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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

O que significa a operação de recuperação de créditos?

 

Isto significa que o Sporting recomprou os direitos televisivos que tinha cedido como garantia de dívida, recuperando o controlo total sobre essas receitas futuras.

Aqui está o que aconteceu, explicado passo a passo:

O que são os “créditos emergentes do Contrato NOS”?

O que o Sporting fez em dezembro de 2023?

O que aconteceu agora?

  • Em outubro de 2025, o Sporting reembolsou integralmente os 68,8 milhões à Sagasta Finance.

  • Com isso, recuperou os direitos televisivos que estavam cedidos — ou seja, voltou a ter o controlo sobre essas receitas até ao fim do contrato com a NOS.

  • Esta operação foi possível graças a uma nova emissão de obrigações no valor de 225 milhões de euros, feita pela Sporting Entertainment.

 Qual o impacto?

  • O Sporting encerra uma operação financeira complexa iniciada em 2022.

  • Alivia a estrutura da dívida e reforça a sua autonomia financeira.

  • Volta a ter nas mãos uma fonte importante de receita — os direitos televisivos.

O que é titularização de créditos?

É uma operação em que uma entidade (como um clube de futebol) antecipa receitas futuras — como direitos televisivos, bilheteira ou patrocínios — e vende esses créditos a uma terceira parte (normalmente uma empresa financeira), em troca de dinheiro imediato.

Exemplo prático:

  • O Sporting tinha um contrato com a NOS que lhe garantia receitas anuais pelos direitos televisivos.

  • Em vez de esperar ano a ano para receber esse dinheiro, o clube cedeu esses créditos à Sagasta Finance, que lhe adiantou 68,8 milhões de euros.

  • A Sagasta passou a receber diretamente da NOS os valores futuros.

O que significa “recuperar a totalidade dos créditos”?

Significa que o Sporting pagou à Sagasta o valor que tinha recebido antecipadamente (os 68,8 milhões) e, com isso, recomprou os direitos televisivos futuros.

Ou seja:

  • O Sporting volta a receber diretamente da NOS os valores do contrato.

  • Deixa de estar “amarrado” à Sagasta Finance.

  • Ganha mais autonomia financeira e controlo sobre uma fonte importante de receita.

Por que clubes fazem isto?

  • Liquidez imediata: precisam de dinheiro para pagar dívidas, reforçar o plantel ou investir em infraestruturas.

  • Gestão de dívida: é uma forma de reestruturar passivos sem recorrer a empréstimos bancários tradicionais.

  • Flexibilidade: podem recomprar os créditos quando tiverem capacidade financeira, como o Sporting fez agora.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Adeus VMOCS, até sempre


Com discrição, mas de forma eficaz, o Sporting concretizou mais uma importante operação no âmbito da reestruturação financeira. Dessa forma fica afastada a exposição a uma possível perda de maioria da SAD por via de uma possível transformação em acções das famigeradas VMOCS.

Começando pelo princípio, naquilo que pode ser a medida mais polémica (ou a ser polemizada…), o Sporting procedeu a uma antecipação de receitas que teria a receber por via do contrato com a NOS, no valor de 50.075 milhões de euros. A empresa Sagasta foi novamente a parceira na operação, sendo neste momento credora de 113.990 milhões de euros. 

O próximo relatório e contas ajudará a perceber melhor o que esta operação representa para as contas da SAD. No entanto o adiantamento de receitas com este objectivo merece aprovação, não apenas pelo que significa a recompra das VMOCS com um desconto de 70% mas também pela extinção da divida ao Novo Banco. 

Isto é, os 51 milhões de euros em VMOCS detidos pelo banco foram adquiridos agora por 15,4 milhões de euros. Tal como havia sido acordado previamente com o outro credor, o BCP, o Sporting pagou agora mais 9 milhões a este banco para ajustar ao preço pago ao Novo Banco.

É bom lembrar que dos 83,4 milhões em VMOCS detidos pelo BCP a SAD pagou então 14 milhões de euros, ficando agora, com este acerto, pelo valor total de 23,27 milhões a recompra de VMOCS ao BCP. 

Este valor somado aos 15,4 milhões agora pagos perfaz um custo total de 38,67 milhões da operação de resgate de 134 milhões detidos por ambos os bancos, a que acrescerão os juros a pagar à Sagasta, obviamente.

Fechado o processo VMOCS, que tanta tinta e tempo fez gastar, o Sporting inicia uma nova fase como é antecipado no comunicado:

Um passo que permite arrancar a fase 2.0 do planeamento estratégico, criando as condições para a entrada de uma parceria estratégica minoritária no capital na SAD, para que exista um reforço da política de investimento, da melhoria da experiência de todos os Sócios e da globalização do Clube.

Aqui há pelo menos duas coisas a ponderar desde já:

1- A importância de quem será o novo investidor. Tem-se falado de forma recorrente do multimilionário Todd Boehly, um dos proprietários do Chelsea. Outro nome frequentemente falado e muito desejado por muitos é o de Cristiano Ronaldo.

Um investidor como Todd Boehly é o que me parece menos interessante. Não gostava de ver o Sporting numa pareceria em que surgiria menorizado e como clube formador nunca poderá ser uma barriga de aluguer para miúdos à procura de afirmação. Para isso temos cá os nossos. Outro galo cantaria se uma possível pareceria estratégica permitisse a total autonomia do Sporting no scouting e consequente aquisição, contemplando apenas o direito de preferência em caso de igualdade nas propostas recebidas.

Cristiano Ronaldo seria o círculo prefeito, embora me pareça, de forma meramente intuitiva, que os movimentos dele não o parecem indicar. A academia com o seu nome está ainda por merecer a sua presença. E não parece que a sua ligação ao extremo oriente esteja para terminar em breve. A acontecer e de forma bem ponderada, seria ouro sobre verde, por tudo e pela carga emocional que representaria.

2- A haver uma entrada de capital via novo investidor é desejável que ele seja aproveitado de forma estruturante para o clube e não meramente despejado em aquisições de jogadores que, por muito que possam aportar, envolvem sempre um elevado risco, podendo perder-se  o efeito multiplicador e perene que se deseja com esta operação. 

