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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

De Pote a Bragança, o fim de uma era dourada


Há quase uma unanimidade em reconhecer que à saída de Pedro Gonçalves corresponde o fim de uma era no Sporting. Para a grande maioria dos Sportinguistas vivos foi seguramente o melhor período de sempre: nos seis anos de verde e branco o Sporting não só voltou aos títulos, mas também foi a equipa que mais venceu e convenceu.

Antes de qualquer consideração há que registar de forma dolorosa que os últimos momentos de uma era dourada fecharam com a imagem do jogador em Alvalade a acenar timidamente e de longe para as bancadas, colado à ideia transmitida pelo treinador que o mágico de Vidago não passava agora de um jogador acomodado. Algo falhou na gestão desde processo de transição. Seguramente que a ocasião merecia uma outra dignidade e peso porque Pote não será mais um mas um entre muitos.

Pote foi o último a sair dos grandes jogadores que tivemos o orgulho e sorte de nos ver representar. Estamos perante uma mudança radical naquela que era até agora a política desportiva seguida pela SAD e que tantos dividendos trouxe ao Sporting recentemente. Às mudanças cirúrgicas, procurando continuidade, há agora o corte abrupto. 

São muitos os rumores sobre o que terá estado na base de uma inflexão tão drástica. Mas mais importantes que o "diz que disse" é a constatação de que a SAD detém a legitimidade para executar as políticas desportivas que lhe parecem melhor adequadas em cada momento e que serão sempre os resultados que validarão as decisões tomadas. 

Ainda assim, é importante notar que não parecia ser esta a estratégia delineada quando, no passado mês de outubro e, mais recentemente, em março, decidiu renovar respectivamente com Pote e Trincão. E abandonar o Sporting para ir "em busca de novos desafios" também não parecia ser a inclinação de nenhum dos dois talentosos atletas. Talvez o tempo se encarregue de fazer aquilo que nem o clube nem os atletas quiseram até agora fazer: esclarecer os adeptos. 

Convém salientar que se ainda é cedo para avaliar os custos desportivos desta guinada repentina, há certamente consequências económicas e financeiras que não parecem saltar à vista, mas existem. Senão vejamos: Pote renovou com o Sporting há menos de um ano, o mesmo tendo acontecido com Trincão. A pergunta é óbvia: quanto pagou o Sporting de prémio de assinatura e eventuais assessorias nestes processos de renovação? O que terá acontecido para, de repente, prescindir destes dois jogadores, ignorando o investimento feito, quando, ainda por cima, como se percebeu pelas movimentações, não suscitavam grande apetite ao mercado? E podíamos dizer o mesmo de Diomande, cuja renovação ocorreu em janeiro.

Neste talvez derradeiro registo de Pote cabe também o adeus a Bragança. Não teve a preponderância de Pote mas um ADN de leão certificado pelos vinte dos seus vinte e sete anos de vida vividos de verde e branco e de leão ao peito. O momento de chegada à equipa principal e o calvário vivido por duas lesões gravíssimas terão sido um muro demasiado alto que se erigiu entre ele e a afirmação plena do seu inegável talento.

Honrar a memória dos que nos deram tanto é um dever que teremos de cumprir com a mesma paixão com que projetamos o futuro. Que os que tomaram o lugar dos que agora guardamos no álbum emoldurado a ouro estejam à altura do seu legado e nele escrevam novas histórias. Mas julgo ser claro para muitos, nos quais me incluo, que os níveis de tolerância para com um plantel tão jovem e marcado pela inexperiência terão de ser bem maiores do que aqueles devotamos aos que acompanhámos nos anos mais recentes.

domingo, 12 de abril de 2026

E. Amadora 0 - Sporting 1: Entre a ressaca e antecipação da Liga dos Campeões

 

Foi em registo “QB” que o Sporting geriu a deslocação à Amador que antecipadamente se afigurava muito dificil. E ninguém terá ficado muito surpreendido com o facto. O Sporting estava entre a ressaca de um jogo dificil e outro quase impossível.

Foi neste enquadramento que o Rui Borges recorre novamente à dupla de centrais Quaresma – Debast, em que a adaptação do segundo ao lado esquerdo continua a não ser uma solução para planos mais exigentes. Bragança demorou um pouco a pegar na batuta mas acabou por marcar um golo decisivo. Pote, Trincão e Suárez eram a imagem do desgaste que o embate com os arsenalistas tinha deixado.

