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quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sete pontos sobre os aumentos da SAD do Sporting


 1- O timing para a discussão de "aumentos dos administradores da SAD" é péssimo, tendo em conta os resultados desportivos expectáveis da SAD para época em curso. Reforça a ideia / acusação, muitas vezes veiculada de um certo alheamento da direcção da SAD relativamente à opinião dos adeptos. É claro que quem dirige a SAD não está preocupada com concursos de popularidade.

2- No entanto o que estava em discussão, e que  mereceu a aprovação mais do que esperada, foram os limites máximos de possíveis aumentos, a ocorrer ou não no futuro. No passado recente os administradores abdicaram desses aumentos, no futuro eles estarão balizados pelos valores agora aprovados.

3- Um dos argumentos contra os aumentos que, repito, não foram agora objecto de decisão, mas apenas os seus valores máximos, é de estes não deviam ocorrer quando à época desportiva não corresponderá a concretização de algum objectivo. 

4- Ora por isso é que o timing é mau, o que não invalida que a discussão sobre quanto deve ganhar um gestor da SAD do Sporting deva existir.  Esta deve estar desligada dos resultados desportivos per si porque, salvo melhor opinião, estes são demasiado contingentes. E, sem negar a sua importância na saúde de uma SAD, é um dos muitos parâmetros a que deve estar sujeita a avaliação de uma administração. 

5- Se o Sporting quer atrair bons administradores deve ter uma política de remunerações atractiva e que proporcione uma previsibilidade mínima, que permita os pretendentes olharem para o Sporting como um projecto, onde a necessária  interrupção das  suas carreiras profissionais não signifique uma atitude suicida e comprometedora das suas vidas e respectivos familiares.

6- As SAD's já usam mecanismos para premiar os resultados desportivos, aos quais correspondem os prémios que remuneram também os outros profissionais, como jogadores, técnicos, etc. Seria bom, a bem da transparência, que eles fossem conhecidos antecipadamente. 

7- Uma última nota, relativamente à remuneração de administradores não executivos, Conselho Fiscal, Mesa da AG e Secretários: num clube onde muita gente trabalha de forma permanente ou assídua pro bono estas alterações devem ser objecto de grande ponderação. Bem sei que falamos da SAD, mas para a generalidade dos adeptos esta e são vistos como um só.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

30 milhões é a factura pelo apuramento para a final da Taça?

Depois do pedido em plena crise do adiamento do reembolso do empréstimo obrigacionista, justificada então no ponto 3 do comunicado  pelas "recentes tomadas de posição públicas por terceiros” somos surpreendidos ontem, enquanto festejávamos ainda o apuramento para a final da Taça de Portugal, com a noticia de que a SAD vai agora pedir autorização aos acionistas para poder avançar com um empréstimo obrigacionista global num montante até 60 milhões de euros até final do ano.

Se isto é sério não parece.

Primeiro porque as tomadas públicas de posição referidas que poderiam por em causa o processo foram feitas pelo próprio presidente a partir daquele famoso post, que agora parece até que não aconteceu, e não por terceiros.

Depois porque um empréstimo obrigacionista que deveria conhecer a sua renovação ou devolução aos investidores teria que estar já praticamente fechado quando faltasse um mês para que tal ocorresse. Se problemas havia, e que agora se confirmam, eles já existiam e por isso não teriam a ver com as tais tomadas de posição públicas de terceiros (Holdimo e PMAG Marta Soares na linha de mira) Já as do presidente, que deram origem a todo o imbróglio, só contariam a partir do momento em que foram proferidas, mas ainda assim julgo não constituiria motivo suficiente para o adiantamento do pagamento das obrigações, bem antes pelo contrário. Era do interesse da SAD dar um sinal de normalidade, o que o adiamento acabou por desmentir, aprofundando os sinais de crise, deixando no ar  de que afinal o discurso das contas exemplares talvez não fosse bem assim.

É muito provável que este adiamento esteja relacionado com a dificuldade de um dos bancos, ou até mesmo de ambos - BCP e NB (ex BES) -  em sustentar o "revolving" do empréstimo obrigacionista de 30 milhões, que entretanto vence. Ambos os bancos têm contas a prestar aos accionistas e o NB em particular apresentou maus resultados muito recentemente [LINK], sendo por isso provável que o Estado, - isto é, todos nós, Sportinguistas ou não - seja de novo chamado a abrir os cordões à bolsa. Uma operação com elevados riscos políticos, é bom de ver.

E finalmente é pelo menos pouco transparente que se salte da posição inicial, invocando aqueles motivos, para ir agora até à possibilidade de duplicação dos valores iniciais,  invocando problemas adicionais de tesouraria e deixando a sensação de que se aproveita o momento de festa para ver se ninguém repara.

Veremos por quanto vai ficar valor final do empréstimo obrigacionista e especialmente como será feito o revolving e por quem. Não seria de todo surpreendente que a recente viagem do vice Carlos Vieira estivesse relacionado com este assunto. Assim como não seria propriamente uma surpresa que, viéssemos a ser confrontados com uma operação de cessão de créditos por parte de um dos bancos ou de ambos, o que poderia contribuir para o agravamento dos custos do crédito, a acrescer aos que já se estão a registar pelo adiamento do pagamento do reembolso no tempo acordado. A possibilidade de o ser o próprio clube a fazer cessão de créditos para abatimento de dívida (a la SLB...) também não pode ser de todo descartada.

Veremos o que irá determinar a AG da SAD agendada para o dia 11 de Maio, especialmente que posição publica irá tomar a Holdimo, até agora parceiro estratégico da SAD. Esta já tinha manifestado o seu desagrado com "o debate público sobre questões internas (...) que é "absolutamente dispensável e atentatória da melhor tradição da marca Sporting, com potencial prejuízo para os ativos da sociedade".

A seguir com atenção.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Jorge Jesus, sim ou não?

O chocar de frente com a triste realidade de que mais uma vez o sonho do título vai ficar adiado trouxe de novo à actualidade o assunto da continuidade de Jorge Jesus. A realizar a sua terceira época consecutiva, o treinador ainda não cumpriu um dos desígnios primordiais que levaram à sua contratação: obter o titulo de campeão nacional, pondo assim fim a mais um longo jejum. Ninguém negará por certo que o objectivo final fosse mesmo o lançamento das bases para uma nova hegemonia no futebol nacional.

Nesta matéria é importante estabelecer desde logo uma importante premissa: seja ele quem for - e mesmo que se chame Jesus - um clube como o Sporting não se pode sentir refém do seu treinador. Seja pelos termos do contrato, seja pelos valores envolvidos, a razão da continuidade não pode nunca ser os números elevados que uma possível rescisão.

A única razão aceitável para tal tem que estar na assumpção da descrença do seu trabalho. Manter um treinador em cujo trabalho se deixou de confiar é o pior dos erros que se podem cometer na condução de um clube de futebol. E os custos desse erro tendem mesmo a ter implicações muito mais sérias e duradouras que uma choruda indemnização.

PONTOS A FAVOR...E CONTRA

Uma outra importante premissa é que as avaliações feitas em momentos de desilusão tendem a ser arrastadas para visões pessimistas, valorizando-se acima de tudo os lados mais negativos e esquecendo-se ou desvalorizando-se os progressos registados, mesmo que estes não tenham sido acompanhados de títulos.  Aqui a pergunta que se impõe é: o Sporting com Jorge Jesus ficou mais forte competitivamente, aproximando-se dos seus rivais? Parece que, mesmo contando com o total fracasso que a época 16/17 representou, que a resposta é afirmativa.

Mas há sempre um "mas". E aqui é importante registar a vertiginosa subida dos custos do plantel. Quem não gosta de Jorge Jesus tem aqui um argumento poderoso. A subida da competitividade leonina estaria explicada naturalmente pela melhor qualidade individual registada no plantel.

A explicação parece redutora, quanto mais não seja por esse estranho facto de aquela que deverá ser a melhor época até agora registada - e apenas na Liga, uma vez que a época não acabou - foi a época mais barata das três. Parece também que a aproximação dos custos era indispensável, pois a qualidade dos ovos está directamente relacionada com qualidade que se obtém nas omeletas. 

Onde parece haver argumento mais válido contra a "filosofia jorgejesuíta" é relativamente à forma como ele olha para uma daquelas que tem sido uma das mais-valias do clube, funcionando como uma das mais vistosas bandeiras e factor de sustentabilidade do clube: a formação. Ainda que considerando a versão mais pessimista - "o Sporting não teria ganho na mesma" - é claro que poderia ter gasto menos com mais ou menos resultados.

Há uma geração de valor muito razoável de jogadores que parece ter passado ao lado do radar do treinador, mas cujas escolhas alternativas pouco ou nada acrescentaram a não ser ao lado dos custos. Jogadores como por exemplo Iuri Medeiros, Palhinha, Francisco Geraldes, Matheus Pereira viram-se preteridos por jogadores sem qualquer valor acrescentado e, pelo menos até ver, têm a sua carreira num limbo.

A resposta dada por eles é directamente proporcional à aposta do treinador: pouco mais que zero. Muito diferente da insistência igualmente inútil em Petrovic, Markovic, Campbell e mais recentemente em Alan Ruiz, por exemplo. As excessivas rotação de jogadores e instabilidade dos plantéis sem que os objectivos procurados sejam facilmente percebidos são outros argumentos de peso contra o técnico.

Há no entanto que considerar que a balança pende ainda para Jorge Jesus. Gélson não é ainda um produto acabado mas é já um valor seguro, Podence viu a sua afirmação bem encaminhada interrompida por uma lesão. Rúben Semedo foi hiper-valorizado, como agora se percebe melhor. E aqui, nos valores das negociações dos passes, é indiscutível que a associação Sporting/Jorge Jesus tem sido proveitosa para o clube. Mérito dividido pela sageza negocial da SAD, mas também pela valorização de jogadores directamente ligada ao trabalho de Jorge Jesus.

