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domingo, 19 de maio de 2024

O epilogo da Liga: o jogo, o Neto, a camisola e a festa

Grande dia de festa e comunhão de Sportinguismo aquele que foi dado a viver no último jogo do campeonato 23/24. 

Sobre o jogo há pouco a dizer mas há coisas importantes a reter: 

  • O ambiente era naturalmente de verdadeira festa e desde o "O Mundo sabe que...", passando pela pirotecnia e acabando nos festejo dos golos e incentivo aos jogadores tudo decorreu de forma quase perfeita.
  • A equipa encarou o jogo com seriedade, honrando assim o seu estatuto de campeã e respeitando o público que acorreu à festa. Os efeitos dos festejos anteriores já parecem ter passado.
  • Foram muitas as jogadas de elevado recorte técnico que mereciam a coroação e o resultado acabou por ser escasso, face ao que a equipa produziu.
  •  Dessa forma o recorde de pontos foi alcançado (90) e de vitórias (29), colocando uma fasquia muito alta para os vindouros.
  • Com esta vitória por três golos o Sporting em casa, na segunda volta, só no derby não marcou pelo menos três golos, o que diz muito da fortaleza que Alvalade foi este ano para nós e um pesadelo para os que nos visitaram.
  • O Sporting fecha o campeonato sem ceder um único ponto em casa.
  • Há quarenta e dois jogos consecutivos que o Sporting marca na Liga e tornou-se ontem na primeira equipa a marcar em todos os jogos de um campeonato.

Adeus ou até já, Neto?

Um dos pontos altos do jogo foi o momento da substituição de Neto. Já antes, aquando do penalty, o seu nome foi invocado bem alto por uma maioria bastante sonora que se tornou unânime quando o seu número apareceu na placa das substituições. Foi um momento de muita emoção, em que muitos olhos brilharam e alguns rostos ficaram inundados de lágrimas. Neto deixa uma marca de elevado profissionalismo e no coração de muitos Sportinguistas. A sua presença marca um período de crescimento do Sporting, hoje é um Sporting bem melhor do que aquele que encontrou à chegada e o seu papel não sendo determinante no relvado foi reconhecidamente no balneário, sendo por isso um dos capitães e pertence à distinta lista dos que inauguraram o regresso aos títulos. Neto não tomou uma decisão sobre o seu futuro pelo que não surpreenderia ninguém vê-lo noutras funções ainda no Sporting. Aconteça o que acontecer, obrigado Neto!

A camisola

O último jogo serviu de apresentação da camisola principal da próxima época. Qualquer que seja a apreciação que legitimamente cada  um pode fazer, a nota negativa vai direitinha para os assobios que se fizeram ouvir após o anúncio do speaker. Assobiar uma camisola com o nosso símbolo é inqualificável. Mas, como é óbvio, ninguém é obrigado a gostar e convenhamos que houve um elevado risco ao assumir  a decisão de aceitar esta nova proposta dos fornecedores de equipamentos, a Nike. E por isso aqui vai a minha opinião:

Uma coisa é habituarmos-nos à ideia tão disruptiva e outra é reconhecer a camisola e identificarmos-nos com ela. A camisola é um dos pontos de maior identificação dos adeptos com o clube, aquele que quando olhamos reconhecemos imediatamente, seja qual for a modalidade, "olha, o Sporting está a jogar". Nesse sentido, eleger a que ontem nos foi revelada como camisola principal não foi uma escolha feliz. Vai ser demorado o período de habituação e os mais distraídos ou que seguem o Sporting com menor frequência ou atenção poderão até ser surpreendidos quando perceberem, numa imagem de jornal ou televisão vista de relance que aquele é "o seu Sporting". Sendo uma camisola que me agrada, depois de a ter visto ao vivo e depois na televisão, tenho muita dificuldade em aceitá-la como sendo o nosso equipamento principal. Quanto aos símbolos que regem a minha identificação com o meu Sporting "menos é mais" sempre. A Nike não faz nenhum esforço em saber do que nós gostamos e alimenta-se da paixão que temos pelo clube que tanto amamos.

A festa

Foi bonita a festa que se seguiu. O Sporting esmerou-se no espectáculo que preparou para presentear todos os que puderam comparecer em Alvalade. Foram vários os momentos que ficará na memória de todos que tiveram a sorte de o presenciar. Um momento de comunhão e fervor Sportinguista.

Não deixo contudo de fazer um reparo à forma como a Liga preparou a entrega do troféu. Além de uma demorada operação logística, que levou à montagem de três (!) palcos, o principal ficou de costas para uma das bancadas centrais e seguramente de má visibilidade de outras, quando o recomendável seria um simples palco no centro do relvado onde todos os adeptos estivessem em pé de igualdade. Acredito que alguns não tivessem tido oportunidade de ver nas condições que aquele momento solene impunha. Mas a Liga também não parece estar muito preocupada com o que os adeptos querem e gostam.

domingo, 12 de maio de 2024

Festa em toda a linha


Foi em ambiente de festa que o Estádio Coimbra da Mota se pintou de verde tendo a equipa do Estoril, num gesto de assinalável desportivismo, recebido os novos campeões. Como uma equipa bem orientada que é, o Estoril tudo fez para dificultar a vida ao Sporting, tendo conseguido adiar o golo quase até ao limite. Por seu lado o Sporting foi explorando sem pressas e de forma paciente as possibilidades de alcançar um golo. As entradas de Nuno Santos e Paulinho haveriam de emprestar a agressividade que faltava para visar a baliza adversária. Seriam precisamente eles os envolvidos na jogada do golo que ditaria a vitória. Dois jogadores com uma época de elevado nível e com golos e assistências dignos de nota.

Com esta vitória o Sporting bate o seu record de pontos e de vitória e quase de certeza marcará em todos os jogos da Liga. Os cem golos é que estão agora mais longe de alcançar. Não sendo uma tarefa impossível e nem sequer inédita neste ano, convenhamos que será muito difícil fazer mais sete golos no jogo de consagração, ante o Chaves, na derradeira jornada.

