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domingo, 12 de maio de 2013

A queda de Jesus e outros dramas, horrores e tragédias

O expoente do drama, mais do que na mais verosímil representação teatral ou cinematográfica, surge sempre das imagens da vida real e Jesus, a cair de joelhos, fulminado pelo tiro do improvável e inestético Kelvin corre bem o risco de se tornar um ícone. Será, independentemente até de qualquer outro desfecho que venha ocorrer no campeonato, uma imagem que perdurará. Uma imagem ilegendável porque há nela muito mais do que mil palavras: a dor, a frustração, o anúncio da morte de um título ocorre em simultâneo com a exultação e o júbilo em pano de fundo. 

Como Sportinguista já tive muito mais "disto" do que julgava ser a quota de sofrimento que um adepto pode ser capaz de aguentar. Muito mais do que merece, seguramente. Por isso a última coisa que pretendo neste post é por sal na ferida dos benfiquistas nesta manhã, muito menos convocá-los para aqui despejarem a ira e a natural frustração. Há quem diga que vivem hoje algo semelhante ao que nos foi servido em 2005. Não é bem assim,há diferenças e substanciais. 

A primeira é que a Taça UEFA é ainda possível e mesmo que a percam não doerá mais do que perdê-la em casa perante os adeptos. Só os benfiquistas que viveram momento igual com o Anderlecht (olha, de Vercauteren) lhe conhecerão o sabor.

A segunda, e que marca uma grande diferença entre nós e muitos dos adeptos mais notórios dos nossos rivais é que em 2005 não festejamos antecipadamente, não reservamos o Marquês, não fizemos conferências de imprensa patéticas a tresandar a mau ganhar.

Uma última palavra sobre Jesus. Ainda não perdeu o campeonato mas pode muito bem retirar do jogo de ontem a lição de humildade que ainda lhe falta para se tornar um treinador ainda melhor do que indiscutivelmente já é. Não me esqueço da comparação jocosa que fez no final do derby. Mas se o jogo de ontem ditar a perda do campeonato bem se pode perguntar do que lhe valeu abdicar da identidade da sua equipa para acabar por perder. A forma como sofre o segundo golo comprova o erro, por mais tracção atrás que pusesse os seus jogadores não estavam preparados para jogar assim. Uma derrota assim será sempre mais dolorosa, porque não se perde apenas os 3 pontos,o campeonato,perde-se também a face.

Uma palavra para Vítor Pereira. Um underdog que, apesar das vitórias, não consegue ser visto de outra forma pela maioria dos seus adeptos, dos quais o Miguel Sousa Tavares é dos mais risíveis. O que escreverá ele na sua próxima crónica? A performance do Porto, e do seu treinador em particular, merece todo o destaque. Tratado com desprezo, vendo-se consecutivamente condicionado pela perda de valores sem substituição à altura. Basta olhar para o que era ontem o banco que tinha à disposição e que era o do adversário. Ninguém sabe onde meteram tanto dinheiro recebido com a catadupa de transferências milionárias para serem obrigados a negócios de ocasião de duvidoso acerto como Liedson e Izmailov. Vítor Pereira, que sintomaticamente celebrou sozinho o golo da vitória, teve ainda o bom senso de perceber que não ganhou nada sem ganhar ao Paços. O golpe de teatro é possível e ele sabe-o. A acontecer, talvez introduzisse alguma justiça para uma equipa que geralmente foi mais brilhante, mas o equilíbrio é o que normalmente faz os campeões, e essa é uma característica da sua equipa e não há como não lhe reconhecer o mérito.

Há outra razão, e de fundo, pela qual não encontro nenhuma vontade de me rir da empáfia dos lampiões ou do sofrimentos dos benfiquistas. Não que alguns dos primeiros não preferissem  neste momento, trocar de posição comigo. É provavelmente mais fácil lidar com a frustração de não ir à Europa do que perder um campeonato desta forma e viver com a angústia de não saber o que fazer de uma equipa destroçada que tem uma final pela frente. Essa razão de fundo não se limita apenas à ausência das competições europeias mas à consciência de que, quando o próximo campeonato começar eles  - FCP e SLB - estarão na Liga dos Campeões, têm um plantel valorizado e, consequentemente mais possibilidades de se refazerem dos desaires. Logo, ainda mais longe de nós.

