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domingo, 21 de outubro de 2018

Taça de veneno

Não é a primeira vez e certamente não será a última que o Sporting evidenciará dificuldades para ultrapassar uma equipa de escalões inferiores numa eliminatória da Taça de Portugal. E nem preciso será lembrar situações bem piores, em que acabamos eliminados de forma surpreendente. Pelo que é fácil concordar com Peseiro, atendendo à equipa alternativa, desprovida de muitos dos titulares habituais, que ontem não era dia para grandes exibições. Pois, pudera! Se não as fazemos com os melhores que temos, não o íamos fazer com as reservas!

É certo que seguimos em frente, cumprindo o mínimo dos mínimos. Mas é preocupante ver nesta equipa que se apresentou em Loures os mesmos problemas que vemos naquela que será a equipa principal: a escassez de talento, o excesso de jogadores de qualidade duvidosa e a ausência de uma ideia de jogo. Tanto assim foi que chegou a ser embaraçoso reconhecer que a equipa que jogava na casa emprestada conseguiu superar-nos várias vezes do ponto de vista colectivo. O resultado só não foi pior porque ainda vamos tendo algum talento de reserva em Bruno Fernandes ou Nani.

Bem sei que Peseiro não tem culpa de muitas das condições que encontrou e de tudo o que teve que resolver para podermos começar a temporada. Há ali muitos jogadores - sim, disse muitos, infelizmente - que nunca deveriam fazer parte de um plantel do Sporting. Não me surpreende por exemplo que Castaignos continue em branco, sem conseguir marcar um golo que seja. Mas já me preocupa verificar que não vislumbro como Bas Dost poderia fazer o que tão bem sabe caso tivesse ontem em campo. Esta dúvida sobre a qualidade do nosso jogo que, de forma genérica, se vai instalando jogo após jogo tarda em ser desfeita e ontem acabou acentuada e que funciona como um veneno. Ontem foi mais uma taça.

sábado, 20 de outubro de 2018

Uma grande noticia que muitos esperavam!


A notícia de ontem sobre o regresso do basquetebol  faz-me duplamente feliz. Como Sportinguista e como homem do basquetebol. Saber que o Conselho Diretivo está a trabalhar para cumprir a sua promessa - e todos nós sabemos o que, muitas vezes, são “promessas”... - de recolocar o Sporting no topo do Basquetebol português, fez-me sorrir de felicidade, e, tenho a certeza, a muitos mais sportinguistas e amantes de uma modalidade das de maior implantação mundial.

O basquetebol é desde sempre uma modalidade injustamente sacrificada sempre que as dificuldades económicas apertam no nosso Clube, isto apesar dos inúmeros títulos conquistados.  De uma vez chegou-se a suspender a modalidade quando a equipa sénior era “apenas” bi-campeã nacional. Noutro triste episódio, talvez o mais célebre, os sócios foram obrigados a escolher entre modalidades, num processo de autêntica divisão do Clube.

Apesar de todas as contrariedades nunca os homens do basquetebol leonino baixaram os braços e apesar dos “não” que foram coleccionando lutaram sempre pelo regresso do basquetebol ao Sporting. Já na era Godinho Lopes, através da criação da Associação de Sportinguistas amigos do basquetebol, conseguiram voltar a escrever o nome do Sporting nas competições da bola-ao-cesto nacional. 

Sob as direções de Bruno de Carvalho  o Clube assumiu o basquetebol como modalidade oficial, apenas com os escalões de formação, tendo acabado incompreensivelmente com as equipas femininas de sub-19, finalista da Taça Nacional na época anterior, e a sénior que, ao fim de 3 anos de actividade, já tinha conseguido a chegada e manutenção na Liga Feminina.

Uma primeira alegria grande alegria já havia sido sentida quando, cumprindo uma promessa, o atual CD disponibilizou um dia por semana a cada uma das modalidades de Pavilhão no PJR, estando o basquetebol incluído nessa lista. Hoje mais alegre fiquei.

A parte mais fácil já está. É a parte do Sporting querer. Agora vem a parte muito mais difícil, que será o trabalho, que a FPB tem de fazer para ajustar regulamentos, e convencer os clubes intervenientes na Liga a aceitarem um possível alargamento e a entrada do Sporting. Tenho a esperança que sendo o pessoal do basquetebol pessoas inteligentes facilmente perceberão a importância para a modalidade do regresso do Sporting ao topo do basquetebol luso.

O primeiro passo está dado. Vamos aguardar e ter confiança para que na próxima época tenhamos a verde-e-branca a brilhar nas quadras da Liga de basquetebol.

 * Este artigo foi escrito pelo redactor do blogue "8"

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

"Porque secou a torneira de Alcochete"

Partilho hoje a reportagem do dia do jornal "A Bola" sobre o há muito debatido declínio da nossa  formação. Faço-o não por me rever inteiramente no artigo, mas servido-me dele como ponto de reflexão. A torneira de Alcochete certamente que não secou, mas que o fluxo é bem menor é uma evidência. Há várias razões que explicam esse declínio e o pior que se pode fazer é continuar o estado de negação em que se mergulhou nos últimos anos e que contribuíu para o estado em que nos encontramos.

Quando me refiro aos últimos anos refiro-me muito em particular aos últimos cinco, especialmente pela ausência de debate sobre esta e outras matérias, uma vez que a ideia de debate era imediatamente relacionada com a de heresia e contestação injusta à liderança iluminada e acima de qualquer contestação. Deu no que deu. Mas obviamente que para o actual estado da nossa formação concorreram lideranças anteriores e especialmente a degradação de poder que se instalou há muitos anos, especialmente a partir do mandato de Eduardo Bettencourt. 

Sem soberba e com realismo, há também que admitir que os nossos rivais directos e demais concorrentes diminuíram as distâncias que nos separavam, por dedicarem hoje mais tempo e mais recursos físicos, humanos e financeiros aos seus departamentos. E isso se deve também ao reconhecimento do sucesso do nosso modelo, que lhes serviu de mote e que foram aperfeiçoando. 

Hoje o Sporting não tem equipa B. A equipa sub-23 vive em dificuldade expressa em resultados e exibições. Os nomes dos nossos jogadores mais jovens quase desapareceram das convocatórias das selecções e quase nenhum de nós lhes sabe os nomes. E se tal ausência se pode dever ao menor poder de influência da nossa parte - o que também não abona em nosso favor... - é indiscutível que o valor disponível baixou drasticamente. Ambas concorrem contra nós, porque era impossível há anos atrás ver nomes como Patricio, Cédric, Carriço, Carlos Martins, Moutinho, Veloso, Bruma e muitos outros afastados de uma convocatória das selecções mais jovens. 

Há vários problemas a resolver e, como vários outros que se foram instalando no clube, de forma gradual mas inexorável como a ferrugem, não se resolverão com um simples estalar de dedos. No caso da formação seguramente que precisará de muitos anos. E esses serão tantos ou tão poucos como venham a ser tomadas as medidas certas. Mas serão as pessoas que venham a ser chamadas a assumir responsabilidades no futuro que se pretende de retoma a ditar a diferença. 

O Sporting não tinha condições físicas de treino modelares quando, ainda no centro de estágio, debaixo da antiga bancada nova lançou para o mundo dois dos ícones da sua formação e do futebol mundial, como foram Luís Figo e ainda hoje é Ronaldo. Foram as pessoas de então, pelas suas qualidades humanas e profissionais que, instituindo as melhores práticas e suscitando a confiança de centenas de famílias ao ponto de lhes confiaram o melhor de si - os seus filhos - à sua guarda. Terá de ser por aí que iniciaremos o regresso a uma escola modelar em que o mundo punha os olhos.






sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O legado da loucura: dois pássaros a voar

Publicação parcial de um artigo "o esférico" na sua página do Facebook sobre a evolução dos processos das rescisões

(...) Como estratégia negocial, o arrastar das negociações por parte dos clubes envolvidos visou apenas explorar a expectativa plausível de que o caso ainda parisse mais do que umas dúzias de ultras desvairados. Com a detenção de Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, essa estratégia dá agora os seus frutos. E entra pelas portas do clube adentro — com estrondo e indiscriminada desonra. Passámos do domínio da especulação para o domínio da realidade gangster. Da teoria do hooliganismo desdentado para um golpe urdido na — ou com o beneplácito da — "cúpula."

Estou surpreendido? Lamentavelmente, não. Quase sempre o que parece é. E, independentemente do que mais a investigação vier a apanhar nas suas redes, este desenvolvimento, por si só, é já quatro palmos de terra sobre as aspirações jurídico-negociais do Sporting. Numa altura em que o presidente se prestava para fechar algumas negociações vitais, esta notícia terá o efeito imediato de congelar qualquer entrada de dinheiro nos nossos famélicos cofres. Nesta guerra de desgaste, o tempo — e a justiça — corre a favor dos outros.

Ironicamente, chegará em breve o dia em que aqueles que clamavam pela lapidação dos atletas serão os que, de futuro, abençoarão a estratégia da mão estendida. Mão estendida, não para que nos dêem qualquer coisinha, mas para que nos perdoem as indemnizações que nos são exigidas. A longo prazo, talvez seja isso o melhor que conseguiremos extrair de todo este escabroso 'affair.'