Uma festa que prossegue em bom ritmo pelos estádios por este país fora onde joga o Sporting é o tiro ao Gyokeres, com o total beneplácito dos senhores do apito, que preferem proteger os caceteiros em desfavor do talento. O jogo ontem em muitos lances mais parecia tratar-se râguebi e não de futebol, embora até no raguebi haja limites que neste jogo e noutros foram completamente ultrapassados.

domingo, 5 de maio de 2024

De Alvalade já se vê o Marquês


O Sporting abriu a avenida do titulo com uma exibição triunfante sobre o Portimonense, de tal forma superior que Franco Israel não foi chamado a intervir uma única vez. Ao contrário, Nakamura, o guardião algarvio, foi um dos melhores em campo, a um nível semelhante de um Paulinho soberbo, de um Nuno Santos implacável e de um Trincão ressuscitado.

Alvalade fervilha de alegria e emoção, cheira a conquista iminente, vivendo por estes dias os melhores dias desde a sua inauguração desde os já longínquos idos de 6 de Agosto de 2003. Está a cumprir-se assim finalmente os sonhos de todos nós quando projectamos o futuro naquela noite de verão.

Falta muito pouco, como dizia ontem Amorim, ninguém compreenderia que o titulo não acontecesse, mas a matemática é soberana, implacável e insensível aos nossos mais profundos e antigos desejos. Este sentimento está bem inculcado no sentimento de todos, o comportamento dos Sportinguistas tem sido exemplar,  sem medos mas também sem arrogância. 

Linda foi também a forma como Manuel Fernandes foi lembrado, neste momento de fragilidade. O Manel é o nosso eterno capitão e o seu nome será sempre lembrado e fará parte da restrita galeria de imortais.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Um pequeno passo para o Sporting, um grande salto para o titulo

Ao vencer o Famalicão no ajuste do calendário, por via do jogo em atraso, o Sporting deu um pequeno passo, arquivando mais três pontos ao seu pecúlio. Mas mais este pequeno passo, que se associa a todos os outros até agora dados nesta caminhada vitoriosa, significa hoje sete pontos de diferença para o mais próximo competidor. 
 
Na verdade estes sete pontos repõem alguma justiça, uma vez que, do ponto de vista colectivo, este grupo superiormente comandado por Amorim há muito que se distingue dos demais. Faltam assim três vitórias para selar o tão ambicionado regresso aos títulos nacionais.E como nós, Sportinguistas, merecemos este momento!

O optimismo e alegria imperam e são naturais, porém, como o jogo de Famalicão demonstrou, ainda é cedo para levantar voo. Os adversários que temos pela frente têm ainda objectivos para alcançar e não estarão dispostos a facilitar a vida. Senão vejamos:

 

O Vitória luta pela obtenção da melhor classificação possível, que pode ainda ser o terceiro ou quarto lugar.

O FCPorto ainda está longe de garantir o terceiro lugar e, se não se acautela, pode ser ultrapassado pelos seus vizinhos a norte, um ou ambos.

O Portimonense está actualmente na zona de play-off

O Estoril tem apenas mais dois pontos para não cair no lugar do Portimonense.

O Chaves pode até chegar "já" na divisão inferior na última jornada, faltando saber se o que seria melhor para o Sporting, caso precise ainda desse jogo: se uma equipa sem pressão, se a precisar desesperadamente de pontos.

Mas o jogo de ontem diz-nos mais algumas coisas:

Apesar de bem organizado e a saber o que tem de fazer para ultrapassar os adversários, se os golos não surgem, como aconteceu ontem, à medida que o tempo de jogo avança e o marcador não está seguro, a equipa tende naturalmente a sentir o peso do momento, perdendo alguma lucidez. Se nós na bancada ou no sofá nos perdemos, os nossos jogadores com homens que são, e querendo tanto ou mais que nós, também ficam expostos à ansiedade.

Em Famalicão essa ansiedade podia certamente podia ter sido menor, caso o Sr. Veríssimo tivesse sido melhor aconselhado pelo Hugo Miguel, um "azarado" este nos jogos com o Sporting. O engano na colocação das linhas na segunda jornada parece ainda lhe estar a pesar na consciência, da tal forma que em Guimarães esqueceu-se de chamar o arbitro para ver uma simulação que daria um penalty que nos penalizou. Ontem esqueceu-se novamente de chamar o colega para ver o pisão a Pote, que poderia dar o segundo golo. E o próprio Veríssimo teve um critério disciplinar "estranho"...

Sendo uma vitória do colectivo há que realçar a excelente prestação de Hjulmand, o comando de Coates, bem como de Bragança e, a espaços, Trincão e entrada oportuna de Quaresma. 

Agora, como ontem dizia Amorim, todos somos precisos para levar a tarefa até ao fim.

sábado, 30 de março de 2024

Estrela Amadora 1 - Sporting 2: Uma vitória de gente grande

 


Faltam sete jogos mais um para o final do campeonato e serão, para nós, adeptos,  com certeza, jogos com elevado grau emocional e até dramatismo por tudo o que está em jogo. Mas ontem esteve na Reboleira uma verdadeira equipa, madura e ciente do que a espera e do que precisa fazer para ganhar. 

O jogo não começou nada bem. O treinador do Estrela percebeu que Jabá a explorar a menor velocidade de Matheus e as suas torres, em particular Gaspar, lhe podiam render dividendos e a sua aposta revelou-se feliz. A colaboração de Israel foi determinante, é certo, mas aquele primeiro poste podia e devia ter sido melhor defendido, nomeadamente por Gyokeres.