Há duas formas de encarar isto. Com frustração e miserabilismo, destilando ódios. Outra é perceber que, tal como em 1975/76, em que também ficamos de fora da Europa,o Sporting não acabou. Talvez esta seja a altura de perceber que não é o tempo de virar as costas mas de dizer presente. Porque, como diz o aforismo, cair todos caem. A forma como te levantas é que faz toda a diferença. 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Pena que este resultado do Estoril só tenha acontecido ontem

Escrevo sem nenhuma satisfação pelo tropeção do SLB ontem perante os seus adeptos, mesmo reconhecendo que é um castigo mais do que merecido para a arrogância lampiã. (Continuo a achar que há benfiquistas e há lampiões. Os últimos já se desdobravam em foguetes e conferências de imprensa.) A falta de respeito pelos adversários e sobretudo a falta de respeito pelo futebol quase sempre sai cara.

Contudo o resultado de ontem significa a (quase certa) nossa ausência das competições europeias. É uma facada no orgulho e é, ao contrário do que se possa pensar, um obstáculo à recuperação do Sporting. Não significa apenas menos receitas de bilheteira e de transmissões televisivas, transforma-nos num clube menos atractivo para publicidade, investidores, parceiros e até para os jogadores. Para os que já cá estão e gostaríamos de renovar contrato e até para os que gostaríamos de contratar no futuro. Mas representa também menos um patamar competitivo importante, que permite o confronto com outros modelos e significa também a ausência da montra do futebol internacional que, em regra, confere outro valor acrescentado aos jogadores.

A razão do titulo prende-se com o inicio de época. O jogo com o Estoril em casa foi o último jogo em casa sob o comando de Sá Pinto e o penúltimo do seu mandato como treinador do Sporting. Então como ontem ao SLB, o contra-ataque do Estoril tinha feito gato sapato da nossa equipa e, então como ontem, o resultado foi um empate, como poderia ter sido qualquer um dos outros dois. 

Tivesse o jogo de ontem acontecido primeiro no campeonato é muito provável que o nosso desaire com a equipa da Linha pudesse ter sido evitado, pois poderia ter servido de aviso prévio. Ou talvez não, tendo em conta a forma desorganizada como entramos na época, mas poderia pelo menos atenuar o impacto que o empate viria a ter no desfecho da época.

A saída de Sá Pinto e sobretudo as decisões tomadas de seguida   acabaram por contribuir de forma decisiva para esta época miserável que nunca mais chega ao fim. Pesem embora os erros cometidos na preparação da época é pouco crível que descêssemos tão fundo se a opção tivesse passado pela sua manutenção. A passagem de Oceano e Vercauteren não significaram qualquer melhoria, antes o aprofundar dos problemas.

domingo, 30 de setembro de 2012

Sem força nem vontade

Sem qualquer força nem vontade para fazer a crónica do jogo de ontem, que tive oportunidade de ver em Alvalade. E foi de forma algo semelhante que, na maior parte do tempo a equipa do Sporting jogou. Muito diletante, parecendo demasiado confiante de que, mais tarde ou mais cedo, acabaria por vir ao de cima a superioridade que a distancia da equipa estorilista. Mas essa superioridade ontem pouco se viu porque, colectivamente, o Estoril, ainda até mesmo já em inferioridade numérica, foi mais equipa, demonstrou mais vontade e força interior para lutar pelo jogo. 

É-me difícil ajuizar as opções de Sá Pinto sem saber se o que muito que ontem falhou não é apenas das opções tácticas ou  do treino, embora esses factores também tenham que merecer reflexão. Mas, antes disso, está a vontade de vencer os jogos que, no Sporting, não pode começar depois de disputada mais de uma hora de jogo. Porque se os jogadores tivessem partido desde o inicio do jogo com a intensidade que demonstraram nos 20 minutos finais, dificilmente estaríamos hoje a lamentar mais uma perda de pontos com equipas que lutam para permanecer na primeira divisão.

Como sabemos, é com estas que se perdem os campeonatos. Não é como diz o Rui Patricio que há muito campeonato pela frente, porque muito deste começa já a ficar para trás, alienando o maior capital que uma equipa tem juntos dos adeptos: a esperança. A menos que o muito campeonato pela frente de que fala seja o da próxima época...

Os mais de 35 mil espectadores ontem presentes mereciam muito mais do que lhes foi oferecido. 

