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quarta-feira, 25 de maio de 2016

RED (vermelho) = relvado verde?

Como é do conhecimento geral, o Sporting decidiu em boa hora proceder à instalação de um novo relvado. A medida era imprescindível, uma vez que o anterior "tapete" não só nunca teve a qualidade mínima exigida, como ainda por cima estava contaminado por uma praga que lhe dava aquele aspecto malhado. Como diria o grande Vasco Santana se cá estivesse "aquilo são problemas de fígado".

O que talvez não seja do conhecimento da maioria dos adeptos é que o Sporting entregou a empreitada justamente à empresa que instalou o primeiro relvado no novo estádio José Alvalade, a RED. A empresa é talvez o nome mais conceituado no meio, sendo de sua responsabilidade projectos muito bem sucedidos como os excelentes relvados dos rivais FCP e SLB.

Ainda deve estar na memória de muitos a discussão sobre a necessidade de resolver com caracter definitivo os crónicos problemas que foram sucedendo com os nossos relvados, ao ponto de, no tempo de Bettencourt, se ter equacionado a possibilidade de instalar um relvado sintético. Na altura, com o sentido de esclarecer as discussões que então foram ocorrendo, nem sempre tendo em conta aspectos estritamente racionais, auscultei as referências de então nesta matéria. 

Do lado da "solução sintético" ouvi o responsável da empresa (LINK) que havia instalado o relvado no Bessa, entretanto removido por força da lei que impede o uso de sintéticos na I Liga. Do lado da "solução natural" o sócio gerente da RED (LINK), entrevista que abaixo será novamente editada. Da conversa resultou uma impressão de vincado profissionalismo nos argumentos, longe dos habituais palpites e "achismos" e muita objectividade. 

Em breve saberemos o resultado da decisão agora tomada. Numa primeira impressão, parece-me que o Sporting escolheu o parceiro certo, embora nunca seja demais lembrar as contingências a que estão sujeitas estas realizações, tais como o tempo (clima) e o facto de estarmos a falar de seres vivos (embora nos esqueçamos com frequência, os vegetais também o são). 

Por outro lado, o sucesso deste novo investimento não se limita ao momento da replacagem (a solução adoptada, creio), ou a sementeira do novo relvado. A sua correcta manutenção é também factor que contribui para o sucesso da operação.

A entrevista deve ser lida tendo em conta as alterações que poderão ter ocorrido de 2010 para cá).

“Alvalade tem as bancadas demasiado inclinadas, o sistema de ventilação é mau, a iluminação escassa. As altas temperaturas do Verão, o tempo excessivo de exposição solar no Topo Norte, o que motiva que o lado Sul chegue a ter uma diferença na ordem dos 10 graus”, são os problemas estruturais comummente apresentados como justificação para que os relvados (6 em sete anos) de Alvalade não terem qualidade. Estas afirmações fazem sentido?

Estas afirmações fazem sentido. Os problemas registados no verão na metade Norte são replicados no inverno na metade Sul, embora com outra natureza, por falta de luz solar. Deve-se no entanto dizer que estes problemas são comuns à maior parte dos estádios modernos, diferindo de caso para caso conforme forem as condições construtivas de cada um e climatéricas de cada local. 

Essas condições impedem em definitivo a colocação e manutenção de um bom relvado ou há procedimentos capazes contornar essas dificuldades?

Há diversos tipos de actuação que podem ser levados a cabo, e que já foram testados noutros estádios. Por exemplo, há baterias de ventoinhas que se colocam ao nível do relvado  para promover o arejamento, e sistemas de iluminação, também ao nível do relvado, para que se faça a foto-síntese e se criem assim condições para o bom crescimento da relva. 

Se o argumentos do calor e da diferente exposição solar são válidos, como é possível que em cidades como Sevilha e Madrid, e em estádios também fechados como o Olímpico e o Barnabéu não existam problemas semelhantes?

Não existem esses problemas noutros locais semelhantes porque foram encontradas as soluções adequadas, e a qualidade da manutenção será diferente. 

A vossa empresa é responsável pelos melhores relvados actualmente em Portugal, como são os casos dos estádios do FCP, SLB e SCB. O estádio do Dragão e de Braga são, do ponto de vista da arquitectura, da localização e do clima, distintos do de Alvalade. Mas o estádio do SLB tem as mesmas condições climáticas. A diferença entre os relvados resultará das diferenças arquitecturais? 

Em primeiro lugar, queria informar que a nossa empresa já não é responsável pelo relvado do Estádio de Braga há bastante tempo, por a Câmara local ter decidido utilizar meios próprios. Em todo o caso, consultam-nos com alguma frequência. Devemos reconhecer que as condições arquitectónicas em Braga e no Dragão são diferentes para melhor, por se tratarem de espaços mais arejados. Quanto ao Estádio da Luz, tem condicionantes semelhantes às de Alvalade, embora o estádio, por ser maior, não seja tão fechado. Em todo o caso, também na Luz medimos diferenças de temperatura assinaláveis, e testemunhamos problemas distintos no relvado conforme o local. Há que cuidar da manutenção tendo em conta esses factores.

Quanto tempo de utilização têm estes relvados de que falamos e dos quais são responsáveis?

O relvado do Dragão foi construído em 2003, e daí para cá já foi mudado total ou parcialmente por mais de uma vez, tendo a última ocorrido no defeso de 2009. As substituições foram efectuadas não por o relvado não estar em boas condições, mas em consequência de eventos que o inutilizaram (concerto e corrida dos campeões). Quanto ao Estádio da Luz, começamos o nosso trabalho no início da época 2009/2010, e no último defeso procedemos à substituição integral do relvado por a superfície do anterior se encontrar bastante irregular. Um relvado natural, uma vez instalado, e sendo bem mantido, tem uma longa duração.

O facto de o clima no Norte do País ser tradicionalmente mais chuvoso, mas, em contrapartida, ter menos horas de sol, é uma vantagem ou inconveniente para o vosso trabalho quando lidam com essas duas realidades distintas?

