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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ter ou não ter estofo de campeão, William, Adrien, Spalvis

Ter ou não ter estofo de campeão
É muito frequente, em particular quando os jogos correm mal, como foi caso do último jogo, que os adeptos questionem as decisões do treinador, as prestações e o empenho dos jogadores. Frequente e natural. Já menos natural é que um mau resultado sirva para colocar em causa aquilo que é indiscutivelmente um bom trajecto no campeonato nacional e, ainda mais importante, um enorme salto qualitativo, que nos coloca a disputar no mesmo espaço tido como quintal privativo dos nossos rivais SLB e FCP. 

Quando se fala de falta de estofo de campeão a apreciação não pode ficar apenas limitada à prestação da equipa, mas deve-se estender também à reacção dos adeptos. Não há nada que justifique o pessimismo, mesmo considerando o facto de a liderança isolada se ter perdido. Desde logo porque, apesar do bom campeonato, o Sporting não deixou de ser um outsider, o mesmo é dizer que o menos favorito dos três concorrentes. 

Havendo ainda muito que decidir, não pode deixar de se constatar a vantagem que detemos no confronto directo com ambos os adversários e que dificilmente poderá ser anulada. O pessimismo é tão prejudicial como foi a basófia registada aqui e ali, quando tinhamos vários pontos de conforto a separar-nos dos segundos classificados. O que o Sporting mais precisa é de ter os pés bem assentes no chão, sem derrotismo ou euforias sem sentido. Isso também é ter estofo de campeão.

William Carvalho
Em breve vamos ficar a saber se a renovação pendente era o factor de distracção que o estava a arredar do que melhor pode dar a equipa. Provavelmente era apenas um dos vários factores, a que juntaria a auto-confiança. Os passes que tem falhado, e até linguagem corporal no momento de execução, são um sinal indicativo nesse sentido. Tenho uma certeza: não irá melhorar com os assobios, como os que foi brindado no jogo passado.

Adrien
Não o escondo, sempre foi dos meus jogadores preferidos da sua geração por lhe reconhecer um potencial que, todavia, tardava em demonstrar. A isso não terá sido alheio o facto de ter sobrevivido a vários anos de profunda instabilidade. Não é um sobredotado, mas as equipas não se fazem apenas de Messis e Ronaldos. Adrien, para lá das suas qualidades técnicas, pela sua vontade indómita de vencer, tem tudo para ser considerado um jogador à Sporting. Ao prolongar a sua ligação ao clube, e sendo já o capitão de equipa, tem tudo para escrever o seu nome junto ao lote exclusivo de jogadores cuja carreira é uma referência para os vindouros, sejam eles adeptos ou jogadores oriundos da formação.

Lucas Spalvis
Vamos ter que esperar para ver o que tem este jovem ponta-de-lança lituano para nos oferecer. Não é de todo um desconhecido, pois há vários apontamentos de scouting com o seu nome, em particular no capítulo de "jogadores promissores a bom preço". Esperemos que confirme a nota é o máximo que se pode dizer neste momento. Se assim for não deixará de se considerar uma boa jogada de antecipação num mercado tradicionalmente dominado por alemães, holandeses e eslavos (Rússia e Ucrânia).

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Com água pela barba, nem de Barcos atravessamos o Rio Ave

Julgo que qualquer adepto que vive apaixonadamente o seu clube amiúde é confrontado com presságios dos mais diversos sinais antes dos jogos. Ontem, desde muito cedo, senti com preocupação acrescida o aproximar da hora de jogo por antecipar que íamos ter um jogo difícil. Há que dizer que tal não tinha a ver com superstição mas sim com o reconhecimento do valor do adversário, em particular das suas características e das circunstâncias em que o íamos enfrentar. 

Conheço bem o Rio Ave bem como a forma como o seu actual treinador costuma por as suas equipas a jogar, em particular com os grandes. Jogando na expectativa, procura criar dificuldade com o lançamento de transições rápidas ou o jogo directo para contrariar o adiantamento natural dos adversários mais fortes.

Ora havia sinais de que o Sporting ira estrear mais um quarteto defensivo por força da lesão de Naldo e Jefferson o que lançava a dúvida sobre a coesão e entendimento entre os quatro elementos chamados à titularidade. Os receios revelaram-se fundados uma vez que o Rio Ave dispôs de boas oportunidades, mesmo em situações de 1x1 entre avançado e Rui Patrício. Se é verdade que Cássio foi importante para a manutenção do empate para o Rio Ave, não deixa de ser claro que sem o acerto de Patrício os danos poderiam ter sido outros.

Esses momentos acabaram por ser determinantes na postura da equipa que, a partir de determinado momento, começou a revelar sintomas de ansiedade, diminuindo a qualidade das decisões. Isso foi evidente em quase todo o jogo e de forma muito particular na hora de finalizar. Com uma eficácia mais próxima da nossa realidade neste campeonato o resultado poderia ter sido outro. A essa ansiedade não será também alheia a pressão de ver os minutos correr sem conseguir marcar, sabendo da necessidade de ganhar para recuperar a liderança.

Este jogo foi também um bom instrumento para se perceber aquela que parece ser a grande dificuldade que o Sporting enfrenta neste campeonato e que me parece ter sido ampliada nesta janela de mercado com a saída de Montero. O que o Sporting ganhou em altura perdeu em técnica, criatividade e espontaneidade de execução, em particular aquela que é necessária para o reduzido espaço que existe nas zonas frontais à baliza. E, diga-se, ela já não era particularmente abundante. 

Ruiz é pouco para as nossas necessidades. João Mário assegura qualidade em posse de bola, criação de linhas de passe, mas não é particularmente rápido. Gélson tem os problemas naturais da juventude, é inconstante e muitas vezes sendo ocasionalmente brilhante é frequentemente inconsistente. Teo não está em forma porque na praia em regra a consequência mais natural é... ficar mais moreno. Jesus viu-se forçado mandar Barcos para o meio do Rio e o que ficou mais claro foi que ainda é cedo para o argentino. Mas não deixa de ser particularmente preocupante constatar que dependemos em demasia de Slimani, que ontem não esteve particularmente feliz.

A passagem do Rio Ave deixou-nos água pela barba. O resultado de ontem e em particular a exibição deixaram os primeiros sinais de uma equipa permeável a pressão. Os campeões decidem-se muitas vezes pela forma como conseguem lidar com este importante factor psicológico. Quem pensava que ia ser fácil não sabia ao que vinha. Como dizia Ruiz ontem, este é o momento de estar tranquilos. Já perdemos o primeiro lugar anteriormente, de forma inesperada, e de igual modo a recuperamos. 

Creio ser estéril a discussão sobre quem comanda agora o campeonato, embora seja útil perceber quem mantém os critérios usados em anos anteriores e quem os ajusta agora. O que é importante é o critério de desempate no final do campeonato, porque ninguém é campeão antes. E aí creio ser muito difícil anular a vantagem conquistada pelo Sporting com os seus mais directos adversários. Não somos nós que, se essas circunstâncias se verificarem, quem tem que estar mais pressionado ou preocupado.

William terá que ficar para outra altura. Mas, pelo que viu ontem, a sua menor produção não tem nada a ver com o modelo de jogo de Jesus. Não é por isso que se falham passes atrás de passes. A sua recuperação é crucial para a subida de rendimento da equipa e há por isso que perceber o que é necessário fazer para que tal aconteça.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Os bastidores da transferência de André Carrillo

São vários os jornais que desde sexta-feira publicaram artigos sobre a transferência de André Carrillo para o SLB. A versão do Sporting pode ser conhecida neste link, onde Bruno de Carvalho conta a sua versão dos acontecimentos. Este sábado o Expresso publicou um artigo, com o mesmo titulo do post, onde contam a versão que resulta da audição de todas as partes (segundo os próprios). É esse artigo que partilhamos com os leitores do blogue.

"A dada altura neste artigo, o leitor sentir-se-á baralhado porque achará a informação confusa e difusa, mas é o que acontece quando há mais do que três partes envolvidas e no meio delas um negócio de milhões que se fez... e outros que deixaram de se poder fazer. O Expresso ouviu todos os lados na transferência de André Carrillo para o Benfica e esta é a história que deles se extrai.

Houve um tempo em que Elio Casareto, agente de Carrillo, e Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, se deram bem. Aconteceu logo no início do mandato de Bruno de Carvalho: Casareto pediu ao diretor desportivo Augusto Inácio uma reunião com o presidente para que os três encontrassem uma solução para o jogador. Porquê? Porque o passe de Carrillo estava dividido entre Pini Zahavi, o agente israelita, o Alianza Lima, clube ao qual o futebolista fora comprado, e o Sporting. Casareto disse a Inácio que aquilo tinha tudo para correr mal dali a três anos, quando chegasse o momento de renovar contrato. 

No dia em que Casareto se encontrou com Bruno de Carvalho, num jogo contra o Penafiel, ambos concordaram que o assunto tinha de ser resolvido, que o Sporting iria recomprar parte do passe de Carrillo. Só que o Carrillo de então, inconsequente e pouco disponível para defender, não era o Carrillo de Marco Silva e Jorge Jesus. E, por isso, o Sporting até chegou a pô-lo numa lista para emprestar ou vender, deixando correr o marfim a seu favor. Quando Casareto pediu ao Sporting que revisse o salário do jogador por causa do aumento da carga fiscal, o clube disse não. 