Ficha do jogo:

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Este grupo está todo esfrangalhado


Este grupo está esfrangalhado


Os futebolistas estão cansados do treinador, o treinador acumula problemas com os futebolistas.
Sá Pinto está sem apoio da estrutura e isolado

Sá Pinto está por um fio

Sá Pinto é uma aberração da natureza
 

Tudo isto foi alimentado estes dias por adeptos, até "paineleiros sportinguistas, passando por três diários desportivos, a tentar lidar diariamente contra a sua óbvia inutilidade." 

Mas quem julga que os rumores ficarão por aqui, que se desengane. Ainda ontem foi desmentido, por Sá Pinto, o boato de que Elias tinha abandonado o estádio quando soube que não fazia parte das opções do treinador, quando afinal tinha ficado durante o jogo e estado no balneário com a equipa a comemorar a vitória no final do jogo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Assim é impossível ganhar!

Liiiiiindo!
Quem tem Xandão pode perder um jogo em qualquer ocasião

Com adversários que marcam na primeira oportunidade de golo é sempre mais dificil de ganhar, especialmente quando se vivem momentos de angústia.

Com perdas de oportunidade consecutivas 

Com Sá Pinto a abdicar de tudo o que estava a fazer bem para se lançar na pior das vertigens: pensar que um jogo se pode ganhar porque se joga com muitos avançados, esquecendo-se que, sem ter quem lhes faça chegar a bola, só com muita sorte se chega ao golo. E essa, diga-se também não que nada connosco.

Uma louvor para os jogadores, não jogaram sempre bem mas deram tudo o que o fisico permitia.

Hã, que é isto? Perguntarão os meus caros. 

Pois era isto o que tinha escrito na minha cabeça a partir das substituições feitas na segunda parte. Sá Pinto arriscou e ganhou, poucas vezes o conseguirá desta forma. Mas ele mais do que ninguém merecia e esta vitória permite-nos entrar num novo capitulo neste campeonato.

E agora vou ali vomitar o jantar e chorar as lágrimas que consegui travar desde o golo de Wolfswinkel. Com aquele grito imortal: eu te amooooo meu Sporting!

Equipas: 

Sporting:
Rui Patrício
Cédric, Xandão (Carrillo), Rojo, Insúa
Pranjic (Labyad), Rinaudo, Izmailov, Capel
Viola (Jeffrén), Wolfswinkel


Gil Vicente:
Adriano
Luciano Amaral, Cláudio, Halisson, Daniel (Éder)
Luís Manuel, André Cunha, Tiero
Luís Carlos (Djalma), Pedro Pereira (Leonardo), Brito

Marcadores: Luís Carlos (6'), Capel (75'), Van Wolfswinkel (84')

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Sporting tem os direitos limitados? E quando deixou de ser grande?

Bastaria um sopro para os rios de tinta que correm desde domingo à noite sobre o empate do Sporting na madeira terem sido poupados. Agradeceríamos todos os Sportinguistas em particular e os portugueses em geral, atendendo ao estado depauperado da economia. 

E que sopro faria tamanha diferença? O do Carlos Xistra no apito, validando o golo nascido a remate de Capel. Se dúvidas houvesse basta ver a fotografia do lance no Record e lembrar que o guarda-redes maritimista antes de parar a bola em cima da linha ainda faz um movimento final, tirando-a por isso dentro da baliza.
Alguma dúvida?
O lance é de difícil juízo e passível de erro? Sem dúvida mas isso não invalida um golo. 

O árbitro estava mal colocado e o respectivo assistente tinha a linha tapada? Mas isso também não tira a bola dentro da baliza. 

Mas a história não fica toda contada neste lance uma vez que o golo do Marítimo, que dá o empate, surge de uma falta inexistente. Este sim, foi um lance que o árbitro podia e devia ter ajuizado melhor e se não o fez foi pelo menos incompetência. Vindo do artista Xistra, que há precisamente um ano nos deu mão e mais tudo o resto que não lhe pedimos diz muito. 
Só estranho é que porque não jogamos bem haja quem entenda que não temos o direito de reclamar. 

Por acaso quem não joga bem tem os seus direitos diminuídos? 

Quantos campeões são feitos e desfeitos nas primeiras jornadas por lances como o que descrevi acima? 

