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domingo, 12 de junho de 2022

O Sporting tem de ser sempre isto


 No ano passado, por ocasião da ida do Sporting à Luz, já de titulo de campeão assegurado, colocou-se a questão se a equipa da casa iria prestar o devido tributo aos campeões, alinhando-se à entrada, para saudar os recém titulados. Logo se apressou um dirigente do clube rival a garantir que tal apenas estaria reservado para o presidente e o Sporting entrou em campo como num jogo normal de campeonato. Longe de ser uma surpresa ou até inédito, uma vez que já em cerimónias de atribuição da Taça de Portugal, por exemplo, vimos as equipas adversárias regressar rapidamente aos balneários, ausentando-se do encerramento daquela que é considerada a Festa do Futebol.

Ontem, à entrada da quadra para disputar a meia-final da Taça de Portugal, a equipa do Sporting estava alinhada para receber a equipa de andebol do SLB, que recentemente venceu a Liga Europeia de Andebol E, como se viu durante o jogo, este acto em nada beliscou a nossa vontade de vencer. Não precisamos de usar o ódio pelos rivais como expediente para fomentar a sede de vitória.

 É verdade que é mais fácil fazê-lo nestas circunstâncias do que quando somos rivais na disputa das mesmas provas. Vamos ver o que acontecerá na final de andebol que hoje disputamos com o FCP. Ao contrário do que possa parecer, estas atitudes não são meros pormenores, marcam a diferença entre os proclamam aos quatro ventos o seus princípios e aqueles que lhes são fiéis, praticando-os. Espero que o Sporting seja sempre assim.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

O que o Sporting tem a aprender com o Sporting

Ao conquistar de novo o campeonato de Futsal, o Sporting acentua a sua hegemonia na modalidade. O tri agora alcançado perfaz o décimo titulo no presente século e completa assim os quinze conseguidos até ao momento. O clube mais próximo de nós no número de títulos é o nosso eterno rival, o SLB, com menos de metade dos campeonatos. 

A estabilidade com que departamento tem sido gerido tem sido seguramente uma das razões da nossa vitalidade. A acumulação de conhecimento e experiência tem permitido ao clube dotar-se dos melhores profissionais, quer estes sejam técnicos ou jogadores. A semelhança registada com os orçamentos dos rivais é outra das explicações. Quando os campeonatos começam o Sporting ou parte à frente ou em igualdade de circunstâncias. 

Há muito tempo que não me lembro de algo semelhante no futebol e essa é, entre várias razões, a explicação para a ausência de títulos na nossa modalidade. 

A alegria desta nova conquista no futsal acabou ensombrada pelo trágico desaparecimento de um Sportinguista que os adeptos se habituaram a reconhecer através do nosso canal de televisão, Rui Rigueiro. Conhecido também como apoiante de Bruno de Carvalho, ainda na semana passada havia colocado no seu perfil no Facebook uma declaração, dando conta da sua surpresa por não ter sido saneado do canal por ter colada a si a imagem do passado recente. 


 A ideia de pacificar o Sporting e de que todos são importantes é fundamental para o presente e futuro do clube e não podia ser mais oportuna. Assim o queiramos tão grande como os nossos fundadores, cuja memória celebramos, assim o sonharam. À família do Rui Rigueiro os meus sentimentos. 

Ficam assim dois exemplos de que o Sporting sabe fazer bem. Sem prejuízo de olhar ao que de melhor se faz à sua volta, o Sporting pode e deve aprender com o que também de muito bom fazemos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Algumas notas sobre a Gala Honoris Sporting

A direcção do Sporting decidiu criar um evento próprio para celebrar o aniversário do clube e simultâneamente "reconhecer aqueles que, individual e colectivamente, contribuíram para o engrandecimento do Clube nas suas múltiplas dimensões, pelo talento e boas práticas desenvolvidas(...)." As categorias eleitas a premiar são: Futebol, Modalidades, Universo Sporting e Dirigismo. Adicionalmente serão entregues os emblemas aos sócios que completam os 75 e 50 anos. (A noticia no site não menciona os emblemas respeitantes aos 25 anos, não sei se por esquecimento ou se a respectiva aposição já terá ocorrido anteriormente e dela não me ter apercebido.)

Como é sabido, trata-se de uma inovação, uma vez que, até hoje, não havia prémios institucionais regulares, para lá dos acima mencionados emblemas de sócios. Sem carácter oficial mas com grande significado e tradição, os galardões mais desejados e prestigiados eram até agora os conhecidos Prémios Stromp. Prémios que sofreram desvalorização a que não será alheio o facto de a glória para dividir ter sido escassa e uma notório contágio pela turbulência em que a vida interna do clube tem sofrido nos últimos anos. É inevitável que os Prémios Stromp venham agora a passar a segundo plano, o que não colide com a legitimidade da iniciativa dos órgãos sociais.

Algumas considerações sobre a cerimónia:

Quem dá e quem recebe? - Não foi divulgada, pelo menos até ao momento, a existência de uma comissão que delibere sobre os prémios a atribuir. Provavelmente a autoria será do Conselho Directivo, não sendo de estranhar que a Mesa da A.G., tendo em conta a sua natureza e representatividade, também possa estar envolvida. Ora isto elimina logo à partida a atribuição de prémios aos elementos que a constituem, por razões óbvias, o que também pode configurar alguma injustiça. Uma questão a merecer algum cuidado e atenção.

Objectivos ambiciosos - organizar uma cerimónia como a que certamente se pretende - um momento de exaltação e celebração do clube - num espaço tão amplo como a Meo Arena é reveladora de ambição mas é também um risco, uma vez que, tratando-se de uma estreia, é difícil de avaliar a adesão que obviamente desejamos seja elevada para que se cumpram os objectivos pretendidos. Estou certo que este risco foi devidamente avaliado.

Custo elevado - Um dos possíveis óbices à adesão é o custo relativamente elevado para aceder à cerimónia (50€). Este valor seria sempre difícil de suportar na actual conjuntura. Para os Sportinguistas ainda mais, especialmente os mais fiéis. Quotas de associado, Gamebox's, Missão Pavilhão, bilhetes (jogos não incluidos na GB, por exemplo), actualização anual de equipamento, viagens, etc, etc. Este número não deve andar muito longe dos 30 mil, mais dezena, menos dezena, se atendermos aos números médios de assistências e números de sócios com quotas em dia. A fidelidade tem um custo elevado.

Premiar a fidelidade - Esta será uma boa ocasião para premiar os sócios mais fiéis, não apenas os completam o número de associação acima mencionados, mas sobretudo os que participam de forma activa nas diversas actividades do clube. Por exemplo, os que acumulam a sua condição de associados com as GB's de futebol e modalidades.  Ou os que mantêm a sua condição de associados vivendo longe do País e por isso não podem comparecer com a assiduidade que certamente desejariam. 

A estas ideias avulsas certamente que poderão acrescer outras melhor estruturadas e amadurecidas recolhidas no seio da imensidão de Sportinguistas. 

Resta-me desejar que a Gala Honoris seja isso mesmo: uma honra para o Sporting!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Até agora os melhores e muito dificeis de bater

O resultado de ontem assim o dita: o Sporting fez o melhor resultado da primeira jornada e isso já não nos podem roubar. Há por isso razões para entusiasmo, não se pode pedir aos adeptos que não o sintam porque isso é negar a natureza da sua ligação ao clube, que é essencialmente pautada pelas emoções, pela paixão desmedida. Queriam o quê, que estivéssemos hoje todos tristes, como se tivéssemos entrado pela Madeira dentro?

Mas o título não se deve à vitória de ontem porque contém 2 afirmações que não posso comprovar: por não ter visto a totalidade dos restantes jogos não sei fomos a melhor equipa até agora. E é ainda cedo para sabermos se somos difíceis de bater. Há ainda alguns pormenores a deixar algumas dúvidas na nossa organização defensiva que o Arouca só muito ao de leve conseguiu expor. Mas a resposta positiva ao infortúnio de sofrer primeiro e partir daí para uma boa exibição dá boas razões para acreditar.

Acreditar é dizer presente e a razão deste post é precisamente os outros artistas deste jogo que, para o serem, nem precisam de subir ao relvado. Não têm empresários, não são detidos e passados de mão em mão como mercadoria porque só são dali, daquelas bancadas ou onde o Sporting jogar e estão sempre lá, faça chuva ou faça sol. O seu sucesso não se mede pela fotos nas primeiras páginas dos jornais ou pelas cilindradas dos seus bólides. As medalhas ao peito são os inúmeros triunfos testemunhados na primeira pessoa, lado a lado com os imensos sacrifícios, desgostos e atribulações ganhos à custa da abdicação de uma outra vida. Gente que acredita sempre, mesmo até quando já é impossível e ao invés de receber paga para estar lá. Falo, como é óbvio, dos adeptos.

