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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Sporting 2 - Arouca 2: Triplo hara-kiri

Há muito pouco a dizer sobre o que se passou em Alvalade que não tenhamos dito anteriormente ou suspeitado poder acontecer. Não é por isso de todo surpreendente esta enésima revisitação do Sporting à lei de Murphy, algo que estávamos tão habituados em anos anteriores mas que talvez não esperássemos estar a reviver tão cedo.

De forma sintética, o Sporting passa mais uma vez de vencedor por dois golos a um empate comprometedor, que face ao que se passou no clássico nas Antas — não é engano, o jogo foi disputado como se tivéssemos voltado aos famigerados anos 90 — deixa o título mais distante que uma miragem, e isto à sétima jornada!

O filme é curto: Debast faz-se expulsar (em lance em tudo idêntico a um em que um jogador do Arouca nem amarelo viu...), Quaresma entrou de forma completamente desastrada e desconexa até cometer um penálti descuidado. Para fechar com chave de ouro, Borges decide fazer uma viagem no tempo em que era treinador do Moreirense e recua as linhas, retirando qualquer possibilidade de a equipa fazer qualquer outra coisa que não defender. Cedo se percebeu que o empate, ou pior, era uma questão de tempo, e assim foi.

Segue-se agora uma longa paragem que, atendendo às convocatórias para as seleções, não servirá para mais que recuperar lesionados. Talvez este interregno tenha um efeito anestesiador ou retardador, mas percebeu-se pelas reações ao jogo que Rui Borges esgotou o seu plafond de crédito junto dos adeptos e que se avizinham tempos conturbados em Alvalade.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A revolução, a dúvida e o prazo de validade de Rui Borges


Poucos serão os sportinguistas que ainda não terão ficado surpreendidos com a revolução que a SAD, com o beneplácito do treinador (?), decidiu empreender no plantel da equipa. Contrariamente ao que seria expectável — e desejável? —, o Sporting decidiu prescindir, como prioridade, dos jogadores mais talentosos, em vez dos que, por falta de talento ou de utilidade, poderiam ser considerados excedentários.

Ainda sem recuperar da surpresa, a interrogação que fica desde já é o que esperar do Sporting nesta época, que leva já duas jornadas. Se ficássemos pela amostra que esses dois jogos deixaram, a desilusão não poderia ser maior. Os problemas detetados nas equipas de Borges desde que chegou ao Sporting não só se mantiveram como se agravaram, especialmente do ponto de vista defensivo: a equipa expôs-se em demasia e deixou-se agredir por adversários que não têm, ou não deveriam ter, valor suficiente para representar um perigo tão grande na conquista dos respetivos três pontos. Tanto assim foi que, dos seis pontos "obrigatórios", dois ficaram pelo caminho e têm agora de ser recuperados, se o Sporting ambiciona voltar a festejar a conquista do título.

Esta é, para mim, a grande dúvida e a principal fonte de apreensão neste momento: sem consistência defensiva, é possível ser campeão? Não existe uma fórmula matemática que responda com segurança a esta questão, mas, na ausência dessa característica tão importante, o Sporting fica obrigado a um nível de acerto e de eficácia ofensiva enorme e de difícil sustentação ao longo de um campeonato tão longo. Não é impossível, mas é seguramente uma tarefa mais árdua do que a que esperam as equipas equilibradas em todos os momentos do jogo. E é precisamente esse equilíbrio que parece estar a faltar, neste momento, à equipa de Rui Borges.

Depois da surpresa da revolução, seguiu-se o espanto perante uma prestação notável nos jogos de preparação, protagonizada por uma equipa em que muitos dos jogadores recém-contratados e chamados a papéis de destaque mal se conheciam entre si. Os poucos golos sofridos anunciavam consistência e solidez defensivas; os muitos golos marcados, eficácia e pujança ofensivas. Nada que a cruel realidade dos jogos a doer não tardaria a desmentir.

Com naturalidade, depressa três questões passaram a estar na ordem do dia:

As entradas dos novos jogadores acautelaram, na tal revolução, as saídas registadas?

Faltam ainda alguns dias para o fecho do mercado, pelo que algumas saídas e entradas são possíveis — o que, a acontecer, obrigaria a reescrever este parágrafo. Do ponto de vista do valor e do potencial, as escolhas feitas mereceram elogios. Mas, para já, parece continuar a faltar um jogador que tenha na organização, no pensamento e na ligação do jogo uma das suas melhores características — alguém capaz de impor pausa e discernimento ao nosso jogo ofensivo. Do ponto de vista da organização defensiva, parece haver pulmão e músculo mais do que suficientes para a tarefa. O que falta, por ora, terá de vir do gabinete técnico chefiado por Borges.

Com uma alteração tão profunda na estrutura da equipa, é possível dotá-la, em apenas uma pré-época, das ferramentas indispensáveis para formar um conjunto vencedor?

Quanto à questão temporal — mais propriamente a escassez de tempo que medeia o arranque da época e as provas oficiais —, não faltam exemplos de sucesso, embora os de fracasso, total ou parcial, sejam muito mais numerosos. Caberá à SAD e a Rui Borges explicar melhor a escolha deste caminho, em oposição à política, até agora seguida, de sucesso desportivo e financeiro através de transações cirúrgicas. Se um dos objectivos era ser campeão nacional em volume de negócios, esse está plenamente conseguido; mas, obviamente, ninguém em seu perfeito juízo imagina que esse fosse o objectivo.

E, por último — e talvez a pergunta que mais ocupa a mente dos sportinguistas —, será Rui Borges o treinador indicado para este momento e capaz de levar a bom porto a enorme tarefa que não só aceitou como ajudou a criar?

É quase um lugar-comum dizer hoje que Rui Borges tem uma margem de tolerância muito curta e uma imagem muito desgastada junto de boa parte dos adeptos sportinguistas. Isso resulta de um rotundo zero de títulos numa época em que decidiu impor "o seu cunho pessoal" e de uma derrota ignominiosa na final da Taça de Portugal.

O grande mérito de Rui Borges na conquista do tão ambicionado bicampeonato e dobradinha — arrancando o Sporting de um luto que poderia ter sido traumático — foi, precisamente, o bom senso de não operar uma revolução, optando antes por aproveitar as ideias base do seu antecessor e alterar, de forma cirúrgica, aquilo que lhe parecia merecer correcção. A conjuntura não podia ser mais adversa: o Sporting acabava de perder o seu melhor treinador em sete décadas, bem como aquele que era tido como o seu sucessor natural. Borges superou o exame com distinção.

Na segunda época — a tal do cunho pessoal —, alguns dos sinais de que a equipa havia perdido as suas melhores qualidades ganharam cores mais garridas. E mesmo o tão importante segundo lugar deixou dúvidas sobre se se devia ao mérito da equipa e do seu treinador ou à incompetência do seu eterno rival. Os últimos dez jogos deixaram uma imagem débil, sombreando o brilho de uma boa época europeia : em abril, o Sporting entregou o campeonato, perdendo o dérbi em casa e somando depois empates frente às duas equipas que haveriam de ser despromovidas, Tondela e Aves. Sobre a derrota na final da Taça, já tudo foi dito.

