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segunda-feira, 29 de maio de 2023

Até que enfim!

 Chegou finalmente a hora em que o pano correu sobre esta fatídica edição da Liga 22/23. E se esta Liga começou torta para o Sporting, com o desestabilizador processo de saída de Matheus Nunes a agudizar o entortamento, nunca mais chegou a endireitar. Muito cedo e de forma paulatina fomos saindo de mansinho de todas as competições. A prestigiante eliminação do Arsenal em sua própria casa foi uma pequena aspirina para uma doença que se foi manifestando como crónica no decorrer da época.
 
É comum, nestas alturas, pensar que está tudo mal - ou até verbalizá-lo  -e que é  preciso mais uma revolução, rasgando tudo para começar a escrever um novo guião. Não é contudo essa a minha opinião. O Sporting precisa de encontrar a regularidade perdida que exibiu nas duas épocas que antecederam a presente. 

Para tal tem de:

1- Começar por recuperar a segurança defensiva que o número de golos sofridos, mais perto do nível de uma equipa da metade inferior da tabela do que um aspirante ao título demonstra ter perdido. A forma como o Sporting sofreu golos retirou-lhe quase sempre a segurança para executar ao melhor nível que, aqui e ali, exibiu até ante adversários mais fortes.

2- Mudar a postura com que enfrenta as equipas com menor pretensões e, normalmente, com menor possibilidades. Não é apenas uma mera mudança de "atitude" com que, forma genérica, os adeptos pedem sempre que a equipa encontra dificuldades em contornar as dificuldades que os blocos baixos foram colocando ao longo do campeonato. 

Como já anteriormente aqui havia dito, o Sporting domina os adversários, mas muitas vezes esse domínio não é traduzido em lances passíveis de criar lances de golo. Por outras vezes, quando consegue estabelecer esse domínio e materializá-lo em oportunidades, é demasiado perdulário, acabando por se expor ao perigo e. como muitas vezes sucedeu, a amargos dissabores. 

Este é um trabalho da área exclusiva da equipa técnica. Amorim precisa de rever a forma como a equipa se propõe desconstruir os adversários. Na maior parte das vezes o Sporting é demasiado previsível, limitando-se a procurar criar apenas largura, partindo daí para cruzamentos para a área e abdicando da progressão pelo centro do terreno que, sendo indiscutivelmente mais árdua, é a que proporciona mais sucesso. Não vou revisitar a questão do ponta-de-lança por esta ser óbvia.

Para resolver estes dois problemas o Sporting, tal como dizia acima, não precisa de fazer uma revolução no plantel. Precisa de olhar para trás para o tempo em que foi feliz e perceber porque se afastou desse plano. Quando Amorim diz que somos hoje melhores do que éramos quando fomos campeões reconhece-lhe razão se a análise for relativa ao plantel à disposição. 

Contudo as características dos jogadores também se alteraram e se há uma que me pareça mais facilmente identificável é a fome de vencer. Não basta ser muito bom tecnicamente, é preciso encarar os jogos SEMPRE como se fosse o primeiro e o último desde o primeiro minuto e reconhecer com humildade que os adversários também jogam. Esse foi o espírito do último titulo. E, sendo um trabalho de ordem mental que todo o grupo de trabalho tem de efectuar, ninguém se pode substituir nessa tarefa aos actores principais: os jogadores quando estão em campo.

Quando se fala muito da indispensável procura de reforços na época defeso que agora se inaugura, este aspecto - a ambição por coleccionar títulos, a fome de vencer - tem de estar nos primeiros itens da lista de atributos dos jogadores a procurar. Neste âmbito a saída aparentemente certa de Ugarte torna esta questão da ida ao mercado para o substituir ainda mais importante.

segunda-feira, 13 de março de 2023

Sporting - Boavista: ficou escrito a letra de ouro a nossa "chegada" ao campeonato?


