O troféu
A criação do Troféu 5 Violinos foi uma medida simples mas feliz e começou logo na criação do logótipo. Homenagear Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e José Travassos não é apenas um acto de justiça é também homenagear o espírito leonino, a identidade Sportinguista. Essa que, tal como a muitos de nós, me seduziu e foi responsável pela minha escolha clubistica.
Os 5 Violinos remetem-nos para o tempo em que o Sporting dominava o futebol português. Desses tempos não foi escolhido apenas um nome, que, pelas suas qualidades expressas em números impressionantes, podia ser Peyroteo. Escolhemos um conjunto de jogadores, os actores principais do jogo, que mais do que um solo, se notabilizaram pela música afinada para os olhos de quem teve a sorte de os ver actuar ao vivo. Esse espírito colectivo em que o resultado da soma das partes é muito superior à soma do seu valor individual isolado. O que se assistiu ontem em Alvalade, quando as claques colocaram acima das suas diferenças o que de mais importante todos temos em comum, insere-se no mesmo espírito. É um exemplo notável e que deve ser o mote para a campanha que se inicia a sério no próximo domingo.
A casa
Ainda antes de passar às notas relativas ao jogo não posso deixar de mencionar a assistência ontem registada em Alvalade, que terá rondado cerca de 18 mil espectadores. O que me remete para o post anterior, motivo de diversos insultos e reparos que me foram dirigidos por diversos meios. Não posso fazer nada pelos ileterados. Quem não sabe interpretar o que lê devia abster-se de fazer comentários. Mas a ignorância tem essa estranha virtude de não só conferir segurança como vir acompanhada de presunção. Já em relação à gentinha mal formada procuro não perder um segundo mais do que o esforço por não os confundir com o Sporting.
Não sei por isso qual foi a parte de "a melhor forma de
elogiar e aplaudir a medida e o esforço feito pela direcção é dizer
presente." que ficou por entender. A verdade é que o risco de, à medida feliz e há muito reclamada, não corresponder o número de Sportinguistas devido é grande por uma conjunção de circunstâncias: as férias, o calor a convidar à praia e a sempre incontornável crise que certamente condiciona as escolhas de muitos Sportinguistas. É por isso muito importante, até para conferir autoridade a quem terá a cargo negociações futuras, que todos quantos pudermos estejamos presentes. E para ganharmos o direito de pedir medidas idênticas quando o verão se for.
O jogo
Foi um jogo feliz. Pelo resultado e pelo decurso dos acontecimentos. Marcar relativamente cedo, ainda por cima com um golo monumental de Montero, era o que poderíamos pedir, se estivéssemos a falar de discos pedidos. Enfrentarmos a Fiorentina em vantagem é muito mais confortável do que ter que jogar à procura dela, dá confiança. Fiorentina que tem dos melhores plantéis dos últimos anos, o que só valoriza a nossa vitória e os números conseguidos.
Jogo que nos trouxe a confirmação de que Leonardo Jardim se parece inclinar mais para um 4x4x2 com Montero na frente com Wilson Eduardo, se atendermos a que repete o esquema do 11 inicial com o Braga, fugindo ao que era habitual nas equipas dele. A verdade é que as escolhas para as alas estão muito condicionadas: Capel dificilmente faz aquilo que ele pede habitualmente aos extremos, os tais movimentos de aproximação ao centro a partir das linhas. Os rumores do mercado, à procura de Pizzi e Gama, significam que Jardim procura fora algo que entende não ter disponível em Alvalade e talvez expliquem a opção. E, ao contrário do que se diz, Bruma faz falta, ou alguém que fizesse o que ele fazia.
Alguns destaques individuais
Não fiquei surpreendido com Rúben Semedo. Vi-o actuar ao lado de Tobias Figueiredo e no seu escalão é dos melhores. Ontem, já num patamar mais elevado, demonstrou, se preciso fosse que, quem tem jogadores como ele, Dier, Reis, Tobias, Ilori e se tem que sofrer golos idênticos ao do último jogo com o Braga mais vale apostar neles do que gastar dinheiro com quem lhes tape a progressão.
É ainda cedo para etiquetar em definitivo Magrão, sobretudo porque vem de um período longo de inactividade, cujo inicio foi no passado mês de Fevereiro. A falta de ritmo é notória e continua a ter pouco acerto com a baliza, mesmo em circunstâncias favoráveis. Não é um extremo mas sim um interior. O mesmo para André Martins, que se sente muito condicionado pela proximidade da linha. Assim está mais longe de Montero, não podendo por isso oferecer-lhe jogo como sabe. E Montero precisa de jogo e bola, sobretudo se estes puderam acontecer antes da área, onde é sufocado pelos centrais. Ontem fez um golão, revelador de espontaneidade e faro pela baliza que não é casual, como se pode ver abaixo:
Importância e significado
Não gosto de falar em "ses" quando se perde, não vejo motivos para o fazer quando ganhamos. Cada jogo tem a sua própria história e acima das circunstâncias de cada 90 minutos está o valor de cada equipa. Como é óbvio ninguém imagina quem em 10 jogos em que defrontemos a Fiorentina ganhemos muitas vezes 3-0. Porém, também não deixa de ser verdade que o Sporting ganhou a um clube que acabou o último campeonato italiano em quarto lugar e tem um plantel com um lote muito respeitável de jogadores. Tal não pode ser desvalorizado.
Não há, nem a feijões, vitórias dispensáveis. Esta assume particular importância neste momento, por ser a seguir a duas derrotas no Guadiana e a uma semana do inicio do campeonato. É importante porque reforça a confiança da equipa e a esperança dos adeptos. Mesmo sabendo que o Arouca não vale tanto como a Fiorentina mas pode vir a Alvalade causar-nos mais aflições que os italianos.