Exemplos não faltam. O mais lamentável em tudo isto é que o PMAG, representante de todos os Sportinguistas, venha hoje na sua crónica dar o flanco - ou abrir as pernas? - considerando que não temos razões de queixa da arbitragem.  Se houvesse um campeonato da ingenuidade éramos decacampeões de 10 em 10 anos!

Por falar em PMAG já devem ter reparado, quem vê a TVI, que anda por lá um fulaninho ( que é representante do Braga)  que não sossega a passarinha enquanto não achincalha o nome do Sporting via Eduardo Barroso. Para quem dúvidas basta olhar o tom no mínimo provocatório com que, ufano, anunciava no seu perfil de Facebook, a sua participação no programa de segunda-feira passada:
O "anúncio" de Jorge Sequeira
Deixo de lado mais uma vez as considerações sobre a participação de um PMAG ( o Sporting nisso é original, os 2 últimos em funções cumularam a nobre função de representar os adeptos Sportinguistas com a de vulgares paineleiros )  em programas da estirpe do da TVI ou SIC. Volto ao paineleiro representante do Braga, cuja argumentação se baseia quase sempre na repetição da ideia de que o Sporting já não é um grande. 

Percebo a estratégia, em tudo semelhante à de Pinto da Costa quando chegou ao Porto. O primeiro grande adversário foi o Sporting para hoje ser quem é. É por isso que o Braga, cujo mérito no seu crescimento é indiscutível, mas que está longe de poder ser considerado um grande - e títulos? - não pode ser negligenciado. Porque vale o que sabemos que vale e mais ainda por, por esse valor, poder ser instrumental na estratégia dos que sabem que quanto menos comerem do bolo maiores são as fatias disponíveis...

Enquanto assistia à participação do triste fulano - por acaso, uma vez que cheguei a ela num zapping - que, de forma vil, não se escusava a usar dados falsos para estribar as suas intervenções, tendo sido desmentido em directo e obrigado a pedir desculpa de forma patética, dei comigo a constatar que ele usava mais menos os mesmos argumentos e dúvidas que durante o dia tinha visto Sportinguistas proferir por causa do empate na Madeira. Senão vejamos:

 " Já não somos um grande", "Qualquer merda vem jogar sem medo a Alvalade", "Com esta mentalidade vamos longe vamos...lutar para não descer" "Ser-se Sportinguista neste momento, é ser-se burro".

Quando as dúvidas começam em casa é difícil fazer valer os argumentos fora dela. Para esses lembro que o Sporting é um grande clube com mais de cem anos de história, com grandes campeões e grandes conquistas que não serão apagadas nunca por momentos menos bons. 

As instituições, tais como as pessoas, têm momentos grandes e pequenos e é a forma como os vivem que os distinguem dos outros. As piores derrotas acontecem dentro de nós, quando nos sobram as dúvidas e nos falta a convicção.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mudar ou não mudar (treinador, direcção) é sempre a mesma questão

Estamos apenas nas 3 primeiras jornadas do campeonato e perdemos já 7 dos 9 pontos em disputa. Os Sportinguistas - TODOS, convém lembrar - estão cansados, desiludidos, amargurados. Anos a fio sem ganhar parecem ter esgotado a paciência e a resiliência de muitos, por isso não falte quem vire as costas, porque se perdeu o poder de encaixe. Há os que, não o fazendo, protestam e apontam todo o tipo de soluções, o que é sempre a tarefa mais fácil, dado que nenhuma dessas propostas é testada pela realidade. E depois há os outros, muitos outros e muitas outras reacções.

Dentro das reacções mais comuns é apontar-se o treinador como principal culpado, logo seguido por quem o escolheu: a direcção. Ou ambos, como também se ouve. E  a solução apontada mais comummente é o baralhar e dar de novo: novas eleições, ou novo treinador, ou até as duas. Aceito qualquer uma das soluções ou até ambas, desde que me garantam que a mudança trará os resultados que TODOS queremos. Alguém o pode fazer?

Não me parece que esta seja a hora de colocar em causa o lugar de Sá Pinto mas os que o decidirem fazer conseguem garantir que outro, no seu lugar garantirá os resultados que não surgem?

E se os que entendem que devemos mudar de direcção agora o que dirão se para o ano  enfrentarmos mais ou menos os mesmos problemas? Mudamos novamente tudo outra vez?

