Um ideal

ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA, o lema que fez do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”

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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Missão de Leonardo: fazer de Alvalade um Jardim de futebol em Alvalade plantado

Infografia retirada de ZeroZero
Algumas considerações antes de ir ao tema do post. Creio que se justificam, uma vez que eles decorrem quer do período que a antecedeu a conferência de imprensa, quer esta propriamente dita.

As portas fechadas a Jesualdo
Foi ontem avançado pelo Record que Jesualdo Ferreira foi dispensado a seguir ao jogo com o Beira-Mar. Decisão que se compreende, face ao anúncio que se pretendia fazer do acordo com Leonardo Jardim. Menos compreensível seria a confirmação da noticia de que o treinador lhe viu negada a possibilidade de se despedir dos jogadores. A gratidão e as portas abertas da despedida oficial seriam assim contrariadas na prática sem uma razão aparente que tal justificasse. Agir assim não honraria o clube.

A incomodidade pelo 3º elemento
Motivo de muita conversa em campanha afinal o 3º elemento era como a pescada, antes de ser já o era, é o próprio presidente. Nunca me mereceu atenção muito particular, nunca percebi a necessidade de secretismo. Se ela havia seria mais justificada aplicar-se a Inácio, que estava a trabalhar num clube com o qual teríamos que disputar ainda um jogo. Não me parece que a solução encontrada possa merecer alguma recriminação, pelo menos se a decisão resultar de uma ponderação entre o que foi idealizado e, na aplicação prática, se ter entendido resultar melhor assim.

Serei dos menos (ou até nada) incomodado com a revelação. A ideia de um circulo restrito ao nível decisório é-me muito mais grata que uma profusão de cabeças pensantes. Foi essa a critica que deixei em tempo de campanha ao modelo sugerido, a que acrescia ou virão acrescer ainda Freitas Lobo e Tomás Morais. Quem então "morreu" pela sua bondade e acerto que se incomode. Ou dê uma cambalhota... 

Escolha de Leonardo Jardim
Tornei clara a minha posição relativamente à continuidade de Jesualdo. No entanto, percebendo que o entendimento entre ele e o presidente resultaria difícil, o final da relação entre o clube e o treinador era inevitável. Preferível agora que a meio do campeonato. Entendê-lo assim foi o último serviço prestado ao clube pelo professor e uma boa decisão do presidente. Deveria ser sempre assim em qualquer circunstância, com as dificuldades que se adivinham no imediato, o pior que poderia suceder seria uma relação resultante de um armistício artificial e não desejado. Uma paz a apodrecer no tempo e com as dificuldades e a espalhar-se pelos corredores. 

Jardim não era até anteontem um técnico da minha preferência, isto pelo que representava o futebol das equipas que treinou. Na verdade também Jesualdo não o era e acabei por gostar do trabalho que realizou. 

Só por ingenuidade se pode pensar que escolha de Jardim foi feita em 24 horas ou aproximado, como vi muitas vezes reproduzido. Mas foi indiscutivelmente bom que o seu anúncio fosse feito de forma célere. Foi uma decisão ecológica, poupou-se muita tinta e árvores para papel. 

Já o referi anteriormente, dos técnicos falados, era talvez a escolha mais segura. Um talvez porque, como ontem muito bem referiu o LMGM, o Sporting é uma realidade muito específica e sem paralelo. Fossem apenas as suas qualidades e teríamos razões para estar descansados. São pelo menos suficientes para tal, talvez para mais do que isso.

Perfil
Jardim é discreto. Assim o entendo por ter a noção que a sua passagem até agora pelo futebol não está marcada por declarações marcantes apesar do tempo que leva já no futebol nacional. As referências de quem com ele trabalhou são as melhores: organizado, objectivo, estudioso, versão benevolente do workaholic. Ter conseguido "sair a nado" da Madeira também nos diz alguma coisa. Não é fácil num mundo futebolístico tão reduzido conseguir ser notado e, até agora, ter justificado a atenção.


Ser Sportinguista é uma característica distintiva. Adivinho que seja essa uma das razões que estará na base da sua decisão de rumar a Alvalade. Não apenas o cumprimento de um sonho de criança. Também um misto de espírito de uma missão que cabe a cada um de nós adeptos e a atracção pelo risco de triunfar profissionalmente numa necrópole de treinadores e de sonhos.


Curriculum
Jardim chega com 2 títulos a Alvalade. O da II divisão com o Chaves na fase inicial da carreira e de campeão da Grécia no último trabalho. Não completou o campeonato mas não é possível não lhe reconhecer o mérito, atendendo ao facto de ter saído com apenas um empate e 10 pontos de avanço sobre o segundo classificado e ainda com um jogo a menos. 

Não é a primeira vez que o seu nome aparece ligado ao Sporting. Foi dos nomes mais falados para ser o primeiro treinador de Godinho Lopes, juntamente com Laudrup e depois Domingos. Comprometeu-se com o Braga de Salvador quando este, por Janeiro,e com o Braga em dificuldades, deixou de acreditar em Domingos. Domingos havia de "ressuscitar" e levar o Braga a uma impensável final europeia, Salvador torceu-se, mas já era tarde.


Sair. É o verbo que marca as suas últimas ligações. Foi assim com o Beira-Mar, quando estava a ser a equipa sensação da prova. Quando nada o fazia suspeitar, após uma boa época em Braga. E, como foi lembrado acima na Grécia. Neste último tendo sido ligado a um boato tão inverossímil como cómico, face às circunstâncias. 

A saída do Olimpiacos começou a ficar desenhada numa vitória de Pirro: ganha ao Arsenal mas fica de fora da segunda fase da Champions, com 9 pontos! Os adeptos gregos não gostavam da forma como a equipa ganhava os jogos, não lhes chegava o colosso de Rhodes que era a distância pontual, queriam nota artística. Um problema que, infelizmente, não é plausível virmos a ter no curto prazo...


Objectivos
Sem se saber qual a matéria humana à sua disposição é difícil estipular metas. Em teoria não me parece saudável que o Sporting abdique logo de inicio da vontade pelo 3º lugar. Não pela história, ou pelos pergaminhos, mas por razões de dimensão lógica: mesmo com uma drástica redução orçamental o Sporting continuará dispor de mais dinheiro do que os demais que competirão abaixo do segundo lugar. Não tem sido a sua falta que nos tem atirado para os lugares que tanto estranhamos.

Missão
As circunstâncias são-lhe favoráveis, é difícil fazer pior do que a época que agora acabou. Serão, como quase sempre os resultados  a marcar a sua passagem. Para mim não apenas os 3 possíveis em cada jogo de futebol, isto para quem joga de mãos limpas. A formação do plantel, a rentabilização dos jogadores à sua disposição, o crescimento dos miúdos que lhe calharão em sorte também é importante. Mesmo quando não se ganha não tem que se perder tudo e a criação de valor com vista à sustentabilidade é quase obrigatória.

Uma equipa que honre a forma de ser e estar do Sporting: qualidade, abnegação, respeito pelo jogo, pelo adversário, pela camisola, pelos adeptos. Os Sportinguistas saberão reconhecer. Boa Sorte Leonardo Jardim!
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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

70 x 7

Para onde caminhamos? Descansem aqueles que reconhecem no título do post o programa religioso de televisão, não venho em missão de evangelização se bem que o tema a que alude podia dar origem a muitos textos relativos ao Sporting. O perdão. Nunca fui muito adepto de perdões e desculpas, sempre pedi às equipas com que trabalho que reconheçam os erros que vão cometendo e não percam tempo com desculpas, o seu tempo é muito mais útil a desenvolver formas de os corrigir e principalmente de não os repetir.
Em Alvalade é tempo de novidades, os Sportinguistas estão como peixe na água neste ambiente, saíram os “maus” e vieram os “bons”. Ah que alegria, nem jogos vão existir para eleger novos demónios e apontar dedos acusadores. É tempo de união, lá para Janeiro de 2014 lembrem-se deste post e voltem cá para o ler. 

