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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Rescaldo da Liga dos Campeões e agora a Liga Europa: nem os maiores nem coitadinhos

©AFP/Getty Images
Na sequência do final da fase de grupos da Liga dos campeões fica um pequeno rescaldo, em tom de notas avulsas, e com um pequeno avanço sobre o que nos pode esperar na Liga Europa.

Nem os maiores nem coitadinhos, a diferença esteve em pormenores
Esperar que o resultado de um jogo de futebol, ou de uma sequência de jogos de apuramento, represente com fidelidade a justiça do jogo jogado é não perceber uma das características mais importantes do jogo: a aleatoriedade. Por vezes é-se melhor e não se ganha, podendo mesmo perder-se, outras não se é suficientemente bom para justificar a vitória acabada de alcançar. Contudo, é a aleatoriedade que torna os resultados imprevisíveis, e é por isso o futebol tem a enorme legião de adeptos espalhada por todo o mundo. O problema é que só nos lembramos disto quando os resultados não nos são favoráveis. 

Serve a introdução para avaliar a nossa prestação no apuramento, uma vez que foram várias as referências feitas a uma certa injustiça no nosso afastamento para a Liga Europa. Neste âmbito, as declarações mais equilibradas pareceram-me as de Adrien:

"Pelo que mostrámos contra todos os adversários merecíamos a passagem. Em alguns momentos não conseguimos pontos por culpa própria. Em outros momentos isso não esteve nas nossas mãos. Mas merecíamos"

Comecemos pelo incontestável, o  mérito do Chelsea como vencedor do grupo. Os números falam por si: termina o apuramento invicto, com 17 golos marcados e apenas 3 golos concedidos. O único facto anormal, mas de carácter decisivo, terá sido o empate em casa no jogo inaugural como Schalke 04. No entanto é bom lembrar a precocidade do jogo no contexto da actual época. A equipa alemã acabaria por coleccionar maus resultados, tendo mesmo mudado de treinador. Se há dúvidas que "não é a mesma", basta olhar para a goleada sofrida na recepção ao Chelsea. Decisivo terá sido também o facto de termos sido a única equipa do grupo que não conseguiu pontuar com a equipa de Mourinho.

Analisando os nossos números com os do Schalke 04 constata-se um maior desequilíbrio dos alemães, que terminaram com um número de golos sofridos (14) superior aos marcados, por comparação com o nosso empate (12 sofridos, 12 marcados). Números muito elevados para quem quer figurar entre os melhores da Europa: das equipas que se classificaram para a fase seguinte só Basileia, Arsenal e City se aproximam, mas ainda a alguma distância, de números tão elevados de golos concedidos (8). Talvez esteja aqui, na consistência defensiva, a explicação para o não apuramento. Aí e nos pormenores, alguns deles aludidos acima. 

O equilíbrio pontual entre nós e os alemães terá sido o facto dominante, sendo que aqui ganha maior relevo o erro do árbitro russo no jogo da Alemanha. Dizer isto não é esquecer erros próprios, como muito bem reconhece Adrien, acima. Não gosto do discurso de que somos os maiores (o que me parece muito lampiónico) quando ganhamos e explicar as derrotas com factores externos e teorias da conspiração ( o que me parece muito pintodacosteano).

Severidade excessiva para com Esgaio
Apontar o erro de Esgaio como factor determinante para o resultado de Stanford Bridge, como já vi fazer, parece-me excessivo. Até porque, revisto o lance, parece que Filipe Luís soube cavar muito bem a falta. Mas, mais importante, parece-me ser assinalar 2 pontos nesta matéria:

- O Chelsea deste ano é mesmo de outro campeonato. Com um pouco de sorte e menos acerto de Patrício, poderia ter conseguido um resultado em Alvalade semelhante ao obtido em casa do Schalke 04, tantas foram as oportunidades de 1x1 conseguidas. Constatando tamanha diferença, fica mais difícil de concluir que o apuramento ficou perdido neste último jogo. 

