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sexta-feira, 20 de maio de 2022

O certificado que faltava à arbitragem portuguesa


Não haverá árbitros portugueses no Mundial. É o certificado de qualidade que faltava à arbitragem portuguesa. Não porque, do ponto de vista técnico, os árbitros portugueses sejam piores que os demais. Isso pode ser constatado todos os dias na observação dos jogos internacionais ou de outros campeonatos. 

A falta de transparência do sector, a falta de uma voz independente, que separe a classe dos escândalos e polémicas sucessivos e da sujeição bovina a quem lhes põe e os dispõe condena a classe à imagem de um grupo de paus-mandados, mais preocupados em entrar no rol dos preferidos, para assim ascender à internacional.

Os árbitros e as suas organizações (Conselho de Arbitragem, APAF) já nem ousam o tradicional "mudar alguma coisa para ficar tudo na mesma" e parecem ser à prova de qualquer vexame porque a última coisa que querem são alterações ao seu status quo. Este é só mais um. Um sector que parou no tempo, apesar do VAR, e perdeu a comboio da distinção internacional onde viajam em primeira classe muitos jogadores e treinadores portugueses.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Porquê Trincão para o lugar de Sarabia?

 

 

Os jornais dão insistentemente conta de um interesse de Rúben Amorim no "regresso" de Trincão à sua orientação, acrescentando que esse interesse é mutuo. O preço do jogador torna-o num desejo impossível de realizar numa perspetciva de contratação definitiva. O facto, aparente pelo menos, de o Barcelona, actual clube do jogador, não ter nenhum interesse declarado sobre nenhum dos nossos jogadores torna o negócio ainda mais difícil de realizar do que seria caso houvesse lugar a contrapartidas num possível negócio.

Mas, olhando para as estatísticas da GoalPoint, (mesmo considerando o seu valor relativo, porque não comparam situações iguais) ficam algumas pistas sobre o que Trincão poderia oferecer no lugar que Sarabia deixa agora vago. Do ponto de vista pessoal parece-me que Trincão significaria maior velocidade, algo que a idade já vai cobrando a Sarabia, mas ficaria aquém na segurança, maturidade e qualidade de decisão. 

Resta ainda a dúvida no que é que a entrada do jovem ex-jogador do Braga poderia influenciar o papel destinado a Edwards. É que ambos são esquerdinos e ambos atinge o melhor do seu rendimento a executar a partir do lado contrário. Sobretudo Edwards, de quem espero venha a ser um dos jogadores em maior destaque na nossa equipa e de todo o campeonato.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Muito mais do que só futebol


O Sporting Clube de Portugal não se limita a ser um clube de futebol. Muito mais que isso, o Sporting é um dos clubes mais ecléticos do mundo.

E por isso não podemos deixar de salientar a vitória da equipa de voleibol feminina na Taça Fundação, com uma brilhante exibição, no passado domingo, na negra da final da competição.

Na passada sexta-feira quem não esteve tão bem foi a equipa sénior masculina de futsal que se deixou surpreender pela Quinta dos Lombos, num jogo que não afetou a classificação, mas não deixa de ser uma surpresa. Descontracção ou simplesmente um “relaxamento” com os olhos já apontados para a Final 8 da Taça de Portugal, que vai decorrer de hoje até sábado no Pavilhão Municipal de Sines. O Sporting começa hoje às 17:00 com o Candoso e se vencer defrontará amanhã, também às 17:00 a Quinta dos Lombos, que venceu hoje os Leões de Porto Salvo. Mas, para evitar dissabores, convém ganhar o jogo com o Candoso primeiro...

Quem também vai começar hoje o playoff do Nacional é a equipa sénior de hóquei em patins com o HC de Braga pelas 20:00 no Pavilhão João Rocha. Esperamos que conte com o apoio de muitos Sportinguistas.

Artigo da autoria do 8

 

terça-feira, 17 de maio de 2022

Mas que grande negócio!


Foi ontem oficializado o novo contrato de Pedro Porro, que o liga ao Sporting até 2025. Mas, infelizmente para nós, e a menos que os scouters dos melhores clubes europeus (leia-se "mais abastados") estiverem todos a dormir, dificilmente assistiremos ao cumprimento integral do contrato.

As fotografias dos calções rotos da apresentação foram depressa substituídas pelas dos rasgões nas defesas adversárias. Com ele o Sporting ganhou velocidade e largura na faixa direita, não descurando nunca a possibilidade de procurar associar-se por dentro com os colegas mais avançados, conquistando muitas vezes posições privilegiadas para visar directamente a baliza dos adversários. O seu posicionamento aberto dá-lhe uma perspectiva alargada do campo e assim observar as movimentações dos colegas, servindo-os com passes longos a procurar a profundidade. A forma como se entrega ao jogo vale-lhe o apreço das bancadas.