DataCompetiçãoJogoResultado
24/05/2026Taça de Portugal – FinalSporting 🆚 Torreense1–2 ❌
16/05/2026LigaSporting 🆚 Gil Vicente3–0 ✅
11/05/2026LigaRio Ave 🆚 Sporting1–4 ✅
04/05/2026LigaSporting 🆚 Vitória SC5–1 ✅
29/04/2026LigaSporting 🆚 Tondela2–2 🤝
26/04/2026LigaAFS       🆚 Sporting1–1 🤝
22/04/2026Taça de Portugal – meia-finalFCP       🆚 Sporting0–0 🤝
19/04/2026LigaSporting 🆚 Benfica1–2 ❌
15/04/2026Champions League – quartos-de-finalArsenal  🆚 Sporting0–0 🤝
11/04/2026LigaEstrela   🆚 Sporting0–1 ✅

Balanço dos últimos 10

  • 🟢 4 vitórias
  • 🟡 4 empates
  • 🔴 2 derrotas
  • ⚽ 17 golos marcados
  • ⚽ 9 sofridos
  • 4 jogos sem sofrer golos 

Vamos ver do que é capaz, este ano, Rui Borges. Sendo verdade que "isto é como acaba e não como começa", também o é que "candeia que vai à frente alumia duas vezes". Neste momento, só Rui Borges pode salvar Rui Borges — isto é, compete ao treinador acrescentar mais datas ao seu prazo de validade. Não que alguém na SAD tenha dado qualquer indicação de que a cabeça do treinador está no cepo. Mas, depois de tamanha revolução, com a consequente perda de talento e de jogadores carismáticos, tem de haver resultados que legitimem a operação. E, quando estes não surgem, é o treinador que fica sempre mais exposto. Mas também a SAD — isto é, Frederico Varandas — poderá sair chamuscada.


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Ir à final como quem vai ao Carnaval


Por uma questão de inteira justiça, qualquer crónica sobre a final da Taça de Portugal de 2025/2026 deve começar por endereçar os parabéns à equipa vencedora, o Sport Clube União Torreense. O seu feito ficará para a história. Para conseguir a vitória, o Torreense teve de superar não apenas o ex-bicampeão e último titular do troféu, mas também a diferença de qualidade individual e de traquejo entre as duas equipas e, pasme-se — para a organização do nosso futebolzinho tuga —, uma calendarização que os penalizou duplamente nas duas competições em que estão inseridos. 

Para o conseguir, o Torreense foi tudo o que o Sporting preferiu não ser: aplicados, concentrados, abnegados e conscientes de que o primeiro fator decisivo para ganhar um jogo começa na vontade.

Se a equipa do Sporting teve vontade, não a deixou expressa em campo. Por norma, os adeptos chamam a isto falta de atitude; eu prefiro sempre a explicação da responsabilização pela liderança. O Sporting poderia ter perdido na mesma a final da Taça de Portugal por falta de sorte, mas nunca sem fazer o imprescindível: deixar tudo em campo. Ficou a sensação que a festa foi feita antes do jogo, Rui Borges esteve tão abúlico como os seus jogadores em campo e o pormenor do polo ameixa só pode ter sido mau agoiro.

O que o Sporting deixou no sempre impróprio relvado do Jamor foi em tudo semelhante ao que já havíamos visto em finais de resultado igualmente amargo e doloroso. Primeiro com a Académica: a desorganização, a mesma falta de esclarecimento e a ausência de liderança técnica capaz de inverter um golo madrugador do adversário. Depois, com o Aves, os mesmos problemas — agravados por um clube em avançado estado de decomposição interior.

A época encerrou ontem com zero títulos. Rui Borges “conseguiu” isso com o plantel mais valioso da Liga, depois de ter decidido “imprimir o seu cunho pessoal”. É verdade que conseguiu o bicampeonato e a dobradinha na época transata, mas com um plantel e um sistema de jogo cuja paternidade não lhe pertencia.

Do seu cunho pessoal resultou, este ano, um deserto de títulos e uma campanha brilhante na Liga dos Campeões que, contudo, não apaga a incapacidade de ganhar internamente aos mais fortes. A isso soma-se um trajeto absolutamente medíocre na Taça de Portugal, que nem a eliminação do FCP apaga. As prestações ante os “colossos” Paços de Ferreira, Aves e Santa Clara, agora fechadas com pesado chumbo do Torreense, deixam muito que pensar também.

A época de 2026/2027 ainda não começou, mas Rui Borges já entrou nela a perder.

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Bodo Glint 3 - Sporting 0: eclipse total


O Sporting viajou até à Noruega com ambição europeia, mas acabou perdido no frio do Ártico, incapaz de reagir dentro de campo ou a partir do banco.

O Sporting apresentava-se na Noruega com ambições de prolongar o seu passeio europeu, depois de ter conseguido conquistar um lugar de distinção no restrito e exigente lote dos oito melhores classificados. Quem esperava uma aurora boreal marcada em tons de verde acabou por assistir a um eclipse total, onde o Sporting foi apenas uma pálida sombra de si próprio.

É verdade que a equipa até nem entrou mal no jogo, mas foi sol de pouca dura. Rapidamente se instalou o desnorte completo, permitindo todo o tipo de veleidades a Berg, Hauge, Høg e até aos defesas-centrais amarelos. O penálti “à portuguesa” apenas ajudou a acelerar o que se tornava cada vez mais evidente: a abordagem do Sporting ao jogo foi abaixo de medíocre.

Fica por saber que jogos dos adversários foram visionados pela equipa técnica e se o filme que viam nos tablets era idêntico ao que passou na generalidade dos ecrãs. Rui Borges foi completamente incapaz de introduzir qualquer alteração, quer através de instruções quer através de substituições. Foi particularmente confrangedora a forma como deixou a equipa esbracejar no meio do mar norueguês até se afogar completamente.

Mais do que a atuação dos jogadores, foi a incapacidade da equipa técnica de ler o que estava a acontecer no relvado e de produzir uma mudança que proporcionasse, pelo menos, uma pequena amostra do que esta equipa pode — e já conseguiu — realizar.

Espero estar errado, mas fica também uma certa sensação de alguma soberba na forma como foi olhado o adversário. Talvez o cenário minimalista, comparado com as grandes metrópoles dos grandes estádios, possa ter influenciado essa disposição, a ter existido.

Ao invés de trazer um belo e luzidio bacalhau norueguês, os leões saíram frios e demolhados de Bodø e já praticamente fora da competição que tanto almejávamos, com o sonho de voltar aos quartos de final a ficar muito comprometido.

A menos que os noruegueses devolvam a gentileza que lhes proporcionámos — a de jogar à vontade e de cadeirinha em Alvalade — Champions agora só para o ano.

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

At. Bilbau 2 - Sporting 3: Na primeira parte fomos às tapas, na segunda fomos ao Guggenheim deixar uma obra histórica


O Sporting alcançou uma proeza inédita para si e para o futebol português ao garantir um lugar no restrito Grupo dos Oito, assegurando assim o apuramento direto para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

A entrada em jogo esteve longe de ser a desejada. O Sporting revelou grandes dificuldades para sair da pressão do adversário e para gerir a posse de bola com eficácia, acumulando passes falhados que acabariam por resultar na assistência involuntária de Hjulmand para o golo madrugador do Atlético. Por momentos, o cenário ensombrou-se e pareceu regressar o espectro de antigas noites europeias. Ainda assim, o Sporting recompôs-se, reequilibrou a partida e chegou ao empate, dando a sensação de que tinha o jogo sob controlo — até ao erro infeliz de Matheus Reis, um lance evitável e desajustado ao nível competitivo da prova.

