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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Apresentação: João Mário, o público, o relvado, os reforços, o jogo, a esperança e a apreensão


Público 
Não surpreendeu ninguém que a apresentação aos sócios contasse apenas com cerca de sessenta por cento da lotação do estádio. Os resultados negativos até agora coleccionados, a falta de reforços e a excessiva indefinição do plantel, a par das férias e calor estival certamente a assumirem aqui a responsabilidade pelo grosso das ausências. Muito longe portanto do momento de grande entusiasmo vivido o ano passado com contratação de Jorge Jesus.

Relvado 
Um dos artistas da noite não jogava mas tem importância primordial no sucesso da equipa, nos jogos em casa: o relvado. As primeiras impressões deixadas são positivas, registando-se muito menos levantamentos no relvado do que normalmente se verificavam no anterior, sendo que este ainda não terá o nível de enraizamento que ocorrerá no futuro próximo.

Não havendo alterações de monta tudo indica que a aposta vai ser ganha, o que vem de encontro ao que sempre afirmamos aqui: com o conhecimento e tecnologia hoje disponível os problemas crónicos no relvado não se justificavam de todo. Mais ainda porque no novo estádio já havíamos jogado pelo menos uma época inteira com um relvado de referência, que acabaria destruído num concerto.

João Mário
Pelo menos até à próxima quarta-feira se há "caso João Mário" tal se deve exclusivamente à comunicação da SAD. Se de facto ele se encontra de férias em local remoto e se de facto o comunicou  aos responsáveis, muito do "diz-se, diz-se" que desde o jogo circula não aconteceria se tal tivesse sido comunicado antecipadamente. Um erro que se repete, já depois da "constipação de Teo" ser afinal o "luto de Teo" pelo falecimento da avó. Falhas que resultam de incúria e inabilidade, perfeitamente evitáveis, portanto.

Reforços
É ainda cedo para nos pronunciarmos sobre a qualidade dos recém-chegados Ruiz e Petrovic. Mas as indicações até agora são díspares. Ruiz vai dando indicações de possuir técnica apurada, mas está nitidamente acima do peso indicado, consequência de longa paragem, que em futebol profissional se paga sempre caro. Isto agravado pelo facto de ainda não conhecer bem as movimentações dos seus colegas e as que lhe serão exigidas para conquistar a titularidade.

Petrovic é um caso diferente. Até ao momento está muito longe de justificar a contratação. É certo que sofre dos mesmos problemas apontados a Ruiz, pelo facto de ser tudo novo. Muita dificuldade em posicionar-se correctamente, passe sem grande qualidade e definição, denotando um certo atordoamento por tudo que se passa à sua volta. Caso para perguntar se era para esta palha, já não estávamos servidos com Palhinha?

Daí que, pelo que é sabido até agora, os grandes reforços já cá estavam. É o caso de Podence, que poderá ser um caso sério, caso JJ assim o entenda. Estou convencido que o mesmo se poderá dizer de Gélson, Palhinha e Medeiros. Embora se deva considerar que dificilmente veremos jogar Podence, Gélson e Medeiros em simultâneo. 

Qualidade de jogo
Com tão poucas mudanças estruturais aparentes, é de alguma forma surpreendente a quebra de qualidade do nosso jogo, especialmente do que foi visto no último terço do campeonato. Mas, como é inegável, a ausência dos campeões europeus, é mesmo uma alteração estrutural. Sem a sua presença ou, em caso de saída, com a devida substituição, é natural que se registe um rendimento menor.

À ausência dos europeus há que acrescentar a mediania geral de uma grande parte dos elementos que foram titulares. Os laterais são sofríveis, o que a abnegação de Schelotto não é suficiente para o contrariar. Defende um pouco melhor que Marvin, que demonstra precisar de aprender depressa para não perder o comboio. As dúvidas sobre os efeitos que instabilidade emocional de Semedo produz no eixo da defesa continuam a justificar-se, e a presença do hesitante Petrovic pioram consideravelmente a resposta defensiva da equipa.

Esperança e apreensão
Jorge Jesus acabou por confessar que no primeiro jogo da época apenas um par dos jogadores titulares na apresentação manteriam esse estatuto. Atendendo à produção geral tal é motivo de esperança, por ser notória a mediania acima aludida, que pode ainda ser contrariada, enquanto o mercado estiver aberto. A apreensão é natural por não se vislumbrar como será possível, no curto espaço de tempo que falta para o primeiro compromisso a doer, o Sporting conseguir adquirir e integrar os jogadores que nitidamente lhe estão a faltar. Não falo obviamente dos europeus, com menos de um mês para se aproximarem da melhor forma, mas dos reforços que nitidamente faltam ainda. Isto remete-nos para o que foi a planificação da pré-época, que inevitavelmente tem que ser objecto de artigo a propósito.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

RED (vermelho) = relvado verde?

Como é do conhecimento geral, o Sporting decidiu em boa hora proceder à instalação de um novo relvado. A medida era imprescindível, uma vez que o anterior "tapete" não só nunca teve a qualidade mínima exigida, como ainda por cima estava contaminado por uma praga que lhe dava aquele aspecto malhado. Como diria o grande Vasco Santana se cá estivesse "aquilo são problemas de fígado".

O que talvez não seja do conhecimento da maioria dos adeptos é que o Sporting entregou a empreitada justamente à empresa que instalou o primeiro relvado no novo estádio José Alvalade, a RED. A empresa é talvez o nome mais conceituado no meio, sendo de sua responsabilidade projectos muito bem sucedidos como os excelentes relvados dos rivais FCP e SLB.

Ainda deve estar na memória de muitos a discussão sobre a necessidade de resolver com caracter definitivo os crónicos problemas que foram sucedendo com os nossos relvados, ao ponto de, no tempo de Bettencourt, se ter equacionado a possibilidade de instalar um relvado sintético. Na altura, com o sentido de esclarecer as discussões que então foram ocorrendo, nem sempre tendo em conta aspectos estritamente racionais, auscultei as referências de então nesta matéria. 

