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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Nesta "Missão Impossível" está tudo contra João Pereira


Vou aqui lembrar mais uma vez o facto de estar grato a João Pereira o facto de ter aceite a dificil missão de substituir a liderança que mudou o Sporting nos últimos quase cinco anos. Percurso que hoje é olhado apenas para os resultados recentes, que levaram à consagração do treinador em pleno Marquês ao ponto de ter nele o efeito enebriante traduzido na promessa da busca do bi-titulo, esquecendo ou optando por esquecer o quão dificil e feito de avanços e retrocessos foi a essa viagem. 

Se assim é, creio que se deve ao facto de os Sportinguistas perceberem de onde saímos e quão rapidamente e tão longe chegamos. Se o campeonato anterior foi ganho com o reconhecimento abrangente da nossa superioridade, o inicio do actual projectava pouco menos do que um passeio no parque. Não é arrogante sermos nós a dizê-lo, os nossos rivais reconheciam-no. Por isso, mais do que os adeptos do Manchester United, foram deles os festejos mais efusivos ao ver Amorim fazer a travessia do Canal da Mancha.

Todos sabíamos que a substituição daquele que é considerado o melhor treinador das ultimas 6 / 7 décadas dificilmente não obrigaria a passar por um processo doloroso. Era consabido que dificilmente conseguiríamos sentar na mesma cadeira alguém que simultaneamente conseguisse encantar a plateia de adeptos e jornalistas e galvanizasse uma equipa e todo um clube, alcondorando-o ao lugar onde há muito o ansiávamos ver. Por isso aceitaríamos de bom grado que o lado desportivo ficasse acautelado, porque é do seu sucesso ou insucesso que tudo se constrói ou esboroa em seu redor.

Ora, num espaço de três semanas Amorim parece ter "acontecido" quase num tempo indeterminado e quase irreal, tamanho é o desfasamento entre o comportamento da equipa que deixou há três semanas e o que vimos sobretudo ontem. Ao invés de conseguir levar a nave a uma aterragem suave, sustendo a queda mais ou menos esperada, à entrada de João Pereira seguiu-se uma queda abrupta e vertiginosa, cujo fim  não se vislumbra, apenas são fáceis de identificar as suas consequências.

Sabíamos da missão impossível de João Pereira, alguma coisa iria ficar pelo caminho e por isso mais do que esperança, foi recebido com a tolerância de quem reconhece a altíssima dificuldade da tarefa. Tudo parece estar contra o nóvel treinador: a ausência de tempo, de sorte, a impossibilidade de estar levantado a orientar a equipa, o discurso que não mobiliza, a figura pouco segura que projecta. 

Mas o pior parece mesmo dever-se a si mesmo: a forma como rapidamente se afastou dos princípios que a levaram ao sucesso, parecendo confundir os jogadores e, assim, destruindo-lhes os níveis de desempenho e, por consequência, afastando a equipa das possibilidades do sucesso. Pior ainda, a confusão evidenciada nos momentos de substituição, projectando uma imagem de deriva, insegurança e sobretudo, ausência de liderança.

Não sei, mas imagino que ao nível directivo, que o apoio próximo não tem faltado, estando eles -sobretudo Varandas, provavelmente o mais perplexo de todos nós - perante a prestação do treinador que "daqui a uns anos estará num grande europeu". Não se pode pedir mais aos adeptos: embora sejam completamente reprováveis os insultos ouvidos ao treinador, obviamente que não se pode exigir que para, tal como a orquestra do Titanic, se continue a tocar enquanto o barco se afunda. E embora o descontentamento se compreenda, foi doloroso assistir como amnesicamente se insultaram jogadores que há menos de um mês se aplaudiam de pé. Não os vejo a regatear esforços, é com eles que contamos para sair deste atascanço, e eles parecem tão atónitos como nós face aos acontecimentos. 

