Um clube melhor
Quando se fala em treinador para a próxima época é cada vez mais comum ouvir dizer, quando se questiona a continuidade de Carvalhal, que o Sporting precisa de um treinador melhor. O que nunca vejo levar em linha de Carvalhal também merecia um clube melhor. Leia-se um clube melhor organizado, um clube realmente preparado para ganhar, o que, convenhamos, não foi nada de parecido com o que o treinador encontrou. As apreciações ao trabalho de Carvalhal que não levem em linha de conta i) a distorção provocada pelo caos em que encontrou a equipa ii) e o sem número de situações impensáveis que teve que suportar não podem ser consideradas justas. Há quem acrescente que Carvalhal tem um discurso de clube pequeno. Eu pergunto: há algum clube pequeno que seja tão difícil e aparentemente tão desregrado como o nosso?
É já tarde para Carvalhal, como tudo parece indicar. Adeptos e dirigentes parecem mais inclinados para o deixar cair, como se com isso esconjurassem os males que endemicamente nos atrofiam e desviam do caminho do êxito. Mas não nos iludamos, os problemas já existiam ou medravam antes do actual treinador chegar e, se nada for feito, por cá continuarão.
Se com isto advogo a continuidade do treinador? Como em tudo há vantagens e desvantagens. Se por um lado o considero um treinador preparado para a função, e o conhecimento prévio do plantel e suas deficiências permitiriam pensar numa evolução, julgo que lhe falta força. Carvalhal nunca foi levado a sério pelos que o escolheram, nunca foi protegido e os adeptos, a grande maioria, não deixou de o olhar de outra forma.
Não falta muito para saber quem será o novo dono do lugar. Como me dizia o meu amigo Bruno Martins, na II Tertúlia Leonina no Solar do Norte, também não me parece saudável que a discussão seja entre a continuidade de Carvalhal e a chegada de Vilas Boas. O perfil do actual técnico da Académica é uma promessa sem suporte curricular. Também não vejo no futebol português nomes interessantes para nós. A ser estrangeiro, mais importante que o curriculum é a ambição, com trabalho reconhecido por futebol de qualidade, europeu ou com trabalho já feito no continente, e sem medo de apostar na prata da casa.
Aqui ao lado, em Espanha, há 2 nomes interessantes: Schuster, que além do mais, como jogador enorme que foi, seria interessante para um clube formador. O seu excelente trabalho no Getafe e o resgate do futebol sem chama de Capello, com 2 títulos no Real, sem contratações galácticas falam por si. E Ernesto Valverde, relativamente jovem, pelo seu desempenho interessante no Athletic Bilbao, Espanhol e Olympiacos, onde venceu tudo, e isto apesar do insucesso em Villareal.

