Do lado da "solução sintético" ouvi o responsável da empresa (LINK) que havia instalado o relvado no Bessa, entretanto removido por força da lei que impede o uso de sintéticos na I Liga. Do lado da "solução natural" o sócio gerente da RED (LINK), entrevista que abaixo será novamente editada. Da conversa resultou uma impressão de vincado profissionalismo nos argumentos, longe dos habituais palpites e "achismos" e muita objectividade. 

Em breve saberemos o resultado da decisão agora tomada. Numa primeira impressão, parece-me que o Sporting escolheu o parceiro certo, embora nunca seja demais lembrar as contingências a que estão sujeitas estas realizações, tais como o tempo (clima) e o facto de estarmos a falar de seres vivos (embora nos esqueçamos com frequência, os vegetais também o são). 

Por outro lado, o sucesso deste novo investimento não se limita ao momento da replacagem (a solução adoptada, creio), ou a sementeira do novo relvado. A sua correcta manutenção é também factor que contribui para o sucesso da operação.

A entrevista deve ser lida tendo em conta as alterações que poderão ter ocorrido de 2010 para cá).

“Alvalade tem as bancadas demasiado inclinadas, o sistema de ventilação é mau, a iluminação escassa. As altas temperaturas do Verão, o tempo excessivo de exposição solar no Topo Norte, o que motiva que o lado Sul chegue a ter uma diferença na ordem dos 10 graus”, são os problemas estruturais comummente apresentados como justificação para que os relvados (6 em sete anos) de Alvalade não terem qualidade. Estas afirmações fazem sentido?

Estas afirmações fazem sentido. Os problemas registados no verão na metade Norte são replicados no inverno na metade Sul, embora com outra natureza, por falta de luz solar. Deve-se no entanto dizer que estes problemas são comuns à maior parte dos estádios modernos, diferindo de caso para caso conforme forem as condições construtivas de cada um e climatéricas de cada local. 

Essas condições impedem em definitivo a colocação e manutenção de um bom relvado ou há procedimentos capazes contornar essas dificuldades?

Há diversos tipos de actuação que podem ser levados a cabo, e que já foram testados noutros estádios. Por exemplo, há baterias de ventoinhas que se colocam ao nível do relvado  para promover o arejamento, e sistemas de iluminação, também ao nível do relvado, para que se faça a foto-síntese e se criem assim condições para o bom crescimento da relva. 

Se o argumentos do calor e da diferente exposição solar são válidos, como é possível que em cidades como Sevilha e Madrid, e em estádios também fechados como o Olímpico e o Barnabéu não existam problemas semelhantes?

Não existem esses problemas noutros locais semelhantes porque foram encontradas as soluções adequadas, e a qualidade da manutenção será diferente. 

A vossa empresa é responsável pelos melhores relvados actualmente em Portugal, como são os casos dos estádios do FCP, SLB e SCB. O estádio do Dragão e de Braga são, do ponto de vista da arquitectura, da localização e do clima, distintos do de Alvalade. Mas o estádio do SLB tem as mesmas condições climáticas. A diferença entre os relvados resultará das diferenças arquitecturais? 

Em primeiro lugar, queria informar que a nossa empresa já não é responsável pelo relvado do Estádio de Braga há bastante tempo, por a Câmara local ter decidido utilizar meios próprios. Em todo o caso, consultam-nos com alguma frequência. Devemos reconhecer que as condições arquitectónicas em Braga e no Dragão são diferentes para melhor, por se tratarem de espaços mais arejados. Quanto ao Estádio da Luz, tem condicionantes semelhantes às de Alvalade, embora o estádio, por ser maior, não seja tão fechado. Em todo o caso, também na Luz medimos diferenças de temperatura assinaláveis, e testemunhamos problemas distintos no relvado conforme o local. Há que cuidar da manutenção tendo em conta esses factores.

Quanto tempo de utilização têm estes relvados de que falamos e dos quais são responsáveis?

O relvado do Dragão foi construído em 2003, e daí para cá já foi mudado total ou parcialmente por mais de uma vez, tendo a última ocorrido no defeso de 2009. As substituições foram efectuadas não por o relvado não estar em boas condições, mas em consequência de eventos que o inutilizaram (concerto e corrida dos campeões). Quanto ao Estádio da Luz, começamos o nosso trabalho no início da época 2009/2010, e no último defeso procedemos à substituição integral do relvado por a superfície do anterior se encontrar bastante irregular. Um relvado natural, uma vez instalado, e sendo bem mantido, tem uma longa duração.

O facto de o clima no Norte do País ser tradicionalmente mais chuvoso, mas, em contrapartida, ter menos horas de sol, é uma vantagem ou inconveniente para o vosso trabalho quando lidam com essas duas realidades distintas?

É naturalmente uma desvantagem nos meses de inverno. Um relvado jogado à chuva sofre maior desgaste, e as temperaturas mais baixas com menos sol desfavorecem a sua recuperação. Nos meses de verão, as temperaturas menos altas poderão ser vantajosas, mas o que acontece é que são suficientemente altas, e com elevado grau de humidade, para provocar o aparecimento de doenças. 

Em Janeiro deste ano, no período de grande invernia, o relvado da Luz apresentava problemas bem evidentes. Mas a sua recuperação acabou por acontecer e quase passou despercebida. Parece-lhe possível realizar trabalho semelhante em Alvalade sem remover o relvado actual?

Não podemos emitir uma opinião definitiva sem proceder a uma inspecção, mas em princípio não deverá haver problemas que impeçam a sua recuperação. O que aconteceu na Luz no início do ano foi a consequência do relvado não ter sido devidamente recuperado durante o defeso, e ainda da natureza do relvado que então existia. Só iniciamos o nosso trabalho em cima do início da época.

Há diferenças entre a aplicação/sementeira de um relvado no Verão ou no Inverno? Quais?  

A diferença essencial que existe é que um relvado durante o Inverno cresce mais devagar, o que significa que no caso da replacagem o desenvolvimento das raízes é mais lento, e no da sementeira acontece o mesmo com o estabelecimento das novas plantas. O mesmo acontece com a sua recuperação pós cada utilização. É ainda necessário notar que a replacagem exige rotinas de manutenção  distintas.

Estas diferenças podem ser controladas por aditivos hormonais ou são meramente ambientais?  

