segunda-feira, 7 de julho de 2014

Suspensão de sócios - Revolta na Academia - A informação e o custo de Gauld - O sorteio

Para o post de hoje elegi quatro temas que decorrem ainda do fim-de-semana, tempo que me  imponho de relativo afastamento das inúmeras plataformas digitais, de forma a produzir o necessário descanso e distanciamento. Apesar de já imensamente discutidas nos diversos fóruns, a sua menção aqui permite-me o registo dos temas, que me parecem importantes, e da minha opinião sobre os mesmos.

Suspensão de sócios
Não é muito comum a acção disciplinar sobre sócios, pelo que o caso teria sempre que suscitar algum impacto. Como todos sabem-se trata-se da conclusão de um processo disciplinar com origem nos acontecimentos ocorridos numa sessão de esclarecimento, aquando do processo que levou à queda da anterior direcção e consequentes eleições. A medida é grave como o foram os actos praticados. Tivessem os anteriores órgãos disciplinares actuado nas muitas vezes em que actos de gravidade semelhante ou até de maior grau ocorreram e certamente que aqueles não teriam tido lugar.

O caso ficaria encerrado se a Juve Leo, de cuja organização fazem parte os visados, não viesse agora reclamar do processo que levou à sentença proferida. A ser verdade o que é afirmado no comunicado da claque, isto é, que os sentenciados não foram ouvidos no decorrer do processo, qualquer pessoa, mesmo sem o curso de direito, percebe que o processo não foi bem conduzido. Se houver apelo, facto que não estou certo de estar previsto no regulamento disciplinar, a decisão será difícil de sustentar. Se os regulamentos não o previrem, restará aos visados recorrer aos tribunais civis, onde, se aqueles argumentos forem verdadeiros, a sentença será anulada. Facilmente se conclui que um acto impensado e reprovável não pode ser resolvido de forma ligeira, como parece ter sido o caso em presença e as ondas que agora novamente se levantam não indiciam nada de bom para o bom nome do clube. De tudo o que foi dito, isto parece-me o mais importante. Evitável.

Revolta na Academia
A noticia de um jornal sobre a uma pretensa revolta na Academia recebo-as em primeiro lugar com desconfiança. A forma como as noticias aparecem nos jornais estão longe de obedecer ao mero interesse jornalístico, correspondendo, bastas vezes a outras conveniências menos óbvias. No caso concreto não sei que credibilidade atribuir à noticia em causa. Ainda assim, porque o tema me é caro, aproveito para discorrer umas linhas sobre a matéria, com as declarações de Bruno de Carvalho como pano de fundo.
O presidente veio a este propósito dizer que "a formação está calmissíma", acrescentando que "não há uma via verde, pura e simplesmente, porque se é da formação." Ora é preciso que o contrário não seja verdade também. E, se é verdade que, como também disse BdC, os jovens jogadores têm de "evoluir e demonstrar que são melhores" não é menos verdade que os jogadores que chegam têm responsabilidades ainda mais acrescidas.

Creio que esta questão tem alguma premência pelo facto de, com excepção de Tanaka, os jogadores contratados até ao momento serem todos mais ou menos da mesma idade que os compõem a equipa B, acrescendo o facto de terem origem, Tanaka incluído, em campeonatos emergentes, de valor inferior ao nosso. Sem colocar em causa à priori o valor dos contratados, este será com certeza um factor que acrescerá na apreciação do acerto da sua contratação. Se, com as características acima descritas, muitos deles não conseguirem ser as mais valias pretendidas, não passando do banco ou da bancada, esta questão voltará com intensidade redobrada.

Uma nota final neste ponto. Muito se falou do valor de Gauld, quase todo ele baseado num único vídeo. E se o jogador que acabássemos de contratar fosse este?


A informação e o custo de Gauld
Bruno de Carvalho insurgiu-se também contra "os disparates que foram escritos" a propósito da contratação de Gauld. Obviamente que tudo isto não aconteceria se o Sporting divulgasse os valores da transferência. Uma informação que se tornará obrigatória no relatório e contas trimestral e que este adiamento, até prova do contrário, ao invés de favorecer o clube, permite a especulação que, como o próprio presidente dá a entender, é aproveitada por terceiros para prejudicar o clube. O mesmo se poderia dizer da falta de comunicação do despedimento (?) de Abel, da sua substituição por Barão, sendo os Sportinguistas confrontados com a noticia no Record.

Sorteio
Não fazem muito sentido as declarações de ocasião dando a entender que o calendário não importa, uma vez que todos têm que jogar com todos, etc, etc. Grande parte do destino do campeonato fica decidido no seu primeiro terço. Não tanto o campeão mas sim a performance competitiva das equipas, sendo muito raro, para os lugares que o Sporting disputa, assistir a recuperações depois de falhanços iniciais. Os últimos anos têm até acentuado a tendência que, nos lugares da frente, duas ou três jornadas consecutivas a perder pontos arredam uma equipa do título.

O sorteio deste ano foi algo semelhante ao do ano passado, as duas primeiras jornadas diferem apenas nos locais onde se disputam. Nesse sentido, não se pode dizer que tenha sido particularmente agreste para os nossos interesses. Os jogos mais difíceis não são seguidos, permitindo por exemplo, e em teoria, que um mau resultado não se some a outro.

Mas as candidaturas e favoritismos afirmam-se nas quatro linhas. Não me parece, ao contrário do que ontem afirmou Inácio, que o Sporting parta na pole-position. Esta afirmação não só não faz qualquer sentido, levando em linha de conta os meios e os plantéis dos adversários, como não me parece ser a melhor estratégia. Grande parte do bom desempenho da época passada nasceu da desobrigação de fazer tanto como os principais rivais.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Equipa B: Abel foi de carrinho!

A saída de Abel Ferreira é já um facto consumado e antes de me alargar em mais considerações fica o meu repúdio pelo acto e pela forma como os Sportinguistas tomaram conhecimento.

O acto
O Sporting está obrigado a fazer melhor do que comportamento que teve para com Abel ou com qualquer outro profissional. Deixá-lo orientar o primeiro treino e despedi-lo no segundo é reprovável. Isto depois de um interregno de praticamente dois meses para tomar decisões! Fazê-lo a um profissional com oito anos de casa é-o ainda mais.

A noticia
Saber a noticia pelo Record (sim, leram bem), sem que até ao momento haja qualquer nota oficial do clube no site ou por qualquer outro meio é, no mínimo, desagradável.

Morte anunciada
Há muito que Abel já tinha caído. Tinha-se percebido isso na recente entrevista de Litos, a dar conta do convite do Sporting e da respectiva nega. Isto com Abel sob contrato, o que torna este processo ainda menos edificante para o nome do Sporting.

O que se quer para e da equipa B?
(i) Com três treinadores em três anos
(ii) Com um corrupio constante de jogadores a entrar e a sair, 
(iii) Sem nenhum jogador a ser promovido directamente à equipa principal este ano, 
(iv) Com jogadores de curriculum, origem e trajectos inferiores a serem incorporados, sem que a sua acção em campo justifique a preferência, 
é caso para perguntar o que se pretende para a equipa B.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Um conselho sobre Ryan Gauld, "o pequeno Messi"? Esqueçam-no!

Gauld Rush
A contratação de Ryan Gauld  provocou enorme agitação quer entre os Sportinguistas, quer no seio da comunicação social de ambos os países, chegando mesmo a ter honras de noticia fora do espaço circunscrito aos dois países. Uma surpresa, cujas repercussões da sua chegada aqui se tentará analisar.

A pergunta que todos fazem: o que viu o Sporting neste miúdo praticamente sem provas dadas, ao ponto de, a actual administração, fazer o seu mais vultuoso investimento até ao momento? 

Talento, seguramente. Embora o futebol se faça maioritariamente sem ele, o talento representa a capacidade diferenciadora e é a sua busca que motiva os movimentos mais ousados e o dispêndio mais oneroso no futebol actual. É por isso também, por causa do talento (e da falta dele), que se coleccionam as maiores alegrias e os maiores desgostos.