O negócio Porro é seguramente um dos melhores negócios que o Sporting realiza nos últimos anos. Quer sobre o prisma desportivo, quer financeiro. Recebemos por empréstimo de dois anos um jogador cuja carreira carecia ainda de afirmação e que demonstrasse, de forma inequívoca, razões que levaram o Manchester City a colocá-lo debaixo do seu rol de jogadores. A verdade é que até chegar ao Sporting o destino de Porro parecia ser a de mais um entre muitos outros. Hoje Porro é um nome obrigatório quando se fala dos europeus  mais promissores com a sua função e a selecção espanhola deixou de ser um sonho remoto.A cláusula de rescisão de 45 milhões parece ser um chamariz perfeito para atrair libras...





 


segunda-feira, 16 de maio de 2022

domingo, 15 de maio de 2022

Um aroma a limpinho, limpinho!


O campeonato que agora se encerra remete-nos para a famigerada época 15/16 onde, apesar de termos finalizado com 86 pontos, não chegamos ao titulo. Tal como então, fica agora a sensação que, por mais que fizéssemos, os rivais disporiam sempre de uma rede protectora que os deixaria a salvo dos imponderáveis próprios do jogo. Precisávamos de ter feito um campeonato perfeito e, talvez, um pouco mais da estrelinha que no iluminou o caminho para o titulo na época transacta.

Mas, não tendo sido o campeonato perfeito, significou a confirmação, para quem tivesse dúvidas, que o título do ano passado não caiu do céu. O tom de festa que se viveu em Alvalade durante o último jogo não era de regozijo pelo segundo lugar,  mas sobretudo por se pressentir que este Sporting está no caminho certo. 

Como nota estatística importante, para enquadrar melhor o que aconteceu de importante para nós nesta Liga, o Sporting há 50 anos (!) que não terminava acima do terceiro lugar, depois de ser campeão. Quem não se lembra dos fiascos das épocas seguintes aos últimos títulos, e quanto eles pesaram nas épocas que se seguiram?

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Aqueles que passam por nós (...) deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Antoine de Saint-Exupéry, in o Pequeno Príncipe.

Zouhair Feddal Agharbi, ou apenas Feddal é um nome que já está registado para sempre na nossa história. No alto da discrição dos 191 centímetros o marroquino foi instrumental numa época de recuperação do tão ansiado título, deixando à sua passagem um rasto empatia com os adeptos e a imagem de um profissional íntegro.  

No nosso museu, onde decorreu a gravação da sua despedida, estão depositadas duas Taças da Liga, uma Supertaça e o tão desejado troféu de campeão e para as quais o seu contributo foi importante.
Feddal entrou como um internacional marroquino que jogava no Bétis e sai com um leão, um de nós. 




quinta-feira, 12 de maio de 2022

Mais uma taça para o Museu

Texto da autoria do nosso redactor "8"

 É bom o regresso do “A Norte” para podermos assinalar a vitória do Sporting Clube de Portugal na Taça de Portugal de Basquetebol pela 3ª vez consecutiva. Com a particularidade de serem vencidas todas as Taças de Portugal disputadas desde o regresso da equipa principal à prática da modalidade.

Relativamente aos Campeonatos Nacionais, na época do regresso (2019/20) devido à pandemia o campeonato foi interrompido após a 22ª jornada, quando o Sporting ia no comando, não tendo sido terminada a competição. Na época passada o Sporting foi o campeão, e nesta época terminou no 3º lugar da fase regular, muito devido a lesões de vários jogadores importantes, na fase intermédia, mas como ficou provado na passado fim de semana, em Albufeira, ainda com algumas ausências, os leões provaram que são a melhor equipa nacional, apesar das constantes contratações para reforço dos nossos principais opositores.

Na actual temporada a equipa também já venceu a Supertaça e a Taça Hugo dos Santos (Taça da Liga). Resumindo o Sporting venceu as 3 provas já disputadas nesta época. Além do acerto das escolhas da Direção e dos elementos do departamento da modalidade, todas estas conquistas são o reflexo do trabalho exigente de Luís Magalhães e da sua equipa técnica com António Paulo e Flávio Nascimento, a que se juntou esta época Ivan Kostourkov.

No respeitante a jogadores temos de referir em primeiro lugar a importância de Travante Williams no desempenho da equipa. Alem das suas excelentes capacidades técnicas e atléticas, tem um extraordinário espirito competitivo que contamina aos seus colegas de equipa, mesmo quando está fora de campo, impedido de actuar por qualquer lesão.

Não podemos deixar de referir também Diogo Ventura, João Fernandes, Diogo Araújo e Shakir Smith os quatro elementos que, além de Travante, estiveram em todos os títulos conquistados nestas três épocas. De salientar também o papel de Micah Downs, que já vai na sua segunda época no Sporting, mas, infelizmente, algumas vezes lesionado.

Referência também para os atletas que este ano reforçaram a equipa e a grande importância do seu contributo. Não podemos esquecer tão importante tem sido o desempenho de António Monteiro, Joshua Patton, Miguel Maria, Daniel Relvão, Mike Fofana e Tanner Omlid.

