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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A dificil vitória do Sporting quando "o futebol está doente".

Já se antecipavam muitas dificuldades para o Sporting na deslocação aos Açores. O Santa Clara é uma das equipas mais defensivas do nosso campeonato, sobretudo quando enfrenta os chamados “grandes”, facto que lhe tem valido pontos importantes. Para tornar a tarefa ainda mais difícil, o jogo decorreu imediatamente após um encontro da Champions, partidas exigentes tanto do ponto de vista físico como emocional.

O Sporting não realizou uma exibição brilhante, o que surpreende apenas quem não acompanhou a partida. Exceptuando os minutos finais, o Santa Clara limitou-se a defender: cedo chegou ao golo e mais tarde empatou, procurando depois manter o resultado. Quase o conseguiu não fosse o golo tardio do capitão Hjulmand, originado num canto cujo desenlace já merece discussão que entrará para o top dos lances mais polémicos de sempre.

O erro na marcação do canto que deu origem ao golo não admite debate. É uma dessas coincidências do futebol: o Sporting beneficiou de doze cantos, só um foi bem aproveitado e os restantes foram desperdiçados, alguns de forma quase infantil. Mas talvez a coincidência mais estranha resida no erro do árbitro, que, tal como no clássico com o FC Porto, não assinalou cantos e aplicou amarelos inadmissíveis a vários jogadores sportinguistas. O auxiliar, momentos antes e à vista de todos, ignorou uma gravata sobre Trincão(?) que daria um livre perigoso e um cartão amarelo justificável. Não estranha por isso que também não tenha visto que era pontapé de baliza. A azia justifica-se  e pela sua actuação ao longo do encontro o árbitro João Gonçalves deve ser, a esta hora, um dos mais afetados pelo incómodo do "foro gastrológico". Foi de certeza um erro involuntário e do qual se deve estar a penitenciar duplamente. 

Não é preciso vasculhar muito nos arquivos para encontrar decisões semelhantes que resultaram em golo, quer quando nos prejudicaram quer quando beneficiaram rivais. É por isso curioso notar a memória seletiva de alguns dirigentes. O recém-eleito presidente do Benfica afirmou que "o futebol português está doente" — uma declaração singular se lembrarmos que, enquanto vice-presidente ao tempo de Vieira, nunca denunciou as várias suspeitas e casos que ainda assombram o futebol nacional. Saco azul? Emails? Vouchers? Operação Lex? E-toupeira? Jogos viciados? Mala Ciao? 

Já a postura do FC Porto é ridícula, o que não surpreende num clube que anunciou uma lufada de ar fresco para fora mas no interior o bafio é o mesmo que vem dos anos 80. Ao manifestar apoio aos árbitros, a equipa entrou em campo fora de tempo, num gesto que parece mais teatral do que sério. O discurso do treinador repete fórmulas antigas de confrontação; no lema “Contra tudo e contra todos” está omissa uma a sua imagem de marca: “vale tudo”.

Talvez a verdade seja simples: quando o Sporting era apenas espectador nos êxitos alheios, a indignação era menor. "Precisamos de um Sporting forte", lembram-se? O problema dos nossos rivais é que agora também têm de contar connosco. E, no final, há apenas dois lugares para a Liga dos Campeões.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Mais um "mic drop" de Varandas


"Vi recentemente um espetáculo imperdível na campanha eleitoral do Benfica onde vi o ex-presidente Vieira onde disse ‘isto do futebol português era assim: eu e o senhor Pinto da Costa sentávamo-nos e decidíamos o futebol português’. Quem ia ser o presidente da Liga, com Conselho de Arbitragem… Ele disse isto! Mas ficou tudo calado, acharam isto normal. Eu não acho e o Sporting também não. Foi isto durante 40 anos. E quando as pessoas veem que há um futebol independente, íntegro, onde o presidente não escolhe árbitros 

