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segunda-feira, 21 de maio de 2012

O luto de Sá Pinto, que é também o nosso

Foto "ABola"
Desde que abandonei ontem o estádio nacional fiz os possíveis para evitar o mais ténue indicio que me obrigasse a reviver qualquer dos  momentos que seguiu ao tempo em que abandonei a zona do Parque 3. Até aí valeu o memorável convívio entre Sportinguistas, que estava longe de anunciar o que se seguiria.

A entrada no estádio foi caótica e poderia ter sido trágica e o jogo acabou por quase me ter parecido patético em face das expectativas que tinha construído. A decepção foi grande e ainda mais dolorosa quando, há medida que o jogo decorria, se percebia que a equipa não seria capaz de dar a volta ao golo madrugador que tinha deixado a Académica como um estudante na Queima das Fitas, isto é, no seu território mais confortável.

O esforço feito para não me "cruzar" outra vez com o jogo da Taça foi infrutífero pois é quase impossível, nos dias que correm, não tropeçar nas noticias do dia e essa foi incontornavelmente a festa da cidade de Coimbra. Festa essa inteiramente merecida pelo que a sua equipa jogou e acreditou, em nítido contraponto com a do Sporting, que não só tinha mais obrigação como mais argumentos que, por várias razões, não soube utilizar em seu favor. 

O meu azedume pelo sucedido ontem não é por isso por falta de fair-play, mesmo considerando que a Académica não leu esse compêndio, a avaliar pelo anti-jogo que praticou nos noventa minutos. Convém porém lembrar que nós fizemos o mesmo com o Man City quando nos deu jeito e até onde de nos deixaram ir. E o azedume já nem sequer tem origem na arbitragem colaborante com o anti-jogo a que juntou uma sábia gestão do apito no sentido de, sempre que possível, deixar os academistas respirar, interrompendo o jogo, ou nos diferentes critérios disciplinares. No fim do deve e haver o que conta é que o Sporting perdeu uma final que não podia perder e isso deve-o sobretudo a si mesmo.

Nestas alturas é muito comum as reflexões sobre o Sporting, o que até é natural, não fora o facto de serem quase sempre os mesmos (José Eduardo foi o primeiro) a porem-se em bicos de pés ou a querem sangue. No imediato a sorte do Sporting muda, mas muda pouco. Mas o mesmo aconteceria caso tivéssemos ganho e manda por isso o bom-senso não comentar "dando de beber à dor".

Mas há perdas menos imediatas, das quais daremos conta mais adiante, e que estão além deste soco bem na boca do estômago do nosso ego. Desde logo o não apuramento directo para a Liga Europa, com a obrigação subsequente de, pelo terceiro ano consecutivo, termos que começar mais cedo, quando ainda falta compreender as consequências que tal facto tem na relação com os demais concorrentes da Liga, em particular os rivais mais directos. E essas perdas estendem-se à ausência da Supertaça, competição que pode muitas vezes ser a pedra de toque anímica no lançamento de uma época. Estou-me a lembrar do começo de época de Villas Boas no FCP, por exemplo.

Falei do óbvio, ficando no entanto no ar algo que, não sendo tangível, não é por isso menos decisivo  no presente do Sporting. Falo do presente do Sporting que começou ontem da forma que sabemos e o que podemos esperar da próxima época. Que forças têm os adeptos para mais uma vez se levantarem e fazerem ao caminho? E que danos tem uma época sem títulos e com desaires traumáticos (Bilbau/Taça) num grupo que, por ser recém-formado, gozava da virtude de não estar ligado aos desaires dos anos anteriores, e que tanto marcou (e ainda marca...) a relação dos adeptos com alguns jogadores?

Posta já alguma distância sobre o jogo, julgo que ele acaba por retratar bem os problemas do Sporting no que ao seu futebol diz respeito, e que tem a ver com o seu modelo de jogo. Foi assim no tempo de Domingos e acabou por terminar assim já com Sá Pinto e, juntamente com outras questões que agora não soariam a mais do que desculpas, são responsáveis pela época realizada. Mais, sem eles resolvidos, podemos esperar pouco mais da época que aí vem.

