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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Da contratação de André a Douglas: "o risco é a minha profissão"

Se tudo correr dentro da normalidade (o que é isso em futebol?...) André e Douglas serão anunciados em breve como jogadores do Sporting para as próximas épocas. Douglas é já um sonho antigo, há muito falado como possível aquisição, desde que se cruzou connosco, e impressionou, jogava ainda no Twente, da Holanda. André já "toda a gente conhece" desde que o seu nome saltou para as primeiras dos jornais e os "torcedores" do Corinthians invadiram a página do clube "recomendando a sua aquisição.

André: aprender com os erros e mudar de nome*
Com a implacabilidade que as caracteriza, as redes sociais já julgaram André de forma sumária e inapelável. Já todos o conhecem como se tivessem partilhado a carteira na escola, o espaço no recreio, a cama e a mesa. Também me associei às brincadeiras que resultaram de um incidente em que o jogador foi apanhado a dormir num sofá de discoteca. O que provavelmente foi um episódio sem repetição, tornou-se num filme sobre a sua vida. E o facto de ter a folha manchada por actos de indisciplina adensaram uma fama pouco recomendável, muito porque os golos se começaram a tornar mais incertos.

Agora que o jogador pertence aos nossos quadros é a hora de virar as páginas já escritas até a uma folha em branco. Até porque o percurso dele não se resume apenas  ao falhanço do último episódio vivido no "Timão". O seu aparecimento fulgurante no Santos rendeu-lhe a chamada à selecção brasileira ainda muito jovem. A má gestão da carreira, com uma saída demasiado precoce para a Ucrânia (Dínamo de Kiev) atirou-o para um percurso cheio de zig-zags e altos e baixos.

Sem dúvida que o Sporting está a arriscar muito ao adquirir André, com a agravante de se tratar de uma aquisição cara (e apenas 50% do passe), e transitar imediatamente para o topo da folha salarial. O que certamente Jorge Jesus (o verdadeiro mentor da aquisição) vai à procura no jogador é do potencial revelado quando ele tinha por companhia Neymar, Ganso e Robinho. Se o jogador mantiver intactas as suas qualidades e com o volume (e com a indispensável qualidade, obviamente) de jogo atacante que a nossa equipa consegue habitualmente criar o André pode muito bem perder o apelido "Balada" para, correndo bem, adquirir um novo: "André Bolada(s)". Assim ele tenha aprendido com os erros.

Douglas: trocar um "certinho" por habitualmente mais "certo"
Devo confessar que, nesta altura, o centro da defesa seria o último sector a merecer o direito a nova aquisição. Já as laterais, especialmente a esquerda, deveriam estar no topo das prioridades. Há aqui também algum risco ao ir buscar Douglas e deixar sair Naldo (e eventualmente também Ewerton ou Paulo Oliveira) um género de central "arroz com feijão": certinho,confiável, não inventa. O que Jesus certamente procura nesta troca é um jogador mais capaz não só a defender, mas que assuma também um papel preponderante no inicio da construção de jogo. 

*O caso de André merece também uma atenção por parte dos adeptos. Se contasse apenas a opinião geral e do momento, por exemplo o Acosta nunca teria feito a segunda época em Alvalade. E o "coxo"do Elias, depois de ter saído do Sporting, nunca mais voltaria a jogar na selecção.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Relativamente ao poder dos nossos adversários, estamos avisados

Começo desde já por saudar, sem ironia, o apuramento do FCP para a Liga dos Campeões. Somos declaradamente rivais mas no percurso europeu une-nos um interesse comum: além do prestigio do futebol português, quanto mais pontuarmos mais possibilidades temos de nos vermos incluídos no pote dos milhões. E como nunca sabemos em que lugar podemos ficar no final do campeonato.

Por coincidência seremos nós, o Sporting, a testar o novo FCP de Nuno Espírito Santo, cujas primeiras indicações deixam antever uma equipa mais competitiva do que tem conseguido ser nos últimos anos. Pelo menos ao nível da moral é de esperar um adversário mais forte do que aquele que defrontamos no ano passado. Antevejo um embate difícil, até porque os primeiros jogos deram indicação de não estarmos ainda na plenitude das nossas qualidades.

Já o nosso rival do outro lado da estrada, continuará seguramente forte dentro de campo, pelo menos assim que regresse Jonas. Para já fora dele, continua na liderança: a pressão feita após o jogo já rendeu dividendos. Ao despejar na jarra o nome de Manuel Oliveira - o mesmo se aplica ao árbitro do jogo FCP - Estoril... - o árbitro do empate ante o Setúbal, o Conselho de Arbitragem "emite um comunicado" bem claro: não há tolerância para os erros dos árbitros nos jogos com o SLB se este não ganhar. 

Nota: Como alguém lembrava hoje, o jogo Roma - FCP registou mais cartões vermelhos para os da casa do que em toda a época passada para o actual campeão nacional.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ver desde Paços a necessidade de contratar Campbell

O Sporting cumpriu os mínimos olímpicos na viagem a Paços de Ferreira: arrecadou a totalidade dos pontos em disputa, como lhe convinha e, apesar da falta de melhores adereços técnicos, deixou ficar a imagem de uma equipa totalmente focada na tarefa que tinha a desempenhar. Os campeonatos são como a construção dos mais lustrosos edifícios: não há nada de muito glorioso na abertura dos caboucos - como certamente não há em ganhar em Paços - mas sem eles ou com uma má execução é todo o edifício que fica em causa ( o titulo). 

A primeira nota sobre o jogo fica para a consolidação do processo defensivo. É certo que Marítimo e Paços não têm o poder de fogo dos adversários com quem terçamos argumentos na pré-época, mas falar-se em consolidação nesta matéria não me parece excessivo: Rui Patrício foi quase um espectador, não sendo obrigado a nenhuma defesa de grau de dificuldade elevado.

É natural, quando se fala em processo defensivo, que os holofotes se centrem no quarteto que o compõe. Aí ressalta do acerto geral a exibição imperial de Coates, sem um único erro ou mera hesitação. Porém avaliar uma equipa de forma sectorial, como se estivéssemos a falar de recipientes estanques, seria profundamente errado. Defender bem começa no exacto momento em que se perde a bola e na forma como a equipa se encontra organizada para responder. E, se é verdade que ainda há varias coisas a apurar, quer na forma e no momento em que se perde a bola quer como se responde, a reacção à perda foi uma dos momentos em que notou maior progressos. Aí é impossível ignorar o contributo da presença e particularmente o desempenho de Adrien nessa apreciação. Um capitão, um exemplo, um farol.

Onde se nota ainda atrasos é no processo ofensivo. Obviamente que a ausência de João Mário pode ser considerada como um factor de um certo retrocesso, a que deve ser acrescido da maior competência do adversário de sábado. Não foi por isso por acaso que, no final do jogo, Jorge Jesus avançou com a ideia de ainda serem necessários mais dois ou três reforços para a linha da frente. Um deles estava nesse momento a ser contratado: Joel Campbel.

Esta é uma contratação algo surpreendente, tendo em conta o valor do jogador, o seu potencial ainda (por cumprir, é certo) e a sua origem num campeonato onde habitualmente não se vai às compras mas sim vender. Um processo semelhante ao de Coates, que já gera dividendos e que deveria fazer pensar sempre na hora de reforçar a equipa, que não é o mesmo que apenas adquirir. Há ainda uma outra vantagem a enunciar: a idade. Por exemplo, comparando com Teo, que não foi nada barato. Comparando com o colombiano, Campbell não é só um "jovem lobo" à procura de afirmação, como é um jogador com mercado alargado. Ao contrário de Teo que, além de da idade, trazia consigo uma fama pouco recomendável para quem tem que assinar os cheques.

Detecto apenas dois inconvenientes nesta chegada: não haver opção de compra (se há, não foi anunciada), a que acresce o facto de sempre que haja um jogo da selecção da Costa Rica termos dois jogadores (Ruiz e Campbel) de quem muito se espera forçados a viajar longas horas. Pode entrar aqui também alguma desconfiança sobre o valor do jogador, pelo facto de não ter ainda triunfado. Se o tivesse feito não o poderíamos ter contratado. 

Por outro lado assacar apenas ao próprio a responsabilidade do fracasso parece-me excessivo por ignorar as circunstâncias em que ocorre: a impossibilidade de ser inscrito aquando da sua chegada ao Arsenal obrigou-o a sucessivos empréstimos numa idade ainda muito jovem e, quando finalmente o foi, encontrou sempre muito trânsito na concorrência: Ramsey, Chamberlain, Welbeck, Wilshere e Walcot. 

Pois se há alguma coisa que sabemos desde o ano passado e que se acentua cada vez que vemos jogar o Sporting  é que temos uma equipa muito bem trabalhada mas sem grande capacidade de improviso e explosão no último terço. Foi um pouco isso que se sentiu em Paços de Ferreira - com a dupla Ruiz muito sem jogar mal mas sem nada de relevante a assinalar - e é aqui que Campbel entraria como água em terra seca. Campbel é um criativo que tanto poderá jogar nas alas como atrás do ponta-de-lança. Sem lhe poder exigir tackles ou perseguições "caninas" a defender, é um jogador que apresenta uma clara evolução nesta matéria. 

É forte, consegue mudar de ritmo com facilidade, alguma imprevisibilidade, boa visão de jogo capacidade de passe, bem como remate colocado e potente. Talvez precise de controlar um pouco da impetuosidade que o faz muitas vezes repetir más decisões. Ou de confiar mais no seu talento, na hora de escolher entre correr desenfreadamente paralelo à linha ou recorrer aos apoios para progredir por zonas mais interiores. Estou em crer que a sua contratação é uma boa decisão e que estamos na presença de um dos nomes mais cantados na bancada na próxima época.

domingo, 21 de agosto de 2016

Vale a pena ler. Barbosa.

