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segunda-feira, 9 de março de 2020

Sporting 2 - Aves 0: A primeira de Rúben Amorim ou nem por isso

Como é natural a principal curiosidade relacionada com o jogo com o Desp. das Aves era a de perceber quais seriam as mudanças que o novo treinador pretendia introduzir e como é elas estavam a ser assimiladas pelo plantel. Mesmo sabendo, claro está, que essa curiosidade estava à partida mitigada pela constatação, que a anteceder o jogo,  terem sido apenas duas as sessões de treino. O par de expulsões em pouco menos de vinte minutos de jogo iniciais deitou por terra uma parte substancial desse interesse nesta partida, ficando este reduzido em saber "quando", "como" e "quem" seria o autor da inauguração do marcador. "Se" também deve ter perpassado por algumas cabeças, tanto foi o tempo que o Sporting precisou para marcar o primeiro golo.

As dificuldades em chegar ao golo não foram propriamente uma surpresa. O Sporting é uma equipa à procura de identidade, sem processos de jogo muito consolidados, pelo que jogar num curto espaço, que por vezes não era mais de vinte metros, era um grande desafio para a perseverança e imaginação de uma equipa sem jogadores repentistas e ou especial capacidade de improviso ou mesmo  no domínio da bola em espaços muito curtos. É muito fácil de dizer que a circulação de bola deveria ser mais rápida, mas ninguém diz como é que isso se faz numa faixa de terreno ocupada por nove jogadores adversários que, dessa forma, tentava superar a desvantagem numérica, o que, para efeitos defensivos, ia sendo conseguido. 
Como Rúben Amorim haveria de reconhecer, tratou-se de um jogo atípico. Mas deu para perceber que o treinador está convicto do que pretende para a equipa e que as mudanças constantes de modelo que se verificavam no consulado anterior devem ter ficado para trás. Não se pode, porém, deixar de se interrogar se o que o treinador tem à disposição é suficiente para subir a produção da equipa e consolidar o seu jogo num plano mais elevado do que o que se tem verificado ao longo de toda a época.

Onde as dúvidas se afiguram maiores é do meio campo para a frente e especialmente nos extremos. Plata ainda está na incubadora, potencial e talento estão lá, mas ainda não o consegue por a render de forma regular e consequente. Jovane passa mais uma vez ao lado do jogo, não justificou sequer o sacrificio de Ristovski, sendo duvidoso que se possa esperar muito mais dele. Vietto revela muita dificuldade em segurar a bola e dar continuidade, exercendo a ligação que dele se pede. 
Saúde-se as prestações de Ilori e de Geraldes, para quem pode haver segunda vida. Se é verdade que o jogo adversário não foi suficiente para grandes provas para o central, pelas suas características, especialmente a velocidade, pode vir a ter agora nova oportunidade. As movimentações de Geraldes, nem sempre correspondidas ou entendidas pelos colegas, revela o seu entendimento superior do jogo, mesmo sem lograr ainda o brilhantismo para que parecia estar destinado. Mas são dois casos claros que podem estar na calha para reencaminhar as respectivas carreiras. 
O melhor em campo foi claramente Wendel, a mostrar quase todos os seus predicados. É por ele que os jogadores avenses são expulsos e é dos pés dele que sai a bola para a cabeça de Sporar.

O jogo acaba por ser ganho também de forma um pouco atípica para o contexto: muita paciência. Isto num clube em permanente ebulição, com manifestações, pedidos de não comparência e muita gente com o sportinguismo enfermo a não conseguir disfarçar o incómodo que, apesar disso, o Sporting consiga ganhar.

sexta-feira, 6 de março de 2020

De Silas a Rúben Amorim

Na verdade ninguém terá ficado muito surpreendido com a saída de Jorge Silas do comando técnico do Sporting. Os resultados em modo de assim/assim, mas sobretudo algumas exibições, significaram uma clara  melhoria relativamente ao registo desta época atribulada. Mas ainda assim insuficientes para manter a ligação pelo tempo mínimo expectável: o final da época.

Obviamente que os resultados importaram na decisão tomada mas, mais do que isso, parece-me que a ligação entre a administração e o treinador nunca se transformou num casamento feliz, com condições para durar. Citando Fernando Pessoa (via o meu amigo António Alfarrobinha no seu Bola de Cautchu):

"para vencer, material ou imaterialmente, três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar as oportunidades e criar relações humanas. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte."

Ora sorte é coisa que não temos tido há muito e nesta época em especial tudo ou quase tudo temos feito para a desmerecer. Não trabalhamos bem e não se comungando da mesma uma visão é quase impossível obter bons resultados. A escolha de Silas teria correspondido mais um espírito de "desenrascanço" e o "deixa ver se pega" já observado com Leonel Pontes do que uma escolha baseada num critério definido ou na convicção de acto de gestão racional.

O trabalho de Silas nunca seria fácil e a possibilidade de êxito é logo quase à partida dramaticamente reduzida com a saída de Bruno Fernandes, agravada pela chegada tardia de Sporar, já depois do dérby e do clássico e a poucas horas da Taça da Liga. Há que reconhecer também que Silas esteve também longe de revelar assertividade, particularmente ao não estabilizar a equipa num modelo em que esta se sentisse confortável, depois da pré-epoca caótica de Keizer e da balbúrdia que se seguiu na construção do plantel e dos resultados daí subsequentes. Esse seria ou deveria ter sido o seu trabalho primordial e que não logrou alcançar. 

Talvez por isso mesmo Silas tenha percebido que o seu tempo terminava ali na Turquia, sentindo-se impotente e incapaz de dar à equipa o mínimo indispensável: a confiança que o plantel tem de ter no trabalho efectuado e muito em particular no treinador e vice-versa.

Não sei como se chega a Rúben Amorim, mas o valor pago pela cláusula de rescisão contaminará definitivamente qualquer discussão sobre a decisão. Está na mente de todos que foi a necessidade de racionalizar os custos que contribuiu para afundar a época em curso, ainda o barco não tinha saído do cais. Como é que agora se paga tanto por um treinador que o eleva ao top dos treinadores mais caros de sempre, pondo-o como um desconhecido e inexperiente ao lado de nomes como José Mourinho é a pergunta que está na ordem do dia. Esperemos que constar do top ten onde se aproveita apenas Mourinho, Ancelotti e, um pouco mais abaixo, Pelligrini e AVB, não constitua um mau presságio...

Devo ser dos poucos Sportinguistas que não valoriza a experiência ou, neste caso, a ausência dela no curto curriculum de Amorim. A experiência fala-nos sobretudo do passado e relativamente pouco do futuro. Para o tentarmos projectar na vida de um treinador parece-me mais importante olhar para o que fez no seu trajecto, nomeadamente como jogaram as equipas sob seu comando, que resultados alcançaram, que efeito a sua passagem provocou, o que pensam dele os jogadores, colegas e dirigentes que com ele privaram. Fosse apenas pela experiência, nomes como Mourinho, AVB e até mesmo Guardiola, dificilmente nos fariam despertar as memórias e sensações que deles guardamos.

De facto, o curriculum de Ruben Amorim é muito curto. São apenas 42 jogos realizados como treinador principal. Mas trata-se de um percurso tão surpreendente como foi meteórica a sua ascensão a técnico do Sporting. Começa no Casa Pia, onde realiza 18 jogos, contabilizando 13 vitórias. No Braga B, dos 11 jogos 8 deles são vitórias. No seu percurso recente pelo Braga somou 10 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, ambas com o Rangers, que ditariam a eliminação na Liga Europa. Pelo meio ficam as vitórias sobre todos os grandes.

É aqui que pode entrar a experiência. A que Ruben Amorim não tem mas de falou Silas à saída. É que Amorim entra num clube onde a atenção mediática é incomparavelmente superior à do Braga, onde a pressão, também por comparação, é quase nula. Então se falarmos na pressão interna que transforma o clube em ponto permanente de ebulição... O que falta a Amorim falta a todos antes de entrar: a experiência num clube onde tudo parece ser muito mais difícil e tortuoso que na generalidade dos seus congéneres.

Mas não vai encontrar apenas o tempo e cobrança favoráveis, que lhe permitiu trabalhar tranquilamente em Braga. Encontrará também um clube que, em termos organizacionais, está quase parado no tempo há vários anos, talvez algures no inicio do presente século. No que ao departamento de futebol diz respeito, Amorim não tardará a perceber que muito do que tinha em Braga lhe daria jeito por cá. Mesmo no que diz respeito aos recursos humanos de retaguarda. E, quanto ao plantel, não diria muito menos...

