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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

No futebol português só o descrédito e a vergonha é que não prescrevem


Gostava de acreditar que a prescrição do processo contra o apoio ilegal às respetivas claques por parte do SLB se deveu apenas à incúria e incompetência de quem enferma as organizações que tutelam o futebol nacional. Mas não consigo ter dose de inocência suficiente - teria que ser elevada - para não acreditar que, mais uma vez, os interesses e os jogos de bastidores prevaleceram sobre o apuramento da verdade e da justiça desportivas.

O desfecho que agora se conhece já há muito que vinha sendo antecipado na comunicação e redes sociais, pelo que o CD da FPF e a Comissão de Instrutores da Liga podia agora poupar-nos ao número indecoroso de passa culpas que se assistiu quando a noticia foi conhecida. A prescrição de um processo é pelo menos um sintoma de incapacidade e desleixo que deveria fazer corar de vergonha todos os envolvidos e dá uma perspetiva muito sombria das instituições. 

Tal deveria corresponder a um sobressalto suficiente por parte dos dirigentes de ambas as instituições, levando ao apuramento exaustivo de responsabilidades. Algo que sabemos não vai suceder porque tal poderia corresponder à abertura de portas de armários cheios de esqueletos e alguns cadáveres recentes já em decomposição. É esse cheiro nauseabundo de suspeições infindáveis, de casos burlescos e enchem de ridículo os responsáveis e que torna irrespirável o futebol português.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

A Santa Aliança

Não é mas podia ser uma imagem de um filme de Sérgio Leone. Conhecesse ele o futebol português e teria um manancial inesgotável para os seus filmes.

Vem isto a propósito do recente chumbo das propostas de alteração apresentadas pelo Sporting. Estas eram três, a saber:

  • - Cumprimento das medidas disciplinares dentro do período de competição, acabando com o regabofe de as empurrar para o tempo de férias.
  • - Possibilidade de uso das gravações entre os elementos das equipas de arbitragem para serem usadas como prova e também para efeitos de avaliação.
  • - Mudança dos bancos de suplentes, de forma a que as equipas da casa não tivessem a facilidade de exercer pressão sobre as equipas de arbitragem.

Só passou a alteração relativa ao cumprimento das medidas disciplinares. As outras duas foram chumbadas, contando para o efeito com os votos alinhados de FCP e SLB.

O caso das gravações teve até um episódio caricato, com o SLB a dizer que era a favor, mas que votava contra, num episódio digno dos gato fedorento. Os encarnados alegaram que a Assembleia Geral da Liga não era a sede adequada para fazer a alteração, tendo que esta ser produzida pela FPF. Vamos ver se e quando esta alteração essencial para a transparência vai ter lugar...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

As perguntas que interessam sobre a abortada golpada na Liga

Preparava-se à socapa uma golpada na Liga Portuguesa de Futebol, hoje sobejamente falada em diversos órgãos de comunicação social e redes sociais. Pedro Proença, presidente da Liga, deu já conta da indignação que o referido movimento provocou no seio do organismo. No fundo, de forma simples, pretendia-se a retirada do poder que os clubes têm sobretudo no que diz respeito aos regulamentos de arbitragem e disciplina.

Para quem não se lembra, esta mudança já tinha ocorrido no sentido inverso, no inicio da década de 90 do século passado, ficando a Liga a deter competências que eram de exclusiva responsabilidade da FPF. Com isso pretendia-se modernizar o futebol português, o que deve ser lido "retirar o poder decrépito e com sinais latentes de corrupção" - que se viriam a confirmar de forma pública - detido pelas associações de futebol. Quem não se lembra dos "xitos" da AF do Porto, das grotescas negociações atrás das cortinas, de trocas de favores por lugares, etc? Pretender o regresso a este passado de má memória é pois muito difícil de entender.

Pelos vistos a golpada será objecto de uma interrupção involuntária ainda na sua gestação, pelo que tudo vai continuar na mesma na organização administrativa e legal no futebol português. Pedro Proença continuará a ser presidente da Liga, eleito com o apoio expresso do Sporting, já lá vão quase dois anos (28 de Julho de 2015). 