Agora que as claques se juntaram na Curva Sul a voz dos adeptos no estádio é mais nítida, mais forte, por oposição à cacafonia que durava já há demasiado tempo. Alvalade é assim mais, muito mais, a casa do Sporting e isso é o que os adversários podem voltar a recear. O tal 12º jogador que, não jogando, é decisivo a empurrar a equipa para frente.

Em matéria de apoio e dedicação, neste inicio de época, os Sportinguistas, tal como no passado, voltaram a liderar e a pôr a fasquia mais alta para os demais. E o mais notável, digno de registo e orgulho é fazê-lo apesar dos oráculos da desgraça. Sabemos que não vamos ganhar sempre, que eventualmente não ganharemos já o suficiente para honrar o passado glorioso. Mas não deixamos as nossas camisolas sozinhas e tal é afirmar que acreditamos, que não desistimos de fazer um Sporting maior.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Olhar para as redes sociais sem surpresa mas com muita pena

As redes sociais tornaram a calúnia e o boato uma arma uso fácil. A mais reles insinuação não necessita de qualquer indicio de prova para se propagar, tornando-se uma verdade insofismável. Planta-se e espera que floresça, adubado pelo pior que há a natureza humana. Uma fórmula bem sucedida porque as  redes sociais conferem hoje a um simples individuo um alcance quase ilimitado, potenciado por uma dinâmica colectiva difícil de contrariar. 

Neste sentido o dia de ontem - onde a blogosfera andou agitada com boatos e desmentidos envolvendo o presidente e familiares próximos - foi "apenas" mais um dia mau para o Sporting. Uma demonstração mais de que a saúde do Sportinguismo já conheceu melhores dias e não parece no caminho das melhoras no curto prazo. Novidade, e significativa, foi ter-se assistido a um desmentido de um dos visados, neste caso visada. Uma vez que é um dos elementos mais proeminentes de um dos grupos de Sportinguistas mais conhecidos no Facebook, espero que pelo menos retire do tratamento ignóbil a que foi sujeita a importância do respeito pelos outros.

Os já mais de 3 anos de blogger, muitos deles como alvo fácil de comentários ofensivos e caluniosos, conferem-me alguma autoridade sobre a matéria. Ainda assim não me dão muita força ou vontade de dissertar sobre ela. Como utilizador aceito as regras do jogo. Sem pretender fazer escola ou constituir exemplo, procuro pautar as minhas intervenções dispensando a terceiros o tratamento que quero para mim. 

Já falar sobre o Sporting é  muito diferente. A minha opinião representa-me apenas a mim, não falo em nome do clube. Mas tenho a noção bem clara que o uso do seu nome ou, mesmo que de forma indirecta, ver o meu nome associado ao clube, me proporciona uma visibilidade muito maior do que aquilo que sou e represento. Esta é uma noção que não foi imediata mas fui aprendendo e amadurecendo. O mínimo que posso fazer é ser criterioso e cuidadoso nas minhas intervenções de forma a que elas não belisquem o clube. Uma noção que se tornou mais aguda nas eleições de Março de 2011, um momento de particular fragilidade e que por isso requeria também particular cuidado, foi essa a percepção que fiz do momento.

Uma postura que nem sempre foi apreciada ou compreendida, em particular no último ano, estão aí as caixas de comentários dos diversos posts para o testemunhar. Desde acusações de uma agenda escondida, propagandista - ter-me-ia vendido e a troco de quê? - a outras de igual teor a por em causa o meu Sportinguismo e o meu carácter. O incómodo causado não foi porém maior que a consciência tranquila. Prefiro desiludir terceiros do que a mim mesmo.

Será essa mesma postura que me permitirá ficar confortável agora. É ela que agora me permite condenar de forma clara o lançamento de calúnias e rumores e a vozearia orientada para fragilizar Bruno de Carvalho. Não se atinge um presidente sem melindrar também o clube que representa. Por mais coriácio e protegido que esteja não é imune ao desgaste. Há quem diga que Bruno de Carvalho provará agora do veneno que andou a espalhar enquanto oposicionista. Argumento que não colhe. Se era então impróprio insultar, caluniar o então presidente, hoje não pode ser diferente.

Bruno de Carvalho já não é apenas um sócio é já o presidente do Sporting Clube de Portugal e isso muda alguma coisa. Quase tudo, creio. Por todas as razões que se possam intuir e, do meu ponto de vista, por duas de valor essencial: 
1- O insulto mina a vontade, desmobiliza e desorienta.
2- Os Sportinguistas não podem, ou não devem, ficar à espera de ver surgir o próximo João Rocha para se mobilizarem em torno do seu clube. Porque ninguém vai ficar à espera do Sporting.

Pena que muita gente só agora o descubra. Pena que só agora tenham despertado para  necessidade de união - seja lá o que isso for - ou de remarmos todos para o mesmo lado. Pena que muitos dos que passaram os últimos dois anos a insultar o então presidente não percebam como isso concorreu para uma imagem ainda mais débil do clube. Os mesmos que hoje nem sequer concedem o direito à critica, mesmo que esta seja inteiramente justificada.

Os outrora auto-proclamados "exigentes" estão agora a descobrir isto. Veremos o que dirão depois dos negócios resultantes da venda de alguns - diz-se muitos - jogadores do plantel. À semelhança do que aconteceu com João Pereira ou Matias Fernandez, não são de esperar grandes valores. Porque da realidade de então pouco mudou. A necessidade já tantas vezes declarada - em contradição com o que foi prometido, assinale-se - será amplamente cobrada pelo mercado. À excepção de Patrício ninguém se valorizou. E mesmo este vejo com imensa dificuldade o Sporting conseguir uma verba superior a 7 milhões de euros. O mercado está cheio de guarda-redes disponíveis de valor técnico idêntico e até superior.

Para estes "exigentes" o mundo é um lugar fácil. Na mesma frase conseguem dizer que o Wolfs é um manco mas que 10 milhões é mau negócio. São os mesmos que acham que Jeffren não vale nada mas temos que o vender no minímo por quatro milhões. Não fosse uma perda de precioso tempo de vida dedicar-lhes-ia alguma atenção nos tempos mais próximos.

O mesmo acontecerá quando o Sporting apresentar as contas e olharmos para a parcela das comissões. Não é o Sporting que dita as regras e mesmo tentando moralizá-las sairá sempre a perder. Se pretender um jogador e se recusar a pagar a comissão ao agente este tudo fará para que o negócio se realize com quem pague melhor. Se vender e comprar muito esta será uma parcela com valores elevados e o contrário. Ao olhar para ela não serei eu, sem mais, a colocar em causa a honorabilidade de quem fez os negócios.

Três exemplos apenas de uma infinidade de outros que ficarão para melhor ocasião.

Quase todos anseiam por um Sporting diferente, um Sporting melhor, maior. Essa mudança será uma vitória colectiva que terá que começar a ser ganha por cada Sportinguista. O Sporting não pode continuar a ser uma máquina trituradora, especialmente dos que assumem a pesada responsabilidade de colocar o Sporting no lugar que todos entendemos ser mais que merecido.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um leão de cravo ao peito

Apesar do tempo muito curto não quero deixar passar em claro a data que hoje se celebra.

Começo pelo País que hoje somos, passados que estão 39 anos após a Revolução dos Cravos. As muitas desilusões, enganos e até os retrocessos não desmentem o essencial: 

valeu a pena! 

Mesmo não ignorando os indicadores de desenvolvimento humano e social que atestam a validade da demanda dos jovens oficiais, o facto simples, mas sem preço, de me poder exprimir de forma LIVRE obriga-me a dar este testemunho. A mim com maior responsabilidade, pois conheci o que éramos e o que hoje somos.

Acabo de forma inevitável debruçando-me sobre o meu SPORTING CLUBE DE PORTUGAL. Só alguém de espirito muito mesquinho e enviesado pode pensar que o meu clube "tem um estigma" por ter nascido da vontade de pessoas à época consideradas "nobres". 

O Sporting tornou-se na maior potência desportiva nacional, que é muito mais do que ser apenas o melhor no pontapé na bola - por mais que me doa não o ser, certamente dói muito e muito mais a muitos mais que assim sejamos - porque é um clube transversal, interclassista, na sociedade portuguesa. 

É assim que se explicam os seus muitos milhões de seguidores, entre adeptos  e sócios por esse mundo fora. Fosse apenas um clube de viscondes ou de "gente de consoante dobrada" o Sporting não seria hoje muito mais do que a memórias de tempo que não voltam mais. 

