sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A defesa central de Dier

A entrevista de Dier hoje ao jornal Record, que publicaremos abaixo, será, estou certo, um fonte de decepção. Não minha, mas de todos aqueles que viam nela a possibilidade de explorar a narrativa do "jogador ingrato" e que "fugiu pelo dinheiro". Ao invés, a entrevista confirma as impressões que Dier já havia deixado nos 12 anos de passagem pelo Sporting. E essas foram de uma pessoa bem formada e esclarecida.

É uma entrevista diferente do que estamos habituados, talvez pela ascendência britânica do nosso ex-jogador, e que merece referência pela elevação com que sempre se refere ao Sporting. Dier não confunde o clube com as pessoas que se atravessaram no seu caminho e o levaram a mudar a vontade que havia exprimido há um ano de apenas sair do Sporting como uma grande figura do clube. 

A lição de Dier vai até mais longe, ao escusar-se a abordar as causas da súbita decisão de regressar a Inglaterra, não se abstendo de elogiar o que lhe parece estar a ser bem feito em Alvalade. E, não menos importante, não renega a sua condição de adepto Sportinguista.

Certamente que esta entrevista de Dier fará regressar as conversas sobre a formação, a necessidade de formar homens e jogadores, porque saem tantos jogadores de forma traumática, etc. Neste âmbito, há que perceber o que são as questões que decorrem da normal actividade e são comuns a todos os clubes e o que é ou pode ser um problema especifico do Sporting. 

Jogadores que saem antes de completarem no clube o trajecto que prometiam para irem à procura da afirmação noutros locais são situações comuns a todos os clubes. De outra forma não conseguiríamos contratar jogadores como, por exemplo, Gauld ou Slavchev. Pelo critério que aplicamos aos nossos que saem, teríamos também que os considerar também mercenários, quando mais não fazem do que procurar legitimamente as melhores condições para se afirmarem como profissionais.

Outra coisa bem diferente é quando se estabelece um padrão, com ocorrência simultânea de sinais de mau estar, decisões de carácter administrativo legitimo, mas que não se podem furtar ao também legitimo escrutínio dos adeptos. Era disso que aqui se falou quando surgiram noticias de "insatisfação na formação" num artigo de alguma forma premonitório sobre o que viria a ser o desfecho do caso Dier do André Carreira de Figueiredo, do qual extraio este excerto que me parece importante até no presente caso do Eric Dier:


"Tanto no Futebol Profissional como na Formação, há vários jogadores descontentes nestes últimos 13 meses, e o dinheiro é uma das razões desse descontentamento, mas está longe de ser a única. O Sporting pode não ter mais dinheiro para dar aos seus atletas e funcionários, mas pode melhorar a relação que tem para com eles de outras formas. Profissionalmente, depois do dinheiro, não há nada mais importante do que o respeito, a confiança e a lealdade."
«Estive no Sporting 12 anos e saio sem uma palavra do presidente? Para mim, é estranho» 

RECORD – Deixou o Sporting depois de ter estado no clube desde os 8 anos, numa transferência que muitos adeptos consideram ter sido “péssima” para o Sporting. Foi difícil tomar esta decisão?

ERIC DIER – Claro que não foi uma decisão fácil… Estive no Sporting muitos anos, mas quando surgiu a oportunidade de assinar pelo Tottenham não tive dúvidas. Tinha de vir, pois era ótimo para mim. Passei a pré-época com isto sempre na cabeça. Estive no Sporting desde os 8 anos e continua a ser a minha segunda família.

R – No comunicado publicado após a sua saída, o Sporting diz ter tentado renovar o seu contrato, mas que o Eric “não desejava continuar”, mesmo que os leões igualassem a oferta. O processo foi mesmo assim?


ED – Não gostei do comunicado. É estranho tratarem alguém assim, que estava no clube desde os 8 anos, que respeitou sempre o Sporting e que tentou fazer sempre tudo bem feito. Depois, na altura da saída, vejo um comunicado daqueles? Sinceramente, é um pouco estranho…


R – Sai magoado do Sporting?


ED – Magoado, não. [silêncio] Surgiu a proposta, tinha a cláusula dos 5 

milhões no contrato. A culpa não é minha. Essa cláusula está lá desde os 16 anos. Tiveram 4 anos para mudar e esta direcção até já tem um ano e meio de mandato… Ninguém mudou.

R – Mas houve a intenção de mudar a cláusula dos 5 milhões de euros?


ED – A única vez que me fizeram uma proposta foi neste verão. Essa foi a primeira vez que houve conversas.


R – Mas na altura em que lhe foi apresentada a proposta do Sporting, já tinha surgido o Tottenham…


ED – Na altura não sabia nada do Tottenham. Fomos negociando e só depois é que apareceu o Tottenham. O Sporting tinha a opção de igualar as condições que me foram oferecidas, mas optaram por não o fazer. Ao mesmo tempo, deram a entender que também não tinham interesse na minha continuidade. Se quisessem que eu ficasse, tentavam igualar. Nesse sentido, é impossível que eles digam que eu não ficaria se eles tivessem tentado igualar a proposta, pois isso nunca foi uma possibilidade. É um comentário que não faz sentido...


R – A proposta de renovação apresentada pelo Sporting estava longe daquilo que o Eric Dier queria?


ED – As pessoas podem pensar que estou a mentir, mas o problema nunca foi o dinheiro. As cláusulas que o Sporting queria impor é que dificultaram as negociações.


R – Está a falar de um aumento da cláusula de rescisão de 20 milhões para 45 milhões, certo?


ED – Exato. Nunca poderia aceitar isso. Queriam meter cláusulas impensáveis. Uma cláusula de 45 milhões implica um ordenado ao mesmo nível. Além do mais, ficamos completamente presos ao clube. Sou um central e queriam-me pôr uma cláusula de 45 milhões com um salário que não justifica esse valor? Nem pensar… Para mim não faz sentido, mas respeito os meus colegas que aceitaram estas condições.


R – Então, o principal motivo da mudança para o Tottenham não foi apenas financeiro?


ED – Nunca ia tomar uma decisão apenas baseada no dinheiro. Tive várias oportunidades para sair e nunca o fiz. Isso demonstra que não era essa a questão.


R – Acha que foi bem tratado pelo Sporting nestes últimos meses, principalmente pelo presidente que, em última análise, é a cara da direcção?


ED – No último ano e meio fui muito maltratado. Nunca vou esconder isso. Para alguém que estava no clube desde os 8 anos e que nunca tinha tido problemas com ninguém…


R – Ou seja, desde que Bruno de Carvalho chegou ao Sporting…


ED – Exatamente, desde que esta direcção assumiu a presidência.



R – Esse foi um dos motivos que levaram à sua saída?