Em vez disso, apresentou uma proposta de três anos pelo mesmo ordenado, €300 mil anuais líquidos, que Carrillo não aceitou. Passaram-se meses sem que o agente, o futebolista e a direção do clube voltassem a falar, e quando o fizeram, em abril de 2015, o Sporting propôs €1 milhão brutos; o empresário contrapôs, dizendo que tinha quem pagasse €1,5 milhões líquidos. E depois veio a Taça de Portugal, que o Sporting ganhou, e depois a Supertaça, que o Sporting também ganhou. Carrillo foi importante nos dois jogos, e chegaram propostas a Casareto. O peruano começava a ficar bem cotado, e Bruno de Carvalho convocou uma reunião com Casareto para acordarem a renovação. 

Neste ponto, as versões divergem: uma delas garante que o Sporting apresentou um ordenado de €1,3 milhões líquidos, 80% através de uma offshore em Malta e os restantes 20% (5% dos direitos de imagem e 15% do contrato de trabalho) a serem pagos em Portugal; a outra diz que a ideia partiu do próprio Casareto. “Foi dada a Carrillo uma folha em branco para lá pôr o salário que queria”, assegura fonte de Alvalade.

As negociações ficaram congeladas, o Sporting foi eliminado da Champions pelo CSKA, o fecho do mercado estava ao virar da esquina, e lá fora sabia-se o que se passava em Portugal. Um emblema francês acenou com €10 milhões a Casareto, e Bruno de Carvalho ter-lhe-á respondido que não, que não era suficiente; e foi então que o agente sul-americano informou o Sporting de que o Leicester pagaria €12 milhões. Um bom preço, faltava perceber como se faria o pagamento, porque o passe de Carrillo era detido em grande parte por Pini Zahavi. E Zahavi não queria ficar a arder.
Quem é de quem?

O Expresso teve acesso a documentos relativos às negociações entre o Sporting e o Leicester, que decorreram entre os últimos dias de agosto e os dois primeiros de setembro. As condições pedidas pelos leões implicavam um pagamento de €15 milhões, 25% de uma futura transferência e uma cláusula antirrivais (Benfica, FC Porto e Braga). O Leicester respondeu com €12 milhões, 17,5% de uma futura transferência e a impossibilidade de ter uma cláusula antirrivais ao abrigo das leis britânicas. No meio desta troca de informações entre Sporting e Leicester, o clube inglês pergunta ao congénere português quem é a Leiston (empresa de Pini Zahavi). “É uma entidade com quem tivemos negócios no passado mas que presentemente não tem direito a qualquer percentagem dos direitos económicos do jogador”, lê-se no texto da resposta. Mas Zahavi tinha direito a 45%, e o próprio Sporting reconhecera isso mesmo, 15 dias antes, num e-mail enviado à Leiston: “A Sporting SAD está disponível para aceitar a cláusula de 45% dos direitos económicos.”~

Falhado o voo para Inglaterra, André Carrillo ficou em terra. E desterrado. Jorge Jesus ainda tentou fazer-lhe a cabeça durante um almoço, disse-lhe que devia ficar, que faria dele um futebolista melhor, mas o processo causara mal-estar de parte a parte. Em outubro, o Sporting instaura um processo disciplinar a Carrillo e envia-lhe uma nota de culpa de 200 páginas. Para o Sporting, era clarinho como água que o agente e o futebolista estavam a agir de má-fé com o clube de Alvalade; o próprio Jesus revelou a Bruno de Carvalho que, ainda no Benfica, Luís Filipe Vieira lhe confidenciara que o peruano iria parar à Luz a custo zero. O Expresso sabe que Carrillo já teria sido contactado pelo Benfica no tempo de Godinho Lopes e que, em outubro, Paulo Gonçalves e Vieira terão abordado o futebolista para perceber as suas condições.

Mas, até ver a Luz, houve acordos que morreram na praia, jatos privados, fundos de investimento, agentes, clubes turcos, italianos e espanhóis — e os três grandes de cá.

Houve um momento em que André Carrillo e Marat Izmailov coincidiram no Sporting. Formavam um par estranho — um miúdo peruano extrovertido e um russo tímido e envelhecido pelas lesões —, mas ficaram amigos para a vida. E no dia em que Carrillo viu a vida andar para trás, lembrou-se de Izmailov e do agente dele, Paulo Barbosa, o português que falava russo como os russos. Carrillo chegou a uma encruzilhada, sem saber para que lado se virar, e virou-se para Barbosa. Foi ao apartamento do empresário, na Estrela, e ambos falaram sobre o futuro, num momento de fragilidade em que o peruano sentiu que Casareto não lhe contava tudo. Casareto já conhecia Barbosa através de um intermediário que trabalhava com o português, portanto não estranhou quando este lhe trouxe novidades da Turquia. Do Fenerbahçe. A solução falhou, mas Barbosa não perdeu Carrillo de vista, nem mesmo quando o extremo se viu metido num negócio em Valência, com dedo de Zahavi e Jorge Mendes, ou com a Juventus, via Doyen, com direito a lugar num jato privado em Roma.

Mas, por uma razão ou por outra, nenhuma das opções agradou a toda a gente, até que o Atlético de Madrid bateu à porta. Carrillo, que deixou Lisboa e se refugiou em Madrid durante 27 dias, efetuou exames médicos, mas a suspensão da FIFA (a impedir contratações durante um ano) ainda não fora levantada e o plantel já tinha extracomunitários a mais. Carrillo nunca chegou a assinar e saiu de Madrid, sozinho, para se encontrar com Vieira em Lisboa. Na quarta-feira, 27 de janeiro, foram ambos fotografados à saída do prédio onde fica o escritório de Paulo Barbosa, e levantou-se a lebre que pôs o FC Porto no encalço. Na quinta-feira, as negociações intensificaram-se, e na madrugada de 29 de janeiro, Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente, ligou à entourage de Carrillo. Eram três da manhã, mas já era tarde. Na manhã de sexta-feira, Pinto da Costa pôs tudo a nu: “Disseram-me que o Carrillo já assinou com o Benfica.” Não tinha assinado. Mas estava quase.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Uma noticia de 11 milhões empatados para lançar uma reflexão

A noticia do jornal "O Jogo" aludida no titulo do post provocou grande indignação entre os Sportinguistas. Na base dessa reacção estará o tratamento diferenciado que aquela publicação dá aos três clubes grandes, ao fazer apenas capa com os aparentes insucessos de algumas das nossas contratações, deixando de fora as do SLB e FCP.

Compreendo e partilho do sentimento, talvez não com o mesmo grau, porque a este nível já há pouco que me surpreenda. Na verdade não há aqui nada de muito novo neste comportamento num órgão de comunicação social relativamente ao meu clube e no caso daquele jornal é mesmo uma imagem de marca. É sobejamente conhecida a ligação umbilical ao FCP e o seu principal accionista é-o também da SAD daquele clube, onde a sua participação é crucial para manter o respectivo controlo. 

Na sequência da referida noticia ficou mais ou menos claro que a nossa concorrência possui listas de emprestados mais numerosas e muito mais dispendiosas que aquelas que foram noticiadas como pretensos falhanços nossos, o que terá contribuído para aumentar a indignação geral. Porém, das listas que vi elencadas há uma semelhança notória e uma diferença gritante.

A semelhança:

As diferenças no número de jogadores dispensados e o  volume financeiro associado são os mesmas que encontramos nos orçamentos das SAD's dos respectivos clubes. Grosso modo, os onze milhões em dispensados do Sporting equivale a metade do orçamento da SAD. O mesmo se poderá dizer, respectivamente, dos mais 50 milhões em emprestados da SAD encarnada e dos mais de 60 milhões da SAD azul-e-branca. 

Esse mesmo rácio pode-se verificar nos valores dos:

-  Custos operacionais (52,105 milhões / 106,474 milhões / 110,335 milhões)
Proveitos operacionais (53,382 milhões / 101,974 milhões / 93,588 milhões)
- Mais-valias com transferências de jogadores (28,002 milhões / 78,825 milhões / 82,500 milhões)

Estes são números retirados dos últimos relatórios e contas comunicados pelas respectivas SAD's à C.M.V.M.

A diferença

Aparentemente, (e considerando como totalmente irrecuperáveis os valores investidos na aquisição de todos os emprestados) o desperdício e insucesso estão ligados ao limite do que nos é possível gastar o que, no que ao grau de eficiência de gestão diz respeito, remete-nos para uma equivalência entre todos. A favor da actual gestão da nossa SAD está o facto de, com muito menos dinheiro, estar a conseguir aquilo que o FCP não tem conseguido (não ganhou nada mas gasta muito mais).

Há contudo uma diferença gritante entre as listas de jogadores dos nossos rivais postas a circular e a que o jornal "O Jogo" deu ontem a conhecer: é que da nossa contam apenas jogadores adquiridos desde 2013. Nas dos nossos rivais há diversos jogadores, alguns deles de valores consideráveis a engrossar o resultado final, que foram adquiridos antes de 2013 (por exemplo, Sidnei, Olá John / Walter, Kelvin, Quiñones)

O parágrafo anterior é composto por dados factuais. Mas a análise, mesmo que subjectiva, relativamente à qualidade dos jogadores constantes nas três listas indica que:

- Dos jogadores por nós dispensados, talvez apenas Jonhatan possa vir a constar de um plantel que lute pelo titulo. Para os restantes, a dúvida é mesmo se conseguiremos ser restituídos do valor neles investido. 

- Neste âmbito seria ainda forçoso adicionar à lista de dispensados contratados em 2013 os nomes de Ryan Gauld, Sarr, Rabia e Sacko como de qualidade ou recuperação muito duvidosas.