Para os que duvidam lembro que o Sporting nasceu em 1906. 4 anos depois haveria de suceder uma dramática viragem politica e social, consubstanciada na implantação da República. Apesar das suas ligações de origem à classe dominante de então, cujos direitos e privilégios seriam colocados em causa e até abolidos, o Sporting, ainda de tenra idade, haveria de, mais do que sobreviver, prosperar. 

O mesmo haveria de suceder na Revolução de Abril. Apesar de ter, nos seus dirigentes à época, ligações com o poder instalado, o Sporting fez uma transição pacifica para a democracia, conhecendo com o João Rocha, um presidente eleito antes da revolução, talvez um dos seus períodos mais prósperos e pujantes.

O Sporting é um clube de elite, é assim que eu o vejo. Não no sentido do privilégio ilegitimo,  mas da elite representada na nobreza da sua missão e e dos seus ideais. É esse o Sporting que me conquistou e que, aos meus olhos continua a ser possível. Mesmo que, entre muitos de nós se sinta, aqui e acolá, tiques que apontam para uma semelhança cada vez maior com os nossos adversários e rivais. 

Foi a nobreza e exclusividade da sua mensagem e ideais que construiu a história que hoje conhecemos. Sem aqueles somos cada vez mais parecidos com todos os outros e por isso faremos cada vez menos sentido.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Afundar ou refundar, eis a questão

QUEREMOS QUE O SPORTING SEJA UM GRANDE CLUBE, TÃO GRANDE COMO OS MAIORES DA EUROPA!

A esta frase histórica, que se transformou na missão de todos nós, de todos os dias, José Alvalade juntou o verde, cor da esperança. Refundar o Sporting é lutar por isto, apontar mais alto. Projectar um Sporting nos campeonatos regionais é afundá-lo.

O Sporting é dos resistentes, não dos desistentes! Eu já escolhi a minha t-shirt!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Sporting não pode ser um vício, é uma paixão!


Ao contrário do ano passado, nos meus posts deste inicio da época tem prevalecido a dúvida sobre o trabalho realizado pela equipa técnica comandada por Sá Pinto. Dúvida que não tem tanto a ver com os resultados mas sim com os processos de jogo e parece-me legítima em relação ao que se tem presenciado. 

Mas hoje não vou voltar a repisar as mesmas ideias porque, além de fastidioso, não contribui em nada para dissipar as dúvidas e, sobretudo, não me interessa engrossar a espiral de amargura e negativismo que já assola grande parte dos Sportinguistas que se pronunciam sobre o tema.

Ter dúvidas não significa ausência de esperança. No futebol não há certificados de garantia e as decisões finais, em regra, só ocorrem quando soa o último apito do árbitro. Ao expressar as minhas dúvidas revelo preocupação e tristeza por que sei da importância que assumem os resultados nas dinâmicas internas do clube e como estas podem provocar turbulência nefasta em torno da equipa.

Como é óbvio não é me é indiferente que o Sporting ganhe muito ou pouco, mas os resultados não contam para pautar a minha ligação ao Sporting. Não me surpreende que aqui e ali (leia-se nas caixas de comentários deste blogue) me considerem de forma mais evidente ou velada como um sportinguista apócrifo, como por exemplo quando escrevo "José de Alvalade" ou me pronuncio sobre os efeitos da publicidade nas camisolas.

Não sou um sportinguista com "pedigree leonino", não tive ninguém que me ensinasse o que e quem era o Sporting, dei comigo a gostar do clube pelo seu espírito, pela forma de estar no desporto, pelas lições que ia recebendo. E, nos jornais onde, cada vez com mais afã, procurava diariamente noticias sobre o clube, era comum ver assim escrito o nome do nosso fundador. A publicidade parece-me um mal necessário em que se perde alguma coisa para receber outra em troca e o negócio tem de ser vantajoso para ambas as marcas, ou não se faria.

Fui sozinho pela primeira vez a Alvalade (e foi muitas vezes sozinho que vi os jogos do Sporting)  e com dinheiro que juntei para o efeito. Não é possível descrever a sensação que foi ver um estádio inteiro a vibrar com a entrada da equipa mas apenas a certeza que era ali que queria estar, eu era um sportinguista. 

Não dou lições de sportinguismo a ninguém, encontro sempre à minha volta quem tenha feito muito mais e melhor do que eu, sobrando-me sempre o sentimento, sem falsa modéstia, de que cheguei sempre tarde ou com demasiados hiatos e fiz pouco. Nem o facto de ter vivido sempre longe de Alvalade serve de desculpa, como constato à minha volta.

Mas a geração espontânea do meu sportinguismo tem pelo menos uma grande virtude: não tenho dúvidas sobre a forma como o quero exercer. Serei sempre sócio, uma conquista pessoal de valor inestimável, apesar de tardia, e que não dependerá nunca de quem for o presidente, o treinador ou de vitórias estrondosas ou copiosas derrotas. Aliás, apesar de "acreditar" que há algo de "destino" no facto de uma das grandes conquistas internacionais do Sporting ter sucedido no ano em que nasci, quando dei comigo a gostar do clube tenho a certeza que esse sentimento não foi produto de um título, vitória ou momento feliz. Quando me perguntam, muitas vezes com ironia de quem se acha melhor porque tem episodicamente ganho mais vezes, eu costumo retorquir com genuína convicção: mas há outro (clube)?

A existência deste blogue deve-se essencialmente a essa má consciência, (juntamente com a necessidade de criar um escape para a pressão de quem, como muitos, pensa todos os dias no seu clube): a de nunca ter feito o suficiente pelo meu clube e assim procurar, à sua reduzida escala, equilibrar o saldo devedor.

Apesar da consciência tranquila, sei que poderia ter sido melhor e ter feito mais. E não me orgulho de muitos posts desbragados  ao tempo do "ciclo Bettencourt", (e ainda antes de se confirmar a sua eleição), isto apesar da história poder vir a justificar alguma brandura numa possível condenação. Mas, mesmo que tenha sido justo nas apreciações, era-me cada vez mais penoso falar do Sporting quase sempre pela negativa, e por vezes de forma ácida e corrosiva.

Infelizmente essa é cada vez mais única forma de estar de muitos dos meus consócios e adeptos como eu. As exibições desta pré-época vieram carregar nas tintas já de si bem escuras, depois daquela fatídica tarde no Jamor. Muitos não se recompuseram do choque de uma derrota quando já tinham celebrado antecipadamente a vitória que era impossível não alcançar. Não ignoro também que para alguns também seja conveniente (para a sua estratégia) o "quanto pior melhor" e que por isso ou aguardem em silêncio que tudo se desmorone para aparecer no seu cavalo branco, ou que bramam já alto e a bom som "já vimos este filme" ou "vem aí mais do mesmo". Creio, contudo, que a maior parte exprime como pode a sua apreensão, remetendo-se  a uma defensiva que, em última análise, visa proteger um coração fervoroso mas com muitas cicatrizes.

É com tristeza que noto que para muitos o Sporting é hoje mais um vicio do que uma paixão. Não sei qual o seu valor numérico mas é pelo menos ruidoso e maligno. As expressões muitas vezes usadas entre sportinguistas superam em muito as que usam os nossos adversários e inimigos, porque também os temos. O nome do clube é muitas vezes referido como se se tratasse de uma substância aditiva perigosa mas que pouco ou nenhum prazer remunera aos que o "consomem". O Sporting, para alguns, parece ter-se tornado um vicio diário e um escape para as agruras de uma vida cada vez mais difícil e menos um prazer e uma paixão.

Embora, repito, não tenha lições para dar a ninguém, essa é uma postura que me lembra muito aquilo que, apesar das influências exercidas por familiares próximos e pelos resultados, eu não queria ser: pertencer ao clube em que a maior parte dos adeptos vive permanentemente descompensado, crendo-se sempre os maiores na primeira vitória e em profunda depressão porque a realidade os desmente a cada passo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A prenda que o Sporting merece

O Sporting celebra hoje 105 anos de vida. Mais de um século de sonhos, conquistas e reveses. Todos eles são indispensáveis à nossa história, porque se as glórias conferem a grandeza da nossa instituição, os desaires e infortúnios são cicatrizes que ficam para lembrar a nossa capacidade de nos levantarmos, de nos refazermos, de nos reinventarmos.

São 105 anos muito bem contados porque desde o dia 1 Julho de 1906 que somos o Sporting Clube de Portugal facto capaz de resistir a qualquer contestação ou verificação. Isso é uma marca distintiva de que nos orgulhamos e que diz muito dos valores que defendemos e que norteiam a forma de estar no desporto. Mais do que os milhares de títulos que ostentamos e que se confundem com a história dos melhores feitos do desporto do País que temos no nosso nome, é aí que encontro a razão de ser da minha identificação com o clube de que tanto me orgulho de dizer que pertenço.

