A defesa central de Dier
A entrevista de Dier hoje ao jornal Record, que publicaremos abaixo, será, estou certo, um fonte de decepção. Não minha, mas de todos aqueles que viam nela a possibilidade de explorar a narrativa do "jogador ingrato" e que "fugiu pelo dinheiro". Ao invés, a entrevista confirma as impressões que Dier já havia deixado nos 12 anos de passagem pelo Sporting. E essas foram de uma pessoa bem formada e esclarecida.
É uma entrevista diferente do que estamos habituados, talvez pela ascendência britânica do nosso ex-jogador, e que merece referência pela elevação com que sempre se refere ao Sporting. Dier não confunde o clube com as pessoas que se atravessaram no seu caminho e o levaram a mudar a vontade que havia exprimido há um ano de apenas sair do Sporting como uma grande figura do clube.
A lição de Dier vai até mais longe, ao escusar-se a abordar as causas da súbita decisão de regressar a Inglaterra, não se abstendo de elogiar o que lhe parece estar a ser bem feito em Alvalade. E, não menos importante, não renega a sua condição de adepto Sportinguista.
Certamente que esta entrevista de Dier fará regressar as conversas sobre a formação, a necessidade de formar homens e jogadores, porque saem tantos jogadores de forma traumática, etc. Neste âmbito, há que perceber o que são as questões que decorrem da normal actividade e são comuns a todos os clubes e o que é ou pode ser um problema especifico do Sporting.
ERIC DIER – Claro que não foi uma decisão fácil… Estive no Sporting muitos anos, mas quando surgiu a oportunidade de assinar pelo Tottenham não tive dúvidas. Tinha de vir, pois era ótimo para mim. Passei a pré-época com isto sempre na cabeça. Estive no Sporting desde os 8 anos e continua a ser a minha segunda família.
R – No comunicado publicado após a sua saída, o Sporting diz ter tentado renovar o seu contrato, mas que o Eric “não desejava continuar”, mesmo que os leões igualassem a oferta. O processo foi mesmo assim?
ED – Não gostei do comunicado. É estranho tratarem alguém assim, que estava no clube desde os 8 anos, que respeitou sempre o Sporting e que tentou fazer sempre tudo bem feito. Depois, na altura da saída, vejo um comunicado daqueles? Sinceramente, é um pouco estranho…
R – Sai magoado do Sporting?
ED – Magoado, não. [silêncio] Surgiu a proposta, tinha a cláusula dos 5
milhões no contrato. A culpa não é minha. Essa cláusula está lá desde os 16 anos. Tiveram 4 anos para mudar e esta direcção até já tem um ano e meio de mandato… Ninguém mudou.
R – Mas houve a intenção de mudar a cláusula dos 5 milhões de euros?
ED – A única vez que me fizeram uma proposta foi neste verão. Essa foi a primeira vez que houve conversas.
R – Mas na altura em que lhe foi apresentada a proposta do Sporting, já tinha surgido o Tottenham…
ED – Na altura não sabia nada do Tottenham. Fomos negociando e só depois é que apareceu o Tottenham. O Sporting tinha a opção de igualar as condições que me foram oferecidas, mas optaram por não o fazer. Ao mesmo tempo, deram a entender que também não tinham interesse na minha continuidade. Se quisessem que eu ficasse, tentavam igualar. Nesse sentido, é impossível que eles digam que eu não ficaria se eles tivessem tentado igualar a proposta, pois isso nunca foi uma possibilidade. É um comentário que não faz sentido...
R – A proposta de renovação apresentada pelo Sporting estava longe daquilo que o Eric Dier queria?
ED – As pessoas podem pensar que estou a mentir, mas o problema nunca foi o dinheiro. As cláusulas que o Sporting queria impor é que dificultaram as negociações.
R – Está a falar de um aumento da cláusula de rescisão de 20 milhões para 45 milhões, certo?
ED – Exato. Nunca poderia aceitar isso. Queriam meter cláusulas impensáveis. Uma cláusula de 45 milhões implica um ordenado ao mesmo nível. Além do mais, ficamos completamente presos ao clube. Sou um central e queriam-me pôr uma cláusula de 45 milhões com um salário que não justifica esse valor? Nem pensar… Para mim não faz sentido, mas respeito os meus colegas que aceitaram estas condições.
R – Então, o principal motivo da mudança para o Tottenham não foi apenas financeiro?
ED – Nunca ia tomar uma decisão apenas baseada no dinheiro. Tive várias oportunidades para sair e nunca o fiz. Isso demonstra que não era essa a questão.
R – Acha que foi bem tratado pelo Sporting nestes últimos meses, principalmente pelo presidente que, em última análise, é a cara da direcção?
ED – No último ano e meio fui muito maltratado. Nunca vou esconder isso. Para alguém que estava no clube desde os 8 anos e que nunca tinha tido problemas com ninguém…
R – Ou seja, desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting…
ED – Exatamente, desde que esta direcção assumiu a presidência.
R – Esse foi um dos motivos que levaram à sua saída?