É que, mesmo sem chegar aos títulos, a respectiva proposta de jogo é atractiva e desperta as atenções, como se tem visto nos elogios de adversários e imprensa sobretudo após os confrontos internacionais.
Mas não é apenas a percepção de Jorge Jesus relativamente ao potencial da formação que merece ser aprimorada. Até porque o lançamento de Rafael Leão demonstra que o técnico está atento, mesmo que Leão pareça o “último dos moicanos” a merecer a atenção nos próximos tempos… A cooperação SAD / Jorge Jesus parece, também, merecer uma clarificação e aprofundamento.

Depois da carta branca dada o ano passado ao técnico, com os desastrosos resultados que se conhecem, parece haver vontade em ter uma palavra a dizer também nas aquisições por parte da SAD (leia-se Bruno de Carvalho). Uma vontade legitima, uma vez que a responsabilidade ser-lhe-à mais tarde ou mais cedo pedida pelos associados. Mas que não terá bons resultados se não houver trabalho cooperativo entre as partes. A SAD não tem que satisfazer todos os caprichos do treinador mas tem que perceber que, no limite, a sua vontade esbarrará na palavra final do treinador.

REFORÇOS DE "OURO", EQUÍVOCOS DE LATÃO E MUITAS PONTAS SOLTAS

O que sucedeu esta época, particularmente no mercado de inverno, onde as assombrosas afirmações de Jorge Jesus sobre Lumor e a chegada directamente do Brasil para o exílio de Wendell parecem indicar que não era bem aquilo que o treinador esperava como reforços, é irrepetível.

Idem sobre Montero, nome que se repete em sentido contrário ao sucedido na primeira época e cujo erro de avaliação na troca com Barcos pode ser muito bem contabilizado como um factor que acabou por contribuir para a perda de fulgor na procura do titulo. Desencontros e erros de planeamento que deixam muitas pontas soltas, cujo preço acaba por ser pago inapelavelmente por todos os envolvidos.

Não parece contudo que a ligação entre o treinador e clube se tenha esgotado. Mais importante do que procurar atribuir culpas isoladamente a um dos lados, é determinante que se aprenda com os erros e que se reconheça a necessidade de aproximar o planeamento da perfeição. E a programação e planeamento do plantel esteve esta época longe de o ser.

Equívocos na construção do plantel são agora mais fáceis de perceber. O Sporting pode até ter o melhor plantel de sempre - seguramente é o mais caro... - mas ganhará na comparação com os seus rivais? Não nos parece. Nem na qualidade nem, sobretudo na quantidade de jogadores que representam não apenas número mas também oferecem soluções.

A saída de Adrien está ainda por colmatar e não será Battaglia a fazê-lo. É notória uma enorme diferença de valor entre alguns titulares e respectivos suplentes que, ao invés de multiplicarem as soluções fazem crescer os problemas. Veja-se o caso do lateral esquerdo, especialmente quando ainda estava Jonathan e factura que deixou. Mas onde a diferença é ainda mais notória é na frente de ataque. Como foi possível imaginar que o Sporting poderia fazer jus à ambição de leão com apenas Bas Dost como actor principal e Doumbia a figurante? E depois o que dizer de contratações que claramente se afiguravam equívocas como Matheus Oliveira?

ENTRE O RAZOÁVEL, O SONHO E O IMPOSSÍVEL

Não há como dizer de outra forma: face às expectativas e ao vultuoso investimento feito pelo clube e após um ano de estreia fulgurante a passagem de Jorge Jesus pelo Sporting tem-se saldado por um pouco mais, pouco menos que razoável. Perdeu-se a constância do primeiro ano mas mantém-se uma apatia em momentos que depois acabam por ser os momentos chave da época. Por exemplo os estranhos casos com o Tondela de épocas anteriores, o sucedido este ano com a paragem dos relógios no Estoril e os finais de jogos com o Real Madrid e Juventus, só para citar alguns dos exemplos mais paradigmáticos. Uma questão que dificilmente pode ser atribuída ao trabalho do treinador, pelo menos no que diz respeito à sua proposta de jogo, mas que pode remeter para o apronto físico ou mesmo para a gestão de esforço do plantel.

O que já não me parece razoável é medir a manutenção do treinador por metas irrealistas, como a obrigatoriedade de conquista este ano da Liga Europa. O Sporting tem que interromper o ciclo do sonho e passar com urgência para a concretização de metas alcançáveis. Juntar-lhe impossíveis só ajuda a criar equívocos. Isto não é o mesmo que dizer que não deve ter a ambição de chegar à final em Lyon, onde se disputará o derradeiro jogo da Liga Europa, mas não se deve distrair das suas obrigações internas para assumir as responsabilidades que em primeiro lugar cabem ao anfitrião Olympic e seu conterrâneo homónimo de Marselha. Isto se quisermos fazer de conta que não nos apercebemos da presença do Atlético de Madrid, Borússia de Dortmund e Arsenal.

O campeonato mudou, o fosso entre grandes e os outros aprofundou-se. As falhas de pormenor que antes podiam ser corrigidas são agora factores importantes de penalização porque do outro lado têm estado adversários implacáveis. Num primeiro ano muito bom o Sporting viu-se ultrapassado, apesar dos 86 pontos conquistados e este ano registar-se-á algo de muito semelhante. Pode até ocorrer que o terceiro classificado obtenha uma pontuação que lhe daria um campeonato em épocas anteriores. E mesmo sem ganhar o Sporting está mais próximo. A vez de Jorge Jesus e do Sporting há-de chegar, assim saibam ambos porfiar e esperar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O treinador e a estrutura

Aqui ao lado (leia-se para os lados da Luz) os efeitos do resultado esmagador do dérby ainda perduram. A discussão centra-se no trabalho da agora tão invocada "estrutura" e no treinador. Nestas matérias, quando os resultados não aparecem as consequências são sempre as mesmas: a última e a mais pesada das facturas tende a ser paga pelo treinador, entretendo-se a estrutura em estratégias de sobrevivência, leia-se sacudir a água do capote. 

Numa organização saudável os resultados deveriam ser da responsabilidade de todos, quaisquer que eles fossem, mas o mundo aproxima-se mais da perfeição para quem detém o poder. Porém, bem vistas as coisas, o trabalho da estrutura não passa, na maioria dos casos, de manobras de diversão, uma vez que é ela a primeira e a última responsável pela escolha do treinador. No caso concreto -  a com escolha de Rui Vitória - são manobras de grande dificuldade, pois o que agora está a acontecer só espanta os mais distraídos. 

É fácil de perceber que a substituição de Jorge Jesus, pelo tempo e pelo êxito obtidos, seria sempre difícil. No entanto, quando a opção recaiu no ex-treinador do Vitória de Guimarães, a opção foi pelo risco e pela ruptura, tantas são as diferenças entre ambos. Estas vão desde factores secundários, mas não negligenciáveis, como a personalidade - será que o discurso de Rui Vitória está a ser facilmente assimilado pelos adeptos benfiquistas? - mas que se centram sobretudo no modelo de jogo que o treinador trazia consigo. O que foi quase perfeito para um Vitória de Guimarães em recuperação financeira pode não ser para um clube com a responsabilidade do SLB e a viver um período de reafirmação. Algo que nós já tínhamos percebido quando fomos buscar Paulo Sérgio à mesma origem, com os resultados que sabemos. 

Não é por acaso que a anteriormente tão incensada "estrutura" desferiu quase de imediato um forte ataque ao seu ex-treinador e ao Sporting: percebeu que dificilmente deixaria de ser imputada a responsabilidade da saída de JJ e que esta significava duas derrotas em simultâneo: enquanto saía mas fraco da perda, o rival de sempre, nós, encurtávamos distâncias de forma drástica. Talvez o equivalente mesmo a queimar uma série de etapas que uma aposta sustentada de crescimento mas mais demorada poderia proporcionar.

Apesar da rivalidade que nos separa, não me custa reconhecer que o trabalho desenvolvido por LFV na recuperação do SLB é sem dúvida notável, atendendo sobretudo ao ponto de partida. Os meios postos à disposição do clube, nomeadamente na aquisição de jogadores,  foram determinantes para o sucesso obtido. Mas a saída de JJ e a respectiva substituição demonstra que uma importante parte dos factores que conduziram o clube ao êxito já não moram lá e se transferiram para o lado do Sporting: Jorge Jesus. De tal forma que se pode perguntar se com Rui Vitória alguma vez o mundo futebolístico conheceria hoje os nomes de Gaitan, David Luiz, Ramirez, Di Maria, Enzo Perez, Witsel, Matic, Markovic ou Coentrão, mais as somas astronómicas das respectivas transferências.

Como sabemos, o Sporting passa por um período de paulatina recuperação. Se há mérito indiscutível a assinalar na liderança de Bruno de Carvalho é a da escolha dos treinadores. Todos os escolhidos têm uma responsabilidade indiscutível na recuperação desportiva do clube, conseguindo obter pelo menos os "mínimos olímpicos" no que a resultados diz respeito. 

A recuperação desportiva está indubitavelmente relacionada com a recuperação financeira e com a taxa de aprovação de Bruno de Carvalho entre os associados. Porque o que um clube como o Sporting tem que oferecer aos seus sócios e adeptos são as emoções – a relação com o clube é 99,9% emocional - que só as vitórias proporcionam. 

A chegada de Jorge Jesus pode representar uma rápida mudança de era no futebol do Sporting. mesmo considerando de forma responsável que vivemos uma era de vacas magras e incerteza, que não permite investimentos avultados como os que teve no clube anterior. Este momento tem porém pelo menos uma virtude: obriga o treinador a olhar para "o que a casa dá", isto é, a formação. É isso que tem acontecido, com jogadores como Gélson, Matheus, Mané e Esgaio a acumularem minutos. O mesmo se pode dizer com os progressos que se registam no jogo de Adrien, Slimani, e sobretudo de João Mário. 