- Acho muito difícil, mesmo escolhendo entre os melhores dos melhores, encontrar um lateral-direito que salte directamente directamente dos relvados da II liga para um dos melhores e mais difíceis palcos do futebol mundial e seja capaz de desempenho igual ao de Esgaio. O problema é pois mais complexo que um mero desempenho individual em circunstâncias difíceis. Talvez fosse bom ter presente que o que lhe foi oferecido até agora não lhe permitiu ser melhor. Isto sem esquecer que para o seu lugar foi até contratado Geraldes que agora lhe é suplente.


Qual o verdadeiro preço de um jogador?
Pelo que foi dito acima perceber-se-á que não considero adequado individualizar os erros como justificação para o insucesso colectivo. Mas muitos se lembrarão por muito tempo do erro de Maribor, já depois de esgotados os noventa minutos porque foram assim que voaram dois pontos. Mas quando se contabilizarem os preços dos dois jogadores envolvidos, os custos deste e de outros erros, não entrarão nas contas. Nem isso nem o tempo e as oportunidades que lhes foram concedidos e se negaram a outros e o que isso obstou à sua evolução e valorização. Por isso quando se diz que um jogador "até é barato" é porque estes custos nunca entram na contabilidade.

Liga Europa: se vais embandeirar em arco certifica-te que vai mesmo haver festa
Se não compreendo quem ache que "até é bom irmos para a Liga Europa" menos compreendo ainda os que acham que somos candidatos à conquista do troféu. Antes de nós há clubes que têm contraídas mais obrigações, tais como os que agora ombreiam connosco como cabeças-de-série, tais como Zenith, Olympiakos, Nápoles, Nápoles, Fiorentina, Everton, Dínamo de Kiev. Isto sem pensar que na próxima eliminatória nos pode sair ao caminho Liverpool, Ajax, Roma, Wolfsburgo, o que acresce o risco de nem aquecermos o lugar na competição. É bom, por isso, lembrar que até à final há um longo caminho a percorrer e que, numa prova a eliminar, basta um dia mau para comprometer as aspirações.

Pensar que somos candidatos é também não perceber o que nos aconteceu agora na fase de apuramento. Se a experiência dos jogadores era então contabilizado em desfavor, ela não poderá ser menos agora, só porque se fizeram seis jogos ao mais alto nível. E é bom lembrar que o nosso jogo precisa de se equilibrar quer no modelo, sobretudo na organização e transição defensivas, quer mesmo do ponto de vista da qualidade do valor individual disponível.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Liga dos Campeões: Ir a Londres escrever o epitáfio

Demorou muito pouco o tempo em que conseguimos manter-nos donos do nosso próprio destino, pelo que, quando logo aos dezoito minutos, ficamos a perder por dois golos de diferença, passamos a jogar mais em Maribor do que Londres. O jogo acaba por ser um epitáfio justo da nossa participação nesta fase de grupos, e que também marca as restantes participações da época: qualidade e desequilíbrio. 

Explico: o Sporting demonstrou em Londres que o seu jogo tem qualidade para criar oportunidades e marcar golos, mas é demasiado inconsistente e inseguro para poder depender da sua capacidade defensiva para conseguir resultados. A este nível, e ainda por cima contra uma equipa com o poderio que tem o Chelsea, a realizar uma grande época, isso é ainda mais claro e acabou por ser fatal. Desequilíbrio também nas opções também à disposição de Marco Silva. Se é natural que Nani não tenha substituto à altura, Cédric, por exemplo, deveria ter.

Tudo acaba por ficar condicionado com uma infantilidade (leia-se ingenuidade) de Esgaio. O lance foi fatal para as nossas aspirações e também para o jogador, que acabou por jogar nitidamente diminuído psicologicamente, quer a defender quer mesmo quando se abriam hipóteses, mesmo que ténues, de atacar. O Chelsea estava a jogar confortavelmente com as suas linhas recuadas mas o desinteresse era só aparente. Sempre que conquistava a posse de bola, jogava simples, procurando quase sempre a grande capacidade de Fabregas de criar jogo e definir com qualidade. As movimentações de Schürle, partindo da linha para as costas do fantasma de William - onde andas tu? - eram golpes constantes a impor sofrimento e a anunciar que um golo na nossa baliza podia sempre acontecer.

