Há nomes de novos leãozinhos para a Europa conhecer
Havia uma grande expectativa sobre a resposta que o Sporting daria e como reagiria uma equipa tão jovem e de tão precoce formação ante as exigências que um adversário de Liga dos Campeões. O primeiro da fila era o Galatasaray, tetracampeão turco. A resposta a essa expectativa acabaria por ser dada por amostra, consoante os comportamentos que a equipa adotaria durante o jogo.
A entrada não podia ter sido mais exemplificadora do que espera uma equipa desorganizada e desfocada nesta competição. Nos primeiros minutos, o Sporting parecia um peão aturdido no meio de uma autoestrada onde os carros passavam a velocidades estonteantes. Sem que percebesse onde e como pressionar o adversário, os turcos trocavam de posição e a bola entre eles sem que o Sporting lograsse opor-se. Nas poucas vezes em que conseguiu estar na posse da bola, esta era praticamente devolvida à procedência turca pelo total desacerto no passe ou porque os jogadores sucumbiam ao cerco apertado que a pressão turca exercia.
Já depois de ter sofrido um golo digno da antiga Taça das Cidades com Feira, há um momento em que a equipa acorda e parece descobrir outro caminho que não aquele que parecia de sentido único e que, a persistir, acabaria na degola dos inocentes leões. Esse é o do golo anulado a Suárez. Apesar do infortúnio, a equipa parece ter percebido que a defesa turca pouco tinha de inexpugnável e que, caso conseguisse organizar-se defensivamente e reter a bola mais do que breves segundos, lhes poderia complicar ainda mais a vida. O golo serviria também para deixar os turcos entretidos a pensar que aquilo que inicialmente lhes parecia ir terminar numa agradável excursão a Lisboa talvez pudesse ter um argumento com final alternativo. É assim que se chega ao fim do primeiro tempo, com um resultado, há que admiti-lo, ligeiramente lisonjeiro para o Sporting.
O intervalo seria bom conselheiro e ajudaria a encontrar o equilíbrio que havia faltado na primeira etapa. Ao contrário do que havia sucedido, o Sporting começava a acertar as marcações e a perceber como pressionar, e o passeio dos jogadores turcos deixou de ser tão agradável. Os dois golos de rajada abalariam a confiança turca e a baliza de Rui Silva já não era local de visita tão assídua como inicialmente. O Sporting falharia algumas transições perigosas e o jogo chegaria ao final sem alteração no marcador e quase sem grande perigo para nenhuma das balizas.
A reter do jogo fica a entrada de cabeça no ar da equipa, cujo preço foi pago com um golo digno de outros escalões. A este nível, a fatura aparece sempre. E, apesar do resultado, é evidente que há ainda muito trabalho coletivo e individual por fazer. Doumbia vai dizendo a Rui Borges que é mais à frente que se sente confortável e onde consegue ter ações determinantes, e que atrás pouco mais vai fazendo do que bloquear as saídas rápidas, preferindo, por falta de rotina nas novas funções ou por receio de perder a bola em zonas proibidas, atrasar ou lateralizar a bola.
Se Zalazar marcasse em todos os jogos um golo monumental como o que logrou alcançar, quase ninguém se atreveria a apontar-lhe o dedo. De facto, os mísseis de Zalazar, que o notabilizaram no clube de origem, são um importante recurso no nosso arsenal, mas fomos resgatá-lo a Braga para ainda mais do que tem conseguido dar. As dificuldades nas novas funções são evidentes, mas, como jogador inteligente que é, certamente encontrará forma de as superar.
Quem está completamente integrado e a espalhar magia pela sobriedade e acerto no desempenho é Altimira. Terminou o jogo completamente esgotado por ter de fazer o seu papel e por ter o olho nos espaços dados ao seu lado por Doumbia.
Os três pontos arrecadados e que marcam a entrada a ganhar na Liga dos Campeões acabam por ser o prémio merecido por todos, pela forma como primeiro souberam reagir às adversidades, e pelo caminho que descobriram para fazer valer o talento inegável que esta equipa alberga.
