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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Quem ganhou mesmo com Bruma e um Bruminha entre nós

O Sporting já deu conta no site do clube os valores envolvidos na venda de Bruma ao Galatasaray. São € 10.000.000,00, e variável de € 3.000.000,00 dependendo da performance desportiva do Galatasaray que, no entanto, não é especificada. Ao Sporting caberão mais 25% de uma futura mais valia, caso o clube turco o venha a negociar.

O Sporting consegue um bom negócio, excelente até, se considerarmos as perspectivas que, em alguns episódios da novela que (des)animou o verão, iam surgindo. Mas o valor em causa é apenas um terço da cláusula de rescisão que obviamente ninguém estaria disposto a pagar agora. Mas se condições tivessem surgido para manter o jogador o clube não só poderia apontar a valores mais altos, como poderia beneficiar mais um ou dois anos do seu rendimento desportivo.

Essa permanência, a ter existido, beneficiaria também o jogador. Não duvido que Bruma vai ter saudades do Sporting, aquela que foi a sua casa nos últimos 6 anos. Sem a existência deste imbróglio estaria a desfrutar do estatuto de titular e a apontar à selecção nacional. Agora terá que disputar a titularidade, num meio que lhe será totalmente estranho, justificando assim os milhões gastos. O seu sucesso estará muito mais dependentes de terceiros - condições proporcionadas pelo clube, treinador, adaptação - do que apenas de si próprio.

Estas preocupações dificilmente tirarão o sono ao seu tutor e advogado que, nos próximos tempos terão que pensar em como aplicar as comissões arrecadadas. Sem dúvidas os que menos arriscam em todo este processo mas os que, no final, acumularão o melhor rácio custos de investimento/mais valias realizadas.

Duas notas de curiosidade ainda sobre Bruma. uma directa e outra indirecta:

1- Pelos vistos o negócio entre os representantes de Bruma, mais concretamente o seu advogado, e o clube turco, foi feito no campeonato do mundo sub-20. Clube e advogado ter-se-ão movimentado como acharam melhor no hotel onde a selecção estava hospedada. O que se seguiu ao Mundial - a apresentação do pedido de nulidade do contrato na CAP - pode agora ser melhor entendido.

2- Não deixa de ser curioso que o Sporting tenha, nesta janela de mercado, contratado um jogador que atravessou um período algo semelhante na sua carreira. Falo de Everton, mais conhecido por Tziu, e que ontem foi inscrito, presume-se para a equipa B. O jogador de quem se diz ser talentoso, foi motivo de acesa disputa entre clubes, empresários e até familiares. Apesar de contratado pelo Corinthians em 2011, numa luta renhida com o Santos, o jogador desapareceria de circulação em finais de 2012, acabando por jogar o ano passado na Académica 12 jogos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A oportunidade de Bruma de baliza aberta

"Não foi só ao BdC que a decisão da CAP abriu uma oportunidade para resolver este imbróglio, foi também concedida ao Bruma a oportunidade de retomar a sua carreira de futebolista e, sem querer puxar a brasa à minha sardinha, julgo que o melhor para o jogador seria poder continuar a evoluir no SCP. 

Que duma vez por todas haja sensibilidade e bom senso de todas as partes envolvidas e, nisto, incluo todos nós adeptos e sócios. Não podemos crucificar um puto de 18 anos quando, nitidamente, também é ele vitima de quem o rodeia. Caramba, eu também já tive 18 anos... e o que é eu sabia da vida com aquela idade? E quantas burradas fizemos (e continuamos a fazer) ao longo da nossa vida? Por mim, aceitava de bom grado um regresso do Bruma, até porque o SCP pode beneficiar do seu talento e também duma possível mais-valia económica no futuro. Oxalá, assim seja."

Este é o comentário que o meu amigo Virgílio deixou no post "Bruma sem condições psicológicas e com razões para rescindir" e com o qual concordo inteiramente. A decisão da CAP significa uma segunda oportunidade para todos, jogador e clube, de forma a que erros anteriormente cometidos não sejam novamente reincididos, possibilitando uma solução. E se as oportunidades não abundam as segundas que a vida concede são ainda bem mais escassas. 

Dizia Pessoa, sobre o que é a oportunidade: 
 
Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada. 
 
No referido post há ainda outro comentário (do nosso caro JPDB) a propor como que um "roadmap" para a solução deste caso já demasiado longo, também a merecer a atenção, mas em que registo uma diferença de opinião importante: creio que o Sporting não tem que tomar qualquer iniciativa antes de Bruma fazer o mínimo do que lhe compete. E isso seria voltar, pelo seu próprio pé, ao seu local de trabalho ou àquela que ele reconhece como a sua própria casa. O que será muito difícil de suceder enquanto o seu tutor se continuar a preocupar mais consigo próprio do que com o seu protegido.
 
Papel crucial será desempenhado pelo presidente, Bruno de Carvalho. Como é óbvio Bruma não pode ser totalmente reintegrado no clube, seja no plantel da A ou da B, como se nada tivesse sucedido e sem resolver a renovação do contrato ainda pendente. Resolvidas essas questões, caberá ao presidente interpretar devidamente todos os condicionalismos que envolvem o jogador - condicionalismos pessoais e a envolvente no clube - e integrar o jogador de forma que Bruma, através da sua acção, se possa reabilitar aos olhos dos adeptos. Bruma tem a baliza aberta, uma oportunidade que não pode ou não deveria falhar.
 
Há uma dívida em aberto que espero ele venha a pagar da única forma que lhe é possível: a jogar em campo. Resolver este caso de forma a que tal venha a suceder faria o Sporting mais forte, estou certo.

sábado, 24 de agosto de 2013

Bruma sem condições psicológicas e com razões para rescindir

Como é cada vez mais evidente a cada declaração do seu advogado, Bruma não tem "condições psicológicas" para acreditar na competência profissional e até na boa-fé de quem o representa e não lhe faltarão razões para rescindir a ligação até agora mantida. Falta saber se não terá também razões para o processar por perdas e danos infligidos pela estratégia seguida e que o conduziram a um perigoso impasse na sua carreira. O mesmo juízo deverá fazer sobretudo Cátio Baldé, seu tutor, que por isso tem obrigações acrescidas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bruma perde e agora terá de escolher se quer continuar a perder

Dizia no post anterior que Bruma já estava a perder por não poder estar a fazer a única coisa que gosta e sabe fazer, que é jogar futebol. Ao ser conhecida há instantes a decisão da CAP, favorável ao Sporting, que terá sido tomada por unanimidade, Bruma perde mais uma vez. Falta saber quantas mais vezes e por quanto mais tempo Bruma quer perder. Se a decisão anunciada hoje pelo seu advogado for a da fuga para frente, permanecendo em confronto com o clube, será por certo isso que o espera.

Se estivéssemos a falar de outro jogador, diria que talvez esta fosse a altura de o  jogador se questionar que interesses têm presidido às decisões que os seus representantes têm tomado: se os seus, jogador de futebol profissional, se quaisquer outros. Mas, tal como também disse anteriormente, não creio que Bruma risque aqui alguma linha e por isso restará ao Sporting ir até ao fim na luta pelos seus interesses. 

É isso que espero da parte de Bruno de Carvalho, que obtém aqui uma vitória preciosa. O que lhe recoloca, a ele, e por isso ao clube, numa posição de inegável vantagem negocial sem ter sequer de ter que tomar a iniciativa.

Para finalizar confesso a minha surpresa pela decisão tomada. Como várias vezes aqui dei conta, a desconfiança nas instituições que regem o futebol português é total. Quem sabe esta decisão justifique a ideia de que a esperança deverá ser a última a morrer. Talvez não valha mesmo tudo, como muitas vezes certas decisões parecem fazer crer.

