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quarta-feira, 27 de julho de 2022

Casos bicudos: agora é que são elas.

 

Com a partida de Vinagre para o Everton, de Renan para a Arábia Saudita e com o pré-anuncio da rescisão de Battaglia ficam os casos mais bicudos para resolver: 

Slimani é muito caro para o que tem feito nos últimos anos, na verdade desde que saiu do Sporting. 

Sporar não foi barato e dificilmente teremos quem iguale os valores despendidos por nós (6 milhões).

Jovane tem o passe praticamente na mão, uma vez que o contrato termina no final da época. Nenhum clube vai abrir muito a bolsa por um jogador que pode contratar daqui a seis meses pelo chamado custo zero.

Eduardo Quaresma precisa de um bom clube e sobretudo de um bom treinador que o ajude se reencontrar com a promessa deixada ainda júnior. Mas tal não se afigura fácil, atendendo ao que foi a época transacta num Tondela irregular e que defendia mal.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Seis avançados, noves fora, nada

Do quadro actual de jogadores com contrato com o Sporting ressaltam à vista o elevado número de avançados que não parecem contar para Rúben Amorim. 

Plata, , Sporar, Pedro Mendes, Slimani, Jovane, Pedro Marques.

O contraste é ainda maior se se atender ao facto de que apenas Paulinho continuará no plantel e que, para aumentar esse número - o que se me afigura prioritário e indispensável - é preciso ter disponibilidade financeira para acomodar mais um salário inevitavelmente elevado. Isto se ficarmos por um empréstimo, porque a aquisição de um passe de um jogador para esta posição implica um investimento ainda maior. La Palice não diria melhor...

Acontece que, para realizar recursos que se vejam deste lote, Hugo Viana tem pela frente uma carga de trabalhos. 

Slimani tem um ordenado elevado e um passado recente complicado: não se valorizou desde que saiu em 2016 e a forma como acaba o ano não ajuda nada.

Plata tem mercado mas não parece que o Valladolid seja capaz de cumprir o acordo firmado, que estipula 10 milhões de euros para a compra do passe.

Pedro Mendes parece estar destinado a continuar no Rio Ave e, fala-se, servirá de moeda de troca para alcançar o que resta do passe do Nuno Santos. Não me parece que saiamos a perder.

Luiz Phellype parece ter recuperado da terrível lesão que o vitimou. Aquilo que mostrou na equipa B, antes de partir para o Ofi Creta onde, no final de temporada, parece ter ressuscitado. A sua saída não libertará grandes recursos e nem o seu passe representará uma entrada substancial.

Jovane regressa de um empréstimo de um clube onde não parece ter sido desejado pelo treinador, pelo que a pouca utilização apenas serviu para o desvalorizar, exactamente o contrário do que era pretendido. Que clubes estarão agora dispostos a abrir muito a bolsa por um jogador que daqui a meio ano está livre para assinar sem necessidade de enfrentar a negociação do passe?

Pedro Marques deverá ser libertado sem custos para poder dar curso à carreira. Surpreendeu a pouca utilização mas o espectro de descida que durante muito tempo afligiu o Famalicão também deve ter contribuído para o resultado decepcionante. 




 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Quando o "caso Slimani" é mesmo um caso e o Sporting decide dar uma borla aos jornais

A "caxa" dos jornais na manhã de ontem, dando conta de uma pretensa recusa de Slimani em treinar é revelador do "estado da arte" na comunicação social especializada. Tal porém só acontece porque o Sporting preferiu reagir ao invés de agir, acabando assim por dar uma boa borla aos matutinos que difundiram o boato. Bastava ter comunicado oficialmente, atalhando os rumores que desde o final da tarde circulavam sobre a ausência de Slimani ao treino da tarde, para os jornais ficarem impossibilitados de, na manhã seguinte, gozarem com os seus leitores. Isto porque, pelos vistos - algo que não consegui confirmar - fonte não identificada do clube teria no próprio dia desmentido a noticia.

Se a ideia era expor os referidos jornais ao ridículo, o objectivo foi plenamente alcançado. Claro que para alguém ou uma instituição se sentir ridicularizada é preciso que o pudor, a vergonha estejam presentes na consciência individual ou ideário da organização. Acontece que a necessidade de vender e procurar lucro há muito se sobrepôs ao código deontológico da profissão. Aqui convém dizê-lo,  porque está muito em voga bater nos jornalistas, há muito que estes deixaram de mandar nas redacções, imperando aí a voz do dono ou dos accionistas, sendo poucos os que gozam de estatuto que lhes permita viver indiferentes à pressão.

Nesta equação não entrou o interesse dos adeptos, que certamente prefeririam não se ter preocupado com a possibilidade de mais um caso e logo com o seu avançado mais habilitado para fazer golos. Apesar de não ter passado de um rumor ninguém duvida que ainda vamos voltar a ouvir o nome do argelino e não vai ser sobre a sua capacidade goleadora. Isto porque os indícios de que a possibilidade de eclodir um caso de facto são vários.

Convém lembrar que Slimani já no passado registou problemas com a SAD com origem em problemas contratuais. E, para quem como eu, assistiu ao último jogo da época em Braga, dificilmente não terá concluído que a vontade do jogador em rumar a outras paragens, quando se dirigiu sozinho aos adeptos, ficou bem expressa.  

Obviamente que os clubes não podem estar reféns dos estados de alma ou vontades dos jogadores, e por isso é que se celebram os contratos entre as partes, penalizando-se quem deixa de o cumprir. Por outro lado, numa actividade com condições tão particulares, não há qualquer interesse em ter um jogador contra sua vontade. Muito menos um jogador com o valor de mercado como Slimani em conflito aberto, impedido de jogar, na equipa B, desvalorizando-se. 

A forma mais avisada de lidar com estas questões é a antecipação, com uma avaliação correcta e prospectiva dos sinais por parte de quem lida directamente com os jogadores. Isso é o que se chama gerir: resolver com eficácia, antecipando potenciais dificuldades, possíveis problemas. Ora prevenção foi coisa que o Sporting não fez neste caso. Senão vejamos:

A substituição de Slimani nunca seria matéria pacifica. É o melhor goleador disponível e, não tendo surgido nenhum interessado em bater a claúsula de rescisão, o problema acabou por se agravar. Sem avançados disponíveis e ainda sem ninguém contratado para a posição, a vontade de o ver partir deve ser quase nula, porque ninguém pode prever o tempo de adaptação necessário para quem chegue entretanto e o campeonato vai ter pontapé de saída dentro de um par de dias.