Não se pode dizer que a equipa reagiu, antes sim se manteve imperturbável e não demorou a repor a igualdade. Além do resultado, que é o mais importante, esta atitude é uma das melhores noticias a retirar do jogo na Amadora, agora que entramos na fase em que toda uma época se vai decidir. A maturidade e segurança com que a equipa respondeu à desvantagem contraste com momentos semelhantes, em jogos anteriores, em que a equipa se desconcentrou e reagiu com demasiada emoção, afastando-a do que melhor consegue produzir. 

Esta postura foi ainda mais notória na forma como controlou o jogo e o adversário, sobretudo a partir do momento em que Rúben Amorim chamou ao jogo primeiro Inácio e depois Hjulmand, trancando o jogo atrás, sem recuar para defender o resultado. Até ao final do jogo o Estrela só viu a baliza de Israel de binóculos, nunca logrando voltar a criar perigo real.

A esta atitude mandona e personalizada do Sporting não terá sido alheia a recuperação dos índices físicos que a paragem da competição terá proporcionado. A frescura física e mental exibidas foram determinantes para jogar sem tremer quando apenas um golo separava as duas equipas.

Tendo sido uma exibição colectiva de bom nível há que destacar a exibição de Trincão, determinante para o resultado com duas assistências, uma vez que o remate que dá origem ao ressalto para o segundo golo assim pode ser considerado, isto depois de uma assistência de régua e compasso para o golo do empate por Paulinho. Muito agradável também de registar o nível exibicional de Daniel Bragança, a retirar alguns bons minutos de reflexão a Rúben Amorim quando chegar a hora de decidir quem fará companhia a Hjulmand no próximo derby.

Relativamente à arbitragem deve ser assinalada a permissividade do árbitro relativamente às entradas "ao osso" dada aos da casa, particularmente a Gaspar. De assinalar também o critério diferente seguido na avaliação das faltas. O penalty negado pelo toque nas costas é um tudo idêntico à falta marcada sobre Bragança, à entrada da área. A única diferença foi o local. Um lance que deveria ter tido outro tipo de intervenção por parte do VAR.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Sporting 6 - Boavista 1: fome de vencer!


O Sporting deu ontem uma demonstração de maturidade e poder. Noutros tempos, um golo cedo teria gelado Alvalade e o sussurrar receoso teria ocupado o lugar das palmas e canções de incentivo. Como muito bem lembrou Rúben Amorim, os adeptos foram fundamentais, a comunhão com a equipa foi uma das chaves para a reviravolta.

E que reviravolta o Sporting operou. Claro que há pormenores que contam, como por exemplo  a lesão do mais matreiro dos defesas axadrezados e o golo obtido ainda antes do término da primeira parte, logo complementado por outro no reatar da partida. Mas esses pormenores foram criação da equipa, alguns deles de forma brilhante. O que deve ser destacado como pormaior é a fome com que equipa continuou a procurar golo atrás de golo, sem se contentar com o já alcançado.

Não há palavras suficientes onde caibam a categoria e importância de Gyokeres, até porque, jogo após jogo ele acrescenta sempre mais uma corrida, mais um drible eficaz, mais um assistência. Ontem, ainda por cima, contou com um Paulinho também super-eficaz e esclarecido. Apesar do pouco tempo de jogo, tem tido actuações verdadeiramente decisivas e com reflexo no alcance e manutenção da liderança do Sporting na Liga.

Mas não ficaria bem deixar ausente das referências individuais Nuno Santos, que se fartou de jogar, assistir e até marcar, bem como Daniel Bragança. Depois de um regresso de lesão prolongada a continuidade da sua presença vem sendo em crescendo e é um prazer ver mais um jogador talentoso da nossa formação encontrar o caminho onde pode alcançar aquilo que tanto esperamos dele.

Uma vitória carregada de importância e significado, uma vez que nos deixa na liderança após um calendário sobrecarregado e com duas semanas para recarregar baterias, lamber as feridas (leia-se lesões) e preparar os 10 jogos que nos separam do lugar onde queremos voltar a ser felizes.

Para alguns de nós, Sportinguistas, foi um dia ainda mais feliz e cheio de significado. O Núcleo Solar do Norte terminou um período de renovação do edifício sede, devolvendo a dignidade ao espaço que é tantas vezes a sala de recepção de todos os Sportinguistas que se deslocam à cidade Invicta. Um grande trabalho de uma equipa superiormente liderada pelo presidente António Magalhães e que merece a vossa visita.







quarta-feira, 13 de março de 2024

O trilema do Sporting


O sucesso tem sempre um preço e esse está a ser bem pago pela equipa de Amorim, uma vez que o cansaço acumulado devido ao facto de continuar ainda envolvido em todas as competições tem sido mais ou menos evidente em alguns jogos, particularmente quando período de descanso tem sido inferior a três dias.

Entre os Sportinguistas discute-se muito sobre a necessidade de abdicar das restantes competições – Liga Europa e Taça de Portugal – com o objetivo de salvaguardar o prémio mais apetecido: a conquista do campeonato. Um verdadeiro trilema.

Sabiamente Rúben Amorim já deu a sua receita: o Sporting não abdicará de nada, gerirá jogo a jogo as suas ambições. E de facto não há outra alternativa. O Sporting, ainda que seja obrigatório fazer a gestão dos jogadores mais sobrecarregados, não se pode apresentar em Bergamo com uma equipa secundária, sob pena de regressar de Itália sob peso de uma derrota embaraçosa e desprestigiante. Acresce que não é indiferente o nosso posicionamento no ranking da UEFA quando ambicionamos regressar à Liga dos Campeões. Ou a qualquer prova europeia, bem entendido.

A disputa das meias-finais da Taça de Portugal está no intervalo, aguardando o desfecho da eliminatória. Ao Sporting não restará outra alternativa senão empenhar todas as forças para carimbar o bilhete para o Jamor, uma vez que se trata do acesso a uma final, lugar a que o Sporting deve estar para lograr vencer. O facto de se disputar com o rival de sempre torna mais aguda essa necessidade.