Essa identidade só a senti completamente realizada no dia em que me tornei membro de pleno direito da comunidade  verde e branca ao tornar-me sócio do clube. Hoje, em dia de aniversário, e com a possibilidade de efectuar a inscrição de forma gratuita – uma excelente iniciativa que talvez merecesse o prolongamento por uma semana – quem sabe esta não é altura de dar ao Sporting Clube de Portugal a prenda que merece.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Chega de Páscoas!

A Páscoa como festa tradicional de profundo cariz religioso perdeu grande parte da sua importância, em particular nos grandes centros urbanos. Hoje, ao contrário dos meus tempos de meninice, é vista como um pequeno período de merecidas férias, uma pausa para recarregar baterias desgastadas por um quotidiano cada vez mais frenético e exigente.

Não tenho uma memória muito segura, mas julgo que os jogos no fim-de-semana de Páscoa são relativamente recentes, talvez do final dos anos 80. Nos últimos anos ficou instituído como o fim-de-semana da Taça da Liga, no que me parece uma boa medida de promoção de uma competição que se tem vindo a consolidar, pese o desdém a que é sujeita pelos que ficam impossibilitados de a disputar até ao fim. Não foi esse até agora o comportamento do Sporting, que perdeu até as 2 primeiras finais por uma unha negra. Ou, melhor dito, uma por penaltys outra por um apito negro.

Assisti sem grande atenção à final deste ano mas a suficiente para concluir que em Paços de Ferreira está a crescer um grande treinador que muito estranharei se continuar por lá na próxima época. Seguindo um percurso de subida sustentada, julgo que Rui Vitória está já preparado para um SCBraga ou um Vitória.

Do resultado da final e sobre as pálidas comemorações dos vencedores, e até dos momentos que a antecederam, ficou também um enorme branqueamento dos jornais de Lisboa da especialidade, pelo menos nas suas versões online. Fosse o Sporting e os seus adeptos os protagonistas do atraso do autocarro vermelho na hora da partida para Coimbra, fossem os adeptos a assobiar a equipa após a conquista do troféu e no regresso a Lisboa e como seriam as primeiras ontem e hoje do Record e da Bola? Não é que o assunto até me interesse muito, mas não deixo de constatar que as coisas estão tremidas para aqueles lados que não seria de surpreender que, ou eliminam o ScBraga na "Óroliga" ou a GNR e a PSP vão ter que monitorizar todos os viadutos da A3 e A1 quando o SLB fizer a viagem de Braga para Lisboa, após a segunda mão e apenas por causa dos adeptos benfiquistas...

Para nós ficou uma Páscoa sem competição no futebol mas com as modalidades a trazerem o nome do Sporting aos títulos, mesmo que tímidos, dos jornais. Aproveitando também o período para descanso e alguma reflexão dei comigo a desejar que o Sporting saia da Páscoa onde há algum tempo se encontra. Daquela Páscoa que associamos à crucificação, ao julgar apressado, ao lavar das mãos das responsabilidades, ao carregar de cruzes demasiado pesadas, das traições por 30 dinheiros, das flagelações, da excessiva conflitualidade interna. Felizmente o Sporting não morreu, está bem vivo, pelo que não precisa de ressuscitar. Mas parece-me incontestável ser necessário um tempo novo, em que o Sporting concentre as suas forças na luta contra as dificuldades impostas pelos adversários e não as perca por via das auto-flagelações. Chega de Páscoas!

P.S- Fica para esta semana a análise do se vem dizendo sobre os reforços e dispensas. Mas não posso desde já deixar de lamentar que possa ser verdade o afastamento de Vítor Silvestre do treino de guarda-redes do plantel principal. A evolução de Rui Patrício no último ano certamente que também a ele se deve pelo que GL, ou mais concretamente Luís Duque, deviam limitar-se a corrigir o que está mal, o que, convenhamos, já lhes dará muito que fazer. A noticia é ainda mais estranha até porque, ao contrário do que vincula o Jogo , Nélson não se especializou no treino mas sim em markting desportivo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Sporting é enooooooooorme!

Não adianta iludir a realidade, os tempos são de facto difíceis, e as dificuldades que nos são exclusivas são exponenciadas por uma conjuntura desfavorável num mundo que está a mudar muito rapidamente a cada dia que passa. Talvez estejamos reduzidos à expressão mais simples, pelo menos desde que conheço o clube.

Tudo isso é verdade. Mas é também verdade que aqui e acolá somos surpreendidos por pequenos sinais que evidenciam que o Sporting é mesmo um gigante, cuja força é negligenciada pelos adversários e diminuída por lideranças débeis. Um gigante adormecido mas que cada vez que boceja ou se acomoda no seu sono não deixa de demonstrar uma grandeza que para uns está perdida mas para outros apenas oculta.  

Creio firmemente na segunda das hipóteses. Lembro-me do primeiro jogo desta época, em Paços de Ferreira onde, apesar de virmos de um resultado comprometedor no apuramento para Liga Europa, estava um estádio cheio de esperança verde e branca. Hoje, do Solar do Norte,  no Porto, contra ventos e marés desfavoráveis, saiu um autocarro cheio, substituindo à última da hora um de menor lotação, tamanha tinha sido a procura. Gente que chegará tarde a casa, que prescindiu de ganhar, que onerou o orçamento pessoal, sem ter sequer a garantia de um bom jogo ou resultado. Gente que não desiste do Sporting e que, enquanto assim for, lhe assegura o futuro. Quem dera o Belenenses Sportinguinzar-se rapidamente.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

2 Razões para a tristeza dos Sportinguistas

1- Identidade:
Assisti com relativa atenção aos jogos deste fim-de-semana que foram objecto de transmissão televisiva, em particular os jogos de ontem, envolvendo os nossos rivais. E uma da conclusões quase instintivas a retirar do que observei é que essa rivalidade se baseia mais em razões históricas do que propriamente nos argumentos que podemos opor actualmente nos relvados, independentemente da exuberância das exibições de qualquer um deles.

Depois do que nos vem sendo permitido observar ao longo destas 2 últimas épocas em particular, é natural a decepção e tristeza que se apossou dos Sportinguistas: o Sporting não só não ganha como joga muito pouco ou quase nada, o que atraiçoa o orgulho leonino: mesmo nos piores dos tempos, quando nada se ganhava, os Sportinguistas acorriam a Alvalade, onde pelo menos viam jogos de futebol, naquilo que se chamava então "jogar à Sporting". Era disso que Costinha falava na sua derradeira entrevista quando confidenciou ter dificuldade para arranjar um bilhete para um jogo com o Gil Vicente, mas cujas razões  para o fenómeno revelou não perceber. Acontece que, de 2005 para cá, o Sporting foi paulatinamente abdicando da sua identidade a troco de muito pouco e não deve por isso ser de estranhar que hoje sejam poucos ou nenhuns que se revêem na forma de (não) jogar do Sporting. Os poucos que ainda se sujeitam aos maus tratos que o futebol do Sporting inflige a quem a ele assiste fazem-no por amor ao clube.

Muitas vezes assistimos à discussão entre nós sobre o que é que precisamos primeiro de voltar a  fazer:  ganhar de imediato, a qualquer preço ou  preocuparmo-nos acima de tudo em voltar a jogar bom futebol, aguardando as vitórias como uma consequência natural. Provavelmente é possível ganhar de "qualquer forma", algumas equipas fizeram-no no passado - como por exemplo o SLB de Trapattoni - mas de uma forma quase repugnante, e sem semear nada para o futuro. Do lado oposto, na arte de bom jogar, lembramo-nos logo do Arsenal de Wenger, que joga muito bem e não ganha, mas contudo o treinador francês mantém-se no comando do clube de Londres e os adeptos enchem o estádio.

Provavelmente exemplos como o Arsenal são de ocorrência difícil num país latino como o nosso e seria um exercício destinado ao fracasso tentar mudar o que está arreigado na nossa forma ser e estar. Mas mudar as pessoas, ou equipas técnicas ou dirigentes que não triunfam não tem que corresponder a uma mudança de identidade ou ao que se chama politica de terra queimada que, ao fim e ao cabo, foi o que andamos a fazer nestes anos todos. Perdemos a identidade, definhamos, reduzimos o valor e o talento, e com isso acantonámo-nos  na  expressão mais simples de que temos memória. Sem uma equipa que jogue à Sporting dificilmente daremos razões aos Sportinguistas para voltarem a Alvalade.