Ainda assim a primeira parte foi inteiramente dominada pelo Sporting, embora da eleva percentagem de posse não tenha produzido o aproveitamento de outros jogos, muito pelo que foi dito anteriormente. O elevado número de erros na finalização e as decisões pouco acertadas no último terço empurraram a equipa para um nulo no final dos primeiros quarenta e cinco minutos.

Já na segunda parte, e após o golo de Bragança, a equipa recorreu às mudanças mais baixas, procurando controlar os acontecimentos e reduzir o ímpeto do adversário. Este não teve nem força nem mestria para causar grandes sobressaltos, mas o golo solitário deixava a equipa desconfortável. Porém o final do jogo chegaria sem que se registasse qualquer alteração no marcador.

Os três pontos foram arrecadados, deixando o primeiro lugar a apenas um par de pontos. Num abril infernal, onde tudo se vai decidir, na corrida pelo tri a obrigação mínima foi cumprida.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O regresso Genyal de Bragança


O Sporting iniciou a segunda volta da Liga da melhor forma, com um triunfo claro por 3-0 frente ao Casa Pia, num encontro que marcou o regresso de Bragança após longa lesão e de Geny na altura certa. Apesar de um plantel condicionado por várias lesões, os comandados de Rui Borges mostraram-se sólidos e eficazes em Alvalade.

O grande destaque da primeira parte foi Geny Catamo. Recém-regressado de uma CAN 2025 positiva, foi decisivo ao bisar em apenas cinco minutos (38’ e 43’), desbloqueando um jogo que até então se mostrava complicado. O Casa Pia apresentou-se organizado e compacto, dificultando a circulação interior do Sporting, mas a inspiração individual de Geny acabou por fazer a diferença, confirmando o excelente momento de forma que atravessa.

O segundo tempo trouxe mais emoção do que futebol nos instantes iniciais, com oportunidades repartidas. O momento mais marcante da noite surgiu aos 66 minutos, quando Daniel Bragança voltou a pisar os relvados pela equipa principal após quase um ano de ausência devido a lesão grave. O médio foi recebido com uma ovação de pé e, simbolicamente, recebeu a braçadeira de capitão de Gonçalo Inácio.

Para tornar o regresso ainda mais especial, Daniel Bragança assinou o terceiro golo do Sporting aos 79 minutos, fechando o marcador e coroando uma noite memorável. Apesar de uma entrada algo tímida e de um período de domínio pouco consequente, a eficácia leonina garantiu os três pontos.

Com esta vitória, o Sporting ultrapassa mais um obstáculo num momento particularmente dificil, tantas são as ausências, deixando claro que não deita a toalha ao chão.

sábado, 30 de março de 2024

Estrela Amadora 1 - Sporting 2: Uma vitória de gente grande

 


Faltam sete jogos mais um para o final do campeonato e serão, para nós, adeptos,  com certeza, jogos com elevado grau emocional e até dramatismo por tudo o que está em jogo. Mas ontem esteve na Reboleira uma verdadeira equipa, madura e ciente do que a espera e do que precisa fazer para ganhar. 

O jogo não começou nada bem. O treinador do Estrela percebeu que Jabá a explorar a menor velocidade de Matheus e as suas torres, em particular Gaspar, lhe podiam render dividendos e a sua aposta revelou-se feliz. A colaboração de Israel foi determinante, é certo, mas aquele primeiro poste podia e devia ter sido melhor defendido, nomeadamente por Gyokeres.

Não se pode dizer que a equipa reagiu, antes sim se manteve imperturbável e não demorou a repor a igualdade. Além do resultado, que é o mais importante, esta atitude é uma das melhores noticias a retirar do jogo na Amadora, agora que entramos na fase em que toda uma época se vai decidir. A maturidade e segurança com que a equipa respondeu à desvantagem contraste com momentos semelhantes, em jogos anteriores, em que a equipa se desconcentrou e reagiu com demasiada emoção, afastando-a do que melhor consegue produzir. 

Esta postura foi ainda mais notória na forma como controlou o jogo e o adversário, sobretudo a partir do momento em que Rúben Amorim chamou ao jogo primeiro Inácio e depois Hjulmand, trancando o jogo atrás, sem recuar para defender o resultado. Até ao final do jogo o Estrela só viu a baliza de Israel de binóculos, nunca logrando voltar a criar perigo real.

A esta atitude mandona e personalizada do Sporting não terá sido alheia a recuperação dos índices físicos que a paragem da competição terá proporcionado. A frescura física e mental exibidas foram determinantes para jogar sem tremer quando apenas um golo separava as duas equipas.

