O grande desafio de Frederico Varandas começa agora
O grande desafio é sempre o próximo e, por isso, o de Frederico Varandas começa agora, neste mandato. Após uma entrada sofrida, em que encontrou uma instituição em agonia, no terceiro mandato é agora presidente de um clube suportado por um número crescente de sócios, bicampeão coroado com uma dobradinha, com modalidades competitivas e finanças saudáveis. O grande desafio é a consolidação do seu atual estatuto, agora num patamar mais exigente, devido à acirrada concorrência e às elevadas expectativas dos adeptos.
Frederico Varandas tem agora de provar que o sucesso recente não foi um ciclo isolado, mas sim um modelo sustentável a longo prazo.
Principais desafios:
1. Manter ou até elevar o nível desportivo
A pedra basilar do sucesso, que arrasta tudo consigo — para baixo ou para cima, consoante os resultados. O Sporting deixou de ser um outsider: bate-se ombro a ombro com os rivais, tendo-os superado nos últimos dois anos. É o sucesso desportivo que valoriza os seus ativos, atrai investidores, os melhores profissionais, adeptos e espectadores, permitindo assim o acesso a maiores receitas.
Um dos pontos sensíveis é atracção e retenção talento quando vender também é obrigatório. A renovação com Rui Borges, como segurar tantos jogadores valorizados serão pontos quentes até ao final do verão.
Num clube que faz do ecletismo um dos componentes do seu ADN, é obrigatório manter as modalidades não apenas competitivas, mas também vencedoras. Aqui há que reconhecer que, nas modalidades de pavilhão e no futebol, a vertente feminina tem estado num estranho banho-maria. É talvez no futebol, onde o clube foi pioneiro, que mais custa olhar para os resultados e a respetiva classificação.
2. Manter o equilíbrio financeiro, ampliando as receitas
Manter o sucesso desportivo sem perder o equilíbrio financeiro é um enorme desafio. Os valores pagos pelo Sporting hoje estão muito distantes dos primeiros mandatos de Varandas, o que aumenta o risco de imparidades. O modelo do Sporting obriga a uma grande circulação de jogadores, uma vez que depende da venda regular para se sustentar — o que aumenta o risco de comprometer a competitividade.
Acresce que, tal como salientou na tomada de posse, Varandas pretende concluir neste mandato a renovação do estádio. Ora, alterações estruturais como esta implicam projetos dispendiosos, complexos e de execução prolongada. Até agora tem corrido bem, mas os riscos de derrapagens financeiras e/ou atrasos são reais.
3. Gestão da relação com os adeptos
Varandas passou de presidente contestado a vencedor. Pela segunda vez obteve um expressivo número de votos, refletindo a confiança nele depositada. Contudo, subsistem pontos de fricção que não se revelam de fácil resolução. A relação com os grupos organizados de adeptos — as chamadas claques — permanece distante e não se vislumbra solução à vista.
Os problemas recorrentes com um site indigno da grandeza do clube também parecem persistir. O sucesso trouxe igualmente escassez de oferta face à procura: é cada vez mais dispendioso e difícil aceder aos jogos, deixando frequentemente de fora os adeptos de sempre — os dos dias de frio e chuva, nas bancadas outrora vazias.
Enquanto durar o período de “vacas gordas”, este tipo de problemas manter-se-á numa espécie de hibernação. No entanto, bastará mais do que um ciclo negativo para que regressem as velhas questiúnculas e disputas, bem como a contestação — com o reaparecimento dos “tudólogos” e notáveis que, por agora, as vitórias afastaram dos microfones.

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