Falo em concreto na dificuldade em ultrapassar equipas que se sabem fechar bem atrás, isto é, a maioria das equipas nacionais que em regra, o fazem muito melhor do que a maioria das que nos cruzamos nos compromissos internacionais. Como disse aqui em post anterior, a produção atacante do Sporting é muito inferior às equipas que disputaram este ano o campeonato, embora o que diz respeito à segurança defensiva ela já se enquadre nesses valores.

É nessa perspectiva que o jogo da Taça não poderia ser melhor exemplo. Tivemos mais de 90 minutos para sequer empatar o jogo e não só não conseguimos criar oportunidades em qualidade e quantidade, como passamos a maior parte do tempo a jogar aquilo que eu chamo de "jogo limpa para-brisas": a bola circula de um lado para outro mas raramente penetra onde faz doer: pelo centro. E a maior parte das jogadas pelas laterais criam perigo até ao último passe, acabando este quase sempre nos pés dos defesas contrários, por falta de rigor de quem o faz e também por falta de presença na área.

A discussão sobre o Sporting ganhará relevo nos próximos dias, é quase fácil de adivinhar. Mas, por mais considerações que se façam sobre as finanças, o presidente, a direcção, os investidores, etc. etc. sem resolver este problema o Sporting continuará apenas a oferecer desilusões. Repare-se no caso do nosso rival: o presidente é o mesmo, que coleccionou asneiras atrás de asneiras, que o fizeram gastar fortunas atrás de fortunas, para ficar quase invariavelmente atrás de nós e até de outros, até ter encontrado o seu Messias: Jorge Jesus. Este, apesar de já levar o segundo ano desaires, mais pela sua soberba do que por falta de saber, vale muito mais do que LFV e demais entourage. 

É dentro desse raciocínio que as atenções se concentram no trabalho de Sá Pinto para a próxima época. A fase em que pegou na equipa não lhe deu tempo suficiente para, através do treino, alterar rotinas viciosas, tendo agora uma parte fundamental da época - a chamada pré-epoca - para lançar as bases do seu trabalho e as suas ideias. Por estas e pela forma como decidirá construir o próximo plantel teremos os primeiro indícios até chegarmos ao pontapé de saída. 

Sá Pinto está de luto, fazendo fé nas suas palavras e na sua condição de Sportinguista e com ele estamos, por isso, todos nós. Quem fez o diagnóstico que ele fez (Estava à espera de uma equipa que fosse agressiva quando não tivesse a bola, dominadora quando a tivesse (...) Devíamos ter tido mais paciência, devíamos ter sido mais agressivos sem bola e ter outra postura com bola) está mais perto de descobrir o caminho. Cabe também a todos nós saber fazê-lo de forma adequada, sabendo fazer aquilo que se espera sempre de um Sportinguista: colocar acima dos seus interesses, e neste momento particular de dor, os interesses do Sporting. Eu faço o meu desde ontem.

Nota Importante: 
Provavelmente poucos se aperceberam mas esteve ontem iminente uma tragédia nos momentos que antecederam o jogo. Fruto da má organização do jogo, de responsabilidade da FPF, a hora que antecedeu o jogo acumulou milhares de pessoas na única entrada de acesso destinada à maioria dos adeptos que era a superior. Se o pior tivesse sucedido não faltaria agora quem imputasse responsabilidades às condições deficientes do recinto. Mas se todos os estádios deste país adoptasse os mesmo critério, velhos ou novos, todos teriam os mesmos problemas.

Quem estava do lado onde me encontrava pode presenciar momentos de pânico, envolvendo mulheres e crianças, que só não resultou em algo que estaria agora muita gente a lamentar, por mero acaso e algum bom senso, pese o pânico dos envolvidos. Bom senso de que estiveram arredadas as autoridades, que a tudo assistiam de forma complacente. Com tudo isso o que resultou de mais visível foi que milhares de adeptos perderam quase toda a 1ª parte, mas podia ser pior.

Por isso não deixei de sentir como uma provocação o já habitual aparato policial quando no final do jogo os mastins (não me refiro aos pobres animais de 4 patas...) da policia de intervenção se alinharam na frente da curva onde estavam os adeptos Sportinguistas, num ritual de caserna absolutamente ridículo. 