- Na lista portista jogadores como Reyes, Quintero, Adrian Lopes, Fabiano, Josué e Octávio discutiriam lugares no onze titular no imediato uns e no futuro outros.

- Na lista de dispensados benfiquistas Rúben Amorim, Cristante, Djuricic e Ola John teriam estatuto semelhante.

Ora, para lá da indignação pela diferença de tratamento, que é natural, o que a noticia de "O Jogo" nos devia suscitar era o despertar para uma maior atenção sobre nós mesmos, sobre o que andamos a fazer.  Porque é o que fazemos - e muito menos o que os outros fazem - que dita o nosso destino. No entanto cada vez mais a atenção geral parece estar a ser desviada para o que os nossos concorrentes fazem de errado, ignorando o valor indispensável da autocrítica no aprimoramento das competências próprias.

Já não é possível anular estas decisões mas é possível ou até mesmo obrigatório fazer a pergunta: 

- Se o dinheiro tivesse sido gasto de forma mais assertiva e criteriosa o ano passado não teríamos tido maior disponibilidade para dar melhores condições a Jesus para atacar o título? 

- Apesar do evidente crescimento sustentado dos resultados, é este o modelo de gestão que nos foi prometido, nomeadamente no que diz respeito à formação e ao rigor na gestão?

Mesmo que de uma forma superficial podemos alargar este raciocínio e fazer um relance sobre o que se tem passado nos escalões inferiores, habitualmente designados como de formação. Para tal recuei ao mesmo período, em 2013. A nossa equipa B dava os primeiros passos e, à época, disputou uma competição até à meia-final da qual alguns ainda se lembram. 

Nela constavam jogadores como Esgaio, Riquicho, Tobias, Ruben Semedo, Geraldes, Domingos Duarte, Palhinha, João Mário, Mané, Iuri Medeiros, Wallyson, Farley Rosa, Ponde, Podence, Gélson Martins e Chaby. Em três anos a qualidade disponível neste escalão desceu de forma exponencial e algum do pouco talento disponível vive soterrado num modelo de jogo que não apenas o anula como impede a generalidade de evoluir. 

No entanto o treinador foi premiado o ano passado devido a um critério no mínimo aberrante num escalão de formação: ter ficado à frente dos rivais! Quem, do actual plantel, poderá seguir as pisadas dos nomes que figuram no topo deste parágrafo?

Ora, se voltarmos ao motivo deste post (a famigerada lista de emprestados) o que verificamos é que nela não constam os jogadores que mais depressa poderão ascender ao plantel principal: Iuri Medeiros, Palhinha e Wallyson. Todos eles partilhando a mesma condição: serem oriundos da Academia. E quando acabar esta geração, quem se poderá seguir?

Para muitos estas questões não farão qualquer sentido. Porém parece-me ser urgente fazê-las porque está em causa a sustentabilidade do nosso modelo e talvez mesmo uma parte muito grande da nossa identidade como clube. 
É neste âmbito que posso entender uma aposta total no "titulo o mais depressa possível" que parece ser o mote deste ano. Porque um clube grande alimenta-se de títulos. Mas a luta é a três e por isso, no máximo, temos 33% de hipóteses de ganhar à partida. É preciso estar preparado (preparado=equilibrado) para o caso dos outros 66% de possibilidades ocorrerem.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Acabaram-se os sorrisos para Carrillo

A mudança agora consumada de Carrillo para o outro lado da estrada não é propriamente uma surpresa, mas não deixa de ser dolorosa. Representa uma tripla derrota para o meu clube:

-  Perdemos desportivamente, ao ver partir um dos melhores e mais influentes jogadores.

- Perdemos financeiramente, ao não realizar nenhuma mais valia com um jogador que fizemos crescer a custo.

- Registamos uma derrota no eterno derby que é a relação com os rivais de sempre. 

De todas, a última é aquela que menos me custa, pelo menos até ver Carrillo de vermelho em Alvalade, a jogar contra nós. Deixo a minha avaliação pessoal a este processo em que todos me parecem ter estado mal e todos perderam muito ou alguma coisa, como procurarei explanar abaixo. Se quiser deixe ficar a sua.

O erro de gestão desportiva da SAD
A não renovação atempada do contrato de Carrilo é um erro de gestão desportiva da SAD. Há três anos, quando os actuais corpos sociais foram investidos, a renovação era fácil e foi esse o tempo que foi desperdiçado. Cada mês que passou foi um passo na direcção do desfecho agora conhecido. 

Neste período, apesar dos constrangimentos financeiros consabidos, a SAD alocou recursos para a aquisição de várias dezenas de atletas, entre jogadores para a equipa principal, equipa B e sub-19. De grande parte desses jogadores nunca mais ouviremos falar. Outros chegaram e partiram deixando como rasto apenas uma parcela nas despesas do relatório e contas. Contam-se pelos dedos os que representam ou representaram um valor desportivo e/ou  financeiro acrescentado. 

Não há aqui nenhuma novidade de monta, o mesmo se assiste em todos os clubes. É a lei das probabilidades a funcionar, descobrir talentos é uma árdua e por vezes ingrata tarefa de garimpagem. O que é lamentável neste caso é verificar alguém olhou para a peneira e não conseguiu distinguir o valor entre uma pedra amarela e uma pepita. Carrillo andou para ali sem ninguém reparar até o seu valor ser uma evidência aos olhos de todos.

O que eu quero e entendo que deve ser exigido é que quem toma decisões consiga ver mais que o vulgar adepto ou treinador de bancada que todos somos um pouco. Por isso é que estão no lugar em que estão, ganham o que se sabe e  nós, os adeptos, estamos na bancada, muitas vezes a contar cada cêntimo para pagar quotas, viagens e bilhetes. No caso de Carrillo até já nem era preciso ser particularmente perspicaz para lhe reconhecer pelo menos potencial.

A confusão entre as incompatibilidades do "eu" e os interesses da instituição
Os comentários públicos de Bruno de Carvalho denunciaram que as dificuldades na renovação tinham transformado um problema de gestão numa de questão de carácter pessoal difícil de ultrapassar. Com a agravante de lhe ter faltado a clarividência, ao relativizar a influência do empresário junto do jogador, bem como a vantagem negocial de um jogador com o contrato na mão quando se tentaram impor cláusulas "impossíveis". 

Faltou também certamente quem, dentro dos que lhe são próximos, alguém capaz de intermediar o conflito quando este se começou a desenhar. O presidente é importante, as incompatibilidades pessoais do Bruno de Carvalho não são. Os interesses do clube terão que vir sempre em primeiro lugar. Perdeu o Sporting.

Quando Bruno de Carvalho decide contratar Jorge Jesus sabia que abriria uma guerra sem quartel com o rival. Nesse novo cenário, os nossos melhores jogadores passariam a ser o bilhete premiado numa qualquer estratégia de retaliação e Carrillo estava ali mesmo à mão de semear. Ao invés de este processo ter sido gerido com pinças e com discrição, as declarações mediáticas sucederam-se. Entre promessas que não se tinha a certeza de poder cumprir ("Carrilo? De borla não sairá!"), o que ia ficando cada vez mais claro é que pareciam estar reunidas as melhores condições para tudo acabar... mal. 

A machadada final vem com a suspensão e instauração de processo disciplinar ao jogador. É muito provável que foi aí que se escreveu o guião deste final. Duvido que o jogador, se mantivesse o seu estatuto de titular, fosse capaz de oficializar já esta sua nova ligação, mesmo que fosse essa a sua intenção final.

Sempre fui de opinião que o jogador, mesmo em processo de renovação, deveria continuar a ser uma opção para o treinador e era este a quem cabia a decisão de o por ou não a jogar. Não apenas pelo seu valor e importância - reconhecida por Jesus várias vezes - mas por uma questão de direito. Um clube que centra o discurso oficial na verdade e nos direitos não pode suspender e mover um processo disciplinar a um funcionário que não quer renovar.

Os erros de Carrillo
De todos os envolvidos é talvez o único que se pode vir a refazer das perdas, mas os prejuízos são para já avultados. O jogador já está a perder desde que deixou de treinar e jogar. A paragem afunilou-lhe as perspectivas, ainda por cima num ano que parecia talhado para mostrar o seu melhor lado.

De todas as saídas possíveis escolheu a pior para os seus interesses de curto prazo: ao assinar por um clube que não tem qualquer intenção (e quiçá possibilidade) de o resgatar ao seu actual empregador, de forma a poder jogar no imediato, o jogador assume uma jogada de elevado risco. Um ano praticamente parado deve não só retirar-lhe o lugar na selecção do seu país - talvez o menor dos seus problemas neste momento - como deixam um enorme lastro de recuperação pela frente. E veremos como será a vida em Lisboa nos tempos mais próximos.

Como adepto (que ainda por cima lhe reconhecia talento) parece-me que Carrilo caiu no mesmo erro de Bruno de Carvalho, ao deixar que a questão pessoal se sobrepusesse aos seus próprios interesses. Isso subentende-se nas declarações muitas vezes inqualificáveis da namorada e do pai, que certamente falariam por ele. Com a agravante de não ter percebido que Bruno de Carvalho é "apenas" o presidente, mas não é o Sporting. 

Talvez seja pedir muito a um jogador que faça essa distinção, quando há muitos adeptos do clube que parecem ser também incapazes de a fazer. Mas parece óbvio que o jogador se esqueceu de tudo o resto quando, para chegar ao presidente com quem se incompatibilizou, atinge o clube que o recebeu e que o projectou. 