E este último aspecto vai ser determinante para o que lhe será possível ainda alcançar este ano. É muito duvidoso que encontre em Alvalade elementos em número e qualidade que lhe permita emular o modelo de sucesso que instalou em Braga onde, convém lembrar, conquistou o primeiro troféu da carreira. É que é ainda no que falta da Liga que Amorim determinará a largura das portas por onde entrará na próxima época. E o seu futuro está umbilicalmente ligado ao de Frederico Varandas e Hugo Viana, que parece aqui vestir de forma integral o fato de director desportivo. Esta é seguramente uma contratação com o seu dedo.

Considerações à parte, Ruben Amorim já cá está e a sua excelente prestação na apresentação convocou de novo a costela que talvez seja o que nós Sportinguistas temos mais em comum: a de optimistas incorrigíveis. Talvez mais do que mais o lado sonhador seja essa vontade indomável de, apesar de tudo e com todos os pesares, querermos ver o Sporting no lugar que para ele projectamos nas nossas mentes e corações.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Tudo demasiado feio e demasiado mau!

O Sporting não começou a perder o jogo com o Famalicão no momento em que o árbitro dá inicio ao jogo ou sequer quando sofre dois golos de rajada. O Sporting começa a perder o jogo quando na véspera e no próprio dia do jogo (!) deixa escorrer para os jornais a substituição do treinador em funções. Treinador esse já sobejamente desautorizado e isolado durante as últimas semanas. 

Na despedida Silas deu uma aula de comunicação, na perspectiva da defesa dos seus interesses, e defesa da sua imagem, bem entendido, não se preocupando com as consequências que daí adviriam para um clube cotado em bolsa e por isso com obrigações com o regulador. Obviamente que exorbita das suas funções ao fazer o que não lhe compete: anunciar o seu substituto.

Mas tal só sucede por total demissão de funções de quem deve dirigir o clube, que obviamente deveria ter antecipado o cenário e assim evitado aquele momento de streap-tease, deixando a nú uma realidade incómoda e confrangedora: o Sporting tem um sério problema de liderança ou mais propriamente de falta dela. Quando assim é a sucessão de maus resultados são uma mera consequência, um pormenor, não o problema propriamente dito.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Basaksehir 4 x Sporting 1: Mas que alívio!

A dor causada por ser atirado para a valeta, sem honra, por uns turcos de futebol tão básico é inevitável, mas ao desastre sobreleva-se uma sensação de alivio. Desta forma evitamos não só a exposição do nosso nome a humilhações como a de ontem, como nos poupamos ao desgaste que a esperança depressa transformada em desilusão nos provoca. 

Ora se com os ignotos turcos somos corridos a quatro, o que nos poderia acontecer na fase seguinte da prova, com adversários mais poderosos? Pelo menos poupamos o Bruno Fernandes ao embaraço de explicar aos colegas do Manchester United como jogava ele neste molhe de jogadores - equipa é outra coisa... - caso nos calhassem em "sorte".

É muito difícil de entender como é que uma equipa com uma eliminatória na mão e vinda de um jogo onde demonstrou superioridade se entrega ao adversário de forma dócil, consentida, diria mesmo solicitada. Total ausência de compromisso e respeito pela camisola envergada por parte de alguns jogadores, associada a falta de classe de grande parte deles. Demasiados erros defensivos a revelar desconcentração e uma demonstração de medo, cagaço miúfa, falta de estofo para estas andanças, o que lhe quiserem chamar. A melhor ilustração desses factos são a quantidade de golos sofridos de bola parada e em momentos determinantes como o fim da primeira parte e o fim do tempo regulamentar por duas vezes.

A ausência de autoridade, de orientação e discernimento não foi exclusivo dos jogadores, antes parece ter vindo de fora para dentro. Não se sabe que orientações deu Silas à equipa, ou como decorreu a preparação do jogo. O que se percebeu logo desde o inicio é que a equipa pareceu aturdida pelo futebol directo dos turcos, nunca conseguindo fazer aquilo que se esperava para este jogo: tentar ter bola, arrefecendo a vontade e a crença turca e procurar os espaços que os turcos teriam que abrir para chegar até à baliza de Max. 

Mas quem faz alinhar o inepto Bolasie durante uma hora, volta a confiar num inútil Jovane também não parece estar a ler bem o que se está a passar em campo e o que o jogo pedia. Para o ilustrar  chama Doumbia, que se limitou a correr para a frente e para os lados, nunca constituindo uma referência e apoio para as tarefas defensivas e reacção à perda de bola. Fazê-lo a seguir ao golo caído do céu que nos recolocava na discussão da eliminatória também não deve ter sido particularmente estimulante ou reforço dos níveis de confiança já de si baixos. E o que dizer da entrada de Eduardo no momento de marcação de um canto, e que ditaria a descida ao inferno do prolongamento e daí ao regresso inglório para casa?

A abordagem ao jogo e a leitura feita por Silas não pareceu a melhor. Mas, com todas as virtudes e defeitos do treinador, não se deve excluir da análise o enxovalho e consequente desautorização que as capas de jornais com nomes de substitutos por desmentir constituem. Se o treinador não conta para a definição do futuro do grupo de trabalho não nos devemos surpreender que os jogadores aliviem na entrega e no compromisso, ainda que tal constitua uma falha no seu profissionalismo. É por aqui que construirá muito do que ainda resta da época e a obrigação que temos de ir à procura do último lugar que nos resta. Infelizmente parece que o que se prepara parece ser mais um salve-se quem puder.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Plata polida sempre brilha

Foto by @Isa
Depois de uma prestação europeia muito razoável, havia alguma curiosidade para perceber como se comportaria a equipa do Sporting ante a congénere boavisteira,  a segunda das melhores da Liga a defender nos jogos longe de casa. 

As ausências forçadas dos pilares defensivos - Coates e Mathieu - e um eventual cansaço, eram factores que adensavam as dúvidas. Para ajudar Silas resolveu fazer algumas apostas inesperadas, voltando a chamar Rosier à titularidade e fazendo descansar Acuña. Muito interessante esta mudança, chamando Rosier à construção a três. O francês teve critério e associou-se bem por dentro, procurando Battaglia e Wendel mas sobretudo a Vietto.

Mas a grande surpresa, e que acabou por ganhar carácter decisivo para o desfecho da partida, foi a chamada à titularidade de Plata. É certo que o jovem equatoriano beneficiou muito do golo relativamente madrugador - 13 minutos - que trouxe a tranquilidade necessária para jogar sem a pressão de desfazer o nulo, que tantas vezes acaba por retirar discernimento à equipa e não menos à bancada. Mas, para que tal sucedesse ele foi um dos actores principais. Não só pela assistência para o golo de Sporar como, pouco depois, com um golo anulado, até conseguir fazer o gosto ao pé canhoto com que se selou o resultado final.

Não deixou também de surpreender a atitude demasiado passiva e total tracção atrás do Boavista. O Sporting soube ter mérito no demérito do adversário que, só já quase no final, incomodou seriamente o espectador Max. Este acabaria por desempenhar bem o papel que se pede a um guarda-redes de um grande, que sabe que vai intervir pouco e por isso tem de estar sempre preparado para ser decisivo quando for chamado. 

Mas, como é evidente, poucos serão os adversários que nos oferecerão tantas facilidades e será então que o teste à prontidão de Plata & Cia será mais efectivo. De qualquer forma o talento está lá e parece agora mais pronto para o fazer valer em seu beneficio e do colectivo do que as aparições anteriores. É o percurso natural de qualquer jovem, que requer paciência, mas precisa de oportunidades.

Foto by @Isa
Três notas que me parecem importantes a reter: 

- O regresso de Francisco Geraldes. Que o seja efectivamente, porque a equipa tem lugar para para melhor versão dele. 

- A vergonhosa actuação do nosso velho conhecido Nuno Ferrari Vermelho Almeida. O ódio visceral que nos tem faz com que nos prejudique ate quando é indiferente. Aquele penalty e vermelho perdoados são todo um compêndio a demonstrar que não há VAR que valha contra  a incompetência e o ódio.

- Inadmissível o silêncio do Sporting quer sobre o hino à desonestidade que foi a capa do Record - que obrigou um Silas sozinho a por os pontos nos "iiss" na conferência de imprensa, quer sobre o roubo escandaloso de Nuno Almeida. Quanto a este último ponto, depois não adianta chorar...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Isto não é o Sporting


Só há uma atitude possível perante o que sucedeu no passado fim-de-semana em Alvalade com os dirigentes do Sporting, Miguel Afonso, Osório de Castro e familiares que os acompanhavam: reprovação inequívoca e sem subterfúgios. Sem mas nem meios mas.

Vivemos tempos em que há sempre uma verdade alternativa que se acomode à narrativa que se pretende. Não deveria ser assim nunca e muito menos num caso como este. As imagens disponíveis denunciam de forma clara premeditação e frieza na execução com objetivo de pelo menos intimidar, que nem a presença de menores fez demover ou sequer hesitar. Perante isto não pode haver contemplações e o Sporting deverá ir até às últimas consequências.