O caso de Ryan Gauld é sério: não fizeram por menos, podiam ter começado pela comparação com um conterrâneo, por sinal também pequeno e talentoso: Gordon Strachan. Não, apontaram logo para uma das estrelas mais brilhantes do céu futebolístico, Leonel Messi.

O cemitério do futebol está cheio de novos "qualquer coisa"
A pior coisa que se pode fazer a um jovem jogador é colar-lhe o epíteto de "novo Messi", "novo Ronaldo", novo "qualquer coisa". As comparações inevitáveis são injustas e afunilam as possibilidades de fazer o seu caminho. Os grandes jogadores escrevem o seu próprio nome nos passeios da fama das avenidas do futebol, os outros tentam ser como eles. Seria hoje Messi quem é se, quando apareceu, lhe chamassem o "novo Maradona"? Ou a Ronaldo "o novo Eusébio"? E perceber a injustiça da comparações é lembrar que estamos a comparar um jogador que apenas dá os primeiros passos com um dos melhores de sempre da história do futebol. Mal comparado, é o mesmo que dizer que um miúdo que aprendeu a escrever é o "novo Pessoa"! Quantos não conhecemos já assim e de que hoje não ouvimos sequer falar?

O risco é minha profissão
Uma percentagem muito elevada dos comentários sobre o acerto ou equívoco da contratação de Ryan Gauld não merecem qualquer crédito. É impossível fundar um juízo positivo ou negativo sobre um jogador que nunca se viu jogar, aqui se incluindo os que dão a sua opinião baseada na observação de vídeos. 

A única garantia na aquisição de um qualquer jogador é um certo grau de risco, que no caso de Gauld é elevado. À sua idade, com poucas provas dadas, junta-se o seu físico, a chegada a uma nova realidade (país, cidade, futebol, clube, métodos de treino) e sobretudo o preço pago e a fama já carimbada em alcunha que o precede. 

Garantias 
Todo o investimento de risco deveria ter garantias. No futebol, dada a sua imprevisibilidade e aleatoriedade, elas não existem. Há no entanto o conforto vago nas palavras de quem o conhece os jogadores e na aposta de quem os contrata. 

Começando pelo fim, o risco assumido pela administração da SAD certamente que foi ponderado. À possibilidade de falhar e os danos consequentes para a sua credibilidade sobrepôs-se a apreciação do valor do jogador, que deve ter resultado de observações aturadas. É seguramente um acto de fé, mas terá que ser mais do que apenas isso.

Do lado de quem o conhece destaco duas opiniões: a do seu treinador e a de Helena Costa, a treinadora portuguesa que ficou famosa pela sua passagem meteórica pelo futebol francês. Às suas aptidões (treinadora e scouter do Celtic) junta maior distanciamento relativamente ao jogador e o conhecimento especifico do futebol português, que certamente falta a Jack McNamara, o antigo treinador de Gauld.

Jack McNamara: "O Ryan irá com toda a certeza ser uma das maiores estrelas da nossa selecção, não tenho dúvidas nenhumas. Tive sorte de, na minha carreira, treinar bons jovens jogadores, mas nenhum como ele. Tu olhas para ele e parece que estás a olhar para um "copinho de leite" mas ele voa sobre os mais impetuosos "tackles", aventura-se na molhada para cabecear, e parece ficar todos dias mais rápido e forte."

Helena Costa: "É um jogador bastante criativo, de baixa estatura, com boa visão de passe e muito forte no um para um. Parece-me uma boa contratação para o Sporting. É muito rápido, ágil e imprevisível mas o Messi é de outro planeta, há aqui algum exagero na comparação"

O que esperar da chegada de Gauld?
Pouco, quase nada. Contrariar a expectativa, esquecer a alcunha, o preço pago, é a melhor forma de ajudar ao sucesso de Ryan Gauld. É esse o meu conselho, que é de borla, uma vez que ninguém o solicitou. Mas parece-me o mais ajustado à realidade. Gauld pode até ser excepcional e disso dar provas no imediato, mas o mais natural e expectável é que seja um investimento para o futuro, para aparecer na plenitude dos seus recursos daqui a dois, três anos, correndo bem. Não mais nem menos que a bitola de exigência que devemos ter para com os miúdos da nossa formação com a mesma idade.

Que impacto na Formação?
Não sou um dogmático no que diz respeito à formação. O Sporting, ou qualquer clube que tenha da sua formação uma visão estratégica, não se pode auto-limitar a esperar pelos jogadores que forma ou lhe aparecem em Alcochete. A prospecção, de jogadores de qualquer idade, é um factor decisivo para conseguir os melhores jogadores pelo melhor preço. 

Mas, na chegada de Ryan Gauld, há uma implicação directa que não pode deixar de ser contemplada:

O êxito do jogador torna-se de necessário a imprescindível para justificar o dispêndio e o tratamento de privilégio que lhe está a ser concedido: entrar para o plantel principal de caras com um contrato seguramente melhor do que os demais. De outra forma está-se a dizer aos jogadores da formação que, para lhes ser proporcionado o mesmo prémio, eles não só têm que ser muito melhores, como ainda por cima têm de receber menos.

Não menos importante é a constatação da dificuldade que o Sporting denota em conservar os seus melhores talentos até poder deles retirar o proveito que devia. Uma dificuldade que não é nova, mas que se acentuou nos últimos tempos com as partidas de Bruma e Ilori, as dificuldades na afirmação de Dier, a recente nega com Matheus Pereira. Nomes a juntar a Braima Candé, Moreto Cassamá, Idrisa Sambú, Ricardo Tavares que não são sequer a totalidade de jogadores internacionais ou com valor que o Sporting viu voar num ano para outras paragens.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Gala Honoris Sporting, a transmissão e ainda os equipamentos

Uma breve resenha sobre a Gala Honoris, a transmissão e os equipamentos, uma vez que a hora tardia a que terminou não dá tempo para muito mais.
I Gala Honoris Sporting
Antes da apreciação à Gala a minha opinião sobre o conceito. 

O facto de não ser apreciador de galas ou de forma mais genérica de cerimónias de carácter vincadamente formal não obsta a que as entenda necessárias. O Sporting passar a instituir uma organização do género para celebração do seu aniversário, fazendo da ocasião um momento de exaltação do nome e legado do clube, aproveitar o ensejo para premiar os que, pelo seu trajecto, se destacaram dos demais, chamando a si também parceiros e instituições não me provoca qualquer rejeição. Já cerimónias de vão de escada para celebrar a passagem do aniversário ou homenagear sócios com meio século de ligação ao clube é que me parecem desajustadas.

Mas reservar para este tipo de eventos fechados - apresentação da NOSSA camisola - acontecimentos que devem estar abertos a generalidade de quem queira e não apenas de quem possa aceder é, quanto a mim, um erro. Ao contrário do que tanto se pretende difundir, em particular os nossos rivais, o Sporting é um clube com raízes e implantação popular, o fervor clubistico alimenta-se destes momentos de presença maciça e não tanto em ambientes restritivos - o preço, as férias, a conjuntura, tempo de renovação de GB's limitam o acesso à maioria - onde a etiqueta e o protocolo imperam.

Quanto à Gala propriamente dita pareceu-me, dentro do que o género impõe, bem organizada, quiçá um pouco longa. Mas quem vai a este tipo de eventos tem de estar preparado para isso. Tem tudo para ser um sucesso, ainda por cima se atendermos ao gosto nacional, de que os Sportinguistas não parecem divergir, pelas praxes, cerimónias e oportunidades para dar uso aos dispendiosos trajes e demais adereços de ocasião. O momento alto da noite terá sido, quanto a mim, a surpreendente apresentação do novo autocarro, momento muito bem preparado.


A transmissão "televisiva"
Gorada que foi a possibilidade de juntar o aniversário do clube à emissão inaugural do canal de televisão a opção pela emissão online constituía a possibilidade de avaliar a capacidade instalada para emissões ao vivo. Era uma prova de fogo, tendo em conta as dificuldades que os inúmeros momentos mortos impunham, que me parece ter sido bem superada. 