Talvez o meu último post sobre Carrillo
Pouco me interessa o que diziam as bancadas de Carrillo e da sua irregularidade. E que se dirá no futuro ainda me importará menos. Importei-me durante os anos em que por cá andou, irritei-me vezes sem conta com os erros por vezes incompreensíveis, mas sempre lhe reconheci talento e potencial. Preferiria isso repetido a ter que me irritar solemente a vê-lo de vermelho vestido. Ele não vai estranhar, é essa afinal a cor da camisola da sua selecção, mas oxalá descubra depressa que o verde lhe ficava muito melhor.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fecho do mercado: "Estamos muita fortes" ou nem por isso?

Tal como prometido ontem, falaremos hoje dos efeitos do fecho do mercado no plantel do Sporting. Falaremos de jogadores que entram e dos que saem e procuraremos perceber qual será o resultado das mexidas na capacidade de resposta aos desafios que ainda se colocam. Estes, são como se sabe, a presença na Liga Europa e a disputa do titulo de campeão nacional.

Do ponto de vista da quantidade, o Sporting ficará com um plantel extenso de vinte e sete jogadores. Se, como esperamos que não aconteça, o Sporting ficar arredado da Liga Europa, passará a jogar apenas uma vez por semana, o que quer dizer que, estando todos aptos, um número muito razoável de jogadores ficará arredado da competição. Existindo uma equipa B, parece-me um número algo exagerado e por isso dispendioso.

Relativamente à qualidade disponível, esta parece ter melhorado num sector - a defesa - e piorado consideravelmente noutro - o ataque - relativamente ao que ao inicio de época. Em quantidade e qualidade ficou a perder a baliza, onde contamos apenas com Patrício. Azbe Jug é uma incógnita e agravada pelo facto de desde 2013/14 para cá ter disputado apenas cinco (!) jogos oficiais. A dispensa sem mais de Boeck, ainda por cima após renovação de contrato (que deve ter significado o pagamento de prémio de assinatura) parece-me o acto mais difícil de compreender e até temerário, se se atender ao que pode representar, caso haja um problema com Patrício.

Para a defesa entraram Coates, Semedo, Schelotto e Zeegelar. Saiu Jonathan e Tobias acumulará algum tempo de inactividade. Se Coates, como se espera, conseguir estar ao seu melhor nível sem lesões, o centro da defesa registará melhorias na oferta individual. Onde elas parecem ser evidentes é com a troca no lado esquerdo. Jonathan praticamente não progrediu, continuando a exibir as mesmas dificuldades a defender que registava à chegada e Zeegelar parece poder oferecer uma verdadeira concorrência a Jefferson, que defende mal mas é fundamental no serviço prestado no apoio ao ataque. Schelotto parece-me um excesso, não se percebendo porque se menospreza assim Esgaio, que até esteve bem sempre que foi chamado.

Não houve alterações na linha média, o que é das melhores noticias que se registam neste fecho de mercado. Este facto não pode ser considerado casual. Este é um dos sectores que melhor e mais consistente desempenho tem registado, afigurando-se como difícil o seu reforço. Não que não haja jogadores capazes de o fazer, como é óbvio, mas encontrar jogadores para competir com Adrien, William, João Mário e Aquilani significaria um elevado e aparentemente desnecessário esforço financeiro, atendendo ao que estes vêm fazendo.

O sector atacante o Sporting é aquele que passa a suscitar maiores dúvidas, atendendo ao abanão que sofreu relativamente ao inicio de época. Primeiro saiu Carrillo, pelas razões que se sabe, e agora, de forma algo surpreendente, Montero. Não se sabe o que Barcos será capaz de oferecer, mas percebe-se que a sorte do Sporting poderá estar umbilicalmente ligada à prestação deste jogador. Isto porque Slimani é um alvo a abater, e Teo tem a cabeça, (se é que a tem...) noutro(s) lugare(s).

Fica ainda uma observação: quer Barcos quer Teo são jogadores de custo elevado, quer na aquisição quer nos ordenados, pelo que devem ser vistos como aquisições de risco. Atendendo à idade que têm, o melhor que o Sporting pode esperar para não ver os ver como "sunk costs" em próximos relatórios de contas é que rendam desportivamente. Até agora Teo tem sido uma desilusão, as suas "originalidades" são apenas toleradas pelos adeptos em jogadores que de alguma forma contribuem para o esforço colectivo, o que está longe de ser o caso.

Dúvidas que se acentuam relativamente ao que podem oferecer os restantes elementos. Se é verdade que Bruno César parecia caminhar para o seu melhor (muito bom jogo em Paços de Ferreira, completamente devotado aos interesses da equipa) parece muito pouco contar apenas com a irreverência e espontaneidade de Gélson Martins para furar os autocarros de espessa blindagem com que a generalidade das equipas se apresentam contra nós. A menos que um Matheus Pereira ainda não visto apareça na segunda metade que falta da época. Atendendo ao que vem fazendo no Moreirense, não podia o Sporting ter sugerido uma troca com Iuri Medeiros?

Parece-me pois indiscutível concluir que o ataque perdeu os seus dois jogadores mais talentosos, o que agravou quer o seu valor absoluto quer o valor relativo aos seus mais directos rivais. Não deixa porém de ser inevitável constatar que, apesar disso, estamos a falar de dois jogadores cujas prestações estavam longe de ser um exemplo de regularidade e que ou não tinham estatuto de titular - Montero - ou cujo contributo se perdeu numa fase muito precoce da época - Carrillo - não obstando a que o Sporting seja a equipa com mais tempo na liderança do campeonato. A dúvida é pois esta: será suficiente contar mais com a força do que com o talento?

Não se fala aqui de Tanaka, Labyad, Cissé, Salomão e Viola porque, pelas mais variadas razões, nunca foram parcelas de somar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

De Adrien, o Capitão a Cosme o catedrático, até à troca do Avioncito por Barcos

Antes de ir propriamente dito aos temas suscitados no titulo, ficam uma linhas breves sobre o jogo com a Académica. Pormenores de última hora impediram-me de ver o jogo ao vivo e, quando me sentei no sofá, ia preparado para ver um jogo do género "Anita vai ao parque" quando, passados menos de dez minutos já constatava que afinal o género seria o terror.  De forma breve:

- Muitas mexidas, algumas obrigatórias, outras nem por isso. A presença de Semedo (regular) a titular é a confirmação de que Ewerton deixou de contar, como aqui já havia vaticinado. Fica para nova observação, mas parece que Jefferson tem agora concorrência a sério. Registe-se a equipa inicial com seis jogadores formados pelo clube.

- Jogo ganho pela vontade indómita dos jogadores, suportada por um público insuperável de crença e dedicação total. O "colinho" desta equipa são os adeptos, indiscutivelmente.

- Se os adeptos são o "colinho" Adrien tem sido a nossa locomotiva. É ele que por vezes arrasta a equipa para a frente, pela vontade imprimida, outras vezes põe-a a deslizar, tal a classe com que executa. E golo, senhores? Um capitão a sério e com um "C" maiúsculo.

- Não foi um jogo brilhante do ponto de vista colectivo. A influência de Ruiz não se fez sentir tanto como em ocasiões anteriores e viu-se mais o recurso ao centro que às jogadas de envolvimento. Por acaso o lance do golo nasce de uma jogada assim, mas ficam dúvidas se tal seria possível com uma equipa que defenda melhor que a Académica.

- Infantilidade e falha de concentração (de vários, mas em especial de Mané, que estava a dormir na cabeça da área) a ditar o primeiro golo sofrido. Também com uma equipa mais forte poderíamos ficar em maus lençóis. Quem sabe aconteceu na altura certa, com a equipa certa.

Cosme, o catedrático
Em dia de Académica calhou-nos o Cosme. A presença de um árbitro destes, sem qualquer qualidade que o justifiquem, diz tudo do estado do futebol português. Um dos piores árbitros, um catedrático do erro todas as épocas, mas que permanece no quadro principal. Quem é o padrinho, a quem ele dá jeito, é a pergunta obrigatória? Um sinal do poder da associação de futebol a que pertence? E o que dizer da encenação da admissão de culpas, seguramente que patrocinada pelo Conselho de Arbitragem, em especial por Vítor Pereira. Já agora a sua nota também vai ser conhecida? A arbitrar assim quem sabe não acaba em internacional...

Seria fastidioso voltar a enumerar aqui os lances do jogo, uma vez que tal já foi feito até à exaustão. Lembro apenas um episódio já aqui anteriormente relatado e que demonstra a inaptidão total para a função de Cosme Machado:


"Jogava-se ontem o Académico de Viseu - FCPortoB quando, na sequência de uma tentativa de evitar que uma bola saísse do terreno do jogo, um jogador da equipa da casa fica ferido, como a imagem documenta. Ao invés, o que é bem claro na imagem e no som (apesar da fraca qualidade e pelo facto peço as minhas desculpas) é o total alheamento de Cosme Machado para com o estado do jogador e uma pressa inusitada em dar continuidade ao jogo que, há altura, se encontrava empatado a zero. Cosme Machado avança para o jogador aos gritos insistentes de "ou sais ou levas amarelo". É isto um árbitro de futebol?

Mais uma travessia de Barcos
O fecho do mercado trará ainda novidades e será certamente objecto de post a propósito. São muitos os rumores que circulam, há também algumas confirmações. No topo da actualidade está a possível troca, a ser confirmada a qualquer momento, de Freddy Montero por Hernan Barcos. Uma troca de meio de transporte na frente de ataque, trocando o Avioncito por Barcos.