Hoje reparei que o atual presidente do Benfica e candidato disse ‘devolvi a credibilidade ao Benfica’. Vamos lá analisar isto: credibilidade desportiva? Não, nos últimos 10 anos o Benfica teve resultados desportivos. Credibilidade financeira? Não, o Benfica é uma boa máquina ao nível de produto financeiro, de criar receitas, etc. O que é que ele quis dizer? Disse ‘retomámos à ética, às boas práticas’, é isto que diz o presidente do Benfica. Também assisti o atual presidente do FC Porto, na Alfândega do Porto a lançar a sua candidatura a dizer ‘tem de acabar o clima do medo, o F Porto precisa de um novo futuro, bons princípios com ética e transparência’. Não é o presidente do Sporting que diz que havia falta de ética e transparência nos nossos rivais. São os atuais presidentes que o dizem. O presidente do Sporting hoje lidera um clube que é campeão por mérito, bicampeão por mérito e que vai lutar pelo tricampeonato por mérito."

"Este ano disse aos meus jogadores no início da época que o bicampeonato foi uma ligeira convulsão para o futebol português, mexeu com muita coisa. O tricampeonato, se acontecer, será um terramoto. Isto assusta muita gente, vai haver muita pressão, muito ruído para que não aconteça."
 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Os castigos foram de férias


O Conselho de Disciplina "apressou-se" quatro meses para deliberar sobre os castigos relativos aos acontecimentos na garagem do estádio do FCP, no final do clássico. Com este timing "puramente casual" os dias de suspensão aplicados poderão ser gozados numa qualquer praia paradisíaca, uma punição excessiva, se atendermos às elevadas temperaturas que se registam nesta altura, agravadas pelas alterações climáticas. 

Saltam também à a vista o castigo de Rui Cerqueira (115 dias de suspensão), cujo "bater na mão de Frederico Varandas" não foi considerado uma agressão. A absolvição de Sérgio Conceição tem que ser entendida como natural, a canonização será ao virar da esquina. Os mais de vinte mil euros de multa ao Sporting são a compensação por Frederico Varandas ter dito aquilo que toda a gente sabe, mas ninguém tem coragem de o dizer.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

A Santa Aliança

Não é mas podia ser uma imagem de um filme de Sérgio Leone. Conhecesse ele o futebol português e teria um manancial inesgotável para os seus filmes.

Vem isto a propósito do recente chumbo das propostas de alteração apresentadas pelo Sporting. Estas eram três, a saber:

  • - Cumprimento das medidas disciplinares dentro do período de competição, acabando com o regabofe de as empurrar para o tempo de férias.
  • - Possibilidade de uso das gravações entre os elementos das equipas de arbitragem para serem usadas como prova e também para efeitos de avaliação.
  • - Mudança dos bancos de suplentes, de forma a que as equipas da casa não tivessem a facilidade de exercer pressão sobre as equipas de arbitragem.

Só passou a alteração relativa ao cumprimento das medidas disciplinares. As outras duas foram chumbadas, contando para o efeito com os votos alinhados de FCP e SLB.

O caso das gravações teve até um episódio caricato, com o SLB a dizer que era a favor, mas que votava contra, num episódio digno dos gato fedorento. Os encarnados alegaram que a Assembleia Geral da Liga não era a sede adequada para fazer a alteração, tendo que esta ser produzida pela FPF. Vamos ver se e quando esta alteração essencial para a transparência vai ter lugar...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casamentos & funerais

O casamento de Jesus
Só por elevada dose de ingenuidade ou wishful thinking se poderá pensar que a comunicação improvisada de Bruno de Carvalho não desferiu um profundo golpe na relação com Jorge Jesus. Grande parte das palavras do presidente eram-lhe directamente dirigidas e aquela menção ao "caudal ofensivo" é um punhal cravado no ego reconhecidamente inflamado do treinador. 