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Que objectivos estão ainda ao alcance do Sporting?

Imagem retirada do blogue Loving Sporting
Falta agora um terço para terminar o campeonato. 10 jornadas, portanto. Com o Braga muito próximo de replicar a grande época de há dois anos, e desta vez com a companhia do FCP, o terceiro lugar é apenas uma miragem? Miragem não será, mas será uma tarefa bem difícil de alcançar, se atendermos ao desperdício de pontos em que caímos, após o derby na Luz. Vejamos então:

Uma coisa é irrefutável: para alcançar o terceiro lugar, de importância crucial para o futuro a curto prazo do clube, o Sporting já não depende apenas de si mesmo. Para lá chegar precisa que o SCB baixe a sua produção, que neste momento se cifra numa média de 2,3 pontos por jornada, contra os nossos magros 1,9. 

Isto quer dizer que, nesta média, que anda muito perto da sua melhor performance de sempre (2,36 por jornada, e que dificilmente poderá ser superada) o SCB pode chegar aos 69 pontos. O Sporting, mantendo a média actual, ficaria pelos 57 pontos. Para chegar aos 70 pontos o Sporting precisaria de somar mais 32 pontos aos 38 que já possui. Mas tem um problema: nas dez jornadas que faltam só estão 30 pontos em disputa!

Fica pois muito claro que se o SCB mantiver o nível actual resta ao Sporting lutar pelo 4º lugar. É difícil para o Braga manter a actual performance, mas está longe de ser impossível, pois  tal significaria perder apenas 7 pontos nos próximos 10 jogos, em que tem que jogar com FCP em casa, Sporting e SLB fora. Mas, tirando a próxima jornada, com a deslocação ao Nacional e os 3 jogos referidos, o Braga joga com as equipas da parte inferior da tabela, quer em casa quer fora (5 jogos em cada condição).

É pois claro que só uma ponta final de excepção e de grande superação pode levar o Sporting ao último lugar do pódio no presente campeonato. Um excelente desafio que, a ser alcançado, serviria para catapultar o Sporting para uma boa época 2012/13. Felizmente que o futebol não é uma mera contabilidade estatística. E há ainda a Taça, que é para ganhar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Jamor tem mais encanto a preto, verde e branco

A final inédita que juntará no Jamor a Académica e Sporting é boa para o actual momento do futebol português.
  • Juntam-se dois clubes que mantêm boas relações pelo que a atenção devera estar concentrada no que se vai passar dentro das 4 linhas e não do lado de fora. Espera-se também que as jogadas de bastidores se restrinjam às nuances tácticas de ambos os treinadores.
  • É bom para a tradição da própria competição tendo em conta que se encontrarão 2 grandes do futebol português. Se é verdade que a AAC nunca ganhou nenhum campeonato nacional o seu histórico e a simpatia quase transversal que o clube recolhe na sociedade portuguesa tornam-no num grande.
  • Ainda no âmbito da tradição é bom para o Jamor, estádio que vive acossado pelo provincianismo pacóvio de uns e pela negligência de outros. Se perguntarem aos portugueses onde gostam de ver disputada a final é quase certo que a resposta maioritária recairá sobre o Jamor.
Mas as vantagens não se limitam ao futebol português. A avaliar pelas reacções matinais a qualificação do Sporting para a final do Jamor foi também proveitosa para as farmácias portuguesas, que devem ter esgotado os stocks de anti-ácidos e outros medicamentos facilitadores de digestões difíceis.

Estamos na Final!

Goooolo de Rinaudo!


Sim, estamos na Final. Hoje era dia do Sporting e, depois de muita transpiração ao longo dos 90 minutos, lá iremos visitar o Jamor em Maio. Suor e sorte q.b., foi, na verdade, esta a receita que nos levou até ao Estádio Nacional. O jogo foi intenso, mas esteve longe de ser um primor técnico, como costuma dizer-se na gíria futebolística.