De certa forma é isso que nos diz Xavi numa recente entrevista ao Guardian*, cuja leitura na íntegra recomendo, a propósito do Barcelona, onde a cobrança pela falta de vitórias é também implacável, como aconteceu com Frank Rijkaard, antecessor de Guardiola. Eis o que ele respondeu quando lhe perguntam se um treinador poderia durar tanto tempo sem ganhar, como Wenger no Arsenal:

Quase impossível. Se passas 2 anos sem ganhar tudo tem que mudar. Mas mudas os nomes, não a identidade. Os nossos fans não se identificariam com uma equipa que jogasse atrás, na expectativa. Infelizmente as pessoas só avaliam as equipas pelo sucesso. Agora, o sucesso validou a nossa abordagem ao jogo. Eu sou um jogador feliz porque, em meu beneficio próprio, há seis anos atrás eu não teria qualquer hipótese, futebolistas como eu estariam extintos. Apenas poderiam existir os que tivessem 2 metros de altura, poderosos, avassaladores, varrendo as segundas bolas, os ressaltos.

(E a propósito dos pinheiros)
(...) É gratificante que o talento e habilidade técnica tenha ganho espaço à capacidade física e se assim não fosse o espectáculo não seria o mesmo. Jogamos para ganhar mas a nossa satisfação é dupla. Outras equipas ganham mas não é a mesma coisa, falta-lhes identidade. O resultado é um impostor no futebol, porque tu podes fazer tudo bem e mesmo assim não ganhar. Mas pode haver algo mais duradouro que um resultado, um legado. O Inter ganhou-nos a final da Champions mas hoje ninguém fala do futebol deles.

A Inglaterra parece sobrestimar os jogadores mais físicos...
Ok, esse tipo de jogadores, (como Carrager e Terry)  são fundamentais mas eles devem-se adaptar ao futebol técnico e não o inverso.

(A propósito das Academias):
Algumas academias preocupam-se em ganhar. Nós preocupamo-nos em educar. Vemos um miúdo que levanta a cabeça e executa o passe de primeira e pensamos de imediato: este serve, tragam-no e nós treinamo-lo.


Continuo a pensar que o Sporting tem, acima de tudo, que voltar a reconciliar-se com o bom futebol para que a reconciliação com os adeptos possa igualmente ocorrer. E para isso não é preciso reinventar a roda. Se faltam as boas ideias que se copiem os melhores exemplos.

2- Transparência:
Recuso-me a acreditar nas notícias que dão conta da ida de Bettencourt para o BES. Tal como nos dizia o nosso amigo J há dias, também eu pensava que grande parte dos nossos problemas tinham a ver com a incompetência e não apenas com a má-fé. Ver agora o presidente abandonar o barco adornado mas com a vida bem arranjada precisamente com um dos nossos credores, com quem negociou até há poucos dias faz lembrar a venda dos terrenos à MDC, quando o nosso principal interlocutor acabou pouco tempo depois sentado na secretária daquela empresa. Bettencourt não é a mulher de César, mas…

*Com os agradecimentos ao @imago_route, Terrassa, Catalunha

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Epístola de Liedson aos corintianos: "O Corinthians é a minha casa"

Ontem tive alguma dificuldade em explicar porque achava Liedson um bom jogador, dentro das suas características peculiares, um jogador que marcou uma época, que ganhou um lugar na história do Sporting ,mas que não lhe reconhecia carisma para ser um símbolo do Sporting.  Sei que estas palavras chocam muita gente, em particular neste momento em que o Levezinho está a fazer as malas para o Brasil. Mas é assim que o vejo desde os primeiros episódios que lançaram a dúvida sobre quem era o verdadeiro Liedson e como ele via o Sporting, cujos adeptos o idolatravam.

Hoje o baiano deu-me uma preciosa ajuda. Ainda como jogador do Sporting o 31 prefere falar aos corintianos, esquecendo os Sportinguistas que ainda choram a sua saída. Mais estranho ainda é Liedson designar o Corinthians como a sua casa, onde passou apenas 1 ano, tendo jogado apenas 14 jogos e marcado 10 golos, quando o Sporting lhe deu abrigo durante 7 épocas e meia e onde marcou 180 golos.

Por estas e por outras no passado é que eu dizia no post atrás: o que exijo aos jogadores é que sejam profissionais. Para porta-estandartes e defesa do Sporting estão os adeptos. Que hoje têm razões acrescidas para se sentirem tristes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Está encontrado o novo presidente!

"O meu nome é São, Abstém São, e serei a próxima presidente do Sporting." Podia ser assim apresentada a velha figura que há muitos anos ocupa a cadeira presidencial. A abstenção. Figura essa que tem ganho não apenas as eleições, mas também as sucessivas votações sempre que os Sportinguistas têm sido chamados a pronunciar-se.

Pode ser muito conveniente a todos os que não votaram nos últimos anos e aos que foram ratificando os sucessivos corpos sociais e respectivas cooptações, reestruturações financeiras, alienações de património, e politicas desportivas ruinosas pensar ou afirmar que a culpa da actual situação é apenas dos que foram eleitos. Conveniente mas pouco conforme com a realidade.

Ninguém tomou o Sporting de assalto, o  caminho que nos trouxe até à situação em que nos encontramos hoje resultou sempre da comunhão de ideias, da conivência, da complacência, do silêncio cúmplice ou apático, ou do alheamento de uma grande maioria dos Sportinguistas que outorgaram autores e legitimaram as respectivas acções. Essa larga maioria silenciosa foi tão cúmplice como os que sucessivamente sufragaram os últimos anos da vida do Sporting. O Sporting não é apenas hoje o que Roquete sonhou e não concretizou. O Sporting é hoje o que  a maioria de nós foi querendo que se tornasse.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Porque somos do Sporting II (See you soon Mr. Alexander Ellis)

Na mensagem de Natal que deixei a todos os leitores do blogue terminei com uma das certezas mais intrigantes da minha vida: na hora de escolher um clube só me imagino Sportinguista. Intrigante por uma série de razões, que, dado o seu cariz pessoal, me tenho abstido de colocar em forma de post, embora ele esteja há muito escrito na minha cabeça e até no coração. De uma forma resumida posso afirmar que ter-me tornado Sportinguista nunca teve a ver com números de vitórias, de adeptos, por herança familiar ou por identificação regional. Ser do Sporting é mais do que tudo isso, é uma forma de estar, mesmo que nos seus piores momentos nos pareça uma noção perdida ou em vias disso. Por isso é que sustento que quem é do Sporting não podia ser outra coisa e me parece que ser de outro clube qualquer é mesmo isso: ser de outro clube qualquer, tenha muitos ou poucos adeptos, muitos ou poucos troféus, ganhe muito ou pouco.

A primeira vez que aqui falei sobre este tema foi por ocasião de uma entrevista dada pelo embaixador inglês Alexander Ellis, onde eles nos contava como se tornou Sportinguista. Alexander Ellis está de partida de Portugal e tornar-se-à em breve num dos muitos Sportinguistas espalhados pelo Mundo. Na sua crónica no "Expresso", "um bife mal passado" deixou aos portugueses um "pedido" de 10 coisas que nunca deveriam mudar no nosso País, cuja leitura recomendo. Tenho pena que a palavra Sporting não tenha sido mencionada, como fazia em muitas das suas conferências por esse País fora, como várias vezes testemunhou o Bruno Martins, editor "desta casa". Mas julgo não me enganar que voltaremos a ver Richard Ellis na tribuna ou na bancada de Alvalade, quem sabe para festejar mais um título nacional. See you soon Mr. Richard Ellis!
Esta é a entrevista da Bola a que fiz referência e que aqui publicamos em devido tempo:

Quem é do Sporting ponha o braço no ar. Sabe a data de inauguração do antigo Estádio de Alvalade? Se desconhece baixe o braço. Sugestão ridícula seguramente nem o levantou. Mas respondeu? A BOLA apresenta-lhe um adepto Sportinguista que tem essa resposta na ponta da língua. Essa e muitas mais. Venha daí conhecê-lo. Alexander Ellis podia ser um leão como tantos outros. Mas não se encontrarão assim tantos admiradores britânicos do Sporting que saibam tanto e tenham tão fortes recordações sobre os leões, a sua história, os jogos mais importantes, as suas figuras mais ilustres. E, já agora, que tenham carreira diplomática. Foi um bicho que me mordeu, justifica o embaixador, assim mesmo, num português perfeito.


Memórias de infância
Aiexander Ellis nasceu em Londres, perto de um grande templo do futebol mundial - Wembley - e a poucos quilómetros do Estádio de Highbury, palco antigo do Arsenal, transformado num condomínio de luxo. - Alexander Ellis é do Arsenal. Talvez por influência ou tradição familiar. O meu pai é do Arsenal e a minha tia é sócia vitalícia, conta, no hall VIP do Estádio de Alvalade.