Como se diz atrás, as diferenças são provocadas pelo clima. Importa por isso programar tratamentos que as tenham em conta, e que sejam dirigidos para suplantar as dificuldades de cada momento. 

Há soluções mistas entre sintético e natural, ou as opções são unicamente entre lidar com a natureza e o industrial?  

Não há nenhuma solução mista, com excepção do sistema Desso Grassmaster, que já foi aliás instalado em Alvalade. Trata-se de uma solução em relva natural, com implantação de fibras sintéticas que visam dar maior estabilidade ao relvado. 

Pela vossa experiência o sistema de drenagem do Estádio José de Alvalade é eficaz?

O sistema de drenagem do Estádio de Alvalade foi por nós construído, e ficou totalmente eficaz. Penso que nunca foi mexido, mas desconheço se existem colmatações provocadas pelas diferentes intervenções no relvado. A este respeito, deve-se notar que os problemas de drenagem existem frequentemente na camada superficial do relvado, por falta de manutenção adequada, e não no sistema de drenagem propriamente dito.

A RED esteve ligada ao primeiro relvado do estádio de Alvalade, lembrando-se ainda os Sportinguistas do jogo inaugural, onde se viu muita relva solta. Terá sido na sequência desses acontecimentos que terminou o fim da vossa relação com o clube. Pode dar-nos a vossa versão dos acontecimentos? 

A RED teve a seu cargo a construção do relvado original do Estádio de Alvalade, no verão de 2003. Esse verão foi anormalmente quente, razão pela qual o estabelecimento do relvado não ocorreu no espaço de tempo previsto. Por outro lado, o Clube necessitou de o utilizar antes de estar pronto, por razões de calendário. Gerou-se assim uma situação de conflito, que levou à nossa saída antecipada da obra. O SCP resolveu nessa altura proceder à sua substituição integral por um outro relvado, baseado num sistema de relva natural com implantação de fibras sintéticas, solução esta que, apesar do seu elevado preço, não se revelou duradoura.

A semana passada o especialista Lafayete Machado, dizia à RR que "se o Sporting decidir pelo artificial está a cometer um grave erro… porque o que tem acontecido é que não acertou com as pessoas certas, para ter um relvado de excelência em Alvalade." Quer comentar esta afirmação?

O comentário que nos merece é de concordância, porque é evidente para toda a gente que um relvado sintético nunca é idêntico a um natural. Estamos particularmente à vontade para o afirmar, porque construímos indiferentemente relvados dos dois tipos, ao contrário do que acontece com quem apregoa insistentemente as vantagens dos relvados sintéticos. De resto, a análise do que acontece em todas as 1ªs Ligas Europeias demonstra isso mesmo. A pergunta que faço é: se no Reino Unido vemos relvados naturais impecáveis em Estádios fechados, com condições climatéricas de Inverno muito mais adversas, porque será?

Se o Sporting contactasse a vossa empresa, ou abrisse um concurso para a colocação de um relvado natural, onde o contrato incluísse cláusulas indemnizatórias em caso de insucesso, a RED estaria disposta a apresentar propostas?

Não nos podemos naturalmente pronunciar sobre perguntas hipotéticas, cujo conteúdo carece de ser concretizado. O SCP conhece o trabalho que temos desenvolvido no FCP e no SLB, pelo que daí poderá concluir se tem ou não interesse em conhecer a nossa opinião.

Quando se fala de diferenças de custos entre relvados sintéticos e relvados naturais estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um custo de construção que é de 2 ou 3 para 1, dependendo da base que for escolhida. 

Confirma a veracidade dos estudos que indicam que os relvados naturais tendem a proporcionar mais lesões do tipo ligamentares, ocorrendo nos sintéticos mais lesões musculares e meniscais?

Não estou em condições de confirmar, porque nem sou médico desportivo, nem tenho dados estatísticos para isso. Parece-me porém evidente que a maior dureza dos relvados sintéticos não poderá deixar de ser prejudicial para todas as lesões que envolvam desgaste das articulações, tendinites, etc. 

Vivemos uma época de aparente transição. De um lado os que recusam liminarmente os sintéticos, do outro os que apontam o sintético como o futuro, sobretudo pelos inconvenientes trazidos pelos estádios mais recentes. Pode-nos dar a sua perspectiva sobre a matéria?

A perspectiva que tenho é simples: dos pontos de vista ambiental e estético, o relvado natural é bem preferível; do das condições de jogo, idem aspas. Os custos de construção do sintético são maiores, e de manutenção menores. Por outro lado, o relvado sintético admite maiores cargas de utilização, o que é benéfico no caso dos clubes pequenos que não possuem áreas suficientes para treinos, especialmente para a formação.

Concluindo e fazendo jus ao titulo deste artigo acredita que é possível os Sportinguistas verem em Alvalade um relvado muito bom e simultaneamente natural?
Claro que sim!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Para não meter mais água

O alagamento do relvado e o consequente adiamento do jogo provocaram já as mais variadas reacções. Para não meter água nem num assunto nem noutro o que será melhor fazer? 

O alagamento do relvado
A região de Lisboa esteve ontem sob aviso laranja e hoje estão reportadas dezenas de inundações que se juntam à ocorrida no estádio José Alvalade e que impediu a realização do jogo. Antes de se por em causa ou até emitir pareceres definitivos sobre a eficácia do sistema de drenagem não de deveria perceber primeiro o gravidade do fenómeno meteorológico que afectou a região da capital, ouvindo o que os especialistas têm a dizer sobre a matéria? 

Recordo que, no passado fim-de-semana, o jogo da equipaB foi adiado por motivos semelhantes e o jogo no estádio da Luz,  que se realizava mais tarde, chegou a ver a sua realização ameaçada, o que só não ocorreu porque, ao contrário de ontem, a chuva deixou de cair. Mas as imagens transmitidas em directo e em simultâneo com as que se viam no Restelo eram em tudo semelhantes entre si e as que se viram ontem no nosso estádio.

O agendamento do derby
Conforme demonstrado no post anterior o regulamento é tudo menos claro. O Sporting entende que é desvantajoso jogar com menos de 72 horas de intervalo e está no seu direito. Falta saber se os regulamentos lhe reconhecem esse direito. Os argumentos de que o Marítimo joga no domingo ou que o Sporting já jogou com menos tempo de antecedência ignoram um facto que não ocorre desta feita: o acordo das partes envolvidas. Também neste caso se devem ouvir em primeiro lugar os especialistas. Vercauteren já se pronunciou, dando conta clara de que se parte em desvantagem para o derby, se ele ocorrer na 2º feira. 

