Bodo Glint 3 - Sporting 0: eclipse total
O Sporting viajou até à Noruega com ambição europeia, mas acabou perdido no frio do Ártico, incapaz de reagir dentro de campo ou a partir do banco.
O Sporting apresentava-se na Noruega com ambições de prolongar o seu passeio europeu, depois de ter conseguido conquistar um lugar de distinção no restrito e exigente lote dos oito melhores classificados. Quem esperava uma aurora boreal marcada em tons de verde acabou por assistir a um eclipse total, onde o Sporting foi apenas uma pálida sombra de si próprio.
É verdade que a equipa até nem entrou mal no jogo, mas foi sol de pouca dura. Rapidamente se instalou o desnorte completo, permitindo todo o tipo de veleidades a Berg, Hauge, Høg e até aos defesas-centrais amarelos. O penálti “à portuguesa” apenas ajudou a acelerar o que se tornava cada vez mais evidente: a abordagem do Sporting ao jogo foi abaixo de medíocre.
Fica por saber que jogos dos adversários foram visionados pela equipa técnica e se o filme que viam nos tablets era idêntico ao que passou na generalidade dos ecrãs. Rui Borges foi completamente incapaz de introduzir qualquer alteração, quer através de instruções quer através de substituições. Foi particularmente confrangedora a forma como deixou a equipa esbracejar no meio do mar norueguês até se afogar completamente.
Mais do que a atuação dos jogadores, foi a incapacidade da equipa técnica de ler o que estava a acontecer no relvado e de produzir uma mudança que proporcionasse, pelo menos, uma pequena amostra do que esta equipa pode — e já conseguiu — realizar.
Espero estar errado, mas fica também uma certa sensação de alguma soberba na forma como foi olhado o adversário. Talvez o cenário minimalista, comparado com as grandes metrópoles dos grandes estádios, possa ter influenciado essa disposição, a ter existido.
Ao invés de trazer um belo e luzidio bacalhau norueguês, os leões saíram frios e demolhados de Bodø e já praticamente fora da competição que tanto almejávamos, com o sonho de voltar aos quartos de final a ficar muito comprometido.
A menos que os noruegueses devolvam a gentileza que lhes proporcionámos — a de jogar à vontade e de cadeirinha em Alvalade — Champions agora só para o ano.

Análise rigorosa e justa. A equipa técnica, e o seu lider em particular, prepararam mal o jogo. Confrontados com a dura realidade foram incapazes de corrigir os erros de análise- quer na identificação dos pontos fortes do adversário quer na forma como dispuseram a equipa para concretizar os objectvos - e continuaram a assistir impotentes ao desenrolar dos acontecimentos, como se em vez de actores fosse simples espectadores.
ResponderEliminarTemo que este colapso, já visivel em Braga na segunda parte, tenha vindo para ficar. Temo que o segundo lugar seja uma miragem.