Na segunda parte, Rui Borges leu bem o encontro e interveio no momento certo. As entradas de Pedro Gonçalves, Morita e Eduardo Quaresma alteraram a dinâmica da equipa, trazendo intensidade, maior capacidade nos duelos e um critério renovado com bola. O Sporting apresentava-se transformado. Mais tarde, juntar-se-ia à narrativa o homem do jogo: Alisson, decisivo e novamente determinante na caminhada europeia dos leões.

No momento que poderia ter sido fatal, os sinais pareciam apontar para um desfecho cruel: Suárez desperdiçou uma ocasião soberana, Alisson escorregou quando o golo parecia iminente e o sonho ficou por instantes suspenso. Desta vez, porém, a bola entrou e dessa forma o Sporting contrariou o fatalismo de outros tempos e escreveu um capítulo pioneiro na sua história — e na do futebol português — com uma exibição de maturidade europeia, evidenciando resiliência nos momentos de maior pressão e qualidade para impor o seu jogo em palcos de máxima exigência.

Apesar do caráter épico da conquista, importa não ignorar os sinais de alerta. A este nível competitivo, raramente é possível corrigir erros individuais como alguns dos que marcaram o encontro, ainda para mais perante um adversário condicionado por ausências relevantes. As decisões técnicas também merecem reflexão, nomeadamente a utilização de Bragança sem ritmo competitivo num jogo de intensidade tão elevada.

Agora é esperar o que a sorte ditará sexta-feira. O nome do Sporting aparecerá pelo segundo ano consecutivo no sorteio dos oitavos de final da melhor e mais feérica competição de clubes do mundo. Foi com isto que nós sempre sonhamos e que esteve presente no coração e mente dos nossos fundadores.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Dérby mostra um Sporting que promete e um que desaparece

 
Os primeiros vinte e cinco minutos do Sporting no dérbi foram uma promessa que o resto do encontro deixou irremediavelmente por cumprir. O início fulgurante, construído sobre uma pressão alta coordenada, linhas compactas e uma agressividade inteligente sobre o portador da bola, permitiu aos leões asfixiar o adversário e, por momentos, transformar o Estádio da Luz num espaço silencioso. O Benfica parecia atordoado, incapaz de ligar três passes consecutivos, enquanto o Sporting recuperava bolas em zonas adiantadas, criava desequilíbrios constantes nos corredores laterais e impunha um ritmo que só uma equipa muito confiante e bem preparada consegue imprimir num dérbi.


A verdade, porém, é que esse Sporting autoritário e demolidor marcou apenas um golo — insuficiente para capitalizar tamanha superioridade — e desapareceu para parte incerta após sofrer o empate. O golo sofrido, tal como o que colocara os leões em vantagem, nasce de um erro individual evitável, expondo uma vulnerabilidade que vem sendo recorrente sempre que a equipa é obrigada a reagir à adversidade. O que terá acontecido dentro daquela meia hora para assistirmos a duas versões tão contrastantes do Sporting, e numa transição tão abrupta, é a pergunta de um milhão de dólares. E é precisamente em torno dessa dualidade que importa centrar a análise.

Para compreender a queda de rendimento, convém começar por relativizar a exuberância inicial. Aquele Sporting demolidor não se tem revelado uma constante, e o adversário, apesar de todos os seus defeitos exibicionais ao longo da época, não é o equivalente contemporâneo do velho Salgueiros ou Arrentela. Houve momentos em que a fragilidade encarnada fez parecer que estávamos perante algo desse género, mas a verdade é que não estávamos.

Rui Borges tentouna segunda parte, dentro do possível, reequilibrar a equipa quando percebeu que o ímpeto inicial estava a dissipar-se. Mas Quenda esteve particularmente infeliz: falhou receções simples, quebrou a fluidez do jogo, tomou más decisões no momento do passe e acabou por se tornar um corpo estranho dentro da dinâmica da equipa. Simões, por sua vez, ficou completamente abafado no meio do trio ultradefensivo que o Benfica montou no corredor central. Sem conseguir receber entre linhas, raramente tocou na bola em zonas de criação. Já as entradas de Ioannidis e Alisson, demasiado tardias, tinham sempre poucas probabilidades de alterar o rumo dos acontecimentos — seria preciso um daqueles acasos milagreiro que a bola tantas vezes recusa conceder.

Este novo empate — e o facto de estar prestes a completar um ano sem vencer qualquer um dos principais rivais — reacendeu o debate sobre Rui Borges. As opiniões dividem-se de forma vincada. Há quem sublinhe, com inteira justiça, que estamos a falar do treinador responsável pelo bicampeonato e pela tão celebrada dobradinha, alguém que não só estabilizou o clube num momento de particular fragilidade, por via da fuga de Amorim, como lhe devolveu identidade competitiva. E nunca é demais recordar que foi precisamente contra este rival que Rui Borges venceu no jogo da sua estreia, num desafio que, na altura, parecia prenunciar um ciclo de afirmação incontestável.

Por outro lado, existe a sensação — alimentada por dérbis e clássicos recentes — de que a equipa revela demasiado cedo um certo conformismo competitivo. Não se pode afirmar que tenha sido o treinador a "mandar baixar linhas" ou a instruir a equipa a contentar-se com o empate; isso seria simplificar demasiado. Mas também não se pode ignorar que este padrão deixou de ser episódico. Repetiu-se, consolidou-se e tornou-se parte da narrativa que envolve cada grande jogo do Sporting. E quando a repetição é frequente, o foco sobre o treinador deixa de ser uma escolha: passa a ser inevitável.

Importa ainda situar o empate dentro do contexto estratégico da época. Em teoria, empatar na casa de um concorrente direto nunca pode ser considerado um desastre. Há equipas campeãs que construíram títulos com base em empates fora com os rivais e vitórias regulares em casa. Mas esta situação é diferente. No ano passado, o empate na Luz serviu para garantir o título; este ano, fruto dos pontos desperdiçados em Alvalade, o resultado permite ao FCP consolidar-se no primeiro lugar. E se os portistas cumprirem o esperado frente ao Tondela, o Sporting poderá ver-se numa situação desconfortável: antes de sequer chegar ao meio da temporada, deixará de depender apenas de si para alcançar o ambicionado tricampeonato.

E isto torna-se ainda mais frustrante quando se avalia o adversário do dérbi. O Benfica tem um plantel cheio de talento individual, é verdade, mas tem estado muito longe do que se espera de um candidato ao título. Essa discrepância entre o potencial e o rendimento encarnado torna ainda mais difícil de aceitar que o Sporting não tenha conseguido transformar o excelente início num triunfo que poderia ter alterado por completo a narrativa da Liga. Pior ainda, que não tenha sequer tentado.

