domingo, 5 de dezembro de 2010

Reencontro com o pódio?

O Sporting regressa hoje aos encontros com o Portimonense, cuja casa sempre foi um lugar difícil para nós. De tal forma que, dos 13 jogos lá efectuados, se regista um empate: 4 vitórias para cada lado mais 5 empates. Uma vitória significa o regresso ao terceiro lugar.

Pela equipa de Portimão passou Vitor Damas, cuja passagem pelo Algarve é hoje assinalada pelo DN e que aqui deixamos para memória futura.



Há duas décadas que os dois clubes não se defrontam, hoje é o dia do reencontro.


No registo histórico dos jogos entre Portimonense e Sporting há um lugar muito especial para Vítor Damas, quer pela sua classe pura, pelo estatuto de figurar na lista dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, ou, ainda, pelo facto de ter representado os dois clubes. Foi por isso que o DN - nas vésperas da deslocação dos leões ao Algarve - lançou o repto a dois antigos jogadores, companheiros de equipa de Damas, falecido em Setembro de 2003, na altura em que este alinhava pelos portimonenses.

Paulo Rocha e Amílcar Fonseca, 56 anos, jogaram duas épocas nos algarvios e conviveram de perto com o "ícone das balizas". Curiosamente, Paulo Rocha já fora colega de Damas no Sporting, e Amílcar partilhava com ele as ligações Lisboa-Portimão e vice-versa.

"O Damas foi o melhor guarda-redes que vi até hoje", garante Rocha, opinião corroborada por Amílcar, que confessa nem ter acreditado que o Portimonense o contratara. "Só quando o vi chegar para treinar é que fiquei convencido." A turma algarvia atravessava um período de ouro, expresso pela qualidade de muitos dos seus jogadores, alguns internacionais, casos de Alhinho, Norton de Matos, Murça, Freitas, Coelho, Delgado e Fernando Martins. Com a construção e o turismo em alta, o futebol também ganhava, e o técnico Artur Jorge, com o aval do presidente Manuel João, fez equipas para os lugares cimeiros.

"Foi um privilégio ter jogado com o Damas", dizem. Para lá das qualidades técnicas, Paulo Rocha destaca a entrega total, que lhe permitia "trabalhar da mesma maneira em Alvalade ou em Portimão. Era um fora-de-série! Quando fomos campeões, em 73/74, o Sporting bem pode agradecer- -lhe". Por sua vez, Amílcar elogia a humildade, "o que fazia com que todos gostassem dele. Passei muitas horas ao lado do Vítor e confirmo que um grande jogador tem de ser, também, um grande homem".

Dos jogos com o Sporting guardam a vitória obtida em 81/82, por 2-0 - golos de Tião e Norton de Matos. "O Portimonense era favorito quando jogava em casa, fosse qual fosse o adversário", sustentam. Na época seguinte, com Damas a dividir a baliza com Borota, os leões venceram - golo de Manuel Fernandes. Foi o primeiro triunfo leonino, ao fim de seis partidas em solo algarvio. O resultado mais desnivelado surge em 83/84 (0-6), curiosamente com Damas entre os postes. Walter Gomes, antigo vice-presidente portimonense, sustenta que o guarda-redes foi "impotente para travar a cavalgada de Manuel Fernandes, Jordão e companhia".

O caso Maniche: reflexões sobre a estratégia de um plantel*

*in Público, por Carlos Barbosa da Cruz:

1. A generalidade da comunicação social imputou a derrota do SCP contra o V. Guimarães à expulsão do jogador Maniche, que agrediu um adversário, em gesto alegadamente irreflectido.

2. Maniche, não obstante o brilho da sua carreira, foi sempre um jogador instável e temperamental, características que não se têm atenuado com a idade; no Colónia, seu anterior clube, pagou a maior multa de que há memória, por comportamento incorrecto com o público.

3. Já no SCP tinha exteriorizado algum destempero, com o arremesso de uma garrafa de água no final do jogo com o Benfica, o que lhe custou um jogo de suspensão.

4. O que surpreende, portanto, é que alguém ainda se surpreenda com estas instabilidades de um jogador que a Europa não quis e que o SCP resolveu acolher, numa linha de aproveitamento de jogadores em fim de carreira que já com a contratação de Ângulo não tinha dado grandes resultados.

5. Causa assim alguma apreensão ouvir o treinador do SCP dizer que contava com o Maniche para trazer estabilidade e maturidade à equipa, contribuições para que ele claramente não está talhado.

6. Este episódio traz acuidade a uma questão mais vasta e importante que é a de saber qual a estratégia subjacente ao actual plantel da equipa profissional de futebol do SCP.

7. Eu sei que o SCP tem especialistas, conselheiros, entendidos, scouters, olheiros e tutti quanti, que seguramente se pronunciam sobre o movimento de aquisições e dispensas.

8. Simplesmente, essa realidade, por muito respeitável que seja, não preclude as interrogações que as escolhas feitas no actual plantel suscitam.

9. Na reabertura do mercado de 2009, o SCP foi comprar o João Pereira e o Sinama-Pongolle, que não podiam jogar a Liga Europa, na qual o SCP estava empenhado, sendo a única frente em que poderia ainda brilhar; ao ver o SCP a tentar marcar um golo (que valeria a eliminatória) ao Atlético de Madrid em Alvalade, não pude deixar de me lembrar de tamanho paradoxo.

10. Simon Vukcevic foi dispensado do plantel para o Olympiakos de Atenas no final da época passada; recambiado para Lisboa (porquê?), é hoje dos poucos jogadores com perfume que ainda fazem Alvalade sonhar, mas, como critério de escolha, estamos conversados.

11. Adrien, Pereirinha e Wilson Eduardo estão fora alegadamente a rodar, o que, no caso dos dois primeiros, que já jogaram na Champions, é algo paradoxal; face ao que tenho visto, penso que onde eles fazem falta é no SCP.

12. Custa-me a perceber a gestão do dossier Izmailov. Mesmo tratando-se de um jogador difícil, ou com um empresário difícil, não haverá talento no SCP para cativar o jogador e evitar (mais) uma perda anunciada?

13. Continuo a achar que a "maçã podre" João Moutinho é uma história mal contada e tenho seguido com alguma azia o jeito que ele tem feito ao FCP.

14. Visivelmente, Torsiglieri escolheu Alvalade para aprender a jogar futebol; a decisão será boa, mas interrogo-me se o SCP tem de pagar por isso.

15. Nuno André Coelho e Zapater vieram à troca, sendo por definição jogadores que os clubes a quem vendemos jogadores não precisavam e usaram para baixar a factura, ou seja, não terão sido escolhas, mas conveniência, como os factos se têm encarregado de demonstrar.

16. Caneira, Purovic, Stojkovic, Pedro Silva e o próprio Grimmi são de nenhuma utilidade ao plantel, só se fazem sentir no final do mês.

17. A isto há que somar o Liedson e o Pedro Mendes, mais atreitos a paragens por força da idade, o Yannick e o Saleiro, em clara regressão evolutiva, e o Hélder Postiga, que parece só jogar em ano de final de contrato.

18. Não me pronuncio sobre um tal Tales, contratado no último dia do mercado regular, porque nunca tive o prazer de o ver jogar.

19. Claro que há coisas boas, a progressão notável do Daniel Carriço, a estreia do Cédric ou a afirmação do Rui Patrício.

20. Só que - e com muita mágoa o digo - as coisas más são mais do que as coisas boas.

21. A equipa de futebol vem, de forma paulatina mas inexorável, diminuindo o seu valor e enfraquecendo a sua performance; basta olhar para os resultados e para a sua composição.

22. Mais do que profissões de fé de acrisolado sportinguismo e promessas de amanhãs que cantam, importa ter a consciência que, com este plantel, o SCP dificilmente ganhará o que quer que seja.

23. E não acho que seja só por causa do (pouco) dinheiro; não encontro na montagem da equipa do SCP um critério discernível e objectivo, uma estratégia, a equipa continua macia, baixa e leve, vejam-se os golos que o SCP sofre de bola parada e os que não marca da mesma forma.

24. Claro que seria muito mais cómodo ignorar esta situação e continuar a prometer que é para a próxima, que não há mais margem de erro e outros lugares-comuns já estafados, mas, com essa atitude, o clube não vai a lado nenhum.

25. Desejo vivamente que o presidente, a SAD e toda a estrutura consigam dar a volta a esta tão delicada equação. Os sportinguistas, esses, ficar-lhe-iam, de certeza, eternamente gratos. 

Carlos Barbosa da Cruz é ex-dirigente do Sporting

sábado, 4 de dezembro de 2010

A azia de Costinha

A notícia de que José Eduardo prepara uma nova ementa para o futebol leonino provocou uma grande azia em Costinha. De tal forma que o presidente e o director de comunicação, nitidamente visados pelo director desportivo, apressaram-se a distribuir um comunicado em forma de compensan. Se serviu ou não de paliativo não se sabe. O que é certo é que do lado do homem do restaurante Solar do Marquês já surgiu uma reacção, desmentido o comunicado da direcção que lhe atribuía ambições de liderança. O costume afinal no Sporting dos últimos tempos: quem pensa pela própria cabeça, quem se questiona pelo rumo que leva o futebol do clube quer é tacho, mesmo que seja já um industrial de hotelaria.