Infelizmente as reacções que o caso despoletou denunciam a morbidez que se apossou do clube. Primeiro só podia ser mentira, se era verdade que se mostrassem as imagens, agora que há imagens é uma vergonha que tenham sido passadas pelo clube à CM TV, como se não se soubesse o histórico do canal. Não estamos a falar de contratações falhadas, de politicas de comunicação, da expressão legitima de descontentamento ou de discordância com decisões tomadas, mas de violência pura e dura e isso é absolutamente intolerável.

Não é possível, sob pena de sermos coniventes e assim fortalecermos as suas pretensões, tentar menorizar ou justificar so sucedido. No espaço de menos de dois anos, desde Alcochete em Maio de 2018, situações de violência verbal e física banalizaram-se. O peso que isto tem para uma instituição como o Sporting, que vive numa conjuntura altamente concorrencial, ainda por cima nem sempre exercida de forma limpa, não é quantificável.

A direcção em funções está legitimada e, até revogação desse mandato, cabe-lhe gerir o clube da melhor forma possível. Os acontecimentos dos últimos quase dois anos diminuem o seu poder negocial em todos os campos, seja com os bancos, com fornecedores, tutela e, nunca o esquecer, com atletas. Quantos bons profissionais quererão continuar a representar este clube agora ou fazê-lo no futuro com este tipo de expressão mediática permanente? Que argumentos exibiremos nas mesas de negociação com possíveis patrocinadores? Que poder de atracção  teremos junto de boas marcas?

Por último, quão redutor será no campo de recrutamento de futuros dirigentes? Quem quererá abdicar de uma carreira profissional e qualidade de vida para viver permanentemente acossado? Esta pergunta vai directamente para  pretendentes e ex-futuros dirigentes, cujo silêncio actual só pode ser interpretado com taticismo eleitoral.

Já quanto aos que recentemente exerceram funções, poupem-nos às suas lições de como preencher o totobola à segunda-feira. Quanto a vossa sapiência e presciência nos podia ter sido útil, estavam a engordar o monstro com que agora temos que lidar e perderam por falta de comparência quando mais preciso era que tivessem ido a jogo.

Quanto à imagem que faz hoje a capa do nosso jornal julgo que ela deve recolher a unanimidade. Mas pela negativa. O Sporting tem que ser maior que isto, a honra de capa nunca pode ser dada para lembrar quem vive dele e não para ele.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Mesa da Assembleia Geral indifere o pedido de "Dar Futuro ao Sporting"

Não faltarão argumentos jurídicos a sustentar a mais recente decisão da MAG do Sporting, que indefere o pedido do movimento "Dar Futuro ao Sporting" bem como do seu contrário. Da informação que pude recolher esta era um decisão mais ou menos esperada, atendendo à forma e conteúdo do pedido. No entanto ninguém estranhará que daqui resulte um campeonato jurídico para decidir o campeão desta causa. Requisito já as pipocas?

Sobre este pedido parece-me que não deixa de ser caricato que os dois principais fundamentos para o pedido - a incompetência e a falta de cumprimento do programa eleitoral - sejam em sim mesmo ineptos por pouco sustentáveis como fundamentos para justa causa. Para a análise equilibrada e devidamente sustentada da verdadeira situação do clube não bastam os resultados desportivos de uma modalidade, ainda que ela seja o futebol. E, quando o mandato ainda não chegou a meio, parece-me também extemporâneo invocar incumprimento de programa.

A primeira conclusão a tirar deste processo é que urge repensar os estatutos. Não deixa de ser caricato que um dos subscritores do pedido tenha reconhecido essa necessidade, pela facilidade com que se pode fazer parar uma administração, num  recente programa de uma estação de rádio.

A segunda é que, tratando-se do Sporting, e olhando ao ambiente que se vive em torno do clube, desde a destituição dos órgãos sociais anteriores, tentativas como estas deverão seguir-se.

A terceira é que cabe aos actuais órgãos sociais perceber o que está ao seu alcance para alterar a actual conjuntura, em tudo altamente perniciosa, quer para a sua acção, quer para o clube em geral. É certo que herdaram uma situação altamente complexa e desfavorável, como talvez nenhuma outra. É certo que as razões da crise actual ultrapassam em muito as questões de natureza financeira e jazem em terrenos muito mais profundos do que a superfície dos resultados do futebol deixam entrever. É certo que há uma espécie de legião de saudade e outra de espoliados do regime anterior que nunca se conformará ainda que o Sporting seja amanhã campeão.

Mas nunca é demais lembrar que lema da candidatura dos actuais órgãos sociais era precisamente "Unir o Sporting". Sobre isso há muito mais a fazer do que perguntar, como fez ontem o presidente na TVI, se o Sporting alguma vez foi unido. É que também se pode retorquir a esta pergunta: mas alguma vez esteve tão fracturado? 

Ainda que se reconheça que as culpas sejam muitas e de várias origens a responsabilidade e a iniciativa cabe sempre em primeiro lugar a quem tem a responsabilidade de dirigir. Com verdade, humildade e competência e com um discurso que mobilize e congregue as forças dos Sportinguistas que anseiam ver o Sporting no lugar que merece, certamente que a união será menos utópica.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Pontapés & Caneladas

Torna-se cada vez mais difícil de perceber os objectivos de Silas, fazendo de cada jogo um novo teste, sem estabelecer uma linha de continuidade com o jogo anterior. Seja na escolha dos jogadores seja na forma como os dispõe no terreno. Essa falta de coerência é levada ao limite quando o jogador que ele próprio elegeu como determinante no jogo anterior - Eduardo - não sai do banco sequer, apesar das dificuldades que a equipa revelava desde a construção até á ligação entre sectores. 

É certo que a qualidade individual à disposição não abunda, que jogar em Alvalade deve ser um verdadeiro filme de terror para estes jogadores, mas é também muito difícil de perceber o que se treina em Alcochete por estes dias. Isso e as constantes mudanças operadas por Silas, quando o objectivo primordial deveria ser estabilizar a equipa a partir de dentro, já que de fora já se percebeu que tal não sucederá.

Deste jogo com os algarvios a salvação viria da obra de arte de Mathieu, construída com um livre que saíu directo para se fixar no álbum de recordações de um dos melhores mas mais circunspectos jogadores da historia recente do Sporting. Ou da ajuda do árbitro que, sendo complacente com os jogadores do Portimonense, permitiu que o autor do autogolo terminasse o jogo sem ser expulso por acumulação de amarelos.

Quem não parece ter salvação é mesmo o Sporting. Se as agressões seja a quem for são sempre inqualificáveis, as reacções que se seguiram a tentar minimizar ou até a encontrar uma narrativa que as neguem são ainda piores. Elas são reveladoras de que as enfermidades de que padece o clube são muito mais vastas e profundas que apenas um problema com claques a sofrer de complexos de superioridade por tratar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Tem razão Neto: "Está muito fácil bater no Sporting"

É a frase que fica da noite de ontem e a autoria é de Neto. Percebe-se a revolta, o campo ficou inclinado desde muito cedo. Aos vinte e dois minutos de jogo o Sporting tinha cometido quatro faltas e contava já com três cartões amarelos. Ora quem não viu o jogo podia ser levado a pensar que foi o Braga a começar o jogo por cima do adversário, quando até foi o Sporting a superiorizar-se nos momentos iniciais do encontro! 

Lamento por isso que Silas tenha querido ser elegante com um árbitro que de forma reiterada nos prejudica. Não só Jorge Sousa não é um grande árbitro, como influenciou o resultado do jogo, uma vez que Galeno é o autor do remate cuja recarga de Trincão acaba no fundo da baliza de Max. Golo que dá os três pontos e que oferece ao adversário o terceiro lugar, à nossa custa. Ora Galeno deveria ter visto o segundo amarelo no final da primeira parte. O árbitro viu, o auxiliar também. Onde está o Soares dias no VAR quando precisamos dele? Só faltou a Jorge Sousa ir amarelar o Bruno Fernandes ao camarote de onde viu o jogo.

Lamento também a reacção pública institucional tardia e que tenha sido necessário esperar pela sinfonia de cartões amarelos ou de vira minhoto de faltas ao contrário, como quem vira frangos na Guia, pelo auxiliar do lado do nosso ataque. Agora é tarde e "Inês é morta". Tivesse havido reacção nos jogos em que o VAR adormeceu (Rio Ave, p.ex.) ou que acordou de forma quase inédita (Portimão e meia-final da Taça da Liga, p.ex). Tivessem as palavras de ontem, depois do comboio passar, ditas na sexta-feira, a lembrar o passivo de Jorge de Sousa, talvez este tivesse procurado ter um pouco daquilo que há muito revela faltar: vergonha na cara.