Perder os eventuais lucros com a saída dos jogadores é péssimo. Somar a isso dívidas milionárias é catastrófico. Por isso mesmo, esperava maior solidariedade e consciência de alguns sectores da massa adepta, num clube que fez da exclusividade a imagem de marca dos seus apoiantes. Confundir interesses sectários com os interesses do Sporting é um equívoco crónico por estas bandas. No limite, conduzir-nos-á à perda da maioria na SAD.

Entendo agora a velha máxima. Sim, o Sporting tem de facto adeptos especiais. Alguns até são especialmente palermas. Porque, mais do que as 'débacles' financeiras, o clube não sobrevive é a isto. O clube não sobrevive a adeptos que, à 7ª jornada, exigem a cabeça do treinador. Não sobrevive à bipolaridade doentia. Não sobrevive ao "sportinguismo" mercenário de bloggers de brega, facebookers de vão de escada e 'camisas negras', cujos reais intentos se manifestam vivamente nos desaires que o clube sofre. 

Tal como não sobrevive a ex-candidatos que, passado um mês sobre as eleições, acham-se ainda em campanha. Bem, sobreviver, até pode sobreviver. Mas nunca triunfará. E se a acção destes não supõe contributo melhor do que queimar o clube na fogueira da sua esquizofrenia, então melhor seria que se afastassem do Sporting. Num mundo em que a maioria silenciosa se remete a uma bolha de comodismo e as minorias histéricas são quem mais influencia o processo decisório, está nas mãos de todos nós — a maioria — espezinhar a cultura do fratricídio e devolvê-la ao ralo infecto de onde saiu. Porque, seja qual for a causa que aqueles julgam estar a servir, essa causa não é a do Sporting.


É este o legado da loucura. Dois pássaros a voar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O cerco ao Sporting

De um lado os "Le(t)ais do Bruno de Carvalho", de outro lado Ricciardi em extremos que se juntam, vai-se apertando o cerco ao Sporting. Seja na produção e difusão de fake news dos primeiros em ritmo diário, seja agora na exibição confrangedora de mau perder e ressentimento do segundo. 

Ambos viram a sua presença nos órgãos sociais largamente rejeitada pelos sócios do Sporting por isso é como dizia o outro: É a vida, habituem-se, porque ao contrário do que tanto gostariam, já não são os donos disto tudo.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O futuro próximo de José Peseiro já está traçado

A continuar o actual nível de futebol praticado pelo Sporting afigura-se penoso o percurso até à paragem de inverno. Esse seria o momento pressentido por todos como o objectivo a atingir ainda com as ambições incólumes, no sentido de resolver os problemas de escassez de qualidade no plantel fora do âmbito dos que se entendem ser os titulares naturais.

Esses problemas foram rapidamente inflacionados pelas lesões prolongadas de Mathieu e Bas Dost. O francês estava a ser o mais esclarecido dos elementos do último reduto não apenas a defender, mas também no momento de sair a jogar. Bas Dost é “só” o jogador mais concretizador do Sporting dos últimos anos e cujo acerto foi responsável pela conquista de muitos pontos. Percebeu-se no momento da sua saída o quanto o jogo da equipa estava montado em função da sua presença e a dificuldade desta em ajustar para fazer face à sua ausência.

A exibição na remota Ucrânia, ante um rudimentar Poltava, foi de tal forma comprometedora que nem o resultado feliz foi suficiente para a afastar da retina e das preocupações dos adeptos e seguramente dos responsáveis. O descalabro estava assim anunciado para Portimão, o que acabou por ser confirmado por um Nakajima à solta e sem medo de leões.

A exibição de Portimão abaixo de frágil ou modesta teria inevitavelmente que colocar o trabalho do treinador em causa. A bagagem recheada de insucessos, o historial muito particular no clube que não recomendava a concessão de nova oportunidade e o momento de particular instabilidade e divisão que em que vive, tornaram-se num pavio muito curto e altamente inflamável. Daí à cabeça a prémio foi um ápice para Peseiro.

Uma crise de resultados que se anuncia e cujas exibições ameaçam eternizar seria sempre indesejável. Para quem se viu recentemente investido e com as sirenes de urgência a apitar estridentemente sobre inúmeros dossiers em aberto, ou a carecer de atenção e revisão pode mesmo ser considerado um pesadelo. Especialmente se entre a investidura e a primeira crise de resultados dista apenas um mês.

A ponderação é muito mais complexa do que apenas despedir o treinador. A direcção recém-empossada está desresponsabilizada da escolha feita, e isso vai servindo de para-raios para a tempestade de opiniões de desagrado que ecoam cada vez mais insistentes. Mas a persistência de resultados comprometedores acabará por obrigar à tomada de uma decisão que obviamente pretende evitar a todo o custo no momento tão precoce do seu mandato e até mesmo do campeonato. A escolha de um treinador é tão ou mais difícil de tomar nestas circunstâncias que, por comparação, o despedimento se afigura uma brincadeira de meninos no recreio.

No que diz respeito à escolha de treinadores nunca há certificados de garantia. Sendo um activo determinante para o sucesso de um clube, a decisão da sua contratação equipara-se à escolha de um CEO de uma empresa. É uma decisão de caracter estratégico, uma vez que aquele se deve reconhecer nos objetivos e ambições do clube, bem como no espirito onde se funda a sua identidade. Numa fase de grande turbulência e instabilidade, forçar uma escolha pode produzir efeitos contrários ao pretendido e ao adiar de medidas estruturantes tendentes em revitalizar o clube. Temas como a aposta na formação, o modelo de jogo, scouting e recrutamento não podem estar desligados da escolha do treinador e respectivo perfil.

Ao não avançar imediatamente para substituição de Peseiro, a direcção de Frederico Varandas pode entender que não estão esgotadas as possibilidades da equipa se encontrar com os melhores princípios que a ponham na rota desejada. Ou ter preparada uma outra opção, mas reservada para momento mais oportuno, reconhecendo que a sua entrada seria extemporânea e por isso tendente ao insucesso, queimando assim um cartucho. Tal como no xadrez, há peças que, pela sua importância, têm que ser movimentadas de forma criteriosa, sob pena de fazer perigar todo jogo.

Ao fazer avançar Beto, um dos pesos pesados da sua estrutura, a actual direcção pretendeu simultaneamente demonstrar que está atenta, mas também esvaziar de importância o assunto junto da opinião pública. Muito diferente seria se a comunicação fosse feita por Frederico Varandas, que dessa forma evita também o desgaste e a sobre-exposição. É também uma mensagem categórica de que, sob o seu comando, o Sporting perfilhará uma comunicação claramente diferente do seu antecessor. Algo que também foi notório no recente “caso Rafael Barbosa” que opôs a SAD leonina à congénere algarvia. Sem espavento, mas com descrição e eficácia o problema foi resolvido. Ganharam ambos os clubes, perderam os jornais.

O futuro próximo de José Peseiro continuará a ser o Sporting. Melhor que ninguém ele sabe que num ápice as portas se vão fechando atrás de si. As cerca de duas semanas que o separam do próximo embate é tempo de vida comprado e nem mesmo o facto de as selecções amputarem o plantel de uma parte substancial do valor à sua disposição servirá de atenuante em futuros desaires semelhantes ao ocorrido em Portimão.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O inverno chegou no Algarve

O nosso inverno chegou quando no outono ainda é verão. Com duas exibições a roçar o miserável, nem o resultado favorável na ronda europeia na remota Ucrânia pode deixar nos fazer questionar sobre o trabalho desenvolvido por Peseiro até agora e o que futuro nos reserva a continuar este registo. Já aqui o tinha dito anteriormente, a bola do nosso jogo estava no campo de Peseiro mas este tarda a respectiva devolução para um patamar superior. 

A questão da sua permanência será a primeira grande decisão que Frederico Varandas será obrigado a tomar, depois da herança pesada que recebeu em mãos, tanto no futebol sénior como na formação, entre várias outras. Talvez mesmo a única decisão possível neste momento, uma vez que não pode incorporar jogadores num plantel onde escasseiam as alternativas e a qualidade disponível é diminuta. Uma decisão difícil, porque mudar por mudar não muda nada e não se vislumbram treinadores disponíveis que ofereçam uma solução com o mínimo de segurança. 

Tudo isto sem ignorar o óbvio: no actual estado a que o nosso futebol foi atirado  e com tanto "amigo" dentro de portas a rezar pelo caos e pelo insucesso não precisamos de inimigos. Poucos treinadores terão o interesse, coragem ou a loucura que Peseiro teve há um par de meses para meter aqui o pescoço. Isso eu tenho que reconhecer, mas  a minha gratidão termina no momento em que Peseiro ao invés de ser uma solução parece ser mais um dos muitos problemas em mão.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Um record batido que tem de ser aproveitado

No final do último post, e protestando contra o coro de assobios que se foram ouvindo em Alvalade no jogo com o Marítimo, dizia aqui que "Se alguém tem que temer a nossa casa são os adversários e não a nossa equipa, os nossos jogadores ou os nossos treinadores".

É que assim, sem ninguém reparar, o Sporting nos últimos anos, alterou um padrão que pode ser importante para a recuperação do seu estatuto de tão favorito como os favoritos à conquista do titulo nacional. Refiro-me concretamente ao facto de o Sporting, com a recente vitória sobre o Marítimo, ter batido um recorde que já subsistia há trinta e cinco anos, completando um ciclo de 28 jogos sem perder em casa. 