Mas, ao fim e ao cabo, a referida declaração é a confirmação das divergências que as "remexidas" no plantel no Natal já deixaram perspectivar. O facto de o presidente ter demorado quase uma semana a reencontrar-se com o Facebook para reafirmar que Jorge Jesus é a sua escolha, enquanto tudo à volta ardia, revela um critério e uma convicção no mínimo questionáveis.

Ingenuidade, isso sim, é pensar que a declaração não lançaria um sentimento de legitima preocupação no seio dos Sportinguistas. Ou que quem vive da divulgação de acontecimentos e factos ocorridos ou do mero aproveitamento daqueles não iria aproveitar a "borla". Qualificá-los a todos indiscriminadamente de "histéricos" é fazer a figura do cozinheiro que culpa os comensais de não gostarem da comida que ele mesmo cozinhou mal e de forma irresponsável. É que por norma, as declarações públicas revelando descontentamento numa relação não são um mero sinal de insatisfação. São uma facada na indispensável confiança que suportam as ligações, constituindo muitas vezes a primeira notificação de divórcio.

Mas voltemos às divergências. Estas, como é claro para todos, têm por base a definição de poderes  sobre as políticas de aquisições, dispensas e composição geral do plantel. Numa relação saudável entre pessoas responsáveis e profissionais competentes, ambos os intervenientes ultrapassariam as diferenças de visão sentados frente a frente, assumindo as responsabilidades de que foram investidos quando decidiram servir o Sporting.

Ao contrário do que possa parecer, a questão até seria de fácil resolução, se houvesse a preocupação primordial acima mencionada e  também alguma humildade de ambas as partes. Da parte de Jorge Jesus, para perceber que quando lhe foi dada carta branca para intervir o resultado foi medíocre e não teve em conta as especificidades do clube. Da parte de Bruno de Carvalho para perceber que falta em Alvalade conhecimento e profissionais altamente qualificados para satisfazer as ambições do clube.

Admitamos que ambos o reconhecem. Mas, ao que parece, o impasse surge na hora de operacionalizar as alterações. Jorge Jesus não encontra razões para confiar no que a SAD lhe disponibiliza como suporte para trabalhar. Se quanto aos jogadores da formação me parece um erro  já quanto ao suporte de conhecimento que encontra na SAD reconheço-lhe toda a razão. Sabe mais Jesus a dormir que todos os outros acordados. 

Por exemplo: espanta-me que critérios podem qualificar André Geraldes para director desportivo, nome que insistentemente vai saltando das rotativas, ao género de inquérito de opinião. De reconhecimento pela experiência e mérito no desempenho dessas funções, como deveria ser obrigatório observar, não é de certeza. Não excluo a possibilidade de estarmos a falar de alguém com bom desempenho nas actuais funções, mas não se eleva um carteiro à condição de gestor dos CTT só porque entrega bem as cartas e encomendas. 

Claro que o presidente também tem razão. Ele sabe que não pode arriscar um segundo ano de equívocos e que há um risco menor no recurso à prata da casa. E também tem de reconhecer que resta muito pouco de aproveitável das suas incursões no mercado e que delas não houve o expectável retorno desportivo, mesmo que tendo um custo menor. E também que colocar as fichas todas em JJ por titulo imediato e a qualquer preço é um passo maior que as pernas (e carteira...) que actualmente sustêm o clube.

A preocupação de ambos porém deveria estar no talento dos jogadores, não na sua origem, não desconhecendo que a actividade de recrutamento é altamente contingente e arriscada. Veja-se o perfil de Bas Dost: europeu, carreira sólida, internacional, de valor reconhecido, o momento oportuno e o respectivo retorno. E compare-se por exemplo como de Alan Ruiz, contratado por um valor muito próximo. 

A vontade será crucial para manter a ligação de Jorge Jesus ao clube. Que nada tem a ver com posts tardios e equívocos no Facebook. É preciso restaurar a confiança e essa acontece sobretudo com actos. E simultaneamente criar uma relação equilibrada, em que a maior experiência e conhecimento de Jorge Jesus sejam apoiados na retaguarda por departamentos do clube (scouting, jurídico- administrativo, etc) com profissionais de igual valia, numa situação que propicie o crescimento de ambas as partes. De outra forma a passagem de um dos melhores treinadores nacionais pelo clube constituirá mais uma oportunidade perdida.