É naturalmente uma desvantagem nos meses de inverno. Um relvado jogado à chuva sofre maior desgaste, e as temperaturas mais baixas com menos sol desfavorecem a sua recuperação. Nos meses de verão, as temperaturas menos altas poderão ser vantajosas, mas o que acontece é que são suficientemente altas, e com elevado grau de humidade, para provocar o aparecimento de doenças. 

Em Janeiro deste ano, no período de grande invernia, o relvado da Luz apresentava problemas bem evidentes. Mas a sua recuperação acabou por acontecer e quase passou despercebida. Parece-lhe possível realizar trabalho semelhante em Alvalade sem remover o relvado actual?

Não podemos emitir uma opinião definitiva sem proceder a uma inspecção, mas em princípio não deverá haver problemas que impeçam a sua recuperação. O que aconteceu na Luz no início do ano foi a consequência do relvado não ter sido devidamente recuperado durante o defeso, e ainda da natureza do relvado que então existia. Só iniciamos o nosso trabalho em cima do início da época.

Há diferenças entre a aplicação/sementeira de um relvado no Verão ou no Inverno? Quais?  

A diferença essencial que existe é que um relvado durante o Inverno cresce mais devagar, o que significa que no caso da replacagem o desenvolvimento das raízes é mais lento, e no da sementeira acontece o mesmo com o estabelecimento das novas plantas. O mesmo acontece com a sua recuperação pós cada utilização. É ainda necessário notar que a replacagem exige rotinas de manutenção  distintas.

Estas diferenças podem ser controladas por aditivos hormonais ou são meramente ambientais?  

Como se diz atrás, as diferenças são provocadas pelo clima. Importa por isso programar tratamentos que as tenham em conta, e que sejam dirigidos para suplantar as dificuldades de cada momento. 

Há soluções mistas entre sintético e natural, ou as opções são unicamente entre lidar com a natureza e o industrial?  

Não há nenhuma solução mista, com excepção do sistema Desso Grassmaster, que já foi aliás instalado em Alvalade. Trata-se de uma solução em relva natural, com implantação de fibras sintéticas que visam dar maior estabilidade ao relvado. 

Pela vossa experiência o sistema de drenagem do Estádio José de Alvalade é eficaz?

O sistema de drenagem do Estádio de Alvalade foi por nós construído, e ficou totalmente eficaz. Penso que nunca foi mexido, mas desconheço se existem colmatações provocadas pelas diferentes intervenções no relvado. A este respeito, deve-se notar que os problemas de drenagem existem frequentemente na camada superficial do relvado, por falta de manutenção adequada, e não no sistema de drenagem propriamente dito.

A RED esteve ligada ao primeiro relvado do estádio de Alvalade, lembrando-se ainda os Sportinguistas do jogo inaugural, onde se viu muita relva solta. Terá sido na sequência desses acontecimentos que terminou o fim da vossa relação com o clube. Pode dar-nos a vossa versão dos acontecimentos? 

A RED teve a seu cargo a construção do relvado original do Estádio de Alvalade, no verão de 2003. Esse verão foi anormalmente quente, razão pela qual o estabelecimento do relvado não ocorreu no espaço de tempo previsto. Por outro lado, o Clube necessitou de o utilizar antes de estar pronto, por razões de calendário. Gerou-se assim uma situação de conflito, que levou à nossa saída antecipada da obra. O SCP resolveu nessa altura proceder à sua substituição integral por um outro relvado, baseado num sistema de relva natural com implantação de fibras sintéticas, solução esta que, apesar do seu elevado preço, não se revelou duradoura.

A semana passada o especialista Lafayete Machado, dizia à RR que "se o Sporting decidir pelo artificial está a cometer um grave erro… porque o que tem acontecido é que não acertou com as pessoas certas, para ter um relvado de excelência em Alvalade." Quer comentar esta afirmação?

O comentário que nos merece é de concordância, porque é evidente para toda a gente que um relvado sintético nunca é idêntico a um natural. Estamos particularmente à vontade para o afirmar, porque construímos indiferentemente relvados dos dois tipos, ao contrário do que acontece com quem apregoa insistentemente as vantagens dos relvados sintéticos. De resto, a análise do que acontece em todas as 1ªs Ligas Europeias demonstra isso mesmo. A pergunta que faço é: se no Reino Unido vemos relvados naturais impecáveis em Estádios fechados, com condições climatéricas de Inverno muito mais adversas, porque será?

Se o Sporting contactasse a vossa empresa, ou abrisse um concurso para a colocação de um relvado natural, onde o contrato incluísse cláusulas indemnizatórias em caso de insucesso, a RED estaria disposta a apresentar propostas?

Não nos podemos naturalmente pronunciar sobre perguntas hipotéticas, cujo conteúdo carece de ser concretizado. O SCP conhece o trabalho que temos desenvolvido no FCP e no SLB, pelo que daí poderá concluir se tem ou não interesse em conhecer a nossa opinião.

Quando se fala de diferenças de custos entre relvados sintéticos e relvados naturais estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um custo de construção que é de 2 ou 3 para 1, dependendo da base que for escolhida. 

Confirma a veracidade dos estudos que indicam que os relvados naturais tendem a proporcionar mais lesões do tipo ligamentares, ocorrendo nos sintéticos mais lesões musculares e meniscais?

Não estou em condições de confirmar, porque nem sou médico desportivo, nem tenho dados estatísticos para isso. Parece-me porém evidente que a maior dureza dos relvados sintéticos não poderá deixar de ser prejudicial para todas as lesões que envolvam desgaste das articulações, tendinites, etc. 

Vivemos uma época de aparente transição. De um lado os que recusam liminarmente os sintéticos, do outro os que apontam o sintético como o futuro, sobretudo pelos inconvenientes trazidos pelos estádios mais recentes. Pode-nos dar a sua perspectiva sobre a matéria?