Talvez fosse bom lembrar ao presidente e ao director desportivo o conteúdo funcional dos lugares que ocupam e hierarquia daí resultante. O Presidente do Sporting Clube de Portugal pode e deve receber quem bem entender, sem ter que assistir ao choradinho público de qualquer funcionário do clube, mesmo que seja um alto quadro. O Presidente do Sporting deveria ele mesmo ser o promotor do diálogo e auscultar o sentir dos associados do Sporting perante o tristonho – para ser simpático – desempenho desportivo da equipa da modalidade mais popular do clube. Ao presidente e aos corpos sociais cabe a definição da estratégia desportiva para o clube e nesse âmbito pode e deve assessorar-se dos pareceres que entenderem úteis. Ao director desportivo cabe-lhe executar essa mesma estratégia, se assim se entender capaz.

Costinha é hoje, dos 3 grandes, o mais loquaz director desportivo dos três grandes, apesar de ser, até ao momento, o que mais razões terá para se manter discreto. Ele dá entrevistas de cadeirão no centro do relvado, ele distribui newsletters, ele está presente em todos os acontecimentos que marcam a actualidade leonina, numa acção de nítida promoção de Bettencourt. Mas o que é ou deveria ser o centro das suas atenções, que é o desempenho desportivo da equipa, parece passar-lhe ao lado. Se Costinha quer merecer o crédito dos Sportinguistas deve começar por, antes de mais, obter resultados. Até porque, ao contrário do seu palmarés de futebolista profissional, o seu curriculum de director desportivo tem apenas preenchido, até ao momento, os seus dados pessoais e um sem número de actuações nebulosas. Talvez ele queira esclarecer na próxima newsletter os problemas com Izmailov, Moutinho,  ou os critérios que levaram escolha do actual treinador.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Não é preciso reinventar a roda

Foi notícia por estes dias a iniciativa de José Eduardo no sentido de preparar um documento com ideias concretas para o futebol do clube. Segundo palavras do próprio, com ela pretende estabelecer “um conjunto de boas práticas e uma estratégia que sirva de ideário ou de cartilha para o futebol, para que o Sporting não esteja sujeito a mudar consoante a opinião de A, B ou C e sempre que alguém chega de novo ao clube, seja treinador ou director desportivo”.

Devo dizer que saúdo todas as iniciativas para voltar a por o clube a pensar o seu futebol, porque o que se vem fazendo nos últimos tempos, e em particular nesta última época, é essencialmente o resultado de medidas avulsas e impensadas. Nas palavras do próprio presidente, “era necessário fazer alguma coisa”, sem nunca ter explicado muito bem o quê. Os resultados estão à vista. As palavras de José Eduardo retratam bem o que muitos Sportinguistas pensam hoje: a estratégia para o futebol está na cabeça de Costinha e do seu pensamento não se conhecem as linhas directoras. O que seria saudável para o Sporting era o seu director desportivo executar o ideário que o clube predefiniu e não o clube adaptar-se às ideias de quem entra e sai.  

O futebol do Sporting não precisa, para definir uma estratégia, de reinventar a roda. Os últimos anos temos andado à volta da melhor solução, falhando, quanto a mim, repetidamente na escolha da trave mestra: o treinador.

Quando realizamos aqui, há um ano, uma jornada de reflexão contamos com a ajuda desinteressada de muitos Sportinguistas. O texto que hoje recupero, escrito pelo PLF, foi o que mais incidiu sobre a vertente da estratégia desportiva e que deveria ser um documento incontornável na iniciativa agora levada a cabo por José Eduardo. Está lá uma ideia-mestra para o nosso futebol que merece ser revisitada. Um ano depois é perfeitamente actual
1. Um contexto
Comecemos pelo princípio: sou um relativo adepto do denominado "Projecto Roquette". As ideias que estiveram na sua base, as ideias que estariam na base da sustentação do projecto desportivo do Sporting, eram boas e passavam essencialmente por três vectores, todos plausíveis, todos exequíveis e todos racionais: (i) aposta na formação, (ii) aposta na valorização dos direitos de transmissão televisiva dos jogos do Sporting, nas futuras plataformas multimédia e (iii) aposta num projecto imobiliário, em altura de elevada valorização deste mercado, que em conjunto garantissem que o Sporting poderia oferecer aos seus adeptos condições ímpares para assistir a um espectáculo de futebol.

A criaçao de um braço empresarial para o clube foi a opção certa. Tanto assim foi, que foi seguida por todos. A implementação das ideias, contudo, teve - para ser simpático - um sucesso variável.
No que era imprevisível - a valorização dos direitos de transmissão dos jogos de futebol do Sporting - em sintonia com a catástrofe das dot.com, o Sporting (os seus associados e os seus accionistas) ficou a perder. No que era mais inverosímil que perdesse dinheiro - o imobiliário - o Sporting conseguiu apresentar contas negativas, vender quando o mercado já estava em nítida baixa sob a justificação (compreensível) que o Sporting (SAD ou clube) não tinha vocação para gerir este negócio. Mas a formação foi um sucesso. E - apesar de sempre necessárias revisões da implementação desta política de aposta na formação - é um sucesso que continua a apresentar frutos e que se apresenta, na minha opinião, (actualmente) o único aspecto da vida do clube em que existe potencial de crescimento.

O Sporting, sem esta sua aposta inicial na formação, que juntou as condições de trabalho ao know how que existia em Alvalade, existiria hoje (porque os sportinguistas não desapareceriam) mas sob uma forma totalmente diferente. Provavelmente não seria mais dos seus associados. E por isso é chocante ouvir-se alguém que se quer responsável (que a única coisa de que é responsável é por uma gestão flagrantemente desequilibrada de uma sociedade) dizer que o actual treinador é bom porque terá "dado" ao Sporting o Nani. Foram as (fortes) apostas do Real Sport Clube de Massamá e do Sporting que permitiram que Nani oferecesse €25,5M ao clube. Apostar num jogador talentoso tem pouco de meritório. 
2. Uma mais valia
Quando se pensa o futuro do clube fala-se sempre em sustentabilidade. O Sporting quer-se sustentável a curto, médio e longo prazo. Este é outro dos (poucos) desejos comuns dos Sportinguistas. Como amor que é, queremos que dure bem além da morte que nos separará. O Sporting é para nós, para os nossos filhos, para os nossos netos, mesmo que ainda sejamos adolescentes ou estejamos longe de encontrar razão para aumentar a família sportinguista. Aqui, como lá em cima, os sportinguistas dividem-se sobre o caminho para a sustentabilidade.

Nao tenho dúvidas sobre a parcialidade desta minha opinião: ela reside num pré-conceito, o de que o forma bons jogadores, jogadores com nível para jogar no Sporting, jogadores com nível para ambicionar voar mais alto, e forma-os em número suficiente para oferecer ao clube essa tal sustentabilidade. Ou seja, acredito que o Projecto Roquette é capaz de se (auto)sustentar em apenas um dos seus vectores principais. O futebol, como sempre, seria o motor da restante actividade do clube.

Filipe Soares Franco era da mesma opinião: era necessário conservar os talentos formados pelo Sporting o tempo suficiente para que estes oferecessem ao clube os títulos que o seu valor desportivo justificava. Isto partia de uma premissa lógica: se o Sporting vendia jogadores por valores que não estavam ao alcance da sua bolsa (entre os €5M e os €25M) e se - para mais - estes jogadores nao implicavam qualquer investimento inicial, então o Sporting poderia utilizar as (restantes) receitas para compor o plantel competitivo que lhe permitiria atingir maiores voos. E por isso as ambições europeias de Soares Franco. Para mim, também era lógico.

E, desde sempre, Soares Franco recusou a ideia de que o Sporting não venderia os seus talentos. Disse - na sua natural incapacidade para comunicar - que não venderia "agora". A sustentação do clube passaria, obviamente, também pela transferência dos seus próprios talentos. Isso seria um passo necessário, inevitável face à capacidade orçamental (a nível salarial), para manter as contas equilibradas. E assim se poderia juntar o útil ao agradável: libertar o clube/SAD da obrigatoriedade de proceder às tais "mais-valias" concederia a possibilidade de vender na melhor altura, sem ser perante a ameaça do incumprimento, e isso permitiria manter durante mais tempo no clube os jogadores com maior valor de mercado. E como o mercado remunera a competência, mantendo-se os mais valiosos, preservar-se-ia o valor dentro do clube.

O objectivo até poderia deixar de ser exclusivamente "valorizar" os activos, optando - a médio prazo - para a capacidade de ter a opção relativamente à oportunidade da venda. Isto é, aceitando que um jogador não se valorizaria acima de X, seria preferível mantê-lo (perdendo dinheiro) caso para a sua ausência nao houvesse uma hipótese em alternativa que apresentasse garantias de uma substituição adequada.

