O que retirar do 8º desaire consecutivo?
Não haverá razões para regozijo quando se perde um jogo, mais ainda quando se perde contra um rival e se soma o 8ª (!) desaire consecutivo. Mas mesmo quando se perdem os 3 pontos, ou o acesso a uma final como foi ontem o caso, não fica tudo perdido e o jogo de ontem pode muito bem ser um excelente exemplo. Talvez mesmo o melhor dos últimos meses, podendo até, de forma paradoxal, ser tão importante como algumas das poucas vitórias que fomos conseguindo ao longo do ano.
Não se trata de "dourar a pilula" que tanto custa a engolir, ou de um absurdo exercício de transformar uma derrota em vitória. Como ontem dizia Couceiro "não há vitórias morais". E podemos começar precisamente por Couceiro. A forma como preparou a equipa para o jogo e como depois soube interpretar correctamente as incidências da partida fez-me sentir representado. Claro que há quem ache que o agora treinador se escudou na desculpa da arbitragem para justificar a derrota. Se quisesse desculpas tinha-as à mão com o legado que recebeu e as lesões que além de obrigar a mexer em metade da defesa, lhe retiraram possibilidade de intervir no jogo. Esses são os mesmos que 3 dias antes, no mesmo estádio, perderam o decoro e a vergonha ao protestar contra um golo bem anulado e que, face ao resultado conveniente, conseguido in-extremis, depressa foi esquecido. Tivesse o jogo terminado empatado e ainda hoje se ouviria o choro e não haveria papel para limpar a baba e o ranho. Couceiro tinha razões de queixa da arbitragem, digna dos melhores tempos de Carlos Valente, Garrido, Lucílio, etc. O apito de Sousa foi cirúrgico, conseguindo em poucos minutos o que o adversário não se revelava capaz: retirar o Sporting do conforto em que se encontrava. Não há ingenuidade possível que suporte a posição do árbitro: a sua actuação mudou a partir do momento em que o Sporting ficou em vantagem.
Outra ilação a retirar do jogo de ontem prende-se com a qualidade individual dos nossos jogadores e da valia do nosso plantel. Mesmo dando o devido desconto ao facto de se ter jogado um derby, e do que isso representa no desempenho de um jogador, parece hoje consensual que tivemos ontem talvez o mais consistente Sporting da época, mesmo que alguns não tenham percebido muito bem porquê. Muitas das análises que hoje se fazem sobre a exibição do Sporting tendem a por o acento tónico no "ânimo", no "maior empenho" e "galhardia", quando as melhorias notadas não foram por correr mais do que já se havia corrido no derby anterior ou contra os escoceses. Provavelmente correu-se melhor. Não temos o melhor dos plantéis, é certo, mas grande parte dos jogadores está nitidamente desaproveitado, o que concorre para a sua sub-avaliação. O problema, como insistentemente aqui temos tentado demonstrar, é de origem colectiva. Da mesma forma que um jogador medíocre pode parecer bom num bom colectivo um bom jogador parece mau numa má equipa. O exemplo de Evaldo é paradigmático. Pareceu bom no melhor Braga de sempre e fica quase tão mau como Grimi num colectivo deficiente e entretanto já voaram 3 milhões. Fosse o André Marques as dar as casas que ele tem dado...
Este raciocínio parece-me ainda mais importante num momento eleitoral, propicio à demagogia. Aos adeptos também cabe a missão de defender o património do clube que não pode ser desbaratado em aventuras ou para satisfazer caprichos de directores desportivos ou treinadores. Por vezes olhamos para a nossa galinha achando que é mais feia que a da vizinha. Alguém lembrava há dias o exemplo do Nani e do Anderson. Foram ambos vendidos no mesmo ano ao Manchester e todos acharam que o Sporting fez um grande negócio, havendo certamente entre nós quem tenha ficado por um lado aliviado e por outro lado estupefacto pelo valor pago pelo Manchester, quiçá com a satisfação saloia de quem vendeu gato por lebre. Passados estes anos o que se verifica é que, tendo em conta o rendimento de ambos, o Manchester comprou a desconto um grande craque (Nani) e caro de mais uma promessa de grande jogador que tarda em cumprir o destino que lhe apontavam.