Trata-se de um globetrotter argentino (onze clubes, em três continentes!), com um perfil físico que parece ser típico nas preferências de Jorge Jesus. Apesar da sua estatura não estamos a falar de um tosco. Como é óbvio há vários vídeos das suas performances, escolhi o seguinte como um dos seus melhores golos para ilustrar a frase anterior.



É fácil de perceber que Montero era o terceiro na lista de preferências do treinador, mas não é demais lembrar que, apesar do seu perfil pouco mediático, Montero deixa atrás de si um número de respeito, sobretudo se for considerado o pouco que tem jogado no último ano: 34 golos. 

Seria mais expectável e natural a saída de Teo Gutierrez, o que ainda pode acontecer até ao fechar do mercado, logo à noite. Não está em causa a qualidade do jogador, apesar de só a ter demonstrado em pequenos fogachos. Mas quando é cada vez mais evidente que a luta pelo título vai ser dura e todos os campos, é bom que só contemos com quem está cá de com o corpo e com a cabeça. E se Teo está, não parece nada...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Quantos Coates precisa o Sporting para se abrigar?

Sebastian Coates é o novo defesa central e chega como o desejado patrão, tão ansiado por Jorge Jesus. Uma aposta assim elevada parece demonstrar que não estamos apenas a colmatar a ausência temporária de Tobias Figueiredo por lesão, mas à procura de melhor desempenho no sector recuado. 

Justifica-se a sua contratação, nestes termos? Creio que sim. Paulo Oliveira e Naldo jogam nos limites das suas possibilidades, mas é natural que Jesus procure algo mais do que "arroz e feijão" (expressão usada pelos brasileiros para definir os centrais que jogam simples) logo a partir de trás. Parece-me também a constatação da desconfiança relativamente a Ewerton, que já várias vezes deixou Jorge Jesus pendurado. Ora porque não podia jogar, ora porque jogando, acabou por sair em momentos complicados das partidas.

Sob o foco dos scouters de todo o mundo desde 2009, Sebastian Coates chega ao Sporting à procura do futuro que tarda em encontrar. Não foi por acaso que já lhe chamaram "Luganito", apontando-o como sucessor do capitão e ídolo do Uruguai Diego Lugano. Projectos falhados como o Liverpool, onde chegou em 2011, a troco de oito milhões de libras, e sucessivas lesões graves e de demorada recuperação são as razões mais frequentemente apontadas como obstáculos ao sucesso e reconhecimento. Ao ponto de perder a titularidade quer nos clubes quer nas selecções.

Quando apareceu em 2009 Coates surpreendeu pela rapidez que exibia para um jogador com o seu porte atlético (1,96m). Porém foi um apurado sentido posicional e leitura de jogo que o notabilizaram, o que frequentemente lhe permitia antecipar as jogadas e estar no sitio certo. Apesar da sua tenra idade, Coates construiu uma imagem de central de perfil cerebral, mesmo em situações de pressão, o que de certo modo justificava a sua precoce aparição como titular do Nacional de Montevideu e depois na selecção.

Hoje, com 25 anos, a sua silhueta esguia está moldado por mais músculos, certamente fruto do trabalho físico tão habitual em Inglaterra e que parece ser responsável pela menor rapidez. É pelo facto de ter perdido a titularidade no Sunderland, onde acumulou quase 1.500 minutos de jogo, que o Sporting viu abrir-se a janela de oportunidade de o contratar. Uma jogada de risco para ambos os lados porque se se trata de um jogador obviamente caro e com estatuto a exigir titularidade, não é menos verdade que há sempre um risco latente para um atleta que desce da Premier League para uma liga considerada menor e logo para integrar a equipa que a lidera. O facto de já não haver jogos para experimentações e rodagem acentuam o índice se risco.


O que o "caso Slimani" nos veio anunciar é que o sistema já é à prova de novas tecnologias 

Brincando com o nome do novo central, pronunciando-o ao jeito anglo-saxónico (coats = casacos)  formulei o titulo do presente artigo. O objectivo é aproveitar também esta ocasião para abordar o recente desenvolvimento no caso Slimani, em que o jogador passa a ser objecto de procedimento disciplinar. Face às imagens disponíveis e sobejamente conhecidas de todos pode-se considerar aceitável aquela acção. Já o mesmo não se pode dizer do arquivamento dos processos intentados pelo Sporting a alguns dos jogadores do SLB, que tiveram comportamentos semelhantes ou até mesmo mais graves e que as imagens, conhecidas de todos também, documentam. 


O recurso à parcialidade num qualquer julgamento costuma ser acompanhado de algum disfarce ou manobra de diversão. A forma descarada com que se toma esta decisão revelam a frieza e segurança dos sicários que se sabem a coberto de qualquer punição. Contam com o silêncio cúmplice de todos quantos gostando de futebol preferem calar-se por lassidão ou conveniência. As imagens valem mesmo por mil palavras, sendo por isso reveladoras.

Mas se quisermos ficar apenas pelas palavras há que acrescentar mais um dado que torna esta decisão incompreensível: Nos regulamentos da FPF só é possível o castigo a um jogador com base no que está escrito nos relatórios dos jogos. Ora o lance do Slimani, bem como todos os outros dos jogadores do SLB, não constam do relatório do jogo.

Como é que o Conselho de Disciplina contornou este "pormenor"? Chama o árbitro de jogo que, à posteriori (!) se pronuncia sobre o lance, acolhendo a teoria do SLB. Já sobre actos de igual teor praticados por jogadores benfiquistas o árbitro declara que "não vê qualquer agressão." Face ao que as imagens documentam, isto seria suficiente para colocar em causa a sua capacidade para o exercício da função, para defesa do futebol e até do próprio, como seria natural.

Obviamente que esta grau de articulação entre Conselho de Disciplina e arbitragem para satisfazer uma das partes (o SLB) não é casual. Mas há algo de muito mais grave em tudo isto e que parece para já estar a escapar à atenção geral:

Este nível de comprometimento e parcialidade demonstra que a introdução de novas tecnologias não será suficiente para garantir a isenção e verdade desportiva e a credibilização do futebol. É isso que me parece estar a ficar agora demonstrado quando um órgão disciplinar e um juiz conseguem distorcer e contornar o que é claro e evidente para todos. É isto que o famigerado sistema parece querer agora anunciar.

Poder-se-á perguntar se tudo isto não é apenas uma tentativa de desestabilização, e que no final prevalecerá o bom-senso? Confesso que, depois de ter assistido ao "porco a andar de bicicleta jurídico" que foi a invenção do "dolo sem intenção" tudo é possível.

Voltando ao titulo do post, "quantos Coates precisa o Sporting para se abrigar"? Pois não sei. É que se e certo que quem anda à chuva se pode molhar, gente deste jaez é capaz de fazer a chuva cair de baixo para cima, tornando completamente inútil o melhor dos casacos, por impermeáveis que sejam.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Taça da Liga: a lição que veio do Sul

Não foi ontem que o Sporting ficou arredado a Taça da Liga, como facilmente se percebe. O destino já havia ficado traçado num jogo de todo infeliz ante o Portimonense no Algarve. O clube do extremo sul de Portugal obteve assim um merecido prémio, tendo em conta a brilhante carreira realizada. Não só ganhou todos os jogos aos adversários de primeira liga, como é neste momento a equipa mais concretizadora da competição, com nove golos. 

A sua aposta total na competição, alinhando em todos os jogos sem grandes alterações à sua equipa base, rendeu-lhe dividendos, recebendo daí o justo prémio. Como reverso da medalha não passará em claro o hipotético custo que tal lhe poderá ter acarretado: perdeu o jogo do passado fim-de-semana em casa com o Desportivo das Aves. Daí que seja justifique a pergunta: se tivéssemos feito o mesmo teríamos obtido o mesmo resultado? 

Honestamente ninguém pode responder a esta pergunta. É minha convicção que a eliminação desta competição foi um misto de infelicidade - uma vez que no jogo de Portimão tudo o que podia correr mal, correu - e de consequência pelas mexidas na estrutura da equipa. Em teoria, jogando com esta equipa (a que esteve em Portimão) somos quase obrigados a pelo menos não perder:
Porém, na prática, e até atendendo ao que vem acontecendo na presente época, verifica-se que na ausência de jogadores nucleares (Adrien, João Mário, Ruiz e Slimani) a equipa perde consistência e intensidade. No caso particular deste jogo fatal de Portimão, pareceu-me que faltou, sobretudo no meio-campo, capacidade de resposta organizada nos diversos momentos de jogo e especialmente capacidade de choque e luta na recuperação da bola e que de certa forma está ligado às características dos jogadores escolhidos para alinhar em simultâneo. Coisa que, para jogos com equipas da segunda liga, é um registo imprescindível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Onde está um comunicado quando mais precisamos dele?

Os jornais de hoje insistem na pista da perda de última hora dos dois jogadores do Marítimo para o rival FCP. Até agora o Sporting não se pronunciou mas talvez o devesse já ter feito, sob pena de estar a deixar passar a versão que menos lhe interessa e lhe causa embaraço. 

Isto tem duas leituras possíveis:

1- Os jogadores nunca interessaram e o Sporting deixou-se cozer em lume brando, sabendo que, como em tantas outras ocasiões, o seu nome poderia estar a ser servido para o desfecho agora conhecido. Não teria sido melhor ter atalhado logo e, em jogada de antecipação, ter desmascarado esta estratégia?

2- Ou então o Sporting estava mesmo interessado nos jogadores, ou em algum deles, e as histórias que hoje se contam nos jornais são verdade, ou pelo menos partes dela são. Se assim for, (e porque não nos chamamos todos Vasco...) haverá que perguntar:

           2.1- Como é que o Sporting consegue sequer conceber a possibilidade de negociar com Carlos Pereira, ou mesmo que o faça indirectamente, contribuir para o seu clube com qualquer tipo de receita?