Tem razão o Neto: é fácil bater no Sporting. Infelizmente há quem entre nós rejubile também com as nossas derrotas, seja por desejo de ajuste de contas, seja porque cheira à cadeira de poder. Continuamos a sair ou a entrar em Alvalade debilitados por permanentes guerrilhas internas, continuando a não haver uma reacção ordenada, conjunta que represente a força social de um clube que tanto deu e continua a dar ao País cujo nome é também o seu. Por isso fale o presidente muito ou seja mudo o resultado é invariavelmente o mesmo.

Tem razão o Neto: é fácil bater no Sporting. E é-o também porque cheira cada vez mais a desastre a época em curso, tantos foram os erros cometidos na sua preparação. É verdade que não é propriamente inédito estarmos a lutar pela obtenção do terceiro lugar. Mas fazê-lo com o Braga, Famalicão e Rio Ave, clubes com percentagens muito reduzidas do nosso orçamento anual, ilustra de forma tão perfeita como cruel o quão longe estamos do lugar que devíamos ocupar. Ontem, quando o Braga chega ao golo, maior do que a dor de o sofrer foi o sentimento de impotência para alterar o resultado. Quem, no meio da mediania geral da nossa equipa, teria capacidade para o fazer?

O presidente Frederico Varandas prometeu uma reacção para esta semana, explicando-se aos sócios e adeptos. Neste momento dificilmente o que quer diga virá alterar o estado de fim de linha para onde a sua gestão desportiva encaminhou o seu mandato. Espero ainda assim que o faça com coragem, sem voltar a invocar o passado, por mais constrangedor que tenha sido e continue a ser para a sua acção. Porque, haja a  humildade em reconhecer, falhou redondamente na preparação da presente época e é essa a principal razão da situação em que se encontra o nosso futebol.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Sabes, Bruno

Sabes, Bruno,

A tua vinda lembrou-nos de que feridas somos feitos. Sabes, é que aqui raramente somos gratos. Fomos como que obrigados a esconder-nos numa máscara do “0 ídolos” e depois, não raras vezes, esquecemo-nos de agradecer. Perdoa-nos. Foram os anos de turbulência que nos obrigaram a isso. Mas custa-me que neste Sporting que conheceste raramente se dê o devido valor aqueles que vestem a verde e branca. Achamos sempre que aqueles que vêm são pouco dignos de a vestir. E só te posso pedir desculpa por isso.

Bruno, tu nem eras um filho da casa, mas tornaste-a parte de ti. Vestiste-te de raça e personalizaste o leão que carregavas ao peito. Voltaste atrás para dar um passe de gigante que foi levar-nos às costas. Carregaste um Sporting que não era o teu, sofreste como se a camisola que vestias fosse a tua pele e levaste-nos mais longe. Mesmo que nem todos o venham a reconhecer. Sabes que acredito na velha máxima de que “não é o Sporting que se orgulha do nosso valor”, mas nós - todos nós - é que “nos devemos sentir honrados por ter esta camisola vestida”, como dizia Stromp. E gostava que um dia percebesses isso.

Acredito que hoje, na tua saída, isto pareça injusto. Sou-te muito grata e não duvido do teu valor. Lembra-te, nesta saída, que o Sporting é maior do que qualquer um com quem te cruzaste neste caminho. É maior do que todos nós. Espero que, um dia, ainda que lá longe, venhas a conhecer esta grandeza de que te falo. Merecias ser parte de um outro Sporting que eu própria não sei se conheci.

Bruno, desculpa pela casa vazia de ontem. Merecias mais. Pela ovação que ontem não tiveste. Pelo ruído que ouviste. Pelo nome que se sobrepôs ao teu. Obrigada. Para sempre, obrigada.

Agora vai. E antes de vestires o vermelho, reveste-te de esperança e sê feliz.

Texto da autoria de Mariana Gonçalves

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Quanto vales Bruno Fernandes?

Foto @Isa
Está por horas o ingresso de Bruno Fernandes no Manchester United. Até à confirmação oficial do negócio em forma de comunicado à CMVM - e até mesmo depois desse momento - o negócio será objecto de aturadas análises, quase ao jeito de uma autópsia forense. Os valores envolvidos estarão certamente à cabeça de praticamente todas as conversas.


O Valor
Do ponto de vista estritamente pessoal, nem que recebêssemos 200 milhões por Bruno Fernandes ficaria satisfeito. Quem o levar leva não apenas o melhor jogador da nossa Liga - logo o nosso melhor jogador - mas um grande profissional. De forma que as estatísticas comprovarão, é mais de metade da nossa equipa, seja a defender, a assistir e a marcar golos. E, além da garra e empenho exemplares, é um capitão como há muito não tínhamos. Ora isso não tem preço. 

Mas quem faz o preço é o mercado e estranhamente, ou talvez não, Bruno Fernandes não parece ter aberto muito apetite aos tubarões europeus, a despeito da sua qualidade. A par disso a inexistência de validação na melhor competição de mundo de clubes - a Champions League - e a nossa mais que conhecida necessidade, bem como a vontade do jogador, não ajudam a potenciar os valores a receber.

O Timing
Não há timing perfeito para abrir mão de Bruno Fernandes. É verdade que já não podemos ganhar nada e que para isso ele seria imprescindível, mas não é menos verdade que sem ele o risco de segurar o último lugar no pódio aumenta. Com tudo o que nos aconteceu desde o inicio da época até agora, é quase um pesadelo pensar onde estaríamos se ele tivesse saído no verão passado e é esse o sentimento que vigorará nos próximos jogos. É como deixar de pagar o seguro de vida por falta de dinheiro. E se?... A única "vantagem" da sua saída neste momento é a existência de tempo para análise do perfil de jogador que adequado para suprir a sua saída e atacar a próxima época. 

Obviamente que o momento ideal de vender Bruno Fernandes seria o final da época, embora nada garanta que o cenário do verão passado não se repita, com a novela a arrastar-se de forma já quase nauseante.Relativamente à possibilidade de valorização no europeu tal não me parece um elemento válido nesta discussão. Qualquer potencial interessado não quereria correr o risco de o deixar valorizar e preferiria fechar a transferência antes de ele ocorrer. 

Notas finais:
Com a camisola do Sporting Bruno Fernandes ganhou duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal. Foi considerado o melhor jogador da Liga por dois anos consecutivos 2017/18 e 2018/19. Representando a selecção nacional venceu a Liga das Nações. 

Sabe a pouco, para um jogador da sua categoria. Como aliás a de muitos outros grandes jogadores que por cá passaram ou neste clube se formaram. Jogadores como ele mereciam estádios cheios e sonoras palmas, em compasso, de pé, até a imagem dele se perder no túnel para o balneário, a tentar adiar o inevitável. Quem sabe a ir reclamar o seu lugar na história, ao lado de Balakov.  Mas com o Sporting descompassado da sua grandeza, Alvalade foi também um local de desencontro: no seu tempo houve quase sempre um grande Bruno e um pequeno Sporting. E foi assim, num estádio frio e inóspito que se despediu de um grande, grande jogador.

Obrigado Bruno Fernandes. Cumpre o teu destino.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Sporting 1 - Maritimo 0: Tanto remar para tão pouco Mar(itimo) atravessar

Foto Sporting Clube de Portugal
Há muito que em Alvalade não se rema para o mesmo lado, pelo que não deve surpreender ninguém que o Sporting tenha revelado dificuldades em fazer a travessia marítima de que estava incumbido e que não podia borregar caso não quisesse desperdiçar a oportunidade de regressar ao pódio da Liga.

Estou mais habituado a remar sozinho, dos tempos que me aventurei na canoagem de forma meramente lúdica,  mas sei que quando se rema em equipa a soma das forças é importante. Mas a qualidade da remada, bem como a coordenação de movimentos fazem toda a diferença na resultado final, nomeadamente na rapidez com que se atinge a meta.

Ora, se nada há a dizer sobre o empenho dos jogadores no confronto com o Marítimo - foi justamente a sua recusa em baixar os braços perante as dificuldades que se chegou à vitória - o mesmo não se pode dizer sobre a qualidade da execução e coordenação colectiva. A isso não terá sido alheio o facto de se registarem três ausências de peso (qualitativo) no onze inicial. 

Mathieu é fulcral quer na forma como defendemos, quer mesmo na construção do nosso jogo. A ausência de Acuña talvez tenha sido a que sentiu menos pela subida de rendimento de Borja.  Mas  Vietto ajuda a ligar o nosso jogo e aumenta a qualidade da nossa chegada às linhas recuadas do adversário, pela ligação que oferece entre os sectores mais recuados e os avançados. A sua ausência e a inexistência de substitutos para os seus papeis - sobretudo do primeiro e do último - condicionaram muito a nossa prestação.

Em jeito de resumo e aproveitando a metáfora acima, o Sporting ontem remou muito, o esforço feito foi superior à qualidade do desempenho. Para chegar até este Marítimo remamos o suficiente para chegar ao Brasil.