Amanhã lá estaremos no PJR para o início do play-off final do campeonato com o Lusitânia. Temos de apoiar e confiar totalmente na equipa, que sempre que é necessário responde com vitórias às dificuldades.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

O regresso




Faz hoje um ano que Portugal assistiu ao regresso de um clube campeão ao lugar onde TODOS nós acreditamos que é o seu e, passado todo esse tempo ainda faltam palavras para definir todas as emoções daquele dia 11 de Maio.

Que melhor data poderia escolher para regressar à escrita aqui? Feito o anúncio, fica a promessa de o próximo artigo se debruçar sobre a mais recente conquista, a Taça de Portugal de basquetebol. E quem melhor habilitado para o fazer que o nosso 8, capitão, campeão na modalidade e um dos que, desde sempre, lutou pelo regresso da camisola mais bonita à prática da modalidade?

 


sábado, 6 de março de 2021

E dos pés de João Mário e da cabeça de Coates aconteceu Sporting!

Nota: A foto é da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução sem autorização expressa da autora. (clique na imagem para ampliar). 

 
Todos os jogos até ao final do presente campeonato são finais de elevado grau de dificuldade e o próximo será sempre o mais difícil. Mas ao jogo de ontem surgia à nossa frente embrulhado num manto de recordações nefastas e agoirentas. 

É que à mesma data, num jogo iniciado precisamente no mesmo dia, à mesma hora, em 2016 e também em Alvalade, o Sporting veria cair por terra as suas pretensões ao titulo, de forma inglória. Na cabeça de muitos de nós, e especialmente dos que viveram esse dia in loco, era impossível não notar a coincidência e cogitar, mesmo que ao de leve, se o triste fadário seria reeditado como em tantas outras ocasiões em que à beira de um êxito tão desejado "acontecia Sporting".

À medida que o jogo decorria e se sentia os nossos jogadores tolhidos de movimentos e enleados nas teias urdidas pelos açorianos, mais parecia confirmar-se o reencontro fatídico com o destino, que o empate concedido a escassos minutos do fim parecia querer confirmar. Mas se  alguém teria que ser capaz de deslaçar este novelo seriam precisamente aqueles que entre nós, conheceram em campo com suor derramado, o quão amargo é o sabor dos sonhos desfeitos. Sairia dos pés de João Mário e da cabeça de Coates o antídoto, e que este seja o momento do esconjuro de todas as malapatas e desditas.

Esconjuro que não é nada mais nem menos para já que o adiamento até à confirmação plena e irrefutável pela matemática daquilo que tanto desejamos (mas quem nem me atrevo sequer a pronunciar para já) com  uma batalha mais no pecúlio e menos uma montanha para escalar.

Não o ponho em palavras o sonho de todos nós por medo, porque os nossos jogadores, pela coragem com que se batem sempre até ao último silvo do apito, não merecem cobardias. Mas por realismo, que o jogo de ontem mais uma vez veio por na ordem do dia. Num sistema de três pontos por vitória e um por empate, as vantagens derretem-se mais facilmente que manteiga no cabaz de um veraneante incauto. O que se conquistou em Janeiro e Fevereiro pode ser rescindido num ápice ou decomposto paulatinamente até Maio. 

Esse pragmatismo e realismo merece-o também Rúben Amorim. É muito fácil, sentados nas poltronas de comentadores, discorrer sobre quem joga melhor, mas muito mais difícil é fazer o que o Sporting tem estado a fazer com o que ele tem à disposição. O Sporting ontem fez um dos piores, senão o pior, jogo na presente Liga. A produção atacante andou muito próxima da nulidade, sem quase nunca conseguir ferir o adversário. Olhe-se pois para o que o treinador tinha à disposição para assaltar o último terço e compare-se com as dos treinadores rivais. O que esta equipa de gente brava que ele lidera tem conseguido alcançar até agora ganha ainda mais relevo quando comparado com os demais.

À comparação do valor individual e experiências de liderança do nosso plantel e de todo um clube acresce inevitavelmente a mudança de estatuto que o empate no Dragão conferiu. E se o peso da responsabilidade se tem feito notar há algumas jornadas em jogadores (como por exemplo Nuno Mendes), ontem parece ter -se estendido a toda a equipa como também RA fez notar no final do jogo. Foi preciso estar perante o espectro de um resultado indesejado que a equipa se transfigurou e acabou por chegar à vitória, parecendo recuperar a alma dos jogos com o Gil Vicente, Farense, SLB e que só não foi com Famalicão pelas razões sabidas por todos nós. 

Essa atitude é também nova, comparada com o baixar de braços que tantas vezes notamos em equipas nossas muito melhor apetrechadas que a actual. Saber acreditar como eles e merecer a sua coragem é a nossa obrigação. Convenhamos que é uma tarefa muito mais fácil para nós que correr num relvado carregando aos ombros os seus sonhos juntamente com os anseios de milhões e enfrentar com esse peso às costas adversários mais poderosos e preparados. É verdade que temos tido estrelinha mas ela tem    CORAGEM  e DETERMINAÇÃO no apelido. 

