quinta-feira, 14 de julho de 2016

A tragédia com o Mónaco

Primeiro jogo da época recheado de erros e desacertos. Mas era expectável outra coisa para o primeiro jogo da época, com um par de semanas de treino? Sim, podia ser, se o adversário fosse outro. Ora o Mónaco está em apronto acelerado para disputar as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, tem já outro andamento, sobretudo do ponto de vista físico. Se houve algum erro aqui talvez ele tenha residido na escolha deste adversário para esta altura. 

Nenhuma surpresa na prestação de Podence, que há muito já reclama outro enquadramento que a equipa B não lhe pode oferecer. Do resto, tudo muito caótico para já, a não permitir desempenhos brilhantes, o que se sabe ser precisamente a antítese das equipas de Jesus. 

A única nota de alguma preocupação fica para actuação do guarda-redes Azbe Jug que, pela posição que ocupa, depende sobretudo das suas aptidões para o lugar. As saudades de Patrício foram muitas, as comparações anteriormente feitas com o seu compatriota Oblak são, pela amostra, claramente exageradas. Para ambicionar aquele lugar, com o peso que tem na nossa história, está obrigado a demonstrar muito mais. Esperemos que tenha sido a excepção que a regra não confirmará.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Vitória dos fracos sobre os fortes

Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia, País de Gales e França.
Um dos argumentos na ideia de que a vitória de Portugal no último campeonato da Europa adquiriu as proporções de um feito extraordinário, aponta o facto da vitória portuguesa ter-se visto alcançada com socorro a muito carácter e poucos recursos, relativamente ao poderio de outras selecções presentes na prova.

Em face da equipa portuguesa reunir em simultâneo um dos melhores guarda-redes da Europa, um campeão europeu pelo Real Madrid no centro da sua defesa, médios (em tempos, ou agora) cobiçados pelos melhores clubes da Europa como William, J. Mário, A. Gomes, R. Sanches, ainda outros médios de méritos inegáveis como João Moutinho ou Adrien, somados a jogadores de qualidade acima de qualquer suspeita como Nani e Ricardo Quaresma, quem diariamente sustenta a existência de tanta qualidade consegue ver na vitória portuguesa o triunfo dos fracos sobre os fortes.
Mais útil se a toda esta qualidade lhe juntarmos o melhor jogador do planeta.

Encontra algum problema neste argumento?

terça-feira, 12 de julho de 2016

A prece, o milagre e a obra. Sugestão para leitura. 2 em 1.

Na final frente à França, enquanto Rui Patrício empurrava a selecção portuguesa para novo prolongamento, 25 minutos antes do belo golo de Éder que coroou de glória um percurso marcado por incapacidade e pelo acaso, reparou certamente como no banco de suplentes o seleccionador português rezava. Por tudo o que espero e desejo seja para glória de seu nome, afirmou o muito legitimamente emocionado Fernando Santos.
Penso por isso no campeão Europeu por selecções Fernando Santos (por quem sinto estima), e penso também no quase esquecido e persona non grata, Carlos Queirós (por quem sinto muito estima), principal responsável pela reformulação duma modalidade que em tempos nos permitiu crescer como nunca, através dos brutos conhecimento, inteligência e método. Tanto trabalho teve o Professor Carlos Queirós, naquela altura, quando o impressionante pulo qualitativo que promoveu poderia ter-se visto alcançado pelo meio de 1 terço, 2 ou 3 dentes de alho e a reza de meia dúzia de versos criados há 21 séculos por ignorantes em desertos do Médio Oriente, ou a relação com instituições e suas derivadas, desses divinos cancros provindas ...

Evidentemente, não presumo que a fé do seleccionador português tivesse prejudicado, ou prejudique, a sua prestação. Sinto-me no entanto com liberdade para comentá-la a partir do momento em que a torna pública, e a partir do momento em que tantos jornais tentam impingi-la. Reservo-me o direito a não ser incomodado.

Ou neste caso protestar pelo incómodo causado.

Em sentido inverso, recordo o porquê de treinadores como Cândido de Oliveira, Carlos Queirós, José Maria Pedroto, José Mourinho, Jorge Jesus, e/ou outros, ocuparem lugares ilustres na história do futebol em Portugal, lugares cuja reserva não se vê substituída pelo esquecimento nem pela ingratidão.
Conhecimento, inteligência e método.

Regressando à fé ...


Como sugestão de leitura, relevo também o artigo da autoria do presidente do Sporting publicado no semanário (presumo) católico 'Agência Ecclesia', Promoção de «valores e ética» é legado tão importante quanto o dos títulos.

Valores e Ética, não ria.
No artigo, perceberá de que forma Bruno de Carvalho se estabeleceu como agente-motorizado para que em provas da UEFA e da FIFA o vídeo como auxílio aos árbitros se visse introduzido, acrescentando essa a outras profissões de fé tantas vezes incluídas nas certezas que normalmente possui sobre qualquer tema.

Poderá ainda, ou não, encontrar versos de colaboração do presidente do Sporting nos portais 'Evangélico', 'Dominus', 'Fé Religiosa, comendo gelados com a testa', 'Ide, Sem Medo, Para Servir', o muito popular entre moderados e fundamentalistas muçulmanos 'Como violar mulheres com permissão divina. E como condená-las à morte pelo crime de terem sido violadas', ou o muito aclamado entre círculos religiosos católicos 'Guia do Vaticano para a sexualidade: os bispos e as crianças'.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

De entre as brumas para a memória

O futebol é fértil em surpresas e, como a generalidade do desporto, frequentemente dá-nos grandes lições. A vitória da selecção portuguesa no Campeonato Europeu em França foi seguramente ambas: surpresa e uma lição e este post hoje falará sobretudo disso.

Para os mais novos a presença da selecção nacional nas grandes competições é vista hoje com normalidade, mas para os da minha geração isso estava longe de ser um hábito. Depois da geração dos Magriços de 1966 foram necessários quase vinte anos para ver novamente a selecção numa fase final. Coincidentemente, foi em França (1984) que uma das melhores gerações de jogadores de que me lembro nos fez sonhar, até acabar em pesadelo numa véspera de S. João que nunca mais esquecerei. 

Jogadores notáveis como Eusébio, Coluna, Damas, Bento, Eurico, Diamantino, Chalana, Gomes, Jordão, Néné, Figo, Futre, Rui Costa, muito bem secundados por outros de enorme valor, não conseguiram o que esta agora acaba de alcançar: um título colectivo ao mais alto nível. Com sinceridade, confesso que não esperava agora, depois de ver ficar de mãos vazias selecções mais dotadas de talento que a actual.

Um líder é isto
A grande diferença registada nesta selecção para as demais - pelo menos para as que vi jogar - esteve indiscutivelmente no líder e na forma como soube liderar o grupo de selecionados. Sóbrio em todos os momentos, pouco dado a estados de alma em quaisquer circunstâncias, foi o principal responsável pelo notável espírito de corpo e de missão, talvez as principais virtudes dos actuais campeões. Inevitavelmente terá que se estender os créditos a quem o foi buscar, num momento de profunda indefinição e ainda por cima com um castigo a pender-lhe sobre o pescoço.

Estou longe de ter grande apreço pela proposta de jogo de Fernando Santos, o que nem sequer é de agora. Mas uma das grandes lições que fica desta conquista é que para chegar à vitória não há apenas um caminho. E este, não sendo o que mais me agrada, não pode deixar de ser registado como tendo sido alcançado sem derrotas.

Momentos
Se fomos suficientemente audazes a sorte - que tantas vezes se alheou de nós em competições anteriores - fez questão de nos acompanhar em momentos chave, alguns deles sem intervenção directa. Por exemplo, o golo dos islandeses no último jogo da fase de grupos, já depois da hora, teria repercussões decisivas no emparelhamento com os adversários, teoricamente mais acessíveis na fase a eliminar. O golo do Quaresma e o penalty defendido por Patrício são também momentos incontornáveis no percurso até à tribuna de honra do Stade de France.