Sei que é impossível ter esta discussão de forma saudável sem voltarmos aos velhos chavões, do "isto não é o Sporting" até chegarmos ao inevitável "roquetismo". Ainda ontem Abílio Fernandes declarava que ""as últimas duas décadas foram uma tragédia no Sporting". Mas e os outros vinte antes, dos quais ele foi dirigente em alguns deles? Quantas vezes se ganhava? Que estádio tínhamos? Que pavilhão?

Se é verdade que o projecto Roquete esteve longe de chegar à terra que fora prometida, é bom não esquecer que uma das razões para a mudança então verificada, adoptada a nosso reboque pelos nossos rivais, foi o esgotamento de um modelo de gestão, já completamente anacrónico e obsoleto da forma de gerir um clube que movimentava milhões. Uma verdade não pode excluir a outra.

Não há receitas mágicas, menos ainda quando os resultados têm que ser alcançados através da forma mais aleatória possível como é um jogo de futebol. Mas o que também se constata é que não é por falta de mudanças que o Sporting não ganha. Pinto da Costa desde que chegou a dirigente do seu clube já conheceu dez presidentes e um número infindável de treinadores leoninos. Luis Filipe Vieira, que chegou muito depois, já se cruzou com quatro.

O momento é delicado, não tanto porque o atraso seja irrecuperável, mas sobretudo pela antecipação do que pode vir a acontecer, se os resultados e exibições actuais se mantiverem. Talvez o mais aconselhável nestas alturas, em que se navega em águas agitadas, seja não fazer balançar ainda mais o barco. Sem prejuízo de, em altura mais aconselhável, se fazerem as devidas contabilidades.

Esse sim é um caminho, o do recato e da reflexão, poucas vezes seguido nestes momentos e como nunca foi testada, talvez merecesse agora uma oportunidade. Pior do que está não será com certeza.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Como olhar o resultado, a exibição e o futuro

É muito difícil escrever a seguir a um resultado como o de ontem, na Madeira. Antes de o começar a fazer perguntava-me a mim mesmo, num exercício que procuro fazer sempre que escrevo, "e se tivéssemos trazido os 3 pontos, como podia ter acontecido, escreveria a mesma coisa?". Provavelmente não, embora pela forma como decorreu o jogo, subsistiriam razões para o fazer.

Como olhar para o resultado
Quando se deixa fugir uma vitória a 3 minutos do fim, seja qual for a prestação da equipa durante os 87 minutos anteriores, é inevitável o sentimento de frustração. Olhando para o jogo em abstracto, e levando em linha de conta o histórico recente com o Marítimo de Pedro Martins (perdemos 6 pontos o ano passado!), e as dificuldades que poderá também fazer sentir aos nosso rivais, o empate seria tudo menos um resultado inesperado, por mais difícil que seja "engoli-lo". Mas é impossível não olhar este jogo carregado pelo passivo acumulado de maus resultados no campeonato, onde continuamos sem vencer, acrescido do facto de perdermos 2 pontos ao bater do gongo.

Como olhar para a exibição
De duas formas distintas, pois foram assim as 2 partes do jogo. O Marítimo não foi surpreendente, mas foi eficaz na forma como condicionou a construção do jogo na primeira parte. Com uma clara linha de 4 em frente aos nossos defensores e Elias mais Gélson que, para este momento do jogo, não conta muito. Com isso isolou Adrien e Izmailov, e só não fez o mesmo com Carrilo porque o peruano é o jogador em melhor forma e com confiança para arriscar no um para um. Mas, no computo geral, pouco soube o colectivo aproveitar. 

A segunda parte foi melhor porque Sá Pinto fez Adrien descer para se encontrar ao meio com Elias, unindo um pouco mais as pontas soltas do primeiro tempo. Infelizmente não foi tão feliz nas substituições, onde deu uma no cravo - André Martins - e outra na ferradura - Capel. Não tanto por este ter falhado infantilmente um golo feito, mas por não ter trazido a segurança de posse de bola que necessitávamos e por ser muito mais inconsequente nas suas acções do que Carrilo. A entrada de Carriço era necessária, no momento, face à colocação dos 2 avançados encostados aos centrais  por Pedro Martins. Carriço acabaria por poder ter desfeito o empate, na última oportunidade de golo do jogo.