Obviamente que, como é dito acima, o campeonato é o prémio mais desejado. Mas o futebol é sempre imprevisível e não há nenhuma garantia de que, por melhor que seja a gestão, ele seja alcançado. Ser grande é isto mesmo, não há outra escolha senão querer ganhar, sempre!

domingo, 10 de março de 2024

Arouca 0 - Sporting 3: semear no batatal para mais tarde colher


Muito mais difícil do que o resultado final pode deixar a entender, mas muito importante o que o Sporting acaba de conseguir em Arouca hoje. O Arouca é seguramente uma das melhores equipas da Liga, que joga um futebol muito bem trabalhado pelo seu técnico e servido de jogadores muito interessantes, que certamente ouviremos falar mais adiante, quando abrir a próxima janela de mercado.

Este era dos jogos que faltavam fazer que mais dúvidas traziam justamente pela qualidade do adversário. A isso o Sporting respondeu com uma exibição segura até à obtenção do golo inicial, recuando depois para oferecer a iniciativa ao adversário. Nem sempre por estratégia, muitas vezes por necessidade ou imposição do jogo do adversário. Israel aproveitou mais uma oportunidade para se mostrar e, tendo sido pouco solicitado, foi determinante quando chamado.

O intervalo chegou na altura certa, no balneário Amorim rectificou alguns posicionamentos e o que não resultou na preleção corrigiu depois, intervindo a partir o banco, com recurso às substituições. Era evidente o menor esclarecimento de Quaresma, muito acossado por Sila, no que contou muito com a ausência de apoio de Catamo. 

Enquanto isso Hjulmand ia estando em todo o lado, fazendo um jogo tão gigante como discreto. O golo obtido seria um prémio mais que justo. Este resulta de mais uma assistência de Gyokeres, que continua a ser determinante, mas cuja fadiga se nota nas decisões. O Sporting dispôs mais uma vez de de diversas jogadas que, por deficiência do último passe, não deu o melhor resultado.

O jogo caminhava para o final e os corações dos Sportinguistas haveriam de voltar ao seu tamanho normal quando Catamo foi ao seu arsenal e encontrou um míssil de alta precisão e velocidade supersónica, deixando Arruabarrena pregado ao chão, sem medidas antiaéreas capazes para o contrariar. Ele que já tinha contrariado várias vezes Gyokeres com categoria. 

O golo final de Hjulmand, já acima aludido, nasce de uma recuperação e consequente assistência de Gyokeres, quando já se arrumavam as malas. Ficava assim confirmada a liderança em mais uma jornada. Veremos mais tarde a importância e o significado desta vitória. Que deve ser associada também à vitória da primeira mão que, recordo, foi obtida já com o Sporting a jogar em inferioridade numérica.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Sporting 5 - SC Braga 0: Uma mão cheia juros


É quase impossível, após a goleada aplicada hoje ao SCBraga, não recordar o jogo que nos custou ficar pelo caminho e não chegar à final da Taça da Liga. Não há jogos iguais, mesmo entre os mesmos adversários, mas o nosso bom momento e a diferença que nos separa actualmente foi desta vez materializada no marcador. Devolvemos com juros a derrota. mas não deixou de ser uma derrota amarga.

O jogo pode ser dividido em três momentos:

  • Uma primeira parte quase imaculada e para isso contribuiu um inicio de jogo personalizado, pressionando de forma caprichosa e eficaz o adversário, impedindo-o de sair de forma organizada. Tão bem o fizemos que a primeira metade do jogo haveria de chegar ao fim sem que um único remate visasse a nossa baliza. Do ponto de vista do ataque o Sporting foi sempre acutilante e também ajudou, é bom dizer, o facto de termos logrado desempatar o nulo inicial num momento precoce do jogo, o que ajudou transmitir a confiança indispensável para executar bem.
  • O inicio da segunda parte trouxe um adversário com vontade de obter um golo que o fizesse regressar ao jogo. O Sporting deixou de conseguir sair na pressão, o campo parecia ter aumentado exponencialmente, tal como o número de adversários. À semelhança de outras ocasiões, a equipa parecia não saber jogar em contenção, com as linhas mais descidas, esperando atrás o adversário. Mais uma vez, também, o golo poderia ter surgido de uma bola que sobrevoa toda a defesa e a cabeçada de Djaló só não deu golo porque Adan estava lá. Logo de seguida foi o pé a fazer a bola passar muito perto do poste, quando o golo parecia inevitável.
  • Quando parecia que íamos ter a resposta do adversário à nossa primeira parte o golo, do inevitável Gyokeres, em assistência primorosa de Trincão, punha fim a qualquer veleidade do adversário. Daí até ao final restava saber o número de golos que o Sporting alcançaria.

Tratando-se de uma boa exibição colectiva na maior parte do tempo, há destaques individuais inevitáveis:

  • Quaresma merece toda a sorte que possa ter pela forma aplicada com que aproveitou a oportunidade que lhe foi dada. O excelente golo hoje alcançado premeia a exibição e a própria jogada.
  • Trincão está na mesma linha. Não desistiu dele Amorim e Trincão está a dar razão ao seu treinador. A confiança que faltava, que parecia até que a bola fugia dele, está a subir e por isso agora a bola parece agora que o procura. Estamos a ganhar um jogador que pode ter um papel muito importante a desempenhar, porque é dos marca golos mas também assiste.
Mantivemos a liderança de forma categorizada, parecendo prolongar o bom momento que vivemos. Nada a dizer da arbitragem.

 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Sporting 8 - Casa Pia 0: só faltou o som das Valquirias

Como dizia Cr7, quando a tampa do ketchup se soltar tudo volta à normalidade. Mas o que aconteceu no encontro com a equipa do Casa Pia foi uma anormalidade estatística: até ao 4-0, o Sporting marcou nas cinco vezes que rematou à baliza. Isto por oposição ao que sucedeu com o SCBraga, em que ficou no ar a impressão que podíamos estar toda a noite a rematar que a bola não entraria. O futebol é isto mesmo, haverá sempre um lado incontrolável, que o melhor treino e preparação não conseguirá resolver nunca, por isso torna-se importante estar psicologicamente preparado para viver com o com a adversidade. 