Fado
Soubemos merecer este titulo, partindo de um nível aparentemente baixo para acabar em grande. O percurso das equipas haveria de nos dizer que o empate com a Islândia não foi assim tão mau como pareceu na altura. Esse terá sido o jogo com a Hungria onde, paradoxalmente, fomos uma equipa vulnerável, precisamente a antítese da imagem de que a Europa registou do actual campeão. Talvez tenha sido aí o jogo em que tivemos azar de forma reiterada. Mas o que representaria noutras ocasiões um evento como a lesão de Ronaldo, senão uma súbita síncope e capitulação? A forma como superamos o infortúnio, ainda por cima perante um poderoso anfitrião, é matéria da qual se constroem os heróis e as lendas.

Capitão 
Se nenhum profissional de futebol merece passar pela provação a que Ronaldo foi submetido, o que lhe aconteceu acabou por ser a revelação, como se preciso fosse, do compromisso dele com a camisola que veste, a bandeira que representa e com os colegas que capitaneia. Que exemplo!

O herói improvável
O golo do Éder é o momento que ficará eternizado na memória de um povo. Porque esta vitória não é apenas de quem gosta de futebol. É uma vitória de todos nós, pequenos como somos, mas cujos horizontes nunca aceitamos confinarem-se entre os espanhóis nas costas e o medo da imensidão do mar. E quem melhor do que um protagonista com a história de vida pessoal e profissional dele para protagonizar o grito de afirmação e de revolta destes lusitanos nos confins da Ibéria que não se governam nem se deixam governar? E logo com a França...

P.S. - Tenho pena dos que sofrem de clubite aguda e para quem o maior triunfo do futebol português até hoje tenha sido vivido como uma mera extensão das diatribes do nosso campeonato. 

domingo, 10 de julho de 2016

Cristiano Ronaldo, por Jari Litmanen

Em 2010 tive a alegria de ver jogar ao vivo um dos meus heróis de infância, o finlandês Jari Litmanen. Fora do universo Sporting, o único herói que alguma vez tive o prazer de ver jogar ao vivo. Retirado do futebol ao mais alto nível, pelos seus 40 anos a jogar ainda como profissional num clube local, apesar de ao longe ser o melhor jogador do seu meio, nem Litmanen evitaria que a sua equipa se visse relegada à divisão inferior.

Contudo, além da distinta qualidade que ainda exibia como praticante de futebol, releva-se naquele contexto o exemplo de perfeita humildade, espírito de sacríficio e generosidade.
Quis hoje, permitiu-o um infeliz incidente, que Cristiano Ronaldo se despedisse do Europeu evidenciando tudo aquilo que faz dele, em sentido não futebolístico, um herói. A mesma humildade, desapego do seu próprio interesse - no caso condição física, inquebrável desejo de querer ser e dar tudo à sua equipa. A mesma generosidade e inocência, própria de alguns atletas de elite e de muitos amadores. Simplesmente grande.

post scriptum,

Keep calm and trust Rui Patrício.

Recordai hoje de novo o esplendor de Portugal

Orwell distinguia patriotismo de nacionalismo, conferindo à primeira uma natureza defensiva e à segunda uma tendência expansionista. No patriotismo caberiam formas como as de defesa militar e cultural. No nacionalismo revela-se o propósito de consolidar poder e prestígio, não necessariamente para o nacionalista mas para a nação ou unidade na qual o indivíduo afunda a sua individualidade.
Por preguiça, mal representando para este efeito o pensamento, diria qualquer coisa no seguinte modo: o patriota identifica-se e por impulso cuida de proteger. O nacionalista também poderá começar por identificar-se, mas depressa incorre na visão de um mundo onde o sucesso duma causa (a sua) está directamente relacionada com o insucesso ou a ruína de outras. O patriota dificilmente se reconhecerá como tal. O nacionalista apropriar-se-á indevidamente do termo patriota.

Daí, regressando fiel e novamente em exclusivo a Orwell: todo o nacionalista é capaz da mais flagrante desonestidade, mas também - pela noção de servir qualquer coisa maior do que o próprio - é dono da inabalável certeza de que tudo o que faz é o correcto.

Isto dar-nos-ia pano para para mangas mas não existe tempo. Servirá como moldura.

Pense nas grandes equipas e selecções de futebol que evocam noções patrióticas. De forma grosseira, passe tudo o que conhece pelo filtro que fará sobrar aquelas onde identificamos / identificámos / costumávamos identificar mas já não identificamos um conjunto de princípios, ideias, atributos definidores de uma identidade. Falo de cultura e apelo à sua capacidade de reconhecimento, reconhecimento esse que neste exercício transferirá de equipas para clubes e de selecções para países. Já está? FC Barcelona, Manchester United FC, FC Porto, AFC Ajax, AC Milan, Brasil, Holanda, Alemanha, Portugal, entre algumas ou muitas outras consoante a linha de tempo que estiver disposto a percorrer.
Verificará que pela facilidade de reconhecimento identitário, atribuímos às unidades chavões que em muitos casos fazem algum sentido. Para Portugal, 'o Brasil da Europa', chavão que se vai perdendo no tempo e que não importando agora desempacotar, remete para o explícito elogio da capacidade que Portugal tinha / tem de jogar bom futebol.

Existe uma relação entre futebol e patriotismo, jogo em sentido amplo cultural e de forma restrita jogo exibidor de cultura, receita a clubes por meio de equipas e a países por meio nalguns casos de equipas mas fundamentalmente selecções. Tudo isto é fácil e está aqui a razão para que uma selecção como a portuguesa, em 2000, me tivesse como exemplo magnetizado. E para que tivesse evocado os meus impulsos patrióticos. Com pena, a selecção que hoje em França pretende representar-nos (cultura portuguesa) será jamais capaz do mesmo. Os elementos definidores da identidade não estão lá. Não só não estão lá, como desejaria que o que lá está em nossa representação não estivesse, em virtude de nos desrepresentar. Ainda assim, futebol de selecções não se resume a patriotismo e poderemos sempre ver o jogo pelo jogo (é como deveríamos vê-lo na maioria do tempo). Neste caso, no Portugal VS França de hoje, desejo que vença a selecção que melhor jogar, desejando à partida que essa selecção, por empatia, hoje, seja a portuguesa.

Por fim, na hipótese da cultura portuguesa (pelo meio de futebol ou outras) lhe motivar sentimentos patrióticos, nunca permita a alguém apropriar-se ou negar-lhe esse sentimento. 
De forma análoga, e porque estamos no «A Norte de Alvalade» - espaço leonino, permita jamais que alguém reduzido pela ignorância, movido por interesse, sentimentos maus, ilusões de grandeza, auto-decepção ou outras, se aproprie, negue ou questione o sentimento sportinguista. Não o permita no interesse do Sporting e no seu próprio interesse. Não o permita também porque quem procurar apropriar-se ou questionar o seu sportinguismo, não estará a fazê-lo por lealdade ao Sporting.

sábado, 9 de julho de 2016

Pequena nota. E uma sugestão.

No dia em que o campeão do mundo de sub-20 em hóquei, Gonçalo Nunes, troca o Benfica pelo Sporting, e meia dúzia de dias depois de Cláudio Pedroso reforçar também o nosso andebol uma vez terminado contrato com o Benfica (mereceria ver-se discutido o investimento que está a ser feito na modalidade, forma como está a ser feito), recordo a mensagem que há uma semana pelo facebook deixámos a Miguel Ângelo, jogador de futsal que esteve connosco 5 anos e que no fim da temporada trocou o Sporting pelo Benfica: 

Quem acha que deixar isto é fácil, não merece representar o Sporting Clube de Portugal.

Não merece representar o Sporting Clube de Portugal, dissemos ao nosso ex-atleta.

Medite bem sobre as transformações em curso no Sporting.

Lucas Silva, o maestro

Não pode deixar de se considerar uma surpresa a contratação de Lucas Silva, hoje dada como certa pelo jornal "A Bola". Surpresa por ser conhecido o interesse, já de longa data, do FCP e, não menos importante, a contratação de um jogador para uma posição onde existe já abundância de jogadores e talento. 

Daí que a primeira conclusão a tirar-se é que, a confirmar-se, o Sporting buscará não apenas o reforço de qualidade do seu plantel - o que parece indiscutível com este jogador - mas também parece estar a precaver possíveis mexidas de monta. William Carvalho?...

Quem é Lucas Silva?