Notas individuais para

Max: fez o que se pede a um guarda-redes: ser sempre decisivo quando intervém, mesmo quando é chamado poucas vezes a fazê-lo. Tendo em conta o que resta da época, este é talvez o momento indicado para crescer com o tempo de jogo e mostrar qualidades para a função. Contra ele a instabilidade, mas até aí este pode ser o tempo certo porque viver com isso é quase condição sine qua non para ser atleta do Sporting.

Wendel: melhor que em quase toda a época até agora.

Bruno Fernandes: a novela da sua transferência está com certeza a afectá-lo isso nota-se sobretudo na forma como define os lances e se relaciona com os colegas. Não sabe jogar mal mas é muito mais importante para o nosso jogo do que foi onttem.

Sporar: mostrou um pouco do que pode oferecer, por comparação com o a alternativa Luiz Philliype. Maior disponibilidade para se oferecer ao portador da bola como ligação, para explorar o espaço entre os centrais e laterais e espontaneidade do remate. Pena o empurrão que nos anula o golo, mas para quem ainda tem as malas por desfazer e ainda por cima anda a canja de galinha ficou um aperitivo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Erros meus, má fortuna

Como é fácil (a)bater no Sporting
Não mudo uma virgula ao que disse sobre o plantel do Sporting e a preparação da época no post anterior.  Mas antes de ir à análise do jogo e das respectivas consequências não posso deixar de dar aqui conta de mais uma encomenda entregue ontem pelo árbitro Nuno Almeida e o seu colega no VAR, Artur Soares Dias, velhos "amigos" e conhecidos nossos. 

Ainda a perder há um lance de cartão vermelho que é transformado em amarelo e um lance de amarelo (Bolasie) transformado em vermelho. No primeiro Nuno Almeida preferiu não ver que Ristowski já ia sem oposição e no segundo Soares Dias resolveu alertar o colega que não se fez rogado, preferindo ficar agarrado ao frame final e ignorar que aquele lance só acontece porque o jogador do Braga escorrega e Bolasie não tinha com mudar a abordagem ao lance, uma vez que já tinha iniciado o  movimento.

São demasiados erros para um lado só mas que infelizmente passam em branco sem que alguém do CD do clube diga alguma coisa sobre a matéria, marcando uma posição forte. E infelizmente os adeptos parecem estar tão conformados ou focados na destituição do CD que preferem ignorar que foram mais uma vez atirados borda fora. Assim não será de estranhar que no futuro o mesmo volte  a suceder. Como é fácil (a)bater no Sporting mesmo quando ele há muito está (a)batido.

Quanto ao jogo, foi doloroso ver o Sporting levar uma valente ensaboadela nos primeiros minutos de jogo, chegando mesmo a sofrer o primeiro golo. Jogadores como Paulinho, Fransérgio, Ricardo Horta, Galeno, André Horta e Trincão poderiam ser titulares no Sporting. Mas se alguém se lembrasse de tal não faltaria quem dissesse "Quem???". Parecemos uns fidalgos arruinados mas continuamos com tiques de grandeza e nomes bons só se forem estrangeiros. Esgaiowski e Palhoumbia ainda cá estariam. Assim o Braga cresce às nossas custas ao longo dos anos, está cada vez mais perto e é até mais influente, como se percebeu ontem e outros jogos anteriores.

Com o desfecho de ontem fica praticamente encerrada a época. Se preciso fosse um exemplo do enorme equívoco que foi a respectiva preparação chegou hoje Spohar, quando já nada há eSphoar a não ser acabar no terceiro lugar. É chegado o momento de o CD - e muito particularmente Frederico Varandas - se chegar à frente e dar as explicações que nos são devidas. Tudo o que podia correr mal correu ainda pior e, pese embora todas as dificuldades, há decisões incompreensíveis cujas consequências estão à vista de todos. Falarei a propósito deste tema no próximo post.

Nota importante: quem em 2018 esteve calado, assobiou para o lado, caucionou e apoiou a vergonhosa tentativa de golpe institucional então levada a cabo não perdeu o direito à opinião sobre o que passa hoje no Sporting. Esse direito é inalienável. Mas perdeu toda a legitimidade. Essa continuam a ter todos os sócios que se opuseram, independentemente das listas em que votaram. Os que ainda hoje vivem em 2018 deixem o clube entrar na nova década, com todos as suas imperfeições  e defeitos porque o futuro constroi-se todos os dias, a olhar para a frente por todos, sem necessidade de falsos profetas ou messias.

sábado, 18 de janeiro de 2020

O Derby foi como um algodão: não enganou!

Foto by @Idzabela
Se dúvidas houvesse quanto aos inúmeros desequilíbrios que se registam no actual plantel do Sporting  e sobre as razões da fossa abissal que se abre entre nós e os dois primeiros classificados, elas ficaram dissipadas nos recentes jogos com o FCP e SLB. De uma forma muito similar em ambos as partidas, sempre que foi necessário efectuar mudanças e decidir o jogo, os treinadores adversários tinham à sua mão opções que do nosso lado eram inexistentes. Isto sem esquecer as diferenças de qualidade dos onze iniciais.Nesse sentido, o derby foi como o algodão, ninguém saiu enganado. O actual plantel do Sporting e toda preparação da época estão a ser um argumento para um filme tragicómico.

Não obstante o que é dito no parágrafo acima não posso deixar de comparar estas duas prestações recentes com as que tivemos no campeonato passado com estes mesmos adversários e até mesmo com o SLB na Supertaça no inicio da época. Mesmo sem lograr obter melhores resultados (no clássico foi até pior...) quer a réplica dada quer mesmo a ideia de jogo que a sustentou são claramente melhores que as então observadas. 

Consegui-lo abona em favor do trabalho do treinador, mais ainda se atendermos às diferenças de argumentos à disposição. O que poderia ele conseguir com outra matéria prima é a pergunta que fica. Repito o que disse relativamente ao clássico: há muito mais caminho assim do que o que víamos fazer na época passada. Num momento em que o trabalho efectuado na preparação da época é justamente colocado em causa, parece-me de inteira justiça dizer isto do trabalho efectuado pelo treinador na recuperação da equipa, sendo o jogo da Supertaça e o derby de ontem bons objectos de comparação.

Contudo faltam actores em qualidade e quantidade suficientes para a sustentar as ideias que Silas quer para a equipa. Ambos os resultados se explicam por aí. Repare-se nas substituições efectuadas. Enquanto Silas chama Plata, Borja e Pedro Mendes para o jogo, Bruno Lage vai buscar ao banco Rafa, Sferovic e Taarabt. Não foi por Silas que o Sporting perdeu o jogo. Imaginando que a Liga é um concurso de culinária do tipo MasterChef, Silas ainda conseguiu fazer um bolo, apesar da escassez dos ovos e de exígua qualidade da farinha. Mas quando chegou a hora de finalizar, apenas Bruno Lage possuía cacau e natas para fazer a cobertura.

Tendo começado mal, com os médios completamente abafados por Weigel e Gabriel -  sobretudo Wendell e Doumbia - e com Cervi a condicionar logo saída de bola, a equipa foi equilibrando o jogo, tendo sido suas as principais oportunidades, por Camacho. Na segunda parte o Sporting alarga o campo, encosta mais o adversário, mas não consegue ter oportunidades claras, apesar das dificuldades criadas.

Cada jogo que passa é uma auto-explicação de tudo quanto foi mal pensado e pior executado na construção do actual plantel. Começando de baixo para cima:

- A rábula do ponta-de-lança não terminou ainda e as exibições de L. Phellype ajudam a perceber as suas limitações e uma das razões porque não marcamos golos a nenhum dos nossos rivais. O nosso único "9" não oferece soluções - não se oferece no apoio, não ajuda a criar desequilíbrios ou a baralhar as marcações, é lento a pensar e agir e pouco esclarecido a decidir - acentua os nossos problemas. A forma como consegue anular o golo a Acuña é confrangedora, dramática até.

- Não meto Pedro Mendes nestas guerras porque não se mandam inocentes para o campo de batalha. 

- Sem Vietto e com Bruno Fernandes pouco inspirado - ou com a cabeça noutra Liga - foi Camacho a chamar a si as despesas na criação de perigo. Mas o miúdo, pese a boa prestação, não tem a eficácia de Rafa e muito do resultado final se explicam por aí. Mas tem aparecido sempre em crescendo, em sintonia com as oportunidades que lhe são concedidas.

- Bolasie é esforçado e nada mais. É ineficaz a finalizar, remata em aflição, sem classe e, quando não, finta-se a ele, ao adversário e aos colegas. A defender é um desastre, não sabe quando ficar em contenção, ou o momento ideal para fechar ou atacar o portador da bola. A dúvida que fica é se o Matheus Pereira se ri ou se chora quando o vê jogar. 