Ora, mesmo sendo consentido, o Sporting ia dando indicações que sabia o que fazer à bola. Faltou Nani, o que assumiu também um carácter decisivo para o nosso jogo. Mas se o nosso dezassete esteve ausente Stanford Bridge pôde ficar a conhecer Nanillo. Perdão, Carrillo, que fez de Nani e de Carrillo. Talvez fosse suficiente se o adversário fosse o Boavista, como no passado fim-de-semana, ou até talvez um pouco mais forte, mas não com equipas da igualha do Chelsea. Capel era completamente inofensivo do outro lado e João Mário não conseguia passar os dois muros, perdão, médios de contenção, Mikel e Matic, tornando Slimani numa ilha.

O segundo tempo não deferiu muito do primeiro, apesar do golo de Jonathan ter dado algum fôlego à esperança, mas a resposta não demoraria. Um pouco à semelhança do golo de Matic em Alvalade, o Chelsea atrairia a defesa de uma bola parada ao primeiro poste para a fazer cair no outro extremo, sem que a defesa reagisse como devia. Pareceu fácil, o que se justifica pela qualidade da execução e pelo facto de não termos aprendido nada no primeiro jogo.

E assim saímos para a Liga Europa. Um apuramento natural e esperado quando se conheceu a composição do grupo mas que agora, face ao ocorrido no apuramento, acaba por saber a pouco. Dois lances patéticos - o golo já nos descontos em Maribor retirou-nos dois pontos, o inominável penalty na Alemanha outro - acabariam por nos afastar de um apuramento que seria inteiramente merecido. Mais importante que chorar sobre o leite derramado é reconhecer uma participação valorosa do Sporting a marcar o regresso à mais importante competição de clubes do mundo. Assim saibamos aproveitar a experiência para crescer e voltar mais fortes. E termino desejando que esta presença se torne um hábito e não uma aventura esporádica. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Liga dos Campeões: alta voltagem com o tradicional apagão

Demonstração de superioridade sobre o adversário, deixando clara a diferença que separa as equipas, foi aquilo que o Sporting fez ante o Maribor. Um jogo de alta voltagem da parte de Nani, mas que não deixou de ficar marcado por um apagão, que resultou num golo muito consentido. Este haveria de fazer abanar a equipa, até esta repor novamente a distância de conforto de dois golos.

Muita dessa superioridade ficou logo vincada nos momentos iniciais do jogo, redundando num golo relativamente madrugador. Muita agressividade e pressão sobre o adversário, garantiam a posse de bola para lançar ataques constantes. Esta pressão foi quase constante durante o primeiro tempo, mas a parceria esloveno-brasileira no golo final da primeira parte, fez regressar um Sporting algo hesitante e que, talvez pela demora do apagão, parece ter esquecido os papéis que cabiam a cada um desempenhar. A equipa desagregou-se, perdendo agressividade e facilitando nas coberturas, o que permitiu ao Maribor ver mais vezes a camisola vermelha do Patrício.

Não foram muitas as vezes, mas porém as suficientes para criar perigo, que o Maribor explorou muito bem o espaço ao centro, nas costas dos nossos médios, fazendo surgir diante dos defesas jogadores com a bola controlada sem  contudo lhes dar a melhor sequência. Algo que nós ainda não fazemos mas devíamos começar a pensar incluir no cardápio porque as arrancadas de Nani poderiam ganhar uma dimensão ainda mais letal. E Slimani não estaria tanto tempo ausente ou invisível para os colegas com bola, ou então apenas ao alcance de um aleatório centro desde a linha lateral.

Desta vez, como nem sempre ocorre no futebol, a verdade veio ao de cima, sendo precisamente Slimani a repo-la, pelo menos de forma parcial. Com outra eficácia e não sei se o avião do Maribor não teria dificuldades em levantar voo, por excesso de carga.

Dos mais três preciosos pontos conquistados resulta o apuramento para fase seguinte da Liga Europa, o que assegura a importante permanência nas competições europeias. O bolo e a cereja no respectivo topo pode ainda ser alcançado, com o apuramento para a fase a eliminar da Liga dos Campeões. Que podia ter ontem já ter sido carimbado não fosse esta fase de apuramento ter-se assemelhado a um estranho "Campeonato das Abébias", no que o golo de Jefferson ontem constituiu a última jornada. 