Lucas Silva é um jogador brasileiro, um médio defensivo que joga ao centro, normalmente à frente dos centrais e cuja melhor qualidade é a forma como consegue pautar o jogo quando recupera a bola. A qualidade de passe do seu pé direito chamou à atenção dos tubarões europeus quando despontou no Cruzeiro, tendo sido apontado a diversos clubes ingleses (Chelsea, Manchester, Arsenal) tendo acabado por se comprometer com o Real Madrid, de onde chegará, ao que se diz, por empréstimo. À qualidade acima descrita junta um excelente posicionamento e a forma como ataca a bola a partir de uma posição defensiva. Como pontos fracos está jogo aéreo, alguma precipitação a decidir em quando muito exposto à pressão adversária.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A propósito do regresso de Slimani e as cláusulas de rescisão

O regresso de Slimani pode ser avaliado de diversas formas, vou aqui dar conta do que me parece ser mais importante a reter neste caso. Aqui não deve ser esquecido que o Sporting e os seus responsáveis têm um plantel para gerir e este tipo de excepções devem ser bem explicadas e aceites por todos, para não se criar a ideia de que há jogadores mais iguais que outros. É um ponto de disciplina incontornável.

Em primeiro lugar é indiscutível que alguma coisa deve ter havido para se justificar o atraso no regresso, uma vez que o jogador não esteve envolvido em nenhuma competição que o motivasse. Sendo um jogador com antecedentes do género mais ainda justifica a desconfiança.

Em segundo lugar há a registar que quaisquer que tenham sido as razões do atraso, a forma como ele terminou deixa crer que foi bem gerido por ambas as partes. O jogador, nas declarações prestadas, deu conta do seu compromisso com o clube e o clube manifestou o regozijo pelo regresso. Se houve desencontros de pontos de vista, ou até atritos, eles não transpareceram, eliminado assim a exploração de um filão de especulações habitualmente muito bem garimpado e posto a render.

Desta forma defenderam-se os interesses dos envolvidos (jogador, que respeita o compromisso assumido de livre vontade, e o clube que lhe paga e promoveu), mas o mesmo não quer dizer que o jogador permaneça connosco. É por isso provável que o tema "saída de Slimani" volte à actualidade. 

A situação actual, em que a cláusula de rescisão deixou de poder ser executada de forma automática com o pagamento do valor respectivo, não indica falta de interesse de terceiros, parece, isso sim, indicar que não há assim tanta concorrência pelo concurso do jogador, e a que há não estava interessada em pagar tanto. Creio que tal facto diminui a posição do jogador, se for sua pretensão (legítima, diga-se) de procurar um novo projecto (eventualmente uma liga mais competitiva, para lá do dinheiro, claro está).

Tal não me parece de todo surpreendente, uma vez que não faltam jogadores no mercado a caber na relação entre o valor da cláusula de rescisão do argelino e do próprio jogador. Sem pretender efectuar uma comparação directa, atente-se por exemplo que o muito interessante ponta-de-lança da selecção galesa, Robson-Kanu, que ontem defrontou Portugal, é um jogador livre.

A actual situação parece-me agora mais favorável ao clube, por não ter que ser já obrigado a aceitar o valor da cláusula, podendo por isso pedir até mais pelo jogador. À luz do raciocínio anterior, duvido porém que tal suceda. E devo dizer que não ficaria de todo surpreendido que o jogador acabe por sair por valor inferior, embora, por razões óbvias, o clube não o possa admitir.

Mas se a procura proporcionar uma negociação por valor próximos das duas dezenas de milhões a porta de saída poderá acabar por se abrir. Isto se for verdade ser essa a vontade do jogador e porque o Sporting estaria a realizar o seu melhor negócio de sempre, saindo bem servidas todas as partes.

Diferente é, por exemplo, a posição de William Carvalho ou João Mário. Trata-se de jogadores ainda bastante jovens, mas que revelam níveis técnicos e entendimento sobre o jogo superiores. Não creio que haja hoje quem se aproxime das suas cláusulas rescisórias, mas isso é uma questão de tempo. Os valores que se falam (por exemplo, vinte e cinco milhões por João Mário) não sendo propriamente maus negócios, não são particularmente apelativos.

Há aqui uma outra componente que é a mediática. A sua valorização no europeu também não tem sido fulgurante, e isso não é alheio a forma como joga a selecção, pouco tendente a favorecer prestações individuais. Tal percepção poderá mudar muito rapidamente, assim que regressem ao clube. A ambição de ser campeão mantêm-se intacta e a entrada directa na Liga dos Campeões certamente que fornecerá muito palco para as suas actuações.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mais descompressão. Menos esforço. Mais qualidade.

O semblante exausto de Andy King quando não se jogavam mais do que 35 minutos da 1ª parte evidencia o imenso esforço produzido a troco de muito pouco. É compreensível que muitos jogadores tentem compensar ausência de qualidade com pura energia despendida. Ainda assim, justamente porque algum contributo das suas partes advirá de situações (es)forçadas, melhor seria que a guardassem para lances realmente merecedores do esforço. Quantas bolas perseguidas quando já condenadas às linhas de fundo ou laterais? Quantos defesas perseguidos quando a probabilidade para que algum cometesse um deslize são pouco mais do que nulas? Sem querer parecer muito negativo, sem que tenha qualquer jogador em mente, em abstracto, para quê participar numa modalidade tão especial do ponto de vista técnico para que fazendo nada e tocando um par de vezes na bola, se fique exausto ao fim de 45 minutos?

E enquanto assim é, a mesma adrenalina e êxtase podem ver-se alcançados correndo ao longo duma pista por cima de obstáculos ou saltando para dentro de caixas de areia.

Quantas vezes tocou Renato Sanches na bola ao longo dos primeiros 45 minutos? 2, 3 vezes mais do que qualquer colega? E que diferença no jogo português sempre que ele toca na bola ...
Em sentido inverso, quantas vezes tocou C. Ronaldo na bola? Muito movimento, muito esbracejar, muita coacção, muita tensão quando para se jogar bem é indispensável o contrário (descompressão), muito desejo certamente ... para quê se a qualidade não está lá? Adoraria ter uma opinião diferente mas tratando-se dum bom futebolista, Ronaldo não sabe jogar futebol.

Ainda sobre a idade de Renato Sanches

Num pequeno espaço fora da blogoesfera, muito felizmente ainda mais pequeno do que a blogoesfera, acompanhei ontem com desinteresse - pelo tema, não por quem o debatia - os argumentos que apoiados não por notícias mas por alguma informação (não muita), asseguravam a veracidade da mensagem contida na campanha que visou / visa suspeitar da idade de Renato Sanches. Já que em nada o ex-Benfica e agora jogador do Bayern se relaciona com o Sporting, torna-se um tanto bizarro descortinar os motivos para que sportinguistas emprestem voz ou façam eco da referida campanha. Em virtude do interesse que nunca despertou, ignorante sobre o assunto, notei a forma como as declarações de Guy Roux contribuíram para que naquele momento alguns sportinguistas afirmassem que Renato Sanches teria pelas suas contas 22 ou 23 anos de idade. Falo de pessoas informadas e moderadas cujos pontos de vista não tenho normalmente dificuldade em subscrever. Não fora apenas Guy Roux mas as suas palavras pareceram conter o peso que definitivamente desequilibraria a balança do argumento em seu favor. Porquê Guy Roux? Porquê um francês? E a que propósito? Tentando perceber o contexto, procurei ler as declarações do antigo treinador do Auxerre. Mais a leste fiquei já que o treinador francês afirmou que Renato Sanches teria não 22 ou 23, mas 23 ou 24 anos. Ora eu não consigo pela fala distinguir um japonês de um coreano. E por vezes também não consigo pela fisionomia distinguir um finlandês de um russo. A minha filha completou há bem pouco tempo 3 anos de idade e ontem, ao lê-los, fiquei na dúvida durante alguns segundos, mas só por alguns segundos, já que eu consigo perfeitamente distinguir uma criança de 7 anos para outra de 3 anos. Ou um rapaz de 10 para outro de 5.

Ou um de 15 e outro de 10. Percebe onde quero chegar? Será preciso mais do que bom-senso para imaginar que um miúdo de 10 anos nunca se sentaria na sala de aula duma escola ao lado de miúdos com 5?