- Muitas das nossas fragilidades começam logo na titularidade de Doumbia - uma nulidade e só é explicável por não haver mais ninguém - e Wendell. O brasileiro é geralmente inconsequente a construir e usa pouco mais que os olhos para defender. Doumbia aanulou todos os progressos que se lhe notaram no clássico. O comportamento no lance do golo atesta que não é o "6" que precisamos.

- O regresso de Ilori foi um acto falhado, a cada oportunidade concedida o jogador torna-se protagonista pelas piores razões.

- Apesar da prestação apagada, é penoso imaginar o que seja esta equipa sem Bruno Fernandes e com metade do campeonato ainda por jogar.

Quem esteve permanentemente fora-de-jogo foram as claques. Não vale a pena chover no molhado, torna-se cada vez mais evidente que é muito maior o amor por si próprios do que a sua utilidade para o clube.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O mercado de Inverno do Sporting

Foto @Idzabela
A fraca prestação desportiva que nos atirou para a disputa do terceiro lugar e a disputa da Taça da Liga como objectivos máximos a alcançar esta época reduz em muito aquele que deve ser o papel do Sporting no mercado de inverno. 

Não fora a transacção aparentemente iminente de Bruno Fernandes, a integração de novos elementos deveria ficar-se pela inclusão de um ponta-de-lança. Não apenas porque o número de elementos do plantel é reduzido para a posição, como o que aqueles oferecem à equipa é claramente insuficiente. Caso a venda de Bruno Fernandes ocorra, aí o Sporting pode encarar este mercado como o momento ideal para começar a projectar a próxima época, pensando na integração de um elemento para a sua substituição.

Idealmente "esse" ponta-de-lança já cá devia estar e ser opção quer para o dérby, quer para a Final Four da Taça da Liga. Basta lembrar o quão penalizador foi o resultado do recente clássico com o FCP - justamente pela falta de eficácia - para se perceber quão orfã está a equipa nesse lugar, desde o abaixamento de forma de Bas Dost registada o ano passado e concluída com a sua partida. O sucesso da escolha para aquele lugar estará seguramente intimamente ligado à classificação final a obter quando se encerrar a Liga NOS 2019/2020.

Relativamente aos ajustes a efectuar ao plantel, não parece avisado abrir mão de titulares que constituem a espinha dorsal da equipa, atendendo à situação na tabela classificativa e aos níveis de instabilidade emocional que aquela revela, como ainda se viu recentemente em Setúbal. Já a saída de elementos que não justificaram a razão da sua contratação - Fernando, Eduardo - poderia significar não só um alívio financeiro como a abertura de caminhos para a afirmação de jogadores oriundos da equipa de sub-23. 

Não incluo no lote Jesé. Não porque a sua participação não seja decepcionante, mas porque a saída de Bruno Fernandes pode significar a abertura de novas oportunidades no desempenho de outros papéis para ele e até mesmo para Vietto.

Do lote de emprestados com possibilidade de eventual incorporação o nome de Daniel Bragança é incontornável. Porém o seu regresso, ou até mesmo a mudança para um nível superior que não a II Liga, sendo mais do que justificada, só deveria ser equacionado se tal não signifique perda de tempo de jogo como titular.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O regresso às derrotas no clássico

Foto @Idzabela
O que certamente a história vai guardar no seu arquivo relativamente ao clássico Sporting - FCP da época 2019-2020 será pouco mais do que o resultado final. Resultado esse que também significa o fim da invencibilidade do Sporting em casa ante o rival de ontem, pondo fim a uma dúzia de anos sem perder. 

O que certamente a história esquecerá é que este clássico foi talvez o mais desequilibrado em nosso favor nos tempos mais recentes e se o termo de comparação for, por exemplo, o jogo do ano passado é quase cruel comparar resultados e exibições. Mas há sempre mérito dos vencedores porque tal representa terem logrado obter aquilo que faz toda a diferença no futebol: mais 1 golo (pelo menos...) que o adversário.

Entre ganhar um pontito como no ano transacto (de que nada serviu) e não ganhar nenhum como sucedeu agora, parece-me claro que há mais caminho no resultado totalmente negativo de ontem. O Sporting adaptou-se às circunstâncias (mesmo que adversas praticamente a partir do apito inicial), os jogadores deram tudo o que podiam dar e a equipa podia ter dado a volta ao resultado, exibindo uma superioridade raramente vista recentemente. 

E se ganhar não aconteceu é em si mesma que a equipa deve procurar explicações. Quer na forma como falha em cascata no golo inicial (Ristowski deixa escapar Marega, Coates demora muito a pôr o carro a trabalhar e Max hesita fatalmente) quer como deixa sozinho, de forma infantil (Doumbia, Bolasie) um jogador (Soares) que nem se pode dizer que se desconheça a apetência para nos fazer golos. Tratando-se de uma bola parada a inadmissibilidade de um lance deste género numa equipa com a nossa ambição diz muito de onde estamos e o que precisamos de fazer. Perdemos por culpa das nossas falhas, não soubemos aproveitar o que construímos e foram elas que puseram 3 pontos na bandeja para o adversário.

Notas individuais:

Max: é ainda cedo para ele, não está ainda preparado para este nível, apesar do potencial que encerra. Numa época como a actual faz sentido dar-lhe minutos para crescer. Não ficou bem no golo inicial.

Coates: Inadmissível o comportamento e falta de reacção no golo inicial, com a agravante de ser um veterano e conhecer de cor este tipo de acção de Marega.

Mathieu: imperial. Recolham-se as células estaminais e clone-se ASAP.

Acuña: são conhecidas as suas limitações que, mais uma vez, foram ultrapassadas com uma entrega e empenho inexcedível que, quando sucede, faz dele um jogador imprescindível.

Doumbia: cresceu mais com estes meses com Silas que todo o outro tempo que teve desde que chegou. 

Wendel: ainda lhe falta os finalmente para se afirmar em definitivo. Falta-lhe aplicação e capacidade de sofrimento para correr e pressionar para se concluir a sua adaptação ao futebol europeu e se tornar num jogador que justifique o que custou.

Vietto: Se é verdade que a sua falta de eficácia contribuiu para a definição do resultado, não o é menos que é um jogador que sabe o que tem de fazer com bola e sem ela. Falta conseguir mais tempo de presença no jogo.

Bruno Fernandes: obviamente que Sérgio Conceição iria fazer os possíveis para o retirar do jogo, o que de certa forma foi conseguido. E Bruno Fernandes também não esteve feliz a tentar contrariar a intenção do técnico.

Luís Philyppe: é o único mas não é único. Já provou que pode ser útil em determinados contextos mas nestes jogos desaparece. Devia ser mais acutilante, não tem velocidade, não explora a profundidade, não se oferece para apoio, não desestabiliza a ligação dos centrais com movimentos de arrastamento. 

Silas: o melhor elogio que lhe podia ser feito recebeu-o de Sérgio Conceição: "o Sporting foi o adversário mais dificil da época". Sagaz, o treinador portista sabe que o titulo não vai para Alvalade mas a sua atribuição passa por lá e até muito em breve. E, ao contrário do que afirmou Conceição, não foi a o acerto na substituição de Nakajima que fez virar o clássico, mas sim o golo "contra a corrente do jogo" de Soares. Não tendo as armas que dispunha o seu congénere, Silas soube ler bem onde e como provocar danos à armada portista. Prometeu regressar ao terceiro lugar e ficamos todos à espera que cumpra a promessa, apesar de se reconhecer os desequilíbrios do plantel que lhe entregaram em mãos

Foto @Idzabela
Uma nota final para as claques e o respectivo e estridente silêncio na primeira parte do jogo. As claques servem para apoiar o Sporting Clube de Portugal, não este ou aquele presidente ou pretendente(s). Não deveriam servir por isso para fazer "politica". Se calados demonstram a sua necessidade relativamente à inoperância do resto das bancadas, também espelham a sua inutilidade calados, especialmente em jogos como o de ontem. 

Obviamente que isto é apenas uma ínfima parte do que há dizer sobre esta matéria, o que terá suceder oportunamente num post a propósito. Mas ontem quem puxou foi a equipa pelo público, especialmente na segunda parte. Quando mais foi preciso, após o 2º golo forasteiro, voltou o silencio que apenas viria a ser interrompido pelo pedidos de demissão.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Claques: impunidade e conivência

1: #impunidade: depois do que aconteceu em Alcochete deveria ter havido um outro nível de responsabilização sobre a actuação das claques mas preferiu-se olhar para o lado e esperar que passasse. Só por esse sentimento de impunidade é que se percebe que esta gentinha se dê ao desplante de realizar este número precisamente no PJR que, ao longo destes tempos conturbados, se tem assumido como um local de culto do Sportinguismo (pelo exemplo quase regenerador de que também sabemos bem fazer e que nos tem dado alegrias e títulos) e dos Sportinguistas e a salvo das tricas e armadilhas que nos infectam em ritmo diário. Não estranharia que a fortaleza que tem sido o PJR para os nossos atletas se assemelhe em breve à fornalha que tem sido EJA para os profissionais de futebol.