Para finalizar o Sporting detém agora, por via desta operação, 87,9 por cento da sua SAD. Faz por isso todo o sentido o passo que agora se anuncia, a de atrair investidores que ajudem a preparar o clube para um futuro com solidez e ainda mais competitivo. 

O comunicado do Sporting:

O Sporting Clube de Portugal informa que adquiriu 51.416.952 de VMOC ao Novo Banco, e que após a conversão dos referidos valores aumentará a sua participação no Capital Social da Sporting SAD para 88%.

Este é um marco histórico na vida do Clube. Concluiu-se a última etapa que permite acelerar a Nova Era que já se iniciou.

A concretização deste objectivo constitui o passo final do caminho que foi definido em 2018, com o propósito de assegurar que o Clube seria dono do seu próprio destino.

Uma vez assegurado a 4 de Março de 2022 o controlo da maioria do capital da SAD, colocou-se hoje, 27 de Dezembro de 2023, um ponto final ao Acordo Quadro de Restruturação Financeira assinado em Novembro de 2014. 

Um feito que permite ao Sporting Clube de Portugal iniciar um novo ciclo na sua notável História. Um ciclo em que o Clube possa, de forma constante e inequívoca, estar na disputa da liderança de todas as competições desportivas, de forma sustentável e sustentada, com foco na criação de valor a longo prazo.

Um passo que permite arrancar a fase 2.0 do planeamento estratégico, criando as condições para a entrada de uma parceria estratégica minoritária no capital na SAD, para que exista um reforço da política de investimento, da melhoria da experiência de todos os Sócios e da globalização do Clube.

Obrigado a todos os Sócios. Este era um caminho que se antecipava longo, mas que os Sócios do Sporting Clube de Portugal tornaram curto.

Obrigado por se manterem fiéis aos valores inabaláveis que nos fundaram, e que guiam a nossa crença de todos os dias sermos melhores, de inspirarmos os outros a serem melhores através do desporto, de liderarmos através do exemplo positivo. Crença essa que liderou a mobilização quando ela foi crítica.

Começámos uma Nova Era, mas mantemos o mesmo ADN, os mesmos valores e crenças de sempre.

Começámos uma Nova Era com Esforço, Dedicação e Devoção para atingirmos a Glória.

 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o artigo de Bruno de Carvalho sobre as contas do Sporting

Olá a todos.
Tio Patinhas is back!!

Depois de algum tempo ausente, volto à escrita, depois do Presidente do Sporting ter publicado um artigo no DN, onde falava sobre o estado das finanças do Sporting e da recente polémica sobre as obrigações. Mas foi ainda mais longe e revelou alguns dados novos sobre a reestruturação financeira que, aparentemente, teve uma renegociação com os Bancos.

Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, abordar a polémica do empréstimo obrigacionista. Existe muita informação e desinformação sobre este assunto. Ainda ontem, lemos uma notícia do CM em que nos dizia que o prorrogar das obrigações, por um período de 6 meses, originou um custo de quase 1 Milhão de Euros. O que é verdade, mas este custo não é adicional. Se a emissão “velha” tivesse sido substituída por uma nova, este valor seria pago à mesma, pois as obrigações vencem juros e o Sporting não tem liquidez para simplesmente reembolsar as obrigações, sem fazer o “revolving” da emissão.

Várias pessoas questionaram a minha opinião sobre o prorrogar e principalmente sobre a nova autorização para pedir um novo empréstimo obrigacionista num valor que poderá ir até 60 Milhões de Euros. Não tendo qualquer informação sobre o que motiva esta autorização, tenho a convicção que, no contexto atual da banca, que o Sporting dificilmente teria autorização para aumentar a sua dívida num valor de mais 30 Milhões de Euros. A Banca quer reduzir a exposição aos Clubes de Futebol  e paulatinamente, o Sporting tem conseguido reduzir algum do seu passivo bancário. Por outro lado, todos sabemos que os investidores particulares representam uma fatia pequena dos subscritores das obrigações, pelo que são normalmente os Bancos, através dos seus fundos, que tomam a percentagem de leão dos mesmos. 

Com estes dados, leva-me a concluir que deveremos estar a observar uma substituição de dívida ou do valor necessário para recomprar as VMOCs, segundo informação prestada ontem, por Bruno de Carvalho. Aguardemos pelas contas do primeiro semestre de 2018/2019 para verificar como fica o passivo bancário do Sporting e se se confirma ou não a substituição de outras formas de endividamento bancário (factoring, empréstimos, contas caucionadas, descobertos, etc).

Antes de falar das VMOCs, é importante falarmos de uma questão:

Depois da entrada da oficial da Troika, os Bancos foram obrigados a rever as suas práticas e mais do que isso, a reconhecer como imparidades e por conseguinte, assumir as perdas, de uma série de dívidas que os seus devedores tinham. E durante estes últimos cinco anos, quase todos os Bancos Nacionais assumiram milhões e milhões de prejuízos. E entre os quais, muitas das dívidas de todos os Clubes de Futebol, principalmente daquelas que estavam “calcinadas”. E para agravar isso, tivemos a queda do Banco BES, um dos 2 bancos com exposição ao Sporting. E resta saber se as nossas dívidas, incluindo as VMOCs (a parte do BES), ficaram no Banco Bom ou Mau (Novo Banco ou BES). Mas independentemente disso e de acordo com as informações que tenho, os valores das VMOCs foram já reconhecidos como perda total no Balanço dos Bancos e o prejuízo já reconhecido nas diversas contas do BES e Millennium BCP.

Penso ser à luz destes dados que posso compreender as novas informações que saíram ontem. Que ao invés de exercemos a opção de compra de 44 Milhões por um preço de 1,2 X Preço de mercado (cotação), que as mesmas teriam um preço de 0,3 Euros por VMOC. A este preço, o Sporting fica obrigado a comprar a totalidade das VMOCs a um preço de 40,5 Milhões de Euros. O que lhe daria cerca de 88% do capital da SAD.

E porque será que os Bancos acordaram esta redução de preço?…

Penso ser explicado pela razão de que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Ora vejamos. As VMOCs já devem estar valorizadas a 0, nas suas contas. Os prejuízos já foram assumidos. Recebendo 40,5 Milhões de Euros pelas mesmas, significa que irão reconhecer um ganho nesse montante, com a reversão das imparidades. Ganho esse que irá mostrar uma melhoria nas suas contas de resultados.

