Estava já preparado o post de hoje quando dei de caras com a citação que o Record hoje faz da entrevista ontem dada pelo André Santos ao jornal do clube. Ela contém um item que vem de encontro a um dos que hoje aqui me propunha a abordar. Obviamente que esse não é a questão do título ser ou não uma miragem, porque sabemos bem que o é. Não porque a matemática assim o imponha. Mas porque, além de ter que ultrapassar 2 candidatos que até agora têm sido muito mais convincentes, o Sporting não parece capaz de ultrapassar as suas próprias dificuldades. Dito isto, fica também esclarecido que não me parece que a explicação do nosso atraso se deva ao azar na finalização, como avança André Santos. Até porque ficam de fora os jogos, como o de sábado, em que tivemos sorte e eficácia.
O que me chamou à atenção foi precisamente a parte final da citação em que André Santos afirma "
que nos primeiros 45 minutos, temos criado muitas oportunidades de golo mas não conseguimos concretizá-las.” Porquê os primeiros 45 minutos? Em primeiro lugar esta afirmação é a evidência de que no balneário se discutem os dados estatísticos. E eles dizem que se houvesse um campeonato das primeiras partes estaríamos em 2º lugar com 30 pontos, mas mesmo assim a 8 pontos do FCP e com o SLB um ponto atrás de nós. Mas se o campeonato fosse das segundas partes cairíamos para 3º lugar, ficando a 13 pontos do FCP e também a 5 do SLB. Isto é, precisamente os mesmos que temos no campeonato real.
Este dado interessante, do quail se podem extrair diversas ilações, leva-me a outro, que é o elevado número de lesões musculares que desde o inicio da época vêm afectando o plantel do Sporting. O mesmo que agora atira Djaló pela 3ª vez este ano para o estaleiro e por 1 mês e Postiga pelo menos 2 semanas. Isto quando Pedro Mendes e Matias regressam de um longo afastamento pelo mesmo motivo, numa lista bem mais extensa. É impossível olhar para a quebra nas segundas partes e para o número elevado de lesões sem questionar que preparação física se faz em Alvalade. Ou será que tem a ver com o facto de pertencermos ao grupo das equipas mais velhas da Liga (média de 27 anos de idade) nos 15 jogos já realizados? Ou é tudo mera coincidência?
Mas, na procura das razões do nosso atraso, há outros números a merecer atenção. Com 3 vitórias, 3 empates e 1 derrota, 8 golos marcados e 6 sofridos, somos apenas(!!!) a 9ª equipa do campeonato no aproveitamento do factor casa. Para lá das razões de ordem psicológica que se queiram introduzir na discussão, quem tem presente o que têm sido as nossas prestações caseiras sabe que PS ainda não conseguiu resolver as equações que os seus congéneres adversários lhe colocam quando recuam as linhas, como ele fazia quando vinha jogar a Alvalade com o Paços de Ferreira e tanto se orgulhou de fazer na jornada passada com o depauperado Braga. E os 6 golos sofridos levam a pensar que a explicação dada por André Santos - ou a que lhe deram a ele... - talvez não esteja completa. Talvez devamos pugnar por um campeonato longe de Alvalade. Como visitante somos segundos, com 16 pontos, a 1 ponto do FCP e com o SLB a 4 pontos.
Neste quadro - muitos pontos de atraso, exibições pouco convincentes, poucos objectivos para alcançar - não admira que a média de espectadores em Alvalade (175.219) seja quase metade do que registam aqueles que deveriam ser os nossos principais adversários, (SLB 306.208, FCP 291.219) mesmo tendo em conta que temos menos um jogo que eles. O Guimarães está mais perto de nós do que nós da frente (75.915). Mas, se num jogo com a importância e o interesse do passado fim-de-semana, com o Braga, não chegamos aos 23 mil, não será o próximo jogo com o Paços de Ferreira que provocará alterações substanciais.
Tudo isto não admira mas entristece e alarma. Mais ainda quando se conclui que o jogo mais visto em Alvalade é apenas o 11º no total dos jogos do ano, com 35.063 espectadores. É que o Porto-Nacional, para a ignorada Bwin Cup é o 13º da lista com 30.018 espectadores. Os dados foram compilados da informação disponibilizada pelo site da Liga.