A boda de Bruno de Carvalho
Não vou fazer qualquer comentário sobre a vida pessoal de Bruno de Carvalho, nomeadamente sobre o seu casamento. Mas sempre aproveito para lembrar que foi por tratar o clube como uma extensão de uma qualquer propriedade e por declarados sinais de acantonamento autista que se desfez o casamento com uma dinastia.

Relações Requentadas
O Sporting anunciou hoje o reatamento de relações com o FCP. As relações institucionais com outros clubes deveriam existir sempre e não serem geridas de forma conveniente, a favor de ventos cuja constância e direcção não se percebem. E com ponderação e memória. Declarar sobre o FCPorto de Pinto da Costa que são mais as razões que nos unem do que as que nos separam é insultuoso para todos de nós que ainda conservam a memória. João Rocha deve ter tido um valente sobressalto no seu túmulo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O que dizer do Global Soccer Awards para a formação do SLB?

A Global Soccer Awards decidiu este ano atribuir o prémio de "Academia do Ano" ao nosso "estimado rival" SLBenfica. 

Não, não está enganado. Não foi ao Ajax de Amesterdão, que há anos domina o futebol holandês, com equipa formadas à base dos seus escalões de formação e com um longo historial a testemunhar o valor da sua Academia. 

Não, não foi ao Barcelona, que o ano passado levou mais um triplete para o seu sumptuoso museu, com uma equipa recheada de jogadores da sua formação, alguns deles conhecendo apenas a camisola azul-grená. 

Ah, e sim claro, o prémio não aterrou em Alvalade, apesar do aeroporto ali tão perto, num clube cujo histórico reporta um número invejável de "Bolas de Ouro" e várias gerações a servirem de base à Selecção Nacional, que nos últimos anos tem coleccionado os melhores resultados de sempre. 

Antes que pense que tenho mau perder tenho que dizer que dou os meus parabéns ao nosso  rival e considero que o prémio está muito bem entregue. Senão vejamos: não se conhecem anteriores prémios nesta categoria que aquela organização tenha atribuído, sendo por isso o prémio inteiramente merecido por uma formação que dá agora os primeiros frutos. Tão inédito que a referida organização não conseguiu ainda actualizar o seu sitio na Internet, onde não consta o prémio em causa. 

Ou seja é tão difícil como encontrar razões que justifiquem para esta distinção que não sejam as primeiras páginas de "A Bola" sobre o Renato Sanches ou os adjectivos superlativos do locutor da BTv sobre os jogadores da equipa B, que recentemente nos ganharam no Seixal por 1-0.

Não se infira pelo que é escrito acima que minimizo o trabalho que vem sendo executado na Academia do Seixal na formação. Os resultados falam por si, nos últimos anos começam a ser conhecidos os resultados de um vultuoso investimento que fará no próximo ano, a 22 de Setembro, dez anos. Este prémio é obviamente ainda prematuro e não será alheio certamente ao facto de a organização ser uma espécie de quintal das traseiras do agente Jorge Mendes. Basta ver a lista de vencedores, quase todos eles certamente na lista de speed-dial do bem sucedido agente.

É também mérito para a gestão de Luís Filipe Vieira, sobretudo no que ao lobying diz respeito. O mesmo mérito que é preciso reconhecer nos negócios com a NOS ou com a Emirates, precisamente do Dubai... Negá-lo é negar uma evidência, o que é tão patético como negar o potencial (veremos o que o futuro confirma...) de alguns dos jogadores que estão agora a aparecer, como o Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Cancelo, Nélson Semedo ou dos já confirmados André Gomes ou Bernardo Silva.