ED – Não quero juntar as coisas. Acho que fui maltratado e as pessoas dentro do Sporting sabem disso. Esta não é a altura certa para estarmos a falar sobre tudo, mas um dia no futuro as coisas irão sair cá para fora.
R – …
ED – Prefiro não dizer mais nada...
R – Ilori foi para o Liverpool, mas não teve sucesso. Bruma no Galatasaray teve azar... Acha que com o Eric Dier as coisas serão diferentes?
ED – Conheço bem o Tiago [Ilori] e o Bruma e somos os três ambiciosos. Eu e o Tiago nunca escondemos que queríamos jogar na Premier League. Quero sempre desafiar os melhores, treinar-me com os melhores e evoluir. Não tenho receio do futuro. Vou tentar adaptar-me ao futebol inglês. Não vou impor metas. Vou dar o meu melhor pelo Tottenham. Sempre.
R – Despediu-se de Bruno de Carvalho?
ED – (silêncio) Fui à Academia de Alcochete na quinta-feira de manhã para ir buscar as minhas coisas e despedir-me de toda a gente. O presidente estava lá, cumprimentou-me e não disse nenhuma palavra. Seguiu em frente. Não me desejou boa sorte nem nada, o que é um pouco estranho… Estive no Sporting 12 anos e saio sem uma palavra do presidente? Para mim, é estranho.
R – Acha que foram feitos todos os esforços por parte da SAD para que o Eric Dier renovasse contrato com o Sporting?
ED – Não. Não mesmo.
R – Por quê?
ED – Eles tiveram a opção de igualar a oferta e não o fizeram. Nem sequer mostraram interesse… Por isso, penso que não há muita margem para dúvidas.
R – Como foi dizer adeus a Portugal e ao Sporting?
ED – Sentia que estava na altura de colocar um ponto final. O Sporting será sempre a minha segunda família e vou ter saudades de várias pessoas. Cozinheiros, empregados, motoristas, jogadores, treinadores... É a essas pessoas que quero agradecer e de quem sentirei falta. Sou inglês, mas há muito de português em mim. Senti que estava na altura de sair, surgiu o clube certo e não tenho dúvidas de que tomei a opção correta.
R – Perguntei-lhe há pouco se tinha saído magoado do Sporting e resposta foi negativa. Perante as respostas, vou insistir. Sente-se magoado com os últimos desenvolvimentos?
ED – Sou uma pessoa muito pacífica e tento não levar as coisas a mal. Não acho é que este tipo de atitudes esteja correto. É preciso muito mais do que isto para me magoar.
«Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal»
R – Não está impedido de regressar a Portugal. Aceitaria representar o FC Porto ou o Benfica?
ED – Isso é uma pergunta muito teórica…
R – Ganharia o coração ou o lado profissional (isto se as propostas fossem superiores)?
ED – Para mim é 50/50: coração e profissão. Sou do Sporting, por isso… Acho que o coração pesaria mais na minha decisão. Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal.
«Sporting está no bom caminho»
R – Como foi trabalhar com Marco Silva?
ED – Fantástico. É um óptimo treinador. Os treinos e a teoria de jogo são muito bons e tem uma mentalidade muito forte.
R – O que diferencia Marco Silva de Leonardo Jardim?
ED – Há muitas coisas semelhantes. Mas o Marco Silva gosta de um futebol mais trabalhado e ofensivo. O míster Jardim tinha a sua teoria de jogo e fixava-se muito nela; o Marco Silva quer um futebol mais “complicado”, mais dinâmico. O Marco Silva é mais próximo dos jogadores, dá para falar melhor com ele.
R – Acha que ele tem o perfil certo para levar o Sporting ao desejado título?
ED – Espero que sim. Por tudo o que vivi neste arranque de pré-época, acredito que o Sporting está no bom caminho.
R – O que lhe disse Marco Silva quando chegou?
ED – Nunca falei muito com ele sobre aspetos fora do futebol. Marco Silva mostrava confiança em mim ao meter-me a jogar e ao colocar-me em situações de relevância dentro da equipa.
R – E o que acha que o Sporting pode fazer na Champions?
ED – A Champions não é fácil para nenhum clube. Vamos esperar pelo sorteio dos grupos...
R – Apesar do orçamento ser mais baixo, o Sporting pode ser campeão?
ED – Demos uma boa luta na temporada passada, a base da equipa continua a ser a mesma e eu pergunto: por que não?
«Marco Silva é um espectáculo»
R – O que lhe disse Marco Silva no momento da saída?
ED – O míster é um espectáculo. Toda a gente no Sporting gosta muito dele: da forma de trabalhar; da sua relação com o grupo de trabalho. Desejou-me boa sorte e que tudo me corresse bem.
R – Marco Silva contava consigo para 2014/15. Não pensa que poderá ter perdido uma boa oportunidade para ser titular numa equipa que vai estar na Liga dos Campeões?
ED – Temos de lutar pelo nosso lugar seja em que clube for. Tenho a certeza absoluta de que dei um passo em frente na minha carreira.
