torno de William. Do exagero do ano passado, apesar de serem evidentes as suas insuficiências, para o exagero deste ano, em torno das suas participações. É óbvio que não começou bem a época mas esse período já está para trás. Marco Silva pede-lhe agora funções um pouco mais alargadas na construção do jogo, o que é incontornável face à inépcia nesta matéria por parte dos centrais. Pede-lhe também que exerça a sua influência em terrenos mais adiantados e creio que, face à novidade, se tem saído muito bem. Mas William não é responsável  pela nossa falta de acutilância no espaço central, tal parece-me antes um problema do modelo de jogo. Quanto ao jogo de sábado foi determinante para anemia atacante do Setúbal, que mais não pareceu querer que levar um pontinho, mesmo sem marcar golos.

5- Parece-me precipitado concluir que este 4x2x3x1 é a melhor solução. Os adversários não são todos iguais pelo que os sistemas também não o devem ser. O que foi agora bom com o Setúbal, e poderá ser com outros dos adversários mais fracos da actual Liga, não será necessariamente tão acertado com outros mais fortes. Marco silva reconheceu isso mesmo no final do jogo. Não menos importante também terá que ser considerado o factor surpresa que, de ora em diante, terá o seu efeito reduzido.

6- Em 11 jogos é a 4ª vez que o Sporting não sofre golos. E apenas num, com o Vitória, em Guimarães, não marcou, curiosamente a única derrota até ao momento.

7- O jogo foi marcado por diversas falhas por parte da equipa de arbitragem, falhas essas que se estenderam a outros campos. Podemos queixar-nos de foras-de-jogo mal assinalados, mesmo que embora difíceis de ajuizar. Domingos Paciência queixou-se com razão de dois momentos: o que resulta do lance do primeiro golo, uma distracção a não repetir por William. E a da falada agressão de Maurício. Se atendermos às consequências desses lances, e que o resultado em ambos os casos ainda estava a zero a queixa faz sentido. Mas olhando ao que se passou noutros campos - Guimarães e Porto, por exemplo - as queixas devem-se limitar aos sadinos, é bom que os restantes tenham algum pudor.

Em jeito de conclusão, e reportando-me ao titulo do post, diria que, ao contrário de outros jogos, não foi por falta de um sistema adequado às exigências colocadas pelo adversário que o Sporting não criou oportunidades de golo suficientes. Provavelmente foram demasiados os preliminares para o conseguir, para depois em dois lances quase consecutivos marcar os dois golos que fariam o resultado. Uma semi-goleada que a produção de jogo merecia muito mais.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

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Marco Silva: «Resposta não tem sido a mesma quando voltamos da Champions». E porquê?

Diz Marco Silva, na antevisão do jogo com o Vitória de Setúbal:

«Temos consciência que a resposta que damos em jogos de nível elevado, com adversários fortes, não tem sido a mesma quando voltamos à nossa realidade, que é o campeonato. Quando voltamos da Champions. Temos de retificar isso rapidamente, mostrando a mesma ambição e a mesma mentalidade»

Antes de tentar perceber as razões por trás da constatação de Marco Silva alguns dados estatisticos para perceber o momento em que o Sporting encontra a equipa sadina e que marca o regresso, mesmo que fugaz, de Domingos Paciência, a Alvalade.
Estamos no 8º lugar da tabela, com 17 pontos o que quer dizer que, na conjunção das melhores hipóteses poderemos alcançar o Belenenses na 4ª posição, com 20 pontos. Para isso todos os nossos actuais antecessores teriam que perder pontos, sendo obrigatório que o Belenenses perdesse o jogo. É possível mas afigura-se difícil atendendo a que o Paços de Ferreira recebe o Estoril, o SCBraga vai a Penafiel e o Belenenses joga em casa com o Arouca. Isto dito é muito provável que, ganhando, possamos ultrapassar alguma da actual companhia, é muito difícil que todos os resultados favoráveis ocorram. Como não é impossível, resta desejar que assim seja.

Estamos na pior série de resultados do actual campeonato, depois de termos acumulado a derrota de Guimarães e o empate com o Paços de Ferreira em Alvalade. Do ponto de vista anímico que importância terão estes resultados? O regresso ao campeonato estará presente no espírito dos jogadores ou prevalecerá as 2 vitórias expressivas e categóricas nas taças?