Se atentarmos, está agora a suceder com o nosso rival o que aconteceu connosco, com o resultado do investimento feito na Academia em Alcochete em 2002. Foi ele que nos proporcionou a hegemonia na formação nos finais da primeira década deste século na formação, estendo-se até aos dias de hoje como o suporte da selecção nacional, no que à origem da formação diz respeito.

Essa hegemonia provavelmente está a desaparecer, por força do investimento que os rivais vêm realizando nas suas academias, assim como na prospecção. Ao invés, a formação do Sporting tem sofrido sucessivas revoluções e contra-revoluções pelo menos desde a presidência de Bettencourt até aos dias de hoje. A perda qualidade nos quadros técnicos e de colaboradores, bem como uma política de recrutamento de qualidade duvidosa e a diferença de meios vão ditando a sua lei. 

As consequências destas alterações no panorama da formação são uma realidade que obrigatoriamente temos que nos habituar a conviver. E, ao invés de nos provocar azedume, deveria ser o incentivo para nos obrigar a trabalhar ainda mais e ainda melhor. E obviamente a sermos mais exigentes e mais atentos ao que se faz em Alcochete.

Quanto ao prémio em si, poder-se-ia dizer, tentando minimizá-lo, que não tem a importância, prestigio ou reconhecimento de uma Bola de Ouro ou semelhantes. Não o vou fazer. Como Sportinguista aprendi a não minimizar os feitos alheios, porque querer fazer melhor que os melhores foi a letra de lei que nos fez grandes.

Depois, nos Globe Soccer Awards, o nome do Sporting continuará por muito tempo a ser incontornável e, calcule-se!, por via do seu melhor formando de sempre, Cristiano Ronaldo, vencedor por duas vezes de melhor jogador do ano. 

Que melhor referência poderia ser feita à Academia do Sporting?

sábado, 24 de outubro de 2015

"Vítor Pereira só telefona aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não o faz com mais nenhum clube"

Excerto da entrevista de Marco Ferreira ao ÁS via DN

Agora só falta investigar.  

"Não vou dizer que o Benfica pede ao Vítor Pereira que fale com os árbitros para favorecer o clube. Não digo isso. O que digo é que ele faz isso porque sabe que o Benfica é o único clube que o apoia. Por isso, não quer que nenhum árbitro que não goste do Benfica apite os seus jogos. O Benfica nunca falou comigo e nunca pediu para os favorecer. Mas Vítor Pereira sim"

"Numa semana em que eu tinha um jogo do Benfica, ele telefonava a dizer que tinha que ter cuidado, que o jogo tinha que correr bem. E só o fazia antes de jogos do Benfica. Nunca me telefonou antes de um jogo do FC Porto, por exemplo. Não só a mim, mas a muitos companheiros..."

"Eu e muitos colegas recebíamos chamadas na mesma semana em que estávamos nomeados para arbitrar o Benfica. Vítor Pereira tem muitos inimigos e opositores, entre eles as pessoas do próprio Conselho de Arbitragem e muitos clubes da I Liga. Não o querem lá. Então, o único clube dos grandes que apoia Vítor Pereira é o Benfica"

"Nomeou-me para um Rio Ave-Benfica. Nessa semana ligou-me duas vezes, quarta e quinta-feira. Na quinta-feira disse-me que tinha que fazer um bom jogo, se não não me nomeava para o Benfica-FC Porto, que era em abril. Disse que eu tinha que ter cuidado, pois 'eram os que se queixavam' e 'era o jogo do título para o Benfica'

"Antes do Sp. Braga-Benfica foi mais ou menos a mesma conversa. Disse-me que o jogo tinha que correr bem e que eu não devia ligar 'caso viesse ruído do banco"

"Vítor Pereira só telefona aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não o faz com mais nenhum clube", e garante que já denunciou a situação "à Federação e ao Comité Disciplinar da Liga Portuguesa", denúncia feita "na semana passada"