R – Há pouco mais de um ano, sublinhou numa entrevista a Record que "o Sporting era o clube ideal" para si. O que mudou?
ED – Na altura não tinha dúvidas disso. A última temporada não me correu bem. Não tive pré-época devido à presença no Mundial de sub-20 e isso prejudicou-me muito. A partir daí, foi difícil ganhar um lugar no onze de Leonardo Jardim.
R – O que é que aconteceu na época passada? A sua ausência das opções iniciais de Jardim foi meramente por opção tática, ou houve razões "administrativas" que impediam a sua utilização?
ED – Não, não… Jardim tinha as opções dele e eu respeitava.
R – A contratação de Paulo Oliveira e o interesse em Rabia desmotivou-o?
ED – É bom ter concorrência. Faz com que evoluas. O Paulo [Oliveira] é muito bom jogador e já gostava dele no V. Guimarães. Faço o meu trabalho e eles fazem o deles.
R – Maurício e Rojo foram os titulares. Sem falsas modéstias, acha que tinha qualidade para ser titular?
ED – Sim. Tenho de ter confiança em mim. Se eu disser que não, quem é que iria dizer que sim? Quero jogar sempre.
R – Um golo em 33 jogos na equipa principal do Sporting. Esperava mais?
ED – Muito mais.
R – O que correu mal?
ED – Muitas mudanças no comando técnico. Esperava que o ano passado fosse a minha temporada de total afirmação, mas isso não aconteceu.
R – O que mudou com Bruno de Carvalho?
ED – Foram feitas mudanças positivas. A equipa ficou mais unida e humilde. Havia um melhor ambiente no balneário e isso ajudou. Jardim também foi importante. O clube voltou a acreditar na formação.
R – A presença do presidente no banco motiva ou intimida?
ED – Para mim é indiferente. Para os outros não sei. Estar no banco ou na bancada é igual.
«William Carvalho vale 45 milhões»
R – William Carvalho tem lugar na Premier League?
ED – William Carvalho tem lugar em qualquer equipa do Mundo. Fisicamente e tecnicamente não terá problemas para se adaptar ao futebol inglês. Não tenho dúvidas disso.
R – William Carvalho vale, então, os 45 milhões de euros da cláusula?
ED – ... (risos)
R – Falámos há pouco de cláusulas de rescisão…
ED – Para mim… vale.
R – Adaptavam-se facilmente. Mas, sinceramente, acho que qualquer jogador do Sporting poderia atuar na Premier League. Se quiserem, todos eles têm qualidade para isso.
ED – Slimani e Marcos Rojo também se podem juntar ao Eric Dier na Premier League…
R – Qual o melhor treinador com o qual trabalhou?
ED – Jesualdo Ferreira
R – Essa resposta foi muito rápida…
ED – Ajudou-me muito. Já disse várias vezes que aprendi mais com ele em 6 meses do que com qualquer outro treinador em 5 anos. Foi uma experiência incrível. Falei com ele apenas uma ou duas vezes depois que ele saiu do Sporting. É professor e isso diz tudo. Aliás, acho que o Ilori e o Bruma também diriam a mesma coisa. Ajudou-nos muito, deu-nos confiança e isso fez-nos crescer. Foi muito bom para nós.
R – E o melhor jogador com o qual partilhou o balneário?
ED – O Tottenham não conta! Foi o William Carvalho, claro.
R – O que se passa com Fredy Montero? Já não marca desde dezembro de 2013, frente ao Gil Vicente…
ED – Os pontas-de-lança vivem na base da confiança que os golos transmitem. É normal que Montero não esteja tão confiante devido à situação que atravessa. No entanto, trata-se de um jogador de grande qualidade e, se continuar a fazer as mesmas coisas que tem feito, não tenho dúvidas de que vai voltar aos golos. Quando entrar o primeiro, depois entra o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, e por aí fora.
R – E o Tanaka? É mesmo goleador ou os 5 golos marcados na pré-época foram “sorte de principiante”?
ED – (risos) Passei três ou quatro semanas com ele na pré-época, por isso não posso dizer muita coisa. É um bom jogador, uma excelente pessoa e muito trabalhador. Espero que continue a marcar.
R – Ele anda sempre com um dicionário japonês-português…
ED – Sim, sim! Tem que se dar muito valor a isso! Tenho muito respeito por ele pois, logo desde início, está a tentar adaptar-se e aprender a língua. Isso é muito bom.
R – Qual foi o reforço do Sporting que mais o surpreendeu?
ED – São todos muito bons, mas não vou contar o João [Mário] como reforço! Sem faltar ao respeito a nenhum deles, só conhecia o Paulo [Oliveira] e o Geraldes. No entanto, aquele que mais me surpreendeu foi mesmo o Oriol Rosell. A mim e a toda a gente dentro do balneário.
«Central é onde estou confortável»
R – Central ou médio?
ED – Sem dúvida, central.
R – Chega de experiências, então?…
ED – (risos) Sou central desde miúdo e é a posição onde me sinto mais confortável. Mas jogo em qualquer lado.