Depois da questão física propriamente dita há a interpretação da lei. Apesar de haver já interpretações que sustentam as 48h de descanso - número que não vem descrito no regulamento, ao contrário das 72h previstas para as competições nacionais... - porque havemos de menorizar as que são feitas pelo Sporting? 

Ou Farinha Alves - um exemplo, entre outros juristas a quem o Sporting pode recorrer e é também especialista em direito desportivo, - que "não percebe nada de futebol" também não percebe de direito? 

Ou Pedro Sousa ontem falou aos jornalistas sem consultar ninguém?

Porque haveríamos de entrar numa guerra que se sabe à partida ser impossível de ganhar?

Para lá das questões objectivas, que devem ser tidas à cabeça, o que acham que faria Pinto da Costa neste caso muito concreto, ele que é frequentemente apontado como um exemplo?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Relvado superlativo absoluto analitico e natural

O “ANortedeAlvalade” estabeleceu um compromisso com os seus leitores visando proporcionar-lhes uma base de conhecimentos que lhes permita, com o devido uso do imprescindível sentido crítico, avaliar o que está realmente em causa quando se fala no relvado de Alvalade. Continue ele a ser natural, ou venha ele a ser sintético.

Acredito que os Sportinguistas se encontrem cansados de ver passar os anos sem verem resolvidos de forma cabal o problema do relvado, bem como desorientados com o desfilar de opiniões de especialistas com resultados nulos. E, um pouco à semelhança do que acontece os restantes assuntos que envolvem o clube, os Sportinguistas voltem as costas àquilo que não conseguem compreender, deixando o campo aberto a decisões que depois não se cansam de lamentar.

Tal como dizia há dias aqui, continuo a pensar que o Sporting tudo deveria fazer por ter um relvado natural. Por alguma razão se chama natural. E porque, como diz o bom senso, é no mínimo estranho que, existindo pelo mundo fora estádios em situações idênticas, ou até mais severas do que o Estádio de Alvalade, só o nosso problema parece insolúvel.

Ouvimos anteriormente um especialista em relvados sintéticos, representante de uma solução elogiada pelos seus utilizadores. Nesse lote está incluindo Vítor Golas, profissional dos quadros do Sporting, e por isso conhecedor da realidade do Bessa e de Alcochete. Fazia sentido por isso ouvir alguém que representasse o que de melhor se faz a nível nacional em relvados naturais. Essa empresa é a RED, que neste momento tem a seu cargo os relvados do FCP e do SLB, tendo voltado a assumir há 3 meses a recuperação do relvado do estádio de Aveiro.

Quem viu o relvado do estádio da Luz há 2 anos e conhece o actual, ou quem viu o clássico do passado domingo, tem a imagem que me poupará as tal mil palavras. Acresce ainda o facto de a RED ter sido a primeira empresa a instalar um relvado no actual Alvalade, em 2003. É por isso estranho que em todo o processo mediático que se seguiu à declaração de Bettencourt nunca a comunicação social tenha auscultado a sua opinião. É essa falha que também julgamos agora suprir.

Fomos amavelmente recebidos pelo Eng.º Álvaro Bastos, sócio gerente da RED, cuja entrevista partilhamos agora com os leitores do “ANortedeAlvalade”. Apesar da forma como terminou a ligação da sua empresa ao Sporting, o Eng.º Álvaro Bastos saliento a forma elevada como sempre abordou a passagem da sua empresa por Alvalade. 


 ENTREVISTA

“Alvalade tem as bancadas demasiado inclinadas, o sistema de ventilação é mau, a iluminação escassa. As altas temperaturas do Verão, o tempo excessivo de exposição solar no Topo Norte, o que motiva que o lado Sul chegue a ter uma diferença na ordem dos 10 graus”, são os problemas estruturais comummente apresentados como justificação para que os relvados (6 em sete anos) de Alvalade não terem qualidade. Estas afirmações fazem sentido?

Estas afirmações fazem sentido. Os problemas registados no verão na metade Norte são replicados no inverno na metade Sul, embora com outra natureza, por falta de luz solar. Deve-se no entanto dizer que estes problemas são comuns à maior parte dos estádios modernos, diferindo de caso para caso conforme forem as condições construtivas de cada um e climatéricas de cada local.

Essas condições impedem em definitivo a colocação e manutenção de um bom relvado ou há procedimentos capazes contornar essas dificuldades?

Há diversos tipos de actuação que podem ser levados a cabo, e que já foram testados noutros estádios. Por exemplo, há baterias de ventoinhas que se colocam ao nível do relvado  para promover o arejamento, e sistemas de iluminação, também ao nível do relvado, para que se faça a foto-síntese e se criem assim condições para o bom crescimento da relva. 

Se o argumentos do calor e da diferente exposição solar são válidos, como é possível que em cidades como Sevilha e Madrid, e em estádios também fechados como o Olímpico e o Barnabéu não existam problemas semelhantes?

Não existem esses problemas noutros locais semelhantes porque foram encontradas as soluções adequadas, e a qualidade da manutenção será diferente. 

A vossa empresa é responsável pelos melhores relvados actualmente em Portugal, como são os casos dos estádios do FCP, SLB e SCB. O estádio do Dragão e de Braga são, do ponto de vista da arquitectura, da localização e do clima, distintos do de Alvalade. Mas o estádio do SLB tem as mesmas condições climáticas. A diferença entre os relvados resultará das diferenças arquitecturais?  
Em primeiro lugar, queria informar que a nossa empresa já não é responsável pelo relvado do Estádio de Braga há bastante tempo, por a Câmara local ter decidido utilizar meios próprios. Em todo o caso, consultam-nos com alguma frequência. Devemos reconhecer que as condições arquitectónicas em Braga e no Dragão são diferentes para melhor, por se tratarem de espaços mais arejados. Quanto ao Estádio da Luz, tem condicionantes semelhantes às de Alvalade, embora o estádio, por ser maior, não seja tão fechado. Em todo o caso, também na Luz medimos diferenças de temperatura assinaláveis, e testemunhamos problemas distintos no relvado conforme o local. Há que cuidar da manutenção tendo em conta esses factores.