"Eles (os árbitros) têm medo que Vítor Pereira acabe com as suas carreiras como acabou com a minha. Sou um exemplo para eles daquilo que se pode passar. Eu era árbitro internacional e nunca na história de Portugal um árbitro internacional tinha descido à segunda categoria"

"Fui árbitro de I Liga durante nove anos e nunca o Benfica, nem sequer nenhum outro clube, algo vez me ofereceu algo para o beneficiar. Eu penso que esta é uma iniciativa do próprio Vítor Pereira com o interesse de agradar ao único clube que o apoia"

"Ele nomeou-me (final da Taça)
porque era um jogo de uma máxima rivalidade, escaldante; se eu fizesse algo de mal, já tinha um motivo para despromover-me. O problema é que fiz tudo bem e ficou sem argumentos. Fui o primeiro e único árbitro internacional da história da Madeira. Para mim fica esse orgulho.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Godinho/Doyen - Inácio - Rui Vitória - Futsal, o habitual - As heranças de BdC

Godinho Lopes ao lado da Doyen
Quando li noticia onde se dava conta que Godinho Lopes seria testemunha da Doyen pensei tratar-se de especulação jornalística. Esta foi porém já foi confirmada pelo próprio. Assim, a incredulidade dá lugar à estupefação. Só por motivos de força maior - como defesa da honra, de direitos, ou semelhantes - concebo a ideia de um sócio estar do lado oposto ao do clube numa barra de tribunal, o que, manifestamente, não me parece ser o caso. 

Tratando-se de um ex-presidente o caso torna-se ainda mais grave e ainda mais difícil de compreender. Só posso ver aqui uma tentativa de ajuste de contas entre o próprio e o actual presidente, sem qualquer cuidado com os danos que esta atitude possa infligir ao clube que, como é razoável perceber, tem neste processo já uma posição frágil para defender os seus interesses. Inaceitável, inqualificável e embaraçoso, com a agravante de, nesta acção, aparecer ao lado de Pinto da Costa, Filipe Vieira e outros "grandes amigos" do Sporting.

Inácio director de Relações Internacionais
Uma das consequências da entrada de JJ é já conhecida: a descida da cadeira cadeira de Director Geral para Director de Relações Internacionais. Trata-se de um "fato" desenhado, cortado e cozido à sua medida, uma vez que não existia antes. Não esperava nem fazia sentido que Inácio, sendo o braço direito do presidente, deixasse de o ser por causa da chegada de um treinador, mesmo que ele seja JJ. 

Ora sabido que é que Inácio e JJ são, de há muito tempo, um dos muitos exemplos de treinadores "água e azeite", era avisado tudo fazer para que os caminhos de ambos não se cruzassem muitas vezes. Fica por saber qual o conteúdo funcional do cargo e se, tendo descido na hierarquia, mantém o mesmo vencimento. Muitas dúvidas sobre as aptidões e méritos que o próprio possui para o desempenho da função, quando o mercado de trabalho está inundado de profissionais com competências e curriculum sólidos. Não seria mais natural uma nomeação menos pomposa mas mais de acordo com as funções que exerce?

Rui Vitória treinador do SLB
Está finalmente confirmado e será apresentado hoje. Rui Vitória é treinador do SLB. Uma noticia que nos diz respeito de forma indirecta, pela importância que o cargo de treinador tem sempre na competitividade de um dos nossos rivais.

Rui Vitória tem a seu favor o facto de ser um homem da casa e uma carreira pautada pelo facto de praticamente sempre cumprir os objectivos propostos, muitas vezes em circunstâncias adversas ou pouco favoráveis. Quem viu jogar as suas equipas vê com dúvida que o seu modelo possa vir a significar o sucesso num clube com as responsabilidades como o que agora terá a cargo. Partilho das dúvidas mas recordo o exemplo do recente triplete do Barcelona, em que o sucesso é alcançado num registo bem diferente do que era habitual. Além disso já se percebeu que LFV está capaz de apostar as fichas todas na remodelação da equipa, para que os adeptos não lhe possam cobrar o fracasso  que a saída de JJ para o Sporting representou na sua estratégia. Ora um treinador com bons jogadores está sempre mais próximo de poder ter bons resultados. Essa é a medida do sucesso na profissão.