Por outro lado há ainda o facto de haver, no pico do inverno, que normalmente coincide com tempos de decisão no campeonato, a famigerada Taça das Nações Africanas. Esta retirará o jogador da equipa por um período relativamente prolongado.

E, algo que me parece não estar a ser lembrado, a possibilidade de para o ano o atleta poder invocar a "Lei Webster", que permite que a ruptura unilateral do contrato a um atleta com mais de 28 anos, desde que tenha cumprido dois anos do acordo e o clube seja recompensado com o valor remanescente estipulado. Provavelmente assistiríamos a uma batalha legal - qual contrato é que seria invocado para o efeito? - que independentemente do resultado final, não traria nada de bom para o clube.

Obviamente que em nenhum momento aqui se equaciona a possibilidade de ver o jogador partir sem que o clube fosse devidamente ressarcido. Mas perante todas as parcelas em apreço essa é uma possibilidade que, na eclosão de um conflito entre as partes, é uma possibilidade a ser encarada. Como quase sempre, uma solução com o acordo das partes é o que mais se deseja. 


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Spalvis é um tiro na proa, mas nem por isso o mais grave

A lesão de Spalvis é a pior noticia que o próprio poderia receber, num momento em que atravessou a Europa para apostar na sua valorização profissional. Já para o Sporting representa um acréscimo de pressão, embora a carga dramática seja inferior, por ser claro que não deveria ser, no imediato, a aposta primordial de Jorge Jesus.

A situação de Teo é diferente. Um jogador com o seu passado polémico mereceria sempre melhor ponderação na hora de contratar, a que se deveria juntar o preço pago por um jogador que se aproxima do ocaso. Depois de, no melhor interesse do clube, o termos perdoado pelas longas férias de Natal, de termos esquecido os golos falhados e a forma pouco atlética como corre, volta a reincidir no desrespeito pelo clube que o sustenta e pela generosidade dos adeptos. É, inevitavelmente, o fim de linha em Alvalade. E um problema de difícil solução sem perda do investimento realizado. Os cinco milhões hoje anunciados no Record seriam um verdadeiro milagre para as possibilidades da generalidade dos clubes argentinos. 

Depois há Slimani. Aos rumores que já corriam sobre a vontade do jogador sair - o que nem é novo - veio agora o reconhecimento tácito da existência de problemas na pena do responsável pela comunicação. É que não há outra forma de entender o que escreveu em comunicado: há clubes interessados no jogador  (certamente também por outros, onde obviamente se inclui João Mário) mas sem interesse em desembolsar o que o Sporting exige. 

O caso especifico de João Mário tem uma agravante: o valor da cláusula de rescisão. Ninguém se aproximará dos sessenta milhões a pronto, como exige o contrato. Na melhor das hipóteses o valor será atingido na realização de alguns objectivos. Mas falamos já de um custo que permite ir ao mercado por jogadores que representem menos "risco político" para o adquirente. Isto é, jogadores com mais "nome", que nem sempre necessariamente melhores.

E aqui o mercado é claro: se houvesse muito apetite pelos jogadores, isto é, vários clubes seduzidos pelo seu valor e com disposição para abrir os cordões à bolsa por valores próximos das respectivas cláusulas, já algum se teria antecipado à concorrência. Ninguém o tendo feito é sinal inequívoco que os potenciais interessados estão interessados em prolongar ao máximo a decisão no tempo, apostando no desgaste de quem está pressionado a vender e na erosão da relação dos jogadores com o clube, pagando um valor inferior. Para ajudar a respectiva causa, são oferecidos aos jogadores importâncias completamente fora do nosso alcance.

É provavelmente aqui que estará a fonte de todos os males. De um lado jogadores atraídos por vencimentos que lhes garantem uma carreira confortável, auferidos em campeonatos menos periféricos que o nosso. Do outro, o clube com necessidade de realizar mais valias que lhe permitam não apenas refinanciar o seu negócio, como adquirir  jogadores que permitam a manutenção ou até mesmo o acréscimo do seu valor competitivo. 

Falta um mês para o encerramento do mercado de verão. Será neste espaço de tempo, nas decisões tomadas no arranjo do plantel, que se decidirá muita da nossa sorte.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A propósito do regresso de Slimani e as cláusulas de rescisão

O regresso de Slimani pode ser avaliado de diversas formas, vou aqui dar conta do que me parece ser mais importante a reter neste caso. Aqui não deve ser esquecido que o Sporting e os seus responsáveis têm um plantel para gerir e este tipo de excepções devem ser bem explicadas e aceites por todos, para não se criar a ideia de que há jogadores mais iguais que outros. É um ponto de disciplina incontornável.

Em primeiro lugar é indiscutível que alguma coisa deve ter havido para se justificar o atraso no regresso, uma vez que o jogador não esteve envolvido em nenhuma competição que o motivasse. Sendo um jogador com antecedentes do género mais ainda justifica a desconfiança.

Em segundo lugar há a registar que quaisquer que tenham sido as razões do atraso, a forma como ele terminou deixa crer que foi bem gerido por ambas as partes. O jogador, nas declarações prestadas, deu conta do seu compromisso com o clube e o clube manifestou o regozijo pelo regresso. Se houve desencontros de pontos de vista, ou até atritos, eles não transpareceram, eliminado assim a exploração de um filão de especulações habitualmente muito bem garimpado e posto a render.

Desta forma defenderam-se os interesses dos envolvidos (jogador, que respeita o compromisso assumido de livre vontade, e o clube que lhe paga e promoveu), mas o mesmo não quer dizer que o jogador permaneça connosco. É por isso provável que o tema "saída de Slimani" volte à actualidade. 