E porque é que isto acontece?

Porque naturalmente, se o Sporting só precisava de comprar os 44 Milhões de VMOCs até um valor máximo de 44 Milhões de Euros para manter a maioria, nunca iria comprar as restantes, mantendo-as cristalizadas no Balanço dos Bancos (e volto a referir que, já estão valorizadas a 0 nos mesmos). Assim e perante esse cenários, os Bancos preferem limpar as VMOCs do seu Balanço de uma vez por todas.

No caso destes pressupostos se concretizarem (e volto a referir de que não disponho de nenhuma informação privilegiada, limitando-me a formular as minhas opiniões com base nos dados que são públicos), existirá um haircut de 70% da dívida (constituindo assim um perdão), assumida sob a forma de VMOCs. O que será sempre uma boa notícia e partindo do pressuposto que estamos e iremos continuar a cumprir com os acordos estabelecidos com a banca. A Banca tem cada vez mais instruções para reduzir a sua exposição a Clubes de Futebol e temos de ir arranjando formas alternativas de financiamento e principalmente, aproveitar as milionárias transferências para diminuir as nossas responsabilidades com a mesma.

No meio do extenso artigo, uma confirmação: os 18 Milhões de Euros, do tal investidor que não poderiam divulgar o nome, nunca entraram nos cofres da SAD. Ao contrário do afirmado (e por mim, pessoalmente, no Multidesportivo) em Assembleia Geral do Clube, pelo Presidente Bruno de Carvalho e penso que por Carlos Vieira, Vice-Presidente, em diversas entrevistas. Nos mapas de fluxos de caixa, nunca tinha percebido onde poderia estar reflectida essa entrada, nem nas contas de Balanço. Agora, surge a confirmação. Só não era preciso era ter informado deste assunto de uma determinada entrada de fundos que nunca correspondeu à realidade. 

Em último lugar, confesso que não apreciei a “desavença” entre os maiores accionistas da SAD ser discutida em plena praça pública. Não sendo a Holdimo uma “santinha”, também é necessário recordar que esta aceitou a conversão de uma dívida em capital, permitindo a este acionista ter uma participação de quase 30% no capital da SAD do Sporting. Será vantajoso estarmos a “pisar” no segundo maior acionista e assumir que queremos provocar-lhe uma diluição de capital? Ou será que os actuais accionistas (que não o Sporting) poderiam comprar algumas das VMOCs ao preço estabelecido pelo Sporting?

Aguardemos pelos próximos capítulos, mas estou curioso para saber o que irá sair deliberado na próxima AG da SAD do Sporting.

Até lá que é hora de despedir de todos os sportinguistas que nos seguem, aqui no Blog A Norte de Alvalade

Saudações leoninas,

O Vosso Tio Patinhas de Alvalade

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Relatório & Contas: quando "aqueles" 80 milhões tinham evitado o prejuízo


A SAD reportou à CMVM o relatório e contas do exercício de 2015/2016, fechado com um prejuízo de 31.905 milhões de euros. Não tendo havido tempo para uma leitura fina ficam as impressões gerais:

A mensagem do presidente do Conselho de Administração é aquilo que se pode chamar de um verdadeiro slalom serpenteante de "ses"  
- "se tivéssemos ido à Liga dos Campeões" / "se tivéssemos feito mais dois pontos" / se não tivéssemos que fazer a provisão do Rojo
e de subterfúgios 
- indo buscar atrás (negócio Rojo) e à frente (negócio Slimani e João Mário) afastando-se o foco que é o exercício em causa, onde se registam os prejuízos 
e algumas observações descontextualizadas 
-  como a referência aos resultados da selecção nacional
 e contraditórias
- dando como concluída a reestruturação e especialmente a recuperação financeiras quando ambas estão por concluir e logo num exercício marcado por um prejuízo significativo.
Só faltou referir que caso a tão famosa proposta de 80 milhões tivesse sido aceite o sinal do exercício teria sido inverso e os resultados desportivos os mesmos.

Ironia à parte, este exercício é acima de tudo um poderoso aviso. O tempo dos prejuízos voltou mais depressa do que se poderia imaginar. Não faltam matérias a merecer explicação convincente como, por exemplo
a razão para os 16,914 milhões de prejuízo sem o "efeito Rojo", 
o preço da operação de aquisição do Alan Ruiz (vale assim tanto?...) 
ou a subida vertical dos custos gerais e em particular dos custos com pessoal.
Quando se espera que no próximo exercício os gastos continuem a aumentar, o que deve ser explicado aos Sportinguistas é se este trajecto é sustentável e como, de preferência com números do próximo orçamento demonstrativos das receitas esperadas para sustentar o acréscimo das despesas.

Nota importante: Já depois da publicação do post ficamos a saber que o Sporting, numa iniciativa inédita e que se louva, entregou na CMVM um quadro detalhado onde se incluem informações detalhadas sobre as compras e empréstimos de jogadores efectuadas desde Janeiro.

Parece-me no entanto continuar por esclarecer qual a situação contratual de Bruno Paulista. O jogador originalmente tinha chegado por empréstimo do Recreativo de Caala (!), tendo ficado de ser adquirido em Janeiro. A aquisição chegou mesmo a ser anunciada [LINK] [LINK], não tendo sido objecto de qualquer comunicado a negar a transacção, para aparecer agora no rol das aquisições depois de Junho (com os meus agradecimentos ao @OArtistaDoDia) :

P.S. - a propósito deste mesmo tema recomendo a leitura deste post [LINK]

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

VMOC's: vários anos a viver perigosamente

Criou algum alvoroço na semana passada a noticia de que o Sporting estava prestes a perder a maioria do capital da SAD. Tal sucederia caso os VMOC's (acrónimo de "valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis") detidos pelos bancos credores fossem imediatamente convertíveis em acções, conforme previsto no plano de reestruturação financeira de 2009. À época este instrumento financeiro foi aqui amplamente debatido, tendo alguma das consequências agora conhecidas sido então antecipadas.