Com tremendas desculpas pela possivelmente abusiva reprodução.
Barbosa -- Jorge Jesus e «scouting» (link)
Também acho que o argumento dele foi mais direccionado aos jornais que “colocam” jogadores e depois os “desviam”, do que aos clubes em si. Até porque ele já falou nisso especificamente noutras conferências.
No entanto, e olhando apenas para os factos que são públicos, parece-me claro que a estrutura do Sporting não tem a mesma capacidade para contratar que têm Benfica e Porto. E não é só uma questão de não conseguir pagar os mesmos valores, mas fundamentalmente capacidade de negociação. O Danilo por exemplo, JJ assumiu claramente que tentou ir buscá-lo e perdeu-o, como outros na época passada.

Este ano à partida deveria haver melhorias nesse aspecto, mas não é o que tem acontecido. É óbvia a necessidade do SCP de reforçar o plantel, mas não se vêm reforços significativos. O que me parece, novamente partindo de factos conhecidos, é que a luta do SCP contra os agentes e os fundos – não discutindo a sua justiça ou injustiça – prejudica a capacidade do clube de conseguir operar com eficiência. Também no ano passado tentaram contratar o Wolfswinkel, e segundo se sabe à última da hora o jogador foi aconselhado a não o fazer. Depois foi emprestado ao Bétis, que claramente é uma melhor decisão de carreira. Sem julgar de que lado está a razão, a relação de JJ com as estruturas mudou mas manteve-se atribulada. Se no SLB recebia jogadores que não escolhia, no SCP não recebe os jogadores que escolhe.

Muita qualidade nos encarnados este ano. Não sei se do outro lado da estrada a excelência colectiva vai chegar para esbater o desnível individual. SCP será sempre muito forte contra os grandes, SLB com muita capacidade individual para furar blocos compactos, que é o que se vai fazer a maior parte do campeonato.

sábado, 20 de agosto de 2016

3 passos em Paços, pontos no campo e fora dele

6 pontos em duas jornadas são o melhor tónico para uma declarada candidatura ao título. Estimo que até à 14ª jornada teremos percebido o alcance da nossa candidatura, quando a LC terá nessa percepção uma influência mais ou menos decisiva, ainda que por essa altura os clubes (2 ou 3, por norma 2) da frente não levem muitos pontos a separá-los. Mas para já, no começo, antes ainda da recepção ao FC Porto, vamos já em 11 vitórias consecutivas em jogos oficiais, marcha gloriosa onde o verdadeiro e único messias mostra ao Sporting o caminho.
Sobre o jogo desta noite, algumas noções importantes: o estádio do Paços está muito mais bonito relativamente a épocas anteriores. E o relvado também. E os equipamentos do Paços também.
Muito bonitos, parabéns pelo tom de amarelo escolhido.
«O ano passado à 2ª jornada tínhamos 2 meses de trabalho, este ano à 2ª jornada temos 14 (...) do meio-campo para trás estamos fortes, é difícil fazer golos ao Sporting. Precisamos de reforços do meio-campo para a frente» -- Jorge Jesus

Estamos a tratar disso agora mesmo, porque a jornada 3 ainda vai longe.

Defesa vai jogar na equipa B, porque é para isso que servem as equipas B ...

No fim da época, existirá quem atribue ao treinador fracassos pelos quais não deveria ter responsabilidades, nem ver-se responsabilizado. Mas se essas não pegarem, poderá sempre existir quem o culpe pela comunicação e até pelo estado da relva. Sim, porque já vi o JJ pisá-la sem qualquer cuidado.

Vamos já em 103 / 104 entradas em 3 anos e picos. Autêntica maravilha, Sporting SAD.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Saraivadas: o que são e para que servem?


As mensagens do novo director de comunicação começaram por ser apelidadas por “saraivadas” pelos adeptos nas redes sociais, para agora serem perfilhadas pelo próprio. A escolha do nome não é inocente, uma grande maioria das informações publicadas dirigem-se quase sempre para alguém ou instituição exterior ao clube, sendo notório um tom agressivo ou pelo hostil. Entre os alvos preferenciais têm estado os jornais e jornalistas, os empresários e particularmente o nosso eterno rival, o SLB. Ao fim e ao cabo, nada de muito substancial muda assim na comunicação do clube, muda-se apenas o protagonista. Sendo bom que o presidente do clube se resguarde, mantêm-se os potenciais danos na imagem institucional.

No que diz respeito aos órgão de comunicação e jornalistas mantém-se alguma esquizofrenia. Por um lado queixamo-nos de tratamento desigual, por outro lado hostilizamos os jornalistas e as suas entidades empregadoras. É óbvio que as diferenças de tratamento existem, há porém que considerar que os lóbis e interesses instalados não se esfumam como os anticiclones. Era altura de avaliar se esta estratégia está a produzir os resultados pretendidos, isto depois de termos visto já uma multitude de protagonistas e “responsáveis” nomeados pela actual gestão. Pois, o que parece, pelo menos à primeira vista, é que o tratamento dado não mudou, pode-se até pensar que em alguns casos até piorou.  

No que ao peso institucional diz respeito, é claro que o Sporting está há muitos anos atrás dos seus rivais. O mesmo se poderia dizer por exemplo no marketing e outros dossiers. É daí que resultam as diferenças de tratamento nos órgãos de comunicação social, o que creio ter sido agravado nos últimos tempos pela constante gritaria, insultos e rasgar de vestes de uma grande parte dos adeptos que ganharam voz com as redes sociais. Na sua sabedoria, o povo costuma dizer que não se apanham moscas com vinagre e enquanto for este o tom do discurso institucional manter-se-á ou até se agravará o dos adeptos. O risco da imagem do "clube simpático", mas pouco respeitado e ineficiente, ser substituído pela ideia de um grupo de "chatos" e muitas vezes mal educados é grande, se não sucedeu já.

Ninguém está à espera que Nuno Saraiva consiga no pouco tempo que tem na sua "cadeira de sonho" aquilo que há muito foi negligenciado pelo clube. Mas não é com bicadas ao rival, hostilização de órgãos de comunicação social e jornalistas, (seus colegas de profissão) que justificará a presença do seu nome na folha de salários mensal. O que o clube precisa - e é para isso que se contrata um director de comunicação - é que ele consiga abrir canais onde seja possível passar a ideia que o clube pretende transmitir de si mesmo e que o tirem do isolamento em que caiu, o que certamente agrada sobremaneira aos rivais.

Enquanto esses objectivos não são alcançados, porque não se refugia no "back to basics", isto é, breefings diários ou outra periocidade que se justifique, dando conta do que de relevante aconteceu no âmbito da SAD, atalhando assim as parangonas e os rumores? Até porque grande parte das suas mensagens são sobretudo dirigidas para dentro, para os adeptos, procurando a afirmação de uma imagem de autoridade, o que é praticamente indiferente no exterior, onde mais do que a retórica contam os factos.

No mesmo plano está a relação com os empresários. Faz sentido recriminar publicamente alguém com quem num par de horas mais adiante se tem que se sentar obrigatoriamente a negociar? Os negócios ficaram mais fáceis com esta linha de actuação? Se ficaram, e pelo que se vai vendo, a imagem que resulta é precisamente a oposta.

Por último, a armadilha bem montada na qual caímos que nem patinhos, que é esta atracção permanente pelo que dizem e fazem os nossos rivais, o SLB. Não faz qualquer sentido um director de comunicação rebaixar-se ao nível das marionetas que LFV colocou nas televisões. Muito menos faz dar relevo e publicitar um individuo que nem se sabe muito bem quem é. Aliás, o próprio Saraiva reconhece, na sua comunicação recente, o fraco valor dos programas de televisão onde os "megafones de LFV" pontuam, caindo depois na contradição de os desmentir. 

Desta forma, enquanto os rivais reservam a comunicação institucional para o que realmente interessa, que é a promoção da respectiva marca, onde nos levam muitos anos de vantagem, vemos o nosso director de comunicação admitir que tem que andar como uma barata tonta - "a comunicação do Benfica tem vários directores e aqui vejo-me numa luta desigual, pois tenho de responder a todos eles" - caindo no erro crasso de reconhecer como homólogos figuras secundárias. O natural era promover figuras iguais em programas semelhantes, se tal parecesse realmente importante. 

Este ajoelhar ao nível rasteiro dos paineleiros tem seguramente custos para a imagem do clube. Pior ainda, obriga o clube a andar a reboque da agenda benfiquista, numa atitude permanentemente reactiva, negligenciando assim a afirmação da sua própria agenda de matérias e interesses. Esta é a tal armadilha de que acima falava. Claro que é muito mais fácil ficar à frente da televisão ou atento ao próximo post no Facebook à espera que uma qualquer das referidas abéculas se pronuncie. Muito mais difícil é ter ideias e afirmá-las. Desta forma por mais que "saraive", o melhor que consegue é que tudo fique na mesma como a lesma, transformando a sua cadeira de sonho num mero assento temporário e irrelevante.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Mas depois como era de costume, obedeci ... algumas ideias soltas estruturadas numa construção que faz sentido.

