Ainda sobre a defesa do Sporting
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| Foto EPA/ESTELA SILVA |
Muito se tem falado da defesa do Sporting desde o inicio de época e sobretudo depois do traumático 0-3 do jogo de apresentação. Ontem, depois de rever o Valência, desta feita contra o poderoso Barça de Guardiola e de ter ficado impressionado com a forma como se souberam opor ao demolidor tica-taca concluí definitivamente que os valencianos NUNCA deveriam ter sido os nossos adversários de então.
Agora que o campeonato se iniciou os problemas mantêm-se e só a uma súbita eficácia nos deu um novo fôlego. Por alguma razão somos a quarta equipa com mais golos sofridos, oito num total de cinco jogos. Preocupante.
Depois de ter feito aqui referência aos artigos do PB no Lateral Esquerdo, lembrei-me de um post que tinha lido no inicio de época no Centro de Jogo e que me parece fazer sentido reflectir hoje, passado mais de um mês. Sei que estas coisas técnicas são por vezes desinteressantes para a maioria dos adeptos, mas são indispensáveis para nos ajudar a compreender que, para lá da bola que bate na trave e do falhanço incrível, há muita coisa que não acontece por acaso.
"Se olharmos para a linha defensiva do SCP a nível individual, com a excepção de Rodriguez, podemos até nem perceber uma qualidade desmedida. A questão aqui, é a percepção que se tem de “uma defesa”. Eu, tenho como definição de “uma defesa”, toda uma equipa, a capacidade do todo, de uma forma organizada (conduzida pelo líder, neste caso o treinador) selar processos e interagir de uma forma adaptada entre si mesma.
As individualidades no futebol, poderão ter o seu valor, mas no panorama defensivo (e ofensivo também, mas não é este o tema do texto), o mesmo tende esbater-se, despontando assim, sob forma de colectivo. Não se pode perceber a forma como uma equipa defende, pelos valores individuais. O processo defensivo não é o somatório da capacidade defensiva de cada unidade, e sim, a forma como as mesmas se relacionam entre si.
Certamente, e tendo em conta a sua afirmação, Domingos P. saberá disto. Saberá também, que mais tarde ou mais cedo, o colectivo dará o salto qualitativo (a nível defensivo) pela ligação que se criará com o decorrer do tempo (experiência competitiva). Aqui estou de acordo. A minha "única reticência", é mesmo o facto de Domingos saber tudo isso, e ainda não o ter conseguido sistematizar!
Apesar do período em que se encontram as equipas portuguesas não ser (ainda) de competição específica, os jogadores do SCP estão a treinar há já algum tempo. Pergunto-me então, se Domingos P. não terá tido tempo suficiente (começaram a pré – época dia 4 de Julho, há mais de um mês, portanto) para organizar e definir princípios de acção defensivos, através dos quais a grande maioria dos jogadores não tivesse já tido tempo de os assimilar? A resposta não a sei, o que sei é que esta estrutura passa imenso tempo junta (inclusive a equipa técnica) e a incongruência defensiva (respostas do “todo como organização”) do SCP se manifesta de jogo para jogo. É certo que nem todos chegaram ao mesmo tempo, principalmente os da linha defensiva (mesmo que, para mim, o problema do SCP comece bem mais à frente), também é certo que estamos numa fase inicial, mas não consigo entender isso como "desculpa". Isto porque, pensando bem, um mês e pouco de treino (por vezes fazem mais de um treino por dia) são muitas horas passadas. Resta perceber, a fazer o quê!"
O texto que aqui reproduzo um excerto pode ser lido na íntegra no Centro de Jogo. Fica aqui a devida vénia ao seu autor.