Portugal e o Sporting
Gentil, cordial, elegante, sincero, combina os gestos extrovertidos com a gravidade diplomata enquanto nos conduz pelo percurso da sua vida, que o trouxe a Portugal em 1992. «Cheguei num fim-de-semana e não conhecia ninguém. Já percebia um pouco de português li num jornal que o Bobby Robson era O treinador do Sporting e que havia jogo. Fui ver e interessei-me pelo clube», recorda. Foi uma experiência incrível ver um jogo ao final da tarde, com o sol a bater no estádio e a beber cerveja. A sua professora de português encarregou-se de alimentar o interesse. «É uma Sportinguista profunda», esclarece. Depois, o «bicho mordeu» e ficou mesmo Sportinguista. Alexander Ellis evoca com admiração jogadores da época pré-Bosman., como Valckx, Balakov, Figo, Nélson, todos de «grande nível. O seu assistente da secção Política de Imprensa, Pedro Silva, pergunta: «E o Paulo Sousa?» O embaixador eleva os braços e responde: «ui, o Paulo Sousa, lembro-me muito bem (desse Verão quente). E ainda chegou a .Falar-se que o João Pinto também podia trocar o Benfica pelo Sporting. Como já se percebeu, o embaixador britânico ficou a saber muito bem quem era o tradutor de Robson no Sporking. Nem era preciso perguntar. «Mourinho, claro».


ROBSON e o 6-3
Como todos os britânicos, Alexander Ellis nutre especial por Bobby Robson. Imita o sotaque português do antigo treinador do Sporting e F.C. Porto. «João Pinto, graande jogador, graande jogador. Ainda não se conformou com a saída de Robson do Sporting. "Lembro-me bem do despedimento de Robson, depois de termos sido eliminados pelo Casino Salzburgo. Sofremos o 3ºgolo nos descontos (o Sporting tinha vencido2-0 em Lisboa, e perdeu 3-0 na Áustria, com o último golo aos 112minutos). Foi o desespero total, quase chorei.»


Mais tarde, já Robson era treinador do FC Porto, escreveu-lhe uma carta, convidando-o a vir a Lisboa para assistir a um jogo que Alexande Ellis e os amigos organizavam regularmente com a Casa do Gaiato. «Assim que recebeu a carta, telefonou-me logo. Pediu muita desculpa, porque não era possível vir a Lisboa. Era muito simpático. Tive pena por ter deixado o Sporting. Ele dizia: estávamos no piimeiro lugar, estávamos no primeiro lugar. Impressionante. Nunca tinha sido tratado assim. Em Inglaterra, a imprensa, por vezes, era dura com ele, mas nunca tinha sido despedido.» O embaixador entusiasma-se a falar de futebol. Corrija-se, dos Sporting.O pensamento segue veloz, sem rumo, e leva-o à derrota dos leões como Benfica, por 6-3. Começa por dizer que estava no estúdio, mas emenda, viu o jogo na TV em casa de um amigo, perto do estádio, num final de tarde e princípio de noite em que «chovia a potes». «Que frustração», desabafa. Mas o pior foi no dia seguinte. Provou do gozo adversário. «Entrei no carro, seriam umas sete e meia da manhã e recordo-me do locutor:Está triste? Tem problemas? Então ligue o 0800 63 63 63. Nunca mais esqueci.»


Como não esqueceu, anos mais tarde, o encontro improvável com Peter Schmeichel, quando estava de férias. Foi num supermercado em Cascais que deu de caras com o gigante dinamarquês, que acabara de chegar de Manchester. «VI um tipo enorme [abre os braços], a comprar o leite e o pão. Não era só alto, era mesmo enorme. Era o Schmeichel e percebi, nessa altura, que tínhamos hipóteses de sermos campeões» E foram mesmo. Alexander Ellis não estava em Portugal, mas acompanhou tudo à distância, em Bruxelas. Vi o jogo com o Salgueiros na televisão, com o meu bebé ao colo e um cachecol. Foi um dia glorioso, atira, com orgulho. Sempre que pode, Alexander Ellis vai ao estádio. Protegido pelo anonimato do público está mais à vontade para expressar os sentimentos. Quem sabe para dizer uns palavrões, não conseguimos confirmar. Alguns adjectivos, pouco recomendáveis, aprendeu-os «no futebol e no autocarro entre o Porto e Matosinhos a caminho da escola». Dos grandes jogos em Alvalade, escolhe o particular com o Manchester United, no dia da inauguração do novo estádio, quando Gary Neville passou um mau bocado com Cristiano Ronaldo. Na final da TaçaUEFA, contra CSKA, em 2005, estava acompanhado do sogro e lamenta a derrota por 3-2. «Foi uma pena. O golo do Rogério foi muito bom e ele esteve quase a marcar outro. Mas o CSKA tinha uma grande equipa, Daniel Carvalho e Wagner Love eram muito bons, resume.


A conversa com A BOLA, em tom informal, acaba pouco depois. Mário Casquilho, director do Museu do Sporting, e António Sousa Duarte, director de comunicação dos leões, chegam ao Hail VIP e conduzem o adepto especial numa viagem ao passado do Sporting, pelo Museu do clube. A reprodução da sala de reuniões da administração, de 1947 a 2002, logo a entrada, proporciona uma oportunidade para o embaixador fazer uso de finíssimo humor. «Foi aqui que despediram Robson?» O embaixador ficou a saber que o Sporting teve um fundador inglês (John H. Scarleti) e surpreendeu-se ainda mais quando viu que se jogou cricket no clube. O impressionante número de atletas olímpicos dos leões despertou a atenção do embaixador, quase tanto como a Taça das Taças, os Cinco Violinos ou Vítor Damas. «O museu mostra a grandeza de um clube que não é só futebol. É notável» observa, ainda antes de passar numa área em que é simulada a entrada no relvado, ao lado dos jogadores. «Olha o Paulo Bento», diz, com surpresa, quando surge a imagem do ex-treinador do Sporting. Finda a visita, José Eduardo Bettencourt esperava o embaixador. Recebeu-o em privado e ofereceu-lhe uma lembrança. O diplomata regressou à embaixada antes da hora de almoço. Ainda mais Sportinguista, arriscamos sem medo. Alexander Ellis é dos mais «ferrenhos», como ele próprio reconhece. Por exemplo, reagiu em menos de um segundo quando viu uma  fotografia da inauguração do antigo estádio de Alvalade. « Foi em 1956». Está certo. Sabia?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Sporting em primeiro lugar!

Imagem Armazém Leonino
Um conjunto de declarações inconcebíveis e inaceitáveis caíram com estrondo no seio do do clube, marcando a semana, ainda esta não tinha chegado a meio. Um jogador com menos de meia-dúzia de meses de clube atreve-se a dar lições de Sportinguismo. Um empregado do clube, cuja folha de serviços recomendaria humildade e recato, arroga-se o direito de lhe dar lições de vida e, não satisfeito, o ameaçar. Um ex-jogador e confesso sportinguista, perante a eliminação na Taça de Portugal, declara que o Sporting merece o castigo pesado que vem sofrendo. O presidente entende  que "a eliminatória e o resultado foram desagradáveis."

Sobre as declarações de Maniche e Costinha já foi dito quase tudo. Ficam as reacções ao sucedido, reveladoras da mais que sabida divisão existente na nação leonina. Houve quem se indignasse com a arrogância de Costinha, houve quem pusesse em causa a legitimidade de Sousa Cintra. Retenho que os mesmos que habitualmente entendem que os  actuais corpos sociais estão mais que legitimados, até para cometer disparates, não reconhecem o direito de opinião a um ex-presidente eleito e reeleito, mesmo tendo este dito apenas o óbvio.

Não pude ignorar também as declarações de Aguiar Matos, que me desiludiram. O ex-dirigente preferiu deixar falar o ódio figadal que o une à sombra de Sousa Cintra, do que entender o que realmente era relevante no afrontamento protagonizado por Costinha.

Paulo Torres acha que o Sporting merece ser punido como tem sido. No mesmo acto, declara a sua satisfação pela manutenção em prova do grande Manel, pela sua qualidade de Sportinguista mas, imediatamente a seguir já pede que seja Manuel Machado a ganhar a taça de Portugal por aquele ser o treinador que o acabava de derrotar. Depressa se esqueceu de Manuel Fernandes e do Sporting. Não me espantaria que este discurso absurdo radique no melindre que lhe provocou o fechar das portas de treinador adjunto, para que terá sido sondado no inicio de época. Seria capaz de fazer o mesmo diagnóstico se estivesse integrado na estrutura técnica? Não creio.