Estamos a falar de um valor de 55 milhões de euros o que, por força da diluição percentual decorrente do aumento de capital para um total de 122 milhões de ações, reduziria a 32% a participação no capital da SAD, apesar do Sporting continuar a deter 42,8 milhões de acções. O BES e o BPI ficavam assim 45% da SAD, resultantes da transformação daquela divida em 55 milhões de ações. A Holdimo de Álvaro Sobrinho e Joaquim Oliveira são os restantes accionistas, sem contar com detentores de quantidades residuais de acções.

Ao contrário do que parece ter sido entendido, pelo menos a julgar pelo silêncio que se instalou sobre o tema, o perigo de perder a maioria da SAD ainda não se extinguiu, uma vez que, até sexta-feira, dia 15de Janeiro, os bancos envolvidos nesta operação têm que se pronunciar, através do envio de carta à SAD, dando conta da aceitação da prorrogação do prazo de pagamento dos VMOC's por mais dez anos. 

Não o fazendo a conversão em acções cumpre-se automaticamente e com ela a perda de maioria do capital. Porém, tal não é crível que venha a acontecer, uma vez que não se vê que vantagens decorreriam para aquelas instituições participarem do capital de uma sociedade que não distribui dividendos e ainda por cima tem um gordo passivo sujeito a apertada dieta.

Se não houver alterações do guião ao filme das VMOC's o problema que agora nos escaldava as mãos transitará para Janeiro de 2016, daqui a dez anos, portanto. Mas terá uma dimensão revista e aumentada, uma vez que já existe uma segunda temporada na "série VMOC's", com a necessidade de liquidar (até 16 de dezembro de 2026), aos mesmos bancos, 80 milhões de euros. 

Esta obrigação foi contratualizada em Dezembro de 2014 aquando da emissão de VMOC's pelo mesmo valor, com um prazo de maturidade de doze anos. Ou seja, se nada foi for feito até lá, em 2026 o Sporting, só por via das VMOC's, terá que desembolsar nada mais nada menos que 133 milhões de euros! Sim, leu bem, cento e trinta e três milhões de euros, não contabilizados os juros. Basta falhar apenas a liquidação de um dos valores em causa para a maioria da SAD se finar. E de fora ainda ficam os valores de despesa de gestão corrente ou do serviço da divida.

Face a estes números astronómicos é mais do que legitimo questionar o acerto das opções tomadas e qual o grau de exequibilidade real destas medidas. Tendo estas sido tomadas sempre sob o signo da emergência e como inevitável alternativa ao caos, não houve tempo nem discernimento para pensar em alternativas. Importa pelo menos agora que se perceba que, em nome da viabilização do presente possível, colocamos um grande ponto de interrogação no horizonte.

Na voz corrente dos entendidos é comum ouvir dizer e ler que, face às circunstâncias, o Sporting tem conseguido bons acordos com os bancos credores.  De tal forma que os nossos rivais, já enciumados pelo nosso lugar na classificação geral, descobriram aqui nova matéria para olharem para o Sporting com redobrado rancor. Sim, os mesmos que nos consideram pobres falidos e à beira da extinção reclamam tratamento idêntico ao que foi dispensado a eles, que se consideram ricos e exemplos de gestão. Enfim...

Se este é o acordo possível não será menos verdade considerar que, ao contrário do que sucedeu com a emissão dos primeiros VMOC's,  é agora vital para a sobrevivência da SAD planear meticulosamente o resgate daqueles valores aos bancos. Dez anos passam a correr, como agora verificamos. A alternativa é o adiar até não haver alternativa.

Vivendo um bom momento desportivo no futebol, é muito comum que matérias deste teor tendam a cair no esquecimento ou até sejam evitadas pelos adeptos e pelos responsáveis. A verdade é que dispomos de dez anos para poder alterar o curso de várias gerações a viver de forma perigosa e poder entregar aos vindouros um clube mais saudável e viável. O contrário é continuar a empurrar com a barriga. 

A próxima AG, onde é possível que este tema venha a ser tratado, é uma altura para tomar o pulso aos planos da direcção para gerir delicado dossier.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ganhar muito mesmo sem marcar golos

Para lá da habitual da intensa actividade desportiva o fim-de-semana leonino ficou marcado por duas excelentes noticias no âmbito da recuperação do Sporting. 

No quadro da reestruturação financeira, a SAD comunicou à CMVM o Acordo Quadro de Reestruturação Financeira, cuja medida mais mediática foi a recomposição das percentagens dos passes de jogadores do clube, resultando, em alguns dos casos, na detenção da sua totalidade, conforme se pode observar no quadro em anexo ao fundo do post: (fonte: Record). 

Há ainda um conjunto de operações financeiras que vão finalmente permitir o fecho da tão desejada reestruturação, essencial para a estabilização financeira do clube, determinante até para o cumprimento das condições que o Fair Play financeiro estipulado pela UEFA exige.

Não menos importante, no quadro da não menos necessária estabilização interna do clube, saúde-se a presença do presidente Bruno de Carvalho no jantar de homenagem a Manuel Fernandes. Presença obrigatória,  uma vez que os superiores interesses do Sporting têm de estar acima das questões pessoais. Duas excelentes vitórias para o clube que valerão no futuro muitos pontos.


JogadorPercentagem atualPercentagem recuperadaA quem?
Adrien50%20%Holdimo
Betinho90%45%+5%Holdimo+SPF
Andre Carrillo50%20%SPF
André Martins95%25%+40%Holdimo+SPF
Carlos Chaby50%20%+2,5%Holdimo+SPF
Carlos Mané100%40%Holdimo
Cédric Soares100%25%+25%Holdimo+SPF
Cristian Ponde75%20%Holdimo
Diego Capel95%15%+20%Holdimo+SPF
Diego Rubio40%15%SPF
Diogo Salomão40%25%SPF
Fábio Martins100%20%Holdimo
Iuri Medeiros90%20%Holdimo
Jeffren100%20%+25%Holdimo+SPF
João Mário80%15%+15%Holdimo+SPF
Zezinho80%20%+25%Holdimo+SPF
Marcelo Boeck65%15%Holdimo
Matheus Pereira100%20%Holdimo
Mica Pinto100%20%Holdimo
Nuno Reis100%20%+15%Holdimo+SPF
Ricardo Esgaio100%25%Holdimo
Seejou King80%40%SPF
Tobias Figueiredo50%20%Holdimo
William Carvalho100%40%SPF
Wilson Eduardo95%25%+40%Holdimo+SPF












segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Que consequências resultam para o Sporting da falência do BES? Mais perguntas que respostas

Há quase um mês, mais precisamente no passado dia 7 de Julho, começavam-se a saber os primeiros desenvolvimentos da "Crise no BES", o que me levou a escrever o post "BES: um credor em apuros pode contaminar o Sporting?. O artigo está em parte desactualizado pelo evolução dos acontecimentos, embora a sua leitura, bem como a de alguns comentários, me pareça continuar a ser pertinente. 