Quanto tempo de utilização têm estes relvados de que falamos e dos quais são responsáveis?

O relvado do Dragão foi construído em 2003, e daí para cá já foi mudado total ou parcialmente por mais de uma vez, tendo a última ocorrido no defeso de 2009. As substituições foram efectuadas não por o relvado não estar em boas condições, mas em consequência de eventos que o inutilizaram (concerto e corrida dos campeões). Quanto ao Estádio da Luz, começamos o nosso trabalho no início da época 2009/2010, e no último defeso procedemos à substituição integral do relvado por a superfície do anterior se encontrar bastante irregular. Um relvado natural, uma vez instalado, e sendo bem mantido, tem uma longa duração.

O facto de o clima no Norte do País ser tradicionalmente mais chuvoso, mas, em contrapartida, ter menos horas de sol, é uma vantagem ou inconveniente para o vosso trabalho quando lidam com essas duas realidades distintas?

É naturalmente uma desvantagem nos meses de inverno. Um relvado jogado à chuva sofre maior desgaste, e as temperaturas mais baixas com menos sol desfavorecem a sua recuperação. Nos meses de verão, as temperaturas menos altas poderão ser vantajosas, mas o que acontece é que são suficientemente altas, e com elevado grau de humidade, para provocar o aparecimento de doenças. 

Em Janeiro deste ano, no período de grande invernia, o relvado da Luz apresentava problemas bem evidentes. Mas a sua recuperação acabou por acontecer e quase passou despercebida. Parece-lhe possível realizar trabalho semelhante em Alvalade sem remover o relvado actual?

Não podemos emitir uma opinião definitiva sem proceder a uma inspecção, mas em princípio não deverá haver problemas que impeçam a sua recuperação. O que aconteceu na Luz no início do ano foi a consequência do relvado não ter sido devidamente recuperado durante o defeso, e ainda da natureza do relvado que então existia. Só iniciamos o nosso trabalho em cima do início da época.

Há diferenças entre a aplicação/sementeira de um relvado no Verão ou no Inverno? Quais?  

A diferença essencial que existe é que um relvado durante o Inverno cresce mais devagar, o que significa que no caso da replacagem o desenvolvimento das raízes é mais lento, e no da sementeira acontece o mesmo com o estabelecimento das novas plantas. O mesmo acontece com a sua recuperação pós cada utilização. É ainda necessário notar que a replacagem exige rotinas de manutenção  distintas.

Estas diferenças podem ser controladas por aditivos hormonais ou são meramente ambientais?  

Como se diz atrás, as diferenças são provocadas pelo clima. Importa por isso programar tratamentos que as tenham em conta, e que sejam dirigidos para suplantar as dificuldades de cada momento. 

Há soluções mistas entre sintético e natural, ou as opções são unicamente entre lidar com a natureza e o industrial?  

Não há nenhuma solução mista, com excepção do sistema Desso Grassmaster, que já foi aliás instalado em Alvalade. Trata-se de uma solução em relva natural, com implantação de fibras sintéticas que visam dar maior estabilidade ao relvado. 

Pela vossa experiência o sistema de drenagem do Estádio José de Alvalade é eficaz?

O sistema de drenagem do Estádio de Alvalade foi por nós construído, e ficou totalmente eficaz. Penso que nunca foi mexido, mas desconheço se existem colmatações provocadas pelas diferentes intervenções no relvado. A este respeito, deve-se notar que os problemas de drenagem existem frequentemente na camada superficial do relvado, por falta de manutenção adequada, e não no sistema de drenagem propriamente dito.

A RED esteve ligada ao primeiro relvado do estádio de Alvalade, lembrando-se ainda os Sportinguistas do jogo inaugural, onde se viu muita relva solta. Terá sido na sequência desses acontecimentos que terminou o fim da vossa relação com o clube. Pode dar-nos a vossa versão dos acontecimentos? 

A RED teve a seu cargo a construção do relvado original do Estádio de Alvalade, no verão de 2003. Esse verão foi anormalmente quente, razão pela qual o estabelecimento do relvado não ocorreu no espaço de tempo previsto. Por outro lado, o Clube necessitou de o utilizar antes de estar pronto, por razões de calendário. Gerou-se assim uma situação de conflito, que levou à nossa saída antecipada da obra. O SCP resolveu nessa altura proceder à sua substituição integral por um outro relvado, baseado num sistema de relva natural com implantação de fibras sintéticas, solução esta que, apesar do seu elevado preço, não se revelou duradoura.

A semana passada o especialista Lafayete Machado, dizia à RR que "se o Sporting decidir pelo artificial está a cometer um grave erro… porque o que tem acontecido é que não acertou com as pessoas certas, para ter um relvado de excelência em Alvalade." Quer comentar esta afirmação?

O comentário que nos merece é de concordância, porque é evidente para toda a gente que um relvado sintético nunca é idêntico a um natural. Estamos particularmente à vontade para o afirmar, porque construímos indiferentemente relvados dos dois tipos, ao contrário do que acontece com quem apregoa insistentemente as vantagens dos relvados sintéticos. De resto, a análise do que acontece em todas as 1ªs Ligas Europeias demonstra isso mesmo. A pergunta que faço é: se no Reino Unido vemos relvados naturais impecáveis em Estádios fechados, com condições climatéricas de Inverno muito mais adversas, porque será?

Se o Sporting contactasse a vossa empresa, ou abrisse um concurso para a colocação de um relvado natural, onde o contrato incluísse cláusulas indemnizatórias em caso de insucesso, a RED estaria disposta a apresentar propostas?

Não nos podemos naturalmente pronunciar sobre perguntas hipotéticas, cujo conteúdo carece de ser concretizado. O SCP conhece o trabalho que temos desenvolvido no FCP e no SLB, pelo que daí poderá concluir se tem ou não interesse em conhecer a nossa opinião.

Quando se fala de diferenças de custos entre relvados sintéticos e relvados naturais estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um custo de construção que é de 2 ou 3 para 1, dependendo da base que for escolhida. 

