Borges out, Fonseca in: quanto custará a má gestão de um final de ciclo?
Rui Borges deixou de ser treinador do Sporting e Paulo Fonseca prepara-se para aterrar em Lisboa. A saída de Borges só surpreende quem ignorou os resultados, as exibições e, sobretudo, a sensação de desnorte que as constantes alterações táticas foram deixando.
Há cerca de um mês, porém, o elogio público de Frederico Varandas parecia prolongar o prazo de validade do treinador. Soube-se ontem que não foi assim, e a passagem de Borges por Alvalade termina aqui e agora.
A decisão é, em parte, a correção tardia de três erros de avaliação em cadeia: renovar o contrato antes do balanço final da época, manter o treinador depois de uma derrota que, num clube com as ambições do Sporting, devia ter ditado o fim do ciclo, e entregar a reconstrução do plantel a um técnico já desgastado e fragilizado. Fica ainda no ar a pergunta: porquê agora, ainda por cima na véspera da partida para Londres, onde o Sporting vai encontrar precisamente a antiga equipa de Paulo Fonseca?
Na hora da despedida, importa recordar o legado de Borges: uma Liga e uma Taça de Portugal. Duas conquistas com sabor especial, porque a Liga valeu o bicampeonato e a Taça completou uma dobradinha. O reverso da medalha é a ausência de títulos desde que o leme passou exclusivamente para as suas mãos, agravada pela derrota no Jamor. Isso, somado a um arranque de época infeliz, ditou o divórcio e ofuscou uma campanha europeia que merecia mais brilho.
Chega agora Paulo Fonseca, que deixou Portugal há muito para trabalhar no estrangeiro. A sua imagem no país ficou marcada pela passagem pelo FC Porto, a única oportunidade que teve num grande, depois do excelente trabalho no Paços de Ferreira, que levou à disputa da eliminatória de acesso à Liga dos Campeões (2013/14). Antes de partir, e ainda longe do sucesso que teria no Shakhtar até à guerra da Ucrânia, acertou contas com o antigo patrão ao conquistar, ao serviço do Sporting de Braga, a segunda Taça de Portugal da história do clube, 50 anos depois da primeira, frente ao FC Porto.
A tarefa que o espera é árdua: voltar a encurtar a distância para os dois rivais. Construir uma equipa vencedora é difícil, mas bastam duas ou três ocorrências simultâneas para desbaratar uma hegemonia que parecia em construção. Para isso, a experiência de Roma e Milan, clubes em busca dos seus tempos áureos, será fundamental. Fonseca sabe o que é gerir pressão e expectativas, sabe por isso que o Sporting ao contrata-lo vai à procura de uma liderança esclarecida que rentabilize o plantel à disposição e devolva aos adeptos a gosto de ver a sua equipa jogar.

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