O Sporting, dentro dos seus limites orçamentais, investiu forte no reforço da sua frente de ataque, que, juntamente com a defesa, era um dos sectores identificados como deficitários. Assim, foi buscar Wolfswinkel, Bojinov, Rúbio, Carrillo, Jeffren, Capel. Mas a posição especifica de "9" era seguramente a que seria de mais difícil preenchimento, porque não abundam nem o dinheiro nem os Falcões, Jardéis, Acosta ou Liedsons. Os que chegam a esse nível estão acima das nossas possibilidades e até mesmo do SLB e FCP. Por isso todos contratam a um nível inferior, procurando jogadores de elevado potencial, mas que ainda não se afirmaram.
Para fazer companhia a Postiga, ( que nunca é de mais lembrar é internacional português, disputando a titularidade com Hugo Almeida, pago a ouro turco no Besiktas. Almeida tem 4 golos marcados em 309 minutos e Postiga 3 em 135 minutos) o Sporting foi buscar Wolfswinkel e Bojinov. Respectivamente um jogador em ascensão no campeonato holandês e um jogador que muito prometeu mas com a carreira estagnada, por força de lesões e acérrima concorrência nas equipas onde passou.
Na verdade não se esperava que qualquer um deles fosse para "fazer companhia" a Postiga, antes sim para lhe tirarem o lugar. Mas Bojinov chegou de "asa caída" e não pode voar nem sobre nem sequer entre os centrais. E Wolfswinkel, no inicio de época, foi marcando uns golos mas, perante adversários mais complicados, seria Rúbio, um miúdo com apenas 18 anos, a roubar-lhe protagonismo e depressa eleito como preferido dos adeptos. No sábado passado o chileno seria chamado à fogueira na hora da aflição, sem contudo conseguir prestação que o justificasse. O mesmo se pode dizer de Capel, que entrou para o lugar de Djaló.
Não creio que o problema fosse exclusivamente de Rúbio (Capel está à procura de melhor forma) mas sim de toda a equipa que jogava já mais com o coração de que com a cabeça. Apesar de chegar com frequência ao último terço do campo, o Sporting ocupava essencialmente as zonas laterais do campo, revelando muita dificuldade em penetrar entre os centrais. Estivesse lá Wolfswinkel e as coisas dificilmente seriam diferentes, sem bola não há golos.
Apesar disso creio que quem deveria ter sido chamado ao lugar deveria ter sido Wolfswinkel. Pelo seu estatuto de jogador mais velho e experiente e até pelo investimento feito. E porque lhe compete a ele, antes de Rúbio, esse tipo de responsabilidades. Por alguma razão o Sporting despendeu na sua aquisição mais de 5 milhões de euros, tornando-o na aquisição mais cara do actual plantel.
Mas não me quero substituir ao Domingos, mesmo não concordando com ele. Mais do que ninguém ele é o primeiro interessado em ganhar. Mais do que ninguém ele conhece os jogadores, os seus momentos de forma físicos, atléticos e até anímicos.
O meu maior temor reside no entanto na suspeita que a entrada de Rúbio tenha sido um rebuçado do treinador para as bancadas. Porque todo o animal tem um aguçado espírito de sobrevivência, e Domingos já deve ter percebido a contestação aos patinhos feios. Aos de sempre, afinal, naquilo que já se tornou numa histeria colectiva digna de estudo académico.
Não se trata de defender as qualidades do jogador A ou B. Trata-se de defender o Sporting. Ao fim de muito tempo o Sporting tem um bom treinador e, ao contrário de profetas da desgraça cuja agenda de alguns é bem conhecida, isso já se notou no relvado no sábado. Como adeptos o pior que podemos fazer é impor-lhe as nossas escolhas, tentando substituirmos as suas capacidades técnicas pelos nossos julgamentos de treinadores de bancada. Mais do que nunca o Sporting precisa de tempo e serenidade que, como ainda se viu no sábado, não chegará dos adversários, da Liga ou da APAF.
Se o processo fosse fiável o Sporting faria sondagens no site para apurar os convocados e a equipa titular. Sabemos bem que não pode nem deve ser assim. E, entre outras coisas, se assim fosse, o Sporting não teria 4 jogadores titulares da selecção, facto que tanto pareceu orgulhar os Sportinguistas há dias.