A situação actual, em que a cláusula de rescisão deixou de poder ser executada de forma automática com o pagamento do valor respectivo, não indica falta de interesse de terceiros, parece, isso sim, indicar que não há assim tanta concorrência pelo concurso do jogador, e a que há não estava interessada em pagar tanto. Creio que tal facto diminui a posição do jogador, se for sua pretensão (legítima, diga-se) de procurar um novo projecto (eventualmente uma liga mais competitiva, para lá do dinheiro, claro está).

Tal não me parece de todo surpreendente, uma vez que não faltam jogadores no mercado a caber na relação entre o valor da cláusula de rescisão do argelino e do próprio jogador. Sem pretender efectuar uma comparação directa, atente-se por exemplo que o muito interessante ponta-de-lança da selecção galesa, Robson-Kanu, que ontem defrontou Portugal, é um jogador livre.

A actual situação parece-me agora mais favorável ao clube, por não ter que ser já obrigado a aceitar o valor da cláusula, podendo por isso pedir até mais pelo jogador. À luz do raciocínio anterior, duvido porém que tal suceda. E devo dizer que não ficaria de todo surpreendido que o jogador acabe por sair por valor inferior, embora, por razões óbvias, o clube não o possa admitir.

Mas se a procura proporcionar uma negociação por valor próximos das duas dezenas de milhões a porta de saída poderá acabar por se abrir. Isto se for verdade ser essa a vontade do jogador e porque o Sporting estaria a realizar o seu melhor negócio de sempre, saindo bem servidas todas as partes.

Diferente é, por exemplo, a posição de William Carvalho ou João Mário. Trata-se de jogadores ainda bastante jovens, mas que revelam níveis técnicos e entendimento sobre o jogo superiores. Não creio que haja hoje quem se aproxime das suas cláusulas rescisórias, mas isso é uma questão de tempo. Os valores que se falam (por exemplo, vinte e cinco milhões por João Mário) não sendo propriamente maus negócios, não são particularmente apelativos.

Há aqui uma outra componente que é a mediática. A sua valorização no europeu também não tem sido fulgurante, e isso não é alheio a forma como joga a selecção, pouco tendente a favorecer prestações individuais. Tal percepção poderá mudar muito rapidamente, assim que regressem ao clube. A ambição de ser campeão mantêm-se intacta e a entrada directa na Liga dos Campeões certamente que fornecerá muito palco para as suas actuações.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sporting-FCPorto: o clássico dos patinhos feios

Que bom seria se todos os jogos se aproximassem da qualidade do espectáculo que o clássico do passado sábado proporcionou a todos quantos tiveram a sorte de o poder presenciar, em particular os que o puderam fazer ao vivo. Estádio cheio de gente e de entusiasmo, com os dois lados em presença a fazerem-se ouvir. Jogo de resultado imprevisível quase até ao final, e vários bons momentos de futebol de qualidade, quer do ponto de vista colectivo como individual.

Uma vez que já quase tudo foi dito sobre o jogo propriamente dito, opto por dirigir a crónica sobre o clássico para algumas considerações sobre aqueles que me pareceram ser os protagonistas do jogo. Nessa perspectiva a minha escolha recaiu, por razões que explicarei de forma pormenorizada abaixo, em Naldo, Adrien, Slimani e Lopetegui. Talvez soe estranha a associação, mas julgo que todos eles, de formas distintas, têm a ligá-los um certo estigma de patinhos feios, ou, se preferirem, não parecerem terem destinado para si o papel de protagonistas.

Naldo - Não foi a primeira escolha para a dupla de centrais e parecia ter como destino o papel de terceiro da fila nas opções de Jesus. Por circunstâncias adversas para Ewerton, acabou por ter que assumir maiores responsabilidades e de forma mais precoce de que se esperaria, incluindo o próprio. Foi réu algumas vezes em que revelou dificuldades na movimentação da linha defensiva, e a sua época até correu riscos de uma suspensão prolongada, o que, somado ao seu estilo prático e sem adornos, não lhe confere grande notoriedade . No clássico porém, esteve imperial. A sua acção individual foi decisiva para o triunfo colectivo e isso pode ser constatado nos números que impressionam:
  • Naldo fez 10 intercepções durante o jogo, mais do que João Pereira, Paulo Oliveira, Jefferson e William Carvalho todos juntos! 
  • Ganhou todos os duelos aéreos!
  • A par disso um número muito limpo de faltas (4), 10 alívios (que vincam o seu estilo prático, menos preocupado em construir).
 Ewerton, jogador que confere estabilidade e segurança ao sector, tem contra si a falta de consistência que lhe advém de constantes lesões e tem deixado várias vezes Jesus pendurado em momentos decisivos de jogos importantes. A partir do banco certamente que pode observar que não tem o lugar assegurado.

Adrien - Um jogador da casa que nem sempre tem merecido a apreciação devida. Era dos jogadores que mais expectativa tinha de ver crescer na presença de Jesus, o que agora se confirma. Mas Jesus é bom mas não está a fazer o milagre de transformar vinagre em vinho, o jogador recolhe agora os benefícios de um modelo de jogo que potencia as qualidades dos jogadores e potencial foi o que Adrien sempre teve. Infelizmente a instabilidade do clube e decisões incompreensíveis na gestão da carreira do jogador, como em vários outros da sua geração, foram atrasando a sua afirmação plena. O jogo de sábado não acontece por acaso e merece ainda maior destaque por ter acontecido aquando de uma participação notoriamente infeliz de William Carvalho.

Slimani - Já aqui havia confessado a minha conversão ao Slimanismo. É o típico patinho feio pelo jeito e até pela fisionomia algo desengonçada. Trata-se de um estilo de ponta-de-lança que não é o da minha preferência, mas a sua entrega ao jogo conquista até o pior dos infiéis. É provavelmente o seu denodado profissionalismo e entrega ao trabalho que lhe têm permitido evoluir do jogador que não conseguia segurar uma bola, ao jogador-chave no esquema de Jesus. 