Os próximos compromissos — incluindo a participação na final four da Taça da Liga — podem ajudar a perceber se estamos perante um problema conjuntural ou estrutural. Será que a equipa tem realmente capacidade para se impor contra rivais diretos nos momentos decisivos? a resposta é importante num ano que os jogos entre candidatos pode assumir uma importância determinante.  Veremos que respostas nos serão dadas nos próximos jogos. Muitas delas poderão determinar o rumo não só da presente temporada, mas do próprio legado do treinador no Sporting.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Sporting 5 - Alverca 1: Cinco estrelas para a coragem de Rui Borges


Na competição “maldita” — pela forma negligente como é tratada pelo promotor — o Sporting venceu com autoridade, sem necessidade de imprimir grande intensidade. A equipa leonina controlou o jogo do início ao fim, perante um adversário que pouco conseguiu contrariar. Rui Borges apostou na juventude e foi recompensado com uma exibição segura e cheia de personalidade.

A primeira referência individual de hoje tem de ir, por isso mesmo, para Rui Borges. Não me recordo de alguém, nas suas funções, assumir com tanta coragem uma mudança tão drástica que represente uma verdadeira aposta na formação. E se há competição onde se pode — e deve — fazê-lo, é precisamente a Taça da Liga. A sua decisão de lançar vários jovens da formação — incluindo Salvador Blopa, Geovany Quenda e outros da equipa B — foi mais do que uma rotação de plantel: foi uma declaração de princípios. E a Taça da Liga, tantas vezes tratada como um parente pobre do calendário, revelou-se o cenário ideal para essa revolução tranquila.


Claro que, a esta hora, os holofotes estão centrados em Salvador Blopa, um miúdo de 18 anos que, até agora, era mais conhecido pela sua estatura e movimentação algo desengonçada. O seu bis é importante para ele, mas ultrapassa em muito o âmbito pessoal. É um sinal claro da atenção que começa a ser depositada numa geração que está a realizar um campeonato extraordinário na II Liga — algo que ninguém previa, atendendo à média de idades e à correspondente ausência de experiência generalizada.

Mas quem me encheu as medidas foi precisamente Fotis Ioannidis. E isto é dito mesmo sem contar com o magnífico golo apontado com o seu pé menos dotado — certamente um golo de raiva, por ver aproximar-se o final do jogo sem conseguir obter um muito merecido tento. O Sporting perdeu o seu melhor avançado em muitas décadas, mas parece ter trocado por talvez a melhor dupla também em muitos anos. Fotis demonstra ter quase tudo o que é necessário para a posição e, mesmo sem ser tão explosivo e potente como o sueco, oferece-se muito bem aos colegas para explorar a profundidade. Um extra sobre Suárez, com quem parece certo que irá disputar a titularidade — e os gostos dos adeptos.

Quanto ao jogo propriamente dito, foi muito interessante observar a forma como Rui Borges colocou os laterais em posições interiores e os extremos a dar largura total, abrindo uma frente de ataque ampla que, por vezes, contou com cinco ou seis elementos. Como quem dança sem pressa, o Sporting deslizou pelo relvado com serenidade e domínio absoluto. Não foi preciso correr — apenas saber jogar. Rui Borges, com olhar atento e confiança nos mais novos, viu os seus pupilos responderem com maturidade e brilho.

Segue-se agora um interessante tira-teimas com o FC Porto. Não fiquei nada convencido com o resultado registado para a Liga e, sendo verdade que esse desfecho já não pode ser revertido, será importante verificar se se justifica a crença instituída entre os comentadores de que são a melhor equipa cá do burgo.

Nota Playmaker: Desde que há Campeonato Nacional de Juniores, 1938/39, nunca um jogador da formação do Sporting tinha bisado na estreia. Blopa sucedeu a Peyroteo, como o mais jovem de sempre a bisar na estreia pelo Sporting: 

1937/38 Peyroteo vs Casa Pia (19A, 7M)   

2025/26 Blopa vs FC Alverca (18A, 5M) 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Sporting 1- Braga 1: Desperdício de pontos e oportunidade


Não foi bonito de se ver o jogo que o Sporting fez na recepção a Braga e pior ainda foi o resultado, se atendermos à perda dos dois pontos, acrescidos do desperdício de oportunidade de ganhar pontos aos seus rivais. Olhando para o que já havia sucedido ante o Estoril, a equipa deixou ficar sinais muito preocupantes.

A atenção mediática está neste momento na forma penosa com que lidamos com as dificuldades que as equipas melhor apetrechadas em qualidade individual e técnico-tática nos impõem. O treinador está pois na linha de mira e justificadamente, por mais que queira desvalorizar o momento. Mais ainda quando o faz de forma completamente desmoralizadora e desmobilizadora, quando afirma que até pode ser campeão mesmo perdendo os jogos chamados grandes.

O Sporting voltou a evidenciar dificuldades perante uma equipa com capacidade para construir com critério e pressionar de forma eficaz a sua saída de bola, sem se vislumbrar grande rasgo ou iniciativa para mudar o estado de coisas. Com os caminhos fechados ao centro, o Sporting ao invés de procurar a largura para obrigar o adversário a abrir espaços, abusa dos pontapés para a frente, normalmente mal direcionados e precipitados, facilitando a tarefa defensiva dos arsenalistas.

Quando obrigado a defender não conseguiu durante todo o jogo a melhor forma de pressionar os adversários, falhando com marcações individuais nada criteriosas ou consequentes. A qualidade da reacção à perda diminui assim de forma drástica. Isso fez com que a equipa fosse ficando muitas vezes desorganizada, não conseguindo assim contrariar as constantes mudanças promovidas pelas rápidas trocas de bola entre os  jogadores adversários. É verdade que estes poucas vezes conseguiram chegar à baliza de Rui Silva, mas o muito tempo que lhes era permitido ter a bola deu-lhes confiança e conforto e o sentimento inverso à nossa equipa e aos adeptos.

Embora tenha resultado de um erro inadmissível de Hjulmand (o jogador a quem puxa a camisola nem conseguiria disputar a bola) ninguém ficou propriamente surpreendido com o empate, houve noventa minutos para, com o que era dado observar, nos prepararmos para essa eventualidade.

As alterações promovidas pelo treinador não lograram grande mudança, com excepção da maior acutilâncias emprestada ao lado esquerdo por Alisson, que vem justificando a aposta. Ioniadis continuaria tão isolado e perdido da equipa como já havia sucedido a Suarez. Por compreender fica a ausência de João Simões que, pelas suas características, justificava pelo menos estar entre os convocados para o jogo. 

O resultado, sendo um desperdício de pontos e oportunidade de abreviar ou expandir distâncias para os rivais, acaba por ter de ser considerado justo. Por tudo o que se passou, estes pontos ficam na coluna do deve do treinador.

Uma nota final para os equipamentos apresentados pelo Sporting. Há muitas formas de lutar por uma boa causa sem que com isso se tenha de prescindir de toda a identidade de um clube. Para ser simpático, este equipamento é medonho. 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Konrad a (H)arder


Foi num fósforo que a ligação de Konrad Harder ao Sporting se precipitou. Quando nada o faria esperar, o jovem dinamarquês está na porta de saída, o que só não acontecerá se o Sporting não arranjar nenhum substituto. Esse parece já estar escolhido mas, se a predisposição do presidente do Panatinaikos for a mesma do ano transacto, teremos a segunda temporada de uma novela de final pouco feliz. Novela essa que se vem juntar à de Yeremai e às outras que entretanto já conheceram o seu epilogo. É um facto estranho, mas a verdade é que até a saída do melhor avançado dos últimos anos e um dos melhores europeus da actualidade foi marcado por esta tendência folhetinesca que parece assombrar cada transacção.