Alguns comentários à entrevista de Bruno de Carvalho a "A Bola"

Grande parte da entrevista é dedicada ao caso Bruma e à relação com os agentes de jogadores, daí que grande parte dos comentários que aqui deixo sigam o mesmo diapasão.

Quanto ao contrato e a posição do Sporting
Da forma como é explicado parecem não substituir dúvidas relativamente à ligação do jogador ao clube. Ligação que o jogador e representantes foram sempre reconhecendo até que lhes passou a dar jeito não o fazer. No entanto as dúvidas estão na sombra das declarações de BdC, especialmente quando afirma que a derrota do Sporting neste processo equivale a uma derrota da justiça e do futebol. 

Mas quantas derrotas de igual teor não coleccionamos já ao longo das últimas décadas? Por isso no meu último post sobre esta matéria dizia que, especialmente neste caso, ao deixar fugir este assunto do seu controlo e permitir a intervenção de terceiros – a CAP – a posição do Sporting perdeu força. Não força legal ou moral, mas por ficar à mercê dos interesses obscuros que campeiam no futebol. Paradoxalmente os mesmos interesses que BdC diz na entrevista querer combater neste e noutros processos em curso.

A prova que o Sporting luta com armas desiguais, para lá das que estão documentadas nesta entrevista, é que ao longo deste processo foram várias as ocasiões em que “escorreram” para a comunicação social pareceres e circunstâncias processuais quase sempre desfavoráveis co clube. Culminaram nesta semana com a divulgação do testemunho de Pedro da Cunha Ferreira como pretensamente desfavorável ao clube, o que é, como o próprio muito bem afirmou, uma peça de escrita criativa notável. Pior do que isso é ser dado conhecimento público do que devia ser sigiloso, isto sem falar no papel a que o jornalismo se sujeitou neste caso, e que não pode ser ignorado. Mais ridículo ainda foi a ideia transmitida por um dito especialista de que o Sporting, em caso de decisão desfavorável, perderia até os direitos de formação, o que me parece absurdo face ao que está em disputa neste caso, que é apenas o vínculo e não vencimentos em falta.

A renovação acordada há muito, a estratégia de dilação, os erros de Godinho e os próprios
Tal como era então do conhecimento público havia um princípio de acordo entre a anterior direcção e Bruma e que agora BdC confirma. Não se percebe porque o acordo não foi levado a efeito, tendo em conta a importância do jogador. Mas não é líquido afirmar que, caso a renovação tivesse sido concretizada, Bruma não estaria na mesma em conflito com o clube, caso BdC entendesse, há semelhança de outros processos ainda a decorrer, que o jogador havia renovado por valores exorbitantes. Por outro lado parece-me óbvio que se a estratégia dos representantes de Bruma era meramente dilatória, sem interesse em renovar, o mesmo argumento deve ser usado para qualificar as relações com direcção anterior e que, inevitavelmente, nunca houve qualquer interesse em renovar com o clube, fosse quem fosse que o representasse.

As guerras pela moralização
Ninguém duvida, creio, da necessidade de moralização do papel dos agentes e dos fundos de jogadores. A minha dúvida, expressa aqui desde a primeira hora, é que seja o Sporting a fazê-la sozinho. O relato do que se passou com Ié é apenas um dos muitos casos que chegam ao público.

No caso concreto de Bruma, se ao jogador é indiferente que parte do que lhe cabia vá para os seus representantes, porque me haveria eu de importar?

Se processos idênticos e especialmente com os melhores jogadores, tiverem invariavelmente o mesmo desfecho, os interesses do clube estão a ser devidamente protegidos? 

Sendo a transferência de jogadores uma parte vital para sustentabilidade da SAD, e não podendo o clube escolher pelos jogadores quem os represente, a repetição deste tipo de problemas colocará o Sporting à margem e por isso em dificuldades.

É impossível não concordar com BdC quando este diz que (página 5) 

“é essencial definir regras claras para os agentes de futebol e que permitam a defesa do futebol dos clubes e jogadores. Isto deve ser uma prioridade dos governos e das instituições que supervisionam o futebol mundial (…) O mesmo no que diz respeito aos fundos(…). 

A pergunta que fica é o que fará o Sporting enquanto tal não acontecer, se é que alguma vez acontecerá?... Porque o caso Bruma é já quase passado, interessa agora o que o futuro vai trazer.

Independentemente do resultado deste processo, se dele se retirarem as devidas ilações, alguma coisa de bom se poderá extrair em prol do clube, para que ele não tenha representado apenas perda de tempo, de energia e de valor para todos nós.

Uma nota sobre quem ganhará ou quem perderá com o resultado final: Para já perde o jogador e o clube. Bruma por estar privado de fazer o que mais gosta e o que melhor sabe, que é jogar. O clube porque perde um jogador que seria importante na sua estratégia e não tem substituto à altura. No final perderá ou ganhará o Sporting e não apenas uma qualquer fracção. É tempo de deixar de lado os discursos divisionistas do "eles" e do "nós" porque uma parte do clube é sempre mais pequena que o seu todo.

Pessoalmente confesso o meu cansaço com o tema e até já dei baixa do Bruma no meu deve e haver, isto porque já nem acredito que a uma decisão favorável corresponda a rápida solução do caso. As recentes declarações do advogado do jogador são mais uma escalada para uma não solução. Fica a entrevista para as brumas da memória.

Uma pequena nota mais para quem apoia o presidente na mediação com a imprensa. Acho insultuoso para ele e para o clube que erros lexicais, involuntários ou não, sejam colocados em itálico na entrevista. Tal significa que foram notados mas propositadamente não corrigidos, o que, ao longo de muitas décadas de leitura do jornal em causa, é totalmente "inovador".

sábado, 17 de agosto de 2013

Sobre as entrevistas de Bruma

Bruma afinal não deu apenas uma entrevista mas sim duas e logo aos jornais de maior tiragem. Entrevistas que não me despertam grande curiosidade porque é minha convicção que, mais do que as suas próprias palavras, Bruma diz o que lhe mandaram dizer. "Jogo no clube que o meu agente me arranjar" é suficientemente elucidativo de quem detém o poder de decisão.  É essa a minha convicção também em relação à peça fundamental deste puzzle: não foi por Bruma que este processo teve os desenvolvimentos que hoje é do conhecimento de todos. 

Voltando às entrevistas propriamente ditas fica claro o seu objectivo: a poucos dias da decisão da CAP Bruma prepara os episódios que se podem seguir. Não sabemos se o faz já conhecedor da decisão, o que não seria de estranhar. Mas escolhe o pior momento - na véspera do inicio do campeonato - e que, somado ao teor das suas declarações - "fico orgulhoso do interesse do Benfica, não descarto nenhum clube" -representa um corte com ligação mais importante que detinha com o clube, a do afecto dos adeptos. Para nós, mesmo para os que reconhecem o direito de qualquer profissional a escolher a sua entidade patronal, não é indiferente constatar que o clube onde se formou está agora em pé de igualdade nas suas escolhas com os rivais que Bruma se habituou a defrontar e muitas vezes a ganhar. Bruma não chegou ontem e não é um Fariña, ou um Pizzi qualquer.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O desfecho do caso Bruma

Começo pelo fim:  já depois de redigido o essencial deste post Cátio Baldé declarou hoje à Antena1 a vontade de chegar a entendimento com o Sporting. Aparentemente são boas noticias mas as aparências iludem. 