Não são necessários mais exemplos para ilustrar o efeito de estufa que torna quase irrespirável o ar verde-e-branco. Os interesses do Sporting como instituição são permanente remetidos para segundo plano nas palavras e  nos actos poluídos pelas conveniências dos indivíduos ou de grupos de interesse ou pressão. O aquecimento global onde definha o clube é o meio propicio para a vaidade pessoal,o orgulho desmedido, a ambição cega, a inveja e o expediente proliferarem. As faltas de respeito pela história do clube, pelo esforço dos que nos precederam, a depreciação do associativismo florescem.

O que devia estar agregado está retalhado. Mesmo entre os que se opõem e reconhecem necessidade de mudança vivem em trincheiras cada vez mais fundas, de reduzidas perspectivas, não hesitando, aqui e ali, de forma mais evidente ou discreta, trocar tiros entre si. Hoje, no Sporting as boas ideias "são as minhas" e as de quem comigo concorda. A avaliação de qualquer proposta  é feita em função de quem é o autor e não apenas pelo mérito que a mesma encerra. Não surpreende por isso que a teoria de "ou nós ou o caos" renda grandes dividendos eleitorais. Mesmo que do caos já se vejam mais do que apenas sinais.

Tenho dúvidas que assim germine em algum Sportinguista a vontade de avançar com ideias e força para fazer a mudança que é, por hoje, talvez a único facto que nos aproxima do consenso. Para o Sporting voltar a ser primeiro, temos que voltar a por, a cima de tudo, de todos e de cada um de nós, o Sporting em primeiro lugar.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Metamo-nos então nas nossas vidinhas

Sigamos o "conselho" de Costinha e metamo-nos todos na nossa vida. Na qualidade de Sportinguistas a nossa vida é o Sporting e por isso, tal como Sousa Cintra, temos mais que razões para estar preocupados. Temos o direito e o dever de pedir explicações às quais os nossos funcionários não estão dispensados de prestar.

Bom, metamo-nos então na nossa vidinha, que é, por hoje, a face mais visível e incontestável do trabalho do excelso director desportivo. (Peço desculpa ao ego do Francisco Costa pela insuficiente adjectivação) . E nossa vidinha até ao final da época resume-se à Taça da Liga e à tentativa - palavras de Maniche - de conquista da Liga Europa. (Bem se vê que de Costinha a Maniche todos nos têm por parvos). Na Taça da Liga teremos, correndo bem, que jogar com SLB fora e em campo neutro com o FCP, como muito bem em devido tempo, foi assinalado no Lateral Esquerdo.

Não se advinham, por isso, nada fáceis os próximos meses. A conquista da Taça da Liga, a ser ganha batendo os principais rivais, poderia constituir um relativamente importante tónico para o amor-próprio. A Liga Europa é uma miragem de só faz sentido falar chegados à final, tendo em conta os adversários que teríamos que passar. A Liga nacional é também uma quimera, servindo de consolação a possibilidade de chegar ao 2º lugar. Desperdiçado que foi o bom calendário inicial e a crucificação / autoflagelação de Jesus, não se afigura nada fácil, mantendo o actual nível e tendo ainda por realizar parte bem difícil do calendário. É melhor nem pensar o que acontecerá quando se perceber que não há mais nada porque lutar, além da dignidade. Os exemplos do que sucede em situações semelhantes, no Sporting e noutros clubes, não nos dão razões para estarmos tranquilos.

A possibilidade de recorrer ao mercado de inverno poderia alterar este cenário? Alguns dirão que sim, lembrando o exemplo do titulo de 99/00. Esquecem-se porém que, antes disso, já se tinha enviado de volta Matarezzi, rasgo que agora não se teve, por Costinha e JEB não perceberem, entre muitas outras coisas, o erro da escolha Paulo Sérgio. Sem emendar pelo menos isso, e independentemente da opinião que tenho dos restantes vértices do triângulo das bermudas onde desaparecem as nossas ambições, nada se poderá alterar.

Como assinala realisticamente o DN hoje, só vendendo os melhores poderemos perspectivar qualquer aquisição. Como é óbvio, não esquecendo que, tal como no inicio da época, o mercado perceberá a nossa aflição e não pagará mais do que minimo. Dado a nula valorização dos jogadores, face ao que tem jogado, arriscamo-nos a vender mais uma vez barato para comprar caro. É que não há no mercado muita gente aos "Pongóis"...

Há ainda uma questão primordial: independentemente das comparações que se possam fazer com os nossos rivais, o nosso plantel é capaz e está obrigado a fazer muito melhor. Sem ter quem perceba realmente o seu devido valor, como se pode saber onde está ele necessitado de maior intervenção? O Sporting prepara-se mais uma vez para dar um passo frente, sem perceber porque se encontra onde está. Os resultados dificilmente poderão ser diferentes.

P.S: Recordo o que disse aqui na caixa de comentários ao post anterior: Antes de qualquer consideração sobre as palavras de Costinha há que as analisar sobre o ponto de vista institucional. Tratam-se de declarações proferidas por um empregado do clube - mesmo sendo Costinha sócio do Sporting, foi no exercício da função de director de desportivo que se pronunciou - contra um sócio que é também um conselheiro leonino e ex-presidente do Sporting. Nessa conformidade, a falta de respeito e a má educação reveladas por Costinha por um associado não poderiam nem deveria passar sem a consequente participação disciplinar. Isto independentemente do facto de Sousa Cintra ser quem é no Sporting. Mas, não podendo esquecer o seu estatuto, este só pode ser tido como agravante ao sucedido. Depois disto todas as outras considerações são secundárias ou então o rasguem-se os estatutos do Sporting e declare-se, em definitivo, qa gravidade da doença que afecta o Sporting.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Karma leonino

O pior que tem acontecido ao Sporting nos últimos anos é os Sportinguistas só acordarem depois do facto consumado. E muitos deles não perceberem que não é da responsabilidade de nenhum mau Karma ou maldição a sucessão de reveses, com vexames pelo meio. Esse é um sintoma de evidente debilidade do espírito leonino tal como o conhecíamos e o certificado de longevidade para a desresponsabilização. Os desaires estão para o Sporting como a dividida soberana para Portugal: não têm pai nem mãe nem familiares conhecidos. 

O que sucedeu ontem foi apenas mais um episódio entre muitos. Não foi apenas a expulsão ridícula de Maniche, a imagem da experiência que se procurava para colmatar o excesso de juventude. Ela apressou apenas o que o treinador se preparava para fazer acontecer. Tirar Coelho e Zapater da cartola partiu a equipa e estendeu o tapete ao Guimarães. Com Paulo Sérgio esta equipa não passará de um espectáculo de “cascadeur” preso a um show repetitivo, incapaz de ler as mudanças do jogo ou de ser adaptar às circunstâncias. Do entusiasmo de muitos, que nunca partilhei, resta agora o enjoo e o fastio.

O conformismo em breve tomará o lugar da indignação. Por isso desvalorizo as reacções de circunstância, de muitos que, durante os meses que antecederam esta época ou a época transacta, preferiram atirar a matar sobre os avisos que poucos iam lançando, recusando-se a ver o óbvio e a parar um segundo que fosse para pensar.

Não era altura de finalmente percebermos que não foi o azar que geriu mal o património imobiliário, que construiu um estádio de azulejaria de gosto duvidoso e sobre o qual já nem a totalidade dos direitos possuímos? Que não é por azar que hoje somos menos num estádio novo mas cheio de problemas, que não temos pavilhão, ou que somos desconsiderados ou ignorados pelas entidades oficiais, parceiros e ou patrocinadores, ou que os resultados desportivos são os que se sabem, o passivo cresce mas o património diminui?

O relvado é apenas mais um dos muitos problemas cuja resolução se arrasta e que qualquer dia entrará no anedotário nacional. Na semana passada publicamos aqui uma entrevista de um profissional especializado em relvados sintéticos. Pareceu-nos essa a prioridade, tendo em conta as declarações presidenciais e imposição feita pela a agenda mediática. Mais ainda por representar uma solução certificada pelos profissionais que a utilizam, não ignorando que o SLB a utiliza cada vez que se desloca ao Norte do País.