Algumas ideias sobre o futebol português ao longo da ditadura, na sequência duma coisa que já não me lembro o que é: o regime ditatorial não ajudou clubes de futebol a ganhar ou perder, e se ajudou não é uma influência demonstrada por resultados. No pós 25 de Abril, em Portugal, o Benfica continuou a ganhar e durante o «Estado Novo» o futebol português viu diferentes clubes ocupar em diferentes décadas o 1º lugar no pódio de futebol: ao nível de Sporting anos 40 e 50, Fernando Peyroteo, Cândido de Oliveira, Szabo, Violinos, onde na planta dos campeonatos o clube exerceu um domínio avassalador. Ainda no «Estado Novo», anos 30, uma década de equilíbrio com Sporting, Belenenses, SLB e FCP em bom plano e sobre a época hegemónica do SLB, 1960's, diz-me o bom-senso que foi alicerçada numa equipa onde pontificaram Eusébio, Coluna, Simões e demais.

Não estou familiarizado com o tema futebol/ditadura, mas se tivesse de avançar algumas ideias sem grande desenvolvimento, fá-lo-ia do seguinte modo:

Plano 1
. são prováveis intervenções pontuais do «regime» na actividade
.. Eusébio foi uma mas deverão ter existido outras.
. o «regime» ter-se-á aproveitado do futebol para (própria) promoção, ou dele terá retirado proveitos ao nível de como se relacionou intelectual e emocionalmente com o seu povo, sendo por isso que parte importante da massa adepta do Benfica é hoje constituída por pessoas muito idosas educadas por capas de jornais, revistas, clichés escutados na TV, conversas de esquina, cartazes e falsas ideias de que a pujança do seu país e império, Portugal, estava de alguma forma dependente do Eusébio e do Benfica. Estou a brincar.

Plano 2
. fora da esfera «regime», enquanto sistema planeado de prossecução de uma política, concebo de forma natural que agentes munidos de poder tê-lo-ão utilizado para interferir com a actividade (futebol), não significando tal que tivesse existido uma política do «regime» para o futebol, em modos de um declarado ou oculto beneficio aos clubes A, B ou C.

Exemplos:
1) a decisão de não deixar Eusébio sair para Itália resultou (imagino) de um processo de «regime» - deliberação 300% política, planeada, pensada.
2) o actor / intérprete / director / agente que pelo poder advindo da sua posição influenciasse os assuntos A ou B, não seria (imagino) instruído pelo «regime» para fazê-lo. Fá-lo-ia, provavelmente, por própria iniciativa.

Estes 2 planos são totalmente diferentes e têm de ser separados.

Plano 3, e mais importante
. fora da esfera «regime» e fora da esfera «agentes do regime», clubes, o que eram, foram, são, natureza, pessoas que no passado e hoje fizeram / são deles parte, vocação, filosofia e conduta: os clubes distinguem-se a este nível quando a vocação e actividade principal dum clube como o Sporting foi sempre desportiva. Nos anos 10, 20, 30, 40, 50, 60 e 70 e 80 o Sporting foi sempre o clube português que mais desporto deu a Portugal. A sua orientação e preocupação dessa órbita nunca se desviaram.

Para o SLB, como exemplo, já não é assim: é um clube mais superficial, sem relevante vocação desportiva olhada a forma como se deveria integrar no tecido social a que pertence e a tender de igual modo para a dependência de imagem e status, e uma organização com natural propensão para o exercício do mal, algo que o Sporting nos dias de hoje tenta estranhamente (com sucesso) imitar.

Não andará muito longe deste o retrato (na minha opinião) preciso da realidade.

Por último, importaria perceber que embora Héctor Yazalde tivesse a 19 de Maio de 1974 pontapeado a ditadura primeiro para canto e mais tarde para as bancadas, os ditadores proliferam. Da mais pequena à maior área das nossas vidas a ditadura prolifera. Daí, não se deixem enganar porque o fiel e único «povo» que interessa tanto aos Sporting como Portugal é aquele em sintonia com o clube de José Alvalade, que não é necessariamente o clube que vamos tendo há 30 ou mais anos, um «povo» que não se hierarquiza por classes, não se diferencia pelo poder económico, não se divide por rural ou litoral, não tem cor nem nacionalidade, mas um «povo» que se senta em todas as mesas, percorre todos os lugares, desempenha todas as profissões, fala todas as línguas, diferenciando-se pela honestidade do seu espírito, pela espécie dos seus ossos, pelos atributos do seu coração e pela delicadeza dos seus sentimentos.

É este o meu Sporting, um que levo comigo para qualquer lugar.
O resto são assuntos pequenos que requerem atenção.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

O novo Sporting é ainda "velho"

O jogo com o Marítimo deu algumas indicações interessantes cuja análise é o tema do post de hoje. Esta não se debruçará apenas a alguns aspectos do jogo mas começará nos convocados e passará pelos eleitos como primeiros titulares da época.

Não se pode dizer que a primeira selecção de convocados tenha trazido grandes surpresas. Paulo Oliveira ficou de fora e é cada vez mais claro que Jesus não conta com ele. Não surpreende, porque apesar do estilo esforçado sempre revelou limitações. Aquilani está já com os dois pés fora e Petrovic ainda não mostrou porque os tem dentro. Meli deve estar a passar pela necessária adaptação e sobretudo pela compreensão do papel que o treinador lhe exige, mas será seguramente um jogador importante esta época, mais ainda se se confirmar a saída de João Mário. Não foi propriamente uma surpresa a convocação de Paulista, é claramente um jogador do treinador, a razão pela qual o Palhinha foi até Belém. 

Já no alinhamento da equipa registaram-se algumas surpresas. A titularidade de João Pereira pode ser assim considerada mas a decisão parece-me mais do que correcta. Pese a popularidade de Schelotto, com o lateral português o nosso futebol ganha outra dimensão, por ser muito mais assertivo e consequente quer a defender ou a atacar. Já difícil de compreender é a utilização de ambos em simultâneo, como ocorreu neste jogo, quando ficaram no banco Matheus e Medeiros. Jefferson teve mais uma oportunidade e, a avaliar pela prestação, já não deve ter muitas mais. O lugar de lateral esquerdo é cada vez mais de Bruno César, por falta de comparência dos restantes. Alan Ruiz desempenhou com evidente sacrifício um papel que não lhe serve, mas deu boas indicações sempre que teve a bola nos pés.

De uma forma resumida pode-se passar de imediato às conclusões: Depois de uma pré-época com  indicações pouco claras, que aqui foram já analisadas pontualmente, pode-se concluir que a equipa está já mais próxima da qualidade e consistência exibidas na parte final da temporada. A forma como  asfixiou o adversário, os tempos de posse de bola e em jogo ofensivo, mais as oportunidades criadas dão indicação de ter recuperado os melhores princípios e da melhor forma colectiva estar já bem mais próxima do que parecia há relativamente pouco tempo. Uma equipa realmente candidata ao título. 

Mas há muito do Sporting "velho" do ano passado e que se notou aqui e ali, particularmente na primeira parte, onde a história do jogo poderia ter sido escrita de forma bem diversa. Mais uma vez após uma entrada muito forte e autoritária, algumas desconcentrações defensivas deixaram a equipa exposta à sorte e à mestria de Patrício. Poucas vezes teremos a sorte de sábado, quer em quantidade quer em qualidade.

Depois, uma equipa que constrói tantas oportunidades de golo, sobretudo na segunda parte "não pode" ficar-se por apenas um golo nesses quarenta e cinco minutos. A ausência de Slimani explica apenas parcialmente este dado. É claro que a sua presença poderia ajudar, embora me pareça igualmente claro que não falta só quem empurre com o pé ou com a cabeça a bola para dentro da baliza. Falta um número nove que não olhe apenas para a baliza, mas que seja também determinante para abrir espaços com tabelas e triangulações, permitindo a outros jogadores situações de finalização em zonas frontais, com maior possibilidade de êxito. Um nove que dê uma outra dimensão e sequência ao muito de bom que já se faz até ao último terço e muitas vezes já no seu interior.

Foi aqui - na eficácia na finalização - que se definiu o titulo anterior e, não se registando grandes alterações nos plantéis até dia trinta e um, tudo ficará como dantes. É certo que não há nem jogos iguais nem campeonatos iguais, mas parece ser este o risco maior neste momento. Veremos o que acontece até final do mês. Mas a pergunta que se coloca é se, não havendo alterações, será este plantel suficiente, quando não o conseguiu ser na época anterior.

sábado, 13 de agosto de 2016

Arranque com o pé direito para o Sporting do bom Jesus

Vistas as peripécias que marcaram a pré-época e continuarão a marcar as próximas semanas de trabalho da equipa, o jogo desta tarde assumia-se como fundamental não só pelos 3 pontos em disputa mas pela necessidade de readquirir os níveis de confiança exibidos ao longo da  última temporada, confiança que se viu infelizmente abalada pela indefinição do plantel e pela (na forma como decorreram) dezena de jogos feitos no último mês e meio. Esta missão foi plenamente alcançada. Ao longo das próximas semanas, 2 a 3 jornadas que incluirão uma recepção ao candidato FC Porto, ao passo que assistiremos a prováveis entradas e saídas de jogadores, o espírito positivo que este grupo hoje evidenciou poderá ser determinante na obtenção de resultados para uma equipa ainda em construção. No encontro frente ao Marítimo, em jogadores, sem grande surpresa e tal como vem fazendo há muitas épocas, Rui Patrício voltou a demonstrar a sua importância neste Sporting com destaque, de igual modo, para o virtuoso Bryan Ruiz que não sabendo jogar mal revela-se o  único capaz de emprestar manifesta classe a uma equipa onde também brilham os muito importantes William, João Mário e Adrien. Para este conjunto não existem no plantel soluções às suas alturas e se a importância que Adrien tem nesta equipa diz muito da sua qualidade, diz ainda mais sobre a origem dos méritos do Sporting: Jorge Jesus.