Por último, a respeito desta notícia e dum comentário que Bruno de Carvalho terá feito em Março último sobre a idade de Renato Sanches na sua conta do «facebook», tão bizarro quanto despejar para a rua uma questão que (não sei se causa mas) imagino poderá causar prejuízos a Renato Sanches (ao seu bom nome, imagem, ou outros), alimentada sob pretextos que não são fáceis de avistar, tão bizarro quanto isto é a sugestão de que Renato Sanches deveria ou poderia apresentar certidões ou cédulas que esclareceriam em definitivo a questão, sugestão evidentemente subversiva que somente legitimaria quem o difama.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Heróis precisam-se. A vários níveis.

Tivemos há uns dias a oportunidade de assistir - porque gravado pelos próprios - à parvoiçada que envolveu o futsalista Ricardinho, Ricardinho que além de melhor praticante do futsal português é também o melhor embaixador do futsal nacional além-fronteiras. Terá o lixo exibido no vídeo alguma coisa a ver com futsal, Sporting ou Benfica? Não me parece, embora evidencie um anti-sportinguismo primário que deverá ver-se condenado por qualquer não-sportinguista que se preze. A única explicação para aquele momento encontra-se no grupo de 4 ou 5 simplórios que o protagonizou. Grupo de gentinha básica, estragada, deseducada, infeliz, desinteressante, reveladora do mais perfeito desrespeito não pelo Sporting nem por sportinguistas mas pelas pessoas que naquele momento se encontravam naquele espaço.

Vem isto a propósito dos relatos e do vídeo que dá conta de um dos momentos orquestrados pela cerimónia organizada pelo Sporting que há dois dias viu muitos dos presentes - entre os quais o presidente do Sporting, treinadores e atletas - entoar um cântico anti-benfiquista. No final do Portugal - Polónia vimos Quaresma abraçar e legitimar um delinquente duma claque portista a que chamam de "Macaco". Na gala do Sporting vemos representantes do Sporting e sportinguistas cantar prosa produzida por claques. Triste, não será?
As circunstâncias relativamente ao incidente com Ricardinho são muito diferentes, penalizando bem mais a instituição Sporting e não tanto as largas dezenas ou centenas de palermas que entoaram e bateram palmas ao cântico. Ainda assim, só sobre esses, será difícil alcançar a extravagância, o vício e a vergonha alheia que naquele momento evocaram? Será o Benfica necessário ou sequer bem-vindo a uma cerimónia exclusivamente atendida por sportinguistas que visa celebrar o Sporting e o sportinguismo?

Enquanto assistia ao pequeno vídeo, e porque a memória é uma faculdade estranha, recordei um testemunho que também numa cerimónia organizada pelo Sporting relatou qualquer coisa como: um dos melhores atestados à sua personalidade passa por ao longo dos 4 anos em que está connosco, nunca alguém ter ouvido o João Pinto falar mal do Benfica.


Heróis precisam-se, com alguma urgência. Para que incutam normalidade nos outros todos ...

domingo, 3 de julho de 2016

"(...) 'Vem que vais marcar' e marcou, explicou Fernando Santos na conferência de imprensa da selecção nacional, afirmando também que na altura decisiva do jogo com a Polónia estava a rezar, porque é um homem de fé e porque o faz todos os dias."

Ainda que por obrigação tenha de considerar os diferentes contextos e graus de credulidade (isto deverá ser suficiente para que ninguém se sinta ofendido ou incomodado), não sei o que é mais fácil: fazer seis mil milhões de imbecis acreditar na existência de um ou vários deuses (grupo do qual me excluo), ou tentar convencer meia dúzia de milhões de imbecis que vê futebol (grupo onde me incluo) de que pragmatismo é sinónimo de mediocridade. Podendo estar enganado, futebol não merece tanta importância que se torne complicado desculpar uma equipa ou neste caso uma selecção que vai exibindo qualquer coisa que equivale a um redondo nada. Não traz qualquer bem. Mas também não traz qualquer mal.

Nem tem qualquer importância. O que já adquire alguma importância são as recorrentes tentativas de mascarar esta mediocridade com substantivos como pragmatismo e eficácia, ou declarações de intenções parvas como "independentemente do adversário temos de calar as críticas", como se as críticas não tivessem razão de existir, ou como se a selecção portuguesa não tivesse já tido as oportunidades mais do que suficientes (seguramente mais do que as merecidas) para prová-las inválidas.

Áustria, Hungria, Islândia e Polónia: as 4 equipas frente às quais Portugal não conseguiu jogar qualquer coisa que se assemelhasse a futebol e as 4 equipas frente às quais Portugal não consegiu vencer, onde só o acaso lhe permitiu marcar presença nas meias-finais dum campeonato da Europa. Isto de crítica não tem rigorosamente nada. Tão só uma verdade que nem o mais ingénuo dos religiosos mentais consegue disfarçar.

sábado, 2 de julho de 2016

Novos equipamentos com as velhas cores

Da apresentação dos novos equipamentos ontem na III Gala Honoris saúde-se o regresso à normalidade, com o Sporting a reeleger as cores tradicionais que as ultimas gerações memorizaram como sendo o equipamento "à Sporting". Não deve ter custado nada e certamente que, tal como eu, muitos adeptos terão saudado o fim do período experimentalista, que pode muito bem estar reservado para as camisolas alternativas. É que para o equipamento à Sporting não há alternativa.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sporting Club de Portugal, título d' uma associação. Na baliza, do reino o seu guardião João.

Do Sporting Club de Portugal fundado por mulheres e homens que sabiam desde a primeira hora o que queriam, fazemos parte da sua instituição e prestamo-lhes por isso a nossa modesta homenagem, devida vénia e expressão de profundo obrigado. O clube que hoje amo é infinitamente vasto e rico mas o clube que eles fundaram foi incomparavelmente melhor, porque teve-os. Honrar e reforçar por isso na melhor medida das nossas qualidades a herança que nos deixaram, é o melhor tributo susceptível de lhes prestar, tarefa que se cumpre todos os dias. Melhor do que os títulos que ostenta, superior aos fundamentos ecléticos enraizados na sua génese e orientação desportivas, mais do que um clube, o Sporting resume uma forma de estarmos na vida firmada por valores e práticas tão essenciais quanto as verdade, dignidade, bondade, solidariedade e independência.

E se nalgum momento teria de ser, quando exaltamos o dia do mês que há 110 anos nos fundou, um dos nossos mais ilustres generais anuncia o fim de uma carreira que teve tanto de brilhante quanto de honrada.
Se o contributo de heróis como tu nunca poderá ver-se retribuído, jamais será esquecido.


Ali vai o guarda-redes do Sporting. Obrigado João.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A razão vindicada por Josep Guardiola.

Será legítimo ou fará sentido questionar a qualidade que na condição de treinador vemos normalmente atribuída a Carlo Ancelotti? Afirma C. Ancelotti que «o melhor jogador do Euro-2016 é Renato Sanches! É fenomenal», conclui de modo inequívoco.

Além da razão aparentemente sustentada pela reputação de quem o afirma, poderão 35 ou 80 milhões de razões extra somar-se às percepções de verdade ou ilusão na afirmação contidas?

Em Julho e Agosto de 2011, ao passo que o revolucionário Josep Guardiola entrava para a última temporada como treinador do Barcelona, e ao mesmo tempo que o outrora revolucionário José Mourinho em Madrid despendia largas dezenas de milhões na aquisição de jogadores, estes senhores enunciavam as qualidades dum jogador mais ou menos desconhecido entretanto chegado a Lisboa a «custo-zero». Não foram nessa ocasião precisos mais do que 2 jogos de preparação para que Maldini afirmasse: "Nestes três anos de blogue, fomos tentando dar a entender as características que nos prendem nos extremos, que são por norma jogadores tão próximos dos adeptos quanto longe dos colegas. Três anos depois chega à Liga portuguesa o tal extremo que personifica tudo o que cremos que deve ser o jogador que ocupa o corredor lateral ofensivo. Muita inteligência na forma como decide cada lance, e muita capacidade técnica que lhe permite colocar em prática o que a mente decide. Nolito enche as medidas a qualquer um. Personifica a vitória da inteligência, até sobre o talento. É um jogador e tanto".

Na sequência de 2 jogos de pré-época.