R – Nem os elogios de Jesualdo Ferreira o fizeram mudar de ideias?
ED – Se o míster Jesualdo continuasse, se calhar até me podia ter
transformado num médio. Acho que tenho capacidade para isso. No entanto, as coisas não seguiram esse caminho.
R – Leonardo Jardim colocou-o a médio-defensivo no dérbi com o Benfica (1-1) e as coisas não correram muito bem…
ED – O facto de o jogo ter corrido mal não me abalou absolutamente nada. Mas não correu mal só a mim. Treinei-me sempre a central e entrar para o meio-campo num jogo daqueles nunca é fácil… Não correu bem, não vale a pena esconder!
«Não vou impor metas para esta temporada»
R – Segue-se a aventura no Tottenham. Quais os objetivos imediatos? Tentar agarrar a titularidade ou crescer durante esta temporada?
ED – Não vou impor metas para esta época. Vou fazer o meu melhor, mas claro que todos os jogadores querem jogar sempre. Vou trabalhar muito para mostrar serviço ao treinador.
R – Como estão a ser os primeiros dias no Tottenham?
ED – Muito bons! Fui muito bem recebido por toda a gente. Claro que é mais fácil por ser inglês, pois falo o mesmo idioma e entendo tudo o que se passa à minha volta. Sinto-me muito bem aqui e estou a gostar muito desta primeira experiência.
R - Mauricio Pochettino já falou consigo?
D – Já falei com o míster Pochettino e com toda a sua equipa técnica. Deu-me as boas-vindas ao clube e disse-me que não havia pressão nenhuma. Disse-me, ainda, para continuar a fazer o mesmo trabalho que vinha a desenvolver no Sporting. A única coisa que me pediu foi que desse sempre o meu melhor.
R – O “fantasma” de André Villas-Boas ainda paira por White Hart Lane?
ED – (risos) Já me falaram nele por ser português. No geral, a opinião que as pessoas do Tottenham têm de André Villas-Boas é muito positiva.
R – Falaram-lhe sobre Jorge Jesus e a eliminação do Tottenham às mãos do Benfica?
ED – Não, não! Ninguém me falou em nada disso. Pelo menos por agora!
«Não há ninguém que diga que o Gauld não é bom jogador»
R – Ryan Gauld pode ter sucesso em Alvalade?
ED – Sabes que um jogador tem qualidade quando chega a um clube e os companheiros lhe reconhecem de imediato capacidades. Não há nenhuma pessoa no Sporting que diga que o Gauld não é bom jogador. Nesse sentido, não tenho dúvidas de que ele vai brilhar no Sporting. Ainda é muito novo e tem de adaptar-se a Portugal. Eu sei do que falo, pois a mim aconteceu-me o mesmo. É um excelente jogador.
R – Ele pediu-lhe ajuda nesse processo?
ED – Falámos muitas vezes. Ficámos sempre no quarto juntos. É muito determinado e tenho a certeza que vai tudo correr bem.
R – A pressão de ser o “mini-Messi” não deverá ser fácil de lidar…
ED – Mas ele não liga nada a isso. Essa questão não será, certamente, um problema para ele.
ANÁLISE AOS REFORÇOS
Geraldes
Muito bom jogador. É um defesa-direito extremamente ofensivo. Humilde e trabalhador. [Dor de cabeça para o Cédric?] Espero que sim, pois fará bem aos dois e é bom para o Sporting.
Paulo Oliveira
É um jogador jovem e isso tem importância quando falamos de centrais. É uma excelente pessoa, muito empenhado em tudo o que faz. Já provou na Liga que é um bom jogador. Tem tudo para continuar a crescer no Sporting.
Rosell
Um médio superinteligente. Lê muito bem o jogo e isso torna a vida mais fácil aos centrais. Foi o reforço que mais me surpreendeu nesta pré-temporada do Sporting.
Slavchev
Não vi tanto pois esteve lesionado durante o período em que estive no Sporting. Parece-me ser um médio muito forte fisicamente. Trabalha bem a bola e tem tendência a jogar mais apoiado.
Gauld
Muito bom tecnicamente. Inteligente na forma como aborda o jogo. [A sua frágil compleição física será um problema?] É pequeno mas muito agressivo! Além do mais, se jogou na liga escocesa, não terá problemas em Portugal.
Tanaka
Finalizador nato. Tem uma técnica evoluída e combina bem com os jogadores do meio-campo. É um jogador parecido com o Montero, pois é também muito móvel e bom tecnicamente.
É uma entrevista diferente do que estamos habituados, talvez pela ascendência britânica do nosso ex-jogador, e que merece referência pela elevação com que sempre se refere ao Sporting. Dier não confunde o clube com as pessoas que se atravessaram no seu caminho e o levaram a mudar a vontade que havia exprimido há um ano de apenas sair do Sporting como uma grande figura do clube.
A lição de Dier vai até mais longe, ao escusar-se a abordar as causas da súbita decisão de regressar a Inglaterra, não se abstendo de elogiar o que lhe parece estar a ser bem feito em Alvalade. E, não menos importante, não renega a sua condição de adepto Sportinguista.