Simultaneamente, com essa vitória, igualamos o arranque de época de 2016/17, com cinco vitórias consecutivas em casa. Jorge Jesus, como treinador nas últimas três épocas, acaba ver o seu nome ligado a essa mudança. Mesmo não tendo chegado ao objectivo principal que o trouxe até nós  - o regresso ao titulo principal - é indiscutível que o Sporting subiu o seu nível de performance relativamente aos anos anteriores. 

Obviamente que falamos de alguns factos históricos e que, por isso, ficaram para trás. Mas o facto de mantermos o registo vencedor não deve ser ignorado, mesmo reconhecendo os problemas na planificação da época e a demora em encontrar um nível e segurança exibicionais. Manter Alvalade como uma fortaleza para a nossa equipa é um importante ponto de partida que deve ser aproveitado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O caso Nani, os assobios a Peseiro e uma providência cautelar para os 3 pontos.

As notas de maior destaque do passado final de semana tendo como ponto central o jogo em Alvalade foram o castigo a Nani e os assobios a Peseiro e à equipa, especialmente na segunda parte. Vamos por partes, analisando os factos que vieram a público e deixando de fora as especulações:

Peseiro:
Podemos discutir se fez bem ou mal trazer o caso à conferência de imprensa que antecipava o jogo, voltando a dar-lhe a notoriedade que havia perdido com o passar dos dias. Podia ter optado por não fazer outra referência que apenas "este é um assunto que foi resolvido internamente", evitando a punição pública do jogador. Acontece que a gravidade dos insultos que aparentemente lhe foram dirigidos de forma pública lhe reservava o direito de reacção de igual teor. 

A direcção da SAD
A presença de Nani na tribuna no pavilhão João Rocha e depois no jogo foi uma tomada de posição esclarecedora por parte da SAD. Independentemente de haver ou não sanções ao jogador, e de se saber como e por quem foi tomada a decisão de afastar o jogador, este não será banido nem ostracizado. 

Nani
Nani esteve muito mal, e a sua tomada de posição é ainda mais grave por se tratar do capitão. Dessa forma pôs em causa o seu estatuto de capitão, minando a sua autoridade no seio do plantel que lidera. A liderança exerce-se mais do que com palavras com o exemplo. 

A minha opinião
Casos como estes são tão necessários como noticias de doenças graves, especialmente neste momento especial em que o Sporting continua imerso. Preferiria que a reacção inicial de Peseiro fosse a que optou após o jogo. Fosse ela qual fosse, não tenho é qualquer dúvida que o treinador seria sempre criticado. Provavelmente pelos mesmos que aplaudiram a reacção bem mais destemperada de Sérgio Conceição no caso Marega. Ou que acusavam Peseiro desde o caso Rochemback de não exercer autoridade. Mas especialmente por aqueles que esgravatam tudo à procura de algo que lhes dê a atenção e o protagonismo para a sua causa, que obviamente nada tem a ver com o Sporting Clube de Portugal.

O jogo
É precisamente por aí que vou começar a análise ao jogo, pelo treinador e pelos assobios, especialmente os que ouviram durante a segunda parte. Sendo claro que a exibição no segundo tempo foi medíocre, não é menos claro que o Marítimo praticamente nem soube quem estava na nossa baliza nesse período.

Aí, por muitas criticas e diferenças sobre o trabalho do treinador, tenho que  manifestar a minha incompreensão e incómodo pelo que assisti. É bom lembrar que, especialmente no ano passado, mesmo quando a estabilidade directiva ainda existia e o plantel era outro, as vezes que fomos brindados por exibições ridículas, algumas vezes finalizadas com resultados que acabaram por comprometer a época e redundar na hecatombe final. Muitas vezes sob a justificação ridícula do "futebol à italiana". 

Até agora, apesar de muito longe de deslumbrar pelo futebol jogado, mantemos intactas as nossas ambições, tendo jogado inclusive duas vezes no terreno dos dois primeiros classificados. Tem havido notório compromisso da equipa em campo, o que torna ainda mais imerecidos os assobios. Como Peseiro muito bem lembrou, terminamos o jogo com apenas três jogadores titulares da época passada. Assobios por causa das substituições? De facto o tempo e o modo escolhidos são muito questionáveis, mas a verdade é que as opções são muito reduzidas, especialmente em qualidade.

A nota geral do jogo foi sofrível, é um facto. Mas o resultado não foi, especialmente pela envolvente que nos trouxe até ele. uma sequência negativa que nos levou da primeira derrota a ter que enfrentar um caso disciplinar com o capitão de equipa. Sairmos vivos e de ambições intactas foi o melhor que nos podia ter acontecido.

Se alguém não gostou dos três pontos que ponha uma providência cautelar e meta os assobios no... saco. Alvalade é a nossa casa e tem de ser a nossa fortaleza, especialmente em momentos como este. Se alguém tem que temer a nossa casa são os adversários e não a nossa equipa, os nossos jogadores ou os nossos treinadores.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

José Peseiro na boca do leão


Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay

Peseiro será sempre lembrado no Sporting pelo quase sucesso de 2005 que havia de redundar em fracasso no curto espaço de dias. Na altura viu esfumar-se a glória de um titulo nacional e um titulo europeu que acabaria por lhe ditar o destino logo no inicio da época seguinte. A desconfiança de ser incapaz de ganhar acabou por impor a sua lei nos primeiros desaires da época seguinte.

É essa desconfiança que inevitavelmente ganhou forma após a derrota de Braga, anulando rapidamente a surpresa pela forma como vinha conseguindo juntar as peças de um Sporting estilhaçado. Mesmo que o futebol jogado não fosse propriamente sedutor, Peseiro parecia ter conseguido montar uma equipa eficaz. Mas era consabido que o beneficio de algum estado de graça se extinguiria no primeiro desaire. Foi isso que inevitavelmente aconteceu.

Assim foi em Braga. Mais importante que a qualidade do jogo jogado, onde as estatísticas confirmam a igualdade no desempenho das equipas, acabou por ser o resultado a premiar a eficácia dos da casa a ser determinante nas análises que se fizeram ao jogo. Como sempre quem perde sai por baixo e quem ganha recolhe os louros.

Fosse agora ou depois, o problema da desconfiança levantar-se-ia na mesma como um denso e escuro nevoeiro sobre Peseiro ao primeiro mau resultado. No caso em apreço, de pouco parece valer agora invocar o historial recente entre ambas as equipas, ignorando que as dificuldades sentidas ante os arsenalistas não são novas e remontam a períodos de maior fulgor e estabilidade do que os vividos desde o dealbar da época em curso. 

Contudo, nem o Sporting seria o principal favorito ao titulo mesmo que tivesse saído vencedor, nem o Braga passou a ser mais candidato do que era antes do jogo começar. Por razões diversas mas óbvias, cada um deles permanece na luta, mas conservando o seu estatuto de outsider face aos favoritos FC Porto e SL Benfica. No fundo este resultado não trás nada de muito novo ao que se poderia adivinhar. Se com o passar do tempo  as vitórias regressarem, esta derrota será um mero um percalço. Mas nunca poderá ser assumido como o fim as aspirações para o campeonato.

Quando se soube que Peseiro ia regressar ao Sporting o próprio se encarregou de afirmar o quanto era diferente do que havia chegado há 14 anos: 

Chego com a mesma motivação e responsabilidade de ser treinador de um enorme clube, mas agora com mais experiência". 

Será agora essa qualidade que terá de convocar para lidar pessoalmente com o actual momento, bem como perante o grupo de trabalho que lidera. Se normalmente um jogo em casa com é de vitória obrigatória, o resultado de Braga “obriga” ainda mais a vencer o Marítimo, o jogo que se segue. Saber lidar com a pressão e retirá-la do seio do plantel durante a semana que antecede o jogo é a primeira tarefa.

Mas não poderá ficar por aí. Apesar dos bons resultados conseguidos até Braga, não passaram despercebidas as dificuldades que o Sporting enfrentava na organização do seu processo ofensivo. À primeira vista tal pode soar de forma contraditória à impressão de técnico de perfil ofensivo, mas descuidado a defender, que deixou na sua passagem. 

Talvez não seja tanto assim, se se atender que a organização do ataque funciona para uma equipa como o telhado e os acabamentos numa edificação nova: são os últimos a finalizar e sobretudo os segundos quanto mais elaborados mais difíceis são de alcançar. 

Recuando a 2005, apenas à sexta jornada o Sporting estabilizou o seu jogo. Após um inicio prometedor na primeira jornada, o Sporting baquearia consecutivamente e de forma comprometedora para o resto do campeonato, entre empates e derrotas que só seriam interrompidos num jogo com o Estoril (1-4). Mais à frente alternaria uma pesada derrota fora com o FC Porto (3-0) e uma exibição de gala com o Boavista (6-1). 

Não sabemos se Peseiro conseguirá impor agora o futebol que então o caracterizou e que, apesar da ausência de títulos no final, representa do melhor que o Sporting apresentou no século em que estamos. Mas tivesse o Sporting conseguido estar mais vezes nas decisões da Liga nacional e da Liga Europa como então esteve, e seria muito provável que houvesse hoje o respectivo registo na sua sala de troféus. 

Creio ser bem patente nas exibições da presente época, e independentemente dos resultados, que é preciso tempo e sobretudo um plano emocional colectivo bem mais estável do que aquele que o Sporting iniciou a época. De todos, Peseiro tem apenas a culpa pela coragem – ou loucura? – de não virar as costas a um desafio que tinha e continua a ter demasiados ingredientes errados para acabar bem.