Isto não invalida que recaem sobre a administração pesadas responsabilidades. Tais como a de aportar mais e melhores meios - financeiros e de carácter organizacional - que permitam sustentar o crescimento e de forma a prever e acautelar atempadamente as saídas de jogadores-chave que a inevitável cobiça alheia tenderá a provocar.  E que, de igual modo, permitam sustentar a indisfarçável ambição do nosso actual treinador, rentabilizando-a como um factor de crescimento.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

BES: um credor em apuros pode contaminar o Sporting?

Quando começaram os primeiros rumores sobre uma crise na holding empresarial não financeira do grupo BES comecei a escrever o presente artigo. Porém, rapidamente se percebeu que a doença era maior do que parecia e a forma virulenta como se espalha leva a recear o pior. O artigo, já extenso, ficou reduzido às presentes linhas, por grande parte do que aí era explanado ter perdido actualidade ou deixar de fazer sentido.

Como grande parte dos Sportinguistas saberá, o Sporting, no inicio da gestão de Bruno de Carvalho, concluiu um acordo de reestruturação financeira, cujo âmbito é seguramente mais complexo e cuja total amplitude me escapa. A mim e creio que à maior parte dos Sportinguistas porque, de forma básica mas realista, a génese da nossa ligação ao clube não foi nem nunca será a discussão de relatório e contas, participações económicas, reestruturações financeiras. Se o fazemos é por necessidade de compreender uma parte vital da vida do clube, desde sempre mas cada vez mais ligada à sorte que se joga entre as quatro linhas.

Na sua essência, a reestruturação financeira visava restabelecer o rácio de solvabilidade do clube, com o aumento dos capitais próprios, sendo para tal determinante a integração da participada SPM na SAD do clube. Especulou-se também sobre um possível hair-cut sobre o passivo detido pelos credores - BES e BCP - o que não vi confirmado em lado nenhum, mas cuja possibilidade tanto agitou os nossos rivais...

A fusão da SPM, detentora do Estádio José Alvalade, era também um instrumento vital para a manutenção da maioria do capital da SAD, mesmo depois da conversão das famosas VMOC's em capital. Toda a operação era também crucial para o cumprimento das normas de fair-play financeiro que a UEFA obriga.

Nesse acordo seguramente que ficaram firmadas as condições de financiamento de tesouraria pois, ao contrário do que é o mito do papão dos bancos na blogosfera - aliás muito semelhante a outros, como os empresários, os fundos, etc. - são eles que permitem a liquidez necessária para satisfazer grande parte dos compromissos assumidos. Esta não será uma realidade exclusiva do Sporting, estende-se também aos seus rivais, com as devidas diferenças ditadas em função da especificidade de cada um dos clubes.

No ponto actual do processo desencadeado pela crise no grupo BES é ainda demasiado cedo para perceber que implicações reais possam vir a incidir no relacionamento credor/cliente. Porém, há uma evidência preocupante: o terramoto que está a fazer tremer o grupo surge num momento em que a reestruturação financeira não está concluída uma vez que a supracitada fusão da SPM na SAD está ainda por fazer. 

Lembre-se que a fusão foi aprovada há mais de um ano pelos associados na  AG de 30 de Junho de 2013. Várias vezes foi afirmado, quer directa, quer indirectamente, que havia sido requerida a isenção de impostos, (valores próximos de 500 mil euros), ao ministério da Economia e que, essa isenção estava ainda pendente. Esse pedido de isenção pressupunha o acompanhamento de um documento da Sec. de Estado da Cultura - não era suposto que os dois ministérios dialogassem entre si, ao invés de o requerente ter de andar a penar entre ministérios? - de forma a que os impostos de selo e IMT não fossem tributados ao clube. Esta semana o jornal "O Jogo" estimava que o processo estivesse concluído em Setembro, embora não justificasse o prazo. Atendendo a que grande parte do País, instituições oficiais incluídas, se apresta para fechar e ir a banhos, talvez esteja aí a razão.

É este o documento que faltará para completar o processo de fusão e por sua  vez a reestruturação financeira se tornar definitiva e os seus termos e consequências entrarem em vigor. Mas, passado um ano da sua aprovação em AG, é legitimo perguntar porque é que este processo, de vital importância para o clube, se arrasta há tanto tempo. É apenas este o documento em falta ou há ainda outras condicionantes para satisfazer? Quando foi requerido o referido documento à Sec. de Estado da Cultura e quanto tempo é legitimo esperar ainda mais sem qualquer resposta?

Num cenário de derrocada do BES, que não se pode, em bom juízo, afastar, o valor em dívida pelo Sporting àquela entidade bancária seriam a menor das preocupações para nós, num primeiro momento. Esse seria primeiro um problema dos credores do banco. Mas uma hipotética interrupção de disponibilidade do banco teria como resultado a falta de liquidez de tesouraria. Isso sim, seria um problema sério talvez represente, no actual cenário, um perigo real. No momento actual seria um pesadelo para a actual gestão ter que encontrar uma alternativa para os serviços agora prestados, sabendo como se sabe das dificuldades da generalidade das entidades que concedem crédito. 

Se uma catástrofe como a invocada - a derrocada do BES - se pode considerar um fenómeno extremo, de ocorrência improvável, já uma degradação paulatina da solidez do banco e, consequentemente do nível dos serviços que presta, é mais do que razoável esperar. A questão que se coloca é se tal impedirá a total satisfação do acordo de reestruturação feita com o Sporting. Poder-se-á pensar: "certamente que há documentos assinados e o clube tem constituída uma posição sólida perante um possível incumprimento".

Sendo isto verdade, não é menos verdade que a história documenta situações semelhantes cujo cumprimento nunca chegou a ter lugar, seja da parte de credores, seja do lado dos devedores. E, verdade seja dita, para tal acontecer, tanto faz que reestruturação esteja ou não fechada. Uma situação a acompanhar com alguma cautela. Até porque as consequências do que está a suceder no BES nos poderão atingir de diversas formas e ângulos sendo que, pelo que o Sporting representa para os Sportinguistas, as noticias dos últimos dias estão longe de ser boas para nós, mesmo que não representem um perigo eminente.

Falar do BES é falar também da accionista da SAD, a Holdimo, cujo principal accionista é Álvaro Sobrinho, de certa forma também ele envolvido no vórtice do BESA (BES Angola). Com dois lugares assegurados na SAD, por força do favor concedido ao clube - não há como vê-lo de outra forma -  de que também é sócio e adepto, quando aceitou a troca dos passes de jogadores por capital, voltamos a ouvir falar dele há dias. Tal como havia sido prometido, entregou um autocarro novo e a brilhar, constituindo a surpresa da noite na recente gala. 

Faltará, para fechar o circulo do que foi prometido, a bancada nova na Academia, para que o anunciado mini-estádio, onde os jogos da equipa B e demais formação, terão lugar seja realidade. Atraso que não lhe poderá ser assacado uma vez que o clube, em noticias recentes no site, assumiu a responsabilidade, dando conta primeiro da falta dos estudos de viabilidade de solo e, mais tarde, dos respectivos projectos de arquitectura e respectivo licenciamento.

Com 20% da SAD, Álvaro Sobrinho é um nome que seguramente aparecerá inscrito nos próximos capítulos da sociedade que gere o futebol. Veremos que consequências que a sua elevada exposição ao BES terá nesse relacionamento, esperando obviamente que nenhuma delas afecte a ligação ao clube ou prejudique este.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Contas das SAD's: uma pouco austera mas apagada e vil tristeza

A entrevista de Luís Filipe Vieira foi indubitavelmente um excelente momento de comunicação para o clube a que preside.  Lançar a dúvida sobre os vizinhos ou demais rivais foi obviamente um momento estudado para desviar a atenção das contas do seu próprio clube. Porque, apesar dos resultados recentemente comunicados, ninguém terá grandes dúvidas que o passivo acumulado é monstruoso e a aposta feita no título dificilmente proporcionará receitas para se chegar ao sempre ansiado break-even point. Isto é, sobrarão para os próximos anos facturas para pagar da festa feita este ano.

Para que se seja claro não há nas contas do clube da Luz nada que não possa ser observado nas dos seus concorrentes, Sporting incluído. As contas das SAD's dos clubes estão longe de serem um orgulho para os respectivos clubes e também a uma larga distância de cumprirem um dos objectivos primordiais que presidiram ao seu aparecimento: a transparência. Apesar das publicações periódicas a que estão obrigados, continua-se a não se saber muito bem quem deve e quanto. 

O titulo de campeão que Luís Filipe Vieira tanto afã demonstra em nos atribuir está longe se poder afirmar taxativamente que nos pertence. Há no entanto um aspecto que urge contrariar: o de sermos o clube cujo o passivo é mais oneroso quando avaliado no rácio preço por cada titulo desde o inicio das SAD. Este era um campeonato liderado com honra e distinção pelo clube de Luis Filipe Vieira, mas que os últimos títulos sob comando de Jesus deve ter alterado. 

O passivo torna-se preocupante precisamente quando não encontram as razões para o seu crescimento. Infelizmente este é um tema muito conhecido entre nós precisamente pela falta de êxito, um tema que este ano voltou à agenda portista precisamente pelas mesmas razões. 

Num âmbito mais específico da evolução bolsista das SAD's de todos os clubes, o Expresso publicou no passado dia 25 de Abril um artigo de análise que hoje se torna ainda mais interessante de ler, pela reintrodução do tema na actualidade. Mais tarde ou mais cedo os clubes, isto é, os seus adeptos, terão que reflectir seriamente sobre a validade de um clube ter acções cotadas em bolsa sem que disso este retire vantagens palpáveis.