Estranhamente parece que, quando se fala de falhas comprometedoras, parece agora só haver registo do erro grave do árbitro russo, quando o jogo na Alemanha foi preenchido por erros individuais de palmatória e sobretudo a recepção na Eslovénia ter sido brindada por um dos mais patéticos golos sofridos ultimamente. Só neste lance mandamos dois pontos para o éter.

O que é que isto é importante agora? É que não percebendo as nossas próprias limitações dificilmente cresceremos. E, como o jogo de ontem mais uma vez deixou evidente, felizmente sem grandes consequências, a falta de qualidade individual na defesa é um dos nossos algozes mais severos na época a decorrer. Apesar do apuramento para Liga Europa conter os danos, tal não deve iludir que, nos actuais moldes, os nossos interesses estão muito longe de estar acautelados.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Três taças para seguir com ou sem espinhos

Um fim-se-semana em cheio para o futsal (foto RR)
Qualidade e seriedade
Duas palavras centrais a marcar a deslocação à casa emprestada do Espinho: qualidade e seriedade. Começando pela última, não é por acaso que a Taça de Portugal tem associada a si a expressão "tomba-gigantes". Equipas fortes que encaram adversários teoricamente acessíveis sem o devido respeito e acabam fora da competição ajudaram a construir o historial da competição e foi precisamente a atitude oposta a do Sporting em Vila da Feira uma das chaves da passagem à eliminatória seguinte. Quando foi preciso lutar lutou e, depois de fazer prevalecer a enorme diferença de qualidade que separa as duas equipas. O obra de arte no golo de Montero foi o ponto de exclamação num jogo que só foi fácil porque assim a equipa assim o quis.

Uma palavra para o clube anfitrião que, no ano em que celebra o seu centenário, merece mais do que a agonia espelhada por um estádio a desfazer-se aos bocados e o arrastar da sua equipa histórica pelas profundezas do futebol nacional.

Salão de mostra continua de qualidade 
Como aqui já aqui foi várias afirmado, o trabalho realizado de forma sustentada no futsal que dá ao Sporting a hegemonia nacional na modalidade e projecta o nome do clube internacionalmente deveria fazer escola e servir de exemplo. Estabilidade directiva, escolha criteriosa de jogadores e treinadores são algumas das chaves do sucesso que, este fim-de-semana, registou mais uma jornada histórica. O desafio da Final Four é enorme, atendendo ao poderio de qualquer um dos adversários, mas quem tem uma equipa de gente tão focada em ganhar como a nossa pode esperar sempre o melhor.

Fugir aos eslovenos espinhosos 
Poucos poderiam vaticinar que a esta altura do apuramento da fase de grupos o Maribor estivesse com três pontos e em posição de discutir a passagem à fase seguinte da Liga Europa. Porém já conseguiram roubar pontos às três equipas tidas como favoritas, somando três empates, sendo o conseguido na Alemanha o que lança o aviso mais notório sobre o que o Sporting pode esperar amanhã em Alvalade. Ao Sporting só uma vitória interessa para manter intactas as suas ambições de prosseguir em competições internacionais.

O que é melhor para nós, o apuramento para Liga dos Campeões ou Liga Europa?
Não sei se este debate faz muito sentido mas sempre vou dizendo que se é verdade que não temos equipa para ganhar a Liga dos Campeões isso não obsta a que o Sporting deseje prosseguir na mais importante competição de clubes do mundo. O contrário é atraiçoar o espírito que norteia o clube desde a sua fundação e quem tem medo de jogar com os melhores nunca será como eles. E se o medo de perder pode tolher alguns espíritos, porque é que na Liga Europa ele pode ser de todo afastado?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sporting 4 - Schalke 2: digníssima qualidade!

Quando, ainda tão cedo no jogo, sofremos um golo, ainda por cima um auto-golo, parecia que os deuses da desgraça haviam marcado nova reunião em Alvalade, à semelhança de tantos outros conclaves ali efectuados em jogos nacionais e internacionais. Porém, a equipa recusou o papel de mordomo dos deuses e dos alemães e reagiu, numa demonstração de carácter e alardeando qualidade indiscutível. Na primeira parte ainda com alguma insegurança, no inicio da segunda com enorme vontade e categoria.