Ainda os equipamentos
Altamente decepcionante pensar sequer na possibilidade de o equipamento principal do Sporting não contemplar os calções pretos. Espero que se tenha tratado de um problema momentâneo de fornecimento e não uma ideia para vingar. Dessa forma transformava-se o equipamento principal num semi-alternativo, uma ideia de todo infeliz. Se é razoável admitir a ideia de inovações de gosto duvidoso para a nossa tradição nos equipamentos alternativos, a ideia de invenções no equipamento principal desgosta-me. As comparações com clubes menores, por mais respeitáveis que sejam e alguns até não o são, são óbvias e inevitáveis.

terça-feira, 1 de julho de 2014

As novas camisolas, o que dizer?



Ao que parece são estes os novos equipamentos para a época 2014/15. As reacções não se farão esperar eu mantenho o que venho dizendo há algum tempo:

"É sempre assim em cada ano, as alterações acontecem de forma um pouco aleatória, replicando-se na generalidade das equipas fornecidas pela marca, ao arrepio de uma linha mais tradicional, que seria mais consensual, mesmo tendo em conta que estamos a falar do Sporting. Trata-se de uma concessão que a generalidade dos clubes foi fazendo em busca de maiores receitas, mesmo aqueles com imagem mais forte e globalizada. 

Confesso que as minhas camisolas preferidas são as que mantêm uma ligação mais vincada com as imagens vintage, por ser aquelas que me fazem lembrar o tempo em que fui conquistado pelo meu Sporting. O fenómeno actual de todos anos haver novo equipamento não é por isso o mais sedutor, mas compreendo-o à luz da necessidade acima identificada. O mesmo sucede com a publicidade nas camisolas, uma intromissão que todos fomos mais ou menos tolerando mas que facilmente dispensaríamos."
Dito isto a apreciação aos novos equipamentos:
Camisola principal:
Afasta-se muito do que é a imagem da primeira camisola listada conhecida - as listas parecem-me  demasiado largas falta-lhe o preto que, não tenho a certeza, parece-me obrigatório - e também da que foi usada nos últimos anos pelo que, à primeira vista a surpresa é quase um choque. Veremos como fica vestida e com os calções e meias e sobretudo no campo.

Camisola alternativa:
Em ano de Campeonato do Mundo no Brasil sê brasileiro é a reacção epidérmica. Essa semelhança óbvia pode ter bons resultados comerciais. Depois daquela camisola café-com-leite da Reebok será muito difícil dizer mal de uma camisola alternativa. A minha, sei lá se não mesmo a principal, será sempre a Stromp que, por razões regulamentares, não pode ser assim considerada, pelo menos para os jogos da UEFA.

Os primeiros passos de 108 anos de história, 108 anos de enorme orgulho!

Em 1902, por iniciativa de Francisco da Ponte e Horta Gavazzo e de seu irmão José Maria, foi fundado oSport Clube de Belas, na sequência de umas férias de Verão passadas naquela localidade, em que Eduardo Ferreira Pinto Basto e seu irmão Fernando centralizaram as atenções dos rapazes em férias, jogando a bola no pátio da Quinta do Bonjardim, propriedade dos seus avós maternos, Marqueses de Borba. As actividades do Clube não foram muitas, assinalando-se somente um grande encontro de futebol travado com um grupo de rapazes de Sintra, e disputado em 26 Agosto de 1902 nos Seteais, na presença do Rei D. Carlos, da Rainha D. Amélia e do Príncipe D. Manuel, além de vários Dignatários da Corte. O grupo de Sintra, reforçado com alguns ingleses e ainda com João e Francisco Vieira, irmão do nosso Jorge Vieira, não conseguiu vencer, tendo-se jogado duas partidas com o intervalo de 25 minutos com dois êxitos do Sport Club de Belas que marcou três golos.
O entusiasmo foi enorme, a equipa sobrevalorizada, e isso os levou a convidar, de novo, o grupo de Sintra para outro encontro, que se veio a realizar a 14 de Setembro de 1902.

Prepararam um festival desportivo e compraram valiosas medalhas que deviam ser disputadas por diversas modalidades: corridas de bicicletas, de sacos, pedestres e o jogo de futebol. Com faltas de alguns dos convocados e com o reforço que o grupo de Sintra apresentou dessa vez, o resultado foi estrondoso (14-0), e a fama de Francisco Gavazzo como guarda-redes, que o anterior encontro ainda mais vincara, foi-se por água abaixo e a verdade é que Francisco Gavazzo nunca mais quis jogar a guarda-redes!

No Museu Mundo Sporting, pode ver-se a medalha conquistada por Francisco Vieira neste encontro.

Nesse inverno, os irmãos Pinto Basto e Carlos Villar fundariam o Foot ball Club Swifts, que a partir de Janeiro de 1905 se viria a chamar Club Internacional de Foot Ball; enquanto isso, nos princípios de 1904 já a maioria dos apaniguados do Spot Club de Belas, residentes da área do Campo Grande, centrou neste Bairro o convívio, ainda que sem actividade desportiva de Clube. A ideia foi-se ampliando, os seus componentes foram cimentando a amizade e, sem solução de continuidade, só com uma mudança de 'rótulo', todos se passaram para o Campo Grande Foot-Ball Club que se fundara nesse ano, numa das habituais reuniões da Pastelaria Bijou, da Avenida da Liberdade, sob a influência dos irmãos Gavazzo, José Alvalade, Alberto Lamarão, António Felix da Costa Junior, Carlos Bom de Souza Carneiro, Eduardo Mendonça, Fernando Barbosa, José Stromp, Frederico Kohn e Carlos e Fernando Motta Marques.

O local exacto das conversas havidas para a concretização da fundação do Campo Grande Foot-Ball Club foi o quarto de Francisco Gavazzo, à data situado no belo Solar da Família Pinto da Cunha, ainda hoje existente no fim do Campo Grande, à esquina da Alameda das Linhas de Torres. O campo desportivo ficava na Quinta do Visconde de Alvalade, no Sítio das Mouras, junto à Assistência Nacional aos Tuberculosos, com serventia pelo nº 27 da Alameda das Linhas de Torres, à data, nº 12 da Alameda do Lumiar. Este campo situava-se nos terrenos que depois foram conhecidos como Lumiar-A, utilizado também pelo Grupo Desportivo 'Os 13' e pela CUF, anos mais tarde.

Este Campo Grande Foot-Ball Club tinha como sócios jovens das melhores famílias de Lisboa e funcionava, já, com algumas estruturas, pois tinha uma Direcção de que José Alvalade era o tesoureiro e Francisco Gavazzo o secretário, o qual substituído por seu irmão José, quando ele viveu em Paris. A quota mensal era de 300 reis, efectuavam-se Assembleias e as respectivas actas eram redigidas.

Como pormenor é de notar que o equipamento desportivo era o mesmo que tinham trazido do Sport Club de Belas (camisas de flanela branca, calções azuis e cinto e meias da mesma cor) mas, normalmente jogavam com qualquer camisa branca pois foram raros os encontros em que se equiparam a rigor. O Clube teve uma actividade interessante, não só no futebol como corridas e saltos (o Atletismo da época), ténis e, algumas vezes esgrima com a colaboração dos irmãos Martins, filhos do Mestre de Armas António Martins. Era, de facto, um Clube de elite cujas festas tinham requintada elegância pois reunia também os familiares dos sócios que, como se disse, pertenciam às melhores famílias lisboetas.

A última festa do Campo Grande Fott-Ball Club teve lugar em 19 Março de 1906, com atraente programa, tendo figurado na assistência nomes sonantes da Sociedade, como o Marquês de Borba, Conde da Esperança, Visconde de Maiorca e o Visconde de Alvalade. Estiveram presentes cerca de 500 pessoas! Nesta altura da vida do Clube notava-se já uma divergência de opiniões quanto à localização da Sede pois que os de Lisboa queriam que ela ficasse na Baixa e os do Campo Grande, neste local.