Tal como perante uma obra de arte cuja perfeição e beleza nos esmaga, há muito pouco a dizer perante uma exibição a roçar a perfeição. Apetece é ver e rever as jogadas, os golos, as cavalgadas de Gyokeres (ao som das Valquirias de Wagner, como no Apocalipse Now), a bola com olhos a sair dos pés de Hjulmand para Pote, finalizando com o desenho do arco perfeito de Trincão, como quem desenha um arco ogival de uma catedral gótica. 

Pode ser cansativo mas é importante e necessário falar em Gyokeres. Ele deu outra dimensão ao nosso futebol e é por ele estar presente e fazer o que faz que a equipa "se permite" ter a fome que se vê em campo. Um sonho para nós, um pesadelo para qualquer defesa, que só de o ver já devem ficar cansados. Embora a vitória seja necessariamente colectiva e se deva a muita gente para quem ela trabalha, Gyokeres é o ingrediente já nada secreto que arrasta atrás de si não só os defesas adversários como toda a equipa e dessa forma transportou o nosso futebol para uma dimensão superior.



sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Sporting não perde o norte


Há um Sporting diferente, que não se engasga nem atrapalha, mesmo quando o azar de sofrer um golo contra a corrente do jogo e no primeiro remate da equipa adversária. Ao contrário do ano passado e de tantos anos anteriores, em Vizela o Sporting soube engolir a injustiça de um resultado em que, ao invés de estar a perder quase toda a primeira parte, poderia e deveria estar a ganhar por mais do que um golo. E de que forma o fez? Continuando a acreditar no seu processo, sem se descontrolar emocionalmente, seguindo o plano traçado. O Sporting não perdeu o norte. 

Amorim tem sido feliz nas escolhas que tem feito, quer no plano individual, quer na estratégia adoptada para cada jogo e adversário. Feliz não no sentido da sorte, mas da segurança e maturidade das decisões que toma e cujo espírito contamina a equipa, que em campo responde de igual forma. Este ano tem sido raro ver precipitação, comportamentos aleatórios ou fora de plano. Os jogadores executam com segurança e revelam confiança no que estão a fazer. E nem os imprevistos ou azares, como os acima aludidos, os parecem fazer duvidar ou hesitar. 

É muito por isso que jogadores como Trincão ou Quaresma estão agora muito mais próximos do que esperamos deles. Não ser assobiado ajuda muito. Ver os sorrisos espelhados nos seus rostos e sentir que executam sem as toneladas de peso que anteriormente exibiam, associado ao medo de errar, é gratificante. Mérito deles, a merecem bem o momento actual, mas também e sobretudo de Amorim por não os deixar cair e crer no seu talento.

Nas referências individuais é obrigatório referir sempre Gyokeres, claro! Ele, tal como a equipa, não ficou mais pequeno com um falhanço à Bryan Ruiz, de má memória. Voltou a fazer um "bis" a que juntou mais uma assistência, o que perfaz, com os vinte e dois golaos até agora marcados, a intervenção em mais de trinta golos da equipa. Palavras para quê?

Nem mesmo perante os erros de arbitragem, técnicos ou disciplinares, fizeram abanar a0 convicção e o empenho que os jogadores empregaram em campo. O critério disciplinar, como a amostra de amarelos é da competência do árbitro. Neste caso foi mais da incompetência por, mais uma vez, se aplicarem critérios dispares ao usado para avaliar o comportamento dos nossos jogadores e os do adversário. E se nessa análise incluirmos os nossos rivais então a discrepância é ainda maior. Mas com uma ferramenta como o VAR, com inúmeras câmaras à disposição, não ver os lances de penalty para depois, a cada golo, mesmo obtido de forma clara e irrepreensível, parar o jogo largos minutos a ver o que se o que se pode escavar revela a tradicional má vontade e excesso de zelo. 

O Sporting segue no comando, ainda que por diferença escassa, mas é um comandante que recolhe a unanimidade das análises. Neste recente périplo cá por cima o Sporting nunca perdeu o norte e isso são notícias muito boas e motivo de regozijo para todos nós. A Taça da Liga é já aí ao virar da esquina e vamos por ela com todas as nossas foras e crença.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Revisitar a Choupana a partir de Chaves


Passar para lá do Marão, especialmente no inverno, e ir a Chaves em busca de mais três pontos, assume-se tradicionalmente como uma das deslocações mais difíceis. As condições impostas por uma noite invernosa, a pedir mais pantufas e sofá do que frio, chuva, impiedosa e relvado encharcado e escorregadio podiam contribuir para anular a superioridade detida pelo Sporting, nivelando o encontro.

A forma como a equipa do Sporting se entregou ao encontro anulou por completo qualquer beneficio que a equipa da casa pudesse retirar das condições climatéricas que do facto de jogar em casa. O Sporting dominou o encontro do principio ao fim, não permitiu qualquer veleidade aos homens da casa. O jogo acabaria por terminar sem que o Chaves conseguisse visar a baliza do Sporting uma vez que fosse.

Em muitos momentos a forma sólida como a equipa respondeu às adversidades do tempo e às pretensões do adversário fez lembrar muitas vezes o jogo na Choupana, um dos que ficaram na retina na caminhada vitoriosa do último titulo. 

Os primeiros elogios têm que ir directos para Rúben Amorim. A forma como prepara a equipa para os jogos em função dos adversários que vai ter pela frente fala-nos de um treinador esclarecido e conhecedor. Grande parte dos bons resultados começam na cabeça dele, indiscutivelmente. Embora a tabela classificativa não o espelhe com toda a justiça, reconstruiu novamente uma equipa forte que tem sido até agora, a melhor da Liga. Em Chaves ninguém conseguiria adivinhar que Catamo, Diomande e Morita estavam ausentes nas suas selecções e Edwards no banco, por causa de uma gripe e a isso muito se deve à forma como o treinador montou a equipa para o jogo.