Não imagino nenhum daqueles jogadores que em Maio celebrei pelo seu comportamento exemplar, pelo notável espírito de corpo e missão como encarnaram a falhar por displicência. E, eles não jogam "apenas" os títulos, jogam as suas vidas também.

Frederico Varandas atou o seu destino, com sucesso, ao de Amorim. Agora fez o mesmo com João Pereira. É isso que está em jogo: se João Pereira arrastar o Sporting e não cair, Frederico Varandas terá que aguentar o treinador e a si próprio. Talvez o consiga até às próximas eleições mas verá o cofre que projectou para arrecadar as receitas provenientes das valorizações de Gyokeres ficar subitamente demasiado grande e muito vazio para pagar os projectos da renovação do estádio José Alvalade e até o que é necessário para alimentar uma equipa competitiva. Nada que ele não saiba, estou certo disso.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Não aprendemos nada

Não aprendemos nada com os erros do passado. Bastou o primeiro desaire para regressar a dúvida, a confusão e a descrença. À coragem de João Pereira em assumir uma tarefa que sabíamos antecipadamente complicada, com é a de substituir um treinador que mudou o Sporting - nem mais nem menos! - respondemos com a exigência que tudo continuasse na mesma, como se nada tivesse acontecido. Exigimos que ele seja o Amorim, as ideias do Amorim e que os jogadores sejam aquilo que não estamos a conseguir ser: imperturbáveis, serenos e determinados.

Mas o que não desejávamos aconteceu. Para nosso descontentamento afinal, pelo menos com o autor da frase,  não "vamos ver" nada com ele nada em Maio. Se lá quisermos chegar felizes temos que deixar que João Pereira faça o seu caminho, que as suas ideias sejam boas, que elas vinguem. Que os jogadores o aceitem, bem como as suas ideias. Já quase nada está nas nossas mãos, resta apenas uma ínfima parte, que é sermos os últimos a atirar a toalha ao chão e permanecer ao lado da equipa. 

De outra forma estaremos  a satisfazer os cláudios desta vida que, tal como no jogo com o Santa Clara, nos atravessam no caminho em momentos cirúrgicos, esperando depois sentados confortavelmente, a assistir ao espectáculo de uma casa a ser demolida pelo tumulto interno. Com tantas vezes fizemos no passado. Conseguimos ser campeões mesmo com os cláudios, mas não aprendemos nada. Pelo menos assim parece.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

E agora, João? E agora, nós?


Ponto prévio:
 

Perante o Santa Clara o Sporting jogou muito abaixo daquilo que estávamos habituados a ver e, ao contrário, há muito mérito na estratégia e no desempenho em campo por parte do adversário. 

Orquestra de Câmara: 

Reconhecê-lo não invalida que poderíamos estar a falar de um jogo completamente diferente caso o árbitro tivesse assinalado como devia logo aos quinze minutos.  Tal poderia ter sido suficiente para obrigar o adversário a ter outros comportamentos que, pelo menos em teoria, nos poderiam ser mais favoráveis. E teria um efeito positivo na confiança dos jogadores, um dos factores que pareceram pender em nosso desfavor à medida que o jogo se desenrolou. Outro penálti a fechar a primeira parte poderia ter dado um empate, o que redundaria numa segunda parte completamente diferente. A sinfonia do apito de Cláudio Pereira foi muito orquestrada e igualmente bem secundada pelo primeiro violino Hélder Carvalho, no VAR. Vamos estar atentos às próximas nomeações...

Com o Ruben Amorim isto não acontecia

Há quem diga que com Rúben Amorim isto não sucedia, que nos tínhamos habituado a vencer, apesar das arbitragens. Tal não é verdade, mas é verdade que nestas duas últimas épocas não, pelo menos em casa. Mas recordo que o ano passado, apesar do bom momento que atravessávamos, não fomos capazes de contrariar intervenções infelizes dos árbitros em Guimarães e Vila do Conde. Este último, tal como o jogo com o Sta. Clara, na ressaca de uma jornada europeia.