O homem do jogo
Nani. Ainda parece que só o estamos a ver nos sonhos mais ousados mas ele já cá mora e a ele se deve grande parte da nossa qualidade ofensiva. Obviamente que Nani se destacaria sempre numa equipa de pernetas, acontece que, felizmente, a nossa equipa é bem mais do que isso e os golos de Jefferson e o do próprio Nani são o resultado de uma mistura de execuções individuais de primeira água com envolvimento colectivo.

O momento do jogo
Há vários lances candidatos, o golo do 3-1, o do 4-2. O meu é o momento mágico em que Rui Patrício esconjurou definitivamente os maus agoiros que às vezes, nem mesmo jogando a bom nível, nos impedem de conseguir bons resultados. Aquele lance, que daria o empate, só é possível pela coragem, qualidade imprescindível num guarda-redes, e com uma leitura de jogo perfeita. Sem ela Patrício nunca estaria ali naquele lugar a tempo. Ou ficaria uns passos atrás, com a baliza a parecer o estuário do Tejo ao avançado alemão ou, como tantas vezes acontece, chegaria suficientemente atrasado para não conseguir intervir, ou até mesmo fazer um penalty clássico.

O balneário ouve e sente o que se diz dos seus ocupantes?
Se dúvidas houvesse sobre a permeabilidade do balneário às criticas e ao ambiente envolvente basta ver as declarações de Nani ( ...temos de saber lidar com a derrota. A derrota faz parte do desporto e quem não sabe perder também não sabe ganhar. Demonstrámos que sabemos perder e hoje demos uma boa resposta com uma excelente vitória) e sobretudo Marco Silva (um grande carácter, entrámos bem no jogo, depois, em momentos como este, tudo acontece. Voltámos a sofrer um autogolo, mas nunca deixámos de acreditar em nós próprios), que ainda esteve muito bem ao dedicar a vitória aos adeptos que foram agredidos em Guimarães.

E agora já somos os maiores outra vez?
Nada melhor do que apanhar o Paços de Ferreira, do regressado Paulo Fonseca, para nos demonstrar que há diferença entre os jogos internacionais e os jogos do campeonato nacional. O que o Guimarães nos fez sofrer no sábado é bem possível de ter reedição já na próxima jornada, apesar das enormes diferenças de qualidade individual entre as equipas do Paços de Ferreira e o Schalke 04. Paulo Fonseca não só nos conhece melhor, como a generalidade dos treinadores portugueses, como também me parece melhor esclarecido sobre como nos parar do que Di Matteo. O jogo de ontem não mudou nada nas apreciações gerais feitas às virtudes e debilidades colectivas e individuais do plantel, tal como o mesmo devia ter sucedido na sequência do jogo de Guimarães.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ainda sobre o Borshch russo na Veltins Arena: o que quer o Sporting com o protesto?

Imagem MaisFutebol
Não podia estar mais de acordo com o protesto junto da UEFA, na sequência da arbitragem levada a cabo por um quarteto russo. Na verdade teve mais de cozinhado do que de arbitragem, mais parecendo uma borshch (sopa típica russa). Mas, se o acordo é total quanto ao acto, já assim não é quanto ao conteúdo e, de certa modo, também quanto à forma, especialmente quanto à forma como comunicou.

Comunicado sem conteúdo
O Sporting teve o cuidado de elaborar um comunicado informando os seus adeptos e associados da vontade de realizar o protesto, mas não mencionou os termos em que o faria. Negligenciou o facto de, além do clube, haver mais duas partes intervenientes no processo, a UEFA e o Schalke 04. As pretensões do Sporting acabaram por ser tornadas públicas pelo clube alemão o que, não sendo grave, é desagradável. Devo dizer que esperei que o Sporting reagisse à noticia, o que não aconteceu. O silêncio acaba por ter que ser interpretado como assentimento. Não me parece que o Sporting não reagisse caso os termos invocados pelos alemães não fossem verdadeiros e é nesse pressuposto que escrevo o presente post. Preferia que não fosse verdade e sendo, ter sido informado pelo clube e não por terceiros.