Não temos já jogadores como Nani para vender. Alguns que o prometiam poder vir a ser estão por aí meios perdidos e até já sem vinculo ao clube. E convenhamos que não pode haver Nanis todos os anos, tal como não há "vintages" todos os anos. Mas há valor neste plantel que, se se quiser reforçado, tem que ser aproveitado como base. Era tempo de os Sportinguistas ligarem menos aos mitos urbanos que, por conveniência, por ignorância, estupidez ou pela piada fácil nos atiram areia para os olhos.
Não se trata de "dourar a pilula" que tanto custa a engolir, ou de um absurdo exercício de transformar uma derrota em vitória. Como ontem dizia Couceiro "não há vitórias morais". E podemos começar precisamente por Couceiro. A forma como preparou a equipa para o jogo e como depois soube interpretar correctamente as incidências da partida fez-me sentir representado. Claro que há quem ache que o agora treinador se escudou na desculpa da arbitragem para justificar a derrota. Se quisesse desculpas tinha-as à mão com o legado que recebeu e as lesões que além de obrigar a mexer em metade da defesa, lhe retiraram possibilidade de intervir no jogo. Esses são os mesmos que 3 dias antes, no mesmo estádio, perderam o decoro e a vergonha ao protestar contra um golo bem anulado e que, face ao resultado conveniente, conseguido in-extremis, depressa foi esquecido. Tivesse o jogo terminado empatado e ainda hoje se ouviria o choro e não haveria papel para limpar a baba e o ranho. Couceiro tinha razões de queixa da arbitragem, digna dos melhores tempos de Carlos Valente, Garrido, Lucílio, etc. O apito de Sousa foi cirúrgico, conseguindo em poucos minutos o que o adversário não se revelava capaz: retirar o Sporting do conforto em que se encontrava. Não há ingenuidade possível que suporte a posição do árbitro: a sua actuação mudou a partir do momento em que o Sporting ficou em vantagem.
Outra ilação a retirar do jogo de ontem prende-se com a qualidade individual dos nossos jogadores e da valia do nosso plantel. Mesmo dando o devido desconto ao facto de se ter jogado um derby, e do que isso representa no desempenho de um jogador, parece hoje consensual que tivemos ontem talvez o mais consistente Sporting da época, mesmo que alguns não tenham percebido muito bem porquê. Muitas das análises que hoje se fazem sobre a exibição do Sporting tendem a por o acento tónico no "ânimo", no "maior empenho" e "galhardia", quando as melhorias notadas não foram por correr mais do que já se havia corrido no derby anterior ou contra os escoceses. Provavelmente correu-se melhor. Não temos o melhor dos plantéis, é certo, mas grande parte dos jogadores está nitidamente desaproveitado, o que concorre para a sua sub-avaliação. O problema, como insistentemente aqui temos tentado demonstrar, é de origem colectiva. Da mesma forma que um jogador medíocre pode parecer bom num bom colectivo um bom jogador parece mau numa má equipa. O exemplo de Evaldo é paradigmático. Pareceu bom no melhor Braga de sempre e fica quase tão mau como Grimi num colectivo deficiente e entretanto já voaram 3 milhões. Fosse o André Marques as dar as casas que ele tem dado...
Este raciocínio parece-me ainda mais importante num momento eleitoral, propicio à demagogia. Aos adeptos também cabe a missão de defender o património do clube que não pode ser desbaratado em aventuras ou para satisfazer caprichos de directores desportivos ou treinadores. Por vezes olhamos para a nossa galinha achando que é mais feia que a da vizinha. Alguém lembrava há dias o exemplo do Nani e do Anderson. Foram ambos vendidos no mesmo ano ao Manchester e todos acharam que o Sporting fez um grande negócio, havendo certamente entre nós quem tenha ficado por um lado aliviado e por outro lado estupefacto pelo valor pago pelo Manchester, quiçá com a satisfação saloia de quem vendeu gato por lebre. Passados estes anos o que se verifica é que, tendo em conta o rendimento de ambos, o Manchester comprou a desconto um grande craque (Nani) e caro de mais uma promessa de grande jogador que tarda em cumprir o destino que lhe apontavam.
Não temos já jogadores como Nani para vender. Alguns que o prometiam poder vir a ser estão por aí meios perdidos e até já sem vinculo ao clube. E convenhamos que não pode haver Nanis todos os anos, tal como não há "vintages" todos os anos. Mas há valor neste plantel que, se se quiser reforçado, tem que ser aproveitado como base. Era tempo de os Sportinguistas ligarem menos aos mitos urbanos que, por conveniência, por ignorância, estupidez ou pela piada fácil nos atiram areia para os olhos.