A perspectiva que tenho é simples: dos pontos de vista ambiental e estético, o relvado natural é bem preferível; do das condições de jogo, idem aspas. Os custos de construção do sintético são maiores, e de manutenção menores. Por outro lado, o relvado sintético admite maiores cargas de utilização, o que é benéfico no caso dos clubes pequenos que não possuem áreas suficientes para treinos, especialmente para a formação.

Concluindo e fazendo jus ao titulo deste artigo acredita que é possível os Sportinguistas verem em Alvalade um relvado muito bom e simultaneamente natural?
Claro que sim!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Relvado superlativo absoluto analitico e natural

O “ANortedeAlvalade estabeleceu um compromisso com os seus leitores visando proporcionar-lhes uma base de conhecimentos que lhes permita, com o devido uso do imprescindível sentido crítico, avaliar o que está realmente em causa quando se fala no relvado de Alvalade. Continue ele a ser natural, ou venha ele a ser sintético.

Acredito que os Sportinguistas se encontrem cansados de ver passar os anos sem verem resolvidos de forma cabal o problema do relvado, bem como desorientados com o desfilar de opiniões de especialistas com resultados nulos. E, um pouco à semelhança do que acontece os restantes assuntos que envolvem o clube, os Sportinguistas voltem as costas àquilo que não conseguem compreender, deixando o campo aberto a decisões que depois não se cansam de lamentar.

Tal como dizia há dias aqui, continuo a pensar que o Sporting tudo deveria fazer por ter um relvado natural. Por alguma razão se chama natural. E porque, como diz o bom senso, é no mínimo estranho que, existindo pelo mundo fora estádios em situações idênticas, ou até mais severas do que o Estádio de Alvalade, só o nosso problema parece insolúvel.

Ouvimos anteriormente um especialista em relvados sintéticos, representante de uma solução elogiada pelos seus utilizadores. Nesse lote está incluindo Vítor Golas, profissional dos quadros do Sporting, e por isso conhecedor da realidade do Bessa e de Alcochete. Fazia sentido por isso ouvir alguém que representasse o que de melhor se faz a nível nacional em relvados naturais. Essa empresa é a RED, que neste momento tem a seu cargo os relvados do FCP e do SLB, tendo voltado a assumir há 3 meses a recuperação do relvado do estádio de Aveiro.

Quem viu o relvado do estádio da Luz há 2 anos e conhece o actual, ou quem viu o clássico do passado domingo, tem a imagem que me poupará as tal mil palavras. Acresce ainda o facto de a RED ter sido a primeira empresa a instalar um relvado no actual Alvalade, em 2003. É por isso estranho que em todo o processo mediático que se seguiu à declaração de Bettencourt nunca a comunicação social tenha auscultado a sua opinião. É essa falha que também julgamos agora suprir.

Fomos amavelmente recebidos pelo Eng.º Álvaro Bastos, sócio gerente da RED, cuja entrevista partilhamos agora com os leitores do ANortedeAlvalade”. Apesar da forma como terminou a ligação da sua empresa ao Sporting, o Eng.º Álvaro Bastos saliento a forma elevada como sempre abordou a passagem da sua empresa por Alvalade. 


 ENTREVISTA

“Alvalade tem as bancadas demasiado inclinadas, o sistema de ventilação é mau, a iluminação escassa. As altas temperaturas do Verão, o tempo excessivo de exposição solar no Topo Norte, o que motiva que o lado Sul chegue a ter uma diferença na ordem dos 10 graus”, são os problemas estruturais comummente apresentados como justificação para que os relvados (6 em sete anos) de Alvalade não terem qualidade. Estas afirmações fazem sentido?

Estas afirmações fazem sentido. Os problemas registados no verão na metade Norte são replicados no inverno na metade Sul, embora com outra natureza, por falta de luz solar. Deve-se no entanto dizer que estes problemas são comuns à maior parte dos estádios modernos, diferindo de caso para caso conforme forem as condições construtivas de cada um e climatéricas de cada local.

Essas condições impedem em definitivo a colocação e manutenção de um bom relvado ou há procedimentos capazes contornar essas dificuldades?

Há diversos tipos de actuação que podem ser levados a cabo, e que já foram testados noutros estádios. Por exemplo, há baterias de ventoinhas que se colocam ao nível do relvado  para promover o arejamento, e sistemas de iluminação, também ao nível do relvado, para que se faça a foto-síntese e se criem assim condições para o bom crescimento da relva. 

Se o argumentos do calor e da diferente exposição solar são válidos, como é possível que em cidades como Sevilha e Madrid, e em estádios também fechados como o Olímpico e o Barnabéu não existam problemas semelhantes?

Não existem esses problemas noutros locais semelhantes porque foram encontradas as soluções adequadas, e a qualidade da manutenção será diferente. 

A vossa empresa é responsável pelos melhores relvados actualmente em Portugal, como são os casos dos estádios do FCP, SLB e SCB. O estádio do Dragão e de Braga são, do ponto de vista da arquitectura, da localização e do clima, distintos do de Alvalade. Mas o estádio do SLB tem as mesmas condições climáticas. A diferença entre os relvados resultará das diferenças arquitecturais?  
Em primeiro lugar, queria informar que a nossa empresa já não é responsável pelo relvado do Estádio de Braga há bastante tempo, por a Câmara local ter decidido utilizar meios próprios. Em todo o caso, consultam-nos com alguma frequência. Devemos reconhecer que as condições arquitectónicas em Braga e no Dragão são diferentes para melhor, por se tratarem de espaços mais arejados. Quanto ao Estádio da Luz, tem condicionantes semelhantes às de Alvalade, embora o estádio, por ser maior, não seja tão fechado. Em todo o caso, também na Luz medimos diferenças de temperatura assinaláveis, e testemunhamos problemas distintos no relvado conforme o local. Há que cuidar da manutenção tendo em conta esses factores.

Quanto tempo de utilização têm estes relvados de que falamos e dos quais são responsáveis?