O Jogador

A intenção de Harder escolher novas paragens é facilmente entendível: a oferta da camisola 9 não veio acompanhada da titularidade e, pelo menos a avaliar pelos jogos iniciais, também não alterou o seu estatuto de suplente que entra nos escassos minutos finais quando o jogo está decidido ou quando ainda há problemas de dificil resolução. O jogador não parece aceitar de bom grado a posição e decide partir. Pode-se questionar lucidez da decisão, porque não parece crível que vá ter um estatuto diferente no clube que parece ser o seu destino: o Milão. Daí que, mesmo considerando que é apenas uma especulação, seja legitimo pensar que poderá haver mais do que parece à primeira vista, porque falamos de um jogador acarinhado pelos adeptos e, aparentemente, bem relacionado com os colegas.

O Sporting

Foi também surpreendente a forma como o Sporting facilitou a transferência de um jogador de quem esperava muito, ou não teria pago há uma ano muito acima do valor do mercado por um jogador de apenas dezanove anos. O que então pareceu é que mais do que o valor facial o Sporting reconheceu no jogador um enorme potencial para fazer crescer e dele retirar rendimentos desportivos e financeiros elevados. Não teve a mesma postura com Hjulmand ou até mesmo com Catamo, de quem se diz ter recebido propostas a rondar os vinte milhões de euros. Ou porque deixou de reconhecer esse potencial - não o fez reflectir na conta final, como o FC Nordsjaelland fez há um ano - ou porque não quer ter um jogador contrariado numa situação que tenderia a apodrecer, ou porque entende que é uma oportunidade de subir o valor disponível para a posição, indo novamente ao mercado, o Sporting não parece ter feito muita questão de segurar o jogador.

O Treinador

Rui Borges ficou com um post it amarelo colado na testa a dizer "o Harder é um trapalhão". Foi sem dúvida um momento infeliz. O treinador tem a seu favor estar no final de um jogo assaz esgotante claramente afectado pelo resultado e pelo filme de terror que foi final do jogo. (O Braga haveria de empatar o jogo no final). Mas não lhe chamou apenas trapalhão, disse que ele "tinha dado pouco ou nada ao jogo", dispensando uma máxima que deve acompanhar quem tem a ingrata missão de ser treinador, mas que para ela tem que estar preparado: "elogios públicos, criticas privadas". É uma forma de, entre outras, preservar as relações, algo que parece que se terá perdido a partir daqui. A verdade é, depois da partida de Amorim, Harder teve muito menos minutos de jogo, o que leva a crer que o treinador não confiava nas suas qualidades e a saída do jogador sem a sua oposição parece funcionar como uma confirmação.

O Substituto

Enquanto este post é redigido parece que está encontrado o substituto de Harder: Ioanidis. É um velho desconhecido nosso, marcado pelas peripécias de uma contratação falhada que nos havia de trazer Harder. É um jogador de vinte e cinco anos marcado por uma boa época, seguido de um ocaso embaraçoso. Inclusive perdeu este ano o estatuto de titular, o que leva a questionar se é a escolha certa, ainda mais pelo preço de que se fala, algo a rondar os vinte milhões de euros. 

Se as suas qualidades estiverem intactas e as conseguir por ao serviço da equipa, não tenho qualquer dúvida que o Sporting no imediato sai a ganhar. O grego tem muito mais para já no  do que o dinamarquês. É um avançado maduro, internacional A pelo seu país, tecnicista, não sendo tão explosivo como aquele sueco que nos deixou saudades, sabe explorar muito bem tanto as rupturas em profundidade, como ser associativo, baixando para receber  em apoio e deixar a equipa subir. E capaz de disputar a titularidade com Suárez se conseguir extrair o seu melhor futebol. O Sporting ficaria com dois bons avançados.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Breve reflexão sobre o sistema e a estratégia de Rui Borges


Na já tantas vezes esmiuçada "questão do sistema" mister Rui Borges ganhou o primeiro round e tem que lhe ser também reconhecido todo o mérito de ter conseguido fechar a época com chave de ouro. Com isso ganhou pelo menos o direito de introduzir as alterações que acha mais convenientes para chegar ao sucesso, que de certeza ele quer ter.

Seja por comodismo de ser mais confortável o conhecido do que desconhecido, pela resistência à mudança pela incerteza que traz, talvez fosse preferível procurar aprimorar o sistema que Rui Borges herdou e teve êxito, tendo para esse efeito um plantel para isso montado.

 Mas também é possível considerar que, para surpreender os adversários é preciso fazer coisas diferentes. E também é verdade que a isso estamos obrigados, porque “o mete a bola no Gyokeres que ele resolve acabou” e com isso são 50 golos / época. Não havendo, temos que ter algo diferente que não havia e que de preferência nos dê os mesmos golos marcados, tarefa essa a ser exercida por mais do que um jogador.

 É essa a missão de Rui Borges e o jogo com o Arouca vai ser um bom teste para nos dar uma ideia do estado de prontidão neste momento. Até porque o domínio do Sporting no jogo inicial foi tão avassalador que ficou a dúvida se tal se deveu às fraquezas do adversário ou ao poder real da equipa neste momento.


sábado, 9 de agosto de 2025

O regresso demolidor do Bi-Campeão

Foi com uma exibição de gala, em particular na primeira parte, que ficou marcado o regresso do Bi-Campeão aos jogos da I Liga. Se a derrota tangencial na Supertaça deixara um sabor amargo e pouco convincente, a inauguração do presente campeonato mostrou um Sporting esclarecido e autoritário, pecando por escassos os números que ficaram no placard final. 

A maior dúvida que este jogo deixa prende-se com o valor actual de cada equipa e quanto isso terá contribuído para o que nos foi dado assistir. Isto é, houve mais mérito do Sporting na forma como asfixiou o adversário ou demérito deste? Creio que a forma como o Sporting pressionou o Casa Pia  em todo o campo e de forma imediata após a perda da bola foi de tal forma avassaladora que foi excessiva para permitir qualquer reacção aos casapianos. A isso juntou-se uma forte dinâmica na troca de bola, imprimindo um ritmo demolidor e muito difícil de contrariar.

Numa exibição colectiva de nota alta merece destaque individual o trabalho Suárez na ligação entre linhas do ataque foi determinante e revelou um avançado diferente do que estávamos habituados mas a dizer que à mais formas de chegar à baliza. O capitão Morten foi mais uma vez imperial e a fazer desejar que o mês de agosto encerre depressa e sem o seu nome inscrito na tabela de transferências. Pote, apesar de discreto já mostrou novamente a sua importância. 

Mas o homem do jogo foi Trincão, pelo que jogou e fez jogar, selando a sua presença com uma bela exibição, um golo e uma assistência. No seu estilo discreto. Rui Borges foi outro grande triunfador, indiferente às dúvidas que se levantavam às suas opções e acreditando no trabalho que vem realizando.