Julgo ser importante reter como sinal de esperança que, apesar dos equívocos evidentes no jogo do Sporting, não é difícil de perceber que há matéria humana para melhorar. Gudelj fez apenas o seu segundo jogo e pode vir a beneficiar ele e a equipa de uma visão mais ousada e menos conservadora que o atar à ilharga de Battagllia. Bruno Fernandes não pode ser um controlador aéreo, antes sim um agulheiro que traça o destino da bola de pé para pé. Raphinha não pode ser apenas aquilo que as suas iniciativas individuais dão, é preciso que a equipa esteja mais próxima dele. Todos os sectores aliás precisam de comunicar melhor e para isso é preciso maior proximidade para que exista mais dinâmica e daí melhor fluência e segurança na posse da bola. Sem isso a equipa continuará a viver de fogachos individuais e daquilo que as falhas do adversário permitirem.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Primeira derrota. E agora?

Peseiro teve razão na apreciação que fez ao resultado: foi injusto, pelo que as duas equipas fizeram, perder o jogo foi injusto para o Sporting sair derrotado da pedreira. Mas um resultado de um jogo de futebol não é uma decisão de tribunal, ganha quem marca e quem marca merece ganhar. O Sporting não marcou, apesar de o poder ter feito e aí se estabeleceu a decisão final.

Por ser um resultado duplamente doloroso - primeira derrota e descida de vários lugares - a forma como a equipa vai reagir vai constituir um momento definidor do carácter do seu carácter e até mesmo das nossas reais possibilidades nesta competição. Em Braga a equipa demonstrou que tem vontade, que tem um lote de jogadores para fazer melhor, mas que existe um fosso entre esses e outros que estão longe de os poder acompanhar ou sequer substituir. 

A isso acresceu também um facto que poderá ser determinante e que já funcionou ontem a favor do Braga: a eliminação precoce das competições europeias permitiu-lhes maior frescura e discernimento nos momentos finais da partida, em especial pelo forte calor que se fazia sentir. Jogadores que poderiam conduzir o Sporting a uma reacção ao golo sofrido - Nani, Montero, Bruno Fernandes, Gudjeli, Raphinha - ou já não estavam em campo ou quando estiveram pouco fizeram. 

Se em todas as derrotas o foco recai sobre o treinador, nesta não há excepção. No caso de Peseiro mais ainda, pelas razões que se conhecem: é um alvo fácil de se lhe bater. Abel antecipou-se-lhe nas substituições e, embora não tenha sido por aí que ganhou o jogo, foi isso que ficou registado em termos mediáticos. Mas o golo nasce de um erro numa transição e é consolidado por uma série de erros de posicionamento e avaliação que as substituições dificilmente poderiam ter evitado.

Mas é quando se olha para o banco que se percebem as dificuldades que Peseiro sentirá na hora de mexer na equipa: além de Jovane, entraram Castaignos, Diaby e ficaram no banco os jogadores de campo Jefferson, Marcelo e Petrovic. Como de facto aconteceu, apenas o primeiro significava uma possibilidade real de mexer com o jogo. 

Não vale a pena voltar a repisar aqui as razões que nos conduziram aqui. Nem isto equivale a desculpar inteiramente Peseiro, porque me parece que a equipa tem de ainda por onde crescer e parece tardar pelo lado das ideias expressas em jogo. Ou elas não estão a passar ou não estão a ser trabalhadas. 

Mas embora o resultado seja muito frustrante e penalizador para nós, não creio que haja razões para grande desespero. O ano passado fizemos apenas um ponto com este adversário e tínhamos em teoria melhores argumentos. O desânimo só pode ter apenas a duração do intervalo entre o próximo jogo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Leais ao Sporting vencem impugnação

Não consigo contabilizar com exactidão todos os subscritores da impugnação ontem apresentada às pretensões do Qarabag Adam em pleno estádio de Alvalade, mas podemos falar de cerca de trinta mil nas bancadas, mais jogadores e equipas técnicas, médicas, roupeiros etc. E assim se expressou a lealdade ao Sporting: com presença nas bancadas e com aplicação no relvado. 

Ao contrário do que se possa pensar não houve facilidades. Os argumentos apresentados pelos azeris eram sólidos e baseavam-se numa postura conservadora e expectante. Do nosso lado a preocupação expressa em algumas providências cautelares. Era necessário manter a concentração e o equilíbrio para que não fossemos surpreendidos.

Depois de muita cautela e alguns sustos a causa começou a ganhar contornos de vitória. Contamos na hora certa com o alto patrocínio de Nani, o Líder, a descobrir uma brecha na lei azeri em vigor. A visão e precisão do capitão foi muito bem secundada pela rapidez de reacção de Raphinha. 

Para rematar a acção de oposição à vontade do Qarabag de marcar pontos houve ainda alguma expectativa que seria coroada com um epilogo de elevada nota artística proporcionada por Montero. O tal que não marca golos mas se não estivesse lá às tantas não marcávamos mesmo. A peça de roupa interior, vulgo cueca, que ofereceu  ao defesa azeri poderia ter assinatura de um dos mais reputados costureiros de fama internacional.

Os argumentos finais estiveram a cargo de Jovane, que não tem perdido nenhuma das oportunidades que lhe tem sido concedida, numa demonstração de que tão importante como o talento é a vontade.

E agora siga para Braga, onde disputaremos a manutenção da liderança com o espanto de muitos e desgosto de alguns, poucos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Os grandes problemas do Sporting actual

Nos últimos dias os "grandes problemas" do Sporting para determinados adeptos têm sido a propalada entrega da comunicação do clube à LPM e a recondução de Virgílio Abreu na direcção clínica do futebol do clube. 

Os que hoje tanta preocupação demonstram com a possibilidade de um elemento da LPM poder ser benfiquista certamente tinham emigrado e por isso nada disseram quando a direcção da comunicação foi entregue a Luís Bernardo. O tal que estagiou em Alvalade e de forma meteórica atravessou a Segunda Circular para gerir o mesmo dossier no clube rival.

Tanto quanto é possível saber a direcção de comunicação ainda se mantém como estava. Se a escolhida for a referida empresa estamos a falar da contratação só de uma das referências do mercado para uma área há muito identificada como um dos calcanhares de aquiles dos últimos cinco anos de gestão. Quanto a mim essa é uma falha que remonta até a vários anos atrás. Porquê mudar se tudo estava tão mal, não é?

Quanto a Virgílio Abreu, trata-se de um clínico cuja ligação ao clube remonta a vários anos e a sua nomeação é de carácter interino, até que João Pedro Araújo possa assumir a pasta no próximo mês de Outubro. Não me lembro de tanta indignação quando em Junho a direcção anterior se preparava para uma "varridela" geral no corpo clínico do clube, que abrangia médicos e fisioterapeutas.

Oxalá continuem a ser deste teor as indignações. Oxalá que os "emigrados" dos últimos cinco anos regressem e possam exercer com rigor e honestidade intelectual uma obrigação de todos: o escrutínio da actividade dos órgãos sociais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Os 4 alicerces para a nova casa do leão

Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay
 
Com a eleição dos novos corpos sociais o Sporting cruzou a linha de fronteira para um tempo novo. Independentemente do que venha a suceder no futuro, é quase garantido que a nova liderança trará uma postura e actuações diferentes das dos seus antecessores imediatos. Isso percebe-se-imediatamente nas primeiras tomadas de posição públicas do novo presidente, Frederico Varandas, e o quanto contrastam com as do seu antecessor.

Elegemos quatro pontos que nos parecem virão a ser fundamentais para os primeiros tempos da gestão de Frederico Varandas e respectiva equipa:

Relações Internas

O lema de candidatura escolhido pelo novel presidente foi precisamente a união interna. Que ela é desejável e necessária ninguém duvida, como se chegará a ela é que já é mais difícil de prever. O final caótico da anterior liderança deixou marcas profundas no clube ainda não totalmente quantificadas e não apenas na situação financeira. Elas são particularmente visíveis numa facção ruidosa e que não está disposta a conceder um mero segundo de graça à nova equipa dirigente, recorrendo para isso a todo o tipo de boatos difundidos a partir das redes sociais.

Para todos, dirigentes incluídos, há noção cristalina de que a actual gestão tem vários dossiers complicados em aberto que requerem decisões rápidas e eficazes. A forma como eles forem sendo encerrados será decisiva para a consolidação da imagem da actual direcção.

O elevado interesse com que os Sportinguistas acompanham o seu clube e a forma como o veneram ficou mais uma vez provada no recente acto eleitoral. Daí que o cumprimento de algumas promessas eleitorais da lista vencedora merecerá também amplo escrutínio. Se a reordenação de toda a Formação representa muito maior complexidade do que simplesmente reorganizar a Academia e cujos resultados vão requerer alguns ciclos, outras promessas há que não necessitarão de tanto tempo para se iniciar a efectivação e notar a diferença.

Entre essas estão a implementação do modelo para o futebol, onde ganha particular relevância o interesse pelo nome escolhido para o Head Scout, bem como dos técnicos que o acompanharão. A constituição da Unidade de Performance e os nomes que acompanharão o seu director e simultaneamente director clinico, João Pedro Araújo. O posicionamento do clube relativamente aos jogadores que rescindiram e que, não tendo regressado, mantêm contencioso com o clube, a procura de novas receitas e a criação de valor com a potenciação do “ecossistema Sporting” suscitarão também interesse e merecerá acompanhamento.