O Sporting tem uma média de 60% de empates em casa (3 jogos)  contra 50% de empates fora (2 jogos) e são estes resultados que explicam o atraso pontual para o actual comandante. A única derrota, com o Guimarães, não teria grande expressão se, por exemplo, contasse com os mais que possíveis 4 pontos dos empates caseiros com Belenenses e Paços de Ferreira. Obviamente que o contrário também é verdade contudo, uma derrota fora de casa e 2 empates em casa com equipas acessíveis são factos que obrigam a análise diferenciada.

Das 8 equipas que comandam a classificação o Sporting é a par do Paços de Ferreira, a equipa com mais golos sofridos (10, média de 1 por jogo), e a 5ª com mais golos marcados (18, média de 1,8 por jogo). Se ao nível de golos sofridos as diferenças são mínimas, a distância de 5 golos para o comandante FCP já é algo significativa.

Perante estes dados concluiria o seguinte:

A importância da Liga dos Campeões não deve ser negligenciada. O factor motivação é óbvio - jogos em grandes palcos, grandes equipas, grandes jogadores - e a ressaca provocada pelo maior empenho, desgaste emocional e físico com o consequente inverso motivacional de encontrar Paços de Ferreira e quejandos, também tem que ser levado em linha de conta. A escassez de recursos individuais de grande qualidade pode também ajudar a explicar alguma da falta de resposta após os jogos internacionais.

 Mas parece-me que os resultados dizem que, para lá de questões como a sorte e o azar, é que o Sporting ainda não encontrou no seu modelo de jogo a forma de contrariar a falta de espaço que as equipas mais recuadas provocam, em particular no último terço do terreno. Não deverá ser por acaso que o Sporting tem mantido um bom registo com equipas chamadas grandes e soçobrado perante as mais pequenas. Ora, como bem sabemos, as equipas nacionais conhecem-nos bem e sabem como nos contrariar. Por isso parece que para mudar a nossa actual situação no campeonato também temos que fazer crescer o nosso futebol. Oxalá isso aconteça já amanhã com o Setúbal.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O apagão: comunicar também pode ser prevenir para não ter que remediar

O Sporting, através de comunicado, insurgiu-se contra a noticia de hoje do Correio da Manhã, onde, com honras de primeira página, se relacionava, de forma pelo menos pouco elegante, que o apagão se deveu a um despedimento de técnicos sem o devido acautelamento das funções desempenhadas. Apesar da noticia ser desmentida a relação de causa e efeito entre os dois factos - o despedimento e o apagão - o Sporting acaba por não esclarecer os reais motivos do ocorrido. 

Ora a noticia do referido jornal parece explorar a ausência de uma explicação cabal para o sucedido e que poderia ter assumido contornos de maior gravidade para o clube, atendendo à competição em causa. Por exemplo, tenho dúvidas que, tal como confidenciei entre amigos, se a competição fosse gerida pela Liga Portuguesa, teríamos beneficiado da mesma benevolência com que fomos brindados pelo delegado da UEFA e do Maribor, esperando quase uma hora pela resolução do problema.

Mais do que reagir às noticias do Correio da Manhã, o que todos gostaríamos de saber é se se tratou de um problema impossível de prever ou uma falha entretanto devidamente solucionada. Obviamente que se o problema for de elevada gravidade, como pretende o Correio da Manhã, ninguém espera que ele seja assim comunicado. Mas, não tendo feito qualquer referência ao sucedido, deixou o caminho aberto à especulação de que agora acusa o CM.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Liga dos Campeões: alta voltagem com o tradicional apagão

Demonstração de superioridade sobre o adversário, deixando clara a diferença que separa as equipas, foi aquilo que o Sporting fez ante o Maribor. Um jogo de alta voltagem da parte de Nani, mas que não deixou de ficar marcado por um apagão, que resultou num golo muito consentido. Este haveria de fazer abanar a equipa, até esta repor novamente a distância de conforto de dois golos.