Tendo sido uma exibição colectiva de bom nível há que destacar a exibição de Trincão, determinante para o resultado com duas assistências, uma vez que o remate que dá origem ao ressalto para o segundo golo assim pode ser considerado, isto depois de uma assistência de régua e compasso para o golo do empate por Paulinho. Muito agradável também de registar o nível exibicional de Daniel Bragança, a retirar alguns bons minutos de reflexão a Rúben Amorim quando chegar a hora de decidir quem fará companhia a Hjulmand no próximo derby.

Relativamente à arbitragem deve ser assinalada a permissividade do árbitro relativamente às entradas "ao osso" dada aos da casa, particularmente a Gaspar. De assinalar também o critério diferente seguido na avaliação das faltas. O penalty negado pelo toque nas costas é um tudo idêntico à falta marcada sobre Bragança, à entrada da área. A única diferença foi o local. Um lance que deveria ter tido outro tipo de intervenção por parte do VAR.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Sporting 6 - Boavista 1: fome de vencer!


O Sporting deu ontem uma demonstração de maturidade e poder. Noutros tempos, um golo cedo teria gelado Alvalade e o sussurrar receoso teria ocupado o lugar das palmas e canções de incentivo. Como muito bem lembrou Rúben Amorim, os adeptos foram fundamentais, a comunhão com a equipa foi uma das chaves para a reviravolta.

E que reviravolta o Sporting operou. Claro que há pormenores que contam, como por exemplo  a lesão do mais matreiro dos defesas axadrezados e o golo obtido ainda antes do término da primeira parte, logo complementado por outro no reatar da partida. Mas esses pormenores foram criação da equipa, alguns deles de forma brilhante. O que deve ser destacado como pormaior é a fome com que equipa continuou a procurar golo atrás de golo, sem se contentar com o já alcançado.

Não há palavras suficientes onde caibam a categoria e importância de Gyokeres, até porque, jogo após jogo ele acrescenta sempre mais uma corrida, mais um drible eficaz, mais um assistência. Ontem, ainda por cima, contou com um Paulinho também super-eficaz e esclarecido. Apesar do pouco tempo de jogo, tem tido actuações verdadeiramente decisivas e com reflexo no alcance e manutenção da liderança do Sporting na Liga.

Mas não ficaria bem deixar ausente das referências individuais Nuno Santos, que se fartou de jogar, assistir e até marcar, bem como Daniel Bragança. Depois de um regresso de lesão prolongada a continuidade da sua presença vem sendo em crescendo e é um prazer ver mais um jogador talentoso da nossa formação encontrar o caminho onde pode alcançar aquilo que tanto esperamos dele.

Uma vitória carregada de importância e significado, uma vez que nos deixa na liderança após um calendário sobrecarregado e com duas semanas para recarregar baterias, lamber as feridas (leia-se lesões) e preparar os 10 jogos que nos separam do lugar onde queremos voltar a ser felizes.

Para alguns de nós, Sportinguistas, foi um dia ainda mais feliz e cheio de significado. O Núcleo Solar do Norte terminou um período de renovação do edifício sede, devolvendo a dignidade ao espaço que é tantas vezes a sala de recepção de todos os Sportinguistas que se deslocam à cidade Invicta. Um grande trabalho de uma equipa superiormente liderada pelo presidente António Magalhães e que merece a vossa visita.







terça-feira, 24 de novembro de 2020

Sacavenense 1 - Sporting 7: Gente séria é outra coisa!

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar)
 
O Sporting começou a definir a sorte da eliminatória no momento em que sobe dos balneários ao relvado  encarando o jogo com a seriedade e importância que merece aquele palco, onde muito recentemente fomos muito felizes. Assim, houve a festa necessária que a competição encerra, ao democratizar o acesso de grandes e pequenos às luzes da ribalta, mas sem as festinhas que, no ano passado, fizemos aos adversários com os resultados que se conhecem. 

A festa ficou-se pela doação da receita da transmissão televisiva, numa atitude garbosa que enobrece o nosso emblema. Num momento de mingua de receitas, como muito bem reconhece o ditado migalhas também são pão e estas dar-nos-iam jeito mas ao Sacavenense saberá como o pote de água ao fim da linha de horizonte.