Dossier Financeiro

É nos assuntos financeiros onde a actuação dos novos corpos sociais será mais visível e onde são requeridos resultados praticamente imediatos. À cabeça o revolving do anterior empréstimo obrigacionista, com o objectivo de remunerar o anterior já em atraso, bem como permitir a conclusão da reestruturação financeira que levará a um haircut da divida de quase 70%, em condições particularmente vantajosas e imperdíveis. Terá obrigatoriamente que deixar clarificadas todas as questões levantadas durante a campanha sobre a real situação financeira actual.

Resultados desportivos

Aqui pode estar um presente envenenado. Sousa Cintra entregou a Frederico Varandas a equipa de futebol no comando do campeonato. Algo que não é passível de ser melhorável. Mas pode piorar, sem que a direcção da SAD possa fazer muito para alterar o rumo dos acontecimentos, pelo menos até Dezembro. Falta saber até quando poderá ser disfarçada a forma deficiente como a época foi preparada nos mais diversos níveis, por força do período conturbado que o clube atravessou. Aliás, o que provoca perplexidade em quem observa o clube é a forma como este se levantou desde o profundo abalo que a invasão da Academia, passando pela destituição dos órgãos sociais até às eleições que provocou.

Felizmente as chamadas modalidades conseguiram manter uma linha de continuidade nos seus plantéis e órgãos directivos que lhes permite manter a competividade ao mesmo nível. Mas, desta vez pelas melhores razões, o presente não tem menos veneno. É que os títulos conseguidos em quase todas elas servirão de fasquia para a avaliação de desempenho.

Relações institucionais

Não é um dossier tão urgente ou decisivo como os anteriores mas é uma evidência que o Sporting tem de ter uma estratégia clara relativamente às relações com os órgãos tutelares (FPF, Liga, IPDJ,) bem como com os seus concorrentes e rivais. O Sporting não pode estar fora da definição da agenda, dos regulamentos e ordenação do futebol português. Um capitulo que vai ter de começar a ser reescrito, tal a forma como foram paulatinamente fechadas as portas aos mais basilares entendimentos e cavadas as respectivas trincheiras.

As reacções à presença de representantes do Sporting nos camarotes presidenciais no recente derby é apenas um breve introito de uma intricada teia de posições e interesses quase nunca convergentes. Ainda sem saber o que representa para si o Cashball, o Sporting vive sufocado por dois rivais dispostos a tudo, como se prova pelo Apito Dourado e o mais recente E-Toupeira.

No ambiente pantanoso e subjugado aos mais diversos interesses, a ausência de qualquer presença relevante nos órgãos decisores funciona como um contravapor para as ambições de revitalização do clube. Porque por não há organização, programas ou modelos, mesmo que brilhantes que resultem quando os bons resultados desportivos não acontecem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Frederico Varandas de presente a presidente

Num mundo em vertiginosa e controversa mudança, é sempre bom sentir a segurança de alguma perenidade, especialmente do que nos é tão querido. É o caso do amor que os Sportinguistas devotam ao Sporting Clube de Portugal, que os faz acreditar sempre e dizer presente, seja nos momentos de crise, seja nos momentos de celebração. E esse sentimento é tão grande e de raízes tão profundas que, como no caso da Assembleia Eleitoral do passado sábado, era difícil de distinguir a qualquer forasteiro que passasse perto de Alvalade, se era dia de romaria, de jogo grande ou, como era o caso, de chamada às urnas. 

Há um cerca de um ano e meio, havia escrito precisamente isto por ocasião das eleições de Março de 2017, que reconduziriam o anterior presidente ao seu segundo mandato:

Como se preciso fosse os adeptos do Sporting decidiram dar ontem mais uma demonstração do insuperável e exemplar amor que nutrem pelo seu clube de coração. Absolutamente notável o que se viu ontem em Alvalade, comprovando, para quem precisasse, que a grandeza deste clube é à prova de qualquer comparação. Esta é daquelas vitórias que não podem ser esquecidas, ainda que não tenha correspondência na nossa sala de troféus. Mas a marca deixada é seguramente impressiva e inolvidável na nossa história.
No sábado decidimos brindar com um poderoso "encore" essa demonstração de vitalidade, sufragrando uma nova equipa de dirigentes, bem como aqueles que com eles concorreram, proporcionando alternativas distintas. O encerramento do processo seria ainda mais brilhante pela forma como a lista vencedora, na pessoa do seu líder (e agora nosso...) Frederico Varandas (FV) soube vencer, bem como a elevação e o sentimento de profundo Sportinguismo dado por João Benedito, na aceitação dos resultados. Essa atitude é ainda mais louvável por aceitar sem desculpas ou subterfúgios as regras de ponderação dos votos que todos sabiam à partida. Esta talvez tenha sido das defesas mais importantes que Benedito efectuou em favor do Sporting Clube de Portugal.

Tal como nas eleições anteriores declaro aqui que o meu total apoio, que durará sempre e enquanto eu sinta que a defesa dos superiores interesses de TODOS NÓS precedem todos os outros. Tornei público aqui o meu apoio à lista que FV liderou, mas não me sinto nem mais nem menos responsabilizado, ou nem mais nem menos mobilizado por isso. Tão pouco menos atento ou vigilante. As listas acabam após o acto eleitoral e, como qualquer um de nós, o meu desejo é de muita sabedoria e de indispensável sorte para os novos dirigentes, em particular FV.

De todos os que podiam ganhar talvez seja ele quem tem a tarefa mais difícil pela frente, mesmo antes de se sentar na cadeira ou assinar uma decisão. Não apenas não ganhou pelo maior número de eleitores como, pior do que isso, tem contra si uma facção que mesmo que não seja facilmente quantificável, é particularmente ruidosa. Pior do que isso, é frequentemente desonesta e não se coíbe de inventar factos, guiões da desgraça e difundir boatos de forma despudorada.

Como provavelmente FV muito bem saberá, não terá por parte dessa facção direito a estado de graça, a que terá que acrescentar a natural desconfiança de todos quantos preferiam outros projectos ou pessoas - mais isto... - à frente dos destinos do Sporting. A isso somar-se-á os efeitos destruidores do vendaval que nos varreu de forma incessante até à destituição do anterior executivo. Efeitos esses que alienaram valor ao plantel, valor à SAD e ao clube. Os cuidados paliativos da Comissão de Gestão e do por si nomeado presidente da SAD, Sousa Cintra, permitiram manter-nos vivos mas desengane-se quem vê no primeiro lugar que a equipa actualmente ocupa um atestado favoritismo. É, acima de tudo, um exemplo de força, confiança e prontidão que a equipa nos dá a todos nós como preparação para o que ainda virá...

Por paradoxal que pareça, é nas imensas e complexas dificuldades que FV e a sua equipa têm pela frente  que estão as oportunidades de se afirmar primeiro e consolidar depois a liderança a que se propôs. Haverá também a quota parte que terá que ser desempenhada por todos e cada um de nós. Assim a liderança nos saiba convocar a todos, sem contudo ficar à espera de unanimismos. Os Sportinguistas saberão dizer presente tal com ele o soube dizer quando os acontecimentos assim o impunham.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Em quem eu voto até às paredes confesso


Ao contrário de actos eleitorais anteriores, hesitei muito em tornar público os meus votos.

Por força da minha participação no Sporting160 tive a oportunidade de dialogar com quase todos os candidatos e para isso tive que ler os respectivos programas. Aí aprofundou-se a convicção inicial de que a lista de João Benedito e a de Frederico Varandas são as que estão melhor preparadas para dirigir os destinos do Sporting.

Procurei tomar a minha decisão pela positiva. Não votei contra ninguém, votei a favor do Sporting. E procedi assim sem ligar a rumores, antagonismos pessoais, boatos. Votei por entender que é o programa, a equipa e a pessoa que melhor habilitados estão para voltar a devolver alguma da dignidade ferida e reencontrar, como é urgente e necessário,  o caminho do sucesso. E dessa forma a estabilização e o regresso das vitórias de forma sustentada. A minha escolha recaíu na Lista D, encabeçada por Frederico Varandas.

Não escondo que foi essa a minha inclinação inicial, até aparecer a equipa de João Benedito. Gente com passado no clube, recheada de campeões que oferecem garantias de saber de experiência feito e de elevado grau de preparação pessoal.

Mas há dois pontos fundamentais que me levaram a tomar a decisão contrária:

1- Apesar da campanha inteligente que tem efectuado, Benedito nunca tomou uma posição inequívoca e em tempo oportuno relativamente à gestão que quase implodiu (e continua a tentar…) o Sporting. As feridas estão ainda abertas e demorarão a sarar. Não só não se demarcou no momento em que as AG’s sucedem, como não o fez na crise do futebol profissional. Mesmo recentemente, na célebre sexta-feira da providência cautelar “vazia” permaneceu em comprometido silêncio.
Desejo que a próxima liderança saiba ser inclusiva, suscite a reconciliação e harmonia da família leonina, não desejo nem apoiarei qualquer tipo de perseguição interna a quem apoiou Bruno de Carvalho, mesmo que o tenha feito até “à 25ª hora”. Até pelo absurdo que representaria. Mas este era um critério inequívoco para atribuição dos meus votos: o candidato em quem votasse teria que ter um discurso claro relativamente àquele que considero um dos piores momentos que me lembro da vida do Sporting e o seu responsável.