Essa vontade só será real se a decisão da CAP, a conhecer nos próximos dias, for favorável ao Sporting. Esta boa vontade não é mais do que o entreabrir de uma porta caso a decisão seja oposta ao pedido efectuado. Se houvesse qualquer negociação esta não faria sentido com o normal decurso do processo.

Não sendo a decisão favorável ao clube, o jogador não voltará a vestir a camisola do Sporting, sendo o seu destino mais do que um rumor já bem nutrido: o outro lado da segunda circular. A ser verdade, será o quarto jogador a ser desviado de Alvalade, sendo que este, pela sua especificidade, e a confirmar-se, assumirá contornos de uma óbvia declaração de guerra que apenas era até agora tácita e táctica.

Dificilmente o desfecho do caso Bruma nos será favorável. Desde logo pela impossibilidade de fazer regredir toda a água que entretanto acabou por correr debaixo das pontes, voltando a colocar o caudal favorável à aproximação entre ambas as margens do rio que separa jogador e clube. Essa aproximação só existirá por conveniência de uma e apenas uma das partes, conveniência que agora excederá a que é normalmente obtida pela satisfação das partes quando celebram um contrato de livre vontade. A parte em causa é o jogador e seus representantes, caso percam a acção na CAP. Isto porque, caso a decisão seja outra, não só encontrarão muitos clubes a oferecer mais do que o Sporting lhe(s) pode pagar, mas também porque olhariam com temor um regresso.

Era preciso que, se Bruma ficasse, tudo corresse mesmo muito bem e as bancadas esquecessem todos os episódios desta triste novela estival. Mas a dura época que nos espera tende a constituir-se num pródigo dealer de flashback´s, em  cada passe mal conseguido ou golo falhado, do que foi a relação do jogador e seus representantes com o clube, logo com os adeptos na bancada. E ninguém sabe o que poderá suceder ao jogador, que ainda teria que negociar com Bruno de Carvalho a renegociação do contrato. Se Labyad foi para a B porque "não se esforça" e "ganha muito"...

É preciso revisitar a história recente para perceber o que concorreu para este desfecho. 

Em Fevereiro deste ano Cátio Baldé dava conta de uma possibilidade de entendimento a curto prazo, ainda na direcção de Godinho Lopes, num processo que se arrastava há algum tempo. Este queria fechar este processo ainda antes das eleições, coisa que hoje sabemos não logrou conseguir.

Quando Bruno de Carvalho chega à presidência deixou bem claro, numa das suas primeiras entrevistas, que algo iria ser diferente na relação com os empresários de futebol. No post que redigi a propósito dessa mesma entrevista já na altura me pareceu esta nova postura uma estratégia de risco, embora estivesse longe de imaginar que a relação com Bruma se iria agudizar ao ponto de se encontrar no plano que hoje é conhecido de todos.

Bruma não é só um dos jogadores mais promissores da sua idade, é também conhecido por se assumir como Sportinguista. Terá sido o conhecimento dessa condição que terá levado Bruno de Carvalho a esticar a corda sem perceber que poderia ser ela a única coisa que lhe ficaria na mão. 

Terá sido o facto de querer como jogador e como Sportinguista continuar de leão ao peito que o terá levado a ceder na exigência de deixar cair a representação de Zahavi. Depois de ter estado incontactável, Bruma dá uma entrevista dando conta de que o final feliz estaria próximo. Então dizia que "o Sporting é o clube do meu coração. O Sporting é o clube que eu amo. Um dia, quem sabe, talvez possa ir para outro clube. Mas o Sporting nunca ficará prejudicado com isso. Se eu sair, será o Sporting a resolver a minha situação e a fazer tudo." A recusa em receber os seus representantes, sem a sua presença, uns dias depois, deitaria tudo a perder. Pelo menos para já.

Creio que Bruno de Carvalho nunca esperou este súbito desenlace, ao que não terá sido alheio a entrada do advogado de Cátio Baldé, Bebiano Gomes. Ao deixar que o assunto lhe saísse da sua área de intervenção directa, Bruno de Carvalho (o Sporting) praticamente perdeu grande parte das hipóteses de ver o jogador de volta. Não só porque o contrato do jogador abre algum campo a algumas dúvidas - e não deixa de ser curioso que em Fevereiro o empresário afirme, na supra aludida entrevista, que o jogador tem mais um ano de ligação ao clube - mas sobretudo porque permite a intervenção de terceiros. 

Ora todos sabemos do nulo poder que o Sporting dispõe nas entidades que regulam o futebol português. Por isso sempre que permitimos que uma decisão saia do relvado de Alvalade ou dos seus gabinetes estamos a abrir a porta de interesses de concorrentes directos contra os nossos. Isto tanto é válido para a Comissão de Arbitragem como para o Conselho de Disciplina ou de Justiça, enxameados por verbos de encher e amanuenses de outras cores que não as nossas.

Os terceiros são, no caso Bruma, nem mais nem menos que a já tão famigerada Comissão Arbitral Paritária. Comissão que é constituída por 3 elementos nomeados pela Liga e outros 3 nomeados pelo Sindicato dos jogadores. Do Sindicato dos Jogadores sabemos mais ou menos o que esperar, é uma entidade criada com o intuito de defender os interesses dos jogadores. Da Liga sabemos que é agora mais vermelha do que nunca, a que não será alheio o facto de o seu presidente ser genro desse enorme benfiquista de ares marítimos, Carlos Pereira.

Por tudo isto creio que a maior parte de Bruma já não nos pertence. Isto é dizer que dificilmente espero uma decisão favorável. E, tal como reconheço acima, uma decisão favorável ao Sporting não significa sequer o desfecho deste caso. 

Claro que perder um jogador que nos poderia ser muito útil no relvado no imediato e no curto/médio prazo na tesouraria me belisca o orgulho. Mas nos passos desta história aqui descrita encontro a semelhança com outros percorridos por caminhos que nos levaram a perder jogadores importantes demasiado cedo e com pouco proveito. Processos a que hoje se deve muito da desconfiança em torno do investimento na formação. 

Olhar apenas para o exterior - jogadores, empresários, comissionistas, etc - à procura de razões que expliquem estes falhanços acaba por ser uma fuga em frente, um estado de negação de uma realidade cada vez mais evidente: o Sporting tem de ser um melhor gestor da sua actividade fundamental: a competição desportiva em todas as suas vertentes. Se, como tudo indica, o desfecho deste caso nos for desfavorável, foi em Alvalade que começamos a perdê-lo.

P.S.: Como complemento deste post recomendo a leitura destes seguintes artigos:

domingo, 14 de julho de 2013

PSV leva Schaars e brinde? Um grande reforço já em Alvalade e mais 3 apontamentos

Schaars: Pena de ver sair alguém que, desde a primeira hora, me pareceu um bom jogador, um bom profissional e, aparentemente, perfil de líder. Mas é um daqueles sacrifícios anunciados que sabemos ter de fazer. A idade do jogador, o vencimento e as muitas opções para o meio-campo, bem como o longo período lesionado, fazem da sua saída das que menos se sentirá dentro do leque de jogadores potencialmente titulares em que Schaars se inseria.

Árias - Não sou dos que tinha visto grande potencial no jogador. Aliás viu-se tão pouco e o pouco que se viu não permitiu tirar conclusões. O facto de ter passado pela mão de tantos treinadores sem merecer uma aposta declarada também diz alguma coisa. Sem grande pena de o ver o partir fica apenas a dúvida de quanto valeu a sua transacção. Dúvida que ainda não foi esclarecida nem pelo PSV nem pelo Sporting. Seria importante que o Sporting o fizesse para não parecer que o clube holandês levou o Schaars e ainda teve direito a brinde.