Igualmente se notava disparidade de critérios quanto às finalidades do Clube que os primeiros desejaram primordialmente apontar para festas sociais e os do Campo Grande para as práticas desportivas. Esta situação de efervescência deflagrou logo a seguir pois que, em 12 Abril de 1906, José Alvalade organizou um piquenique à Quinta do Correio-Mor, em Loures. A lista elaborada pelo Visconde de Alvalade não incluía os nomes da facção de Lisboa e esse foi o pretexto para que, em 13 Abril, no 1º andar das Cocheiras dos Condes de Sabrosa, à Rotunda, se tivesse realizado uma efervescente Assembleia na qual José Gavazzo, em seu nome e de seu irmão, declarou demitir-se no que foi imitado por vários dos presentes. José Alvalade secundou esta atitude e proferiu as palavras que estão na origem do Sporting 'Eu vou ter com o meu avô e ele me dará dinheiro para fazer outro Clube'.

O Visconde de Alvalade disponibilizou dinheiro e terrenos, de tal modo que em Maio nasce o Sporting Clube de Portugal. Para concretizar o seu sonho, também os jovens fundadores (José Alvalade tinha, imagine-se, 21 anos) contribuíram com as quantias que podiam. A data da Assembleia Geral na qual se elegeu a primeira Direcção foi 8 Maio de 1906 e como nota curiosa deve-se dizer que o Clube não tinha ainda, nessa data, o seu nome definido! Foi nela que José Alvalade proferiu a frase que ficou célebre: ‘Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa’. A esta frase histórica, juntou a cor verde da esperança.

Esvaziou-se, assim, o Campo Grande Foot-Ball Club, que findaria pouco depois.

Os dissidentes do Campo Grande Foot-Ball Club que acompanharam José Gavazzo e José Alvalade para o lançamento desse novo Clube, ainda que continuidade, afinal, do Sport Club de Belas e do Campo Grande Foot-Ball Club, que se extinguiram, foram 17, completando assim os 19 futuros 'leões':

 José Alfredo Holtreman Roquette (José Alvalade) 
 José Maria da Ponte e Horta Gavazzo
 Frederico Seguro Ferreira 
 Alfredo Augusto das Neves Holtreman (Visconde de Alvalade) 
 Fernando Soares Cardoso Barbosa
 José Stromp
 Henrique d’ Almeida Leite Júnior 
 John Henrique Scarlett
 Eduardo Francisco Quintela de Mendonça
 Afonso Botelho
 António Stromp
 Augusto Barjona de Freitas
 Augusto Carlos Cruz Seguro
 Francisco da Ponte e Horta Gavazzo
 Francisco Stromp
 Sérgio Rolin Geraldes Barba
 José Seguro Borges de Castro
 José Cordeiro Ferreira Roquette
 João Serrão de Moura

Só na Assembleia Geral de 1 Julho de 1906 ficou firmada a designação de Sporting Club de Portugal, embora José Alvalade preferisse Grande Sporting Club de Portugal.

Temos pois presente de que estas duas datas são históricas no Clube pois que se a fundação é de facto, em 8 Maio de 1906 a existência do Sporting Club de Portugal é de 1 Julho de 1906.

E assim se viveu até 1920, ano em que, numa Assembleia Geral para reforço dos Estatutos, António Nunes Soares Júnior propôs, e por maioria foi aprovado, que se considerasse como data da fundação 1 Julho de 1906, na rigorosa defesa da verdade, que não se encontra em grande parte de outros clubes desportivos, cujos dirigentes foram recuar a data da fundação dos seus clubes a pretexto das mais paradoxais descobertas das origens.

A história tem vindo a dar razão a José Alvalade, e os dirigentes que se seguiram tudo têm feito para preservar não só esse seu desejo, mas sobretudo consegui-lo através dos princípios e valores constantes nos primeiros Estatutos do clube, em 1907.

O Sporting Clube de Portugal de hoje, mais de um século depois da sua fundação, honra as suas origens, sendo uma fortíssima potência desportiva nacional, a quem o país muito deve, não só na razão dos títulos internacionais conquistados, mas pelo seu ecletismo e excelência dos seus praticantes, sendo um clube conhecido e respeitado na Europa e no Mundo."

(in site do clube)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Tanaka do Japão e outras novelas deste verão


Junya Tanaka
Junya Tanaka foi ontem confirmado como jogador do Sporting, assinando um compromisso válido para os próximos cinco anos. Tanaka tem 26 anos, tem uma internacionalização pelo Japão e, embora os números não tenham tido divulgação oficial, estima-se que a operação tenha rondado valores entre os 500 mil e os 700 mil euros. Mais informações sobre o perfil do jogador podem ser lidos no post da semana passada "a contratação de Tanaka".

Sobre o valor do jogador nada a dizer, atendendo ao profundo desconhecimento geral do futebol nipónico, mesmo atendendo a que alguns dos seus jogadores já alinham em alguns dos melhores campeonatos europeus. A ideia de que se trata apenas de uma jogada de marketing semelhante à de Sunil Chhetri não me parece fazer sentido, tendo em conta a diferença de valor entre o futebol praticado nos dois países. Enquanto na Índia o futebol ainda dá os primeiros passos, o Japão tem competições organizadas há muito tempo, o pais já co-organizou  um campeonato do Mundo e a sua selecção tem presenças no evento mais importante de selecções. Dificilmente se poderá enquadrar esta contratação numa óptica experimental meramente comercial e os valores envolvidos são também um forte indicio: superam o que foi pago por Slimani.

Algumas reservas à extensão do contrato (5 anos) para um jogador que se apresta para completar 27 anos esta semana, o que estende a sua ligação até aos 32 anos. O mesmo relativamente à cláusula de rescisão, ficando sem perceber o alcance pretendido com um valor tão disparatado. A menos que o objectivo seja precisamente este: o valor é tão absurdo para um desconhecido que toda a gente se interroga e enquanto o faz fala-se no Sporting e no jogador.

Sporting TV
Muitos comentários se geraram já depois do post da semana passada sobre a rábula do logótipo da Sporting TV. Alguns deles a raiar o ignóbil, diga-se, como por exemplo os que foram feitos sobrea vida pessoal de alguns elementos da equipa de redacção. O escrutínio feito às preferências clubistas foi contudo o resultado da porta deixada em aberto pela direcção quando, no processo de adjudicação do outsourcing do dossier da comunicação. O que me parece decisivo na escolha de um profissional não deve ser o facto de aquele ser ou não Sportinguista, embora seja óbvio que a peneira deva começar a ser usada aí, tendo em conta que os há no mercado e, alguns deles, excelentemente reputados. O que me parece ser de evitar são profissionais com passado dúbio no que à qualidade diz respeito, ou marcados por uma ligação a clubes rivais. Isso sim seria intolerável. Da equipa já divulgada o Diogo Beja, a Rita Matos, o Fernando Correia e o Nuno Graça Dias são os nomes que conheço e qualquer um deles de Sportinguismo inquestionável. Uns com carreiras mais curtas, outros mais longas, mas qualquer um deles são nomes sólidos que me parecem boas escolhas. 

A outro nível está o adiantamento das emissões. O facto de a emissão não poder arrancar no dia 1 - amanhã - é um revés, mas não um revés decisivo, um mero contratempo, mesmo que algo embaraçoso para imagem do clube, que havia assumido publicamente que as emissões arrancariam a amanhã, por ocasião do aniversário do clube. Por mais necessário que se entenda ser a televisão não foi a sua falta que obstou a que o clube complete 108 anos de história e muitos deles de Glória para o clube e para Portugal. 

Grande parte das reacções que vi ao adiamento são "corporativas", alijando responsabilidades à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Esta contudo parece estar muito segura da sua posição quando remete para os Corpos Sociais quaisquer reacção afirmando que "não comenta" em que fase está o processo e muito menos a carta que escreveu ao clube, adiantando que "enquanto os responsáveis do clube não falarem, não serei a revelar o conteúdo da mesma". 