O relvado do Dragão foi construído em 2003, e daí para cá já foi mudado total ou parcialmente por mais de uma vez, tendo a última ocorrido no defeso de 2009. As substituições foram efectuadas não por o relvado não estar em boas condições, mas em consequência de eventos que o inutilizaram (concerto e corrida dos campeões). Quanto ao Estádio da Luz, começamos o nosso trabalho no início da época 2009/2010, e no último defeso procedemos à substituição integral do relvado por a superfície do anterior se encontrar bastante irregular. Um relvado natural, uma vez instalado, e sendo bem mantido, tem uma longa duração.

O facto de o clima no Norte do País ser tradicionalmente mais chuvoso, mas, em contrapartida, ter menos horas de sol, é uma vantagem ou inconveniente para o vosso trabalho quando lidam com essas duas realidades distintas?

É naturalmente uma desvantagem nos meses de inverno. Um relvado jogado à chuva sofre maior desgaste, e as temperaturas mais baixas com menos sol desfavorecem a sua recuperação. Nos meses de verão, as temperaturas menos altas poderão ser vantajosas, mas o que acontece é que são suficientemente altas, e com elevado grau de humidade, para provocar o aparecimento de doenças. 

Em Janeiro deste ano, no período de grande invernia, o relvado da Luz apresentava problemas bem evidentes. Mas a sua recuperação acabou por acontecer e quase passou despercebida. Parece-lhe possível realizar trabalho semelhante em Alvalade sem remover o relvado actual?

Não podemos emitir uma opinião definitiva sem proceder a uma inspecção, mas em princípio não deverá haver problemas que impeçam a sua recuperação. O que aconteceu na Luz no início do ano foi a consequência do relvado não ter sido devidamente recuperado durante o defeso, e ainda da natureza do relvado que então existia. Só iniciamos o nosso trabalho em cima do início da época.

Há diferenças entre a aplicação/sementeira de um relvado no Verão ou no Inverno? Quais?  

A diferença essencial que existe é que um relvado durante o Inverno cresce mais devagar, o que significa que no caso da replacagem o desenvolvimento das raízes é mais lento, e no da sementeira acontece o mesmo com o estabelecimento das novas plantas. O mesmo acontece com a sua recuperação pós cada utilização. É ainda necessário notar que a replacagem exige rotinas de manutenção  distintas.

Estas diferenças podem ser controladas por aditivos hormonais ou são meramente ambientais?  

Como se diz atrás, as diferenças são provocadas pelo clima. Importa por isso programar tratamentos que as tenham em conta, e que sejam dirigidos para suplantar as dificuldades de cada momento. 

Há soluções mistas entre sintético e natural, ou as opções são unicamente entre lidar com a natureza e o industrial?  

Não há nenhuma solução mista, com excepção do sistema Desso Grassmaster, que já foi aliás instalado em Alvalade. Trata-se de uma solução em relva natural, com implantação de fibras sintéticas que visam dar maior estabilidade ao relvado. 

Pela vossa experiência o sistema de drenagem do Estádio José de Alvalade é eficaz?

O sistema de drenagem do Estádio de Alvalade foi por nós construído, e ficou totalmente eficaz. Penso que nunca foi mexido, mas desconheço se existem colmatações provocadas pelas diferentes intervenções no relvado. A este respeito, deve-se notar que os problemas de drenagem existem frequentemente na camada superficial do relvado, por falta de manutenção adequada, e não no sistema de drenagem propriamente dito.

A RED esteve ligada ao primeiro relvado do estádio de Alvalade, lembrando-se ainda os Sportinguistas do jogo inaugural, onde se viu muita relva solta. Terá sido na sequência desses acontecimentos que terminou o fim da vossa relação com o clube. Pode dar-nos a vossa versão dos acontecimentos? 

A RED teve a seu cargo a construção do relvado original do Estádio de Alvalade, no verão de 2003. Esse verão foi anormalmente quente, razão pela qual o estabelecimento do relvado não ocorreu no espaço de tempo previsto. Por outro lado, o Clube necessitou de o utilizar antes de estar pronto, por razões de calendário. Gerou-se assim uma situação de conflito, que levou à nossa saída antecipada da obra. O SCP resolveu nessa altura proceder à sua substituição integral por um outro relvado, baseado num sistema de relva natural com implantação de fibras sintéticas, solução esta que, apesar do seu elevado preço, não se revelou duradoura.

A semana passada o especialista Lafayete Machado, dizia à RR que "se o Sporting decidir pelo artificial está a cometer um grave erro… porque o que tem acontecido é que não acertou com as pessoas certas, para ter um relvado de excelência em Alvalade." Quer comentar esta afirmação?

O comentário que nos merece é de concordância, porque é evidente para toda a gente que um relvado sintético nunca é idêntico a um natural. Estamos particularmente à vontade para o afirmar, porque construímos indiferentemente relvados dos dois tipos, ao contrário do que acontece com quem apregoa insistentemente as vantagens dos relvados sintéticos. De resto, a análise do que acontece em todas as 1ªs Ligas Europeias demonstra isso mesmo. A pergunta que faço é: se no Reino Unido vemos relvados naturais impecáveis em Estádios fechados, com condições climatéricas de Inverno muito mais adversas, porque será?

Se o Sporting contactasse a vossa empresa, ou abrisse um concurso para a colocação de um relvado natural, onde o contrato incluísse cláusulas indemnizatórias em caso de insucesso, a RED estaria disposta a apresentar propostas?

Não nos podemos naturalmente pronunciar sobre perguntas hipotéticas, cujo conteúdo carece de ser concretizado. O SCP conhece o trabalho que temos desenvolvido no FCP e no SLB, pelo que daí poderá concluir se tem ou não interesse em conhecer a nossa opinião.

Quando se fala de diferenças de custos entre relvados sintéticos e relvados naturais estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um custo de construção que é de 2 ou 3 para 1, dependendo da base que for escolhida. 

Confirma a veracidade dos estudos que indicam que os relvados naturais tendem a proporcionar mais lesões do tipo ligamentares, ocorrendo nos sintéticos mais lesões musculares e meniscais?