Início de jogo muito complicado para os leões, com João Pereira a protagonizar dois lances seguidos disparatados. Seria, de resto, o mote de Pereira para o resto do jogo, bem à semelhança do que vem realizando nos últimos tempos. Na primeira vez que toca na bola só não deixa isolado um adversário porque Polga e Xandão estavam mais atrás e disfarçaram a aselhice. Pouco depois o desastrado lateral direito, atirava à barra de… Rui Patrício, após defeituosa tentativa de alívio. Aos dezoito minutos seria substituído o primeiro dos jogadores nacionalistas a sair por lesão, no caso, Moreno. Foi, no espaço de tempo que mediou a substituição do influente médio nacionalista, que surgiu a inauguração do marcador por Fito ‘bomba’ Rinaudo, através de um fortíssimo pontapé a aproveitar um ressalto à entrada da área madeirense. A bola ganha potencia, sai a meia altura com boa conta, peso e medida até que bate no poste e, ao contrário de muitas outras ocasiões, ressalta para dentro da baliza à guarda de Vladan. Um regresso que Fito merecia, porque a sua coragem e entrega ao jogo são altamente louváveis!

Há que reconhecer que dada a sequência de acontecimentos, a equipa leonina via-se cedo em vantagem, mais por obra e graça da fortuna do que por mérito próprio. De qualquer forma o golo serviu de tónico ao Sporting, aproveitando esse momento para impor-se, finalmente, sobre o Nacional. Foi num rápido contra-golpe que por pouco Matias não se isolava dentro da área após cruzamento com demasiada força de Capel. Mais tarde, seria Dieguito a empurrar a bola para dentro da baliza, lance mal anulado pelo árbitro auxiliar, uma vez que Carrillo no inicio da jogada parte de posição legal e Capel recebe a bola vinda de um defesa, encontrando-se, caso dúvidas da autoria do passe houvesse, atrás da linha da bola… O intervalo chegaria logo a seguir a mais um lance de contra-ataque leonino, disputado entre André Carrillo e Vladan, com o guardião nacionalista a antecipar-se e a lesionar-se na sua sequência. Segunda substituição que Caixinha se via obrigado a realizar. Pelo que se seguiu após a bomba de Rinaudo, o Sporting justificava a vantagem mínima com que chegava ao intervalo.

A segunda-parte apresenta-se com um SCP com maior posse de bola, a querer dominar o Nacional no seu meio campo defensivo, mas sem conseguir lances de muito perigo. Roldon recebe ordem de expulsão depois de ver segundo cartão amarelo, após rasteira perigosa a Rinaudo. Decisão justa, já que o avançado realiza entrada por trás e impede lance de ataque prometedor. O jogo colocava-se a jeito aos leões, parecia que se tornaria mais fácil com a dupla vantagem: numérica e no marcador… Mas nem seria do SCP se não resolvesse complicar. Com mais um jogador, a equipa leonina não evita uma transição veloz pela direita do Nacional, Claudemir faz um lançamento longo que apanha um Polga completamente apático a deixar fugir e a cabecear à vontade Diego Barcellos em plena grande área… bola à barra e golo do empate. Rinaudo ressente-se da lesão, entra Ribas, o Sporting reage, mais com vontade do que com organização e apenas algumas combinações de Matias com Ínsua, que subira no flanco esquerdo após troca de Capel (também saíra lesionado) por Evaldo, causavam sensação de perigo. A insistência pela esquerda, daria frutos: o (agora) extremo argentino ganha a linha de fundo desmarcado pelo chileno e, já dentro da área, é empurrado por um defesa quando quer flectir para dentro e cruzar. O Penalty, bem assinalado por Proença, permitiria o regresso de um apagado Wolfswinkel aos golos. Restou ao SCP gerir novamente o resultado, não sem evitar, novamente, passar por alguns calafrios... João Pereira, que tão mal estivera durante todo o jogo, resolve definitivamente a partida ao facturar o terceiro golo após jogada individual de belo efeito. Isto já nos descontos…

Vitória muito sofrida mas justa do Sporting, mais pela luta que sempre empregou num campo tradicionalmente complicado. O futebol aos repelões esteve longe de cativar… E aquelas combinações pelo centro do relvado, o jogo apoiado, dando mostras de maior organização que se vislumbraram no jogo anterior da Taça da Liga contra o Gil Vicente? Esqueçam, voltaram a não sair do papel…

Numa rápida análise à estreia de Xandão, diria que é daqueles defesas que não inventa. Joga prático, joga feio se tal for preciso. Impõe o seu físico nas acções defensivas, onde se mostrou seguro.