Não deixa de ser curioso verificar que o que então parecia ser merecedor do estatuto de uma verdade incontestável, a impossibilidade falência do banco, ser substituído no curto espaço de um mês pelo seu inverso: o BES de facto faliu. Será precisamente o aproveitamento do referido post bem como de alguns comentários que servirá para colocar as perguntas que imagino eu, muitos também ainda não saberão responder.

Como grande parte dos Sportinguistas saberá, o Sporting, no inicio da gestão de Bruno de Carvalho, concluiu um acordo de reestruturação financeira. Na sua essência, a reestruturação financeira visava restabelecer o rácio de solvabilidade do clube, com o aumento dos capitais próprios, sendo para tal determinante a integração da participada SPM na SAD do clube. Especulou-se também sobre um possível hair-cut sobre o passivo detido pelos credores - BES e BCP - o que não vi confirmado em lado nenhum, mas cuja possibilidade tanto agitou os nossos rivais... 

A fusão da SPM, detentora do Estádio José Alvalade, era também um instrumento vital para a manutenção da maioria do capital da SAD, mesmo depois da conversão das famosas VMOC's em capital. Toda a operação era também crucial para o cumprimento das normas de fair-play financeiro que a UEFA obriga. 

(Lembre-se que a fusão foi aprovada há mais de um ano pelos associados na  AG de 30 de Junho de 2013. Várias vezes foi afirmado, quer directa, quer indirectamente, que havia sido requerida a isenção de impostos, (valores próximos de 500 mil euros), ao ministério da Economia e que, essa isenção está ainda pendente.)

Nesse acordo seguramente que ficaram firmadas as condições de financiamento de tesouraria pois, ao contrário do que é o mito do papão dos bancos na blogosfera - aliás muito semelhante a outros, como os empresários, os fundos, etc. - são eles que permitem a liquidez necessária para satisfazer grande parte dos compromissos assumidos. Esta não será uma realidade exclusiva do Sporting, estende-se também aos seus rivais, com as devidas diferenças ditadas em função da especificidade de cada um dos clubes.

O Novo Banco vai continuar a assegurar os compromissos que permitem manter a liquidez de tesouraria e assim fazer face aos compromissos diários e de curto prazo?

O que vai acontecer agora à reestruturação financeira?

Ela continuará a ser possível nos mesmos termos com o Novo Banco? 

O que acontecerá agora às VMOC´s, uma vez que a sua reconversão, numa nova emissão a 12 anos, conforme prevista no plano referido, era crucial?  

O empréstimo de 68 milhões de euros, crucial para reequilíbrio financeiro, e assegurado pelo consórcio BES/BCP, continuará ser possível?

O que vai suceder com o empréstimo obrigacionista de 20 milhões, de Julho de 2011, previsto para 3 anos  4 meses, isto é, a sua maturidade, e consequente necessidade de reembolso, se verificará no próximo mês de Novembro?

O que acontecerá aos direitos detidos sobre os jogadores abaixo descriminados (a percentagem descrita é a detida pelo fundo, com a ressalva de estes serem dados relativos a 2012, não sabendo se alguma delas sofreu entretanto alterações):

Diogo Salomão - 25% 
Wilson Eduardo - 40% 
André Martins - 40%
José Lopes (Zezinho) - 10%
William Carvalho - 40%
Diego Capel - 20%
André Carrillo - 20%
Fabian Rinaudo - 15%
Diego Rubio - 15%
Carlos Chaby (Filipe) - 2,5%
Alberto Coelho (Betinho) - 5%
 
cujas percentagens dos respectivos passes pertencem ainda o Sporting Portugal Fund, gerido pela ESAF, Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário?

O que vai acontecer ao relacionamento com a Holdimo, sabendo-se o que se sabe hoje que, sendo accionista do BES, sofrerá, em principio, graves perdas, provavelmente a totalidade do valor detido em acções?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

BES: um credor em apuros pode contaminar o Sporting?

Quando começaram os primeiros rumores sobre uma crise na holding empresarial não financeira do grupo BES comecei a escrever o presente artigo. Porém, rapidamente se percebeu que a doença era maior do que parecia e a forma virulenta como se espalha leva a recear o pior. O artigo, já extenso, ficou reduzido às presentes linhas, por grande parte do que aí era explanado ter perdido actualidade ou deixar de fazer sentido.

Como grande parte dos Sportinguistas saberá, o Sporting, no inicio da gestão de Bruno de Carvalho, concluiu um acordo de reestruturação financeira, cujo âmbito é seguramente mais complexo e cuja total amplitude me escapa. A mim e creio que à maior parte dos Sportinguistas porque, de forma básica mas realista, a génese da nossa ligação ao clube não foi nem nunca será a discussão de relatório e contas, participações económicas, reestruturações financeiras. Se o fazemos é por necessidade de compreender uma parte vital da vida do clube, desde sempre mas cada vez mais ligada à sorte que se joga entre as quatro linhas.

Na sua essência, a reestruturação financeira visava restabelecer o rácio de solvabilidade do clube, com o aumento dos capitais próprios, sendo para tal determinante a integração da participada SPM na SAD do clube. Especulou-se também sobre um possível hair-cut sobre o passivo detido pelos credores - BES e BCP - o que não vi confirmado em lado nenhum, mas cuja possibilidade tanto agitou os nossos rivais...