Como olhar o futuro próximo
Há dias perguntava aqui se, após o fecho do mercado e a paragem do campeonato, estaríamos mais fortes ou menos fracos? Talvez nem uma coisa nem outra. É óbvio que tem havido uma grande infelicidade em alguns resultados (ontem e com o Rio Ave), mas também me parecem que os problemas detectados desde o inicio da época permanecem por resolver. 

Decorrido todo este tempo, e agora que entramos num período em que, com jogos de 3 em três dias, praticamente não se treina, é de esperar mudanças substanciais? É muito pouco provável que tal venha a acontecer, a menos que, uma série de vitórias venha dar alento e permitir gerar um acréscimo de confiança capaz de superar os problemas. Mas aqui já estamos no campo do wishful thinking. Para ganhar um campeonato é preciso muito mais do que isso.

As maiores dificuldades continuarão a ser sentidas nos jogos nacionais. Creio que, com maior ou menor dificuldade, "isto" vai chegar para esta fase da Liga Europa.

O que está a correr mal?
Não são apenas os resultados, são também as exibições. Ontem, no computo geral, com um adversário mais difícil que os anteriores, a equipa pareceu ter subido um pouco de nível, mas continuam a subsistir os problemas na construção do jogo e na manobra ofensiva. Deixo de fora, para uma segunda observação, as transições defensivas do jogo de ontem, tendo em conta que o Marítimo é especialista a causar dificuldades neste tipo de acções. Mas são evidentes alguns problemas cruciais: 

1- A falta de dinâmica na movimentação dos jogadores, com poucos apoios para progredir. Na primeira parte não conseguimos praticamente uma única jogada com principio, meio e fim.

2- Uma estranha propensão para centrar, e por vezes rematar, de qualquer forma e de qualquer lugar. O voluntarismo pode servir o Marítimo, mas não serve ao Sporting.

3- A tendência da equipa ficar partida em 5 de um lado, (defesas e dois médios) e 4 do outro.

As atenções estão concentradas em Sá Pinto. O mesmo treinador que, o ano passado, em circunstâncias difíceis, percebeu muito bem o que poderia e onde deveria mexer. Mas que este ano ainda está longe de demonstrar a mesma clarividência perante um desafio maior mas também com mais e melhores condições: mais tempo, ajustamentos do plantel segundo as suas ideias. Nada está perdido mas o cenário é cada vez menos prometedor. Se dúvidas houvesse basta olhar para o plantel de ponta a ponta e, à excepção de Carrillo, todos estão a milhas do melhor do seu potencial.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Estamos mais fortes ou apenas menos fracos?

Um post breve procurando reflectir sobre o valor da equipa do Sporting sob 2 perspectivas:

1) No curtíssimo prazo, tendo em conta a longa paragem do campeonato e 2) sobre o nosso valor relativo, tendo em conta a importância das mexidas no plantel dos nossos competidores directos.

1) Já me perguntei vezes sem conta que importância terá para a evolução das prestações da equipa a paragem prolongada do campeonato, tendo em conta que 2 semanas de treino permitirão aprofundar estratégias e rotinas colectivas, cuja necessidade tinha ficado expressa nas exibições registadas desde o inicio de época. Por outro lado, a vitória na Liga Europa, não sendo propriamente retumbante, permitia o regresso de alguma serenidade que, pelo que se tinha visto no jogo com o Rio Ave, era também necessária, não apenas no relvado mas também no banco.

É difícil, neste tema, ser categórico. O treino, especialmente se foi usado para fazer algumas rectificações, ou até alguma reflexão da equipa técnica sobre estratégias, metodologia e operacionalização adoptadas, é fundamental. Mas o mesmo se pode dizer da competição e, na maior parte das vezes, as vitórias fazem mais por uma equipa que algumas dias de treino não conseguem, especialmente quando se trabalha bem, mas os resultados não surgem. Mas quase duas semanas sem competir - não me apercebi de um jogo treino sequer - não me parece ser vantajoso para o ritmo da equipa.

2) Não vejo como seja possível afirmar que as saídas registadas nos nossos concorrentes directos não venham a ter reflexos nas suas prestações no futuro. Hulk, Witsel, Javi e Lima - é preciso não deixar de fora o Braga, que nos últimos 3 anos ficou há nossa frente 2 vezes - eram não apenas dos melhores, mas também não deixaram descendência nos planteis a que pertenciam. Isto quer dizer que, para colmatar a sua ausência, os respectivos treinadores serão obrigados a corrigir as suas ausências com jogadores de nível individual neste momento inferior e/ou a fazer ajustamentos na sua estratégia de jogo. 