O quer mesmo o Sporting?
Segundo o que o Schalke tornou público, o Sporting elaborou o seu protesto exigindo uma de duas reparações: ou a repetição do jogo, ou o pagamento do valor correspondente ao empate que teria ocorrido, não fora a actuação da arbitragem. Confesso que não percebo o que pensa o clube ganhar com isso, a menos que o principal objectivo seja apenas receber o prémio do empate. A UEFA gosta de decisões salomónicas, (basta ver a que hoje foi tornada pública sobre o encontro Sérvia - Albânia) porque não gosta de se aborrecer com coisas miúdas. E os interesses do Sporting são-o, o mesmo não o serão os próprios e o do seu patrocinador, a GazProm.

Juris & prudência
O titulo deste parágrafo não é um erro, nem pretende ser um neologismo. É sim uma decomposição arbitrária da palavra que todos conhecem: jurisprudência  que é o termo jurídico que designa o conjunto das decisões sobre interpretações das leis feitas pelos tribunais de uma determinada jurisdição. Isto é, e de forma simplista, as decisões aplicadas anteriormente em casos semelhantes. E aqui, no caso presente, o Sporting não esteve com meias medidas e carregou com todo o stock de tintas: pediu duas decisões que julgo serem inéditas: a repetição de um jogo por erro do árbitro ou a reparação do erro com um prémio que teria normalmente recebido. 

Não se trata de reconhecer ou não razão ao Sporting, que é evidente. Mas parece-me pouco prudente e, devo dizer também, um protesto mal orientado. A diferença está no "ou". "Ou" a repetição "ou" o dinheiro. Não desconsiderando a importância do dinheiro, parece-me de duvidosa ética aceitar uma reparação monetária, fechando os olhos ao que mais importante se disputa num jogo: o resultado. Sendo o mais provável que não receba nada, a mim incomodar-me-ia que o Sporting se desse satisfeito pelo dinheiro.

Uma oportunidade perdida, na melhor das hipóteses, do mal, o mal
Se assim acontecer, e as probabilidades são muitas, o Sporting terá perdido uma boa oportunidade. Quando li o o comunicado do clube, especialmente a parte em que refere o recurso às novas tecnologias, pensei que seria o momento ideal para lembrar as propostas feitas pelo clube nesse sentido, quer a nível nacional, quer internacional. 

O sucedido em Gelsenkirchen constitui um exemplo perfeito para demonstrar o anacronismo das decisões do International Board. Em trinta segundos, e com o recurso ao visionamento do lance, que ficaria esclarecido à primeira tentativa, evitar-se-ia uma injustiça que, agora, dificilmente terá reparação. Ao invés, prefere manter um individuo na linha de fundo que, intervindo de forma descontinuada, também fica mais exposto ao erro.

Ao vir pedir a repetição do jogo ou o dinheiro o Sporting dá também o flanco: parece estar mais preocupado com o seu umbigo do que com o bem geral da modalidade, como apregoa, o que o deixa muito próximo dos demais que tanto critica.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Entre as teorias da conspiração, os poderes ocultos e o futebol

Foto MaisFutebol
Teorias da conspiração
A maior companhia de gás do mundo (que por sinal é russa) e o Schalke 04 (tido como tendo das maiores massas adeptas do país) um dos maiores clubes da Alemanha (que por sinal é a maior economia europeia e a quarta maior do mundo) foi o que que o Sporting Clube de Portugal teve que defrontar ontem.

Isso é o que todos nós conseguimos saber e são esses dados objectivos sobre os quais devem ser feitas as comparações das forças em confronto. Se a presença de uma equipa de arbitragem também russa e que nos mais de noventa minutos teve o azar (?) de se "enganar" apenas e sempre contra o Sporting é mais do que uma mera coincidência, fica para a a interpretação de cada um. Eu tenho a minha que, mais do que fundada em certezas, é produto de uma amálgama de sentimentos, que vão de uma profunda revolta até à estupefacção.