O Sporting porém, no seu comunicado, escolhe uma posição defensiva, evitando qualquer responsabilização da entidade reguladora, o que é sintomático. 

Alguém acha que o comunicado seria este se o Sporting suspeitasse sequer de tratamento desigual ou de negligência?

E o comunicado não explica porque divulgou o inicio das emissões para o dia 1, amanhã, quando só apresentou na passada quarta-feira, dia 25, o pedido para inicio das emissões experimentais, desconhecendo se estas seriam autorizadas ou não. (i) Porque o fez, (ii) quem é a World Channel, (iii) que responsabilidades lhe podem ser assacadas neste embaraçoso contratempo, (iv) quanto tempo demorará até que as emissões sejam possíveis, são algumas questões a carecer outra resposta que um mero comunicado anódino não realiza.

William Carvalho, parte 9859834, prodígio turco, Carrizo, Jonathan Silva, novo Balloteli e, sem terminar, já estou quase a ficar sem fôlego
William Carvalho, Slimani e Patricio merecerão provavelmente um post próprio, atendendo à sua especificidade. O primeiro apenas para dizer que há noticias que avançam a estadia em Lisboa de uma delegação do Manchester United para o contratar. Esta seria de facto uma noticia, pois as anteriores são meros rumores. Porém não há confirmação oficial e os rumores continuam, avançando que o jogador até vai para o Chelsea. Vamos ter que esperar, não é?

Sobre os restantes, o simples facto de ser noticiado o interesse do Sporting diminui a possibilidade de êxito. Os valores que o Sporting pode pagar pelas respectivas aquisições são passíveis de ser suportados por centenas de clubes pelo Mundo fora, pelo que o dinheiro não será de todo determinante. O prestigio do clube, as competições onde se inscreve serão factores relevantes na hora de escolher porque, neste estrato onde o Sporting concorre nem todos têm tanto para oferecer.

Mas quando as noticias terminam afirmando que o clube X da Premier League ou Y da La Liga também está interessada no jogador o meu interesse no seguimento da respectiva novela desaparece. Aliás, se estivesse inscrito logo no inicio da noticia nem teria completado a respectiva leitura.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Paulo Bento (e com ele, muitos) parece não ter aprendido com o Sporting



As razões de Paulo Bento
O que leva um homem experimentado como Paulo Bento, com décadas nas pernas e na cabeça a lembrar-lhe que no futebol não há "amanhãs" a proferir a frase infeliz que proferiu, o tal " aconteça o que acontecer, não me demito"? 

Infeliz por que aconteceram já demasiadas coisas para o seu trabalho se poder furtar a uma avaliação aberta a qualquer decisão. E porque, infelizmente, a equipa que comanda tem dado de si mesma uma imagem de confrangedora e inesperada fragilidade - trata-se de um grupo em que a opção pela experiência sacrificou outras opções - está longe de dar garantias de o resultado do último jogo deste Mundial não faça recrudescer entre o público as ganas de o ver pelas costas.

A resposta à pergunta formulada no primeiro parágrafo parece-me justificar-se em duas razões: a questão da sua continuidade foi aberta no dia anterior por um superior hierárquico, o vice Humberto Coelho. E com demasiada amplitude, parece-me, deixando Paulo Bento sem a sustentação necessária. Ora Paulo Bento sabe muito bem que  o pior que pode acontecer a um treinador é o balneário ser contaminado pelo odor a debandada e fim de ciclo. Não há clarividência táctica que se oponha a descredibilização de um líder. Tudo o que Paulo Bento não precisava para acrescer às dificuldades do jogo com o Gana e que permitam uma saída honrosa do Brasil. 

A abertura de Humberto Coelho na véspera introduziu a dúvida da sua continuidade, que mais não foi do que uma tentativa patética de apagar a fogueira atirando-lhe gasolina. Os balanços fazem-se depois da travessia e não quando o barco navega pelos rápidos e, aparentemente, ao sabor dos elementos.

A hora dos profetas do passado e dos especialistas do dia seguinte
Sem dúvida que os resultados da selecção nacional, e particularmente as exibições frágeis da selecção, apanharam de surpresa a generalidade dos portugueses. Creio, contudo, que grande parte das reacções, em particular as dirigidas a Paulo Bento, primaram pelo exagero e pelo destempero. E com uma contradição de assinalar: a generalidade dos comentários sustentam-se em afirmações de repórteres a quem não se atribui grande credibilidade, embora se repitam até à exaustão os seus argumentos.  De repente ficamos a saber que Portugal é um país de especialistas em climatologia, que muitos conhecem melhor o Brasil sem dele ter visto mais de um país semi-continental que umas quantas telenovelas. Isto sem descurar que em cada um de nós vive um treinador que acertaria no totobola... todas as terças-feiras.

As culpas de Paulo Bento
Muito do que temos visto e que tanto nos tem desgostado na prestação da selecção escapou ao controlo de Paulo Bento, como escaparia ao controlo de qualquer outro treinador. A atitude de Pepe, as lesões de Patrício, Coentrão e de Hugo Almeida foram contrariedades a mais a um jogo que até não estava a correr mal. Porém aquelas contribuíram para um resultado que nos deixou demasiado expostos. O volume do resultado, entenda-se, não a derrota com a Alemanha. Um costume, se atendermos ao histórico.

Não foram também as decisões de carácter individual que determinaram os desfechos negativos. Podemos discutir se William não fazia melhor do que Veloso (o que parece uma evidência, mas não com o desnível que se quer fazer crer), se Almeida devia sequer estar ali (não foi tão mau como o pintam). Podemos discutir se Meireles, Bruno Alves e Postiga merecem ainda a convocatória mas, como muito bem me lembrou um caro amigo, o que se diria hoje se não tivessem jogado e os resultados fossem mais ou menos os mesmos...

O que me parece acima de qualquer discussão foi a fragilidade revelada ante os Estados Unidos e essa sim determinante para a situação de malas feitas em que nos encontramos. E essa é uma matéria em que um treinador inevitavelmente tem de ver o seu trabalho questionado. Um jogo terrível, de total incapacidade de controlo de uma equipa  vulgar - não há jogos nem adversários fáceis num Mundial - transformando-o numa espécie de rodeio yankee, em que nós fizemos a figura do vaqueiro sempre no chão, no meio do pó. A ilusão de facilidades do golo madrugador do Nani também me parece ter ajudado pouco. A tragédia no Brasil tem sido a total ausência de uma equipa e de um grupo incapaz de se opor às contrariedades.

O abismo de Ronaldo
Quem sai mais beliscado deste naufrágio à vista é indiscutivelmente quem mais tinha a perder: Ronaldo. Do lugar que alcançou há um enorme abismo a separá-lo do resto dos colegas. Ser-lhe-ia muito mais vantajoso esquivar-se, o que não está na sua natureza. Mas é também indiscutível que não vive os seus melhores momentos, o que já se arrasta desde Madrid. O que podia ser disfarçado com o suporte de uma equipa que, porém, não tem existido. Já Ronaldo fazer sozinho o que compete a uma equipa nunca seria impossível. O mais que se vai dizendo sobre o jogador são comentários de gente ressabiada pela sua ligação ao Sporting, origens que não renega, ou pela atávica inveja tuga sobre os que triunfam. Mas esse é capaz de ser o menor dos problemas, Ronaldo é um exemplo de superação e voltará a aparecer forte, quem sabe ainda mais forte.

Paulo Bento, sim ou não?
Quer ele queira quer não o assunto vai estar na actualidade nos próximos tempos. Com sorte, as atenções voltam-se a centrar nos clubes e até às primeiras convocatórias, ninguém se vai lembrar dele. Até porque, ao que parece, os portugueses lembram-se mais da selecção quando ela ganha. 

Ouvir falar em Fernando Santos - parece-me haver algum spin... - é motivo de sorriso. Em matéria de competência a figura de Paulo Bento sai agora diminuída pelo insucesso, naturalmente. Mas não me parece que possa haver ganhos evidentes aí, que é onde a decisão se deve centrar. Já em questões de seriedade e carácter equivalem-se.