O falhanço dos projectos das SAD's pela falta de liquidez e interesse dos investidores




Evolução das cotações: desde a sua constituição as acções da SAD do SLB desvalorizaram 51%, as do FCP 90% e as do Sporting 84%


Accionistas de referência: as diferenças também se notam em cada cor

As multas da CMV


quarta-feira, 6 de março de 2013

Eleições 2013: o(s) investidor(es) e sim ou não à maioria do capital da SAD


Nota introdutória
É uma das perguntas que mais me ocorrem nestes tempos conturbados em que vive o Sporting: se tivesse em idade de escolher voluntariamente o meu clube voltaria hoje a escolher o Sporting? 

É uma pergunta que, de forma honesta, não consigo responder afirmativamente. Este Sporting de hoje afastou-se em muito do Sporting de cujos valores me identifiquei. De um Sporting do qual me enamorei como um adolescente, exaltando-lhes apenas  as qualidades, até construir um amor que hoje não renega nenhuma das suas cicatrizes, que se tornou incondicional. 

Quando me refiro ao "Sporting de hoje" refiro-me ao universo que vai do sócio mais "notório" ao adepto anónimo, incluindo por isso dirigentes e adeptos. Talvez incorra num erro de paralaxe, valorizando excessivamente a parte mais visível de um todo, o lado mais irracional, muitas vezes irresponsável e quase sempre truculento que ganhou voz com as redes sociais.

Foi essa ferida na identidade que me levou a ponderar deixar escrever no blogue na sequência das eleições de há dois anos. E foi a percepção da excepcional fragilidade em que o clube mergulhou, confirmada pela trajectória recente e agravada por uma conjuntura externa também desfavorável que me obriga agora a olhar com responsabilidade para cada letra que escolho quando me disponho a escrever sobre o Sporting.

As SAD´s e a necessidade de investidores
Estamos já longe do advento das Sociedades Anónimas Desportivas, do êxito que foram o lançamento das suas acções no mercado secundário de acções e da terra do pão e do mel que então se prometia. A necessidade de novos investidores sem cumprir as promessas aos que inicialmente acorreram às OPV's é o reconhecimento do falhanço da gestão e não tanto do modelo.

Paradoxalmente o Sporting, seu percursor, foi, de todos, o clube mais penalizado e isso tem uma explicação muito mais prosaica do que as intrincadas teorias que tantas vezes animam as discussões entre os adeptos: o Sporting mudou quase tudo menos o essencial para ter êxito: a qualidade da sua gestão desportiva, sendo, em simultâneo, incapaz de se opor ou defender das consequências da guerra bipolar latente no futebol nacional. O Sporting vive hoje penalizado pela sua inaptidão e arcando com danos colaterais de uma guerra de que sempre fugiu por não perceber ser uma parte interessada.

A ideia de um investidor tornou-se tão apelativa como o regresso do Messias, como se a entrada de dinheiro, por si só, resolva os problemas. O que, como já vimos anteriormente, está longe de longe de constituir uma dedução lógica. E remete-me também para as questões de identidade que me são muita caras.

O que eram as minhas dúvidas expressas acima são agora mais certezas. Se o Sporting fosse hoje um Chelsea, um Manchester United ou City, um PSG ou qualquer outro clube que agora foi "posto com dono", e eu estivesse em idade de escolher o meu clube, o apelo irresistível ou fascínio seriam muito difíceis de ocorrer. Há neste conceito uma contradição insanável com a matriz associativa à qual o clube deve tudo o que hoje é, e é muito, como sabemos. 

Até que ponto podemos e devemos abrir mão dessa identidade e que preço teremos a pagar por ela é a questão que fica. Não menos importante é saber se esse é o caminho inevitável.

A crueza da realidade
Os dados do passivo acumulado da SAD esticam ou encolhem consoante quem os invoca. Mas, servindo-nos de valores redondos para ilustrar a situação dramática, se o passivo for de 300 milhões de euros e o universo dos Sportinguistas (adeptos e sócios) for de 3 milhões, tal equivale a uma factura individualizada de 100 euros. Se considerarmos apenas os cerca de 30 mil sócios pagantes o número atinge a grandeza pornográfica de 10.000 euros a cada um. As simples operações aritméticas com as parcelas dos activos e do passivo aprofundam ainda mais um cenário arrepiante e complexo.

Investidor ou investidores, não há um modelo único
Fala-se muito na necessidade de um investidor, em similitude com o modelo dos clubes supracitados, mas podemos estar a falar também de um grupo de investidores associados. Encontrá-los ou vê-los surgir à porta de Alvalade com uma mala cheia de dinheiro é que já é mais difícil de suceder. A actual conjuntura em que está imersa a SAD, a exiguidade do mercado nacional, por comparação com outros de atractividade mais luzidia, estão longe de ser muito apelativos para quem quer ganhar dinheiro. 

Acresce  a tudo isto que a generalidade das experiências conhecidas estão longe de representar sucesso para clubes ou investidores em simultâneo. Manchester e Chelsea têm conhecido êxito, o City também, mas mas menos, e todos sempre à custa de um dispêndio insano de dinheiro que não custa a ganhar. Excepção talvez seja a do United, onde os irmãos Glazer, servindo-se de engenharia financeira refinada, têm sacado  algum. No mais, o sonho de rapidamente se colar aos da frente, vendendo a alma se preciso for, é hoje o pesadelo dos adeptos de QPR, Portsmouth, Leeds, Birmingham e alguns outros.

Com GL o Sporting encontrou parceiros com quem dividir os riscos de investimento, os fundos, mas o falhanço desportivo e a nova legislação do vesgo Platini, condicionará ou anulará novas possibilidades no curto prazo.

Mas as possibilidades não se esgotam aqui. Por força da sua capacidade de formar jogadores com um rácio de qualidade/quantidade acima da média o Sporting tem na sua formação um filão muito atractivo, como se constata pelo enxame de empresários que de forma quase diária sobrevoam Alcochete. Não falta pois quem salive de cobiça sobre as futuras pérolas. O problema está em encontrar uma equação que permita a partilha dos riscos e dos lucros em partes iguais, de forma a que não tenhamos que roer os ossos enquanto outros se alambazam com o filet mignon.

Sim ou não à maioria da SAD
É já tarde para dar um passo atrás no tempo, discutindo se sim ou não à SAD. E também não me parece estar provida de um grama de realismo a discussão da retirada das acções de bolsa e o regresso ao modelo anterior que, é bom lembrar, também não estava a ser uma fonte de sucesso...

Mas também me parece desprovido de sentido ter uma SAD para possuir a quase totalidade das acções. E ainda pior parece não dispersar o capital tendo tanta necessidade de liquidez. 

Por isso tão importante como saber se deve manter a maioria do capital da SAD é saber se  o seu controlo permanece no clube e os investidores respeitam valores essenciais e identitários em qualquer dos cenários. É que vejo muita preocupação em perder o controlo da SAD, cedendo a maioria do capital. Mas o perigo de perder o seu controlo - isto é o centro da tomada decisões - cedendo apenas uma pequena parte, é também grande, com a agravante de representar menos entrada de capital, tornando-se numa operação barata para quem investir. É que não vejo quem se disponha a abrir a carteira sem ter uma palavra a dizer, e que, aos poucos, não queira que esta seja a última.

De fora da análise fica um dado importante que é importante reter. Quem vê o Sporting de fora constata uma enorme volatilidade de modelos, pessoas e lideranças. Neste momento, ao invés de um clube histórico com um enorme potencial de sucesso, o Sporting transmite aos seus potenciais investidores uma imagem que se assemelha em muito ao famoso triângulo das Bermudas. Se não elimina à partida o lote de investidores, condiciona de forma decisiva a sua qualidade. Aliar isto ao estado de extrema necessidade em que o clube se encontra leva-me a temer más noticias para breve.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Da infelicidade e incompetência à bovinidade

2 notas breves sobre dois temas que não podem ser deixados passar em claro: 

1- a forma como o Sporting conduziu os acontecimentos relacionados com o adiamento do jogo da Liga Europa e o consequente agendamento do derby.

2- a reclamação apresentada junto da Liga de Clubes por causa dos comentários de um delegado da Liga, de seu nome Jorge Vacas, no Facebook.

O Sporting e o agendamento do derby
Sem necessidade de me desdizer relativamente o post anterior, é claro que a SAD do Sporting não conduziu bem este processo. Apesar de continuar a pensar que o regulamento é absurdo e sujeito a várias interpretações, o Sporting não só não devia ter invocado o regulamento errado - as competições internacionais -  como não não podia fazer afirmações que estava seguro de não poder cumprir, tais como "não estando cumpridas as 72 horas regulamentares, o Sporting não jogará segunda-feira à hora que estava inicialmente aprazada para o início do 'derby". 

O Sporting poderia ter dito apenas  ao invés de ter reagido de forma impensada e quase sanguínea,  que iria tomar uma posição relativamente à matéria, depois de consultados os regulamentos e até a Liga. Com isso evitaria ter falado grosso e agora piar fininho.  Espero que a lição tenha sido aprendida. Erros todos cometem, só os incapazes os repetem. 

Do que isso resulta para a vida interna do clube, cada um que faça o seu próprio juízo. A mim preocupa-me que a imagem pública do Sporting saia fragilizada, como é comum sempre que alguém ou alguma instituição que nos é querida não está à altura das suas responsabilidades e pergaminhos. Mas também porque, ao proceder desta forma, o Sporting fica numa posição de fragilidade para exigir às demais instituições com quem tem que interagir - clubes, associações, sindicatos, Liga e FPF - rigor e assertividade que não pratica.