Por último, nota para o excelente ambiente no estádio. Em parte por se ter visto jogado sob a natural luz do sol, os momentos que antecederam a partida bem como os primeiros 15 minutos salientaram uma atmosfera nada menos do que excelente. Já tínhamos saudades de jogos oficiais em Alvalade.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

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A pouco mais de um dia do início do campeonato é isto que me apraz dizer sobre “o estado da nação”, ainda estamos em processo de construção e as dúvidas abundam sobre qual será a composição do plantel lá para o dia 1 de Setembro.

Indiferente a este factor, o tempo, esse general inabalável, corre e aproxima de modo incontornável a certeza dos primeiros jogos, Marítimo, Paços de Ferreira e Porto serão, sem qualquer dúvida, os nossos adversários até terminar este infinito tempo de silly season dos milhões onde qualquer plantel pode ser revolucionado a qualquer momento.

Os inícios de época, ou melhor, os princípios do início de época (vulgo pré-época) são para mim um dos momentos fundamentais para conseguir perspectivar aquilo que vamos ter pela frente. Depois de uma época com uma pontuação brilhante é importante para o Sporting demonstrar que aquela não foi uma pontuação casual, como uma Taça que que vence aqui e ali, mas o principio de um hábito de vencer que nos coloque sempre num patamar de pontuação (acima dos 80 pontos) onde ser campeão será inevitável. Depois de quebrar a barreira psicológica que por vezes limita o sucesso, importa comprovar que conseguimos manter esse nível de comprometimento profissional.

As dificuldades repetem-se, assim como a necessidade de momentos de superação, vamos ser francos, o nosso campeonato é fácil e digo isto não porque encare os nossos adversários como menores mas pela diferença de recursos que existe entre os clubes que lutam pelo título e todos os outros. É aqui que surge a dificuldade do nosso campeonato, os candidatos a campeões que não consigam manter - sempre - uma atitude competitiva guerreira e humilde vão ver o seu trabalho ser castigado por um qualquer resultado casual, como um empate caseiro ou uma derrota com o último classificado. No nosso campeonato não se pode baixar a guarda nunca, não há margem de erro para candidatos os seus concorrentes estão sempre atentos a qualquer percalço para tomar o seu lugar e ter a glória final.

Perante este cenário, seria avisado ao Sporting ter já neste momento a grossa maioria das suas incertezas resolvidas, infelizmente tal não acontece, em qualquer sector, em qualquer posição podem ainda acontecer diversas saídas e entradas o que levará para meados de Setembro o momento de estabilidade do grupo que permita tirar ilações concretas do nosso valor.

Independentemente desta realidade e das afirmações de ambição dos nossos dirigentes e profissionais, julgo que continuaremos a ser o underdog na luta pelo título, na minha opinião o campeonato do ano passado foi vencido pelo nosso adversário nas lesões, a cada jogador consagrado que se lesionava, surgia um substituto que não só garantia qualidade como ainda a superava (Lindelof, Renato Sanches, Ederson, p.ex.). Por oposição, nós por cada titular que fosse afastado, mais por questões disciplinares do que por lesões, quem tínhamos para substituir raramente o fez pelo menos ao nível dos titulares. Esta situação irá manter-se mesmo que o nível do nosso 11 titular possa ser elevado e se consiga um “14” titular, esta época há maior conhecimento do nosso jogo, maior desgaste dos titulares nos jogos europeus e ainda menor margem de erro.

Para terminar, infelizmente este ano, e pela primeira vez desde que existe, não renovei a minha Gamebox, por diversas razões mas principalmente porque se tornou um produto pouco apelativo para quem está fora de Lisboa, entendo as razões do Sporting para a opção que tomou de criar um produto único e mais caro, mas para mim deixou de fazer sentido comprar bilhetes dessa forma, a decisão foi comum a metade do meu grupo de “Alvaladistas”. Quando forem conhecidos os resultados das vendas veremos se a opção compensou. Não deixarei obviamente de ir a Alvalade, mas provavelmente diminuirei ainda mais a frequência com que o fazia, parecendo que não ajudava já ter o bilhete comprado e garantido do que ter de o comprar, para já vou faltar no sábado a um jogo onde tradicionalmente ia desde que existe Gamebox.


P.S.- Gostei do vídeo promocional produzido a fazer a minha vida de sócio, só achei curto, eu sou Sportinguista há muito mais tempo do que sou sócio e uma boa parte das memórias marcantes vêm dessa época onde a distância e a impossibilidade de filiação construíram os alicerces inabaláveis do meu Sportinguismo, a rever, bastava verificar a minha data de nascimento que lá está nos arquivos e a páginas tantas do vídeo dizer que finalmente me tinha tornado sócio.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando o "caso Slimani" é mesmo um caso e o Sporting decide dar uma borla aos jornais

A "caxa" dos jornais na manhã de ontem, dando conta de uma pretensa recusa de Slimani em treinar é revelador do "estado da arte" na comunicação social especializada. Tal porém só acontece porque o Sporting preferiu reagir ao invés de agir, acabando assim por dar uma boa borla aos matutinos que difundiram o boato. Bastava ter comunicado oficialmente, atalhando os rumores que desde o final da tarde circulavam sobre a ausência de Slimani ao treino da tarde, para os jornais ficarem impossibilitados de, na manhã seguinte, gozarem com os seus leitores. Isto porque, pelos vistos - algo que não consegui confirmar - fonte não identificada do clube teria no próprio dia desmentido a noticia.

Se a ideia era expor os referidos jornais ao ridículo, o objectivo foi plenamente alcançado. Claro que para alguém ou uma instituição se sentir ridicularizada é preciso que o pudor, a vergonha estejam presentes na consciência individual ou ideário da organização. Acontece que a necessidade de vender e procurar lucro há muito se sobrepôs ao código deontológico da profissão. Aqui convém dizê-lo,  porque está muito em voga bater nos jornalistas, há muito que estes deixaram de mandar nas redacções, imperando aí a voz do dono ou dos accionistas, sendo poucos os que gozam de estatuto que lhes permita viver indiferentes à pressão.

Nesta equação não entrou o interesse dos adeptos, que certamente prefeririam não se ter preocupado com a possibilidade de mais um caso e logo com o seu avançado mais habilitado para fazer golos. Apesar de não ter passado de um rumor ninguém duvida que ainda vamos voltar a ouvir o nome do argelino e não vai ser sobre a sua capacidade goleadora. Isto porque os indícios de que a possibilidade de eclodir um caso de facto são vários.

Convém lembrar que Slimani já no passado registou problemas com a SAD com origem em problemas contratuais. E, para quem como eu, assistiu ao último jogo da época em Braga, dificilmente não terá concluído que a vontade do jogador em rumar a outras paragens, quando se dirigiu sozinho aos adeptos, ficou bem expressa.  

Obviamente que os clubes não podem estar reféns dos estados de alma ou vontades dos jogadores, e por isso é que se celebram os contratos entre as partes, penalizando-se quem deixa de o cumprir. Por outro lado, numa actividade com condições tão particulares, não há qualquer interesse em ter um jogador contra sua vontade. Muito menos um jogador com o valor de mercado como Slimani em conflito aberto, impedido de jogar, na equipa B, desvalorizando-se. 

A forma mais avisada de lidar com estas questões é a antecipação, com uma avaliação correcta e prospectiva dos sinais por parte de quem lida directamente com os jogadores. Isso é o que se chama gerir: resolver com eficácia, antecipando potenciais dificuldades, possíveis problemas. Ora prevenção foi coisa que o Sporting não fez neste caso. Senão vejamos:

A substituição de Slimani nunca seria matéria pacifica. É o melhor goleador disponível e, não tendo surgido nenhum interessado em bater a claúsula de rescisão, o problema acabou por se agravar. Sem avançados disponíveis e ainda sem ninguém contratado para a posição, a vontade de o ver partir deve ser quase nula, porque ninguém pode prever o tempo de adaptação necessário para quem chegue entretanto e o campeonato vai ter pontapé de saída dentro de um par de dias.

Por outro lado há ainda o facto de haver, no pico do inverno, que normalmente coincide com tempos de decisão no campeonato, a famigerada Taça das Nações Africanas. Esta retirará o jogador da equipa por um período relativamente prolongado.

E, algo que me parece não estar a ser lembrado, a possibilidade de para o ano o atleta poder invocar a "Lei Webster", que permite que a ruptura unilateral do contrato a um atleta com mais de 28 anos, desde que tenha cumprido dois anos do acordo e o clube seja recompensado com o valor remanescente estipulado. Provavelmente assistiríamos a uma batalha legal - qual contrato é que seria invocado para o efeito? - que independentemente do resultado final, não traria nada de bom para o clube.

Obviamente que em nenhum momento aqui se equaciona a possibilidade de ver o jogador partir sem que o clube fosse devidamente ressarcido. Mas perante todas as parcelas em apreço essa é uma possibilidade que, na eclosão de um conflito entre as partes, é uma possibilidade a ser encarada. Como quase sempre, uma solução com o acordo das partes é o que mais se deseja. 