Renovação de Esgaio e João Mário- Uma excelente noticia e que equivalerá a libertar João Mário da B para a equipa principal para que finalmente se possa assumir como um dos jogadores mais dotados da sua geração. Já Esgaio ainda não me convenceu totalmente, provável infelicidade minha, por não ter ainda visto todas as qualidades que se lhe apontam. Tem pelo menos as suficientes para ter merecido outra aposta do seleccionador no pretérito campeonato do Mundo.

Primeiro jogo - Sem ter visto o jogo e até levando em linha de conta o adversário e o facto de ser o primeiro da época, fica apenas o registo de quem jogou e de quem marcou:

Rui Patrício; Cédric, Fokobo, Rojo e Jefferson; William Carvalho, Adrien e André Martins; Wilson Eduardo, Viola e Diogo Salomão. 


Jogaram ainda: Capel, Betinho, Marcelo Boeck, Rúben Semedo, Maurício, Seejou King, Rinaudo, André Santos, Labyad, Carrillo, Zezinho, Cissé e Nii Plange.

Golos de André Santos, Capel, Labyad e Cissé.


Os meus amigos que vêem primeiro do que eu: Depois da rescisão do contrato de Bruma com Zahavi e assim que começaram a surgir os primeiros problemas com Bebebiano e Baldé, dizia-me um amigo que ainda iria ser o empresário israelita a desbloquear o imbróglio. Na altura pareceu-me um retorno impossível que, ao que parece, a realidade acaba de desmentir. Talvez seja mesmo a única saída que evite que o Sporting perca tudo neste processo rocambolesco. Se tal for conseguido, e no pé em que as coisas estão, serei o último a reclamar, apesar de me agradar pouco a posição em que se colocou o presidente do clube.

Adenda: Já depois de colocado o post tomei conhecimento dos 24 jogadores eleitos para a digressão ao Canadá:


Rui Patrício, Marcelo Boeck, Maurício, Jefferson, Marcos Rojo, William Carvalho, Ruben Semedo, Cédric Soares, Eric Dier, Seejou King, Diego Capel, André Carrillo, Labyad, Rinaudo, Adrien Silva, Diogo Salomão, André Santos, André Martins, Filipe Chaby, Zezinho, Nii Plange, Cristian Ponde, Wilson Eduardo e Cissé.

Surpresa para a chamada de Cristian Ponde, Nii Plange e Chaby. No sentido contrário as ausências de Viola, Betinho e, claro, João Mário.

sábado, 13 de julho de 2013

Bruma: desmintam-no ou justifiquem-se

"O Sporting pressionou-me para deixar o empresário Pini Zahavi e eu achando que era esse o grande obstáculo rescindi com ele. Depois queriam que fizesse o mesmo com Cátio Baldé e com o meu advogado. Percebi que estavam mais preocupados com empresários do que em resolver a situação."

"Estamos a falar de alguém que é como um pai (Cátio Baldé). Se eu não tivesse seguido os seus conselhos, se calhar não estavam agora a lembrar-se de mim. Lembro-me, que com 16 anos, recebi uma proposta de 600 mil euros mas ele quis que eu ficasse no Sporting. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

À atenção de Bruma: o futebol está cheio de muitos perdidos e poucos achados

Infelizmente tudo indica que o Sporting perdeu mais uma vez, de forma inglória e evitável, mais um jogador. O comunicado ontem emitido pelo clube revela, quanto a mim, a persistência no erro de avaliação em que o CD caiu: ao jogador interessava muito pouco ou até talvez nada qual seria a percentagem do passe que caberia ao seu tutor, Cátio Baldé. Mais do que isso, é até muito provável que estivesse de acordo. 

Como dizia ontem, era muito provável que fosse o tutor do jogador quem detinha o poder de decisão, pelo que, não negociar com ele, encaminhou o processo para o que parece ser o final. Para Cátio Baldé 10% são sempre 10%, independentemente de quem paga e, por isso, tanto lhe faz que seja o Sporting Clube de Portugal ou outro qualquer. Provavelmente "esse tal outro qualquer" até  paga mais.

O aparecimento de Bebebiano parece-me ser o momento em que as coisas se agudizam. O discurso mais apaziguador de Cátio Baldé - fosse real ou por interesse - depressa se foi tornando mas belicoso. A recusa de ser recebido pelo CD foi muito bem aproveitada. 

Acabar como perdedor querendo fazer a figura de moralizador projecta a imagem de um clube à procura da desculpa para o seu próprio fracasso por não saber lidar ou perceber o meio em que tem que se movimentar. Como Sportinguista é-me indiferente se os 10% do passe são do Cátio Baldé ou do Bruma. Já não me será indiferente ver o jogador marcar golos com outra camisola qualquer que não a nossa, especialmente se a baliza onde a bola entre seja a do Sporting.

É indiscutível que o Sporting perde. Começa logo por perder a tranquilidade necessária que qualquer inicio de época recomenda. O sobressalto provocado juntos dos adeptos também não é propriamente o melhor aperitivo. Perde também um activo valorizado mas não necessariamente tão valioso. Mas é apenas uma promessa e o Sporting é uma certeza que não é abalada porque um jogador qualquer sai.

E é aí que Bruma antes de ganhar alguma coisa já perdeu. Seria do seu melhor interesse, neste momento da sua carreira, permanecer num clube que onde começava a ser idolatrado, onde conhecia os cantos à casa. Uma disputa jurídica prolongada pode adiar a integração num futuro clube, tendo em conta que ninguém no seu perfeito juízo quererá assumir o compromisso com um atleta que tem uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros.

E, enquanto Bruma aguarda pelo esclarecimento da validade legal do compromisso, é bom que se lembre que o futebol está cheio de quases. A bola que quase entrou não é um golo. Um jogador que quase jogou não saiu do banco. Um jogador que quase foi um craque não foi ninguém no futebol e hoje ninguém se lembra dele. E esses são a maioria, apesar do muito que se esperava de muitos deles.

Lembrando Mário de Sá Carneiro:

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi... 

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...  

E não faltam exemplos:




quinta-feira, 11 de julho de 2013

O que aconteceu para Bruma "apodrecer"?

Há dias terminei assim este post, em que se falava de Bruma e das mais recentes aquisições:

Esta facilidade em contratar jogadores de fora e lidar tão mal com os jogadores da casa não pode ser bom para um clube que se orgulha da sua formação. Tendo em conta os antecedentes, pensar que a culpa está sempre do lado dos jogadores, talvez seja motivo para parar para pensar.

A forma recorrente como o Sporting perde os seus melhores activos (Bruma ainda não merece figurar entre os melhores dos melhores, é apenas uma promessa de o ser) é um choque permanente para o orgulho leonino. Desta forma, a manter-se esta recorrência, mais tarde ou mais cedo seremos confrontados com a inevitável avaliação do custo/beneficio do quanto investimos na formação. Uma pena, na minha opinião, porque o modelo tem tudo para ser promotor de sucesso e consequente satisfação do clube e dos Sportinguistas. 

Com base no que é conhecido na opinião pública, o que falhou agora para concorrer para que o caso Bruma esteja no ponto em que está?

No essencial falhou o Sporting -  os seus dirigentes, bem entendido - que vai demonstrando sempre muitas dificuldades em adaptar-se às exigências de quem está num mercado tão difícil como é o do futebol. Mercado esse que funciona em roda livre, com os que deveriam ser os seus reguladores - FIFA e UEFA - a fecharem os olhos a uma realidade: quase todos os actores principais e figurantes ligados ao espectáculo do futebol estão cada vez mais ricos, excepto os clubes e os adeptos que os suportam. E sem eles não há futebol... Mas essa constatação não pode servir de desculpa aos erros cometidos, especialmente quando neles se reincide. 