Confirma a veracidade dos estudos que indicam que os relvados naturais tendem a proporcionar mais lesões do tipo ligamentares, ocorrendo nos sintéticos mais lesões musculares e meniscais?

Não estou em condições de confirmar, porque nem sou médico desportivo, nem tenho dados estatísticos para isso. Parece-me porém evidente que a maior dureza dos relvados sintéticos não poderá deixar de ser prejudicial para todas as lesões que envolvam desgaste das articulações, tendinites, etc. 

Vivemos uma época de aparente transição. De um lado os que recusam liminarmente os sintéticos, do outro os que apontam o sintético como o futuro, sobretudo pelos inconvenientes trazidos pelos estádios mais recentes. Pode-nos dar a sua perspectiva sobre a matéria?

A perspectiva que tenho é simples: dos pontos de vista ambiental e estético, o relvado natural é bem preferível; do das condições de jogo, idem aspas. Os custos de construção do sintético são maiores, e de manutenção menores. Por outro lado, o relvado sintético admite maiores cargas de utilização, o que é benéfico no caso dos clubes pequenos que não possuem áreas suficientes para treinos, especialmente para a formação.

Concluindo e fazendo jus ao titulo deste artigo acredita que é possível os Sportinguistas verem em Alvalade um relvado muito bom e simultaneamente natural?

Claro que sim!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Karma leonino

O pior que tem acontecido ao Sporting nos últimos anos é os Sportinguistas só acordarem depois do facto consumado. E muitos deles não perceberem que não é da responsabilidade de nenhum mau Karma ou maldição a sucessão de reveses, com vexames pelo meio. Esse é um sintoma de evidente debilidade do espírito leonino tal como o conhecíamos e o certificado de longevidade para a desresponsabilização. Os desaires estão para o Sporting como a dividida soberana para Portugal: não têm pai nem mãe nem familiares conhecidos. 

O que sucedeu ontem foi apenas mais um episódio entre muitos. Não foi apenas a expulsão ridícula de Maniche, a imagem da experiência que se procurava para colmatar o excesso de juventude. Ela apressou apenas o que o treinador se preparava para fazer acontecer. Tirar Coelho e Zapater da cartola partiu a equipa e estendeu o tapete ao Guimarães. Com Paulo Sérgio esta equipa não passará de um espectáculo de “cascadeur” preso a um show repetitivo, incapaz de ler as mudanças do jogo ou de ser adaptar às circunstâncias. Do entusiasmo de muitos, que nunca partilhei, resta agora o enjoo e o fastio.

O conformismo em breve tomará o lugar da indignação. Por isso desvalorizo as reacções de circunstância, de muitos que, durante os meses que antecederam esta época ou a época transacta, preferiram atirar a matar sobre os avisos que poucos iam lançando, recusando-se a ver o óbvio e a parar um segundo que fosse para pensar.

Não era altura de finalmente percebermos que não foi o azar que geriu mal o património imobiliário, que construiu um estádio de azulejaria de gosto duvidoso e sobre o qual já nem a totalidade dos direitos possuímos? Que não é por azar que hoje somos menos num estádio novo mas cheio de problemas, que não temos pavilhão, ou que somos desconsiderados ou ignorados pelas entidades oficiais, parceiros e ou patrocinadores, ou que os resultados desportivos são os que se sabem, o passivo cresce mas o património diminui?

O relvado é apenas mais um dos muitos problemas cuja resolução se arrasta e que qualquer dia entrará no anedotário nacional. Na semana passada publicamos aqui uma entrevista de um profissional especializado em relvados sintéticos. Pareceu-nos essa a prioridade, tendo em conta as declarações presidenciais e imposição feita pela a agenda mediática. Mais ainda por representar uma solução certificada pelos profissionais que a utilizam, não ignorando que o SLB a utiliza cada vez que se desloca ao Norte do País.

Desde a semana passada que temos pronta uma entrevista com um representante de uma empresa especializada em relvados naturais e que, pelo trabalho realizado, é considerada uma referência na matéria. Com a publicação dessa entrevista fecharemos um capítulo, no qual procuramos dar aos Sportinguistas as ferramentas necessárias formarem um juízo sobre um processo que, a não ser bem trabalhado, pode acarretar consequências que, em última análise, resultarão em mais uma agressão ao orgulho leonino.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O poder da marca Sporting

Quem duvida da importância da marca Sporting tem no caso do relvado um exemplo bem concreto da sua força. A comunicação da decisão, praticamente tomada, de que o Sporting irá contar no próximo ano com um relvado sintético, imediatamente despoletou uma série de movimentações, das quais são apenas visíveis para o grande público o que aparece na comunicação social.

É mais do que evidente que solucionar o problema do Sporting, seja ele através de uma solução natural seja através de um relvado sintético representa uma exposição mediática que deve ultrapassar em muitos dobros o valor dos budjets que as companhias do meio habitualmente destinam ao marketing e publicidade. O relvado do Sporting é hoje um bolo muito apetecido.

Essa é uma posição negocial extremamente vantajosa que o Sporting está obrigado a saber aproveitar. Associar o nome do Sporting a um caso de sucesso de uma companhia, servindo este posteriormente como uma bandeira, deve ser algo que deve ser muito bem remunerado.

Continuo a pensar que o Sporting tudo deveria fazer por ter um relvado natural. Por alguma razão se chama natural. E não creio que os problemas com o relvado do Sporting sejam insolúveis, pelo menos pelas razões que são comummente aduzidas. Existem pelo mundo fora estádios em situações idênticas ou até mais severas do que o Estádio de Alvalade e com relvados menos problemáticos.Mas se o Sporting não sabe, não pode ou não quer ter um verdadeiro relvado, tem obrigatoriamente que optar por uma solução absolutamente inquestionável e da qual não resultem desnecessárias polémicas.

Convenhamos que o Sporting pode não querer ter um relvado natural, porque é possível hoje ter um relvado sintético onde se pode jogar futebol ao mais alto nível sem ter a sensação, o público e especialmente os jogadores, de estar a jogar numa alcatifa. Com isso o Sporting pode voltar a ter à sua disposição receitas extraordinárias, que lhe advinham da realização de concertos, sem os prejuízos desportivos que aqueles acarretaram. Por força de situações semelhantes e pelos inconvenientes que os novos estádio implicam na criação e manutenção de bons relvados que, por toda a Europa, se começam a equacionar relvados sintéticos ou até mesmo a implatá-los.