A fusão da SPM, detentora do Estádio José Alvalade, era também um instrumento vital para a manutenção da maioria do capital da SAD, mesmo depois da conversão das famosas VMOC's em capital. Toda a operação era também crucial para o cumprimento das normas de fair-play financeiro que a UEFA obriga.

Nesse acordo seguramente que ficaram firmadas as condições de financiamento de tesouraria pois, ao contrário do que é o mito do papão dos bancos na blogosfera - aliás muito semelhante a outros, como os empresários, os fundos, etc. - são eles que permitem a liquidez necessária para satisfazer grande parte dos compromissos assumidos. Esta não será uma realidade exclusiva do Sporting, estende-se também aos seus rivais, com as devidas diferenças ditadas em função da especificidade de cada um dos clubes.

No ponto actual do processo desencadeado pela crise no grupo BES é ainda demasiado cedo para perceber que implicações reais possam vir a incidir no relacionamento credor/cliente. Porém, há uma evidência preocupante: o terramoto que está a fazer tremer o grupo surge num momento em que a reestruturação financeira não está concluída uma vez que a supracitada fusão da SPM na SAD está ainda por fazer. 

Lembre-se que a fusão foi aprovada há mais de um ano pelos associados na  AG de 30 de Junho de 2013. Várias vezes foi afirmado, quer directa, quer indirectamente, que havia sido requerida a isenção de impostos, (valores próximos de 500 mil euros), ao ministério da Economia e que, essa isenção estava ainda pendente. Esse pedido de isenção pressupunha o acompanhamento de um documento da Sec. de Estado da Cultura - não era suposto que os dois ministérios dialogassem entre si, ao invés de o requerente ter de andar a penar entre ministérios? - de forma a que os impostos de selo e IMT não fossem tributados ao clube. Esta semana o jornal "O Jogo" estimava que o processo estivesse concluído em Setembro, embora não justificasse o prazo. Atendendo a que grande parte do País, instituições oficiais incluídas, se apresta para fechar e ir a banhos, talvez esteja aí a razão.

É este o documento que faltará para completar o processo de fusão e por sua  vez a reestruturação financeira se tornar definitiva e os seus termos e consequências entrarem em vigor. Mas, passado um ano da sua aprovação em AG, é legitimo perguntar porque é que este processo, de vital importância para o clube, se arrasta há tanto tempo. É apenas este o documento em falta ou há ainda outras condicionantes para satisfazer? Quando foi requerido o referido documento à Sec. de Estado da Cultura e quanto tempo é legitimo esperar ainda mais sem qualquer resposta?

Num cenário de derrocada do BES, que não se pode, em bom juízo, afastar, o valor em dívida pelo Sporting àquela entidade bancária seriam a menor das preocupações para nós, num primeiro momento. Esse seria primeiro um problema dos credores do banco. Mas uma hipotética interrupção de disponibilidade do banco teria como resultado a falta de liquidez de tesouraria. Isso sim, seria um problema sério talvez represente, no actual cenário, um perigo real. No momento actual seria um pesadelo para a actual gestão ter que encontrar uma alternativa para os serviços agora prestados, sabendo como se sabe das dificuldades da generalidade das entidades que concedem crédito. 

Se uma catástrofe como a invocada - a derrocada do BES - se pode considerar um fenómeno extremo, de ocorrência improvável, já uma degradação paulatina da solidez do banco e, consequentemente do nível dos serviços que presta, é mais do que razoável esperar. A questão que se coloca é se tal impedirá a total satisfação do acordo de reestruturação feita com o Sporting. Poder-se-á pensar: "certamente que há documentos assinados e o clube tem constituída uma posição sólida perante um possível incumprimento".

Sendo isto verdade, não é menos verdade que a história documenta situações semelhantes cujo cumprimento nunca chegou a ter lugar, seja da parte de credores, seja do lado dos devedores. E, verdade seja dita, para tal acontecer, tanto faz que reestruturação esteja ou não fechada. Uma situação a acompanhar com alguma cautela. Até porque as consequências do que está a suceder no BES nos poderão atingir de diversas formas e ângulos sendo que, pelo que o Sporting representa para os Sportinguistas, as noticias dos últimos dias estão longe de ser boas para nós, mesmo que não representem um perigo eminente.

Falar do BES é falar também da accionista da SAD, a Holdimo, cujo principal accionista é Álvaro Sobrinho, de certa forma também ele envolvido no vórtice do BESA (BES Angola). Com dois lugares assegurados na SAD, por força do favor concedido ao clube - não há como vê-lo de outra forma -  de que também é sócio e adepto, quando aceitou a troca dos passes de jogadores por capital, voltamos a ouvir falar dele há dias. Tal como havia sido prometido, entregou um autocarro novo e a brilhar, constituindo a surpresa da noite na recente gala. 

Faltará, para fechar o circulo do que foi prometido, a bancada nova na Academia, para que o anunciado mini-estádio, onde os jogos da equipa B e demais formação, terão lugar seja realidade. Atraso que não lhe poderá ser assacado uma vez que o clube, em noticias recentes no site, assumiu a responsabilidade, dando conta primeiro da falta dos estudos de viabilidade de solo e, mais tarde, dos respectivos projectos de arquitectura e respectivo licenciamento.

Com 20% da SAD, Álvaro Sobrinho é um nome que seguramente aparecerá inscrito nos próximos capítulos da sociedade que gere o futebol. Veremos que consequências que a sua elevada exposição ao BES terá nesse relacionamento, esperando obviamente que nenhuma delas afecte a ligação ao clube ou prejudique este.

domingo, 30 de junho de 2013

Parabéns a 1351 leões

Parabéns aos 1351 leões que num domingo de canícula intensa abdicaram do seu conforto para se deslocarem ao pavilhão da Ajuda para estarem presentes na A.G. Nessa reunião a reestruturação financeira foi aprovada com 97% dos votos, 1206 votos a favor, 12 contra e apenas 13 abstenções.