Diga-se desde logo que as leis que regulamentam as transferências de jogadores da formação e os jogadores já considerados seniores ignoram a realidade, desprotegendo quem forma: o profissionalismo é assumido muito antes da maioridade, com todas as suas consequências, mas os jogadores são tratados pela sua condição de menores. 

No caso do Bruma tal concorre em muito para a situação actual. Um jogador menor de idade só pode assinar contrato profissional a partir dos 15 anos e esse contrato só é válido por 3 anos desde que assinado pelos pais ou seus representantes. 

Os problemas com o jogador já começaram aquando da renovação do contrato anterior e tinham na base o reconhecimento de quem regularia o poder paternal ou quem detinha a sua representação. Certamente que a maior parte nós está lembrada deste pormenor. O que está agora em causa é saber em que data o contrato foi assinado, que é o que determinará a posição do Sporting na disputa legal que dificilmente será evitada, pelo extremar de posições bem evidente.

Com este quadro legal desfavorável era recomendável que o Sporting acautelasse os seus direitos, o que não foi feito. Bruma é apenas o caso mais visível mas Pedro Mendes, Carriço e Pereirinha sairam pela porta baixa, sem renderem ao clube quase nada. A saída de Adrien foi evitada, mas o odioso por ter conseguido uma posição negocial vantajosa recai agora sobre ele. 

Culpas claras de quem tinha a obrigação de gerir em primeiro lugar e que ao gastar dinheiro em Rojo, Onyewu, Xandão, Boulharouz (e agora Maurício), oferecendo o que nega ou muito regateia aos da casa.  

E o que dizer dos adeptos sempre tão sedentos de contratações, para mais tarde concluírem que o clube estaria menos pobre se tratasse melhor os jogadores que forma?

O dossier Bruma foi um dos muitos dossiers complicados que  caíram em mãos do actual elenco directivo. O jogador valorizava-se de dia para dia quando a direcção tomou posse e esta não conseguiu chegar a um entendimento antes de o jogador partir para o Mundial sub-20. Acabaria aí por ser o elemento mais destacado da companhia.

É-me dificil usar a palavra culpa para qualificar a a forma como a direcção, e o presidente Bruno de Carvalho em particular, geriu este processo. Porque falta avaliar qual seria a vontade do jogador ou dos seus representantes. Quereriam que realmente que o jogador continuasse no Sporting ou estariam apenas a jogar com a posição altamente favorável que o jogador alcançou? 

Mas, sem ir tão longe na atribuição da culpa, é claro para mim que houve um enorme erro de avaliação. Ao querer negociar directamente com o jogador, passando por cima dos seus representantes o presidente Bruno de Carvalho não percebeu quem realmente tomava as decisões, e esse dificilmente me parece que seja o Bruma. 

Essa tentativa de "sobrevoar" teve outra consequência nefasta para todo o processo: ao não se fechar no gabinete com os representantes o processo deixou de ser gerido onde interessava e passou a ser dirimido nos órgãos de comunicação social, o que contribuiu para o paulatino afastamento de quem deveria estar sentado à mesa a negociar.

A tão falada rescisão do contrato com Pini Zahavi parece ter contribuído para uma noção errada das forças de cada um dos lados. A ideia de que o presidente facilmente chegaria a um entendimento directo com o jogador - que foi reiterada hoje nas explicações hoje dadas à comunicação social - ignorou quem realmente detém o poder de decisão do futuro de Bruma. 

Tal parece ter sido entendido como uma tentativa de humilhação para os representantes do jogador e contribuído para o partir da corda que hoje se registou. Um desfecho que parecia longe de se registar quando o jogador, há bem pouco tempo, declarava vontade de permanecer no clube. O que será muito dificil de conciliar, e que me parece seria o melhor para ele, com esta recente acção de quem elegeu para o representar. 

Talvez esteja aí uma réstea de esperança: a vontade do jogador, na percepção que, neste momento da sua carreira, é preferível ficar. A mesma que Dier percepcionou para si. E quem sabe, o surgimento de alguém que medeie o conflito e aproxime as partes, embora tal me pareça muito difícil.

Termino como comecei: num clube em que situações como a de Bruma acontecem de forma recorrente apenas por comodismo ou conveniência podemos concluir que o problema está apenas do lado de lá. É que até as más macieiras não dão tantas maçãs podres...

Mais bruma sobre Bruma

Segundo o MaisFutebol, Bruma requereu a nulidade da cláusula de opção que estendia o seu contrato até ao final da época que agora se inicia. O teor da noticia não é um exemplo de observância do rigor jurídico para ser perceber quais são os motivos e o que é o objecto de contestação, nem sequer que acção foi requerida junto do tribunal, nem sequer qual tribunal (de trabalho, julgo).

Não se pode dizer que, face às últimas declarações do seu advogado e representante, que este novo desenvolvimento constitua grande surpresa. Aguardemos pelos novos capítulos e sobretudo pelo desfecho da novela do verão para formular um juízo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Por entre Bruma(s), para memória - a entrevista

«Sporting é o clube do meu coração»

Solução à vista. Cansado do braço-de-ferro entre Pini Zahavi e o Sporting, o jovem decidiu romper a parceria com o empresário israelita, abrindo desta forma a porta a um novo ciclo de negociações, a serem dirigidas por Catio Baldé, que o extremo, de 18 anos, espera que terminem num bom acordo de renovação que lhe permita prosseguir a carreira em Alvalade. E partir tranquilo para o Mundial Sub-20

RECORD – O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, afirmou no sábado que nesta altura, mais do que dizer que gostaria de ficar, importa concluir o seu processo de renovação. É essa a sua vontade?

BRUMA – Sim. A minha vontade é ficar no Sporting. Agora estou na Seleção. O meu empresário, que é o Catio Baldé, vai encarregar-se disso. Quero ir para o Mundial com a cabeça tranquila, como sempre tive. Não quero ocupar a cabeça com essas questões. O Catio cuidará disso por mim. Estou muito feliz no Sporting e quero ficar.

R – Ou seja, chegou ao fim a parceria de Bruma com Pini Zahavi?

B – A relação com o Pini Zahavi foi um erro do Catio Baldé, que fez um acordo com a empresa deles. Mas o Catio já me prometeu que isso vai estar tudo resolvido quando eu voltar do Mundial [Sub-20]. Ele vai tratar disso com o Sporting. Eu vou ficar no Sporting com tranquilidade, mas tem de ser com uma boa proposta.

R – Ao romper com Pini Zahavi, prevalece a sua vontade de continuar no Sporting?

B – Sim. A mensagem que eu sempre passei para o Catio Baldé é a de que eu quero ficar no Sporting. É aqui que eu quero continuar. Quero crescer muito mais no Sporting, com muito apoio dos adeptos e o carinho que eu sei eles têm por mim e que eu também tenho por eles, pelos sócios e por toda a gente que gosta do clube.

R – Não teme que o facto de estar a terminar a parceria com Zahavi, um empresário poderoso, o posso prejudicar futuramente?

B – Não. Isso nunca me passou pela cabeça. Nós não fizemos nada com o Pini Zahavi. Essas questões já estão a ser tratadas pelo Catio Baldé. É ele quem está a gerir isso. Eu acredito que tudo estará resolvido antes mesmo de eu voltar do Mundial. Como disse, o meu empresário, de sempre, é o Catio Baldé. Nunca vou virar-lhe as costas. O Pini Zahavi apareceu agora, mas para mim isso não conta nada. Quem me ajuda no que devo fazer é o Catio Baldé. É ele a pessoa que eu mais ouço, como meu pai, meu amigo, tudo. É com ele que eu desabafo, é com ele que eu tento falar. Faço o que ele me aconselha. O resto é conversa.

