Fugas para a frente que Doyen e o rebanho leonino
Fugas para a frente que Doyen
A publicação do acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) a propósito do "caso Doyen/Sporting/Rojo" deixa claro que a estratégia de fuga em frente adoptada pela SAD era errada, tal como aqui foi afirmado várias vezes.
Teria sido preferível e mais avisado, tal como também aqui afirmamos, procurar um acordo para aquele caso especifico e deixar extinguir os restantes ainda vigentes, caso o Sporting não quisesse negociar mais com aquela entidade, pondo fim a uma relação que legitimamente não queria prolongar.
Os prejuízos económicos, que podiam ser nulos numa perspectiva pessimista, serão contundentes: A SAD tem de acrescentar aos 4,5 milhões já pagos ao fundo mais 10,5 milhões. Tem de pagar 90% das custas do processo e custear os honorários dos advogados e ainda parte substancial dos ordenados de Nani (1,8 milhões de euros), que eram encargo do Manchester United.
É importante realçar que, tendo que arcar com os honorários do nosso ex-jogador, o Sporting vê-se onerado por uma verba que também podia ter evitado pagar, transformando um excelente negócio num mero empréstimo por valores incomportáveis para a nossa realidade. Lembro que um dos principais argumentos contra os fundos eram uma forma de empurrar os clubes para os gastos excessivos.
Convenhamos que o acórdão não é de todo uma surpresa. Até um leigo percebeu logo no inicio deste caso que havia pouco ou nenhuma racionalidade na decisão da SAD e que esta foi tomada numa base populista e de fuga em frente. O que o acórdão agora acentua é que ou os advogados do Sporting foram incompetentes, o que deixa temer o pior para a sorte do recurso, ou a causa deveria ter sido entregue a S. Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas. Alguém andou a contar histórias aos Sportinguista.
O rebanho leonino
Discutiu-se ontem no Conselho Leonino a exoneração de um dos seus elementos, neste caso Rui Barreiro, sobre o pretexto de este não respeitar os regulamentos. Que eu me lembre é a primeira vez que tal sucede, embora não seja a primeira que membros daquele órgão expressam publicamente discordância ou desagrado relativamente à SAD ou assuntos relacionados com o clube. Parece-me estarmos na presença de mais um exercício de intolerância que a votação de um "pedido de demissão do próprio" estendeu até à tentativa de humilhação.
Isso é tornado claro nas afirmações do presidente do C.L.: "fica completamente isolado, é como se não existisse". Isto vindo de quem tem como cargo a representação de todos os associados, independentemente das suas convicções.
É lamentável que mais uma vez, e num registo idêntico ao que vimos no passado, os elementos daquele órgão se limitem a fazer "mééé", perdendo a oportunidade de prestigiar aquele órgão e justificar a sua existência, transformando-o num rebanho amestrado pela voz do pastor.
Duas notas finais não menos importantes sobre esta matéria:
- Seria interessante que, ao invés de uma declaração final aos jornalistas, fosse elaborado um comunicado que informasse a generalidade dos associados - que são a quem os órgãos sociais têm o dever de prestar contas - das matérias tratadas e do número de elementos presentes, bem como do número dos votantes. Gastou-se toda a tinta a falar da vida dos rivais? É que seria interessante descobrir como se chegou à percentagem de 99% dos votos expressos na votação.
- Este tipo de comportamento unanimista é em todo semelhante ao que se assiste em outros clubes. Nós, que tanto nos orgulhamos de apregoar a diferença, parece que nos queremos distinguir pela negativa. Estas são matérias cuja gestão do bem fazer depende não dos orçamentos mas apenas das convicções e dos valores de quem as administra.