E é por isso, pela perspectiva de tudo ficar na mesma que se impõem as perguntas básicas:

Olhando retrospectivamente estamos melhor ou pior?

Como se pode avaliar o silêncio dos organismos que tutelam o futebol e a sua incapacidade em se regular e organizar?

Para o Sporting em particular não estamos ainda mais longe do que estávamos na capacidade de influenciar e devolver transparência e verdade às competições?

sexta-feira, 5 de maio de 2017

VAR: um estranho e quase inédito caso de consenso entre os clubes nacionais

De entre os muitos jogos em que o Sporting tem razões para sentir prejudicado e para empreender a luta que agora vê compensada, o que a imagem que ilustra o post reporta é dos mais emblemáticos. É por isso que se saúda o  inesperado anúncio, feito pela FPF,  da introdução do video-árbitro de forma permanente já a partir do próximo campeonato. Sabemos do que falamos. Lembro que de forma provisória e isolada  a sua utilização já estava prevista por ocasião do final da Taça de Portugal.

Do ponto de vista estrito do organismo em causa, a intenção pode até ser a melhor, mas esta medida por si só não alterará significativamente o ambiente agónico em que vive actualmente o futebol português. Poderá até, em casos extremos, agudizá-lo, eternizando as discussões.

Sem mudança de comportamentos e mentalidades o video-árbitro tenderá a ser uma oportunidade perdida. Embora esta alteração me pareça inevitável e deva ser saudada, as minhas dúvidas justificam-se. Porque as regras são aplicadas e ractificadas por pessoas e essas serão exactamente as mesmas. E não mudando estas ou a sua forma de actuar...

Um exemplo muito prático, do qual todos se lembrarão: os lances de Pizi e posteriormente de Nélson Semedo, que deveriam ter sido sancionados com penalty's e procedimento disciplinares correspondentes.

Os elementos responsáveis pelo VAR alertariam o árbitro para os lances?

O árbitro recorreria às imagens e após o seu visionamento mudaria as suas decisões?

Tenho dúvidas e essas já as tinha expressado aqui anteriormente:

 "as novas tecnologias não substituirão a soberania na decisão dos árbitros, não mudarão nada na apreciação do respectivo trabalho por parte dos observadores, não farão as nomeações, não designarão os internacionais, etc, etc. Como certamente já perceberam estou a referir-me a aspectos muito particulares do futebol português que, permanecendo como estão, tornarão a introdução das tecnologias no futebol numa inutilidade.

Para sustentar a afirmação feita no parágrafo anterior socorro-me do sucedido no último dérby. (ndr: o mesmo jogo do exemplo acima) Basta ver o que disseram comentadores e sobretudo árbitros consagrados sobre a evidência dos lances para se perceber como a classe está comprometida com interesses de terceiros ao ponto de não possuírem condições essenciais ao exercício da função de julgar: independência e imparcialidade. E que dizer da nota do árbitro, quando quem o avalia fica indiferente ao que observa na televisão?".
Isto é, a medida é obviamente boa no sentido de introduzir maior justiça e rigor - e por isso o Sporting esteve bem na luta que empreendeu para a introdução da medida - mas ela é escassa. A FPF, que, juntamente com a LIGA, se têm mantido estranhamente alheadas ao que se passa em seu redor, tem que ir mais longe para que a novidade do VAR não seja o tradicional "algo tem que mudar para que tudo fique na mesma."

E neste âmbito há mesmo muito a mudar. Continuam a subsistir "fenómenos" difíceis de explicar e que, tendo importância para o desfecho dos jogos e até da competição, não serão resolvidos com a introdução da tecnologia no futebol, se esta não for acompanhada de uma maior equidade e imparcialidade. De outra forma a suspeita que infecta o futebol português subsistirá.

Um exemplo aleatório: a diferente aplicação dos critérios disciplinares, que resultam nos números tão dispares na quantidade de cartões e suspensões por equipas.