Não estou em condições de confirmar, porque nem sou médico desportivo, nem tenho dados estatísticos para isso. Parece-me porém evidente que a maior dureza dos relvados sintéticos não poderá deixar de ser prejudicial para todas as lesões que envolvam desgaste das articulações, tendinites, etc. 

Vivemos uma época de aparente transição. De um lado os que recusam liminarmente os sintéticos, do outro os que apontam o sintético como o futuro, sobretudo pelos inconvenientes trazidos pelos estádios mais recentes. Pode-nos dar a sua perspectiva sobre a matéria?

A perspectiva que tenho é simples: dos pontos de vista ambiental e estético, o relvado natural é bem preferível; do das condições de jogo, idem aspas. Os custos de construção do sintético são maiores, e de manutenção menores. Por outro lado, o relvado sintético admite maiores cargas de utilização, o que é benéfico no caso dos clubes pequenos que não possuem áreas suficientes para treinos, especialmente para a formação.

Concluindo e fazendo jus ao titulo deste artigo acredita que é possível os Sportinguistas verem em Alvalade um relvado muito bom e simultaneamente natural?

Claro que sim!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Karma leonino

O pior que tem acontecido ao Sporting nos últimos anos é os Sportinguistas só acordarem depois do facto consumado. E muitos deles não perceberem que não é da responsabilidade de nenhum mau Karma ou maldição a sucessão de reveses, com vexames pelo meio. Esse é um sintoma de evidente debilidade do espírito leonino tal como o conhecíamos e o certificado de longevidade para a desresponsabilização. Os desaires estão para o Sporting como a dividida soberana para Portugal: não têm pai nem mãe nem familiares conhecidos. 

O que sucedeu ontem foi apenas mais um episódio entre muitos. Não foi apenas a expulsão ridícula de Maniche, a imagem da experiência que se procurava para colmatar o excesso de juventude. Ela apressou apenas o que o treinador se preparava para fazer acontecer. Tirar Coelho e Zapater da cartola partiu a equipa e estendeu o tapete ao Guimarães. Com Paulo Sérgio esta equipa não passará de um espectáculo de “cascadeur” preso a um show repetitivo, incapaz de ler as mudanças do jogo ou de ser adaptar às circunstâncias. Do entusiasmo de muitos, que nunca partilhei, resta agora o enjoo e o fastio.

O conformismo em breve tomará o lugar da indignação. Por isso desvalorizo as reacções de circunstância, de muitos que, durante os meses que antecederam esta época ou a época transacta, preferiram atirar a matar sobre os avisos que poucos iam lançando, recusando-se a ver o óbvio e a parar um segundo que fosse para pensar.

Não era altura de finalmente percebermos que não foi o azar que geriu mal o património imobiliário, que construiu um estádio de azulejaria de gosto duvidoso e sobre o qual já nem a totalidade dos direitos possuímos? Que não é por azar que hoje somos menos num estádio novo mas cheio de problemas, que não temos pavilhão, ou que somos desconsiderados ou ignorados pelas entidades oficiais, parceiros e ou patrocinadores, ou que os resultados desportivos são os que se sabem, o passivo cresce mas o património diminui?

O relvado é apenas mais um dos muitos problemas cuja resolução se arrasta e que qualquer dia entrará no anedotário nacional. Na semana passada publicamos aqui uma entrevista de um profissional especializado em relvados sintéticos. Pareceu-nos essa a prioridade, tendo em conta as declarações presidenciais e imposição feita pela a agenda mediática. Mais ainda por representar uma solução certificada pelos profissionais que a utilizam, não ignorando que o SLB a utiliza cada vez que se desloca ao Norte do País.

Desde a semana passada que temos pronta uma entrevista com um representante de uma empresa especializada em relvados naturais e que, pelo trabalho realizado, é considerada uma referência na matéria. Com a publicação dessa entrevista fecharemos um capítulo, no qual procuramos dar aos Sportinguistas as ferramentas necessárias formarem um juízo sobre um processo que, a não ser bem trabalhado, pode acarretar consequências que, em última análise, resultarão em mais uma agressão ao orgulho leonino.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Relvado superlativo absoluto sintético

Satisfazendo o compromisso com os nossos leitores, debruçamo-nos hoje sobre o assunto que tem ocupado grande parte das conversas entre os Sportinguistas: que soluções para o relvado de Alvalade. Pretendemos com este trabalho que todos saibam do que falam e do que está em jogo quando se pronunciarem sobre relvados sintéticos. Apesar de existirem há muitos anos, pouco se sabe acerca desta tecnologia, embora quase todos tenham uma ideia formada sobre o assunto.

Se o Sporting vai ter um piso sintético pois que tenha o melhor. A que é tida como modelo de referência no mercado mundial é precisamente a que está instalada no estádio do Bessa. Para nos explicar tudo sobre o que são as alternativas existentes aos relvados naturais hoje à disposição dos clubes entendi consultar a Global Stadium, a empresa responsável pela solução. Para isso contei com a prestimosa colaboração do Eng.º Luís Botas, técnico e sócio gerente da empresa.

Quando estabelecemos os primeiros contactos ainda não se tinha desencadeado o processo mediático que hoje envolve este assunto. Lembro que esta questão já aqui havia sido levantada há cerca de um ano,  através de um artigo do Gabriel Almeida. Pode-se dizer que de certa forma o “ANortedeAlvalade” acabou por ser ultrapassado pelos acontecimentos, uma vez que a nossa produção é artesanal e amadora. No entanto, julgo que a pertinência desta entrevista se mantém, porque foi realizada focada nas preocupações e nas questões que hoje assolam os adeptos, que é o que nós somos afinal.

No seguimento desta entrevista contávamos entrevistar Vítor Golas, mas a suas opiniões foram já largamente difundidas e não faria muito sentido repeti-las aqui. Assim, para uma abordagem independente de um profissional, colocámos ao Dr. Jorge Pinto Sousa, responsável pelo Departamento Médico do Boavista. 2 questões. Pareceu-nos o elemento ideal para ajudar a esclarecer as muitas interrogações que os sintéticos ainda suscitam relativamente a lesões.