Façamos acontecer Sporting!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Nós acreditamos em vocês. Vençam por nós!

Nota: A foto é da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução sem autorização expressa da autora. (clique nas imagem para ampliar). 

O campeonato só começou verdadeiramente agora. Agora, como quem diz, há umas jornadas para cá. O marco provavelmente tenha sido o Natal, quando a data foi comemorada com o Sporting no comando da Liga. Depois veio Janeiro, onde os leões, na prosa dos "experts", eram uns miúdos promissores mas tinham como destino inevitável a degola, oferecendo o pescoço aos executores  Braga, Benfica e Porto. Janeiro passou e quem vinha pela lã saiu tosquiado. 

O Sporting não só sobreviveu como viu reforçada a sua liderança. E então aí começaram a levar-nos a sério. De meros aspirantes a observadores dos triunfos alheios depressa passamos a favoritos, sem nunca termos passado sequer pela casa dos candidatos. Salvo um ou outro, cujas lições do passado recente e longínquo de nada lhes serviu, a generalidade dos Sportinguistas não embarcou num triunfalismo bacoco, de todo injustificado. Sabemos bem quais são as as nossas debilidades, que apesar da tão surpreendente e esplêndida carreira até ao momento, não esfumaram e poderão ser determinantes com o avançar da competição.

Depois, como muito bem lembrou recentemente o presidente Frederico Varandas, sabemos bem do poderio dos nossos adversários, dentro e fora de campo. Se não fosse de todo lamentável, teriam sido comoventes as reacções de censura que a segunda parte da afirmação suscitou no seio da "comentadoria" oficial, na permanente tentativa de normalização do longo historial de maquinações e tramóias dos nossos rivais antes, durante e depois do jogo jogado em cima do relvado. Como se os "conselheiros matrimoniais" se tivessem aposentado, as "toupeiras" não continuassem a minar na escuridão dos seus tugúrios" e os "padres" já não rezassem as suas missas e tivessem agora enveredado pelo caminho da rectidão, redenção e penitência. Bastam os episódios de Famalicão e "caso Palhinha" para perceber que não podemos ser apenas competentes, temos que estar sempre perto da perfeição.

O realismo e pragmatismo com que Rúben Amorim obriga a equipa a encarar os jogos, independentemente do nome e do estatuto dos adversários nasce precisamente da consciencialização que, exceptuando a Taça da Liga, nada mais está ganho e nada nos será depositado graciosamente a nossos pés. Bom, talvez seja justo reconhecer um grande "pelo menos": ganhamos uma equipa. Humildade, empenho, perseverança, compromisso e a sintonia e todo o grupo de trabalho, têm sido premiados com a obtenção de resultados que poucos teriam sonhado ser possível.

Essas qualidades têm sido amplamente reconhecidas pela generalidade dos adeptos, contagiando-nos. Chegados aqui, nas actuais condições nada mais temos para pedir a estes homens que não seja que mantenham esta atitude exemplar e que nos orgulha. Resta-nos cantar bem alto nas nossas salas, ao telefone com os amigos, nas mensagens nas redes sociais 

"NÓS ACREDITAMOS EM VOCÊS"!

"VENCE POR NÓS, FORÇA GRANDE SPORTING"

Em breve, esperamos nós, terão todo o estádio de pé a cantar. Se quebrarem o enguiço eternizaremos os vossos nomes e, tal como fizemos no passado, eles passarão de geração em geração.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Mercado: os que foram e os que vieram


Algumas notas breves sobre os últimos movimentos de mercado, começando pelos que saíram:

Ao contrário do que possa parecer, a aparente despromoção de Sporar e Borja pode não o ser tanto assim, como podem vir significar  senão um progresso na carreira pelo menos um marco importante no seu aperfeiçoamento como profissionais. Vão encontrar um clube com excelentes condições de trabalho e com uma estrutura profissional ao nível do melhor do que se faz em Portugal. Mas, talvez o mais importante, vão ter a oportunidade de ser treinados por um dos melhores pedagogos e teóricos do futebol luso.

Sporar há muito que dava indicações de sentir em demasia o peso da camisola. A eventual disputa de lugar com um júnior (TT) e aparentes dificuldades em integrar-se com acerto e proveito  no sistema de Rúben Amorim foi redundado numa cada vez mais baixa percentagem de aproveitamento das oportunidades de que beneficiava. Jogar num clube onde a exigência, pressão e expectativas são menores podem oferecer-lhe a serenidade que lhe parece faltar.