E aqui chegados confesso que tenho poucas esperanças, porque as mesmas pessoas que contribuíram para o ambiente que se instalou no futebol e para o qual contribuem de forma praticamente diária com frases, discursos, comunicados, posts, etc, são exactamente as mesmas. Por isso, da mesma forma que um lance é agora discutido com base nas opiniões mais convenientes para os interesses do(s) comentador(es), como se fossem vários, e não apenas com base nos factos que nele ocorreram  é muito provável que o mesmo se passará com as decisões tomadas com base no VAR.

Daí que me sinta tentado a concluir que o consenso quase inédito no futebol português sobre o VAR que assistimos deste ontem terminará assim que o próximo campeonato começar.

quinta-feira, 27 de março de 2014

No estágio da selecção nacional só entra alface roxa

Já circulam por aí os novo equipamentos da selecção nacional, entre os quais o alternativo. Devo dizer desde já que gosto do equipamento. Azul e branco é uma das minha combinações preferidas para roupa interior e o mesmo posso dizer da lingerie, que não uso, mas gosto de ver usar. 

O novo equipamento entretanto dado a conhecer será com certeza um sucesso em alguns quadrantes ligados àquela conjugação de cores. Estão mesmo a ver de quem estou a falar, não estão? Exactassimamente, os monárquicos, contra os quais nada tenho contra, nem a favor, bem antes pelo contrário. 

Só espero que a ausência de verde - os vivos azuis no equipamento poderiam fazer todo o sentido serem verdes, atendendo a que a selecção nacional representa a Republica Portuguesa... - não confirme a hipótese de, na FPF e demais organismos que superintendem o futebol nacional,  sofrerem de terríveis achaques por alergia à cor verde. 

O problema é de tal forma grave que, segundo informações que não conseguimos confirmar, já se equaciona a hipótese de, nas ementas da selecção nacional nos estágios que antecederão o Mundial e os que ocorrerão no decurso do mesmo a alface a usar será apenas a bem conhecida e não menos gostosa alface roxa. O  mesmo acontecerá com os pimentos, que serão apenas de cor vermelha os permitidos.

Para resolver os problemas decorrentes da utilização de outros legumes essenciais numa boa dieta a FPF tem já em estudo diversas propostas de renomados cientistas nacionais e estrangeiros que se propõem dotar os demais legumes, que teimosamente continuam a nascer verdes, de uma pigmentação mais de acordo com o actual quadro clínico  da federação.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A revolução que o Sporting propõe

  

















O jornal "O Jogo" dá hoje destaque à proposta do Sporting Clube de Portugal de alteração de diversos regulamentos e procedimentos. Ela será hoje apresentada a um número estimado de metade dos clubes da primeira e segunda linha em Alvalade, depois de, na semana passada ter sucedido o  mesmo junto dos partidos que compõem a Assembleia da República e da FPF. Fica aqui para divulgação, análise e comentário, se assim o entenderem. 

Ainda sem ler o documento original e sem reflectir sobre as mudanças propostas - mérito, exequibilidade, p.ex - não posso deixar de olhar para estas propostas como uma proposta de revolução, tantas são as áreas onde se propõe intervir.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Afinal quem ganhou as eleições para a FPF?

Afinal quem ganhou as eleições para a FPF, para além de Fernando Gomes, que venceu em todos os órgãos?

Provavelmente a resposta a esta pergunta só será clara à medida que forem passando os meses e com as respectivas tomadas de decisões. O Sporting, tendo visto três sócios seus serem eleitos, fica associado à gestão de Fernando Gomes e por isso tem que ter sempre uma participação activa de qualidade, outra coisa não será de esperar.

Segue-se a substituição de Fernando Gomes na presidência da Liga de Clubes que, apesar de ter visto as suas competências esvaziadas, ( por alguma razão Fernando Gomes se transferiu de armas e bagagens para a FPF...) sempre continua a ser a associação patronal do futebol português.

sábado, 22 de outubro de 2011

Luis é Duque, Vice-rei ou...?