Parece que finalmente chegamos inteiros e de corpo e alma ao campeonato. Ainda por cima com um golo de Nuno Santos que, por si só, valeu uma peregrinação* a Alvalade. As exibições recentes assim o parecem indicar, num crescendo de consistência. Falta apenas a eficácia, tantas oportunidades desperdiçadas nos jogos recentes levam a temer que um dia com ainda menor acerto ou maior azar possam levar a um novo tropeção, que coloque em causa a recuperação que se parece anunciar.

Fica a dúvida: será que ainda vamos a tempo de chegar ao LMI (lugar mínimo indispensável)?

Nota importante: o João Pinheiro não presta, é claramente uma peça da engrenagem do sistema. O Rui Costa (VAR) é um sobrevivente do pior que o sistema tem. Como conseguiu chegar até aqui é um segredo de Polichinelo

*Um destes dias também darei os meus 5 cêntimos sobre a agora tão falada questão das assistências em Alvalade

 

segunda-feira, 6 de março de 2023

O diamante, os avançados e as teimosias de Amorim

Em Portimão o Sporting arriscou mais uma vez voltar a registar maior atraso relativamente aos lugares do pódio por manifesta falta de eficácia e da indispensável sorte. Mas sobretudo da primeira, obviamente. No entanto, e perante as dificuldades que Paulo Sérgio criou a Rúben Amorim com o seu 6x3x1, o Sporting terá feito o seu melhor jogo da época, ante equipas mais pequenas e que recuam as linhas para defender o mais compactamente possível. 

Jogando de forma personalizada, a equipa de Amorim não só foi profícua a criar oportunidades sem conta como eficaz em retirar ao adversário qualquer veleidade em sair para as transições rápidas que pusessem em perigo a baliza de Adán.

Do jogo de Portimão ressaltam-me três observações:

1-Onde estão os "catastrofistas" que, antes de verem sequer, se apressaram a "matar à nascença" o preço de Osmane Dioamande?

2- O Sporting criou uma série "infindável" de oportunidades mas Chermiti, tal como em muitos jogos anteriormente Paulinho, não teve uma única assistência para golo. Faz sentido discutir a sua qualidade e potencial apenas com base nestes dados estatísticos ou, para o modelo de Rúben Amorim, o papel do "9" é substancialmente diferente do que é pedido por exemplo nos rivais?

3- Continua a fazer sentido dizer que "Amorim é teimoso" porque não muda nada no seu sistema ou o treinador já está a implementar novas dinâmicas que mudam de forma significativa a forma de jogar da equipa? Forma essa que permitiu à equipa estar mais confortável, criando mais oportunidades, perante um muro algarvio alto e normalmente coeso.

 

 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Era escusado tanta esperança Trincão


Da recepção ao Estoril ficou na retina o slalom gigante do Trincão, de forma tão leve e fácil que parecia estar descontraído nas areias da praia do Tamariz. Era escusada esta demonstração de qualidade Trincão. Já todos estavamos praticamente conformados com a contratação de uma eterna promessa e agora ficamos todos a pensar se a tampa do ketchup finalmente terá caído

Como se não bastasse os nossos rivais literalmente lá de cima perderam e, desta forma, vamos continuar a sonhar com o pódio, de onde o Sporting deveria estar sempre. Não só por uma questão de prestigio mas também para justificar a qualidade dos seus jogadores e equipa técnica e o investimento feito.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Futebol para pantufas

 


Há dias vi uma pantufas em saldo. Felpudas, a emanar um ar de calor e aconchego. Não consegui antecipar que iria ter tantas saudades de algo que nunca tinha sido meu como dessas pantufas ainda por cima num jogo de futebol. Mas a noite estava fria e o do relvado não saía chama que aquecesse aquela meia dúzia de maduros que se lembraram de deslocar ao inóspito estádio dos Arcos para ver uma bola a ser geralmente mal tratada, a desoras de uma qualquer noite de segunda-feira.

Para não destoar da envolvente a nossa equipa parece ter trocado as chuteiras por pantufas. Futebol macio, desgarrado, indigno de um candidato a qualquer coisa que caiba nos limites da nossa ambição, mesmo que encolhida pelo frieza do número de pontos recolhidos até ao momento. O relvado não ajudou mas também não é explicação suficiente para tanta perda de bola, para a ausência de ligação e mingua de vezes e grau de perigosidade em que alvejamos a baliza adversária. É difícil deixar alguém de fora na hora de citar os que estiveram pior mas Inácio, Pote, Morita, Edwards e Trincão, por serem muito melhores do que mostraram, têm obrigação de fazer mais.