2- Os programas e as pessoas que os executarão na principal actividade do clube: o futebol. Porque é aí que tudo começa, sejam a glória ou a crise profunda. E é nesse ponto que reconheço que a lista de João Benedito perde claramente para a lista de Frederico Varandas. Com todo o respeito que me merece o respectivo passado, Carlos Pereira e André Cruz estão claramente desfasados da realidade leonina e do futebol nacional. Veja-se a entrevista de hoje de Carlos Pereira ao jornal “A Bola”. Muito enfoque no passado, na cultura, à raça, etc, mas quanto ao mais importante, o modelo, organização e conhecimento para lá chegar nada.
O mesmo se aplica ao discurso do cabeça de lista, obviamente. Isso é ainda mais evidente, quando se lê, entre outras coisas, no programa de João Benedito, que se vai “avaliar pormenorizadamente o nosso departamento de Scouting e, caso o mesmo apresente falta de conhecimento e fraca propensão em encontrar novos jogadores de qualidade”. Isso contrasta com o diagnóstico já feito e o discurso claro de Frederico Varandas relativamente ao tema, bem como relativamente toda a organização e estrutura para o futebol.

O mesmo incómodo e pouco à vontade que se notou em Varandas nos debates na televisão é notório no programa de Benedito para o futebol. Só que os debates extinguem-se com as eleições mas o futebol queremos que, ao invés disso, melhore consideravelmente. E para isso é preciso conhecimento imediato do terreno que se vai pisar.

Não tenho dúvida absolutamente nenhuma que João Benedito será um lutador incansável, mas demorará mais tempo a descobrir o caminho ideal e com isso também o Sporting. O futebol não é uma ciência oculta, mas requer conhecimento aprofundado das suas especificidades. Frederico Varandas têm-no já. Claro que o facto de viver há onze anos dentro do core do clube, o futebol, é uma circunstância que o beneficia. É uma qualidade diferenciadora que não deveria ser desperdiçada. Até porque não há muitos mais nessas circunstâncias. Da mesma forma que a equipa de Benedito acumula o saber nas modalidades de enorme valor e de pessoas que não deveriam viver fora do Sporting.

Mas, na impossibilidade de uma acção conjunta, creio que a lista de Frederico Varandas assegura também a manutenção do ecletismo e tem um programa muito sólido no que diz respeito às diversas componentes essenciais do clube, nomeadamente a relação com os sócios, da relação destes com o clube, investidores, patrocinadores, marketing, criação de valor e potenciação da marca Sporting. Creio mesmo que o documento "Ecossistema Sporting [ https://www.unirosporting.pt/…/Potenciar-Ecossistema-Sporti… ] entre outros, deveria ter leitura e discussão séria.

É verdade que a campanha com elevado nível de ruido e excesso de debates televisivos acabou por privilegiar o espectáculo que interessava particularmente aos canais televisivos. Por isso me abstraí de os ver, bem como me afastar de discussões pontuadas pelos ataques muitas vezes “ad hominem”. Nesta luta que não fez reféns não há inocentes, seja pela via directa das candidaturas seja pelo lado dos pontas-de-lança criteriosamente colocados em posições chave nas redes sociais. O Sporting merece melhor.

Aconteça o que acontecer, o meu presidente será eleito no próximo sábado. Estimo que os demais aceitem os resultados mas que não deponham as suas armas, antes sim as disponibilizem ao presidente eleito. Que uns e outros tenham a humildade de perceber que a derrota é quando perdemos em campo e que a vitória eleitoral não é um salvo conduto.

Estimo acima de tudo que muitos de nós, adeptos que sempre fomos, nos possamos voltar a encontrar sob a nossa bandeira, com nosso símbolo ao peito em qualquer estádio ou pavilhão, sem outra preocupação que não seja VENCER!

Pode ouvir as respectivas entrevistas ao Sporting160 aqui:

João Benedito

Frederico Varandas 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O reforço mais importante afinal sempre chegou

Terminou da pior forma a janela de mercado. Um colossal desastre comunicacional exponenciou expectativas que dificilmente poderiam ser cumpridas, mesmo que o Sporting se encontrasse nos seus melhores momentos, o que sabemos bem é precisamente o oposto. Jogadores como Bacca, Muriel e outros dificilmente querem correr o risco de tentar relançar a sua carreira numa liga periférica e em paulatina perda de competitividade internacional. E muito menos o fariam num clube que passou os últimos meses a ser noticia não pela conquista de títulos na modalidade de que são profissionais mas pela sua profunda crise interna. 

O trabalho de Sousa Cintra na reconstituição do plantel acaba assim por ser contaminado pelas últimas imagens: a falha na aquisição de um ponta-de-lança e Fábio Coentrão. Depois de informações desencontradas percebe-se hoje que o Sporting pouco ou nada fez para ter o lateral de volta. Há dois factos surpreendentes aqui: 
Que não se tenha contratado um defesa-esquerdo à altura da exigência das nossas ambições, uma vez que isso acabará por nos sair caro, como aliás já se vai vendo, nas limitações que isso impõe ao nosso jogo, quer do ponto de vista ofensivo como defensivo. 

E as reacções de indignação por não contratarmos um jogador do Jorge Mendes. Tão indignadas como as que se registam sempre que se comenta uma noticia de que o Sporting estaria a negociar um qualquer jogador com origem naquele empresário. O universo leonino não para de nos surpreender na sua ciclotimia.
Felizmente o mais importante e desejado reforço acabou por chegar já quase no encerramento não do mercado mas dos noventa minutos do jogo com o Feirense. E esse reforço tem nome e sobrenome: quatro jogos, dez pontos, primeiro lugar.

Duas razões de fundo para que tal tenha sucedido:
O nosso processo de jogo carece ainda de muito trabalho de aprimoramento  mas sobretudo de melhores ideias mestras. O intervalo que se segue será fundamental para as por em prática, bem como de integração dos últimos reforços.

O Feirense de Nuno Manta não é uma equipa qualquer. Não se remeteu à defesa e quando teve que o fazer ou o fez bem ou teve um guarda-redes intransponível. A excepção que confirmou essa regra resultou de um lance de muita sorte para que a bola tivesse chegado ao nosso joker, Jovane.
Uma palavra final para José Peseiro. Já se percebeu o quanto mudou e ele mesmo fez questão de o lembrar na conferência de imprensa final, que constituirá um marco desta época, seguramente. O que conseguiu até agora talvez só existisse na sua cabeça e nos nossos melhores sonhos. Mas saberá tão bem como nós que a equipa tem muito que crescer para manter a performance. 

Uma menção também para os jogadores, cujo empenho tem superado as deficiências colectivas resultantes das mais diversas condicionantes conhecidas de todos. Não merecem os assobios impacientes das bancadas que não só ignoram as circunstancias como o quanto ajudam os nossos adversários. E depois ainda se queixam no final que a equipa jogue sem ligação e pontapé para a frente, especialmente quando o jogador em posse não se desfaz da bola rapidamente. Até quando???

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A falácia dos debates

Está a terminar a primeira ronda de debates entre os candidatos às eleições do Sporting. E ainda bem que assim é. Ao contrário do pretendido, as oportunidades de promover os respectivos programas têm sido frequentemente perdidas em favor das diatribes e, em alguns casos, antagonismos pessoais e até mesmo lamentáveis faltas de respeito pelos oponentes, e dessa forma, por nós todos, os sócios.

Creio que os candidatos e respectivas equipas de campanha e comunicação deixaram-se cair numa armadilha de mediatização que, mais do que informar, tem ajudado os órgãos de comunicação social a obterem importantes dividendos por via dos clicks e audiências. O número de candidatos também contribui para o que mais se começa a assemelhar ao conhecido spam no correio electrónico: ninguém liga.

Este excesso de mediatização afasta os sócios do que deveria ser a sua principal atenção: os candidatos, os programas e as equipas que os executarão. Assim, ao invés, parece que está em causa o melhor tribuno, a melhor punch line. Acontece que nos próximos quatro anos - pelo menos assim se espera... - o presidente do Sporting não deverá ter oportunidade e nem sequer necessidade de debater tantas vezes como nestas quatro semanas.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Um dérby sob o signo da ilusão

NDR: post escrito ao abrigo da cooperação com o site Fairplay

Poucos poderiam supor que o Sporting, partindo atrás de todos os outros, nomeadamente dos seus competidores directos, pudesse sair do primeiro dérby do campeonato na cabeça do pelotão da Liga. A instabilidade directiva que o assola fez com que começasse fora de tempo e incapaz de tomar decisões urgentes de forma oportuna. Os trabalhos do plantel começaram mais tarde do que o que estava previsto, a mudança do responsável técnico ocorreria em cima da hora e com uma profusão de pontos de interrogação no lugar dos nomes e lugares por preencher no plantel.

Começando pelo trabalho nos gabinetes, há a considerar o trabalho realizado por Sousa Cintra e respectiva equipa, que resultou no regresso de alguns dos jogadores mais importantes, como Bas Dost, Bruno Fernandes mas também Battaglia. Mesmo sem desconsiderar importantes questões de natureza ética, que poderão ter levado à melhoria dos respectivos contratos, é bem claro que o Sporting não tinha estofo financeiro para substituir aqueles jogadores por outros de idêntica qualidade. 