ED – Não quero juntar as coisas. Acho que fui maltratado e as pessoas dentro do Sporting sabem disso. Esta não é a altura certa para estarmos a falar sobre tudo, mas um dia no futuro as coisas irão sair cá para fora.


 R – …


ED – Prefiro não dizer mais nada...


R – Ilori foi para o Liverpool, mas não teve sucesso. Bruma no Galatasaray teve azar... Acha que com o Eric Dier as coisas serão diferentes?


ED – Conheço bem o Tiago [Ilori] e o Bruma e somos os três ambiciosos. Eu e o Tiago nunca escondemos que queríamos jogar na Premier League. Quero sempre desafiar os melhores, treinar-me com os melhores e evoluir. Não tenho receio do futuro. Vou tentar adaptar-me ao futebol inglês. Não vou impor metas. Vou dar o meu melhor pelo Tottenham. Sempre.


R – Despediu-se de Bruno de Carvalho?


ED – (silêncio) Fui à Academia de Alcochete na quinta-feira de manhã para ir buscar as minhas coisas e despedir-me de toda a gente. O presidente estava lá, cumprimentou-me e não disse nenhuma palavra. Seguiu em frente. Não me desejou boa sorte nem nada, o que é um pouco estranho… Estive no Sporting 12 anos e saio sem uma palavra do presidente? Para mim, é estranho.


R – Acha que foram feitos todos os esforços por parte da SAD para que o Eric Dier renovasse contrato com o Sporting?


ED – Não. Não mesmo.


R – Por quê?


ED – Eles tiveram a opção de igualar a oferta e não o fizeram. Nem sequer mostraram interesse… Por isso, penso que não há muita margem para dúvidas.


R – Como foi dizer adeus a Portugal e ao Sporting?


ED – Sentia que estava na altura de colocar um ponto final. O Sporting será sempre a minha segunda família e vou ter saudades de várias pessoas. Cozinheiros, empregados, motoristas, jogadores, treinadores... É a essas pessoas que quero agradecer e de quem sentirei falta. Sou inglês, mas há muito de português em mim. Senti que estava na altura de sair, surgiu o clube certo e não tenho dúvidas de que tomei a opção correta.


R – Perguntei-lhe há pouco se tinha saído magoado do Sporting e resposta foi negativa. Perante as respostas, vou insistir. Sente-se magoado com os últimos desenvolvimentos?


ED – Sou uma pessoa muito pacífica e tento não levar as coisas a mal. Não acho é que este tipo de atitudes esteja correto. É preciso muito mais do que isto para me magoar.


«Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal»


R – Não está impedido de regressar a Portugal. Aceitaria representar o FC Porto ou o Benfica?


ED – Isso é uma pergunta muito teórica…


R – Ganharia o coração ou o lado profissional (isto se as propostas fossem superiores)?


ED – Para mim é 50/50: coração e profissão. Sou do Sporting, por isso… Acho que o coração pesaria mais na minha decisão. Não me vejo a jogar num outro clube em Portugal.


«Sporting está no bom caminho»


R – Como foi trabalhar com Marco Silva?


ED – Fantástico. É um óptimo treinador. Os treinos e a teoria de jogo são muito bons e tem uma mentalidade muito forte.


R – O que diferencia Marco Silva de Leonardo Jardim?


ED – Há muitas coisas semelhantes. Mas o Marco Silva gosta de um futebol mais trabalhado e ofensivo. O míster Jardim tinha a sua teoria de jogo e fixava-se muito nela; o Marco Silva quer um futebol mais “complicado”, mais dinâmico. O Marco Silva é mais próximo dos jogadores, dá para falar melhor com ele.


R – Acha que ele tem o perfil certo para levar o Sporting ao desejado título?


ED – Espero que sim. Por tudo o que vivi neste arranque de pré-época, acredito que o Sporting está no bom caminho.


R – O que lhe disse Marco Silva quando chegou?


ED – Nunca falei muito com ele sobre aspetos fora do futebol. Marco Silva mostrava confiança em mim ao meter-me a jogar e ao colocar-me em situações de relevância dentro da equipa.


R – E o que acha que o Sporting pode fazer na Champions?


ED – A Champions não é fácil para nenhum clube. Vamos esperar pelo sorteio dos grupos...


R – Apesar do orçamento ser mais baixo, o Sporting pode ser campeão?


ED – Demos uma boa luta na temporada passada, a base da equipa continua a ser a mesma e eu pergunto: por que não?


«Marco Silva é um espectáculo»


R – O que lhe disse Marco Silva no momento da saída?


ED – O míster é um espectáculo. Toda a gente no Sporting gosta muito dele: da forma de trabalhar; da sua relação com o grupo de trabalho. Desejou-me boa sorte e que tudo me corresse bem.


R – Marco Silva contava consigo para 2014/15. Não pensa que poderá ter perdido uma boa oportunidade para ser titular numa equipa que vai estar na Liga dos Campeões?


ED – Temos de lutar pelo nosso lugar seja em que clube for. Tenho a certeza absoluta de que dei um passo em frente na minha carreira.


R – Há pouco mais de um ano, sublinhou numa entrevista a Record que "o Sporting era o clube ideal" para si. O que mudou?


ED – Na altura não tinha dúvidas disso. A última temporada não me correu bem. Não tive pré-época devido à presença no Mundial de sub-20 e isso prejudicou-me muito. A partir daí, foi difícil ganhar um lugar no onze de Leonardo Jardim.


R – O que é que aconteceu na época passada? A sua ausência das opções iniciais de Jardim foi meramente por opção tática, ou houve razões "administrativas" que impediam a sua utilização?


ED – Não, não… Jardim tinha as opções dele e eu respeitava.


R – A contratação de Paulo Oliveira e o interesse em Rabia desmotivou-o?


ED – É bom ter concorrência. Faz com que evoluas. O Paulo [Oliveira] é muito bom jogador e já gostava dele no V. Guimarães. Faço o meu trabalho e eles fazem o deles.


R – Maurício e Rojo foram os titulares. Sem falsas modéstias, acha que tinha qualidade para ser titular?


ED – Sim. Tenho de ter confiança em mim. Se eu disser que não, quem é que iria dizer que sim? Quero jogar sempre.


R – Um golo em 33 jogos na equipa principal do Sporting. Esperava mais?
ED – Muito mais.


R – O que correu mal?


ED – Muitas mudanças no comando técnico. Esperava que o ano passado fosse a minha temporada de total afirmação, mas isso não aconteceu.


R – O que mudou com Bruno de Carvalho?


ED – Foram feitas mudanças positivas. A equipa ficou mais unida e humilde. Havia um melhor ambiente no balneário e isso ajudou. Jardim também foi importante. O clube voltou a acreditar na formação.


R – A presença do presidente no banco motiva ou intimida?


ED – Para mim é indiferente. Para os outros não sei. Estar no banco ou na bancada é igual.