Tal como o próprio presidente o reconheceu nas declarações no final do encontro, este desfecho traz responsabilidades acrescidas ao actual CD: os sócios entregaram nas suas mãos as ferramentas que o CD considerava necessárias para gerir o clube. A forma expressiva como o fizeram revelam um nível elevado de apoio de que a direcção e em particular o seu presidente gozam junto dos associados.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Algumas ideias sobre a AG e a reestruturação financeira

Algumas ideias breves sobre a AG e o plano de reestruturação financeira (RF):

- A marcação da AG e consequente divulgação do plano de trabalhos e  do que se pretende que venha a ser a RF provocou uma reacção de satisfação e até alívio  mais ou menos notória junto dos associados. Porém, ao contrário do que parece ser esse entendimento mais ou menos generalizado, esse não devia ser o ponto final parágrafo no processo, antes o pontapé de saída para o debate alargado das diversas matérias em causa. Infelizmente não é essa a predisposição geral, este meu entendimento ganha foro de sacrilégio,o que é uma pena. Perde o clube.

- Mantenho o que disse na primeira vez que me referi ao tema. Não houve tempo para esclarecer os sócios, para estes se esclarecerem, mais ainda se atendermos a que muitas destas matérias escapam a muitos de nós e obrigam a alguma atenção e pesquisa para serem percebidas em plenitude. Entre o conhecimento e negociação com os bancos houve tempo suficiente, que não foi usado. Meios para dar a conhecer os contornos da RF não foram usados, como por exemplo o jornal do clube.

- Não há diferenças substanciais nas ferramentas de gestão a usar no actual plano de RF e as que foram usadas no passado. VMOC's e afins apenas empurram com a barriga e oneram o futuro dos Sportinguistas que cá estiverem nas próximas décadas. O Sporting não vai ser nosso outra vez, continuará a ser dos bancos. O que se espera, pelo menos eu espero e desejo, é que desta feita os resultados sejam diferentes dos conseguidos anteriormente. E como é que isso pode acontecer? Conhecimento, critério, uma gestão desportiva feliz, que tem estado ausente há muitos anos. Mas, tal como aconteceu no passado com Soares Franco - em que as VMOC´s foram amplamente debatidas - ninguém percebe muito bem a virtude da proposta. Intui-se um alivio no presente, desconhece-se o que significará no futuro.

- Muitos nos interrogamos sobre a possibilidade de uma alternativa, face à realidade em que o clube está imerso. Ora, não tendo havido tempo para esclarecer os Sportinguistas a possibilidade de surgirem alternativas ficou condenada ao fracasso, creio que essas alternativas não foram procuradas. No clube que idealizo, e tendo em conta o que a aprovação da actual RF representa para  o futuro, todos seriam chamados a contribuir antecipadamente, convocando o sócio anónimo, organizações como os Cinquentenários, Stromp, AAS, ex-presidentes, Sportinguistas ligados especificamente à actividade económico-financeira, que os há e reputados. Isto sem prejuízo da decisão final pertencer sempre ao CD. O resultado até podia ser nulo, mas a possibilidade de encontrar soluções mais favoráveis seria real.

- Está assim mais uma vez criado o cenário de ou a RF ou o caos. O PER não é neste momento uma opção porque nem negociado está. A insolvência é o caos e não creio que, por isso, seja desejada por ninguém. O que os sócios têm em cima dos ombros é a responsabilidade de escolherem esta RF ou deixar o clube muito limitado para tomar medidas inadiáveis e sem as quais compromete o seu presente ou futuro de curto prazo. E sem eles não há amanhãs. E por isso creio que a RF será aprovada, os Sportinguistas querem que o clube esteja cá amanhã.

- Relativamente ao orçamento para o próximo ano julgo não fazer qualquer sentido outra coisa que não seja a sua aprovação. É o programa de governo de uma direcção recém-eleita, não faria sentido não viabilizá-lo. Porém este deveria ter sido disponibilizado para análise, o que não aconteceu no documento divulgado na convocação da AG.No site do clube também não o encontrei em destaque. Este depende da aprovação da RF? Provavelmente sim, mas a esta hora presume-se que esteja finalizado e deveriam ser conhecidos os seus pressupostos. Não sei se foi assim no passado, se o foi não foi por minha vontade. Há tempo de apresentar o orçamento e entendê-lo no quadro de uma AG?

- Sobre as propostas de alteração de estatutos parecem-me questões formais que se prendem com um modelo centrado no presidente e que se procura é a sua adequação legal. É um estilo de que uns gostarão mais outros menos,mas o que realmente conta são os resultados.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Conheça e discuta a reestruturução financeira avançada pelo Expresso


Há já algumas semanas que a noticia circulava em alguns meios mas o Expresso deste fim-de-semana encarregou-se de a por no topo da actualidade. Falo da  reestruturação da dívida aos bancos (BCP e BES) que se cifra em 230 milhões.

Isto leva-me, no imediato, a interrogar a razão da noticia ser conhecida quando ainda não há qualquer acordo firmado. Tal pode prejudicar a posição negocial do clube, que não está sozinho neste mercado especifico das SAD´s em aflição e já anteriormente se viu prejudicado por causa de fugas de informação.

- 130 milhões ficariam cobertos por um empréstimo de 40 anos, a uma taxa de (fabulosos!) 1, dando como garantia as quotizações dos associados.

- Dos restantes 100 milhões 60 seriam perdoados se o clube entregar 40 milhões aos mesmos bancos.

Isto é, com toda a certeza, apenas uma parte do que devem ser negociações muito complexas, atendendo aos montantes em jogo e à própria conjuntura. E pode nem merecer a qualificação de noticia mas de um rumor, atendendo a que as partes não fizeram qualquer confirmação do avançado pelo Expresso.

2 observações avulso:

Para se poder fazer uma avaliação da importância da operação em causa seria muito interessante saber o que são hoje as verbas despendidas com o serviço de divida e quais passariam a ser depois da realização da mesma.

Estarão os sócios dispostos a discutir sem tabus uma matéria desta importância, nesta altura ?

Ainda assim, procurando satisfazer os muito pedidos que me foram feitos durante o fim-de-semana, aqui fica cópia do que avançou o semanário Expresso: 




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A falência técnica só existe por causa da auditoria?

As reacções à auditoria financeira estão aí e o tom geral confirmam as minhas suspeitas: a fazer crer pelas afirmações dos responsáveis, o Sporting entrou em falência técnica porque sim. Ainda vai haver quem descubra que a culpa é da auditoria. Isto é, o tradicional, atira-se ao mensageiro (a auditoria)  para matar a mensagem (a falência técnica). Como era bom se resultasse, mas não vai ser assim tão fácil.  