R – Já disse que quer ficar com uma boa proposta. O que o está a impedir de chegar a acordo com o Sporting e assinar por mais 4 ou 5 épocas?

B – Sim… Como referi, isso será resolvido pelo Catio Baldé, que já voltou a Portugal. Ele vai falar com o Sporting no início desta semana. A mensagem que ele já me passou é a de que o Sporting neste momento está a pensar propor uma boa situação, numa base mais séria. O presidente do Sporting quer sentar-se com ele para resolver as coisas mais a sério. A partir de 2.ª feira eles irão falar. Depois, eu estarei no Mundial. Que aconteça o que tiver de acontecer, mas o meu desejo é ficar no Sporting. É aqui que eu quero estar. Quero dar muitas alegrias a este clube. É para este clube que eu estou disponível. É aqui que eu quero ganhar títulos.

R – Durante este processo chegou a falar pessoalmente com o presidente, Bruno de Carvalho?

B – Ele marcou uma reunião comigo, mas só que eu adormeci. Tinha o telemóvel no silêncio e adormeci.

R – Naturalmente, ele não gostou da atitude…

B – Não, claro. Depois tentei falar com ele. Enviei-lhe uma mensagem. Mas quero pedir-lhe desculpa por isso. Estava cansado, por causa da Seleção, e adormeci. Mas seguramente iremos falar quando eu voltar do Mundial.

R – Ele disse que só queria no Sporting jogadores com vontade de ficar e que reconheçam o que o clube lhes deu. Sente esse reconhecimento?

B – Sim. Estou no Sporting desde os 12 anos. Sempre tive um bom apoio do clube, em tudo. Até de pessoas que já saíram, como é o caso do senhor [José Manuel] Torcato ou o doutor [Pedro] Mil-Homens, e muitos outros que ainda estão na Academia e com quem continuo a falar. Tenho muito carinho por eles. Continuam a telefonar-me ou a enviar mensagens de força. Desde que eu estou no Sporting, nunca me senti contrariado. Sempre tive uma boa relação com o Sporting. Nunca me trataram mal. É o clube do meu coração. O Sporting é o clube que eu amo. Um dia, quem sabe, talvez possa ir para outro clube. Mas o Sporting nunca ficará prejudicado com isso. Se eu sair, será o Sporting a resolver a minha situação e a fazer tudo.

R – Continua a querer jogar no estrangeiro, em Inglaterra, por exemplo, mas esse é um sonho que pode esperar?

B – Sim. Tenho o meu sonho, como todas as pessoas. Quem sabe um dia possa chegar lá e jogar. Mas agora estou focado no meu clube. Quero trazer muita felicidade para os adeptos e sócios do Sporting. Um dia, quem sabe, posso ir para fora. Logo se vê.

R – No decurso de todo este folhetim, da renovação ou saída, que se prolonga há já várias semanas, sentiu-se magoado com alguém ou com alguma situação em particular?

B – Fiquei triste foi por terem dito que eu pedi determinadas coisas [relacionadas com salário e renovação], pessoas não sabem do que estão a falar. Não pedi nada do que disseram. O meu empresário, que para mim é tudo, sabe bem as mensagens que eu lhe passo. As coisas que aparecem nos jornais, a dizer que eu pedi isto e aquilo, isso não são verdade. Nunca me passou pela cabeça. Li nas notícias. Quero dizer aos adeptos do Sporting que eles podem contar comigo até ao dia que eles quiserem. Estou aqui para apoiar este clube, para dar muitas alegrias. Estou de corpo e alma no Sporting, como sempre estive e vou continuar a estar, se Deus quiser.

«Gostava que Ilori ficasse comigo para jogarmos juntos»

R – O Tiago Ilori está numa situação semelhante à sua, uma vez que afirmou-se na equipa principal na mesma altura e também é representado por Pini Zahavi. Que conselho lhe daria com vista ao futuro?

B – O Tiago Ilori é meu grande amigo. Damo-nos bem. Estamos sempre a rir. Somos irmãos. Estamos sempre a falar. O Tiago Ilori é um bom jogador. Acho que tudo o que ele está a pensar fazer, se é bom para ele, vou desejar-lhe a maior sorte do mundo. Eu gostava que ele ficasse comigo para jogarmos juntos. Gosto dele. É um bom central. Se ele quiser conseguirá ser o melhor defesa português. A decisão é dele. Ele fará o que quiser. Eu estarei com ele para o apoiar, para desejar-lhe boa sorte e tudo de bom para ele.

R – Que objectivo traça para a participação no Mundial Sub-20?

B – Estamos focados neste Mundial. Temos uma boa equipa, mas só isso não chega. Temos de ser uma equipa forte. Temos de ajudarmo-nos uns aos outros para, se Deus quiser, conseguirmos trazer o título para cá, para todos os meus amigos, para aqueles que me ajudaram a crescer como jogador. O meu objetivo é esse. Vamos estar lá todos unidos e com um grupo forte. Mas temos de trabalhar. Isto não pode ser só da boca para fora. Temos de demonstrar isso dentro de campo.

R – Acredita que o Sporting vai ter uma equipa forte na próxima época, capaz de lutar pelo título ou pelo regresso à Liga dos Campeões?

B – Sim. Eu acredito muito no Sporting. Temos bons jogadores. Para o ano vamos lutar pelo título, pelo regresso à Champions. São esses os objetivos do Sporting e é por eles que vamos lutar. Mas na próxima época ainda temos de provar muitas coisas.

R – O que conhece sobre o novo treinador, Leonardo Jardim?

B – Já o cumprimentei, já falámos. Ainda não treinei com ele mas sei que é um bom treinador para o Sporting. Foi nele que o Sporting apostou e irá com certeza ajudar o Sporting.

«Jesualdo foi um pai e nunca irei esquecê-lo»

RECORD – Começou a época na equipa B e depois deu o salto para a equipa principal com o professor Jesualdo Ferreira. Que balanço faz da temporada?

BRUMA – Comecei na equipa B, onde estava feliz. O míster [José] Dominguez ajudou-me, assim como os restantes treinadores da formação, da Academia. Ajudaram-me muito numa fase de crescimento. O míster Dominguez sempre passou a mensagem de nunca baixar a cabeça. Dizia-me que eu vou ser um grande jogador mas que, para isso, tenho de trabalhar muito, ter muita humildade, continuar alegre e a jogar. Que, dessa forma, haveria de chegar a oportunidade de realizar o meu sonho. E isso aconteceu quando o professor Jesualdo Ferreira me chamou. Quando ele me pôs no onze pela primeira vez eu não estava a contar com aquilo. Foi uma coisa que aconteceu, tenho de… nunca vou esquecer-me daquele momento. Se estou onde estou hoje em dia foi graças a Deus e ao Jesualdo Ferreira. Não tenho palavras para lhe agradecer. Tenho muito carinho por ele. Foi como um pai e nunca deixará de ser assim. Nunca irei esquecê-lo.

R – Reconhece-lhe grande importância na projeção da sua carreira…

B – Jesualdo Ferreira foi muito importante no percurso que eu estou a fazer no futebol. Espero bem que um dia possamos sentar-nos juntos a tomar café para nos lembrarmos destas coisas e dos nossos treinos.

R – Esperava conseguir afirmar-se em tão poucos jogos, como veio a suceder, depois de ter passado a maior parte da temporada na equipa B?