Mas esta história teve um final feliz de outros capítulos deste campeonato, em que talvez tenhamos merecido um pouco mais do que aquilo que recebemos. E mais feliz ainda porque fica selada a estreia de Chermiti que não só foi oportuno mas também teve a indispensável sorte que é necessária sempre mas muito em particular aos que dão os primeiros passos. Hoje não sabemos ainda quem vimos ontem, mas se o futuro nos trouxer mais um cromo raro, daqueles que todos querem ter e estão dispostos a pagar muito dinheiro, vamos poder dizer "eu estive lá, quando ele marcou o primeiro golo.

Mas não vale a pena escamotear a realidade: a jogar assim vamos ganhar muito menos do que precisamos. É muito mais provável continuar a perder pontos fora, com equipas pequenas e que, no actual campeonato, explica a nossa posição.

PS: Foi bonita a festa do golo do Chermiti. No meio dos adeptos, numa comunhão de sentimentos, como deve ser. Todos somos precisos mas é como no tango, é preciso vontades de duas partes partes para formar um par...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Pistas para o desfecho do dérby e de uma época que parece perdida


Primeira impressão a retirar do derby de ontem: o Sporting perdeu terreno para o rival. Nada que o percurso de ambos na Liga não o confirmasse, mas o embate de ontem deixou mais claro pelo menos porque o Sporting é irregular. Já sobre a hegemonia do SLB é o histórico que o atesta, o jogo de ontem não projectou uma imagem de tanta superioridade, embora deixasse claro que há mais e melhores soluções do outro lado da segunda circular. Mas isso - mais e melhores recursos - não é propriamente uma novidade, já assim é há anos. 

O que não é propriamente novo, já vem do ano passado, é o Sporting de Rúben Amorim ter perdido uma das suas principais virtudes: a sua capacidade defensiva. Até ao momento o Sporting já sofreu mais golos do que os jogos que disputou (18 golos, 16 jogos) e tem pior registo defensivo que todos os 3 que vão à sua frente, (SLB, FCP e SCB) e que Casa Pia (11) Vitória (16) Vizela (15) Portimonense (17) e os mesmos que o... Santa Clara. Tal seria mais facilmente aceitável ou compreensível se o Sporting fosse uma equipa cujo ataque fosse demolidor, e que por isso se desequilibrasse, o que está longe de acontecer. Dos quatro primeiros classificados, o Sporting é de longe o pior, a 6 golos do Braga e a 9 dos outros dois rivais. 

Como explicar tamanha fragilidade e exposição aos adversários, se a linha defensiva perdeu apenas um elemento (Fedal) que, no final da sua passagem até já tinha perdido o estatuto de titular. Talvez o problema defensivo não seja propriamente dos últimos a ter que desempenhar a tarefa, mas sim do que se passa à sua frente. 

Vejamos: os laterais jogam projectados e colados à linha. Pote parece ter perdido as qualidades que fizeram dele apetecível como "8" em Famalicão e está mais "burguês", parecendo distraído com as imagens de quando, lá à frente, marcava muitos golos. Edwards e Trincão não têm qualquer aptidão ou vocação defensiva, quando recuam defendem normalmente "com os olhos". Um pormenor: foi tudo menos casual que o principal volume atacante incidisse sobre o nosso lado esquerdo: Nuno Santos tem mais propensão ofensiva, de Pote e Trincão já falamos.

Ugarte foi imenso, mas muito pouco para suprir as necessidades, quer de defender ou de recuperar a bola e pegar no jogo. Não estranha por isso que na segunda parte tenhamos sido, na maior parte do tempo, uma equipa em sofrimento ou a à deriva, incapazes de desenhar uma jogada com principio meio e fim. É certo que a presença do lesionado Morita poderia ter, teria certamente, ajudado um pouco mais, mas dificilmente o suficiente para alterar o desequilíbrio de forças verificado.