«William Carvalho vale 45 milhões»


R – William Carvalho tem lugar na Premier League?
ED – William Carvalho tem lugar em qualquer equipa do Mundo. Fisicamente e tecnicamente não terá problemas para se adaptar ao futebol inglês. Não tenho dúvidas disso.


R – William Carvalho vale, então, os 45 milhões de euros da cláusula?


ED – ... (risos)


R – Falámos há pouco de cláusulas de rescisão…


ED – Para mim… vale.


R – Adaptavam-se facilmente. Mas, sinceramente, acho que qualquer jogador do Sporting poderia atuar na Premier League. Se quiserem, todos eles têm qualidade para isso.


ED – Slimani e Marcos Rojo também se podem juntar ao Eric Dier na Premier League…


R – Qual o melhor treinador com o qual trabalhou?


ED – Jesualdo Ferreira


R – Essa resposta foi muito rápida…


ED – Ajudou-me muito. Já disse várias vezes que aprendi mais com ele em 6 meses do que com qualquer outro treinador em 5 anos. Foi uma experiência incrível. Falei com ele apenas uma ou duas vezes depois que ele saiu do Sporting. É professor e isso diz tudo. Aliás, acho que o Ilori e o Bruma também diriam a mesma coisa. Ajudou-nos muito, deu-nos confiança e isso fez-nos crescer. Foi muito bom para nós.


R – E o melhor jogador com o qual partilhou o balneário?


ED – O Tottenham não conta! Foi o William Carvalho, claro.


R – O que se passa com Fredy Montero? Já não marca desde dezembro de 2013, frente ao Gil Vicente…


ED – Os pontas-de-lança vivem na base da confiança que os golos transmitem. É normal que Montero não esteja tão confiante devido à situação que atravessa. No entanto, trata-se de um jogador de grande qualidade e, se continuar a fazer as mesmas coisas que tem feito, não tenho dúvidas de que vai voltar aos golos. Quando entrar o primeiro, depois entra o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, e por aí fora.


R – E o Tanaka? É mesmo goleador ou os 5 golos marcados na pré-época foram “sorte de principiante”?


ED – (risos) Passei três ou quatro semanas com ele na pré-época, por isso não posso dizer muita coisa. É um bom jogador, uma excelente pessoa e muito trabalhador. Espero que continue a marcar.


R – Ele anda sempre com um dicionário japonês-português…


ED – Sim, sim! Tem que se dar muito valor a isso! Tenho muito respeito por ele pois, logo desde início, está a tentar adaptar-se e aprender a língua. Isso é muito bom.


R – Qual foi o reforço do Sporting que mais o surpreendeu?


ED – São todos muito bons, mas não vou contar o João [Mário] como reforço! Sem faltar ao respeito a nenhum deles, só conhecia o Paulo [Oliveira] e o Geraldes. No entanto, aquele que mais me surpreendeu foi mesmo o Oriol Rosell. A mim e a toda a gente dentro do balneário.


«Central é onde estou confortável»


R – Central ou médio?


ED – Sem dúvida, central.


R – Chega de experiências, então?…


ED – (risos) Sou central desde miúdo e é a posição onde me sinto mais confortável. Mas jogo em qualquer lado.


R – Nem os elogios de Jesualdo Ferreira o fizeram mudar de ideias?


ED – Se o míster Jesualdo continuasse, se calhar até me podia ter 

transformado num médio. Acho que tenho capacidade para isso. No entanto, as coisas não seguiram esse caminho.

R – Leonardo Jardim colocou-o a médio-defensivo no dérbi com o Benfica (1-1) e as coisas não correram muito bem…


ED – O facto de o jogo ter corrido mal não me abalou absolutamente nada. Mas não correu mal só a mim. Treinei-me sempre a central e entrar para o meio-campo num jogo daqueles nunca é fácil… Não correu bem, não vale a pena esconder!


«Não vou impor metas para esta temporada»


R – Segue-se a aventura no Tottenham. Quais os objetivos imediatos? Tentar agarrar a titularidade ou crescer durante esta temporada?


ED – Não vou impor metas para esta época. Vou fazer o meu melhor, mas claro que todos os jogadores querem jogar sempre. Vou trabalhar muito para mostrar serviço ao treinador.


R – Como estão a ser os primeiros dias no Tottenham?


ED – Muito bons! Fui muito bem recebido por toda a gente. Claro que é mais fácil por ser inglês, pois falo o mesmo idioma e entendo tudo o que se passa à minha volta. Sinto-me muito bem aqui e estou a gostar muito desta primeira experiência.


R - Mauricio Pochettino já falou consigo?


D – Já falei com o míster Pochettino e com toda a sua equipa técnica. Deu-me as boas-vindas ao clube e disse-me que não havia pressão nenhuma. Disse-me, ainda, para continuar a fazer o mesmo trabalho que vinha a desenvolver no Sporting. A única coisa que me pediu foi que desse sempre o meu melhor.


R – O “fantasma” de André Villas-Boas ainda paira por White Hart Lane?


ED – (risos) Já me falaram nele por ser português. No geral, a opinião que as pessoas do Tottenham têm de André Villas-Boas é muito positiva.


R – Falaram-lhe sobre Jorge Jesus e a eliminação do Tottenham às mãos do Benfica?


ED – Não, não! Ninguém me falou em nada disso. Pelo menos por agora!


«Não há ninguém que diga que o Gauld não é bom jogador»


R – Ryan Gauld pode ter sucesso em Alvalade?


ED – Sabes que um jogador tem qualidade quando chega a um clube e os companheiros lhe reconhecem de imediato capacidades. Não há nenhuma pessoa no Sporting que diga que o Gauld não é bom jogador. Nesse sentido, não tenho dúvidas de que ele vai brilhar no Sporting. Ainda é muito novo e tem de adaptar-se a Portugal. Eu sei do que falo, pois a mim aconteceu-me o mesmo. É um excelente jogador.


R – Ele pediu-lhe ajuda nesse processo?


ED – Falámos muitas vezes. Ficámos sempre no quarto juntos. É muito determinado e tenho a certeza que vai tudo correr bem.


R – A pressão de ser o “mini-Messi” não deverá ser fácil de lidar…


ED – Mas ele não liga nada a isso. Essa questão não será, certamente, um problema para ele.


ANÁLISE AOS REFORÇOS

Geraldes
Muito bom jogador. É um defesa-direito extremamente ofensivo. Humilde e trabalhador. [Dor de cabeça para o Cédric?] Espero que sim, pois fará bem aos dois e é bom para o Sporting.

Paulo Oliveira
É um jogador jovem e isso tem importância quando falamos de centrais. É uma excelente pessoa, muito empenhado em tudo o que faz. Já provou na Liga que é um bom jogador. Tem tudo para continuar a crescer no Sporting.


Rosell
Um médio superinteligente. Lê muito bem o jogo e isso torna a vida mais fácil aos centrais. Foi o reforço que mais me surpreendeu nesta pré-temporada do Sporting.