No que aos jogadores diz respeito, saúda-se o regresso de Trincão ao que de melhor se espera dele. Talvez o melhor da partida. Pote, apesar de continuar perdulário, é um jogador importante para o equilíbrio da equipa e voltou a fazer um belo golo, que de fácil só tem a aparência. Gonçalo Inácio esteve imperial a comandar a defesa, jogando com a sabedoria de um veterano. Hujlmand esteve em todo o lado. Gyokeres mesmo sem marcar arrasta à sua frente as defesas alheias e atrás dele toda a equipa. Paulinho fez o oitavo golo, todos eles importantes e decisivos.

Para finalizar a arbitragem de Luis Godinho. Embora sem nada de especial a assinalar quanto a lances capitais, do ponto de vista disciplinar é inqualificável, uma vez mais, que o Sporting saia de Chaves com mais amarelos que equipa da casa. Olhando para um caso especifico, É inacreditável que Vasco Fernandes acabe o jogo sem um amarelo.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Leão esfomeado devora canarinhos


Havia alguma expectativa sobre o jogo que marcava a recepção ao vizinho Estoril que, após a entrada do seu actual treinador não só havia deixado os fundos da tabela como tinha alcançado, com mérito, a final a quatro da Taça da Liga, eliminando o FCP.
 
Não sei se foi essa inesperada proeza que terá levado os visitantes a encher os pulmões de ar e descer a marginal em direcção a Alvalade de peito feito e parecendo querer olhar olhos nos olhos o leão.O risco de uma estratégia assim tão ousada só compensa se contar com a apatia e falta de apetite do leão e isso não se verificou. 

Desta feita o Sporting entrou concentrado, pressionando com precisão a saída de bola dos estorilistas que corajosamente apostavam numa defesa alta e, na posse da bola, exploravam com precisão cruel os muitos espaços que se abriam do meio para trás do adversário. Quando surge o primeiro golo, já decorridos mais de vinte minutos, já se deviam alguns golos no placard e mais ainda quando o intervalo chegou com apenas um golo. Com um golo madrugador logo no inicio da segunda metade os três pontos ficavam salvaguardados, ficando por esclarecer apenas o volume da vitória.

Além da acima aludida expectativa que este jogo suscitava pela boa recuperação do Estoril havia ainda as ausências provocadas por lesão e chamadas à selecção de Coates, Ousmande e Morita. A resposta individual e colectiva não podia ser sido mais esclarecedora para todos e Amorim em particular. O acerto no passe foi determinante para o sucesso, sendo o baixo número de passes transviados um novo mínimo da Liga (45).

O Quaresma do último clássico respondeu novamente com categoria à chamada. Inácio vestiu o fato de patrão da defesa, num registo de concentração e eficácia que fazem dele um defesa excepcional. Bragança não falhou um único passe, Pote voltou finalmente aos passes magistrais para dentro da baliza. E até Trincão deu razão a Gyokeres que, na recente entrevista, revelou que tem "uma finalização espantosa de meia distância". Esperamos e precisamos mais de Trincão mas este é já um bom augúrio.

Mas uma das notas mais salientes deste jogo foi a surpreendente inversão de papéis entre Edwards e Gyokeres. O sueco tornou-se no assistente particular do inglês agora goleador e é já o rei das assistências da Liga com 8 passes para golo, que se somam aos onze golos já marcados na competição. A sua importância está muito para lá da quantidade de golos que marca e é, até ao momento, simultaneamente a revelação e melhor jogador da Liga.

Até ao final do mês de Janeiro o Sporting jogará a 9/ com o Tondela em casa para a Taça de Portugal, a 13/ com o Chaves fora, a 18/ fora em Vizela e ambos para a Liga. A 23/ desloca-se a Leiria para jogar a meia-final da Taça da Liga com o Braga, regressando ao campeonato a 29/ para receber em Alvalade o Casa Pia. Faremos as contas então, mas a subida de nível no nosso jogo, a confirmar-se, permite esperar o melhor, conquanto não haja pinheiros atravessados como na estrada para Guimarães.

domingo, 31 de dezembro de 2023

Como ultrapassar um navio de cruzeiro estacionado na doca de Portimão

 

Pela enésima vez em jogos contra o Sporting, Paulo Sérgio adopta uma estratégia ultra-conservadora, abdicando de qualquer iniciativa para visar a nossa baliza, remetendo-se única e exclusivamente a defender com todos os elementos da sua equipa estacionados no último terço, disposição que nem a perder por 1-0 abandonaram. 

Não foi a tão famigerada táctica do autocarro estacionado, desta feita era um daqueles navios de cruzeiros de vários andares imobilizado na doca de Portimão que o Sporting teria que saber ultrapassar. A derrota acabaria por ficar bem a Paulo Sérgio, pela falta de ambição e grau zero de risco e audácia.

Perante este cenário era evidente que as dificuldades do Sporting teriam que ser muitas, pelo menos até conseguir abrir o marcador. Nesse sentido à que louvar a presença de espírito e paciência de japonês (Morita foi um dos nosso melhores) perante a muralha portimonense. Não que as opções tomadas e as execuções das jogadas tenham sido como mandam os compêndios, mas a equipa nunca se rendeu perante as adversidades e manteve-se solidária e focada.

Duas notas importantes sobre dois jogadores que têm estado no centro das atenções e das conversas dos adeptos:

1- Paulinho em primeiro lugar pois claro. Poucos jogadores terão suscitado tantos sentimentos contraditórios entre os adeptos. Sendo verdade que ontem teve um desperdício de palmatória, uma vez que em posição privilegiada falha a até a baliza. Mas tem no seu pecúlio sete golos, todos eles importantes, porque todos eles deram vantagem ao Sporting ou anularam desvantagens. Significaram pontos. Apesar disso só tem 594 minutos jogados e 5 jogos a titular.