É também cada vez mais evidente que o planeamento da época não correu bem. Por exemplo, entre outros, oO Sporting não pode ( ou não deveria poder gastar) mais de 40 milhões de euros no mercado e acabar o jogo com Chermitiy, Arthur e Jovane. Em quantas equipas da I Liga teriam essa possibilidade? 

Mas, convém lembrar, o jogo até nos começou de feição. E não foi por acaso. O Sporting entrou personalizado e demonstrar que sabia ao que vinha e o que queria do jogo. Mas até aí o problema é o escorrer do tempo, em que a equipa desliga e fica à mercê do adversário. Aconteceu já várias vezes este ano para poder ser explicado apenas pela sorte ou pelo azar. Talvez se explique pelo que é dito acima e é uma conjunção de factores: as características dos jogadores e o modelo de Amorim que, combinados entre si, não resultam. 

Esta é uma boa questão para Amorim reflectir. Os seus, nossos jogadores, jogam demasiado tempo em esforço e com pouco tempo e ocasiões para expressar o melhor das suas qualidades. Parecem por vezes até estar a perder valor. E certamente que estão. A bem da verdade que jogadores nossos poderão ter ficado na retina do novo seleccionador pelas melhores razões?

O facto de estarem já perdidos mais pontos a meio do campeonato não só diz tudo sobre o que tem sido o nosso percurso na Liga mas deixa também muitas interrogações sobre o que esperar da outra metade, se não houver uma alteração no significativa de comportamentos. A ideia de salvar a época com a UEFA é uma miragem, a manter-se a inconsistência da equipa. E tal nunca sucederá se nos tivermos a arrastar entre o quarto e quinto lugar, para onde poderemos cair hoje ao final do dia.

Uma nota final para a estreia e sobretudo para o que disse Amorim sobre Chermity no final: deve ser compreendida à luz da necessidade de renovar com um bom activo e com o que me parece ser mais uma vez a ideia do treinador: ou é o avançado que quer ou não quer nenhum.

domingo, 8 de janeiro de 2023

A 5ª derrota não deve ter sido a última


Mais uma viagem à Madeira para coleccionar mais uma derrota. E uma derrota inteiramente merecida, pelo que aconteceu depois de o árbitro Hélder Malheiro, "auxiliado" pelo VA, ter mudado o curso do resultado, perdoando uma penalidade clássica. E logo de seguida, ainda beneficia da "colaboração" do auxiliar ao ignorar uma falta que deveria ter equivalido ao segundo amarelo ao Leo Pereira. Acresce o autêntico bar aberto para os jogadores do Marítimo, que lhes permitiu bater em tudo o que mexia.

Tudo que sucedeu depois foi demasiado mau. Havia ainda muito tempo para jogar mas isso não aconteceu. O Sporting actuou aos repelões, nunca conseguiu estar confortável no jogo, dando-se mal com a agressividade dos ilhéus, perdendo duelos atrás de duelos. Mateus Fernandes ainda não tem estofo físico nem mental para estas andanças, deixando a opção de Amorim muito má impressão sobre o que ele pensa de Sotiris. 

Mas esta derrota não deve ser a última. Já vimos algo semelhante em momentos anteriores esta temporada, quando precisávamos e devíamos aproveitar maus resultados alheios para recuperar e acabamos por ficar ainda em pior situação da que nos encontrávamos antes de disputar o jogo. Esta equipa do Sporting vem demonstrando uma incapacidade quase total de superar resultado adversos, pelo que se a sorte do jogo dita a inferioridade no marcador, a derrota fica praticamente selada.  

E se a estrelinha de Amorim parece ter empalidecido, o discernimento parece ter tido igual sorte.  Teve tempo para pensar e rectificar a equipa ao intervalo, quando se percebia que Mateus Fernandes era um desastre pronto a acontecer. Tardou e pagou por isso. E ainda mexe muito mal na equipa, nunca se conseguindo perceber o que pretendia. Rochinha não é um 8, Coates era importante para o final do jogo e Trincão pura e simplesmente não esteve em campo, tão miserável foi a sua prestação. 