Lopetegui - Aqui o técnico portista surge como protagonista pela negativa porque o triunfador é indiscutivelmente Jesus. Creio mesmo, no que certamente sou acompanhado por muitos dos que me leem que, podendo beneficiar do plantel do espanhol, Jesus faria do campeonato um passeio no parque. Mas não extrapolaria as diferenças de qualidade que se separam os dois treinadores, e que são particularmente visíveis modelo de jogo e produção das respectivas equipas, para uma deliberação desfavorável à candidatura do FCPorto ao titulo. Por duas razões substantivas:
  • Apesar dos desequilíbrios nas construção do plantel (os centrais são de qualidade duvidosa e sobretudo, ao invés de se complementarem, são muito semelhantes no perfil onde abunda a força e pouca inteligência, e, também muito importante, Aboubakar não é Jackson, Oswaldo foi um fogo fátuo) há vários jogadores com capacidade individual para criar desequilíbrios e, por si só, resolverem jogos. Isso é muito importante, vem-se notando no campeonato com os pequenos, onde o Sporting tem perdido pontos "improváveis" (Boavista e U. Madeira).
  • O poder do FCPorto nos bastidores não é o que era nos anos 80 mas também não me parece ser totalmente desprezável.
Ainda a propósito de Lopetegui e do potencial do FCPorto, da observação do jogo, e depois dos confrontos com o outro rival SLBenfica, resulta claro para mim que este foi o nosso jogo mais consistente e uma afirmação clara da nossa candidatura. Isto porque o os portistas foram o adversário que mais e maiores dificuldades nos criou. Até ao golo de Slimani estiveram quase sempre por cima do jogo, criando lances de perigo, com destaque para Brahimi e Corona, a ensaboarem o juízo quer a João Pereira, quer a Jefferson. 

Mas esta afirmação de poder não significa que o campeonato seja agora um passeio. Não deixa de ser sintomático que, dos três grandes, o Sporting é a equipa com menos pontos nos jogos com os mais pequenos. Obviamente que isso tem várias leituras - se tivéssemos um Xistra ou Jorge Sousa à mão... - mas é inquestionável que o Vitória e Lopetegui têm a menos no confronto directo com as qualidades que Jesus possui, são os seus trunfos individuais que estão a equilibrar a balança a seu favor. E, a menos que improváveis surpresas do mercado de inverno aconteçam. vamos ter campeonato equilibrado até ao fim.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Viagem à Madeira: quando o resultado é tudo e as novelas seguem dentro de momentos

Não faltam elogios hoje à postura dos jogadores do Sporting no encontro da Madeira, ante o Nacional. Elogios que seriam exactamente o oposto, e provavelmente com a mesma origem, caso o resultado não se tivesse saldado por uma vitória. O que se está a validar hoje é o resultado, não a exibição ou a entrega dos jogadores.

Do ponto de vista da exibição ela esteve longe de ser vistosa e isso tem várias explicações: a primeira, a mais importante, o adversário que defrontamos e as suas peculiaridades. Os jogos com o Nacional sempre foram difíceis, basta olhar para o histórico dos resultados, em especial os que coincidem com o comando técnico de Manuel Machado. Essas dificuldades começaram a ficar bem patentes no inicio do encontro. Com os madeirenses a solicitarem Suk de forma directa e Matias e Rondon à procura da segunda bola, a importância da nossa superioridade técnica, em particular do meio-campo, ficava anulada, pelo menos parcialmente. Quando tínhamos a posse de bola não conseguíamos assentar o jogo, mercê quer da imprecisão no passe quer da pressão do adversário, que se concentrava sobre os nossos elementos capazes de construir.

A segunda explicação está no momento particularmente instável que se vive, por força dos resultados e da consequente classificação. A perspectiva que se colocava, em caso da vitória não se concretizar, era tudo menos animadora. O discurso recente do presidente, deixando em causa as decisões do treinador e o empenho dos jogadores, representando ameaças veladas sobretudo à continuidade do responsável técnico, dificilmente não pode ser considerado como amplificador da instabilidade que os resultados e classificação adversos representam inevitavelmente num clube com as nossas ambições. A explicação para tanto passe e recepções falhados também tem de ser encontrada aí. O estado miserável do relvado não será menos importante, embora este fosse o mesmo para ambas as equipas, mas o estilo de jogo do Nacional era obviamente o menos penalizado.

Do ponto de vista da entrega ou a tão famigerada atitude, não me parece que ela sirva de explicação para os resultados menos conseguidos. Nem ontem nem sequer no jogo com o Moreirense, por exemplo, ou o empate, que ocorreu nos últimos momentos do jogo, nunca ocorreria. Mas a este nível há pelo menos um jogador a precisar de rever alguns conceitos sobre a missão de um centro campista: João Mário. Entrou por azar de André Martins e o seu jogo foi a explicação prática para a cura de banco que Marco Silva lhe ofereceu. A forma como se desliga do jogo quando perde a bola é aflitiva e a falta de intensidade na hora de a recuperar é idêntica. João Mário tem grandes condições para ser um dos melhores médios nacionais da sua geração se conseguir corrigir este defeito que, no lugar que ocupa, é a diferença entre um bom jogador e um jogador vulgar. Há poucos treinadores - haverá mesmo algum? - que esteja disposto a dar muitas oportunidades a um jogador tão descomprometido.

No polo oposto colocaria Slimani. Entrega total, faltando-lhe a classe dos grandes matadores para ser grande. Muito desse "defeito" advém-lhe de um mau jogo com os pés, sobretudo ao nível do controlo da bola e passe. Pormenor que me parece poder ser senão eliminado pelo menos atenuado, se bem treinado. Se o conseguisse jogos como o de ontem teriam significado pelo menos mais um ou até mesmo dois golos e não dois falhanços comprometedores para ele e sobretudo para a equipa.

Referência individual também Paulo Oliveira, que jogou por dois. É um bom jogador, mas não tão bom como alguns elogios estratosféricos fazem crer. Beneficia da comparação com os colegas que tem tido ao lado, ficando muito por isso mais destacado. Nos defeitos que lhe detecto - a velocidade e a bola nos pés - podem ser um atenuado outro melhorado. A velocidade é uma característica inata. Não a tendo Paulo Oliveira é obrigado a jogar com mais atenção, em antecipação. A bola nos pés, tal como Slimani, pode trabalhá-la melhor. Como a qualquer outro central, para começar a construir jogo, tem de contar com a disponibilidade e inteligência dos que jogam à sua frente e ao lado, médios e laterais particularmente.