A direcção do Sporting está a montar a casa à sua medida, julgo que é o mínimo indispensável para poder assumir as responsabilidades das suas opções. Vai errar, é inevitável, vai falhar, mas se conseguir construir um edifício seu, solidário, homogéneo e sólido a correcção desses erros será mais simples e rápida de conseguir. Eu não arriscaria, neste momento, a substituição de Jesualdo Ferreira por um promissor Leonardo Jardim, não por aquilo que interessa num treinador mas pelo peso institucional que a figura do nosso antigo treinador trás associada. Tenho a certeza que mais que as suas qualidades de treino (evidentes na melhoria em campo da equipa) esse estatuto chamou à pedra um balneário de “cabeça-no-ar” e pôs ordem em muito corredor, túnel e gabinete. Mas essa não deve ser a função de um treinador...
A chegada de Leonardo Jardim é uma pedrada numa “vox populi” que se começava a arregimentar com os argumentos do costume, ninguém quer o Sporting, estão falidos, não vão à europa, etc.. Esta contratação cala muita caneta peçonhenta. Não há treinadores (ou jogadores) jovens ou velhos, há bons ou maus e Leonardo Jardim, não tenho dúvidas, é um bom treinador, mas também não tinha dúvidas das qualidades de treino de Domingos ou Carvalhal e eles também falharam, ou pior, falhou o Sporting. Esta contratação não encerra nada, inicia, se os dirigentes aprenderam algo com o passado deveria ser que dar mais funções a um treinador do que aquelas para que ele está preparado, não trás bons resultados. Para garantir que encurtamos o caminho para o sucesso, a estrutura, seja lá o que isso for, tem agora de assumir as vantagens que Jesualdo Ferreira representava para o Sporting, com esta opção aumentou muito a responsabilidade dos dirigentes do futebol profissional com Inácio à cabeça. Boa sorte, não vai ser fácil.
Num comentário a um post anterior do Leão de Alvalade (por falar em ti, andas numa forma absolutamente extraordinária. Que não te doam os dedos.), disse que o Sporting precisava de um rumo e esse rumo para mim é simples de definir, 70x7. O que é isto? Já lá vamos.
Ainda não percebi bem o que é que a bancada quer, se por um lado reconhece que o próximo ano vai ser difícil, logo de seguida desdenha que se façam ofertas a Carlão ou Edinho. Ah, já sei, isto está muito mal mas vamos contratar o Bielsa, o Nani, o Ghilas, um central alto forte e líder, mais o ponta de lança sempre em rotação de remate fácil e bom jogo de cabeça... Pois. Leonardo amigo, prepara-te, esquece tudo o que viste antes, vais entrar na montanha russa de Alvalade, as subidas serão feitas devagar e os mergulhos vertiginosos. Aguenta-te! Que, S. Inácio te proteja e S. Carvalho te valha.
Voltemos à conversa mais séria. Imaginem que foram eliminados por uns padeiros quaisquer da Noruega na primeira eliminatória da Liga Europa, não é difícil pois não, infelizmente não. Virtualmente é isto que esta horrível classificação nos deu de novidade, fomos eliminados em Maio em vez de ser em Agosto como já aconteceu antes. Pergunto, o Sporting morreu? Houve alguma calamidade? Os patrocinadores desapareceram? Os credores acionaram o clube? Não, pois não, então vamos lá deixar de carpir mágoas e agarrar esta oportunidade de num ano de dificuldades sérias termos um calendário mais desanuviado e concentrar atenções no que interessa, o campeonato e 70, melhor, 70x7.
O desafio que colocava à equipa profissional era este, têm 30 jogos numa época, são 90 pontos, eu só quero 70, não quero ser campeão, nem vice, nenhuma classificação de especial, nem taça nenhuma, quero 70 pontos, não há cá mais nada em que pensarem, as taças são para recuperar dos jogos do campeonato (só têm de chegar às finais...), agora mesmo que o orçamento desça para um terço, são €10.000.000,00, é mais do que suficiente para no campeonato nacional garantir 70 pontos. Como?
Com um bom treinador, um plantel equilibrado, uma táctica de posse que permita atacar em segurança, uma enorme segurança nas bolas paradas defensivas, acrescida de criatividade e agressividade nas ofensivas. Amealhar, cada ponto para esse objectivo final, 70 pontos.
Agora imaginem que este desafio não é para a equipa mas para os órgãos sociais, conseguem reunir condições para que, em sete épocas consecutivas, a equipa de futebol profissional conquiste, no mínimo, 70 pontos? 70 x 7!
Se este for o rumo, tenho a certeza que em breve voltaremos a ter todos os Sportinguistas unidos num imenso abraço a pintar Portugal de verde e branco!

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Apresentação de Bruno Leonardo de Carvalho Jardim

Foi mais ou menos isso que sucedeu na apresentação de Leonardo Jardim. Um grande Carvalho plantado no Jardim de Leonardo. Não faltarão ocasiões para ouvir ambos, gostava de ter ouvido mais de Jardim porque esse era o seu momento. 

Num primeiro momento pode resultar, é uma novidade. A médio prazo torna-se cansativo, o risco de ser facilmente caricaturável é grande. A rábula das desculpas por não trabalhar 24h é um maná. Não tenho nenhuma vontade ou prazer de ver o presidente do Sporting, seja ele quem for, alvo de chacota. Porque, seja ele quem for e independentemente do tempo que esteja à frente do clube, ele representa o Sporting.

O mesmo para o tratamento dispensado aos jornalistas. Bruno de Carvalho pode impedi-los de fazer as perguntas mas, uma vez na redacção, não pode controlar o que eles escrevem. Há quem exulte com a aspereza do tratamento, vendo nele uma espécie de terapia de choque. Duvido que no médio/longo prazo também isso resulte a favor do Sporting. Duvido muito que esse seja o caminho para dispensarem o respeito que merecemos e que, indiscutivelmente, muitas vezes nos negam.

Sei que estas matérias têm uma importância quase nula para muitos e nenhuma para ganhar ou perder um jogo, muito menos um campeonato. Por isso mais tarde falarei do que mais importa: a missão de Leonardo Jardim.

Sei também que não faltará quem, no seu registo binário, de que só se pode ser contra ou a favor,  reclame destas linhas. Sinais de um tempo que o próprio tempo se encarregará de normalizar.
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Saída de Jesualdo: fazer do risco um lema, uma forma de estar na vida


Tinha prometido que comentaria a saída de Jesualdo quando ela se tornasse definitiva e é isso que este post versará. A afirmação em si e o facto de praticamente já se ter dito tudo sobre a matéria muito antes das comunicações oficiais também é esclarecedor do quanto se tinha tornado óbvio o desfecho ontem conhecido.

Erro de avaliação técnica?
A primeira resposta que ocorre é que só será um erro se quem o substituir for pior. Não concordo inteiramente. O custo da mudança – perde-se o trabalho de seis meses, perde-se a ligação estreita com os jogadores, entre muitas coisas boas – obriga a que a troca tenha que ser feita por alguém que supere o que já existia com Jesualdo. Ainda assim só mais adiante se poderá responder a esta questão.

Mas se não é um erro é um risco. Da perspectiva de descida – se se mantivessem as médias de pontos até à chegada de Jesualdo podia ter acontecido - passamos a pensar na possibilidade de chegar às competições europeias. Percebeu-se quanto a equipa cresceu, apesar do contexto extremamente desfavorável. Percebeu-se que mesmo não ganhando nada foi possível por a comunicação social, os adeptos em geral, a olhar com gosto - e até  suscitar o apetite do mercado - por um conjunto de jogadores já completamente desacreditados. Revelaram-se novos valores. Confirmaram-se as esperanças noutros. 

Ninguém sabe o que vem a seguir. Pode até vir um técnico melhor em teoria, mas que não o confirme na prática. Nem todos os bons treinadores servem para todos os clubes e em todos os momentos. Hoje alguém duvida das capacidades de Jupp Heynckes? Alguém se lembra do que fez no SLB?

Erro estratégico?
Questões técnicas à parte parece-me um erro estratégico. É hoje claro que Jesualdo não continuou por falta de vontade do Sporting em acomodá-lo na sua estrutura. Do lado de Jesualdo, se dúvidas houvesse, ficaram ontem bem claras, como ao longo do último mês, que gostaria de continuar a desenvolver o trabalho que iniciou. Ao não o reconduzir, o Sporting, o seu presidente em particular, prescinde do melhor que recebeu da direcção anterior. Manter Jesualdo permitia uma primeira época de avaliação e também de sossego. Ao dispensá-lo o presidente expõe-se caso não encontre uma solução melhor. Este assunto criou incómodo, ruído e instabilidade. Tudo menos o que precisamos.

Das duas uma. Ou Bruno de Carvalho nunca contou com Jesualdo ou, como um arquitecto inexperiente, projectou uma casa bonita no papel, mas onde não há espaço para o fogão na cozinha ou o sofá na sala. A mim sempre me fui convencendo da primeira hipótese. O presidente nunca foi muito convicto antes das eleições, pareceu-me mais estratégia do que vontade. Após o acto eleitoral foi deixando correr o assunto (2 reuniões, a última no inicio do mês) e o marfim cada vez mais afiado na comunicação social. Aqui, na comunicação, convenhamos que não havia muita margem de manobra, atendendo ao que era o contexto em que se debatia a equipa.