2: #conivência isto acontece com a conivência de todos nós, porque calamos e vamos admitindo. Uns por conveniência, porque acham que lhes serve a estratégia, outros por receio natural das consequências físicas que lhe pode acarretar uma frase qualquer dita na hora errada e no lugar errado. Não pode haver meias palavras e muito menos silêncio porque o Sporting não tem outros donos do que os seus associados. Estes têm o direito de assistir aos espectáculos no pavilhão ou no estádio ou em qualquer lugar sem serem importunados. 

Se dúvidas houvesse da insanidade que este momento representou, o vogal da direcção com o pelouro das modalidades viu o seu carro apedrejado. Além de ser um ex-atleta do clube, tem 7 títulos europeus sob a sua égide.

Eu sou e sempre fui um fã das claques e é com quem eu gosto de ver os jogos. Mas já está na altura de se fazer o deve e haver da sua existência e ajustá-la às necessidades do clube e não de uns quantos.

domingo, 20 de outubro de 2019

Tenho saudades suas, Sr. Jordão!

São muitas e imensas as saudades SENHOR JORDÃO. Já elas eram muitas quando fui atropelado pela noticia da fragilidade da sua saúde e vão ficar assim, incomensuráveis, com a noticia do seu desaparecimento. Ao longo destes anos acalentei a esperança de que seria possível despedirmo-nos condignamente de si, com um estádio cheio, consigo ao centro e, na duração de cada uma das muitas merecidas palmas lhe pudesse voltar a agradecer tudo quanto nos deu. Não apenas os golos, as jogadas imprevisíveis, os títulos em que participou, mas também a lição de Sportinguismo da sua postura simultaneamente grandiosa e discreta. E que em todas as palmas ouvisse um sincero pedido de desculpas pela forma como nos desfizemos de si.

Acabou-se a magia, Sr. Jordão. Quando aquele punho, no final de um braço estendido no ar se erguia,  era como que um farol que nos indicava o caminho, que toda a energia se concentrava naquele ponto, como um superpoder que era nosso e do qual era guardião. Esta imagem, de super-herói,  não permitirei jamais que me seja negada ou roubada, mesmo que todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver de perto consigo a contrariem, devolvendo a imagem de um homem simples e genuinamente humilde. Essa humildade e a sobretudo  a facilidade com que conseguia fazer as coisas mais assombrosas eram de génio.  

Acabou-se a magia Sr. Jordão. É que sabe, eu lembro-me de si desde o tempo longínquo em que os jogadores de futebol eram os nossos heróis, quase imaculados, em que só os víamos lá longe na relva ou na caderneta de cromos. Sim, o tempo trouxe-nos infinitas possibilidades, uma miríade de comodidades, entre as quais essa que tanto uso de ir ao Youtube rever os seus golos. Neste percurso que nos trouxe até ao "futebol moderno" perdemos muitas coisas boas pelo caminho e uma delas é precisamente a magia de ver num profissional de futebol um verdadeiro herói. É tudo demasiado fugaz, light e descomprometido. Continuamos a ver excelente futebol e mesmo golos enormes, mas dificilmente nos vamos lembrando da camisola com que foram marcados. Jordão, golos e Sporting são três palavras que associamos de forma instintiva e que a gramática deveria muito legitimamente hifenizar.

Acabou-se a magia Sr. Jordão. Espero que agora seja finalmente o tempo de lhe fazermos justiça e deixarmos para trás o anacronismo da alcunha "gazela de Benguela". Não sei onde é aquela gente tinha a cabeça, quem pode confundir o Bambi com o Rei Leão? Quem conseguiu ver na sua velocidade, na forma letal como finalizava, na forma impiedosa com que castigava as balizas adversárias para alimentar a nossa prole na ânsia de vitória uma presa e não um temível felino? Um verdadeiro leão!

Jordão deixa saudades mas não morreu. Há muito que o seu nome está gravado na galeria de imortais pelo jogador que foi para nós, pelos golos que marcou por onde passou e especialmente pelo marca impressiva que deixou em todos os que com ele conviveram. A forma despojada como se retirou, sem nunca reclamar atenção ou o legitimo reconhecimento do lugar de destaque que lhe era devido, deixando atrás de si o silêncio que entendia fazer falta ao futebol, deveria fazer escola. No futebol e no Sporting.

Senhor Jordão, os ídolos não morrem, são para sempre!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Queda livre

Ponto prévio: não me envergonharei nunca de dizer: sou do Sporting! 

Há 70 anos o Sporting perdeu com o Tirsense, também do terceiro escalão, e não acabou. O escândalo até deve ter sido maior. Senão o escândalo, pelo menos a surpresa. É que à época o Sporting tinha a melhor equipa da sua história, pelo menos no que à conquista de títulos diz respeito: os 5 violinos.

Talvez por isso mesmo - a diferença entre a qualidade destas duas nossas equipas - a derrota de ontem deva ser encarada com maior preocupação do que a de então. São cada vez mais evidentes os desequilíbrios do plantel actual, a que se soma uma enorme instabilidade interna, que a ausência de resultados acentua. Quando o Alverca faz o golo, praticamente no primeiro remate que faz, foi perceptível nas reacções dos jogadores que o golpe recebido não ia ser fácil de contrariar.

Silas é um treinador jovem, de quem eu gosto e que podia ser a minha escolha pessoal. Não tem culpa nenhuma do plantel que herdou e muito menos da espiral negativa que assola o clube e contamina a equipa, mas tem responsabilidades no que aconteceu ontem. Além da natural falta de experiência, que só o tempo lhe dará, faz neste momento uma dura aprendizagem sobre o que é o Sporting: o arquétipo da Lei de Murphy mais conhecida: pode correr mal? Vai correr ainda pior! 

Só assim se entende a equipa que apresenta como titular, quando o que o momento recomendava a aposta total e com os melhores, procurando um resultado que permitisse a elevação da moral da equipa. Um meio-campo com Miguel Luís, Doumbia e Eduardo não é abusar da sorte, é invocar o azar! Miguel Luís deve fazer grandes treinos, mas continua perdido em campo, Doumbia não é definitivamente um "6" e se dúvidas houvesse basta ver a movimentação no momento do primeiro golo para o confirmar. Eduardo estava a ser o menos mau dos 3 e acaba por ser o primeiro a sair.

É muito dificil ter qualidade na forma como a bola chega à frente com um meio-campo sofrível como o de ontem. Mas, verdade seja dita, só Vietto saíu de uma mediania confrangedora. Merecia a companhia de Bruno Fernandes  enquanto teve forças. Phylllipe nunca foi bem servido e Jesé foi completamente inútil.

Quando Silas quer rectificar já era tarde. A equipa não tem moral nem sorte, com ou sem autogolos do Coates. Vai daí sofre o 2º golo, quando a bola tinha andado ali a teimar em não entrar. Mas tudo sempre jogado sobre brasas, com demasiados repelões e zero serenidade. A partir daí foi a queda livre, da qual não se percebe muito bem como e quando se sairá.
 

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A propóstito da AG de ontem: pensem nisto


Ontem o FCP deu conta da necessidade de obtenção de 65 milhões de euros até final do exercício actual. O número até foi engraçado. Qual Júlio de Matos em número de prestidigitação aponta para outro lado, o Sporting, para distrair a audiência, para que esta não faça a pergunta obrigatória, apontando para o elefante na sala: onde se torraram os largos milhões que as idas consecutivas à Liga dos Campeões e as vendas record de jogadores, sempre tão elogiadas?

Face à ausência de receitas da Liga dos Campeões, por terem caído nas rondas iniciais, tal verba só poderá chegar através da alienação de património (qual?) ou de activos (jogadores). Hoje, no dia seguinte, silêncio total, não há desfile de notáveis nos jornais nem nas televisões. Se dúvidas houvesse, basta olhar para os jornais de referência da cidade do Porto hoje.

Quais são as noticias hoje, quais são as imagens de ontem? Uma AG do Sporting em plena turbulência, gritos, insultos, tarjas, etc. AG essa onde foram apresentadas contas positivas e uma reestruturação financeira que desanuvia momentaneamente o espectro financeiro do clube. Paineleiros, notáveis em desfile e em ebulição, chegando a pedir a demissão de uma direcção que tem um ano de mandato e que fecha a reestruturação que estava por concluir, e havia sido iniciada desde 2013. 