Carrillo é a última referência individual. Jogo intenso, menos preguiçoso do que era seu costume num passado recente na hora de defender, muito inteligente quando foi preciso segurar a bola longe da nossa baliza, permitindo à equipa respirar e fazendo o adversário perder a paciência. Vale sempre a pena esperar o melhor de quem tem muita qualidade e Carrillo tem-na e muita. 

Não é costume as palavras do treinador fugirem dos habituais chavões e lugares comuns para adquirem a importância e a atenção que tiveram as de Marco Silva na conferência de imprensa. Para os que minimizaram o impacto das palavras e sobretudo o seu desacerto ficou ontem a devida demonstração prática. 

Como sócio do clube lamento profundamente este espectáculo deprimente, em que o treinador se vê forçado a enviar recados para cima e sobretudo ensinar o "B"+"A"="BA" do relacionamento entre indivíduos, quando afirmou: "como treinador prefiro criticar ou elogiar cara a cara". Já todos percebemos que, se não houver quem medeie este problema a história vai acabar mal. Depois digam que a culpa é dos jornalistas.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Mercado: A hora das grandes decisões. Rojo, Simani, William e Patrício.

Agora que o campeonato do Mundo terminou aproximam-se as horas das grandes decisões. Os clubes poderosos já definiram os alvos a atingir para recomposição dos seus plantéis e a necessidade de estes estarem fechados o mais cedo possível para os primeiros compromissos da época tenderão a apressar os negócios.

O Sporting teve quatro mundialistas do seu plantel e é natural que sejam eles os primeiros a estar "sob vigilância". Porém as suas prestações não foram idênticas e esse facto determina avaliações diferentes. Essas, independentemente das valorizações que os jogadores possam ou não ter sofrido, deverão primar sempre pelo máximo realismo. O que infelizmente não acontece quase nunca, sobretudo pelo lado dos adeptos que, ao valor real que o mercado atribui, somam-lhes a ligações afectivas que entretanto se foram criando com a ligação do jogador ao clube.

Fazer preços aos jogadores será das tarefas mais ingratas e difíceis de consensualizar. Mesmo no caso dos valores astronómicos das vendas de Bale, Ronaldo, Suarez, para citar os mais mediáticos, há sempre adeptos descontentes, que preferiam ver os jogadores continuar a ostentar as suas cores ou, na ocorrência dessa impossibilidade, a factura a cobrar deveria ser ainda mais estratosférica.

Devo dizer que não sou esse género de adepto. Primeiro percebo bem a dificuldade que sente quem tem de tomar decisões no contexto em permanente mudança, como são os mercados de jogadores de futebol. Uma hesitação ou precipitação podem significar a perda de milhões.

Depois também tenho os meus jogadores preferidos, mas não lhes exijo mais do que profissionalismo, para amar o clube estamos cá nós, os adeptos. Depois tenho a percepção da volatilidade das suas carreiras, da voracidade com que estas são promovidas ou trituradas, muitas vezes ao arrepio de qualquer racionalidade. A gratidão que por vezes se lhes exige é muitas vezes, por conveniência, rapidamente esquecida em nome de outros valores. Depois não olho para nenhum jogador como insubstituível ou que se sobreponha à importância do colectivo. Afinal o futebol é isso mesmo, uma modalidade colectiva.

O exemplo recente de Oblak é um extremo que obviamente merece censura, não tanto pela transferência em si, mas pela forma pouco civilizada que o jogador encontrou para terminar uma ligação que até foi feliz. Mas, no essencial, sou incapaz de censurar um profissional que vai atrás de melhores condições para si e para sua família que não sabe se voltarão a ocorrer. Qual de nós se manteria fiel à ligação profissional actual se uma Google, Microsoft, grande banco, escritório de advogados, etc, lhe oferecesse um contrato que lhe assegurasse independência financeira para o resto da vida?

Voltando aos nossos mundialistas, o respectivo percurso ditou situações diferentes para cada um deles, embora a situação de Rojo e Slimani se assemelhem. Ambos sofreram consideráveis apreciações, com menções elogiosas várias, estando a viver provavelmente um momento irrepetível das suas carreiras. Dessa forma será muito provável que lhes chovam propostas tentadoras. Dificilmente o Sporting não venderá, correndo o risco, se não o fizer, de ficar com dois jogadores contrariados e que dificilmente conseguirá que o mercado volte a olhar para eles com o mesmo apetite.

Por norma, porque os agentes e clubes compradores sabem como se movimentar, estas chegam primeiro aos jogadores e em números irrecusáveis, para depois se regatear cada cêntimo aos clubes que detêm os seus direitos. Não vale a pena estigmatiza-los, tecer grandes considerações morais , porque é precisamente o que o Sporting faz quando se encontra na mesma posição.

Pelos números que se falam, Rojo significará uma valorização que andará perto do quadruplo do que custou. Não é um jogador ainda acabado, mas é seguramente melhor hoje do que quando cá chegou, mas ainda distante dos melhores jogadores das posições que desempenha. Porém, tem potencial, caso os treinadores que se venham a cruzar com ele lhe consigam fazer compreender melhor o jogo e ele consiga também perceber melhor que o uso da força damente é tão importante como a do corpo. A sua saída não me parece dramática e pode ser suprida por um jogador de valor idêntico e de salário mais baixo. Esse jogador pode até já estar no quadro de profissionais do clube, Dier.

Slimani é um caso notável de sucesso para o scouting do clube. Sem saber exactamente quanto custou, (já vi vários valores entre 300 e 500 mil euros) vale hoje mais de dez vezes mais. Quanto a mim trata-se de uma valor inflacionado pelo mercado que o Sporting pode muito bem aproveitar e, não o fazendo, a sua depreciação para valores mais racionais será inevitável.. Da minha percepção do que vale, qualquer valor acima de 5 milhões, mais do que um negócio feliz seria um excelente negócio. Pelos valores que se falam - iguais ou superiores a 10 milhões - seria o melhor negócio de sempre do Sporting, tendo em conta o "valor da mercadoria" e o valor recebido. Até porque não estou certo que seja titular de caras com Marco Silva...