O que é mais preocupante nesta derrota

Do muito que se pode dizer sobre este desaire o que parece mais preocupante foi a falta de criação de oportunidades claras, que contribuíram para a interrupção de uma série consecutiva de jogos em que o Sporting marcou sempre e, de igual modo, a interrupção de um período de quase dois anos sem derrotas em Alvalade. A equipa parece ter perdido a sua identidade, seguramente que os níveis de confiança já foram melhores. Houve uma clara diminuição da procura da profundidade, em favor de um jogo interior que esbarrou quase sempre no imobilismo dos jogadores dentro do bloco açoriano, tornando assim difícil a ligação do nosso jogo atacante. O recurso à aleatoriedade dos cruzamentos foi uma constante. 

Os próximos jogos ajudarão a esclarecer se trata de uma mera casualidade ou de uma mudança de processos. A ser assim, o Sporting parece estar disposto a alienar o seu às de trunfo, Viktor Gyokeres, o que seria de todo incompreensível e até inaceitável. O facto é que ele foi muito pouco solicitado nas duas derrotas mais recentes. Se o jogo com o Arsenal não é propriamente para ser levado como referência, já este com o Sta. Clara faz acender os alertas.

A firma João Pereira

O baralho está na mão de João Pereira. Tem uma missão espinhosa e inversa à de Ruben Amorim: ao contrário deste, a possibilidade de fazer pior é muito maior do que a de melhorar. Ao contrário do seu antecessor, a sua entrada não é geradora de entusiasmo, antes encontra um mar de frustração e desencanto e um horizonte de dúvidas sobre ele mesmo. Já aqui lhe gabei a coragem em assumir um Sporting numa fase que, por comparação, em poucos dias se tornou num "pretérito mais que perfeito". 

A substituição de um treinador com o carisma e resultados como Rúben Amorim seria sempre um momento atribulado, ainda que fosse no final da época, fosse qual fosse o treinador. Mas pelo menos haveria o tempo que agora não há para cimentar uma liderança, explicar ideias, operacionalizá-las nos treinos e em jogos de preparação que agora são todos a doer. O Sporting era uma equipa de autor e, infelizmente, é difícil, senão impossível, mudar de autor e que a equipa se continue a expressar da mesma forma. 

Não há uma única forma de ganhar jogos e se é verdade que João Pereira foi o eleito por se confiar nas suas qualidades, obviamente, foi sobretudo por se pensar ser capaz de assegurar a continuidade. Não apenas por estar identificado com o clube, mas sobretudo por as suas equipas adoptarem sistemas semelhantes. João Pereira tem agora que confirmar que a escolha era a certa. Espera-se dele e da sua equipa técnica, um diagnóstico sereno mas rápido, de forma a devolver o conforto que agora parece faltar aos jogadores de forma a devolver o poder que exibia nos relvados e que parece ter perdido, particularmente no jogo com o Santa Clara. Foi uma vez sem exemplo, ou vamos ter que nos habituar? 

A nossa hora

Os adeptos têm um papel determinante sempre, mas em particular em alturas em que o momento convida a algum cuidado nas análises e reacções. No jogo com o Santa Clara foi evidente que nas bancadas as pernas tremiam mais do que no relvado e isso sente-se lá em baixo. Todos queríamos um milagre que já percebemos não irá suceder. As coisas ficaram mais difíceis indubitavelmente, ficariam sempre. Do ponto de vista emocional os jogadores sofreram uma enorme perda, um líder. Se nós o sentimos, imaginemos eles. Temos por isso que estar preparados para o novo momento. Provavelmente será mais difícil, mas se fosse fácil não era para nós.

É preciso ter presente o contexto: fomos goleados por duas vontades para as quais não tínhamos argumentos para contrariar: a vontade de Ruben de sair, já expressa no ano passado naquela famigerada viagem, e o apelo que representou para ele o chamamento de um colosso a necessitar de se reerguer. Acabamos por ser vitimas de uma chicotada psicológica de efeito contrário, para a qual era necessário encontrar a medida certa. Não foi verdadeiramente uma opção, foi uma medida de contingência. A possibilidade de não correr bem existe, e isso vale tanto com João Pereira como com outro qualquer. Esse "outro qualquer" que se possa apontar só ganha ao João Pereira porque não está calçado nos sapatos dele.