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Telma Monteiro e a impressionante certeza dum tiro

Bronze com sabor a Ouro

Alertado pela notícia do 'Record' que deu conta da medalha de Bronze alcançada por Telma Monteiro nos JO do Rio de Janeiro, além de neste momento dar os parabéns à judoca portuguesa por mais um notável feito que se soma a uma longa lista de medalhas e títulos numa carreira recheada de sucesso, gostaria de deixar uma palavra a João Costa que há dois dias falhou o acesso à final nas provas de Pistola de Ar a 10m obtendo a 11ª posição nesses mesmos JO do Rio. A importância que esta modalidade tem para Portugal, país de caçadores, e em concreto para o Sporting, clube de exímios atiradores, faz-nos sem qualquer exagero destacar João Costa como um dos mais importantes nomes da actualidade desportiva Nacional. Com distinção, não por se tratar dum atirador do Sporting mas por sucessivamente, superando a feroz concorrência, numa época abrilhantada pelos 11º lugar no Rio e 13º lugar alcançado na Taça do mundo de Munique (50 metros), João Costa que em 2015 se sagrou campeão da Europa de tiro em Osijek na poderosa Croácia, demonstra ano após ano que enquanto for colocando a sua perícia ao serviço do país, Portugal ambicionará sempre aos pódios nesta modalidade. Em qualquer carreira de tiro e em qualquer disciplina, com pistola ou carabina.

No que ao Sporting respeita, tendo revalidado há dois meses no Jamor o título de campeão Nacional por equipas em Pistola Livre 50 metros, título para o qual o contributo de João Costa foi mais uma vez decisivo, o clube em 2016 honrou a tradição dum palmarés absolutamente demolidor que lhe permite com relativa segurança afirmar possuir, talvez, o melhor atirador da península Ibérica ou até, quem sabe, o mais mortífero atirador de toda a Europa. Reiterando pela milésima vez a importância que este desporto tem no Olimpismo e a influência que adquire no desenvolvimento de qualidades humanas como a destreza, nunca é demais prestarmos tributo aos que representando o país, contribuem activamente para que centenas de milhares de jovens se deixem seduzir por uma modalidade cuja prática resulta, para os próprios, num equilíbrio sensorial tremendo que João Costa, como exemplo, evidencia há muitos anos.



Faltando disputar as provas de Pistola a 50 metros, copiando o exemplo da fabulosa Telma Monteiro, juntamos a nossa voz a todos quanto diariamente alimentam a esperança que verá o atirador português chegar ao pódio no Rio de Janeiro.

Com a inevitável precisão dum tiro, força João Costa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Afinal o Sporting precisa mesmo de vender. Só que não consegue.

A ideia de que o Sporting não precisa de vender jogadores para manter as suas contas saudáveis e para induzir maior qualidade ao plantel acaba de ser desmentida pelos empréstimos de Teo e Barcos. Essas saídas tornaram-se imprescindíveis para acomodar espaço na folha salarial reforço do plantel onde ele mais necessita e muito por culpa do falhanço que aquelas contratações representaram. Como é bom de ver, o Sporting só não os vende porque não tem quem os compre e o melhor que conseguiu foi arranjar quem os tivesse em aluguer um ano. Falta saber os custos totais deste vai-vem.

Há três questões que importa salientar nestes negócios e nenhuma delas é  a cobrança de se ter errado nas aquisições porque, como sabemos, é tal a contingência destas operações que só quem não as realiza é que está a salvo.

- A primeira tem a  ver com essa mesma contingência. No caso concreto destes dois jogadores, o Sporting agravou o factor de risco ao ir buscar dois jogadores, ainda por cima na mesma época, que tinham consigo características que pediam maior cautela e que eram do conhecimento geral. Isto é, não era preciso ter informação privilegiada para saber que Teo em termos comportamentais é uma granada já sem cavilha. E Barcos não reunia as condições mínimas para dar resposta no imediato, entre muitas, uma das principais condições para se contratar alguém em Janeiro. 

- A segunda tem a ver com a sustentabilidade. Contratar jogadores de "idade avançada" para um clube com as nossas características tem que ser um negócio seguro e significar valor acrescentado. Quer no que diz respeito à qualidade técnica quer ao nível do perfil psicológico e social. Porque a possibilidade de retorno resume-se quase em exclusivo ao rendimento desportivo porque o retorno financeiro é reduzido.

- Por último a necessidade de falar verdade aos Sportinguistas. Não o fazendo só se agravam os equívocos, criando realidades paralelas em tudo perniciosas para  a forma como os adeptos percecionam e, consequentemente, se relacionam com clube. Ainda por cima afirmações que o curso dos acontecimentos depressa se  encarrega de desmentir. Até clubes de finanças mais pujantes e localizados em países mais ricos têm necessidade de vender. São raros -  e contam-se pelos dedos das mãos - os que se podem furtar a este preceito.

sábado, 6 de agosto de 2016

No Algarve acabaram as férias, confirmaram-se as preocupações

Acabaram os jogos de teste e a impressão que fica desta pré-temporada é que esta foi em grande parte desperdiçada. Apesar das falhas e do menor rendimento exibido hoje - que se podem aceitar pelo cansaço de mais um jogo em vinte e quatro horas - a preparação da equipa denota atraso.  Isso é notório na generalidade do seu rendimento, nos mais variados momentos do jogo: a equipa é ainda débil a defender e muito pouco eficaz no ataque, estando ainda a anos luz dos melhores princípios que a tornaram conhecida no pretérito campeonato. Isso é ainda mais claro na organização do plantel posto à disposição de Jorge Jesus.

Diversos factores concorrem para a situação actual:

- O sucesso da selecção nacional prolongou no tempo a ausência dos cinco jogadores que constituem a espinha dorsal desta equipa. A regresso à melhor forma de todos ainda vai demorar, a excepção é Patrício, hoje mais uma vez determinante para a obtenção do resultado.

- Apesar dos vários jogos, não foi possível integrar devidamente quer os reforços (Alan Ruiz, Petrovic e Meli). Ou porque estes chegaram e forma física inadequada - Ruiz - ou simplesmente porque acabou de chegar  - Meli - ou porque precisam ainda de mais tempo, por manifesta falta de assimilação do que lhe é exigido no modelo de jogo - Petrovic.

De todos os recém-chegados este é o que exibe maiores dificuldades de integração. O seu posicionamento é deficiente e a mobilidade é quase nula, sendo visto como que perdido em campo e sem qualquer capacidade de influenciar o jogo colectivo através das suas acções. Terá que subir muito de rendimento para justificar a contratação bem como o tempo de jogo em detrimento de Palhinha.

- Faltaram oportunidades com melhor enquadramento para alguns jogadores que já pertenciam aos nossos quadros, mas que não faziam parte do grupo de trabalho, e sobre os quais residem fundadas esperanças. Palhinha, Podence, Iuri e o reaparecido Bruno Paulista. Uma coisa é ser chamado a jogar numa equipa com rotinas consolidadas, outra é entrar no meio da molhada. O mesmo se pode dizer relativamente a Gélson, cujas primeiras aparições nos jogos iniciais desta época acabaram por se diluir no tempo.

Certamente não ficarão todos, a dispensa de alguns pode ser surpreendente e até dolorosa, mas o pior que pode acontecer neste momento das suas carreiras é a estagnação por falta de tempo de jogo, essencial para poderem evoluir e aprimorar qualidades que indiscutivelmente possuem. Pela posição que ocupa no terreno, Palhinha é o que tem a tarefa mais complicada, pois não é uma aposta do treinador, partindo atrás de Petrovic e até mesmo de Paulista. Talvez o mesmo se aplique a Iuri, atrás de Gélson e Podence. Quanto a mim com pena. Admito a parcialidade do meu juízo, pois gosto do jogador, a quem reconheço tanto qualidade como "aquele feitio especial", que requer por isso  tratamento especifico que, no futebol profissional, é um luxo muito caro e raro.

- Alguns dos principais problemas da equipa no ano passado transitaram para a época actual sem resolução. A falta de elementos criativos e desequilibradores mantém-se. E a ideia de excessiva dependência de Slimani, ao invés de ser resolvida ainda se acentuou. Apesar do impedimento do argelino para a primeira jornada ser por demais conhecido, não há ninguém que ocupe o lugar sem ter de recorrer ao improviso.

A afirmação de JJ que "ainda há Barcos" é, para ser simpático, surpreendente. E, ainda que chegue amanhã um ponta-de-lança, é claro que será muito difícil integrá-lo na equipa em tempo útil. Nesta equação falta ainda perceber se Slimani estará cá no dia 1 de Setembro. São demasiadas incertezas que ainda por cima não se extinguirão tão depressa quanto seria necessário.

- Um exemplo claro da forma equívoca como foi "organizada" até agora esta época é a resolução do caso do guarda-redes. Pelo menos pode-se perceber, sem outros danos que não sejam apenas os do orgulho de quem esteve no scouting e decisão de contratar Jug, que passamos um ano apenas com um único guarda-redes. Mas Beto, que estava livre, só agora se junta ao grupo, quando se perdeu mais de um mês na contratação falhada de Eduardo. Esta demora a fechar uma aquisição é um "imagem de marca" que já teve custos na época passada: Mitroglu e Cervi.

Duas notas individuais, que se justificam pela importância que os jogadores têm para a equipa. Coates está pesadão e fora de forma. Tendo em conta o seu perfil físico e o já mencionado facto da equipa jogar pela segunda vez em vinte e quatro horas parece-me uma condição natural para o inicio de época. Por isso de menor preocupação. Já a forma displicente como Bryan Ruiz continua a falhar golos cantados é desesperante e, tendo em conta o que sucedeu num passado recente, quase agoirenta.

Já a situação na lateral esquerda é o prenuncio do desastre eminente a cada lance. Jefferson e Zeeglaar são a promessa senão de desgostos, pelo menos de sobressalto permanente.

Apesar da preocupação, que me parece ser inteiramente justificada, acredito que, com menos carga e sem jogos até à jornada inaugural, será possível ter uma equipa capaz de levar de vencida o Marítimo. Mas é um jogo que deve ser encarado sem qualquer facilitismo. Mas é inequívoco, chegado o fim das experiências e das primeiras impressões, que o Sporting se deixou enlear numa teia de adiamentos e indefinições - das quais o futebol jogado é disso espelho - cujos possíveis custos estão ainda por avaliar.