Borja deixava perceber que a sua adaptação às exigências do futebol europeu estava ainda por completar. É verdade que o período de instabilidade que a equipa viveu não foi propicia para a evolução desejada, agravada pelas chamadas intermitentes à titularidade, que foram ainda mais raras com o surgimento de uma das estrelas mais cintilantes do firmamento de Rúben Amorim: Nuno Mendes. Em Braga vai encontrar Sequeira, pelo que a vida não lhe será facilitada. Mas, tal como Matheus Reis sai agora por cima após o curso intensivo com Carvalhal no Rio Ave, também Borja tem nesta viagem para norte a possibilidade de progressão.

Sobre os que entram:


João Pereira o seu regresso não deixa de ser surpreendente, ainda por cima quando muitos já lhe haviam perdido o rasto. Curiosamente é o terceiro ingresso no Sporting e não espantaria que à terceira seja não de vez, como diz o ditado, porque isso no futebol não existe, mas signifique a assumpção de nova carreira e responsabilidades a curto prazo.


Matheus Reis parece ser mais do que o colmatar de uma necessidade premente - até porque a sua posição habitual está servida - mas a antecipação da saída de Nuno Mendes, inevitável no curto/médio prazo. Trata-se de uma jogador que progrediu a olhos vistos desde que viajou de Moreira de Cónegos para Vila do Conde. Fica a dúvida sobre a sua condição após seis meses de paragem,.


Paulinho fecha um lugar vago desde a saída Bas Dost. Representa um anseio de Rúben Amorim, que o conhece bem. A sua chegada representa muito mais que apenas os golos que marcará, que se espera e deseja sejam muitos. Significará mais oportunidades também para os homens da frente, pela forma como sabe gerir os tempos e explorar os espaços. Pote, Nuno Santos, Jovane, e TT beneficiarão em muito dos seus movimentos de apoio, que tenderão a deixá-los muitas vezes de frente para o golo. E quanto ao jogo de cabeça estamos conversados, é um dos melhores, talvez mesmo o melhor nesse capitulo em Portugal. 

Uma nota sobre os custos da sua aquisição: trata-se de uma jogada de enorme risco, em que claramente se aposta na qualificação para Champions e transferências no verão, num momento de profunda indefinição. Essa é a minha maior dúvida mas, tal como aquando da aquisição de Bas Dost, é este tipo de jogadores que o Sporting precisa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Dérby eterno: a sorte gosta mais dos audazes

Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar)

 

Confesso que foi com grande apreensão que vivi quer os momentos que antecederam o dérby quer o jogo propriamente dito. As razões para tal basearam-se no reconhecimento do valor do adversário, especialmente o individual. Quanto tens bons valores individuais estás sempre mais perto seja de resolver um jogo a teu favor, seja regressar à produção que o teu potencial deixa adivinhar. A segunda premissa aplicava-se perfeitamente aos comandados de Deus, por ausência de JJ.

Ora foi precisamente pela postura do adversário que começou a minha desilusão mas também esperança relativamente ao dérby. O recurso aos três defesas, à semelhança do que vem sucedendo com a generalidade dos adversários que nos vêm defrontando, revelava desde logo pouca segurança, confiança ou convicção nas escolhas mais comuns, e que certamente resultariam do que é mais habitualmente treinado pelos lados do Seixal. 

Desilusão por perceber que tal iria resultar em menos espaços, dos tais que Nuno Santos, Pote e TT precisam para melhor expressar o seu talento. Esperança porque tal opção deixava-nos por cima pelo menos do ponto de vista psicológico, porque não só dominávamos melhor o que nos era pedido pelo treinador, como percepcionávamos a importância que nos era atribuída pelo oponente. Não deixa de ser estranho que, com tamanho atraso pontual, o adversário pouco ou nada tenha arriscado para ganhar o jogo. Mais do que o querer ganhar, pareceu não o querer perder e isso, como bem sabemos, deixa-nos sempre mais perto do desgosto.

Ora se Deus não fez, não teríamos de ser nós, tidos como underdogs, a fazê-lo. O empate só nos servia do ponto de vista anímico, face ao resultado do jogo do FCP, mas antes manter a invencibilidade na Liga do que atirarmo-nos nas cavaladas de antanho, que tantas vezes nos acabaram por nos remeter para mares tantas vezes navegados de desgosto e frustração. 


Da conjunção destes factores resultou uma exibição plena de consistência e personalidade. Aquele Sporting timorato, descrente de si mesmo, sobrevalorizando as melhores qualidades do adversário  - e, dessa forma, diminuindo-se - foi deglutido por um Sporting determinado, firme e corajoso. Em nenhum momento se sentiu uma equipa desconfiada de si mesma, dócil ou submissa perante os nomes e os milhões do endinheirado oponente. Bem antes pelo contrário. Vimos uma equipa confortável e segura  em todos os momentos de jogo. Para lá do resultado - que obviamente é o mais importante, porque é o que fica na história do dérby eterno e o que nos dá pão para alimentar o sonho, a fome de vitórias e a liderança da Liga - essa segurança que vem de dentro para fora é mais do que gratificante, digna de entusiasmo.