Para uma segunda fase contamos apresentar aos leitores uma outra abordagem técnica, de uma empresa também ela referência na construção e manutenção de relvados, para que os Sportinguistas tenham uma visão abrangente da problemática relativa ao relvado de Alvalade.

Questões colocadas ao Eng.º Luis Botas:

Do que estamos a falar quando falamos de relvados artificiais?
Não é fácil dividir os relvados artificiais por “tipo”. Prefiro falar em sistemas de relva sintética, que no seu todo abrangem a base, as suas redes de drenagem e rega, a relva propriamente dita e o respectivo material de enchimento. Para cada um dos componentes existem várias opções que, em conjunto, e depois de bem instaladas, deverão funcionar da forma mais aproximada a um bom relvado natural.

Sei que conheceu in loco o relvado do estádio Luzniki. É de algo semelhante que estaríamos a falar para o estádio de Alvalade ou , p.ex. dos relvados que existem hoje na Academia?
Entendo que a solução que está instalada no Estádio Olímpico de Moscovo não é a melhor solução que o mercado oferece. E a minha opinião tem por fundamento as opiniões avalizadas de quem joga ou lida diariamente com campos dotados de granulado de borracha (incluindo o Luzhniki) e em campos com Geofill, como o do Bessa e o Silvio Piola (Novara)*. Mas para um clube com a dimensão do Sporting será fácil auscultar essas e muitas mais opiniões. O Sporting, porque a sua grandiosidade facilita os contactos, chegará onde for necessário para alicerçar a decisão que tomar.

Não é por acaso que, depois de visitarem o Estádio do Bessa, os responsáveis do Luzhniki de imediato encetaram contactos com a Italgreen para apresentar proposta para a substituição do actual relvado (com granulado de borracha) pela solução com Geofill.

Deve ser dada a oportunidade de opinar aos profissionais que já experimentaram relvados com Geofill, como o do Bessa, e relvados com Granulado de Borracha, como o Luzhniki. Ainda hoje falei pessoalmente com o Victor Golas, que me disse que o relvado do Bessa é incomparavelmente superior a qualquer outro em que já tivesse jogado! Perguntem ao treinador do Boavista se prefere o relvado sintético com cargas de enchimento de Granulado de Borracha ou de Geofill.

Sobre a pergunta que faz acerca dos campos da academia, sei que são com granulado de borracha, da marca do que está instalado no Luzhniki. Não sei se é o mesmo modelo de relva. Estes relvados, com granulado de borracha, já vulgares e acessíveis ao uso público, são e continuarão a ser uma solução passível de preencher os requisitos necessários à obtenção de certificado FIFA DUAS ESTRELAS, pelo que serão superfícies, se bem instaladas, passíveis de ser utilizadas por futebolistas profissionais. Mas compreendam que estamos a falar do Estádio José Alvalade! E esse merece o que os profissionais mais gostam! E estes, segundo TODAS as opiniões que me chegam, são amplamente favoráveis aos relvados com cargas de Geofill.

Sinto-me perfeitamente à vontade para abordar este assunto. Dos 10 relvados detentores de certificado FIFA DUAS ESTRELAS em Portugal, a Global Stadium foi responsável pela instalação de 8. E desses 8, 7 foram executados com cargas de enchimento de granulado de borracha. Tal facto prende-se com a questão económica. Os nossos clientes são, sobretudo, clubes não profissionais. Pela sua dimensão, a disponibilidade financeira para optarem por uma solução com Geofill é inferior. Não é por acaso que só agora estamos, em Portugal, a construir o 2.º campo de futebol 11 com Geofill, no Barreiro (a obra ainda está muito atrasada). Entretanto já construímos um em Cabo Verde e outro em Angola. Podem facilmente ver as imagens destes no nosso facebook.

O estádio de Alvalade já teve um relvado em que parte da sua constituição era sintética, á semelhança do que possuía então o Real Madrid. Falamos de algo que se lhe assemelha?
Não. A solução que preconizo não está dotada de relva natural, como o sistema DD Grassmaster em tempos instalado no Estádio José Alvalade. Entendo que este, numa fase inicial, poderá ser uma boa solução. O problema surge quando, no intuito de promover a manutenção das performances de drenagem e a maior duração e qualidade da relva natural constituinte do sistema, se torna necessário promover o arejamento da base que o sustenta. A impossibilidade de realizar, por exemplo, uma furação, leva a que, num curto espaço de tempo a superfície de jogo perca a capacidade drenante. Quem não se lembra do jogo do Porto em Madrid, realizado há já alguns anos, em que o relvado da Santiago Bernabéu mais parecia um lago? Essa evolutiva diminuição irreversível da capacidade drenante impede, como é lógico, o bom desenvolvimento e a boa resistência das plantas que são parte integrante da superfície.

A solução que entendo ideal passa pela instalação de relva 100% sintética, com cargas de fibras orgânicas (Geofill). Na composição do Geofill não entra a cortiça, como já vi insinuarem. Visitei há pouco tempo um relvado em Itália com essa solução. Tinha chovido uns dias antes… e a cortiça estava a boiar. Ao contrário, o relvado do Bessa ultrapassou com distinção o Inverno rigoroso que atravessamos e a semana que passou, farta em chuvas intensas.

O estádio do Bessa é uma espécie de bandeira da vossa companhia. Mas, para lá desse caso emblemático, não se conhecem outros. Talvez por isso os relvados sintéticos são associados apenas como solução de recurso de equipas de escalões de formação ou secundários. Acha possível inverter esse estatuto?
Essa é uma tendência incontornável. O Geofill permitiu mudar a reacção dos mais exigentes profissionais em relação aos relvados sintéticos. Será uma questão de tempo! Não podemos ignorar o feedback extremamente positivo de quem já experimentou o Bessa. A dimensão positiva da reacção aumenta quando se refere, como termo de comparação, qualquer relvado com granulado de borracha.