O que me parece importante reter no escândalo de que ontem fomos vitimas é que quem governa o futebol (e se governa) está pouco preocupado com as normas mais básicas da transparência. A nomeação descuidada - versão benévola - de uma equipa de arbitragem da mesma nacionalidade do patrocinador do clube da casa pode ser entendida como um erro(?) circunstancial, no contexto mais grave de uma atitude reiterada de negação perante a evidência da necessidade da introdução de meios que permitam repor a verdade no jogo e eliminar os efeitos do erro humano. 

Adeptos como eu, mesmo querendo ser optimistas, esbarram sempre na dúvida se esta negação é a evidência da vontade de não deixar que os resultados dos jogos sejam aquilo que deveriam ser sempre: o somatório das forças em confronto, associadas à imponderabilidade que torna o futebol tão atractivo para os adeptos. Juntando a isto o facto de o patrocinador do Schalke ser também patrocinador da competição, temos campo aberto para dar livre curso à imaginação. O pior é que dinheiro e poder muitas vezes conseguem superar, nas suas acções, as imaginações mais produtivas e fantasiosas. 

Só mais uma pequena nota neste tema da arbitragem. São arbitragens como as de ontem que, por cá, engrossam o saco de desculpas, já de si bem pesado, para nada mudar do que há de substancial a mudar na arbitragem. Quando houver razões para protestar contra os erros que parecem ser um pouco mais do que isso lá nos virão outra vez lembrar que "lá fora ainda é pior". O que não é verdade. Às vezes, como ontem, até foi, mas normalmente cá é pior.

E o futebol, onde fica?
São jogos como os de ontem que me levam a interrogar no tempo e dinheiro que perco à volta de um jogo que é também uma das minhas maiores paixões. É nestes momentos que sou forçado a interrogar-me se estive a ver um jogo ou um filme com um guião com fim pré-determinado. É que filmes e peças de teatro prefiro-os nas salas respectivas porque mesmo os mais perturbadores raras vezes vêm os seus efeitos prolongarem-se muito para lá do pano ter descido ou do fim surgir no ecrã. Como para a grande maioria dos adeptos, o que sucede ao Sporting adquire sempre um carácter pessoal sendo, consoante o evento, fomento de alegria ou tristeza.

Para o bem ou para o mal a ligação ao Sporting acaba sempre por superar os dissabores, as desilusões e as amarguras. Hoje especialmente, porque o que a equipa fez ontem merece que não se fechem as portas à esperança. Tal constituiria uma espécie de traição ao esforço e abnegação perante as contrariedades de todos os que intervierem, directa ou indirectamente, no jogo. Mas a esperança não se esgota apenas no esforço, na garra e no inconformismo revelado, mas por estar de mãos dadas com a qualidade do futebol praticado. Duas condições que ditaram o controlo de um adversário várias vezes mais abastado e nutrido de grandes jogadores como Draxler ou Huntelar, seguidos de perto por Boateng. Duas condições que, a manterem-se, serão ingredientes para produzir os bons resultados que todos desejamos. 

Ter esperança não invalida abdicar do mais elementar realismo. Continuamos a cometer demasiados erros para sermos totalmente bem sucedidos. Ontem, até à expulsão do Maurício, foi dos jogos onde me pareceu que a equipa denotou maior evolução no aspecto defensivo. A expulsão e até mesmo a primeira falta que originam o cartão amarelo inicial, parecem-me demasiado rigorosos o que, na comparação do que foi permitido aos alemães, tem ainda pior aspecto. Contudo, ignorar a tendência do homem do apito é uma falta de sensibilidade e inteligência que se paga caro, como se veria no salto tão imprevidente como desnecessário  que ditaria a expulsão do defesa brasileiro. Que necessidade tem um defesa central de ir a correr atrás do avançado quase até aos balneários? Continua a ser aqui o nosso ponto mais débil e fonte de tantos dissabores no presente ano e, sem a sua resolução breve, arriscamo-nos a jogar bem mas, aqui e ali, não conseguir muito mais do que essa triste consolação.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Era impossível, mas nunca merecemos tanto ganhar

Nos grandes jogo, os erros pagam-se caros. Hoje o Sporting pagou caro os seus próprios erros, que depois teve alma enorme para recuperar, mas não conseguiu superar jogar cerca de uma hora com dez contra 15. Talvez só mesmo assim fosse possível ao Schalke 04 bater hoje esta equipa do Sporting.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

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