Acontece que a auditoria debruçou-se sobre os últimos 13 anos, abarcando o mandato de 5 presidentes. Desses pronunciaram-se apenas 3. José Roquette remeteu para o Livro Branco que analisa os seus mandatos. De Bettencourt e Santana Lopes não se ouviu um ai. Dias da Cunha e Filipe Soares Franco foram mais prolíficos mas, depois de os ouvir continua-se sem saber como chegamos até aqui.

Dias da Cunha (in TSF) Para Dias da Cunha, o resumo a que teve acesso da auditoria externa é limitado. O antigo presidente fala em equilíbrio global das contas, quando deixou o clube.

Soares Franco (in TSF) apontou erros ao documento mas declarou-se satisfeito quanto aos resultados do próprio mandato.

Sousa Cintra, que os antecedeu, foi também económico com a verdade. Os números do seu tempo não são tão estarrecedores como os de hoje mas daí até ao "não deixei dívidas" é uma brincadeira com a memória de quem viveu esses tempos.

Quem também acordou foi Rui Meireles, responsável pelo sector financeiro durante o mandato de Dias da Cunha e parte de Soares Franco. Ao ouvi-lo parece que a falência técnica é uma inevitabilidade, tal como sol aparecer a nascente todos os dias. Foi talvez esta ligeireza e despreocupação que fez com que se fizesse indemnizar principescamente, isto depois de ter constado da folha de salários do clube. Nada teria contra, desde que os resultados fossem obviamente outros. Maior desfaçatez só do inefável Rui Oliveira e Costa: "Só porque dá prejuízo a gestão não tem de ser má. Apurar responsabilidades para quê?”

O mesmo se aplica a Nobre Guedes. Transitou da gestão de Bettencourt para a actual, onde se registaram simultaneamente os piores resultados desportivos e financeiros, sem se perceber se o critério foi premiá-lo ou puni-lo pelo descalabro. O que é facto é que as promessas de recapitalização da SAD são sempre conjugadas no futuro ou no condicional. 

Nesta conformidade a auditoria ameaça tornar-se um oportunidade perdida e apenas se aproveitar o seu pior. Após o streap-tease a noiva está demasiado magra e chupada para atrair interessados. Nada de que não tivéssemos sido avisados com antecedência suficiente para ter invertido o rumo:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/sport/sporting/esta-politica-vai-levar-a-falencia-do-sporting
 
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/sport/desporto/recurso-ao-mercado-externo-sera-excepcao

Mas o pior é constatar que, para lá da rápida desresponsabilização por parte dos principais intervenientes, não haja a mais leve indicação de preocupação e de compromisso numa solução para o futuro.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Auditoria, a falência e a responsabilidade


Oh, o drama, o horror a tragédia
A imprensa acordou ontem o país para a falência técnica do grupo Sporting. Estranho porque isso era consabido há anos e não deve estar limitado apenas ao Sporting. O clube é apenas o primeiro e até agora único a deixar a situação clara. Será também o mais aflito dos 3 grandes e isso tem, quanto a mim um explicação primária: a gestão desportiva. A situação é sem dúvida dramática, os números são horrorosos, mas só se transformará em tragédia se se continuar a ignorar as evidências.  

Quem são os responsáveis pela situação?
Culpa e responsabilidade tendem sempre a morrer solteiras em Portugal, e no Sporting as coisas tendem a não fugir à regra. Mas, quando por alguma razão, se decide apurar responsabilidades tende-se a descer na hierarquia até encontrar uma peça frágil da engrenagem e que, por isso, não estrebuche muito quando tiver que arcar com o ónus que devia caber a vários. Ora a auditoria debruçou-se sobre 13 anos de gestão e quem, antes de mais, deve ser responsabilizado pelos resultados senão os presidentes e respectivas direcções que os acompanharam? Que outros nomes procurar senão começar pelos que são conhecidos de todos? 

E tu, onde estavas enquanto o clube falia?
E, sendo claro que não houve tomada ilegítima de poder, isto é, todos os presidentes viram ratificados pelos associados, normalmente por maiorias mais do que confortáveis, os seus mandatos, como desresponsabilizar os sócios pelas opções tomadas, muitas vezes de forma pouco criteriosa? Colocar esta questão faz ainda mais sentido quando, de Roquette até Bettencourt, a sucessão de presidentes foi sempre dentro da mesma linha de acção e pensamento, de forma quase dinástica, apesar de não faltar quem avisasse para o que aí vinha. Quem os escolheu, ou seja  todos os que sucessivamente ignoraram os sinais e os avisos, repartem a com os eleitos a responsabilidade. Isto é, a maioria dos sócios! Os que nunca fizeram nada, isto é, não apareceram, não votaram, deveriam ser os últimos a gritar horrorizados. A casa já está a arder há muito…Mas, no fundo, todos nós somos co-responsáveis pela actual situação, uns mais que outros, obviamente.

Auditoria ou bomba de fragmentação?
Os dados trazidos a lume pela auditoria só serão surpresa para quem aterrou ontem na realidade. Veremos como o clube reage à crueza dos números. Não me parece que se deva fechar os olhos ao que configure dolo ou gestão danosa, mas também não creio que seja o tempo de iniciar uma caça às bruxas. A força do Sporting está nos seus sócios e, quem quiser conhecer a sua história, encontrará muitos momentos como o actual, aos quais os sportinguistas souberam reagir e responder aos desafios. Este é o tempo de, acima do amor próprio e das estratégias pessoais, de demonstrar o amor ao clube. Mais do que nunca o Sporting precisa de todos.

A vantagem que não pode ser desperdiçada
Esta auditoria tem pelo menos essa vantagem: a partir de hoje não há álibis, não escondemos a realidade por trás de números convenientes. Se por um lado isso é uma enorme desvantagem para atrair receitas e investidores, a consciencialização dos problemas próprios é o passo imprescindível para a sua resolução. Já não falta tudo.
Em frente Sporting!

P.S: já depois de publicado o post chegou-nos a comunicação da AAS sobre o mesmo tema, que  abaixo se publica:


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