Qualquer uma das soluções a adoptar aproxima-nos dos que estavam à nossa frente, (SLB, FCP) e distanciam-nos dos que estavam atrás (SCB). Para que isso tenha alguma expressão na tabela classificativa é também importante que nos apresentemos nos próximos compromissos mais fortes do que estivemos desde que se iniciou a época. Nesse sentido o jogo na Madeira terá uma importância crucial.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Guimarães confirmou as boas e as más noticias

Foto MaisFutebol
Foi decepcionante sair de Guimarães sem os três pontos quando fomos a única equipa que os procurou em campo e essa foi uma das razões que me levou a guardar para hoje o post sobre o jogo. Evitar ser apenas mais um, entre muitos, a destilar frustração em cada linha e digerir melhor o que me foi dado observar foram as razões do atraso.

As boas noticias
Este será com certeza um Sporting diferente e creio que muito mais forte e personalizado do que o que nos foi oferecido nos últimos anos e muito à imagem do seu treinador. Os princípios de jogo que este pretende parecem-me, em geral, correctos para as necessidades das competições nacionais, mesmo considerando a necessidade de óbvios apuramentos, dos quais se falará mais adiante. Notou-se em especial na segunda parte, mas foi comum a todo o jogo, um Sporting dominador e mandar no jogo, sem com isso dar espaços ao adversários que permitissem a este apanhá-lo em contra-pé. Patrício foi apenas chamado a uma defesa sem grande dificuldade. 

Muito diferente do que observávamos há um ano a esta parte, em que víamos um Sporting tão depressa no ataque como com o credo na boca para suster os adversários que, em 2 ou 3 toques, semeavam o pânico no nosso último reduto. Esta melhoria não se deve apenas à mudança dos actores do quarteto defensivo, mas a um guião completamente novo, da autoria do treinador, e cuja interpretação responsabiliza todo o colectivo. Que este Sporting será muito difícil de bater é uma ideia que ganha cada vez mais força à medida que se acumulam os jogos. 

As más noticias
Os receios de um Sporting demasiado curto, e que resultavam da observação dos jogos de preparação acabaram por se confirmar. Para isso também contribuiu um Vitória muito bem organizado e de tracção total atrás, figurino que o Sporting terá que aprender a contrariar para fazer valer a sua candidatura, porque esse será o prato mais comum na ementa do campeonato. 

Percebo a ideia de Sá Pinto ao optar por um Gelson mais retraído, no sentido de resguardar as costas da equipa, mas para isso teria que, à sua frente haver uma dinâmica que, por ora, não se vê e que apenas se intui quando Elias sobe a apoiar.

Os extremos Capel e Carrilho jogaram demasiado em linhas paralelas e pouco em diagonais. Capel esteve, como todo o sector mais avançado, sem espaço e muito desinspirado, acabando demasiado tempo em campo para o que produziu. Carrillo esteve bem inicialmente mas, talvez pelo jogo e viagens do meio da semana, foi desaparecendo gradualmente até se apagar. 

Ao centro Adrien jogou sob vigilância apertada, muito isolado, de costas ou de lado para o jogo, não podendo usar um dos seus melhores trunfos que é a sua visão de jogo e consequente capacidade de vislumbrar linhas de passe que poucos descortinam. André Martins substitui-o, posicionando-se um pouco mais atrás e o nosso domínio acentuou-se. Mas, ao contrário do que sucedeu na primeira parte, em que conseguimos criar perigo pelo centro e a melhor oportunidade do jogo por Carrilo, o Vitória soube fechar por aí os caminhos, empurrando-nos para as laterais e isolando Wolfswinkel do resto da equipa.  A entrada de Labyad pouco alterou o curso do jogo, ficando por perceber o que pretendeu Sá Pinto com a entrada de Jeffren já quase nos descontos.

Conclusões
Um jogo apenas no campeonato é cedo para tirar conclusões definitivas mas, somado aos jogos de preparação, permite verificar as tendências ou, se quisermos, o esboço do que o que pretende Sá Pinto. Falta ainda tempo para que este Sporting se consolide que, como sabemos, é coisa que não existe em futebol. 