Legitimidade
A legitimidade da decisão é incontestável. Conquistou-a esta direcção ao receber a maioria dos votos e dos votantes – questão importante no nosso caso especifico – mas, atenção, ela não é abstracta. Ao ser eleito todo e qualquer presidente fica comprometido tacitamente a zelar pelos interesses do clube. A sua legitimidade é nesse sentido, pode tomar toda e qualquer decisão, desde que ela favoreça o clube e respeite os estatutos. É um argumento que não faz qualquer sentido invocar. 

Mas há muito quem o faça. Quem o faz deveria antes preocupar-se em avaliar se as promessas eleitorais estão a ser cumpridas – os 20 milhões, os investidores, o contar com o Jesualdo, etc, etc – porque o seu não cumprimento, ou tê-las feito por conveniência, ou sabendo da impossibilidade de as realizar, já justificaria a abordagem da questão. No entanto não serei eu a vestir o fraque de cobrador de dívidas difíceis. Nunca acreditei na exequibilidade de algumas delas – os 20 milhões – nunca desejei outras – os investidores, Freitas Lobo, por exemplo. Tem a palavra quem tomou uma decisão na hora de votar esperando a sua concretização.

Última coca-cola do deserto
É interessante como se difunde uma doutrina. Argumento tantas vezes invocado em muito lado. Jesualdo não é a última coca-cola do deserto. Ora o Sporting está num deserto futebolístico. Cada vez mais longe dos rivais e mais acossado pelos que outrora o seguiam de muito longe. Mandaria o bom senso que não atirasse a coca-cola que tem na mão, para ir à procura de outra sem ter pelo menos chegado a um qualquer oásis. O problema é que a travessia do deserto ainda está para durar, como se anuncia pelas medidas draconianas que estão ainda por conhecer, mas que sabemos inevitáveis.

As hipóteses de que se fala
Leonardo Jardim à cabeça. Do ponto de vista técnico parece a melhor opção. Atendendo ao que foram os finais atribulados dos seus 3 últimos projectos torna-lo-iam pouco recomendável para um clube não menos atribulado. Como é Sportinguista de coração esse inconveniente dilui-se um pouco. Outros como os ainda treinadores do Paços de Ferreira ou Estoril são ainda uma boa incógnita. Já devíamos ter aprendido alguma coisa com o sucedido com experiências anteriores, embora me pareçam melhor preparados que alguns que por cá passaram. Mas até mesmo treinar o Braga, o Guimarães continua ser muito diferente de o fazer no Sporting. E os adversários não jogam contra nós como jogam contra eles.

Conclusão
Treinadores há muitos. Não é um drama perder um treinador e ninguém se lembrará de Jesualdo se o seu substituto trouxer resultados. É com eles que normalmente se afere o trabalho de um treinador. Mas atenção! O parâmetro não é a época que agora acaba, a pior época de sempre terá que ser olhado como excepção e um exemplo a não seguir.

Mas é pelo menos inquietante ver o Sporting preferir o eterno recomeço em troca de um pouco de estabilidade. Jesualdo parecia-me o homem certo no lugar e momentos certos. Ninguém esperava o regresso ao titulo nacional ao virar da esquina. Existe o virar de agulha necessário nas mentalidades para se apostar na criação de valor, não apenas na formação de jogadores, mas na procura externa de talentos para crescerem connosco. O seu conhecimento e experiência poderiam ser uma ajuda importante na reorganização do departamento de futebol profissional e estender-se à Academia. Neste momento da sua carreira não está preocupado com a sobrevivência, o que é um factor importante na tomada de decisões. Nos últimos anos não tivemos ninguém que se lhe aproximasse em categoria. Oxalá o encontremos agora.
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Domingo, 19 de Maio de 2013

A última lição do professor: "Também aprendi a gostar do Sporting, não é difícil"

«Foi uma decisão tomada com tristeza, mas um ato de honestidade para com o Sporting e para comigo. Não poderia aceitar ser treinador para o próximo ano se não sentisse que houvesse condições para, no futuro, não me sentir a mais»

«Ao contrário do que disseram, não foram questões financeiras ou de poder que nos afastaram, mas antes aquilo que fui percebendo ao longo de duas conversas com o presidente, e uma terceira, 9 de Maio»

«Precisava de saber os caminhos para poder chegar ao sucesso, porque não queria ficar com mais medalhas no meu peito: ficar e, no ano seguinte, olharem para mim e verem-me como um individuo a mais.»

«Também aprendi a gostar do Sporting e não é difícil. Senti um carinho especial a aumentar à medida que aumentavam as dificuldades»

«Quero deixar um muito obrigado e dizer que foi um prazer, uma bênção, ter treinado o Sporting e poder conhecer por dentro o único grande que não conhecia. Foi um prazer trabalhar com jogadores de grande qualidade e empenhamento. A instituição Sporting, por mais que viva, nunca a vou esquecer

Foram estas declarações de Jesualdo quando anunciou a saída. Quando pegou na equipa tínhamos 12 pontos em 12 jogos e na cauda da classificação. Fez 30 pontos em 17 jogos. Com essa média teríamos feito 52 pontos, os mesmos que o Braga e menos 2 que o Paços de Ferreira. Sem contabilizar o factor APAF...


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Sábado, 18 de Maio de 2013

Entrevista "exclusiva" a Ronaldo numa sexta-feira triste e cinzenta

Ronaldo apareceu, na hora e local combinado, de semblante carregado. A derrota no seu reduto, ante um vizinho rival e presenciada pelos adeptos do clube que representa, havia deixado marcas. 

Entrevistador: Boa-noite Ronaldo. A ocasião não será a mais feliz mas é um honra e um orgulho poder   ter esta conversa contigo. Nada faria prever este desfecho, marcaram cedo, um golo teu, estavam a dominar o jogo e depois...

Ronaldo: Pois, quantas vezes não viste isto acontecer no futebol? Uma equipa a dominar, marcar, bolas nos postes de todas as maneiras e feitios ou salvas em cima da linha. Não marcas, o adversário começa a acreditar que a sorte se lembrou dele esta noite e acredita. Apesar de seremos melhores e mais fortes começamos a sentir o inverso. Quando dás conta já estás a perder e numa situação complicada para dar a volta.

Entrevistador: Aquela expulsão também não ajudou nada...

Ronaldo: Pois não...

Entrevistador: Queres falar sobre isso?...

Ronaldo: Não há muito a dizer. Por vezes não conseguimos controlar algumas emoções. Seres travado constantemente sem qualquer respeito pelo jogo, por vezes com a complacência dos árbitros e veres o tempo a esgotar-se sem conseguires alterar a situação não ajuda muito.

Entrevistador: No fim não apareceste para receber a medalha. Mourinho também não. Diz-se nos mentideros que por trás disso está uma estratégia para sair para Inglaterra. Tu para o Manchester, ele para o Chelsea.

Ronaldo: Isso é uma idiotice. Não sei o que vai na cabeça de Mourinho, mas não tenho nenhuma estratégia concertada com ele para sair do clube. Tenho muito repeito pelos adeptos. São eles que nos dão tudo, directa ou indirectamente, muitas vezes com sacrifícios pessoais enormes, enquanto a nós não nos falta nada. Saí a bem de Manchester, deixei o clube com muitos títulos e proporcionei-lhe uma receita directa e indirecta que lhes permitiu continuar a sua hegemonia no futebol inglês. Tenho contrato com o Real, o respeito e o carinho da aficcion, e se ele for interrompido será sempre dentro do mesmo espirito.

Entrevistador: Então o que se passou para não apareceres perante os adeptos e o Rei? Tens noção do quanto isso foi chocante para muitos e até para a tua própria imagem?

Ronaldo: Sim agora tenho essa noção, basta ler o que dizem a meu respeito. Mas na altura nem me apercebi das implicações ou consequências. Estava ainda sob o efeito da expulsão, da derrota, perante os nossos adeptos, no último momento da época em que podias dar-lhes uma alegria. Senti que falhei. Falhei com eles. Mas sobretudo falhei comigo e com os valores que me foram ensinados quando comecei a jogar futebol no Sporting. Por vezes essas são as falhas que mais te custam a superar, porque não te representas a ti mesmo apenas, estás a "falar" por muita gente... Mas isso são águas passadas, preferia ter agido de forma diferente, é uma lição que a vida me dá e aprenderei com ela. Sou um homem como qualquer outro, posso falhar. Mas sou também um grande profissional que luta todos os dias com a mesma vontade e alegria para ser melhor. Para minha satisfação pessoal acima de tudo, sem esperar que reconheçam o meu valor ou que já consegui alcançar.

Entrevistador: Falas no Sporting no clube onde te formaste. Porquê? Não foi já há muito tempo para voltar a esse lugar?