Muita dessa superioridade ficou logo vincada nos momentos iniciais do jogo, redundando num golo relativamente madrugador. Muita agressividade e pressão sobre o adversário, garantiam a posse de bola para lançar ataques constantes. Esta pressão foi quase constante durante o primeiro tempo, mas a parceria esloveno-brasileira no golo final da primeira parte, fez regressar um Sporting algo hesitante e que, talvez pela demora do apagão, parece ter esquecido os papéis que cabiam a cada um desempenhar. A equipa desagregou-se, perdendo agressividade e facilitando nas coberturas, o que permitiu ao Maribor ver mais vezes a camisola vermelha do Patrício.

Não foram muitas as vezes, mas porém as suficientes para criar perigo, que o Maribor explorou muito bem o espaço ao centro, nas costas dos nossos médios, fazendo surgir diante dos defesas jogadores com a bola controlada sem  contudo lhes dar a melhor sequência. Algo que nós ainda não fazemos mas devíamos começar a pensar incluir no cardápio porque as arrancadas de Nani poderiam ganhar uma dimensão ainda mais letal. E Slimani não estaria tanto tempo ausente ou invisível para os colegas com bola, ou então apenas ao alcance de um aleatório centro desde a linha lateral.

Desta vez, como nem sempre ocorre no futebol, a verdade veio ao de cima, sendo precisamente Slimani a repo-la, pelo menos de forma parcial. Com outra eficácia e não sei se o avião do Maribor não teria dificuldades em levantar voo, por excesso de carga.

Dos mais três preciosos pontos conquistados resulta o apuramento para fase seguinte da Liga Europa, o que assegura a importante permanência nas competições europeias. O bolo e a cereja no respectivo topo pode ainda ser alcançado, com o apuramento para a fase a eliminar da Liga dos Campeões. Que podia ter ontem já ter sido carimbado não fosse esta fase de apuramento ter-se assemelhado a um estranho "Campeonato das Abébias", no que o golo de Jefferson ontem constituiu a última jornada. 

Estranhamente parece que, quando se fala de falhas comprometedoras, parece agora só haver registo do erro grave do árbitro russo, quando o jogo na Alemanha foi preenchido por erros individuais de palmatória e sobretudo a recepção na Eslovénia ter sido brindada por um dos mais patéticos golos sofridos ultimamente. Só neste lance mandamos dois pontos para o éter.

O que é que isto é importante agora? É que não percebendo as nossas próprias limitações dificilmente cresceremos. E, como o jogo de ontem mais uma vez deixou evidente, felizmente sem grandes consequências, a falta de qualidade individual na defesa é um dos nossos algozes mais severos na época a decorrer. Apesar do apuramento para Liga Europa conter os danos, tal não deve iludir que, nos actuais moldes, os nossos interesses estão muito longe de estar acautelados.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Três taças para seguir com ou sem espinhos

Um fim-se-semana em cheio para o futsal (foto RR)
Qualidade e seriedade
Duas palavras centrais a marcar a deslocação à casa emprestada do Espinho: qualidade e seriedade. Começando pela última, não é por acaso que a Taça de Portugal tem associada a si a expressão "tomba-gigantes". Equipas fortes que encaram adversários teoricamente acessíveis sem o devido respeito e acabam fora da competição ajudaram a construir o historial da competição e foi precisamente a atitude oposta a do Sporting em Vila da Feira uma das chaves da passagem à eliminatória seguinte. Quando foi preciso lutar lutou e, depois de fazer prevalecer a enorme diferença de qualidade que separa as duas equipas. O obra de arte no golo de Montero foi o ponto de exclamação num jogo que só foi fácil porque assim a equipa assim o quis.

Uma palavra para o clube anfitrião que, no ano em que celebra o seu centenário, merece mais do que a agonia espelhada por um estádio a desfazer-se aos bocados e o arrastar da sua equipa histórica pelas profundezas do futebol nacional.

Salão de mostra continua de qualidade 
Como aqui já aqui foi várias afirmado, o trabalho realizado de forma sustentada no futsal que dá ao Sporting a hegemonia nacional na modalidade e projecta o nome do clube internacionalmente deveria fazer escola e servir de exemplo. Estabilidade directiva, escolha criteriosa de jogadores e treinadores são algumas das chaves do sucesso que, este fim-de-semana, registou mais uma jornada histórica. O desafio da Final Four é enorme, atendendo ao poderio de qualquer um dos adversários, mas quem tem uma equipa de gente tão focada em ganhar como a nossa pode esperar sempre o melhor.