Obviamente que as diferenças entre adversários eram abismais, estas provavelmente agravadas pela crise que a todos envolveu e que nos mais pequenos será ainda mais aguda e feroz. Mas basta olhar os resultados já conhecidos desta eliminatória que, quem os olhe em diagonal, facilmente repara que quem não porfiou não alcançou. Por isso mesmo o melhor sinal desta vitória seja precisamente a seriedade com que a equipa encarou o jogo, respeitando o adversário, a competição e até o espectáculo.

E tudo começou por esse monstro competitivo que é Nuno Santos. Para ele não há rodriguinhos ou adornos desnecessários. Não há entradas para estudar os adversários. No relvado é para competir e deixar a pele em campo. Por isso aos dois minutos de jogo já pudemos começar a pensar no nome do próximo adversário e ao fim de meia-hora de jogo a passagem estava carimbada. 


O exemplo de Nuno Santos foi seguido de perto pela generalidade dos colegas. Destaques obrigatórios para os mais novos, que rasgam os primeiros caminhos que alguns deles prometem de sucesso. De verde e branca vestida antes de mais, esperamos todos. Desses saltaram à vista a descrição e eficácia de Gonçalo Inácio, a revolução tranquila que a entrada de Daniel Bragança significou e o faro pelo golo que o pequeno grande Pedro Marques revelou. Tamanho não é documento, devem ter dito ambos naquele abraço após o segundo golo de Pedro Marques.

No final a pergunta que se impõe: durante o jogo alguém se lembrou que Pedro Gonçalves Pote não estava a jogar? Juntamente com a já louvada atitude colectiva, esse será também um bom motivo para celebrar. O Sporting não tem certamente equipa ou plantel para ganhar todos os jogos. Mas deixou bem claro até agora que não se lhe arrancarão pontos sem contar com uma luta incessante da nossa parte. E isso é bom e poder ser o principio das coisas boas que tanto ansiamos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Sporting 3 - Gil Vicente 1: "Quem porfia mata caça"

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar)

 
Quem porfia mata caça e quando já se pensava em jejuar o leão lá conseguiu abater um galo incómodo. Mas não foi fácil de ver e mais do que a qualidade do "jogo do galo" foi a má abordagem do leão, algures entre a displicência e a falta de inspiração para lidar com o bloco gilista.  

Muita da responsabilidade dessa má abordagem tem de recair nos ombros de Rúben Amorim, ao insistir em oferecer a Jovane um papel para o qual não está nem preparado nem vocacionado. Dessa forma o treinador coloca em causa não apenas a sorte da equipa como até a do próprio jogador, cuja movimentação e até a linguagem corporal em muitos lances vão da inadequação, desânimo até à desistência.


Mas explicar tantos minutos jogados sem grandes lances de perigo a ameaçar a baliza do guarda-redes visitante, mesmo já quando em desvantagem no marcador, não se pode ficar apenas pela aposta inglória num jogador. Num jogo como este, e com Palhinha em campo a oferecer segurança para possíveis transições - que por sinal o adversário até abdicou ou não conseguiu realizar - pedia-se a presença de alguém diferente de como Matheus Nunes, que oferecesse maior capacidade de quebrar as linhas defensivas do adversário com o passe e não tanto em condução. Se ele é uma boa solução quando o jogo pede mais dimensão física, como vimos com o FCP, jogadores como Bragança e João Mário parecem oferecer mais soluções. Estando o segundo impedido regulamentarmente, o primeiro teria que ter chegado mais cedo ao jogo, ou até ver-lhe sido oferecida a titularidade.


Claro que agora parece fácil invocar Bragança por causa do passe de mel que contribuiu para o desatar de um nó que parecia insolúvel. Mas se o passe foi uma execução da mais rara filigrana, só lhe foi possível vislumbrar o brilho porque Tiago Tomás o antecipou e com  seu  movimento ofereceu-se como solução ao médio. Embora seja natural a exaltação do acto de Bragança, a dimensão colectiva do futebol ganhou aqui um exemplo para figurar em compêndios. Ora, sem querer entrar num exercício de "vejam como eu tenho razão", repare-se na postura de Jovane naquele momento (e em tantos outros neste jogo): quase imóvel, abaixo da linha dos centrais gilistas, completamente fora-de-jogo e fora do jogo. Rúben Amorim não pode ficar indiferente e tem obrigação de perceber a diferença entre a convicção e a obstinação.


De igual modo o treinador tem de rever a postura em bolas paradas, como que deu origem ao golo que, não fora os dez minutos à Sporting, quase custava três pontos. Não foi um lance casual, uma vez que,  mesmo sem sofrer golos já aconteceram em outras ocasiões. A total passividade com que os oito elementos do Sporting abordaram o lance fizeram prevalecer sobre eles a vantagem de um dos cinco jogadores forasteiros na área. 