E se a política de formação do Sporting continuou a ser um sucesso, a gestão dos activos resolveu seguir o mesmo trilho que a da construção do imobiliário: é desastrosa. E é desastrosa por fazer perder ao clube muito mais dinheiro do que investiu.

3. Uma solução
O exercício da auto-citação tem o seu quê de pretensioso. Mas, sem pudor, ficam aqui umas linhas que escrevi como uma introdução em Julho a um post intitulado "o meu plantel para 2009/2010": "Comecei a escrever este post no princípio de Junho. Ficou no pipeline porque queria fazê-lo fundamentado em números, na necessária redução orçamental que o Sporting deverá fazer em função da maior dificuldade de aceder à Liga dos Campeões."

Ainda antes dos jogos oficiais, entre outras coisas, pedia a substituição de Polga, a contratação de um defesa-esquerdo, as dispensas de Romagnoli e de Rochemback, a contratação de Hugo Viana e - sobretudo - uma redução do orçamento para o futebol.

As soluções seriam encontradas dentro de casa. Havia-as em número suficiente para que o Sporting apresentasse um plantel com soluções, próximo em qualidade do actual plantel, mas com um custo substancialmente inferior.

E, na minha opinião, a minha proposta acumulava três méritos: (i) potenciava a existência dentro do plantel de jogadores susceptíveis de ter mercado (por oposiçao a outros "sem mercado", quer pela idade, quer pelas falhadas experiências no estrangeiro, quer pela ausência de qualidade), (ii) fazia face à redução da probabilidade de receitas oriundas da Liga dos Campeões (face ao novo formato), portanto equilibrando a gestão ao aumento do nível de risco de perda de receitas e (iii) enviava um forte sinal aos sportinguistas de que se estava a construir algo para o futuro. Este sinal - que foi dado no passado com acolhimento pelos adeptos - permitiria fazer o Sporting virar a página. Seria um projecto comum.

Para este projecto, seria apenas necessário dotar o Sporting de meios para assegurar que o trabalho de formação dos jogadores nao parava à sua saída dos escalões de formação. Não seria necessário apenas um treinador que apostasse nos jovens da casa, era sobretudo preciso uma equipa técnica que assegurasse que - na transição para seniores - os jovens formandos do Sporting continuariam a apurar as suas capacidades, por forma a tornarem-se cada vez melhores.

Que resultados poderia ter esta estratégia? Imaginando que o Sporting conseguia reduzir significativamente o seu orçamento, limpando da coluna da despesa salários gordos que não apresentassem uma possibilidade de retorno desportivo e financeiro - vendendo um ou dois jogadores (Moutinho e Veloso à cabeça), estaria encontrada a solução para acabar com o estrangulamento imposto pela dívida.

Caso a estratégia tivesse sucesso, poder-se-ia almejar a ainda mais receitas. Caso contrário, o risco era meramente desportivo. Do ponto de vista financeiro, com a despesa controlada, o Sporting estaria em condições - a médio prazo - de reverter esta orientação política. E isto sem (voltar a) meter dinheiro nas mãos de quem o tinha esbanjado anteriormente.
Esta era a minha solução. É a solução de quem tem de gerir um orçamento apertado, de quem não quer depender de terceiros a prazo ou de quem tem orgulho na sua identidade e não contempla vender a alma (a personalidade) para assegurar uma nova vida. Infelizmente, cada vez mais o Sporting se afasta da sua raiz original. Temo que com isso possa comprometer o futuro deste meu amor e, com ele, o dos meus filhos e netos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Guerras de alecrim e mangerona

Foi ontem mais evidente o protesto da Juve Leo em Alvalade. Além das tarjas ao contrário e da entrada tardia no estádio, foi exibida uma frase bem elucidativa do actual estado de espírito no seio da claque: “preparem as malas”.

Parecem assim estar criadas as condições para mais uma novela que tem todos os ingredientes para se tornar em mais um capítulo lamentável na história do Sporting como o foram todas as anteriores em que a claque mais antiga do clube saltou da bancada para se assumir como intérprete da vontade dos associados. Não se lhes conhecendo qualquer pensamento consequente ou visão estratégica para o clube a única coisa a esperar será a criação de vazio e o habitual alinhamento com quem esteja na disposição de lhes prestar vassalagem. Apesar da conta em que se têm, e, ao contrário do que querem fazer crer, eles é que precisam do Sporting para serem quem são. O Sporting já existia antes e sobreviver-lhes-á. O Sporting não precisa de golpes inconsequentes com motivações duvidosas, precisa de visão estratégica e de uma mensagem de ânimo e inclusão.

O último que se poderá lamentar do que venha a suceder é precisamente o presidente. Colherá o resultado da relação promíscua que, desde o inicio do seu mandato, mantém com os ultras do clube. Tanto uns como outros estão longe de estar à altura de muitos que os precederam nos lugares que hoje ocupam. Tardam em perceber que o seu tempo já passou e que, ao invés de soluções, representam um contrapeso para o clube.

O Sporting precisa de todos, obviamente. Uma boa forma de o servir pode ser a humildade de reconhecer que está na altura de voltar a ser o que sempre somos: apenas mais um.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sporting - Lille: presque insupportable

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga, Evaldo; Pedro Mendes, André Santos, Maniche; Yannick, Liedson e Postiga.

Suplentes: Tiago, Torsiglieri, Saleiro, Valdés, Zapater, Nuno Coelho e Vukcevic.

LILLE: Landreau; Beria, Chedjou, Rozehnal, Emerson; Gueye, Mavuba, Balmont; Hazard, De Melo e Obraniak.

Suplentes: Mouko, Debuchy, Cabaye, Sow, Frau, Rami, Dumont.

O Sporting apurou-se para a fase a eliminar da Liga Europa ganhando ao Lille por um golo sem resposta. Foi a único facto digno de registo após 90 minutos em que se maltratou, mais uma vez, o futebol. Se há quem diga que a Liga Europa é a 2ª divisão das competições europeias, quer o árbitro quer as 2 equipas bem se esforçaram para justificar o estatuto.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um futuro melhor com boas dores de cabeça

Depois do pinheiro, depois do estarrecedor "firme e hirto" da semana passada, ficamos hoje a a saber que o melhor Sporting está para vir. Pudera, com 12 jornadas jogadas, a sofrer uma média de um golo por jogo, a marcar pouco mais que isso e após consolidar os 13 pontos de distância para o primeiro lugar, o que mais faltava era que o pior ainda estivesse para vir.

O que vem ai também não me deixa tranquilo. Digam o que disserem - pois é o Mourinho também o faz... - o Sporting não nasceu para jogar  com 3 médios defensivos, seja contra o Lille, seja contra o FCP. E pouca confiança me merece quem, depois do que tenho visto, subverte sistematicamente a ordem das coisas: o Sporting não tem cometido erros pontuais em exibições bem conseguidas. O Sporting tem exibições geralmente enfadonhas, sendo simpático, que pontua com uma ou outra jogada bem conseguida.  E sim, incluindo o jogo do passado sábado.

Paulo Sérgio acrescenta ainda que agora tem melhores dores de cabeça.  Sorte de que não partilho. Desde o inicio de época que não vejo como e quando hão-de passar as minhas.

A perspectiva do umbigo

Após os acontecimentos verificados este fim-de-semana assistimos a tomadas de posições públicas por parte de quer da Juve Leo quer de Eduardo Barroso de certa forma surpreendentes, se tivermos em conta o que têm sido o discurso e alinhamento de "ambos".

Nada do que relatam é novo na actuação do clube e está até longe de ser o que de pior vimos até hoje. Recordo-me, p.ex., após o jogo com o Bayern, ver a PSP, em plena bancada sul,  de cacetetes em punho, a malhar em todos os que impunham cartazes incómodos. Não me lembro da direcção de então, da qual fazia parte o actual presidente, se ter incomodado com o sucedido. À luz disto a censura de sábado foi até bem mais suave, mas igualmente digna profundo repúdio.

Por isso, mesmo reconhecendo que mais vale tarde do que nunca, lamento que esta repentina consciencialização sobre a forma como o Sporting  trata os seus (para proteger os que há décadas nos destratam) se faça pela perspectiva interesseira que dista dos olhos ao umbigo. O Sporting merece muito mais. O Sporting precisa de melhor.

P.S.- Pede-nos a A.A.S a divulgação do seguinte comunicado:

Parabéns aos Campeões

A Associação de Adeptos Sportinguistas vem por este meio felicitar a equipa de futsal do Sporting pela qualificação para a final­four da UEFA Futsal Cup.

Os grandes clubes vivem de grandes feitos e a secção de futsal do Sporting Clube de Portugal voltou a elevar o nome do nosso clube e galvanizou os adeptos sportinguistas que, correspondendo aos apelos lançados estiveram incansáveis no apoio aos comandados de Orlando Duarte.