P.S.: O Sporting ficou a uma vitória de estabelecer um novo record de vitorias consecutivas, apenas a igualou, com o onze. A última vez que tal tinha sucedido, era Marinho Peres o treinador e foi travado num jogo habilidosamente arbitrado por Mário Leal. Ainda há quem diga que a história não se repete.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Se houvesse camas na Pedreira: uma viagem de Amorim até João Pereira


Não há camas na pedreira onde jaz o estádio de Braga. Se as houvesse ainda hoje lá estaria, a contemplar em flashbacks permanentes o golo do Harder ( o terceiro) a entrar em camara lenta, seguidos da explosão de abraços e lágrimas na bancada. O abraço final no meio do relvado de toda uma EQUIPA com o seu criador / arquiteto, que agora se desfaz e que nos devolveu o Sporting que há muito ambicionávamos e merecíamos. Como se ficar ali, como guardião das memórias do melhor Sporting de sempre, que a nossa vista pôde alcançar, parasse o tempo, e  Amorim assim permanecia, continuando nós campeões.
 
É este Sporting insubmisso, que grita de revolta no balneário, que não se conforma e faz nos seguintes quarenta e cinco minutos um jogo de muitas vidas: das nossas, das deles, convocando todos, como disse Amorim, enchendo o relvado, obrigando um adversário cansado a sentir que jogavam não apenas contra onze, mas contra a uma legião. NÓS, a nossa legião.
 
Mas Amorim já não está, mais uma conferência de imprensa magistral e inédita a brilhar no negrume geral de um futebol geralmente pequenino e tacanho serviu para confirmar o adeus. As saudades de Amorim também serão estas. A última dança de Amorim, tal como os episódios da temporada final da sua estadia, foi coreografada pelos deuses da fortuna num guião inigualável. Emoção, suspense, frustração, receio, para terminar num final épico e apoteótico.
 
As minhas primeiras palavras para João Pereira são de gratidão pela coragem de assumir uma equipa 100% vitoriosa na Liga e com uma participação brilhante na Champions. Ele sabe que, com a indispensável sorte, o melhor que conseguirá será igualar a performance derradeira do seu antecessor, pelo menos no que à Liga diz respeito. Teria ficado muito mais confortável no sossego da penumbra da equipa B, do que se ver obrigado a subir apressadamente as escadas, saltando degraus, até ao palco imenso que ser treinador do Sporting oferece.
 
Depois dar-lhe o direito, na minha infinita milionésima parte que me cabe como adepto anónimo, de ser ele próprio, ser o João Pereira treinador. Não já o jogador que conheci, o “ranhoso”, como lhe chamou carinhosamente Rúben Amorim, nem sequer o comparar com o amigo que agora lhe entrega o cargo. Estimo contudo que aproveite o seu legado de transparência e lucidez, tão elogiado na despedida pela generalidade da comunicação social, compreendendo na perfeição o quanto nós, Sportinguistas, gostamos de nos distinguir dos demais na forma como olhamos e somos actores no fenómeno desportivo.
 
A apresentação revelou um treinador confiante e um João Pereira emotivo. Precisamos dessa segurança profissional tanto como do sentimento, para que nos guie com segurança, mas também perceba os nossos anseios, como somos e como queremos ganhar. Continuar a ganhar!
 
Para finalizar peço aos deuses da fortuna que realizaram a passagem de Amorim, digna de cinema, que deixem ficar um pouco da estrelinha que o acompanhou, porque ela é importante e não há treino possível que substitua o papel que ela – a sorte – desempenha. Eu, minha milionésima insignificância de adepto anónimo estarei junto com os demais Sportinguistas que trazemos este clube no coração e fazemos dele um pouco – ou muito?... – das nossas vidas a ansiar que este novo “e se corre bem” corra mesmo muito bem. Compreendendo que não ganharemos sempre, mas querendo sempre ganhar mais. 
 