Obviamente que não se põe em causa o talento de Mateus ou Trincão. Mateus precisa de crescer, é uma perda de tempo e até um risco ser chamado a jogos com este nível de exigência, ainda por cima perante uma equipa com superioridade numérica e física. Trincão precisa de se aconselhar melhor, a sua capacidade física actual, que o impede de ganhar qualquer bola dividida, será sempre um muro demasiado alto para escalar em direcção ao sucesso. Mas há solução para isso e ele e a estrutura do Sporting certamente que o sabem. No entanto joga sempre, independentemente da sua prestação, devendo Amorim, antes de o explicar a todos, explicar a si mesmo se a sua presença é uma aposta ou uma protecção.

De facto o discernimento de Amorim já se parece ter esgotado ainda no inicio da temporada. O "caso Matheus Nunes" acabou por crescer mais do que a sua própria importância. A razão que lhe teria assistido então parece ter toldado a avaliação na formação do plantel. Quando se olhava para o banco ficava à evidência que o Sporting tem um plantel deficitário em soluções. E, voltamos à vaca fria: se é para cruzar, cruzar, continuamos a precisar de mais do que apenas Paulinho. Este nunca foi um problema, a inexistência de alguém que o acompanhe na frente ou sirva de alternativa é!

Obviamente que quase tudo o que é dito acima são reflexões avulsas, mas a época parece estar irremediavelmente perdida, apesar do forte investimento realizado (cerca de 45 milhões, grosso modo). Esse facto, juntamente com a cada vez mais certa ausência da Liga dos Campeões obriga a um profunda reflexão. Venha Maio, por favor!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

A coroação do enorme Coates


E são 300 jogos do capitão Coates. Um histórico que sumariza a história recente do nosso Sporting. Dos "quase" e das desilusões ao regresso às indispensáveis conquistas de títulos. Dos anos que o nosso capitão leva de leão ao peito, desde que chegou emprestado pelo Sunderland em 2016, até hoje, há três que me merecem destaque, não necessariamente por ordem cronológica:

- Os três penalty's contra o Rio Ave foram o seu momento mais baixo com a camisola do Sporting. Mas é um momento que condensa bem o que é jogar no Sporting. O Sporting vivia um mau momento, tinha acabado de ser goleado na Supertaça e o Sr. João Pinheiro teve um dos seus melhores recitais, aplaudindo alguns dos melhores mergulhos de Taremi. Coates teve um mau dia, sem dúvida, mas ele foi tornado ainda pior com a conivência de um dos senhores que, na "hora certa", aparece sempre. Ou porque estás mais forte para te parar ou transfigurado em cagarra para te fazer em cima quando tudo corre mal. Coates sobreviveu ao que a muitos teria significado um atestado de óbito desportivo.

- Foi o capitão no ano do titulo, mas foi muito mais do que isso. Foi farol lá atrás nos jogos mais sombrios, foi bombeiro e foi incendiário dos nossos melhores sonhos, com golos como fósforos, quando tudo parecia já perdido.

- Titulo que mereceu por inteiro, tal como a honra de ser o primeiro a levantar o troféu. Pois, quando muitos preferiram sair, ele decidiu ficar. E é com os que ficam, aconteça o que acontecer, que nos podemos fiar e seguir em frente. Como deve ser um capitão.

E que melhor forma de celebrar os 300 jogos senão com uma vitória incontestável, por 3-0, como a quem obtivemos frente ao Paços de Ferreira? Foi bonita a festa, pá!

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Do dilúvio de golos falhados para acabar a tremer


A noite de inverno antecipado em Famalicão acabou com mais três pontos importantes arrecadados para o tão necessitado cofre o Leão. Uma vitória mais do que justa, pelo que as equipas fizeram em campo, mas uma vitória à Sporting: do esbanjamento de oportunidades clarinhas com a água que caia dos céus da primeira parte até ao final de "valha-nos Nª Srª dos Aflitos"  da segunda. E, para não fugir ao guião da época, mais um golo fortuito, resultante de uma tabela que engana Adán e foge até ao interior da baliza, a contribui para a agonia final.