William está a meio caminho dos seus colegas acima mencionados. Não se valorizou no Mundial mas também não terá visto o seu valor depreciar. Mas valores próximos da sua cláusula de rescisão deverão ser praticamente impossíveis de ver cair nas secretárias da SAD. Basta olhar para o que se está a pagar por essa Europa fora por jogadores como Kroos, Kedira, etc. Falta saber se o jogador tem propostas em carteira e se estas lhe mexeram com a cabeça, isto é, com o seu grau de comprometimento com o clube.

Patrício é "worst-case cenario" personificado. Teve um jogo infeliz numa selecção infeliz e a lesão não lhe permitiu desfazer a má impressão deixada. Um dos possíveis lugares de destino, o Mónaco de Jardim, teve em Romero um dos melhores jogadores do torneio, obrigando os seus responsáveis a ponderado juízo sobre o seu substituto, sob pena de ficarem mal perante os adeptos. Os valores de transferência dos melhores do torneio contrariam também os que acham que "Patricio só devia sair por valores acima de 15 milhões". Cláudio Bravo por exemplo vai por 12 milhões para o Barcelona. Patrício é também um problema para a SAD que poderia (desejaria) substituí-lo por um guarda-redes "bom e barato". Neste cenário, e mantendo o que sempre disse, 7,5 milhões seria um bom negócio, pelo menos o possível.

domingo, 2 de março de 2014

Um Sporting de reviralho é do...

Um jogo de características e eventos estranhos este com os bracarenses. A primeira nota de estranheza vai para a fraca afluência de público a Alvalade. As férias de Carnaval estão longe de ser um fenómeno generalizado entre a população activa, pelo que não explicam nada. O mau tempo também me parece explicação curta.

Uma das melhores épocas dos últimos anos não tem estado a merecer o acompanhamento que é habitual nos jogos em casa, facto que não se verifica com tanta acuidade nos jogos fora, tendo em conta os valores médios habituais. A merecer análise cuidada por quem de direito. Perceber as razões que estão por trás do aparente alheamento é fundamental para se proporcionar um novo e melhor enquadramento.

Segunda nota estranha para um dos jogos em que o Sporting mais tenha dominado o Sporting de Braga nos últimos tempos mas que, por comparação, lhe proporcionaram muito poucas oportunidades de golo. Na primeira parte a melhor oportunidade foi do Braga, que haveria de redundar no golo quase patético às 3 tabelas: Rafa, poste e pé de Patrício. 

Esta é a terceira nota estranha, um golo como estes é raro, sobretudo ao nível de guarda-redes como Rui Patrício. Quanto a mim a única interpretação possível é que Patrício perdeu o contacto visual com a bola em algum momento ou foi traído pelo sentido do ricochete no poste. Um golo que o Braga pouco ou nada tinha feito para merecer. Uma punição imerecida e repetida em jogo consecutivo.

Como o futebol é um jogo de imponderáveis seria um penalty a repor alguma justiça no marcador, seguido de um golo de Slimani, de bem mais difícil execução e probabilidade de êxito do que outras oportunidades de que havia disposto. Um golo que aumenta as suas percentagens de eficácia/minutos de jogo e, dessa forma, coloca algumas interrogações sobre em quem recairá a titularidade no próximo jogo. Julgo que o presente jogo contudo serviu para reforçar as impressões anteriores: Montero e Slimani oferecem soluções diferentes à equipa, cabe ao treinador preparar a equipa de acordo com as características de cada um. Talvez, quem sabe, seja o momento de apostar naquele que está com melhor relação com o golo.  

Uma palavra final para a estranheza final: é pouco habitual ver o Sporting a jogar em casa com a aflição com que ontem acabou o jogo e que já se tinha notado também em Vila do Conde. Jardim explicou-a com a falta de maturidade. Eu encontro explicação na forma como mexeu na equipa. Jardim foi à procura da vitória num determinado momento, mas, quando esta chegou, a equipa estava longe de ser a que melhor estava habilitada para gerir o jogo. Essa gestão implicava forte reacção à perda e gestão criteriosa da posse  de bola. Com Martins, Vitor e Carrillo estaria, pelo menos em teoria, muito mais perto de o conseguir do que com Heldon, Magrão e Capel, embora a entrada do espanhol seja merecida e indirectamente responsável pela mexida na defesa de Paixão que haveria de ter influência no curso do marcador. É essa a importância tantas vezes subestimada de Capel.

Notas individuais:

Patricio - ficou quase tudo dito acima resta apenas dizer que soube mais uma vez responder ao infortúnio com grande serenidade, sendo importante ainda na manutenção da vitória.

Cédric - Faz quase tudo bem mas tem que tomar melhores decisões ao definir as jogadas e sobretudo centrar muito melhor. Muito do nosso jogo passa, por opção nítida de Jardim, pela execução desse tipo de lances pelo que só lhe resta aprimorar a sua execução.

Jefferson - centrar é o que ele faz melhor e desta vez estreou-se a marcar. Ficamos a aguardar pelos livres que o tornaram famoso.A defender tem de ser mais cuidadoso. Não que tenha falhado muito mas às vezes basta apenas uma vez e a de ontem podia ter comprometido a equipa num momento importante.

Maurício e Rojo - opto pela análise conjunta porque é nítida a empatia pessoal e o entendimento. Ontem foi um Rojo imbatível e concentradíssimo quem esteve por cima ao vir várias vezes limpar jogo à direita.

William Carvalho - Um caso em que o melhor é não dizer nada ou então tens que escrever muito. Imperial para o classificar parece quase um diminutivo.

André Martins - Não vou dizer muito mais do que já disse anteriormente. Continuo convencido, à semelhança do que disse no inicio da semana que, face à ausência de Adrien, o lugar podia ser dele, com ganho para a equipa.

Gerson Magrão - Compreendo as diversas razões subjacentes aos elogios de Jardim mas parecem-me exagerados face ao que produziu. Pouco intenso a defender, pouco exacto a definir, falta-lhe sempre alguma coisa. Nos momentos em que a equipa precisava de experiência é para jogadores com o seu estatuto que se olha. No caso de ontem "já não estava lá". Em seu abono fica a falta de ritmo, entrar e jogar ao mais nível é muito raro de se ver.