Este é um caso que nasceu para fazer escola. Estou convencido que o Sporting tem aqui uma possibilidade de ser pioneiro, fazendo mais uma vez jus à sua vocação. Por isso, sendo um caso sobre o qual incidirá toda a atenção mediática e em particular de todos os associados e adeptos, o Sporting deve usar de toda a transparência na tomada de decisão, de forma a que fique bem claro que fez a melhor opção quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista económico-financeiro.

Neste, como em muitos outros assuntos, fala-se muito sem conhecimento de causa. No sentido de lançar uma boa discussão e esclarecer a opinião dos Sportinguistas o "ANortedeAlvalade" publicará em principio amanhã, um post no sentido de esclarecer os adeptos. Para o efeito recorremos ao contacto directo com um especialista e com profissionais que conhecem os relvados sintéticos. A última coisa que os Sportinguitas precisam é de um relvado resulte numa fractura exposta no espírito leonino. Mais uma.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Questões nada artificiais

Faz bem ao orgulho Sportinguista ler hoje a primeira do Record. “O Melhor do Mundo” é do Sporting e que terminar a sua carreira no clube que o catapultou para a galáxia onde o hoje o seu nome vale muito mais do que “apenas” ter sido considerado o melhor jogador do Mundo. Ronaldo é um ícone dos tempos que correm e é bom para o nome Sporting estar-lhe associado. Uma ligação natural. E, ou Ronaldo muda muito, ou este acabar a carreira terá relevância desportiva para nós. Porque, goste-se ou não do CR7, se há característica que se lhe reconhece é uma inigualável vontade de ganhar. 


Fala-se há algum tempo na possibilidade de o relvado do Sporting vir a ser artificial. Essa discussão já foi realizada aqui no “ANorte” há um ano, graças a um post do meu amigo Gabriel Almeida que aqui reproduzo. Confesso que também não gosto da ideia de um relvado artificial. Mas prefiro de longe um excelente relvado sintético de última geração do que um mau relvado como o nosso. Para os que como eu preferem uma solução natural como eu, antes de se pronunciar convido-os, especialmente se vivem a norte, a dar uma saltada ao Bessa XXI, aproveitando assim para ver em acção Vitor Golas. Verão que, quando se fala de relvados de última geração estamos muito à frente daquelas “coisas” parecidas com carpetes mal amanhadas que se viam nos quintais e jardins ou até em alguns campos de treino. São por exemplo melhores dos que já se usam em Moscovo, no Estádio Luzhniki.

Porque não um relvado sintético?
Cíclica e frequentemente o relvado do Estádio José Alvalade fica em estado lastimoso. Ora é por causa do fungo “A” ou do fungo “B”, ora porque o clima é assim ou assado, ora porque houve um concerto, etc.. Uma coisa é certa apenas o nosso relvado necessita de tantos cuidados e preocupações. Os outros relvados, dos outros clubes, duram, duram, duram…

O nosso relvado nunca fica estragado por incompetência humana; isso não, nunca ninguém assumiu qualquer culpa.

Mais, parece que estamos condenados a ser alvo de chacota porque o nosso relvado resvala demasiadas vezes para níveis inaceitáveis; chegam a falar dum “batatal”!

Qual a solução? Colocar pessoas competentes a tomar conta do assunto? Ou?

E se o Sporting instalasse um relvado sintético?

Um relvado sintético acabaria com aqueles problemas e ainda tornava mais barata a sua manutenção.

Mas para mim a maior vantagem era desportiva! E porquê?

O Sporting passaria a ter uma grande vantagem desportiva sempre que jogasse em casa. Os adversários enfrentariam uma grande desabituação a este tipo de piso, mesmo que treinassem em relvado sintético durante a semana anterior à visita ao Estádio José Alvalade. O Sporting para lá da vantagem de jogar em casa, teria ainda um tipo de piso onde estaria muito acostumado que, é óbvio, seria outra enorme vantagem.
E quando o Sporting fosse jogar fora de casa? Neste caso os nossos jogadores jogariam na relva natural; e, claro, teriam uma pequena desvantagem. No entanto esta desvantagem seria muitíssimo menor que a vantagem de jogar em casa num piso sintético. Como teríamos de jogar 17 jogos fora, logo acabaríamos por estar preparados para a relva natural. Ao invés os nossos adversários que apenas fariam um jogo por ano em piso artificial nunca conseguiriam se habituar a este tipo de relva artificial.

A probabilidade de ganhar vantagem nos 17 jogos em casa seria muito superior que a probabilidade de partir em desvantagem nos 17 jogos fora.

Tudo isto só seria possível enquanto os outros clubes continuassem com os pisos de relva natural.

Gabriel Almeida

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

De metralhadoras apontadas


Carvalhal deu hoje a entender, em conferência de imprensa que percebe bem as dificuldades da sua tarefa no Sporting, quando reconhece que as metralhadoras estão apontadas de todo o lado, sem contudo identificar quem as empunha.  A verdade é que por vezes elas surgem de onde menos se espera, seja pelo estado da relva ou pela aceitação da marcação de um jogo (Naval 1º de Maio) a 48 horas de distância de uma deslocação a Berlim, para a Liga Europa.

A noção das dificuldades é ainda mais evidente quando afirma “Compreendo a exigência que gravita à volta do treinador do Sporting, mas poucas pessoas têm compreendido a minha posição. Encontrei uma equipa em grandes dificuldades. A densidade competitiva tem sido muito grande, e essas dificuldades têm sido superadas passo a passo. Não com resultados exuberantes, mas com resultados”. A estreia na dramatização do seu discurso é ainda consubstanciada num “Vivo para o Sporting. Entro na Academia às 8:30 sai por volta das 18:30 e vou para casa analisar jogos".