Não podemos também deixar de enaltecer uma vez mais as palavras do capitão leonino, João Benedito. Sempre emotivo e dedicado, João Benedito ao discursar no Estádio José Alvalade voltou a demonstrar a capacidade natural para aliciar e impulsionar a paixão dos adeptos pelo seu clube.

Comité Executivo,
Associação de Adeptos Sportinguistas.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um clube diferente*

Não é líquido que os abundantes ecos de uma censura imposta às claques do Sporting sejam completamente verdadeiros: pela minha parte confesso que preciso de mais do que um comunicado da Juventude Leonina para acreditar neles. Do mesmo modo, não é líquido que um desmentido oficial do Sporting Clube de Portugal impedisse a sedução de oferecer-lhes crédito: tenho muita dificuldade em acreditar e sinto demasiada facilidade em duvidar daquilo que hoje o meu Clube me afirma, diz e comunica. É infelizmente o que de mais importante retiro deste factual / falso /  exagerado / combinado / manipulado / verdadeiro relato ou episódio. Uma noção que infelizmente vem de a algum tempo a esta parte sendo firmada: o Sporting está um Clube diferente, pouco verdadeiro, pouco claro, confuso, perverso. Perverso no seu interior. 

Desorientado, igualmente confuso, muitas vezes despreocupado e enormemente apático. Apático no seu exterior. Ao ler o conteúdo para o qual o atalho no post do JVL nos direcciona foi a única coisa que consegui perceber. Não senti caso, gravidade, motivo de preocupação, medo ou surpresa. Apenas repulsa e uma sensação extrema de perversão, perversão essa que em mim, confesso, é - de longe - a pior coisa que posso numa dada situação sentir. Senti-la sobre o Sporting, ou no Sporting, faz-me experimentar engano e detectar revolta.

"Onde quer que haja degeneração e apatia existe também perversão sexual, fria depravação, aborto, envelhecimento precoce, má humorada juventude, declínio nas Artes, indiferença à ciência e injustiça sob todas as suas formas". Foi disto que me lembrei ao ler o conteúdo, uma pequena passagem de Tchekhov, apenas e nada mais, não me interessando saber sobre a veracidade do que é dito. Nem sentindo desejo de pegar num qualquer episódio que envolva a claque mais antiga do Sporting para ter uma discussão sobre Censura, discussão na qual seja necessário invocar um grupo sempre muito activo na constante e débil auto-imposta função de ora pactuar com o desgoverno ... ora interferir nas suas decisões.

Desde um episódio num aeroporto, passando por uma conferência de imprensa transformada em palco de ameaça dirigida a um concreto sócio, até aos relatos de uma Assembleia Geral marcada por episódios de violência e represálias envolvendo o grupo que agora reclama moral virgindade ... foram todos estes mais do que motivos para que tivéssemos já todos "julgado" os tiques, conduta e modo de acção do actual elenco directivo do Clube. Contudo, a apatia existiu, e existe, porque a vontade de julgar, e julgando mudando ... não parece ser real. Somente pretensa, ou dialéctica.

Já a perversão, essa é efectiva. O Sporting está hoje um Clube diferente. Para pior, bem entendido.

*Texto escrito para o "ANorte" pelo nosso leitor MM, a quem agradeço o favor e  a confiança. E  porque vem na sequência de coisas estranhas sucedidas sábado, chamo a atenção para o que se diz no Banco da Mexicana a propósito da forma como foram tratados os Sportinguistas nos momentos que antecederam o jogo e que já tinham sido também abordados pelo nosso amigo JG no Rugido Leonino.

Rescaldos

O Sporting alcançou ontem a qualificação para uma presença inédita na Final Four da UEFA Futsal Cup,  depois de levar de vencido o El Pozo por 5-3. Achei curiosas as declarações do nosso presidente, e que destaco: “Isto não é o Sporting futebol clube, é Sporting Clube de Portugal. Isto é tão Sporting como tudo o resto. Quando puxamos todos para o mesmo lado, somos muito mais fortes indiscutivelmente”. Não podia estar mais de acordo. O que talvez fosse bom era todos percebermos o papel que nos cabe na criação das condições para "puxarmos todos para o mesmo lado", e, em particular o presidente.

Tomemos o exemplo do futsal: o Sporting possui nas suas fileiras dos melhores jogadores da modalidade, numa mescla de profissionalismo e amor à camisola, cujos ícones são Benedito e Cardinal. Nos seus quadros tem também talvez o melhor treinador nacional da modalidade. A identificação com a equipa começa por aí, as sinergias à sua volta surgem com naturalidade. Ela consolida-se com a abnegação espelhada em campo, superando assim as dificuldades, sem subterfúgios . Se fosse pela tão estafada desculpa dos orçamentos não teríamos passado o El Poso. Porque não fazer algo semelhante no futebol?

Ainda no rescaldo do clássico de sábado à noite algumas questões a merecer análise. Hoje na ordem do dia estão as declarações de Paulo Sérgio sobre o "individualismo e a estupidez". Paulo Sérgio tem razão, como certamente lhe reconhecerão todos os que viram o jogo. Mas isso não esgota as explicações para o resultado final, que em nada nos interessava. Ao elogiar a eficácia portista como consequência no resultado final, Paulo Sérgio esquece-se que se ela fosse tão afinada como diz, Falcão teria inaugurado o marcador, fazendo com que agora estivéssemos a comentar um filme completamente diferente. 

A falta de objectividade de Paulo Sérgio não se fica por aqui. Porque, apesar do mérito que teve na anulação dos principais argumentos do adversário, na primeira parte, não se viu o "grande caudal" de que falou no final do jogo. Aliás, um dos principais problemas desta equipa está precisamente no seu jogo ofensivo, seja ele ataque organizado ou transições rápidas para o contra-ataque. Por isso nunca vimos explorar o adiantamento do FCP na segunda parte nem a sua inferioridade numérica.

Sem lhe retirar o mérito de o Sporting ter feito na primeira parte o que ainda ninguém tinha "obrigado o FCP a não fazer", pareceu-me que Paulo Sérgio podia  e deveria ter sabido adaptar melhor a equipa às diferentes circunstâncias em que iria ocorrer a 2º parte. E ficou por responder a Villas Boas quando este afirmou que, na 2ª parte "o Sporting pareceu-me cansado e débil". Quer num caso quer noutro estou convencido que, em iguais circunstâncias, o adversário responderia doutra forma.

P.S.: A questão da censura ás claques merecerá mais logo artigo exclusivo.

SCP na final four




O SCP conseguiu hoje a qualificação para a final four após bater o fortíssimo El Pozo por 5-3. Uma excelente vitória que prova, mais uma vez, a importância de ter um treinador com qualidade.

Chamo a atenção para este post do Leonino cerca da censura em Alvalade. Vergonhoso!

sábado, 27 de novembro de 2010

Tudo na mesma, como a lesma

Jogo dividido em 2 partes. A primeira em que o Sporting bloqueou o jogo do adversário. Patrício só não foi um mero espectador porque Falcão lhe apareceu uma vez à frente em posição de marcar. A 2ª metade teve domínio dividido onde podíamos, devíamos e precisávamos de fazer mais qualquer coisa. Nem conseguimos explorar o contra-ataque quando o FCP procurou o golo nem a superioridade numérica quando Maicon foi expulso. Lamentável a forma escusada como sofremos o golo, com Maniche muito mal na fotografia. Servirá pelo menos de alguma coisa a boa réplica dada ao líder invicto?

André Vilas Boas foi o palhaço de serviço. O “toma” virado para a bancada e a expulsão ridícula,  (quando se alguém se pode queixar da dualidade de critérios somos nós) são uma nódoa no mérito.

Fintando a ansiedade crescente

Sou como os jogadores de futebol: quando "não jogo" fico sempre mais nervoso, em particular nos jogos grandes, por razões óbvias. Uma vez que me encontro impedido de assistir ao jogo de logo vou fazer o que sempre faço em ocasiões semelhantes, para fintar a ansiedade: preencher o mais possível o dia até à hora do jogo. Sair para aproveitar o sol matinal envergonhado, almoçar bem (pernil assado no forno, Quinta do Monte d'Oiro), ver o Aston Villa - Arsenal, seguido do ManUtd - Blackburn, para depois rever o Existenz de David Cronenberg, onde  Jennifer Jason Leigh está soberba ao lado de Jude Law. Um longo passeio a pé com a minha fiel amiga de quatro patas e de enorme coração levar-me-à até ao apito inicial do árbitro.

Quando chegar à hora do jogo, e face às circunstâncias de cada equipa, a minha única exigência vai para a postura em campo: JOGUEM À SPORTING!

