Faz sentido, ao fim de 3 jogos oficiais, proclamar a crise de Wolfswinkel? Talvez, mas daí a por-se em causa o seu valor e esquecer o que já fez com a nossa camisola vestida é pelo menos uma evidência de ingratidão. A fazer lembrar aqueles que só se lembram dos outros quando estes têm que algo para dar.
Os adeptos não têm necessariamente que ser amigos dos jogadores, mas devem ter memória, independentemente das suas preferências. E Wolfswinkel, para lá dos golos que já marcou, é, em campo, um exemplo de abnegação: mesmo quando as coisas não lhe correm de feição nunca desiste de um lance, nunca regateia esforços e é, ao contrário de muitos jogadores na sua posição, um verdadeiro jogador de equipa. E nunca é demais lembrar que o ano passado, por esta altura, quando ainda nem se conhecia bem o seu valor, se pedia a sua entrada para o lugar de Postiga, quando hoje se diz dele precisamente que é o novo... Postiga.
O valor de Wolfswinkel parece ser agora um dos temas centrais de discussão, o que de certa forma tem sido induzido por uma comunicação social sempre ávida de títulos polémicos, no que grande parte dos Sportinguistas se tornaram de há muito vitimas fáceis. Sportinguistas que, em grande parte, não desdenharia de receber em bandeja um dos melhores avançados do nosso campeonato, Lima, antes que soe o apito final da temporada de transferências.
Lima cuja qualidade ninguém discute, mas que, sendo mais velho e pretensamente mais experiente, tem tido um inicio de época de produção em tudo próxima dos mesmos zeros que afectam Wolfswinkel. Ainda ontem, no jogo de boa memória para o clube que representa, várias foram as vezes que demonstrou estar ainda longe da produção que o tornou um dos jogadores mais apetecíveis. Lima que tem por trás dele um clube menos exigente, uma equipa a respirar melhor e mais equilibrada que a nossa.
Há quem se tenha apressado a dar como bem vendido Wolfswinkel pelos 18 milhões que os russos acenaram e que terão sido liminarmente rejeitados pela SAD.
Bom ou mau negócio?
Quanto vale afinal Wolfswinkel?
Duas perguntas muito fáceis, óbvias até, mas de difícil resposta. No futebol não faltam exemplos de negócios que pareciam apenas razoáveis e que no futuro passaram a ser vistos como grandes oportunidades perdidas. Moutinho teve uma proposta de 17 milhões do Everton e saiu como saiu. Veloso passou por uma situação semelhante. O FCP vendeu há dias um lateral por metade do preço que podia ter vendido há apenas um ano pelo dobro e tem encravado Rolando, cujas propostas actuais dificilmente igualarão as dos anos transactos.
O futebol é o momento e este seria um momento desastroso para vender Wolfswinkel. Não só porque dificilmente encontraríamos alguém com as suas características (preço, qualidade, idade, margem de progressão/valorização) como alguém que estivesse identificado com o jogo da equipa. Não que não haja jogadores assim mas significaria um arriscado tiro no escuro e se é algo que não precisamos neste momento é de maior instabilidade.
Quanto ao valor de Wolfswinkel esse será mais fácil de vir ao de cima num ambiente exterior que não lhe seja hostil, como é óbvio. E a sua produção será tanto maior quanto maior for a da equipa que está atrás dele. O que se está a pedir neste momento ao nosso melhor avançado é que esteja perto da infalibilidade: as oportunidades de que tem disposto (excepção feita ao jogo da Liga Europa) têm sido escassas e quase sempre in extremis. Sendo óbvio nas suas decisões, passes e remates, que ainda se encontra longe do seu melhor e estando a equipa a atravessar um mau momento é legitimo, ou pelo menos inteligente, colocar em causa o seu valor em função dos golos que não tem marcado?
O que foi dito acima não invalida a discussão sobre a necessidade de um ponta-de-lança. Discussão que ainda assim me parece válida quando temos já Viola, pese embora o desconhecimento do seu valor para a generalidade dos adeptos.
Não tenho dúvidas na resposta e até no perfil parcial. Para os objectivos de uma equipa como o Sporting parece-me necessário mais um avançado e, de preferência, com uma tarimba que ainda é cedo exigir a jogadores com 21 e 23 anos, como são Viola e Wolfswinkel. Se mais móvel ou mais fixo deixaria isso para Sá Pinto. Se o podemos pagar isso é outra questão, que talvez passe pelo aliviar da folha salarial dos compromissos pesados com Pongolle, Bojinov e até de Onyewu e Izmailov, com quem o treinador não parece contar.
Não me parece que Wilson Eduardo seja um jogador com características para ser tido como uma alternativa ao ponta-de-lança de referência e vejo com bons olhos a sua partida para a Académica, ante a perspectiva de parar um ano a sua evolução. Rúbio está ainda a precisar de rodagem, embora me pareça merecedor de um upgrade de cenário: seria jogador para a divisão superior, mas com inconveniente de deixar de estar disponível como está na equipa B. Betinho e Etock não entram ainda nestas contas, embora pelo menos do primeiro se possa esperar muito no futuro.
Olhando para todos estes jogadores é muito provável que o Sporting tenha um futuro de qualidade assegurado mas para que ele surja de forma equilibrada são importantes os resultados do presente. Não é justo nem avisado entregar a tanta juventude a arte e a sorte de marcar e com isso de decidir jogos.