Arsenal 0 - Sporting 0: não foi nos Emirates que a eliminatória foi perdida
A tarefa era exigente, mas longe de ser inalcançável — e o Sporting tinha razões para acreditar. Depois de uma exibição convincente em Lisboa, onde bateu de frente com o líder da Premier League, o Sporting foi até Londres com a ambição firme de fazer história e chegar, pela primeira vez, às meias-finais da Liga dos Campeões.
E durante os noventa minutos esse objetivo pareceu ao alcance. O Arsenal entrou pressionante, a impor um ritmo intenso nos primeiros dez minutos. Contudo essa entrada forte revelou-se mais ruidosa do que eficaz: Rui Silva foi praticamente um espectador, sem necessidade de intervenções decisivas. O Sporting não se intimidou, sabia ao que ia e respirou fundo.
Aos poucos foi estabilizando as emoções e com isso o seu jogo e o Sporting acaba por fazer uma primeira parte de grande coragem e personalidade. A organização defensiva foi quase irrepreensível, alternando com inteligência entre pressão alta e um bloco mais compacto, sempre coeso. Suárez e Trincão destacaram-se pela agressividade e precisão nos momentos de pressão, contribuindo para anular os principais criativos londrinos na fase de construção. Ofensivamente, as melhores oportunidades pertencem aos leões, com destaque para Geny, Maxi, Morten, Morita e Trincão.
Quem esteve mais perto foi Geny Catamo, que, após um cruzamento de Maxi Araújo pela esquerda, rematou de primeira ao poste, arrancando suspiros à bancada. Ao intervalo, o Arsenal mostrava nervosismo; o Sporting saía com a esperança bem viva.
A segunda parte seguiu uma toada semelhante à da primeira. O Arsenal regressou mais intenso, a tentar empurrar o Sporting para trás. Martinelli e Eberechi Eze ameaçaram com remates por cima, enquanto Madueke ficou perto de marcar, atirando à malha lateral. Tal como antes, os leões precisaram de alguns minutos para assentar ideias, controlar o jogo e voltar a ter bola. Quando o conseguiram, porém, faltou eficácia no último terço.
Com o passar dos minutos, o ritmo elevado e a maior capacidade física dos londrinos começaram a fazer a diferença. O Sporting foi sentindo dificuldades crescentes, ainda mais evidentes quando Arteta lançou mão das opções no banco e mexeu com o jogo, introduzindo novas armas como Dowman, Gabriel, Trossard e Havertz. Do outro lado, Rui Borges viu-se mais limitado, condicionado por um leque de escolhas reduzido, o que dificultou a resposta ao aumento de intensidade imposto pelo adversário. O jogo chegaria ao fim, não sem antes João Simões ter, por breves segundos, feito sonhar com um prolongamento mais do que merecido, mas de todo indesejável neste Abril de decisões mil.
Não há vitórias morais no futebol, mas o Sporting despede-se desta Liga dos Campeões com a certeza de que esteve à altura do desafio, medindo forças de igual para igual com o líder da Premier League — um patamar competitivo que, tantas vezes, parece ainda mais distante do que a face oculta da lua. E não deixou apenas uma boa imagem, jogadores como Hjulmand, Quaresma, Inácio e Diomand deixaram muitas páginas escritas nos bloco de notas do imenso grupo de observadores que viram o jogo.
Parabéns a Rui Borges, tantas vezes injustiçado, mas que, nesta eliminatória, em ambos os jogos, fez o Sporting jogar do melhor futebol que temos visto, mesmo com as limitações que as lesões têm imposto.
Uma palavra especial para a legião de adeptos que com a sua presença em Londres levaram a nossa voz até aos Emirates. Tudo fizeram para prolongar o sonho até aos limites do possível.