Para ajudar a entreter os leitores que padeçam também da "ansiedade pré-competitiva" deixo dois temas para reflexão e comentários:


Descubram as diferenças:

Alguns convocados do FCP:

Beto, Emídio Rafael, João Moutinho, Varela

Alguns convocados do Sporting

Nuno André Coelho, Pedro Mendes, Maniche, Hélder Postiga
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Por outro lado, e até para registo aqui no blogue, fica estudo académico sobre a consciência dos adeptos relativamente aos três grandes, publicado hoje na página online da Bola:

Através de uma amostra auscultada com a ajuda de ABOLA.pt, Rui Biscaia, no âmbito de uma investigação da Faculdade de Motricidade Humana, chegou a três conclusões relativamente ao que os adeptos de Benfica, FC Porto e Sporting pensam dos respectivos clubes: os adeptos do Benfica olham para o Benfica como o maior clube, os do FC Porto olham para o FC Porto como o melhor clube, e os do Sporting não crêem que o Sporting seja o maior ou o melhor, porém permanecem fiéis à notoriedade do emblema, à sua história e ao potencial da sua marca. E mantêm-se igualmente ligados ao clube e ao que ele representa. Tanto como os outros. O que só pode, naturalmente, querer dizer uma coisa: os sportinguistas estão presos a um forte sentimento de resistência.

«Os resultados deixam entender que os adeptos do Benfica olham para o clube e para a relação que têm com ele numa perspectiva de grandeza. Factores como a valorização da marca, a interacção social, a ligação com outros adeptos e, claro, também a história do clube surgem com valores mais elevados, numa escala que vai de 1 a 7, e com diferenças consideradas estatisticamente significativas quando comparadas com as respostas que adeptos do FC Porto e do Sporting deram a respeito dos clubes pelos quais torcem», explicou o autor do estudo.

No caso do FC Porto, por outro lado, o que surge valorizado nas respostas [os valores podem ser detalhadamente consultados no quadro nestas páginas] dos adeptos são essencialmente factores relacionados com o rendimento desportivo.
«O sucesso da equipa, principalmente, com considerável diferenças para os valores de Benfica e Sporting. Depois, também a organização e a gestão do clube, a qualidade de jogadores e treinador e também o estádio onde a equipa joga estão bem avaliados», enaltece Rui Biscaia.

O caso do Sporting é muito especial, à partida pela negativa, todavia com um ângulo mais curioso e positivo, pensando bem...
«O clube é percepcionado pelos seus adeptos de forma significativamente inferior ao que acontece com os do Benfica e do FC Porto. Porém, não se verificam diferenças significativas na notoriedade dos clubes, pois os sportinguistas sentem-se também bem identificados com o Sporting e com o que ele representa», acrescenta o professor.

Na prática, a história e a grandeza do Benfica, incluindo o número de sócios, a forma como estão espalhados pelo Mundo ou o número de espectadores nos estádios são forças que o clube e os seus adeptos sublinham com frequência. Do lado do FC Porto, o sucesso desportivo dos últimos trinta anos é sempre um argumento usado pelos adeptos e também pelos dirigentes, bem como a progressiva expressão internacional através das taças conquistadas. O Sporting, também menos vencedor nas últimas décadas, parece inclinar-se, aos olhos dos seus torcedores, para um estado de terceira força.

o que se refere à notoriedade do clube, que o autor descreve como «grau de identificação pessoal com o clube e sua incorporação na identidade pessoal», é o único que de um ponto de vista estatístico, não apresenta diferenças significativas entre os grandes: 5,88 no Benfica, 5,80 no Sporting e 5,79 no FC Porto. A ligação dos adeptos com os respectivos clubes é, na prática, a mesma.
P.S.- Para os que se deslocam a Alvalade, em particular os "bravos do pelotão" do "ANorte" uma grande abraço solidário. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Do meu cantinho

Em equipa que perde… não se mexe! No mar de dúvidas em que o Sporting navega era o que eu faria. Para amanhã, no jogo contra o bicho papão, apostava na mesma equipa que jogou contra o Vitória: 

R. Patrício, Abel, D. Carriço, Torsiglieri, Evaldo, A. Santos, Maniche, J. Valdés, J. Pereira, Vukcevic, H. Postiga.

Sem tirar nem pôr. E porquê? Porque o jogo é para ganhar, porque foi com este conjunto de homens que se mostrou o melhor futebol da época, porque as opções no banco melhoraram muito desde esse jogo até hoje.
Estive em Alvalade no jogo com o Vitória e senti-me um personagem da Twighlight Zone, na SMS que enviei no final do jogo ao LdA dizia, tudo para ganhar, tudo para perder… Foi um golpe profundo, mas a cura destas feridas faz-se a reentrar em campo, faz-se a lutar por um destino melhor, foram estes homens que falharam era neles que confiava para corrigir o erro, eles mostraram também nesse jogo que são capazes de melhor e não há melhor jogo para se redimirem que este.

Amanhã, na minha tertúlia antes do jogo quando me perguntarem o meu prognóstico vou repetir um que já fiz anteriormente, na noite em que Vukcevic foi herói e mergulhou nos braços dos adeptos. Respondi na altura, como isto está, tanto podemos ganhar por 3 como perder por 7. Ganhámos por 2. Estou com o mesmo estado de espírito, o jogo é de tripla mas o favorito é o nosso adversário.

Não apostaria de início em Liedson e Pedro Mendes, dada a sua prolongada ausência da equipa, seriam os meus trunfos de banco para “jogar” com o decorrer da partida. Liedson só entraria se estivesse a ganhar e precisar de defender o resultado, utilizaria a sua capacidade de fazer pressão sobre a saída de bola para defender a minha equipa de recuar perigosamente para a sua área e o seu instinto matador para aumentar o resultado, Pedro Mendes só entraria se Maniche “rebentar”. 

Como joker, Salomão ou D’jálo, o fundamental é, como diria Robson, attack, attack, attack, é para mim a única forma de vencer o jogo. Sobre o Givanildo, não há nada a fazer de especial, não devem ser precisas grandes chamadas de atenção a Evaldo, Torsi e Maniche para eles saberem que têm de ser perfeitos nas marcações e preenchimento de espaços para evitar dissabores, mas para mim o perigo vem mais de Belluschi do que de Givanildo, é ali que está o cérebro e se o Sporting o anular o músculo não funciona (ou funciona pior…).

Dito isto resta-me garantir aos meus que lá estarei, no meu lugar de bancada a fazer aquilo que sei melhor, apoiar os onze que entram em campo com a minha camisola e a criar o pior ambiente possível ao nosso adversário. Let the game begin!!!!

Força Sporting! Vence por nós!

Nota: post da autoria do LMGM, que, por estar impedido de postar, me solicitou a sua publicação.

2 caminhos

"O recorde está de pé desde Maio de 1962. E só podia ser do Sporting, tão especialista neste capítulo: ele é o recorde do Campeonato de Portugal (18-0 ao Torres Novas, em Março de 1928), ele é o recorde da I Liga (13-0 ao Carcavelinhos, em Abril de 1938), ele é o recorde do campeonato nacional (14-0 ao Leça, em Fevereiro de 1942), ele é o recorde das competições europeias (16-1 ao Apoel Nicósia, em Novembro de 1963), ele é o recorde da Taça de Portugal (21-0 ao Mindelense, em Maio de 1971). Enfim... E agora, ele é o recorde do treinador mais jovem a sagrar-se campeão nacional, instituído há 48 anos. O homem em causa chamava-se Juca (morreu em 2007) e contava com 33 anos, quatro meses e 13 dias naquela tarde de 27 de Maio de 1962, depois dos 3-1 sobre o Benfica, em Alvalade, para a última jornada do campeonato 1961-62.

O desafio está lançado ao FC Porto. Para que Villas-Boas (nascido a 17 de Outubro de 1977 e agora com 33 anos, um mês e nove dias) supere o recorde de Juca, tem de se sagrar campeão em Olhão, na 21.a jornada, no fim-de-semana de 26/27 de Fevereiro. Mas então isso significa ser campeão a nove jornadas do fim!! Isso significa 27 pontos de avanço sobre o segundo classificado!! Certo, certo.
"

Seria muito mau sinal que o record de Juca fosse batido. Mau sinal para o campeonato. Mau sinal para o Sporting, pois o artigo do I já não inclui já o recorde do tetra, que entretanto foi já suplantado pelo FCPorto, como bem sabemos. Esse era, quanto a mim, muito mais importante, porque era uma marca colectiva e não apenas um feito pessoal.

Não se me afigura fácil que Villas Boas ultrapasse Juca, apesar dos indícios que as primeiras jornadas estão a deixar. Mas vamos supor que sim. Como devemos encarar mais esse facto? Ocorrem-me pelo menos  duas atitudes.

A dos últimos tempos, que é conformarmo-nos, desresponsabilizarmo-nos pela nossa própria sorte, aconchegando-nos num passado glorioso, que invocamos constantemente, sem lhe saber estar à altura. 

Ou olharmos de frente para os nossos problemas e invertermos o caminho que levamos à demasiado tempo. Eu acredito que, não sendo fácil de sacudir a inércia em que nos atolamos, é perfeitamente possível. 