Mas há que ter bem presente o seguinte: com isto o Sporting prejudica-se apenas e só a si mesmo. Essa contabilidade, de perdas e danos, deve ser executada em devido tempo e no local apropriado pelos sócios do Sporting. Não se justifica por isso a veemência - ou devia dizer a violência? - de algumas análises feitas sobre o tema, em particular a de Luís Sobral, MaisFutebol. Onde estava e o que disse este senhor sobre os graves problemas que de há muito inquinam a indústria do futebol? Ou conhece-se-lhe tanta indignação nos erros cometidos aqui e ali, que são muitos e até mais graves, dos nossos rivais e adversários?

Vacas há muitas, mas nem a todas vemos os cornos
Um tal Jorge Vacas terá escrito no seu mural do Facebook algo como isto: «Cabecinhas pensadoras. Sporting faz as contas e prefere perder por falta de comparência (3-0), do que sujeitar-se a jogar e levar mais.» Até aqui nada de anormal, vemos todos os dias coisas semelhantes e por vezes até de maior gravidade e por vezes da autoria de Sportinguistas. Acontece porém que este senhor é delegado da Liga e tem por isso, entre outros deveres, o do recato e da isenção. 

A Liga, ao que parece, já decidiu suspender o seu colaborador mas, sem um registo do que tem sido a actividade deste senhor, interrogo-me se, face a esta "equidistância" relativamente ao Sporting - e em todo semelhante à postura do nosso "amigo" Luis Sobral - quantas vezes terá este "senhor" "ajudado" o Sporting.

Isto também nos remete para o papel dos delegados da Liga. Por comparação com o foco dado ao trabalho dos árbitros e assistentes, exercem funções em regime de quase clandestinidade  Têm, no entanto, a poder de interferir nas classificações dos árbitros e com isso decidir quem progride - e acede, por isso, às melhores alcavalas - e quem vê as suas ambições frustradas.

Quem os recruta, quem lhes outorga o poder que detêm e que escrutínio é feito do seu exercício ou até das suas habilitações para o cargo? 

Talvez um dia o Sr. Luis Sobral nos queira oferecer uma das suas crónicas sobre este e outros temas candentes que, pelas suas implicações, afecta não apenas o Sporting mas todo o futebol português.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Vercauteren, mais um nome para a revolução


Começam a ser conhecidos os nomes propostos por Godinho Lopes para a recomposição da SAD, após o abandono de Luís Duque e Carlos Freitas. O presidente assume a responsabilidade directa do futebol, Paulo Farinha Alves assume o cargo de Director do Futebol Profissional, Silva Costa é dado como provável e a qualquer momento surgirá a confirmação de Vercauteren como o novo treinador da equipa principal até ao final da época.

Não tarda que os nomes propostos sejam sujeitos a um intenso escrutínio e não terminará o dia sem que muitos deles estejam já no cadafalso das opiniões. Seria assim caso o treinador fosse Mourinho ou até Guardiola, para falar dos que constituiriam a unanimidade na generalidade dos clubes excepto, claro está, no Sporting. Se essa é uma característica cada vez mais reconhecida por todos nós como já fazendo parte da nossa identidade, não se pode dissociar o facto de estas decisões estarem a ser tomadas por um presidente cuja capacidade de liderança e de assertividade estão completamente postas em causa.

A pergunta que mais ocorrerá aos Sportinguistas no momento é “o que percebe esta gente de futebol?” Em particular, claro está, sobre aquele que será o director profissional, Paulo Farinha Alves. Além de ser advogado sabe-se que também que integra o órgão de disciplina da AF Lisboa, mas ambas as qualificações dirão pouco das suas habilitações para dirigir homens e tomar decisões. 

Por outro lado não podemos deixar de nos confrontar com a saída de Luis Duque e Carlos Freitas, nitidamente por, pela ausência de resultados, verem postas as suas decisões em causa. Goste-se ou não são dois nomes incontornáveis nos títulos mais importantes alcançados nos últimos anos e, aquando da sua nomeação,a muitos pareceram decisões correctas. Como elogiadas foram então as medidas tomadas na construção do plantel do ano passado e, em larga medida a deste ano, descontando a questão do ponta-de-lança. O mesmo se dirá da escolha do treinador Domingos. Tanto assim é que ainda hoje há quem seja capaz de defender o seu regresso.

A virtude das decisões devem ser apreciadas no momento em que são tomadas porque ser profeta do passado é fácil mas não tem nenhum mérito ou merece credibilidade. Não seria pois mais importante tentar perceber porque se tomaram boas decisões e se falhou, ao invés de partir para a incorporação de novos protagonistas?

Voltando aos novos protagonistas, a pergunta que eu faço vai um bocado mais longe: 

Quem é que, no universo do Sporting, estaria hoje melhor habilitado para as funções? 

Ou um pouco mais longe ainda: quem é que se disporia a abandonar uma profissão para abraçar um projecto  (cuja existência faz todo sentido questionar, à luz do que tem sucedido) em nítida falência? 

Cada um responderá como quiser, para já eu prefiro acreditar que quem dá um passo em frente o faz pelas mesmas razões que qualquer um de nós se disponibilizaria: por amor ao clube e por vontade de poder ser útil e contribuir. E, porque não, retribuir também a honra inestimável de ser Sportinguista de todos os momentos.

O que foi dito acima remete-nos para uma realidade muitas vezes ignorada na hora analisar o porquê de tantos erros que redundam em fracassos. O Sporting é uma referência mundial na formação e jogadores, mas é exactamente o inverso no que à formação de dirigentes e gestores desportivos diz respeito. Tem preferido a ruptura ao primeiro fracasso, o recomeçar do zero após o primeiro revés, deitando fora de uma penada o trigo e o joio. Já me havia referido aqui anteriormente a este aspecto na semana passada, no post "Sporting, um clube em permanente reconstrução".

Há alguma instituição que se tenha constituído como referência seguindo este modelo? Não creio e, a menos que consigamos alterar radicalmente esta forma de proceder, passaremos o resto do tempo seguindo o actual 'on-the-job training' e, salvo uma conjunção muito favorável das estrelas, obtendo os mesmos resultados. Isto seja quem for o presidente ou direcção.

De notar que já assim se havia procedido aquando do abandono de Paulo Bento. Nessa altura não saiu apenas a equipa técnica, saiu Ribeiro Telles e Pedro Barbosa, que havia substituído Carlos Freitas há pouco tempo na direcção desportiva. Tudo acabaria por redundar na demissão de Bettencourt. No Sporting o processo mais comum não é debater os problemas, procurando soluções. Este é normalmente substituído pela procura dos culpados, afastando-os, como se os erros lhes fossem exclusivos e partissem com eles. Infelizmente não é assim tão fácil.

Vercauteren é o homem que se segue. Não conheço o suficiente do seu trabalho - para lá de saber que foi campeão no Anderlecht (normal) e no Genk (muito mais difícil) - para me pronunciar sobre o acerto da escolha. Foi um grande jogador, lembro-me bem. Compreendo que depois de tanta desilusão e dispêndio de recursos com treinadores como Domingos e Sá Pinto não se ofereça mais do que um contrato até final do ano. Mas temo que, mais uma vez, quando o treinador perceber melhor toda as especificidades do clube e do futebol português já não esteja cá... Boa sorte Vercauteren!

P.S.- Não é apenas na formação que nos tornamos uma referência. O Sporting continua a ser um clube onde tudo se sabe. Quando os comunicados chegam à CMVM já tudo se sabe já tudo foi amplamente debatido e escalpelizado. Já "toda a gente" sabia que Luis Duque ia sair, não se sabia era quando e como. Há dias alguém me perguntou se Paulo Alves era opção para o Sporting. Hoje sei que era, mas não para teinador. Era Paulo Farinha Alves.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Freitas e Duque já eram

Godinho Lopes sucumbiu aos pedidos de sangue e acaba de demitir de uma só penada Carlos Freitas e Luis Duque. Um erro que pagará caro porque é o nome dele que se segue na lista uma vez que, com este desfecho, é natural que a legitimidade do cargo que ocupa seja colocada em causa. É que Luis Duque foi uma das suas bandeiras eleitorais e formava com Carlos Freitas os pilares da SAD. 

Apesar de já se adivinhar convenhamos que não é um espectáculo bonito de se ver.

E depois do adeus (à Taça)?

Estive ontem em Moreira de Cónegos e não fiquei surpreendido com o resultado. Nem com a exibição. Surpresa seria se, face ao que a equipa vinha produzindo, fizéssemos uma exibição de encher os olhos. 

Agora importa pouco falar sobre a justeza do resultado, o facto, incontestável e doloroso, é que estamos apeados da Taça de Portugal na primeira eliminatória e ante um adversário perfeitamente ao nosso alcance.  Naturalmente são muitos hoje os diagnósticos, que vão da qualidade do plantel até às responsabilidades da SAD.

As dúvidas sobre a qualidade do plantel são naturais quando se acumulam resultados negativos ainda por cima com adversários do calibre do Moreirense ou Rio Ave. Mas, por muitas que sejam essas dúvidas, e por mais legítimas que possam ser, não me parece que o problema esteja aí. Neste momento quase nenhum dos jogadores do plantel joga a mais de 30% (valor meramente abstrato, sem rigor) do que é capaz e isso faz parecer que qualquer jogador adversário teria lugar no Sporting. Este equívoco já nos foi fatal no passado, quer na hora de dispensar quer na hora de contratar.

Serei dos poucos que, pelo menos até ontem, cria que o nosso principal problema tem origem em questões técnicas, relativas à concepção do modelo de jogo e muito provavelmente no treino e respectiva operacionalização. Problemas que se arrastam desde o inicio de época, que redundaram na saída de Sá Pinto e não era crível que Oceano os resolvesse em duas semanas. Depois do jogo de ontem visto in loco, parece-me claro que a questão psicológica é um factor a ser também trabalhado. É nítida, e também compreensível, a falta de confiança dos jogadores na hora de decidir, e que os leva a valer muito menos do que podem.