Muito do sucesso da passagem de Amorim teve também em nós actores principais, especialmente quando as coisas não correram bem, e foram várias as ocasiões. Não nos calamos no apoio quando goleados pelo City em casa, ou não descremos no momento da improvável eliminação da Taça de Portugal pelo Varzim ou na derrota recente na Supertaça. Estaremos aqui também para ti, João, nessas alturas.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

João Pereira: olha quem está de volta

Segundo a TVI João Pereira está de regresso ao Sporting. Depois de um ano de maus tratos em Valência, e de uma passagem por Hannover, eis que regressa a Alvalade.

Aproveito a noticia para convidar os leitores a darem conta da sua opinião sobre este regresso.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

As saídas de João Pereira, Capel, Wolfswinkel e quem mais?

João Pereira foi vendido ao Valência por 3.684.210,00 euros, podendo ainda ultrapassar ligeiramente os 4 milhões se o clube espanhol se qualificar para a Champions no final da época. A este valor terá de se subtrair ainda os 20% alienados a um fundo.

Do ponto de vista desportivo este é o momento certo para efectuar o negócio: o Sporting tem neste momento, nos seus quadros jogadores à altura para o desempenho das funções de lateral direito e até em excesso (Cedric, Pereirinha, João Gonçalves e Arias, por esta ordem nas minhas preferências), embora todos eles percam para J. Pereira no que convencionou chamar "experiência". A idade do jogador recomendaria também o negócio nesta altura ou então a renovação com perspectiva de continuidade da carreira no Sporting. Esta segunda opção parecia-me a pior, tendo em conta o acima dito e a produtividade de João Pereira. De entrega inatacável ao jogo, faltava-lhe quase sempre qualquer coisa (discernimento?) na definição das jogadas, desbaratando o esforço realizado. Isso é, quanto a mim,o que separa João Pereira de condição de um grande lateral direito. Mas será provavelmente essa entrega ao jogo que contribui para a sobreavalição do jogador pelos adeptos.

Do ponto de vista económico parece-me curto o valor a pagar pelo clube espanhol para o considerar um bom negócio, ficando aquém daquilo que seria expectável. Mas tendo em conta a prestação da equipa do Sporting esta época também não terão ajudado. O argumento de que estamos às portas do Euro e que aí o jogador se poderia valorizar é tão válido como o seu contrário, mais ainda se atendermos a que, tendo os adversários que Portugal tem, João Pereira poderia não fazer mais de 3 jogos, partindo do principio que seria titular. 

Não faltará também quem não resista a comparações com Bosingwa, Paulo Ferreira ou até Fábio Coentrão. Não será por acaso que os seus compradores estão patamares acima do Valência e todos os jogadores foram transaccionados após épocas de grande fulgor individual e conquistas colectivas, hiper-valorizados. E, convém lembrar que, tal como João Pereira, Bosingwa e antes Paulo Ferreira, foram adquiridos por Abramovich antes da disputa das fases finais que a selecção iria então disputar. O risco é tão válido para quem compra como para quem vende...

Quanto a Capel a história é outra e provavelmente não passará disso mesmo. É no entanto um jogador sinalizado em Espanha, onde já foi considerado uma das grandes promessas. Seria um jogador mais dificil de substituir, particularmente pela ligação com os adeptos. Mas é natural que, tendo a época sido boa para ele e disso se tivesse dado conta no País vizinho,que aguce o apetite, particularmente ao Atlético de Madrid, a quem daria jeito ter Capel a enviar misseis teleguiados para Falcão. Aí o negócio teria que envolver outras verbas e com muitos mais zeros.

Fala-se também hoje na disputa entre os colossos de Manchester por Wolfswinkel. Dou-lhe pouco crédito atendendo  que o dinheiro que têm disponível lhes permite apontar mais alto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Estamos mais fortes?