A nota negativa vai para as lesões de Maxi e de Diomande, sendo a deste último talvez a que inspire mais cuidados e pode representar uma paragem mais longa. 

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Agora sim, a época do Sporting vai começar


Com a partida iminente de Gyokeres, bem como do regresso até ao final da semana de todos os internacionais, começará a sério a época 25/26 do Sporting. Consabida que era a viagem sem regresso de férias do sueco, a importância da escolha do seu substituto será com certeza a marca definidora da época do Sporting. A sua presença estes dois anos entre nós explica em grande medida (não apenas, mas...) a razão pela qual o Sporting foi por dois anos consecutivos a equipa mais concretizadora e também o tão ambicionado regresso às celebrações dos bi-campeonatos e da dobradinha.  

A importância do avançado no sucesso do Sporting é bem evidente. Gyokeres chegou meio incógnito ao Sporting, porque marcar 22 golos ao serviço do Coventry City no Championship não pareciam anunciar o potencial que os 43 golos na época de estreia haveriam de confirmar. Com os  54 da temporada agora finda, Gyokeres registou uma produção de excelência, constante e de grande qualidade. Um desempenho de classe mundial, que inscreveu o seu nome na lista de "must have" dos grandes clubes.

Com ele o Sporting dominou a Liga Portuguesa de uma forma avassaladora, como se comprova pelos troféus conquistados e por ter estado em todas as decisões, mesmo quando não foi feliz ou não conseguiu ser eficaz. Agora, talvez mais importante do que descobrir um novo Gyokeres, terá que ser a forma como o Sporting conseguirá reinventar uma fórmula vencedora, uma vez que à ausência do sueco se somarão as novas ideias e conceitos de Rui Borges, que vai começar a escrever o que quer e sabe numa folha agora ainda em branco e já não sob a "fórmula Amorim".

O mercado também ditará as suas leis neste defeso, que ainda será longo. Sendo verdade que isso vale tanto para entradas e saídas, a nossa exposição aos mercados é grande, pelo que o apetite pelos nossos melhores torna o processo de composição do plantel ainda mais dificil. A substituição em cima da hora de jogadores como Diomande, Inácio, por exemplo, pode representar um problema. 

Não menos dificil será encontrar os nomes certos para refrescar o plantel. O nível individual actual é já bastante elevado e muito acima do que era reforçar a equipa, quando há cinco anos atrás se constituía o grupo que haveria de se sagrar campeão. Jogadores que possam entrar de caras ou disputar um lugar no onze onde normalmente jogam Rui Silva, Quaresma, Diomande, Inácio, Nuno Santos, Debast, St Just, Maxi,Hjulmand, Morita, Pote, Trincão, obrigam a aturada prospecção e sobretudo um poderio financeiro também acima do que é o habitual.

Na verdade, é com fim do reinado de Gyokeres é que começará a sério a época 2025/2026 do Sporting. A liquidez obtida com a sua venda será também determinante não apenas para a sua substituição como também para tal reinvenção que Rui Borges prometeu quando o Sporting se apresentou há duas semanas.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Este é o Leão Rampante com que sonhamos!


Este é o Leão Rampante que tantas vezes sonhamos, mas que apenas ouvimos falar! 

Ao não desperdiçar ao possibilidade de se voltar a sagrar BI Campeão o Sporting efectua a "sua travessia do Rubicão" no que diz respeito à afirmação como um nome de incontornável no lote dos candidatos. Despe assim o seu equipamento  de apenas um mero outsider capaz de desafiar entre décadas de interregno os dois rivais de sempre, habituais repartidores dos títulos. 

É um momento de profunda satisfação e orgulho, porque o Sporting sai do fundo de um poço escuro onde corria o perigo de se transformar em algo muito diferente do clube que conhecíamos, tendo que enfrentar adversários poderosos, melhor apetrechados, habituados a ganhar e que não hesitaram em recorrer a métodos e jogadas subterrâneas para vencer. Reiventarmo-nos e ganhar-lhes porque fomos mais competentes, é uma dupla vitória. Conseguimo-lo sem nunca abdicar dos princípios que estiveram na base da nossa formação, sem encher de nódoas incómodas e irremovíveis os nossos símbolos e bandeiras é uma dupla vitória, que confere um tempero ainda mais saboroso aos nossos feitos mais recentes. Ganhar é importante, mas nunca poderá ser qualquer custo.

Não ter sido campeão, ainda por cima em casa e na última jornada seria catastrófico. Venceria o Sporting do fado, do azar, que muitas vezes mascararam a incompetência e as más decisões. Aprofundaria a sensação de que Amorim teria levado consigo aquilo que tinha trazido: um Sporting capaz de ganhar de forma sustentável. Ter conseguido sagrar-se campeão depois do abandono do treinador que programou a época, construiu o plantel, ficou à deriva com João Pereira e recuperou o rumo com Rui Borges, permite pensar que há algo de mais substancial que apenas o nome do antigo treinador. E isso ajuda a encarar com maior segurança os próximos desafios. Estes continuam a ser difíceis e complexos e que continuarão a ser esgrimidos contra dois adversários poderosos e porque manter a senda de vitórias é muito mais exigente do que vencer aqui e ali.

Para se perceba o que temos estado a fazer e donde vimos basta lembrar que este saboroso BI só tem paralelo nos longínquas anos 50 do século passado. Mas ele é ainda mais valioso e importante se olhado ao percurso recente dos últimos 5 anos: são três títulos nos últimos cinco anos, o que, permitindo apenas um titulo a cada um dos seus rivais lhes tira o pão que tinham como garantido que invariavelmente lhes iria parar à boca de forma seguida ou interpolada, tendo o Sporting como espectador.

Mas não são apenas os títulos de campeão nacional que nos voltaram a por no mapa dos vencedores e candidatos a voltar a ganhar. Nas restantes competições temos também ganho ou estado estado nas decisões como se pode ver nos resultados da década em curso:

2020-2021
Campeão nacional
Vencedor da Taça da Liga

2021-2022
Segundo classificado Liga
Vencedor da Supertaça
Vencedor da Taça da Liga

2022-2023
Quarto classificado Liga
Finalista vencido Taça da Liga

2023-2024
Campeão Nacional
Finalista Vencido Taça de Portugal

2024-2025
Campeão Nacional
Finalista da Taça da Liga
Finalista da Taça de Portugal

Para finalizar importa referir os nomes incontornáveis deste titulo, aos quais podemos voltar mais tarde. 

Frederico Varandas:

Do ponto de vista individual, porque colectivamente o titulo é de todo o Sporting Clube de Portugal, é o grande vencedor, como seria o inverso em caso de insucesso. Se é verdade que pôs em causa a conquista com a escolha de João Pereira para substituir Amorim, também o é que ainda corrigiu o tiro de forma atempada ao resgatar Rui Borges a Guimarães. Por opção ou por outras razões que nos escapam, optou por uma decisão conservadora no mercado de inverno, quando tudo indicava que o plantel precisava de reforços. Os factos, isto é, a chegada em primeiro lugar, se não apagam a percepção de então também não o deixam desqualificado, o Sporting venceria na mesma.