5 anos passados (muito tempo na carreira de um jogador), no mesmo mês em que Renato Sanches se vê transferido por pelo menos 35 milhões de Euros para a Bavaria, Nolito por uma verba bem mais modesta é dado como certo ou pretendido em Manchester onde reencontrará Josep Guardiola. Ao longo de parte do período, 2011 e 2012, o mesmo Maldini que alertara para a qualidade do espanhol, exprimia alguma desilusão ou incompreensão por opções e palavras de Jorge Jesus que não atribuíam a Nolito a importância que este mereceria no Benfica que ombreou ao longo de 2 épocas com o FCP de Vitor Pereira.

Em todo o caso, não estabelecendo relações de causalidade onde não existem, no contexto deste texto ou de outro exercício qualquer, não é Renato Sanches que faz de Nolito um jogador de muita qualidade. Nem é Nolito que faz de Renato Sanches um jogador caro. Tal parece-me óbvio, tão natural quanto Nolito tratar-se de melhor jogador relativamente a R. Sanches e que o último foi efectivamente demasiado caro. Porquê então relacioná-los?
Porque acabo de vê-los na primeira página da secção de notícias online dum jornal desportivo.

Com intuição e razão, se tivesse de destacar uma causa como maior singular contribuidor para a pontuação recorde alcançada pelo Tottenham na liga Inglesa em 133 anos de história, qual destacaria: André Villas-Boas ou Gareth Bale? Qual a utilidade, o mérito e já agora o preço justo da utilidade? Teria Villas-Boas conseguido somar perto de 75 pontos se no seu plantel trocássemos Bale por Nolito? Não o teria conseguido - é a minha resposta, uma que não posso evidentemente provar verdadeira. Terá esta pergunta alguma importância no que refere às qualidades de Nolito e de Bale? Rigorosamente nenhuma, além de que noutro contexto nada exclui a presença de ambos no mesmo onze. No reinado de Ancelotti em Madrid, o clube da capital espanhola despendeu entre 90 a 100 milhões de Euros pela aquisição dos serviços do jogador galês. Uns anos antes já despendera outros tantos pelos serviços de Cristiano Ronaldo. Qual a utilidade da utilidade?
Substituirá, subtrairá ou acrescentará a utilidade qualidade a uma equipa?

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Dormindo com o inimigo

Dormindo com o inimigo I
O rumor já circulava há um par de semanas, a confirmação ocorre agora: quatro meses depois de ter começado a WL Partners cessa a colaboração estabelecida com o clube, transferindo-se para o outro lado da estrada, poucos quilómetros mais acima. Mesmo sem poder avaliar se esta excursão da referida empresa a Alvalade pode ou não corresponder a potenciais danos para o clube, isto não deixa de pelo menos ser embaraçoso. 

Quanto deste triste episódio foi meramente casual ou devidamente planeado era o que certamente todos gostaríamos de saber. O facto de estarmos a falar de uma empresa que é liderada por um conhecido benfiquista só serve para adensar suspeitas. O futebol não é um negócio como outro qualquer.

Dormindo com o inimigo II
Costuma-se dizer que um mal nunca vem só. No caso dos nossos avançados goleadores parece que o ditado popular pode fazer sentido. Ao fumo que se vai vendo no caso de Slimani e Teo Gutierrez pode corresponder a existência de alguma fogueira já em curso. O colombiano apostou numa declaração inequívoca, revelando a sua vontade em voltar à Argentina, o que não é propriamente novidade. Slimani optou pela descrição, embora a sua ausência dos trabalhos entretanto iniciados constitua uma declaração tácita do que é o seu actual comprometimento com o clube. 

Sendo casos diferentes a merecer tratamento diferente (Teo quase não tem mercado, exceptuando a China para  onde não quer ir, Slimani quase pode escolher, faltando saber quem quererá pagar o que o que o Sporting pedirá) não podem deixar de ser considerados problemas para resolver com urgência, mais ainda atendendo ao que representaram para a equipa no ano passado. Aqui, o pior que pode acontecer é ficar com jogadores contrariados, tornando-se numa espécie de células adormecidas, prontas a fazer despertar problemas a criar ruído.

Dormindo com o inimigo III
O empréstimo de Tobias Figueiredo a um clube como o Nacional de Rui Alves só pode ser entendido de duas formas: ou por uma súbita amnésia por parte da SAD ou um novo período de relacionamento entre os dois clubes. Esperemos que, mais uma vez, não tenha que ser lembrada a história do sapo e do escorpião. Quanto à necessidade de Tobias rodar, essa parece-me uma evidência. O jogador está numa fase da sua carreira em que necessita de aprimorar os seus recursos bem como de desafios que a permanência no plantel principal do clube dificilmente  assegurariam no presente.

Dormindo com o inimigo IV
O negócio da aquisição de Bruno Paulista, bem como a forma como foi financiado, nunca ficou devidamente esclarecido. As declarações do jogador à chegada contradizem o que se sabia sobre relação contratual do jogador com o clube (emprestado, com opção de compra) e vieram adensar a nebulosa em torno do negócio. O preço a pagar por um jogador que nada fez no seu primeiro ano também não ajuda muito. A ver o que entretanto dirá o clube, porque seguramente que o vai fazer.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Raios dessa aurora forte são como beijos de mãe

Melhor momento do Portugal VS Croácia 

Em face da cada vez menor paciência que tenho para ver futebol fora do universo de equipas do Sporting, dos seus principais adversários em Portugal, provas europeias de clubes e o futebol doméstico de não mais do que 4 ou 5 equipas de 2 ou 3 campeonatos, tive a sorte (beneficiei do acaso) no último Portugal VS Croácia de ligar a imagem a tempo de apanhar e acompanhar o melhor momento do encontro. Não lembro a última vez que escutara a "A Portuguesa" mas nesse instante recordei quão bonito o hino português é. Naturalmente, formas de expressão como a música e a literatura permanecem duas das principais formas de contacto com aquilo que nos antecede, acompanha e sobreviverá. Música e literatura, ainda que humanas, tão fortes e transcendentes quanto a ordem ou o mundo natural. Para além disto não existe garantidamente mais nada.
É aqui, nas escolas portuguesas, que a música, literatura ou outras exposições de arte se deveriam fazer sempre presentes, educando e inspirando-nos. E se quisermos usá-las como forma de distinção de elementos identitários comuns a povos arregimentados por nações, ou se quisermos usá-las como celebração de alguns dos muitos, valiosos, entre-nós ou idos descendentes da cultura portuguesa, abandonemos a norma que simultâneamente constrange e prostitui música e literatura portuguesa tão admirável quanto o hino português, a coisas tão insignificantes quanto cerimónias de estado ou homenagens a figuras de estado.

É nas escolas portuguesas que ela deverá fazer-se ouvir. E tudo o que é bonito é tudo o que deveremos porventura banalizar. Além de que obviamente dar-me-ia a oportunidade de escutar o hino português mais vezes.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A pergunta que fica depois da entrevista de Bruno de Carvalho ao Expresso

Apesar de não haver futebol ao mais alto nível sem ser o das selecções não faltaram noticias sobre o Sporting a merecer atenção. Certamente que ficarão por mencionar outras das que aqui serão destacadas, estas foram as que elegi:

- Quinze medalhas de ouro obtidas nos campeonatos de Portugal pelos atletas masculinos e femininos.

- Um notável jackpot obtido no futsal com títulos em todos os escalões, que ilustram a hegemonia do Sporting na modalidade. Um caso de estudo para as restantes secções e departamentos do clube.

- O regresso aos títulos nacionais nos juvenis, dos quais andávamos arredados há nove anos. Num escalão de formação ganhar talvez nem seja o mais importante mas se podes formar a ganhar tanto melhor.

- Depois do hóquei e do basquetebol foi agora anunciado o râguebi como modalidade oficial. À semelhança do basquetebol, extingue-se a equipa sénior, deitando fora o esforço e a dedicação de todos quantos fizeram ressurgir a modalidade. Não devo estar muito enganado ao supor que tal se deve a uma aposta no ciclismo e no futebol feminino. Esperemos que tal se venha a justificar, embora me pareça de difícil compreensão.

- Ainda do fim-de-semana saliência para o desdobramento mediático do presidente Bruno de Carvalho. Duas entrevistas praticamente em simultâneo, uma ao jornal do clube e outra à revista do Expresso que pode ser lida na íntegra aqui (LINK). 