Fugir aos eslovenos espinhosos 
Poucos poderiam vaticinar que a esta altura do apuramento da fase de grupos o Maribor estivesse com três pontos e em posição de discutir a passagem à fase seguinte da Liga Europa. Porém já conseguiram roubar pontos às três equipas tidas como favoritas, somando três empates, sendo o conseguido na Alemanha o que lança o aviso mais notório sobre o que o Sporting pode esperar amanhã em Alvalade. Ao Sporting só uma vitória interessa para manter intactas as suas ambições de prosseguir em competições internacionais.

O que é melhor para nós, o apuramento para Liga dos Campeões ou Liga Europa?
Não sei se este debate faz muito sentido mas sempre vou dizendo que se é verdade que não temos equipa para ganhar a Liga dos Campeões isso não obsta a que o Sporting deseje prosseguir na mais importante competição de clubes do mundo. O contrário é atraiçoar o espírito que norteia o clube desde a sua fundação e quem tem medo de jogar com os melhores nunca será como eles. E se o medo de perder pode tolher alguns espíritos, porque é que na Liga Europa ele pode ser de todo afastado?
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

De pequeninos a heróis muito por causa de um gigante de 1,82m

Admito que quem nunca viu Damas jogar não perceba o porquê da devoção que os Sportinguistas mais antigos lhe devotam. Infelizmente as televisões nos anos 70 e até mesmo inícios de 80, não tinham o poder que hoje detêm, privando-nos de apreciar a enorme qualidade de muitos dos jogadores dessas gerações, como Damas e outros.

Hoje, graças ao vídeo roubado no Facebook do Rui Malheiro, deixo um registo de uma enorme exibição de Vitor Damas, num empate a zero da selecção nacional em Wembley, completaram-se ontem 40 anos. Os habituais pequeninos portugueses provocariam assim uma enorme surpresa, quando o esperado era por quantos é que os ingleses fechavam a contagem.

Este post já tem palavras a mais, pese embora a falta de adjectivação à altura do meu ídolo de sempre, um gigante de 1,82m, de seu nome Vítor Damas. Ficam as imagens:


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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Porque o fim dos fundos é mau para o Sporting. (E para o futebol nacional também)

O que penso sobre os fundos e sobre os fundos no Sporting
Falar sobre fundos tornou-se quase tão corrente como falar da bola que bateu no poste, dos erros dos árbitros, dos golos, etc. Mas quando falamos de fundos estamos a falar do TPO (third party ownership), isto é, da partilha de passes de jogadores entre clubes, entidades financeiras, investidores, agentes, empresários e até mesmo dos próprios jogadores. O seu fim já anunciado provocará seguramente grandes mudanças no futebol em todo o mundo, particularmente na América do Sul e Europa.

Ao contrário do que parece ser a corrente de opinião no actual Sporting, não olho para os fundos e vejo o anti-cristo. Pelo menos nem mais nem menos do que vejo noutro qualquer instrumento ou parceiro financeiro de que o clube se possa socorrer. O problema, a haver, está em quem negoceia e a forma como defende os respectivos interesses. Este não se confinará apenas às negociações com fundos, mas com a generalidade de parceiros a quem o clube recorra para se financiar. Cabe a quem representa o clube nas negociações retirar as maiores vantagens, porque do outro lado da mesa não está o Pai Natal com um saco de prendas, mas apenas alguém que procura ganhar dinheiro. 

O que haverá de diferente aqui se do outro lado da mesa ao invés de representantes da Doyen ou QFIL estiver o chairman de um banco ou entidade de crédito similar?

Especificamente sobre o Sporting lamento que a discussão esteja a ser muitas vezes mistificada, outras vezes manipulada, no que muito contribuíram os maus resultados desportivos que ocorreram no momento em que o clube apostou mais declaradamente neste tipo de financiamento. Os resultados dos rivais provam o que todos sabemos acerca de qualquer negócio: meter dinheiro nos problemas pode vir a representar um problema maior se a aplicação deste não for bem gerido. Ao Sporting faltou sempre alguma coisa ou várias ao mesmo tempo: um bom treinador, estabilidade e saber a dirigir, qualidade do plantel. Quando tinha um faltava outro. Os resultados de SLB, e de forma mais sustentada do FCP, comprovam que poder chegar a melhores jogadores tem um carácter diferenciador.