          2.2- Como é que o Sporting, ainda mais depois de ser público o interesse nos jogadores, com sucessivas capas de jornais, esperou pelo jogo do Marítimo no Porto para fechar o negócio, sabendo do histórico de Pinto da Costa relativamente ao nosso clube? Se assim foi, não foi só incompetente, foi de uma ingenuidade imprópria para quem está num mercado com as características do nosso.

Confesso, como já havia feito no post anterior, que não me causa  menor pena ver os jogadores partirem para outras paragens, pelo que a sensação de perda é nula. Jogadores como Marega e pelo preço que teríamos que pagar, há tantos como há peixes no mar.

Quanto a José Sá, o facto de ser português e parecer ter qualidades não ilude que teria que aguardar a sua vez,  até Patrício se lesionar ou sair, o que o afastaria do trajecto de evolução que ainda necessita. Acresce ainda que se juntaria a outro guarda-redes de tenra idade, o que é duvidoso ser a melhor das estratégias. Todos sabemos quanto nos custou a evolução de Patrício.

Não menos importante é perceber como se podem suceder casos como Mitroglu, Cervi, Danilo, sem que haja qualquer indicio de se aprender com os erros. Mais ainda sabendo como sabemos que temos menos meios e que estamos sobre o olhar atento (versão simpática) de uma coligação de interesses entre FCP e SLB, que seguramente nem dormem enquanto o nome do Sporting estiver inscrito no primeiro lugar da classificação. Até tu, Sousa Tavares!?...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Marega e José Sá: mais um golpe que o FCP deu ao Sporting

Vamos dar de barato que o interesse do Sporting em José Sá e Marega era até real,  como era o de Danilo (este sim, já admitido pelo Sporting). São três jogadores numa só época e todos com bilhete de ida da Madeira e chegada ao Porto. O que é novo é que dantes as primeiras páginas dos jornais, com mais ou menos erros ou ênfase, reportavam não apenas o "roubo" de jogadores mas também e quase sempre o da usurpação do primeiro lugar. Ora há aqui uma mudança importante ao padrão anterior que é digna de registo: Os jogadores vão mas o primeiro lugar fica. Que eles continuem contentes com estes "golpes" e que nós continuemos felizes com o primeiro lugar.

Isto dito, duas linhas sobre o que penso sobre Marega, porque de José Sá falei já no post anterior:  o que não falta por aí são jogadores de valor equivalente, pelo que a sua contratação pelo FCP não pode ser encarado como uma perda. Acrescento ainda sobre esta matéria que me é muito difícil de aceitar que o Sporting, com o histórico que tem com presidente do Marítimo, aceite sentar-se com ele à mesa para negociar o que quer que seja. Espero pois que tudo não passe de especulações.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O castigo de Bruno de Carvalho, as infelicidades de Jesus e outros protagonistas

Na sequência do jogo para a Taça da Liga tinha prometido que falaria de alguns nomes que a atenção dos adeptos e dos média estavam a trazer para as primeiras páginas da actualidade. Será esse o tema do artigo de hoje.

O castigo de Bruno Carvalho
Como o próprio reconheceu, o castigo entretanto aplicado foi justo. Ao ser afastado do banco poderá viver com menos intensidade as incidências da partida e quem sabe repensar a sua posição. Como o próprio Jesus afirmou, do ponto de vista técnico, a importância da sua presença no banco é nula. Já do ponto de vista institucional não é. Tendo em conta a postura que entendeu adoptar na luta do que lhe parecem ser os interesses do Sporting fica ali mesmo à mão de semear para ajuste de contas e até humilhações. A repensar.

Jorge Jesus
O treinador não está a ser nada feliz nas provas a eliminar desde o início da época, onde tem coleccionado desaires. Foi assim com o afastamento da fase de grupos na Liga dos Campeões, foi a carreira cheia de sobressaltos na fase de grupos da Liga Europa, foi a eliminação na Taça de Portugal e é agora a situação periclitante e de sucesso improvável na Taça da Liga. É declaradamente assumida a aposta praticamente total no campeonato nacional, onde Sporting tem sido dominador quase desde o início. Uma jogada de risco calculado ou um all-in pouco racional?

Não sou capaz de dar uma resposta taxativa. Isto porque creio que ninguém terá dúvidas da importância que tem para o clube voltar a vencer um campeonato e se tal tivesse que acontecer à custa de todas as outras competições teria subscrição muito próxima da unanimidade. Se tivesse que fazer alguma crítica esta recairia no número de alterações que o técnico realiza, deixando a equipa órfã de talento, consistência e identidade. Não seria possível ser mais cirúrgico, pelo menos até estar assegurada a continuidade por exemplo, na Taça da Liga? Nunca saberemos a resposta a estas interrogações pelo que, enquanto a liderança do campeonato for uma realidade, a estratégia de Jesus tem validação automática.

William
Hoje dizer que o desempenho de William já conheceu melhor acerto e maior fulgor é perfeitamente consensual. Como descarto à partida que o jogador se tenha acomodado e viva dos rendimentos - isso seria impossível com praticamente todos os treinadores, com Jesus é mesmo - interroguei-me já bastantes vezes sobre as razões do eclipse, logo num jogador que parecia ser dos que mais ganharia com a chegada de Jesus. Obviamente que a pista de "mouro na costa" - leia-se propostas milionárias - tem de ser sempre equacionada num jogador com o seu potencial e com a visibilidade já adquirida. Mas inclino-me para uma hipotética falta de adaptação/resposta que o modelo de Jesus lhe esteja a provocar.

Começo a explorar esta possibilidade ao constatar que, ao longo de toda a época até agora disputada não vimos ainda um jogo completo "à William". O 4x4x2 de Jesus parece estar a tirá-lo da sua zona de conforto. Ao contrário do 4x3x3, onde o melhor William apareceu e deu cartas, o modelo de Jesus pede-lhe funções mais alargadas e obriga-o a articular mais com o companheiro de sector, Adrien. Tem que ser menos posicional, sendo mais exigente do ponto de vista físico, da concentração e da reacção. Como ele percebe, melhor e de forma mais célere que ninguém, que não está a responder como seria esperado, é natural que o primeiro sinal seja de falta de confiança. A forma como sair deste desafio definirá o seu futuro próximo. Não vejo Jesus a desistir dele porque, mais do que ninguém, perceberá o seu potencial. Mas, no limite, não recuso a ideia de Jesus optar por João Mário ao lado de Adrien, este sim, a aproveitar muito bem a mudança de treinador.

Boeck
Ao que parece estará de regresso ao Brasil. Assisto com pena a uma série de comentários pouco abonatórios para o eterno suplente de Patrício. Está precisamente aí, na eternidade em que espera por uma oportunidade, a razão para as suas infelizes aparições recentes. Pela especificidade da função, são muito raros os casos de guarda-redes que aparecem no seu melhor após longas paragens. E não é a jogar um par de jogos por ano, de forma intercalada, que se chega à forma. Acresce que gosto da forma como vestiu a nossa camisola pelo que, nesta hora, não o podia esquecer, chama-se a isso gratidão. Não deixo também de crer que Patrício não se teria afirmado e crescido se não pressentisse atrás de si alguém capaz de com ele disputar o lugar. Sê feliz Marcelo.

Já quanto à substituição fico com sentimentos mistos ao ouvir o nome de José Sá. Reconheço-lhe alguma qualidade mas não me parece que Rui Patrício vá perder o sono com a sua presença. Na idade em que está precisa de jogar. Mesmo que o faça na equipa B não vejo como possa já constituir uma alternativa segura a possíveis ausências do nosso habitual titular. Em suma, se tudo isto se confirmar, no curto/médio prazo não ficamos melhor.

Teo
Seguramente que este Teo, o que (não) temos visto com a nossa camisola, "não é o mesmo" que tem sido titular da sua selecção e, com isso, sentado no banco nomes aparentemente improváveis como Jackson. Agora que parece  que se estão a abrir as portas para um regresso ao seu continente de origem, aceito resignado a ideia de o ver partir. À cabeça está o seu pelo menos aparente pouco compromisso com a equipa e por consequência com os objectivos do clube. Se, como parece ser verdade, é o próprio a querer ir embora, compre-se o bilhete já hoje. Não há nada pior numa equipa que um elemento onde apenas o corpo está presente. Isto agravado do facto de ser dos que mais deve cobrar ao fim-do-mês. Se ficar, que fique de cabeça limpa e com vontade de nos demonstrar o que é Jesus viu nele para o ir buscar.

Novidades
Não deu ainda para fazer grandes avaliações sobre os reforços Zeegelaar e Schelotto. Outra coisa seria se estes tivessem sido integrados naquela que se entende seja a melhor equipa. Ainda assim arriscaria dizer que há ainda muito caminho para andar até compreenderem o que Jesus pretende que façam.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"Um clube que então, internacionalmente, não contava nada, ninguém sabia quem era o Sporting"

Quiz: 

Quem proferiu a declaração que serve de titulo ao post (onde falta "até eu chegar" para ficar completo) e que oblitera mais de um século de história do Sporting Clube de Portugal?