Valha a verdade que não foi um jogo espectacular, no sentido da velocidade e vertigem que nos lembramos de alguns dérbys ou clássicos. Muito por força da opção do adversário e por convicção de Rúben Amorim - que prefere acima de tudo a segurança dos pontos à fábula e utopia do que podia ser mas não é - as equipas estavam literalmente amarradas uma à outra. Ao invés da emoção óbvia de uma desenfreada corrida de cavalos, assistimos a um cerebral combate de xadrez, onde as peças se moviam sempre no sentido de anular o movimento pretérito do adversário. Não sendo espectacular, não deixou de ser sobriamente emocionante.

É muito difícil destacar individualidades acima daquela que tem sido a nossa maior força e que ainda ontem nos valeu para arrancar do fundo do empate que já se desenhava: a força colectiva, o foco, a abnegação e o empenho de todos concentrados na obtenção do bem comum. Ainda Assim arrisco:

Ádan: presença plena de segurança e eficácia em todas as intervenções. O Sporting precisava desta qualidades para poder crescer em segurança.


Porro: Trocou a habitual locomotiva expresso pelo diligente e eficaz pelo comboio pendular urbano, que leva todos ao destino. Mas com força suficiente para ir contribuir para causar a miséria final do adversário.


Neto: paradoxalmente é um dos avós desta equipa e, simultaneamente, a extensão de um dos braços e voz do treinador. A sua entrega e humildade é uma lição ao vivo para os miúdos do plantel.


Coates: encontrou finalmente o sistema onde fica mais confortável e onde melhor pode expressar as suas qualidades. Ao centro não fica tão exposto aos ímpetos dos  adversários mais velozes e do, imponência dos seus quase dois metros, faz de controlador aéreo eficiente.


Fedal: Sóbrio, não inventa, integrou-se rápida e integralmente no clube e na linha de três que Rúben Amorim prefere. Tem sido uma mais valia indiscutível.


Nuno Mendes: um júnior que joga como um veterano, tal a eficácia, segurança a que acrescenta o indispensável talento. Ainda joga por nós e já se advinham saudades...


Matheus Nunes: O homem do jogo. Aposta de Amorim que progressivamente tem vindo a ser ganha. Para quem ainda há pouco tempo servia cafés numa pastelaria e ontem nos presenteou com a cereja topo do bolo, superando a desconfiança sobre o seu valor, não está nada mal.


João Mário: Sem jogar mal, não vive o seu melhor momento, não tendo a preponderância que dele se espera e o que seu valor exige.


Nuno Santos: foi dos mais prejudicados pelo encaixe das equipas, porque as suas características pedem espaço para o drible em progressão e não espaços em curtos e limitados.


Pote: Sem ser brilhante foi sempre de uma disponibilidade total e obrigou a vigilância apertada por dele se adivinhar sempre o perigo eminente.


TT: excelente desempenho, especialmente na primeira parte. Um júnior que levanta a garimpa para internacionais do quilate de Otamendi e Verthogen deixa um registo importante sobre si.


Palhinha: Depois da rábula do seu injustificado afastamento acabou por provar em campo as razões para impedir a sua presença, apesar das dificuldades para entrar no ritmos elevado  em que o jogo decorria.


Tabata: Entrou num momento em que, após a entrada de Taarabt, o nosso meio campo perdia qualidade de decisão e em posse, acabando por abanar novamente o jogo o suficiente para voltar a impor respeito e cautela no ultimo reduto encarnado e participar no lance do golo do nosso contentamento.


Daniel Bragança: provavelmente só Rúben Amorim percebeu a necessidade da sua entrada nos descontos, mas lá estava ele na área encarnada no momento do golo.


Jovane: a sua presença foi discreta apesar - o que não é pouco! - da sua participação no lance do golo.


domingo, 3 de janeiro de 2021

Sporting 2 - Braga 0: Vitória saborosa sobre padres e arcebispos


Uma vitória feliz e saborosa esta que foi alcançada sobre a equipa da cidade dos arcebispos. Saborosa porque o resultado, sem ser expressivo, deixou créditos a nosso favor em vários campos. Desde logo a contrariar a ideia de que a equipa de Amorim só ganhava às equipas do meio da tabela para baixo como nos deixa confortáveis em caso de necessidade de desempate.

Feliz porque em momentos cruciais do jogo tivemos a sorte de ter Adán e a sorte de ter sorte. Feliz porque as dificuldades sentidas encareceram o custo do resultado final. Feliz porque a equipa soube responder a essas dificuldades e às contrariedades que lhe foram sendo colocadas no caminho de forma madura, sabendo por isso merecer a sorte que teve.

Entrando a controlar o jogo nos primeiros minutos, o Sporting foi-se deixando manietar do meio-campo para a frente, revelando as dificuldades já sentidas em jogos anteriores no controlo do meio-campo, onde revelava dificuldades em controlar e opor-se aos movimentos dos adversários, que até ao golo bem anulado a Paulinho foram a equipa a criar os momentos de golo mais iminentes. Até aí o poste e Adán foram os nossos melhores amigos.