Foi-se o tri no futsal
Os jogos desta fase de apuramento de campeão em futsal acabaram por confirmar a superioridade evidenciada pelo SLB o longo do ano. Como o actual modelo da competição não premeia a regularidade, tinha ainda uma secreta esperança que, nestes jogos finais o Sporting conseguisse reencontrar-se com o que de bom já havia conseguido fazer. As mesmas dificuldades mantiveram-se. Jogadores longe do melhor que já mostraram ser capazes, incapacidade de Nuno Dias arquitectar uma estratégia que contrariasse a boa organização que Joel Rocha construiu. Apesar de tudo, seria a descarada dualidade de critérios na hora do desempate de grandes penalidades a acabar por decidir o jogo crucial de ontem. Ficamos por saber o que poderia acontecer se o resultado obrigasse à disputa da "negra". O que vimos ontem não foi colinho, foi mesmo de liteira acolchoada.

As heranças
Bruno de Carvalho indignou-se com actuação da equipa de arbitragem, o que foi bem visível ainda no pavilhão, após o jogo. Na sequência da final produziu um comunicado no Facebook, onde lembra vários episódios recentes em diversas modalidades em que fomos prejudicados por decisões de arbitragem. Aí chamou-me particular atenção a menção a "mais uma herança das últimas décadas de gestão no nosso Clube" como razão para a recorrência destes fenómenos.

Ninguém poderá negar essa evidência. O Sporting não tem qualquer força ou influência e, na dúvida, as decisões pendem a favor de que as tem. Acontece que não se vê, na estratégia que o clube tem adoptado, como é que esta situação poderá ser mudada nem sequer no médio prazo. O Sporting permanece isolado, não sendo crível que, dessa forma, possa mudar o que quer que seja.

Ora, sendo verdade que BdC recebeu em mãos alguns dossiers de dificil resolução, não é demais lembrar que se apresta para entrar no terceiro ano de mandato. Por exemplo, a relva em Alvalade permanece um problema por resolver que depende apenas de nós. Nestes e noutras matérias um dia a herança recebida não será mais do que uma desculpa.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

3 ideias depois da vitória do FCP sobre o Bayern

A vitória do FCP sobre o Bayern não deixou ninguém indiferente muito pelo seu carácter excepcional: foi a primeira vez que o colosso bávaro perdeu em Portugal e, como se tal não bastasse, os alemães sofreram nesse jogo tantos golos como haviam sofrido em todos os jogos anteriores por aqui disputados. O carácter excepcional desse resultado merece aqui meia-dúzia de linhas agora.

Começando justamente por aí, pelo carácter excepcional, é minha convicção que o azuis e brancos beneficiaram de uma conjunção de factores que tonaram possível uma vitória que, pelos números verificados, dificilmente assistiremos à sua repetição. As lesões de jogadores determinantes na frente de ataque e três golos literalmente oferecidos foram alguns desses factores.O mérito, que não pode ser diminuido, esteve em saber aproveitar as circunstâncias. Deu seguramente muito trabalho a ter a sorte que teve.

Aparentemente a vitória do FCP não tem nada a ver com o Sporting, mas tem. Como aliás têm todos os resultados que as equipas portuguesas conseguem nas competições europeias. A rivalidade que resulta de apenas um clube poder ser campeão todos os anos choca com o interesse comum em conseguir o maior número de pontos nas competições europeias. É a forma de garantir a presença do maior número de equipas no ano seguinte na Liga dos Campeões, competição que não apenas confere prestígio como o suporte financeiro para manter a competitividade. 