Desde a semana passada que temos pronta uma entrevista com um representante de uma empresa especializada em relvados naturais e que, pelo trabalho realizado, é considerada uma referência na matéria. Com a publicação dessa entrevista fecharemos um capítulo, no qual procuramos dar aos Sportinguistas as ferramentas necessárias formarem um juízo sobre um processo que, a não ser bem trabalhado, pode acarretar consequências que, em última análise, resultarão em mais uma agressão ao orgulho leonino.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Saudades do futuro II

O relato hoje feito hoje no Dn da AG da SAD realizada ontem, só pode derivar de um boato e não de fontes bem informadas. É que não me parece credível que uma AG de uma empresa cotada em Bolsa, destinada apreciar as respectivas contas possa aceitar como justificação para o prejuízo exibido desculpas como “"a instabilidade do clube, as eleições tardias e algum azar com a aquisição de alguns jogadores". E que a assembleia não vá ao cerne da questão, tentado pelo menos perceber porque é instável um clube que acabou de eleger uma direcção com quase 90% dos votos. Ou que aceite com indiferença que a SAD não saiba precisar a percentagem cedida nem a verba auferida com a transacção dos passes de Eric Dier e Tobias Figueiredo. Em qualquer comissão de festas de uma remota aldeia do interior, qualquer quermesse paroquial ou roulote de couratos, justificações ou omissões deste tipo perante os resultados apresentados representaria no mínimo demissão dos responsáveis.  A AG da SAD do Sporting terminou com um louvor à administração e fiscalização. O repórter do DN ter-se-á enganado no texto e assistido a alguma reunião de condóminos ou grupo de bisca dos nove?

Já as declarações de Paulo Sérgio devem ter sido truncadas. Onde se lê “há sede de poder” deveria estar certamente “há sede de se poder ver bom futebol em Alvalade”. Quem no seu perfeito juízo vê, na situação em que o clube atravessa, outra coisa que não seja uma enxurrada de problemas para resolver? Quem é o Paulo Sérgio para minimizar as preocupações dos Sportinguistas pelo caos instalado , caracterizando-as como desonestas?

Não falta quem tenha regressado à conversa dos abutres, classificando os que ontem se manifestaram em Alvalade. Aos que estiveram presentes gabo-lhes o empenho, reconheço-lhes legitimidade, mas deixo-lhes à consideração se o resultado obtido é minimamente satisfatório. Como dizia no outro dia é bom que concentremos energias em acções que sejam decisivas e em palcos onde se possam produzir alterações. Como a AG do dia 13 de Outubro.*

Voltando aos “abutres” é pelo menos bom saber que há o reconhecimento implícito, da parte dos que acham que a resolução dos problemas passa ainda pelos seus causadores, que algo de podre exala do poder instalado no Sporting a ponto de atrair necrófagos. É um principio. É geralmente deste quadrante que vêm as exigências de credibilidade a quem se perfilar para suceder a um candidato cujo programa eleitoral para o Sporting se reduzia a uma folha a4 vazia, onde escreveu a correr Paulo Bento Forever. Essa única promessa eleitoral demorou apenas 3 meses a ser incumprida, mas são agora muitas as folhas A4 de episódios rocambolescos e que diminuíram o valor e a credibilidade do Sporting.

Voltando à noticia do DN. Continuo a pensar que se trata de algum equívoco. JEB confessa-se injustiçado: "Sou perseguido apesar de andar a fazer um favor ao Sporting."  Não tenho a certeza se  o Sporting não precisa de favores. Mas sei que precisa de um líder que ele não tem sabido ser, precisa de competência que ele não tem sabido ter. E precisa ainda mais de gente que haja com convicção e determinação, do que de favores ou de fretes. O Sporting precisa de todos os Sportinguistas, não está em condições de dispensar nenhum. Mas não se pode dar ao luxo de ter as pessoas erradas no lugar errado, mais ainda na cadeira de presidente. Na bancada há muitos lugares vazios a precisar de ser preenchidos.

Considerações sobre a AG:

Desenganem-se os que pensam que será possível levar a cabo com facilidade uma A.G. Ou que, uma vez lá chegados, seja fácil obter grandes esclarecimentos, muito menos pensar que se possa, da mesma forma, obter resultados ou tomar decisões. A constatação destas dificuldades, recorrentes em todas as AG´s, atesta a gravidade da situação em que o clube se encontra mergulhado. Nenhuma instituição saudável criaria tantas dificuldades para ouvir e dar explicações, obstruindo direitos que estão reconhecidos nos estatutos aos seus sócios.

Mas os obstáculos não terminam aí. Todos conhecemos a fragmentação que existe entre sócios e adeptos, sempre muito ciosos das suas opiniões e nichos de interesses, pontuados por antagonismos pessoais. É essa balcanização, associada à apatia generalizada, que tem adubado a raiz da conjuntura e o poder instalado. Esta é a altura de olhar para um bem maior, o do clube, prescindindo de acessórios mesquinhos. Não perceber isto é falhar o essencial e condenar à nascença qualquer intento. Todos os que não se revêem na actual situação devem o melhor de si ao clube.

É necessário não perder de vista o essencial. O que se procura no imediato é dar a voz aos sócios e solicitar esclarecimentos aos órgãos sociais. Não é a altura de falar em alternativas. Elas não aparecerão sem um sinal inequívoco dos associados dando conta de um sentimento de necessidade de mudança. O que está documentado na história recente das nossas escolhas e a persistência no erro desmobiliza por completo o aparecimento da competência. Antes favorece o aparecimento do aventureirismo, próprio de quem não tem nada a perder.

Desenganem-se também que a mais que desejável virar de página nos destinos do clube resolva por si só e num passo de mágica todos os problemas do Sporting. Que, estou certo, estamos longe de conhecer com exactidão e profundidade. A opacidade promovida pelos órgãos sociais desmobiliza uns, hostiliza outros e anestesia a maioria. Só há uma razão que justifique a actual estratégia de ocultação de cadáveres seguida em Alvalade: o alijar de responsabilidades. É uma estratégia até agora bem sucedida que tem divido os Sportinguistas em facções, consoante a interpretação que fazem dos factos. Mas há dados mais que objectivos que recomendam que interrompamos este processo de degradação continua do valor e da influência do nosso clube.
 
*Teor da carta enviado ao presidente da AG pela AAS:
 
"Caro Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal,



Tomando conhecimento, via jornal "Sporting" da convocatória para a Assembleia Geral do Clube para o dia 13 de Outubro com vista a deliberar sobre o Relatório & Contas do Sporting Clube de Portugal, vimos na qualidade de associados do clube e membros do Conselho Leonino solicitar que seja adicionado à ordem de trabalhos o seguinte ponto:



"2. Estado da Nação e Projecto de Futuro para o Sporting Clube de Portugal"



Desta forma, garante-se a superior organização de temas da Assembleia Geral (uma vez ser previsivel que tal tema seja abordado pelos participantes) e permite-se que o Presidente do Conselho Directivo espelhe, perante os sócios, a sua visão para o clube e a estratégia que prevê implementar.



Solicitamos igualmente a publicação da convocatória no sítio oficial da internet do clube, enquanto veículo de comunicação institucional com os sócios.



Com os melhores cumprimentos, subscrevemo-nos com elevada estima e consideração,



Pedro Faleiro Silva



Nuno Manaia Costa



Luis Silva Pires



Conselheiro Leoninos, em nome da Associação de Adeptos Sportinguistas."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Terrorista de gravata?

 In Record:

Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), sócio do Sporting e antigo conselheiro leonino, afirma que o ciclo de José Eduardo Bettencourt como presidente do clube  leonino estará esgotado a curto prazo devido à perda de credibilidade que a instituição tem vindo a sofrer, interna e externamente.

Na descrição do momento leonino, feita à "Rádio Renascença" a poucas horas da Assembleia Geral da SAD do Sporting, Vicente Moura fala em "falta de sangue frio para enfrentar a presente situação. Há um certo desprestígio das estruturas sociais, há contestação e há um avolumar de maus resultados desportivos."

"[Bettencourt] Infelizmente, se não parar a situação, em termos de prestígio rapidamente estará esgotado. É um homem que fez muito pelo Sporitng, mas talvez tivesse tido alguma dificuldade em liderar um projeto, um clube, com a estatura e a responsabilidade do Sporting."

"Há uns tempos a esta parte, o Sporting tem perdido credibilidade, em termos nacionais e internacionais, e começa pura e simplesmente à procura da mera sobrevivência", reforça, antes de apontar:

"O Sporting está muito condicionado aos bancos. Sem se libertar dessas teias, sem encontrar um líder capaz de encarar o clube como uma grande força nacional que ainda é, naturalmente, em pouco tempo, tem o destino de se transformar num Belenenses."

Para o presidente do COP, na equipa proliferam "jogadores sem gabarito e responsáveis técnicos que não estão, provavelmente, à altura dos desejos que tínhamos há 10/15 anos - ser campeões de Portugal e de ter uma carreira importante em termos europeus."

"Ainda é cedo para tirar conclusões, mas a situação merece profunda reflexão, o momento é preocupante", encerra.

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