Slavchev
Não vi tanto pois esteve lesionado durante o período em que estive no Sporting. Parece-me ser um médio muito forte fisicamente. Trabalha bem a bola e tem tendência a jogar mais apoiado.


Gauld
Muito bom tecnicamente. Inteligente na forma como aborda o jogo. [A sua frágil compleição física será um problema?] É pequeno mas muito agressivo! Além do mais, se jogou na liga escocesa, não terá problemas em Portugal.

Tanaka
Finalizador nato. Tem uma técnica evoluída e combina bem com os jogadores do meio-campo. É um jogador parecido com o Montero, pois é também muito móvel e bom tecnicamente.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Porto em 1º lugar, Benfica a querer o lugar do Sporting. Onde ficará o Sporting?

A quinze dias do inicio do campeonato quem parece estar melhor colocado para o pontapé de saída? 

Que possibilidades e responsabilidades têm cada um dos grandes, em função do que decorre do resultado do trabalho realizado na preparação da temporada é essa a proposta de análise superficial deste post. Superficial porque se refere às primeiras impressões deixadas pelas três equipas, onde o conhecimento de causa é obviamente maior no que ao Sporting se refere. E a análise limita-se ao campeonato, por ser a competição mais apetecida e também porque não faz qualquer sentido estendê-la às restantes competições quando estas

Futebol Clube do Porto
O mercado ainda não fechou e o clube da Invicta já despendeu mais de 28 milhões de euros em compras. Este valor é apenas uma parte visível do grande investimento feito, a que se deve adicionar uma subida vertiginosa dos encargos mensais com salários. Já lá vão os tempos em que se ia a Espanha comprar azeite e caramelos a bom preço. Ora quem compra como o FCP tem comprado, não apenas anuncia as suas ambições à candidatura ao titulo, contrai também grandes responsabilidades. Responsabilidades que saem ainda acrescidas pelo facto de os seus oponentes e rivais serem ou mais cautelosos (Sporting) ou estarem num acelerado e aparentemente descontrolado processo de desinvestimento (Benfica).

As grandes dúvidas que se colocam incidem sobre o trabalho do treinador, o recém-chegado Lopetegui, mais particularmente se esse trabalho conseguirá representar a cola necessária para fixar todos os "cromos" recém-chegados aos que já residentes na caderneta azul e branca. O treinador espanhol dificilmente terá atenuantes em caso ausência de resultados porque o esforço financeiro é de monta. Soará a desculpa invocar o elevado número de jogadores a integrar: essa foi a sua opção e é também por ela que terá que ser responsabilizado, assim como serão dele os louros em caso de sucesso. Não se pode negar que Lopetegui pôs muitas fichas no pano verde, porque é muito duvidoso que alguns jogadores dispensados, como, Ghilas e Josué, por exemplo, não significassem mais ou menos o mesmo que alguns forasteiros, e aqueles já nem de adaptação necessitavam.

O impacto dos primeiros resultados será determinante, o futebol raras vezes consegue segundas oportunidades. Basta lembrar o passado no Dragão para o constatar: os que ficaram e fizeram história ganharam sempre à primeira. A profunda impressão causada com a chegada de Mourinho ou Vilas Boas são ainda muito recentes na memória dos portistas e dois passes transviados num resultado a zero despertam de imediato os assobios no Dragão.

Sport Lisboa e Benfica
O já acima referido desmantelar da equipa campeã abriu o espaço à cautela, aqui e ali ao pânico, dos adeptos benfiquistas. O discurso, habitualmente pontuado pela grandiloquência, é agora substituído pela moderação, como que a querer remeter o clube vermelho ao papel de outsider, estatuto de que beneficiamos na época passada.  A poucos dias do inicio de campeonato não seria de todo surpreendente que se lhes fosse entregue a possibilidade de assegurar desde já também o que foi o nosso lugar na tabela classificativa na época transacta ouvíssemos de imediato um sonoro e aliviado: Compro!

Convém porém não esquecer a importância da continuidade de Jorge Jesus, treinador residente desde 2009. O discurso do "pobrezinho" também dificilmente se adequa: o SLB tem no seu plantel jogadores como Jara (5,5 milhões) Sidnei (5,5+2 milhões) Ola John (9 milhões) Lima (5 milhões), valores que pagariam o orçamento de um ano da SAD do Sporting. Quatro exemplos ao acaso, mas que ilustram que, só por amnésia, se pode pretender que todo o valor se sumiu.

Ainda falta ver o que o mercado trará até ao seu encerramento. Se as saídas de Enzo, Gaitan e Sálvio se confirmarem dificilmente as entradas poderão compensar os efeitos que a despressurização causada pela fuga do talento inevitavelmente provocará. Mas, os exemplos como os dados acima, ainda que de forma aleatória, demonstram que não é pelo que resta do muito dinheiro gasto nos últimos anos que o plantel ficou enxuto de qualidade. Ou então que se gastou em farelo o dinheiro que devia ser para comprar a farinha, uma avaliação que cabe sobretudo aos adeptos benfiquistas fazer.

Nós, o Sporting Clube de Portugal
Pelo orçamento não poderíamos almejar mais do que o terceiro lugar, algo que esta época que passou, e em várias outras épocas anteriores, nos encarregamos de desmentir. O grande desafio para Marco Silva é superar a eficácia da equipa de Jardim, uma vez que a sua proposta de jogo é agradável a quem vê e, na minha opinião, mais de próximo do que são as qualidades dos jogadores que tem à mão e mesmo do que era a escola na formação. Mas é um desafio de monta, muito mais difícil de dizer do que fazer, até porque, pelo se pode observar até ao momento, a vida do jovem técnico não está a ser facilitada.

Julgo estar muito próximo da consensualidade afirmar que o Sporting hoje, em comparação com a época transacta, tem uma melhor segunda linha, mas não logrou aportar a qualidade necessária para dar um grande salto qualitativo que o aproximasse dos seus rivais. Essa parece ser também a opinião tácita de Marco Silva, quando oferece a titularidade absoluta aos jogadores do ano passado. Se o Sporting parece estar mais próximo, como parece, do SLB, tal deve-se sobretudo por decréscimo deste. Fica ainda por saber o que representará a capacidade colectiva do FCP, porque quanto às individualidades estamos conversados. Este é um ponto que terá de ser determinante no momento de avaliar o trabalho do treinador. A manter-se como está o plantel, terá que ser a força colectiva a superar o que talento individual não permite. Mas é este que tende a fazer a diferença, especialmente em jogos onde impera o equilíbrio táctico.