Nota: o post foi revisto já após a sua publicação.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A morte de Moniz Pereira como pretexto para mais um ajuste de contas com o passado

O desaparecimento do Professor Mário Moniz Pereira representa também o fim de um tempo no Sporting. De um tempo e de personalidades cuja vida e acção acabou por se fundir com o nome do clube. De um tempo de convicções e ideais.

Talvez não por acaso, Moniz Pereira chegou ao clube pela mão de Salazar Carreira, um nome que a poeira do tempo foi progressivamente sepultando no esquecimento, mas cujo papel seria determinante para o Sporting ser hoje o que é. Foi um dos principais responsáveis pelo lançamento das sementes do ecletismo, tendo sido praticante de Andebol, Natação, Polo Aquático, Tiro, Ténis, Atletismo e Râguebi. Seria desta modalidade que herdaríamos as camisolas listadas que hoje são o nosso equipamento principal, sendo que foi o responsável pela introdução no clube do Andebol e Voleibol.

Salazar Carreira foi atleta durante 25 anos (!). Sim, leu bem, 25 anos! Mas durante esse tempo foi também dirigente, ocupando várias funções, até chegar a presidente, em 1925. Nesse período foi o principal dinamizador do Boletim do Sporting, percursor do actual jornal, o mais antigo do mundo no seu género. Ao deixar em testamento a sua biblioteca desportiva a Mário Moniz Pereira, Salazar Carreira não podia ter escolhido mais nobre e leal herdeiro.

A morte de um vulto como Moniz Pereira, cuja obra e exemplo mudou o curso da história do desporto, em particular no atletismo, provocaria sempre comoção, bem como homenagens e tributos de forma transversal na sociedade portuguesa. No Sporting,  por razões óbvias, essas reacções seriam exponenciadas. Afinal Moniz Pereira não era apenas um de nós, a sua vida e obra tornou-o membro do um lote restrito de "primus inter pares".

Houve, em muitas dessas reacções, algo que me chamou à atenção e que é uma marca muito profunda no "actual Sporting": a procura incessante de ajuste de contas com o passado. Tal como em várias outras ocasiões, para que a narrativa tivesse alguma coerência, foi convenientemente esquecido um aspecto importante da vida do Professor: o seu passado como dirigente desse tempo, cujas contas estão permanentemente em aberto para ajuste. Numa versão menos favorável é o período de tempo que muitas vezes serve para ser usado como desculpa para não se fazer melhor, não se querer ou exigir mais.

Não o tendo conhecido pessoalmente, duvido que Moniz Pereira quisesse ver-se assim instrumentalizado. É o exemplo de alguém cujas escolhas nem sempre concordámos, mas cujo Sportinguismo nunca poderia ser posto em causa, como foi por muitos com objectivos específicos. E se há um traço comum na sua passagem pelo Sporting esse é a coerência, a honestidade, a convicção, diria mesmo até a convicção obstinada. Não vejo por isso a renegar uma parte importante do seu passado, mais propriamente entre 1995 e 2011.

Foi no seu tempo de vice-presidente, ao tempo de Santana Lopes, que foi feito o infame referendo sobre as modalidades, com o resultado de todos conhecido. Foi ainda com a sua participação nos órgãos sociais que foi erigido o estádio em que, apesar das promessas que lhe foram feitas, não haveria pista de atletismo. E já quando a contestação crescia no mandato de Bettencourt, foram várias as vezes que saiu em defesa da direcção de que fazia parte, quando eram por demais evidentes os sinais de desgoverno.

Em que é isso menoriza a figura de Moniz Pereira? A meus olhos nada. Provavelmente, pela sua vontade alguns dos erros cometidos teriam sido evitados, outros até mesmo aprofundados. Por exemplo, a pista de atletismo no estádio de Alvalade seria um deles. Se hoje nos queixamos do fosso, o que seria Alvalade com oito pistas a separar-nos do relvado? E quem não se lembra do aspecto desolador do velho Alvalade a menos de um quarto da lotação para ver atletas de primeiro plano mundial, nos meetings de Santo António organizados por Moniz Pereira?

A questão central neste ajuste de contas interno que se assiste em modo permanente há já vários anos está na forma desonesta como  frequentemente é efectuado. Desonesto porque se personaliza em apenas alguns as decisões que, em grande parte, foram tomadas de forma colectiva, com maiorias quase sempre retumbantes. Onde estão hoje os que votaram favoravelmente?

A contestação a decisões como a construção do estádio, o respectivo financiamento e execução das obras e orçamentos, a extinção de modalidades ou mesmo as contas da SAD e do clube, (que mereceram aprovação quase sempre expressiva) feita hoje, ignorando muitas vezes as condições e circunstâncias de então também é outro sintoma de desonestidade. Quem em devido tempo se levantou contra a construção do estádio? Quem então fiscalizou a execução da obra e das condições de financiamento? Hoje é fácil.

A contestação ao testemunho de Filipe Soares Franco sobre Moniz Pereira,  produzido num canal de televisão, é um óptimo exemplo como ilustração. Tendo em conta o sujeito da contestação - FSF - e o histórico deste blogue, sinto-me ainda mais autorizado para o referir.

Quem conhece um pouco da história recente do clube sabe que a sua escolha como testemunha da importância de Moniz Pereira na vida do Sporting é infeliz. Não apenas porque FSF é quase a antítese do comunicador nato, caindo frequentemente na tendência de se enredar em considerações laterais. Mas sobretudo porque era conhecida de há muito a sua visão para o clube, onde o ecletismo e o associativismo não tinham lugar. Em tudo antagónica à de Moniz Pereira e ao seu percurso de vida: atleta, dirigente e associado nº 2. No entanto, tal como ontem FSF lembrou, o Professor foi seu apoiante de primeira hora e como tal transitou para o consolado de José Eduardo Bettencourt. 

O mandato de FSF foi dos mais criticados aqui, sendo muitas dessas criticas causadas pela venda de património, e a funesta invenção das VMOC´s, das quais ainda vamos ouvir falar e provavelmente penar. As dele, que ainda não foram pagas, e as que entretanto "nasceram". Mas é do mandato dele que vem o maior investimento na formação, sendo grande parte dos actuais "Aurélios" lançados nesse tempo e no de JEB. É fácil olhar para os títulos "Selecção de Portugal utiliza dez jogadores formados pelo Sporting" e bater no peito: "Ah, isto é o Sporting", mais difícil é assumir todo o processo e os custos reais, com todas as virtudes e todos os erros cometidos.

Não duvido que este é um dos maiores problemas do Sporting, a nível interno: o da sua reconciliação com o seu passado. Este "novo Sporting" começou por ser binário: "nós" ou o "Sporting é nosso", como os dignos e únicos representes do verdadeiro "Espírito Leonino". Agora ameaça tornar-se esquizofrénico: reconhece apenas os êxitos como deles, o passado de glória pertence-lhes. Os fracassos foram os "outros". Mesmo quando os responsáveis por uns e outros sejam em muitos casos os mesmos.

Esta atitude foi inicialmente fomentada pela actual administração e instrumental para chegar ao poder. Tal até se compreende pelo desejo geral de corte epistemológico com um passado que a antecedeu. Mas, como estratégia, é falível a curto prazo, a menos que os resultados - sempre os resultados! - a sustente.

Parece-me que este "Sporting do antes e depois" é um Sporting menor. Pode até servir momentaneamente os  interesses dos que estão de passagem. Mas não os de uma instituição centenária cuja maior força sempre residiu no seu carácter inclusivoe abrangente, onde se acolhem indistintamente pessoas de qualquer "ascendência, sexo,raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social".

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Barcos? e nós a vê-lo passar

Um dia vamos perceber porque fomos buscar Barcos e despachamos Montero. Mas nunca saberemos se o colombiano tivesse ficado poderíamos ter evitado três nulos fatais (Rio Ave em casa, Guimarães fora, SLB casa) e com isso uma sorte diferente no campeonato.

O que nunca perceberemos é porque fomos buscar um jogador que estava parado e, agora que fez toda a pré-época, e a menos de dez dias do inicio do campeonato, ele já vai de saída. Dizem que é para ir buscar uma truta, mas agora sem Barcos, só se for à linha, a partir da extensa linha de rio que banha Lisboa.

Brincadeiras à parte, já estive muito mais tranquilo com o que se vai passando esta pré-época em Alvalade. É muito o fumo (William, Adrien, João Mário, Patrício, Slimani) para não haver nenhum fogo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Velha é a pessoa que tem a vida cheia de anos. Eu tenho anos cheios de vida"

Moniz Pereira foi sem dúvida um lídimo representante, pela obra e pelo exemplo, do espírito dos fundadores, juntando-se a uma galeria muito exclusiva de vultos cuja evocação do seu nome se fundiu para sempre com a da nossa história. Se retirássemos Moniz Pereira da história do Sporting, desapareceriam alguns dos nossos feitos mais brilhantes.

Moniz Pereira foi tudo no Sporting: atleta, treinador, dirigente. Como treinador é mais conhecida a sua acção no atletismo, mas foi-o também, como preparador físico, no futebol. Não apenas no Sporting, mas também na selecção nacional. 

Só o tempo permitirá perceber a enorme dimensão do seu legado cuja grandeza por vezes parece nunca ter sido devidamente apreciada. Certamente porque foram muitos os triunfos e porque, apesar disso, Moniz Pereira foi sempre um campeão discreto, muitas vezes quase anónimo, invisível. 