Certamente que esta entrevista de Dier fará regressar as conversas sobre a formação, a necessidade de formar homens e jogadores, porque saem tantos jogadores de forma traumática, etc. Neste âmbito, há que perceber o que são as questões que decorrem da normal actividade e são comuns a todos os clubes e o que é ou pode ser um problema especifico do Sporting.
Jogadores que saem antes de completarem no clube o trajecto que prometiam para irem à procura da afirmação noutros locais são situações comuns a todos os clubes. De outra forma não conseguiríamos contratar jogadores como, por exemplo, Gauld ou Slavchev. Pelo critério que aplicamos aos nossos que saem, teríamos também que os considerar também mercenários, quando mais não fazem do que procurar legitimamente as melhores condições para se afirmarem como profissionais.
Outra coisa bem diferente é quando se estabelece um padrão, com ocorrência simultânea de sinais de mau estar, decisões de carácter administrativo legitimo, mas que não se podem furtar ao também legitimo escrutínio dos adeptos. Era disso que aqui se falou quando surgiram noticias de "insatisfação na formação" num artigo de alguma forma premonitório sobre o que viria a ser o desfecho do caso Dier do André Carreira de Figueiredo, do qual extraio este excerto que me parece importante até no presente caso do Eric Dier:
"Tanto no Futebol Profissional como na Formação, há vários jogadores descontentes nestes últimos 13 meses, e o dinheiro é uma das razões desse descontentamento, mas está longe de ser a única. O Sporting pode não ter mais dinheiro para dar aos seus atletas e funcionários, mas pode melhorar a relação que tem para com eles de outras formas. Profissionalmente, depois do dinheiro, não há nada mais importante do que o respeito, a confiança e a lealdade."
RECORD – Deixou o Sporting depois de ter estado no clube desde os 8 anos, numa transferência que muitos adeptos consideram ter sido “péssima” para o Sporting. Foi difícil tomar esta decisão?
ERIC DIER – Claro que não foi uma decisão fácil… Estive no Sporting muitos anos, mas quando surgiu a oportunidade de assinar pelo Tottenham não tive dúvidas. Tinha de vir, pois era ótimo para mim. Passei a pré-época com isto sempre na cabeça. Estive no Sporting desde os 8 anos e continua a ser a minha segunda família.
R – No comunicado publicado após a sua saída, o Sporting diz ter tentado renovar o seu contrato, mas que o Eric “não desejava continuar”, mesmo que os leões igualassem a oferta. O processo foi mesmo assim?
ED – Não gostei do comunicado. É estranho tratarem alguém assim, que estava no clube desde os 8 anos, que respeitou sempre o Sporting e que tentou fazer sempre tudo bem feito. Depois, na altura da saída, vejo um comunicado daqueles? Sinceramente, é um pouco estranho…
R – Sai magoado do Sporting?
ED – Magoado, não. [silêncio] Surgiu a proposta, tinha a cláusula dos 5
milhões no contrato. A culpa não é minha. Essa cláusula está lá desde os 16 anos. Tiveram 4 anos para mudar e esta direcção até já tem um ano e meio de mandato… Ninguém mudou.
R – Mas houve a intenção de mudar a cláusula dos 5 milhões de euros?
ED – A única vez que me fizeram uma proposta foi neste verão. Essa foi a primeira vez que houve conversas.
R – Mas na altura em que lhe foi apresentada a proposta do Sporting, já tinha surgido o Tottenham…
ED – Na altura não sabia nada do Tottenham. Fomos negociando e só depois é que apareceu o Tottenham. O Sporting tinha a opção de igualar as condições que me foram oferecidas, mas optaram por não o fazer. Ao mesmo tempo, deram a entender que também não tinham interesse na minha continuidade. Se quisessem que eu ficasse, tentavam igualar. Nesse sentido, é impossível que eles digam que eu não ficaria se eles tivessem tentado igualar a proposta, pois isso nunca foi uma possibilidade. É um comentário que não faz sentido...
R – A proposta de renovação apresentada pelo Sporting estava longe daquilo que o Eric Dier queria?
ED – As pessoas podem pensar que estou a mentir, mas o problema nunca foi o dinheiro. As cláusulas que o Sporting queria impor é que dificultaram as negociações.
R – Está a falar de um aumento da cláusula de rescisão de 20 milhões para 45 milhões, certo?
ED – Exato. Nunca poderia aceitar isso. Queriam meter cláusulas impensáveis. Uma cláusula de 45 milhões implica um ordenado ao mesmo nível. Além do mais, ficamos completamente presos ao clube. Sou um central e queriam-me pôr uma cláusula de 45 milhões com um salário que não justifica esse valor? Nem pensar… Para mim não faz sentido, mas respeito os meus colegas que aceitaram estas condições.
R – Então, o principal motivo da mudança para o Tottenham não foi apenas financeiro?
ED – Nunca ia tomar uma decisão apenas baseada no dinheiro. Tive várias oportunidades para sair e nunca o fiz. Isso demonstra que não era essa a questão.