Dessa entrevista saliento uma afirmação que inicialmente me passou despercebida, por se tratar de matéria da vida pessoal a que normalmente não dou importância. Porém, depois de forma quase casual, acabou por me fazer reflectir, uma vez que de forma muito concreta tem a ver com a relação do presidente com o clube. Estou a referir-me à referência que faz à passagem pela construção civil e quando afirma que desse período resultou a sua independência financeira. 

Ora se por independência financeira se entende a situação em que um individuo deixa de depender da necessidade da obtenção de um salário para se sustentar, por ter conseguido obter rendimentos fixos, fica por compreender porque se tornou no primeiro presidente a cobrar ao clube um vencimento mensal que, ainda sem terminar o primeiro mandato, requereu que fosse duplicado.

Creio que essa é uma explicação que fica a dever a todos quantos se desdobram em sacrifícios para pagarem quotas, gameboxes e viagens.

domingo, 26 de junho de 2016

Depois de muita penitência apareceu... Quaresma

A primeira consideração a fazer é que Portugal eliminou uma selecção que, globalmente, não só foi melhor neste jogo como estava a ser melhor que nós no torneio.  E diga-se em justiça que aparentava poder contribuir muito mais para a qualidade geral do evento do que nós parecemos habilitados e até interessados em ser. Serve isto para dizer que, se há mérito nesta eliminação, ela correspondeu a uma abordagem ao jogo que está longe de me agradar. Mais, esta postura excessivamente conservadora de Fernando Santos só tem justificação possível perante a obtenção de resultados. Ela é afinal isso mesmo, resultadista. 

Não vou entrar no jogo dos "ses" agora que ganhamos porque também não gosto de o fazer quando perdemos. Mas quero apenas dar conta com estas observações que estivemos várias vezes e demasiado tempo à mercê do adversário e do jogo para merecer a sorte que acabou por nos sorrir momentos finais. Não acontecerá muitas vezes neste registo, estou certo.

Uma das notas principais do jogo foram as alterações realizadas na equipa inicial. Devagarinho e talvez impostas pelo aperto de ser um jogo de resultado único para a continuidade da equipa, o seleccionador lá foi pondo os melhores nos seus lugares, excepção feita à ausência de Ricardo Carvalho por não estar em boas condições físicas. 

Cédric esteve quase sempre impecável, muitos furos acima de Vieirinha nos jogos anteriores, particularmente no jogo com a Hungria, onde esteve várias vezes à beira do desastre, no que foi então "bem" secundado por Eliseu. Adrien foi de uma generosidade e entrega total e se o seu jogo não foi mais ousado no que diz respeito às iniciativas atacantes é porque o modelo não o prevê e os croatas não estavam para brincadeiras. Creio mesmo que a sua titularidade se justificaria mesmo que Moutinho estivesse em forma porque ainda assim teria primazia sobre André Gomes que, sendo um potencial titular, parece estar muito longe da boa forma física.

Um parágrafo especial para Renato Sanches. Se é um fiel seguidor da nova seita religiosa renatosanchista que se debate ferozmente contra qualquer infiel, não o leia porque não encontrará adjectivos ou encómios suficientes. 

Mas estamos a falar de um jogador especial, não apenas pelo elevado potencial que tem mas também pelo que já consegue fazer aos dezoito anos. E depois tem a sorte e o mérito de ter estado no momento decisivo do jogo. Sorte porque o lance já tinha praticamente morrido quando a bola chegou a Nani. Não fosse o estranho bico deste fazer chegar a bola a Ronaldo (que, também mal, decide rematar e quando quer ele quer Nani deviam ter servido Quaresma) e esta ter cai milagrosamente cai em Quaresma e ninguém se lembraria dele pelo que fez no resto do jogo. Mérito pela forma como arrisca e sai da camisa de forças que é concepção securitária do seleccionador, resumindo o nosso futebol e os nossos jogadores meros funcionários diligentes, sem qualquer capacidade criativa.

Não se pense que esta vitória me deixa triste. Mas a forma como é obtida é demasiado sofrida e penitente que se afasta da forma como olho para o futebol. Obviamente que os grandes resultados se obtêm pela aplicação total e pelo rigor do desempenho de todos. Para mim esse rigor não pode ficar apenas pelas tarefas defensivas e só por acaso ir à baliza adversária uma vez no final de 120 minutos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Na senda de dirigentes que interferem no trabalho dos treinadores e no trabalho das equipas. A ditadura do capricho.

Nota curta antes do «post»: o blogue retomará a sua normal actividade assim que o Leão de Alvalade tenha disponibilidade para o efeito. A bem do Sporting e do blogue, o mais rapidamente possível.

Uma vez que a aprendizagem com os erros é pré-requisito de sucesso, valeria sempre a pena retomar a discussão Carrillo. Não o farei nesta ocasião. Afirmo no entanto que embora consiga facilmente qualificar a decisão que o afastou dos trabalhos da equipa, não posso quantificar os danos desportivos pela decisão causados. Negar a existência dos danos e recusar a causalidade entre a decisão tomada e a qualidade objectiva do futebol do Sporting é no entanto impossível. Muitos, sem sucesso, tentaram fazê-lo. Não por acharem que a qualidade de Carrillo pudesse ver-se dispensada ou substituída, nem por acharem que os jogadores devem ver-se «castigados», mas apenas por ter sido essa a decisão do presidente do Sporting. Seria tempo de deixarmos cair palavrões como estrutura. No Sporting, em respeito às grandes decisões, não existe qualquer estrutura. Existe a vontade de um indivíduo (substitua vontade por caprichos se assim desejar). Com evidentes prejuízos para os méritos das verdade, honestidade, liberdade intelectual e espírito crítico, qualquer que fosse a decisão tomada no caso Carrillo esta colheria apoio. Foi assim com Eric Dier e foi assim com Ilori. Sê-lo-á para qualquer caso semelhante. Trata-se afinal de uma entre mais perversas características deste estado-novismo ou brunocracia que se instalou em Alvalade. “Curiosamente” (entre aspas porque de curioso tem muito pouco), relativamente às dinâmicas entre poder instituído e massa adepta, há muito que o Benfica vive uma situação semelhante. Entre-portas, sócios e adeptos do Sporting, falando exclusivamente pela minha pessoa, o que serve a quase todos não serve contudo a todos - realidade à qual muitos fundamentalistas terão de acostumar-se.

Exibição pouco conseguida em Barcelos na prova europeia terá irritado presidente. Uma semana depois de ter perdido a meia-final da Taça CERS com o Vilanova, o Sporting foi a Vale de Cambra disputar um jogo do campeonato sem Luís Viana, Cacau, Tiago Losna e o capitão Ricardo Figueira. A exibição pouco conseguida em Barcelos na prova europeia terá irritado Bruno de Carvalho que não gostou da alegada falta de empenho daqueles jogadores, exigindo assim o seu afastamento da equipa. Nunca mais voltaram a vestir a camisola do Sporting e passaram a treinar-se à parte dos restantes companheiros.

Afirma-nos o coordenador geral do hóquei do Sporting, José Trindade, que a decisão tomada não partiu de uma pessoa em particular. Foi uma decisão do Sporting que tivemos de implementar. Foi tomada por todas as pessoas intervenientes de forma coletiva. Adivinhando a posição ingrata à qual José Trindade se viu sujeito, ficámos a saber tratar-se duma ordem que sem apelo nem agravo tivemos de acatar. Uma ordem sobre a qual não tivemos qualquer palavra a dizer. Uma ordem, portanto, tomada de forma colectiva.

Medite bem sobre as transformações em curso no clube.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Quem melhor do que os jogadores?