Ronaldo: Para muitos pode ser, não para mim. Falei-te há pouco no respeito pelos adeptos, não foi? Foi das primeiras coisas que lá me ensinaram: "menino, respeito pelo jogo, pelos adversários, pelos adeptos, para que possas também exigir respeito para ti". A importância do exemplo, mais do que as palavras. 

Entrevistador: Foi assim tão marcante esse período? Ainda por cima saíste muito cedo, com apenas 17 anos. 

Ronaldo: Claro que foi marcante. Saí muito cedo, não era ainda o jogador que me tornei, mas tinha todas as ferramentas para o fazer, além das minhas próprias qualidades, claro. Mas é impossível não pensar se o que sou hoje seria possível se alguém como o Sr. Aurélio Pereira não decidisse ir ver um jogador franzino, ainda por cima à Madeira e me tivesse levado com ele. Imaginas quantos jogadores havia em Portugal semelhantes e mais perto? Ou até com melhor possibilidades?

Entrevistador: Tu és um expoente, o diamante mais vistoso de uma colecção. Mas que também contabiliza fracassos. Há dias vi numa televisão portuguesa um tal Paim, de quem tu dizias que iria ser melhor do que tu e nem jogador é hoje sequer.

Ronaldo: São duas coisas diferentes. Quanto à colecção de que falas, não podes ignorar Figo. Quantas escolas conheces com 2 jogadores que foram considerados os melhores entre os melhores? Mas há um patamar ligeiramente mais abaixo de enormes jogadores, alguns deles nunca puderam beneficiar da exposição mediática de que hoje beneficiamos. Não te esqueças de Futre. Ou Nani, Simão, Moutinho e muitos outros. Estes dois são um bom exemplo do que a formação do Sporting é capaz. Quantos clubes acreditariam em jogadores com 1,70 ou menos para jogar no meio de homens?

Quanto aos fracassos é injusto imputá-los à formação em exclusivo. Terá as suas responsabilidades que, estou certo, quererá apurar, como fazem todos as organização de excelência como ela é. A formação do clube dá-nos as ferramentas mas temos que ser nós a usá-las. 

Um exemplo:

Queres saber como ir de Madrid a Barcelona. Eles dizem-te, tens o comboio, entre eles o AVE e outros mais lentos. Tens o avião. Podes ir de camioneta, à boleia de um amigo, etc. Dão-te o custo das respectivas opções e tu fazes as tuas escolhas. Há quem não consiga pagar um bilhete de avião e vai de comboio. Desses alguns não têm dinheiro para o AVE, vão num intercidades. E por aí a fora. Alguns chegam aos seus destinos, mais tarde ou mais cedo, consoante as opções e capacidades. Outros param em Saragoça e ficam-se por lá. Outros não têm sorte, há um acidente na Castelhana e, quando chegam a Atocha o comboio já partiu. Outros perdem-se nos shopping´s, num último chupito, que é o primeiro de muitos e quando dão conta a vida não esperou por eles. Nunca espera por ninguém. Talvez tenha sido esse o caso de Fábio. 

Entrevistador: Mas tornaste-te sócio só agora. Porquê agora, depois de tanto tempo?

Ronaldo: É daquelas coisas que tu pretendes fazer, não marcas uma data e quando dás conta já passou muito tempo. Há quem olhe para o tempo que ficou para trás. Eu prefiro olhar pelo que está pela frente e nesse tempo vou ter certamente muitas ocasiões para ajudar o meu clube. Ser sócio é já uma delas. E ajudo-me a mim mesmo também, pela satisfação e o orgulho que me proporciona este estreitar de laços com aquilo que considero ser a minha família desportiva. 

Entrevistador: Família desportiva que não vive um momento muito feliz. O sucesso não tem andado muito a pairar por aqueles lados...

Ronaldo: São duas coisas diferentes, o sucesso e a pertença. Pode ser muito importante para outras famílias, na nossa não se é do Sporting porque se ganha. Isso é um pouco difícil de explicar a quem está de fora. Não que as derrotas nos sejam leves, que não percamos noites a dar voltas, como se cada uma dessas voltas pudesse alterar o destino da bola que não entrou, ou tirar uma outra do fundo da nossa baliza. Temos tido muitas, muitas mais do que estávamos preparados para aguentar. E, ao contrário do que possam pensar, por serem muitas, quando a próxima surge ao virar de uma qualquer jornada, ela não doí menos que a primeira que nos lembramos.

Mas a contabilidade de um Sportinguista é muito mais complexa que o deve ou o haver das derrotas ou das vitórias, dos títulos arrecadados, que são muitos, ou dos que contávamos ganhar e acabamos por perder. Há uma noção telúrica de pertença, uma identificação natural que discursos ou proclamações grandiloquentes não fazem justiça. 

Como se Alvalade fosse o nosso centro magnético e nós, leões de um ADN único e invulgar, fossemos impelidos pela urgência imposta pelo sangue que nos corre nas veias a estar e ser dali. E estar e ser com os nossos, que não sabemos quem são, mas que vemos nas faces correr as mesmas lágrimas que seguramos nos nossos olhos, que não sabemos quem são, mas desaguamos nos mais apertados abraços a cada golo e fundimos num bruá imenso que grita Spooooorting!

Isto nasce contigo, está ali à espera que desperte, no colo de um pai que te leva pela primeira vez a um estádio ou pavilhão, que te oferece uma caneta, uma bandeira, uma camisola. Ou quando te dás conta nasceu do nada. Sabes que és dali e não poderias ser de mais lado nenhum.

É verdade que o clube não vive um momento feliz. Mas vai dizer aquela gente que não pode ser diferente, que não pode ser melhor. Foi ali que aprendi a fintar o meu destino. Nasci numa família de recursos limitados e estava fadado para assim viver.

Hoje posso comprar quase tudo o que quiser, mas o prazer de entrar em Alvalade, reconhecer os cheiros, as cores das camisolas e das bandeiras, o arrepio dos cânticos a troar, a emoção a levantar cada pêlo do teu corpo não tem preço. Infelizmente têm sido poucas as vezes que a vida me tem permitido esse luxo. Espero que ela me compense depois. Da mesma forma que me ensinaram a mim, juntos conseguiremos fintar este momento.

Nota: Esta entrevista não aconteceu. Mas gostava de a ter realizado, para assim lhe retirar as "comillas". Estas e algumas outras que o dia de ontem pôs no caminho de Ronaldo. Pelo que representa para nós sportinguistas, pelo que já fez pelo futebol, pelo que merece a sua dedicação à modalidade. Pelo seu exemplo.

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Ontem foi uma sexta-feira triste e cinzenta. Completaram-se 17 anos da morte de Rui Mendes no estádio nacional, num dia em que a memória se apagará do sitio e do momento em que recebi a noticia mas não apagará a dor e a incredulidade com que a recebi. Habituado desde os 9 anos de idade a ir sozinho ao futebol, nunca julguei que naquela tarde se anunciava um tempo diferente, em que os estádios deixariam de ser um local de celebração de alegrias e tristezas e as únicas mortes possíveis eram as dos sonhos. A impunidade dos responsáveis é um soco permanente que nos ajoelha de dor e descredibiliza a justiça.

Foi ontem também que o Sporting viu igualado um feito até então só seu. O FCP alcançou ontem o pentacampeonato em andebol, igualando um feito por nós alcançado há 4 décadas. A seguir ao atletismo é a nossa modalidade mais titulada, creio. O orçamento da secção deve custar menos que muitos ordenados de alguns dos nossos futebolistas. Já que parece haver revolução à vista no plantel que se tenha isto em conta.E quem vos diz isto adora o futebol

Foi também uma sexta-feira que anunciou uma final da UEFA perdida em Alvalade. Um dia em que pelo país fora muitos foram os portugueses que depressam descobriram afinidades com o clube russo que ergueria a taça. A não esquecer, especialmente esta semana...
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Certificado de qualidade para o trabalho de Jesualdo

É praticamente certo que Jesualdo Ferreira encerrará a sua passagem pelo Sporting no final do mês. Já muito foi escrito sobre a matéria, ainda assim quero reservar a minha análise para quando o facto por assumido de forma oficial. Poupo-me a mim, aos leitores e, preocupação primeira, ao Sporting, que necessitava pouco ou nada deste burburinho. Ou de quaisquer outros.

Antecipo nestas pequenas linhas o pagamento de um tributo de justiça ao seu trabalho. O reconhecimento está expresso na pré-convocatória de Paulo Bento: André Martins, Adrien Silva, Cédric Soares, Miguel Lopes e Rui Patrício figuram nela.