Nunca me ouvirão dizer que a relva sintética é melhor que um excelente relvado natural. Este é e será sempre a superfície ideal. Mas só acessível a quem pode dar-se ao luxo de ter um estádio disponível para ser utilizado pouco mais de uma vez por semana. E, mesmo assim, com custos de manutenção avultados. E, mesmo assim, porque falamos de seres vivos que requerem adaptação ao ambiente em que se inserem, poderá não ser viável, como se conclui ser o caso do Estádio José de Alvalade.

Mas creiam que a relva sintética com cargas de Geofill é melhor que grande parte dos relvados da nossa Liga Sagres. E mantém as condições ideais para a prática de bom futebol. Não acham estranho que na época passada equipas do nosso principal escalão, em dias de maior intensidade pluviométrica, tenham pedido ao Boavista para ir lá treinar? (Naval, Rio Ave e Leixões são os exemplos que conheço). E alguns repetiram a experiência. Atendendo à objecção de consciência que, por defeito, existe por parte dos profissionais em relação aos sintéticos, é de realçar esta preferência: No caso do Rio Ave, que até tem um relvado sintético de treinos (com granulado de borracha), é de realçar o facto de fazerem 30Km + 30Km para ir ao Bessa, quando podiam treinar em casa. Se não fosse pela qualidade, seria muito mais simples pedir a uma equipa para ir fazer um jogo treino ao seu próprio sintético. Sinto-me perfeitamente à vontade para falar sobre este caso porque também fui eu que o construí.

Os relvados sintéticos são frequentemente associados a lesões. Umas a nível traumático, por se tratar de um piso duro e por “prender as chuteiras”, outros do tipo abrasivas, causadas pelo material de que são constituídos. Essa associação faz sentido ou não?
O estudo a que tive acesso conclui que as lesões que não obrigam a paragem prolongada são mais frequentes em relvados sintéticos. Conclui o mesmo estudo que as lesões mais graves, associadas a paragens prolongadas, são mais frequentes em relva natural.

A dureza dos pisos sintéticos aumenta ao longo do tempo de uso, mas é facilmente resolúvel com uma operação de descompactação. Temos que nos convencer que a relva sintética, apesar de menos onerosa em termos de manutenção, não pode passar sem ser devidamente cuidada. E a natureza desses cuidado inclui, entre outras intervenções periódicas, a operação de descompactação. Todos os fabricantes que conheço a referem no seu manual de manutenção! E também a relva natural deve ser periodicamente descompactada! Neste caso não só por motivos inerentes ao conforto da superfície, mas também pela necessária promoção da melhor drenagem e do melhor desenvolvimento das plantas.

Outro inconveniente associado à utilização do relvado artificial é o comportamento diferente da bola, descrita habitualmente como mais saltitante e deslizando de forma diferente que no relvado natural. O que nos pode dizer sobre isso?
A interacção entre a bola e a superfície de jogo (rolamento, ressalto, comportamento angular, entre outros) faz parte dos requisitos objecto de análise por laboratórios acreditados, e são de preenchimento essencial para obtenção do certificado da FIFA. Os valores obtidos deverão situar-se em intervalos admissíveis que são comparáveis ao relvado natural, usado como referência.

É lógico que têm que existir diferenças entre os sintéticos e os naturais. Mas essas são, fruto da tal objecção de consciência, demasiado empoladas. Os relvados sintéticos evoluíram muitíssimo, provocando já a opinião favorável de muitos profissionais. E o grande passo nesse sentido foi o aparecimento do Geofill!

Como se comporta o relvado artificial perante a chuva intensa, como por exemplo as verificadas no jogo em Coimbra, entre a Académica e o FCPorto?
De certeza que se comportaria bem, dando todas as condições para a prática de futebol. Estou certo de que estamos a falar de um dia impróprio para a prática de futebol. Não tenho valores, mas acredito que tenham caído bastantes mm de água por m2, à semelhança do que aconteceu também nos dias anteriores. Ouvi as declarações do Renato Queirós a uma rádio, dando conta de que o relvado do Bessa se manteve excelente para a prática de futebol.

Importa aqui realçar que esse é um dos factos que justifica a minha normal referência a “sistemas de relva sintética”, e não a “relvas sintéticas”. A melhor relva, bem instalada, mas sobre uma base mal executada, ou com problemas de drenagem, não funciona bem, sobretudo em dias de maior pluviosidade. Temos que olhar para um relvado como um conjunto de peças que deverão encaixar na perfeição. Imaginem um Mercedes com pneus de triciclo… Aproveitando a comparação com a indústria automóvel, fará sentido dizer que o Geofill é a direcção assistida, hoje em dia essencial a qualquer profissional que viva da condução!

Os custos de instalação e manutenção de um relvado artificial diferem em muito de um natural?
Sim, diferem. Os custos de instalação de um relvado sintético são consideravelmente superiores aos de um relvado natural. Os custos de manutenção são, por sua vez, muitíssimo inferiores.

Sendo uma tecnologia muito recente que longevidade se pode esperar de um produto como o vosso?
Considerando a boa execução das operações de manutenção, entendo que podemos assegurar uma longevidade mínima de 8 a 10 anos.

O Sporting utilizou várias vezes o seu estádio para a realização de concertos. Mas os prejuízos daí resultantes desaconselharam essa prática. Com um relvado artificial o Sporting poderá ver regressar esse tipo de eventos e, consequentemente, receitas extraordinárias?
Claro que sim!

Quanto tempo demora a ficar disponível para a prática desportiva um relvado artificial, após a utilização massiva como a de um concerto?
Entre 3 e 4 dias após a desmobilização do palco. Tão só precisamos do tempo necessário à boa execução de uma intervenção de manutenção extraordinária.

Há pouco tempo o treinador do Boavista lamentou a excessiva dureza do piso do Bessa. O que tem a dizer sobre isso?
Abordei esta questão em resposta a pergunta anterior. Posso reafirmar que esse problema não existe. A descompactação faz parte do plano de manutenção de qualquer relvado.