E seria inevitável não ver posto em causa o trabalho da SAD. Não foi por acaso que a frase mais ouvida ontem na bancadas fosse "tiveram 15 dias para contratar um treinador e nada". Isto dentro das que são publicáveis, obviamente. Sobre isso pronunciei-me no post anterior a que se seguiu um silêncio voluntário. Hoje ainda mais sentido me parece apontar a indecisão da substituição do treinador como erro grave e  aos mais variados níveis.

É sobretudo um erro estratégico que desde o inicio desprezou todas as variantes possíveis, entre as quais se deveria incluir o que sucederia após o jogo de ontem. Não há nenhuma garantia de que um novo treinador garantiria outro resultado mas pelo menos os Sportinguistas teriam ficado com a ideia de que se tinha feito algo. 

A sensação que foi apreendida pela maioria - que é a conta - é que a SAD e o presidente não tinham uma ideia para o dia seguinte à tomada de decisão de despedir Sá Pinto  e por isso o controlo do que vai suceder a seguir pode já estar fora seu alcance. À imagem de desnorte fica associada a de orfandade da equipa num momento particularmente sensível. Ontem, quando o autocarro da equipa abandonou o estádio, não se avistam responsáveis da SAD, já a caminho de Lisboa há algum tempo. Não surpreende por isso que já decorra há alguns dias recolha de assinaturas para convocação e uma AG com vista à convocação de eleições. Veremos o que vai acontecer mas ao escolher o presente caminho não duvido que GL alienou não só muitos indecisos como também muitos apoios.

Devo ser dos poucos que não vejo nas eleições como a solução para os problemas que afectam neste momento, e de há anos para cá, o nosso futebol e que se repercutem em cascata, ou circulo vicioso se preferirem, por todo o clube. E porquê?

Não é de agora, é já de há muitos anos, que não emerge no Sporting uma liderança forte e carismática, o que contribui para uma pulverização de grupos, de ideias mais ou menos dispersas, ao som do momento e muito em função dos resultados. Não há quem personifique no Sporting um discurso inspirador e uma figura aglutinadora. Se da SAD estamos conversados o que dizer da figura patética de um PMAG, simultâneamente paineleiro, colunista e sei lá que mais, anunciar que "vai apertar o Godinho", proclamar publicamente a iminente extinção do clube e que convoca um Conselho Leonino onde nem sequer estará presente? Esta é um pouco a imagem do Sporting actual: muita gente disposta a falar e poucos com vontade de contribuir para um momento melhor.

Julgo que o ambiente vivido nas anteriores eleições nos devia ter ensinado algo. É muito provável que assistamos à mesma profusão de candidaturas e no final, com resultados mais ou menos próximos, se construa a mesma suspeição e, no final de contas, estejamos mais ou menos no mesmo ponto onde estamos hoje. Mas, como sempre, serão os sócios a tomar as decisões. E é cada vez maior o número dos que acham que está na altura de baralhar de dar de novo.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quando o treinador é um Oceano de problemas

Não é fácil perceber que objectivos procurou atingir a SAD quando despediu Sá Pinto de forma tão apressada, para depois deixar a equipa principal a cargo de um interino, a ganhar contornos de definitivo a cada dia que passa. Se com isso pretendia dar a impressão de estar como o tolo no meio da ponte, que é a pior das imagens que um decisor pode projectar, o objectivo está plenamente alcançado.

Voltando um pouco atrás, continuo sem perceber a pressa de despedir Sá Pinto, e o jogo no Dragão serviu apenas para confirmar o que aqui fui antecipando: uma chicotada psicológica, naquelas circunstâncias, era mais provável de funcionar ao contrário do pretendido. A forma melancólica como a equipa esteve em campo confirmam-no. Não vou especular que com Sá Pinto o resultado podia ser outro, até porque pareceu que FCP tinha o resultado seguro à prova de qualquer risco. Mas correr apressadamente com Sá Pinto, como se ele tivesse uma doença contagiosa, para depois deixar no seu lugar Oceano, é uma estratégia (?) que está para lá da minha compreensão, e julgo que nisso devo ser acompanhado da maior parte dos Sportinguistas.

A questão da estratégia é fulcral nesta matéria. Ela pode ser a melhor mas, não sendo perceptíveis os objectivos que se perseguem, esse começa por ser logo como o primeiro factor a concorrer para a sua falha. Há rumores que dão a entender que o Sporting já terá feito a sua escolha, mas o treinador pretendido não está livre no momento, só podendo abraçar novo compromisso no inicio da próxima época. Mas há também muitos outros rumores, que vão desde a dissensões no núcleo duro (Godinho Lopes, Luís Duque, Carlos Freitas) às noticias de recusas mais ou menos humilhantes, mesmo que nem se tenham feito convites sequer.  E os rumores provocam desgaste, ansiedade e ruído que em nada ajudam neste momento muito particular.

Desses rumores não me surpreenderia que o do abandono de Carlos Freitas fosse verdade. Vem de um profissional e qualquer profissional sabe que a dúvida é pior dos caminhos na solução de uma crise. E sabe por isso as consequências que ela tem num grupo de trabalho, que ainda por cima leva a segunda época a ser castigado pelos resultados. O que pensam os jogadores quando recebem ordens de um treinador que não sabem se estará lá no dia seguinte?

Ao contrário dos muitos diagnósticos feitos pelos comentadores sempre à mão, parece-me que o Sporting tem começado a falhar pelos treinadores. Nisto dos comentários o Sporting não é um covil de leões, parece mais um ninho de josés eduardos de ocasião, cujo pensamento estratégico se resume nesta tirada: "o Sporting não tem um projecto, devia investir na formação" para, antes que o ponteiro dos segundos desse uma volta completa ao relógio, dizer que este ano "devia ter comprado mais 3 ou 4 jogadores". E claro, que Duque e Freitas se deviam demitir, como se de cada vez que despede um treinador fosse bom para uma organização não só perder o treinador mas toda a estrutura que o sustenta e recomeçar do zero.

Quando hoje atira com o sucesso de Domingos no Braga, por comparação com o fracasso em Alvalade, já ninguém se lembra que Salvador o deixou de mão estendida quando ele se ofereceu para renovar no meio da sua última época, num momento em que o Braga caia na classificação e já se sabia que Jardim, que saíra de forma precipitada de Aveiro, se sentaria na sua cadeira na época seguinte. Foi neste cenário, que está longe de corresponder a um modelo de apoio ao treinador, que Domingos renasceu e levou a equipa a uma final que havia de perder. Foi o apoio recebido ou foi o acerto das suas decisões que o levaram a Dublin? A final foi êxito para o SCBraga mas o mesmo desfecho não teria passado de mais uma tragédia no Sporting, mais ainda se acontecesse com o mesmo adversário.

Há dias Jeffren trazia à liça um elemento que não tem sido abordado quando se fala na crise do Sporting: a questão psicológica. Muito apropriada diga-se, num jogador talentoso que tarda em confirmar com constância o que muito promete. Dizia ele que a equipa bloqueava em campo. Esse é um sintoma que identificaria no trajecto de Domingos e de Sá Pinto. O primeiro terá experimentado aquilo que todos sabemos: a camisola do Sporting é muito mais pesada que a do Braga. A Sá Pinto terá faltado, além da sorte - tudo o que podia correr mal, correu - o discernimento, o que se percebe: queria ganhar tanto como qualquer um de nós, acrescido do facto de se querer afirmar como profissional. 

Godinho Lopes disse no passado fim-de-semana que não queria que o Sporting se transformasse num cemitério de treinadores. Mas, a prosseguir por este caminho, é bem capaz de estar a cavar a sepultura do seu atribulado mandato. No futebol o futuro é hoje, o amanhã pode nunca chegar. Faz por isso pouco sentido pensar num treinador para amanhã quando o dia de hoje é um oceano de dúvidas e problemas por resolver.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sá Pinto sai - 1 decisão incompreensível

É-me muito difícil de perceber o que se pretende com a substituição de um treinador a 48 horas da realização de um jogo de futebol. Fosse qual fosse o jogo, mesmo que até a feijões. Mais ainda sendo um jogo como o de domingo, onde se jogam sempre muito mais do que os 3 pontos. 

Quem toma decisões destas deixa-me muito pouco tranquilo, sabendo que serão os mesmos a quem caberá a tarefa de escolher o próximo treinador. Uma decisão incompreensível, reveladora de que não é apenas a Sá Pinto que faltava a clarividência.

Nota: Já depois de publicado o post tomei conhecimento das declarações de Godinho Lopes, revelando que Oceano assume o comando técnico apenas no jogo no estádio do dragão. Ora isto ainda reforça mais a ideia expressa anteriormente: o desnorte é total.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por o Sporting com dono?

Adensam-se os rumores de que o Sporting desperta o interesse de diversos investidores estrangeiros, com o DN a avançar hoje com um nome concreto, o do bilionário russo Mikhail Prokhorov. Antes de ir ao perfil do alegado investidor, alegadamente convidado por Peter Kenyon, cuja holding detém grande parte de percentagens de passes de jogadores do Sporting pergunto-me? 

1- O que levará alguém, sem qualquer ligação afectiva ao clube dispor-se a abrir os cordões à bolsa para nele investir e em que condições estaria disposto a fazê-lo, sabendo-se que a actividade é de alto risco, e que não faltam ligas com promessas mais lucrativas ?

2- Tradicionalmente associa-se o nome de um magnata à entrada de grandes jogadores. Apesar de o modelo coleccionar mais insucessos que sucessos continua em franca expansão. Ora isso significa, grosso modo, ter uma folha salarial com uma média de vencimentos superior a 250 mil euros por jogador. No City, no PSG é possível que haja receitas de monta que, não suportando os investimentos na aquisição, certamente ajudam  a custear os vencimentos. Nos moldes actuais isto significaria colocar no Sporting quase 100 milhões anualmente. Haverá alguém disposto a fazê-lo? Por quanto tempo? E como será o day-after?