Houve algo que aprendi na passagem de Paulo Bento pelo Sporting: mudar por mudar não é um bom negócio. Nem Paulo Bento era então tão mau nem hoje tão bom que não possa ser substituído. Mas  parece-me consensual hoje que ele e a equipa que então lhe dava suporte no Sporting - técnica e directiva - não soube fazer a necessária autocrítica e em tempo útil, deixando-se cair de maduro, até apodrecer no chão. Talvez Paulo Bento deva hoje lembrar-se disse e demonstrar que aprendeu alguma coisa com o passado.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O que há a destacar no logotipo da Sporting TV?

É conhecido de todos a primeira proposta para o logotipo da Sporting TV e a polémica que suscitou. E que foi a rejeição quase generalizada obrigou à reformulação da imagem e que conduziu à logo que agora se conhece e que, ao que parece, já é visível para os clientes da NOS (ZON).

Não surpreende por isso que a nova proposta (creio que seja já o símbolo definitivo) seja menos "criativa", recolhendo-se a uma maior sobriedade. Porém, não provocando rejeição, também não entusiasma. O trauma do primeiro "susto" deixou marcas, produzindo um logótipo básico, sem chama, nem garra. 

Afinal se a opinião dos sócios e adeptos era assim tão importante (como não podia deixar de ser) porque não se fez uma consulta pública de ideias? Dificilmente não traria melhores resultados, não?

Que todo este processo desnecessariamente rocambolesco - estamos a falar de um logotipo, não do naming do estádio ou de outra qualquer questão fracturante - não constitua um mau presságio para o projecto que agora se inicia e que tão desejado é pelos Sportinguistas.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Formação: de Daniel Carriço a Eric Dier*

*Este artigo foi escrito para o A Norte de Alvalade por André Carreira de Figueiredo, jornalista, que acompanha há muitos anos a formação do Sporting, responsável pelo projecto Academia de Talentos e hoje director do sitio Noticias de Futebol.




Lembrando Daniel Carriço

Em tempos (há 8 anos) Daniel Carriço era a maior certeza na Academia de Alcochete. Como jogador tinha sido Campeão Nacional de Iniciados, Juvenis e Juniores, e para além dos títulos, era um jogador claramente acima da média e o seu comportamento fora dos relvados era igualmente motivo de orgulho na Academia.

Eu sinceramente, nunca fui um grande adepto do Daniel Carriço enquanto jogador, enquanto pessoa nunca fomos muito chegados e eu respeito isso.

Eu penso que muitos adeptos hoje em dia olham para um Júnior ou até para um atleta Sub-17 e dizem que ele vai ser atleta para a equipa principal. Eu penso que se pode pensar muita coisa, pode-se desejar muita coisa, mas, saber no nosso íntimo que este ou aquele vai ser jogador de certeza, bom, isso na última década só o "senti" duas vezes, uma foi com o Eric Dier em idade Sub-13 e outra foi com o João Mário Eduardo em idade Sub-14. Aliás, disse-o nessa altura, que João Mário um dia iria ser Capitão da Selecção Nacional A, era completíssimo.

Quase todos os restantes jogadores, posso ver neles estas qualidades, estes "defeitos", este talento, aquela mentalidade, e é possível tentar adivinhar, mas raramente com certezas.

A forma como os adeptos dizem que este ou aquele atleta Sub-17, Sub-18 ou Sub-19 vai ser craque, fazem-me lembrar a forma como alguns atletas no Futebol Americano a nível universitário fazem carreiras fabulosas, conquistam o troféu Heisman, mas depois, quando fazem a transição para a NFL, muitos apercebem-se que estão num mundo diferente, em termos de intensidade de jogo, em termos de cultura táctica, em termos de capacidade de leitura de jogo, e em termos de "skills" que nunca necessitaram a nível universitário, mas que subitamente são necessários para sobreviver na NFL. O que aconteceu a Tim Tebow, o que irá acontecer a Johnny Manziel, etc?

Quem fala da NFL, pode igualmente falar de Basquetebol a nível universitário onde um Michael Wiggins, um Jabari Parker, um Julius Randle, um Doug McDermott ou um Joel Embiid todos eles podem ter carreiras fulgurantes, mas ninguém sabe como o seu jogo se irá transferir para a NBA.

Irá a idade de McDermot colocar um limite na sua evolução? Será Wiggins apenas um bom atleta? Será Parker apenas um jogador fisicamente mais forte que os universitários mas que na NBA perderá essa vantagem? Há muitas variáveis e diferenças entre a Formação (ou Universidade) e os Profissionais.

É crucial criar plataformas que permitam uma adaptação entre as duas realidades competitivas. Em Portugal criaram-se as equipas B, enquanto na NBA, obrigam agora os atletas a cumprirem pelo menos um ano de basquetebol universitário antes de fazerem a transição para a NBA.

Relativamente a Carriço, recordo-me bem da sua última época na Formação em 2006/07. Era (e continua a ser) um grande Sportinguista, era um grande capitão (tal como o tinha sido nas Selecções Nacionais e Distritais), estava sempre em excelente forma física, dava sempre tudo o que tinha. Mas, confesso, sempre olhei para ele com grandes dúvidas em relação ao futebol profissional.

Nesse final de época, a defesa era constituída por João Gonçalves, Daniel Carriço, Marco Lança e Tiago Pinto, e dos 4, Carriço era o melhor na Formação e aquele que parecia reunir mais qualidades para singrar nos seniores. Mas... não era particularmente alto (estive várias vezes ao seu lado, e a minha estimativa é de que ele teria 1,81), era por vezes excessivamente impetuoso nas faltas e cortes que fazia, e por último, achava-o demasiado ansioso a jogar, ele dava tudo o que tinha, mas por vezes num misto de garra e de desespero. Um líder (seja ele o Capitão ou o Treinador ou o Presidente) nunca pode mostrar ansiedade perante os seus comandados. Muitas vezes me questionei como reagiria Carriço nos seniores onde indubitavelmente perderia mais jogos do que na Formação.

A adaptação de Carriço aos seniores foi razoável, primeiro foi emprestado (juntamente com João Martins) ao Olhanense, onde alegadamente, Álvaro Magalhães terá dito que Carriço nunca seria central na vida. A segunda metade de 2007/08 foi passada no AEL Limassol onde se afirmou e rapidamente se tornou um ídolo.

Em 2008/09 esteve no Sporting, onde debaixo da estabilidade emocional de Paulo Bento e a liderança forte de Filipe Soares Franco, Daniel Carriço finalmente num palco grande teve a oportunidade de mostrar o seu valor e diria que esteve bem, não foi fabuloso, mas com 20-21 anos de idade assinou uma bela época.

Entre 2009 e 2013 o Sporting mergulhou nas trevas sob a liderança fraca e instável de José Eduardo Bettencourt e de Luiz Godinho Lopes. Liderança fraca essa que permitiu a utilização de 11 (ONZE!!!) treinadores diferentes no espaço de 4 anos.

Depois de 2009 o Sporting perdeu muita da sua competitividade desportiva, e o ainda jovem Daniel Carriço sofreu com isso. A partir de 2011 começou a sofrer ainda mais com a chegada de novos jogadores. Até que em Janeiro de 2012, Carriço saiu por uma bagatela para o Reading, tinha batido no fundo (e o Sporting também).

Claramente, houve um Carriço em 2008/09, uma versão inferior em 2009-2011, e uma versão "triste" em 2011/12.

Muitas vezes me questiono se Bettencourt e Godinho Lopes terão arruinado Daniel Carriço ao destruírem a estabilidade em seu redor entre os 21 e 24 anos, ou se Carriço era um jogador limitado? A verdade deve estar algures no meio destas duas hipóteses.