O intervalo no campeonato vem mesmo a calhar. É tempo de lavar a alma, respirar fundo e repensar sem "envelopes fechados" praticamente tudo. O bom futebol acontece a espaços mas rapidamente alterna para uma fragilidade evidente e confrangedora para a qual contribui seguramente o enorme volume de golos falhados de forma quase infantil. Este Sporting é uma equipa demasiado exposta, demasiado insegura e que tem sido pouco eficaz. Mesmo quando marca mais do que um golo, fica a dever si mesmo quase sempre outros tantos ou até mais. E isso tem significado uma factura pesada em resultados adversos e no lugar na tabela.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Uma h(m)orita de treino para Marselha


A recepção ao Gil Vicente acabou por ser um bom treino para regressar à competição e preparar a deslocação a Marselha, para o embate da Liga dos Campeões de amanhã. Para isso contribuiu um inicio de jogo particularmente venturoso, alcançando a vantagem com uma dupla de golos por volta dos 20 minutos iniciais.  

No nosso melhor período sobressaiu Morita com um golo e uma assistência, esta com nota artística. No mais, o jogo ficou marcado pela facilidade com que chegámos ao último terço, quase sempre com perigo, mas com muita displicência na definição das jogadas e na finalização. Ficamos a dever a nós mesmos um resultado histórico. Esta atitude foi ainda mais evidente na segunda parte, contando para isso com a "preciosa" ajuda do árbitro, particularmente "inteligente" na gestão do jogo. Se a intenção era enervar a equipa deve ter ficado particularmente frustrado com o terceiro golo, apontado por Rochinha. Já o tradicional mantra Sportinguista haveria de dizer presente, com um golo de Navarro - who else? - ainda antes de Tiago Martins prolongar o jogo, numa derradeira tentativa para que alguma coisa corresse mal. Vai ser premiado, certamente...

Voltando ao inicio do post, o jogo acabaria por se revelar útil para fazer regressar os jogadores à competição, bem como para lançar os indispensáveis alertas. É que a displicência e a desconcentração costumam cobrar elevados custos em alta competição e amanhã é o tipo de atitude que se dispensa. O Marselha é um adversário fortíssimo, tem um óptimo plantel e, segundo os entendidos, tem no ataque as suas maiores virtudes e na defesa o seu calcanhar de Aquiles. 

Muitas das nossas hipóteses jogar-se-ão  no regresso ausência de Coates e Porro. O primeiro devolve ao sector recuado a habitual segurança defensiva que encontrou no esquema de Amorim e será crucial no jogo aéreo. O segundo é o elemento ideal para, a partir da ala direita, explorar os habituais desequilíbrios em que a equipa francesa costuma cair na sequência da sua vertigem ofensiva. Sem eles, ou sem um deles, as nossas possibilidades ficarão consideravelmente reduzidas. Da presença de Coates se decidirá a constituição da nossa retaguarda. Sem ele a utilização de St. Juste é mais do que certa, juntamente com Reis e Inácio. Com Coates julgo ser mais provável Inácio e Reis, com Nuno Santos à esquerda. As dúvidas sobre a sua capacidade defensiva parecem estar dissipadas depois do jogo com o Tottenham e o seu poder ofensivo, apesar de pouco assertivo com o Gil, é uma arma poderosa à disposição de Rúben Amorim.

Outra dúvida prende-se com os jogadores mais adiantados. Pote é indiscutível, mas quem lhe fará companhia? Amorim continuou a dar a primazia a Trincão e amanhã perceberemos se Edwards foi poupado ou se foi simplesmente preterido. Uma coisa parece certa: alguém terá que sair porque não serão certamente os quatro (Trincão, Paulinho, Edwards e Pote) a alinhar de início.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Leão que não morde acaba comido


No futebol como na selva quem não mata sujeita-se a ter uma vida curta. É o que aconteceu ao Sporting nesta edição da Liga, a morte precoce como candidato ao titulo deste ano. Só uma hecatombe generalizada e um resto de prova imaculada permitiria a ressurreição. 