B – Sempre foi um dos objectivos que tinha na minha cabeça, que tinha de chegar o mais cedo possível à equipa principal, que tinha de seguir o caminho do [Cristiano] Ronaldo. Se ele chegou lá com 17 ou 18 anos eu tinha de fazer igual, tinha de seguir o bom exemplo dele. Foi isso que aconteceu. Jesualdo Ferreira apostou em mim. Estou muito feliz. Ele é um pai para mim. Nunca vou esquecê-lo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

De Bruma até Ronaldo, passando por Ilori, Adrien, Jesualdo, Labyad, 30 mil à borla e os 100 mil sócios

Deixo algumas reflexões que o jogo de ontem me suscitou, começando pelo futebol, com algumas individualizações:

Bruma: Acabou por ser o homem do jogo, Não é o mesmo que dizer que foi o melhor em campo mas, por ter estado ligado aos 3 golos dificilmente desmerece o titulo. É um jogador em foco pelo que se diz das suas qualidades e pela sua situação contratual. Tem qualidades suficientes para fazer uma boa carreira profissional mas está nitidamente inflaccionado face ao seu valor actual. 

Para isso muito tem contribuído o seu empresário, ao colocá-lo no centro das noticias de forma quase diária. Essa postura prejudica o jogador,  o que acaba também por prejudicar o próprio empresário, soubesse ele percebê-lo. Não tenho dúvidas que todos ganhariam mais dinheiro - Sporting, jogador, empresário - se Bruma continuasse a sua aprendizagem e evolução no Sporting, até porque os próximos anos - por força do que as circunstâncias impõem - serão particularmente favoráveis para tal.

Bruma tem ainda muito para aprender. Não o digo pelo erro que cometeu mas pelo que Bruma faz em campo. A velocidade é a sua melhor arma  e é por ela que tem dado nas vistas. Essa é fácil de contrariar, e maior parte das equipas da Liga especializaram-se a fazê-lo. Faltam-lhe outras qualidades, algumas das quais deveriam ser inatas. A falta delas pode ser remediada com a formação, que não terminou com a ascensão a sénior. Saiba Bruma ter a humildade de o perceber para continuar a progredir.

Illori- Sempre me interroguei porque razão diversos treinadores - Domingos, Sá Pinto, Vercauteren(?) e sobretudo Jesualdo)  - lhe deram a primazia das apostas em face de outras opções que me pareciam mais seguras. O miúdo tem sabido responder em campo às minhas dúvidas. É talvez o jogador que mais cresceu, de acordo com o que parecia ser o seu potencial relativo. E não apenas do ponto de vista técnico, mas sobretudo do ponto de vista mental e de concentração no jogo. E conseguiu-o de forma discreta, com pés de veludo. E esta apreciação tem muito pouco a ver com o corte vistoso que efectuou pois, como muito bem assinalou quem percebe mais disto do que eu, o lance nasce de uma falha dele, ao ir  de forma descoordenada com Rojo ao lance, quando devia ter ficado em contenção. Foi o melhor em campo, porque foi o que esteve em melhor plano em todo o tempo do jogo.

Adrien - Está em péssima forma física e eventualmente emocional. Se todos os jogadores perderam com a época em curso, talvez tenha sido ele o que mais perdeu, por força do que foram as expectativas criadas pela belíssima época realizada em Coimbra, quer pela rábula da renovação do contrato. Não sei a quem favorecem as noticias plantadas nas comunicação social, dando conta da "rota de colisão" com o clube, pelo facto de ser dos mais bem pagos e ser dos que mais tem decepcionado.  Mas sei que o jogador tem valor para fazer muito mais e melhor e que, vendido agora, será inevitavelmente muito abaixo do que pode valer. Ajudará pouco fazer cair todo o odioso da questão sobre o jogador. Ajudará pouco o Sporting, bem entendido, porque o jogador continuará a sua carreira noutro lugar.

Labyad - É um bom exemplo do que é a diferença entre ter uma boa formação - que é a que geralmente o Sporting aos seus meninos - e ter uma formação qualquer. Não é por falta de qualidade individual que Labyad não mostra mais do que uns tímidos arranques e uns remates, quase sempre mal direcionados. É por falta de compreensão da dimensão colectiva do jogo, e isso aprende-se na escola. É essa falha que não lhe permite perceber que rematar não é a única coisa a fazer nos últimos 25 metros do campo, assistir os colegas melhor posicionados também o é. Talvez por isso que Labyad não percebe que recuar para oferecer uma linha de passe é por vezes mais importante do que correr para o meio dos defesas, mas onde o portador da bola não o consegue ver. Não sei se ainda irá a tempo, mas não lhe faria mal aproveitar o estágio no banco para ver o que faz André Martins.

Jesualdo - Infelizmente parece neste momento apenas com um pé em Alvalade, que é o que lhe fará ficar até ao final de época. Assim o depreendo quando disse o que disse, da forma que o disse, na conferência de imprensa, em particular sobre Bruma. Ou foi um "lapsus linguae" ou foi um recado, e só manda recados quem não tem possibilidade de dialogar olhos nos olhos. Se assim for é uma pena. Jesualdo tem mais de futebol no lóbulo frontal que toda as cabeças da SAD juntas. E o mesmo era válido para a SAD anterior. Não será um homem fácil ou conveniente, mas talvez por isso mesmo pudesse ser um homem importante para o presidente e sobretudo para o clube.

30 mil em Alvalade / 100 mil sócios / Ronaldo sócio 100 mil - Pouca gente para futebol à borla e a boas horas. O que inevitavelmente nos obriga a repensar das estratégias, de tão complexa que é a situação que envolve o clube e o País em geral.

O número de presentes remete-nos para o número mais ou menos semelhante de sócios pagantes. Obviamente que o Sporting não se pode/deve fechar à conquista de novos associados, mas ficará um buraco por preencher se não conseguir recuperar os que entretanto deixaram de pagar quotas. Ao contrário dos nossos rivais não queremos ser apenas os maiores, queremos ser os melhores.

Por isso mais do que campanhas para os que estão talvez seja bom perceber porque se ausentaram os que em tempos já demonstraram vontade de pertencer. Não faltarão razões para o afastamento, a ausência de sucesso não é um chamariz, e será talvez a explicação para o grosso dos números. Mais importante seria apurar quais, de entre estes, são os que gostariam de estar e não podem. Em concreto os desempregados, uma realidade crescente no País e que veio para ficar. Além da suspensão do pagamento de quotas, a entrada grátis aos agregados familiares nestas circunstâncias ajudariam a minorar o sofrimento, cumprindo com nobreza uma função social, cuidando também dos seus. 

Se o Sporting se lembrar deles neste momento de particular fragilidade eles reforçarão as razões para não se esquecer do clube. Em particular os mais novos, investindo assim também no futuro. Neste âmbito - terá que ficar para outra ocasião uma reflexão mais profunda - está também a possibilidade de o Sporting usar a sua fundação, em conjunto com a sua disseminação pelo tecido empresarial nacional, como forma de dinamizar sinergias para ajudar os sócios apanhados no turbilhão da crise. 

Excelente a (re)captação de Ronaldo para o seio do Sporting. Essa é a nota mais importante. Para outra altura ficará a discussão sobre o muito que há a fazer na Academia relativamente a esta matéria. Com uma certeza à priori: o ser sócio do Sporting deverá ser sempre um acto voluntário e nunca uma obrigação.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Wrestling



Bruma: um dos bravos...

Para a semana vou a Alvalade, foda-se...

Sinto uma necessidade urgente em agradecer ao vivo àqueles putos! (Também muito devido à cortesia do capela de ausência capilar).