A dúvida que está em cima da mesa é saber quem ainda poderá sair e se a essas saídas corresponderá a entrada de capital necessária para fechar o plantel com qualidade que acrescente às existências, não descurando a importância de pelo menos igualar quem saia. Tendo em conta os jogadores que despertam maior apetite a quem nos observa do exterior, a saída de Slimani e Rojo só seriam problemáticas se quem chegasse não os fizesse esquecer, o que não se me afigura tão difícil de satisfazer como perder William.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Shikabala: um rumor ou uma noticia?

O Diário de Noticias faz hoje eco de noticias difundidas em diversos jornais no Cairo, dando conta de que a retenção de Shikabala no aeroporto da capital egipcia foi tudo menos um acaso. Atendendo às paixões exacerbadas que o jogador desperta no seu país, o que também pode ser indicador do seu contrário, e levando também em linha de conta o que já havia sucedido no passado, só há duas conclusões a retirar: ou Shikabala tem "grandes amigos" entre gente com muita influência no seu país, ou então, quando chegar a Lisboa tem que dar explicações muito convincentes. Há uma terceira hipótese, caso o rumor se confirme, é ir arranjando clube que pelo menos indemnize o Sporting pelo dinheiro e tempos perdidos.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Digressão egipcia de resultado esfingico serviu para acentuar... dúvidas

Dois factores positivos nesta digressão relâmpago ao Egipto, mais propriamente a Alexandria: o prestigio de ser convidado para a comemoração do centenário do clube anfitrião, o Al Ittihad, bem como o valor do cachet, uns importantes 300 mil euros. O jogo em si não terá fornecido grandes indicações para o futuro, uma vez que o facto de Marco Silva ter optado por um misto maioritariamente constituído por um grupo de jogadores que dificilmente se encontrarão juntos em jogos a doer distorce não só as ilações a tirar do ponto de vista da movimentação colectiva como as prestações individuais. O facto de o jogo se disputar sob condições atmosféricas adversas - temperatura e humidade altas - antecedido de uma viagem, longa também não terá ajudado. Serviu no entanto o jogo um dos objectivos primordiais de uma pré-época, o de dar algum ritmo competitivo aos jogadores, o que só resulta jogando.

Muito diferente teria sido se a opção fosse a inversa, isto é, se o treinador optasse por integrar alguns jogadores que têm aparecido menos. Uma equipa com rotinas oferece um outro suporte aos jogadores que buscam uma maior integração para poderem revelar o melhor das suas qualidades, esbatendo as debilidades que a falta de adaptação e o jogo sem dinâmica colectiva acentuam. Daí que as conclusões sobre as prestações individuais que resultam da observação do jogo de Alexandria devam ser algo relativizadas. Ainda assim ficam algumas referências esparsas que, mais do que serem conclusivas, acentuam as dúvidas anteriores, que só o tempo permitirá esclarecer.

André Geraldes: As suas participações não têm sido famosas, bem antes pelo contrário. Cada vez sua participação ocorre no mesmo jogo que Esgaio acentua-se a legitimidade da pergunta: para que se gastou despendeu o valor da sua aquisição? Terá ainda muito que melhorar para a pergunta deixar de fazer sentido.

Nabbi Sarr: Não é legitimo retirar conclusões do primeiro jogo de um jogador recém-chegado, ainda por cima jogando numa equipa secundária. Algumas hesitações e posicionamento deficiente parecem indicar que está ainda verde por dentro, sendo evidente que, do ponto de vista físico, tem todas as condições para singrar. A rever.

Paulo Oliveira: Talvez a melhor observação que já li feita a este central é de que parece que a camisola lhe está a pesar. Isso e a ânsia de triunfar, o que o levará a cometer erros que não lhe eram comuns no Vitória. Ontem foi uma dessas noites.

Rosell: É o jogador em destaque do lado das aquisições. Ontem alternou o bom com a descrição, o que não deve ser alheio o facto de estar a jogar numa equipa sem rotinas.

João Mário: Um regresso que será seguramente muito útil. Uma espécie de seguro para um treinador que, no decurso de um jogo, pode ter, por necessidade,  - lesão de um colega, alteração das características do jogo,  do resultado, etc. - de mover uma peça de 10 para 6 ou até um 8. E até faz golos.

Shikabala: Um jogo de sensações mistas. Um faraó no seu país que tarda em ser um sequer um príncipe com ou sem sorte entre nós. A nota mais positiva deste jogo pareceu-me ser a tendência menos acentuada para querer fazer tudo sozinho, procurando ser mais disciplinado tacticamente, o que talvez denuncie que já ouve melhor o que Marco Silva lhe pede. Porém, a falta de entendimento com as movimentações dos colegas não o ajudaram.

Tanaka: Não se espere exuberância de Shikabala nem sequer o despontar meteórico de Montero, no ano passado, porque esse não é o seu estilo. Porém a sua eficácia tem sido o pão que muitas vezes tem dado de comer à equipa. Jogou grande parte do segundo tempo ao lado de Montero, no que pode ser uma opção para alguns jogos - ou mais do que isso? - para Marco Silva. Curiosidade para ver como se dá com as equipas fechadas e que batem em tudo o que mexe do nosso campeonato.

Slavchev: Mais uma "falta de comparência"...

Mané: Voltou mais trapalhão do que o que vimos fazer o ano passado. Talvez porque jogue mais afastado do centro, ou em movimentos que o aproximem desde a linha até ao interior, que o ano passado fez tão bem e com alguns bons resultados.

Fokobo: Não fez nada de especial, nem teve tempo para isso. Fica só como sinal de satisfação por ter prolongado a sua ligação ao clube. Não é um Rosell nem um William, mas tem muito a ganhar se, olhando para o que eles fazem, perceber que o futebol precisa de mais do que apenas força e impetuosidade. Se assim for será um jogador útil no médio prazo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Que consequências resultam para o Sporting da falência do BES? Mais perguntas que respostas

Há quase um mês, mais precisamente no passado dia 7 de Julho, começavam-se a saber os primeiros desenvolvimentos da "Crise no BES", o que me levou a escrever o post "BES: um credor em apuros pode contaminar o Sporting?. O artigo está em parte desactualizado pelo evolução dos acontecimentos, embora a sua leitura, bem como a de alguns comentários, me pareça continuar a ser pertinente. 

Não deixa de ser curioso verificar que o que então parecia ser merecedor do estatuto de uma verdade incontestável, a impossibilidade falência do banco, ser substituído no curto espaço de um mês pelo seu inverso: o BES de facto faliu. Será precisamente o aproveitamento do referido post bem como de alguns comentários que servirá para colocar as perguntas que imagino eu, muitos também ainda não saberão responder.

Como grande parte dos Sportinguistas saberá, o Sporting, no inicio da gestão de Bruno de Carvalho, concluiu um acordo de reestruturação financeira. Na sua essência, a reestruturação financeira visava restabelecer o rácio de solvabilidade do clube, com o aumento dos capitais próprios, sendo para tal determinante a integração da participada SPM na SAD do clube. Especulou-se também sobre um possível hair-cut sobre o passivo detido pelos credores - BES e BCP - o que não vi confirmado em lado nenhum, mas cuja possibilidade tanto agitou os nossos rivais... 