Mané - Jogador vital nos últimos jogos para a obtenção dos resultados. As suas acções directa ou indirectamente alteraram o curso dos acontecimentos. Que mais e melhor se pode dizer de um jogador da sua idade?

Carrillo - Um jogador especial e que merece atenção especial. No cantinho do meu sofá digo muitas vezes: ide assobiá-lo à ....

Slimani - Também já ficou quase tudo dito. Tem golos que têm valido muitos pontos. Chamar-lhe plano B nestas circunstâncias é ignorar que o A vem sempre antes do B, o mesmo é dizer que sem golos não 3 pontos. Para reflectir, sem dúvida.

Heldon - Não vou acrescentar nada ao que disse dele anteriormente, até porque o que fez ontem não trouxe nada de novo à colação.

Sobre a arbitragem uma palavra: gostei. Não que não tivesse isenta de erros pontuais mas percebeu-se da acção da equipa de arbitragem que não vinha com uma agenda escondida, como tantas vezes tem acontecido, até mesmo este ano em Alvaldade. Dizer isto do Soares Dias é um grande elogio, não é?

A maior nota de estranheza, e para rematar esta crónica, fica para o minuto de silêncio que não foi respeitado. O Sporting nunca foi isto e é uma pena que dê esta imagem de si mesmo.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Naufrágio esteve à vista na foz do Ave

Jogo extremamente complicado aquele que o Sporting teve que disputar no estádio dos Arcos e que, por pouco, não significou uma perda de pontos amarga. Para a complicação contribuíram em iguais partes uma equipa do Rio Ave bem organizada, com alguns elementos individuais muito interessantes e um onze do Sporting muito desligado. 

Se é verdade que há mérito do adversário nas dificuldades impostas não é menos verdade que algumas opções de Jardim se podem considerar no mínimo estranhas. É certo que o treinador acompanha durante a semana os seus jogadores e estará habilitado para perceber os que estarão em condições para lhe oferecer maiores garantias. Mas também me parece certo que, na hora de escolher os jogadores para as alas, o treinador parece ter visto a lista ao contrário. Carrillo, Carlos Mané e Capel - por esta ordem - parecem ter mais para oferecer à equipa do que Héldon e sobretudo Wilson Eduardo. As condições do terreno, a indicar que se agravariam com o decorrer do jogo, mais recomendavam a utilização inicial dos jogadores tecnicamente mais dotados.

Sobre estes dois últimos jogadores parece-me importante dizer mais qualquer coisa. Héldon acabou de chegar e é ainda um pouco cedo para uma apreciação definitiva, mas ainda não justificou o segundo lugar no pódium das aquisições mais caras da actual época, logo a seguir a Montero. Veremos o que se segue nos próximos jogos, mas até agora não lhe vi aquilo que pensava que iria trazer à equipa: velocidade e maior criatividade. 

Se a minha impressão inicial estiver correcta, é provável que os golos marcados pelo Marítimo contribuíram para uma miragem muito habitual e que, de alguma forma também se aplica a Wilson Eduardo e ao que fez na Académica: uma coisa é jogar no Marítimo, outra é jogar no Sporting. Ao Marítimo não se dedicam nem tantos cuidados nem atenções. Ao Sporting espera-se lá atrás com muitos mais homens e espaços reduzidos, exigindo-se por isso mais aptidões a quem veste a camisola. Para terminar diga-se que Wilson Eduardo está longe de ter a técnica e a velocidade necessária para extremo, ficando afastado das zonas centrais onde pode usar uma das suas melhores armas, o remate.

Há que dizer também que Jardim tem que reinventar o posicionamento e funções de André Martins, uma vez que é evidente a cada jogo que as actuais estão esgotadas. Como defendi aqui em post exclusivo sobre o tema, não estão em causa as qualidades do jogador - embora sejam cada vez menos os que pensam ao contrário - mas o que se lhe pede e o que ele pode dar. Insistir no actual modelo é pernicioso para a equipa e para o jogador, apesar do empenho com que se entrega ao jogo.

A juntar a estas opções tivemos em Vila do Conde uma equipa menos pressionante e com os jogadores muito afastados entre si, sobretudo na primeira parte, o que contribuiu para mais 45 minutos oferecidos de avanço, sem um único remate ou jogada dignos de registo.

O inicio da 2ª parte trouxe o golo do Rio Ave. Um golo fortuito  - Maurício teve uma semana azarada... - mas que tinha estado iminente ainda na 1ª parte e que havia sido salvo in extremis pelo mesmo Maurício e por Patricio. Atendendo ao que a equipa tinha feito até aí para chegar ao golo cheguei a temer o naufrágio como inevitável.

Seria determinante a entrada de Mané para agitar as águas e com o inevitável complemento de Slimani e Carrillo. Um golo de cada um dos dois primeiros, uma assistência do segundo e chegaríamos a uma vitória que se pode afirmar com segurança que foi o banco que rendeu.

Arrecadaram-se 3 pontos importantes mas este momento parece inevitável que Jardim repense o  seu modelo. A equipa não naufragou nas águas bravas do Rio Ave mais pelo arreganho do que pela qualidade. E da luta ficaram feridas que tornam vulnerável no próximo jogo em casa, com o Braga, com os impedimentos de Montero e Adrien. Mas a tantas vezes invocada atitude é apenas uma fracção que não dispensa a qualidade de jogo e essa esteve quase sempre ausente. Sem ela todos os jogos e adversários serão sempre muito difíceis.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Confirmação da existência de muitos interessados em Slimani


"Há muitos interessados em Slimani". As palavras são do agente do próprio jogador e  julgo que as posso confirmar: para já, e contas por alto, devem ser mais de três milhões de Sportinguistas. Em particular um que, ao meu lado no dilúvio de Arouca, o tratava carinhosamente por Arafat.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Primavera árabe anula efeitos do dilúvio

Jardim e Slimani, ontem talvez os homens mais importantes
Regresso ao Portugal profundo
Uns pequenos parágrafos para contextualizar o que os adeptos do Sporting foram ontem encontrar na viagem a Arouca. Embora eles escapem ao foco habitual de um espaço como este, creio que estas linhas farão sentido por um sem número de razões, entre as quais o facto de ser a estreia do clube pelas faldas da Serra da Freita. 