Tal como no jogo com o Chaves, o Sporting dominou mas marcou menos que o adversário. E, tal como nos jogos anteriores, apesar de ter dominado o jogo (71% de posse de bola), teve apenas três (!) remates enquadrados, tantos como o adversário. Muito pouco para tanto domínio.  

À atenção de Rúben Amorim, que na conferência de imprensa referiu que temos que ser mais eficazes nas oportunidades criadas. Quais? A verdade é que criamos muito pouco perigo real para o domínio que exercemos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Na linha da recuperação a Liga dos Campeões chega cedo


A vitória do Sporting no Estoril foi categórica e parece ter devolvido a equipa a uma normalidade a que nos habituamos a reconhecê-la. 

Muito interessante a estreia a titular de St. Juste que, juntamente com Matheus Reis, emprestou novas possibilidades à forma como construímos o nosso jogo. Muito acerto no passe e um golo que acabou por obrigar o adversário a dar mais espaço nas costas, o que acabou por ser determinante para o golo de Edwards, em mais uma assistência soberba de Pote. Uma primeira parte digna do Sporting que gostamos de ver jogar.

Muito diferente seria a segunda parte. Rúben Amorim prefere assumir o controlo dos jogos quando o resultado nos sorri a ir à procura da ampliação do resultado, preferindo a segurança e a gestão do resultado a arriscar perder os equilíbrios. O adversário não teve um único remate enquadrado com a baliza de Adan, uma imagem suficientemente eloquente do que foi o jogo.

Ainda assim é importante notar o elevado número de erros individuais sem que estes tenham resultado de acções do adversário. O que parece ser um sinal claro de que os resultados negativos recentes podem ter afectado a confiança dos jogadores, o que é de todo natural.

Nesse sentido o próximo compromisso - o jogo com o Eintracht de Frankfurt - talvez chegue um pouco cedo no calendário. Seria preferível que estes compromissos de superior nível de exigência se atravessassem o nosso caminho numa fase em que a confiança estivesse num nível superior. Foi visível este fim-de-semana que o adversário, que é nada mais nem menos que o titular da Liga Europa do ano passado, está muito bem apetrechado e que o mau inicio de época parece estar ultrapassado. 

Para sair com vida da Alemanha (leia-se com ponto(s) o Sporting vai ter que correr muito, correr bem e sobretudo saber sofrer. Lindstorm, Gotze e Kamada a servir Kolo Muani, parecem comboios de alta velocidade. Um meio campo a dois, a pressão alta, com a equipa com as linhas e as trocas de bola no ataque móvel do jogo com o Estoril têm tudo para ser mel para as transições ofensivas dos alemães. As falhas individuais serão seguramente punidas com elevado requinte de crueldade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Três pontos no Pote.

Duas jornadas, duas vezes três golos em cada jogo. Com Paulinho primeiro e sem Paulinho depois.  Em ambos os jogos a produção ofensiva teria dado para construir resultados mais dilatados e em ambos houve momentos de elevada nota artística, sendo que no jogo com o Rio Ave foram obtidos golos de grande qualidade quer do ponto de vista da execução individual, quer do desempenho individual.

Pelo que a segunda jornada nos disse, o Sporting é, ao momento, uma equipa equilibrada, com rotinas de jogo já bem assimiladas e com os novos jogadores - como Trincão, p.ex. - já melhor integrados e mais próximos do desempenho que deles se espera. O campeonato é longo e a procissão ainda nem saiu para o adro e, pelo que se viu pelo desempenho dos nossos rivais, a competição a sério impôs, com naturalidade, uma realidade bem diferente dos jogos da pré-época. Apesar de parecer que há quem goste de viver do agoiro no drama permanente o Sporting fez, ante o Rio Ave, uma demonstração de saúde. Vamos ver os resultados do próximo check up, desta vez com elevado grau de exigência, da próxima jornada, no complexo de piscinas do Dragão. 

Destaques para a segurança defensiva, secando completamente qualquer veleidade a um Rio Ave ainda de caudal muito baixo e para as exibições individuais de Pote pelos golos marcados e para as assistências magistrais de Edwards e Trincão.


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