R – Acha que foi bem tratado pelo Sporting nestes últimos meses, principalmente pelo presidente que, em última análise, é a cara da direcção?
ED – No último ano e meio fui muito maltratado. Nunca vou esconder isso. Para alguém que estava no clube desde os 8 anos e que nunca tinha tido problemas com ninguém…
R – Ou seja, desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting…
ED – Exatamente, desde que esta direcção assumiu a presidência.
R – Esse foi um dos motivos que levaram à sua saída?
ED – Não quero juntar as coisas. Acho que fui maltratado e as pessoas dentro do Sporting sabem disso. Esta não é a altura certa para estarmos a falar sobre tudo, mas um dia no futuro as coisas irão sair cá para fora.
R – …
ED – Prefiro não dizer mais nada...
R – Ilori foi para o Liverpool, mas não teve sucesso. Bruma no Galatasaray teve azar... Acha que com o Eric Dier as coisas serão diferentes?
ED – Conheço bem o Tiago [Ilori] e o Bruma e somos os três ambiciosos. Eu e o Tiago nunca escondemos que queríamos jogar na Premier League. Quero sempre desafiar os melhores, treinar-me com os melhores e evoluir. Não tenho receio do futuro. Vou tentar adaptar-me ao futebol inglês. Não vou impor metas. Vou dar o meu melhor pelo Tottenham. Sempre.
R – Despediu-se de Bruno de Carvalho?
ED – (silêncio) Fui à Academia de Alcochete na quinta-feira de manhã para ir buscar as minhas coisas e despedir-me de toda a gente. O presidente estava lá, cumprimentou-me e não disse nenhuma palavra. Seguiu em frente. Não me desejou boa sorte nem nada, o que é um pouco estranho… Estive no Sporting 12 anos e saio sem uma palavra do presidente? Para mim, é estranho.
R – Acha que foram feitos todos os esforços por parte da SAD para que o Eric Dier renovasse contrato com o Sporting?
ED – Não. Não mesmo.
R – Por quê?
ED – Eles tiveram a opção de igualar a oferta e não o fizeram. Nem sequer mostraram interesse… Por isso, penso que não há muita margem para dúvidas.
R – Como foi dizer adeus a Portugal e ao Sporting?
ED – Sentia que estava na altura de colocar um ponto final. O Sporting será sempre a minha segunda família e vou ter saudades de várias pessoas. Cozinheiros, empregados, motoristas, jogadores, treinadores... É a essas pessoas que quero agradecer e de quem sentirei falta. Sou inglês, mas há muito de português em mim. Senti que estava na altura de sair, surgiu o clube certo e não tenho dúvidas de que tomei a opção correta.
R – Perguntei-lhe há pouco se tinha saído magoado do Sporting e resposta foi negativa. Perante as respostas, vou insistir. Sente-se magoado com os últimos desenvolvimentos?
ED – Sou uma pessoa muito pacífica e tento não levar as coisas a mal. Não acho é que este tipo de atitudes esteja correto. É preciso muito mais do que isto para me magoar.
«Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal»
R – Não está impedido de regressar a Portugal. Aceitaria representar o FC Porto ou o Benfica?
ED – Isso é uma pergunta muito teórica…
R – Ganharia o coração ou o lado profissional (isto se as propostas fossem superiores)?
ED – Para mim é 50/50: coração e profissão. Sou do Sporting, por isso… Acho que o coração pesaria mais na minha decisão. Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal.
«Sporting está no bom caminho»
R – Como foi trabalhar com Marco Silva?
ED – Fantástico. É um óptimo treinador. Os treinos e a teoria de jogo são muito bons e tem uma mentalidade muito forte.
R – O que diferencia Marco Silva de Leonardo Jardim?
ED – Há muitas coisas semelhantes. Mas o Marco Silva gosta de um futebol mais trabalhado e ofensivo. O míster Jardim tinha a sua teoria de jogo e fixava-se muito nela; o Marco Silva quer um futebol mais “complicado”, mais dinâmico. O Marco Silva é mais próximo dos jogadores, dá para falar melhor com ele.
R – Acha que ele tem o perfil certo para levar o Sporting ao desejado título?
ED – Espero que sim. Por tudo o que vivi neste arranque de pré-época, acredito que o Sporting está no bom caminho.
R – O que lhe disse Marco Silva quando chegou?
ED – Nunca falei muito com ele sobre aspetos fora do futebol. Marco Silva mostrava confiança em mim ao meter-me a jogar e ao colocar-me em situações de relevância dentro da equipa.
R – E o que acha que o Sporting pode fazer na Champions?
ED – A Champions não é fácil para nenhum clube. Vamos esperar pelo sorteio dos grupos...
R – Apesar do orçamento ser mais baixo, o Sporting pode ser campeão?
ED – Demos uma boa luta na temporada passada, a base da equipa continua a ser a mesma e eu pergunto: por que não?
«Marco Silva é um espectáculo»
R – O que lhe disse Marco Silva no momento da saída?