A equipa do Sporting vive um momento feliz e essa felicidade contagia os adeptos. Quando assim é as matérias que não tenham a ver com performance futebolística tendem a cair no desinteresse, o que não é o mesmo que dizer que sejam desprovidas de importância. É o caso das eleições para a FPF, onde se vai jogar muita da "sorte" (deveria reforçar as aspas?...) do futebol português e com ela a do Sporting em particular. O interesse residual que esta matéria possa suscitar nas actuais circunstâncias do clube é ainda por cima esmagado pelo jogo de estratégia subterrâneo e cujos reais contornos nos escapam, como adeptos que somos do futebol que se joga apenas nos relvados e que se treina durante a semana.

O futebol é uma caixinha de surpresas como soe dizer-se, mas no caso das eleições da FPF e para o Sporting em particular tudo se tem conjugado para que o cliché seja ultrapassado e quase sempre em tom nefasto para os interesses do clube. Sem peso suficiente para fazer vingar um candidatura verdadeiramente regeneradora para o futebol nacional, o Sporting viu-se encostado à parede pelo súbito apetite de um ex-presidente seu pela cadeira de Gilberto Madaíl. A fractura que já se julgava exposta acabou por não acontecer por Filipe Soares Franco cedo ter percebido que não iria longe, o que talvez possa ter sido um julgamento algo precipitado em função do apoio dos clubes da Liga a Fernando Gomes. Apoio esse que é mais fátuo do que propriamente um facto, como adiante se verá.

O que quase ninguém esperaria era que nascesse no interior dos corpos sociais do Sporting e ainda por cima no braço direito do presidente do clube um enxerto apócrifo e ainda por cima colado à APAF de Luís Guilherme e ao discurso padreca do abjecto presidente da AFPorto. É assim que eu vejo o "apoio pessoal" de Luís Duque a Carlos Marta, que é a confirmação de uma conduta reiteradamente dissonante do homem forte do futebol leonino. Começou por ser assim quando se ameaçou demitir, continuou ao demarcar-se das criticas mais do que justas do presidente Godinho Lopes à arbitragem e assim permanece agora ao aparecer de mão dada com inimigos declarados e como tal identificados há muito pela generalidade dos adeptos sportinguistas, que se revêem mais nas posições de Godinho Lopes e agora assumidas por Dias da Cunha.

São difíceis  de entender as posições de Luís Duque e elas constituem um óbvio incómodo para a nação leonina. E tanto pior quando elas vêm de alguém identificado como o "ponto de Arquimedes" do nosso futebol. Luís Duque é, sem margem para dúvidas, a ponte que nos coloca no continente do futebol nacional, em particular das suas catacumbas, sem o qual o Sporting volta a ser uma ilha frequentemente ignorada nos respectivos mapas de interesses.  

O Sporting precisa de estabilidade para o que resta da época e para os anos vindouros para que o seu PREC (processo de reconstrução em curso) possa ter continuidade e apresente os resultados que todos almejamos e merecemos. Melhor do que ninguém Luís Duque saberá o que está a fazer, mas sem que a as suas acções sejam entendidas pelo grosso dos adeptos, estas investem contra o próprio clube e são o adubo para a desestabilização interna e  externa, como em breve se verá nas crónicas dos "opinion makers" que nem dele precisam para nos torpedear.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A candidatura de Fernando Gomes e o Sporting

Soube-se este fim-de-semana que o Sporting decidiu dar o seu apoio à candidatura de Fernando Gomes à presidência da FPF. Sobre esse assunto partilho aqui algumas considerações.

Fica evidentemente que caiu por terra o entendimento entre SLB e o Sporting para apresentação de uma candidatura conjunta. Essa acaba por ser uma inevitabilidade face às movimentações na Liga e nas associações. Os clubes de Lisboa não tiveram força suficiente para criar um movimento com garantias mínimas de vencer. E não deixa de ser sintomático que a A.F. Lisboa, que devia seguir a tendência de voto dos clubes seus associados e ainda ande entretida em jogos florais.

É bom ter presente que a unanimidade do apoio dos clubes da Liga a Fernando Gomes pode ser apenas relativo à direcção da federação, faltando saber os que o suportarão nos outros órgãos como a AG, os órgãos disciplinares e a tão apetecida arbitragem. Será muito interessante verificar a aritmética dos resultados eleitorais para perceber quem andou a jogar em vários tabuleiros.

