O "negócio" Gelson
O que se perspectivava há pouco mais de um ano ser um bom negócio, com a venda de Gélson Martins, acabou por se esboroar a partir do momento que se opera a rescisão unilateral do contrato. Para todos os efeitos o jogador deixou de ser do Sporting e o melhor que o clube poderia fazer era ou contestar até ao fim em sede judicial o acto do jogador ou um tentar um acordo com o Atlético de Madrid.
Por influência do próprio jogador, à semelhança do que já tinha acontecido com Patrício e William, o acordo acabou por se fazer nos termos que hoje se conhecem. É apenas o negócio possível, motivado, entre muitas outras razões, pela pressão de tesouraria que os compromissos dos próximos meses - subsídios de férias, impostos, renovações, aquisições de novos jogadores, etc - em que as receitas escasseiam. Não menos importante será a necessidade de fecho de contas da SAD equilibrado em Julho.
Porque paga o Atlético de Madrid por um jogador aparentemente livre? Porque não quer arriscar num processo que ninguém tem a certeza de poder ganhar e assim evitar futuros problemas na FIFA. Eventualmente também porque tem já o jogador negociado com o Mónaco, pelos 30 milhões que se falam.
Porque é que pagamos tanto por Vietto (naquele que é o ponto mais frágil deste deste negócio). Porque o Atlético de Madrid também tem contas e adeptos a quem justificá~las. Como é que justificariam oferecer um jogador ou cedê-lo a baixo preço por quem pagaram 20 milhões. Acresce que estamos a falar de um jogador que, apesar das más escolhas de carreira feitas, mantém intactas as qualidades que o notabilizaram e o tornam num reforço promissor.
Só tempo poderá ajudar a esclarecer quem fez efectivamente um bom negócio para o respectivo clube. Mas há um ponto em comum: ambos se procuraram livrar de pendentes que os incomodavam.
Obviamente que este negócio é muito assim para o "poucochinho". Mas o muito já tinha sido jogado quando se deixaram criar as condições para o que esteve na raiz de tudo isto: a invasão de Alcochete, faz hoje precisamente um ano. Há quem o prefira esquecer e só isso torna possível a narrativa dos então responsáveis de que "demos sempre lucro". A contabilidade do que então se perdeu em activos demorará muito ainda a fazer.
Obviamente que o Sporting recuperará, mesmo que a custo, deste desfalque. Mas o pior dos activos ficou cá a germinar e continua a corroer por dentro o Sporting: estou a referir-me obviamente à radicalização do discurso, à ausência total de princípios que marca o discurso nas redes sociais.
Obviamente que o Sporting recuperará, mesmo que a custo, deste desfalque. Mas o pior dos activos ficou cá a germinar e continua a corroer por dentro o Sporting: estou a referir-me obviamente à radicalização do discurso, à ausência total de princípios que marca o discurso nas redes sociais.