Essa necessidade é mais premente em clubes de países como o nosso, com pouca capacidades de expandir o público alvo e este tem reduzida capacidade económica. Não somos apenas poucos, são poucos os que podem acorrer as vezes que gostariam ao futebol e ao dispêndio que lhe está ligado. A isso soma-se uma Liga pouco atractiva, para lá dos clássicos e derbys. As receitas obtidas internamente são insuficientes para permitir o mínimo de competitividade internacional e a ideia de nos termos que circunscrever ao nosso pequeno rectângulo futebolístico é contrariar a ideia de grandeza que acalentamos para os nossos clubes.

Do rescaldo da vitória inesperada do FCP e do que disse acima deixo três ideias para reflexão e discussão:

- Há ou não necessidade de uma estratégia comum para o futebol português, de forma a criar uma base de entendimento para uma reflexão critica sobre os quadros competitivos, desde as formações de base até às seniores? Temas como o número de equipas, como contornar os efeitos da Lei-Bosman, por exemplo, são obrigatórios. 

- Os fundos. A vitória do FCP ante o Bayern, ou sobretudo as finais do SLB e Braga, mais a conquista da Liga Europa nos últimos anos devem relançar a questão sobre que alternativa há para contrariar a cada vez maior distância para os grandes clubes europeus. 

- O dinheiro não é tudo, os jogadores e os treinadores continuam a ser os actores principais. Os melhores são os mais caros e os que falham menos. É essa a explicação para a eliminação com o Wolsburgo, que ontem foi sovado em casa pelo Nápoles. Como então disse, teria bastado o Jackson para estarmos na eliminatória seguinte. E já não vale a pena falar sobre o jogo de Maribor...

- O Sporting tem recebido mais do que tem dado, uma vez que tem retirado mais do que tem contribuído para o ranking dos clubes portugueses. Certamente que não há nenhum Sportinguista que se reveja neste quadro. A actual estratégia desportiva e económica é a mais adequada para nos aproximarmos dos dois rivais?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O fim da PT e do BES e os novos (grandes) desafios

Não colhe ninguém de surpresa as noticias de que quer o Novo Banco (ex BES) quer a PT (não a PT SGPS mas a PT Portugal) vão deixar de ser os grandes patrocinadores dos três grandes. O BES já há algum tempo que havia saído das camisolas, a PT, via MEO desaparecerá no final da época. A noticia, de que a imagem do post dá conta, saiu no Expresso este fim de semana, e é aqui agora aproveitada para lançar algumas questões que, mais tarde ou mais cedo, estarão na agenda do clube.

Quantos somos, até onde e a quem chegamos? A pergunta faz cada vez mais sentido quando, apesar de todas as promoções e descontos as bancadas do Estádio José Alvalade dificilmente ultrapassam os 40 mil espectadores e só em ocasiões muito especiais. Não serão estes números reveladores de uma dificuldade de alargamento do seu leque de adeptos? Não estarão, por isso, os sacrifícios constantemente exigidos a ser suportados permanentemente pelos mesmos, com os consequentes perigos de saturação/erosão da sua base de apoio?

Que importância tem de facto o Sporting na sociedade portuguesa, para lá dos míticos, mas pouco científicos, mais de três milhões? Que imagem projecta o clube de si mesmo e que importância essa imagem tem como veículo de promoção?

Que capacidade tem o clube de influenciar decisões, não apenas no âmbito desportivo mas, sobretudo no caso agora em apreço, as de ordem comercial, em directa concorrência com os seus rivais?

Conseguirá o Sporting manter patrocínios de valor equivalente ao FCP, como era o caso das camisolas (3,7 milhões ano)? Superar ou igualar as propostas para o naming das bancadas ligadas à PT? 

Estas deviam ser as questões que devíamos saber nós, ou pelo menos os nossos dirigentes. Saberão com certeza os parceiros que se disporão a negociar na hora de propor cachet's e as respostas a estas perguntas chegarão de uma forma mais prática que qualquer discurso de ocasião. Com elas se decidirão muitas das condições que os três grandes disporão para concorrer entre si. Condições que serão determinantes para a a disputa dos pontos em disputa a cada jogo.

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