Parece haver demasiada obsessão pela posse da bola e do controlo do jogo - que em si são óptimos princípios - mas que precisam de ser temperados com maior rasgo ou risco. Fazê-lo sem abrir os caminhos para a nossa baliza é mais difícil de fazer do que simplesmente o afirmar.

Os diagnósticos de que a equipa não corre, não se empenha, não tem velocidade parecem-me primários, pelo menos em relação ao jogo de ontem. Com 11 jogadores atrás da linha da bola não há muito por onde correr nem é muito fácil ser rápido e simultâneamente eficaz, sem perder a bola ou a objectividade.  

Os resultados assumirão, estou certo, e passe a conclusão "lapalissiana", importância transcendental nesse processo de consolidação da equipa. O que é agora apenas uma crisálida com alguns traços interessantes pode transformar-se numa borboleta vistosa ou crescer e morrer assim como está neste momento. 

Tem agora a palavra Sá Pinto que, melhor do que ninguém, tem que confiar no seu trabalho. Além de ser possível afinar a máquina com vista a obter melhor dinâmica e intensidade (que pareceu faltar em alguns momentos) o treinador tem ao seu dispor alguns elementos como Rinaudo, Schaars, Jeffren, Labyad e até Pranjic que podem constituir alternativas e com ganhos sobre alguns dos que ontem foram titulares.

domingo, 19 de agosto de 2012

É hoje, no berço da esperança

Ver o Sporting jogar em Guimarães é uma das minhas deslocações preferidas. Talvez pela sensação "bittersweet":  gosto muito da cidade, gosto muito da forma apaixonada como os seus adeptos vivem o seu clube. Do lado amargo, uma franja relativamente numerosa de apoiantes que, de forma frequente, não percebem a diferença entre a rivalidade e a falta de respeito pelos adversários, sendo muito frequentes episódios violentos. Acresce ainda o facto de qualquer equipa do Vitória, para poder reclamar o apoio dos seus, ter que deixar tudo em campo, seja qual for o momento e a categoria dos seus jogadores, o que torna as nossas vitórias lá ainda mais apetecíveis.

Mas havia de chegar um dia em que teria que faltar - já não me lembro qual foi a última vez em que tal sucedeu - e este vai ser um ano. A conjunção de uma série de factores da minha vida pessoal assim o determinou. Digo-o com pena por mim, porque o Sporting faz-me falta, - já lá vão uns meses do último jogo ao vivo e nem é uma recordação feliz, pois foi no Jamor... - mas não por causa do apoio que, estou certo, não faltará.

Não vi nenhum jogo do Vitória, pelo que não sei que efeitos terá tido no seu plantel a revolução operada esta época, com a partida de jogadores carismáticos e de valia. Mas Rui Vitória é indiscutivelmente um dos melhores treinadores da Liga e saberá organizar a sua equipa de forma a vender por alto preço cada um dos 3 pontos em disputa, sabendo nós que a sua totalidade é a única coisa que nos interessa.

Qual será a primeira equipa que Sá Pinto apresentará será uma das perguntas que mais passa pela cabeça dos Sportinguistas. E fazê-la é constatar que há muito maior equilíbrio hoje no plantel, onde existem poucos indiscutíveis. Esse núcleo duro e a base serão, por certo, Patricio, Boulharouz, Rojo, Ínsua (pela lesão de Pranjic), Elias e Wolfswinkel (é o unico para a sua posição, Viola não está inscrito e Rúbio castigado). Equilíbrio que é feito em alta, tendo em conta que titulares indiscutíveis do ano passado deixaram de o seu este ano, o que é sem dúvida um motivo acrescido para esperar um bom ano. 

Constatada a mais-valia do actual plantel subsistem ainda algumas dúvidas sobre o quanto vale esta equipa no momento actual e face ao que fomos vendo no inicio de época. Um bom começo em Guimarães ajudará a estabelecer uma relação de confiança entre a equipa e os adeptos e sobretudo no seio do plantel. A dinâmica de vitória é muitas vezes a melhor táctica, a melhor preparação física, o único doping legal. 

Grande parte dos campeonatos são ganhos nestes jogos em que as equipas estão ainda à procura da sua identidade. Talvez por isso estejamos também habituados a vermos as nossas possibilidades decepadas à nascença. Que isso não aconteça hoje, no berço da nacionalidade e no dia em que renascem todas as nossas esperanças num ano à Sporting.

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