Com Pote, Nuno Santos e TT engolidos pelos arcebispos parecia estarmos condenados a ter que agradecer um nulo como melhor resultado. Até que os dois primeiros inventaram um golo de belíssimo efeito. Valeu a pena passar quase uma hora a praguejar contra a má forma do Pote. Depois Rúben Amorim entendeu que era a hora de jogar os trunfos que tinha na mão e que poucos imaginariam que iam ser decisivos para fechar o resultado. Tanto assim foi que o golo da confirmação sai do banco nos pés de Matheus Nunes, cuja deslocação sobre a direita foi tão eficaz como surpreendente.

Esta podia, porém, ser uma história completamente diferente caso o padre de serviço, Fábio Veríssimo não viesse com a missa encomendada, no que foi muito bem acolitado por João Pinheiro. Tudo velhos  conhecidos na hora de nos excomungar sempre que o nosso nome se cruza com os respectivos apitos. Perdeu-se toda a vergonha e já nem sequer se disfarça. A aplicação dos critérios é conforme dá mais jeito para promover uns e nos prejudicar deliberadamente. Grande parte dos lances de penalty nem de VAR precisam, quanto mais quando existe a possibilidade de visionar os lances no conforto da cadeira. O mesmo se aplica aos lances disciplinares. 

Por isso agora se fala de eficácia e da falta dela. Já da falta de vergonha e do total descaramento de nos obrigar a jogar mais poder somar três pontos é para esquecer. Por isso esta vitória sobre padres e arcebispos é ainda mais saborosa. E, ao que parece, dá ainda mais força a esta equipa que, pela sua entrega e raça só nos pode deixar orgulhosos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

B SAD 1 - Sporting 2: é possível ser feliz no lamaçal nacional


Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar)

Com clarividência e humildade Rúben Amorim sintetizou na perfeição onde começaram as dificuldades do Sporting: na preparação e definição da estratégia para o jogo. Mérito total de Petit, que estudou bem a nossa equipa e, com outros argumentos individuais, teria provavelmente saído com um ou mesmo três pontos da gamela onde se disputou o jogo.


A estratégia do treinador adversário expôs muitas das nossas debilidades: dificuldade em defender a toda a largura por inferioridade numérica, beneficiando do condicionamento de Palhinha e da pouca agressividade e reacção na hora de defender de João Mário. Castigou o nosso lado esquerdo defensivo, onde Nuno Mendes foi muitas vezes batido, expondo a verdura de Gonçalo Inácio. Do outro lado Neto ia escondendo as dificuldades com muita entrega mas muito desacerto. Coates tentava apagar os fogos como podia e sabia. 

Um dos mérito de Petit foi criar a incerteza na forma como atacava: ora através de lançamentos longos, explorando as costas de  uma defesa onde a falta de rins e velocidade são uma evidência, ora através de combinações que deixavam os médios azuis nas costas de Palhinha e João Mário. Tal ia criando instabilidade e alarme na nossa defensiva. 

Dessa forma o B SAD rapidamente anulou a vantagem madrugadora obtida num lance de manual de TT, autor de uma primeira parte excepcional na entrega ao jogo e no acerto na execução. Foi ainda um TT eficaz  - e revelando uma sagacidade rara para um miúdo que ainda é júnior - que se responsabilizou pelo fecho do marcador sem ter decorrido a meia hora de jogo, construindo uma grande penalidade.

Antes e depois do golo vitorioso foi a altura de explicar em desenhos em forma de defesas a importância de um bom e experiente guarda-redes. Depois da falha que contribuiu para o malfadado empate de Famalicão, Adán devia ter tomado nota na sua agenda a necessidade de mostrar as razões da sua aquisição, em detrimento da continuação da aposta em Max. Foi assim que se tornou, a par de TT, no homem do jogo. Foi para isto que veio, pois claro. Que assim prossiga, amén.

A segunda parte não permitiu tantas veleidades ao ataque azul mas também demonstrou como fica curta a manta quando não conseguimos segurar a bola e dessa forma readquirir a tranquilidade suficiente para explorar e criar dificuldades aos adversários. Pote está sem pilhas e sem elas não há magia. A sua ausência de zonas de decisão e a falta de bola a que tem estado condenado, por sagacidade do adversário e por menor fulgor próprio, tem-no conduzido a um solstício de inverno: a sua participação no jogo tem sido cada vez mais breve e menos iluminada. 

Tabata, tal como a generalidade do nosso jogo pelas laterais, foi quase completamente engolido pelos defensores e centro-campistas azuis. Salvou-se a sua participação no golo inicial e pelos breves apontamentos técnicos.Terá sido provavelmente um dos que viu o seu jogo mais condicionado pelo lamaçal nacional.

Falar em lamaçal torna obrigatória uma genuflexão e duas avé-marias ao padre Rui Costa. Claramente um árbitro do sistema ou há muito que já só apitaria jogos de solteiros e casados bêbados. 