Quem lê o vosso site na secção de testemunhos verifica que nomes de profissionais reputados, jogadores ou treinadores como Sérgio Conceição, Paneira, Moreira, Zé Mota, Pacheco, etc, são pródigos em elogios ao vosso produto. Num meio como o futebol, onde a suspeição é um facto quase diário, não teme que tantos encómios possam ser mal interpretados ou é apenas bom trabalho de casa?
As reacções são desinteressadas e emitidas por pessoas que, melhor que ninguém, e por todo o passado que têm, podem dar uma opinião avalizada. E o bom-nome que têm merece respeito. Será que as opiniões só são credíveis se forem desfavoráveis?

O estádio de Alvalade é um dos estádios de elite do futebol europeu e onde se podem vir a realizar jogos para o Mundial Ibérico.O estádio pode perder esse estatuto e, em consequência ser afastado do evento?
Não! Talvez esse receio faça sentido com o relvado actual! Acreditem que a solução que defendo é a melhor para Alvalade, e que agradará a todos os que a usarem!

É verídica a informação de que a homologação do relvado a ser levada a efeito pela FiFA se pode arrastar por 6 meses?
Não!!! Nem pensar nisso! A FIFA é extremamente eficaz e célere no processo de certificação. Dos imensos campos cuja construção me foi confiada ao longo dos anos, 13 foram merecedores da intenção de certificação por parte do Dono de Obra. Desses 13, todos passaram com sucesso nos ensaios de aferição dos critérios FIFA. E não me lembro de algum processo de certificação ter demorado mais que 1 mês!

Já viu vários jogos em relvados sintéticos, mas por certo que os naturais são a sua referência. Já deu consigo a pensar num desses jogos “isto no relvado natural não acontecia”. E do lado dos adeptos?
Não, já aconteceu o contrário! Tenho uma história curiosa que se enquadra na resposta à pergunta. Há tempos, sentado na bancada a ver um jogo da Liga Sagres, tinha ao meu lado aquele que é, para mim, um dos mais habilitados especialistas em comentários desportivos, cujo nome prefiro não divulgar. No seguimento de um ressalto de bola estranho e inesperado, resultante de uma irregularidade do relvado, disse-me “No Bessa isto não acontecia…”.

A vossa empresa é uma potencial fornecedora do Sporting, agora que se sabe da forte possibilidade (95%, segundo o presidente) de o Estádio de Alvalade vir a ter um relvado sintético?
Esse é o nosso grande desejo! Seria o corolário de todo o esforço que temos desenvolvido na aposta de um serviço Premium nesta área. Um serviço de Qualidade Superior! Estamos convictos do caminho que seguimos até agora e do que queremos continuar a seguir. E tudo faremos para cumprir o nosso sonho! E esse passa pelo Estádio José Alvalade!

O que significaria para a vossa empresa um contrato com um clube como o Sporting Clube de Portugal?
Significaria o reconhecimento do trabalho desenvolvido por uma empresa portuguesa que, nesta data, será aquela que, a nível mundial, instalou mais relvados sintéticos detentores de certificado FIFA DUAS ESTRELAS válidos.

Significaria a enorme satisfação de sentir que o Sporting tomou a melhor decisão!

Independentemente de quem seja o futuro fornecedor da solução a instalar em Alvalade, como profissional especializado, o que recomendaria ao Sporting e a qualquer outro clube antes de entrarem num processo como estes, sobre o qual não há muito conhecimento constituído?
Falar com os profissionais que já jogaram em sistemas de relva cuja hipótese de eleição esteja em cima da mesa. Sobretudo com profissionais que tenham jogado em campos com granulado de borracha e em campos com cargas de Geofill.

Fazendo jus ao titulo desta entrevista, poderia afirmar que o estádio de Alvalade ficaria “relvadíssimo forever”?
Poderia afirmar que o Estádio José Alvalade ficaria equipado com o melhor que o mercado oferece! E durante muitos anos!

Questões colocadas ao Dr. Jorge Pinto Sousa, responsável pelo Departamento Médico do Boavista

Desde que se iniciou a utilização do novo relvado sintético notou alguma alteração na tipologia ou no quantitativo da ocorrência de lesões?
Da informação de que disponho e da experiência de 20anos de Medicina Desportiva, a ocorrência/agravamento de lesões em pisos sintéticos de geração antiga, eram essencialmente relacionadas com:

1 - Lesões do aparelho ligamentar do joelho por pé preso no sintético.

O que nunca aconteceu nos relvados instalados no Estádio do Bessa, nem me parece poder vir a acontecer, já que estes relvados se comportam, na recepção do pé ao solo, de forma idêntica à de um bom relvado natural.

Desde a instalação destes pisos sintéticos no Estádio do Bessa não houve registo de qualquer deste tipo de lesões. Tive registo de um acidentes desportivo de que resultou lesão meniscal e outro de que resultou ruptura do Ligamento Cruzado Anterior sendo que AMBOS em relvados naturais fora do Estádio do Bessa.

2 - Tendinopatias e lesões osteocondrais.

Recorrentemente quando os Atletas a meu cargo cumpriam treinos/jogos em pisos sintéticos de geração antiga, constatava nos dias imediatos agravamento das queixas relacionadas com aquelas patologias. O que não acontece com os pisos instalados no Estádio do Bessa já que estes se comportam na sua consistência e capacidade de amortecimento de forma em tudo semelhante à de um bom piso natural.

Em resumo, e no que respeita à prevenção de lesões, diria que os pisos instalados no Estádio do Bessa se comportam, em condições climatéricas normais, de forma idêntica à de um bom piso natural e que, muito provavelmente, se comportam de forma mais segura em relação a pisos naturais em situações climatéricas extremas como as de pisos naturais muito moles por excesso de água ou muito duros por baixa humidade e excesso de calor.

Que recomendações especiais daria a um seu homólogo de um clube profissional de futebol?
A única recomendação que faria é a de que o «enchimento» deve ser feito com a escrupulosa regularidade que o fabricante indicar em função da frequência da utilização.

* Video recente do estádio do Novara:

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