Por fim saudar o regresso de Rinaudo… O mesmo Rinaudo de sempre. Esperemos que a justificação para a sua saída não seja grave.

Ficha do Jogo:

Taça de Portugal - meia-final - 2.ª mão
2012-02-08
Estádio da Choupana, no Funchal (Madeira)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Ao intervalo: 0-1

Nacional: Vladan (Marcelo Valverde, 45 m); Claudemir, Neto, Danielson, Marçal, Moreno (Skolnic, 18 m) Todorovic (Keita, 78 m), Candeias, Barcellos, Mateus e Rondon.
Treinador: Pedro Caixinha
Suplentes não utilizados:João Aurélio, Oliver, Márcio Madeira, Elizeu

Sporting: Rui Patricio, João Pereira, Polga, Xandão, Insúa, Rinaudo (Ribas, 71 m), Elias, Matias Fenandez, Capel (Evaldo, 52 m), Carrillo e Wolfswinkel (Carriço, 82 m).
Treinador: Domingos Paciência
Suplentes não utilizados: Marcelo Boeck, Izmailov, André Martins e Renato Neto.

Disciplina: Cartão amarelo para Xandão (10 m), Rondon (40 e 56 m), Evaldo (71 m), Neto (76 m) e Carrillo (77 m).
Cartões vermelhos para Rondon (56 m) e Vladan (após jogo).

Golos: Rinaudo (18 m), Diego Barcellos (63 m), Wolsfwinkel (75 m, g.p.) e João Pereira (90+3 m).

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Pastéis" não eram de massa tenra

Ninguém diria que o Sporting acabaria por desbloquear o rumo da eliminatória através de um lance de contra-ataque, finalizado de forma soberba, pela espontaneidade e eficácia de Wolfswinkel. Isto porque a equipa de José Mota jogou tudo no recuo total dos seus onze homens para lá da linha da bola, provocando o total isolamento dos jogadores mais adiantados no terreno.

Assegurada a passagem à eliminatória fica aqui um sério aviso a Domingos, uma vez que, com um pouco mais de sorte, a estratégia de Mota poderia ter sido coroada de êxito e de pouco adiantaria estar agora a protestar contra ela, como fez o nosso treinador na flash-interviu. Até porque o que fez hoje o Belenenses pode perfeitamente ser emulado por equipas da nossa Liga, que possuem executantes mais evoluídos.

Isto porque não foram minimamente satisfatórias as respostas dadas para contornar as dificuldades encontradas, quando havia outro tipo de soluções mais recomendáveis. Entregar a nossa construção a Onyewu é já de si pouco recomendável, manter os médios e avançados encravados entre as linhas adversárias,com pouca mobilidade e de costas para o jogo é acreditar em demasia na sorte. 

Felizmente que o que conta é o resultado final e no futuro o que se saberá é que passamos aos quartos-de-final, assim como ninguém se lembrará do belo golo de Capel, mal anulado.

Ficha do jogo

Taça "acontece quando menos não se espera"

Responsabilidades e obrigações
Aumentaram as responsabilidades para o Sporting na edição deste ano na Taça de Portugal com a eliminação do SLB e do FCP. Mas, ao contrário do muito que se escreveu e disse desde sexta-feira, não aumentou a obrigação de ganhar a competição. O Sporting não tem qualquer obrigação de ganhar uma competição onde tem ainda de disputar os oitavos-de-final. Tem, isso sim, de jogar para ganhar este e todos os jogos que disputa, respeitando sempre todos os adversários, chamem-se eles Belenenses, Marítimo, Académica, Nacional, Oliveirense e Desp. Aves. O resto é soberba e essa já custou caro a alguns este ano. Porque, como ficamos a saber esta sexta-feira, "a Taça acontece quando menos não se espera".