A fusão da SPM, detentora do Estádio José Alvalade, era também um instrumento vital para a manutenção da maioria do capital da SAD, mesmo depois da conversão das famosas VMOC's em capital. Toda a operação era também crucial para o cumprimento das normas de fair-play financeiro que a UEFA obriga. 

(Lembre-se que a fusão foi aprovada há mais de um ano pelos associados na  AG de 30 de Junho de 2013. Várias vezes foi afirmado, quer directa, quer indirectamente, que havia sido requerida a isenção de impostos, (valores próximos de 500 mil euros), ao ministério da Economia e que, essa isenção está ainda pendente.)

Nesse acordo seguramente que ficaram firmadas as condições de financiamento de tesouraria pois, ao contrário do que é o mito do papão dos bancos na blogosfera - aliás muito semelhante a outros, como os empresários, os fundos, etc. - são eles que permitem a liquidez necessária para satisfazer grande parte dos compromissos assumidos. Esta não será uma realidade exclusiva do Sporting, estende-se também aos seus rivais, com as devidas diferenças ditadas em função da especificidade de cada um dos clubes.

O Novo Banco vai continuar a assegurar os compromissos que permitem manter a liquidez de tesouraria e assim fazer face aos compromissos diários e de curto prazo?

O que vai acontecer agora à reestruturação financeira?

Ela continuará a ser possível nos mesmos termos com o Novo Banco? 

O que acontecerá agora às VMOC´s, uma vez que a sua reconversão, numa nova emissão a 12 anos, conforme prevista no plano referido, era crucial?  

O empréstimo de 68 milhões de euros, crucial para reequilíbrio financeiro, e assegurado pelo consórcio BES/BCP, continuará ser possível?

O que vai suceder com o empréstimo obrigacionista de 20 milhões, de Julho de 2011, previsto para 3 anos  4 meses, isto é, a sua maturidade, e consequente necessidade de reembolso, se verificará no próximo mês de Novembro?

O que acontecerá aos direitos detidos sobre os jogadores abaixo descriminados (a percentagem descrita é a detida pelo fundo, com a ressalva de estes serem dados relativos a 2012, não sabendo se alguma delas sofreu entretanto alterações):

Diogo Salomão - 25% 
Wilson Eduardo - 40% 
André Martins - 40%
José Lopes (Zezinho) - 10%
William Carvalho - 40%
Diego Capel - 20%
André Carrillo - 20%
Fabian Rinaudo - 15%
Diego Rubio - 15%
Carlos Chaby (Filipe) - 2,5%
Alberto Coelho (Betinho) - 5%
 
cujas percentagens dos respectivos passes pertencem ainda o Sporting Portugal Fund, gerido pela ESAF, Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário?

O que vai acontecer ao relacionamento com a Holdimo, sabendo-se o que se sabe hoje que, sendo accionista do BES, sofrerá, em principio, graves perdas, provavelmente a totalidade do valor detido em acções?

sábado, 2 de agosto de 2014

5 Violinos: o Triféu é nosso!

O Sporting conquistou o o tri no torneio "5 Violinos" vencendo todas as competições até ao momento. Esta é a primeira nota a salientar do jogo de preparação de ontem, a que soma ainda outra: até agora o Sporting conquistou todos os troféus que disputou na presente pré-época. Sendo verdade que o principal objectivos destes jogos é preparar as equipas, não o é menos afirmar que é mais fácil fazê-lo a ganhar do que a coleccionar reveses.

Obsessão pela bola 
Não sei exctamente qual é o valor do adversário de ontem, a Lázio. Mas sabendo o que se sabe da b oa organização defensiva das equipas italianas merece referência a forma como o Sporting parte para conquista da bola e no preciso momento em que a perde. E isso acontece porque se encontra quase sempre organizada e equilibrada, sem permitir grande tempo ou espaço o adversário para se organizar. Qaundo conquistou o Sporting não revelou pressa em desfazer-se dela, procurando construir o ataque com segurança e, quando assim não parecia possível, não tinha "vergonha" em voltar atrás, fazendo a bola voltar a circular desde zonas mais baixas. 

Confesso que esta filosofia me agrada, como equipa grande que é o Sporting tem que mandar no jogo (especialmente para os jogos do campeonato) e não ficar a aguardar que este lhe ofereça alguma coisa. Veremos se os adeptos do Sporting, em particular nos jogos em casa, compreendem esta ideia, especialmente quando os jogos se prolongarem sem o marcador funcionar. A paciência ou falta dela nas bancadas poderá vir a ser um factor decisivo. Outro aspecto a ter em conta para que a ideia tenha sucesso é grande disponibilidade física que implica. Veremos como reagem os jogadores quando os jogos acontecerem de 3 em 3 dias. Igualmente importante para o sucesso é o maior acerto no passe, uma vez que foram inúmeras as más entregas, por excesso ou força deficiente. A

Dúvidas para a finalização
Apesar de ter dominado o jogo e empate até poder ser interpretado como uma prenda para os convidados, esse dominio não foi traduzido em muitas oportunidades de golo e estas, quando surgiram, não foram aproveitadas como podiam ter sido. O decorrer do jogo foi construindo a ideia que falta acabar o telhado da casa no nosso futebol. Nesta altura da época é uma fragilidade que se aceita, mas parece ir-se confirmando a ideia de que é preciso mais "qualquer coisa" dos jogadores do ataque. Montero, que joga muito bem com ou sem bola,continua sem ser devidamente servido.

Certezas, ou nem por isso, na defesa
Parece também confirmar-se a ideia de que o Sporting encurtará o campo, aproximando os sectores. Isso facilita a ideia de jogo acima referida, bem como a rápidas progressões no campo, mercê da mobilidade dos jogadores do sector intermédio. Tal implica uma atenção muito particular com o alinhamento da defesa,o que ontem nem sempre foi bem conseguido, carecendo de melhor afinação. Algumas dúvidas também na eficácia dos centrais para a construção do jogo, uma vez que não parece que Marco Silva vá solicitar o lançamento directo, avinhando-se que aqueles terão muitas mais vezes as bolas nos pés. Certo é o quarteto defensivo, isto se o mercado não fizer das suas até o último dia de Agosto.

Destaques individuais
Saliência para o regresso de Patricio, como se a época não tivesse parado e sem cicatrizes do acidente brasileiro que foi a campanha no Mundial. Nota de igual tom para Rojo, e William (este já melhor do que no jogo anterior) todos ainda com poucos minutos de treino.