Depois há fundos e fundos. O que agora sucedeu com a renegociação das percentagens detidas pelo fundo do ex-BES, o Sporting Stars Fund, é o resultado de uma circunstância muito especial - o fim do banco com quem se tinha originariamente negociado - e pelo facto de o próprio fundo ser sobretudo um parceiro do Sporting. Na prática, ao invés de deter acções, o fundo comparticipava no risco de aquisição de jogadores. Risco que, neste caso concreto, e ainda sem fazer as contas, deve ter sido pago sobretudo do lado do investidor. Não fossem estas circunstâncias especiais alguém em bom juízo aceitaria os pouco mais de 12 milhões só e apenas pelas percentagens detidas de passes de jogadores valorizados como William Carvalho e Adrien, por exemplo?

Haveria muito a discutir sobre os fundos no Sporting. Inclusive, por exemplo, se é boa politica disponibilizar percentagens de passes de jogadores ainda em formação. O que me parece é que o clube não deveria abdicar de uma ferramenta como esta, sem pelo menos ter uma alternativa que lhe permitisse estar mais perto dos seus concorrentes directos, sob pena de comprometer a respectiva competitividade.

Perceber a estratégia do Sporting
O Sporting fez deste tema bandeira da actual gestão. Mas já fez uma inflexão notória mas que aparentemente tem passado despercebida nos comentários sobre o tema: começou por pedir a regulamentação da actividade para agora, agitando fantasmas sobre o comprometimento da verdade desportiva, querer a sua extinção.

Várias vezes tenho tentado perceber esta cruzada lançada aos fundos e a conclusão é quase sempre a mesma: O Sporting pretende com o fim dos fundos diminuir a capacidade de investimento dos seus rivais, de forma a deixá-los, sem as respectivas verbas, mais próximos dos valores que consegue aportar ao seu futebol. Isso seria perfeito, mas quanto a mim tem dois grandes inconvenientes, para poder resultar em pleno: 

(i) As maiores receitas dos seus rivais continuarão a possibilitar, pelo menos na teoria de que jogadores mais caros são melhores, maior capacidade competitiva. Os dinheiros dos fundos servem apenas para partilhar o risco na aquisição dos passes dos atletas, as elevadas verbas necessárias para pagar os ordenados destes têm que ser encontradas nas receitas dos clubes. É possível que, com o fim dos fundos, diminuam também as receitas obtidas na realização de mais-valias. Essa diminuição será em grau suficiente para nivelar os 3 grandes?

(ii) O fim dos fundos acabará por ditar um afastamento dos 3 grandes portugueses dos melhores palcos e, consequentemente, das grandes receitas, a menos que se descubra uma forma de contornar a perda do dinheiro destas parcerias. Que impacto tal terá no ranking dos clubes na UEFA, que determina o acesso à Liga dos Campeões/Milhões? Pelo menos no futebol a ideia de ombrearmos com "os maiores da Europa" se já era cada vez mais quimérica passará a ser impossível.

E aqui, na capacidade de atracção de financiamento e investidores, o problema continuará a ser, em grande medida, maior do nosso lado. Hoje a visibilidade do Sporting é inferior à dos seus rivais e isso é notório ao nível das parcerias e patrocinadores. Inverter este cenário é ainda mais ciclópico quando se sabe o atraso de muitos anos que levamos no marketing, corporate e demais áreas comerciais e de promoção da marca. 

Os fundos não representam uma panaceia para todos os males, como sabemos de experiência própria, mas sem eles e sem alternativa, clubes como os 3 grandes portugueses, Atlético de Madrid, Valência, e outros remediados europeus terão que se contentar em serem os eternos figurantes no "el passillo" aos mais ricos.

Todas as estratégias comportam riscos. Sobre a actual partilho a desconfiança sobre estes instrumentos, mas não me auto-excluiria do seu uso sem uma alternativa e não estou muito optimista sobre os seus resultados práticos.

Sobre a generosidade e bondade da argumentação a propósito da transparência do dinheiro e respectiva posse parece-me que quem tem como patrocinadores a Tacho Easy ou a Herbalife se devia abster de grandes comentários. Como em geral sobre quase todo o dinheiro, acrescentaria. 