A primeira avé-maria de bradar aos céus vai para o critério disciplinar abstruso. As regras são para cumprir desde o minuto zero até ao final. De outra forma se eu for apanhado a conduzir ébrio logo à saída da mesa da consoada não posso alegar que estava só a começar. Bem, alegar posso, mas... 

A segunda avé-maria vai para o critério em voga há muito tempo e que já nos valeu a perda de dois pontos em Famalicão e sabe-se lá se outros dois com o FCP: na dúvida é contra o Sporting. Isto é: na dúvida não marcou fora-de-jogo, o que de facto é muito duvidoso e no choque a culpa é do Adán. Um lance que passa incólume no VAR (O que se pode aceitar, o árbitro é que tem que decidir) e explica bem ao que esta gente vem.  

É claro que fomos felizes mas não menos felizes que outros rivais que também com muita sorte à mistura e que com muito mais argumentos não se revelam mais merecedores do que nós do lugar de líder. 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Sporting 1- Farense 0: Antes de ser Boa Esperança o cabo foi das Tormentas



Nota: todas as fotografias são da autoria da @Idzabela. É expressamente proibida a modificação e/ou reprodução destas fotografias sem autorização expressa da autora. (clique nas imagens para ampliar

 O jogo com o Farense é apenas mais de um de muitos exemplos em que a Glória só vem depois de muita dedicação, esforço e a indispensável sorte. Esta, que tantas vezes nos tem perdido por falta de comparência ontem esteve presente num lance de penalty que caiu do céu, já com o pano a descer sobre o palco. É verdade que não foi merecida pelo lado da qualidade de jogo, mas sim apenas pelo esforço e pela perseverança.


Há muito mérito do Farense nas dificuldades sentidas. Pode-se dizer em seu desfavor que nunca quiseram muito mais do que o empate, mas é preciso ter em conta o seu trajecto no campeonato - muito difícil - agravado pelas dificuldades habituais de um recém-promovido. A isso deve-se somar a postura muito conservadora de Rúben Amorim, que nunca abdicou do controle total do jogo, apesar do tempo ficar cada vez mais escasso e o resultado permanecer imóvel em nosso desfavor.


A verdade é que a estratégia de Sérgio Vieira é bem capaz de ser uma espécie de mapa do tesouro para os adversários e um avisado guia de resolução de problemas para Rúben Amorim para o que nos espera. A receita parece ser simples: recuar as linhas para um bloco baixo, metendo assim areia entre as peças fulcrais da nossa engrenagem, impedindo a ligação entre si e, isolando-as, contribuindo para a sua baixa produção. Parar ou reduzir a produção do nosso sector mais forte e homogéneo - o meio-campo - é uma boa receita. Para o conseguir é preciso trabalhar muito e ser solidário - e isso o Farense conseguiu - e contar com a nossa menor inspiração e jogo sem grande risco, o que também aconteceu. 


Como sector mais recuado e os últimos com a missão de impedir as investidas à baliza de Adan, os defesas chegaram e sobraram para as encomendas. Com o posicionamento baixo do adversário não havia costas para explorar em lançamentos longos e fazer chegar a bola dentro do bloco quase nunca foi uma tarefa bem sucedida, por o adversário condicionar a recepção da bola de costas a João Mário, Pote e Nuno Santos. Os laterais não conseguiam dar profundidade por encontrarem sempre a passagem de nível fechada pelos extremos adversários.


Por isso não houve o ouro habitual dentro de Pote, João Mário não conseguiu ser maestro, Nuno Santos foi estóico, mas não teve quem o acompanhasse. As jogadas repetiam-se vezes sem conta, quase sempre com o mesmo resultado inglório. Pedia-se gente capaz de tirar da manga lances de magia que criassem desequilíbrios ou pressão suficiente para obrigar o adversário a recorrer à falta e, a partir de lances de bola parada, chegar ao golo. E assim foi, já quase no apito final.

Não vou discutir o lance do penalty. Ele divide as opiniões, uns porque não sabem mais, outros porque não lhes apetece ou não dá jeito concordar ou discordar do árbitro. Se o lance não tivesse o dramatismo de ter ocorrido naquele contexto - estivesse o jogo decidido para qualquer dos contendores - e quase não se falaria dele. Mais importante do que isso será perceber o que fará o CA de arbitragem a este seu elemento, por comparação com o sucedido, por exemplo, com Luis Godinho que, depois de espalhar a sua magia em Famalicão, ainda foi dar uma mãozinha ao SC Braga contra o Estoril.

E assim chegamos ao Natal em primeiro lugar. É verdade que não ganhamos nada, mas não é menos verdade que é bom não ter adversários a impedir-nos a vista para o horizonte tão desejado. Vamos ter que dobrar muitas vezes este cabo das tormentas para poder lembrarmo-nos dele como o da Boa Esperança.

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