1- Luis Filipe Vieira

2- Pinto da Costa

3- Bruno de Carvalho

4- Um humorista

Por via das dúvidas o palmarés internacional do Sporting pode ser consultado neste link: Palmarés Internacional do Sporting Clube de Portugal,  estando algumas  das conquistas mais emblemáticas descritas na imagem que ilustra o post.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Taça da Liga: ligados à máquina, à espera do milagre

Antes de me debruçar sobre exibição do Sporting e dela extrair os respectivos sinais e consequências julgo ser de inteira justiça reconhecer o mérito do Portimonense na vitória ontem alcançada. Com ela tem quase selada a passagem à fase seguinte, sendo muito difícil ao Sporting impedir que se aponha o carimbo que falta.

Não foi por falta de aviso prévio que o jogo não foi encarado como sendo de alguma dificuldade. O Portimonense está a realizar uma boa campanha na divisão inferior, sendo até um dos candidatos à subida e até já havia goleado o Arouca. E, tal como Jesus reconheceu na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, a diferença de competitividade entre as equipas deste escalão (especialmente as que podem subir) e grande parte das que disputam a primeira Liga é muito ténue, se é que existe. 

Sobre o jogo propriamente dito, devo dizer que discordo da análise, recorrente sempre que se perde, que a derrota resulta de menor empenho dos jogadores. Por um lado é natural, porque eles são homens como nós, que os jogadores olhem para estes jogos de modo diferente que o que sucederia se fosse um dérby ou um clássico. Depois, se todos acham que esta é terceira competição em importância, como é que se pode pensar ou até pedir que este sentimento não se propague aos jogadores? Isto não é uma questão de maior ou menor profissionalismo, ou ganhar muito ou pouco, tem a ver com a condição e natureza humana.

Considerações de ordem filosófica à parte, não me parece que seja muito importante procurar exaustivamente as razões desta derrota, porque elas são fáceis de encontrar. Para tal consideraria:

- A ausência de quatro jogadores-chave na equipa de Jesus, e que têm sido determinantes para o percurso positivo da equipa este ano: Adrien, Ruiz, João Mário e Slimani. Por esta ordem.

- A inclusão de jogadores sem grande ritmo de jogo e sem grandes rotinas colectivas entre si que não sejam as que decorrem do treino. Falta-lhes muitos minutos de jogo, o treino, por muito rigoroso e bem ministrado que seja, não deixa de ser uma simulação da realidade.

- O decorrer do jogo com um resultado adverso levou a equipa a perder a identidade, o que foi acentuado, pelo dois pontos acima descritos. Nos jogos recentes não me recordo de tanto recurso ao cruzamento, especialmente na segunda metade da partida. Quase não se viram as triangulações, as progressões em apoio, o jogo interior que torna esta equipa muito difícil de suster. Ainda assim, embora de forma sôfrega, criámos oportunidades suficientes para construir um resultado mais de acordo com os nossos interesses.

- As incidências do próprio jogo, que ocorrem de forma aleatória, umas vezes em nosso favor, outras vezes contra. Ontem não fomos eficazes na finalização mas também não tivemos uma ponta de felicidade em todos os momentos em que poderíamos ter alterado o curso do resultado.

Mas se não vale a pena perder muito tempo a tentar compreender as razões da derrota, já me parece justificar-se olhar para as consequências e sobretudo para as reacções que se vão notando aqui e acolá.

Quanto às consequências é fácil perceber que, com já foi reconhecido acima, estamos com pé e meio fora da competição. De forma muito clara e objectiva estamos a ponto de poder ganhar "apenas" este ano o campeonato nacional, uma vez que a Taça de Portugal já era e a da Liga vai a caminho.

Quanto às reacções de alguma desorientação patente em alguns comentários, (de adeptos e até de comentadores) essas já me merecem algumas considerações. Como por exemplo:

- Não há boas derrotas, pelo a que de ontem não o foi. Mas não é honesto do ponto de vista intelectual extrapolar o resultado de ontem para precipitar conclusões de índole especialmente negativa. Considerar, a partir dai, que o Sporting está num mau momento parece-me manifestamente exagerado, mas dá jeito a quem olha para o topo da classificação e não gosta do nome que lá vê inscrito.

- É certo que é a segunda derrota consecutiva (o empate com o Tondela é assim por mim considerado) e que num curto espaço de tempo sofremos três derrotas, um número importante face ao percurso nacional imaculado. 

- A derrota de ontem não tem nada a ver com o que aconteceu com o União da Madeira e com o Tondela. A explicação para essas é que me são mais difíceis de perceber e até aceitar, porque ocorreram na mais importante competição, com a nossa melhor equipa em campo. 

- Seria lamentável que um resultado negativo numa competição "terciária" fizesse abalar a confiança e a empatia entre a equipa e adeptos e que em muitos casos foi responsável pela obtenção de bons resultados, quando estes pareciam difíceis de obter. Esse tipo de sentimentos propagam-se das bancadas ao relvado e influenciam comportamento dos jogadores. É por isso importante desde já "invadir" Paços de Ferreira!

- Tendo em conta o que é dito acima, não faz sentido, a partir do jogo de ontem, individualizar as culpas num jogador em particular, porque não foi uma falha individual ou uma pior prestação que determinou o resultado.

Uma vez que o post já vai longo fica para posterior oportunidade a individualização de alguns comentários sobre alguns elementos actualmente sobre o foco muito particular dos adeptos.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Quem está mais alto e mais forte? Qual o efeito Peseiro?

A primeira jornada da segunda volta do campeonato proporcionou três resultados diferentes entre os três grandes, sendo difícil de atribuir o titulo de maior surpresa ao empate caseiro do Sporting com o Tondela ou à derrota do FC Porto em Guimarães. Desses resultados que conclusões extrair no que diz respeito à corrida ao titulo? 
  1. A única que se pode invocar para já com total segurança é que o vencedor dessa corrida está longe de estar decidido. 
  2. Outra ainda que se pode extrair é que não há ainda nenhum favorito declarado. A classificação e a distância pontual entre as equipas tem oscilado consoante o momento de cada uma, tendo-se assistido, em apenas três jornadas, a alterações significativas na classificação.
Façamos então a avaliação da força de cada uma das candidaturas pela perspectiva que o momento nos possibilita.

- O FC Porto cai para terceiro lugar e será essa a posição que a sua candidatura terá caso não seja muito feliz no processo de escolha do sucessor de Lopetegui. Como se viu nos últimos é uma equipa em perda quer pela contestação que estava a ser sujeito o treinador, quer agora pela orfandade de identidade. Neste momento o seu futebol não é azul nem branco, apenas cinzento. Contudo não está ainda arredado do titulo porque, apesar dos erros cometidos na formação no plantel, este contém valor suficiente para melhorar substancialmente a sua competitividade. Não no actual contexto, obviamente, em que os jogadores, sem confiança, se exibem muito abaixo do que são capazes. Além do treinador parece-me também ser necessário resolver o problema da insuficiência de Aboubakar e talvez ainda um central de perfil diferente dos que agora possui.

Entra agora nesta equação José Peseiro, um nosso velho conhecido e um tanto ou quanto injustiçado. Pode-se afirmar, sem grandes receios de ser contrariado que, até à entrada agora de Jesus, foi dele o melhor e mais consistente futebol que vimos em Alvalade. Saiu em sob o peso de duas derrotas duras em casa que nunca soubemos digerir, optando por responsabilizá-lo em exclusivo. Não voltamos a ter uma época como a de 2005, sendo caso para perguntar se o "quase" de Peseiro não é muito melhor do que muitos nadas que entretanto coleccionamos.

E agora no FC Porto? No campeonato estará dependente do arranque sob a sua liderança. Não poderá perder muitos mais pontos, a menos que o mesmo suceda com os seus rivais directos. Pode até não demorar muito a impor os seus conceitos, uma vez que o privilégio dado à posse de bola é o ponto em comum com o seu antecessor. É muito natural que a qualidade em posse cresça e veremos certamente em breve rotinas bem definidas. Jogadores hoje contestados e alguns que perderam o seu espaço podem conhecer novo protagonismo. Por exemplo? Evandro, Ruben Neves. Provavelmente a Brahimi será visto mais ao centro do que nas alas. E se a qualidade com que é servido aumentar, até Boubakar será visto com outros olhos.

- O SL Benfica está agora apenas a um par de pontos do comando, estando muitos furos acima do que parecia ser capaz há um par de meses atrás, quando três derrotas consecutivas com o maior rival e ex-treinador quase fizeram faltar a luz. O futebol exibido está longe de ser o mais elegante e agradável à vista, mas os resultados estão a aparecer em catadupa, com a equipa alardear confiança. A qualidade dos seus executantes na frente de ataque garantem quase sempre golos, sendo de assinalar que recuperou pontos quando se registava a ausência do seus melhores jogadores (Gaitan e Sálvio) que em breve estarão de volta. Acresce ainda a ausência do seu capitão Luisão, tido como fundamental na manobra defensiva da equipa.

- Por último o primeiro, o Sporting. O jogo com o Tondela foi até agora o que me deixou mais perplexo. Compreendi o empate com o Boavista, sob o prisma da procura de um novo equilíbrio que a ausência de Carrillo inevitavelmente teria que suscitar. Compreendi a derrota com o U. Madeira à luz de algum facilitismo e de acidente de percurso em que o futebol é fértil. Mas aquela primeira parte com o Tondela não tenho lugar onde a encaixar. Ainda por cima sem autocarro, se bem com muita pressão, com a qual os jogadores quase nunca souberam lidar. Este acumulado de desilusões com as equipas aparentemente mais fracas do campeonato levaram-nos pontos suficientes que, associados aos que se perderam em casa com o Paços de Ferreira, para acomodar nada mais nada menos que 3 desaires. Que jeito nos dariam para disputar as últimas jornadas do campeonato? Pois... 