ED – O míster é um espectáculo. Toda a gente no Sporting gosta muito dele: da forma de trabalhar; da sua relação com o grupo de trabalho. Desejou-me boa sorte e que tudo me corresse bem.
R – Marco Silva contava consigo para 2014/15. Não pensa que poderá ter perdido uma boa oportunidade para ser titular numa equipa que vai estar na Liga dos Campeões?
ED – Temos de lutar pelo nosso lugar seja em que clube for. Tenho a certeza absoluta de que dei um passo em frente na minha carreira.
R – Há pouco mais de um ano, sublinhou numa entrevista a Record que "o Sporting era o clube ideal" para si. O que mudou?
ED – Na altura não tinha dúvidas disso. A última temporada não me correu bem. Não tive pré-época devido à presença no Mundial de sub-20 e isso prejudicou-me muito. A partir daí, foi difícil ganhar um lugar no onze de Leonardo Jardim.
R – O que é que aconteceu na época passada? A sua ausência das opções iniciais de Jardim foi meramente por opção tática, ou houve razões "administrativas" que impediam a sua utilização?
ED – Não, não… Jardim tinha as opções dele e eu respeitava.
R – A contratação de Paulo Oliveira e o interesse em Rabia desmotivou-o?
ED – É bom ter concorrência. Faz com que evoluas. O Paulo [Oliveira] é muito bom jogador e já gostava dele no V. Guimarães. Faço o meu trabalho e eles fazem o deles.
R – Maurício e Rojo foram os titulares. Sem falsas modéstias, acha que tinha qualidade para ser titular?
ED – Sim. Tenho de ter confiança em mim. Se eu disser que não, quem é que iria dizer que sim? Quero jogar sempre.
R – Um golo em 33 jogos na equipa principal do Sporting. Esperava mais?
ED – Muito mais.
R – O que correu mal?
ED – Muitas mudanças no comando técnico. Esperava que o ano passado fosse a minha temporada de total afirmação, mas isso não aconteceu.
R – O que mudou com Bruno de Carvalho?
ED – Foram feitas mudanças positivas. A equipa ficou mais unida e humilde. Havia um melhor ambiente no balneário e isso ajudou. Jardim também foi importante. O clube voltou a acreditar na formação.
R – A presença do presidente no banco motiva ou intimida?
ED – Para mim é indiferente. Para os outros não sei. Estar no banco ou na bancada é igual.
«William Carvalho vale 45 milhões»
R – William Carvalho tem lugar na Premier League?
ED – William Carvalho tem lugar em qualquer equipa do Mundo. Fisicamente e tecnicamente não terá problemas para se adaptar ao futebol inglês. Não tenho dúvidas disso.
R – William Carvalho vale, então, os 45 milhões de euros da cláusula?
ED – ... (risos)
R – Falámos há pouco de cláusulas de rescisão…
ED – Para mim… vale.
R – Adaptavam-se facilmente. Mas, sinceramente, acho que qualquer jogador do Sporting poderia atuar na Premier League. Se quiserem, todos eles têm qualidade para isso.
ED – Slimani e Marcos Rojo também se podem juntar ao Eric Dier na Premier League…
R – Qual o melhor treinador com o qual trabalhou?
ED – Jesualdo Ferreira
R – Essa resposta foi muito rápida…
ED – Ajudou-me muito. Já disse várias vezes que aprendi mais com ele em 6 meses do que com qualquer outro treinador em 5 anos. Foi uma experiência incrível. Falei com ele apenas uma ou duas vezes depois que ele saiu do Sporting. É professor e isso diz tudo. Aliás, acho que o Ilori e o Bruma também diriam a mesma coisa. Ajudou-nos muito, deu-nos confiança e isso fez-nos crescer. Foi muito bom para nós.
R – E o melhor jogador com o qual partilhou o balneário?
ED – O Tottenham não conta! Foi o William Carvalho, claro.
R – O que se passa com Fredy Montero? Já não marca desde dezembro de 2013, frente ao Gil Vicente…
ED – Os pontas-de-lança vivem na base da confiança que os golos transmitem. É normal que Montero não esteja tão confiante devido à situação que atravessa. No entanto, trata-se de um jogador de grande qualidade e, se continuar a fazer as mesmas coisas que tem feito, não tenho dúvidas de que vai voltar aos golos. Quando entrar o primeiro, depois entra o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, e por aí fora.
R – E o Tanaka? É mesmo goleador ou os 5 golos marcados na pré-época foram “sorte de principiante”?
ED – (risos) Passei três ou quatro semanas com ele na pré-época, por isso não posso dizer muita coisa. É um bom jogador, uma excelente pessoa e muito trabalhador. Espero que continue a marcar.
R – Ele anda sempre com um dicionário japonês-português…
ED – Sim, sim! Tem que se dar muito valor a isso! Tenho muito respeito por ele pois, logo desde início, está a tentar adaptar-se e aprender a língua. Isso é muito bom.
R – Qual foi o reforço do Sporting que mais o surpreendeu?