A mesma displicência que se notava desde o inicio do jogo, como se tudo se fosse resolver por si só estava ali ilustrada: Palhinha foi espectador privilegiado, só lhe faltando uma cadeira de realizador de cinema e respectivo charuto. Dos centrais apenas Neto se preocupa com a marcação, Coates e Fedal marcaram à zona o éter, ficando o segundo ainda pior na pintura, por ter fechado os olhos e encolhido. A primeira barragem ao lance foi tornada inútil por um toque matreiro de cabeça, como estes lances pedem para melhorar a possibilidade de êxito.

Felizmente tudo se haveria de compor quando já procurava o número do gastroenterologista, com a perspectiva de não conseguir digerir este galo durante a noite e nos dias que se seguiriam. Espero contudo que o desfecho feliz não contribua para a repetição da mesma postura, porque são os resultados destes jogos que escrevem a sorte das equipas com mais ambições no campeonato e o Sporting é uma delas. Que a vitória e a chegada ao segundo lugar instale nos jogadores a sensação do imperativo que é disputar cada lance como se dele dependesse o nosso campeonato. É que depende mesmo! 


Adán
: se estivesse muito frio talvez pudesse ter congelado.

Porro: Muito activo mas depois de bem espremido não se viu grande sumo

Neto: algo está mal quando o Neto é um dos mais velhos entre os mais jovens, não é? Isto para dizer que apesar da aplicação e seriedade é muito curto.

Coates: O lance do golo é muito à Coates. Não pode estar a top oitenta e nove minutos e depois...

Fedal: O melhor central ontem, apesar do que é dito acima sobre a sua actuação no golo

Nuno Mendes: Não parece ser capaz de jogar mal mas, tal como em jogos anteriores, não foi capaz de jogar bem.

Palhinha: Um grande reforço, mas que hoje deve estar a perguntar ao realizador do jogo se é possível apagar aqueles segundos que vão da falta cometida ao golo sofrido.

Matheus Nunes: Sem ter espaço para conquistar à frente e sem muita necessidade de se empenhar no roubo de bola a sua utilização perde votos.

Pedro Gonçalves: O Pote não estava cheio mas ainda assim ainda de lá saiu um golo.

Jovane: Tudo dito acima.

Nuno Santos: Nunca será invocado para o homem do jogo mas podia ser e merecia.

Tiago Tomás: pouco tempo em campo chegou para ser decisivo.

Sporar: Fez o que se pede a um jogador da sua posição, especialmente quando o treinador não parece depositar grande confiança: golo 

Daniel Bragança: Aquele meio campo ainda há-de ser da casa de Bragança. Precisa de jogar e a equipa precisa dele. A ver se cabe onde João Mário tem desenhado o destino.

Gonçalo Inácio: Entrou.

sábado, 29 de agosto de 2020

Portimonense 1 - Sporting 2: a começar como acabou

Nota: todas fotos são da autoria da @Idzabela
 

O jogo em Portimão foi o primeiro dos três até agora realizados pelo Sporting que tive oportunidade de observar. Não tendo presenciado os anteriores, podendo por isso incorrer em erro, o sentimento mais relevante que sobressaiu no jogo de ontem foi a de estar na presença de um dos últimos jogos da época passada. Esta sensação de deja vu resistiu apesar de as alterações produzidas no onze inicial roçarem os 50% de jogadores: estiveram no onze inicial de Porro, Fedal, Antunes, Rodrigo Fernandes e Nuno Santos. 

Não tendo entrado mal na partida, o Sporting foi perdendo fulgor à medida que as dificuldades cresciam, como que parecendo descrer das suas próprias capacidades. A explicação, tantas vezes procurada em questões exclusivamente individuais, no fado, na tristeza ou nas estrelas, deve ser encontrada na forma como os jogadores puseram em prática as instruções recebidas e na sua adequação ao plano de jogo. 

Até serem operadas as substituições - em grande parte do jogo, portanto - o Sporting foi-se tornando numa equipa inofensiva, incapaz de chegar com eficácia ao último terço do terreno, não conseguido por isso ferir ou sequer lançar o sobressalto no reduto defensivo do Portimonense. Incapaz de gerir a posse da bola, caindo quase sempre no mesmo erro de a despachar sem grande acerto ou possibilidade de êxito. Isto muito por causa da distância entre si nas suas peças mais adiantadas, onde Sporar tanto foi vitima, porque pouco  solicitado, como réu, por pouco se ter mostrado ao portador ou oferecido como ligação. 