No final dos anos 70, quando o FCPorto iniciou a sua carreira ascensional tinha, como nós temos hoje, um discurso auto-indulgente, incapaz de perceber que muita da força dos seus rivais advinha das suas prórprias debilidades. Não passava de um pequeno clube com expressão reduzida a uma cidade, característica que ainda se nota hoje no discurso e no comportamento da maioria dos seus seguidores. 

Nós hoje ainda somos muito mais do que isso.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O sal na ferida

O caso Moutinho voltou à agenda por imposição do calendário mas, infelizmente para os Sportinguistas, este é apenas um entre muitos outros. Futre, Simão, Quaresma e até Figo são outros de vários nomes cujo talento é inverso à sua popularidade entre os Sportinguistas. Tendo, ao longo dos tempos, assistido a  várias mudanças de camisola entre os grandes, e talvez porque sou parte interessada, nenhuma delas me pareceu tão traumática como as nossas. São feridas abertas no orgulho leonino às quais lhes cai o sal de os vermos triunfar em clubes rivais e neles se tornarem pedras angulares para o sucesso.

O que sucedeu com Moutinho foi para mim o de contornos mais surpreendentes. Sem querer "voltar a bater no ceguinho" houve 2 aspectos que me chocaram em todo o processo: (i) o sobejamente debatido consentimento na venda directa a um rival de um capitão de equipa e (ii) a vontade expressa de sair de Moutinho. Ao contrário da rábula anterior com o Everton, em que o jogador parecia querer ganhar mais uns cobres, , Moutinho terá ido ganhar, segundo as noticias veiculadas mais ou menos o mesmo que auferia em Alvalade. Assim, o que terá levado o jogador a um corte radical com o clube que o formou e onde viveu grande parte da sua vida e mudar a vontade que exprimiu 6 meses antes de abandonar? (ver foto)

Podemo-nos ficar pelas justificações acerca do carácter do jogador.. Mas julgo que, para que mais casos semelhantes não sucedam, é inevitável olhar para aquilo que é hoje o Sporting e em particular o que foi a época passada, com o acumular de casos desde a saída de Paulo Bento, à rábula da sua substituição, da forma como foi tratado Carvalhal, dos casos Izmailov / Costinha, Sá Pinto / Liedson e do processo rocambolesco que termina com Paulo Sérgio na cadeira de treinador principal.

O Sporting está longe de ser, por muito doloroso que nos seja dizê-lo, uma promessa de sucesso para os profissionais que o representam. E eles, ao contrário de nós adeptos, podem mudar de clube. E como profissionais têm o direito e até a obrigação por zelar pelas suas carreiras. Se queremos manter os melhores e disputar com os rivais os profissionais mais qualificados  temos que nos tornar indiscutivelmente melhores.

Os Sportinguistas falam assim

Da discussão do post de ontem, que registou vários excelentes contributos, destaco, com a devida vénia aos autores, os seguintes:
Hugo Malcato:
Ver os mais variados discursos e intervenientes preocupados em detectar e apontar o dedo aos descontentes em vez de se ter a honestidade e humildade de admitir que as coisas estão mal e que não é por existirem pessoas que não gostam de determinado rumo que são culpadas pela situação a que este mesmo rumo nos trouxe...

Contudo, importa também pegar no comentário do Dezperado, pois existem de facto diversas facções que se assumem como os verdadeiros sportinguistas e senhores da razão. Sejam eles, situacionistas, oposicionistas, cordeirinhos, terroristas, entre todos os outros rótulos colocados hoje em dia aos diferentes sportinguistas...
PLF:
Há muito que digo que é preciso uma ideia para o Sporting. Sugeri uma ideia que, quanto a mim, é estruturada em torno dos valores que aprendi a reconhecer no Sporting: valores como o desportivismo, o ecletismo, a superação, a dedicação, o espectáculo, a formação pelo seu intrínseco valor social, o respeito pelos adversários, entre outros, os valores que formam uma Cultura Sporting. Não são apenas "expressões bonitas" mas um conjunto de princípios orientadores de medidas programáticas e participadas, em que se rejeitaria - por exemplo - o modelo do nosso amigo portista de procurar a vitória a qualquer preço.

JEB deu o mote e o Costinha a estocada final e hoje o Sporting está descaracterizado. Está descaracterizado naquilo que é mais importante que são os seus princípios. Em vez de desportivismo e de respeito pelo adversário temos um odiozinho pelo Benfica que só nos empobrece. Em vez de uma cultura de ecletismo, em tudo o que isso poderia gerar em sinergias, tem-se uma cultura de sobrevivência. Em vez de uma cultura de formação e de dedicação, o Sporting tem uma estrangulado a sua base social de apoio, encaminhado todos os recursos para a competição profissional, isolando e nem sequer compreendendo o que pode acrescer valor. E em vez de uma cultura de mérito, temos uma cultura de desresponsabilização. Neste campo, no campo da desresponsabilização, estamos muito bem.
Bruno Azevedo Rodrigues:
A nós adeptos compete-nos olhar para o clube, gostar do clube, mais do que os profissionais que os servem. Moutinho foi profissional em campo, mas não foi leal ao clube. Contudo, numa óptica profissional essa lealdade é relativa. Há mais marés que marinheiros e há mais Moutinhos. Acima de tudo, há mais Sporting. Porém, é preciso que se defenda o Sporting. A tese da maçã podre foi (senti-o pessoalmente) ofensiva. Senti que ofendiam a minha inteligência e o meu discernimento.

Como dizem os espanhóis, o porto meteu-nos um golo. Encontre-se as explicações que se quiser para isto. Contudo, não esqueçamos que Moutinho saiu. Mal. Que faça a sua vida, que ao Sporting já não diz nada. Bolas de golf são inadmissíveis. Cânticos não fazem o meu estilo (mas não me incomodam).

Porém, quem semeia ventos para se desresponsabilizar, não deve exibir espanto ou contragosto quando colhe tempestades. Este ponto é que incomoda: a necessidade de desresponsabilização e a tentativa quase ingénua de conter o dano a posteriori.

Que o Sporting ganhe, com Moutinho em campo, e que não mais necessitemos de teorias sobre maçãs, porque soubemos cuidar do pomar em tempo e bem. E, por último, se tivermos de vender anéis para conservar dedos, que tenhamos a elevação Sportinguista de o dizer, não contribuir para tal facto, assim como o bom senso e o engenho de impedir que no futuro a situação se repita.

Acima de tudo, saibamos pensar e: concordar / discordar, apoiar / opormo-nos, mas esqueçamos as inimizades entre Sportinguistas. Somos todos diferentes, e ainda bem. Que cada um faça o melhor que pode, se e quando pode e que coloque nesta questão os interesses do Clube em primeiro lugar, porque o Sporting precisa de ser bem tratado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um presidente do Sporting fala assim

"João Moutinho, no Sporting, foi sempre um fantástico profissional. Já o disse e não volto atrás, mesmo que após o termo do campeonato se tenha passado muita coisa. Mas enquanto vestiu a camisola e actuou neste estádio foi sempre com dedicação ao clube. As coisas podiam ter sido tratadas de outra forma, mas isso não invalida que eu reconheça no João um profissionalismo extraordinário e um grande futebolista que esteve muitos anos ao serviço do Sporting. Mesmo num momento difícil eu desejei felicidades ao João, recordem isso, não recordem só aspectos negativos".

Se houve alguma contradição em Bettencourt não foi pelas palavras que proferiu ontem, antes sim pelo episódio da "maçã podre". Moutinho foi sempre mais capitão dos corpos sociais do que propriamente dos adeptos. Não esqueço a falta de respeito pelo clube, agravada pelo estatuto que detinha.Mas se lhe faltava perfil para capitanear a principal equipa do Sporting sobrava-lhe o empenho e a entrega em campo. Deixou uma marca dificil de superar pelos jogos que fez de leão ao peito.

Não posso deixar de me congratular com esta declaração pública do presidente do Sporting. que marca a posição oficial do clube, em contraste com o esboço de um movimento infeliz que o mínimo que conseguirá é envergonhar o Sporting. Invocar a morte trágica de um atleta que morreu em campo de forma arrepiante, desejar igual sorte a quem quer seja e fazê-lo em nome do Sporting é salpicar de esterco a bandeira de um clube centenário. Mais do que as taças e campeonatos valemos pelos princípios e pelos ideais que representamos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Como ficar mais pobre dando lucro

O Sporting apresentou ontem as contas do primeiro trimestre do exercício compreendido entre Julho e Setembro do ano em curso. O trimestre é encerrado com  "um resultado líquido positivo de 10,577 milhões de euros". Interessa pois perceber como se chega a esses números e  o que eles significam, mesmo tendo em conta o valor relativo das contas de um período tão curto.

Não é preciso ser um guru em gestão e contabilidade para perceber que o cerne deste relatório reside no lucro alcançado pelas vendas de Miguel Veloso e Moutinho. É portanto aí que interessa fazer a análise. Se entendermos por lucro o resultado positivo de uma determinada acção de gestão, o Sporting ficou realmente a ganhar? Não me parece que tal tenha acontecido, quer do ponto de vista desportivo, quer do ponto de vista económico.