Inúmeras vezes criticados em função daquilo que (em exclusivo) não controlam, tantas vezes julgados em função da circunstância de ganhar ou perder, muitos são aqueles que se apropriam da capacidade não só de avaliar mas com exactidão determinar a competência dos treinadores de futebol. Na linha da frente desta multidão: media, adeptos e dirigentes, com os últimos frequentemente a reboque dos segundos e os segundos lesados pela ignorância dos primeiros, além de condicionados pela sua própria ignorância. Excluídas as excepções, porque existirão sempre injustiças, este defeituoso ciclo embora nocivo ao jogo e aos clubes, não vitimiza os treinadores. Independentemente daquilo que é escrito ou dito, independentemente da quantidade de lenços exibidos nos estádios, descomprometidos perante inúteis votos de confiança de dirigentes, os treinadores têm uma franca oportunidade de comandar os seus próprios destinos. Assim é porque independentemente de qualquer coisa, mantêm completo controlo sobre o trabalho das suas equipas. Deste modo, parece-me claro que os treinadores são na maioria dos casos protagonistas das suas capacidades e conhecimento. Ou vítimas da sua própria falta de competências.

Pressupondo contextos onde a normalidade e a boa-fé imperem, este é o espaço justo onde os treinadores se deverão situar. Livres da arrogante e ignorante autoridade dos media, livres da arrogante ignorância e incapacidade dos adeptos, a salvo dos excessos, iniquidade e perverso instinto de sobrevivência dos dirigentes.
Pressupondo contextos onde a anormalidade e a má-fé imperem, podemos sempre contemplar cenários nos quais dirigentes, premeditada ou involuntariamente interferem com o trabalho dos treinadores. Marco Silva e o Sporting foram há duas épocas exemplo deste fenómeno perverso. De igual modo, podemos considerar situações pouco frequentes mas longe de raras, nas quais jogadores procuram de forma consciente sabotar o trabalho dos treinadores. É mais frequente do que se presume.

Desta forma, em respeito ao trabalho e às competências dos treinadores, se um olhar sobre os resultados é insuficiente, se os media transportam erro em abundância, se as opiniões dos adeptos são na maioria do tempo desprovidas de mérito, e se as acções e decisões de muitos dirigentes não nos oferecem credibilidade, podemo-nos em todo o caso socorrer de fontes bem mais autorizadas.
Afirmara um jogador há 3 semanas, tal como outros no passado ao serviço de equipas de idêntica ou menor dimensão, “tacticamente é impecável e potencia o melhor de cada jogador. Por isso, em poucos meses, deu-me o que os outros treinadores não me deram”. Hoje, tão simples assim: “ele ensina-me”.


Não existe maior reconhecimento ou elogio à capacidade de um treinador.
Das únicas fontes autorizadas no processo.

domingo, 19 de junho de 2016

O pleno está feito. Para o ano há mais.

4 vitórias nos 3 troféus disputados a nível Nacional e 1 a nível distrital, dupla-vitória para o campeonato nacional no pavilhão da Luz a fechar mais uma época perfeita do futsal sénior do Sporting. Felicitações aos jogadores, Nuno Dias (técnico que além da enorme competência exibe uma postura irrepreensível nas vitórias e nas derrotas), e parabéns aos dirigentes responsáveis pela secção.
De igual modo, uma palavra de apreço dirigida ao Benfica: equipa de qualidade como atesta o 3º lugar na UEFA futsal cup e um digno vencido que complicou a vitória do Sporting. Complicando-a, valorizou-a.

sábado, 18 de junho de 2016

A decepção Austríaca

Mais um jogo da selecção Nacional e mais um ponto conquistado. Tudo dentro do expectável e com as possibilidades de apuramento ainda intactas, importante feito para uma equipa que joga muito pouco.

Decepcionante só mesmo a exibição da equipa que melhores indicações havia dado na 1ª jornada do grupo.
Esperemos que a prestação desta noite não tenha passado de um erro de percurso e que a Áustria volte a jogar o futebol que está ao seu alcance. O campeonato da Europa agradecerá.

“E não há dia em que não veja exemplos destes "crimes" nas discussão sobre o Sporting”

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Na Luz à procura de novo título

Após o generalizado silêncio em redor do futsal provocado pela vitória do Benfica no multiusos de Odivelas no princípio da semana, regressarão hoje e amanhã os discursos de vitória em virtude do triunfo agora obtido pelo Sporting no pavilhão da Luz. Relativamente ao futebol, já se sabe que os blogoesféricos gostam de valorizar outras modalidades mas só quando ganham. Demonstrando esta noite o porquê de na actualidade assumir-se como a melhor equipa portuguesa de futsal, o Sporting demonstrou também (mais uma vez) o porquê de nos últimos anos não ter sido nalguns momentos capaz de materializar essa superioridade nos confrontos com o Benfica. O motivo é bem simples: o Benfica também tem uma equipa muito boa.
Recordo a este respeito duas épocas relativamente recentes (pré Orlando Duarte) nas quais o Sporting se sagrou campeão Nacional, uma das quais no pavilhão da Luz, em contextos onde o Benfica se apresentava como favorito, favoritismo na altura advindo do excelente plantel que tinha à sua disposição.

Podendo tudo ainda acontecer, façamos votos para que no próximo domingo consigamos na Luz vencer novamente o Benfica, festejando desde logo novo título de campeão Nacional.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Oitenta milhões de razões para estar calado

Não vou comentar a afirmação de ontem de Bruno de Carvalho, relativamente a uma putativa proposta de oitenta milhões por um jogador do Sporting, no mercado de inverno. Oitenta milhões talvez seja  exagerado, mas devem andar por aí o número das razões que encontro para ficar calado.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Portugal - Islândia: depois da cagança o empate sem pujança

Não se pode dizer que haja razão para grandes estupefacções perante o empate da selecção portuguesa ante a Islândia. Para perceber este resultado, e antes de olhar para o jogo em si, há que olhar para o percurso recente das equipas e não para todo o seu historial. E aí verificamos que já em 2014 a qualificação da Islândia para o campeonato do Mundo foi esticada até ao play-off com a Croácia, conseguindo este ano pela primeira vez participar num torneio de selecções ao mais alto nível, neste Europeu de França. 

O jogo de ontem só veio confirmar que já não há equipas fáceis de bater bem como as nossas tradicionais dificuldades com equipas com abordagem mais defensiva. Mas talvez o mais importante seja a confirmação daquilo que já todos devíamos saber e parece que poucos apreenderam ainda: Portugal é uma selecção mediana com um grande jogador, pelo que afirmações sobre favoritismos ou candidaturas da nossa parte são um rotundo exagero.

Sobre o jogo propriamente dito, vou fugir um pouco à tentação de sobrepor a minha opinião pessoal à do seleccionador, no que diz respeito à escolha deste ou daquele jogador. Mas aproveito a titularidade de Danilo como um exemplo prático da mentalidade conservadora de Fernando Santos Prefere a segurança a todo o custo, sem qualquer ousadia ou atrevimento. O mais que ganhou foi expor as limitações daquele jogador e, ao invés de potenciar o melhor dos outros, limitou-os ou até os atrofiou.

Por isso é que a discussão à volta de "quem devia ter jogado no lugar de quem" me parece estéril ou apenas se justificar para dar curso às tradicionais clivagens clubisticas. O problema começa na cabeça do seleccionador, no que é agravado pela mediania, em termos individuais, dos nossos jogadores, excepção feita a Ronaldo, claro está. 

O futebol "à engenheiro", muito certinho mas pouco audaz de Fernando Santos é particularmente insuficiente ante equipas que se encolhem atrás. Ora, passar um jogo a privilegiar os cruzamentos pelo ar ante uma equipa recheada de directos descendentes dos altos e espadaúdos vikings é reciclar a táctica da fé na Srª do Caravágio. Não foi por acaso que o nosso único golo nasce de uma jogada em que a bola circula pelo chão. É por aí que as qualidades técnicas dos nossos jogadores ganham poder diferenciador sobre as melhores capacidades atléticas dos demais. 

Infelizmente não me recordo de nenhuma tentativa de fazer circular a bola pelo chão e dentro do bloco defensivo dos islandeses. Ou de nenhuma jogada pensada com o intuito de desposicionar a sua defesa. Movimentos dos alas (laterais ou extremos) para interior com bola ou em desmarcação para receber também não, ou de alguém aí colocado para oferecer uma linha de passe, para progressão. Ora para jogar em correrias pelas laterais não é a João Mário ou André Gomes que se tal se deve pedir. Desta forma, o melhor que se consegue é tornar Ronaldo, sem espaços, num jogador vulgar e frequentemente dado ao desespero de sentir a obrigação de fazer tudo sozinho.