Filipe Soares retirou-se amargurado do processo eleitoral não escondendo o seu desagrado pela falta de apoio do Sporting ao demitir-se do cargo que ocupava na comissão de vencimentos da SAD. Quanto a mim recolheu os frutos da árvore que semeou ao tomar a decisão de se candidatar sem cuidar de saber qual era a estratégia do clube de que reivindicou apoio.

No meio de todo este labirinto de interesses o que pode ganhar o Sporting com este processo eleitoral? Mais do que ganhar o Sporting nada tem a perder porque isso já perdeu há muito tempo por se alhear ou ser incapaz de articular qualquer estratégia que aproximasse dos centros de decisão do futebol português. Por isso tudo o que vier agora será considerado ganho. 

Para já aparentemente não ganha nada porque dos nomes já anunciados pela candidatura de Fernando Gomes nenhum deles está ligado ao Sporting. O que em si não é mau nem bom, basta lembrar o que foi a presidência de Silva Resende na FPF, sportinguista reconhecido que não se opôs ao crescimento tentacular do submundo que hoje manobra o futebol português. Ou o que tem sido a gestão da arbitragem por parte de Vítor Pereira, ao que sabe sócio cinquentenário do Sporting mas cuja permanência no cargo deixa mais tranquilo Filipe Vieira do que Godinho Lopes. 

Poderia o Sporting manter-se à margem dos restantes clubes da Liga, ao género do “orgulhosamente só”? Evidentemente que sim, que essa poderia ser uma estratégia a seguir não vejo contudo o que poderia ganhar com isso que não possa ganhar apoiando Fernando Gomes. Isto porque, e fazendo fé nas palavras de Godinho Lopes, o que o Sporting quer "é que haja verdade desportiva, isenção no futebol, qualidade no espectáculo e tudo isso está espelhado naquilo que Fernando Gomes apresentou". Se Fernando Gomes e a sua equipa não conseguirem impor os objectivos a que se propuseram o Sporting não tem nem os pés nem braços atados e muito menos fica sem a língua…

Para o fim mas não menos importante, o Sporting deve temer Fernando Gomes, pelas suas origens? Daquilo que sei, por testemunhos indirectos, as motivações de Fernando Gomes são as melhores e a sua mudança para a FPF é uma consequência óbvia do esvaziamento de poderes da Liga, face à nova lei de bases. Sem poder não se fazem mudanças e o que Fernando Gomes se propôs fazer na Liga ficaria pelo caminho se permanecesse no cargo. Pior do que Fernando Gomes seria, para o futebol português a continuidade de Gilberto Madaíl e da sua gestão digna de Pôncio Pilatos, que perante os problemas se limitava a lavar as mãos. Mas a eleição de Fernando Gomes, que parece cada vez mais certa, não será a elixir para os vícios do futebol português  e que têm sido uma pesada âncora para um clube como o nosso, afogado em problemas internos, e por isso normalmente exangue para se opor aos males que saltam do lado de fora dos muros. Mais do que temer a eleição de Fernando Gomes o Sporting deve desconfiar sempre. Porque, como é óbvio, o trajecto por ele efectuado para chegar onde chegou nunca teria sido iniciado sem a prévia bênção papal. Falta saber quais as verdadeiras motivações, se por genuína vontade para reformar o futebol português, compreendendo que o actual estado é prejudicial a todos os seus agentes e interessados, se apenas para manter o status quo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Alianças: de um lado chove do outro faz vento

É no mínimo com muita perplexidade que leio a noticia que dá conta da vontade de Filipe Soares Franco de se candidatar à presidência da F.P.F. e que, diz-se, conta já com o apoio de um belo ramalhete constituído pelo Porto, Braga, Rio Ave, Gil Vicente e Nacional! Porém, e fazendo fé no relato, o ex-presidente do Sporting não terá ainda falado com o actual líder leonino, Godinho Lopes. Este, juntamente com Luís Duque, esteve ontem reunido com LFV num restaurante de um hotel da capital alegadamente para combinar a estratégia que leve Fernando Seara à presidência da FPF.