Quem acaba de sair da moderníssima mas deserta A32 e se depara com uma estrada estreita e sinuosa em direcção a Arouca, inicia uma viagem no tempo ao Portugal pré-UE e dos fundos comunitários que retalharam o país de alto abaixo com AE's,IC's, IP's e outros acrónimos. O mais estranho é que a tal A32, de 3 largas faixas termina quando mais era precisa e não deixa de nos fazer pensar que menos um corredor em cada sentido aproximaria Arouca e vizinha Vale de Cambra do centro de administrativo que é o Porto ou Aveiro. Um planeamento(?) difícil de compreender. 

Diga-se contudo que os arouquenses não se parecem ter tornado mais amargos com o facto de terem que pagar, como todos nós, sem poder gozar em plenitude das "virtudes" do Portugal moderno e são gentes hospitaleiras. De tal forma que, quando paramos para pedir informações, arriscamo-nos a entabular conversa que nos retiraria da razão pela qual empreendemos a viagem: ver o Sporting. E antes do inicio do jogo o speaker não se esqueceu de dar as boas-vindas aos adeptos Sportinguistas, desejos que não me lembro de ver expressos em qualquer outro campo.

Desporto de inverno
Os defensores de que o futebol é uma modalidade inverno tiveram no jogo de ontem uma excelente ocasião para reforçar a teoria. Mas certamente quando dedicaram o seu precioso tempo a elucubrar a teoria não o fizeram sob chuva gelada e impiedosa. Absolutamente inadmissível que a Liga e a FPF permitam que se cobrem 20€ pelo bilhete mais barato e ainda se obrigue os espectadores a aguardar à chuva longos minutos para poderem entrar, por haver apenas um torniquete e este estar avariado.

Sporting de chinelos de pelica
Entramos muito mal na primeira parte e foi de inteira justiça que o Arouca se tenha adiantado no marcador. O Sporting demorou todos os 45m para se entender com a bola, o terreno e sobretudo com as marcações. Bruno Amaro, (uma das nossas bestas negras pois, faz-nos golos quase a cada encontro) e Simão, com costas bem protegidas por Serginho, ensaboavam o juizo a Adrien, metiam Martins no bolso, e faziam William dar fraca conta de si. Sem saber muito bem como, descontando o facto de o golpe de cabeça de Rojo ter sido notável, conseguimos aquilo que não parecia estar ao nosso alcance: anular a vantagem dos locais e assim descer aos balneários.

Primavera árabe
A entrada de Slimani, por troca do inexistente Capel, provocaria a reviravolta no sentido do jogo. A sua presença permitiu esticar o nosso futebol uns bons metros em direcção à baliza de Cássio. O argelino lançaria o tumulto no extremo reduto amarelo a cada jogada, tratando a bola de forma bem mais eficaz que o seu jeito desengonçado permite adivinhar. Mas faria muito mais que isso, ao apontar o golo que nos daria a vitória, num lance pleno de intenção e com carimbo de ponta-de-lança. Nessa altura, e como a chuva não só persistia como ia engordando, já duvidava que conseguíssemos sair daquele lamaçal com os imprescindíveis 3 pontos.

Destaques
Do ponto de vista táctico, enquanto este aspecto tão importante do jogo não se afundou no dilúvio e na falta de jeito do árbitro, saliente-se a boa prestação de ambos os técnicos. Pedro Emanuel estudou bem a nossa equipa e armou a sua de forma a criar-nos dificuldades, como se viu. Jardim soube responder e até de forma ousada, especialmente quando abdicou de William Carvalho. No momento pensei tratar-se de um equívoco de quem segurava a placa, depois receei o pior. Adrien acabaria por dar razão a Jardim, o seu futebol mais simples não era menos eficaz e comportava muito menos riscos para a equipa. Uma lição que William fará bem em aproveitar, percebendo que o facto de estar a ter uma carreira acima das perspectivas gerais e até provavelmente as suas, não fazem dele insubstituível. 


Leões que sabem nadar
Numa equipa que se bateu como a nossa é difícil e quiçá injusto fazer destaques. Grande lição de querer e garra a premiar os adeptos que não se amedrontaram com a chuva. Mas parece-me que Rojo, Jefferson, Adrien e Slimani o merecem. Rojo estava a ser enorme, já tinha marcado e ameaçado marcar outra vez até o árbitro cair na parvoíce de querer compensar o excesso da expulsão de Tinoco com outro excesso. Jefferson foi responsável pela assistência do segundo golo e não foi por ali que houve grandes ameaças. Adrien esteve imperial e imperturbável quando a equipa cresceu e depois quando precisou de músculo e serenidade. De Slimani já foi quase tudo dito, espero que nos obrigue a voltar a escrever mais sobre ele em breve. Mas, no geral, a aplicação de todos sem excepção foi inexcedível.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chegou o pinheiro para Jardim: aí está Slimani, Super Slim para os amigos

Segundo a Antena1, assim de fininho, chegou Slimani Islam. Tem 25 anos, 1,87. Argelino, até agora jogador do Belouizdad e regularmente titular da selecção do seu país. Atendendo ao seu perfil físico estará destinado a colmatar uma vaga no esquema de Jardim, que carecia de um avançado que servisse de referência ao seu 4x3x3.  No último campeonato apontou 6 golos nos 30 jogos realizados e 10 golos nos últimos 14 jogos pela sua selecção.

A propósito deste jogador dizia Rui Malheiro na sua coluna sobre prospecção no jornal "O Jogo" no passado mês de Junho:

"Goleador da selecção argelina, onde tem vindo a fazer dupla com o vimaranense Soudani, apontou ao longo do último ano 9 golos em 13 jogos, o que despertou o interesse de clubes europeus.  Avançado centro poderoso do ponto de vista físico, patenteia astúcia a movimentar-se no limite do fora-de-jogo, ao tirar partido da sua mobilidade. Pouco virtuoso tecnicamente, é oportuno e agressivo dentro da área, define por norma com o pé direito ou através do jogo aéreo"


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