É precisamente um resultado positivo – a vitória - que se pede para o jogo de amanhã, dia em o futebol se disputará a horas decentes novamente (17) e que, sendo dia de núcleos, se estima que esteja uma casa composta. Bom seria que fosse um passo para a reconciliação com o bom futebol em Alvalade, estendendo-se do relvado às bancadas. E que as metralhadoras  que se oiçam mais alto sejam as dos nossos artilheiros.

Saliente-se, na lista de convocados, as ausências de Caicedo e Pedro Silva e a presença de Izmailov, que recuperou do traumatismo sofrido em Setúbal. Dando livre curso à minha costela de treinador de bancada a minha equipa inicial seria: Patricio, Abel; Carriço, Polga e Caneira; Veloso, Moutinho, Izmailov e Vuk, Matias; Liedson;

Lista de convocados:
Guarda-redes: Rui Patrício e Tiago.
Defesas: Daniel Carriço, Polga, Caneira, Tonel, Grimi e Abel.
Médios: Adrien, Izmailov, Matias Fernandez, Miguel Veloso, João Moutinho, Bruno Pereirinha e Vukcevic.
Avançados: Liedson, Carlos Saleiro e Postiga.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

E porque não?


Aprecio com gosto as candidaturas apresentadas por estes dias nos jornais aos lugares a preencher no Sporting. Esta sensação de “late silly season” desvia-nos os pensamentos de um inicio de época frustrante e conturbado. Cajuda sentado no banco do Sporting soa-me ao mesmo absurdo que seria contratar Saramago como antídoto para o “efeito-Jesus”. Pelo menos não teríamos que ouvir “Ívertom” nas conferências de imprensa com toda a certeza.

Enquanto não se ocupam os lugares vagos pelo Bento, proponho-vos a análise de uma proposta muito interessante que o meu amigo Gabriel Almeida fez o especial favor de elaborar para discussão aqui no “ANorte”. Este artigo resultou de uma conversa tida em pleno Afonso Henriques e que foi muito em defendida por este nosso consócio, com quem partilho a condição de Sportinguista de geração espontânea. De facto, não tivemos familiar ou amigo que nos transmitissem a genética leonina, demos connosco a sentirmo-nos Sportinguistas. O Gabriel é daqueles sócios que se mete no carro para ir Lisboa a uma AG, eleitoral ou não, e voltar de seguida para ir trabalhar.

Pois aqui fica a ideia de Gabriel Almeida. Como ele dizia pelas suas próprias palavras, um relvado sintético provocaria nos nossos adversários uma sensação semelhante à que tem um pugilista que habituado a treinar e a lutar com dextros se vê obrigado a lutar com um esquerdino.

Porque não um relvado sintético?
Cíclica e frequentemente o relvado do Estádio José Alvalade fica em estado lastimoso. Ora é por causa do fungo “A” ou do fungo “B”, ora porque o clima é assim ou assado, ora porque houve um concerto, etc.. Uma coisa é certa apenas o nosso relvado necessita de tantos cuidados e preocupações. Os outros relvados, dos outros clubes, duram, duram, duram…

O nosso relvado nunca fica estragado por incompetência humana; isso não, nunca ninguém assumiu qualquer culpa.

Mais, parece que estamos condenados a ser alvo de chacota porque o nosso relvado resvala demasiadas vezes para níveis inaceitáveis; chegam a falar dum “batatal”!

Qual a solução? Colocar pessoas competentes a tomar conta do assunto? Ou?

E se o Sporting instalasse um relvado sintético?

Um relvado sintético acabaria com aqueles problemas e ainda tornava mais barata a sua manutenção.

Mas para mim a maior vantagem era desportiva! E porquê?

O Sporting passaria a ter uma grande vantagem desportiva sempre que jogasse em casa. Os adversários enfrentariam uma grande desabituação a este tipo de piso, mesmo que treinassem em relvado sintético durante a semana anterior à visita ao Estádio José Alvalade. O Sporting para lá da vantagem de jogar em casa, teria ainda um tipo de piso onde estaria muito acostumado que, é óbvio, seria outra enorme vantagem.
E quando o Sporting fosse jogar fora de casa? Neste caso os nossos jogadores jogariam na relva natural; e, claro, teriam uma pequena desvantagem. No entanto esta desvantagem seria muitíssimo menor que a vantagem de jogar em casa num piso sintético. Como teríamos de jogar 17 jogos fora, logo acabaríamos por estar preparados para a relva natural. Ao invés os nossos adversários que apenas fariam um jogo por ano em piso artificial nunca conseguiriam se habituar a este tipo de relva artificial.

A probabilidade de ganhar vantagem nos 17 jogos em casa seria muito superior que a probabilidade de partir em desvantagem nos 17 jogos fora.

Tudo isto só seria possível enquanto os outros clubes continuassem com os pisos de relva natural.

Gabriel Almeida

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Jogos de matrecos e outras evidências



Ontem mais uma vez ficou evidente que antes de se por o problema do dinheiro ou falta dele, o  Sporting tem de saber antes gastar o pouco que tem. Angulo? Caicedo? Quanto ganham estes matrecos e onde estarão daqui a um ano? Varela seria pior? O “terrível” Carlos Martins só foi problemático em Alvalade?


A propósito do relvado diz Taveira que não percebe de relvados. Ora sabemos bem do que percebe... A ideia de que a temperatura é a causa do mal leva-me a perguntar como é possível ter relva em Sevilla, Málaga, ou em Marrocos, onde é normal registarem-se temperaturas bem acima das de Lisboa, e onde me parece que também há estádios. E se o relvado, ao que dizem, tem algas, não será da água que a equipa mete a cada jogo que passa?


Voltando ao estádio: que saudades do velhinho Alvalade. Não das cadeiras ou cimento. Do que ele representava na história do nosso associativismo. Nunca é demais lembrar que foi projectado “pro bono” pelo Arqt.º Anselmo Fernandes, que nos havia de dar também a nossa maior glória europeia, a Taça das Taças. Que tempos eram esses, em que se trabalhava de borla para o clube do coração, em que amadores não se envergonhariam do que hoje fazem profissionais muito bem pagos.

Nem tudo se perderá se, nos terrenos do antigo estádio for edificado o pavilhão dos nossos anseios. Mais do que uma obra de arte, necessitamos de uma casa condigna para as modalidades. E, por favor, não percam o rasto aos 18 milhões...

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