Antes de ir directamente à solução para o caso Adrien vale a pena perguntar porque se fala tanto num jogador de a quem se reconhece apenas uma época ao mais alto nível. Obviamente que o argumento colhe à primeira vista mas é tremendamente redutor, para não dizer primário e superficial.
Adrien não é apenas o que fez o ano passado na Académica, tem atrás de si um percurso muito bom nas selecções jovens, onde acumulou 43 internacionalizações. Ainda com 18 anos, estreou-se na equipa principal do Sporting, em 2007, onde realizou cerca de 33 jogos até ser "deportado" para o Macabi, de Israel, no final da época de 2009/10.
Para quem já não se lembra, convém recordar que essa foi a primeira época da presidência de Bettencourt, do "Paulo Bento Forever!" que duraria apenas uns meses e terminou com Carvalhal e um 4º lugar. Foi nessa altura que Adrien renovou o contrato que expira no final da presente época.
Perante tudo isto o estranho não é porque se fala tanto de Adrien, mas como é que o jogador conseguiu afirmar-se ao estrear-se em anos de nítido declínio colectivo, ausência de uma aposta consistente e planificação de carreira e ser um dos melhores valores nacionais da sua geração como, aliás, sempre foi. Isso diz tudo do seu valor e responde, ou deveria responder aos mais cépticos.
Os que sempre disseram que o jogador não prestava ou não tinha estaleca para o Sporting, seguramente que pensam o mesmo relativamente aos clubes rivais, pelo que, neste momento, só lhes deveria interessar que o jogador saltasse para o colo de um deles porque, sendo coerentes, eles ficariam mais fracos.
Muito se tem falado do papel da SAD no presente caso. Sendo o clube e SAD só um há pelo menos 3 equipas de diferentes dirigentes da SAD a tomar decisões no futebol do Sporting desde que Adrien é sénior. Depois da demissão de Ribeiro Telles e sua equipa, onde foram directores desportivos Carlos Freitas e Pedro Barbosa, Adrien conheceu ainda Costinha, que o mandou para Israel (decisão co-responsável de Paulo Sérgio),tendo o jogador volta a encontrar Carlos Freitas, desta feita com Luis Duque.
Esta é uma realidade que não pode ser esquecida quando se analiza e delibera sobre o que é hoje o futebol do Sporting e como se chegou aqui. Torna-se difícil, neste cenário, perceber onde começam as responsabilidades de uns e de outros mas, mais importante parece-me perceber que, entre erros e acertos, é difícil fazer muito melhor perante tanta mudança em tão pouco tempo e a consequente instabilidade que lhe está associada. Seguramente um tema para outro(s) post(s) e também um bom tema de reflexão a quem exige uma revolução a cada resultado negativo...
Mas para que a responsabilidade não fique solteira é bom dizer-se que a actual gestão ou (a) foi conservadora na análise que fez do jogador, (b) não estava segura do valor do jogador, (c) ou confiou em demasia na ligação ao clube que o próprio mais do que uma vez apregoou publicamente. E, convém lembrar, que Adrien quis regressar ao Sporting depois de uma aventura no Chelsea, que não deixou boas recordações ao jogador nem aos seus compagnons de route. A verdade é que emprestar um jogador nas condicionantes de Adrien é uma demonstração de dúvida e um risco que agora se pagará, de uma forma ou de outra.
Como é óbvio faz pouco sentido "cortar os pulsos" perante a possibilidade de perder o jogador a custo zero, ou de nos acharmos particularmente "incompetentes" quando fizemos o que fizemos ao PSV com Labyad. Seria apenas compreensível a quem tem problemas de auto-estima e não percebe que estar no mercado é como jogar à bola: ganha-se umas vezes, empata-se e perde-se noutras.
Com o mal consumado o lote das panaceias reduz-se drasticamente. E, por isso mesmo a resolução do caso começa seguramente por, perdoem-me o francês, começar por tê-los no sitio. A SAD e até os adeptos, bem entendido.
A SAD porque se trata de uma activo importante e que poderá vir render dividendos desportivos e económicos mas, saliente-se, está longe de ser um jogador insubstituível ou fundamental para o êxito da equipa, face ao que é hoje o plantel principal e equipa B.
Os adeptos, pelas mesmas razões que a SAD, e por estarem mais expostos às maquinações e estratégias de quem gostaria de ver o jogador com mau ambiente em Alvalade. Para lá dos rumores há muita informação que nos escapa.
Chegados aqui é fácil constatar que o jogador não permanecerá em Alvalade pelo dinheiro que possa vir a auferir. Com clubes ingleses na corrida, e até eventualmente os nossos rivais, o Sporting dificilmente poderá igualar a oferta. Esse será também o ponto de vista do advogado do jogador a quem interessa sobretudo vender pela melhor oferta, sendo-lhe indiferente a carreira do jogador.
Do ponto de vista desportivo também não é certo que Adrien seja titular, mas pode muito bem sê-lo, como ainda se viu recentemente em Huelva. Assim tivesse ele coragem para apostar na permanência, no que me pareceria uma boa decisão face à sua valia e ao momento da sua carreira. Adrien tem tudo para vingar neste Sporting e, jogando, é um dos principais candidatos à renovação inevitável da selecção A.
É aqui que o Sporting ainda detém uma arma importante sobre o caso. Adrien também sabe que pode triunfar no Sporting ou que, não assinando, pode passar um ano na
casa das máquinas. Esta é uma solução, ao jeito de bomba de fragmentação, que está nas mãos do clube mas que não evita que, no futuro, Adrien apareça pintado de outras cores. Ora isso não deixaria os Sportinguistas indiferentes. Pessoalmente, e sobretudo porque acredito no valor do jogador, seria uma afronta semelhante a outras.
Falando-se insistentemente no interesse do FCP no jogador - mais por
"tradição" ou por interesse real, vá-se lá saber, mas a SAD saberá... -
poderia equacionar-se a hipótese de uma negociação directa, não com o
objectivo de uma venda, mas como hipótese de uma troca. Sabe-se que
Moutinho pode sair - o que também nos interessa - e sabemos que o lugar
de 9 continua em aberto. Não me repugnaria, e apenas no caso de Adrien
não querer ficar, a troca com Kleber. Trata-se de um avançado jovem que
por isso está ainda a tempo de limar algumas das suas insuficiências
para as juntar às qualidades que indiscutivelmente possui e que poderia
constituir uma alternativa e até mais-valia em relação a Wolfswinkel.
Veríamos depois quem ficaria a ganhar com a troca...
Dito isto, e se se confirmar a irredutibilidade do jogador em renovar, a solução que satisfaria as partes envolvidas seria a venda com cláusula de preferência e/ou recompra. Mas a casa das maquinas não deixa de ser uma solução a equacionar e a aplicar caso a SAD esteja segura da má-vontade e menor lisura de processos e intenções do jogador para com o clube.
O Troféu "Os 5 Violinos" permitirá lançar alguma luz sobre o assunto. Sá Pinto seguramente que não continuará a dar minutos - como tem dado, saliente-se - a um jogador que sabe que não pode nem deve contar com ele. No mais Adrien tem todo o direito, como têm todos os jogadores, em procurar o melhor para si na hora de assinar qualquer contrato.
PS- Post actualizado posteriormente à publicação inicial, com a inserção do parágrafo relativo à troca com Kléber, que ficou no prelo. Aos que já comentaram as minhas desculpas.