Mesmo que apenas dois  venham a figurar na convocatória definitiva - o que seria injusto para André Martins, supondo que os 2 seriam Patrício e Lopes - ela atesta o conseguido por  Jesualdo em apenas 6 meses que foram, simultaneamente, dos dias mais atribulados que a memória há-de registar. Há 6 meses seria de todo impensável outro nome que não apenas o de Patrício. Isto diz muito do que foi feito por Jesualdo Ferreira. De fora ficam ainda Carrilo e Dier e Illori também convocados para as selecções. Ou o que é hoje Rojo e o que era antes.





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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Da ausência das competições europeias nasceu isto. Não leia se a realidade o incomoda.

São muitas as saudades de um Sporting Feliz
Ficamos a saber que o nome do Sporting estará ausente quer das competições europeias, quer do pódio das competições internas, uma espécie de mínimo olímpico suportável. A dureza da constatação não deverá ser menor do que viver e experienciá-lo. Devemos ao Sporting que nos foi entregue pelos que nos precederam fazer deste momento uma excepção, recusando conformarmo-nos ou habituarmo-nos ao sabor amargo que ficou.

Pode-se olhar de várias formas para este desfecho, levados a pensar que se tratou de um acidente, fruto das circunstâncias que o clube viveu este ano. Em certo sentido sim. Não se julga muito provável que o Paços de Ferreira nos próximos anos repita a gracinha de nos anteceder na classificação. Mas já é temerário afirmar o mesmo relativamente ao Braga, que nos precede em duas épocas consecutivas. Ou até que não haja outro clube a corporizar o epifenómeno este ano assumido pela equipa de Paulo Fonseca. 

Há dias, reflectindo sobre o modelo Sporting debruçava-me aqui sobre aquilo que foram as épocas de ouro do nosso futebol, iniciada nos anos 30 e que se estendeu até aos anos 70, conhecendo o seu ocaso a partir dos anos 80 até hoje. A contabilidade daí resultante torna a actual época mais preocupante. Mais do que um acidente parece confirmar uma tendência: estamos mais próximos dos debaixo do que dos rivais de sempre e é necessário olhar para o distante ano de 2008 para nos lembrarmos do último troféu conquistado. 

Cenário mais ou menos idêntico, com algumas honrosas excepções, vive-se nas modalidades que ainda restaram, depois do domínio construído e consolidado de forma imperial por João Rocha. Da hegemonia no futebol primeiro, e nas ditas modalidades depois, ficou um historial riquíssimo e durante muito tempo incomparável. Mas é notório que o clube se debate de forma sofrida para manter o seu estatuto ímpar e, a menos que altere a trajectória, será inapelavelmente ultrapassado. Por quem e quando é uma questão de somenos.

Em nenhum momento esta constatação deve ser confundida com o pessimismo. Continuo a acreditar na viabilidade de um Sporting como o que foi sonhado pelos fundadores. Mas tal só se concretizará se o clube inverter um rumo que de há muito o afastam das virtudes em que se fundaram as suas origens, da sua missão, da sua mensagem e  dos valores que representa.

Há dias espantou a comparação dos números de treinadores que passaram pelo Sporting enquanto Sua Majestade, Sir Alex Ferguson, criava uma marca que perdurará no futebol mundial. Foram nada menos que 40, ao que podíamos somar o elevado número de presidentes, directores desportivos e de outra índole  a somarem passagens fugazes por Alvalade.

Embora haja muito quem ache que o Sporting "tem um estigma por ter ligado à sua origem viscondes" essa é a sua maior riqueza. Não a da classe social dos seus fundadores per si, da sua origem ou do seu carácter restrito e exclusivista. A ser assim o Sporting não seria hoje mais do que associado a jogos de bridge, canasta, ou bailes de debutantes. Isto se tivesse sobrevivido ao tempo e às mudanças.

O Sporting nasceu, cresceu e consolidou o seu estatuto pela qualidade excepcional dos fundadores e dos que os sucederam, por conseguirem percepcionar o meio envolvente, visionar o futuro e, pela sua acção, muitas vezes antecipá-lo, ou pelo menos moldá-lo, criando as condições para o sucesso. Mais do que o mero poder económico de alguns privilegiados, foi isso que os destacou e tornou grande o que nada era em 1906. Grande porque arrasta atrás da sua bandeira milhões e acumula milhares de troféus em dezenas de modalidades.

Desse tempo constam inúmeros registos do pioneirismo do clube. Não faltam exemplos aos quais é impossível não associar uma relação de causa e efeito. Não há aqui espaço nem tempo para não os analisar de outra forma que não aleatória. Ainda assim, conhecedor dos riscos que tal implica, atrevo-me a citar alguns.

Em 15 de Fevereiro de 1921 foi empossado o Conselho Técnico. Teve como mentores Francisco Stromp, Salazar Carreira e Júlio Araújo e tinha como missão pensar as infraestruturas e os métodos de treino. Falamos de homens com anos de permanência no clube, numa multitude de tarefas e cargos. Mais tarde, dando corpo a uma ideia de Retamoza Dias, vogal desde 1924, e então já vice-presidente de Joaquim Oliveira Duarte,o Sporting construiria o primeiro centro de estágios de que há registo. Olhando para a hegemonia que o Sporting exerceu nos anos seguintes é difícil não encontrar aqui os alicerces. 

Certamente também não será alheio o facto de ter contado com os melhores treinadores - Szabo, Cândido de Oliveira, Fernando Vaz, ou Randolph Galloway.  Joseph Szabo treinou o Sporting durante 9 épocas, o que emulado para o padrão latino, é bem capaz de suplantar o alcançado por Sir Alex... Acresce o importante facto nesses períodos o clube ter um plantel estável e de qualidade sem igual. Estabilidade é hoje uma palavra ausente do léxico leonino.

Poder-se-á pensar que os tempos mudaram, e que os tempos seriam então mais fáceis. Dizer isso é ignorar o contexto em que o clube viveu os primeiros e frágeis anos: um País profundamente subdesenvolvido, as em convulsões resultantes da implantação da República, e em simultâneo com duas guerras mundiais. Acresce ainda que o desporto de competição dava os primeiros passos em todo o mundo, não havendo por isso saber constituído. Também não existiam os diversos canais de divulgação do conhecimento e a mobilidade era reduzida.

É a qualidade das decisões que distingue os que inscrevem os seus nomes na história e os que passam. "Qualidade é excelência. Excelência não é um acto é um hábito". O Sporting hegemónico no futebol e restantes modalidades era habitualmente excelente pelo conjunto de factores aludidos.

Numa palavra, o Sporting Clube de Portugal descaracterizou-se. O clube está hoje profundamente dividido e tem que olhar constantemente para trás para encontrar referências. De uma referência de estabilidade e alfobre de ideias e valores tornou-se num exemplo de disrupção, falha e recomeço. Seguramente que não foi por ser o que é hoje que se tornou numa referência incontornável do desporto passado poucos anos da sua criação.

Ao contrário do que já se tornou um mito urbano este não é um problema dos últimos 18 anos. O nosso  muito querido João Rocha despediu Allison, antes de se completar um ano após a dobradinha. A saída do próprio João Rocha,  passado pouco tempo, que nunca foi compensada com alguém que estivesse à altura do seu legado, afundou o clube. Cintra tornou-se célebre por despedir um treinador quando ia em primeiro lugar.

O período hoje classificado de "roquetismo" foi, na sua organização interna, tudo menos a propalada "continuidade".  Do Sporting campeão após 18 anos de José Roquette, em particular do departamento de futebol, não sobrou pedra sobre pedra um ano depois. O mesmo havia de suceder em 2005, a chamada época do quase. O Sporting de Paulo Bento não encantava, mas era necessário arrasá-lo por completo para se construir um Sporting novo? O resultado está à vista hoje. Nenhuma organização, país ou associação de condóminos é eficiente neste modelo.

Decidir é, em certa medida, desenhar o futuro. Quando os dirigentes do Sporting levaram às últimas consequências a contratação de Travassos, não desistindo perante a insistência do FCP, (chegaram a raptar o jogador) não asseguraram apenas um jogador fabuloso.Viabilizaram a composição do melhor quinteto de cordas, (invulgar, por ser constituído apenas por violinos) de que o futebol nacional tem memória, com o que isso representa na nossa história.

Ao contrário, quando o Sporting decide ir buscar Eusébio a Moçambique e dá o negócio concretizado sem o preto no branco, ou mais tarde deixa suceder o mesmo com Futre para um adversário em ascensão, condicionou o seu destino. O Sporting não acabou por causa disso, fez-se um Sporting diferente.

