No fundo do poço...

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, 0 – Brondby I. F., 2
Daniel Carriço tinha dado o mote. A resposta ao mau arranque no campeonato seria dado hoje, na Liga Europa, em pleno Estádio José de Alvalade. Por isso, afirmava na conferência de imprensa: “apareçam, venham apoiar-nos”, deixando implícita que a resposta da nossa equipa seria do agrado dos sportinguistas. Mas os sportinguistas andam desconfiados e foram poucos os que aceitaram o repto do jovem capitão.
Restava saber se ao discurso habitual haveria correspondência prática, no rectângulo do verde cesped (que saudades de Acosta)… Mas não, infelizmente, palavras leva-as o vento e a apregoada ‘sede’ de vitória estatelou-se no fundo de um poço…
Este Sporting de Paulo Sérgio é uma caricatura de equipa de futebol. Parece que hoje jogou em 4-4-2 losango pela primeira vez nesta época, mas a bem dizer, cada vez é mais complicado perceber a disposição que Paulo Sérgio pretende impor à equipa no terreno: quando ataca surge sem homens suficientes à frente e quando defende nunca transmite a ideia de ter homens suficientes…atrás. Dois bons exemplos desta ‘coerente’ desorganização e permanente desequilíbrio ficam demonstrados em duas jogadas da primeira parte. A primeira quando aos 23 minutos, João Pereira rompe pela direita isolado por Liedson. Com pouco ângulo, a melhor decisão seria assistir um colega que surgisse na área, mas depara-se com o vazio absoluto. Assim restou-lhe o remate… Acertou no lado errado das redes da baliza. Mas o exemplo mais cruel resulta do primeiro golo dos dinamarqueses: quarenta e três minutos de jogo, nova saída rápida para o ataque pelo flanco esquerdo, passe a rasgar para o flanco contrário onde surge Kristiansen com tempo e espaço para fazer tudo aquilo que lhe apetecesse. Podia desmarcar dois (DOIS!) colegas isolados no centro da grande área, podia isolar um colega que entrou na área, veloz, pela sua direita, mas ele, guloso, aproveitou as facilidades e rematou para golo. Sem qualquer oposição.
Antes já Carriço obrigara a boa defesa do guardião do Brondby no seguimento de um bom cabeceamento, mas também é verdade que o Brondby já ameaçara… Apesar de sofrer o golo em cima do intervalo o Sporting arranjou tempo para reagir, mas voltou para as cabines a maldizer a famosa alergia aos golos de Hélder Postiga.
Se a primeira parte acabou com a aversão de Postiga, a segunda iniciou com a já conhecida propensão de João Pereira para refilar, valendo-lhe o primeiro cartão amarelo. Seria o primeiro sinal do nervosismo do Sporting, que pagaria caro pouco depois ao sofrer o segundo golo. Até o Jallow deles marca…
Paulo Sérgio muda. Troca Matias e Postiga por Simon e Yanick. A equipa melhora, procura o golo que esteve quase a surgir: Liedson remata à barra em pontapé de bicicleta; Nuno André Coelho acerta no poste; Vuk no guarda-redes. Cinco minutinhos a tentar sacar alguma água que nos saciasse a sede! Não deu. Caímos no poço bem fundo, bem seco. Agora resta aguardar para ver se há forças suficientes para trepar e sair do buraco onde nos enfiamos. A sede de vitórias aumenta. A luzinha da Liga Europa nota-se sumida, lá bem ao cimo, lá bem longínqua. Costuma chover em Agosto na Dinamarca?