Nota alta para André Martins, que aos poucos vai demonstrando o seu valor aos mais cépticos. O facto de marcar golos ajuda bastante, a verdade é que este é o mesmo jogador do ano passado, a diferença está nas funções que agora desempenha. Pode-se discutir se serão as mais adequadas para as suas características, porém o facto de ter maior liberdade de acção e de estar mais voltado para a frente do jogo favorece-o.

Nota baixa para a displicência de Jefferson no lance do empate final que atirou a equipa para o desempate por grandes penalidades. A somar a actuações defensivas deficientes aqui e ali,talvez a lembrar que precisa urgentemente de correr pelo lugar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Como explicar esta angustia?

Sem Razão para  festejos na despedida de Eric Dier (foto: mais futebol)

Regressa um gajo de férias e percebe que finalmente (!) recebeu na caixa de correio a carta de renovação da Game Box. Apesar da data tardia, essa é a primeira (e ultima) boa notícia do último dia de Julho. Mais para a noite, outra “novidade”, desta feita no correio electrónico… e estoira a bomba! Ao retardador, sim, mas não deixou de ser uma bomba, cujo efeito imediato passou por anular a satisfação com que tinha recebido a primeira novidade leonina do dia.

Confirmação oficial, seguida de comunicado da SAD e as expectáveis reacções blogosféricas. Sem surpresas… O alinhamento é o de sempre e o SCP divide-se, mais uma vez, sobre qual o sentido mais justo no habitual apontar de dedos. Siga para a caminha e o retemperador descanso da jornada, que amanhã é dia de labuta. Vou tristonho para o quarto e de mãos (e dedos) nos bolsos.


Primeiro dia de trabalho. Limpar o pó da secretária foi a primeira tarefa matinal. Este limpar do pó, permitiu assentar o outro “pó” que se levantou após a venda(?) de Eric Dier: o novo Ilori, o novo Bruma, o novo… resumindo, porque a lista é extensa, o “novo velho” facto de ver partir demasiado cedo mais um dos nossos melhores valores da formação, ainda por cima, ao preço da uva mijona. Até aqui, quase todos de acordo: o preço da cláusula que ninguém conhecia é mesmo o da uva mijona. Uma coisa é certa, as direcções passam, e este “novo velho” facto, continua, persiste e mói a cachola ao comum sportinguista, ano sim, ano sim, invariavelmente. Silly é começar a desejar que um dia, a season, possa ser diferente.

Pois bem, lá fui eu, já conformado com o bye bye do inglesinho loiro, tentar perceber o desenrolar de mais este “novo velho” episódio, para também eu me juntar à festa e apontar dedos, que também sou filho de gente e tenho direito à vidinha, olha que porra!

Pois bem, lá parece que consegui encontrar o fio à meada… É conhecida a minha, chamemos-lhe “aversão” a José Eduardo Bettencourt. Quem não sabia passa agora a saber. Dito isto, e tomando como certo que a famosa cláusula de 5M€ que hoje liberta Dier do SCP teve berço quando JEB “reinava” como presidente e o puto loiro tinha acabado de fazer 16 anitos, não me parece que tal opção fosse inconcebivelmente reduzida, como agora muita gente quer fazer crer. 2010 era o ano e, na altura, o “Leão albino” assina o primeiro contrato profissional com um promissor juvenil: 5M€ de clausula de rescisão!!! Nada mau, hein? Os tempos são outros, é certo, o cacau, à luz de hoje parece muito pouco, mas assim de repente gostava de saber qual a clausula de rescisão actual (ou clausulas: está mais na moda…), se é que ela(s) existe(m), do(s) juvenil(s) mais promissor(es) do SCP… Ou até pode ser do Domingos Duarte, por exemplo, também ele central da nossa formação e que ainda ontem se sagrou vice-campeão europeu de sub-20…

Passemos para Godinho Lopes, outro, por quem não nutro especial simpatia e cuja competência ficou sobejamente ilustrada… Ora, em 2012, quando já os tambores retumbavam e as cornetas sopravam pela saída de Eric para se juntar definitivamente à sua família na Velha Albion, negociou um contrato de renovação e fez regressar o puto duma experiência no Everton. Foi bem sucedido no intento, mas o bom do Jeremy Dier não deixa cair a clausula… Do mal menor, segurou a promessa no plantel, que muito jeito viria a dar a Jesualdo, e segundo creio, recuperou 50% do seu passe… Olha se o GL não recupera essa percentagem… a pechincha de hoje, seria ainda mais… mijona.

E chegamos à actual direcção, liderada pelo Bruno de Carvalho, que tem uma espécie de fanzine blogosférica espectacular mas da qual dispenso de fazer parte. Pois bem, esteve 16 meses para resolver o que faltava resolver, ou seja, renovar novo contrato com um Eric Dier que mostrava ser certeza (mais que provável aposta de Marco Silva já na época que se apresta a iniciar), e tentar anular a tal cláusula de rescisão que um seu antecessor tinha feito e outro mais recentemente mantido. A verdade é que não conseguiu nem uma coisa, nem outra e não pôde contra a “repentina” gulodice londrina.

Ora perante isto, a quem devo eu apontar o dedo? Ao JEB? Não creio, o moço era juvenil quando a clausula se definiu; Ao GL que apesar de renovar não conseguiu retirar a cláusula de 5M€? Recordo que ainda assim recuperou uma percentagem nada negligenciável do seu passe; Ou a BdC, que segundo o seu próprio comunicado, foi apanhado de calças na mão com a aquisição do Totenham e sem que pudesse fazer mais nada?


Deixo ao critério do leitor. Resumindo, a cláusula teve início com JEB, mas nem GL nem BdC conseguiram convencer o jogador a retirá-la posteriormente. Eu por mim, ou atiro calhoadas aos 3 (aumentando as calibragens com o decorrer do tempo, dos presidentes e à medida que Dier se afirmava), ou, então, olha… armo-me em tipo simpático, encolho os ombros, angustiadamente resignado, e não procuro nem pedras nem aponto o dedo a ninguém… Nesta situação opto pela segunda hipótese e aguardo pelo próximo talento a ir  às malvas (ainda nesta ou na próxima época?) … Fazem-se apostas: Matheus Pereira?...



No fim de tudo isto, o pior, o que realmente me incomoda, o que fica entranhado é mais um rol de patranhas do Sr. Presidente… ao tentar fazer de parvos os sócios e adeptos do SCP. Já para não falar do tom utilizado no comunicado a desculpabilizar a sua impotência enquanto sugere aos dedos impiedosos da sua fanzine que direcções deve apontar. Enfim, o sacudir do capote típico nele. É feio. Fica mal. Não gosto. E, como se não bastasse ver-me conformado com a incontornável e sistemática saída dos nossos putos mais valorosos, ano sim, ano sim, ainda me deparo com mais uma aldrabice pegada presidencial, para reforço da minha angústia.