Será assim com a renovação de Jesualdo. Aparentemente não há aqui nada de dramático. (Sirvo da circunstância como exemplo, não pretendo fazer qualquer análise sem conhecer o desfecho). Inscreve-se na mesma linha do que sucedeu com a possibilidade de ter Mourinho e se decidiu reconduzir Inácio. Ou trocar Vilas Boas por Paulo Sérgio.

A decisão de não reconduzir Jesualdo só será um erro se no seu lugar estiver alguém menos capaz. Ai será um duplo erro, que agravará consideravelmente os efeitos da decisão tomada, como sucedeu nos dois exemplos citados. Obviamente o Sporting não acabará, estará mais longe de atingir o sucesso. E isso sim será dramático. Tem-o sido aliás.

Haverá muito quem não aprecie este choque com que a realidade nos colhe. Porém ele parece-me imprescindível porque, sem realismo pessoa ou instituição percepciona a necessidade de melhorar a sua condição. E o Sporting precisa de mudar, de perseguir a excelência de que já foi capaz. Mais do que de dinheiro ou da importação de modelos de quem deveria ter muito a aprender com a nossa história.
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

15 de Maio, um dia glorioso!

"Agarrei na bola, fiz a minha reza e disse-lhe: anda lá minha menina, vais entrar ali naquela baliza. Quando a bola me bateu na bota, naquele sitio que eu sabia, senti logo que ia entrar. E entrou mesmo!"

Assim contou aqui na primeira pessoa o protagonista do maior feito internacional do futebol do Sporting e um dos maiores do futebol português.

Passam hoje 49 anos da conquista da Taça das Taças e o cantinho do Morais tornar-se-ia numa marca registada.

A entrevista, realizada a João Morais, por ocasião do 45º aniversário, pode ser lida na íntegra aqui:

De um cantinho para a Glória: entrevista com João Morais.



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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Servir o Sporting e servir-se do Sporting (para memória futura)

Embora a vontade seja pouca ou nenhuma para voltar a falar do período eleitoral - pessoalmente, e julgo que para o clube também, é mais interessante e profícuo pensar o futuro - não posso deixar passar em claro
o comunicado do "Movimento Salvar o Sporting" encabeçado pelo ex-candidato Carlos Severino. Deixo por isso de fora considerações sobre o seu papel na pretérita campanha e a vergonha que muitas vezes terá feito sentir muitos dos seus consócios.

Veio o ex-candidato "informar que o seu líder, Carlos Severino, ex-candidato à presidência do Sporting, considera que as medidas anunciadas pelo Presidente Bruno Carvalho para retirar o Clube da subalternidade no futebol e da dependência da banca e outros credores, estão de acordo com aquilo que entendemos ser necessário para salvar o Sporting Clube de Portugal."

Provavelmente Carlos Severino tem canais privilegiados que a generalidade dos sócios não dispõem pois, até ao momento, não são do conhecimento público outros dados que não  um acordo com os credores, cujos pormenores não foram divulgados.

Depois de 2 parágrafos com algumas considerações sobre a época futebolística e desejos para o futuro, o Movimento comunica que o seu líder vai escrever "um livro de temática sportinguista, com o título POR DENTRO DO SPORTING - viagem aos últimos 18 anos da vida do Clube, que será editado a breve prazo."

O comunicado é no mínimo estranho pois julgava que o referido movimento, depois de encerrado o período eleitoral e de ter proclamado o apoio à direcção recentemente eleita, havia extinguido a actividade. Para lá do facto de o período eleitoral se ter encerrado, a clara rejeição dos sócios em sede eleitoral - teve menos votos que os que fariam supor as assinaturas proponentes! - é outra razão de fundo que deveria obrigar o seu mentor a reflectir sobre a sua continuidade.

Compreenderia melhor este comunicado, até à luz do momento do clube, dos valores apregoados, das criticas feitas em campanha, se o ex-candidato Carlos Severino anunciasse que tinha posto à disposição dos corpos sociais recém-eleitos o tal consórcio de bancos holandeses e os investidores que anunciou ter angariado. 

Mas não, o comunicado vem anunciar - talvez seja melhor publicitar - um acordo com uma editora para falar dos "últimos 18 anos de vida" do Sporting. Obviamente que é este o objectivo do comunicado, e não um pretenso apoio a medidas que estão por anunciar. Carlos Severino vai vender o Sporting às postas por 30 dinheiros. Um pingo de decoro obriga-lo-ia pelo menos a doar parte dos direitos ao clube de que se vai voltar a servir.
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Qual a responsabilidade de Jesualdo na pior época de sempre?

Com base nestes dados do MaisFutebol, que responsabilidade atribuir a Jesualdo na pior classificação de sempre? 

Poderia ou não ter sido evitada caso chegasse mais cedo? 

Em função da resposta, que futuro para ele no Sporting, a continuidade ou adeus e obrigado?

Ricardo Sá Pinto: 5 jogos, 1 vitória, 3 empates e 1 derrota (5-5 em golos)
V. Guimarães-Sporting, 0-0
Sporting-Rio Ave, 0-1
Marítimo-Sporting, 1-1
Sporting-Gil Vicente, 2-1
Sporting-Estoril, 2-2
Total: somou 6 dos 15 pontos que disputou (40%)

Oceano Cruz: 2 jogos, 1 empate e 1 derrota (0-2 em golos)
F.C. Porto-Sporting, 2-0
Sporting-Académica, 0-0
Total: somou 1 dos 6 pontos que disputou (16,6%)

Franky Vercauteren: 6 jogos, 1 vitória, 2 empates e 3 derrotas (6-9 em golos)
V. Setúbal-Sporting, 2-1
Sporting-Sp. Braga, 1-0
Moreirense-Sporting, 2-2
Sporting-Benfica, 1-3
Nacional-Sporting, 1-1
Sporting-P. Ferreira, 0-1
Total: somou 5 dos 18 pontos que disputou (27,7%)

Jesualdo Ferreira: 16 jogos, 8 vitórias, 3 empates e 5 derrotas (21-19 em golos)
Olhanense-Sporting, 0-2
Sporting-Beira Mar, 1-0
Sporting-V. Guimarães, 1-1
Rio Ave-Sporting, 2-1
Sporting-Marítimo, 0-1
Gil Vicente-Sporting, 2-3
Estoril-Sporting, 3-1
Sporting-F.C. Porto, 0-0
Académica-Sporting, 1-1
Sporting-V. Setúbal, 2-1
Sp. Braga-Sporting, 2-3
Sporting-Moreirense, 3-2
Benfica-Sporting, 2-0
Sporting-Nacional, 2-1
P. Ferreira-Sporting, 1-0
Sporting-Olhanense, 1-0
Beira Mar-Sporting
Total: somou 27 dos 48 pontos que disputou (56,25%)*

*Ainda tem um jogo por disputar
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Domingo, 12 de Maio de 2013

A queda de Jesus e outros dramas, horrores e tragédias

O expoente do drama, mais do que na mais verosímil representação teatral ou cinematográfica, surge sempre das imagens da vida real e Jesus, a cair de joelhos, fulminado pelo tiro do improvável e inestético Kelvin corre bem o risco de se tornar um ícone. Será, independentemente até de qualquer outro desfecho que venha ocorrer no campeonato, uma imagem que perdurará. Uma imagem ilegendável porque há nela muito mais do que mil palavras: a dor, a frustração, o anúncio da morte de um título ocorre em simultâneo com a exultação e o júbilo em pano de fundo. 

Como Sportinguista já tive muito mais "disto" do que julgava ser a quota de sofrimento que um adepto pode ser capaz de aguentar. Muito mais do que merece, seguramente. Por isso a última coisa que pretendo neste post é por sal na ferida dos benfiquistas nesta manhã, muito menos convocá-los para aqui despejarem a ira e a natural frustração. Há quem diga que vivem hoje algo semelhante ao que nos foi servido em 2005. Não é bem assim,há diferenças e substanciais. 

A primeira é que a Taça UEFA é ainda possível e mesmo que a percam não doerá mais do que perdê-la em casa perante os adeptos. Só os benfiquistas que viveram momento igual com o Anderlecht (olha, de Vercauteren) lhe conhecerão o sabor.

A segunda, e que marca uma grande diferença entre nós e muitos dos adeptos mais notórios dos nossos rivais é que em 2005 não festejamos antecipadamente, não reservamos o Marquês, não fizemos conferências de imprensa patéticas a tresandar a mau ganhar.

Uma última palavra sobre Jesus. Ainda não perdeu o campeonato mas pode muito bem retirar do jogo de ontem a lição de humildade que ainda lhe falta para se tornar um treinador ainda melhor do que indiscutivelmente já é. Não me esqueço da comparação jocosa que fez no final do derby. Mas se o jogo de ontem ditar a perda do campeonato bem se pode perguntar do que lhe valeu abdicar da identidade da sua equipa para acabar por perder. A forma como sofre o segundo golo comprova o erro, por mais tracção atrás que pusesse os seus jogadores não estavam preparados para jogar assim. Uma derrota assim será sempre mais dolorosa, porque não se perde apenas os 3 pontos,o campeonato,perde-se também a face.