Rúben Amorim

Formou com Frederico Varandas e Hugo Viana o triunvirato que mudou a face do Sporting. De muito longe o treinador que conseguiu imprimir no Sporting uma mudança de mentalidade e o melhor futebol que vi praticar. Contudo, ao abandonar a equipa de forma inesperada e no momento em que o fez, tornou-se num factor de instabilidade que pôs em perigo o mote que lançou a partir do Marquês: voltar a ser BI. Desbaratou por isso os méritos que lhe poderiam ser atribuídos neste BI, aproximando o Sporting do tempo da instabilidade que nos retirava do caminho da vitória.

Hugo Viana

Mudou o padrão no recrutamento quer quando houve pouco dinheiro, quer depois, por via das vitórias que valorizaram os jogadores e puseram o Sporting nas listas de scouters de clubes que pagam melhor. A última época completa foi verdadeiramente notável, jogadores como Gyokeres e Hjulmand são pilares das nossas vitórias. 

Rui Borges

Foi certamente preciso muita coragem para lidar com a ambição de treinar o Sporting naquele preciso momento em que tinha que, em dois dias apenas, receber em casa o principal concorrente ao primeiro lugar. Conquistou o grupo de trabalho que parece ter completamente na mão. A humildade das origens e dos discurso expuseram-no a ataques ad-hominem cheios de pus e cobardia, a quem respondeu com o titulo nacional. Para lá chegar teve que enfrentar a pior onda de lesões que há memória, o que, tendo condicionado sobremaneira as suas opções, influenciou inevitavelmente alguns resultados. Nesse interim manteve sempre uma serenidade a toda a prova. Terá agora, na época que se avizinha, e que terá que preparar e reconfigurar o plantel, a prova do fogo que permitirá confirmar ou afastar algumas dúvidas sobre as suas propostas para o sistema e modelo de jogo capazes de serem vencedores.

Os jogadores

Com Hjulmand à cabeça, aguentaram tudo, até o inimaginável e pouco recomendável de mudanças no comando técnico. São eles o grande sustentáculo do titulo que acabamos de celebrar. Provavelmente melhor grupo, o melhor balneário de que hé memória os tempos mais recentes.

Dados importantes sobre a carreira do Sporting:

mais pontos (82)
mais vitórias (25, =SLB)
menos derrotas (2)
melhor ataque (88)
melhor defesa (27)

Liderou 30 das 34 jornadas da Liga Betclic 2024/25.
Perdeu a liderança por 3 ocasiões e recuperou sempre na jornada seguinte:
13.ª jornada D 2-1 Moreirense (João Pereira)
15.ª jornada E 0-0 Gil Vicente (João Pereira)
28.ª jornada E 1-1 SC Braga (Rui Borges)

terça-feira, 8 de abril de 2025

Se a cabeça não acredita o corpo não funciona


Se acha que vai ler um artigo de capitulação pode desistir já na primeira linha. É um facto que o campeonato ontem mudou e deixamos de ser lideres, o que só tinha acontecido uma vez nas vinte e oito jornadas e que, por isso, começa agora um campeonato diferente, em que somos nós a ter que ir no encalço de quem vai à frente. Mas, apesar dos sinais de perda que se vinham acentuando e que ontem foram confirmados, não está tudo ainda dito. 

O Sporting tem ainda uma palavra a dizer nesta Liga e, ainda que não seja campeão, espero que a última imagem seja bem diferente de uma equipa sem grande identidade, de solução única – bola no Gyokeres e fé no sueco – e que sobretudo não acredita nela própria. É que só podendo ganhar um, podemos ser derrotados por várias razões, mas nunca por não acreditarmos ou por desistirmos. 

Mas para alterar o rumo descendente –  no qual a onda de lesões é uma das causas, mas longe de ser determinante – é preciso mudar a postura que tem estado latente nos últimos jogos e que ontem acabou por ser determinante. É preciso querer mais do que simplesmente marcar um golito e esperar que o Gyokeres marque mais outro. É essa a mensagem que vem do banco, se percebe da bancada e que parece ser assim também entendida em campo. É preciso uma liderança afirmativa e não apenas o lamento da ordem que a equipa entrou assim ou assado. É preciso fazer o que fez Carvalhal ontem que, ao invés de se escudar nas ausências de Roger e Navarro, empoderou os miúdos que tinha à mão, obtendo o empate precisamente por um deles.

Seguindo precisamente o caminho inverso, Rui Borges recorreu ao lamento e, não satisfeito, ainda recorreu à desvalorização de um activo importante do Sporting – Harder - que, tendo apenas 20 anos e muito pouca utilização (especialmente sob a sua vigência…) é “apenas” o terceiro jogador mais influente, atrás de Gyokeres e Trincão. Tê-lo feito no dia do aniversário do miúdo (sim, é um miúdo) é miserável. 

Ter colocado um jogador em que confessadamente não se acredita para resolver um jogo aos noventa minutos é ser, para ser simpático, incoerente. O pior é que já tínhamos percebido que Borges não acreditava também no Debast, mas teve que se socorrer dele para fazer o onze. Não acredita no Bilel, apesar de publicamente ter admitido que era de um jogador assim que procurava. Também não acreditou no Edwards, para agora se lamentar de não ter ninguém para por a jogar no lugar do fantasma que vagueia perdido em campo com a camisola do Trincão. Ora se a cabeça (o treinador) não acredita, como hão de acreditar o corpo (os jogadores) e os membros (todos nós)?

Como dizia acima este não é nem um artigo de capitulação ou balanço. Não se pretende por isso avaliar para já todo o trabalho de Rui Borges, muito menos as terríveis condições em que recebeu a equipa e que se eternizaram com o avançar das jornadas. Muito menos crucificá-lo.

Se a liderança, ao invés de afirmativa e corajosa, for medricas ou timorata não chegaremos a lugar nenhum. Ontem o resultado podia ter sido o mesmo, quiçá pior, sendo verdade que criámos oportunidades para obter uma vitoria. Mas, quando se está a ganhar apenas por um escasso golo e a bola não entra, é preciso que, a começar pelas ideias do treinador, demonstremos vontade de querer mais e não esperar que o tempo escorra até ao final. E ontem nem foi a primeira vez que Borges viu, entre o banco e a linha lateral, a equipa cair, deixar de pressionar e aceitar tacitamente o que o jogo desse, sem alterar uma dinâmica que fosse.

O campeonato ainda não acabou, resta agora tentar vencer com o que nos resta ou “morrer” a tentar. Afinal, apesar do resultado de ontem, continuamos a depender só de nós. NÓS! 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Como vai o Sporting sair desta tempestade perfeita?


É consensual afirmar que há um campeonato até à 11ª primeira jornada e outro depois dela. A saída de Amorim, substituído por João Pereira, provocou a queda a pique do Sporting em resultados e exibições. De tal forma que Frederico Varandas se sentiu obrigado a mudar novamente o comando técnico da equipa, estando agora entregue a Rui Borges. Perder o treinador vencedor e carismático, tendo que encontrar quem o substitua num momento decisivo da época, em que ainda por cima o tempo para treinar escasseia, foi a tempestade perfeita que se abateu sobre o Sporting. Isto quando  até os adversários admitiam a mais do que evidente superioridade leonina. Por muito que custe pensar e até admitir, começou tudo de novo nesta Liga e a nossa vantagem esfumou-se. É desse período até aos dias de hoje que se debruça o post de hoje.