2- Adán, pelo número e tipo de golos sofridos tem suscitado dúvidas sobre o seu valor para um clube com pretensões ao titulo. Em Portimão deu pontos, que é o que se pede a um jogador na sua posição e num clube como o Sporting.

Como nota estatística curiosa  e que também merece reflexão, sempre que o Sporting passa o ano em primeiro lugar no final do ano tem sido campeão. Infelizmente nas últimas décadas isso só aconteceu 5 vezes, mas, se incluirmos a época em curso, dessas 5 vezes duas são de... Rúben Amorim.

1979/80 🏆🇵🇹Fernando Mendes
1981/82 🏆⿬Malcolm Allison
2001/02 🏆🇷🇴Lazlo Boloni
2020/21 🏆🇵🇹Rúben Amorim
2023/24 ? 🇵🇹Rúben Amorim

Uma nota obrigatória para a arbitragem, uma vez que ela mereceu uma ruidosa intervenção de Paulo Sérgio e um profundo e estranho silêncio, mais uma vez, por parte do Sporting. Dos comentários do treinador e que agora estão a ser objecto de amplificação generalizada fica a nota ridícula de um pontapé de baliza que deveria ser canto. A falha é evidente mas esta é infelizmente muito comum, e o Sporting tem várias desse género no bornal. O que Paulo Sérgio se esqueceu de referir é que o golo do empate nasce de uma falta inexistente. 

Isto não pode deixar sem nota o enésimo golo que o Sporting sofre resultante de uma bola parada executada lateralmente. Mas, pior, é ficar sem qualquer nota o critério díspar do árbitro nos cartões e na sua falta de visão sobre as constantes faltas sobre Gyokeres. Não são fora-de-jogo, ou penalty's mas ajudam a inclinar o campo de forma tal forma sub-repticia que escapa às análises e sobretudo à pressão mediática que depois condiciona os árbitros.

Sexta-feira há nova jornada em Alvalade, desta vez com o vizinho Estoril que, com a nova liderança técnica, deu já um enorme salto na tabela classificativa e nas exibições. Esse jogo, bem como os próximos que se disputarão no espaço de um mês, não contarão com Diomande, Morita e Catamo nas opções de Amorim. Da forma como o Sporting solucionará essas ausências se escreverá a história do actual campeonato. Para já estamos em primeiro lugar, o que é uma excelente forma para virar mais um ano no calendário. Bom Ano!

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Quando precisas de vencer quatro vezes para ganhar um jogo só

É possível a tua equipa jogar bem, ser claramente superior ao adversário e ganhar justamente e quando o jogo acaba a alegria que deveria ser uma natural consequência estar contaminada por um sentimento de tristeza e revolta? No futebol português é. E infelizmente é uma experiência vivida vezes sem conta, muitas vezes em que, como ontem, não conseguimos ser tão fortes, acabamos vergados sob o peso de mais uma derrota. 

Não nos roubam só os golos e os pontos e, dessa forma, também as vitórias. Roubam-nos a possibilidade de crescer, de lutar ombro a ombro. Ganhar significa para nós ter que vencer várias vezes, vários adversários, incluindo a nós mesmos. E assim foi ontem, também. 

  • Tivemos que vencer o adversário, a quem fomos quase sempre superiores. 
  • Para o conseguirmos tivemos que vencer também um VAR zarolho, picuinhas, para quem o futebol seria parecido com um chá de beneficência, sem contactos. 
  • O mesmo tivemos que fazer a um árbitro que genericamente teria estado bem, sem a intervenção do VAR, mas, chamado por este, esteve sempre cheio de medo das consequências de enfrentar um poder decrépito mas que, no seu estertor, ainda tem um longo braço para fazer mossa numa carreira que pretende os grandes jogos e a internacionalização. O lance da expulsão de Pepe é a ilustração perfeita de um árbitro transido de medo, e encurralado perante a evidência e a dificuldade em enfrentar a pressão do banco e dos jogadores azuis.
  • Tivemos que nos vencer também a nós mesmos. O jogo de Guimarães havia deixado dúvidas sobre o nosso fôlego para a grande corrida que é um titulo de campeão. E a falta de vitórias em clássicos e muito em particular de Amorim sobre Conceição instituíam dúvidas ainda maiores. Para ganhar tivemos que vencer quatro jogos, quatro vezes num jogo só. Tivemos que marcar 4 (quatro!) golos limpos para vencer por dois.

Talvez não haja melhor exemplo de superação para ilustrar os parágrafos anteriores que Eduardo Quaresma, a grande surpresa da noite, por ausência inesperada de Coates. Jogador com talento, mas cuja afirmação esperada no futebol profissional tarda. Depois de duas experiências externas fracassadas, tanto por culpa própria como por infelicidade ou desacerto nas escolhas, Quaresma apareceu em grande, pleno de foco e concentração, anulando o jogador adversário em melhor forma. 

Mas da sua exibição será apagada uma assistência primorosa, plena de garra e oportunidade na forma como ganha por duas vezes consecutivas o lance, por erro crasso de avaliação do VAR e falta de personalidade do árbitro, que não aguentou a pressão de um banco em pé, num já clássico movimento de pressão e atemorização sobre as equipas de arbitragem.

Quaresma não poderá celebrar aquele momento, nem pode quedar-se a lamenta-lo. Tem de seguir em frente e fazer dele o ponto de embraiagem para um re-arranque e reencontro com o destino que quer ser o seu. O mesmo tem que fazer o Sporting sempre e quando lhe saiam ao caminho os VAR zarolhos e árbitros medrosos.