Começando pelo aspecto económico, o Sporting vendeu dois dos seus melhores jogadores abaixo do seu valor potencial. Para chegar a essa conclusão basta avaliar o que realizou o o FCPorto com a venda de Meireles ao Liverpol (15 milhões de euros)  ou Bebé, do Vitória de Guimarães,(mais de 8 milhões de euros) um jogador sem curriculum. Não duvido que para isso contribuiu o sinal de ansiedade para vender que o clube foi dando ao mercado, que como é hábito, sabe ler muito bem nas entrelinhas. Tal como em outras ocasiões o Sporting parece ter vendido barato para comprar caro.

Acresce ainda o facto de o produto dessas vendas ter sido empregue a adquirir jogadores como Maniche, Evaldo, Valdés que dificilmente conseguirá rentabilizar por outra via que não seja exclusivamente a desportiva. Ou por jogadores cujo valor desportivo está ainda por confirmar como André Coelho, Zapater, Torsiglieri, Tales ou Salomão, mesmo tendo em conta que têm, genericamente, valor potencial. Não pode também ser esquecido o facto de um desses jogadores - Moutinho - ser o capitão de equipa promovido pelo próprio establishment e contra o sentir de muitos adeptos, e ter saído directamente para um dos rivais onde, em poucos meses, se tornou numa peça essencial ao melhor futebol até agora visto no campeonato. Mas não é só. Com isto o clube viu agravados os seus custos operacionais, por ter visto inflacionar a sua folha salarial. Tendo em conta que o plantel do ano passado estava avaliado em 41,020 milhões e o deste ano em 38,994 milhões de euros o Sporting passa a pagar mais para ter menos. Isto não é ficar mais pobre?

Por isso quando se lê no comunicado que o aumento de custos operacionais e de amortizações e perdas de imparidade com passes de jogadores reflectem “o investimento feito na equipa principal, de acordo com a orientação estratégica de reforço da competitividade desportiva” quase apetece dar uma enorme gargalhada, não fosse a seriedade e a gravidade que o assunto encerra. Que orientação estratégia é esta? Onde está o reforço da competitividade desportiva?

Em última análise é a competitividade desportiva que preocupa os adeptos porque é essa que é dirimida nas discussões com os adeptos rivais e não os balanços contabilísticos. Mas só uma estratégia desportiva adequada promoverá o seu regresso às vitórias bem como a sustentabilidade financeira do clube, viabilizando o seu futuro. Com a continuidade desta gestão nem uma coisa em outra serão alcançadas.

PS: fica por saber o que é um "um ligeiro decréscimo de bilheteira e bilhetes de época". São de saudar os ""acréscimos superiores" em patrocínios  e publicidade num contexto dificil como é o actual.  O mesmo se aplica aos  direitos televisivos e um "acréscimo de cerca de 10 por  cento" na rubrica "prestação de serviços", embora falte saber os valores com que os nossos principais adversários encerrarão os seus contratos televisivos, para percebermos o real valor do nosso negócio.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

4 pontos

1) Estiveram presentes ontem em Alvalade menos de 9.000 adeptos nas bancadas. 8.746 para ser mais exacto. Não vejo como, nas actuais circunstâncias, este número possa ser considerado surpreendente. Tendo em conta que o jogo não estava incluído no bilhete de época, a conjuntura económica, a hora do jogo, o adversário e sobretudo o que consegue oferecer actualmente a equipa de futebol, atrevo-me  dizer que até nem foram assim tão poucos.

2) O que dizer quanto à qualidade do jogo de ontem? Tendo em conta que se tratava de um jogo de Taça de Portugal, onde habitualmente os adversários menos cotados se agigantam, talvez não valesse a pena dramatizar muito. Afinal o apuramento desejado foi alcançado. Até poderia concordar com isso, e servindo para exemplo as dificuldades sentidas pelo FCPorto em Moreira de Cónegos. Mas o problema do Sporting não é circunstancial. Quem pensa o contrário que dê exemplos concretos de aspectos do nosso jogo que possam ser considerados um modelo.

3) Destaco 4 afirmações de Paulo Sérgio na conferência de imprensa de ontem:

"Fizemos uma boa primeira parte"

"O Valdés teve de recuar bastante, à procura de jogo, a tentar criar desequilíbrios. A missão era defender o corredor mas vir para dentro pegar no jogo. Tinha essa dupla missão."

"Não foi um jogo brilhante, mas é preciso ter a responsabilidade de saber que o fundamental é ganhar. O brilhantismo vem com naturalidade, para quem trabalha como nós"

(sobre a presença de menos de 9 mil adeptos em Alvalade) "São coisas que fogem ao meu controlo. Sou treinador de futebol. Acredito que, somando vitórias, os adeptos terão mais vontade de nos ver jogar."

4) Tendo em conta o fim do castigo de Maniche, o regresso de Pedro Mendes e o bom momento de André Santos, quem será a dupla eleita para o jogo de sábado?

domingo, 21 de novembro de 2010

Serviços mínimos

Esta eliminatória da Taça serviu para confirmar que os problemas que afligem a concepção do jogo do Sporting, e que estão na origem dos pontos perdidos na principal competição, estão longe de estar resolvidos. Produção ofensiva quase nula, traduzida em zero oportunidades de golo na 2ª parte e apuramento com um golo fortuito. Não vale a pena por isso elaborar uma crónica idêntica a anteriores e tão fastidiosa como o jogo que acabamos de ver. Assim, fico-me por um pormenor: alguma coisa está mal quando o Sporting Clube de Portugal joga em Alvalade com o Paços de Ferreira e utiliza dois médios defensivos. Salva-se a qualificação.

Um pedaço de Alvalade nos Emirates

Quem ontem viu a transmissão do jogo Arsenal – Totenham é impossível não se ter lembrado do Sporting dos anos 80/90 ou do jogo recente com o Vitória de Guimarães. Estádio a transbordar de gente e a expectativa de não perder pontos para a concorrência. Ao intervalo o jogo parecia mais ou menos decidido, com uma exibição segura a ditar 2 golos de diferença favoráveis aos gunners. Os de White Heart Lane pareciam não ter grandes argumentos para contrariar o melhor desempenho da juventude de Wenger.

Pura ilusão. Redknapp, perante a inevitabilidade da derrota, apostou tudo com a entrada de Defoe e depois do pinheiro Crouch. Quando se esperava que o Arsenal fizesse valer, desferindo contra-ataques, todo o poder de fogo dos seus artilheiros comandados por Fabregas, assistiu-se  um progressivo encolher arsenalista que terminou num trágico volte-face. Nas faces dos adeptos viam-se expressões de incredulidade que nos são dolorosamente familiares. Quem frequentou Alvalade nas décadas de 80/90 protagonizou-as vezes sem conta.

O fantasma que hoje passeia nos Emirates parece ser um parente britânico do que durante anos assolou Alvalade e que estará certamente relacionado com o insucesso consecutivo. Então, tal como hoje o Arsenal, o Sporting possuía plantéis cheios de talento que jogavam um futebol atraente e que, a cada inicio de época renovavam a esperança leonina. Os adeptos acorriam em massa, tornando célebre o “este ano é que é”.

Infelizmente o paralelismo com os dias de hoje não faz sentido. O futebol do Sporting nos últimos anos deixou de ser atraente até para os fantasmas e quando o apito do árbitro dá inicio ao primeiro jogo da época já nem os mais insensatos esfregam as mãos de expectativa. Os poucos que ainda comparecem à chamada fazem-no por fidelidade a um amor que se tornou numa fonte de sofrimento. Sem esperança não há amor que floresça e sem ela Alvalade não voltará a encher.

sábado, 20 de novembro de 2010

Seguramente por causa dos "críticos"




Ontem deixei aqui alguns dados estatísticos oficiais. Neles podemos ver não só a justificação para o que tem sido a carreira da equipa no campeonato bem como números preocupantes sobre a adesão dos adeptos ou a desmistificação do valor da idade na prestação das equipas. Hoje o Publico publica uma análise às contas dos 3 grandes que  vai no mesmo sentido das prestações no futebol: o Sporting também nas contas está cada vez mais próximo dos lugares inferiores do que do topo. Seguramente que estes resultados, desportivos e económicos, estão ligados. Trata-se de uma situação que não é nova mas que tem piorado de forma bem vincada pelo que tem sucedido nas 2 últimas épocas. Quanto tempo mais pode o Sporting ser sujeito a esta prova de esforço?

Modelo insustentável

A situação do Sporting é ainda mais preocupante. Mesmo tendo custos bastante inferiores aos dos dois rivais, a SAD de Alvalade apresentou o maior prejuízo: 26,5 milhões de euros. Hélder Varandas sublinha que o clube teve de partir para a reestruturação financeira, para sair de uma situação de capitais próprios negativos (vulgarmente definida como falência técnica).