A ilação a retirar remete-me ao ponto de partida deste campeonato: o Sporting é o menos favorito dos três candidatos ao titulo. Mas tem sido o que melhor futebol tem exibido, a sua proposta de jogo é a mais sedutora. Mas não há sistemas perfeitos e, como se viu agora com o Tondela, o modelo de Jesus tem riscos que são ainda mais elevados numa equipa que ainda precisa de crescer na compreensão total do que a ideia de jogo do seu técnico exige. Só por ingenuidade se pode pensar que sofrer dois golos com o Tondela em lançamentos em profundidade foi meramente casual.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O discurso de Bruno de Carvalho sobre o Estado da Desunião

Estas foram algumas das frases do discurso de Bruno de Carvalho na A.G. do passado sábado que chegaram a público e que vêm descritas no jornal "O Jogo". Já as que vêm descritas no Correio da Manhã vou abster-me de comentar ou porque a fonte não me inspira credibilidade ou porque, a serem verdade, o seu conteúdo é muito rasteirinho e indigno de uma reunião magna de associados do Sporting Clube de Portugal.

"O que não é minimamente admissível é verificar que alguns sportinguistas querem fomentar a desunião. Não é admissível termos pessoas que gostam, especialmente antes de grandes jogos, de dar entrevistas, de dizer que o Sporting está a ser gerido de forma incompetente, que mentem descaradamente em comunicados bacocos e em entrevistas estéreis"

"Continuamos num clube onde há cobardia. Não é apenas de Ruis Barreiros que vivemos, vivemos também de cobardes que se escondem atrás de cartazes e perfis de Facebooks, onde se está a disputar uma das mais vis campanhas contra o Sporting, com pessoas a atacar em uníssono e de forma cobarde esta direção e o seu presidente"

"Ficaram chocados quando o presidente colocou sócios do Sporting em tribunal. É com alguma facilidade com se manipula alguns sportinguistas. Resumiu-se a três, se isto são sócios do Sporting, temos de começar a pensar no perfil de quem pode ser sócio"

"É o momento de escolher que queremos lutar por um Sporting campeão ou se queremos ser um clube de bem, politicamente correto, que não levanta ondas, submisso, de gente boa. Não se ponham lado. Ou querem um Sporting vencedor ou o retrato de um presidente, porque para aqueles presidentes bastava uma foto. Este é o presidente que vocês querem. Para sermos campeões temos de ser todos a lutar por isso"

"Nós continuamos de mangas arregaçadas a lutar pelo Sporting. Aqueles que dizem que o presidente devia reconhecer que era penálti, não foi penálti! Para esses, é andar 14 anos sem vencer, ser diferente é sermos gozados pelos rivais. Se querem um clube apenas para vir votar, jogar às cartas e um presidente refinado e elaborado..."

Quem não se lembra da forma como Bruno de Carvalho apareceu na vida do Sporting até chegar a presidente? Ora esse percurso retira-lhe toda a legitimidade para proferir acusações a sócios que hoje, de forma publica ou privada, manifestem a sua opinião sobre a vida do Sporting. Os que poderão dizer que o tempo lhe veio a dar razão, podem garantir que esta não assiste aos que hoje exercem esse direito?

Estas declarações são absolutamente lamentáveis e só vêm acentuar a minha convicção sobre Bruno de Carvalho: é o seu carácter controverso e a falta de equilíbrio nas declarações que profere que fomentam as reacções de desaprovação. É isso que desvia as atenções do que tem conseguido realizar. Prova disso é que uma AG que devia ser recordada pela aprovação das contas consolidadas ficará recordada por este triste episódio. 

É de todo estranho este foco dado por declarações de um membro do CL que, por sinal, até foi escolha do presidente. O que é que isto importa para o sucesso, ainda por cima num momento particularmente feliz na vida do clube? Quem não está a par da actualidade, e ainda por cima pelo destaque dado que esta matéria tem na comunicação social, será instado a pensar que se vive um momento de sublevação interna, o que não é apenas hiperbólico, é irreal.

Não me lembro, nos piores anos do chamado "roquetismo", igual falta de respeito pelos sócios e perseguição feroz à opinião discordante, com promessas de "purgas" por delito de opinião e  controlo eugénico dos associados, sem que houvesse alguém que manifestasse o mínimo de discordância perante estas declarações completamente desajustadas.

Antes vivia com algum pesar, pelo facto de viver distante de Lisboa, não poder acompanhar pessoalmente acontecimentos importantes na vida do clube, participando com o meu voto nas decisões do clube. 

Hoje, depois de ler o que está descrito acima, constato ainda com maior mágoa, que só me posso congratular por não ter o meu nome associado a um momento como este. Até aquele que deveria ser o representante de TODOS os associados (e não apenas dos que concordam), o PMAG, se comporte como um justiceiro implacável.

As promessas de equidistância e respeito por todas as opiniões eram apenas para ficar bonitas nos cartazes?

sábado, 16 de janeiro de 2016

Penalty ou não, não é a única questão

Há duas perspectivas possíveis para analise sobre a questão do penalty e não tem a ver com o facto de ser mais ou menos sportinguista.

video

1- Não é penalty como se pode ver pelas imagens na TV. O jogador do Tondela tropeça e vai em queda,  promovendo o contacto com Patrício, que até joga a bola, como também se pode ver na repetição.

2- Não tendo acesso às imagens em câmara lenta o árbitro,  tendo que decidir na hora e não tendo acesso à sua perspectiva do lance, ninguém pode afirmar se decidiu se acordo com o que viu ou com o que quis ver. Tendo marcado penalty, tem que se aceitar a expulsão de Patrício como consequência.

Ora fosse apenas o penalty a actuação do árbitro não me levantaria suspeitas. Mas o que se seguiu obriga a constatar a má vontade do árbitro em relação ao Sporting. Faltas não marcadas ou marcadas ao contrário, paragens de jogo desnecessárias ou excessos de rigor que inevitavelmente enervam uma equipa que até estava a jogar mal e com dificuldades em encontrar a sua identidade. Tudo isto na primeira parte tendo na segunda exibido um critério diferente, mais próximo do que é a sua obrigação e expectável numa actuação imparcial. No escasso tempo de desconto dado que nem sequer respeitou, ainda por cima num jogo cheio de peripécias e paragens, voltou ao seu ponto de partida original. São estes "pormenores" que me deixam desconfiado em relação à arbitragem deste jogo em particular.

Mas mesmo tendo sido um lance que condicionou a actuação da nossa equipa, isso não pode servir para explicar nem o resultado nem uma actuação muito abaixo do que é exigido a quem quer chegar ao fim em primeiro lugar. Pior, para ser campeão o Sporting tem de contar com imponderabilidade do futebol e, no contexto ainda vigente no futebol português, tem de contar com o antagonismo de muitos agentes, sejam eles árbitros, quem os nomeia, quem os avalia e ainda com a oposição feroz da concorrência.

Para finalizar a posição oficial do clube. Se a nossa pretensão sobre introdução das tecnologias de apoio à decisão dos árbitros é sincera e não meramente instrumental (para quando as coisas nos corre mal) devemos sempre lembrá-la em quaisquer circunstâncias, sejam elas a favor dos nossos interesses. Ora isso nem sempre tem acontecido. Ainda pior é invocar opiniões de terceiros,quando estamos de acordo e ignorá-la quando não concordamos. Um bom exemplo do que estou a afirmar é o painel do jornal "O Jogo", quanto mais não seja por na sua composição incluir ex-árbitros que cresceram ao lado do famigerado sistema, tendo com ele lucrado e provavelmente feito parte.

Tendo tudo isto sido dito não posso deixar de concluir o resultado do jogo não se explica apenas pelo lance do penalty. Há muito demérito da nossa parte. A melhor forma de acertar as contas com este jogo é ganhar em Paços de Ferreira. E para isso nada melhor do que um estádio cheio de verde e branco.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sporting - Tondela: Trop Petit

Houve muito, muito pouco Sporting hoje. Falo daquele Sporting mandão e que quer ganhar o jogo desde o primeiro minuto. Há algum mérito de Petit na forma como montou a equipa mas nada que não fosse nossa obrigação contrariar. Os primeiros vinte minutos foram tenebrosos, com perdas de bola consecutivas, a não permitir assentar o nosso jogo. 

Como as aselhices nunca vêm sós haveria de aparecer um penalty e consequente expulsão de Patrício. Não vale a pena entrar na discussão se foi ou não. A minha interpretação é que não é falta. Mas para perceber melhor a decisão do árbitro ficam as decisões que se seguiram, com faltas marcadas ao contrário, outras deixadas passar em branco, parecendo ter como objectivo final a desestabilização da nossa equipa. Enfim, nada de novo e que não tenhamos visto antes.

Ainda assim, e depois de ter conseguido, de forma brilhante, ter dado a reviravolta ao marcador em inferioridade numérica é profundamente frustrante acabar por sofrer um golo em contra-pé. O avançado do Tondela não estava fora-de-jogo, mas já não se pode dizer o mesmo de Jefferson, que estava nitidamente a dormir. 

Tinha dito aqui anteriormente que o jogo com o União da Madeira poderia ser o jogo mais importante na  busca do tão desejado titulo, caso os jogadores retirassem dele os devidos ensinamentos. O mesmo se pode dizer da euforia dos que pensavam que o jogo de hoje eram favas contadas. Este vai ser um campeonato duro, que provavelmente durará até aos últimos minutos. Vai ser preciso nervos de aço e atenção redobrada. E entretanto já lá vão sete pontos com algumas das equipas mais fracas do campeonato...

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