Agora que os Jogos Olímpicos estão quase a iniciar-se não é demais lembrar que até 1976 Portugal não possuía qualquer atleta medalhado na modalidade rainha, o atletismo. Se hoje se tornou usual exigir medalhas muito se deve a Moniz Pereira essa mudança de mentalidade. Até então a nossa ambição limitava-se à participação.

Há quem entenda que, apesar de várias vezes homenageado, faltou fazer a merecida consagração de Moniz Pereira por parte de clube. Nesse âmbito, é bom lembrar que ficou por cumprir uma deliberação da Assembleia Geral de 30 de Setembro de 2012 de atribuir o nome do professor ao Centro de Alto Rendimento de Atletismo que iria funcionar no Complexo Desportivo de Odivelas, projecto entretanto abandonado. Ali ou noutro sitio qualquer seria talvez a melhor e mais desejada homenagem a Moniz Pereira.

Para a história fica o registo do seu palmarés (imagens Record)


domingo, 31 de julho de 2016

Olá Professor, conhece Sir Bobby?

Há muitos livros sobre o Sporting e têm de falar neles (qualquer coisa assim), nem de propósito ...
Nem de propósito, Pedro.
Morrer, em si mesmo, não custa nada a quem morre. Custará (a quem morre) a perda de amigos, familiares, pessoas de quem se gosta, pessoas de quem não se gosta, oportunidades, coisas em que se pensa, coisas que se fazem, sensações com as quais convivemos diariamente. Todos nós morremos todos os dias, quando dormimos. Não existe rigorosamente nada durante algumas horas nem sabemos, durante esse tempo, que iremos reanimar. Não são necessários desnecessários dramas sobre a nossa própria morte.

Elas custam sobretudo aos outros - aos que ficam. E as mortes dos outros custam-nos - aos que ficamos.
Tudo isto é simples. O que nada tem de simples é o vazio que a morte de alguns nos deixa.

Alguns como Mário Moniz Pereira. Alguns como Sir Bobby Robson.

Quis a vida que morressem no mesmo dia. Pois bem, que dia fantástico para se morrer, Professor.
Um imenso obrigado a ambos, algo que em si não retribui o que nos deixaram mas que nos alivia, um tanto, a consciência. Porque viver é isso mesmo, estar em boa consciência.

Tão difícil de alcançar mas impossível deixar de tentar.

sábado, 30 de julho de 2016

Troféu 5 Violinos: com a orquestra completa a música é outra

Tal como era esperado, o regresso dos campeões europeus à titularidade elevaria o nível de resposta da equipa. Se houve surpresa essa veio da forma exibida pelos quatro campeões, em particular de Adrien, que parece nem ter tido europeu ou férias, seguido de perto por William. João Mário esteve mais discreto e, claro, Rui Patricio, cuja posição é menos exigente do ponto de vista da prontidão física. Mas é notório que manteve o peso bem como a excelente forma exibida em França, factor decisivo para a conquista do titulo mais saboroso do futebol português.

A exibição agradável não invalida porém o juízo indispensável sobre a necessidade de reforços. Isto mesmo sem contabilizar possíveis saídas, que ainda podem ocorrer, ou aquilatar a valia dos recém chegados Ruiz e Meli. O primeiro dá sinais claro de dificuldades e de ainda precisar de tempo. O segundo tem que fazer muito para merecer a volta olímpica antecipada. Dos que já cá estavam, mais uma boa prestação de Bruno César, cuja participação em todos os lances de golo o tornaram no homem mais influente do jogo.

É notória a diferença de qualidade entre alguns dos titulares e as segundas linhas, bem como a necessidade, que transitou da época passada, de jogadores com criatividade e capacidade de rotura no último terço. Quanto a mim, muito mais importante mesmo que o propalado reforço do sector defensivo. Parece-me ser aí que os esforços se deviam concentrar.

Fica ainda a menção para o facto de a totalidade dos troféus até agora disputados desta competição de verão organizada pelo clube. Há lá melhor forma de homenagear a memória desses "monstros" da nossa história e do futebol português?

Da promessa falsa de meritocracia, a figura de proa, a desdém. Augusto Inácio e Jorge Jesus.

O anúncio da desvinculação de Augusto Inácio do Sporting confirmou de forma pouco arrebatadora aquilo que já conhecíamos: desde o ingresso de Jorge Jesus no clube, as áreas de competência ou funções por si desempenhadas resumiam-se a um destituído vazio. Com início em 2011, Inácio não foi mais do que uma das formas encontradas por um dos então candidatos para criar uma relação de empatia com os sócios do Sporting, relação para a qual, em virtude da notoriedade e do passado desportivo ao serviço do clube, Inácio foi um dos principais contribuidores. Ontem, hoje, desde sempre, da mesma forma que Bruno de Carvalho nunca viu nele um director-desportivo, também nunca viu nele um director de relações internacionais.
À falta de termo, em diálogo com os sócios e adeptos do Sporting, o antigo jogador e treinador cedo se resumiu como figura mais ou menos decorativa reprodutora de chavões comunicacionais.

Infelizmente, para mim, sobretudo para mim, foi a dada altura um destes chavões o único responsável para que o meu apreço por Inácio tivesse não só desaparecido, como visto substituído por desafecto. Tal como confirma o histórico do meu «blogue», apesar dos ecos / verdades / boatos / meias-verdades / mentiras que dão conta de episódios menos claros no seu passado de treinador, o meu respeito e a minha estima por Inácio não sofreriam alterações. Certo sendo que o seu estatuto de campeão foi-me, é-me, em si mesmo, completamente irrelevante, ainda que desde 2011 associado a Bruno de Carvalho, o simples facto de se tratar dum antigo jogador e treinador do Sporting fez-me sempre olhá-lo com reverência. Para este efeito, mais ou menos Bruno de Carvalho ou milhares dos seus assistentes de missa, independentemente da circunstância, não seria facilmente capaz de destratar ex-jogadores ou ex-treinadores do clube, ainda que o tempo ou a necessidade os visse, veja, transformados em dirigentes. Qual foi o momento, ou chavão, responsável para que passasse a olhar Inácio não como uma antiga glória mas somente mais um infeliz? Este.

A partir daí, e a partir de hoje, não me custando adivinhar que permanecerá ligado a Bruno de Carvalho, uma vez que não consumo programas televisivos desportivos, resta-me antecipar ou desejar que não frequente os corredores e gabinetes de Alvalade na condição de dirigente. Conforto pequeno, mas o possível, já que é provável que A. Inácio continue a fazer-se presente no dia-a-dia do clube. Esperando não ter de voltar a falar no papagaio - indivíduo que repete insistentemente sem reflexão o que ouve ou lê -, deixo como última menção não a desvinculação de funções que nunca exerceu, mas o muito pequeno tributo que permanece válido feito a 12 de Dezembro de 2012, menção que na altura incluiu o então treinador do Benfica.




Desde a implementação do modelo de 3 provas, ECC, IFC e ECWC, o Sporting apenas numa ocasião se classificou fora do acesso a uma competição Europeia de futebol. Foi em 1975/76, significando ausência de UEFA em 1976/77. As restantes, 60/61, 59/60, 57/58 e 56/57, sucederam num período onde somente os campeões Nacionais mantinham acesso à (única) prova Europeia existente: taça dos clubes campeões Europeus (...) seguidos por Vitória FC (Setúbal) 15, Vitórica SC (Guimarães) 15, SC Braga 15, CF os Belenenses 10, CS Marítimo 08 e (muitos) outros clubes com 5, 4, 3, 2 e 1. Dois nomes e um rosto familiares.

Augusto Soares Inácio 
01/02/1955 (nascido no mesmo ano que o meu pai)

Campeão Nacional como jogador e treinador no Sporting em 1979/80, 1981/82 e 1999/2000. Campeão Nacional, Europeu em 1986/87 e intercontinental em 1987 com outro emblema. Vice-campeão Europeu da taça dos vencedores das taças em 1984 frente à Juventus também ao serviço do clube representado a partir de 1982, FC do Porto.

Jorge Jesus, campeão Nacional como treinador também ao serviço de (ainda) outro emblema. Sócios-adeptos da maior potência desportiva Nacional que além desta condição partilharam, em conjunto, o estatuto de benjamins no plantel do Sporting que em 1975/76 falhou o lugar de acesso a uma prova Europeia de futebol.


Augusto Inácio promovido da equipa de juniores para a principal em 1975/76, e Jorge Jesus regressado a casa em 1975/76 de dois empréstimos e pela primeira vez chamado ao plantel principal do Sporting.

O propósito deste «post»: deixar um abraço enquanto sportinguista a duas personalidades de relevo sportinguista(s), de famílias sportinguistas, que não obstante os percursos profissionais por outros clubes, quando chamados a versar sobre o clube, trataram-no sempre muito bem. Tal como para José Peseiro, sentido, dignidade e probidade respondendo pelo clube na condição, o rastilho deste «post» foi uma expressão muito linda utilizada ontem pelo treinador do Benfica em referência ao Sporting, «este grande clube».

Este grande clube. Não terás que aceitar entrar no jogo a perder. Juro.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A aquisição de Meli pode nem ser a melhor das noticias

A generalidade dos órgãos de comunicação social dão já como certa a aquisição de Marcelo Meli, centro-campista do Boca Júniores. O próprio já se despediu do clube e estará a viajar para Lisboa. Meli é um desejo antigo de Jorge Jesus, quando ainda trabalhava do outro lado da segunda circular. 