A falta de estofo financeiro é também notório na dificuldade em arranjar forma de fechar o buraco deixado por William. Porque de facto não há muitos como ele e a sua saída pode até ter aberto não um, mas dois lugares. Há poucos jogadores a jogar naquela posição que, além de fornecer segurança defensiva “qb”, sejam capazes de lançar o jogo ofensivo da sua equipa, seja em passes a rasgar linhas, seja a quebrá-las em condução com a bola controlada. Por isso é bem provável vermos Peseiro deitar mão de uma solução de dois homens a complementarem-se atrás, ensaiando subidas e descidas coordenadas, de forma a compensaram-se mutuamente.

O mesmo acontece relativamente ao substituto de Bas Dost, cuja necessidade ninguém antecipou para momento tão precoce. Mas acontece que essa necessidade é agora ainda mais premente. Com uma grande segurança de não ser desmentido, quase ninguém, talvez até nem mesmo o próprio, acredita que Diaby seja o “tal”. Dúvida que ainda é reforçada pelo facto de se saber que Diaby vem de longa inactividade.

Foi neste enredo de pontas soltas que o Sporting chega ao terreno do arquirrival para ser trucidado. Subestimar um leão, mesmo que com ar pouco saudável, é um erro muito comum que sai caro a muitos caçadores incautos. Não tendo feito uma exibição de luxo, conseguiu um jogo geralmente competente, pelo menos enquanto houve pernas e cabeça. A dupla argentina Battaglia / Acuña empurrou enquanto pôde o jogo do adversário para as laterais, anulando assim os elementos que vinham sendo mais preponderantes na armada benfiquista: Gedson e Pizzi.

A verdade é que o leão sobreviveu. E para o conseguir nem teve que fazer pior figura do que no jogo do campeonato passado, onde também então se apanhou a vencer. Mas aí sim, após ter conseguido também adiantar-se no marcador, recusou o papel de rival igual ao seu rival, para se remeter a uma defesa porfiada mais habitual em equipas menores. Basta olhar para a equipa com que termina este ultimo derby para se perceber que Peseiro conseguiu fazer o mesmo com muito menos e em piores circunstâncias. Talvez esteja aí o seu maior mérito, baseado numa gestão marcadamente conservadora das opções à sua disposição mas também de cunho realista.

Mas a bola ficou agora a saltar no campo de Peseiro. O que conseguiu até agora relativamente à produção da equipa, criou uma ilusão de apronto e competência muito útil mas que é manifestamente insuficiente para sustentar a posição em que se encontra e as ambições ao título. É certo que nem tudo depende dele. O Sporting para se tornar mais forte tem de crescer pelo acrescento de qualidade individual ao plantel, mas também muito pelo treino e pelas soluções colectivas que ainda faltam. 

Terá que ser um trabalho coordenado entre a SAD e a equipa técnica. Não havendo um esforço por parte da SAD em colmatar as evidentes lacunas no plantel esse crescimento é possível, mas ficará muito limitado. Além das faltas já citadas acima, a clara falta de qualidade na extrema-esquerda defensiva talvez seja a mais notória, se bem que não a única. 

Mas há ali matéria humana para conseguir maior dinâmica, nomeadamente no jogo ofensivo, criando mais e melhores oportunidades que, inevitavelmente terá que ser conseguido envolvendo mais jogadores no apoio ao isolado Montero. Mesmo sem recorrer ao mercado, jogadores como Raphinha e Matheus terão que ver o seu indiscutível talento convocado e potenciado. De outra forma o actual primeiro lugar não passará de uma ilusão de óptica que depressa se desvanecerá.

O próximo jogo com o Feirense encerrará a primeira etapa, após a qual o leão terá depois mais tempo para lamber as feridas. Porque tempo foi o que lhe faltou até agora. Mas é preciso reconhecer-lhe o mérito pois, como se viu até nos rivais, com outro tempo e condições, está tudo ainda muito longe da consolidação de processos. Se os próximos passos de Cintra e Peseiro forem dados com precisão a ideia de que o leão não contava poderá não ter passado de uma ilusão de algumas noites de verão.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Eleições SCP: Uma rápida reflexão a partir das sondagens e de um debate

Assisti ontem ao debate entre Frederico Varandas (FV) e José Maria Ricciardi (JMR). Aproveitei esse momento para, refelectindo sobre o que vi, escrever um post e assim voltar a actualizar o blogue.

Aqui vai:
Para uma grande maioria FV perdeu o debate. E é até provável que não venha a  “ganhar” nenhum. Porque claramente aquela não é a praia dele e também porque já se instalou no público essa ideia. Se estiver agressivo perde porque sim e se estiver cordato perde porque sim.
JMR surpreendeu-me. Esteve muito bem para o que deve ser a postura num debate. Agressivo, roubando a iniciativa, não deixou falar, desestabilizou o oponente com directas e indirectas. Algumas delas de profunda desonestidade intelectual, como a das rescisões, o que não é um pormenor. Ganhou claramente o debate, muito próximo do KO.
Mas quem nada ganhou e até perdeu foi o Sporting. JMR não deixou que se discutisse uma única ideia. Porque claramente não as tem para lá do que domina, que é o dossier financeiro. E se há alguma coisa de que o Sporting precisa é de boas ideias. É que no dia 9 não há debates e aquelas é que contarão para fazer o Sporting seguir em frente.
Mas o tempo de JMR já passou. Ao invés de em tempos ter patrocinado JEB e LGL devia ter avançado. Mas andava entretido com o BES e depois com o Haitong. Se aqueles ganharam à época JMR teria arrasado e talvez, quem sabe, ainda hoje era presidente…
Agora que está “desempregado” quer brincar ao Sporting, mas é tarde. A escolha de José Eduardo (JE) é uma mó ao pescoço e diz muito do afastamento dele relativamente ao sentimento dos adeptos. Só por arrogância pode pensar que conseguirá impor o JE.
É esta sobranceria relativamente aos adeptos que vi no passado, bem como a ausência de uma ideia estruturante para o futebol e para o desporto em geral, que não quero ver outra vez no Sporting. Discordei muitas vezes dele, talvez injustamente, mas o último “ser pensante” que passou na SAD foi o Ribeiro Telles. (Podem malhar à vontade). Tudo piorou com a sua saída. Pelo menos tinha uma ideia, o que é muito melhor que não ter ideia nenhuma e deixar correr o marfim. É mais ou menos assim, com mais ou menos dinheiro "investido", que tem andado o futebol do Sporting. A diferença de resultados tem estado na maior ou menor competência dos treinadores.
JB e FV são indiscutivelmente aqueles que podem trazer uma mudança geracional de que o Sporting necessita e que o BdC, na sua loucura, desperdiçou e atraiçoou. Mas não só uma mera mudança geracional, mas sobretudo conhecimento do fenómeno desportivo e ideias estruturantes que, goste-se ou não, estão nos seus programas. 
Com isto não pretendo apoucar os demais candidatos e muito menos questionar o seu amor ao clube. Todos eles poderão ser úteis no futuro, todos têm ideias que merecem a nossa ponderação pelo seu potencial e utilidade. Todos eles poderão ser úteis após as eleições e as sinergias geradas pelas suas candidaturas deverão ser disponibilizadas e aproveitadas, se se enquadrarem no espírito de quem receber o próximo mandato em mãos.
Voltando às candidaturas de JB e FV, ambas têm virtudes e defeitos, pessoas de que gosto mais, outras que não escolheria mas, no cômputo geral, ambas me deixam relativamente tranquilo se forem as escolhidas. Uma deles será a minha escolha mas, na eventualidade de não a conseguir realizar de todo, não votarei. Porque não patrocinarei o que não acredito e o que não gosto.
Sondagens? esqueçam isso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Sobre a suspensão de Bruno de Carvalho e demais acólitos

Podem-se construir as mais variadas teorias da conspiração à volta da suspensão de Bruno de Carvalho e seus acólitos na autêntica cerimónia de "suicídio colectivo" com que nos brindaram nestes últimos meses. Mas, por mais histórias mirabolantes que se construam à volta deste desfecho - algumas dignas de guiões de séries - devem apenas a si próprios o destino em que se encontram. Destino esse que a ser levado à letra o seu próprio regulamento disciplinar poderia ser ainda mais severo.

Compreendo a desilusão daqueles que desde a primeira hora o apoiaram, bem como daqueles que a ele se foram juntando. Só não percebo e não aceito que canalizem a raiva para outros destinatários que não o próprio Bruno de Carvalho. Foi ele que atirou pela janela, a troco de nada e em descontrolo emocional digno de estudo, condições de que há muito não se sentiam no clube. Condições que tanto soube criar como rapidamente desbaratar. Daí que, a haver alguém que mereça ser destinatário da raiva e da frustração,  ninguém mais do que Bruno de Carvalho o merece. Porque foi ele que acabou por trair a esperança que criou e o projecto em que fez muitos acreditar.

Bruno de Carvalho e os que o acompanharam tiveram outro destino nas mãos e acabaram vitimas das suas escolhas. Para que as suas pretensões de se apresentarem agora a eleições fossem válidas teriam que beneficiar de um regime de excepção que os transportaria para um patamar muito acima notáveis, o tal "regime" que se apresentaram para combater. Eles que foram sempre implacáveis na aplicação de sanções cuja motivação era incomensuravelmente mais ligeira que as suas próprias acções agora objecto de sanção.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O primeiro grande erro de Sousa Cintra

A ser verdade a falta de acordo com o Atlético de Madrid, quando estavam em causa as verbas que hoje a generalidade da imprensa anuncia, trata-se do primeiro grande erro de Sousa Cintra. Pelos valores fixos e variáveis o valor do passe seria sensivelmente apreciado em trinta milhões de euros. Desses, o Sporting receberia no imediato vinte e dois milhões + 5 milhões. Uma verba que daria muito jeito à SAD para resolver outros assuntos em aberto e que serão determinantes para o sucesso na presente época, fechando um dossier que é considerado uma causa perdida.