Vai ser necessário esperar ainda algum tempo para perceber as motivações e as consequências das diversas alianças em curso. Mas, sendo indiscutível que o Sporting não pode continuar arredado dos centros de decisão do futebol português, para bem do clube e da indústria, antevejo desde já enormes dificuldades na defesa desses interesses.

Por um lado o Sporting precisa de um interlocutor confiável que busque um parceiro e não apenas uma muleta. O passado diz-nos que LFV e o SLB não têm procurado mais do que fazer o mesmo que o FCP, agindo de forma tosca e incompetente. Se o Sporting pretende fazer um acordo de cavalheiros deve assegurar se está realmente na presença de cavalheiros.

Do outro lado estão os poderes óbvios e ocultos do futebol português que há muito vampirizam a indústria, distorcendo a verdade da competição. É uma máquina oleada que age pela calada e jogando em vários tabuleiros, de forma a garantir a manutenção da perniciosa hegemonia que fere de suspeição o futebol português, com as consequências que estão à vista de todos.

Por tudo isto não consigo perceber porque razão Filipe Soares Franco se possa dispor a andar de braço dado com tão más companhias, ele que as conhece tão bem do tempo em que foi dirigente do Sporting. A minha perplexidade é ainda maior quando constato que há sempre alguém que se assume como Sportinguista disponível para credibilizar estratégias de organizações e indivíduos cujo historial os coloca na lista de inimigos do Sporting. Veja-se os casos de António Garrido, os irmãos Oliveira, Vítor Pereira e tantos outros.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Domingos, Madaíl e Salvador: à atenção da direcção do Sporting

"Felizmente conseguimos levar uma taça para Portugal, o que não aconteceu em 2 edições anteriores, quer no Euro 2004, quer em 2006 na Taça UEFA que mesmo jogando em casa oferecemos a Taça. Agora aqui jogamos em casa, praticamente, mas levamos a Taça. Levávamos sempre."

Estas foram as vergonhosas declarações de Gilberto Madaíl, hoje à SporTv, após a final de Dublin, que transcrevi "ipsis verbis", mas que infelizmente hoje a comunicação social não  faz com o mesmo rigor.

Entretanto alguém dos seus assessores lembre o presidente da FPF alguns factos: (uns mais importantes que outros):

A primeira final falhada em casa foi no seu antigo estádio da Luz, pelo SLB, ante o Anderlecht, fez ontem precisamente 28 anos.

A final da Taça UEFA a que se referiu foi em 2005, falha que até pode ser entendida, fez ontem precisamente 6 anos.

Já o que não é desculpável a um presidente da FPF é que utilize a expressão "oferecer a taça". O Sporting fez uma campanha absolutamente notável em 2004/05, realizando grandes exibições e jogou para ganhar na final. A taça custou muito a ganhar ao CSKA. Será que ele acha que o Braga também ofereceu a Taça ao FCP?

A confirmação ontem feita em directo por António Salvador de que Domingos será o novo treinador do Sporting foi tudo menos inocente. Pessoalmente entendo-a como uma vingançazinha, pequenina como o seu autor, retirando à direcção do Sporting o privilégio e o impacto do anúncio oficial.  E foi com certeza de uma deselegância face ao comportamento que a direcção do Sporting teve para com o seu clube, tendo em conta o facto de ambos estarem a disputar o terceiro lugar. As consequências não se fizeram esperar, veremos se, face aos antecedentes, não veremos o clube ser penalizado pela CMVM.

À atenção da direcção do Sporting.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Das duas... duas?

Queirós só tem razões para se rir
Acompanho sem grandes expectativas o “caso Queirós”. Ele retrata de forma muito fiel aquilo que é há muitos anos o futebol português: um lago de águas profundas, cuja superfície apenas deixa entrever o que não é de todo possível conter na ebulição permanente que resulta da luta sem ética nem quartel entre interesses pessoais, clubisticos e económicos. Mal o caso começou já cheirava mal e de maus cheiros andamos todos cheios.