Não há também razões para o pessimismo lusitano, que tradicionalmente se segue ao confronto com realidade. Mas não duvido que a qualificação, perfeitamente ao nosso alcance, se tido em conta o valor dos adversários que restam, poderá ser complicada. Quer a Hungria quer a Áustria têm mais argumentos tecnicos que os islandeses mas a mesma disposição de jogar lá atrás, à espera de um erro nosso. É bem possível que a contratação de um matemático, sempre esquecida, se confirme mais uma vez necessária.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O Ronaldo, o Europeu

O Europeu, cuja disputa Portugal hoje inicia, é uma competição de equipas e não um torneio individual. Porém, há jogadores que, pela sua preponderância, têm o seu desempenho umbilicalmente ligado ao sucesso das equipas que representam. 

É o caso de Ronaldo. Se ele se conseguir apresentar na plenitude dos seus recursos e conseguir formar com os restantes companheiros uma verdadeira equipa, este poderá ser o seu Europeu. Basta olhar para estes números para o perceber:

- A um golo de se tornar o primeiro jogador de sempre a marcar em quatro campeonatos europeus. 

- Se marcar três golos torna-se no jogador com mais golos marcados na competição. Tem actualmente seis golos, Platini lidera com nove.

- Com a internacionalização que mais logo coleccionará, tornar-se-á no jogador mais internacional de sempre, com 127 jogos. Dessa forma igualará Figo, ficando ainda com anos pela frente para deixar uma marca única, à altura do seu valor.

- Faltam-lhe apenas dois jogos para igualar a marca dos jogadores com mais jogos disputados na competição. Esse titulo é repartido actualmente "ex-aequo" entre Van der Sar e Lilian Thuran.

Já a possibilidade de poder ser o nosso Europeu, o de todos nós, parece-me haver demasiada euforia e algum irrealismo. Um pouco como pensar que a Liga Inglesa possa algum dia ser ganha por clubes como o Leicester. Ah, ora deixa cá ver...

terça-feira, 7 de junho de 2016

Amor é ...

Amor é atravessar a estrada de um passeio a outro para dizer a um desconhecido que passa com a camisola do Sporting vestida (e já em pleno defeso futebolístico)  e dizer-lhe: 

- Tens a camisola mais linda do mundo!

ao que ele responde.

- Ora nem mais!

E depois riem-se e segue cada qual o seu caminho.

Aconteceu mesmo, e não foi a primeira vez. Tinha mesmo que contar. Depois, quando tiver tempo, actualizo o blogue.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Selecção Nacional: Promessas, dúvidas e certezas

O campeonato europeu de futebol está à porta e por isso a nossa atenção recairá nessa competição nas próximas semanas. Tendo a selecção realizado dois jogos particulares, é já possível reunir algumas ideias sobre a equipa que nos vai representar em França.

A selecção e os portugueses
A relação dos portugueses com a sua selecção é um verdadeiro caso de estudo. Embora sem ter por base nenhum relatório que o sustente, parece-me que os portugueses em geral gostam da sua selecção, como em geral do seu País. Mas, talvez por calculismo, desenvolveram uma relação cínica com a sua equipa.  Estou em crer que, à semelhança do que se viu noutros anos, se a campanha for em crescendo de resultados, os portugueses manifestarão o seu apoio. O inverso é capaz também de suceder, caso a campanha seja mais uma entre as muitas decepcções que os portugueses têm coleccionado.  

Obviamente que a afeição dos portugueses à sua selecção não se compara à que nutrem pelos seus clubes. Não creio sequer que isso seja motivo de grandes análises. O mesmo não se pode dizer dos que se deixam contaminar por um clubismo doentio, vendo toda e qualquer acção mais uma razão para prolongar as clivagens que sobraram do campeonato. Neste sentido, o aparecimento das redes sociais só parece ter agravado esta tendência. Tentarei aqui não cair no mesmo erro.

As promessas
Renato Sanchez
Aquando da convocatória pareceu-me haver alguma injustiça para com Pizzi que, pela idade, poucas mais oportunidades terá para estar numa competição do género. O que o pouco tempo de jogo que o futuro jogador do Bayern deixou perceber é que a sua presença pode ter alguma utilidade, especialmente se for preciso agitar os ritmos de jogo.

Quaresma
É do lote dos mais velhos, pelo que a sua colocação neste parágrafo parece um erro ou engano. Mas a sua capacidade de improviso é a melhor promessa de quebra da monotonia. Pena é a sua fiabilidade. Mas, até pelo que se vai vendo de Nani, parece que vamos mesmo que o ter em conta.

As dúvidas
A veterania
Não vejo como as escolhas do selecionador poderiam ser substancialmente diferentes mas a veterania deste lote de convocados é por demais evidente. Veremos, com o decurso da prova se a idade já pesa em excesso em algumas das pernas. Por si só, não vejo aqui um problema, o critério de convocar os que no momento ofereçam mais garantias, independentemente da idade, parece-me correcto. A questão da renovação pode ser levantada, embora este ano haja competições em praticamente todos os escalões, de forma a permitir rodar a quase todos. Mas quando assim é a corda não pode rebentar precisamente onde mais se deveria esperar da experiência, como aconteceu ontem com Bruno Alves.

Ronaldo
A forma do nosso melhor jogador, pela amostra deixada na final da Liga dos Campeões, é a grande interrogação. A selecção precisa de um grande Ronaldo e ele também precisa de o ser para as suas ambições pessoais de consagração, mais uma vez, como melhor do mundo.

Moutinho
É fácil perceber que não está em forma e, por essa via, a sua titularidade compreende-se, uma vez que o ritmo perdido pelo grande tempo de paragem por lesão não lhe ia surgir sentado no banco. Mas, a manter-se como está, terá que ceder o passo a Adrien, ou mesmo a André Gomes.

Nani
Parece ter perdido já algum fulgor, um pouco à semelhança do que já havia sido a época de regresso temporário ao Sporting. Parece ter-se tornado num jogador de fogachos, com perda para consistência das suas acções.

Danilo ou William
Na cabeça de Fernando Santos a decisão parece estar já tomada. O que ontem foi dado ver é que não deveria estar. Danilo saiu muitas vezes do estilo de "recupera , entrega" que o seleccionador parece preferir para a posição. Quem sabe por se sentir acossado pela sombra de William, que oferece muito mais soluções para ter uma circulação de bola mais eficiente.

Como é que a bola vai chegar à frente?
Foram apenas pouco mais de trinta minutos o tempo em que jogamos em igualdade numérica, mas até pareceu um alivio para a equipa e em particular para o selecionar a expulsão de Bruno Alves. É com menos deixamos de ter a obrigação ou mesmo o incómodo de ter que chegar à baliza inglesa. Ou as ideias não passaram ou está ainda muito mal trabalhadas as soluções para o ataque. E sem bola na frente não há Ronaldo nem milagres.

Certezas

Centrais
Se Pepe e Carvalho já pareciam titulares, Bruno Alves encarregou-se de ajudar à escolha. Não que Pepe dê muito mais garantias no aspecto disciplinar, mas aquele episódio deixou o seleccionador sem grande escolha. Já no jogo anterior, a forma como Fonte se deixou antecipar por um adversário já tinha produzido efeitos semelhantes. E, convenhamos, Carvalho é o melhor de todos. 

Os laterais
O valor entre si equivale-se, pelo que, embora a escolha não pareça definitiva, qualquer um parece dar garantias ao sono tranquilo do seleccionador. Pelo menos até à hora de escolher.


João Mário
Para quem quiser perceber a importância de um treinador na carreira de um jogador vai ser curioso segui-lo nesta competição. A ele que foi dos melhores por cá, no campeonato. Sem saber jogar mal, perderá muito se a dinâmica do nosso jogo e em particular a circulação e posse de bola se pautar pela amostra de ontem. 

Vamo-nos ver gregos
Quem viu o que foram as prestações a selecção grega sob o comando de Fernando Santos já pode adivinhar mais ou menos como vai ser o nosso jogo. Conservadorismo táctico, muita rigidez e pouco previlègio para a criatividade e improviso. O que é que isso quer dizer quanto às nossas possibilidades e até candidatura ao titulo, com muitos reclamam? Absolutamente nada. Mas, para já é preciso qualificar para a fase a eliminar. Sem isso, tudo o mais são tretas, como diz a música.

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