Até esse momento, foi mais uma vez decepcionante a participação de Plata, respondendo mais uma vez de forma expressiva à pergunta tantas vezes feita no passado: "porque não joga Plata?". A manter este nível dificilmente oferecerá argumentos à sua utilização. Das muitas explicações de que parece necessitar, talvez fosse útil fazer-lhe entender a importância do carácter colectivo do jogo. Este não pode ser entendido como um momento de exibição do talento inato que indiscutivelmente possui, mas de um trabalho de participação, associação e interacção com os colegas de equipa.

Porro pareceu padecer do mal do momento - o cansaço acumulado - que contribui normalmente para decisões pouco esclarecidas, quer na execução, quer na movimentação. Isto é tão válido para a apreciação das suas acções ofensivas como para as tarefas defensivas, onde a dificuldade de recuperação foi mais um entre vários problemas exibidos. A rever.

Fedal terá pouca utilização no lugar, arriscando-se a passar vários jogos na bancada por impedimento disciplinar, se continuar a usar a dureza como argumento. Ao Sporting não é permitido os Filipes e os Rúbén em nenhum dos Dias, como aliás ainda se viu ontem naquele penalty que só pode ter sido cometido por um qualquer fantasma de serviço em Portimão.

Antunes não foi muito solicitado nas suas movimentações pelos colegas, mas provou a sua utilidade, parecendo, numa primeira observação, ter as suas qualidades intactas. Disputará certamente a titularidade a Mendes, obrigando-o a crescer mas seguramente que a sua experiência poderá significar um importante ponto de referência desde os treinos até aos jogos, independentemente de em quem recair a escolha de Rúben Amorim para titular.

O regresso de Rodrigo Fernandes não foi especialmente feliz, nem se saldou pelo desastre. Além do natural cansaço que afecta todos, a sua parca utilização no ano passado e o facto de ter jogado no momento menos feliz da equipa não o ajudaram, pelo que será necessário nova observação para perceber melhor o que tem para oferecer.


Sem ser particularmente brilhante Nuno Santos, esse sim, mostrou já ao que vem e o que pode dar. Vem para jogar e significar participação e envolvimento colectivo permanente, prometendo um acréscimo de rendimento. Espera-se portanto que possa ser ainda mais útil, assim alcance com compreensão o que lhe pede o modelo de Amorim, juntamente com melhor conhecimento das acções e respectivo padrão nas acções dos colegas.

Voltando ao titulo, não seria também de rejeitar a possibilidade de o próximo jogo começar como este acabou: com um Sporting mais esclarecido, mais seguro e mais capaz de criar perigo para a baliza adversária. As entradas de vários jogadores, mas especialmente Bragança, Nuno Mendes, Pedro Gonçalves, Tiago Tomás revolucionaram a cabeça do Leão. 


Finalmente vimos um médio centro - Bragança - saber fugir à pressão e aparecer com a bola dominada em linhas mais adiantadas. Um verdadeiro lateral - Nuno Mendes - não só estar atento ao que se podia passar nas suas costas como a oferecer largura e profundidade, ao ponto de poder inclusive ter saído goleador. Um médio saber gerir a posse, movimentar-se quer dentro quer à largura quer em profundidade - podia ter feito golo - e ter critério, tendo por isso mesmo assistido para golo. O felizardo foi Tiago Tomás. Um avançado discreto mas que parece ter qualidades que Rúben Amorim aprecia. Compreensão do modelo, rapidez quer na execução quer na movimentação. Não é por isso um avançado tradicional, fixo, sabendo ser simultaneamente um apoio à posse, como furtar-se às marcações. Qualidades destas acabam por representar importantes mais valias para equipas, como o Sporting, que frequentemente têm que lutar com excessivo congestionamento nos últimos trinta metros do seu ataque.


O jogo acaba por ter um pouco daquilo que são os jogos das pré-épocas. Muitas incógnitas que urgem esclarecimento, apreensão pela aparente permanência de velhos constrangimentos ou mesmo problemas por resolver. Mas também motivos de esperança que os golos e as vitórias representa. Não se constroem boas equipas com maus resultados mesmo com jogos a feijões. Ou a sardinhas, tendo atenção que Portimão foi a sede escolhida para esta apresentação.

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