Canções de embalar sportinguistas
Esta argumentação, de que o Sporting está obrigado a vencer a competição, será usada em cada eliminatória em que o Sporting dispute e caso chegue à final e dela saia vencedor será rapidamente recauchutada, transformando a Taça de Portugal numa competição secundária e fácil de vencer. Será por ser tão fácil que o FCP não conseguiu suplantar seu próprio tri, falhando assim o tetra? Ou será essa a razão que concorre que o SLB não veja o Jamor deste 2005, onde perdeu com o V. Setúbal? Tudo isto não passa de canções de embalar sportinguistas e um analgésico para aplacar as frustrações. 

A Taça é um dos objectivos do Sporting, nos quais o primordial é sem dúvida nenhuma o título de campeão nacional. Ambos estão, para já, ao nosso alcance, bem assim como todas as competições que o Sporting começou a disputar no principio da época. Qualquer que fique pelo caminho constituirá sempre uma perda para nós. A conquista da Taça este ano assume particular importância, porque nos permitirá voltar a igualar o FCP no segundo posto no número de títulos na competição, 16, aproximando-nos do SLB, que regista 24.

Convocados para o jogo com o Belenenses:

Guarda-redes: Rui Patrício e Marcelo Boeck

Defesas: João Pereira, Onyewu, Daniel Carriço, Polga, Evaldo, Insúa e Arias.

Médios: André Santos, André Martins, Pereirinha, Schaars, e Elias.

Avançados: Van Wolfswinkel, Bojinov, Capel, Carrillo e Rubio.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pastéis e possível derby para a Taça

O Sporting recebe o Belenenses nos oitavos-de-final da Tala de Portugal e ultrapassando como se espera o seu adversário, poderá reeditar o derby do próximo fim-de-semana, desta feita em Alvalade. Para isso é necessário também que os encarnados ultrapassem o Marítimo na deslocação que terão que efectuar à Madeira, onde jogarão com o Marítimo. O Sporting vê assim como muito real a possibilidade de voltar ao Jamor, tendo em conta a eliminação de FCPorto, caso ultrapasse os próximos adversários.

domingo, 20 de novembro de 2011

Bela Taça!

Sorte para quem se deslocou hoje a Alvalade porque pôde presenciar um jogo de futebol electrizante, culminando com uma qualificação muito mais difícil do que o resultado final deixa transparecer. Do principio ao fim o Sporting teve pela frente um adversário que tudo fez para impedir a sua eliminação, o que ainda valoriza mais a nossa continuidade na Taça. Até ao final do jogo esteve sempre instalada a dúvida sobre os números do resultado final. Os meus parabéns ao adversário, que esteve longe de merecer ouvir os olés com que foi brindado.

Para quem tinha dúvidas sobre as nossas possibilidades e sobre a qualidade da equipa ficou hoje uma boa resposta pois, como disse Leonardo Jardim no final do jogo, acima de tudo contam os golos e são as vitórias que reforçam a confiança colectiva. A equipa soube sofrer mas fez tudo para merecer a qualificação. Para o futuro imediato era fundamental mantermo-nos na competição e poder chegar ao derby a acreditar que tudo é possível. 

O que esta vitória também nos diz,analisando os diversos momentos do jogo, é que esta não é ainda uma equipa consolidada. Quer no jogo ofensivo quer defensivo há muito processo para apurar, posicionamentos para corrigir, etc. As boas noticias é que a imagem que esta equipa deixa em campo é que essa evolução é possível e não será por falta de entrega dos jogadores que tal não surgirá.

É difícil destacar individualmente algum jogador quando o grande responsável pela vitória foi o colectivo. Mesmo assim realço a exibição de grande sacrifício de Wolfswinkel, mesmo que aqui e ali tenha sido algo precipitado mas,não marcando não deixou de ser decisivo, ao levantar a cabeça e efectuar o passe para o golo com registo  artístico de Capel, outro dos elementos decisivos. Realce também para a entrada de Carrillo, que me parece a melhor opção para o próprio face às suas possibilidades. E também me parece justo não esquecer Elias, apesar de nem sempre ter estado tão acertado no passe, uma das suas melhores armas.

