O que dizer das candidaturas de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira?
O Sporting já deu inicio à época 2018/19 mas as atenções continuam - e continuarão - centradas nas eleições e no que nos trouxe até elas. Assim, temas como o jogo de ontem e o regresso de Nani acabam por ficar para segundo plano no imediato, até porque haverá com certeza tempo para sobre eles dissertar ao longo da longa época já em curso.
Nesta conformidade, o longo desfilar de candidaturas, candidatos e intenções acabam por marcar a actualidade. Aí ganham relevância os "regressos" de Bruno de Carvalho e, imagine-se! Carlos Vieira em listas separadas.
Sobre Bruno de Carvalho, mais importante do que qualquer outra opinião, vale a pena dar conta do que pensa um dos seus mais perenes e indefectíveis apoiantes desde a primeira hora, isto é, desde 2011. Obviamente não vamos recuar tanto, nem ser exaustivos, vamos centrar-nos nos tempos mais recentes, aqueles que levaram os sócios a pronunciar-se de forma clara sobre a necessidade de interromper o mandato do anterior Conselho Directivo.
Estou a referir-me a Luís Paulo Rodrigues, conhecido Sportinguista ligado à comunicação e agora comentador na RTP. Infelizmente grande parte deste post estava já escrito e hoje este tema está nas paginas de pelo menos um órgão de comunicação social. Basta lembrar isto, sobre o que foi a sua própria leitura dos resultados da A.G. destitutiva:
"(...)acabando vergonhosamente destituído da presidência, com mais de 70% dos votos dos associados a retirarem-lhe margem de manobra política para poder recandidatar-se nas eleições marcadas para 8 de setembro.(...)Como diria o outro, só não mudam de opinião os burros. Não precisam é de quebrar a coluna vertebral para o fazer.
É aqui que se deveriam de centrar e iniciar todas as discussões sobre o tema da destituição e vontade de recandidatura de elementos do anterior CD: só a falta de reflexão e ponderação ou então, falta de dignidade e de vergonha é que não lhes permite perceber o que se passou e como desbarataram num ápice uma maioria perto da unanimidade, transformando-a num cartão vermelho.
Não consigo por isso perceber como pode Carlos Vieira pensar que se pode apresentar às eleições, julgando que conseguirá escapar entre os pingos da chuva copiosa das ilegalidades grosseiras ás simples asneiras estratégicas ou dos logros e faltas de respeito pelo regulamento disciplinar que os próprios fizeram questão de impor sob coacção de demissão há poucos meses.
Creio mesmo que começou precisamente por aí a mancha na imagem de credibilidade da acção de Carlos Vieira. Só por incúria ou por estratégia - inclino-me para a segunda - é que o CD deixou resvalar o "revolving" que resultou no incumprimento do reembolso do anterior empréstimo obrigacionista. Isto sem falar das consequências, entre as quais da necessidade do mesmo para suprir as surpreendentes dificuldades de tesouraria de umas "finanças exemplares".
Mas o pior para Carlos Vieira - mas sobretudo para o Sporting - foi a falta de análise do momento e de ausência de presciência na avaliação que obstou ao corte de um estranho e anacrónico cordão umbilical que o ligou a Bruno de Carvalho. Esta separação está atrasada uns meses para ser genuína. É aí que jazem a confiança e a fiabilidade que agora lhe faltará como candidato, deixando no ar a suspeição de estarmos na presença de um qualquer plano com maior ou menor grau de maquiavelismo para regressar ao poder.
Mas a última coisa que se deve fazer em relação a ambos e a ainda ao seu numeroso número de seguidores é o menosprezo. Basta olhar para os tempos mais recentes, para a importância da sua presença consertada nas redes sociais dos seus flautistas e harpistas, bem como na colocação estratégica de elementos com eles relacionados nas TV´s. Por exemplo, do próprio Paulo Rodrigues ou de Pedro Proença, cujos cantos de espuma de saliva e olhos arregalados são epítome da intoxicação e das teorias de conspiração que se derramam em doses diárias sobre os Sportinguistas. Ao contrário da narrativa, a queda com estrondo do anterior C. D. deve-se apenas aos próprios. Se há oportunistas, que os há sempre, foram eles que lhes escancararam as portas.
É muito provável que nenhum de ambos se consiga furtar às consequências disciplinares das suas próprias acções. Mas seria bom que se pudessem apresentar a eleições para definitivamente receberem e sobretudo perceberem o veredicto dos sócios. Mas também aqui é a eles próprios que devem pedir contas. Este ou qualquer outro Conselho Fiscal e Disciplinar não terá outra alternativa senão aplicar o regulamento em vigor e que os próprios fizeram questão que aprovássemos.
Um dia chegará que este Síndroma de Bruno de Carvalho, qual de Estocolmo, será apenas história e muitos dos que permanecem renitentes e em negação se apercebam do que foram realmente estes últimos meses. Mesmo que com as recaídas, que isto de ser livre também tem de se lhe ganhar o gosto pelo pescoço livre de coleiras e trelas, sobretudo para aqueles que ou nunca viveram de outra forma ou perderam o hábito.