3- Até onde estão os Sportinguistas dispostos a abrir mão da SAD que afinal é dona da actividade mais representativa do clube? (Por exemplo fala-se do regresso de Carlos Queiroz, por pretensa exigência de um grupo de investidores. Pessoalmente também não me é agradável a ideia do regresso de alguém que tem pautado a sua actuação por um profundo desrespeito pela instituição. Mas faz sentido contestar as exigências  de quem "vai pagar o pato" ou o modelo propriamente dito?)

4- Goste-se ou não do modelo, faz sentido deter uma SAD quase na totalidade, com dispersão quase nula de capital, quando esta necessita tanto de liquidez como do ar que respira? Que outros modelos deveria o Sporting explorar, que não a de “por a SAD com dono”?

5- Inevitavelmente os Sportinguistas, a confirmar-se o cenário de alienação de parte substancial do capital da SAD, serão chamados a pronunciar-se sobre o assunto. Sabendo que a situação actual é insustentável, bastará dizer “não, porque não” ou não seremos responsavelmente obrigados a apresentar alternativas válidas?

Quem é Mikhail Prokhorov?

Mikhail Prokhorov é tido como o terceiro homem mais rico da Rússia, com uma fortuna avaliada em 13 biliões de euros. Fundador do Grupo Onexim, cujos vastos interesses são marcados por negócios no sector financeiro, nos média e tecnologia. 

Nascido em Moscovo em 1965, estudou no Instituto de Finanças de Moscovo, onde se tornou presidente do Banco Onexim em 1993, até o transformar no grupo que é hoje. 

Para lá dos interesses profissionais Prokhorov é conhecido pela participação cívica na sociedade russa, sendo notória a, como líder, do partido Causa Justa, tido como pró-Kremlin. A sua candidatura à presidência do colosso de Leste ainda não está totalmente descartada pelos analistas políticos, numa estratégia denunciada pela oposição como manobra de diversão e tentativa de Putin de não perder totalmente as simpatias liberais. 

Podem existir muitas dúvidas sobre o seu perfil para accionista do Sporting, mas o mesmo não se poderia dizer se estivéssemos a falar de um jogador de basquete. Mikhail Prokhorov tem mais de 2 metros de altura, onde foi buscar a alcunha de girafa. 

A fundação de uma revista cor-de-rosa de nome SNOB e ligação do seu nome a um escândalo com o agenciamento de prostitutas por ocasião de uma festa particular nos Alpes franceses contribuíram para um tratamento, por parte dos média, semelhante ao dispensado a uma pop star. Tratamento que se acentuaria aquando da aquisição dos New Jersey Nets, o que o tornaria no primeiro proprietário estrangeiro, o que num russo é digno de nota.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Domingos e a peçonha do Sporting

NOTA PRÉVIA
A vida colocou-me fora de jogo no momento em que ocorreu o despedimento de Domingos. O que acabou por confirmar, no que a este blogue diz respeito, que ele é muito melhor quando pode contar com o contributo de outros que não apenas o meu.

Sei que a questão foi já aqui debatida e bem escalpelizada quer pelo Virgílio quer pelo LMGM e com a indispensável colaboração dos leitores. Mas, mesmo assim, não resisto em voltar ao tema, deixando a opinião de alguém que viveu o episódio como outsider, grande parte em diferido e com quase total afastamento emocional, dadas as circunstâncias em que me encontrava.

A peçonha do Sporting
A quase unanimidade dos cronistas, "fazedores de opinião", e até a, pasme-se!, comentadores políticos mais ou menos ébrios, tenderam a considerar o Sporting, "máquina trituradora de treinadores", como o responsável pelo falhanço (quanto a mim mais que óbvio) de Domingos à frente do Sporting. Até mesmo os que, simultaneamente consideravam que a imprensa era, em regra, benévola para ele. Para isso não hesitaram, no que está está entre uma falácia bem urdida e de quase total ignorância do que é que é o jogo de futebol, em misturar o exemplo do despedimento de Robson com o actual, com se fossem comparáveis. No fundo quiseram colar ao Sporting a peçonha de um clube permanente derrotado interiormente, o que está longe ser verdade e nada tem a ver com os factos que conduziram ao afastamento do treinador. Tentou-se fazer de uma questão de competência um karma ou até uma condenação perpétua. Infelizmente são muitos os Sportinguistas que caem neste tipo de patranhas, que, em última análise, produzem os efeitos pretendidos: minar a auto-estima e a confiança, por os Sportinguistas a acreditar que é preciso um milagre para voltar a ganhar. E como por estes tempos há muito que não se vêem milagres...

O que podia fazer o Sporting?
Peço desde já a quem lê este parágrafo um favor difícil de pedir a um Sportinguista: que esqueça os nomes dos actuais dirigentes do Sporting, tal é a "politização" das conversas sobre o tema . Fosse o actual presidente Manuel ou António, o que se  deveria fazer perante a derrocada da equipa, espelhada na despedida do campeonato, a esquálida prestação na Taça de Portugal e, pior, o rotundo falhanço na Taça da Liga, perante adversários tão frágeis? Mais, o que fazer perante exibições a denunciar um paupérrimo trabalho técnico-táctico?

É legitimo pensar que Domingos seria capaz de fazer um reviralho no infeliz momento em que a equipa caiu, tal como o seu contrário. Ambas as crenças são legitimas, mas não o são mais do que isso: crenças que carecerão de prova. Obviamente que quem tomou a decisão descreu das condições de Domingos para o fazer. Disso ou da possibilidade do treinador executar a tarefa em tempo útil. Isto porque o grande objectivo da época não era única e exclusivamente ser campeão, mas semear o terreno para futuras conquistas, reduzindo a diferença para os da frente.

Ora o que estava a acontecer era algo de muito diferente, para pior: depois de um enorme investimento, dando a Domingos o que a muitos foi negado, o Sporting não só não colou aos da frente como ficou atrás dos que habitualmente só nos vêem as costas na tabela classificativa. Como a percepção deste facto escapa à maior parte dos cronistas e analistas eu até compreendo, mas como escapa aos Sportinguistas é que me é difícil entender. O Sporting pode perder o actual campeonato mas não pode perder o futuro. E que treinador do Sporting beneficiou de retaguarda mais forte, dos gabinetes à bancada, que Domingos?

A decisão de despedir Domingos foi tudo menos confortável para a SAD, obviamente. Ter-lhe-ia sido mais fácil ficar "atrás" do treinador. Há evidentes perdas financeiras associadas. Há a leitura "politica" e a correlação de forças internas, nunca negligenciáveis. Mas a continuidade de Domingos, e a continuar esta série de resultados, significaria uma evidente mensagem de desresponsabilização para o balneário, inadmissível num clube como o Sporting. Significaria que os objectivos traçados não passariam de enunciados miríficos sem qualquer colagem ao mundo real e cuja contabilidade ficaria sempre em aberto para redefinição em função dos resultados, o principio para tornar a derrota suportável e cómoda. Isso seria o mesmo que abdicar de uma presença condigna na Liga Europa e manter a equipa numa letargia que poria desde já meia Taça de Portugal a caminho de Coimbra.  

As direcções elegem-se também para tomar decisões difíceis e se, como parece mais do que óbvio, Domingos não estava a ser capaz, e se isto se tornou evidente para os dirigentes, estes não fizeram mais do que a sua obrigação. Até onde era admissível deixar o Sporting cair?

A Domingos o que é de Domingos
Ninguém poderá tirar o mérito do trabalho de Domingos, que o levou a ser considerado o melhor treinador para o actual Sporting. Ou mesmo negar-lhe vitórias futuras noutros lados. Fui um dos seus defensores e, à luz do que sabia então, voltaria a fazê-lo. Mas foi também Domingos que me desmentiu. Não o considerarei o único culpado, termo que considero de todo desajustado ao futebol e aos factores aleatórios que lhe estão ligados.

Mas é, de forma que me parece difícil de desmentir, um dos principais responsáveis pela actual situação do Sporting. Responsabilidade que obviamente deve ser repartida por todos os que construíram o actual plantel, especialmente por nele estarem incluídos jogadores que eram considerados pilares - Rodriguez, Izmailov, Jeffren e Bojinov - e que não estavam em condições físicas de o ser. Mas isso, por si só, não explica as demais lesões musculares, que afectaram quase todo o plantel, a falta de respostas para as dificuldades impostas pelos adversários, a falta de um modelo de jogo que servisse as necessidades de uma equipa que tem a obrigação de vencer quase todos os jogos. O Sporting, mesmo nos seus melhores momentos, quase nunca conseguiu ser uma equipa dominadora e autoritária.

O Domingos visto noutros lados, especialmente em Braga, raras vezes foi visto em Alvalade. A verdade também é que o Sporting, por muito que queiram transformá-lo, ainda não é o Braga, como o demonstram semanalmente os adversários, pela forma como escolhem jogar connosco. O Domingos sereno perdeu-se, quanto a mim, em 2 momentos cruciais da época: quando levamos 3 secos no jogo de apresentação e após a derrota com o Marítimo em casa. Domingos, que anteriormente tinha posto a equipa a jogar como devia ser contra a Juventus e até contra a Olhanense, hesitou e abdicou do que pareciam ser as suas convicções, parecendo tomar o caminho mais fácil, que era ir de encontro à opinião da bancada. 