Saída de Eric Dier: a incompetência, as mentiras piedosas, as contradições e o que é para inglês ver

O desfecho da relação de Eric Dier com o Sporting surpreendeu-me. Já havia percebido que Dier ia sair, porque desde o ano passado se havia começado a construir em redor do jogador e do seu pai e representante uma novela mexicana que fazia supor o que agora sucedeu. Contudo, a aparição do "documento dos 5 milhões", foi um twist cénico que fugiu até às imaginações mais férteis.

A incompetência
O futebol é jogado maioritariamente com os pés e também com a cabeça nos relvados. Mas, muito do que aí acontece, é jogado nos bastidores na cabeça de quem toma as decisões. Se o referido documento existe de facto, a única conclusão a tirar é que quem o permitiu usou os pés para decidir. Na verdade, uma cláusula de 5 milhões com validade para Inglaterra, para um jogador inglês com o potencial de Dier, não é uma cláusula, é um chamariz para clubes ingleses e um atestado de incompetência para quem a aceitou.

As mentira piedosas
Lido e relido o comunicado que o Sporting, SAD emitiu há várias conclusões a retirar. A principal das quais é que a SAD sai fragilizada pelo que a respectiva redacção demonstra: ou está a faltar à verdade ou não foi competente. Declarar-se surpreendida por uma cláusula existente no contrato de um jogador seu quando se aprestava para o renegociar junto do seu representante não é muito abonatório da competência de uma organização. Desconhecê-la quando a referida cláusula já havia sido referida numa noticia de há um ano (a do DN) é no mínimo estranho. Que eu, um mero adepto, não lhe tenha atribuído importância, parece-me aceitável. Que a SAD o desconhecesse passado um ano, já não. A outra hipótese, de a SAD do Sporting mentir de forma deliberada num comunicado oficial, também não é melhor do que a anterior.

Admitindo como verdade que a referida cláusula existe, o que neste momento é a parte da história em que prefiro acreditar, e que ela tem  carácter mandatório irrevogável, deve-se assinalar que quem a pretendesse revogar ou renegociar teria uma tarefa de difícil sucesso. A cláusula funcionaria para o jogador como um seguro de vida, ou um salvo conduto, sempre que a permanência no Sporting lhe deixasse de interessar, o que deve ser considerado agora. A sua referência agora, ao jeito de surpresa, no limite permite disfarçar as responsabilidades de quem a deveria conhecer e teve 18 meses para fazer reverter. Se assim for, tal seria uma mentira piedosa sem necessidade, uma vez que, como referi acima, dificilmente alguém no seu perfeito juízo abriria mão dela sem uma boa contrapartida.

O que é importante perceber é porque deixou Dier de querer continuar no Sporting (entrevista de há um ano). Dier já havia rejeitado no passado propostas  muito superiores de outras paragens em favor de continuar a sua evolução no Sporting. O que o levou a agora a mudar de ideias é que deveria ser objecto de reflexão para os Sportinguistas, ao invés de invocar as tradicionais ladainhas ou diabolizações de carácter  sempre que fenómenos como este sucedem. (Dier, Bruma, Ilori  para falar nos mais recentes. Dificilmente o Sporting conseguirá juntar numa geração tantos bons jogadores no futuro e perdê-los quase todos de uma assentada.)  É óbvio que o Sporting não pode competir pelo dinheiro e sempre que deixar que esse passe a ser o horizonte mais palpável para um jogador o Sporting perde argumentos. 

No caso concreto do Dier, quem viu de fora a última época, dificilmente descortina um ambiente propicio à sua evolução, como o próprio pai fez questão de vincar, após uma época em jogou muito pouco. A contratação de defesas centrais em série - Maurício, Sousa, Matias Perez, Paulo Oliveira, Sarr, Rabia são sinais evidentes de falta de confiança nos que já estão. Permitem também a suspeita de que a SAD do Sporting já estava a preparar o actual cenário. Perante a possibilidade de ficar mais um ano entre a equipa A e B, a receber pouco parece-me natural que Dier aceite o risco de fazer o mesmo em Londres, sendo muito melhor remunerado. Conquistando a titularidade sai-lhe a sorte grande e avança várias casas na sua afirmação como jogador.

Naturalmente que alguns adeptos preferem acomodar a realidade à forma que mais lhes convém. Mais do que implicações práticas imediatamente contabilizáveis -  Dier não era titular - a saída do jogador constitui um duro revés para o orgulho dos Sportinguistas, ao ver um jogador com o potencial de Dier sair por tão pouco dinheiro. 

Mas não sai apenas um jogador que pode chegar longe no futebol. A possibilidade de chegar até à selecção do seu país continuará a falar alto pela qualidade da formação do Sporting, embora já de forma deferida. Mas Dier não é apenas um potencial jogador de selecção inglesa, era já o melhor central que o clube detinha sem que disso tenha tirado grande proveito. A sua saída torna ainda mais difícil a saída de Rojo, ou pelo menos altamente desaconselhável. E, face ao que fica à disposição de Marco Silva, é uma mentira piedosa acreditar que a saída nos será indiferente no imediato.

As contradições
Este desfecho é também um manancial de contradições. O Sporting diz que, no decorrer do presente mês, encetou negociações com o representante do jogador, o seu pai. Este, há pouco diz havia dado conta de que o jogador se encontrava feliz no clube e que não havia negociações. Bruno de Carvalho dizia há dias que não tinha propostas por jogadores para a noticia da saída de Dier ser confirmada no dia seguinte. 

Alguém está a faltar à verdade, obviamente. Admitindo, como me convém, que seja o Sporting a falar verdade, realço a forma célere como tudo se resolveu, sem que o Sporting parecesse interessado em fazer muito mais. A ainda não anunciada oficialmente contratação de Rábia, mas já conhecida há mais de uma semana, levam contudo a supor que o Sporting estava há muito sabedor deste desfecho, querendo rapidamente resolver a situação, para que a saída de Dier ficasse consumada antes do dia de hoje, dia da apresentação da equipa.

Para inglês ver
Fica-se assim sem saber quais destas declarações - do pai  e do clube - são para inglês ver. E os adeptos aprestar-se-ão a acreditar no que lhes for mais conveniente. Igualmente para "inglês ver" é atribuir a todas as saídas recentes de jogadores talentosos da nosso formação a falhas de carácter, ao apreço preferencial pelo dinheiro. Por alguma razão os clubes que pescam na nossa formação não vêm buscar o Maurício, o  Sousa o Matias Perez e outros cuja a contratação é sempre mais fácil para nós do que renovar com Dier, Illori e Bruma. É o talento que estes possuem que os ingleses vêm e preferem e é esse talento que lhes dá a margem negocial que os demais não possuem. 

O resto - as diabolizações do jogador e do seu representante - são confissões de impotência, mau perder e elas sim, reveladores de mau carácter, por não respeitarem um percurso até agora exemplar de um jogador que sempre deu a sua preferência ao Sporting. 

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