E se é verdade que nos custos e receitas da época passada, a distância que separa o Sporting do FC Porto é praticamente igual à que separa portistas do Benfica, uma análise mais larga no tempo mostra FC Porto e Benfica a alternarem na liderança das receitas e o Sporting a ficar para trás. O clube de Alvalade ressentiu-se não só da ausência da Liga dos Campeões, mas também da quebra nas receitas de patrocínios e de bilheteira.

“Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Sp. Braga e V. Guimarães que do Benfica e FC Porto”, avisa Varandas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Being Rui Oliveira e Costa

O intervalo no campeonato é uma boa altura para se avaliar as prestações das equipas. Se podemos considerar a subjectividade da análise quando falamos de exibições, há dados estatísticos que nos podem ajudar a perceber melhor a prestação das equipas e, de algum modo, desmistificar ou validar a visão veiculada pelos analistas, jogadores, treinadores, directores e até adeptos.



O nosso consócio Rui Oliveira e Costa é conhecido pela “visão estatística” a que costuma reduzir as suas análises. Quem sabe estes dados que aqui hoje deixo em análise e que são, por si só, eloquentes não lhe mereçam a atenção quando analisar na sua tribuna semanal o percurso do Sporting na Liga Sagres.

Todos os dados elencados abaixo são merecedores de reflexão por parte dos Sportinguistas, seja qual for a sua condição. Alguns deles são mesmo inquietantes, sendo ligeiro. Mas talvez interesse pouco por hoje perceber a verdadeira razão das coisas, agora que os Sportinguistas andam entretidos com a recepção ao novo anti-cristo do espírito leonino. Como é fácil desviar a atenção dos adeptos do que realmente interessa.
 
Espectadores por clube em 11 jornadas:
Porto: 245.601  média de 40.934
Benfica: 241.768 média de 40.295
Sporting: 117.852 média de 23.570
Guimarães: 97.656 média16.276
Braga: 59.549 média 11.910

Melhores assistências por jogo:
Dominadas pelo FCPorto E SLBenfica. O melhor que o Sporting consegue é um "honroso" 13º lugar, com 27.752. A melhor assistência é a do derby na Luz com 51.899.

Classificações à 11ª jornada nos últimos 5 anos:
Comparando as classificações dos últimos 5 anos à 11ª jornada verificamos que nunca estivemos no 1º lugar, apenas por 1 vez estivemos em 2º, a 2 pontos do 1º (06/07), uma em 3º a 10 pontos do 1º (07/08). O ano passado estávamos em 5º a 13 pontos do 1º.

Média de idades do plantel:
Sporting: 26 anos
SLBenfica: 25 anos
FcPorto: 22 anos

Média de idades das equipas nas 11 jornadas:
1     Porto        22
2    Braga        23
3    P. Ferreira    24
4    Beira-Mar    24
5    Marítimo    24
6    V.Guimarães    24
7    Académica    24
8    Nacional    25
9    Benfica        25
10    Portimonense    25
11    Olhanense    25
12    Naval        26
13    Sporting    26

Média de pontos:
FCporto: 2,8
SLBenfica: 1,9
Vitória: 1,9
Sporting: 1,6

Golos marcados :
Porto: 27, média de 2,45
Académica: 18, média de 1,64
Benfica: 17, média de 1,55
Braga: 17, média de 1,55
Guimarães: 16 média de 1,45
Sporting: 13, média de 1, 18

Golos Sofridos:
FCPorto:     4, média 0,36
Maritimo:     8, média de 0,73
Olhanense:    10, média de 0,91
Vitória:        11, média de 1,00
SLBenfica:     11, média de 1,00
Sporting:     11, média de 1,00

Média de posse de bola:
1    Porto        30       
2    Benfica        29   
3    Braga        29       
4    Académica    28   
5    Sporting    27

Fonte: Liga de Clubes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu não



Começa já a preparar-se a recepção ao fcp e o mesmo será dizer ao João Moutinho. Como todos os Sportinguistas, fiquei profundamente decepcionado quando ele afirmou que queria sair para o Everton e defendi que lhe deveria ser retirada a braçadeira nesse exacto momento.

Não posso no entanto concordar com aquilo que se está a preparar. Pelos vistos vamos imitar os super dragões e usar bolas de golfe. Os bons exemplos do modelo "a copiar" por parte do JEB, continuam a vingar em Alvalade.

O que não deixa de ser irónico, depois do episódio dos aplausos com que se brindou um jogador do Nacional apenas porque poderia vir a representar-nos - o que qualquer pessoa com memória deveria descortinar que dificilmente isso aconteceria - como se fez com o Rúben Micael.

Moutinho não é totalmente inocente nesta história mas a grande responsabilidade de ele representar o actual clube, essa, vai inteirinha para a incompetência N vezes renovada de quem nos dirige. Maçã podre e zero propostas, claro que sim.

Não o aplaudiria pois saiu do SCP para um rival. Agora se alinho nisto? Eu não.

Sem reescrever a história

Parece-me inútil voltar a discutir o que foi Paulo Bento no Sporting. Mas creio que, mais tarde ou mais cedo, e por força dos bons resultados do actual seleccionador, análise far-se-à. Se assim for que ela se faça tendo em conta os factos que marcaram a sua passagem por Alvalade e não reescrevendo a história ao sabor do que vai Paulo Bento conseguindo no comando das quinas.  

A sua passagem por Alvalade deixou muita luz - o regresso às vitórias em competições nacionais, as qualificações para a Champions e a defesa insuperável do seu grupo de trabalho - e também algumas sombras - relação difícil com alguns jogadores que desaproveitou, "teimosia táctica", e irregularidade na competição principal. Alternou vitórias épicas com derrotas atrozes. Quando saiu, não o fez por estarem em causa as suas qualidades humanas, mas por reconhecer incapacidade para alterar o rumo dos acontecimentos. Incapacidade que lhe era própria e das próprias circunstâncias do clube. Todos os treinadores acabem por ter que lidar com situações semelhantes, mesmo os mais sucedidos. Mourinho saiu do Chelsea, onde até conseguiu um titulo que fugia à 50 anos. Nem as suas capacidades ficaram beliscadas nem o clube impedido de voltar a ganhar.

Seria por isso totalmente errado personalizar a falta de sucesso do clube na pessoa de Paulo Bento. Numa organização mais exigente consigo própria as fragilidades individuais são superadas pelo colectivo. É no nosso interior que devemos perceber as razões do insucesso, que já existia e a assim permaneceu com e sem Paulo Bento.

Provavelmente o Paulo Bento de que hoje falamos será já um Paulo Bento muito melhor preparado, pela experiência adquirida, do que quando saiu do Sporting. É o que parecem querer dizer as convocações de Varela e Carlos Martins e opções por extremos que nunca quis.
 
Há um aforismo que diz "atrás de mim virá quem de mim bom fará". Esta conversa só faz sentido porque o Sporting não cuidou de substituir o seu antigo treinador por alguém capaz de fazer melhor. O que, convenhamos, nada tem de impossível.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A noite em que as maçãs desapodreceram

Noite de gala da selecção nacional com sabor agridoce. Doce porque é agradável sentir que o futuro não está mais uma vez adiado e pode acontecer já amanhã. Amargo pelo talento desperdiçado durante dois anos. Paulo Bento está por isso de parabéns, por usar na medida certa o bom senso que faltou desde o principio ao seu antecessor.

Uma noite de reconciliação do público com os jogadores. Dos adeptos que raras vezes têm em conta que aqueles só não ganham se não puderem ou não quando não lhes deixam. Nos clubes ou nas selecções. Foi também mais uma noite para os Sportinguistas perceberem o valor que a Academia pode ter para o clube e que, pelas mais variadas razões, tarda em reverter a nosso favor.

P.S.- Como alguém dizia hoje,o Rui Santos é bem capaz de vir dizer que começam agora a ver-se os resultados do trabalho de Queirós.

Aqui, num post perto de si

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Porque não gosto de ouvir falar em pinheiros

Paulo Sérgio ainda ontem voltou a falar no "tal pinheiro" que lhe faz falta. Há até quem consiga ver na falta de um espécime semelhante a justificação para a falta de golos, sejam eles com os pés, sejam eles com a cabeça. Desde Peter Houtman, passando pela contratação / rescisão relâmpago de Nial Quin, com direito a passeio à beira-mar, que o Sporting tenta mas não consegue ornamentar o seu ataque com alguém que junte a envergadura fisica com a capacidade de marcar muitos golos.

A explicação parece-me simples: jogadores assim ou se descobrem cedo ou paga-se bom dinheiro por eles. Lembro que o SLB despendeu, se a memória não me atraiçoa, 9 milhões por Cardoso. E depois há o próprio conceito de "pinheiro" que me parece uma visão demasiado primaria de conceber o futebol. 

E quando me lembro que foi atrás de algo assim que ainda há pouco pagamos mais de 400 mil euros, fora salários, por 6 meses de empréstimo de um tronco... Vejam com atenção a partir do segundo 50. Foi este fim-de-semana em Málaga.

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