Se o fez por causa dos resultados ou por descrer dos jogadores que tinha para o que pretendia não sei. Mas o Sporting com a defesa bem subida e com os sectores mais próximos e ligados não mais se viu. Os esgares de Domingos, a sua linguagem corporal, revelavam um homem acossado e sem capacidade de discernir, como se ia concluindo pelas hesitações com que geriu as dificuldades que lhe foram surgindo. Muito longe do homem tranquilo que vimos anteriormente. Quando decidiu, algures em Dezembro, disparar para dentro do Sporting, depois de o ter feito em tudo que "mexia" contra si nas opiniões publicadas, apenas declarou que o fim do seu ciclo estava a chegar.

As suas conferências de imprensa tornaram-se um espectáculo deprimente, bem como as suas alegorias. Depois da papa Cerelac e outras, só faltava depois de mais uma derrota, (e desculpem-me o meu francês...) atirar com "perdemos que os fodemos". Tenho a melhor impressão de Domingos como pessoa, mas não quero o Sporting no relvado a tratar os seus adversários como se fosse o seu mordomo.

Nenhum treinador está a salvo dos maus resultados, mas Domingos não coleccionou apenas estes. Há mais de dois meses que àqueles foi adicionando exibições tristes juntamente com um ar de descrença em si próprio e nos seus comandados. Jogar mal e não conseguir resultados é uma mistura explosiva que raras vezes não produz os seus efeitos. Isto é igual para ele como será para Mourinho ou Guardiola, que disputam justamente entre si o titulo de melhor do mundo na sua classe. Porque é que no Sporting haveria de ser diferente? "Só" porque não ganha há muito ou porque no passado despediu quando não devia? Repito: Até onde era admissível deixar cair o Sporting?

NOTAS AVULSAS
1- Também não acreditei que o motivo da despedida de Domingos fossem os seus encontros com dirigentes do FCP. Até porque nos dias de hoje quem precisa de se encontrar pessoalmente para conversar? Mas depois de Pinto da Costa desmentir, passei à acreditar. Quando ele desmente a realidade encarrega-se normalmente de fazer o seu contrário.

2- O comunicado da Lusa sobre os pretensos encontros é mais uma prova das armas desiguais com que o Sporting luta e que não se restringem às suas próprias limitações. Quando é que já se viu jornalistas disporem-se ufanamente a divulgar as suas fontes?

3- Bruno de Carvalho não conseguiu evitar tentar coleccionar apoios, tentando, mais uma vez, retirar dividendos de um momento infeliz. Natural para um candidato, mas um tiro que lhe pode sair pela culatra se um dia os Sportinguistas lhe confiarem a maioria dos seus votos. É que nunca se sabe se terá um dia que ser chamado a despedir um treinador. Julgo eu que não gostaria de ver o Sporting a perder indefinidamente. Ou continuava a acreditar em Domingos?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O dia do juízo final ou do final do juízo?

Jogo da época, do tudo ou nada, do juízo final são algumas das expressões usadas para qualificar o jogo de amanhã frente ao Nacional. Obviamente que, tendo o Sporting "facilitado" no jogo da primeira mão, alguma da sorte da qualificação já está jogada e, até face ao momento da equipa, ninguém ficará surpreendido com nenhum dos resultados possíveis.

O que fazer em caso de fracasso (eliminação na prova) é o que muitos se interrogam e apontam já soluções.

O que fazer então?

Para responder a esta questão façamos uma avaliação prévia e sucinta ao papel dos principais protagonistas.

Clube/SAD
O trabalho efectuado no inicio de época mereceu o aplauso, interno e externo, a roçar a unanimidade. Subiu de tom por altura das vitórias consecutivas para conhecer o seu ponto mais baixo agora que se registam os piores resultados. Nada de surpreendente, afinal, de adeptos a analistas, o sentido critico tende a esgotar-se nas contas das vitórias, empates, derrotas, golos marcados e sofridos. Não percebo o que possa ter mudado assim tanto para mudar a agulha na apreciação a não ser a falta de coerência e a procura de bodes expiatórios. Senão vejamos:
  • O Sporting adquiriu aquele que era dado como melhor treinador da Liga que estava disponível e incluído recentemente no top 10 mundial. 
  • Adquiriu um lote de jogadores quase todos internacionais, com provas dadas ou promissores.
  • Soube criar o elan necessário junto dos adeptos na fase que antecedeu a época, fazendo com que Alvalade registasse as maiores assistências de sempre, desde a sua inauguração.
  • Além das condições dadas ao treinador, o grupo de trabalho parece blindado, não se conhecendo registos de devassa até ao momento, e o  período negativo já se alastra há algum tempo.
  • Hoje tanto se acusa a SAD de falar muito, como de não falar. No essencial parece-me que, apesar de não ser inquestionável, tem falado quem de direito, em momento oportuno.
Obviamente que não há estratégias infalíveis. Pode-se questionar, como muito bem o fazia ontem Couceiro, se ter feito tábua rasa no plantel, recomeçando do zero, não é hoje um dos grandes problemas de Domingos, assim que começaram a surgir as lesões em jogadores chave. Mas é bom lembrar que não só não se conhece quem se tenha oposto a esta linha de orientação como havia muitos pediam que se fosse ainda mais longe. 

Hoje, percorrendo os meses que nos trouxeram aqui o principal erro que aponto ao Clube/SAD foi a gestão da informação relativamente à auditoria interna. Em teoria, o cumprimento de uma promessa eleitoral deveria merecer a aprovação generalizada, mas quem julgava isso possível seguramente que não conhece o Sporting e as suas dinâmicas internas. Tornar públicos os resultados nesta altura só acrescentou ruído e cacofonia, para ser optimista. 

Não me parece haver justificações para o isolamento de Luís Duque e os consequentes ataques. Goste-se ou não, ele tem sido uma das bases onde acenta o tripé do futebol leonino, depois de Godinho Lopes e antes de Domingos. Claro que daria muito jeito a quem não gosta do Sporting ver ruir este pilar e sentir os seus corredores mais desimpedidos. É que, como muito oportunamente alguém me lembrou, com Luis Duque no Sporting houve quem não visse o caneco durante 3 anos, por exemplo.

Treinador
Quem lê o que aqui vou  escrevendo já percebeu que entendo que está na falta de resposta do treinador às dificuldades criadas pelos adversários a principal razão do actual momento. Querido por uma enorme franja de adeptos, teve recepção apoteótica nunca vista a nenhum treinador. Tem tido aquilo que se chama na gíria as costas forradas pela SAD, que o tem apoiado de forma inequívoca. Quem não gosta do Sporting já se apressou a afirmar que o problema está na matriz do clube, como se o Sporting tivesse perdido em definitivo o caminho para as vitórias. Quem não gosta de algumas pessoas que estão no Sporting, resguarda o treinador das criticas. 

Mas quem vê o Sporting jogar dificilmente pode ignorar que é ao treinador que compete preparar a equipa para ultrapassar os adversários que comodamente se instalam em 2 linhas atrás da bola e desferem contra-ataques. Hoje até o Moreirense eo Gil Vicente podem ter êxito, de forma continuada, contra o Sporting o que é dificilmente justificável, face à diferença de valores.

O papel do treinador é crucial num clube de futebol, como todos certamente reconhecem. O exemplo de Jesualdo Ferreira no Panatinaikos na Grécia é paradigmático. Num país imerso no caos, num clube que emula o país e está sem direcção há mais de um ano e num campeonato canibalizado por um Olympiacos todo-o-poderoso, que beneficia da benevolência dos média e do poder federativo, o técnico tem conseguido liderar o campeonato. A derrota recente, surpreendente, e que o deixa muito perto de perder o lugar da frente não é suficiente para lhe retirar o mérito.

Com isto não quero fazer de Domingos um caso perdido ou a causa de todos os males. É a sua primeira época no Sporting, é a sua primeira época como treinador de um grande onde as exigências e a pressão são incomensuravelmente maiores que as que conheceu até hoje. Apesar dos sinais de evidente desorientação já dados, na escolha das equipas, nas substituições, nas conferências de imprensa e até nas suas expressões confio na sua inteligência e sagacidade para aprender com os erros.

Indiscutivelmente Domingos ainda não acertou no modelo para o nosso jogo é essa a sua principal falha mas é ele, para o bem e para o mal, o único a quem compete a tarefa.   

Plantel
Não perderei muito tempo, apenas reafirmarei que é talvez, na sua valia técnica e humana, dos melhores que tivemos nos últimos tempos. Há desequilíbrios óbvios, de responsabilidades repartidas entre o treinador e SAD, mas nada que uma equipa bem preparada e treinada não consiga superar. E ajustes há sempre, mesmo até em equipas campeãs. Qualquer observação actual sobre a valia dos seus componentes tenderá a pecar por defeito, quase todos já demonstraram ou prometeram ser capazes de melhor ou até muito melhor.


Adeptos
Pode-se dizer que assumiram o protagonismo da época ao regressar em força a Alvalade. É sempre fácil gerir emocionalmente o sucesso, mas difícil é viver com o seu contrário. Mas é nos piores momentos que se pedem as melhores decisões. E em alguns deles o melhor é tão só não precipitar as decisões. Não me parece que, para o Sporting, que muitos gostam de cantar como "O Nosso Grande Amor" o melhor seja começar outra vez tudo de novo. Para poupar no latim, que isto já ai longo, socorro-me do que diz hoje Octávio Machado, no Jogo:

A época decide-se amanhã? Se for eliminado da Taça de Portugal, que consequências devem existir e o que resta ao Sporting até ao final da temporada?

A seguir há a Liga Europa, onde o Sporting tem feito uma época extraordinária; há o terceiro lugar na Liga para obter a qualificação para a Liga dos Campeões; e, acima de tudo, tem de se construir uma equipa que permita atingir patamares mais elevados no futuro. Em termos desportivos, a época não acaba aqui, só a possibilidade de ganhar uma competição, já que ganhar a Liga Europa é muito complicado. Mas há muito para além da meia-final da Taça de Portugal...

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