Não tenho dúvidas de que Carriço foi muito prejudicado pela ante-penúltima e sobretudo pela penúltima administração do Sporting que durante 3 anos, não lhe proporcionaram um ambiente apropriado para a sua evolução. Mas, confesso que tenho algumas dúvidas de que Carriço atendendo às suas limitações (supramencionadas) se seria capaz de ser titular no Sporting desta última época.

Daniel Carriço foi adaptado a "trinco" e tem obtido algum sucesso ao serviço do Sevilha. É verdade que não se afirmou plenamente ao serviço do seu Clube do Coração, é verdade que teve azar com os dirigentes e estruturas que teve em seu redor, mas, suspeito que para Daniel Carriço... simplesmente não estava destinado a ter sucesso em Alvalade. Daniel Carriço não tinha (e não por culpa dele) qualidade suficiente para ser titular num Sporting que quer lutar para ser Campeão.

Quem sabe (eu não sei), se calhar daqui por dois ou três anos até perceberemos que foi curiosa a utilização dos nomes de Daniel Carriço e de Johnny Manziel neste texto, pois eles possuem algumas características em comum.

Melhor que Carriço é Eric Dier, e quando digo melhor, não estou a querer dizer que Dier seja melhor que Carriço em todos os aspectos, mas na globalidade, Eric é o melhor central formado no Sporting nesta última década.

Há 6 meses que pressinto que Dier está para o verão de 2014 como Tiago Ilori esteve para o verão de 2013, mas espero estar enganado. "Culpados" há muitos, há o jogador, há o seu pai, há a Sporting SAD, mas à margem de todos esses "pormenores" dos quais ninguém se lembrará no futuro, está um jogador de enorme qualidade, e que infelizmente estagnou durante os últimos 13 meses.

Eric Dier tem potencial para ser central de nível mundial, mas ele precisa do Sporting para lá chegar, da mesma forma, que e o Sporting precisa de o manter para o ajudar a chegar a esse nível. Se e quando Dier atingir um determinado patamar de excelência, o Sporting poderá tirar partido de todas as recompensas desportivas e económicas que estiverem ao seu alcance do atleta.

Há quem diga que a Sporting SAD não vende os jogadores que deseja manter, e essas mesmas pessoas dizem antes que o Sporting ou deixa os jogadores sair porque não os queria, ou então, que os vendeu (em vez de os perder).

É importante clarificar que há casos e casos, e muitas vezes, os adeptos agrupam tudo, confundido jogadores dispensados pelo Sporting com jogadores que se recusaram a ficar no Sporting.

Para quem diz que o Sporting não queria este, ou que não perdeu aquele, mas sim que o vendeu... nem sempre são esses os casos, pois houve situações em que o Sporting negociou durante 4-6 meses para manter os jogadores e os jogadores recusaram-se a ficar, enquanto noutros casos, o Sporting não vendeu os jogadores por vontade própria, vendeu-os porque não tinha outra escolha, ou os vendia, ou iria perder esses mesmos jogadores meses depois. Não negociou essas vendas a partir de uma "posição de força".

Tanto no Futebol Profissional como na Formação, há vários jogadores descontentes nestes últimos 13 meses, e o dinheiro é uma das razões desse descontentamento, mas está longe de ser a única. O Sporting pode não ter mais dinheiro para dar aos seus atletas e funcionários, mas pode melhorar a relação que tem para com eles de outras formas. Profissionalmente, depois do dinheiro, não há nada mais importante do que o respeito, a confiança e a lealdade.

Saudações Leoninas.

André Carreira de Figueiredo (ACF).

sábado, 21 de junho de 2014

A contratação de Tanaka e a entrevista de Paulo Oliveira

Parece que está encontrado um novo avançado para o Sporting. A noticia foi avançada ontem pela Renascença e é hoje corroborada pela generalidade dos jornais desportivos. Segundo o jornal "OJogo" 

"Avançado japonês custa 500 mil euros: tem 26 anos, atuava no Kashiwa Reysol e pode jogar como ponta de lança ou extremo. As próximas horas podem ditar a formalização do negócio.
O Sporting está prestes a garantir o concurso de Junya Tanaka, avançado japonês de 26 anos que representava o Kashiwa Reysol, da liga nipónica. O negócio está a ser alinhavado há mais de uma semana e, por cerca de 500 mil euros, os leões estão perto de formalizar a contratação de um desejado reforço para o ataque, em colaboração com a firma que representa o atleta, o BISC International Sport Consulting, que terá adquirido a totalidade dos direitos do atacante antes de negociar a sua colocação na formação verde e branca. Na posse deste grupo deverá ficar uma percentagem dos direitos económicos de Tanaka, uma aposta que também pretende retirar dividendos da exploração comercial do seu nome no mercado japonês, de acordo com a estratégia de expansão da marca Sporting."

Noticia que "Abola" também aborda, ao que junta o perfil do jogador, parecendo indicar que se trata de um avançado e não de um ponta-de-lança, como já foi noticiado.


A entrevista de Paulo Oliveira hoje ao jornal "A Bola"



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Algumas notas sobre a Gala Honoris Sporting

A direcção do Sporting decidiu criar um evento próprio para celebrar o aniversário do clube e simultâneamente "reconhecer aqueles que, individual e colectivamente, contribuíram para o engrandecimento do Clube nas suas múltiplas dimensões, pelo talento e boas práticas desenvolvidas(...)." As categorias eleitas a premiar são: Futebol, Modalidades, Universo Sporting e Dirigismo. Adicionalmente serão entregues os emblemas aos sócios que completam os 75 e 50 anos. (A noticia no site não menciona os emblemas respeitantes aos 25 anos, não sei se por esquecimento ou se a respectiva aposição já terá ocorrido anteriormente e dela não me ter apercebido.)

Como é sabido, trata-se de uma inovação, uma vez que, até hoje, não havia prémios institucionais regulares, para lá dos acima mencionados emblemas de sócios. Sem carácter oficial mas com grande significado e tradição, os galardões mais desejados e prestigiados eram até agora os conhecidos Prémios Stromp. Prémios que sofreram desvalorização a que não será alheio o facto de a glória para dividir ter sido escassa e uma notório contágio pela turbulência em que a vida interna do clube tem sofrido nos últimos anos. É inevitável que os Prémios Stromp venham agora a passar a segundo plano, o que não colide com a legitimidade da iniciativa dos órgãos sociais.

Algumas considerações sobre a cerimónia:

Quem dá e quem recebe? - Não foi divulgada, pelo menos até ao momento, a existência de uma comissão que delibere sobre os prémios a atribuir. Provavelmente a autoria será do Conselho Directivo, não sendo de estranhar que a Mesa da A.G., tendo em conta a sua natureza e representatividade, também possa estar envolvida. Ora isto elimina logo à partida a atribuição de prémios aos elementos que a constituem, por razões óbvias, o que também pode configurar alguma injustiça. Uma questão a merecer algum cuidado e atenção.

Objectivos ambiciosos - organizar uma cerimónia como a que certamente se pretende - um momento de exaltação e celebração do clube - num espaço tão amplo como a Meo Arena é reveladora de ambição mas é também um risco, uma vez que, tratando-se de uma estreia, é difícil de avaliar a adesão que obviamente desejamos seja elevada para que se cumpram os objectivos pretendidos. Estou certo que este risco foi devidamente avaliado.

Custo elevado - Um dos possíveis óbices à adesão é o custo relativamente elevado para aceder à cerimónia (50€). Este valor seria sempre difícil de suportar na actual conjuntura. Para os Sportinguistas ainda mais, especialmente os mais fiéis. Quotas de associado, Gamebox's, Missão Pavilhão, bilhetes (jogos não incluidos na GB, por exemplo), actualização anual de equipamento, viagens, etc, etc. Este número não deve andar muito longe dos 30 mil, mais dezena, menos dezena, se atendermos aos números médios de assistências e números de sócios com quotas em dia. A fidelidade tem um custo elevado.