Ficha do jogo:

Domingo especial para Domingos

O reencontro de mais logo de  Domingos com o seu antigo clube é apenas um mero dado circunstancial de carácter mais emocional do que prático. Nem o Braga de Jardim é parecido com o que foi de Domingos nem o actual Sporting herdou mais do Braga que a antiga equipa técnica e o central Rodriguez, que por sinal não joga. Assim, não havendo heranças a reclamar, são os últimos jogos as referências a ter em conta no jogo de hoje. Ainda assim é o jogo 200 de Domingos como técnico e ele, mais do que ninguém, quer associar ao evento um marco feliz.

Ora então o que vimos no jogo anterior de ambas as equipas? 

Vimos o Braga apresentar-se a um nível muito bom ante o SLB, causando-lhe imensas dificuldades, quer pela forma como se soube defender, quer pela forma como lhe soube causar problemas no seu sector mais recuado, revelando-se um adversário mais dificil do que muitos esperariam.

Vimos também o Sporting com problemas para substituir Rinaudo bem como três defesas centrais no estaleiro. Esta é questão central para o jogo de mais logo. Como vai Domingos substituir um jogador como Rinaudo, que não tem equivalente no plantel?

É bem provável que recorra à dupla Schaars - Elias como o fez com a U. Leiria, uma vez que o regresso de uma dupla de centrais "normal" - Polga / Onyewu? - deixará de constituir o mesmo foco de preocupação que a entrada do "verde" Ilori suscitou, permitindo à dupla de meio-campo concentrar-se em exclusivo na especificidade das suas tarefas. Muita da sorte do jogo poderá decidir-se na forma como Domingos resolver esta questão e na resposta a dar pelos jogadores. Não será surpresa que o técnico opte por André Santos no lugar de 6, mantendo assim o esquema habitual.

Na frente a única dúvida poderá estar na direita, entre Carrillo e Pereirinha. Tendo em conta que o peruano e Capel, que jogará do outro lado, não têm grande vocação defensiva, não me surpreenderia a opção pelo segundo, que dará maior equilíbrio à equipa, conferindo outra consistência ao nosso jogo defensivo - devendo estar muito atento aos lançamentos longos de Hugo Viana -  e outra qualidade em posse, mesmo que tal represente algum sacrifício de alguma profundidade. Aí assumirá particular importância acção de Matias, a explorar os espaços entre Djamal e os centrais, bem como um apoio aos extremos de ambos os lados, fugindo assim da força bruta do 6 bracarense. Será com certeza dia de muito suor para Wolfswinkel.

Lista completa de convocados:


Guarda-redes: Rui Patrício e Marcelo Boeck;

Defesas: Evaldo, Daniel Carriço, Onyewu, Anderson Polga, João Pereira, Santiago Arias e Insúa;

Médios: André Martins, André Santos, Elias, Schaars, Pereirinha, Matías Fernandez, Capel e Carrillo;

Avançados: Van Wolfswinkel, Bojinov e Rubio

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Apontamentos do jogo da Taça de Portugal

O Sporting realizou uma exibição fraquinha em Famalicão, tal como aqui escrevi a propósito. Jogo esse que foi marcado por um número infindável na preparação antes e durante o jogo e cujas consequências estão ainda por apurar relativamente ao futuro próximo, isto é, para o jogo de quinta-feira com o Vaslui e na recepção ao Gil Vicente. Não deslumbrando o Sporting vai cumprindo as obrigações.

Muitas têm sido as lesões, nem todas de natureza muscular, mas estas já em número suficiente para se analisar se existe uma relação de causa e efeito ou se trata de episódios sem ligação entre eles. Não me recordo do registo das ocorrências dos dois anos passados por Domingos em Braga, elemento que seria fundamental para poder falar com alguma segurança num assunto tão sensível como este.

Ainda relativamente ao jogo de Famalicão há alguns apontamentos adicionais:

Boa prestação de Marcelo Boeck. Atitude correcta, mantendo a concentração desde o apito inicial do árbitro, acabando por ter intervenções decisivas. É isso que se pede a um suplente que tem ambições de ser mais do que apenas isso.

João Pereira vive um momento pouco produtivo, apesar de nunca deixar de se empenhar no jogo. Pouco discernimento, em particular no último toque, deitando por água a baixo todo o esforço que lhe dá fazer tanta piscina pelo corredor direito.