Encerra hoje ao fim do dia o mercado de Inverno. A menos que haja uma surpresa de última hora João Pereira, Pongolle e Pedro Mendes corporizam a aspiração de nos termos tornado mais fortes, por terem sido resolvidos algumas das insuficiências do plantel. Será que estamos mesmo melhor preparados para enfrentar os compromissos que restam? Tendo o Sporting gasto uma verba considerável, recorde nos últimos tempos, era bom que assim fosse. Tenho as minhas dúvidas, mesmo sem colocar em causa a valia dos jogadores.

Esta movimentação no mercado fica marcada por uma certa “dislexia”, contratando-se ao contrário das necessidades identificadas como mais prementes. Há um novo lateral-direito quando a lateral-esquerda está muito mais necessitada. Chegou Pedro Mendes quando existem no plantel pelo menos 3 jogadores capazes de executar a sua função, sem esquecer que Polga já fez de 6 na canarinha, ao tempo de Scolari. Fomos buscar Pongolle, de características em todo semelhantes ao que já havia no plantel. Se Carvalhal pretendia mudar para 4x3x3 está visto que terá que ficar para segundas núpcias, se as houver, claro está. 

Não tenho dúvidas que contratamos bons jogadores. São estes que fazem os bons planteis. Estamos mais fortes porque temos mais soluções para o meio campo, porque temos um lateral direito capaz de fazer a linha – mas que já revelou em 2 jogos consecutivos falhas defensivas comprometedoras – e melhoramos com a troca de Caicedo – ainda ontem o vi jogar pelo Málaga e perguntava-me como é possível… -por Pongolle. Mas não vejo em nenhum deles novas soluções para o nosso jogo, que precisa urgentemente de ganhar comprimento e velocidade. Gostava que estivéssemos mais fortes, não que tivéssemos ganho apenas volume.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O homem de quem se fala


"João Pereira, um rapaz odiado pelos sportinguistas quando festejou na cara de Tello (por falar em defesas-esquerdos...). Agora é mimado pela Juve Leo e já marca". Esta frase hoje no Ionline bem pode servir de mote para ilustrar a aparente reviravolta no seio leonino relativamente ao novo lateral-direito do clube. Parecem ter bastado 2 jogos para o novo reforço ter ganho espaço nas conversas dos Sportinguistas mudando da ala do desprezo para o lado do apreço. Para isso ajuda muito João Pereira os anos em que a qualidade desertou das laterais verde-e-brancas. Hoje em "ABola" (clique para aumentar)
 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pausa de Inverno


Com a realização do jogo de anteontem em Matosinhos, e antes do final da primeira volta, a nossa situação na tabela classificativa é desoladora, na linha do que tem sido a nossa participação no campeonato. Estamos um ponto mais perto do último lugar do que do topo da classificação e é por isso que se insiste tanto na necessidade de reforços. E se tivermos em conta os compromissos para o inicio do ano, ficamos obrigados a uma resposta imediata, o que equivale a dizer que, quem vier, tem de começar a “contar”, ficando pouco ou nenhum tempo para adaptações. Contudo o futuro não deveria ser hipotecado com jogadores que, acrescentando valor imediato, não representem uma mais-valia financeira por não disporem de mercado. Não pode igualmente ser esquecido a formação como fonte de recrutamento. Ao contrário do que tanto querem fazer crer, tem sido Alcochete a dar-nos os nossos melhores valores.