Uma palavra para Vítor Pereira. Um underdog que, apesar das vitórias, não consegue ser visto de outra forma pela maioria dos seus adeptos, dos quais o Miguel Sousa Tavares é dos mais risíveis. O que escreverá ele na sua próxima crónica? A performance do Porto, e do seu treinador em particular, merece todo o destaque. Tratado com desprezo, vendo-se consecutivamente condicionado pela perda de valores sem substituição à altura. Basta olhar para o que era ontem o banco que tinha à disposição e que era o do adversário. Ninguém sabe onde meteram tanto dinheiro recebido com a catadupa de transferências milionárias para serem obrigados a negócios de ocasião de duvidoso acerto como Liedson e Izmailov. Vítor Pereira, que sintomaticamente celebrou sozinho o golo da vitória, teve ainda o bom senso de perceber que não ganhou nada sem ganhar ao Paços. O golpe de teatro é possível e ele sabe-o. A acontecer, talvez introduzisse alguma justiça para uma equipa que geralmente foi mais brilhante, mas o equilíbrio é o que normalmente faz os campeões, e essa é uma característica da sua equipa e não há como não lhe reconhecer o mérito.

Há outra razão, e de fundo, pela qual não encontro nenhuma vontade de me rir da empáfia dos lampiões ou do sofrimentos dos benfiquistas. Não que alguns dos primeiros não preferissem  neste momento, trocar de posição comigo. É provavelmente mais fácil lidar com a frustração de não ir à Europa do que perder um campeonato desta forma e viver com a angústia de não saber o que fazer de uma equipa destroçada que tem uma final pela frente. Essa razão de fundo não se limita apenas à ausência das competições europeias mas à consciência de que, quando o próximo campeonato começar eles  - FCP e SLB - estarão na Liga dos Campeões, têm um plantel valorizado e, consequentemente mais possibilidades de se refazerem dos desaires. Logo, ainda mais longe de nós.

Há duas formas de encarar isto. Com frustração e miserabilismo, destilando ódios. Outra é perceber que, tal como em 1975/76, em que também ficamos de fora da Europa,o Sporting não acabou. Talvez esta seja a altura de perceber que não é o tempo de virar as costas mas de dizer presente. Porque, como diz o aforismo, cair todos caem. A forma como te levantas é que faz toda a diferença. 
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Sábado, 11 de Maio de 2013

Alvalade com pouco encanto na hora da despedida

Não haverá mais jogos em Alvalade este ano. É também muito provável que alguns, (muitos?) dos jogadores do actual plantel sigam o caminho já iniciado por alguns ex-colegas em Janeiro e não os voltemos a ver de leão ao peito. Da esperança dos dias que marcaram a chegada ao desencanto da despedida fecha-se um ciclo de 2 anos de frustrações e desencanto, em que quase tudo o que podia correr mal correu... muito mal. Sentimentos que se repartem entre adeptos e profissionais, que buscaram valorização no nosso clube e que certamente gostariam de ver figurar o seu nome junto de outros que hoje consagramos.

Rui Patrício, que completa hoje 250 jogos como número um, é seguramente um deles e sabe como ninguém o quanto pesam na nossa camisola os muitos anos sem conquistas. Algo que Wolfswinkel terá percebido em menos de 2 anos.
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Pergunta o jornal do Sporting onde anda Cadete? Foi aqui que o vi pela última vez

Ontem, numa das redes sociais, interrogava-me (provavelmente com alguma ingenuidade) porque é que a comunicação social dedicava tanto tempo e preocupação em saber o que pensa Jorge Cadete sobre os mais variados assuntos relacionados com a vida do Sporting. Qual não é o meu espanto quando dou com a primeira página do Sporting a perguntar o que é feito do Jorge Cadete.

Não sei quem é o responsável pelo artigo. Presumo que seja alguém muito novo ou então com problemas de memória e por isso aproveito o post de hoje para lhe responder à pergunta. Só nessas circunstâncias, ou outras que me escapam, é possível que não se lembre do que se passou num qualquer dia de Abril de 1996.

Estava a equipa do Sporting prestes a entrar em estágio, quando Jorge Cadete se some, aparecendo em seu lugar um fax do seu empresário a pedir a rescisão do contrato, invocando atraso no pagamento de salários. Se a memória não me falha o jogo era com o Marítimo e ficávamos apenas com Paulo Alves para jogar na frente de ataque. Acabámos por ganhar o jogo. O jogador seguiu para o Celtic, vindo-se a provar mais tarde que a razão da rescisão não existia, facto que era sabido de todos ter sido usado como mero expediente para se por a mexer. 

A carreira de Cadete prosseguiu e perdi-lhe o rasto e o qualquer interesse quando assinou pelo SLB de Vale e Azevedo. Acabava de fechar o ciclo de uma traição a um clube e adeptos que até então o idolatravam, não podendo ser responsabilizados um e outros pelas más relações que então manteria com Carlos Queiróz, treinador à época, e que o afastou da titularidade. 

Ao ser humano Jorge Cadete desejo o mesmo que aos demais, que a vida lhe seja fácil e que viva longos anos. Mas, como qualquer um de nós, que viva de acordo com as opções que tomou. Se se diz Sportinguista, não serei eu a desmenti-lo. Mas, nessa qualidade está longe de ser uma referência - e portanto, de merecer qualquer destaque de primeira página no jornal do clube - a menos que se queira ensinar na Academia como se cospe no prato onde se comeu. 

O amor pelo clube pode-se proclamar mas vale sobretudo pelo exemplo. E do Cadete foi dos piores que me lembro. Haja memória e respeito!
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

À procura da identidade perdida "Precisamos de qualidade e resultados. Resultados sem qualidade é aborrecimento, qualidade sem resultados não faz sentido"*

Tornou-se motivo de conversa entre os Sportinguistas e objecto de desejo o "modelo Dortmund", agora que o clube da Vestefália coroa o regresso à ribalta com uma final da Liga dos Campeões. Depressa foi encontrado o substituto do "modelo Barcelona" como exemplo de promessa de felicidade ao virar da esquina, mas temo que nem um nem outro tenham sido verdadeiramente conhecidos e entendidos.

Pergunto-me: e porque não o "modelo Ajax"?, que depois de um longo jejum de títulos se acaba de sagrar tri-campeão com uma equipa de jovens jogadores e um treinador que é também uma das referências da formação da casa?

A generalidade dos adeptos valida e valoriza o sucesso, raramente os métodos, o trabalho, bem como a perseverança necessários para alcançá-lo. Porém este raramente surge por acaso e, mesmo quando se estima fazer tudo bem, ele é tudo menos uma garantia.

Como Sportinguista não me aborrece apenas a superficialidade com que se entende que um modelo é transplantável e facilmente enxertado de um clube para outro, descurando as diferenças abissais entre qualquer uma das realidades, especialmente a alemã. Mais do que isto é o desprezo a que se vota a possibilidade de o Sporting construir o seu próprio modelo. Ou até de este já existir, precisando apenas de ser levado às últimas consequências, ao invés de ser constantemente recauchutado ao sabor das tendências do momento.

Inclino-me para última das hipóteses mencionadas, nem tudo estará ainda por fazer. Esse modelo passa pela formação de jogadores, algo em que já somos uma referência, na qualidade e na quantidade. Não temos "apenas" 2 jogadores considerados como os melhores entre os melhores, por toda a Europa se encontram espalhados jogadores que testemunham uma aptidão invulgar: criar valor onde a natureza se esqueceu de deixar o talento. Fazer grandes jogadores de miúdos geniais é quase natural, uma consequência. Difícil é construi-los a partir da "normalidade" e é isso que talvez seja mais fascinante na nossa formação, mesmo que menos notório e elogiado.

A excelência da nossa formação e o que é hoje o nosso futebol profissional são tão dispares que quase se pode falar em mundos paralelos. Como estender esse bem-fazer à organização do seu departamento profissional, de forma a aproximar-se ou até igualar o que faz nos escalões de formação, é a pergunta óbvia e fácil. O que vale um milhão de dólares é a resposta.

Há pelo menos uma ideia base - o recurso à formação - que carece de sair do papel e ser praticada. Tem faltado também coerência, estabilidade e perenidade, uma linha condutora, sem curto-circuitos permanentes. Todos os clubes bem sucedidos tiveram esses valores na base do sucesso e foi isso que lhes permitiu mudar e/ou adaptar-se à mutação constante da realidade envolvente. Tudo aquilo que o Sporting não tem sido e não tem conseguido no futebol.

