Dois anos de paixão "ANorte"
Dois anos não são dois dias e, por isso, contrariamente ao que vem sendo a filosofia deste blogue, vou hoje incidir o foco da atenção para dentro. Uma vez sem exemplo, porque, não duvidem, aqui a protagonista é a paixão pelo Sporting.
Depois de algum tempo a comentar sob anonimato, resolvi criar uma identidade própria, constituindo-me como blogger em Abril de 2008. No mês seguinte, e depois de, nas inúmeras reflexões sobre o Sporting, ter concluído que o Sporting se estava a acantonar demasiado a Lisboa, abandonando a sua vocação de clube com generalizada implantação a toda a nação lusitana, resolvi criar o meu próprio espaço, o “ANortedeAlvalade”. A 28 de Agosto foi dado o primeiro passo para dois anos de actividade ininterrupta. As minhas fontes de inspiração assinalei-as por altura do primeiro Natal na blogosfera. Contrariamente ao que eram as minhas intenções, a estreia acabou por ficar assinalada por um post de indignação por uma prestação confrangedora, beliscando em Madrid o seu prestígio. Foi aliás o advento para um ano horrendo do ponto de vista internacional que acabou com uma eliminação humilhante às mãos do Bayern de Munique.
Antes disso o “ANorte” conhecia o primeiro alargamento da linha editorial, com o ingresso do Leão Transmontano (o nick carimba-lhe a origem). Apesar de ser muito convicto nas minhas ideias e reflexões, nunca me senti dono da verdade. Por acreditar que uma das virtudes ímpares do nosso clube reside na forma abrangente da sua base de apoio e na sua pluralidade, hoje a equipa do “ANorte” é constituída por 8 editores: o JVL(de editor mais a norte tornou-se no mais a sul), o LMGM (da Lusa Apenas), o Virgílio (Beirão de Castelo (verde e) Branco, o Hugo Malcato (de Lisboa e se for preciso da Polónia), Bruno Martins (da Inbicta, carago!) e o 8 (ex-atleta e campeão nacional de Leão ao peito), além,claro está, de mim próprio e do citado LT. Se há algo de que me orgulho é a forma como conseguimos articular as diferentes opiniões sem perder de vista que o que nos é comum – a paixão pelo Sporting- tem muito mais importância que diferenças pontuais. Afinal ninguém duvidará que foi esse o espírito que presidiu à fundação do Sporting Clube de Portugal: entre os seus 10 fundadores foi a ideia comum de fazer do Sporting "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa" que prevaleceu sobre as 10 visões pessoais. Na nossa pequenez é esse o espírito que pretendemos honrar e homenagear. Os posts conjuntos são uma imagem de marca deste espaço.
Há dois momentos altos neste espaço que me parecem merecer destaque. Tentando ser fiel e consequente ao espírito de pluralidade conseguimos levar a efeito, num momento particularmente difícil para o clube uma Reflexão Leonina, contando para isso com a opinião individual de alguns sócios e adeptos e de blogues leoninos de referência, a quem renovamos os agradecimentos e altruísmo. É pouco vulgar na blogosfera este tipo de atitude desinteressada e julgo que o que levamos a efeito honra a todos os participantes. Saliente-se a grande qualidade das reflexões e a sua ainda premente actualidade. Lembro que este evento realizou-se após o Congresso e com as eleições no horizonte.
O segundo momento foi sem dúvida a entrevista a Morais o homem do mais famoso cantinho do futebol nacional, por ocasião dos 45 anos da nossa maior conquista internacional no futebol. Infelizmente as alegrias são embrulhadas ou desembrulhadas com o fino papel da tristeza. Hoje, passado tão pouco tempo, Morais já não está entre nós. E não me poderei esquecer da humilde tristeza nos seus olhos pelo afastamento em que vivia do clube: “Sabe como é, eles têm muito que fazer e eu moro muito longe”.
Os momentos baixos são infelizmente em maior número do que os esperados e os desejados. Não foi para falar deles que criei o “ANorte”. Mas nos últimos 2 anos são esses que têm prevalecido na história do clube e imposto, para quem escreve sobre o Sporting, uma ditadura implacável. É impossível ser insensível a tão dura agenda e não reflectir sobre que papel podemos desempenhar em favor do clube e qual o nosso grau de comprometimento com o mesmo. E, obrigatoriamente, reflectir no que é hoje a blogosfera, que a mim me parece ter decrescido em qualidade e interesse, em especial ao nível do comentário. Dois anos passaram, quantos mais valerão a pena?
Obrigado a todos aqueles que nos ajudaram a crescer e cresceram connosco.