Sobre o efeito pernicioso dos fundos e relações nebulosas com agentes de jogadores diria mais ou menos o mesmo. Não faltam exemplos, passados e recentes, em que o clube, para fazer valer os seus interesses, atravessou a linha que a lei e a ética impõem.


Que perigo representam os fundos?
Dizer isto não é ignorar os perigos que representa a existência dos chamados fundos. O seu peso crescente no futebol mundial é evidente: 

- Mais de um milhar de jogadores na Europa são já pertença de entidades financeiras. 

- Grande parte destes jogadores pertencem a um reduzido número de entidades ou agentes. O risco de dependência e subjugação dos interesses dos clubes aos interesses de um trust de investidores é notório.

Mais do que a sua extinção, parece-me que a regulação desta actividade, como aliás de qualquer outra, se tornou imperativa. Mas isto não ilude que perigos semelhantes ou até mesmo mais lesivos da verdade desportiva já anteriormente se tornaram realidade no futebol, muito antes da chegada dos fundos. Não mais nem menos do que em todas as outras actividades onde existe grandes quantidades de dinheiro em circulação e em que o apelo do lucro fácil é permanente.


A posição da UEFA e da FIFA
Os organismos que tutelam o futebol internacional têm alergia aos temas fracturantes e sobretudo não gostam de muito barulho e escrutínio. A ideia de extinguir os fundos, ou melhor dizendo, a partilha da posse dos passes dos jogadores, é sobretudo preguiçosa. O futebol não ficará mais equilibrado nem mais transparente. Esta decisão deixa cada vez menos espaço aos clubes de matriz associativa, como é o nosso, deixando o caminho livre ao futebol de clubes com um dono ou accionistas. E o dinheiro encontrará sempre novos caminhos para continuar a crescer e se multiplicar.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ganhar muito mesmo sem marcar golos

Para lá da habitual da intensa actividade desportiva o fim-de-semana leonino ficou marcado por duas excelentes noticias no âmbito da recuperação do Sporting. 

No quadro da reestruturação financeira, a SAD comunicou à CMVM o Acordo Quadro de Reestruturação Financeira, cuja medida mais mediática foi a recomposição das percentagens dos passes de jogadores do clube, resultando, em alguns dos casos, na detenção da sua totalidade, conforme se pode observar no quadro em anexo ao fundo do post: (fonte: Record). 

Há ainda um conjunto de operações financeiras que vão finalmente permitir o fecho da tão desejada reestruturação, essencial para a estabilização financeira do clube, determinante até para o cumprimento das condições que o Fair Play financeiro estipulado pela UEFA exige.

Não menos importante, no quadro da não menos necessária estabilização interna do clube, saúde-se a presença do presidente Bruno de Carvalho no jantar de homenagem a Manuel Fernandes. Presença obrigatória,  uma vez que os superiores interesses do Sporting têm de estar acima das questões pessoais. Duas excelentes vitórias para o clube que valerão no futuro muitos pontos.


JogadorPercentagem atualPercentagem recuperadaA quem?
Adrien50%20%Holdimo
Betinho90%45%+5%Holdimo+SPF
Andre Carrillo50%20%SPF
André Martins95%25%+40%Holdimo+SPF
Carlos Chaby50%20%+2,5%Holdimo+SPF
Carlos Mané100%40%Holdimo
Cédric Soares100%25%+25%Holdimo+SPF
Cristian Ponde75%20%Holdimo
Diego Capel95%15%+20%Holdimo+SPF
Diego Rubio40%15%SPF
Diogo Salomão40%25%SPF
Fábio Martins100%20%Holdimo
Iuri Medeiros90%20%Holdimo
Jeffren100%20%+25%Holdimo+SPF
João Mário80%15%+15%Holdimo+SPF
Zezinho80%20%+25%Holdimo+SPF
Marcelo Boeck65%15%Holdimo
Matheus Pereira100%20%Holdimo
Mica Pinto100%20%Holdimo
Nuno Reis100%20%+15%Holdimo+SPF
Ricardo Esgaio100%25%Holdimo
Seejou King80%40%SPF
Tobias Figueiredo50%20%Holdimo
William Carvalho100%40%SPF
Wilson Eduardo95%25%+40%Holdimo+SPF












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