Precisamos de recuar aos anos 50 para encontrar a última vez que ganhamos de forma sustentada. O sucesso é isso e não um titulo em cada década. Na década de 40 fomos campeões por 5 vezes, o mesmo número de vezes na década seguinte. Os anos 60 anunciaram uma ligeira travagem - 3 títulos - que estabilizou na década seguinte - os mesmos 3 títulos - para aterrar num titulo por cada 10 anos que, na década em curso, nem sequer assegurámos. É a dureza dos números, mas é também a realidade e esta, quanto mais depressa é encarada mais perto estamos para perceber onde erramos e o que temos que mudar.

Continua a faltar um modelo de jogo que produza boas exibições com frequência. Não só porque é o caminho mais curto para a obtenção de bons resultados também com a frequência necessária para atingir títulos, mas porque é com o futebol de qualidade que os Sportinguistas se identificam. A escolha do treinador assumirá, mais uma vez, uma importância decisiva para a definição dos resultados.

O Sporting apresta-se, mais uma vez a começar um processo reconstrutivo. Praticamente a partir do zero. Assim é natural que os resultados não possam aparecer no imediato. Mas não podem ficar para as calendas. Desenganem-se aqueles que o Sporting pode fazer um intervalo e que o seu lugar fica reservado. A realidade detesta espaços vazios e o Sporting ou luta por reclamar o lugar que é seu por direito ou perderá o direito a ele. Não é fácil mas o caminho para ser grande nunca o foi, pelo menos para quem joga com as mãos limpas.

* Tradução livre de uma frase de Johan Cruyff, 
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Pena que este resultado do Estoril só tenha acontecido ontem

Escrevo sem nenhuma satisfação pelo tropeção do SLB ontem perante os seus adeptos, mesmo reconhecendo que é um castigo mais do que merecido para a arrogância lampiã. (Continuo a achar que há benfiquistas e há lampiões. Os últimos já se desdobravam em foguetes e conferências de imprensa.) A falta de respeito pelos adversários e sobretudo a falta de respeito pelo futebol quase sempre sai cara.

Contudo o resultado de ontem significa a (quase certa) nossa ausência das competições europeias. É uma facada no orgulho e é, ao contrário do que se possa pensar, um obstáculo à recuperação do Sporting. Não significa apenas menos receitas de bilheteira e de transmissões televisivas, transforma-nos num clube menos atractivo para publicidade, investidores, parceiros e até para os jogadores. Para os que já cá estão e gostaríamos de renovar contrato e até para os que gostaríamos de contratar no futuro. Mas representa também menos um patamar competitivo importante, que permite o confronto com outros modelos e significa também a ausência da montra do futebol internacional que, em regra, confere outro valor acrescentado aos jogadores.

A razão do titulo prende-se com o inicio de época. O jogo com o Estoril em casa foi o último jogo em casa sob o comando de Sá Pinto e o penúltimo do seu mandato como treinador do Sporting. Então como ontem ao SLB, o contra-ataque do Estoril tinha feito gato sapato da nossa equipa e, então como ontem, o resultado foi um empate, como poderia ter sido qualquer um dos outros dois. 

Tivesse o jogo de ontem acontecido primeiro no campeonato é muito provável que o nosso desaire com a equipa da Linha pudesse ter sido evitado, pois poderia ter servido de aviso prévio. Ou talvez não, tendo em conta a forma desorganizada como entramos na época, mas poderia pelo menos atenuar o impacto que o empate viria a ter no desfecho da época.

A saída de Sá Pinto e sobretudo as decisões tomadas de seguida   acabaram por contribuir de forma decisiva para esta época miserável que nunca mais chega ao fim. Pesem embora os erros cometidos na preparação da época é pouco crível que descêssemos tão fundo se a opção tivesse passado pela sua manutenção. A passagem de Oceano e Vercauteren não significaram qualquer melhoria, antes o aprofundar dos problemas.
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Derrota em Paços de Ferreira: ir à capital do móvel ver uma casa modelo

Se a derrota é sempre o pior resultado dos 3 possíveis, ontem o Sporting pôde perceber todo o peso desse significado: da possibilidade de ficar a depender apenas de si próprio (partindo principio que o Estoril perde mais logo) ficou a crua realidade: só muito dificilmente será possível a classificação para a Liga Europa.

Ficam algumas impressões de um jogo que tive oportunidade de ver ao vivo o que, mesmo sem as repetições da TV, é a ainda a melhor forma de ver um jogo de futebol.

1- Primeira nota para os adeptos do Sporting. Somos mesmo um clube especial com adeptos muito especiais. A bancada destinada à equipa visitante, a nossa, estava muito bem preenchida de homens e mulheres Sportinguistas - alguns dos quais levavam pela mão a sua prole, na óbvia tentativa de deixar sucessão para esse amor incondicional  - que quiseram dizer presente num momento tão difícil como este que nos calhou em sorte viver. Difícil, invulgar e inesperado. Quem tem adeptos assim tem razões para esperar que o futuro pode ser melhor.

2- Não se pode dizer que o Sporting jogou mal. Também não jogou bem, apesar de ter entrado bem no jogo e ter posto o adversário em sentido. Jogou com uma das melhores equipas do campeonato, para quem ficar à frente do Braga será um acto de justiça, porque foi-lhe superior quer em regularidade quer em qualidade de jogo na maior parte do tempo do campeonato em curso.

3- André Leão, Josué e Vítor encheram o campo e os olhos de quem viu o jogo. Qualquer um deles seria uma excelente aquisição para o Sporting, que poderia dispensar - parece que vai ter que o fazer - jogadores que são bem mais caros. Tendo sido os que deram mais nas vistas há outros menos dotados que jogam hoje a um nível que dificilmente atingiram anteriormente nas suas carreiras. 

4- Há que dizer porém que as circunstâncias são-lhes de todo favoráveis: estão a terminar por cima uma época de sonho, nos antípodas do que sucede com a generalidade dos jogadores do Sporting. Isto para dizer, sem contrariar a afirmação do ponto anterior, que qualquer um deles a jogar ontem no nosso lado sentiria muitas dificuldades em brilhar. As respectivas exibições foram marcantes não apenas pelas suas qualidades individuais, mas também pela forma como articulam com o resto da equipa. Dava gosto ver os processos simples de André Leão, desde sua colocação até ao contrariar a pressão inicial do Sporting, mas contava com a movimentação dos laterais e médios a dar-lhe mais de uma opção de passe. O mesmo se pode afirmar de Josué e Vítor, que não poderiam evidenciar a qualidade das decisões se não contassem com a percepção e entendimento das suas movimentações. Colectivamente são-nos superiores e é isso que potencia as qualidades individuais e disfarça as insuficiências. Apesar dos progressos conseguidos com a entrada de Jesualdo ainda há muito a fazer na qualidade do nosso jogo.

5- Ao contrário do que se foi tornando mais ou menos a vox populi, parece-me que o Sporting teve nestes dois últimos anos dos melhores plantéis dos últimos anos, mas não conseguiu retirar deles o potencial que devia. O ano passado a meia-final da Liga Europa ainda deu um ligeiro vislumbre do que poderia ter sido, a série de erros acumulados na preparação da presente época fizeram desmoronar por completo um edifício que não teve tempo nem engenho para se consolidar. É penoso constatar que, tendo agora um treinador capaz de potenciar o que ficou desse lote de jogadores e das chamadas pérolas da formação, tenhamos que ser obrigados a prescindir de muitos deles, provavelmente em ambos os lados. Este desencontro é-nos fatal e é a principal razão da insustentabilidade de um projecto desportivo.

6- Visitar um clube modesto como o Paços de Ferreira, mas que está consolidado num patamar já intangível da classificação, pode ser encarado com angústia e desolação. Mas também pode ser olhado como um exemplo e sobretudo como um sinal da imprescindível esperança e confiança de que o futuro pode ser melhor. O Sporting tem muito mais recursos e massa critica e é por eles, a par da sua história, que as suas obrigações são acrescidas.

7- Uma nota final para não deixar passar em claro Pedro Proença. Não a questão grande penalidade, que me pareceu no estádio e que hoje alguns "especialistas" confirmam. Mas o gesto que teve para a bancada do Sporting aquando do aquecimento. À tradicional assobiela na hora do aquecimento respondeu com uma provocação, num gesto deliberado. Da mesma forma que duvido que, fosse outro grande, aquele penalty não seria marcado, duvido que fizesse o mesmo gesto. Esta gente não gosta do Sporting, isso é nitido, e sem resolver este problema o Sporting será sempre menos que os outros.
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