Não sei se merecemos ou não tudo o que nos tem acontecido nos últimos tempos, como por vezes me dizem os meus amigos de outras cores, referindo-se ao jeito muito especial que temos para nos auto-flagelar. Mas que somos a melhor ajuda para os nossos adversários pela forma constante como nos pomos na frente das noticias e lhes roubamos o palco da exposição indesejável, isso é um facto indesmentível.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A propósito da AG que aí vem

O Sporting reúne-se amanhã em assembleia geral para  discutir e aprovar o respectivo relatório e contas do último exercício respeitante ao período entre 1 de Julho de 2018 e 30 de Junho de 2019. Fosse apenas por causa do que estará sujeito a discussão e aprovação não seria de esperar uma AG quente. Mas dificilmente não o será. 

Desde logo porque os maus resultados que se registaram no inicio de época, o final do mercado e as mudanças de treinador suscitam natural insatisfação e as AGs são o local adequado para o fazer. Mas é também evidente que a copiosa profusão de grupos de interesses que existem no nosso clube aproveitarão para marcar terreno. Não havendo razões objectivas para o chumbo das contas, ninguém ignora que a acontecer, tal provocaria um sério incómodo para o CD, objectivo claramente pretendido por alguns dos acima aludidos "grupos de interesse". 

Infelizmente sabe-se já que a votação terá lugar durante o período de discussão, uma "inovação" introduzida pelos corpos sociais do anterior mandato e que agora vieram para ficar. Mas, infelizmente também, é um mal necessário para quem não se quer sujeitar ao triste espectáculo em que se tornaram as nossas reuniões magnas. Não há qualquer discussão possível quando ninguém está disposto a ouvir o outro. 

O Sporting merece melhor, indiscutivelmente. Embora a responsabilidade  da condução dos trabalhos caiba à mesa da AG e esta possa sempre melhorar os seus actos e procedimentos, há muito que este é um problema cuja dimensão ultrapassa em muito as possibilidades daquele órgão. As AG's foram capturadas por grupos de sócios que se comportam como se estivessem na mais vulgar das baiucas de um qualquer subúrbio das mais sinistras metrópoles. 

Para contrariar este ambiente insano é preciso a indignação de todos, mesmo até contra aqueles que, embora concordando com o nosso ponto de vista, não sabem estar à altura do momento. Esta é a única forma de criar um ecossistema que atraia mais pessoas válidas e com boas ideias e que o Sporting tanto precisa.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Uma LASKa de sorte depois de tanto desLINZ

Se já era tempo de termos alguma sorte o jogo de estreia em casa com o Linz foi talvez o momento indicado. Isto depois vários outros jogo igualmente mal jogados mas com os lances de Coates a serem anormalmente decisivos. Não fora isso e poderíamos ter acabado os primeiros quarenta e cinco minutos vergados sob uma goleada histórica.

Devo dizer que, do pouco que conhecia dos austríacos, não me surpreendeu a qualidade colectiva do jogo por eles apresentada. O que me surpreendeu foi o risco desnecessário assumido por Silas, apostando em nova mudança de sistema, sem que os jogadores tivessem tido tempo para assimilar as alterações que a mesma implicava. Talvez a ideia original fosse manietar os avançados austríacos, com um central a sobrar e os médios a dar largura no momento de construção. Mas o que acabou por acontecer foi os centrais ficarem isolados e perdidos atrás sem conseguir fazer chegar a bola aos alas e sair a jogar.

Fica a dúvida se o novo treinador teve tempo suficiente para observar o adversário austríaco, quando uma das imagens de marca é a pressão alta exercida desde o momento do inicio de construção do adversário. Foi assim que os austríacos asfixiaram o Sporting e só por milagre não começamos o jogo a perder logo a partir da primeira jogada. Claramente impreparado e surpreendido, o Sporting não conseguia sair com a bola a jogar, o detentor da bola não tinha linhas de passe e é por isso que Mathieu por duas vezes seguidas entrega a bola ao adversário, sendo que a segunda foi fatal. Erros que haveriam de ser repetidos por outros colegas e que, como já foi dito acima, podia ter custado um vexame histórico.

Mas há dias de sorte e essa tão foi válida na eficácia irrepreensível com que chegamos à vantagem que nos deu a vitória, como na forma como a conseguimos manter até ao apito final. Se todas as vitórias são bem-vindas, esta surge no momento ideal. Silas tem agora tempo para perceber melhor o plantel que tem em mãos, tempo para o trabalhar melhor e conseguir que os jogadores percebam melhor o que lhes está a ser exigido.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Dr. Silas estanca a hemorragia

Nota prévia: Foi preciso o Silas chegar o Sporting para se levantar uma onda de indignação sobre a certificação dos treinadores. Esteve bem o Sporting a levantar a questão da legitimidade da ANTF. Pelos vistos a associação que o devia proteger parece que não o considera ao nível de alguns doutores da bola. Pois o nosso treinador que me perdoe a analogia mas, como diz o povo na sua sabedoria, antes bom burro que ruim cavalo.

Teriam sido catorze jogos consecutivos a sofrer golos se não tivéssemos tido sorte logo nos lances iniciais, em que a bola devolvida pela barra é pontapeada a razar o poste do lado contrário da baliza de Renan. Assim foram treze jogos consecutivos a sofrer golos, uma anormalidade que testemunha a fragilidade de uma equipa que, a par disso, também não tinha uma proposta de jogo dominadora que lhe permitisse suprir essa falha com um maior número de golos marcados.

O novo treinador começou assim pelo principal e mais urgente: estabilizar a equipa a partir de trás, procurando devolver os níveis de confiança mínimos de forma a que os jogadores conseguissem executar mais de acordo com aquilo que podem fazer. Estancar a hemorragia de golos sofridos era determinante e esse era um diagnóstico fácil de fazer a quem assistiu aos últimos jogos, nomeadamente à hecatombe que se seguia a cada golo.

Falta ainda muita coisa, como é bom de ver. Por sorte, talvez com excepção de Bruno Fernandes, quase todos os jogadores da frente de ataque estarão disponíveis para Silas no próximo mês de paragem do campeonato. Essencial para trabalhar o jogo ofensivo, muito curto ainda, como se constatou no decurso do jogo.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Clube de malucos? Mas qual é a dúvida?

Clube de Malucos: mas alguém duvida? Só um clube de malucos é que passa a vida a dar tiros nos próprios pés ao longo de décadas, quase sempre com os mesmos actores, mais do que estafados e gastos, sem que alguém consiga fazê-los calar. Alguns deles com responsabilidades directas e indirectas na gestão, sem que da sua passagem pelo clube tenha resultado em particular beneficio para a instituição.
 
Clube de Malucos: mas qual é a dúvida? É preciso ter um elevado grau de insanidade para continuar a correr atrás da equipa para todo lado, ter um número razoável de assistências, face ao reduzido e tão espaçado no tempo de conquistas. De facto, o amor é cego e os adeptos do Sporting,NÓS, com todas as nossas diferenças e pertenças a grupos e grupinhos, amamos de paixão o clube para sempre, mesmo que o reneguemos mais vezes que Pedro renegou o Outro.
 
Clube de Malucos: obviamente que sim. Quem acha que amar e pugnar pelo êxito do clube se esgota na presença nos estádios e depois nestes começa a assobiar ainda no aquecimento dos jogos, e fora deles faz todo o contravapor possível e imaginário, minando, escavando, muito para lá do que é o direito inegável à critica, à diferença de opinião e até mesmo de visão estratégica e segue pensando que essa actividade é inócua senão é louco é parvo. Ou ambos.
 
Clube de Malucos: a começar pela primeira figura, o presidente. Não foi ele que disse a frase, mas deveria saber que, como de facto está a acontecer, que a autoria lhe seria imediatamente imputada. Porque sabe desde a primeira hora que todos os erros comunicacionais não apenas não passam despercebidos, como são amplificados, distorcidos, retorcidos até caberem nas narrativas. Mas pior, ainda que seja verdade, como creio que é, não é matéria para ser divulgado em prime-time num jornal e em ambiente senão hostil pelo menos desfavorável. Teria sido o discurso mais ajustado a uma conversa intimista, por exemplo, nos Leões do Minho, onde não pôde ir por estar ameaçado fisicamente.
 
Porque se sente acossado, FV veio finalmente falar das dificuldades que encontrou, quer do ponto de vista desportivo quer financeiro. Já o devia ter feito, mas no tempo certo. Já o faz tarde e soa a desculpa, que o é em grande parte. Porque o grande problema do Sporting é e tem sido a sua equipa de futebol, da qual ele se assumiu como responsável único. Tanto assim é que ainda ontem completou o ciclo de títulos no hóquei em patins, com a conquista da Taça Continental.
 
Sem estabilizar a principal equipa de futebol e ainda por cima com uma comunicação que tarda em encontrar o tom certo é FV que está a municiar os adversários e os muitos inimigos declarados. A esses está a juntar os que, não tendo qualquer intenção de se constituir oposição, não conseguem perceber os objectivos e as linhas orientadoras da sua actuação e manifestam legitimamente o rumo seguido. Desta forma compromete a continuidade das reformas já em curso, a sua equipa e até mesmo seu projecto para o clube.

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