Gostava de falar de futebol. Mas quarenta anos disto ensinaram-me que "isto" não é apenas futebol.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Não foi apenas um Pinheiro no meio do caminho


 O Sporting perde pela segunda vez neste campeonato. E tudo começou com a habitual Pinheirada: transforma uma simulação e correspondente segundo amarelo para Maga num penalty que só existiu na cabeça dele e do Hugo Miguel, o VAR. Dessa forma, ao invés do Sporting sair para o intervalo a vencer, e em superioridade numérica, regressa aos balneários com as equipa empatadas. O jogo que iria acontecer na segunda parte seria forçosamente completamente diferente daquele que presenciamos.

Depois disso o Sporting não teve a sorte do jogo e também não a soube merecer, pela forma infantil com que se deixou bater da forma como se sabia que era a arma forte do adversário: as transições. A isso talvez não seja alheio a saida de Hujlmand, ficando um Morita, que apesar do golo inicial, não estava bem no jogo e assim continuou. E, num jogo como este, a ausência de Coates fez-se sentir, sobretudo na segunda parte, quando o jogo ficou partido e era necessário mais e melhor organização defensiva.

Não foi apenas mais uma vez o Pinheiro atravessado no nosso caminho. Podíamos ter feito mais, mas pelo que fizemos também merecíamos mais.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Voltar ao lugar onde somos felizes


O Sporting, ao bater o Gil Vicente, recupera o comando da Liga, lugar que havia abandonado depois do derby de má memória. Foi um jogo emotivo, cheio de incidências e incertezas provocadas pelas alterações no marcador. Dessa forma voltamos ao lugar onde somos felizes, o primeiro lugar.

Este jogo adquiriu ainda maior importância após a escorregadela dos nossos rivais em Moreira de Cónegos. A forma como o Sporting respondeu à pressão acrescida pela exigência dos três pontos, e ainda por cima depois de ter sido apanhado em desvantagem inicial, deixou bem claro que a luta pelo título não é apenas um objectivo meramente "académico".

Quando o golo do Gil Vicente acontece ficou no ar a dúvida sobre qual iria ser o comportamento da equipa. Até aí o Sporting tinha-se limitado a pouco mais do que activar a sua locomotiva sueca e esperar que "o normal" acontecesse. O VAR já havia anulado um golo obtido com esse recurso, o que provavelmente criou a ideia de que aquele era o caminho e, mais tarde ou mais cedo, o método acabaria de pagar dividendos. Ou, por outras palavras, mais tarde ou mais cedo os galos de barcelos acabariam por se escaqueirar ante a força nórdica. 

Certamente terá sido importante o golo obtido ainda antes do final do primeiro tempo. Ao intervalo certamente Rúben Amorim deve ter alertado que, para levar de vencida o adversário era necessário correr mais, correr melhor e mais rápido quer no sentido de recuperar a bola, quer para visar a baliza barcelense. Foi dessa forma que o Sporting chegaria à vantagem, pouco tempo após o inicio do segundo tempo. E rapidamente voltou a dilatar o marcador por acção preponderante ede Gyokeres mais uma vez.

De lamentar mais uma lesão de St. Juste, bem como o comportamento dos gilistas na procura da perda de tempo enquanto não estiveram em desvantagem. O mesmo se pode dizer das declarações sobre a arbitragem. É preciso muito descaramento para protestar contra a decisão correcta do àrbitro e mais ainda para colocar o VAR em causa, quando viram dois golos sofridos serem anulados por acção daquele orgão arbitral.

Os próximos dois jogos serão verdadeiros testes de fogo à liderança agora alcançada. A sempre difícil viagem a Guimarães e a recepção ao FCPorto serão clarificadores relativamente à força da nossa equipa e  dos nossos jogadores.

Uma nota final e obrigatória para Gyokeres: que jogador! E que privilégio ter um jogador deste quilate a espalhar magia nos relvados de Alvalade.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Boavista o - Sporting 2: uma vitória do Catamo!


Ninguém esperava um jogo fácil no Bessa, pelo momento do adversário, por uma certa tradição de dificuldade  - que tem sido contrariada na última década - e também pelas últimas exibições da equipa com o Olivais e Moscavide e na Polónia. E assim foi. Mas, num jogo sofrido, com momentos de algum dramatismo, o Sporting conseguiu o objectivo primordial: manter-se na liderança da Liga, aproveitando o deslize do actual campeão, distanciado-se na liderança. E isso é o mais importante a destacar.

Parece contudo evidente neste momento que a equipa tem ainda espaço para crescer. Espaço e necessidade, pois mais uma vez, ao optar por tentar controlar o jogo, a equipa perde-se, sem conseguir, por um lado conter os ímpetos dos adversários e, por outro, ampliar o marcador de forma a estabelecer um perímetro de segurança. 

Ontem isso não aconteceu por manifesta falta de eficácia na hora de rematar à baliza. Mas também é verdade que não ficou a poucos minutos de empatar por escassos vinte e sete centímetros. Num campeonato renhido como este será, são pormenores que poderão fazer toda a diferença. Pelo que se vai vendo, este é também um problema a resolver pelos rivais, pelo que é muito gratificante ir somando pontos enquanto a máquina não está completamente oleada.

Para se perceber bem o que está a acontecer este ano atente-se ao que acontecia no ano que fomos campeões precisamente à nona jornada (quadro abaixo). O Sporting tinha menos dois pontos, a distância para o segundo era ligeiramente menor. Tinha mais golos marcados (4) e o mesmo número de golos sofridos. Olhando para a situação actual (segundo quadro) o Sporting tem mais uma vitória e por isso menos um empate. Sendo certo que no ano em que fomos campeões já tinhamos jogado com o FCPorto, este ano já jogamos fora com o SCBraga.



Neste quadro abaixo podemos verificar a nossa situação à nona jornada no campeonato transacto:


Como ontem dizia Pote, o campeonato vai-se decidir por detalhes e por isso mesmo a vitória de ontem foi uma vitória do Catamo! A referência, em tom de brincadeira, ao jogador é merecida pela sua participação no triunfo com o golo inaugural e pelo progresso paulatino que vem demonstrando, merecendo assim a confiança que Amorim tem depositado nele.

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