Talvez a última vez sobre Amorim

Quem "folhear" os artigos aqui escritos testemunhará a profunda admiração pelo trabalho do antigo treinador. Mesmo até quando falhou, e foram várias as vezes que tal sucedeu, não deixei de manifestar a minha vontade que permanecesse por muitos mais e bons anos. Mas Amorim queria sair, como ficou demonstrado pelo triste episódio da viagem de verão e que se viria a confirmar agora. Deixei-me iludir pela promessa feita no Marquês, o que foi prometido como "vamos ver" era apenas um compasso de espera por uma proposta irrecusável, não um compromisso solene. Essa proposta irrecusável nunca teria um timing ideal, ter acontecido num momento como o actual, onde se definem as sortes nas diversas competições, acabou por funcionar como verdadeiro terramoto. A ambição de Amorim é legitima e, com frieza, fomos agora vitimas da mesma ambição que o levou a deixar o Braga com poucos meses de liderança no clube.

A hora da SAD demonstrar o estado da arte

Ter que escolher o sucessor do melhor treinador das últimas décadas nunca seria uma tarefa fácil. Porque Amorim não tinha ganho apenas títulos no Sporting, tinha conquistado os adeptos e era o dono do balneário e do plantel que foi construído nos mais de quatro anos de liderança. Frederico Varandas começou por gerir bem a passagem de testemunho, conseguindo a manutenção de Amorim por um período onde foram alcançados resultados importantes que mantêm em aberto as nossas ambições em todas as competições em que estamos envolvidos. Os jogos com o City e Braga parecem tirados de uma produção de Hollywood, pelas exibições, pelos resultados e pelas emoções. Seguir-se-ia a apresentação de João Pereira, onde se dispensaria bem a hipérbole da apreciação sobre as qualidades de um treinador praticamente desconhecido e sem trajecto no futebol ao mais alto nível. 

Hoje é fácil castigar a escolha, na altura a todos pareceu natural. Para se defender Varandas poderia escolher um "treinador de topo", como muitas vezes se ouviu dizer. Despejar nomes é fácil, especialmente sem ter em conta quanto custam e se quereriam vir. Pelo que se percebeu nem Abel  nem Vítor Pereira quiseram trocar os campeonatos onde militam para o regresso a uma liga menor e pior paga. Mas o que mandam são os resultados e estes é que validam as escolhas e, nesse sentido, João Pereira juntou-se a uma lista de treinadores cuja escolha marcam negativamente os mandatos de Frederico Varandas.  São do acaso e méritos de terceiros a contratação de Amorim e o período que se seguiu são mérito exclusivo do próprio treinador. Varandas ficou apenas com a loucura de entregar em mão a choruda cláusula de rescisão a António Salvador.

Varandas não tem muitas preocupações em fazer amigos, quer fora do clube, quer internamente e por isso não surpreende que se assista a considerações como "o Sporting era o Amorim e o resto era paisagem" como uma forma de menorizar o que alcançou o clube sobre a sua liderança e dessa forma todo um clube centenário. Não creio que isso seja uma preocupação para ele e não creio que precise de advogado de defesa. Mas é uma afirmação injusta para o trabalho que tem sido feito na requalificação do futebol profissional do Sporting, muito em particular para as dezenas de profissionais que o suportam. Trabalho esse do qual o próprio Amorim também beneficiou e lhe permitiu evoluir para o treinador que é hoje. O Sporting está hoje muito melhor preparado e de forma transversal para estar à altura das suas ambições. Ninguém ganha sozinho como certamente hoje Amorim percebe melhor do que ninguém em Manchester.

Rui Borges, o que se segue à entrada de Leão?

Acertar na escolha da liderança técnica é um segredo que clubes como por exemplo o Manchester, Arsenal, bem pagariam para possuir. Será ele Rui Borges? 

A coragem de assumir uma equipa campeã que se encontrava completamente derrotada logo para um compromisso para o dérby rendeu dividendos ao novo treinador. Enquanto teve pernas o Sporting foi melhor e além de ter sido a única a marcar foi a que criou os lances de maior perigo. Um verdadeiro milagre operado por Rui Borges ao resgatar o plantel das profundezas da descrença e da parede que se parecia ter levantado entre o presente e o passado. Mas o jogo de Guimarães veio recolocar muitas interrogações. Um jogo que até começou bem, mas o hat trick de Gyokeres ajudou a iludir quem não viu a equipa do Sporting demasiadas vezes e demasiado tempo à mercê do adversário. 

Não foi uma equipa autoritária, não conseguiu controlar o adversário, não se percebe muito bem como quer pressionar ou reagir à perda e, dessa forma, não surpreende que tivesse menos bola que o antagonista, ao que também não será alheio o facto de acumular erros consecutivos na construção, entregando bolas atrás de bolas. Uma coisa tenho como certa: uma equipa que defende tão mal não consegue ser campeã. Uma equipa com tais ambições não pode perder ou empatar um jogo onde consegue marcar quatro (!) golos.

Não deixa de ser curioso que o que tanto se criticou ao infeliz João Pereira - querer impor rapidamente ideias próprias sobre uma equipa rotinada pelas ideias do antecessor - agora pareça ser o grande mérito do actual treinador. Isto quando ainda por cima existe muito pouco tempo para treinar e por isso para implementação e consolidação de novas ideias. O mais evidente de todas as mudanças operadas por Rui Borges foi o recurso da defesa a quatro. Não sendo propriamente uma novidade, também não é menos verdade que foi nesse sistema que a equipa soçobrou na Supertaça, depois de parecer já com o troféu no bolso, tal como aconteceu agora em Guimarães.

O treinador tem razão quando diz que o sistema é apenas o desenho inicial com que as equipas se apresentam, sendo tão ou mais importante a forma como a equipa o interpreta em função do que o jogo pede. E aí o jogo de Guimarães deixou muitas interrogações. Como pretende ele que a equipa pressione? Como se organiza após a perda? Como reage de forma a evitar a pressão do adversário? `Questões que saltaram à vista pela forma como o Sporting se viu impedido pelo adversário de ter bola, anulando assim a possibilidade Gyokeres continuar a explorar o muito espaço que dispunha. E veremos nos jogos seguintes que ferramentas fornecerá para desmontar os autocarros estacionados em pleno relvado de Alvalade.

Rui Borges tem muito trabalho para frente e sobretudo muitas decisões difíceis para tomar sobre um plantel que não foi construido por si nem à sua imagem e semelhança. Há posições claramente deficitárias em número (para alternativa a Pote, é mais gritante) como em qualidade, sendo a baliza o mais notório. Num campeonato que prevê disputar ao milímetro a posição de guarda-redes tem de valer pontos, mas não para os adversários. Na época passada era possível ser campeão sem guarda-redes, tão poucas oportunidades o Sporting concedia. Este ano não vai ser assim. 

O que pude ver de perto em Guimarães, pela posição privilegiada na bancada, foi uma defesa desconfiada de um guarda-redes que não saía debaixo da trave da sua baliza. E já todos tínhamos visto o primeiro golo perfeitamente defensável. De pouco nos valerão os golos de Gyokeres sem uma presença que infunda confiança aos nossos defesas e seja olhado como uma autoridade no seu posto pelos adversários.

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