Mas dois factos despertaram-me a atenção.  Como podia não ter chamado? 

I) O rol de testemunhas arroladas pelo ainda seleccionador nacional. De um cavaleiro de sua inglesa majestade, passando por Figo e acabando nos presidentes dos nossos principais rivais, a passadeira vermelha da Praça da Alegria teve finalmente uso adequado.

(Todos sabemos que os VIP`S pouco ou nada lá foram fazer que contribua para um cabal esclarecimento do caso: nenhum deles o presenciou, pelo que o testemunho que possam ter prestado terá o mesmo valor que teria se fosse feito por qualquer um de nós. Mas o espectáculo de fogo fátuo conduzindo por Queirós, um verdadeiro mestre de cerimónias quando se trata de criar ilusões, está à altura do ridículo que representa o processo em si: a verdadeira razão da sua existência tinha como objectivo o despedimento do seleccionador sem a indemnização a que ele se julga com direito).

II) Não sei se estranharam como eu, mas o seleccionador não convocou em seu favor nenhum elemento ligado ao Sporting. E começa por ser estranho logo porque Queirós nunca foi treinador do Porto ou do Benfica , mas foi-o no Sporting. Uma falha de Queirós, parece-me, pois, se tivesse que decidir, questionar-me-ia das razões de tal omissão. Uma dupla falha se a esta omissão juntarmos a preferência,  no rol de testemunhas abonatórias, por um expert em trapaças, chitos e golpadas. Quem defende a FPF  ou  a Autoridade Nacional de Dopagem - isto porque é difícil de perceber quem está mais interessado na condenação de Queirós - atraver-se-à a descredibilizar, como seria normal, a testemunha Pinto da Costa, lembrando o infindável número de processos de que já foi alvo, ou com as famosas escutas?

O que estará por detrás da opção de Queirós? Das duas uma, ou até ambas:

a) O seleccionador não deixou amigos nem saudades no Sporting, pelo que ninguém estaria disposto a abonar o quer que fosse em seu favor. Isto depois de nos ter deixado os cofres mais leves em, à época, mais de 100 mil contos, no que teve a preciosa ajuda – legitima, apesar de tudo - do actual presidente da AG e da inabilidade de Santana Lopes.

b) O seleccionador não vê no actual Sporting Clube de Portugal qualquer capacidade de influenciar decisões ou de constituir qualquer loby destinado a ser bem sucedido, isto apesar de Bettencourt ter dado o seu “forever” de assentimento, ainda Queirós desfazia as malas, à chegada da campanha africana. O que nos remete, inevitavelmente, para o peso real que tem hoje o Sporting no contexto do futebol nacional e das capacidades próprias para promover os seus próprios interesses. Num futebol como o contextualizado acima, este tipo de fragilidade é fatal para qualquer aspiração mais ambiciosa.

Independentemente de tudo isto tenho como certo que o ainda seleccionador se vai sair a rir de tudo isto: ou com o bolso recheado por mais uma indemnização choruda, ou com o bolso recheado pelo chorudo ordenado que contratualizou com Madail. Das duas uma, ou até as duas, substituindo o ordenado que lhe paga actualmente a FPF, pelo de um clube ou federação qualquer, e somando-lhe a dita indemnização por despedimento.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rir do vizinho

Alguns benfiquistas parecem não ter percebido que a razão da chacota de que hoje são alvos está na arrogância, de todo injustificada, com que se vêm comportando ao longo do campeonato. Esse comportamento é afinal a evidência que, para aqueles lados ganhar não é assim tão natural nem tão comum, mas acima de tudo um sinal de menor inteligência: mais cedo ou mais tarde haviam de dar com os burrinhos na água, e desta feita até foi com muito estrondo: de 4!

