E depois do adeus (à Taça)?
Estive ontem em Moreira de Cónegos e não fiquei surpreendido com o resultado. Nem com a exibição. Surpresa seria se, face ao que a equipa vinha produzindo, fizéssemos uma exibição de encher os olhos.
Agora importa pouco falar sobre a justeza do resultado, o facto, incontestável e doloroso, é que estamos apeados da Taça de Portugal na primeira eliminatória e ante um adversário perfeitamente ao nosso alcance. Naturalmente são muitos hoje os diagnósticos, que vão da qualidade do plantel até às responsabilidades da SAD.
As dúvidas sobre a qualidade do plantel são naturais quando se acumulam resultados negativos ainda por cima com adversários do calibre do Moreirense ou Rio Ave. Mas, por muitas que sejam essas dúvidas, e por mais legítimas que possam ser, não me parece que o problema esteja aí. Neste momento quase nenhum dos jogadores do plantel joga a mais de 30% (valor meramente abstrato, sem rigor) do que é capaz e isso faz parecer que qualquer jogador adversário teria lugar no Sporting. Este equívoco já nos foi fatal no passado, quer na hora de dispensar quer na hora de contratar.
Serei dos poucos que, pelo menos até ontem, cria que o nosso principal problema tem origem em questões técnicas, relativas à concepção do modelo de jogo e muito provavelmente no treino e respectiva operacionalização. Problemas que se arrastam desde o inicio de época, que redundaram na saída de Sá Pinto e não era crível que Oceano os resolvesse em duas semanas. Depois do jogo de ontem visto in loco, parece-me claro que a questão psicológica é um factor a ser também trabalhado. É nítida, e também compreensível, a falta de confiança dos jogadores na hora de decidir, e que os leva a valer muito menos do que podem.
E seria inevitável não ver posto em causa o trabalho da SAD. Não foi por acaso que a frase mais ouvida ontem na bancadas fosse "tiveram 15 dias para contratar um treinador e nada". Isto dentro das que são publicáveis, obviamente. Sobre isso pronunciei-me no post anterior a que se seguiu um silêncio voluntário. Hoje ainda mais sentido me parece apontar a indecisão da substituição do treinador como erro grave e aos mais variados níveis.
É sobretudo um erro estratégico que desde o inicio desprezou todas as variantes possíveis, entre as quais se deveria incluir o que sucederia após o jogo de ontem. Não há nenhuma garantia de que um novo treinador garantiria outro resultado mas pelo menos os Sportinguistas teriam ficado com a ideia de que se tinha feito algo.
A sensação que foi apreendida pela maioria - que é a conta - é que a SAD e o presidente não tinham uma ideia para o dia seguinte à tomada de decisão de despedir Sá Pinto e por isso o controlo do que vai suceder a seguir pode já estar fora seu alcance. À imagem de desnorte fica associada a de orfandade da equipa num momento particularmente sensível. Ontem, quando o autocarro da equipa abandonou o estádio, não se avistam responsáveis da SAD, já a caminho de Lisboa há algum tempo. Não surpreende por isso que já decorra há alguns dias recolha de assinaturas para convocação e uma AG com vista à convocação de eleições. Veremos o que vai acontecer mas ao escolher o presente caminho não duvido que GL alienou não só muitos indecisos como também muitos apoios.
Devo ser dos poucos que não vejo nas eleições como a solução para os problemas que afectam neste momento, e de há anos para cá, o nosso futebol e que se repercutem em cascata, ou circulo vicioso se preferirem, por todo o clube. E porquê?
Não é de agora, é já de há muitos anos, que não emerge no Sporting uma liderança forte e carismática, o que contribui para uma pulverização de grupos, de ideias mais ou menos dispersas, ao som do momento e muito em função dos resultados. Não há quem personifique no Sporting um discurso inspirador e uma figura aglutinadora. Se da SAD estamos conversados o que dizer da figura patética de um PMAG, simultâneamente paineleiro, colunista e sei lá que mais, anunciar que "vai apertar o Godinho", proclamar publicamente a iminente extinção do clube e que convoca um Conselho Leonino onde nem sequer estará presente? Esta é um pouco a imagem do Sporting actual: muita gente disposta a falar e poucos com vontade de contribuir para um momento melhor.
Julgo que o ambiente vivido nas anteriores eleições nos devia ter ensinado algo. É muito provável que assistamos à mesma profusão de candidaturas e no final, com resultados mais ou menos próximos, se construa a mesma suspeição e, no final de contas, estejamos mais ou menos no mesmo ponto onde estamos hoje. Mas, como sempre, serão os sócios a tomar as decisões. E é cada vez maior o número dos que acham que está na altura de baralhar de dar de novo.






