Foi uma solução de recurso mas pode muito bem vir a ser a futura etapa na carreira de Evaldo. Falo da sua adaptação a central, função que me parece poder vir a desempenhar com mais acerto do que a de lateral, particularmente quando chamado a atacar.

Continuamos todos à espera de um grande jogo de Matias, coisa que acontecerá mais facilmente em jogos de maior acerto colectivo e quando o chileno tiver mais jogo nas pernas.

Capel deve ser dos jogadores que mais participa no jogo, tendo já contribuído com um golo importante e diversas assistências. Essa participação nem sempre reverte em favor da equipa ou com influência no resultado final. A despeito disso é indiscutível que é um jogador que caiu no goto dos adeptos e que sabe também cultivar essa relação.

Por último Wolfswinkel. A dúvida maior agora prende-se em saber por quanto tempo poderá o ponta-de-lança manter os actuais níveis de eficácia. Seria excelente para o Sporting mas apenas para limite temporal da presente época porque não seria possível mantê-lo, o que não deixaria de significar uma perda. O holandês vive um momento fantástico, em que tudo o que toca dá golo, esta é altura também de, como adeptos desfrutarmos.

P.S- O que se diria hoje do Sporting e do seu departamento de futebol se tivéssemos apenas inscrito nas competições europeias um ponta-de-lança, apesar de dispormos de mais um elemento no plantel.

sábado, 15 de outubro de 2011

Taça com pouco brilho

Confesso a minha decepção pelas opções iniciais de Domingos. Decepção por não ver satisfeita a minha curiosidade em relação a Árias e eventualmente Rúbio e por não conseguir perceber o que ganhou com a colocação de Ínsua à frente de Evaldo. Parece-me isso sim que perdeu 45m com o Sporting a jogar amputado de um dos braços, mais precisamente o esquerdo.

Perante um adversário bem organizado defensivamente a produção ofensiva do Sporting resumiu-se às arrancadas de Capel do lado direito, apesar do maior perigo ter acontecido num remate à barra de André Santos e uma cabeçada de Wolfswinkel, defendida pelo guarda-redes. Matias nunca conseguiu ser o elo de ligação com a frente, conseguindo participar no jogo apenas em zonas muito recuadas do terreno, sem grande relevância, portanto.

A entrada de Pereirinha na segunda parte pretendeu devolver o tal braço direito amputado, o que só resultou depois de um penalty convertido por Wolfswinkel. Até aí o jogo continuou a passar por Capel, já postado do lado esquerdo, e quase sempre arredada das zonas centrais, muito longe do ponta-de-lança e da baliza famalicense.

Apesar da vantagem então conseguida e depressa ampliada novamente pelo holandês, após centro de código postal de Pereirinha, o jogo prosseguiu sem grande qualidade, mesmo após o Famalicão ter perdido 2 jogadores por expulsão. A equipa espraiou-se no relvado controlando o jogo sem se preocupar com a ampliação do resultado.

Uma palavra de simpatia para o adversário, que em tempos já ombreou connosco na mesma divisão, e que jogou sempre com grande galhardia.

Ficha de jogo
Famalicão, 0
Sporting, 2

Jogo no Estádio Municipal 22 de Junho, em Famalicão.
Assistência Cerca de 7.000 espectadores.

Famalicão Rui Forte, Luís Miguel, Hugo Matos, Pedro Silva, Talocha, Palheiras (João Dias, 81’), Jorginho, Flávio Igor, Gomis, André Claro (Jorge Miguel, 86’), Diop (Nelson, 67’).

Sporting Marcelo Boeck, João Pereira, Onyewu (Pereirinha, 46’), Carriço (Rodriguez, 46’), Evaldo, André Santos, Schaars, Insua, Matías Fernandez, Diego Capel (Rubio, 75’), Wolfswinkel.

Árbitro Artur Soares Dias, do Porto.
Amarelos Talocha (29’ e 83’), Diego Capel (44’), Jorginho (53’ e 64’), Palheiras (61’), Marcelo (73’), Hugo Matos (74’) e Alberto Rodríguez (81’).
Vermelhos Jorginho (64’) e Talocha (83’).

Golos 0-1, por Wolfswinkel (g.p.), aos 62’; 0-2, por Wolfswinkel, aos 67’.

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