Mas não quero fazer deste espaço um consultório psiquiátrico para recuperação de depressões alheias e muito menos achincalhar os adversários da próxima terça-feira. Preocupa-me isso sim ser cada vez mais comum ver os grandes de Portugal cada vez mais pequenos cada vez que passamos de Badajoz para cima. E apesar de o fazerem pelo ar, no conforto dos mais modernos aviões, estamos cada vez mais perto do figurante da mala de cartão e sapatos enlameados nos salões do futebol europeu. Não há grande que nos últimos anos não tenha sido sovado com mais do que uma goleada nas competições da UEFA, pelo que o riso pelo vizinho arrisca-se sempre a ser transformado em lágrimas bem amargas. 

O futebol português sofreu um sério revés com as transformações produzidas por uma UEFA entalada entre a espada dos interesses dos grandes clubes e a parede de satisfação das suas próprias conveniências. E vive  também ele entalado entre a falta de visão dos seus dirigentes e anemia da economia nacional, bem como do nosso fraco potencial demográfico, face aos concorrentes. Infelizmente “não há” FPF ou LIGA, apenas a gestão dos interesses de quem, circunstancialmente, se consegue sentar “por cima da carne seca”, que se confundem entre a hegemonia e a tentativa de asfixia do adversário, através de golpes na arbitragem, disciplina, etc.

Era bom que todos os clubes percebessem que este caminho tem a palavra FIM ao virar da esquina  e não possibilita inversão de marcha ou viragem à esquerda ou à direita. E por isso era bom que se tratassem de entender, reservando o relvado para as disputas. Que é onde os adeptos, de qualquer cor, e na sua grande maioria, gostam de ver as suas cores triunfar.

sábado, 25 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Derrota?! Nós é que fomos agredidos!!!

"O Conselho de Disciplina da Federação puniu Benfica e Sporting com derrota por 3-0 devido aos incidentes ocorridos no derby de juniores, disputado a 27 de Junho e que decidiria a atribuição do título nacional na categoria.

Para além das derrotas, os dois clubes, que terão de pagar 625 euros de multa e as custas deste processo, foram ainda punidos com três jogos à porta fechada, mas apenas aqueles que os dois clubes terão de disputar entre si nesta categoria, ou seja, os seis próximos derbies não terão presença de público."

Peço desculpa ao LdA mas tenho que falar nisto!

É incrível esta decisão. Quer dizer, pensando bem não é nada, atendendo ao passado fértil de decisões completamente estapafúrdias com que temos sido brindados.

A FPF resolveu punir o SCP e os agressores, relativamente aos incidentes verificados no jogo de atribuição do título de juniores, a mesma punição: derrota por 3-0, não decidindo nada em relação a quem pode ser considerado campeão de juniores este ano. Não só puniu o justo pelo pecador, como ainda lavou as mãos como Pilatos. Um verdadeiro 2 em 1, revelador do estado a que chegou o futebol português. Ah é verdade, os próximos derbies serão realizados à porta fechada. É um verdadeiro tratado no que à imbecilidade e impunidade diz respeito.

Aberto o precedente, o que impede agora qualquer outro clube de usar a mesma táctica? Imaginem um clube que tenha uma equipa sua a disputar um jogo decisivo para atribuição de um título; bastará “vender” os bilhetes a que tem direito e que lhe tenham sido facultados, a uma das suas claques, esta interromper o jogo levando à suspensão do mesmo, e já está. Aliás o que impede uma claque afecta a outro clube de fazer isso?
Agora nada disto nos surpreende, sinceramente. No futebol português, existem não 2 pesos e 2 medidas mas 3. E nisto, o SCP, que é sem dúvida o clube mais cumpridor dos 3 grandes, é sempre aquele que sai mais prejudicado.
Aguardo pela reacção do SCP. Será que é desta que a nossa Direcção se capacita que a postura de cavalheiros, no actual estado, não nos leva a lado nenhum? Não quero que desçamos ao nível dos outros mas gostava de ver uma postura bem mais firme e intransigente no que toca à defesa dos interesses do SCP. As multas dos bilhetes são irrisórias. Assim como as dos calduços.

É verdade, pode-se recorrer da decisão. Só espero que desta vez, ao contrário do episódio com o Duarte Gomes, não se deixe passar o prazo.

PS: Aqui fica o link para a petição onde poderemos expressar a nossa indignação Petição

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