Premiar a fidelidade - Esta será uma boa ocasião para premiar os sócios mais fiéis, não apenas os completam o número de associação acima mencionados, mas sobretudo os que participam de forma activa nas diversas actividades do clube. Por exemplo, os que acumulam a sua condição de associados com as GB's de futebol e modalidades.  Ou os que mantêm a sua condição de associados vivendo longe do País e por isso não podem comparecer com a assiduidade que certamente desejariam. 

A estas ideias avulsas certamente que poderão acrescer outras melhor estruturadas e amadurecidas recolhidas no seio da imensidão de Sportinguistas. 

Resta-me desejar que a Gala Honoris seja isso mesmo: uma honra para o Sporting!

terça-feira, 17 de junho de 2014

De regresso ao Sporting

A selecção está no topo da actualidade mas obviamente que para um Sportinguista o clube nunca é remetido para segundo plano. Por força de algumas limitações de tempo e outras de carácter pessoal ficaram por abordar alguns temas cuja referência me parece incontornável. Fica aqui o registo das principais, em modo semi-telegráfico, sem que isso signifique que alguns dos assuntos não venham a constituir um ou mais posts exclusivos, assim o interesse o justifique.

Tiro no porta-aviões da "cultura de exigência e rigor"
Cultura de exigência e rigor têm sido das qualidades mais referenciadas pelos actuais corpos sociais, especialmente pelo presidente Bruno de Carvalho nas muitas alocuções que tem feito sobre clube. O triste episódio do vídeo de promoção da SportingTV, amplamente referido entre os Sportinguistas, é um exemplo muito concreto do que é precisamente fazer o inverso. O que me chocou mais na peça não foi tanto a falta de qualidade geral, o que até pode ser desculpado pela escassez de meios. Chocante é o plágio de um trabalho sobejamente conhecido e o desleixo de ainda assim publicar o vídeo na página oficial do clube.

As recentes mudanças há pouco efectuadas no sector de comunicação do clube - o despedimento do que restava do corpo de redacção do jornal, a entrega à  empresa Youngnetwork e, quase em simultâneo, a nomeação de Bruno Roseiro como coordenador do novo projecto de média (que poucos dias antes(!) tinha lançado o livro de carácter autobiográfico sobre Bruno de Carvalho "O presidente sem medo" ) - levariam a supor que estes episódios com um "acentuado cheiro ao antigamente" não seriam de todo possíveis.

Esta peripécia é uma péssima saída de jogo que, pelo mau gosto revelado, deixa uma nódoa retinta, lançando dúvidas no ar sobre o que ainda nos possa estar reservado. É muito fácil agitar as águas nas redes sociais com soundbytes, muito diferente é promover a imagem de uma instituição centenária com as responsabilidades e o peso do Sporting.

Títulos em modalidades
Apesar da austeridade o Sporting continua a coleccionar títulos (judo, futsal) e, mesmo perdendo, a discutir até ao final a possibilidade de os ganhar, como aconteceu no andebol. Nesta modalidade há sobretudo que não esmorecer, porque há sinais evidentes de retoma de competitividade, face ao adormecimento à sombra da bananeira, que nos custou a perda de uma hegemonia que tanto nos orgulhava. No judo e futsal os ciclos vitoriosos falam pela qualidade do trabalho desenvolvido, não é possível ganhar tantas vezes por acaso. Notável que se aprofunde a nossa hegemonia nestas modalidades enquanto se aperta o cinto. 

Não fecho este titulo sem prestar homenagem a Deo e Divanei cujo exemplo foi muito além do mero profissionalismo. E também a João Pina, um campeão de judo e de sofrimento que encerra a carreira de titulo ao peito.

"Um dos dias mais felizes da minha vida!"
Foi assim, com esta frase de tão profundo significado, que Gilberto Borges qualificou o regresso do Hóquei em patins ao seio do Sporting, depois do abandono da modalidade e do trabalho de ressuscitação absolutamente notável cuja etapa mais difícil agora termina. Um justo reconhecimento para a equipa de Gilberto Borges, a alma, o coração e sabe-se lá que mais deste projecto. Uma medida justa e, creio, há muito desejada, pelo que merece todo o nosso reconhecimento. O hóquei nacional precisa de um Sporting forte, não apenas pelos pergaminhos do clube na modalidade, mas também como lufada de ar fresco, face aos que foram os últimos anos de guerrilha SLB/FCP.

Muita formação, zero títulos
Muito curiosa a postura habitual dos Sportinguistas relativamente à formação: pouco interessados em suportar as dores de parto e crescimento, quando os míúdos, muitas vezes de forma extemporânea, são chamados a assumir responsabilidades de quem chega com fama de craque, mas cujo proveito pouco mais se faz sentir do que nas suas contas bancárias. Porém, uma vez que se vive em escassez de resultados (vitórias) lá se iça a bandeira da formação para lembrar que as bases das selecções são de alicerces verde e brancos e outras tretas do género. 

A razão mais válida para se apostar em formação é fazer dela uma bandeira com títulos. De outra forma é pouco mais que mera cumulação de frustrações e desenganos. Esse é um desígnio possível não uma quimera. Mas a sua concretização requer muito mais do que os muitos ziguezagues estratégicos ao sabor de quem passa, quase sempre de forma fugaz, pela direcção técnica e institucional.

Pode parecer um contra-senso, mas onde a exigência de títulos menos se justifica é precisamente na formação, cuja principal missão deve estar obviamente centrada na missão de fornecer os melhores jogadores à equipa principal onde, aí sim, a orientação para vencer deve ser total.  

A provar o que acima se afirma está o historial da competição de júniores e juvenis. Entre as décadas de 70 e 90 (inclusive) o Sporting logrou apenas 4 títulos de campeão nacional de júniores, 5 de tendo, nesse período, formado dois jogadores considerados os melhores do mundo (Figo e Ronaldo) e um rol notável de grandes jogadores, cuja nomeação seria até penosa. Nos anos seguintes o Sporting passou a dominar as competições nacionais de formação, sem que isso alterasse o rácio de títulos no escalão sénior. Isto é, exactamente na mesma do que sucedeu quando ganhou poucas vezes.

Isto dito não invalida a avaliação de percurso sempre necessária, mesmo quando se ganha mais do que se perde. Perguntas como:

Que competências têm os treinadores das camadas jovens, quem as avalia, "que", "como" e "quem faz" a prospecção e selecção estão sempre na ordem do dia e cujas respostas poderão ajudar a explicar os resultados ou uma tendência. 

Após o segundo ano da B que balanço fazer? Quantos jogadores foram aproveitados ou podem vir a ser para a equipa B? 

É justificável o corropio de entrada e saída de jogadores como a que se assistiu este ano, com jogadores de percurso de referência no clube e selecções verem os seus lugares ocupados por jogadores de qualidade e até idades duvidosas?

Que evolução se pode assinalar nos jogadores, sobretudo nos que, tendo mais talento, mais se espera? O meio  que o Sporting lhes proporciona é o mais adequado ao seu triunfo ou o contrário?

Que significado e importância tem a  ausência de títulos combinada com o aparecimento de novos actores (os titulos de Guimarães e Braga), bem como a perda de número de jogadores nas selecções nacionais?

Estamos a falar de o fim de um ciclo ou de ocorrências esporádicas, sem exemplo?

Guerra da Guiné perdida
Ninguém terá esquecido o folhetim de Bruma, faz agora um ano. Muitos dos seus mais suculentos episódios estão ainda por revelar, pode ser até que nunca conheçam a luz do dia para a maior parte de nós. O que resulta de mais claro da guerra iniciada com Cátio Baldé é que o Sporting ganhou uma batalha com a venda de Bruma por valores quase impensáveis, mas que, de seguida acumulou 3 derrotas amargas com as saídas de 3 dos melhores e mais promissores jogadores que tinha na formação. Pior foi ter visto encerrado a exploração do filão da Guiné, que o empresário dominava quase em exclusivo e com relações privilegiadas com o Sporting. Os jogadores não perderam, porque permanecem intactas as possibilidades de progredirem nas carreiras. O empresário não deixou de fazer negócios nem coleccionar comissões. O que ganhou o Sporting?

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