De forma surpreendente chegou ontem João Pereira. É um jogador português, com escola, adaptado ao nosso campeonato, onde subiu a pulso, depois de cortado o cordão umbilical com a casa-mãe. Inserir-se-ia no perfil de um bom reforço se não houvesse um passivo emocional que fazia dele um dos jogadores mais malquistos em Alvalade. Estranho também a súbita disponibilidade financeira para “bater” a cláusula de rescisão por um jogador que daqui a 2 semanas estaria livre para assinar por quem quisesse. Adiante…

Analisando os outros nomes mais insistentemente falados, parecem-me não se enquadrar no perfil desejado os nomes de Babá e Djalma. São jogadores muito interessantes, sem dúvida, mas para o médio prazo. Tenho acompanhado as suas prestações e nota-se que ainda carecem de amadurecimento, quer nas movimentações quer na finalização. Acresce que o angolano tem a CAN 2010 pela frente.

Ruben Micael parece-me um valor seguro, mas joga numa posição em que estamos servidos com Moutinho e com um Matias que ainda precisa de demonstração prática do potencial que deixa adivinhar. O madeirense é um bom nome para a época 2010/11, na eventualidade de o Mundial nos valorizar alguns dos nossos 10´s.


André Santos está na mesma situação, fazendo ainda menos sentido que se indemnize o U.Leiria para nos devolver o que é nosso. E há até o risco de interromper a evolução do jogador, uma vez que a titularidade para ele estaria longe de ser um dado adquirido.

Resta Carlão, um jogador que me agrada, pese o preço inflacionado. Duvido que Bartolomeu o emprestasse com opção de compra, a situação mais conveniente. É de crer que, com uma linha média poderosa e com os processos de jogo afinados, este jogador pudesse superar o bom rendimento evidenciado em Leiria. Mas, é uma mera intuição, não me parece que pudesse responder melhor do que os que já estão no plantel.


E chegamos a Humberto Suazo, jogador sempre falado nos fóruns Sportinguistas no inicio de cada época. Jogador poderoso, internacional chileno, parece um valor seguro, embora o meu conhecimento sobre ele seja fundamentado nos resumos e Youtube onde, sabemos bem, é fácil brilhar. O propalado interesse de clubes com outros argumentos financeiros, interessados em ir buscá-lo ao México, tornam-no numa prenda de difícil concretização. A sua idade e o respectivo preço também obrigam a reflecção. Como muito bem afirmava há dias o Kovacevic no 442, para ir buscar jogadores destes não é preciso scouting.

Ficam de fora a lateral esquerda da defesa e as alas, tidos como os principais óbices à implementação do 4x3x3 tão do agrado de Carvalhal.Não me surpreenderia também que, na sequência do frio do banco por 2 vezes consecutivas não pusesse Polga a pensar no verão dos trópicos, abrindo espaço à recomposição da defesa. O problema é que os clubes brasileiros vendem caro e não gostam de pagar na hora de comprar. Nessa recomposição dificilmente caberia Mexer.

Já agora porque não Keirrison? O Barcelona quer colocá-lo, o jogador tem valor. Lembram-se do falhanço de Derlei e da importância que isso teve na sua vontade de se afirmar em Alvalade? Num quadro de um empréstimo de longo prazo, poderia ser uma solução interessante. Afinal o estágio de adaptação já está pago…

A verdade é que o Presidente já afirmou por diversas vezes que há necessidade de ir ao mercado e que havia dinheiro para fazer face às necessidades. Ainda anteontem o reiterou, à entrada do Politeama, onde ocorreu a festa de Natal dos funcionários do Sporting. Como as palavras podem ser levadas pelo vento aí está João Pereira ao que se seguirão outros, obviamente. Tudo leva a crer que após a festa nas de Natal, para regressar a Alvalade, JEB não passou no Centro Comercial da Mouraria ou na Rua dos Fanqueiros para comprar as prendas de Natal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Presente nº 1 - João Pereira

Julgo que é inquestionável que se trata de um dos melhores laterais-direitos em Portugal - apesar de existirem razões emotivas que nos façam ficar de pé atrás contra ele. João Pereira assina pelo Sporting até 2o14, por verba a rondar os 3M.

Numa posição onde já foram apontadas lacunas por diversas ocasiões, será que temos alguém de partida?

Aos dirigentes do Sporting, os meus parabéns por terem tratado desta negociação em absoluto segredo.

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