Sei que será mais uma jornada de Wrestling, com um qualquer careca de amarelo a dar 'espectaculo'*. Mas pura e simplesmente vou ignorar a parte da 'luta livre' denominada por Liga Zon Sagres. Vou lá para ver, aplaudir e incentivar aqueles bravos miúdos vestidos de verde e branco. E para rigorosamente mais nada.


*Nota - O S.C.P. ainda pode apurar-se para a Liga Europa, pelo que há que continuar a contar com o inestimável duelo contra a apaf. Vai ser uma luta, sem quartel, até ao fim...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Mais uma Crónica (feliz) do desassossego

Foto:  Ivan DEL VAL / GLOBAL IMAGENS

Tinha tudo para correr mal… não tinha? Mas os nossos miúdos tiveram que ser graúdos para levar de vencida um jogo que começou a fazer lembrar outras partidas e circunstâncias de que fomos vitimas mas que desta vez beneficiamos: em praticamente dois remates à baliza fizemos dois golos, ainda antes de se esgotarem os primeiros 10 minutos do jogo que decorria no Estádio Cidade de Barcelos. Depois, bem, depois novamente mais circunstâncias a repetirem-se com o desbaratar da vantagem. O Gil Vicente alcança o empate com duas ofertas defensivas. Tiago Ilori e Joãozinho podiam (e deviam) ter evitado o bis de Hugo Vieira, que parece gozar de inspiração divina sempre que defronta o ‘Leão’… A diferença esteve na reacção do Sporting ao empate... Quando se esperava que a equipa esmorecesse e viesse por aí abaixo, eis que houve capacidade para corrigir o resultado, com o ressurgimento de forças e engenho para (re)conquistar os merecidos três pontos que pareciam destinados a desfazer-se. Foi, esta reacção, o que mais me agradou neste encontro. Notas finais para o excelente golo inicial de Bruma, a maturidade de Eric Dier, o jogo enorme do Zézão e… o regresso à competição de André Martins.

_____________
FICHA DE JOGO

Futebol – I Liga – 19.ª jornada

2013-02-16. Estádio Cidade de Barcelos.
Árbitro: Artur Soares Dias.
Árbitros assistentes: Rui Licínio e João Silva.
Resultado ao intervalo: 1-2.

Gil Vicente:
1 – Adriano Facchini, 81 – Paulo Jorge, 44 – Cláudio, 33 – Halisson, 5 – Luís Martins, 10 – André Cunha, 25 – César Peixoto, 77 – João Vilela, 13 – Brito, 70 – Hugo Vieira, 58 – Luís Carlos. Substituições: 67 m – saiu Brito e entrou 9 – Rodríguez, 80 m – saiu César Peixoto e entrou 28 – Djalma.
Não utilizados: 90 – Lúcio, 19 – Vítor Vinha, 20 – Éder Sciola, 23 – Pecks, 66 – Luís Manuel.
Disciplina: cartão amarelo para Cláudio (43 m), César Peixoto (65 m), Paulo Jorge (69 m), Luís Martins (80 m).
Golos: Hugo Vieira (20 e 53 m).
Treinador: Paulo Alves.

SPORTING:
1 – Rui Patrício, 13 – Miguel Lopes, 54 – Eric Dier, 34 – Tiago Ilori, 5 – Joãozinho, 90 – Zezinho, 21 – Rinaudo, 20 – Labyad, 18 – Carrillo, 51 – Bruma, 9 – Van Wolfswinkel.
Substituições: 59 m – saiu Labyad e entrou 11 – Diego Capel, 66 m – saiu Bruma e entrou 47 – Ricardo Esgaio, 75 m – saiu Carrillo e entrou 28 – André Martins.
Não utilizados: 12 – Marcelo Boeck, 33 – Diego Rubio, 41 – Cédric, 71 – Fokobo.
Disciplina: cartão amarelo para Rinaudo (64 m), Joãozinho (90+1 m),
Golos: Bruma (1 m), Tiago Ilori (6 m), Diego Capel (63 m).
Treinador: Jesualdo Ferreira.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Areia e Bruma

Foto Academia de Talentos
Continuo a reconhecer razão a Paulo Sérgio: o jogo com o Rio Ave começou a menos das 72 horas de descanso previstas no regulamento. E continuo a reconhecer-lhe razão quando afirma que os interesses televisivos se sobrepõem muitas vezes aos clubes. Mas convém lembrar que as receitas que daí vertem para os clubes são hoje uma transfusão de vitalidade imprescindível para a saúde financeira dos clubes.

Pegando num caso concreto, o do jogo com o Rio Ave, a alternativa que restava ao Sporting e à Olivedesportos, via Sporttv, era o agendamento do jogo para a passada segunda-feira. Com a coexistência do jogo do FCPorto, algum desses dois jogos teria que ter inicio pelas 19h para que o outro tivesse inicio pelas 21h. Uma vez que o jogo do Sporting era transmitido em sinal aberto, via TVI, teria que haver negociações, uma vez que, em termos de share e consequentes receitas de publicidade, a transmissão do jogo era mais interessante a partir das 21h, sendo que, para a programação da TVI em particular, a transmissão ao domingo lhe interessaria mais. Tudo isto para dizer que jogar à segunda-feira teria sido possível, mas os interesses do Sporting contaram menos que os dos restantes envolvidos.

Onde Paulo Sérgio falhou foi ao levantar a suspeição de que alguma coisa “estava a ser preparada” para o jogo com o Leiria quando a Liga já tem calendarizados os jogos até Dezembro e fê-lo atempadamente desde 22 de Setembro.  O que o Sporting tem que acautelar neste caso é igualdade de tratamento face ao regulamentado e isso Paulo Sérgio não parece questionar. Eu, tenho que o admitir, fui na conversa da suspeição, por falta de conhecimento e por situações como esta serem infelizmente um hábito, seja por falta de respeito pelo clube, seja porque o clube abdica de se fazer respeitar. 

Dito isto, faz pouco sentido dizer o que Paulo Sérgio disse, deixando à evidência que desconhecia aquela disposição do organizador do campeonato. O que é no mínimo inquietante, porque abre a porta a 2 interrogações: (i) como é preparado o plantel para os compromissos que se avizinham, se se desconhecem os dias disponíveis para treino e (ii) que comunicação interna existe no departamento de futebol. Pior mesmo foi insistir com um comunicado que, na forma e no conteúdo, não estão ao nível da comunicação exigida a um clube como o nosso. Areia para os olhos.

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A Bruma em torno de Bruma adensa-se. É já um caso de polícia, com queixas de sequestro. Não conhecendo o seu potencial como jogador, não me posso pronunciar, como adepto, sobre a melhor atitude a adoptar: vender ou manter. Os números atirados para os jornais dão que pensar, mais ainda na actual conjuntura. Mais ainda com o fim à vista anunciado das transferências hiper-milionárias, como faz supor  a introdução dos novos regulamentos de fair-play impostos pela UEFA. Anuncia-se o fim de um período de insanidade nas contratações dos clubes europeus, que nem a já mais que instalada crise financeira logrou por cobro. Com isso muitas estratégias terão que ser revistas. Não creio que, por exemplo, a venda de um jogador como Raúl Meireles continue a ser possível pelos valores envolvidos.

Em qualquer dos cenários o Sporting só pode olhar para a sua academia como fonte de sustentabilidade. Seja para abastecer o seu plantel, seja para realizar mais-valias. E a possibilidade de errar nas escolhas, que existe sempre, é bem menos onerosa, quer do ponto de vista desportivo,quer financeiro, do que as idas ao mercado.

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