O acordo não seria um negócio espectacular obviamente, mas também não andaria muito longe do valor justo a pagar por um jogador frequentemente sobrevalorizado, se atendermos não ao que promete, mas ao seu real desempenho. A menos que o seu novo treinador consiga melhorias espectaculares no seu nível de decisão final, bem como na eficácia na concretização, o valor da sua cláusula de rescisão e mesmo os cem milhões que agora se diz que o Sporting irá exigir no processo litigioso que se seguirá não passarão de um delírio de verão.

Como o próprio Sousa Cintra já havia reconhecido, ao Sporting interessaria mais um acordo. Não só porque a decisão em litigância não o irá ressarcir tão cedo, caso a decisão venha a ser favorável. Mas também porque na tomada de decisão final contarão não apenas os factos que levaram à rescisão, mas também o nome dos clubes, o peso e capacidade de influência das respectivas federações. Não terá sido por isso casual que a inscrição do jogador logo após a consulta propalada consulta à FIFA pelos colchoneros. Infelizmente, como temos visto noutros processos, ter razão é uma coisa, conseguir vê-la reconhecida é outra bem diferente. 

Não posso deixar de dizer também que a atitude de Gélson Martins é de um canalha sem escrúpulos. A sua situação em nada se comparava com a de William ou Rui Patrício. Infelizmente, dos três jogadores da casa, só William se parece ter preocupado com o ressarcimento do clube que lhe deu tudo. Gélson era um dos meninos dos olhos dos adeptos na bancada, a quem nunca foram regateados aplausos e frequentemente ignorados os erros. O de se fazer expulsar por tirar a camisola foi só a confirmação que além de agora o sabermos desonesto também deve muito à inteligência. Tanta solidariedade afinal não inclui o clube que lhe deu tudo.

Talvez quem leu o titulo possa ter pensado que me iria referir ao empréstimo de Francisco Geraldes. Sim, também é um erro. E um erro que se repete pela terceira vez consecutiva, o que o torna ainda pior para o clube, que o facto de ter diversos intervenientes não serve de desagravo para o clube.

Aqui Sousa Cintra pouco mais poderá ter feito que carimbar a decisão se ela tiver origem no treinador e/ou jogador. Quem deverá explicar muito bem esta dispensa deverá ser em primeiro lugar José Peseiro. Como no passado Jorge Jesus a deveria ter explicado. A menos que o actual treinador diga que o jogador fez questão de sair, não contar com o jogador não augura nada de bom para o que Peseiro pensa por a nossa equipa a fazer.

Mas há que ir um pouco mais longe e não esquecer um outro decisor muito importante neste desfecho: o próprio jogador. Fosse ele outro e não diria isto. Mas Geraldes goza da fama (e pelos vistos do proveito...) de ser um jogador de QI superior. Ao decidir ir para uma liga onde a componente física é muito importante, ele terá obrigatoriamente que saber que está a arriscar muito mais a sua carreira do que se ficasse em Alvalade à espreita de uma oportunidade. 

Esta é uma decisão que roça o absurdo. Só não é a pior de todas, como a de cima, porque o jogador mantém ainda o vínculo ao Sporting e a esperança de cumprir os seus sonhos e os nossos sonhos de leão ao peito tem de ser a última a morrer.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Os negócios de Cintra

O melhor negócio de Sousa Cintra, entre vendas, regressos e aquisições, tem sido o restabelecimento da normalidade, mesmo num ambiente e conjuntura desfavorável. O presidente da SAD em exercício voltou exibindo os mesmos jeitos e defeitos que já lhe conhecíamos, mas a soma de todos os factores tem sido positiva e a necessária neste momento. Claro que há quem não goste e goze com o estilo ou falta dele, mas não será preciso uma dose muito grande de memofante para nos lembrarmos de momentos tão ou mais embaraçosos ainda muito recentes. 

Se é verdade que na comunicação e em tudo na vida "dois maus não fazem um bom", saúdo que Sousa Cintra não perca o seu tempo e nos faça perder o nosso a insultar sócios e adeptos pelo simples facto de que não gostam ou não concordam com ele. Um legado que infelizmente fez escola e hoje é uma constante nas discussões entre Sportinguistas.

Aquisições
Até agora conhece-se apenas o nome de Nani, contratado sem custos na aquisição do passe. Um regresso assinalável, uma vez que Nani será importante num balneário que perdeu muitas das referências recentes. Mantenho a minha impressão quando se soube a intenção da direcção deposta em contratá-lo: preferia a aposta num jogador mais jovem e em busca de afirmação. Se Nani estiver bem do ponto de vista físico e quiser voltar à selecção, pode ter essa tal vontade de afirmação e a sua qualidade continua elevada para as necessidades do nosso campeonato.

Neste capítulo os dossiers nas rubricas "regressos" e "vendas" continuam a ser um importante óbice ao ataque ao mercado para posições há muito identificadas como carências. Aí, as posições "6", "8" e "9" são as que requerem maior urgência. O regresso de Bas Dost, por exemplo, é insuficiente e o que há disponível neste momento para o lugar no plantel é incapaz de assegurar o que é necessário para a ambição de campeão.

Regressos
Claramente o melhor trabalho de Sousa Cintra num dossier que requeria especial sensibilidade e habilidade negocial. Ter conseguido "reaver" os dois jogadores mais importantes dos que haviam rescindindo - William e Rui Patrício eram obviamente alvos impossíveis - significa de uma penada só importantes "reforços" quer do ponto de vista da qualidade do plantel, das nossas ambições e da estabilidade financeira da SAD. Bas Dost e Bruno Fernandes são dos melhores jogadores do nosso campeonato, fazendo parte do lote restrito daqueles que despertam a cobiça lá fora. O segundo em particular, cuja idade permite augurar um futuro brilhante. Mas este regresso diz que são seguramente dois Homens, como aqueles que são precisos para fazer grandes equipas.

Battaglia parece fazer jus ao nome e tornou-se num problema complexo. Há já vários dias que é dado como resolvido e o seu contrário, ao que parece os interesses do empresário e o do jogador não coincidem. Não acredito nos valores falados ontem (10 milhões), porque se fossem reais era uma possibilidade de negócio razoável que significaria o financiamento fechar o seu lugar e encerramento de mais um dossier complicado.

Rafael Leão, pelo valor e potencial, seria outro regresso que saudaria. Não que a atitude tomada não importasse de todo, bem antes pelo contrário no caso especifico dele, mas também já tive dezanove anos. Só nunca tive ninguém a bichanar nos ouvidos como o mundo é bonito com milhões no bolso, pelo que a reconsideração de uma atitude reprovável e impensada seria o primeiro passo para voltar a por as coisas como elas não deveriam ter deixado de ser.

Vendas
A mais recente, a de Piccini, não poderia deixar de ser envolta em polémica. Para isso concorrem diversos factores, que vão desde razões secundárias, que nada têm a ver com o negócio em si mesmo, mas antes sim contaminadas pelo momento em que o clube vive. Acontece que o sucesso deste negócio ficou condenado à partida pelo facto de termos anunciado a aquisição de Bruno Gaspar, perfazendo três laterais para preencher dois lugares. A noção de excedente e necessidade de vender é um factor que o mercado não perdoa na hora de fazer o preço. 

Não foi por isso uma venda espectacular, mas mais do dobro do valor que nos custou há um ano está longe de ser um saldo. Comparações com outros casos em que não existem condições coincidentes é comparar alhos com bogalhos. Acresce ainda o facto de termos ido resgatar Nani precisamente à mesma origem, o que certamente também concorreu para o encontro de verbas final.

A mesma sensação relativamente ao negócio de William e quiçá a explicação do impasse de Gélson. Só mesmo Sousa Cintra para conseguir vender o que não é dele que é o que afinal se passa com estes e outros jogadores que rescindiram. É que os jogadores já não são do Sporting, talvez os mais distraídos ainda não o tenham percebido. Aqueles que acreditaram em promessas de amanhãs radiosos cheios de indemnizações chorudas talvez tenham percebido melhor que afinal isso não é assim tão linear, como a recente decisão da CAP dos processos de Patrício e, pasme-se!, de Podence revela.

O acordo com o Bétis, longe de ser entusiasmante, é a ilustração do trabalho de contenção de danos que a recuperação dos passes significa. E o interesse do Atlético de Madrid em Gélson uma única excepção a nomes de clubes importantes a interessarem-se por aqueles que eram dos nossos melhores também é significativo.  A consulta à FIFA pelos colchoneros revela o cuidado de quem sabe o peso de uma condenação, mas também a pressão de quem quer comprar bom e barato. 

Neste âmbito, dos jogadores da casa que saíram, assinalo o cuidado de William em ver o Sporting ressarcido e o descuido de Patrício. Como o próprio reconheceu, se ele tinha fundadas razões de queixa, essas nunca deveriam reverter contra o clube que o formou. Um capitão nunca se deveria esquecer disso.

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