Como melhores qualidades deste jogador de meio-campo são apontadas a velocidade, capaz de transições rápidas defesa-ataque com acerto e ajudando a equipa a jogar quer conduzindo a bola, quer utilizando lançamentos longos ou passes curtos. Embora actue preferencialmente no corredor direito, pode jogar em qualquer dos lados do terreno. O seu estilo aguerrido, a velocidade das transições e a capacidade de ir à frente finalizar podem torná-lo num dos jogadores mais queridos da bancada. Ao seu melhor nível significará um reforço importante na concorrência pelo meio-campo, onde os recém chegados Adrien e João Mário jogam de lugar cativo.

Mas se a aquisição de Meli será a que mais vamos ouvir falar, o regresso de Luís Martins a casa pode muito bem ser quase a "não noticia" mais importante dos últimos tempos para o clube, em particular para a sua jóia da coroa, a formação. Quanto a mim, talvez a melhor decisão até agora da actual direcção pelo que a qualidade de Luís Martins como pessoa e técnico pode representar para o sector.


Luís Martins é um homem da casa. Foi atleta do clube nos escalões de formação e aí regressou como técnico, onde o seu trabalho deixou marcas. Foi campeão nacional pelos juvenis em 2003/04, onde orientou Patricio, Daniel Carriço, João Gonçalves (já abandonou, por lesões consecutivas), Fábio Paim (quase não jogou, por lesão) André Marques, Paulo Renato, David Caiado, Diogo Tavares. Na foto acima pode ver-se Luis Martins, como quase sempre discreto, ao centro e de costas, na celebração do título.

Quando em Outubro de 2005 Paulo Bento foi chamado a assumir a primeira equipa, Luís Martins (coadjuvado por Leonel Pontes) torna-se no treinador responsável pelos júniores, contribuindo para o pleno dos títulos na formação. Foi talvez a altura em que me recordo em que o Sporting trabalhava muito melhor que os demais e tinha dos melhores profissionais. Os títulos alcançados era por isso natural consequência mas, mais importante do que isso era a quantidade de jogadores de qualidade que despontavam nas nossas fileiras.

Saiu por, na altura da renovação do contrato com o clube, não ver reconhecida na proposta recebida a importância que entendia merecer. Na altura foi considerado uma perda importante que, somada a outras saídas, representou uma perda de qualidade na área técnica. 



Luís Martins substitui Paulo Leitão, cuja saída estava já decidida há muito. A chegada de Luís Martins significará seguramente que o Sporting continuará a apostar na formação de jogadores, um pilar importante da sua politica desportiva, talvez a que melhores dividendos lhe tem oferecido. 

Agora na coordenação, abandonando talvez em definitivo o trabalho de campo, o recém contratado director técnico tem pela frente muito trabalho. Encontrará nos rivais muito maior concorrência do que a que havia há uma década. E desde o recrutamento, à composição das equipas técnicas multidisciplinares, às condições de treino, à transição entre escalões não faltará áreas para intervir, reinvestir, aprimorar. Se tiver os meios e a confiança imprescindível para a tomada de decisões estou certo que Luís Martins saberá justificará plenamente a sua contratação.

Há depois esse pormaior, nem sempre relevante quando falamos de técnicos. Luís Martins é um Sportinguista como nós e é sempre bom ver reunidas as duas condições (amor pelo clube e conhecimento profissional) naqueles que trabalham no clube.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Porque a habilidade dificilmente terá relevância.

Num «blogue» de referência, em comentário, por um dos seus autores, viu-se um dia sintetizado de forma perfeita o significado de técnica: «a forma como a bola toca no pé». Tão só perfeito.

No saber-fazer que a mente idealiza, para todo o lance em toda e qualquer jogada, da mais simples à mais complexa, é indispensável exibir um perfil técnico de relevo. De preferência, místico, ou misterioso. No jogo, a maioria dos lances envolverá jogar futebol em qualquer zona do campo, em qualquer altura sempre que o jogador, com bola, está em acção. Ainda no jogo, outros lances, mais específicos, em quantidade bem menor, envolverão finalizações. Algumas bem delicadas que deixam nua a classe do executante e outras, menos delicadas (poderá se quiser incluir as marretadas), que também deixam a descoberto a classe do jogador que as realiza. Nas últimas, como diria um dos meus heróis, o grande Alan Shearer, it's a matter of catching it sweet, porque também aqui, «a forma como a bola toca no pé» determinará tudo o resto. Técnica. Sim, porque até para finalizar de forma contundente ou agressiva, não é necessária força mas jeito. E no universo de jogadores que se destacam quase-só pela finalização (não penso em Alan Shearer, já que o inglês tinha muito mais futebol do que meramente fazer golos), podemos com muita facilidade separar o trigo do joio, observando a forma como o fazem.

Não é coincidência que só os melhores jogadores de futebol consigam fazê-lo.

Os restantes, por mais prémios que lhes vejamos atribuídos, farão outra coisa qualquer. 01:25, 02:00 e 03:30.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nós, os outros, ideias, saber-fazer, objecto (bola) e objectivos, com classe, Sócrates. Não existindo coerência e nexo entre os elementos, não existe futebol. O exemplo de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo, coisas pequenas que falam volumes
À medida que colecciona prémios, títulos, reconhecimento e fortuna pessoal, destacam-se em Cristiano Ronaldo algumas características infelizmente impares. Entre outras, o contributo activo para o progresso da modalidade no campo social, como é exemplo o apoio à criação de estruturas físicas e humanas em vários países em vias de desenvolvimento, ou a preocupação demonstrada pelas minorias no universo total de pessoas que acompanha futebol - crianças, mulheres e adeptos sofredores tanto de doenças como de deficiências físicas, grupos minoritários que no caso das mulheres, lamentavelmente, têm na modalidade pouca visibilidade. O respeito que constantemente mostra por estas minorias em particular mas também pela generalidade dos seus adeptos, a forma como os acarinha e protege, a atenção que lhes dedica interagindo e reconhecendo permanentemente as suas presenças, fazem de Cristiano Ronaldo um embaixador não de futebol mas do humanismo evidenciado pelas suas acções fora dos relvados, ainda que em associação a esse mesmo futebol, não contemplando, evidentemente, aspectos da sua vida privada que só a Ronaldo dirão respeiro. Igualmente, aquilo que merece profunda admiração está também no exemplo que oferece como desportista de eleição que seria - presumo - o mesmo tal qual se tratasse de um amador.

Querer sempre mais e melhor, hoje tal como no princípio.

Infinitamente mais importantes do que feitos futebolísticos, são estas as qualidades que merecem reconhecimento e é este um dos motivos, longe de ser o principal, pelo qual os rótulos normalmente relacionados com incapacidade de reconhecer mérito ou inveja, atribuídos aos que não são apreciadores do futebol de Cristiano, nunca farão sentido nem terão lugar num diálogo verdadeiro.
Cristiano Ronaldo, exemplo de degradação do jogo
Cristiano Ronaldo tem na prática de futebol competências que o distinguem. 50 ou 60 golos por época há 7 ou 8 temporadas consecutivas, ao nível a que ele o faz - campeonatos espanhol, inglês e provas europeias, são cartões de visita dificilmente emuláveis, números impressionantes mas de todo o mais louvável. Olhada a forma como se vêem os feitos (golos) alcançados, pancadas e marretadas quase sempre em cima da baliza, dentro da área ou nas suas imediações, não se tratando, na esmagadora maioria dos casos, de finalizações que evidenciem as técnica, classe e a elegância típicas nos grandes futebolistas, há um pormenor que merecerá destaque: a pancada em si mesma. Além da força e do nervosismo que emprega nas suas acções dentro do relvado - algo que só o desgasta e aos colegas mais próximos, além de denunciar um perfil de liderança débil, a força que imprime à bola quando a remata, transformando-se ou adquirindo proporções um tanto brutais deixa perceber quão difícil é encarar adversários com este perfil. Daí, pensemos naquilo que os seus adversários mas sobretudo os guarda-redes enfrentam sempre que apanham o português pela frente, potencial duma máquina que aliada à velocidade, exponencia a violência do 'monstro' para níveis aos quais os defesas e guarda-redes não conseguem frequentemente alcançar. Não veja nisto linguagem metafórica mas aquilo que a realidade mostra: tendo a oportunidade, a distâncias razoáveis do alvo, Cristiano encontrará forma de fazer golo sem que ninguém possa contrariá-lo. A par, Ronaldo também trata a bola por «tu», evidenciando a muita habilidade que possui. Habilidade que no entanto não se traduz num perfil técnico relevante, observável (por exemplo) na forma como bate livres. Tratar-se-á Cristiano dum jogador tecnicamente fraco? Não. Ao mesmo tempo, sim, embora se visse necessário contextualizar e desdobrar o conceito de «técnica» aplicada ao futebol. Em suma, pela competência física e pelo desejo de querer ser o melhor, por guardar esse desejo junto ao coração e nunca esconde-lo, pela notória habilidade e pela marretada, Ronaldo ganhou com inteira justiça um lugar de destaque na história do futebol.

Com honestidade e sem qualquer ponta de ironia, se pensarmos numa lista dos 800 melhores futebolistas de sempre oriundos de todos os continentes exceptuando o sul-americano, Ronaldo terá muito boas possibilidades de nela aparecer. Reiterado reconhecimento por aquilo que em associação ao futebol transparece fora dos relvados, uma vénia, pela transformação e especialização num perfil físico que te permite competir, ombrear e em muitos casos superar aqueles que verdadeiramente sabem jogar futebol.


Perguntaram-te nos juvenis do Sporting qual o jogador da equipa principal que mais admiras. Respondeste na altura, gosto muito do João Pinto e do Pedro Barbosa. A pergunta agora é outra, Cristiano. Em que momento decidiste que não querias ser jogador de futebol?

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