ED – São todos muito bons, mas não vou contar o João [Mário] como reforço! Sem faltar ao respeito a nenhum deles, só conhecia o Paulo [Oliveira] e o Geraldes. No entanto, aquele que mais me surpreendeu foi mesmo o Oriol Rosell. A mim e a toda a gente dentro do balneário.
«Central é onde estou confortável»
R – Central ou médio?
ED – Sem dúvida, central.
R – Chega de experiências, então?…
ED – (risos) Sou central desde miúdo e é a posição onde me sinto mais confortável. Mas jogo em qualquer lado.
R – Nem os elogios de Jesualdo Ferreira o fizeram mudar de ideias?
ED – Se o míster Jesualdo continuasse, se calhar até me podia ter
transformado num médio. Acho que tenho capacidade para isso. No entanto, as coisas não seguiram esse caminho.
R – Leonardo Jardim colocou-o a médio-defensivo no dérbi com o Benfica (1-1) e as coisas não correram muito bem…
ED – O facto de o jogo ter corrido mal não me abalou absolutamente nada. Mas não correu mal só a mim. Treinei-me sempre a central e entrar para o meio-campo num jogo daqueles nunca é fácil… Não correu bem, não vale a pena esconder!
«Não vou impor metas para esta temporada»
R – Segue-se a aventura no Tottenham. Quais os objetivos imediatos? Tentar agarrar a titularidade ou crescer durante esta temporada?
ED – Não vou impor metas para esta época. Vou fazer o meu melhor, mas claro que todos os jogadores querem jogar sempre. Vou trabalhar muito para mostrar serviço ao treinador.
R – Como estão a ser os primeiros dias no Tottenham?
ED – Muito bons! Fui muito bem recebido por toda a gente. Claro que é mais fácil por ser inglês, pois falo o mesmo idioma e entendo tudo o que se passa à minha volta. Sinto-me muito bem aqui e estou a gostar muito desta primeira experiência.
R - Mauricio Pochettino já falou consigo?
D – Já falei com o míster Pochettino e com toda a sua equipa técnica. Deu-me as boas-vindas ao clube e disse-me que não havia pressão nenhuma. Disse-me, ainda, para continuar a fazer o mesmo trabalho que vinha a desenvolver no Sporting. A única coisa que me pediu foi que desse sempre o meu melhor.
R – O “fantasma” de André Villas-Boas ainda paira por White Hart Lane?
ED – (risos) Já me falaram nele por ser português. No geral, a opinião que as pessoas do Tottenham têm de André Villas-Boas é muito positiva.
R – Falaram-lhe sobre Jorge Jesus e a eliminação do Tottenham às mãos do Benfica?
ED – Não, não! Ninguém me falou em nada disso. Pelo menos por agora!
«Não há ninguém que diga que o Gauld não é bom jogador»
R – Ryan Gauld pode ter sucesso em Alvalade?
ED – Sabes que um jogador tem qualidade quando chega a um clube e os companheiros lhe reconhecem de imediato capacidades. Não há nenhuma pessoa no Sporting que diga que o Gauld não é bom jogador. Nesse sentido, não tenho dúvidas de que ele vai brilhar no Sporting. Ainda é muito novo e tem de adaptar-se a Portugal. Eu sei do que falo, pois a mim aconteceu-me o mesmo. É um excelente jogador.
R – Ele pediu-lhe ajuda nesse processo?
ED – Falámos muitas vezes. Ficámos sempre no quarto juntos. É muito determinado e tenho a certeza que vai tudo correr bem.
R – A pressão de ser o “mini-Messi” não deverá ser fácil de lidar…
ED – Mas ele não liga nada a isso. Essa questão não será, certamente, um problema para ele.
ANÁLISE AOS REFORÇOS
Geraldes
Muito bom jogador. É um defesa-direito extremamente ofensivo. Humilde e trabalhador. [Dor de cabeça para o Cédric?] Espero que sim, pois fará bem aos dois e é bom para o Sporting.
Paulo Oliveira
É um jogador jovem e isso tem importância quando falamos de centrais. É uma excelente pessoa, muito empenhado em tudo o que faz. Já provou na Liga que é um bom jogador. Tem tudo para continuar a crescer no Sporting.
Rosell
Um médio superinteligente. Lê muito bem o jogo e isso torna a vida mais fácil aos centrais. Foi o reforço que mais me surpreendeu nesta pré-temporada do Sporting.
Slavchev
Não vi tanto pois esteve lesionado durante o período em que estive no Sporting. Parece-me ser um médio muito forte fisicamente. Trabalha bem a bola e tem tendência a jogar mais apoiado.
Gauld
Muito bom tecnicamente. Inteligente na forma como aborda o jogo. [A sua frágil compleição física será um problema?] É pequeno mas muito agressivo! Além do mais, se jogou na liga escocesa, não terá problemas em Portugal.
Tanaka
Finalizador nato. Tem uma técnica evoluída e combina bem com os jogadores do meio-campo. É um jogador parecido com o Montero, pois é também muito móvel e bom tecnicamente.


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